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Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 7 – A grande fraude intelectual de Dawkins sobre a prece

Depois de dois desastres consecutivos (a tentativa de atacar o agnosticismo e a tentativa de atacar o MNI), Dawkins resolve escolher um adversário aparentemente mais fácil: um suposto experimento de prece intercessória realizado em 2006, com suporte da Fundação Templeton.
O problema é que o tal experimento da prece nunca foi um experimento de prece em si, e sim uma picaretagem sensacionalista. Vamos às evidências:
Nem os pacientes, nem os médicos ou enfermeiros, nem os autores do experimento podiam saber quais pacientes estavam recebendo orações e quais eram do grupo controle. Aqueles que faziam as preces experimentais tinham de saber o nome dos indivíduos por quem estavam rezando — do contrário, como saber se estavam rezando por eles, e não por outras pessoas? Mas tomou-se o cuidado de contar aos que faziam as preces apenas o primeiro nome da pessoa e a primeira letra do sobrenome.
Mas esperem aí, vamos com calma… quer dizer então que o pessoal do experimento foi convidado, recebeu algum dinheirinho (que sempre acontece nesse tipo de experimento, senão o povão não vai lá participar mesmo), ganhou o sanduíche, o suquinho, e ganhou um papelzinho com o nome de uma pessoa para rezar por ela?
Numa boa, isso não tem nada a ver com a prece religiosa, que é um ato de comunicação e adoração com Deus, e que deve ser feito de forma honesta.
Ou seja, não se “vende” preces, e não se faz “preces por encomenda”.
Seja o que for que esse estudo avaliou, não são as preces religiosas.
E, para piorar, mesmo que fossem as preces, as mesmas não precisam ser intercessórias, pois basicamente podem ser uma comunicação do religioso com Deus.
Não que Dawkins seja o único picareta na história, pois ele apenas se aproveita de outros picaretas, principalmente da Fundação Templeton, como sempre envolvida com sensacionalismo envolvendo religião.
Mas o fato é que como “experimento de prece”, o tal estudo alegado por Dawkins não serve.
Espertamente, Dawkins finge não querer saber disso e sentencia:
O dr. Benson havia sido citado antes, num material de divulgação da Templeton, como alguém que “acredita que estão se acumulando as evidências da eficácia das preces intercessórias no cenário médico”. O que garantia, portanto, que a pesquisa estava em boas mãos e que não seria sabotada por vibrações célicas. O dr. Benson e sua equipe monitoraram 1802 pacientes em seis hospitais; todos haviam sido submetidos a cirurgias de ponte de safena e/ou mamaria. Os pacientes foram divididos em três grupos. O grupo l recebeu preces, mas não sabia disso. O grupo 2 (o grupo controle) não recebeu preces e não sabia disso. O grupo 3 recebeu preces e sabia que estava recebendo. A comparação entre os grupos l e 2 testa a eficácia das preces intercessórias. O grupo 3 testa os possíveis efeitos psicossomáticos de saber que se está sendo alvo de preces. As preces foram feitas pelas congregações de três igrejas, uma em Minnesota, uma em Massachusetts e uma no Missouri, todas distantes dos três hospitais. Os autores das preces, como já foi explicado, receberam apenas o primeiro nome e a primeira letra do sobrenome de cada paciente por quem deveriam rezar. Faz parte da boa prática experimental padronizar as coisas ao máximo, e a todos eles foi dito, portanto, que incluíssem em suas orações a frase “por uma cirurgia bem-sucedida com uma recuperação rápida, saudável e sem complicações”. Os resultados, publicados no American Heart Journal de abril de 2006, foram bem definidos. Não houve diferença entre os pacientes que foram alvo de preces e os que não foram. Que surpresa. Houve diferença entre aqueles que sabiam que estavam recebendo preces e aqueles que não sabiam se estavam ou não estavam; mas ela foi para a direção errada. Aqueles que sabiam ser beneficiários de preces sofreram um número significativamente maior de complicações do que aqueles que não sabiam.
A expressão “que surpresa”, naturalmente, é parte de uma estratégia do Dawkins, pois é claro que tal experimento não tinha nada de “experimento de prece”, muito menos de prece religiosa.
Está evidente, aliás, que as pessoa receberam um papelzinho inclusive com a mensagem que deveriam recitar.
Isso, de novo, não tem nada a ver com a prece religiosa.
E, novamente, nem sequer a prece religiosa precisa ser intercessória.
Isso é uma crendice popular, diga-se. A prece é basicamente comunicação com Deus.
Fica evidente, também, que as pessoas que sabiam que recebiam as “orações fake” poderiam estar sob uma pressão psicológica muito forte, pois achariam que se preces públicas estavam sendo realizadas por elas, a situação é que estaria pior do que aparentava.
Até aqui, por enquanto, Dawkins não conseguiu um “caso”, mas, de uma hora para outra o autor inglês tenta um novo estratagema: dizer que os teólogos e religiosos somente negaram o experimento DEPOIS do suposto fracasso.
Para começar ele tenta isso citando Richard Swinburne:
Não seria surpresa se esse estudo sofresse a oposição dos teólogos, talvez preocupados com sua capacidade de lançar a religião no ridículo. O teólogo Richard Swinburne, de Oxford, escrevendo depois do fracasso do estudo, fez objeções a ele afirmando que Deus só atende a preces feitas com bons motivos. Rezar para uma pessoa, e não para outra, só por causa do que determinaram os dados do experimento duplo-cego não constitui um bom motivo. Deus perceberia. [...]Não pela primeira vez, ele tenta justificar o sofrimento num mundo governado por Deus: Meu sofrimento me dá a oportunidade de mostrar coragem e paciência. Ele lhe dá a oportunidade de mostrar solidariedade e de ajudar a aliviar o meu sofrimento. E oferece à sociedade a oportunidade de escolher se deve ou não investir grande quantia de dinheiro para encontrar uma cura para esse ou aquele tipo específico de sofrimento [...] Embora um bom Deus lamente nosso sofrimento, sua maior preocupação é certamente que cada um de nós mostre paciência, solidariedade e generosidade e, assim, forme um caráter sagrado. Algumas pessoas precisam muito ficar doentes para o seu próprio bem, e algumas pessoas precisam muito ficar doentes para proporcionar escolhas importantes para outras. Só assim algumas pessoas são encorajadas a fazer escolhas graves sobre o tipo de pessoa que serão. Para outros, a doença não é tão útil. Esse exemplar grotesco de raciocínio, tão típico da mente teológica, faz-me lembrar de uma ocasião em que eu estava numa discussão pela televisão com Swinburne, e também com nosso colega de Oxford, o professor Peter Atkins. Swinburne, em determinado momento, tentou justificar o Holocausto afirmando que ele deu aos judeus a maravilhosa oportunidade de serem corajosos e nobres. Peter Atkins rosnou, esplêndido: “Que você apodreça no inferno”.
Como se nota, mesmo durante seu estratagema, Dawkins consegue se perder e mistura um monte de coisas ao citar Richard Swinburne.
Ao invés de tentar usar palavras de Swinburne para tentar demonstrar um “apoio anterior, com posterior rejeição” do teólogo, ele prefere praticar a falácia da diversão citando pontos que não tem a ver com o caso.
Dawkins teria um “caso” se mostrasse que antes do estudo Swinburne apoiou o experimento, e após o fracasso teria negado o apoio.
Isso ajudaria Dawkins em sua causa.
Mas ele foge do tema e começa a criticar a posição de Swinburne perante o sofrimento.
Dawkins não entendeu, entretanto, que o argumento de Swinburne focava na experiência do religioso na formação de seu caráter, superando as adversidades da vida.
É a isso que Dawkins chama de “exemplar grotesco de raciocínio”?
Só que qualquer um que não é retardado percebe que Swinburne apenas utiliza outras palavras para explicar que a pessoa deve fortalecer seu caráter independente das adversidades, e que em alguns casos as adversidades servem para moldar o caráter.
É como o exemplo de alguém que perde o emprego, e após isso torna-se um exímio profissional, extremamente competitivo.
Se isso é um “raciocínio grotesco”, fica evidente que Dawkins tem problemas muito sérios.
Dawkins tenta de novo jogar Swinburne contra a platéia e diz que quando o teólogo afirmou que o Holocausto deu aos judeus a maravilhosa oportunidade de serem corajosos e nobres, isso seria uma “justificação do Holocausto”.
É mole? Notem como Dawkins muda o sentido dos discursos dos oponentes.
Não há nada de justificação do Holocausto nas palavras de Swinburne. É simplesmente dizer de outra forma: “Ah, aconteceu o Holocausto? Ok, agora superem ele e mostrem firmeza de caráter”. E, claro, os judeus demonstraram a superação à esses eventos durante o tempo.
Claro que o amigo de Dawkins, Peter Atkins, dotado de muito pouca inteligência, deu um chilique, mas sequer contra-argumentou Swinburne.
No entanto, é importante notar o motivo pelo qual Dawkins iniciou toda essa ladainha contra Swinburne.
A idéia de Dawkins era mostrar que Swinburne tentaria “justificar” a doença, pelos mesmos motivos que “justificaria” o Holocausto, para ao final justificar o “fracasso” no experimento.
Vejam:
Com razão, ele sugere que se Deus quisesse demonstrar sua própria existência ele encontraria métodos melhores de fazê-lo do que não alterar ligeiramente as estatísticas da recuperação do grupo experimental versus o grupo controle de pacientes cardíacos. Se Deus existisse e quisesse nos convencer disso, ele poderia “encher o mundo de supermilagres”. Mas então Swinburne solta sua pérola: “Já há muitas evidências, de qualquer maneira, da existência de Deus, e evidência demais pode não ser bom para nós”. Evidência demais pode não ser bom para nós! Leia de novo. Evidência demais pode não ser bom para nós. Richard Swinburne é o detentor, recentemente aposentado, de um dos mais respeitados cargos de professor de teologia, e pertence à Academia Britânica. Se você quer um teólogo, eles não vêm com muito mais distinções que isso. Talvez você não queira um teólogo.
Nesse momento é a tal argumentação histérica, em que Dawkins usa duas vezes a expressão “evidência demais pode não ser bom para nós”, como se isso fosse algo que conspirasse contra Swinburne, mas não é o caso: em qualquer área de investigação, não se buscam evidências em excesso, mas sim evidências suficientes e pertinentes.
Essas evidências, em relação ao experimento da prece, seriam novas evidências, se fossem comprovadas, mas não seriam evidências úteis, portanto evidências desnecessárias em relação à prece.
De qualquer forma, nem sequer a argumentação de Dawkins mostra que Swinburne teria declarado algo contra o experimento SOMENTE depois do experimento não ter os resultados esperados pela Fundação Templeton.
Além do mais dizer que “evidências em excesso” não são necessárias não é o mesmo que dizer que “evidências” não são necessárias.
Mesmo assim, Dawkins insiste:
Swinburne não foi o único teólogo a desmerecer o estudo depois de seu fracasso. O reverendo Raymond J. Lawrence recebeu um espaço generoso da página de artigos do The New York Times para explicar por que líderes religiosos responsáveis “vão respirar aliviados” porque não foi encontrada nenhuma prova de que as preces intercessórias surtem algum efeito. Teria ele adotado um tom diferente se o estudo de Benson tivesse sido bem sucedido e demonstrasse o poder da prece? Talvez não, mas você pode ter certeza de que muitos outros pastores e teólogos teriam.
As declarações de Lawrence mostram que Dawkins muito provavelmente citou Swinburne fora de contexto, pois se Swinburne falou em “evidências demais” provavelmente a questão era sobre “evidências inúteis”. Isso seria esperado em qualquer área de estudo.
Curiosamente, surge aqui a primeira grande fraude do artigo, em que Dawkins coloca o testemunho de Lawrence sob suspeita, dizendo que se o estudo de Benson tivesse sido bem sucedido ele talvez teria agido diferente?
