Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Novo blog, novo endereço

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Olá pessoal,

Há um novo endereço para este blog: http://lucianoayan.wordpress.com

Motivo: Há meses eu queria ampliar os assuntos abordados aqui, focando não só no neo ateísmo como também em outras subversões, como o marxismo e a esquerda em geral. E eu não poderia fazer isso em um blog exclusivamente focado no neo ateísmo. No novo blog, todas as minhas investigações ao neo ateísmo prosseguirão, mas a diferença é que o “range” de assuntos será diferente.

Convido vocês para o novo endereço.

Vejo vocês por lá,

LH

OBS: Todos os comentários feitos aqui (até 3 horas atrás) foram importados para o novo endereço, todos os novos posts serão feitos lá, embora este endereço continuará disponível.

Written by lucianohenrique

maio 2, 2010 at 10:19 pm

Publicado em Referências

A empatia bizarra dos “humanistas” seculares

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Quando eu digo que a melhor opção nessa guerra intelectual iniciada pelo neo ateísmo é o ceticismo em relação À PREGAÇÃO DELES, é por que já os estudei de tal forma que o perfil comportamental deles é realmente muito previsível.

Sempre defendi que, se eles apresentam alegações, devem ser INVESTIGADOS para avaliarmos se suas alegações são factuais ou não, ao invés de apenas ficar tendo que “defender” a religião e Deus de argumentos neo ateus que não passariam no crivo de uma criança de 10 anos.

É na investigação do DISCURSO deles que encontramos algumas pérolas que merecem estudos mais fortes… um estudo de como eles são sugestionáveis a ideologias picaretas. Tecnicamente, acreditam em tudo, inclusive em qualquer falsa promessa desde que amparada por alguma retórica, desde que esteja contra a religião.

O que mais causa vergonha alheia em relação a esse pessoal é que aceitam o discurso sem JULGAMENTO CRÍTICO, pois algumas coisas que eles pregam são dignas de riso. Em termos práticos, não há muita diferença entre a postura deles e a pior faceta religiosa, como nos casos do Edir Macedo. Em ambas as situações, é apenas discurso sedutor, emocional, para enrolar os incautos.

Diante dessa perspectiva da investigação das alegações neo ateístas, eu não podia deixar passar batido este texto, “Seja individualista você também”, uma defesa do humanismo secular feita de forma apaixonada por Eli Vieira.

Se alguém já leu “Cachorros de Palha”, de John Gray, já deve ter uma idéia a respeito do humanismo secular, e de como é uma ideologia patética, do início ao fim.

Vamos ao texto:

Calma. Não estou convidando ninguém a ser egoísta. Muito pelo contrário – pretendo mostrar que ser individualista é bem melhor para quem se preocupa com o resto da Humanidade. O que é este individualismo que não é um egoísmo? É uma postura comum de quem é humanista e secular.
Humanistas seculares estão preocupados em defender uma plenitude da vida humana construída sobre um chão sólido. O chão sólido é que a vida humana seja vista como é apresentada pela ciência, ou seja, solitária no contexto cósmico, finita e rara, produto de processos puramente naturais. A construção da plenitude é feita tanto com o incentivo ao melhor entendimento desse chão sólido, ou seja, com a indicação da ciência como o método mais apropriado de obter conhecimento, quanto com a proposição de valores éticos que dizem respeito à preservação da vida humana.

O divertido é que a coisa já começa com um baixíssimo nível de humildade. O sujeito não só diz “defender uma plenitude da vida humana” como também a idéia de que ele caminha em direção à “construção da plenitude”. Os leitores do Bule devem ter ficado com a calcinha molhada neste momento.

Mas essa plenitude, segundo ele, vem da ciência, que ele define como “o método mais apropriado para obter conhecimento”. Bem, pelo menos ele não escreveu “o único método”, mas o cheiro de cientificismo é forte.

Vejam só: se é verdade isso que ele diz, será que ele consegue provar CIENTIFICAMENTE que a postura de quem é humanista e secular AUMENTA a “preocupação com o resto da humanidade”? Será que ele fará uma parte 2 do texto trazendo tais evidências? Lembremos que ele ALEGOU que o conhecimento teria que vir da ciência…

E a tal “proposição de valores éticos que dizem respeito à preservação da vida humana”… Vieram de onde? Da ciência? Qual pesquisa? Qual paper?

Já deu para notar que o começo do discurso de Eli não é nada promissor. E o restante não melhora muito, quando ele prossegue:

Esta preservação e manutenção da qualidade da vida humana é pautada no indivíduo. Porque entendemos que não há sociedade saudável sem indivíduos saudáveis.
A última frase merece uma explicação especial. ‘Saúde’ do indivíduo significa:
[1] – expressar livremente suas opiniões e impulsos estéticos e artísticos,
[2] – atender a seus impulsos biológicos fundamentais, como os sexuais, quaisquer que sejam contanto que com parceiros capazes de responder por si (o que exclui crianças por exemplo),
[3]- ter a oportunidade de livrar-se da dor física e psicológica, mesmo que signifique optar pela eutanásia ou pelo aborto (contanto que responsavelmente e na ausência de alternativas),
[4] – ter acesso universal à apresentação imparcial do conhecimento,
entre outras coisas que se seguem logicamente dos valores fundamentais que adotamos.
Valorizar o indivíduo evita coisas como a opressão das minorias, as guerras, os privilégios a instituições ideológicas e religiosas (como a isenção de impostos escandalosa que é dada às religiões no Brasil), a homofobia, o racismo, o fascismo, e todas as formas de comportamento de rebanho que foram danosas à Humanidade em sua história milenar.
Note que isso é uma prescrição, e não uma descrição da realidade. (É como queremos que as coisas sejam, e não como as coisas são hoje.)

Chega a ser engraçado. Primeiramente ele diz que “não há sociedade saudável sem indivíduos saudáveis”, mas ao invés de tratar da concepção de saúde tradicional, opta por outra coisa muito estranha. Ele redefine o termo ‘saúde’.

