Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Arquivo para setembro 2009

A fé de um cientista é realmente um tipo de fé totalmente diferente?

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Claro que não, mas para o neo-ateu João é.

Em seu blog Crônica da Ciência, ele postou dois textos no qual tentava defender os cientistas em relação a possibilidade de possuírem fé. Talvez para ele “fé” seja uma blasfêmia.

Ele aceitava que, se tivessem fé, seria uma fé totalmente diferente do que existe na religião. Os dois artigos dele estão aqui: [1] e [2].

Agradeço também a um dos comentaristas desde blog, Lourenço, que já me deu a deixa e achei extremamente relevante a informação. Lourenço afirmou que a base dos problemas dos neo-ateus está em inabilidade linguística. E concordo plenamente, pois ele me passou um link sobre o metamodelo (da neurolinguística), que explica de maneira excepcional a forma como ocorrem quase todas as confusões que eles fazem. Em sua maioria, eles possuem problemas terríveis de compreensão básica de palavras. Quando eles precisam, então, juntar essas palavras e estabelecer um conceito, aí é que vem a tragédia. Chega a dar pena.

É justamente por isso que não raro escrevem algo como “fé em ciência” e “fé na ciência”, e acham que estão falando o mesmo. Claro que não é o mesmo, pois o primeiro é a fé dentro da ciência (na prática científica), e o segundo refere-se à fé vista de fora. E é uma fé que todos possuem. Basta acreditar que a ciência é o melhor modelo para a explicação do mundo físico e tangível, que já temos fé na ciência.

Outros tipos de confusões incluem:

  • confundir “teologia” com “religião” (só que uma é estudo que dá suporte para  a outra)
  • confundir “religião” com “fé” (já que esta última é um componente humano, apenas – dá até para ver no balãozinho na imagem abaixo)
  • confundir “cientista” com “ciência”, e também com “método científico”, já que este último não possui fé, pois não é humano (só que o cientista possui fé, por ser humano – de novo, está tudo no balãozinho da figura)
  • colocam no mesmo patamar para comparação “cientista” com “religioso”, sendo que se esquecem que o religioso é só um praticante de religião, ao passo que o cientista é executor na ciência (a comparação só seria possível se fosse “teólogo” com “cientista” – nota-se então que o cientista é um profissional que por definição tem que seguir métodos, e o religioso não ganha nada para ser religioso, portanto NÃO precisa seguir métodos).

Mas esses são apenas alguns poucos exemplos, pois praticamente todos os textos desse pessoal são completos de erros linguísticos básicos.

Para entender o modelo de raciocínio baseado em erros linguísticos recomendo a leitura do livro “A Nova Inquisição”, de Robert Anton Wilson.

Antes de seguir, vou colocar uma figura, referente ao modelo de domínio de conhecimento tanto de ciência como religião, abaixo, já revisado. Sugiro que durante a refutação ao João, sempre que surgir alguma dúvida, que se olhe na figura de novo, pois é importante entender os níveis em que os conceitos estão sendo discutidos. Vocês notarão, por exemplo, que em algum momento o João comparará crença em Deus com teorias científicas, o que é absurdo, pois ele só poderia comparar isso com o princípio da ciência. A teoria científica só poderia ser comparada com as teorias da teologia, mas também não para confrontá-las, mas somente para entender se há diferenças no comportamento dos profissionais quanto a elas. Você notará, também, que o João tentará executar a mudança de modo, quando se fala dos cientistas, e ele ao invés de falar em teólogos, irá pular para religiosos (nível 5, da figura, ao passo que os teólogos estão no nível 3). Em suma, o João faz uma confusão dos diabos. Mas vamos à figura:

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Olhando a figura com atenção e lendo os dois textos dá para achar no mínimo uns 30 erros nas duas abordagens de João.

Ele começa…

Defender o que se acredita vigorosamente é importante para o cientista. Mas isso é fé como em “Fé em Deus”? Eu penso que não, que são coisas distintas. O fervor religioso e intenso associado a manifestações de Fé em Deus não existe na ciência. Einstein dizia que devia estar perto, que um bom cientista teria que ter uma fervor quase religioso pelo universo e pela realidade, que o levasse a procurar respostas e a isso dedicar os seus melhores esforços. Mas isto não é exactamente o mesmo que a devoção a um Deus pai todo-poderoso.

1 – Ele confunde “fé em Deus” com discussão racional a respeito de Deus,já que é isso que o teólogo faz. Aliás, o trabalho de um teólogo não é baseado em “fervor religioso”. O trabalho do teólogo deve ser racional.

2 – Em seguida, ele diz: “Não existe um fervor religioso e intenso associado a manifestações de fé em Deus na ciência”. Entretanto, pessoas que compram um telescópio e ficam olhando para o universo após ler algum livro de “divulgação científica” não são necessariamente cientistas e buscam uma forma de contemplação do universo quase espiritual. Em termos de “fervor” dá no mesmo, embora seja basicamente referente aos leitores de divulgação científica.  Detalhe: eu mencionei os “leitores de divulgação científica”, pois essa atitude deslumbrada é permitida a quem está no nível 5, assim como os religiosos podem estar. São os usuários do conhecimento feitos por cientistas e teólogos. Cobrar método no momento em que um sujeito olha um telescópio ou vai fazer uma prece é no mínimo nonsense.

3 – Ele cita Einstein e diz que o fervor quase religioso pelo universo não é exatamente o mesmo que a devoção a Deus. Não é mesmo, pois a ciência não trata de Deus. Mas é preciso de devoção absoluta e incontestável ao princípio de que as leis são aplicáveis a todo o universo. Nisso, não há diferenças técnicas em relação à conclusão sendo Deus: o princípio da ciência é tão indemonstrável fisicamente quanto a existência de Deus. E desses conceitos, um dá suporte para ciência (universalidade das leis físicas) e o outro para a religião (Deus).

Mas ele ainda se esforça…

Mas aparte da intensidade do sentimento, a diferença entre a fé do cientista e da Fé do crente religioso é enorme na questão da formação do conhecimento. É aí que as duas se separam em categorias diferentes. Enquanto o crente religioso parte da Fé para depois procurar as razões pela qual ele tem essa fé, o cientista tem fé nas suas hipoteses e teorias porque tem suporte cientifico para elas. Mesmo quando formula hipoteses que estão longe de poderem ser testadas, é porque tem uma granda carga teorica por trás que o leva nessa direcção. E nessa carga teorica está o esforço honesto de milhares de homens, e a descrição de teorias e relatos de evidências.

1 – Aqui ele utiliza a técnica de Seleção do Adversário, pois tenta comparar fé do cientista com fé do religioso. A fé do religioso não pode ser discutida neste contexto. Só a fé do teólogo, que é similar à do cientista.

2 – Detalhe que ele também utiliza a técnica de Leitura Mental, para dizer de onde o religioso parte para procurar as razões. Ele simplesmente não sabe. Ele chutou.

3 -Ele também tenta usar a leitura mental para dizer de onde o cientista “tem fé”. Errado. O cientista tira fé de onde ele quiser. Mostrarei durante o texto exemplos de cientistas que não possuem crenças mais críveis do que crenças em espíritos. E o método científico não pode fazer nada quanto à isso.

A conclusão dele, a seguir, não deixa dúvidas sobre seu erro repetido à exaustão (portanto, não será aceito como erro de digitação):

Enquanto para o teólogo a Fé é o ponto de partida para começar a formar conhecimento, para o homem de ciência, a fé na ciência é uma consequência do conhecimento.

1 – Falso, pois para o teólogo existe o aceite de Deus como principio mais do que universal. Não fica em categoria tão diferente da universalidade das leis físicas. O conhecimento é feito de forma metodológica, a partir de técnicas como hermenêutica.

2 – Aliás, “homem de ciência”? Será que João está tentando criar uma categoria nova para englobar cientistas e leitores de divulgação científica, colocando tudo no mesmo saco? Risível.

3 – Ele tenta dizer que “fé na ciência” é consequência do conhecimento. Mais uma vez isso não é diferencial da ciência, pois qualquer conclusão humana é consequência do conhecimento.

Ele apela à Enciclopédia Britânica, mas não obtém muito sucesso:

A enciclopaedia Britânica diz assim: ” É distinguida da filosofia (a teologia) por estar dedicada a explicar e a justificar a fé, em vez de questionar os pressupostos subjacentes a tal fé, mas muitas vezes emprega métodos quase filosóficos ” (1). Em relação à ciência a questão é semelhante, embora a ciência tenha a filosofia a questionar os seus pressupostos. Mas as teorias cientificas sofrem uma grande abuso de duvida até se considerarem um facto. Que é de onde a fé parte. A ordem, é outra. A Fé em Deus é acreditar que se encontrou. A fé na ciência é muito mais acreditar que se pode encontrar. Dá origem a visões distintas do mundo. Há quem consiga manter ambas as visões em simultâneo, mas este post não é sobre isso – não é sobre poder ter-se Fé em Deus e ser-se cientista ao mesmo tempo. É sobre a diferença entre os tipos de Fé. Para elas serem iguais, era preciso que houvesse uma prova inequivoca da existência de Deus e uma forma objectiva de O poder estudar. A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. E como diz na E. Britanica, o procedimento é quase filosófico. Falta o quase. Outra vez.