Dawkins, no entanto, omite a informação que pode ser vista neste link. Aqui, em 2004, DOIS ANOS ANTES do experimento de Benson, Lawrence já deu suas declarações contra o experimento.
Dawkins omitiu essa informação de seu ataque à Swinburne e Lawrence, pois saberia que o poder de difamação do seu artigo seria reduzido à quase nada.
Imaginem só:
- (1) Dawkins teria um caso contra a religião se convencesse o público de que a maioria dos religiosos acha que o tipo de prece é a prece intercessória
- (2) Dawkins teria um caso, também, se provasse que a maioria dos religiosos torciam para o experimento de Benson dar certo
- (3) O experimento de Benson não gerou os resultados
- (4) Os teólogos Swinburne e Lawrence torciam para dar certo
- (5) Como não deu certo, ambos criticaram depois do experimento dar errado
- (6) Esse experimento significa TODOS experimentos similares
- (7) A vitória de Dawkins seria completa
O problema é justamente o fato dele não provar nenhum dos itens, de (1) a (5), e justamente por isso Dawkins não consegue pontuar em sua tentativa de duelo com os religiosos.
Para piorar, não devemos esquecer DE NOVO que na construção de seu teatrinho, Dawkins ESCONDEU informações de Lawrence declarando dois anos antes sua crítica ao experimento. O caso de Dawkins vai pelo ralo deste jeito.
E nem o suposto joguete tentando usar o estratagema da falsa proclamação de vitória serve, abaixo:
Nem é preciso dizer que os resultados negativos do experimento não vão abalar os fiéis. Bob Barth, diretor espiritual do ministério de oração do Missouri que forneceu parte das preces experimentais, disse: “Uma pessoa de fé diria que esse estudo é interessante, mas rezamos há muito tempo e já vimos a prece funcionar, sabemos que ela funciona, e as pesquisas sobre a oração e a espiritualidade estão apenas começando”. É isso aí: sabemos a partir de nossa fé que a oração funciona, então, se as evidências não conseguirem mostrar isso, vamos continuar trabalhando até que finalmente obtenhamos o resultado que queremos.
Quem é Bob Barth? Resposta: ninguém. Ou seja, em seu “caso”, mais uma amostra não representativa.
Ademais, ele tenta atacar os religiosos chamando-os de irracionais por acreditarem que as preces funcionam, até de maneira intercessória (o que, de novo, não é nem o objetivo principal da prece).
Só que até o discurso de Bob Barth é justificável, se formos considerar outros experimentos a respeito da prece intercessória.
Suspeitamente, Dawkins escolheu UM experimento, justamente aquele que deu errado, e OMITIU do leitor outros que funcionaram.
Essa é a segunda grande fraude cometida nesta seção do livro (lembrando: a primeira foi omitir a declaração de Raymond J. Lawrence, de 2004).
O estudo que Dawkins escondeu envolve uma meta-análise, que leva em conta um corpo completo de peqsuisa empírica de preces intercessórias (17 grandes estudos), mostrando que de acordo com os critérios da American Psychological Association Division, a prece intercessória é classificada como uma intervenção experimental que, em linhas gerais, mostra um pequeno, mas significante, efeito positivo.
O trabalho pode ser encontrado aqui: Hodge, D.R. 2007. A Systematic Review of the Empirical Literature on Intercessory Prayer. Research on Social Work Practice 17: 174-187.
Pois é, Dawkins tinha até potencial nessa parte, mas as duas fraudes cometidas, as falsas proclamações de vitória e as citações de Swinburne fora de contexto (e tentando referenciá-lo como autoridade religiosa, coisa que ele não é) ajudam a jogar todo o caso dele na vala.
Ao Dawkins, uma sugestão: tente de novo!
Defenestrando a histeria: a volta da moderação nos posts

Pois é, a festa acabou.
Eis que o bando de neo ateus não soube aproveitar praticamente um mês que foi permitido sem censura nos posts. Não conseguiram postar um argumento sequer e ainda deram o maior papelão! Shame on all of you!
Foi só um show de chilique, veadagem, histeria, neurose, e encheção de saco dos outros comentaristas.
Por esse motivo, se neo ateu maluco, comunista militante e gayzista histérico quiser dar chiliques, que procure outro blog, pois neste não será mais possível.
A moderação aos posts volta, de maneira definitiva.
Estou estudando novas alternativas, como alguns foristas pré-cadastrados, cujas mensagens não passariam por moderação. O que aliviará o meu trabalho como moderador.
Antes disso, por enquanto, eu peço paciência, pois algumas mensagens poderão ser aprovadas apenas ao final do dia, mas todas aquelas que tenham argumentação (mesmo contrária), serão aprovadas.
Ofensas, chiliques e histerias neo ateístas não mais serão aprovados.
Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 6 – Fugindo dos domínios da ciência: contra o MNI

Se na seção anterior (“A Pobreza do Agnosticismo”) Dawkins cometeu erros típicos de um analfabeto funcional, nesta parte ele mantém o baixo nível daquela argumentação.
Então vamos que vamos, ponto a ponto…
O teólogo Alister McGrath faz dessa questão [o agnosticismo totalmente imparcial] o ponto central de seu livro Dawkins’ God: Genes, memes and the origin of life [O Deus de Dawkins: Genes, memes e a origem da vida]. Na verdade, depois de seu resumo admiravelmente justo de minhas obras científicas, este parece ser o único ponto de refutação que ele tem a oferecer: a alegação inegável, mas ignominiosamente fraca, de que não se pode descartar com provas a existência de Deus. Enquanto lia McGrath, uma página atrás da outra, me via anotando “bule” nas margens.
Dawkins usa o seu tradicional argumento histérico, inventando fatos que não existem.
Ele afirma que Alister McGrath teria, em seu livro “O Deus de Dawkins”, a concepção de que não se pode provar a inexistência de Deus como seu “único ponto de refutação”.
Só se Dawkins leu o livro, tampou os ouvidos e começou a cantar “lá lá lá” freneticamente, de forma a fingir que não leu as outras refutações (principalmente refutações às idéias estúpidas como gene egoísta e memética).
É a isso que podemos chamar de argumentação histérica de Dawkins.
Ele edita os fatos, finge que não observa os argumentos e começa uma gritaria na expectativa de que a platéia não perceba que o que ele possui é apenas fricote, mas não a apresentação de um “caso” em si para sua defesa.
Sendo assim, esse primeiro ataque que ele tenta à McGrath torna-se estéril.
Ademais, se Dawkins quis anotar “bule” nas margens do livro de McGrath, isso não se torna um argumento, pois na seção anterior comentada, tal tipo de comparação já mostrou-se completamente refutável.
Portanto, esse tipo de chilique não ajuda a salvar Dawkins. Pelo contrário, o compromete mais ainda.
Depois desse início nada promissor em seu “caso”, ele direciona sua metralhadora giratória (de sandices) para Stephen Jay Gould, que é o seu “alvo” principal nesta seção. Vejam:
“Dizer para todos os meus colegas e pela milionésima vez (de debates universitários até tratados complexos): a ciência simplesmente não é capaz (por seus meios legítimos) de adjudicar a questão da possível superintendência de Deus sobre a natureza. Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas”. Apesar do tom confiante, quase agressivo, da declaração de Gould, qual é, na verdade, sua justificativa? Por que não devemos comentar sobre Deus como cientistas? E por que o bule de Russell, ou o Monstro de Espaguete Voador, não são igualmente imunes ao ceticismo científico?
Quando trata da questão dos Magistérios Não Interferentes, Richard Dawkins realmente se supera.
Provavelmente a questão lhe cause uma confusão mental tamanha àquela causada quando ele trata do agnosticismo. Ele se perde e fica balbuciando palavras nonsense.
Só isso justificaria uma frescurite tão ridícula quanto chamar essa declaração de Stephen Jay Gould como algo “quase agressivo”.
Mas vamos com calma… Isso que Gould escreveu é agressivo por quê? Só por causa do termo “milionénima vez”? Isso aqui é agressividade? Na verdade, não há nada de agressivo nesta declaração de Gould. Absolutamente nada.
Pelo contrário, o argumento de Gould é extremamente racional e focado, justamente o inverso do comportamento de Dawkins.
Para tornar a crise de Dawkins mais constrangedora ainda, ele pergunta: “qual é a justificativa de Gould?”.
Ele nem precisaria de justificativa, pois para a argumentação de Gould ser compreendida como válida basta ESTUDAR o que a ciência realmente é.
Bastaria Gould ter citado os grandes filósofos da ciência, principalmente os mais recentes, como Popper e Lakatos, para compreender o LIMITE da ciência.
Bastaria saber os limites da ciência, portanto, que não é mais do que onde a ciência começa e onde a ciência termina.
Sendo assim, essa não é uma questão do Gould.
É apenas uma abordagem de qualquer pessoa normal e inteligente que tenha conhecimento do que a ciência realmente é.
Essa crítica inicial de Dawkins simplesmente só serve para mostrar que ele é completamente ignorante em relação ao que ciência é.
O que Dawkins tenta implementar não é nada mais que uma variação do cientismo, que defende a idéia de que a ciência tem que cuidar de absolutamente tudo.
E, quando alguém diz que a ciência não adentra determinadas áreas, ele se revolta. Ele se deprime. Para piorar, ele fica histérico. Essa atitude dele não passa de uma grande palhaçada.
É claro que esse sujeito não pode ser levado a sério.
Para concluir, vejam a que nível ele chega: ele pergunta por que o Bule de Russell e o Monstro Espaguete Voador não são igualmente imunes ao ceticismo científico.
O que será que essa figura entende por ceticismo científico? Será que ele nunca assistiu a uma aula de metodologia científica na vida para entender que ceticismo científico é o ceticismo aplicado em questões científicas?
Se uma questão não é científica, então é possível que se aplique à ela o ceticismo, mas aí já não falamos do ceticismo científico.
Eu não sei, e simplesmente não quero saber, de coisas como Bule de Russell e Monstro Espaguete Voador.
Este é um problema do Richard Dawkins, pois é ele que inclui tais terminologias em suas teorizações. Mas jamais este é um problema do leitor dele (a não ser daqueles que o seguem). Cabe a ele definir, tangenciar, delimitar, dissertar sobre o assunto, e se for uma abordagem metafísica, é claro que não está no escopo da ciência.
Portanto, logicamente, não se aplicaria à ela o ceticismo científico.
Curiosamente, Dawkins traz esse tipo de questão à mesa, como se isso supostamente fosse salvar a argumentação dele. Na verdade, isso apenas o compromete.
Resumindo: Dawkins não precisa trazer essas questões (Bule, Espaguete) à mesa. Se ele quiser trazê-las, esse é um problema dele. É a forma que ele irá definir tais questões que dirá se elas são ou não questões científicas. Mas sequer ele consegue dar uma definição razoável delas. Portanto, é inútil Dawkins trazer tais questões.
Mais uma amostra da “mente neo ateísta” vem a seguir:
Como argumentarei daqui a pouco, um universo com um superintendente criativo seria bem diferente de um universo sem esse superintendente. Por que não é uma questão científica?
Isso é obviamente muito esquisito. Com certeza, uma observação dele que beira o ridículo.
Mas que diabos se passa na cabeça de Dawkins? Nota-se que, pela sua pergunta ao final da citação, Dawkins ainda não entendeu o que é ciência.
Vejam bem: Dawkins diz que um universo sem um criador é diferente de um universo com um criador. Isso é evidente.
Assim como uma equação com alguns fatores é diferente de uma equação com outros fatores. Mas isso não torna a questão como científica. Assim como um ser humano com um pensamento X é diferente de um ser humano com um pensamento Y. E de novo, isso não é uma questão científica.
Se Dawkins acha que existir um contexto que é diferente por causa da presença de um outro item torna automaticamente a questão em uma questão científica, a situação dele é mais grave do que eu pensava.