Os itens [1] a [3] existem em países extremamente religiosos também. Não tem a ver com o humanismo.

Já o item [4] chega a ser no mínimo hipócrita da parte dele. Recomendo que leiam um livro chamado “Indoctrination U”, de David Horowitz, que fala do patrulhamento ideológico que sofre a minoria em alguns cursos universitários. E qual a minoria? Os conservadores/religiosos. A maioria, claro, é composta de esquerdistas (que é do tipo liberal, nos Estados Unidos, com facetas pós-iluministas, “humanistas”, anti-religiosas,etc.). E vejam como eles tratam as minorias. Uma das tentativas que eles farão, por exemplo, é destruir a carreira acadêmica de alguém que pertence à minoria. Mas aí vem o alívio (para eles), pois é só a minoria que eles não gostam. E eles não gostam dos conservadores.

Querem ver o “respeito” ao próximo deles? Ele defende o término da isenção de impostos de religiões (ele deveria ter escrito “igrejas”, e não religiões, aliás). Quer dizer, entidades que recebem doações podem ter privilégios, MENOS que sejam religiosas. O sujeito devia pelo menos tentar esconder a agenda anti-religiosa dele em um texto onde fala de “respeito ao próximo”.

Aí ele diz que essa atitude que defende irá “evitar” coisas como “opressão das minorias”, as “guerras”, a “homofobia”, o “racismo”, etc.

Curioso que ele não se esforçou nem um pouco para mostrar COMO isso vai ocorrer.

Vamos aos fatos: o discurso que ele está tentando é basicamente o da esquerda americana (no Brasil, estaria mais próximo ao do PSDB). Funciona assim: o sujeito INVENTA a historinha de que está a “favor dos direitos das minorias”, do “respeito à individualidade” e usa isso como jogo político, para dizer que “luta contra os outros” que não estão a favor dessas minorias. Daí ele defende a idéia de que o oponente é “genocida”, “intolerante”, “racista”, “homofóbico” e coisas do tipo, somente para JOGAR SEUS SEGUIDORES CONTRA o oponente. O discurso de “humanismo” não tem outra função que não isso. E, para piorar, ele não provou que o “humanismo” será a panacéia que promete.

Aliás, a panacéia para o mundo… Já ficou bem claro que o discurso dele é uma pregração de SALVAÇÃO da humanidade.

E ainda tem a pachorra de afirmar: “É como queremos que as coisas sejam…”. Esse é o Eli, O Salvador.

Vamos a mais coisas divertidas à frente:

Para os humanistas seculares, nenhum indivíduo pode ser transformado em bode expiatório. A ideia cristã, por exemplo, de que seria admirável o inocente Jesus morrendo para pagar por erros cometidos por outras pessoas, é simplesmente absurda aos olhos do Humanismo Secular (HS). Também é absurda para o HS a ideia de que um indivíduo pode sozinho saber mais que todo o resto da humanidade (como um Papa, um Aiatolá ou um Lama). Isso é contraditório com o chão firme das ciências humanas, que mostra as limitações da mente humana tanto em ética quanto em conhecimento. No HS o indivíduo humano é ’sagrado’ (defensável), mas não é ’santo’ (dotado de atributos não demonstráveis). Empatia é a chave para esta postura. Sendo humanista secular, você não será homofóbico, porque entende que a atração sexual por pessoas do mesmo sexo é algo inexorável e irresistível para o indivíduo homossexual (empatia).

Pois é, nessas horas é bom ser cético.

O Eli Vieira promete uma teoria em que “nenhum indivíduo pode ser transformado em bode expiatório”. Será que é verdade? Recomendo que vejam a comunidade “Criacionismo” e procurem os posts de Eli e seus amigos contra religiosos. Claro que ele só consegue praticar bullying virtual em uma comunidade de Orkut, e quando está apoiado pela moderação, mas o importante aqui é que vocês vejam a “empatia” que ele tem pelos religiosos. Se o tal do “humanismo secular” garantisse empatia, então os adeptos dele não iriam praticar bullying virtual de maneira covarde principalmente contra aqueles que não sabem se defender.

Querem mais um exemplo? Aqui está um tópico de bullying virtual (embora o George saiba se defender, ele estava em uma comunidade em que as regras funcionavam para o lado dos neo ateus, ou “humanistas”, como o Eli agora quer se rotular).

Eles não são gente finíssima? Pois é, não transformam “ninguém” em bode expiatório. Dá para notar…

Mesmo assim, a cara de pau é tamanha que a promessa de palanque não tem limites:

Você não apoiará as guerras, porque saberá do horror que significa a morte de um único soldado cheio de esperanças e vontades de viver, e saberá que apesar da vontade do grupo, muitos indivíduos terão objeção de consciência com relação a se doarem por causas abstratas (empatia). Tampouco um humanista secular deverá comemorar quando defensores de ideologias anti-humanistas são mortos em conflitos – sabemos da fragilidade da mente humana ignorante e sua extensa propensão a crenças simplórias e tribais, que não diminuem a raridade e a preciosidade de um indivíduo humano, ainda que fanático e nocivo (empatia).

No momento em que ele garante que o humanista “não apoiará as guerras”, não é bonito de ver falar? O problema é que não há nada que comprove isso, e ainda o histórico que mostrei do Sr. Eli nos demonstra que o discurso é só da boca para fora.

Tanto que ele usa estratagemas para ridicularizar seus oponentes ao dizer “fragilidade da mente humana ignorante” ou “extensa propensão a crenças simplórias e tribais”, e a pérola “fanático e nocivo”.

Notaram como ele define um religioso? NOCIVO!

Vamos realizar: será que se alguém for racista e ao encontrar uma pessoa de outra raça disser “mesmo que você seja nojento e nocivo, chorarei se você morrer (empatia)” estará sendo humanista? Será que usar um discurso de preconceito desse é o que ele chama de empatia?