1 – Isso aqui chega a ser bizarro, pois ele cita uma definição da Enciclopédia Britânica para criticar a Teologia, sendo que a mesma definição é válida para a Epistemologia, pois a epistemologia se distingue da filosofia, por estar dedicada a explicar e a justificar a ciência, em vez de questionar os princípios da ciência e muitas vezes emprega métodos quase filosóficos.

2 – Pelo menos ele reconheceu que em ciência (epistemologia) é semelhante, mas erra ao dizer que “a ciência tem a filosofia a questionar os seus pressupostos”. Erro grosseiro, pois tanto epistemologia quanto teologia são sub-áreas da filosofia, e ambas não questionam os seus princípios fundamentais. São estes princípios que dão base para o estudo.

3 – Em seguida ele, que falava de teologia, pula AUTOMATICAMENTE para falar o seguinte: “Mas as teorias cientificas sofrem uma grande abuso de duvida até se considerarem um facto.”. Mas que raio é isso? O cara confundiu teorias científicas (que estão no nível 4, da figura) com os PRINCÍPIOS por trás da ciência, que estão no nivel 1. João, preste atenção!!!!! Não confunda pressupostos da epistemologia com pressupostos de uma teoria científica.

4 – Teorias científicas não são para serem consideradas um fato, e sim tratadas como válidas ou inválidas.

5 – Ele diz que para fé em ciência e religião serem iguais era necessário que “houvesse uma prova inequivoca da existência de Deus e uma forma objectiva de O poder estudar”. Loucura total! Já que não existe uma prova inequívoca de que as leis físicas valem em todo o universo, e a ciência continua válida. Motivo: isso é PRINCÍPIO (axioma), tomado como base para que se habilite o estudo.

6/7 – Ele ainda diz: “A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. E como diz na E. Britanica, o procedimento é quase filosófico. Falta o quase. Outra vez.”. Dois erros em um só, pois o “quase” que a Enciclopédia Britânica trata é em relação ao método filosófico por trás da teologia. E não o “quase” em relação à comprovação física do objeto de estudo. E ao dizer que “A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. “, ele naturalmente apela para a credulidade dele para definir algo como válido ou não. Ou seja, falácia infantil até.

A seguir, é bobinho:

Acreditar, a palavra “acreditar”, tem significados opostos em ciência e em crenças como “acreditar” em bruxas.

1 – Ué, da mesma forma que “acreditar” tem significados opostos em teologia  e em crenças como  “acreditar” em bruxas. Se ele está tentando a falácia do espantalho para maquiar a religião para ser tratada como o mesmo que “crença em Bruxas”, essa tática não funcionará.

Mas ele ainda diz ser generoso, pois faz “concessões”:

Concedo que superficialmente sejam a mesma coisa. Mas só superficialmente. Se ambos os significados se referem à identificação de algo como sendo verdade, as semelhanças acabam aí. Porque um se refere a uma crença pessoal e o outro se refere àquilo que podemos provar que é universalmente verdade, usando os meios mais adequados possíveis para o fazer. Um “acreditar” é acreditar porque parece que sim, e o outro “acreditar” significa conhecer. A palavra é a mesma, mas os seus  significados são tão distintos como isso – como acreditar simplesmente, é diferente de conhecer.

1 – A idéia de que se pode provar algo como universalmente verdade é um axioma, tal qual Deus, portanto, não é uma crença pessoal.Logo, fé em Deus não é apenas uma crença pessoal.

2 – E mais, crença científica não é o mesmo que “conhecer”. O “conhecer” tem um significado igual para religião e para ciência. Da mesma forma “acreditar” tem um significado igual para religião e para a ciência. Aí é só estudar o dicionário.

E tome blá blá blá…

Crença na ciência, não é crença como em “crença em espíritos”.

1 – Natural, pois todos tem crença na ciência (não é o mesmo que “crença em ciência”, mas vá lá). Nem todos tem crença em espíritos. Mas alguns cientistas possuem crença em memes, que estão na mesma categoria dos espíritos. Uma grande quantidade de cientistas possui crença em vida alienígena fora da Terra. Dá no mesmo. Resultado: como em TODAS as tentativas frustradas de João, aquilo que ele aponta como sendo um DIFERENCIAL da ciência, não é um diferencial. É apenas uma falha linguística dele.

Daí ele enfia o conceito do “cético” aqui, sabe-se lá porque:

Se por exemplo um céptico acredita em ciência, não é por ter uma memória enciclopédica de todo o conhecimento cientifico. É porque conhece o que significa uma afirmação cientifica. Porque sabe o trabalho sistemático e aberto a critica que está por traz. É dai que parte a crença. Na crendice, a própria crença é a base do conhecimento. É óbvio que uma pessoa não pode verificar todas as evidencias experimentais que corroboram uma teoria, é preciso acreditar que quem o fez foi honesto (pelo menos durante os primeiros tempos após uma publicação). Mas isso é longe de ser algo baseado na crença simples. Essa crença é apoiada em conhecimento. De que determinada coisa foi obtida através do melhor meio possível de obter conhecimento que chegou à humanidade. E existem meios para se por isso em causa. E é posto em causa! As mentiras mais tarde ou mais cedo são descobertas.

1 – A afirmação de “céptico acredita em ciencia… porque conhece o que significa uma afirmação cientifica” é leitura mental, com a diferença de escolha de atributos de elogio ao invés de atributos pejorativos. Como é leitura mental, não serve como a alegação.

2 – Ele diz que “na crendice, a própria crença é a base do conhecimento”. Só que religião não é o mesmo que crendice. Embora possam surgir crendices da religião. Assim como podem surgir crendices da ciência.

3 – O meio pelo qual um cientista “sabe” ou deixa de saber sobre a ciência é irrelevante, pois a ciência possui um MÉTODO CIENTÍFICO, portanto o erro de João segue em associar todos os atributos do método cietnífico aos cientistas, o que está já desmascarado, como já visto no exemplo de cientistas que acreditam em memes e ETs. Cientistas possuem fé, e alguns casos fé cega.

4 – Ele erra ao dizer que “acreditar” é diferente de conhecer. Ele deveria estudar Gestão do Conhecimento, que define que o conhecimento intuitivo das pessoas é parte do CONHECIMENTO TÁCITO. Por exemplo, a conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito é parte do processo de Gestão do Conhecimento.

5 – O fato de “mentiras serem descobertas” em ciência não é um diferencial da ciência, é uma característica de qualquer área profissional. Em teologia, mentiras também são descobertas.

Ele apela para o espantalho de novo:

Pôr esse tipo de crença articulada e inteligente ao nível de uma “crença pela crença” (ou ao nível do conhecimento baseado na crença), em que a ordem do processo cognitivo é inversa, é um disparate. Não são exactamente a mesma coisa.

1 – Crença em ciência e em religião são a mesma coisa. Ele tentou diferenciá-las usando um “crença pela crença”, que é similar à fé cega.Mas isso não passa de falácia do espantalho, pois nem mesmo religiosos em geral são assim. Talvez alguns sejam, mas o João (leigo em ciência) também possui “crença pela crença” em todo o discurso dele. Já para o teólogo não, pois este não pode empregar “crença pela crença” em suas teses formais de teologia, caso contrário ele não consegue sequer trabalhar.

Aqui ele tenta justificar:

Se me disserem que é preciso pelo menos acreditar em alguns pressupostos (para fazer ciência), pois claro que é, mas são muito simples. São pressupostos tão básicos que se forem falsos, nenhuma outra forma de conhecimento é possível. Pressupostos com acreditar que a realidade existe e que é inteligível. Se há uma crença em ciência é a de que a realidade pode ser explicada. Mas se não pode ser explicada, isso afecta qualquer outra forma de pensamento que faça qualquer tipo de afirmações. Porque se o real não existe ou é incompreensivel, não há maneira de validar afirmações. Sejam elas quais forem. É como aceitar que é verdade que a verdade não existe. Não leva a lado nenhum.

1 – Tentar justificar o aceite dos axiomas da ciência não passa de FALÁCIA DO APELO À CONSEQUÊNCIA. Todo o parágrafo dele não passa disto. O correto seria João aceitar que existem tais axiomas na ciência, assim como existem axiomas na religião.

Por outro lado se o que se põe em causa é a confirmação das afirmações e saber se determinado estudo existe ou não, se é fraude ou não, isso também é absurdo quando feita a acusação de um modo generalizado. Porque para alem de existirem estudos falsos, e maus artigos, e “peer review” insuficiente, a regra é que o processo de auto-questionamento da ciência os encontre. Acreditar que a ciência só é autocrítica na nossa própria área de conhecimento é ilógico.