Vamos em frente…
Gould executou a arte de recuar a distâncias incríveis em um de seus livros menos admirados, Pilares do tempo. Ali ele cunhou a sigla MNI para o termo “magistérios não interferentes”: “A rede, ou magistério, da ciência abrange o âmbito empírico: do que o universo é feito (fato) e por que ele funciona desse modo (teoria). O magistério da religião estende-se para questões de significado definitivo e valor moral. Esses dois magistérios não se sobrepõem, nem englobam todas as dúvidas (considere, por exemplo, o magistério da arte e o significado de beleza). Para citar os velhos clichés, a ciência trata das rochas, e a religião da rocha eterna; a ciência estuda como funciona o céu, e a religião, como ir para o céu.” [...] Parece ótimo — até que você pense um instante sobre o assunto. Quais são essas questões definitivas em cuja presença a religião é convidada de honra e a ciência deve respeitosamente se retirar?
Notem o tamanho do absurdo dawkinista. Quer dizer então que Gould recuou a distâncias incríveis? Recuou para onde?
Mas notem só o que Gould disse: “A rede, ou magistério, da ciência abrange o âmbito empírico: do que o universo é feito (fato) e por que ele funciona desse modo (teoria).”.
Essa definição de Gould é impecável em relação ao domínio da ciência, e ela é RESPALDADA pela literatura dos grandes filósofos da ciência.
Quer dizer, Gould não recuou coisíssima nenhuma. É Dawkins quem ampliou exageradamente os domínios da ciência, em sua variação iludida e teen do que é ciência.
É por isso que a “ciência de Dawkins” é aquela que os teens iludidos aprendem com Carl Sagan, e a “ciência de Gould” é aquela que se aprende com os filósofos da ciência. Dawkins segue a escória, e Gould segue a elite. A Academia Nacional de Ciências concorda com Gould, diga-se.
Dawkins talvez não tenha percebido que Gould não só mostrou que há outros magistérios que a ciência não abrange, como também mostrou magistérios que a religião também não trata.
Por exemplo, ele citou o magistério da arte.
A argumentação de Gould é sólida e coesa, e Dawkins simplesmente não apresenta um “caso” contra ela.
Até o momento, por enquanto, Dawkins mais ajuda do que atrapalha Gould.
Dawkins faz o papel de bobo da corte, e Gould o papel de intelectual na história.
Para aumentar o constrangimento, ele ainda questiona “Quais são essas questões para as quais a religião é convidada de honra e a ciência deve se retirar?”.
Mas que lixo de divulgador de ciência é esse? Um sujeito adulto que faz uma pergunta dessas?
O domínio da teologia é o domínio da filosofia, pois a teologia é um BRANCH da filosofia, assim como a epistemologia o é.
Questões filosóficas não são questões científicas, portanto uma questão teológica também não é uma questão científica. E o conhecimento disso é o mínimo que se espera de qualquer pessoa que vá dialogar a respeito de ciência.
E Dawkins mostra que ou não tem esse conhecimento OU finge não ter esse conhecimento.
Em ambos os casos, a atuação dele é embaraçosa.
Mais uma:
Martin Rees, o respeitado astrônomo de Cambridge que já mencionei, começa seu livro Our cosmic habitat propondo duas candidatas a questões definitivas e dando uma resposta compatível com o MNI. “O mistério preeminente é por que afinal qualquer coisa existe. O que insufla a vida nas equações e as atualizou no cosmos real? Essas perguntas vão além da ciência, no entanto: elas são província de filósofos e teólogos.” Eu preferiria dizer que, se elas de fato vão além da ciência, certamente também vão além da província dos teólogos (duvido que os filósofos agradeçam a Martin Rees por ter colocado os teólogos no mesmo saco que eles). Fico tentado a ir mais adiante e questionar em que sentido os teólogos poderiam ter uma província. Ainda me divirto quando me lembro da observação de um ex-Warden (chefe) de minha faculdade, em Oxford. Um jovem teólogo tinha se inscrito para uma bolsa num programa júnior de pesquisa, e sua tese de doutorado sobre a teologia cristã fez o Warden dizer: “Tenho sérias dúvidas se isso chega a ser um objeto de pesquisa”.
Notem que Dawkins prossegue em seu erro, pois ele diz que se algo vai além da ciência, CERTAMENTE (friso no CERTAMENTE) vai além da província dos teólogos.
De novo, ele não conhece os domínios de ambas as áreas em discussão.
Isso pode ser comprovado quando ele diz que DUVIDA que os filósofos “agradeceriam a Martin Rees por ter colocado os teólogos no mesmo saco que eles”.
Não é questão de agradecer ou não, mas os teólogos são filósofos.
Provavelmente, Rees quis fazer a distinção entre “filósofos não-teólogos” e “filófosos teólogos”, mas Dawkins mostrou sua estupidez ao não saber que teólogos SÃO filósofos.
É muito simples de entender: há a filosofia, e dentro dela várias divisões, que incluem, dentre outras, a teologia e a epistemologia. Desta forma, todo teólogo é um filósofo, mas nem todo filósofo é teólogo.
A patetice de Dawkins fica também evidente quando ele diz que “fica tentado” a questionar em que sentido os teólogos poderiam ter uma província.
Mas não é assim que alguém racional argumentaria, e sim dizendo por que os teólogos não deveriam ter uma província. Um suposto desdém de Dawkins não é um argumento, portanto ele não tem nada contra a idéia de que os teólogos possuem SIM uma província.
E patetice por patetice, ele cita um ex-diretor (traduzido erradamente como Warden (chefe) na versão nacional) que usou argumentação semelhante à de Dawkins. Mas e daí? Se o Diretor de Oxford era um estúpido, não adianta citá-lo…
E, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada: ele comete um erro grosseiro ao dizer que a teologia deveria ser questionada quanto ao fato de ser um “objeto de pesquisa”.
Não, não é um objeto de pesquisa, pois ela é o DOMÍNIO DE CONHECIMENTO. Deus, no caso, é o objeto de pesquisa da teologia.
Esse questionamento do ex-Diretor de Oxford é uma amostragem, de novo, de falta de conhecimento e também falta de inteligência.
Seria o mesmo que chamar a ciência de um objeto de pesquisa. Não, ela não é um objeto de pesquisa. Ela é o domínio de conhecimento, que possui objetos de pesquisa.
A bobagem segue:
Que conhecimento os teólogos podem acrescentar a dúvidas cosmológicas profundas que os cientistas não possam? Em outro livro repeti as palavras de um astrônomo de Oxford, que, quando lhe fiz uma dessas perguntas, disse: “Ah, agora vamos para além da esfera da ciência. Neste ponto tenho de ceder a palavra a nosso bom amigo, o capelão”. Não fui sagaz o suficiente para verbalizar a resposta que mais tarde escrevi: “Mas por que o capelão? Por que não o jardineiro ou o cozinheiro?”. Por que os cientistas têm um respeito tão covarde pelas ambições dos teólogos, sobre perguntas que os teólogos certamente não são mais qualificados a responder que os próprios cientistas?
Para começar, Dawkins usa aqui uma estratégia chamada de “argumentação por diminuição”.
Esse tipo de estratégia é coisa de amador, pois raramente funciona.
A estratégia se baseia em encontrar um domínio de conhecimento de um oponente, e diminuí-lo ao máximo, e proferir um monte de frases pejorativas considerando que o domínio de conhecimento é só isso. Aí o argumentador atacaria essa versão diminuída, fingindo que atacou o domínio de conhecimento em si. O problema, é claro, é quando aparece alguém que conhece realmente o domínio de conhecimento, e o picareta é então desmascarado.
Vamos à um exemplo desta técnica: suponha que um sujeito não é gerente de projetos e não conheça muito à respeito, mas, por algum motivo, odeie a gestão de projetos. Daí a pessoa poderá dizer que os gerentes de projetos não passam de “controladores de cronograma”, e, portanto inúteis, pois softwares seriam suficientes para isso. Desta forma, a pessoa abriria o seu “caso” criticando a profissão, em sua versão ‘diminuída”, e diria que ela nem precisaria existir, e daí por diante. Dessa forma, ele poderia usar até a tática de perguntar coisas como: “por que um gerente de projetos, e não o ascensorista, ou a faxineira?”. Tudo lindo e maravilhoso, até o momento em que um gerente de projetos, certificado PMP, tem acesso à argumentação. Daí para frente, este gerente certificado vai esmigalhar a argumentação daquele que tentou diminuir a gestão de projetos. É claro que o sujeito anti-gestão de projetos será desmoralizado e humilhado em público, por também ser ignorante em relação à conceituação de gestão de projetos.
É justamente essa estratégia que Dawkins tentou utilizar acima, e que é inútil, pois qualquer um que conheça os domínios de teologia e ciência sabe que o autor inglês só praticou um fricotezinho, nonsense e infantil.
E justamente por isso que é fácil desmoralizar o “caso” de Dawkins.
Lá vem mais:
[...] se a ciência não pode responder a uma pergunta definitiva, o que faz alguém pensar que a religião possa? Suspeito que nem o astrônomo de Cambridge nem o de Oxford realmente acreditavam que os teólogos tenham um conhecimento especial que lhes permita responder a dúvidas profundas demais para a ciência. Suspeito que os dois astrônomos estavam, mais uma vez, recuando para ser polidos: os teólogos não têm nada de útil a dizer sobre mais nada; vamos jogar um bolinho para eles e deixá-los preocupados com uma ou duas perguntas a que ninguém consegue responder, e talvez jamais conseguirá. Ao contrário de meus amigos astrônomos, não acho nem que devamos jogar um bolinho para eles. Ainda não encontrei nenhum bom motivo para achar que a teologia (diferentemente da história bíblica, da literatura etc.) chegue a ser um objeto de pesquisa.
Aqui é apenas o esperneio tradicional dele, com outras palavras. Basicamente tudo que está neste trecho Dawkins escreveu nos parágrafos anteriores, com alguns pontos novos:
- 1 – Tentar dizer que teólogos não podem falar sobre útil a respeito de nada
- 2 – Dizer que teólogos, por não responder dúvidas científicas, seriam inúteis
- 3 – Tentar ler a mente de dois cosmólogos, para dizer que eles só respeitavam os teólogos da boca para fora
- 4 – Chamar a teologia de objeto de pesquisa, quando na verdade a teologia não é objeto de pesquisa
Esse parágrafo de Dawkins parece algo escrito por alguém disléxico, e não passa em qualquer exame lógico, mais uma vez.
Vamos em frente, que o parangolé prossegue:
Da mesma maneira também podemos concordar que o direito da ciência de nos dar conselhos sobre valores morais é algo no mínimo problemático. Mas será que Gould realmente quer ceder à religião o direito de nos dizer o que é bom e o que é ruim? O fato de que ela não tem nada mais a contribuir para a sabedoria humana não é razão para dar à religião uma permissão total para nos dizer o que fazer. E qual religião? Aquela sob a qual por acaso fomos criados? A qual capítulo, então, de qual livro da Bíblia devemos recorrer? Pois eles estão longe de ser unânimes e alguns deles são horrendos, por qualquer padrão racional. Quantos literalistas leram o suficiente da Bíblia para saber que ela prescreve a pena de morte para o adultério, por recolher gravetos no dia de descanso e por ser insolente com os pais? Se rejeitarmos o Deuteronômio e o Levítico (como fazem todas as pessoas modernas e esclarecidas), por quais critérios devemos decidir quais valores morais da religião devemos aceitar? Ou devemos vasculhar todas as religiões do mundo até encontrar uma cujos ensi-namentos morais nos sejam adequados? Se for assim, devemos perguntar novamente, por quais critérios vamos escolher? E, se tivermos critérios independentes para escolher entre as moralidades religiosas, por que não eliminar os intermediários e ir direto à escolha moral sem a religião?
A primeira coisa lúcida que Dawkins escreveu em toda a seção foi a frase “o direito da ciência dar conselhos sobre valores morais é algo no mínimo problemático”. Essa é a única coisa que ele acertou, pois daí por diante de novo é só besteira.