Mas, enfim, no conceito bizarro de moral dele, Eli pode ser preconceituoso o quanto quiser, já que estes que são contra ele estariam contra a “promessa de paz”, a famosa utopia, que prossegue:

As crenças ufanistas e nacionalistas que motivam muitas guerras vão de encontro à cosmovisão humanista quando fabricam conceitos frouxos como nação, raça, grupo de fé, e outros conceitos coletivos que não significam nada perto do sofrimento real e das aspirações básicas de um organismo humano individual. Ninguém deve morrer pela pátria, pátrias não têm outra substância que não sejam ideias, pátrias não sentem dor, não têm aspirações nem necessidade de prazer.

Depois ele não poderá negar que prometeu a utopia. E lá vem mais:

Individualistas podem se orgulhar por ter nascido em determinado lugar do planeta, por falar certa língua ou pertencer a certa etnia. Mas, acima de tudo, não deixarão que este orgulho fira outros indivíduos na forma de xenofobia, racismo e sexismo, porque quem fere o outro fere a si próprio. Quem desvaloriza indivíduos em nome de ideologias de rebanho está desvalorizando a si próprio (Podem incluir aqui as torcidas fanáticas do futebol!).

A utopia prossegue. Mas uma pergunta que não quer calar: se ideologias de rebanho estão proibidas, o neo ateísmo não está? Algo como: ler os livros de Richard Dawkins e Sam Harris e depois sair ofendendo os religiosos nas comunidades, com discurso decorado dos livros (todo baseado em slogans, como bem apontou Chris Hedges) pode? Só não pode se for um “comportamento de rebanho” que ele não gosta, certo? Esse discurso do Eli está cada vez mais revelador a respeito de quem ele realmente é. Sigamos…

Ordens só devem ser seguidas na medida em que promovem a dignidade dos indivíduos humanos. Nenhum humanista secular deve atentar contra indivíduos sob a alegação de que estava somente seguindo ordens (como fizeram vários empregados do regime nazista que diariamente jogavam judeus na câmara de gás, ou como fez o personagem fictício Abraão ao obedecer as ordens de Javé para sacrificar o próprio filho).

E se o Sam Harris dá a ordem para sair pregando e ofendendo os religiosos, essa é uma ordem que pode ou não ser seguida pelo “humanista secular”? Ah, eu me divirto…

A ciência mostrou que nós, indivíduos, somos raros, finitos, e pequenos. Encontrar outro indivíduo neste planeta é, portanto, um evento mais precioso que observar a explosão de uma supernova. Se você é individualista, portanto, você valoriza o que é raro e precioso. Nas palavras de Carl Sagan para sua amada Ann Druyan, “diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta e uma época com você”.

Isso aqui é tão bobinho e auto-ajuda que nem vou comentar. Mais:

Pense nisso da próxima vez em que estiver andando pelas ruas da sua cidade, atrasado para o trabalho ou para o estudo. Olhe em volta os múltiplos rostos humanos: sorrindo e chorando, preocupados e contentes, esperançosos e cheios de fé, incisivos e fanáticos, com mente aberta e tentando se proteger, com medo e com coragem, opressores e oprimidos. Faz muito bem para você e para os outros.

Dica ao Eli: quando o assunto acaba, melhor parar de escrever. Eu faço isso. As vezes já reclamaram que meu estilo é abrupto e eu termino um texto as vezes sem um “grand finale”. Mas é melhor do que escrever bobagem.

Esse finalzinho do texto dele é o exemplo do Tetrafarmacón de Epicuro. Basta pensar positivo, olhar para os outros, imaginar que possuem sentimentos e “fará muito bem para você e os outros”. Será que os humanistas realmente fazem isso? Devemos exigir evidências, pois o comportamento de Eli mostrou o inverso da parte da “empatia” alegada em seu discurso.

O importante é notar que o componente de utopia está presente do início ao fim.

O recurso dele é simples, como em todo joguete político de esquerda: prometer a utopia, fingir que se é um AGENTE na busca por essa utopia, e, então, usar isso como desculpa para discriminar os que SUPOSTAMENTE estariam contra essa utopia.

O curioso é que Eli nem se preocupou em esconder sua agenda.

E, se ele promete empatia, recomendo que dêem uma olhadela pelos textos do Bule Voador.

A maioria é composta de escárnio contra religiosos, manipulação de informações, charges com generalizações, etc.

Se é essa a “empatia” que ele quer oferecer aos religiosos, então eu prefiro a antipatia. A antipatia honesta e declarada dificilmente conseguirá ser tão fétida quanto a “empatia” desses “humanistas seculares”.

Written by lucianohenrique

maio 2, 2010 at 6:10 pm

Técnica: Implantação de camisa de força verbal

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Neste texto eu falei do uso de ressignificações feitos pelos autores do neo ateísmo,sempre com o objetivo de propaganda.

O grande problema é que muitos teístas não percebem o uso das ressignificações, e acabam aceitando que o oponente as utilize. Mais dramaticamente ainda, muitos terminam por refutar os conceitos já ressignificados pelo neo ateu. É a isso que se pode definir como aceitar uma camisa de força verbal, imposta pelo oponente.

Um dos exemplos mais grotescos disso é quando um neo ateu diz que “não acredita em Deus, pois prefere acreditar na razão, e não na fé”.

Logo de cara, há duas camisas de força verbais utilizadas (as ressignificações). A primeira impõe que descrer em Deus é automaticamente racional, e acreditar em Deus não seria. A segunda tenta impor que ter fé é uma oposição à razão. Claro que as duas premissas são automaticamente falsas, pois não há implicação em crer ou descrer em Deus como algo racional. A racionalidade será mensurada pela argumentação, e não pelo ato de crença ou descrença. Assim como impor a idéia de que fé é oposição à razão, quando estão em planos diferentes, portanto não poderiam ser excludentes.

Aceitar a camisa de força é deixar de refutar as iniciativas contidas neste discurso.