1 – Ele segue aqui com o erro grosseiro de tratar do dia-a-dia das teorias científicas e tenta comparar isso com a crença em Deus. Ele só poderia comparar a crença em Deus com a crença na universalidade das leis físicas. Basta ver na figura.

E lá vem mais…

Também podemos sempre ver o ranking da revista em que foi publicado, se teve “peer-review”, seguir as citações para ver os pressupostos em que o artigo se baseia, ler sobre as críticas que tenham sido publicadas (há sempre ou quase), ver como os autores conseguiram fazer o estudo (que meios tiveram, quem pagou, quem orientou, que interesses têm) etc. Em resumo, podemos em pouco tempo verificar se está a ser feita ciencia ou não. Mesmo que não consigamos perceber nada sobre o que estamos a ler, acreditar numa conclusão de um artigo cientifico porque podemos confirmar que foram cientistas a fazer ciencia, é uma constatação de que o conhecimento em causa é científico. É diferente de acreditar numa afirmação que nós não sabemos que processo cognitivo lhe deu origem, ou que sabemos não ter origem em investigação sistematica e metódica. Mais uma vez, este “acreditar” é mais “conhecer” ou “aprender”.

1 – Todo o começo do discurso dele neste parágrafo fala sobre teorias científicas, quando na verdade para comparar com a questão Deus ele tem que falar dos AXIOMAS da ciência, que estão em nível muito acima das teorias. Ele repete esse erro ad nauseam.

2 – Ele continua errando ao dizer que “acreditar” é mais “conhecer” ou “aprender” em ciência. Errado. “Acreditar” e “aprender” são ambos parte do CONHECIMENTO TÁCITO. Daí para a conversão deste conhecimento em conhecimento explícito, são outros 500.

Ele tenta fugir pela tangente:

E depois, existe outra coisa, que é a articulação do que está em causa, dessa afirmação hipotetica que queremos validar, com as coisas que nós conhecemos cientificamente em primeira mão. A ciência articula os seus conhecimentos como se fosse um puzzle da realidade. E a realidade, se pudémos aprender alguma coisa, é só uma.

1 – Mais um erro grosseiro: “A ciência articula os seus conhecimentos como se fosse um puzzle da realidade”. Essa informação é totalmente falsa. A ciência talvez seja um puzzle da realidade FÍSICA e TANGÍVEL (tem que ter os dois atributos, não só um). A realidade é só uma, mas ela engloba todos aspectos da realidade, como a realidade matemática, a realidade lógica, a realidade subjetiva, a realidade física, etc.  Dizer que a “realidade é só uma” é uma afirmação correta. Mas a ciência não trata desta “única” realidade, só de pequenos recorte da realidade. De novo: a realidade FÍSICA e TANGÍVEL.

E, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada:

Este texto todo é para dizer que crença em ciência tem um significado totalmente diferente de crença em outra coisa. É mesmo o inverso. Uma é acreditar porque existem evidencias e depois raciocínio que o suporta – outra é fazer o raciocínio e procurar as evidencias porque temos a crença. Não é a mesma coisa. E a confusão é perigosa.Quanto às dissonancias na ciência, existem claro, é a natureza do bicho, mas não são assim tão graves. É deixar para os especialistas em cada matéria a afinação das coisas mais complicadas. Não serve para invalidar a ciencia como o corpo de conhecimentos mais consistente que a humanidade tem. É um exagero falacioso esta linha de argumentação. Tipo argumento das lacunas. Pelas razões ja exploradas anteriormente.

1 – Como tudo que João escreveu, está errado de novo. O significado de crença em ciência é o mesmo de crença em qualquer outra área do conhecimento humano.

2 – Ele não sabe os motivos pelos quais um cientista acredita ou um teólogo acredita. Tudo que ele tentou aqui é chute.

3 – Ninguém aqui tentou invalidar a ciência como UM DOS corpos de conhecimentos mais consistentes existentes. Não dá para dizer que é o MAIS consistente. Tanto que ele fica abaixo da filosofia, que gerencia tanto os corpos de conhecimento da teologia e da epistemologia.

E para encerrar…

É natural que João se ILUDA com ciência e faça os discursinhos dele sobre ciência no estilo “divulgação de ciência”.

Ele diz que a área de trabalho dele é ciência, mas ele é um Médico Veterinário.

Isso não o desmerece, de forma alguma, como profissional, mas não o reputa como um cientista.

Esse é o grande erro dos leitores de “divulgação científica”. Acham que falam de ciência quando na verdade nem possuem idéia do que é ciência. Ele deveria reconhecer suas limitações, mas não o faz. E por isso é mais fácil ainda refutar sua ladainha.

Os erros de João demonstram a incapacidade dele não só de falar sobre ciência, como também de utilizar a comunicação humana. Todos os erros dele são erros não só conceituais, como também linguísticos.

Uma sugestão para João é que na próxima, ele deixe de tratar a ciência, e tente explicar CIENTIFICAMENTE como um cientista não possui fé ou crença, mas faça isso CIENTIFICAMENTE. Talvez ele possa tentar com um PET-SCAN do cérebro do cientista mostrando que o sistema límbico profundo (repositório das emoções, incluindo a fé) é menos ativo em um cientista do que em um teólogo. Sem algo assim, nada feito.

Do jeito que estavam as colocações dele, os dois textos viraram uma confusão de manipulação semântica que tornam o argumento dele totalmente sem sentido. Em uma hora, João falava de religião e em seguida pulava para teologia, e depois… slip…  pulava para crença pessoal. Claro que um leitor menos cético não perceberia as estratégias erísticas e técnicas de mudança de modo, mas justamente o foco deste blog é apontar tais irracionalidades usadas para enganar os outros na pregação do neo-ateísmo.

Dica ao João: tente de novo. Mas procure um psicólogo cognitivo antes.

Escrito por lucianohenrique

setembro 29, 2009 em 12:49 am

O mito neo-ateísta da Terra Plana

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FlatEarth

É, não tem jeito. A minha tese se confirma cada vez mais: os neo-ateus são a escória dos ateus.

São aqueles que se fossem religiosos iriam ser rejeitados até pelos religiosos mais sábios, pois na religião não se apoia fanatismo e fé cega. Resultantes, claro, da falta de inteligência.

Exemplos de fé cega incluem, por exemplo, acreditar que o Holocausto não ocorreu, ou que o homem não foi à Lua.

Vou mostrar aqui mais um exemplo de FÉ CEGA e burrice, no caso originada em um grupo de neo-ateus.

O objetivo deles: alegar que a Igreja acreditava que a Terra era plana.

Senão, vejamos a declaração deste ateu, Sidney (que é dono de uma comunidade no Orkut, “Orgulho Ateu”), ao ver uma notícia falando de um conjunto de invenções feitas por padres:

Eles inventaram tudo, mas aí veio alguém de fora que inventasse que a Terra era redonda.

Quer dizer então que alguém “inventou” que a Terra era redonda e a Igreja não sabia?

Engraçado que o conhecimento da esfericidade da Terra vinha da Grécia, séculos antes de Cristo. Lá nos tempos de Plínio, o Velho, a idéia era totamente aceita no mundo greco-romano.

Entre milhares de exemplos possíveis, um dos mais notórios era Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo grego fundamental para o pensamento medieval. Segundo Aristóleles: “Sobre a posição da Terra e da maneira de seu repouso ou movimento nossa discussão pode aqui terminar. Sua forma deve necessariamente ser esférica.”

Claro que existiram alguns raríssimos cristãos, como o monge Cosmas Indicopleustes, que tratava de uma versão literal da Bíblia lá pelos idos de 550 d.C., mas este jamais obteve qualquer tipo de reputação nos círculos intelectuais, sendo ridicularizado pelo filósofo grego cristão John Philoponus (490-570 d.C.). Aliás, se Cosmas fosse ateu, com certeza seria um neo-ateu.

Diante disso, eis que neo-ateus tentam mais uma cartada, e um deles disse o seguinte:

A Igreja quis punir Galileu pois este dizia que a Terra era esférica.

Nada mais falso, pois Galileu foi julgado por divulgação de informações científicas errôneas, entre as quais a informação de que o Sol seria o centro do universo. Galileu jamais foi julgado pela inquisição por afirmar que a Terra era esférica, pois nada disso consta em seu julgamento.

E bem antes de Galileu, o filósofo São Tomás de Aquino (1225-1274) definiu Aristóteles como suporte filosófico de toda a doutrina cristã.

Resultado: mais uma fraude intelectual neo-ateísta desmascarada.