O fato é que a teologia, como um ramo da filosofia, pode sim discutir juízos de valor, já que é nesse domínio de conhecimento que os valores morais são discutidos.
Logo, se a religião é uma das formas de se definir o que é bom ou ruim (quem quiser usar a lógica de Epicuro, pode fazê-lo também, mas nenhuma sociedade será construída sob tais princípios), não é Dawkins que irá impedi-la disso SEM ANTES apresentar ao menos um argumento decente em favor de seu “caso”.
Infelizmente, para Dawkins, ele apenas pratica “desabafos” contra a importância justa que é dada a religião na discussão de assuntos morais.
Em relação à questão de “qual religião”, é uma pergunta que não faz sentido, pois as três grandes religiões abrahâmicas compartilham dos mesmos ideais morais, sendo diferenciadas apenas em dogmas específicos, mas não na base moral.
Se Dawkins tentou “criar confusão” entre religiões diferentes (usando uma técnica que pode ser chamada de “dividir para conquistar”) não é com esse estratagema que ele conseguirá sequer pontuar.
Mas é evidente também que Dawkins está um pouco perdido neste parágrafo, pois do nada começa a dizer que alguns capítulos da Bíblia são “horrendos”, o que não passa de um apelo emocional barato, já comentado anteriormente aqui.
Por exemplo: ninguém em sã consciência acha que a Bíblia prescreva a pena de morte por adultério, mas Dawkins assim o acha.
Assim como ninguém lúcido rejeitaria o Deuteronômio e o Levítico, mas simplesmente os interpretam como adultos. Claro que a interpretação de Dawkins é patética, mas não implica que alguém deva rejeitar tais capítulos da Bíblia.
A choradeira de Dawkins é apenas isso, uma choradeira, mas não uma argumentação, e de novo não configura um “caso” contra a religião.
E não deixa de ser ironicamente divertido (uma diversão sádica até) notar que ele finaliza o parágrafo sugerindo “critérios independentes” e ir à “escolha moral sem a religião”. O problema é que tais grupos, como neo ateus, gayzistas ou comunistas militantes, não são os maiores “especialistas” em discussão ou divulgação de qualquer senso moral.
Muitos ateus possuem realmente um senso moral, mas só por que aprenderam ele com a religião.
De qualquer forma, Dawkins não consegue apresentar um caso contra a religião, mas ele tentará de novo no Capítulo 7, e, quando for o momento da refutação às diversas seções do capítulo 7, o esmagarei mais profundamente.
A seguir, Dawkins tenta ler a mente de Gould:
Simplesmente não acredito que Gould possa ter querido dizer mesmo boa parte do que escreveu em Pilares do tempo. Como costumo dizer, todos nós já recuamos de nossas posições para ser gentis com um adversário pouco merecedor mas mais poderoso, e só posso imaginar que era isso que Gould estava fazendo. É concebível que ele tenha tido mesmo a intenção de fazer sua declaração inequivocamente contundente de que a ciência não tem nada a dizer sobre a dúvida a respeito da existência de Deus: “Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas”. Isso soa como o agnosticismo do tipo permanente e irrevogável, o APP em sua plenitude. Implica que a ciência não pode nem fazer juízos de probabilidade sobre a questão. Essa falácia extraordinariamente disseminada — muitos a repetem como um mantra, mas suspeito que poucos pensaram bem sobre ela — personifica o que chamo de “a pobreza do agnosticismo”.
De novo, Dawkins tenta dizer que Gould recuou, quando na verdade, ele apenas foi racional e lúcido ao falar de ciência.
O problema é que Dawkins é o irracional na história, criando uma visão de ciência expandida, somente aceitável com a aceitação do cientismo, ou cientificismo, que são ridicularizáveis por natureza e nem sequer defendidos pela comunidade científica.
Dawkins também critica a afirmação de Gould ao dizer que a ciência não tem nada a dizer a respeito da dúvida sobre a existência de Deus. Novamente, Gould é impecável, enquanto Dawkins é patético.
Dúvidas como “há um Deus?” ou “as leis científicas valem por todo o universo?” não estão no domínio da ciência.
São axiomas, e Dawkins erra ao tratá-los como hipóteses, o que é mais um sintoma de sua falta de inteligência.
E, se não são questões científicas, passíveis de serem tratadas como hipóteses científicas, então cientificamente não é possível que se faça juízos de probabilidades a respeito deles.
Um exemplo disso é a situação terrivemente constrangedora que Richard Dawkins passou quando Ben Stein, do documentário “Expelled”, o questionou a respeito da probabilidade para a inexistência de Deus. Dawkins, tenso, nem sequer conseguiu dar um número calculado para a probabilidade.
Como será demonstrado na refutação ao capítulo 4, se Dawkins trata cientificamente de um Deus (para o qual define que há alta probabilidade dele não existir), esse é um Deus que Dawkins inventou, mas não o Deus dos religiosos.
De qualquer forma, não há falácia alguma cometida por Gould, apenas uma evidente falta de capacidade de Dawkins para entender a argumentação dele.
Mais ladainhas de Dawkins sobre Gould:
Gould, aliás, não era um agnóstico imparcial, mas tinha fortes inclinações para o ateísmo de facto. Com que fundamento ele fez esse juízo, se não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus?
Mas isso é de novo extremamente revelador. Dawkins questiona a opção de Gould pelo ateísmo, dizendo que não haveria fundamento para esse juízo SE NÃO HÁ NADA A SER DITO sobre existência ou inexistência de Deus. De novo, isso parece argumentação de disléxico da parte de Dawkins, pois notem a diferença:
- (A) Uma coisa é dizer que não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus
- (B) Outra coisa é dizer que não há nada a ser dito cientificamente sobre a existência ou inexistência de Deus
- (C) Só que (A) pode ser uma questão filosófica
- (D) Portanto alguém pode tentar justificar ateísmo um teísmo usando-se da abordagem (C)
- (E) A abordagem (B) é inviável, estúpida e irracional, somente praticadas por mentes fracas como as de Richard Dawkins.
Simples assim.
Agora, Dawkins focará no teólogo Richard Swinburne (estranho é o fato dele escolher especificamente Swinburne, e não outros):
Richard Swinburne, um dos principais teólogos da Grã-Bretanha, é surpreendentemente claro sobre o assunto em seu livro Is there a God? [Será que Deus existe?]: “O que os teístas afirmam sobre Deus é que ele tem o poder de criar, conservar ou aniquilar qualquer coisa, seja grande ou pequena. E ele também pode fazer objetos se moverem ou fazerem qualquer outra coisa [...] Ele consegue fazer os planetas se moverem do modo como Kepler descobriu que eles se movem, ou fazer a pólvora explodir quando a acendemos com um fósforo; ou ele pode fazer os planetas se moverem de formas bem diferentes, e as substâncias químicas explodirem ou não explodirem sob condições bem diferentes daquelas que hoje governam seu comportamento. Deus não é limitado pelas leis da natureza; ele as faz e pode mudá-las ou suspendê-las — se quiser.” Fácil, não? O que quer que isso seja, está bem longe do MNI. E, por mais que eles digam outras coisas, os cientistas que se alistam na escola de pensamento dos “magistérios separados” deveriam admitir que um universo com um criador sobrenaturalmente inteligente é um universo muito diverso daquele sem esse criador. A diferença entre os dois universos hipotéticos dificilmente seria mais fundamental em princípio, apesar de não ser fácil testá-la na prática. E ela derruba o dito complacente e sedutor de que a ciência deve ficar totalmente quieta sobre a alegação central da religião sobre a existência. A presença ou ausência de uma superinteligência criativa é indiscutivelmente uma dúvida científica, embora na prática ela não seja — ou ainda não seja — uma dúvida resolvida.
Segundo Dawkins, a afirmação de Swinburne e a forma como ele descreve a presença de Deus, mostraria que ele estaria distante do MNI.
Como sempre, Dawkins está errado.
Vamos dar um exemplo: uma lei física pura e simplesmente fala sobre o seu funcionamento, em determinadas condições. A lei física em si não legisla sobre a possibilidade de um contexto em que ela não valha, ou até uma exceção à sua aplicação. Mais: a lei física em si não diz nada a respeito de sua origem.
Se alguém disser que no Big Bang foi Deus que definiu como uma lei surgida lá funcionaria, ou qualquer outro fator, isso de forma alguma entraria em conflito com a lei científica em questão.
Isso é puramente uma questão de lógica, outro quesito no qual Dawkins chafurda em todas as situações.
Se o universo seria diferente com um criador ou sem um criador, desde que não se REDEFINAM as leis científicas, não há interferência alguma no domínio da ciência.
Notem, de novo, ao final do parágrafo, como Dawkins afirma que a questão da existência de Deus é uma “dúvida científica” (ele ainda afirma “indiscutivelmente”), mas não apresenta um argumento a respeito disso.
Na verdade, ele tentará algo assim, a seguir, falando de milagres, mas essa argumentação dele é inválida.
No geral, Dawkins apenas quer tratar da questão de Deus cientificamente. Mas utiliza-se apenas de falácia do wishful thinking e principalmente o ad nauseam para isso.
Vejam:
O mesmo vale para a veracidade ou para a falsidade de cada uma das histórias sobre milagres que as religiões usam para impressionar multidões de fiéis. Jesus teve um pai humano, ou sua mãe era virgem na época de seu nascimento? Existam ou não provas suficientes para decidir, trata-se de uma pergunta estritamente científica com uma resposta definida por princípio: sim ou não. Jesus ressuscitou Lázaro de entre os mortos? Voltou ele mesmo à vida, três dias depois de ser crucificado? Há uma resposta para cada pergunta dessas, possamos ou não descobri-la na prática, e é uma resposta estritamente científica. Os métodos que deveríamos usar para solucionar a questão, na improvável hipótese de provas relevantes um dia se tornarem disponíveis, seriam métodos pura e inteiramente científicos.
De novo, Dawkins apela ao ad nauseam (“existam ou não provas suficientes para decidir, trata-se de uma pergunta estritamente científica”).
Mas que raio de argumentação é essa? Será que Dawkins quer que fiquemos com pena dele e aceitemos o argumento dele somente por sua insistência? Lamentável.
O fato é que os milagres em si não violam nenhuma lei científica, pois simplesmente baseiam-se na suspensão destas leis ou algo não explicado por tais leis.
Um exemplo é a singularidade. Ela não é um milagre, mas também não se explica o que ocorria na singularidade por qualquer lei científica.
Se a argumentação de Dawkins estivesse correta, o Big Bang entraria em conflito com a própria ciência. O que é no mínimo risível.
Dawkins ainda comete o erro de afirmar que há a “improvável hipóteses de provas relevantes um dia se tornarem disponíveis”.
Mas que coisa hein: quer dizer, não há nem provas a serem analisadas, e Dawkins já decidiu que a questão é científica, e, nessa questão, a ciência negaria a Bíblia.
Claro que não passa de pura enrolação dawkinista, e que não consegue provar que os milagres entrariam em conflito com a ciência.
Dawkins prossegue no erro:
Para representar a tese, imagine que, por algum conjunto incrível de circunstâncias, peritos em arqueologia desencavassem evidências de DNA mostrando que Jesus realmente não teve um pai biológico. Você consegue imaginar os apologistas religiosos dando de ombros e dizendo qualquer coisa remotamente parecida com: “E daí? Provas científicas são completamente irrelevantes para as questões teológicas. Magistério errado! Só estamos preocupados com as perguntas definitivas e com os valores morais. Nem o DNA nem alguma outra prova científica pode ter qualquer peso na questão, seja para um lado, seja para o outro”?
Ele tenta ler a mente dos religiosos na hipotética (mas improvável, segundo ele próprio reconhece) da descoberta de evidência de DNA de Jesus.