Certa vez, vi um teísta que respondeu assim ao neo ateu: “Minha fé é superior à tua razão, pois não precisamos da razão para tudo”. Pronto, ele já perdeu o debate logo de cara, pois a partir daí ele rejeitou a razão, mesmo que a religião não peça para rejeitar a razão. Logo, o neo ateu poderia alegar que a razão era dele (razão a qual o adversário teria rejeitado ao aceitar a camisa de força), e não se falava mais nisso.

Outro exemplo é quando um teísta reclama dos neo ateus desta forma: “Esses neo ateus são arrogantes, pois acham que todas as questões são decididas pela razão”. Danou-se, pois isso é aceitar a camisa de força do oponente. É verdade que os neo ateus ALEGAM que todas as questões devam ser decididas pela razão. Mas há uma diferença entre: (1) alegar que as questões todas devem ser decididas pela razão, e (2) realmente decidir todas as questões pela razão.

Observando-se o discurso neo ateu, por exemplo, nota-se que raramente a argumentação deles é racional. Portanto, o que se vê neste caso é apenas uma alegação de “busca pela razão” e não “uso da razão” em si.

Infelizmente, não há outra forma de discutir com neo ateus que não pela identificação das fraudes intelectuais, e estas fraudes começam com a manipulação linguística.

O complicado, no caso de um neo ateu fazer a aplicação da técnica da camisa de força, é que alguns, mais ingênuos, não percebem que estão sendo vítimas de um dos estratagemas dos mais sutis possíveis. E, aceitando a camisa de força (ou seja, deixando de desmascarar a fraude verbal), o teísta que estiver escrevendo qualquer coisa em direção ao neo ateu ou sobre ele estará ao mesmo tempo, involuntariamente, atacando sua religião e ajudando na propaganda do oponente.

A sugestão de debate é uma só: desarmar todas as tentativas de implementação de camisa de força verbal logo na primeira tentativa e não deixar o debate prosseguir enquanto todas as tentativas não forem desmascaradas.

Written by lucianohenrique

maio 1, 2010 at 8:11 pm

A funcionalidade do discurso de ridicularização para os neo ateus

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No final da série “Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo”, mapeei o neo ateísmo como um movimento político e, como tal, recheado de discurso de propaganda contra o adversário. Em essência, um discurso de ódio.

Tomando como premissa a conclusão do neo ateísmo ser um movimento político, podemos, enfim, mapear a origem dos estratagemas de ridicularização na argumentação neo ateísta.

Consideremos, por início, esse tipo de iniciativa política como o ato de tornar os religiosos uma classe de pessoas alheias à participação nos círculos do poder, reduzindo ao longo do tempo sua influência. O objetivo final seria a retirada progressiva dos direitos da classe, e, em cenários de conflito ou necessidade, o extermínio.

Nesse artigo anterior, pude mostrar um exemplo de como o processo ocorre e de como aos poucos a opinião de uma classe é considerada de menor valor em relação à opinião de outras classes, após uma camada de reformulação do senso comum [ver "A Estratégia Gramsciana" para maiores detalhes].

Notem bem que eu não divido as pessoas em classes. Eu não acho que um ateu e um religioso deveriam estar em uma classe diferente da outra, mas a partir do momento em que politicamente um grupo executa a divisão, ela virtualmente passa a existir. Por exemplo, a partir do momento em que os comunistas definiram que existia a classe proletária de um lado e do outro a classe burguesa (junto com os pequenos burgueses), mesmo que estes últimos rejeitassem a existência desta classe, isso não adiantaria muito, pois se um dos lados já considera alguém ou um grupo como o seu inimigo, aquele que não se considera como oponente ainda assim SERÁ AFETADO pela inimizade do outro. Tudo bem que lutemos para eliminar o conceito de luta de classes, que é irracional em si, mas, enquanto os comunistas continuarem achando que o conflito existe, não dá para fugir do fato de existir um conflito entre grupos de pessoas.

Da mesma forma, mesmo que eu não me considere em classe diferente em relação a um ateu tradicional, o neo ateu já SE CONSIDERA em classe diferente em relação aos teístas como um todo. Portanto, se eu ignorar a existência virtual dessa classe os efeitos serão ainda piores. No caso da negação, a ignorância poderá me condenar aos efeitos e nem sequer me permitirá que eu me defenda, pois, sem identificar o grupo de onde os ataques surgem, não há como sequer eu executar atos de precaução, contenção e revide. No caso da aceitação ao menos temporária dessa divisão virtual, a compreensão dela facilitará com que qualquer ataque feito seja revidado de maneira mais clara e objetiva.

Sendo que o movimento interessado (o movimento anti-religião, dentro do qual o neo ateísmo é o carro-chefe) tem grande uso para os estratagemas de ridicularização, que constituem grande parte de seu discurso, é preciso entender como tal tipo de iniciativa é funcional para os objetivos anti-religiosos? Por que, dentre os estratagemas neo ateus, os de ridicularização estão entre os mais usados? Já que, se é uma alegação de alguns neo ateus que estes lutam contra o “preconceito” sofrido pelos ateus, não faz sentido atacar os religiosos pela ridicularização de suas crenças.

Eu já havia abordado algo semelhante no início deste blog, mas é bom eu ressaltar novamente. Imaginem um grupo de defesa do respeito aos homossexuais. É possível que na agenda deles esteja a diminuição de supostos atos de preconceitos contra os homossexuais. Mas, se a maioria das ações deste hipotético grupo forem em direção ao escárnio dos heterossexuais (por exemplo, a ridicularização do casamento, da gravidez feminina, etc.), já podemos de imediato suspeitar da alegação de que o interesse do grupo realmente seja diminuir o preconceito contra eles. O motivo para suspeitar da validade das intenções alegadas é que a ação executada não combina com a intenção alegada. Ora, se a busca realmente fosse para eliminar o preconceito alegadamente sofrido, então a via seria do diálogo, buscando obter a simpatia do outro, e, em contrapartida, oferecendo isso de volta. Mas se as ações são focadas unicamente em ataque, daí a intenção provavelmente não é o término do suposto preconceito sofrido, mas sim outro item NÃO REVELADO à primeira vista. Logo, neste caso teríamos que buscar pelos reais motivos. E, partindo desse princípio, da mesma forma já podemos descartar todas as iniciativas de ridicularização dos neo ateus contra os religiosos como se fossem uma ação para diminuir preconceito supostamente sofrido por ateus. Assim, temos que encontrar o real motivo.