Mas com não tinham mais argumentos, um deles, Roberto, tentou afirmar o seguinte:

Bem, independente de ser imaginada plana, a idéia de uma terra aproximadamente esférica não é compatível com várias passagens bíblicas. Em Jó 26-10, parece que a idéia de uma terra aproximadamente esférica era descartada, uma vez que não existiria este “limite da superfície das águas em redor”, até os confins da luz e das trevas. Parece que ele está se referindo ao horizonte como esse limite marcado. Aí, a gente lê gênesis, onde os céus são criados dividindo as águas de cima e de baixo, e as águas de baixo são juntadas para a parte seca aparecer. Por fim, em Isaías, o céu é descrito, numa linguagem figurada, como uma cortina estendida, uma tenda desenrolada, o que mesmo poeticamente seria estranho para representar o céu de uma terra esférica, uma tenda se desenrola por sobre uma superfície, e não fica flutuando como um todo, esfericamente, em volta de algo. Então, juntando as três passagens, parece que a idéia do mundo era, independente de citarmos um formato específico, uma porção de terra junto a uma porção de água, esta água de alguma forma contida para não “cair”, acima dela o céu, e abaixo, o nada. Pelo o que eu entendo, é mais ou menos por aí.

Ou seja, os caras realmente parecem achar que a interpretação de Cosmas foi realmente levada a sério.

Agem exatamente igual a um tal de Marcus Valério, um espírita que afirma ser “filósofo”, que publicou a sua versão para a Terra, segundo a Bíblia.

Segue abaixo:

biblia_terra_plana_e_o_catzo

A figura acima é ao mesmo tempo cômica e ridícula.

Claro que é só uma simulação de falso entendimento (ou burrice mesmo), que é facilmente esmagável já mesmo durante uma análise preliminar.

Em pleno século 21 d.C., o sujeito comete o mesmo erro de Cosmas Indicopleustes quinze séculos atrás. Erro que, friso de novo, foi inclusive ridicularizado por sua interpretação PUERIL da Bíblia.

E pior: esse aí nem era neo-ateu, mas adotou os mesmos mitos deles.

E o sujeito refuta-se a si próprio. Ele seleciona aqueles filósofos de menor relevância, que foram ignorados, e diz que essa é a INTERPRETAÇÃO VIGENTE da época…

É claro que é vigarice intelectual.

Pois, na verdade a imagenzinha do sujeito é uma criação da mente infantil dele. Pois não há uma evidência sequer de que tal representação era aceita pela Igreja na época.

Pelo contrário, o que se encontra são referências em livros medievais, como o “Liber Chronicarum” (“Crônicas de Nuremberg”), que possui mais 1800 ilustrações e quase 600 páginas. O livro conta a história ilustrada do mundo desde o Gênesis até aquela data: maio de 1493. Essa foi a data de publicação do livro, antes que a descoberta da América fosse conhecida (não é preciso lembrar que eles não possuíam telefone celular naquela época, portanto Colombo não teve tempo de ligar avisando “ora, mudem o livro”).

Notem abaixo a reprodução do universo, segundo Ptolomeu,com as esferas concêntricas preenchidas com os planetas conhecidos:

nuremberg

Fica evidente, portanto, que a esfericidade da Terra era um fato completamente estabelecido.

Um outro exemplo é o monge inglês, John Holywood (1195 – 1256 d.C.), que usava o nome latin de Joanes de Sacrobosco.

Holywood era contemporâneo de São Tomás de Aquino e era professor de Astronomia em Paris. Seu livro “Tractatus de Spharera Mundi” foi publicado em 1473 e foi um manual de astronomia e geografia tomado por base para as expedições portuguesas durante as grandes explorações. Até pelo título, é óbvio que tal obra mostrava que a esfericidade da Terra já era inquestionável.

Notem abaixo mais um exemplo, de um outro neo-ateu que realmente assumiu as interpretações de Cosmas literalmente:

“Levou-o novamente o Diabo a um monte muito alto, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e seu esplendor”. Tal fato só seria possível se a Terra fosse plana. Caso contrário, como poderia mostrar os reinos situados do outro lado do planeta? E mais: Cristóvão Colombo teve sérias dificuldades para “descobrir a América”, foi duramente inquirido pela Santa Inquisição, porque se as pessoas ficassem de cabeça para baixo cairiam ou passariam mal. Ao final, morreu desprezado e na miséria.  Louvado seja Satan!

Dá para levar a sério um troço desses? Claro que não. E o sujeito, que ainda lança um infantil “Louvado seja Satan” tentou usar também o mito de que Colombo teve dificuldade para descobrir a América. Segundo a fé cega dele a Igreja não queria deixar as expedições acontecerem, pois achava que cairiam no abismo…

Totalmente falso, pois a Igreja não contestou Colombo por isso, e sim pelo fato deste ter cometido uma série de erros, como por exemplo concluir que entre as Canárias e o Japão havia 4.500 quilômetros de mar quando na realidade a distância era quase cinco vezes maior que essa.

E essa foi justamente a objeção da Igreja: o Japão está demasiado longe para ser alcançado numa viagem para Oeste.

A comissão pura e simplesmente rejeitou os cálculos de Colombo.

A origem da fraude intelectual

O fato é que o pensamento anti-religioso já existia antigamente, e um livro de Jeffrey Burton Russell, “Inventing the Flat Earth” (1991), ajudou a descobrir a fraude. Na verdade, nem seria preciso desta obra, pois os livros de História estão aí para desmascarar essa patuléia. Mas a vantagem do livro de Russell é que ele rastreia a origem da criação do mito, e encontra duas figuras:  Antoine-Jean Letronne (1787-1848) e Washington Irving (1783-1859).

A tática de Letronne, que era um historiador, foi tentar atribuir excessiva importância a Cosmas Indicopleustus, dizendo que todos na Idade Média acreditavam nele. O problema é que Letronne omitiu informações de que Indicopleustos já tinha sido refutado por autores em seu tempo. Autores cristãos, inclusive.

A situação de Irving é ainda pior, pois o sujeito era tão somente um autor de romances. Ele também escreveu algumas biografias, como a de Colombo, entitulada “Columbus”, em 1828. Só que a alegação, nesta biografia, de que Colombo foi acusado de heresia por afirmar a esfericidade da Terra, era tão ficcional quanto o outro livro do autor, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”.

Conclusão

Com um kit básico de ceticismo e um pouco de curiosidade histórica, a fraude neo-ateísta é descoberta. E o mito da Terra Plana é justamente esse: a fantasia criada por alguns anti-religiosos dizendo que a Igreja acreditava que a Terra era plana. Curiosamente, quando não possuem provas de sua alegação, neo-ateus tentam também realizar a interpretação da Bíblia mais tosca possível e dizer que era ASSIM que a Bíblia deveria ser interpretada, e portanto era ASSIM que ela era entendida na época. Fica difícil para eles sustentarem isso, pois não há nenhum documento oficial da Bíblia comprovando qualquer iniciativa da Igreja neste sentido.

Dessa forma, quando um neo-ateu diz que a Igreja acreditava na Terra plana é o mesmo que dizer que o caseiro do sítio viu um lobisomem.

São mitos.

Escrito por lucianohenrique

setembro 27, 2009 em 12:33 am

Eram as Tropas Estelares religiosas?

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Claro que não eram.

Mas o que raio tem a ver o filme Tropas Estelares com esse blog?

Explico: recentemente adquiri os 3 DVDs da série Tropas Estelares. O primeiro é excelente, e os 2 seguintes são meio trash, mas divertem.

O importante é a inteligência por trás do argumento original que deu origem ao primeiro, baseado no livro de Robert Einlein.

O autor explica exatamente como se cria o raciocínio de combate e a idéia do “extreme prejudice” (ou seja, exterminar sem dó um inimigo que tem muita força). O autor não se esquece do apego à honra e aos valores, mesmo em um mundo sem religião. E, nesse mundo, as pessoas estão prontas sacrificarem suas vidas em combate.

O melhor, no entanto, é ver a música que está no clip acima, que fala “It’s a Good Day to Die”. Tradução: “É um bom dia para morrer”.

Ela mostra naturalmente o que significa lutar até a morte em uma guerra.

Os motivos são claros: alguns islâmicos usam bombas em seu corpo pois irão morrer em combate, e precisam levar vários oponentes junto. Assim como os Tamil Tigers, grupo terrorista marxista-leninista, que tem mais atentados com homens-bomba em seu currículo do que o Hamas. Ou os pilotos kamikaze na Segunda Guerra Mundial, em Pearl Harbor. Detalhe que os Tamil Tigers e os pilotos kamikaze não acreditavam em Deus.

No filme, é a mesma coisa: os sujeitos vão lutar, estão prontos para morrer, pois, mesmo com armas de última geração, o inimigo (os insetos, no caso) está em quantidade muito maior.

Na vida real, os adversários dos terroristas podem não estar em maior quantidade, mas estão com maior tecnologia. Exemplo: Estados Unidos no Iraque.

Essa inferioridade, tecnológica ou numérica, irá levar naturalmente ao sacrifício humano, pois os combatentes sabem que podem morrer de um jeito ou de outro, então protegem seus familiares.

Em suma, um ótimo filme que, se avaliado com atenção, irá mostrar que a tentativa neo-ateísta de atribuir o auto sacrifício humano em guerras à religião não passa de uma avaliação ingênua de quem não conhece a estrutura dos combates, principalmente entre povos com diferentes níveis tecnológicos e bélicos.