Ou seja, a argumentação de Dawkins é natimorta, quando ele próprio admite a improbabilidade de sua situação.
E como ele tentou a leitura mental, mais um motivo para descartar a argumentação dele.
O pior é que ele reconhece é que a própria idéia dele é patética:
A própria idéia é uma piada. Você pode apostar as calças que a prova científica, se aparecesse alguma, seria agarrada e trombeteada para o mundo inteiro. O MNI só tem popularidade porque não há prova a favor da Hipótese de que Deus Existe. No momento em que houver a mínima sugestão de qualquer prova a favor da crença religiosa, os apologistas da religião não perderão tempo em defenestrar o MNI.
Pura besteira, as provas científicas são irrelevantes nesta questão, pois a questão não é científica.
Além do mais, Dawkins afirma que o MNI só é popular por que não há evidências a favor da Hipótese de existência de Deus.
Claro que não há, pois Deus não é uma hipótese, é um princípio, ao qual se chegou racionalmente.
Dawkins nem sequer prova que esse é o suposto MOTIVO pelo qual o MNI é tão popular…
Mais patético é o seguinte: “no momento em que houver a mínima sugestão de qualquer prova a favor da crença, os apologistas da religião não perderão tempo em defenestrar o MNI”.
Dawkins é realmente insano, pois se isso realmente ocorresse (as provas científicas na questão religiosa), ai o MNI seria desnecessário. Mas para que isso ocorresse, seria necessário que o cientismo fosse válido, conforme os positivistas lógicos queriam que fosse. Mas ele não é.
Portanto, a argumentação de Dawkins é mais ou menos como “Se tua mãe fosse homem, ela não seria tua mãe, e sim teu pai”.
Mais um show de filosofia de botequim dele, que só serve para diversão nossa.
Lá vem mais:
Tirando os teólogos sofisticados (e até eles adoram contar histórias sobre milagres aos não sofisticados para inflar congregações), suspeito que os supostos milagres são a razão mais forte que muitos crentes têm para sua fé; e milagres, por definição, violam os princípios da ciência.
Errado! Em momento algum Dawkins mostrou que milagres, por definição, violariam os princípios da ciência. Pelo contrário, os milagres só violariam os princípios da ciência se estes fossem absolutamente verificáveis.
Só que a própria definição de ciência implica que leis científicas e teorias são empiricamente inverificáveis universalmente, portanto violações destas leis são perfeitamente possíveis.
É possível até que algum cético quanto aos milagres possa argumentar que os milagres possam, no futuro, serem explicados cientificamente, ou as situações em que eles ocorreram também possam.
Mas isso não os torna conflitantes com nenhuma lei científica, pois nenhuma delas é prescritiva em aspectos universais e nem proíbem exceções.
Simplesmente, os milagres não são da alçada, atualmente, da ciência.
Chora, neném Dawkins, chora…
Se confrontado com histórias de milagres, Gould provavelmente replicaria na linha da explicação que se segue. O grande ponto do MNI é que ele é uma barganha de duas vias. No momento em que a religião pisa no terreno da ciência e começa a bagunçar o mundo real com milagres, ela deixa de ser religião no sentido que Gould defende, e sua amicabilis concordia é rompida. Perceba, porém, que a religião sem milagres defendida por Gould não seria reconhecida pela maioria dos teístas praticantes nos bancos de igreja ou nos tapetes de oração. Seria, na verdade, uma grande decepção para eles.
De novo essa conversa?
Dawkins tenta torcer e retorcer os milagres para tentar, com a sensação de se raspar o fundo do tacho, tentar achar algum conflito entre ciência e religião, mas os milagres, conforme já demonstrei, não estão entre esses conflitos, pela própria definição do que é uma lei científica ou teoria científica.
Para aterrorizar Dawkins ainda mais, a religião católica fala da maioria dos milagres como ocorridos na época em que a Bíblia fora escrita, portanto não se sabe muito sobre as condições climáticas ou fatores daquela época.
É possível que os milagres tenham ocorrido, e isso não implica que nenhuma teoria científica tenha que ser inválida, e justamente por isso não há conflito algum.
O argumento de Dawkins afirma que a religião deveria se abster dos milagres, para não haver quebra dos limites do MNI. Não, não precisa. Dawkins precisa parar apenas de expandir a definição de ciência, largar o cientismo (que é coisa de criança) e aprender o que ciência realmente é.
E, quando não consegue pontuar, Dawkins tenta apelar para a mentira deslavada:
Existem atletas que acreditam que Deus os ajuda a ganhar — derrotando adversários que, à primeira vista, não seriam menos merecedores de tal favorecimento. [...] Esse estilo de teísmo é vergonhosamente disseminado, e dificilmente será afetado por qualquer coisa tão (superficialmente) racional quanto o MNI.
É mole ou quer mais?
Dawkins agora inventa que os atletas religiosos ao agradecerem por uma vitória estão achando que Deus favoreceu ele perante o outro time. Claro que essa idéia de Dawkins é uma idéia de jerico.
Aprenda, Dawkins: quando um atleta agradece aos céus por algum resultado, ele normalmente está louvando o seu alinhamento com Deus, e não a vitória em si.
Pode ser que, no momento da vitória, ele faça uma prece de agradecimento, mas não por motivos torpes como o de “decidir um jogo em favor do outro”. Portanto, o argumento de Dawkins é no mínimo inútil.
Ademais, Dawkins afirma que o MNI é (superficialmente) racional. Não, ele é completamente racional. Ao contrário de Dawkins, nem um pouco racional.
Lá vem a conclusão, como sempre, completamente desastrosa:
[...] sugiro que mesmo um Deus não intervencionista, um Deus MNI, embora menos violento e desajeitado que um Deus abraâmico, ainda seja, quando se olha para ele com honestidade, uma hipótese científica. Retomo a questão: um universo em que estamos sozinhos, com exceção de outras inteligências de evolução lenta, é um universo muito diferente daquele com um agente orientador original cujo design inteligente seja responsável por sua existência. Admito que na prática pode não ser fácil distinguir um tipo de universo do outro. Mesmo assim, há algo de enormemente especial na hipótese do design definitivo, e igualmente especial na única alternativa conhecida: a evolução gradativa no sentido mais amplo. Elas são quase irreconciliavelmente diferentes. Como nada mais no mundo, a evolução realmente dá uma explicação para a existência de entidades cuja improbabilidade as descartaria, para todos os fins práticos. E a conclusão da discussão, como mostrarei no capítulo 4, é quase definitivamente fatal para a Hipótese de que Deus Existe.
Aqui no máximo é um resumão de todas as besteiras que ele escreveu nessa seção, dizendo que Deus é hipótese científica (coisa que ele não comprovou ser), e dizendo que um universo com um designer é diferente de um universo com designer. Portanto, para ele, isso torna a questão científica.
É, eu avisei, o sujeito não escreve coisa com coisa.
Ele de novo também diz que nessa hipótese do design, Deus tem que fazer parte do processo de evolução gradativa (ou seja, é o eterno ad nauseam dele, em que ele comprova que inventou um Deus para criticá-lo).
Eu já mostrei várias vezes a que a tal “conclusão quase definitivamente fatal”, que Dawkins proclama, é apenas sintoma de sua parca formação filosófica e ingenuidade brutal.
Mas, como relembrar é viver, de novo relembro como William Lane Craig esmagou facilmente tal argumentação de Dawkins.
Mais uma evidência de que Dawkins, perto de Gould, não significa nada.
Olavo de Carvalho falando de gayzismo e anti-cristianismo
Excelente vídeo, que basicamente contém excerpts do programa True Outspeak.
No caso, Olavo comenta a declaração de Tony Bellotto, colunista (!) da Folha.
Nessa declaração, Bellotto chama os cristãos que protestam contra a Lei da Mordaça Gay de homofóbicos.
Como se nota, virou um vício o uso desse rótulo já.
Rótulo, aliás, que só deveria para ser usado em casos de ódio profundo contra gays, a ponto de incorrer em risco de vida à eles.
Só que “cabeças” como as de Tony Bellotto chamam qualquer um que critique a homossexualidade de homofóbicos.
Não dá para levar Bellotto a sério, naturalmente.
Quanto ao vídeo (ou áudio): mais uma vez a pertinência do Olavo é surpreendente.
Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 5 – A pobreza do entendimento de Dawkins sobre agnosticismo

A boa prática da elaboração de um texto argumentativo prega que antes de se discutir questões relacionadas a uma ideologia, que se entenda os limites desta ideologia sob discussão.
Isso é importante no caso de criticarmos, por exemplo, uma doutrina hipotética chama tecnologismo, saibamos o que prega essa ideologia, e o que ela não prega também.
A razão para isso é óbvia: não podemos criticar uma ideologia por algo que não é da alçada dela.
Não ter feito esse tipo de estudo sobre o agnosticismo foi o erro mortal cometido por Richard Dawkins em uma seção de seu livro justamente entitulada “A Pobreza do Agnosticismo”.
Em todo o capítulo, Dawkins trabalha com uma conceituação de agnosticismo que NÃO TEM NADA A VER com o que é realmente o agnosticismo.
Sendo assim, Dawkins critica o quê? Simplesmente um espantalho.
A quantidade de vezes em que Dawkins segue no erro simplesmente me faz duvidar de que ele possua má intenção neste caso específico. Aposto mais em ignorância, ingenuidade e burrice.
A confusão que Dawkins comete é ridícula.
A definição CORRETA de agnosticismo é a crença na idéia de que o conhecimento absoluto, que inclui Deus, é impossível. Simples assim. A base do agnosticismo veio com Kant e Hume, mas a formulação do termo veio com Thomas H. Huxley, em 1876, na Sociedade Metafísica.
Dawkins erra gravemente, e entende o agnosticismo como um meio-termo entre teísmo e ateísmo, o que é absurdo.
A relação correta de agnosticismo é com gnosticismo. Assim, o agnosticismo se opõe ao gnosticismo. Assim como o único opositor ao teísmo é o ateísmo.
Isso fica evidente quando notamos que qualquer combinação pode ser então possível relacionando os 2 domínios
- domínio em que se discute a possibilidade do conhecimento absoluto (gnosticismo/agnosticismo)
- domínio em que alguém acredita ou não em Deus (teísmo/ateísmo)
Assim sendo, alguém pode ser gnóstico ateísta, gnóstico teísta, agnóstico ateísta, agnóstico teísta…
Desta forma, se alguém se rotular como “agnóstico”, isso simplesmente NÃO AFIRMA NADA quanto ao fato dela acreditar ou não em Deus.
Como se observa, não é muito difícil a explicação. Qualquer adolescente de 13 ou 14 anos entende fácil esse tipo de definição com apenas meia hora de uma boa leitura. Até o Google pode resolver a questão, ou um Dicionário Básico de Filosofia.
E o que o energúmeno chamado Dawkins fez?
Nada.
Não estudou, não pesquisou, e NÃO ENTENDEU o agnosticismo, e fez um samba do neo ateu doido no qual ele versa a idéia de que o agnóstico é alguém que “ficou no meio termo” entre ateísmo e teísmo.
Para tornar a situação mais constrangedora ainda, ele ainda tenta nos vender a idéia de que o agnóstico é alguém que defende que a possibilidade de Deus existir é 50%, assim como a impossibilidade seria 50%.
É mole?
O cara não entendeu que a probabilidade para cada uma das situações pode ser considerada até INDEFINÍVEL ou IRRELEVANTE, oque não configura 50% para cada lado.
Seja lá como for, essa idéia de que o agnosticismo prega 50% para cada lado é apenas (mais) um delírio de Dawkins.
Eu poderia encerrar o texto aqui e não fazer citação nenhuma dessa seção do livro, mas eu não seria justo com o leitor.
Pois Dawkins não apenas comete os erros que citei anteriormente, como também erra de uma maneira INGÊNUA e extremamente autoconfiante. Tanto que ele teoriza SERIAMENTE sobre o Bule de Russell (que nunca foi feito para ser levado a sério), e propõe um “espectro de probabilidades” que serve mais como um atestado de insanidade.