Vejamos: temos grupos de esquerda (liberais, inspirados pelo iluminismo radical, além dos marxistas) interessados em retirar como um todo a influência da religião como na sociedade. Uma forma de fazer isso é desrespeitando as pessoas da classe religiosa unicamente pelo fato que as distingue da classe anti-religiosa. Portanto, o instrumento de ridicularização escolhido é a crença em si.

Darei um exemplo que já citei anteriormente. O de um sujeito hipotético que certo dia resolveu discriminar os teóricos do Big Bang. Uma forma de atacá-los pode ser executando a simulação de falso entendimento a respeito das crenças deles. Imagine se o ovo cósmico, tratado na teoria do Big Bang, fosse reduzido à crença em uma galinha cósmica que tivesse botado um ovo. Obviamente que essa não é a forma pela qual o físico visualiza o Big Bang, mas em uma campanha de ódio, não importa aquilo que o outro compreende, mas sim a interpretação mais odiosa possível. Esta é a interpretação que será atacada.

Tecnicamente, é exatamente o que acontece quando Bill Maher e Richard Dawkins resolveram ridicularizar crenças religiosas. Não eram as crenças religiosas que eles estavam atacando, porém eles faziam interpretações odiosas de crenças religiosas para então atacar essas interpretações, para daí fingir que tais interpretações REPRESENTAVAM a religião. Aliás, Dawkins até cometeu um ato falho ao dizer que Francis Collins talvez não fosse tão “brilhante” como cientista… por causa de suas crenças religiosas. Quer dizer, já não dá para esconder que o ataque é aos religiosos, mais do que às crenças religiosas.

Por causa desse truque, muitos ainda acreditam que os neo ateus são críticos da religião, o que em nada confere com a realidade. Na verdade, os neo ateus são inimigos dos religiosos e agem politicamente contra eles, e, em sua trajetória, criam simulações de falso entendimento a respeito da religião, para então fingir que as crenças do oponente são ridículas. Ora, se em nenhum momento eles se interessam pelas crenças dos oponentes, mas apenas em versões espantalho das mesmas, temos mais um motivo para entender o neo ateísmo apenas como a execução de uma agenda política.

Resumindo esse item da agenda neo ateísta: eles precisam sair em campo e obter, atuando de forma orgânica, a diminuição do respeito que a sociedade em geral possui pelas opiniões dos religiosos em qualquer assunto da vida pública. Para isso, é preciso tirar a credibilidade dos religiosos. Uma das formas de se chegar a isso é através da simulação de falso entendimento das crenças religiosas, maquiando-as para parecerem ridículas, e aí, em cima desta versão maquiada, serão feitos os ataques. A mensuração da eficiência desta iniciativa será feita através da perda de credibilidade identificada em público em relação aos religiosos.

Written by lucianohenrique

abril 30, 2010 at 10:31 pm

Igreja Católica deve contabilizar uma batalha perdida… é momento de reflexão

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Se é para estudarmos os efeitos da Estratégia Gramsciana, nada melhor que esta matéria publicada na Folha, a respeito da CNBB ter criticado uma decisão que permite adoção de crianças por gays.

Segue a matéria, escrita por Johanna Nublat e Larissa Guimarães:

A adoção por casais gays, direito reconhecido em decisão inédita anteontem pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), tira da criança a possibilidade de crescer em um ambiente familiar formado por pai e mãe, afirma o padre Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Nem sempre o que é legal é moral e ético, afirma ele. “Cremos que a questão da adoção por casais homossexuais fere o direito da criança de crescer nessa referência familiar.” Para padre Bento, as crianças têm o direito de conviver com as figuras masculina e feminina no papel de pais.
A decisão do STJ tratou do caso específico de duas mulheres de Bagé (RS) e pode influenciar processos futuros. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal.
O pastor Paulo Freire, presidente do conselho de doutrina da igreja evangélica Assembleia de Deus, tem posição semelhante a do padre Bento. “A criança precisa da figura do pai e da mãe para entender a vida”, afirmou.
Para Freire, a instituição não é contra homossexuais. “Somos contra o casamento deles.” Continua e diz que a existência de dois pais ou duas mães confunde a criança sobre as figuras tradicionais da paternidade.
“Se a criança não tem um pai e vive só com a mãe, sabe, mesmo assim, o que é a figura do pai. O casal homossexual que adota, foge disso”, diz o pastor.
A FEB (Federação Espírita Brasileira) discorda de que a adoção por um casal gay pode ter efeitos negativos sobre a criança. “O mais importante em termos de educação e família é o amor. Com ele, não se entra na questão da sexualidade”, disse Geraldo Campetti, diretor-executivo da FEB.
Para Campetti, o importante é a preservação da família e a formação do caráter. “O maior problema das uniões é a promiscuidade, tanto em relações entre homem e mulher quanto em relações entre pessoas do mesmo sexo.”
Para Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), as críticas à decisão do STJ incitam o preconceito. “Casais de homem e mulher com filhos representam hoje 50% das famílias. Filhos criados com avó, pais e mães solteiros… todos, então, têm problemas?”, critica.

Antes de tudo, é bom que eu esclareça: eu não tenho procuração para defender a CNBB, até por que sou extremamente crítico em relação a ela, principalmente no apoio que dão a marginais (como o Movimento Sem Terra). Mas concordo com o fato de que a questão da adoção por casais homossexuais é algo passível de discussão, e nesse caso sou a favor do padre Luiz Antônio Bento, da CNBB.