Mais curioso ainda: o componente religioso é inserido no terceiro filme, mas somente APÓS a cultura do auto sacrifício humano já estar implementada. Portanto, não serviria, no filme, como exemplo de religião como causa da violência.

Para quem precisar se animar para ver a série, abaixo está o trailer do primeiro, feito em 1997:

Abaixo as letras da música, que só aparece no terceiro filme:

Courage!, Duty!, Honor!
We call upon our troopers in this our darkest hour.
Our way of life is what we are fighting for.
the flat that flies above us, inspires us each day.
To give our very best, in every way!

(Chorus)
It’s a good day to die,
When you know the reasons why.
Citizens we fight for what is right,
A noble sacrifice.
When duty call, you pay the price
For the federation I will give my life.

Well all is fair, in love and war
that’s what my gunny says.
You are not alive unless you are almost dying.
There are the words I march by, Duty, Courage, Honor
Every single day and I have been trying

It’s a good day to die,
When you know the reasons why.
Citizens we fight for what is right,
A noble sacrifice.
When duty call, you pay the price
For the federation I will give my life
(Courage, Duty, Honor)

The eagle, he flies high above us
The eagle, he make our spirits soar
He’s giving the strength to carry on
To fly, and win this war!

It’s a good day to die,
When you know the reasons why.
Citizens we fight for what is right,
A noble sacrifice.
When duty call, you pay the price
For the federation I will give my life
(Courage, Duty, Honor)

It’s a good day to die,
When you know the reasons why.
Citizens we fight for what is right,
A noble sacrifice.
When duty call, you pay the price
For the federation I will give my life
(Courage, Duty, Honor)
For the federation I will give my life.

Escrito por lucianohenrique

setembro 24, 2009 em 5:58 pm

Técnica: Seleção do Adversário

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Última atualização: 23 de setembro de 2009 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

É uma das técnicas mais utilizadas pelos neo-ateístas, em especial quando estes querem simular um falso conflito entre ciência e religião.

É preciso de uma certa experiência em debates para identificar tal técnica. A boa notícia: após algum tempo de prática o teísta ficará imune à essa fraude intelectual.

Durante a execução da técnica, os neo-ateus se disfarçam de “porta vozes da ciência” e então estabelecem algumas comparações, colocando em oposição ciência e religião. Nessas comparações a ciência sempre venceria a religião.

Na verdade, essa técnica é simplesmente a Seleção do Adversário.

A Seleção do Adversário funciona basicamente da seguinte maneira: por medo de falar sobre interpretações corretas de ciência e religião, eles afirmam que ciência e religião estão em luta, e então colocam um componente da entidade que dizem defender (ciência) em duelo com um componente falso (ou mal associado) do adversário (religião). Depois disso, fingem que a religião foi derrotada. [N.E. - Eu duvido que exista tal conflito entre ciência X religião, mas como os neo-ateus acreditam nessa bobagem, eles colocam ciência e religião em duelo. Estou apenas assumindo essa premissa deles.]

No mundo dos esportes seria o mesmo que o time do Corinthians se recusar a jogar contra o time do Palmeiras. E então criar um falso jogo, e colocar a camisa do Palmeiras em alguns torcedores do Palmeiras, mas que não sejam atletas. Isso é para que o Corinthians possa ganhar o jogo com extrema facilidade, pois se os verdadeiros atletas do Palmeiras estivessem jogando, o jogo seria difícil.

Geralmente essa técnica é usada quando o neo-ateu começa com um discursinho assim: “o religioso age assim… em contraposição ao cientista que age assim” ou “a diferença entre Deus e a teoria da evolução é que esta é testável”. Quando essa ladainha começa, podem ter certeza que o sujeito está aplicando a técnica de Seleção do Adversário.

Para facilitar a identificação da técnica, vejam a imagem abaixo:

modelo_de_dominios

Não vou me aprofundar em detalhes na explicação teórica do modelo, pois em breve haverá aqui um artigo específico para isso.

Entretanto, somente com a observação da imagem já dá para notar que há um modelo de domínio que descreve exatamente os principais componentes da religião e da ciência. Escolhi esses dois por serem justamente os domínios que os neo-ateus dirão ser conflitantes. Detalhe: cada componente está em um nível diferente (dá para notar pelos números). A comparação entre componentes só poderia ser feita pelos que estão em nível similar. Ou seja, princípio da religião comparado com princípio da ciência, teologia com epistemologia. E daí por diante.

Portanto, se o debatedor neo-ateu fosse honesto intelectualmente, ele saberia que ele só poderia comparar o trabalho de um teólogo com o de um cientista, pois ambos são ESPECIALISTAS em seus domínios de conhecimento.

Lembre-se que o neo-ateu não participa do jogo, ele simplesmente cria um FALSO jogo no qual ele coloca “religião X ciência” em disputa, e diz que a ciência ganhou, e a religião perdeu.

Da mesma forma, é possível que alguém que queira difamar a ciência (assim como os neo-ateus querem difamar a religião) use essa técnica. Ele poderia chamar o caseiro do sítio, que é um usuário de pesquisa científica (pois todos são), e perguntar para ele o que á teoria da relatividade. Aí ele só vai dar uma visão metafórica e até incompleta da teoria. Aí o difamador sairia pulando dizendo “derrubei a ciência, derrubei a ciência, iupiii”.

Como se nota, é picaretagem em alto grau. Uma sem vergonhice.

É importante observar o modelo na imagem acima e entender as refutações abaixo, pois, se um neo-ateu usar essa técnica no debate e o teísta NÃO PERCEBER, este último perde o debate com certeza.

Entretanto, se o teísta conhecer a refutação, o neo-ateu dificilmente terá chances no debate, pois provavelmente este entrou para falar de um suposto jogo com dois adversários escolhidos por ele. Sendo que do lado da religião ele escolheu um componente errôneo justamente para criar uma falsa sensação de vitória da ciência.

A sensação, para o neo-ateu, seria a mesma do time do Corinthians ao ver a notícia: “Olha, vocês não vão jogar mais com um grupo de torcedores, e sim com os ATLETAS do Palmeiras”.

Será que o neo-ateu está preparado para ver a ciência e a religião de forma que realmente elas são?

Faça o teste com eles e veja.

Refutação

(1) Refutando um neo-ateu que tenta comparar Deus a uma teoria científica:

  • NEO-ATEU: A diferença entre a crença em Deus e a crença em uma teoria científica é que esta última está passível de métodos.
  • REFUTADOR: Mas Deus não está no status de uma teoria científica.
  • NEO-ATEU: Então não podemos acreditar nele.
  • REFUTADOR: Deus é aceito como um princípio, assim como na ciência existe um princípio aceito, dentre muitos, que é a universalidade das leis físicas.
  • NEO-ATEU: Como é?
  • REFUTADOR: Nós não sabemos se as leis da física valem em todo o universo, mas ACEITAMOS isso racionalmente, pois sem isso a ciência não acontece. Assim como se aceita tal princípio da ciência, de forma racional, aceitamos Deus também de forma racional.

[A partir daí, o neo-ateu provavelmente vai espernear ainda um pouco, mas é só não se esquecer da hierarquia e do status de cada componente (itens 1 a 4, da figura) para mostrar que o neo-ateu estava tentando malandramente colocar o mesmo status de uma teoria científica para Deus. Aliás, a universalidade das leis físicas não é uma teoria científica. Ela é aceita racionalmente, assim como Deus. No modelo acima, Deus está no nível 1, ao passo que teoria científica está no nível 3, pois é um produto de trabalho de um player ou mais players (cientistas).]

(2) Refutando um neo-ateu que tenta comparar o religioso a um cientista:

  • NEO-ATEU: Eu escolho a ciência ao invés da religião, pois a diferença entre um religioso e um cientista é que este último usa um método para se chegar à verdade.
  • REFUTADOR: Já errou na comparação, pois cientista é um profissional, e um religioso não é. Portanto, só um profissional irá confiavelmente seguir métodos para executar sua profissão em sua área de conhecimento.
  • NEO-ATEU: Mas é uma diferença básica…
  • REFUTADOR: Se há uma diferença, há uma diferença de função. Por exemplo, os usuários de pesquisas científicas (são a totalidade da população mundial, menos as Testemunhas de Jeová) são apenas praticantes, assim como os religiosos. Estes não seguem método científico algum. Na verdade, se seguirem métodos ou não, isso não fará diferença.
  • NEO-ATEU: Mas para a ciência faz…
  • REFUTADOR: Não faz nenhuma diferença. O único que precisa seguir o método científico é o cientista. Se ele seguir, está bom. O teólogo também segue métodos, como por exemplo a hermenêutica e a lógica.
  • NEO-ATEU: Mas a diferença é que o cientista sempre tem dúvida, e o religioso parte da fé para justificar suas crenças.
  • REFUTADOR: O religioso pode até partir da fé, se quiser, mas pode partir da razão também. Mas ele é religioso, e não um profissional. Somente quem não irá EXECUTAR a fé no trabalho é o cientista (que pode ter fé, desde que o seu trabalho não seja só baseado nisso), assim como o teólogo.  Mas, voltando para as comparações, os religiosos, os leitores de divulgação científica, os leitores de Dawkins e o resto podem ter tanta fé quanto quiserem, pois não estão no domínio de conhecimento a ponto de alterar este domínio. Só quem pode isso são teólogos (do lado da religião), e cientistas (do lado da ciência).