Preparem-se, portanto, para boas risadas. O começo já não é nada promissor:
Não há nada de errado em ser agnóstico nos casos em que não há provas nem para um lado nem para o outro. É a posição mais razoável. Carl Sagan tinha orgulho de ser agnóstico quando lhe perguntavam se havia vida em outros lugares do universo.
Deu para notar a baixaria, não?
Aqui mais um agravante: Dawkins acha que agnosticismo é algo maleável. Ou seja, alguém é agnóstico em “relação a algo”. Isso, é claro, totalmente absurdo.
O agnosticismo é específico. Ele o é em relação ao conhecimento absoluto dos princípios metafísicos (incluindo, evidentemente, a questão da existência de Deus), mas não em relação a se o preço da gasolina vai subir semana que vem ou não. Para isso, não há agnosticismo. Portanto, Carl Sagan não era agnóstico quando lhe perguntavam se havia vida em outros lugares do universo. Ele apenas estava em dúvida.
Feito maluco, Dawkins segue em seu erro…
Esse tipo de agnosticismo é a posição apropriada para muitas dúvidas científicas, como sobre o que causou a extinção do fim do Permiano, a maior extinção em massa da história fóssil.
Eu avisei. Essa seção do livro só serve como comédia de erros. Dawkins define um tipo de agnosticismo que é aceitável. Só que esse único tipo NÃO É AGNOSTICISMO… Talvez uma posição de dúvida, de ceticismo, de suspensão de juízo, mas não é agnosticismo…
Chega a dar pena ver uma pessoa adulta errar tão grotescamente, como a seguir:
E quanto à dúvida sobre Deus? Deveríamos ser agnósticos também em relação a ele? Muitas pessoas já disseram que sim, definitivamente, com frequência com um ar de convicção que beira o excesso. Elas estão certas?
Algum de vocês já passou pela situação em que uma pessoa está passando uma situação vergonhosa, mas tão vergonhosa, que chegamos a ficar com vergonha pelo outro? É perfeitamente natural ficar com vergonha de tanto papelão cometido por Dawkins.
Ele não só erra, demonstrando ao público sua ignorância, como também erra CONFIANTEMENTE, e até sugerindo “agnosticismos” viáveis ou inviáveis.
E a frase “agnósticos também em relação a Deus” é um exemplo desta situação embaraçosa. Não há “agnóstico em relação a algo”. Há agnósticos.
E, claro, a insanidade vai adquirindo proporções gigantescas:
Vou começar distinguindo dois tipos de agnosticismo. O Agnosticismo Temporário na Prática, ou ATP, é o legítimo em-cima-do-muro, quando realmente existe uma resposta definitiva, para um lado ou para o outro, mas para a qual ainda não temos evidências (ou não compreendemos a evidência, ou não tivemos tempo de ler a evidência etc.)- O ATP seria uma posição razoável em relação à extinção permiana. Há uma verdade lá fora, e um dia esperamos conhecê-la, embora no momento não a conheçamos. Mas há também um tipo de em-cima-do-muro profundamente inescapável, que chamarei de APP (Agnosticismo Permanente por Princípio). O estilo APP de agnosticismo é adequado para dúvidas que jamais podem ser respondidas, não importa quantas provas coletemos, já que a própria idéia de prova não se aplica. A dúvida existe num plano diferente, ou numa dimensão diferente, além da zona que as provas podem alcançar. Um exemplo pode ser a velha charada filosófica: você vê o vermelho do mesmo jeito que eu? Quem sabe seu vermelho seja o meu verde, ou alguma coisa completamente diferente de qualquer cor que eu possa imaginar. Os filósofos citam essa como uma dúvida que jamais pode ser respondida, não importam quantas evidências pos-sam um dia ficar disponíveis. E alguns cientistas e outros intelectuais estão convencidos — convencidos demais, na minha opinião — de que a existência de Deus pertence à categoria de APP para sempre inacessível. A partir daí, como veremos, eles muitas vezes fazem a dedução pouco lógica de que a hipótese da existência de Deus e a hipótese de sua inexistência têm exatamente a mesma probabilidade de estar certas.
Isso que o Dawkins chamou de Agnosticismo Permanente por Princípio é o já famoso Agnosticismo Estrito, que é a idéia de que o conhecimento absoluto não só é totalmente impossível, como também sempre será. Há também o Agnosticismo Empírico, no qual tal conhecimento é considerado até o momento impossível, mas existe a idéia de que um dia ele possivelmente não o seja, talvez quando surjam novas evidências, investigações, etc.
Mas mesmo assim, tanto Agnosticismo Estrito como Agnosticismo Empírico são aplicáveis às questões metafísicas finais, e não, por exemplo, à extinção permiana.
No mais, é apenas a sequência do erro recorrente de Dawkins. Como de costume, o mais engraçado é a forma como ele leva o argumento dele a sério.
Vejam:
A opinião que defenderei é bem diferente: o agnosticismo sobre a existência de Deus pertence firmemente à categoria temporária, ou ATP. Ou ele existe ou não existe. É uma pergunta científica; um dia talvez conheçamos a resposta, e enquanto isso podemos dizer coisas bem categóricas sobre as probabilidades. Na história das idéias, há exemplos de dúvidas que foram respondidas e que até então tinham sido consideradas para sempre fora do alcance da ciência. Em 1835, o consagrado filósofo francês Auguste Comte escreveu, sobre as estrelas: “Jamais poderemos estudar, por nenhum método, sua composição química ou sua estrutura mineralógica”. Mas antes mesmo de Comte cunhar essa frase Fraunhofer tinha começado a usar seu espectroscópio para analisar a composição química do Sol. Hoje os espectrosco-pistas destroem diariamente o agnosticismo de Comte com suas análises a longa distância da composição química exata de estrelas distantes.
Aqui, além do tradicional errão, o Dawkins diz que novas descobertas científicas “destruíram o agnosticismo” de Comte. Não, não destruíram, pois o que Comte possuía era ceticismo em relação à uma técnica, e não agnosticismo.
Triste situação a de Dawkins…
E o nível segue baixo por toda essa seção. É nível de Escolinha do Professor Raimundo pra baixo…
Fosse qual fosse o status exato do agnosticismo astronómico de Comte, essa história sugere, no mínimo, que devemos hesitar antes de proclamar alto demais a veracidade eterna do agnosticismo. Ainda assim, em se tratando de Deus, boa parte dos filósofos e cientistas faz isso sem pestanejar [...]
Mas provavelmente os filósofos e cientistas que o fazem estudaram e ENTENDERAM muito mais o conceito de agnosticismo que o próprio Dawkins. Não se afirma veracidade “eterna” do agnosticismo, mas simplesmente é a idéia de que Deus deve ser incognoscível para os agnósticos. Isso de acordo com sua definição.
Obviamente que pela definição correta, é natural assumir que, se alguém suspeita que o conhecimento é impossível, ele sempre será.
Claro que se for o Deus que Dawkins INVENTOU, aí talvez o conhecimento poderia ser atualmente impossível, mas futuramente possível. Mas esse é um problema específico da definição do Dawkins.
Como sempre, é apenas um problema de raciocínio torto dele.
Se segurem na cadeira, que o que vêm a seguir é um desastre argumentativo de dimensões apocalípticas:
Levemos, então, a sério a idéia do espectro de probabilidades e coloquemos ao longo dele os juízos humanos sobre a existência de Deus, entre dois extremos de certezas opostas. O espectro é contínuo, mas pode ser representado por sete marcos: (1) Teísta convicto. Probabilidade de 100% de que Deus existe. Nas palavras de C. G. Jung, “Eu não acredito, eu sei”. (2) Probabilidade muito alta, mas que não chega aos 100%. Teísta de facto. “Não tenho como saber com certeza, mas acredito fortemente em Deus e levo minha vida na pressuposição de que ele está lá.” (3) 3 Maior que 50%, mas não muito alta. Tecnicamente agnóstico, mas com uma tendência ao teísmo. “Tenho muitas incertezas, mas estou inclinado a acreditar em Deus.” (4) Exatamente 50%. Agnóstico completamente imparcial. “A existência e a inexistência de Deus têm probabilidades exatamente iguais.” (5) Inferior a 50%, mas não muito baixa. Tecnicamente agnóstico, mas com uma tendência ao ateísmo. “Não sei se Deus existe, mas estou inclinado a não acreditar.” (6)Probabilidade muito baixa, mas que não chega a zero. Ateu de facto. “Não tenho como saber com certeza, mas acho que Deus é muito improvável e levo minha vida na pressuposição de que ele não está lá.” (7)Ateu convicto. “Sei que Deus não existe, com a mesma convicção com que Jung ‘sabe’ que ele existe.”
Esse é, com certeza, o momento psicodélico de Richard Dawkins.
O cara tenta CRIAR UM MODELO que existe somente pela incompetência dele em entender o princípio básico do agnosticismo.
Esse “espectro de 7 dimensões” é estúpido e irracional.
Vejam como é fácil não cair nesse tipo de confusão: Alguém é agnóstico? A resposta pode ser sim ou não. Se não for, é gnóstico. Alguém é ateu? A resposta também pode ser sim ou não. Se não for, é teísta (ou as variações, deísta, panteísta, etc.). Daí para frente, é possível fazer as combinações entre os dois domínios (ex. “agnóstico e teísta”, “ateísta e gnóstico”, etc.). E fim de conversa.
Quem quiser dizer que existe 99,9999% de chances de Deus existir, ou de NÃO existir, ou de 50% de existir, pode fazer sem gnosticismo ou agnosticismo.
Não existe essa idéia de que se a pessoa declarar 50% ocorre um PUFF… e surge daí um agnóstico.
O modelo explicativo de Dawkins é claro sinal de transtorno mental.
É por isso que os “espectros” 3, 4 e 5 são inúteis e não descrevem nada.
Outra coisa importante: alguém declarar que acredita que Deus não é inexistente, mas apenas improvável, e daí se declarar como alguém que está na escala 6, ao invés da escala 7. O que isso quer dizer? Absolutamente nada. A pessoa não acredita em Deus do mesmo jeito.
Agora o mais grotesco de tudo: alguém declarar que acha que há uma probabilidade X de Deus existir não serve para o cálculo probabilístico da existência, que é justamente a proposta de Dawkins.
Ou seja, o espectro de 7 dimensões é INÚTIL para o argumento do Dawkins. Simplesmente não acrescenta nada em relação a uma hipótese de existência de qualquer objeto sob medição.
Além de tudo, é uma baita de uma frescura: o modelo em questão serve para alguém fugir da lógica clássica, onde as coisas são tratadas sem chorumelas. É assim: você acha que vai chover amanhã? Sim ou não. Você acha que o Flamengo leva o título? Sim ou não. Sem a frescurinha de dizer “eu sei que o Flamengo vai ganhar, então eu sou 1”, ou “eu acho que há altíssima probabilidade do Flamengo não ganhar, então eu sou 6, mas posso tender para 7”, ou “sou agnóstico, então para mim é 50% de chances de ganhar e 50% de não ganhar”. Ah… isso não é nem argumentação de homem.
Mas ele não segura o fricote…
Eu ficaria surpreso de encontrar muita gente na categoria 7, mas a incluo em nome da simetria com a categoria l, que é bastante populosa [1]. É da natureza da fé que alguém seja capaz, como Jung, de ter uma crença sem nenhum motivo adequado [2] para tal (Jung também acreditava que alguns livros específicos de sua estante explodiam com um grande estrondo [3]). Os ateus não têm fé [4]; e a razão, sozinha, não tem como levar alguém à convicção plena de que alguma coisa definitivamente não existe [5]. Daí por que a categoria 7, na prática, é muito mais deserta que seu oposto, a categoria l, que tem tantos habitantes devotados [6]. Coloco-me na categoria 6, mas tendendo para a 7 — sou agnóstico na mesma proporção em que sou agnóstico a respeito de fadas escondidas no jardim [7].