Não é esse o ponto que quero discutir, e sim o fato de que deveria haver uma DISCUSSÃO,certo? Errado, pois são tempos em que a estratégia gramsciana atua fortemente.

Antes de meus comentários finais, vejam abaixo alguns comentários feitos por leitores para a matéria:

Rafael Moreira: “As crianças tem direito à terem uma infância tranquila, sem serem molestadas por padres que usam de sua autoridade e da confiança depositada neles. Essa sim, deveria ser a preocupação da CNBB, já que o problema é “dentro de casa”. Além disso, acho que eles se esqueceram que essa criança, agora adotada, já foi ABANDONADA por um pai e uma mãe. Agora, tem um lar que a tira do orfanato e dá afeto.”

Gustavo Fuentes: “A CNBB, e a Igreja Católica não tem qualquer moral para vir a público criticar a sentença proferida pelo STJ no que tange à adoção de crianças por casais homossexuais. Longe estamos de que alguma instituição mergulhada em escândalos de pedofilia venha nos dizer o que é correto e o que é errado. Talvez alguns membros do corpo religioso ainda pensem que o correto é que uma criança seja assediada e violada por um sacerdote e o crime encoberto pela alta hierarquia. Fácil é pensar que os telhados de vidro não existem e que o problema existe apenas com os outros. São os cegos, que não vêem o cisco no próprio olho, mas sim a trave no olh o do vizinho. Há quem pense que tal sentença, histórica, é um sinal dos tempos e que o “fim do mundo” está próximo, que a Humanidade está perdida e bla bla bla.”

Andrea Medeiros: “Para a Igreja Católica, em se tratando de crianças, pedofilia é permitido. Adoção, não.”

Ademilson Diniz: “A IGREJA CATÓLICA sempre na contra-mão de tudo; é incrível como eles (a Igreja) não aprendem a lição que o mundo lhes dá desde a idade média: tudo em que a Igreja põe a mão, amarga e estraga. Em nome do BEM praticam as maiores crueldades e desumanidades, somente porque acreditam em que o MODELO que eles julgam SAGRADO deve ser como um MANTO a cobrir, enlaçar e moldar a REALIDADE. É claro que uma criança deve ter a figura de um PAI e de uma MÃE. Mas, e quando estes faltam? Um lar é sempre um lar, ainda que constituído dessas uniões chamadas de “casal” à falta de uma denominação melhor. Deixar a criança abandonada nesses purgatórios que são a maioria dos abrigos? Condenar de antemão esse “casal” por atitudes deletérias com a criança, não se sabendo se tais atitudes vão acontecer ou não? Tudo em nome de “princípios”? Isso é arrogante e anti-cristão. Aliás, está na hora de a Igreja Católica se reduzir à sua cozinha e deixar a sociedade se guiar pelas LEIS dos homens porque, ao que parece, a outra Lei, a que a Igreja chama de DIVINA, até agora NÃO DEU CERTO.”

Cassio Curi: “Você é um preconceituoso ignorante! As crianças nascem preconceituosas graças a tua igreja ridícula! Os verdadeiros pais são aqueles que criam a criança, independente de sexo, raça e sangue!” (isso em resposta a alguém que apoiou a CNBB)

Neno 9012: “Aparentemente, ou eles querem o monopólio do homossexualismo, ou preferem que as crianças não sejam adotadas para que estejam mais disponíveis aos seus ensinamentos, tão divulgados nos últimos dias.”

Paulo Cesar Veloso Sobrinho: “CNBB – Confederação Nacional dos Bi-chas e Bastardos. Como se a entidade tivesse o direito de fazer algum julgamento! A melhor coisa que eles poderiam fazer era sair de fininho deste contexto ou ficarem calados, pois tudo que disserem será de pleno acordo para que a justiça possa usar a pedofilia no tribunal… Será que eles são iguais ao “Mula”, cegos, mudos e surdos? As crianças estão sendo vilipendiadas por toda a sorte deste mundo, e estes centros que as abrigam mais parecemantro de covardia do destino doq eu a entidade para que nossdas crianças sejam tratadas como respeito e dedicação que elas merecem. E quando alguém se candidata a ser pai ou mãe desta ou daquela criança, a “CNBB” é do contra. A CNBB só não é contra os padres pedófilos. Nós sabemos que a união de pessoas do mesmo sexo é uma proposta bem aceita e sabemos também que quando eles querem ser pais ou mães o fazem de uma maneira maravilhosa e respeitam sempre suas crianças. Sou a favor desta opção, não tenho nada contra. Não sou homossexual e apoio a decisão permanente a que eles submetam toda a forma de amor no trato com as nossas criancinhas. Que a “CNBB” enfie a viola no saco e deixe viver quem há muito tempo merece respeito…”.

Leandro Milanez: “O que é isso gente, a CNBB só quer garantir as crianças para seus padres pedófilos.”

Douglas Ventura: “Que moral tem os padres p/ falar alguma coisa em relação a adoção? Afinal os padres são os maiores molestadores de crianças,eles deviam era se preocupar com os padres pedófilos isso sim,porque a situação está insustentevel. “

Cesar Henrique Oliveira: “Me parece que a igreja católica e suas entidades não estão em posição de dar, falar ou querer impor regras de moralidade a ninguem.”

Ari Zillman: “Engraçado: pedofilia pode – é praticada por inúmeros membros da Igreja Católica (inclusive bispos). Agora, a adoção, não… É por estas e outras que nunca mais colocarei meus pés dentro de uma igreja católica.”

Jorge Dias: “Com certeza o que a CNBB deveria se preocupar é com os padres pedófilos isso sim, traumatiza a criança e nao PESSOAS que adotam para educar, criar, dar um lar decente, educaçao e etc. Se são gays ou nao, o que importa é que são PESSOAS decentes e nao esses padres que mais parecem ANIMAIS molestando inocentes.”