[Então a partir disso basta ficar explicando para o neo-ateu o que é ciência, o que é religião, e o que cada componente significa em cada uma delas. Muitos podem se recusar a aceitar esse esclarecimento, se forem fanáticos. Mas o público que acompanha o debate verá que o neo-ateu está tentando maquiar conceitos, ao passo que o teísta, se agir conforme demonstrado nos dois exemplos acima, estará agindo em busca da verdade.]

Dicas

  • Uma forma de identificar fácil o uso da técnica é ver os números dos componentes que são colocados em comparação. Se os números associados a eles (ver na figura) forem diferentes, há fortes suspeitas de fraude intelectual. Ex.: “religioso X cientista” (4,3), “Deus X teoria científica” (1,3), etc.
  • Muitos neo-ateus NÃO SÃO CIENTISTAS (raros deles são) e fingem serem “representantes da ciência’. Eles costumam ficar irritados quando se descobre que eles não são o que afirmam ser.
  • A fé é um componente que está presente em todos praticantes, que estão no nível 4, e também presente nos participantes do nível 3, tanto em teólogos quanto cientistas. Só que os que estão no nível 3 são profissionais, portanto precisam utilizar um método para atuação. Quem está no nível 4 não faz uso dos mésmos métodos, pois é regido só pela sua consciência.

P.S.: A importância de dominar as refutações à essa técnica é tamanha que, para se ter uma idéia, livros neo-ateus que fingem “divulgação de ciência” são praticamente todos construídos em cima desta técnica. Dominando as refutações, grande parte do castelo de areia neo-ateísta é derrubado.

Escrito por lucianohenrique

setembro 23, 2009 em 12:08 am

Olavo de Carvalho: A sabedoria das religiões e a patetice de Freud

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Olavo de Carvalho é realmente um dos mais sábios analistas de fenômenos recentes de relativismo que surgem na cultura atual.

Embora ele seja grande crítico do comunismo militante, ele também traz excelentes refutações ao neo-ateísmo atual.

Na verdade, o estilo de proselitismo (comunista miliante e neo-ateísta) é bem similar, pois ambos baseiam-se em:

  • (a) difamação de quem não é de sua ideologia
  • (b) falso entendimento (muitas vezes simulado) da outra ideologia
  • (c) distorção da realidade

Mas o que importa aqui neste vídeo acima é mostrar a opinião inteligentíssima de Olavo sobre as religiões.

A entrevista é antiga, feita há uns 10 anos, portanto essa modinha neo-ateísta não tinha surgido.

Nesse vídeo ele comenta sobre a sabedoria contida nas religiões e mostra a visão equivocada que Freud possui das mesmas.

Importante ressaltar que o vídeo acima é a parte 2 da entrevista, e essas declarações de Olavo surgem no terceiro minuto do vídeo.

No segundo minuto, aliás, já há uma informação importante a respeito do charlatanismo de um certo Muniz Sodré, que tentou avaliar as religiões e fez uma confusão danada, tomando a religião por mediunidades e outras pseudo-ciências.

De novo, assim como no caso de Freud, Muniz tratou de uma concepção pueril a respeito de religião, e foi refutado por Olavo.

Para quem quiser assistir a entrevista completa, as três partes estão abaixo:

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

P.S.: Eu não acho Freud um pateta por completo. Tem uma ou outra coisinha boa que ele colaborou com a psiquiatria. Mas a opinião dele sobre religiões é obviamente uma patetice.

Escrito por lucianohenrique

setembro 22, 2009 em 6:53 pm

Como desmascarar um charlatão: Drauzio Varella

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Que o médico Dráuzio Varella era um baita de um safado, isso eu já sabia faz tempo.

Eu já suspeitava dele desde os tempos em que escreveu o livro “Estação Carandiru”, no qual criticava a polícia e idolatrava os marginais. Para Varella, os marginais que queriam fugir da prisão eram apenas vítimas, e os policiais que evitaram a rebelião eram os vilões.

Um sujeito que inverte os valores assim boa coisa não é.

Só que foi uma novidade para mim saber que além de safado, o sujeito é um neo-ateu dos mais fanáticos, mentiroso, louco, charlatão e ainda se finge de coitadinho.

Todo esse conjunto de “qualificações” pode ser observado em uma declaração que ele deu em uma palestra na qual foi questionado sobre o seu ateísmo. A declaração do energúmeno está no vídeo acima e sua ladainha dura 4 (quatro) minutos.

Nenhuma pessoa em sã consciência seria capaz de dizer tamanha quantidade de bobagens em tão pouco tempo.

Aqui dá para notar de cara quatro atributos de Drauzio. Primeiro, o charlatão criminoso. Segundo, o telepata safado. Terceiro, o coitadinho sem vergonha. Em quarto, o mentiroso contumaz.

(1) O Charlatão Criminoso

Ele já começa metendo o pé na jaca:

Eu acho que existe um tipo de cérebro, um cérebro no sentido geral mesmo que busca o entendimento da vida e das coisas. Que é racional. Que são pessoas que querem entender tudo que se passa, e saber o porquê e ter uma curiosidade de ir fundo em cada tema… pessoas que tem esse tipo de formação dificilmente são religiosas…são mundos [o materialista e religioso] que não se comunicam…

Mas que história é essa de um outro cérebro, Varella?

O senhor está louco?

Não existe isso de “outro cérebro”.

O que existe são duas regiões cerebrais, sendo uma o córtex cerebral, que corresponde à camada mais externa no cérebro dos vertebrados. Essa região cerebral desempenha papel fundamental em todas as funções complexas do cérebro, como em memória, consciência, linguagem, pensamento, etc. E a emoção? Isso relaciona-se à OUTRA área do cérebro, que é o sistema límbico profundo, repositório das emoções.

Drauzio deveria aprender um pouquinho sobre neuroanatomia antes de sair falando algo que nem é da área médica dele. E pior: falar algo que é TOTALMENTE errado.

Eu entendi que “tipos de cérebro” seriam áreas cerebrais. Nem vou pegar no pé dele pela terminologia errada (ele não deveria citar “cérebros diferentes” e  sim “áreas do cérebro”), mas daí a dizer que não se comunicam?

Nonsense, pois quando o ser humano raciocina sobre suas emoções ele está usando o córtex para avaliar o repositório das emoções.

Outra coisa: TODOS OS SERES HUMANOS NORMAIS possuem as duas regiões cerebrais.

Se alguém não possui atividade em uma das áreas isso é uma DISFUNÇÃO, que deve ser objeto de tratamento.

Deve-se ler mais sobre o caso no livro “O Erro de Descartes”, de Antonio Damasio, um médico neurologista português especializado no estudo do cérebro e das emoções humanas. Damasio não é um palpiteiro maluco feito o Drauzio.

Se este fosse um país sério, só pela divulgação de informações falsas, Varella já teria perdido a licença médica.

Usar a função dele como médico para MENTIR a respeito do cérebro não passa de CRIME de charlatanismo.

Aliás, Varella não conhece nem a si próprio, pois com certeza em sua declaração ele usou de fé cega. Não foi nem um pouco racional. Sua declaração parece ter sido feita por instinto, até.

Deve-se lembrar que a religião (ao menos a minha, o catolicismo) não apóia a fé cega.

Ou seja, fé baseada no chute, igual essa do Drauzio, não serve para a religião. Na verdade não serve para nada.

(2) O Telepata Safado

E, além do crime de charlatanismo, ele é um safado deliberado.

Pois ele tenta praticar a telepatia e dizer o que os religiosos pensam. Querem ver?

…pessoas que tem esse tipo de formação [materialista] dificilmente são religiosas, por que a religião implica em você acreditar, em você aceitar fatos sem nenhuma explicação. Por que eu devo fazer assim? Por que Jesus morreu na cruz. E Pronto…. Eu acho que essa é a diferença fundamental entre os dois tipos de visão… E  são mundos que não se comunicam… Para quem é religioso, é impossível aceitar a vida de uma forma racional… E ao contrário, para quem tem um cérebro que funciona de forma materialista, ele não consegue entender o argumento religioso.

Quem foi que disse para esse sujeitinho irracional que religião implica em aceitar fatos sem nenhuma explicação? Quem disse que ele sabe o que se passa na cabeça dos religiosos?

Só se foi a religião que esse pateta inventou para poder criticar, o que já virou, aliás, um vício dessa patuléia neo-ateísta.

E de novo, os tais “mundos que não se comunicam”… Que vá o Dráuzio Varella dizer isso ao Francis Collins, líder do projeto Genoma, que é um dos maiores cientistas da atualidade e também religioso.

Varella não tem qualificação sequer para engraxar o sapato do Collins.

