Técnica: Leitura Mental

Última atualização: 15 de setembro de 2009 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Essa técnica é utilizada de maneira ABUSIVA em debates nos quais os neo-ateus participam. Um indício desse abuso da técnica é que muito provavelmente você estará familiarizado com os 3 exemplos mostrados aqui, caso tenha o costume de acompanhar debates entre teístas e neo-ateus.
A técnica é utilizada em quantidade tão grande que alguns neo-ateus conseguem fazer um artigo completo (ou até um livro), somente tratando de uma realidade alternativa inteiramente baseada em Leitura Mental.
E nessa realidade alternativa praticamente tudo é produto de imaginação fértil com alguma dose de cinismo ou tentativa de difamação. Ou ambos.
Como não quero “ler a mente” dos neo-ateus, afirmarei várias possibilidades para o uso da Leitura Mental, podendo ser desonestidade intelectual, fanatismo, raciocínio de auto-ajuda, credulidade pura e/ou então ingenuidade argumentativa.
A Leitura Mental consiste em agir tomando como premissa de que se tem o poder de telepatia de forma a conseguir ler o pensamento de outra pessoa, no caso, algum religioso (ou grupo de religiosos) selecionado por esse neo-ateu.
Vejam um exemplo da aplicação desta técnica:
Os religiosos se diferem dos ateus, pois os ateus sempre questionam [1]. Ao contrário dos religiosos, a mente dos ateus não abre espaço para a submissão [2]. O religioso é alguém que aprendeu a não questionar [3], e que aceita as suas crenças por um único motivo [4]: a revelação. Veja um exemplo da Sra. Y, que acredita na Bíblia somente por que o Padre mandou [5].
Deu para notar acima que nos itens (1), (2), (3), (4) e (5) foi utilizada a Leitura Mental nada menos do que 5 (cinco) vezes?
E uma curiosidade: sempre que usam a técnica, os atributos associados a quem teve a mente lida são sempre pejorativos, como “não questionador”, “submisso”, “portador de fé cega”, etc.
Isso aumenta ainda mais as suspeitas de difamação.
Justiça seja feita: não são apenas os neo-ateus ou ateus que usam essa técnica. Já vi teístas a usarem desta forma:
O ateu é alguém revoltado com Deus [1], por isso na verdade ele acredita em Deus [2], apenas diz que não acredita para fazer imagem de rebelde [3].
Da mesma forma que no primeiro exemplo, (1), (2) e (3) são tentativas de Leitura Mental.
E, para variar, os atributos propagados são sempre pejorativos.
Variação da Técnica
Uma variação da técnica é a sua aplicação para instituições ou um grande número de pessoas. Um exemplo dessa tentativa:
A religião foi formada com os seguintes intuitos: o de controlar o povo [1], o de ajudar os poderosos [2] e o de eliminar o pensamento crítico [3] das pessoas.
Em (1), (2) e (3), o neo-ateu inventou do nada essas motivações, pois não está comprovado que as motivações são realmente essas.
Refutação
A refutação é bem simples, bastando usar um modelo padrão de ceticismo, solicitando a cada alegação sem provas uma evidência (ou mais) para sustentar essa alegação.
Exemplo:
- NEO-ATEU: Vocês, religiosos, só acreditam por causa do medo da morte.
- REFUTADOR: Você tem como provar que o motivo é esse mesmo? Eu duvido que seja…
- NEO-ATEU: Claro que é, todos os seres humanos possuem medo da morte.
- REFUTADOR: Então por que você não é religioso?
- NEO-ATEU: É por que aprendi a pensar, e vocês não.
- REFUTADOR: Demonstre que o “pensar” em você existe em quantidade diferente do que ocorre com o religioso.
- NEO-ATEU: Simples. Vocês não podem questionar.
- REFUTADOR: Quem te disse isso? Na minha religião, existe o incentivo ao questionamento.
- NEO-ATEU: Você é obrigado a aceitar uma revelação só por que algum padre te disse.
- REFUTADOR: Tem como provar isso? Pois tudo o que eu aceito é fruto de estudo pessoal, e não por que uma autoridade disse.
E isso pode seguir pelo tempo necessário, até o momento em que o neo-ateu desista de fazer a Leitura Mental.
É importante salientar também que TODA TENTATIVA (sem exceção) do uso da técnica pode ser qualificada como falácia da evidência anedota, pois a pessoa inventou (ou imaginou) que determinado pensamento estava na cabeça de alguém, quando na verdade ela não vai conseguir provar que estava.
Conclusão
Aparentemente, na luta em prol do neo-ateísmo, seus propagadores parecem utilizar a regra do “vale tudo”, mesmo o uso da técnica de Leitura Mental, que só pode ocorrer com extrema credulidade, facilmente refutável por qualquer questionamento cético. É preciso de apenas um mínimo traço de ceticismo para demolir todas as tentativas de uso desta técnica.