Marcos Cesar Fernandes: “O Brasil precisa urgentemente de outra CNBB ou Confederação Nacional das Bishas do Brasil para se contrapor a esta CNBB estabelecida, que apesar de ser composta por uma grande maioria de homossexuais, se diz contra o homossexualismo. Não há nada mais contraditório!!! E se um casal de homossexuais quizer adotar uma criança e cria-la com amor e respeito, será um menor abandonado a menos nas ruas à merce de algum pedófilo disfarçado de religioso. Essa tal CNBB manda demais, e tem poderes para influenciar orgãos públicos. Eu não acredito no IBGE quando dá para o Brasil uma percentagem de 76% da população sendo católica. Para mim esse dado foi arrumado pela CNBB.”

Claudinei Machado Nunes: “[...] uma igreja prostituta, promíscua, com padres pilantras, pedófilos, que pagam michês com dinheiro de ofertas, cardeais vivem no maior luxo, você acha que esta tal tem direito de criticar o STJ? [...] Essa CNBB nunca apareceu na mídia para falar sobre a avalanche de acusações dos bispos e padres, agora quer dar uma de santinha, depois, ataca de galinha, é óbvio. Trabalhei numa capela em Uruguaiana, RS, o padre saia todo sábado com a mulher de um ministro da eucaristia. Você acha isso justo? Era seminarista e via com meus próprios olhos, os padres transando com os seminaristas? Você acha que eu vou confiar numa igreja com estas atitudes? Você acha que estou errado?”

Meus comentários

Se vocês acompanharam todos os comentários acima já deve ter sido suficiente para perceber a tônica deles. Embora não dê para afirmarmos que é a maioria dos postadores lá, há uma grande quantidade de leitores que:

  • (a) Acham que Igreja APÓIA a pedofilia
  • (b) E que a maioria dos padres é composta de pedófilos
  • (c) Por isso, a Igreja NÃO TEM MORAL para opinar sobre nada

Isso tudo mesmo tendo sido mostrado aqui que a categoria profissional dos padres é uma das que menos possui casos de pedofilia relacionados a ela. E, mesmo assim, ignorando os números, a mídia, anti-religiosa, utilizou das estratégias de Pânico Moral e Espiral do Silêncio.

O objetivo é claro. Deve-se (segundo a estratégia gramsciana) reformar o SENSO COMUM, para que, pouco a pouco, a opinião de um determinado grupo de pessoas (neste caso os religiosos, mas podem ser várias manifestações do conservadorismo), NÃO MEREÇA MAIS ATENÇÃO.

A proporção de pessoas que já caiu no engodo da mídia é bastante grande, e significa que no jogo de usar a mídia para atacar a Igreja, os anti-religiosos estão levando vantagem. E, quando se questionava a postura da direção da Igreja Católica de extrema mansidão perante os ataques, não é que queríamos uma manifestação de ira, mas uma resposta enérgica e justa.

Se não existiu a resposta, no jogo político quem atacou já obtém a vitória. Neste jogo não é importante que o ofensor esteja com a razão, mas é fundamental para o desonesto que aquele que está sendo vilipendiado se cale.

Diante do que se vê, na manifestação de muitos leitores da Folha, qualquer um pode opinar, menos os membros da Igreja Católica. Ou seja, o objetivo maior daquele que executa um ataque de mídia está sendo conquistado. Graças à falta de ação dos responsáveis pela Igreja.

Ou os líderes da religião católica (e também das outras) começam a reagir, ou então as consequências serão graves não apenas para as instituições religiosas, mas principalmente para os seus fiéis.

Os religiosos, que têm ajudado muito as instituições através do tempo, NÃO MERECEM essa omissão dos líderes.

Portanto, se há vários que aceitaram a propaganda e já a enraizaram em seu subconsciente, temos dois principais culpados: (1) os membros da anti-religião inseridos na mídia; (2) os líderes religiosos que não reagiram quando deveriam.

E quem vai pagar o pato em um futuro não muito distante? O povo cristão, como um todo, naturalmente. Os primeiros da lista serão os católicos, mas não serão os únicos…

Obs.:  Não significa que a batalha perdida seja na questão da pedofilia discutida recentemente, mas sim no pânico moral que vem de vários anos atrás. Nesse quesito é que a batalha foi perdida.

Written by lucianohenrique

abril 29, 2010 at 9:22 pm

Richard Dawkins e Bill Maher: um show de estratagemas

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Se Richard Dawkins, quando vai em entrevistas distante de seus amigos, já demonstra seu habitual padrão de picaretagem, o que não dizer desta entrevista que ele dá para o seu amigo e parceiro de preconceito anti-religioso Bill Maher?

O mais impressionante é a cara de pau dawkinista em não se furtar a usar estratagemas em praticamente nenhuma de suas respostas. Praticamente todas as respostas são planejadas para obter efeito de platéia (aplausos, inclusive), com uso de preconceitos, chavões, etc.

Maher, por sua vez, não fica atrás, chegando ao fato de julgar Francis Collins por suas crenças, e, como não poderia deixar de ser, sempre usando a falácia do espantalho.

Enfim, um vídeo instrutivo para mostrar a absolutamente falta de decência e moral de gente como Maher e Dawkins.

Written by lucianohenrique

abril 29, 2010 at 11:50 am

Começando a pensar politicamente na guerra intelectual com os neo ateus

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Como será que reagiria o comitê republicano se os líderes democratas declarassem que todos os eleitores republicanos não merecem os mesmos direitos que os eleitores democratas? Ou se os líderes republicanos tentassem pedir a deportação dos democratas?

Obviamente, a reação seria violenta e incisiva, pois estamos em um cenário de luta política, onde o lado que optar pela mansidão está automaticamente condenado à auto-destruição.

Diante disso, e do fato do reconhecimento do neo ateísmo como uma agenda de ação política (conforme ressaltei no meu texto anterior), é óbvio que a postura de muitos cristãos (não todos, por sorte) pode ser aquilo que tenderá a tornar a vida cristã extremamente complicada pela frente.