Portanto, essa besteira de dizer que são “mundos que não se comunicam” é apenas a opinião de um idiota. Um leigo. Um sujeito inferior, que jamais conseguiu qualquer repercussão na comunidade científica.

E, detalhe, mesmo que ele afirme aceitar a idéia de que “tem um cérebro racional”, o Varella é quem aceita fatos sem nenhuma explicação, pois não há uma pesquisa científica comprovando tal bobagem afirmada por ele.

Portanto, Varella não pode nem falar pelos materialistas e nem pelos espiritualistas, pois raros destes dois grupos também seriam tão desinformados quanto ele.

Qualquer perspectiva, seja materialista ou espiritualista, pode PERFEITAMENTE compreender a outra.

Desde, é claro, que a pessoa não seja estúpida e limitada. Mas não dá para exigir nada do Drauzio…

(3) O coitadinho sem vergonha

Depois de escrever um monte de besteiras, o sujeito tenta dar uma de coitadinho:

Por que na hora em que você diz que você diz que não é religioso, as pessoas te olham como você fosse imoral. As pessoas te olham como se você não tivesse respeito pela vida, como se você fizesse mal pros outros. Por que não há esse respeito dos religiosos com aqueles que são materialistas? Por que não, se eu tenho que respeitar todas as pessoas que acreditam nas coisas que para mim parecem completamente sem sentido. Por que eles não podem aceitar que exista um mundo que não tem sentido para eles? Por que tem que existir esse autoritarismo? Essa violência contra os que não pensam da mesma forma.

Que eu saiba, as pessoas não olham um ateu e acham este imoral apenas por ele ser ateu. E foram até os países religiosos os líderes na implantação de estados laicos.

Assim como o Brasil, que é um país de liberdade religiosa. Aqui, se fizerem violência contra alguém só por causa da pessoa ser ateísta isso pode resultar em processo. E vale o mesmo se um ateísta quiser agredir um religioso. Como se vê, Varella foi totalmente sem noção.

O problema é que Varella deve agir assim, promovendo ódio aos religiosos e difamando a religião, e depois sofre retaliação.

Mas isso não é preconceito pelo fato de alguém ser ateu, e sim pelo fato do sujeito ser charlatão, mentiroso, irracional, louco, etc…

Se o sujeito é tudo isso, então é irrelevante se ele é ateu ou teísta. Vai ser discriminado mesmo. E merecidamente, diga-se.

E a anta Varella falou tanto de autoritarismo que não tem nem cara de pau de explicar por que ele pode continuar fazendo sua pregação anti-religião e ninguém o interrompe por isso.

Pois, muito provavelmente essa imagem de coitadinho é só isso mesmo: imagem.

Imagem de um moleque safado que quer ofender, e depois fica reclamando se alguém olha torto para ele.

(4) O mentiroso contumaz

Como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera… daí mesmo é que não sai nada.

E um mitômano como Varella tem que concluir com chave de ouro.

E seu peido final é esse:

Os religiosos são muito violentos com quem não é religioso, essa é a realidade, especialmente com os cientistas. Os cientistas as vezes são religiosos, mas os religiosos, todas as vezes que assumiram o poder na história mandaram matar os cientistas.

Isso de “violência contra quem não é religioso” foi comentado anteriormente. É puro choro de malandro.

Não é possível com isso dizer que os religiosos são violentos.

Aqui no Brasil, em muitos casos, infelizmente, grande parte é até passiva demais.

Talvez na platéia da palestra deviam haver religiosos. E seria justo se alguém fosse lá na frente e desse uma cuspida no olho do Drauzio, só por sua atitude preconceituosa e anti-religiosa. Mas ninguém foi.

Esse médico de quinta categoria, comunista, ofendeu e praticou PRECONCEITO contra a religião e os religiosos.

Merecia não só uns tabefes na cara, como também um processo no meio dos olhos.

Mas neste país, como se sabe, nada acontece.

Portanto, violência? Violência o cacete… Esse Drauzio está é com frescura.

E a história de que os religiosos, que, segundo ele, TODAS AS VEZES (friso no “TODAS AS VEZES”) que assumiram o poder mandaram matar os cientistas?

Se é por causa do Giordano Bruno, esse é um caso isolado.

A religião em si não tem nada contra a ciência, muito pelo contrário.

E não adianta Dráuzio mentir e inventar algum factóide.

Talvez alguma mula o ouça e diga até “ohhhhh” quando ele diz a frase “religiosos sempre mataram cientistas”.

Mas é puro dramalhão, típico de novela mexicana.

E não convence ninguém com o mínimo de racionalidade.

Conclusão

É esse aí o tal “homem bom” que alguns ateus ficam pregando que os representa? Em comunidades do Orkut, quando questionam sobre a ética dos ateus, não é raro ver um deles citar o Drauzio Varella como um exemplo de ateu que “realiza coisas boas”. Coisas boas? Quais coisas boas? O sujeito é comunista, médico charlatão (pois fala daquilo que não sabe), difamador, anti-religioso, mitômano… Essa é a obra dele. Isso e alguns livrinhos de quinta categoria, inclusive um chamado “O Médico Doente”. Aliás, bom título, que explica bem o que é Drauzio. Parece mesmo um homem doente. Mas ainda aposto na mistura de loucura e safadeza.

Escrito por lucianohenrique

setembro 21, 2009 em 3:14 am

Onde não há Deus, tudo é permitido…

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Excelente vídeo, no qual Dinesh D’Souza mostra as inconsistências no discurso de Christopher Hitchens.

O discursinho de Hitchens é a mesma chorumela neo-ateísta de sempre:

1 – Se há um crime em um país, e há religião, a culpa é da religião

2 – A Inquisição é um exemplo que ele usa ad nauseam, mesmo que o número de mortos na Inquisição seja muito menor do que opressões do governo feitas em países não-religiosos

3 – Hitchens, para variar, ignora os crimes desses países não-religiosos

D’Souza notou, com habilidade, a artimanha do neo-ateu e argumentou com bastante eficiência e eficácia esse problema.

Detalhe que a discussão sobre tentativa de acusar religião por crimes (feita por Hitchens) e consequente refutação de Dinesh D’Souza aparecem lá pela metade do vídeo.

Escrito por lucianohenrique

setembro 19, 2009 em 11:10 pm

Técnica: Compreensão Sarcástica

com 3 comentários

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Última atualização: 18 de setembro de 2009 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Uma técnica maliciosa, com nível razoável de perspicácia, só que por outro lado muito facilmente refutável.

A grande malícia por trás dessa técnica é que o neo-ateu utilizando-a irá se disfarçar de “amigo” ou alguém que está do lado dos religiosos. E, em cima disso, sarcasticamente, começará a ofender.

Já vi casos em que alguns religiosos aceitaram por completo as ofensas disfarçadas, somente pelo fato do neo-ateu ter fingido a amizade e compreensão, atitude que é PARTE da técnica. [N.E. - Não estou dizendo que todas as iniciativas de amizade de neo-ateus são falsas, apenas quando essas iniciativas estão incorporadas como parte dessa técnica]

Parece que os seres humanos possuem empatia com outros seres humanos que os compreendem. Isso é quase um senso comum.

Por isso, quando um neo-ateu ofende ao mesmo tempo em que finge “compreensão” e “amizade”, por essa empatia é capaz de que um teísta caia no logro, e entre em uma armadilha da qual não mais sairá.

Geralmente é praticada com o auxílio de outra técnica, a “Leitura Mental”.

Um exemplo da técnica é quando um neo-ateu afirma o seguinte: “Eu respeito bastante a religião, pois sei que ela é necessária para a nossa sociedade. Entendo, por exemplo, que muitas pessoas precisam de muletas, pois são incapazes de encarar o mundo como ele é. Por isso, a religião é importante”.

Notaram que o começo em que se fala de respeito à religião é apenas o fingimento de uma compreensão para depois, sarcasticamente, embutir ofensas?

Refutação:

Como o suporte para essa técnica vem todo da técnica de “Leitura Mental”, a refutação é a mesma.

(1) Segue um exemplo:

  • NEO-ATEU: Eu sou diferente de meus outros amigos ateus mais radicais. Eu acho que a religião é importante.
  • REFUTADOR: Ah, interessante. No que você vê que a religião é importante?
  • NEO-ATEU: Quase todas as pessoas possuem medo da morte. Para aliviar esse medo da morte, precisam de algo em que acreditar.
  • REFUTADOR: Tem como provar isso? Você conseguiu ler a mente deles?

(2) Mais um exemplo:

  • NEO-ATEU: Ao contrário da moda anti-religião, eu venho dizer aqui que compreendo a religião, e acho-a importante.
  • REFUTADOR: Ah, que bom. Pode me dizer como?
  • NEO-ATEU: Nem todas as pessoas são fortes para viver em liberdade, portanto precisam da prisão mental que está na religião.
  • REFUTADOR: Engraçado, pois sou religioso, e não há nada disso de “prisão mental” em minha religião.
  • NEO-ATEU: Há sim, você precisa acreditar, portanto está preso.
  • REFUTADOR: Não, não preciso. Tem como provar que eu “preciso” acreditar? Pelo que sei, acreditar é uma opção minha, pelo livre arbítrio…

Conclusão:

Como se vê nos dois exemplos, a refutação é quase automática. Não é preciso sequer um estudo filosófico básico para refutar.