[...] Por fim, quando percebem que a lógica não funciona, chegam ao extremo de atacar o oponente com leitura mental e apelo emocional barato. Ou seja, com o oposto de [...]
Adversus neo-atheos « Goiabada com picles
setembro 25, 2009 em 6:44 pm
Eu tinha compaixão do Dino…
Ele se enrolava todo nas pregações…
Sugere para ele um curso de homilética para que melhore seus sermões… pois ele é péssimo… :p
Até que tinha uns céticos bons ali, mas outros, coitados, eram muito ruizinhos…
Um que eu considerava razoável mas achava muito “estranho” na argumentação era o Washigton… O respeitava pela sua postura, mas, como dizia o Vini: “Escreve demais e não diz nada”.
JESUS É BÃO!!!
Marcelo P. Rocha
setembro 24, 2009 em 11:05 pm
De fato, quando se usa refutação para essa técnica, como disse o Júlio Santos, os agnósticos, ateus e céticos fanáticos ficam nervosinhos…
Lembro-me de um Joaozinho na Contradições que tentou usar essa técnica comigo e eu o desmacarei, aí ele disse: “Eu leio mentes sim”, querendo me forçar a responder sua pergunta, aí eu usei uma dispersão válida, para não descentralizar da questão principal [sua desonestidade em usar uma falácia] e disse: [Ateu fanático detectado], ele chorou milhões para mim…
RESP. LUCIANO
Pois é. O resultado é esse mesmo aí que você disse.
Engraçado que hoje mesmo postei na CDA e um sujeito lá (Dino Sauro) tentou usar essa técnica 4 (quatro) vezes!
Chega a ser cômico.
Marcelo P. Rocha
setembro 24, 2009 em 9:36 pm
[...] [1], [2], [3] e [4] mostram a tentativa do neo-ateu usar essa técnica, a Leitura Mental, descrita aqui. Técnica, alias, já refutada [...]
Técnica: Bule de Russell « Neo-Ateísmo, Um Delírio
setembro 18, 2009 em 12:45 am
Bom texto. Sou ateu, mas, concordo com as premissas levantadas. Porém gostaria de pontuar dois olhares: 1) reiterando o que você postulou, alguns teístas fazem uso da leitura mental. 2) nem todos os ateus utilizam a leitura mental, possivelmente, você baseou-se numa amostragem. Eu, por exemplo, não gosto dessa abordagem da leitura mental. abraço e continue com os excelentes textos que você faz a partir do seu olhar. Parabéns.
Wagner
setembro 16, 2009 em 2:20 pm
Ah, obrigado! Mas você acredita que exista a possibilidade de não termos livre-arbítrio?!? o_o isso seria um ataque gritante ao dogma católico ou uma provação do calvinismo… Mas muito obrigado pela respota!!!!!!
RESP. LUCIANO
Eu não acredito nessa possibilidade. Para mim, o livre arbítrio é um fato. Obrigado pelos bons questionamentos.
Davi
setembro 16, 2009 em 1:30 am
ótimo texto, é bom vermos pessoas integradas no debate contra os ateus (inclusive os agressivos), dou meu total apoio!!! =D
Mas em relação a Deus eu ainda tenho uma dúvida, segundo alguns testes de neurocientistas eles dizem que não existe livre arbítrio, então como é que Deus poderia jugarnos se nós não temos livre-arbítrio?!?!
Fica em paz, e que o Senhor nos acompanhe…
RESP. LUCIANO
Olá Davi,
Até o momento, pelo que eu sei (posso estar enganado), a divulgação de que a neurociência identificou inexistência de livre arbítrio foi apenas uma notícia sensacionalista. O que identificaram são alguns reflexos inconscientes passíveis de predição. Mas não chega a ser uma eliminação do poder decisório. Se algum dia a neurociência identificar possíveis “programas” em nosso cérebro, acredito que isso demorará várias decadas para acontecer. Embora acho difícil até que aconteça.
Davi
setembro 15, 2009 em 8:20 pm
O interessante aqui é a incoerência, principalmente por parte dos neo-ateus, que valorizam “a ciência” como sendo a única que divulga resultados depois de infindáveis pesquisas e comprovações.
Ora, se as comprovações são importantes para eles, por que utilizam tantas afirmações arbitrárias, sem apresentarem evidências, com respeito aos pensamentos e motivações (leitura da mente) dos outros?
Wellington
setembro 15, 2009 em 10:48 am
A melhor coisa dessa técnica é que de fato é bem fácil de usar.
Hoje estive em dois debates no Orkut e ateus surgiram com essa mesma xurumela.
Um disse que eu acreditava só porque o bispo mandou e que eu tinha a fé cega.
Já encaixei a refutação e logo em seguida ele começou a vociferar palavrões e foi banido.
Viva!
Julio Santos
setembro 15, 2009 em 5:15 am