Em suma, diante de uma ação política, nenhuma reação é o mesmo que permitir a derrota. Se há alguma chance para o cristianismo, esta reside naqueles que militarem não só pelo cristianismo, mas principalmente pelo contra-ataque ao neo ateísmo e à todos os movimentos anti-religião.

Em política, nem sempre tudo se baseia em divulgar suas idéias. Até por que uma mera acusação da parte adversária pode ter um efeito de bomba relógio. E se for uma acusação vinda de uma parte desonesta? Nesse caso, é pior ainda tomar a decisão de ficar calado. Caso, em território político, um grupo esteja diante de oponentes desonestos, aí é que surge a oportunidade de desmascaramento dos picaretas (e justamente por isso defendo o revide). É claro que a oportunidade precisa ser aproveitada.

Logo, é o momento de alguns líderes e intelectuais cristãos (e dos demais grupos teístas em geral) reconhecerem que é um cenário de guerra intelectual, disputada basicamente por imposição de discurso – ainda não é um contexto de luta armada, felizmente.

Quando William Lane Craig entra em um debate (e atua brilhantemente), ele quer discutir logicamente a existência de Deus, mas seu oponente, Christopher Hitchens, quer executar propaganda, e distorcer o máximo as afirmações da outra parte em seu intento. Como em todo jogo político. Um entra para o debate, e outro entra para fazer política.

E o que é a política? É basicamente a arte de grupos se organizarem para interferir nos assuntos públicos, usando ferramentas como a militância ou o voto. Para uma pessoa agir politicamente, não é preciso ter um cargo no executivo ou no legislativo. Basta atuar interferindo na vida pública.

E o plano dos anti-religiosos é fácil de identificar. Atacando-os e ridicularizando-os, acaba-se remodelando o senso comum ao ponto da sociedade “achar normal” o desrespeito contra um religioso. Em seguida, o que virá pela frente é a retirada de direitos. Simples assim. Se alguns ainda acham que todo o interesse do neo ateu é apenas “rir e ofender religiosos”, só tenho algo a dizer: a história nos mostra que isso jamais fica apenas pela ofensa e ridicularização, e acreditar que ficará apenas por isso é uma redefinição da expressão “ingenuidade”. Se lermos a história, é fácil notar que essa ação dos líderes do neo ateus é apenas o sinal de fumaça pro que virá pela frente.

Por exemplo, durante anos no Brasil virou mania rir e ridicularizar dos militares, além de atribuir a eles uma pecha de violência e postura ditatorial (os subversivos, por sua vez, eram os “heróis” da Nação). Hoje mesmo, o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que queria revisar a Lei da Anistia, em vigência há mais de 3 décadas no país. O objetivo da ação da OAB era para punir criminalmente os militares envolvidos em tortura na época da Ditadura. Detalhe: a revogação da anistia estava planejada apenas para os militares, mas não para os guerrilheiros. Obviamente, é isso que configuro como exemplo de retirada de direitos, após a remodelação do senso comum. A remodelação do senso comum pode levar décadas, mas quando a interrupção dos direitos começa a ocorrer fica difícil até perceber como tudo começou.

Vejam o exemplo de quando Sam Harris se colocou contra o fato de Francis Collins ser eleito para diretor da NIH. Motivo para Francis Collins não ser considerado apto para o cargo? A religiosidade dele. Que isso é um ato de extremo preconceito, não há dúvida alguma. Mas qual a reação à esse preconceito do Sam Harris. Absolutamente nada. Necas. Logo, temos um sinal de que a propaganda política dos anti-religiosos (liderada, atualmente, pelos neo ateus) está surtindo seu efeito.

E se, ao invés de alguém protestar contra um religioso pedisse para que um homossexual ou um negro fossem demitidos. Será que isso seria considerado tão “normal”? Claro que não.

Se há algo que devemos considerar nesse tipo de embate (não mais puramente ideológico, mas político), é que uma falsa acusação não deve ficar barata, e nem atitudes de desrespeito devem ser toleradas. Obviamente, não se pede para PROIBIR as atitudes de desrespeito (digo isso antes que um neo ateu proteste algo como “Luciano quer censura”). Em meu texto, toda a responsabilidade na guerra intelectual é transferida para os religiosos.

Por exemplo, os pastores, os padres… como é que estes estão orientando os seus fiéis (considerando o aspecto popular da religião) a reagirem em relação às tentativas de mudanças para retirar os crucifixos do cenário público? Como orientam os seus fiéis a reagirem a propagandas contra a religião na mídia? Essas são perguntas importantes no contexto da guerra intelectual.

No questão do preconceito de Sam Harris contra Francis Collins, qual a reação pública dos líderes religiosos e os intelectuais da religião contra esse ato de preconceito? Eu não soube de nenhum protesto, e gostaria de notícias a esse respeito.

Diante da política das REAÇÕES ao ataque contra a religião é que poderemos avaliar a eficiência da ação política religiosa contra isso.

Outro exemplo é na questão recente de ataques de pânico moral contra a Igreja Católica na questão da pedofilia. Inclusive com ameaças de Richard Dawkins e Christopher Hitchens querendo processar o Papa. Qual a reação à isso? Processaram em retorno? Se não fizeram, já perderam a batalha.

Não digo que perderam a guerra, mas não dá para negar que várias batalhas foram automaticamente perdidas somente com a falta de resposta enérgica.

Na política é assim: se um oponente lhe acusa, mesmo com uma acusação falsa, o silêncio automaticamente se converte em ponto positivo para o adversário.

Obs.: A imagem deste post é um exemplo da ação política anti-religião. Embora seja lícito pedir que o estado seja laico, dizer que religião e política andam em CAMINHOS OPOSTOS  já é um exemplo de uma propaganda que surte efeito positivo… para os anti-religião.

Written by lucianohenrique

abril 29, 2010 at 12:02 am

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