A sequência eterna de parangolé prossegue.
Será que o sujeito é tão burro que não sabe que entre as categorias 6 ou 7 não há diferenças? Assim como não há diferenças entre as categorias 1 ou 2. E as categorias 3, 4 e 5 só foram colocadas no “modelo” por que o Dawkins provavelmente estava fora de si.
E daí é só besteira mesmo, vejam:
1 – Se ele diz que “ficaria surpreso” em encontrar muita gente na categoria 7, isso é um desejo dele, mas não uma evidência. Mesmo que alguém diga, “por fricote”, que ao invés de dizer que Deus Não existe, optar por dizer que “apenas há alta probabilidade de Deus não existir”, isso não muda o fato da descrença. E, tecnicamente, não serve evidência de que a pessoa não tenha fé.
2 – Ele não conhece a natureza da fé, portanto nada poderá falar sobre ela. Ele confundiu de novo fé com fé cega.
3 – A questão de Jung com os livros dele na estante são apenas uma falácia, um declive escorregadio. Coisa de amador.
4 – A afirmação de que “os ateus não tem fé” é naturalmente falsa com o comportamento crédulo de Dawkins. Os ateus possuem fé sim, tanto quanto um religioso. A fé é apenas direcionada para outros aspectos. No caso de Dawkins e seus leitores é pior: é fé cega, recusada pela maioria das religiões.
5 – A afirmação de que “a razão, sozinha, não tem como levar alguém à convicção plena de que alguma coisa definitivamente não existe” é totalmente desfocada e sem sentido. Não passa de amontoado de palavras de efeito, mas nem sequer um argumento ou parte de um argumento. É um esperneio, apenas.
6 – A questão de “categoria 7 é mais deserta que a 1” é apenas mais uma declaração baseada em fé cega, sem evidências. E, mesmo se tivesse evidências, seria irrelevante para o argumento.
7 – Agnosticismo não é para discutir “fadinhas”. Como sempre, Dawkins escorrega feio…
Mais exemplos de como Dawkins confia em seu “espectro de probabilidades”:
O espectro de probabilidades funciona bem para o ATP. É superficialmente tentador encaixar o APP (Agnosticismo Permanente por Princípio) no meio do espectro, com uma probabilidade de 50% da existência de Deus, mas isso não é correto. Os agnósticos APP declaram que não se pode dizer nada, nem para um lado nem para o outro, em relação à dúvida sobre a existência de Deus. A questão, para os agnósticos APP, é irrespondível por princípio, e eles devem se recusar terminantemente a se en caixar em qualquer ponto do espectro das probabilidades. O fato de que não tenho como saber se seu vermelho é a mesma coisa que meu verde não faz com que a probabilidade seja de 50%. A proposição que se pode oferecer é sem sentido demais para ser agraciada com uma probabilidade. Mesmo assim, é um erro comum, que encontraremos novamente, assumir, a partir da premissa de que a dúvida sobre a existência de Deus é um princípio irrespondível, que sua existência ou inexistência têm probabilidades iguais.
Nonsense!
O “espectro de probabiliddes” não funciona bem para absolutamente nada. Ele simplesmente é inútil. O tal agnosticismo estrito (e não a frescurite dawkinista de APP) também não requer que se defina existência ou inexistência com probabilidades iguais.
Ô Dawkins burrinho, a partir do momento que alguém é agnóstico, esta pessoa pode ser teísta ou ateísta da mesma maneira que se não fosse agnóstico.
A questão que Dawkins não teve percepção para notar é que alguns agnósticos, SADICAMENTE, riem do desespero neo ateísta para tentar provar que Deus não existe. Aí dão risada dessa empreitada, mesmo que até possam ser ateístas. Se forem teístas, então, vão se divertir da mesma maneira.
Além do mais, vejam como o coitado termina o parágrafo: “que sua existência ou inexistência têm probabilidades iguais”. Um agnóstico nem precisaria dizer que acha que é 50/50, mas poderia, somente para assistir o ESPERNEIO do neo ateu em tentar CALCULAR o percentual de probabilidade.
Quando fui agnóstico, já fiz isso várias vezes somente para assistir as apresentações de neo ateus, e, posso garantir, é uma diversão até cruel. Geralmente, não conseguem calcular um número, mas lançam um “altamente improvável”.
Dawkins, feito bobo da corte, faz o mesmo, dizendo que vai ter uma apresentação onde mostrará (lá pelo quarto capítulo) que Deus é “altamente improvável”. Mas ele NEM CONSEGUE CALCULAR A PROBABILIDADE NUMERICAMENTE… E, para piorar, ele só definiu como improvável um Deus que ELE INVENTOU (um Deus que é parte do processo de seleção natural).
E, como não poderia deixar de acontecer, lá vem a citação ao Bertrand Russell:
Outra forma de expressar esse erro é em termos do ónus da prova, e nesse formato ele é demonstrado divertidamente pela parábola de Bertrand Russell sobre o bule celeste: “Muitos ortodoxos falam como se fosse obrigação dos céticos contraprovar dogmas consagrados, e não dos dogmáticos comprová-los. Isso é, claro, um equívoco. Se eu sugerisse que entre a Terra e Marte há um bule de chá chinês rodando em torno do Sol numa órbita elíptica, ninguém seria capaz de contraprovar minha afirmação, desde que eu tenha tido o cuidado de acrescentar que o bule é pequeno demais para ser revelado até pelos nossos telescópios mais potentes. Mas, se eu prosseguisse dizendo que, como minha afirmação não pode ser contraprovada, é uma presunção intolerável por parte da razão humana duvidar dela, imediatamente achariam que eu estava falando maluquices. Se, porém, a existência do bule tivesse sido declarada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todos os domingos e instilada na cabeça das crianças na escola, a hesitação em acreditar em sua existência se tornaria um traço de excentricidade e garantiria ao questionador o atendimento por psiquiatras numa era esclarecida ou por um inquisidor em eras anteriores.”
Isso aqui eu não preciso nem refutar, pois a técnica “Bule de Russell”, uma das primeira publicadas na seção “Conhecendo o Inimigo”, deste blog, já o fez.
Lá vem mais…
Não perderíamos tempo falando disso porque ninguém, que eu saiba, tem adoração por bules; mas, sob pressão, não hesitaríamos em declarar nossa forte crença de que positivamente não existe um bule em órbita. Mesmo assim, em termos estritos, seríamos todos agnósticos ao bule: não podemos provar, com certeza, que não existe um bule celeste. Na prática, afastamo-nos do agnosticismo do bule na direção do a-buleísmo.
Não, ô Dawkins, Mané. Não, não somos agnósticos ao bule. Somos CÉTICOS ao bule. Vá estudar, vagabundo!
E conheçam as amizades do Dawkins…
Um amigo, que foi educado como judeu e ainda observa o Shabat e outros costumes judaicos em nome da lealdade à sua herança histórica, descreve-se como um “agnóstico à fadinha do dente”. Ele acha que Deus não é mais provável que a fadinha do dente. Não se pode contraprovar nenhuma das duas hipóteses, e ambas são igualmente prováveis. Ele é ateu exatamente na mesma enorme proporção que é um a-fadinheu.
Ah, mas isso é bem revelador. E é natural: uma pessoa incapaz, inculta e incompetente naturalmente vai caminhar junto de incapazes, incultos e incompetentes. Se o amigo de Dawkins falou que é “agnóstico à fadinha do dente”, é apenas uma companhia ideal pro Dawkins. Isso é um problema do Dawkins, e não do leitor.
E tem mais: Qualquer pessoa racional esconderia tais exemplos (que ele citará) por CARIDADE com as pessoas que fizeram as declarações, ou até por VERGONHA de endossar tais besteiras. Só que Dawkins divulga, de coração aberto…
O bule de Russell representa, é claro, um número infinito de coisas cuja existência é concebível e não pode ser descartada com provas. O grande advogado americano Clarence Darrow disse: “Não acredito em Deus, pois não acredito na Mamãe Ganso”. O jornalista Andrew Mueller acha que se comprometer com qualquer religião específica “não é mais nem menos estranho que optar por acreditar que o mundo tem a forma de um losango e que é carregado pelo cosmos nas pinças de duas enormes lagostas verdes chamadas Esmeralda e Keith”.
É simples. Clarence Darrow e Andrew Mueller fizeram apenas comparações que somente criancinhas birrentas fariam. Mas é apenas um exemplo de argumentação falaciosa e histérica, que não comprova nada. É a mesma coisa que alguém dizer “Eu não acredito no sucesso do projeto, pois não acredito no musical Cats” ou “se comprometer com a missão de uma empresa não é mais nem menos estranho que que optar por acreditar que o tomate será eleito presidente do Brasil”. Quer dizer, isso tudo é frase nonsense, mas que não serve como argumentação para absolutamente nada.
Então, vamos que vamos:
O ponto principal desses exemplos extremos é que eles são todos impossíveis de ser contraprovados, embora ninguém ache que a hipótese da existência deles esteja no mesmo nível de probabilidade que a hipótese de sua inexistência. A tese de Russell é de que o ônus da prova recai sobre os crentes, não sobre os incrédulos. A minha é de que a probabilidade a favor do bule (monstro de espaguete, Esmerelda e Keith, unicórnio etc.) não é igual à probabilidade contra ele.
O ponto principal desses exemplos é que o Dawkins tem uma visão filosófica de uma criança. É fato. Ele não argumenta feito adulto. E, saindo da Biologia, só escreve besteira.
Se são exemplos impossíveis de serem contraprovados, eu não me interesso em calcular probabilidades da inexistência deles.
A “tese” de Russell é apenas a tentativa de implementar a transferência do ônus da prova. Nenhuma pessoa experiente em debates cairia nisso.
A questão é simples: “se Dawkins diz que a probabilidade a favor do bule não é igual a probabilidade contra ele”, esse é um problema dele. E não de qualquer leitor que seja adulto.
E lá vai, lá vai, lá vai, lá vem, lá vem, lá vem…
O fato de que bules em órbita e fadinhas do dente não podem ter sua inexistência comprovada não é considerado, por nenhuma pessoa racional, o tipo de fato que solucione um debate interessante. Ninguém se sente obrigado a comprovar a inexistência dos milhões de coisas fantásticas que uma imaginação fértil e brincalhona é capaz de sonhar. Eu me divirto com a estratégia, quando me perguntam se sou ateu, de lembrar que o autor da pergunta também é ateu no que diz respeito a Zeus, Apoio, Amon Ra, Mithra, Baal, Thor, Wotan, o Bezerro de Ouro e o Monstro de Espaguete Voador. Eu só fui um deus além.
Aqui é quando Dawkins tenta o estratagema “Todos São Ateus”, também já refutado aqui.
Vamos passar ao próximo trecho…
Todos nós nos sentimos no direito de manifestar um ceticismo extremo, chegando ao ponto da descrença pura e simples — exceto pelo fato de que, no caso de unicórnios, fadinhas do dente e dos deuses da Grécia, de Roma, do Egito e dos vikings, não há necessidade (hoje em dia) de se preocupar com isso. No caso do Deus abraâmico, porém, há a necessidade de se preocupar, porque uma proporção significativa das pessoas com quem dividimos o planeta acredita mesmo, convictamente, em sua existência.
“Ceticismo extremo” é a mãe!
Em relação às teses infantis que Dawkins cita (fadinhas, unicórnios), eu tenho é INDIFERENÇA. E isso qualquer pessoa normal possui. Mais um exemplo das fantasias malucas de Dawkins. Só ele para se iludir com a idéia de que sequer é preciso de “ceticismo extremo” com essas coisas.
Para piorar, ele tenta validar a argumentação dele (“é preciso se preocupar”), por que há uma proporção significa de pessoas que acredita nele.
Isso não passa da falácia da conseqüência.