Escrito por lucianohenrique

setembro 18, 2009 em 3:52 pm

Técnica: Inversão de Planos

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scarecrow

Última atualização: 18 de setembro de 2009 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Essa técnica se baseia em algo que pode ser definido também como “Simulação do Falso Entendimento”, o que é uma variação mais elegante da famosa falácia do espantalho.

Importante ressaltar que quando se diz “simulação”, pode ser que isso não se aplique em todos os casos, já que  é possível que existam situações em que o neo-ateu seja apenas um ignorante a respeito de filosofia. Neste caso não dá para dizer que o erro do neo-ateu é feito de forma dissimulada.

O que importa, no entanto, é que tal técnica ocorre com alta frequência.

Para entender o que é a inversão de “planos”, basta entender que existem vários planos de discussão, ou domínios de discussão.

Exemplos:

  • ciência – evidências físicas, objetivas
  • amor – evidências subjetivas, dependentes da impressão pessoal
  • negócios – evidências diretas, mas advindas do mercado (e não peer review)
  • matemática – provas
  • lógica – evidências lógicas
  • teologia – evidências lógicas, sob discussão utilizando-se de filosofia (é aqui que a questão Deus é discutida)

A tática de inverter os planos significa tentar jogar algo que está sendo discutido em um plano e lançá-lo a outro, no qual a refutação será feita fora do domínio em que a discussão deveria ocorrer.

Basta dizer que se o debatedor teísta permitir que um oponente desonesto intelectualmente execute tal técnica, e este não for advertido, o debate está perdido.

Para evitar que esse logro se mantenha, basta apenas intervir e informar ao oponente que ele está fugindo do plano de discussão.

Por exemplo, a questão Deus não pode ser discutida da mesma forma que o Bule de Chá proposto por Russell. Pois o bule é físico, portanto deverá ser estudado pela ciência tradicional. Deus não é afirmado como físico, e a discussão sobre ele é lógica (isso que nem estou aqui afirmando sobre sua existência ou não, apenas sobre o tom de discussão). Quando Bertrand Russel tentou aplicar a técnica “Bule de Russell” dentro de seu argumento, ele estava praticando a técnica da “Inversão de Planos”. E é justamente com essa técnica que ele inicia o seu argumento.

Refutação:

A refutação se baseia simplesmente em explicar ao oponente que ele está saindo do plano de discussão.

(1) O exemplo abaixo mostrará a tentativa de sair do domínio da teologia e pular para o domínio das artes:

  • NEO-ATEU: Deus é igual um boneco.
  • REFUTADOR: Me explique isso melhor…
  • NEO-ATEU: Certo dia Mickey e Minnie foram inventados, por alguém dos estúdios Disney. Se Deus foi inventado, então é igual o Mickey e Minnie.
  • REFUTADOR: Mas Mickey e Minnie são personagens, e não foram assumidos como tendo existência real. E nem se sabe se Deus foi inventado.
  • NEO-ATEU: Mas se foram inventados, são iguais, e você tem que assumir que Deus é igual Mickey e Minnie.
  • REFUTADOR: De jeito algum.
  • NEO-ATEU: Como não?
  • REFUTADOR: A discussão sobre existência de Deus é lógica. Não está no âmbito artístico, onde tudo se assume a priori que é fictício e não são feitas argumentações lógicas para estudar sua existência ou não.

(2) Outro exemplo de refutação, agora mostrando um debatedor neo-ateu tentando fingir que a questão Deus é científica, ou seja, saindo do domínio da religião (teologia) e indo para o domínio da ciência.

  • NEO-ATEU: Ok. Se Deus não é um boneco, então temos que prová-lo.
  • REFUTADOR: De que forma você quer provar?
  • NEO-ATEU: Com um teste científico.
  • REFUTADOR: Mas quem disse que a questão Deus é uma questão científica?
  • NEO-ATEU: Senão é questão científica, então não existe.
  • REFUTADOR: Nada mais falso. Algo pode ser definido logicamente, ou baseado em experiência pessoal (como o amor), ou até como princípio que dê sustentação à ciência, e não ser necessariamente inexistente.
  • NEO-ATEU: Não, pois a ciência cuida da realidade.
  • REFUTADOR: Não, a ciência trata de pequenos recortes da realidade. Somente aqueles acessíveis pelo método científico.
  • NEO-ATEU: Mas se Deus não está nisso, então não existe.
  • REFUTADOR: Nonsense! Várias coisas não são testáveis pelo método científico, e não necessariamente não existem. Nem a ciência existiria sem alguns fundamentos, não testáveis pelo método científico.

[aqui foi mostrado ao neo-ateu que ele estava tentando "inverter os planos" e levar a discussão sobre Deus para o domínio do método científico, e ao mesmo tempo ele queria dizer que tudo que não está no domínio do método científico é falso]

Conclusão:

É uma das mais hábeis técnicas de enganação, pois não são muitos que se interessam em estudar filosofia, área que explica exatamente como inversão de planos é um erro lógico grosseiro. Sem esse conhecimento, muitos teístas são enganados quando um neo-ateu aplica essa técnica. A única forma de se precaver contra isso é realmente estudar filosofia ou pelo menos a estrutura básica de uma argumentação, pois sem isso dificilmente o debatedor irá perceber com facilidade a tentativa da inversão de planos.

Escrito por lucianohenrique

setembro 18, 2009 em 3:16 pm

Técnica: Amigo Imaginário

com 35 comentários

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Última atualização: 18 de setembro de 2009 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Técnica de altíssimo potencial ofensivo, embora geralmente utilizada por pessoas incapazes ou que não estão aptas a um debate sério.

Com essa técnica, o neo-ateu tenta ofender diretamente o religioso, pois afirmaria que Deus seria similar a um amigo imaginário.

Com isso, a idéia é tentar comparar o religioso a uma criança de 3 a 6 anos, idade que os psicólogos reputam como a fase em que se possui amigos imaginários.

Deve-se lembrar, no entanto, que a técnica só pode ser aplicada pelo neo-ateu com eficiência se do outro lado o teísta não tiver a mínima noção do que significam as expressões:

  • (a) Deus
  • (b) amigo

Apenas com o conhecimento desses dois termos, é possível, refutar o neo-ateu.

Abaixo há um exemplo da aplicação desta técnica por um neo-ateu:

  • NEO-ATEU: Quer dizer então que você tem amigos imaginários?
  • RELIGIOSO: Eu não afirmei isso.
  • NEO-ATEU: Claro que é. Se você reza e não tem ninguém lá, é um amigo imaginário!
  • RELIGIOSO: Mas não é nesse sentido que você está pensando.
  • NEO-ATEU: É sim! É amigo imaginário! É amigo imaginário! É amigo imaginário! AMIGUINHO imaginário!

Geralmente, a aplicação da técnica é desse jeito mesmo, até com doses de histeria.

Refutação:

Segue um exemplo de como refutar essa técnica:

  • NEO-ATEU: Quer dizer então que você tem amigos imaginários?
  • RELIGIOSO: Eu não.
  • NEO-ATEU: Mas você acredita em Deus!
  • RELIGIOSO: Sim. Mas não em amigo imaginário.
  • NEO-ATEU: Se é Deus, é amigo imaginário!!!
  • RELIGIOSO: Claro que não. A definição de amigo implica em um indivíduo unido a outro por amizade. Eu nunca chamei Deus de indivíduo. Também não chamei de “pessoa ligada a mim”. Um amigo imaginário refere-se a seres que estariam escondidos embaixo da cama da criança, ou dentro do armário. A existência alegada é física. Eu jamais disse isso de Deus.
  • NEO-ATEU: Não importa, não quero saber, é amigo imaginário! É amigo imaginário! É amigo imaginário! AMIGUINHO imaginário!
  • RELIGIOSO: Você está louco(a), e histérico(a). Enquanto você não estudar as definições de “amigo” e “Deus” não há o mínimo de noção nisso que você afirma.

[A partir daí, se for em um debate virtual, o neo-ateu só conseguirá se safar se estiver postando em maioria junto com um grupo de neo-ateus. Mas é recomendável não participar em comunidades onde neo-ateus sejam maioria, pois eles atacam em bando. Em um território neutro, o neo-ateu é facilmente refutado ao tentar aplicar a técnica]

Conclusão:

Técnica que ao mesmo tempo é altamente ofensiva, mas ao mesmo tempo é altamente estúpida. Em debates mais acirrados, um religioso pode não prestar atenção e se sentir fortemente ofendido. Com apenas o entendimento dos conceitos “amigo” e “Deus”, já é possível refutar de primeira o neo-ateu que tentar tal ofensa.

Escrito por lucianohenrique

setembro 18, 2009 em 2:21 pm

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