E não justifica o argumento dele.
E lá vem mais bule…
O bule de Russell demonstra que a onipresença da crença em Deus, se comparada à crença em bules celestes, na teoria não inverte o ônus da prova, embora pareça invertê-lo em termos de política na prática. O fato de que não se pode provar a inexistência de Deus é aceito e trivial, nem que seja só no sentido de que nunca podemos provar plenamente a inexistência de nada. O que interessa não é se a inexistência de Deus pode ser comprovada (não pode), mas se sua existência é possível Essa é outra história. Algumas coisas não comprováveis são julgadas, de modo sensato, bem menos possíveis que outras coisas não comprováveis. Não há motivo para achar que Deus está imune à análise ao longo do espectro das probabilidades.
Caramba, o Dawkins caprichou nos estratagemas nesta seção. Aqui é o estratagema “Não se prova a inexistência”.
O fato é que qualquer coisa está imune à análise ao longo do espectro das probabilidades, pois cientificamente não é assim que se calcula probabilidade.
Melhor Dawkins começar a estudar um pouco de ciência e ver que discussões de “probabilidade” em ciência SÃO ESTRITAMENTE NUMÉRICAS e não precisam de chiliques como toda essa argumentação insana dele.
Essa seção do livro é aquela que podemos claramente definir como “abaixo de qualquer exame lógico”.
A quantidade de falácias é estratosférica, e a lógica contida nele é natimorta. Para piorar, a quantidade de estratagemas erísticos claramente torna o capítulo mais uma diversão para treinamento de auditoria do que realmente uma leitura digna.
Para quem já auditou escritórios de projetos, provavelmente não é estranho rankear projetos sob auditoria em escalas que vão de 1 a 100. Se o projeto foi qualificado como 60 (no checklist), ele é rejeitado na avaliação (mesmo que os resultados do projeto não o sejam). Se a média de avaliações for 60, a área de projetos tem que se submeter a revisões de processo, qualificação de pessoal, etc, pois algo não está indo bem.
Em termos de argumento, a pontuação desta seção do livro de Dawkins dificilmente ficaria perto da pontuação 10. Isso em uma escala de 1 a 100. Se a escala fosse de 1 a 10, seria fácil dar nota zero.
Em uma revisão, eu sugeriria simplesmente eliminar essa parte do livro, pois é totalmente embaraçosa para Dawkins e seus seguidores (*).
P.S.: (*) Sim, alguns leitores de Dawkins defendem este capítulo, e até o “espectro de probabilidades”. Portanto, a vergonha é deles também.
Técnica: Não se prova inexistência

Última atualização: 25 de novembro de 2009 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Essa é uma técnica usada várias vezes por neo ateus em debates, na tentativa de transferir o ônus da prova ao teísta, e, em seguida, simular uma falsa declaração de vitória, afirmando “Deus não Existe”.
O estratagema inicia-se por uma declaração absurda, geralmente praticada desta forma: “não se prova inexistência, somente existência”.
Quem já atuou com auditoria e já forneceu relatórios de inexistência de gaps em um cenário sabe que a afirmação é impraticável. Tecnicamente, podemos observar existência ou inexistência de um dado fator em análise em qualquer cenário. O que pode DIFICULTAR é a AMPLITUDE de um cenário. Mas isso é um encargo a ser tratado pelo PROPONENTE da alegação, e não a audiência.
Exemplo: dizer que não há gaps em um processo, na empresa, é fácil. Basta uma auditoria simples. Dizer que não há gaps em todos os processos da empresa é bem mais difícil. Dizer que não há gaps em todos os processos de todas as empresas do Brasil então, é muito mais difícil ainda.
Mas nada disso é impossível. A dificuldade vem apenas da PROPOSTA.
Portanto, se alguém quiser afirmar inexistência de qualquer objeto sob análise, a pessoa pode fazer, mas apenas deve estar CIENTE de que o nível de dificuldade AUMENTA de acordo com a amplitude do cenário.
Com isso, a afirmação “não se prova inexistência” mostra-se não só filosoficamente, com também empiricamente falsa.
Prova-se inexistência SIM, da mesma forma que se prova existência.
Só que se o outro debatedor não perceber o logo, o neo ateu poderá tentar concluir o seu estratagema da seguinte forma: “Não se prova a inexistência, só se prova a existência, você tem que provar que Deus existe, e se você não provar, Deus não existe”. Ao final, ele irá proclamar a vitória no debate.
Mas, de novo, tal estratagema só é aplicável pela inserção da afirmação falsa “não se prova a inexistência”.
Essa é a premissa falsa do argumento, e cabe ao debatedor teísta mostrar que a premissa é falsa, incluindo o uso de exemplos.
Uma outra tentativa do neo ateu, para então justificar o uso da afirmação “Não se prova a inexistência” seria o fato de que se provar a existência é mais fácil do que se provar a inexistência.
E nisso ele está correto. Realmente é mais fácil provar a existência do que se provar a inexistência.
Só que a facilidade em se provar uma crença não tem qualquer relação com a veracidade ou não dessa mesma crença.
E, novamente, isso não muda o ônus da prova.
Refutação
Basicamente, o importante é mostrar ao neo-ateu que a afirmação “Não se prova a inexistência” é insensata.
- NEO-ATEU: Você tem que provar que Deus existe!
- REFUTADOR: Não, quem está duvidando é você, é você que deve provar que Deus não existe.
- NEO-ATEU: Claro que não, pois não se prova a inexistência, somente a existência.
- REFUTADOR: Errado. Prova-se tanto uma como a outra…
[A partir daí, os exemplos são suficientes para derrubar a argumentação ateísta]
Conclusão
Técnica que é basicamente uma especialização da “Solicitação de Alegação”, sendo principalmente uma argumentação para continuar defendendo o uso daquela técnica, cuja natureza era focada em transferir o ônus da prova. E, da mesma forma, não passa da mistura da falácia da transferência do ônus da prova com o apelo à ignorância.
Para Investigar: Desviando dinheiro do ensino para custeio de neo ateísmo

Segundo o blog do Paulo Lopes, Richard Dawkins resolveu agora focar nas criancinhas.
Essa idéia já tinha sido tratada no livro “Deus, Um Delírio”, mas aqui ele a leva ao exagero.
A imagem deste artigo é uma campanha promovida pela British Humanist Association e endossada por Dawkins.
Como de costume, onde há presença do Dawkins, sempre encontra-se um apelo emocional barato: “Não me rotule, por favor. Deixe-me crescer e escolher por mim”.
O que está por trás disso é evidente e nem é preciso de uma auditoria para descobrir: Dawkins quer limitar a transmissão de valores dos pais aos filhos.
E por qual motivo ele faria isso? Aí é que vem a parte sórdida da história, que ele não revela.
Se as crianças não podem ser orientadas pelos valores dos pais, seriam orientados pelos valores de quem?
Richard Rorty e Daniel Dennett já deixaram escapar declarações nesse sentido… Os valores deveriam vir dos professores. É isso mesmo! As crianças deixariam de assimilar os valores dos pais, e em substituição iriam assimilar os valores pregados pelos professores.
E quem conhece a fauna que habita grande parte das universidades de países como Brasil, Inglaterra, Estados Unidos, França (ali é uma festa), sabe que a espécie mais populosa é aquele bando de professores que passam o dia inteiro pregando suas cartilhas: comunismo, gayzismo, aquecimento global, neo ateísmo, etc.
Tudo isso é resultado da Estratégia Gramsciana.
O que essa camarilha quer é simplesmente dizer o seguinte: “peguem os valores ensinados pelos seus pais, e joguem no lixo, e sigam meus valores, que são da razão, do futuro, e bla bla bla”.
Aí o sujeito vai massacrar um discurso de lavagem cerebral na criança, adolescente ou jovem, que estaria cada vez mais distante dos valores dos pais, e o resultado é o que?
É claro que sai dali muitas vezes um novo comunistinha, um novo gayzista, um novo militante ateu, um novo militante do aquecimento global, etc.
Ressaltando: o serviço fica muito mais fácil se a criança for ALHEIA aos valores dos pais.
Uma das coisas que o cristianismo ensina é não acreditar em picaretas.
A parábola de Jesus no vale das sombras, quando este é tentado por Lúcifer, é basicamente um alerta à situações em que o cristão irá se ver rodeado de vigaristas e aproveitadores baratos, muitas vezes com discursinho sedutor, mas que na verdade querem apenas enrolar um incauto.
É evidente que Richard Dawkins e Daniel Dennett POSSUEM MOTIVOS PARA SER CONTRA esse tipo de ensinamento cristão. Eu me surpreenderia se eles fossem a favor.
Ademais, esse é um dos motivos pelos quais Karl Marx sabia que a religião, principalmente a cristã, deveria ser combatida até a morte por essa cambada.
Pois eles são os vigaristas infiltrados nas academias para cometer crimes.
Vai ficar muito mais fácil cometer o crime se a criança não aprender ensinamentos como cristianismo.
Mas qual o crime? Simples: o crime é o de usar o dinheiro que se recebe como professor para fazer campanha revolucionária. Aliás, qualquer professor que usar o seu cargo para ficar pregando neo ateísmo, comunismo militante ou gayzismo, ao invés de ensinar sua matéria (e é só isso que ele pode fazer como professor, e nada mais), está cometendo um crime.
O Dennett apenas foi tonto de confessar a artimanha em seu livro “Quebrando o Encanto”.
Olhem como funciona o jogo: os pais colocam os filhos nas escolas, faculdades, etc… e com o dinheiro do estado OU dos pais, professores comunistas, ateus, gayzistas e escória do tipo ficam doutrinando as crianças.
Não é uma jogada sensacional?
O dinheiro para pagar um professor vem principalmente de duas fontes
- (a) o estado, principalmente no caso de escolas públicas
- (b) dos pais, principalmente no caso de escolas privadas
Em outras palavras, pois isso é gravíssimo: todo esse dinheiro deveria ser gasto com um único fim, que é o aprendizado de uma técnica, uma matéria, um conjunto de matérias, um conjunto de disciplinas, etc… E absolutamente nada mais. Só que a idéia dessa patota pós-gramsci é justamente ficar ensinando nas faculdades coisas como neo ateísmo, benefícios da veadagem, relativismo moral, psicologia evolutiva, memética, e qualquer outra palhaçada que sirva de campanha revolucionária.
No fundo, é uma grande tramóia, evidenciada ainda mais com essa nova campanha apoiada pelo Dawkins. Olhando com atenção, isso é apenas parte da agenda desse tipo de pessoal.
Falta agora somente as associações de pais exigirem que se FILMEM TODAS AS AULAS, e que o conteúdo das aulas seja AUDITADO, inclusive por perícia…
Qualquer discursinho como “Darwin é magnânimo, absoluto e salvador, e explica nossa moral” ou “heterossexualidade é apenas uma questão boba de gênero” já poderia resultar em processo, não só para o professor mal intencionado como também para a escola.
Não passa de um replay da Estratégia Gramsciana, que ajudou (e ainda ajuda) a formar uma legião de comunistas em universidades durante décadas, muitos destes que se tornaram ateus.
O esquisito é aceitar a continuidade dessa prática nos dias atuais, em que o custo de câmeras de vídeo ficou tão irrisório.
Com a gravação de audio e vídeo em formato digital, e câmeras baratíssimas, simplesmente dá para se AUDITAR praticamente tudo que um professor ensina.
E começar a descobrir onde nasce a pregação de valores anti-religião, anti-heterossexualidade, anti-democracia nos colégios e principalmente nas faculdades. E, se esse tipo de professor quiser argumentar contra, basta colocá-lo contra a parede: “qual o medo que você tem de ter suas aulas filmadas e investigadas?”.
Se Richard Dawkins tem um motivo para odiar a influência dos pais na cultura dos filhos, é justamente esse.
Quanto menos valores os pais possam ensinar aos filhos, mais o filho terá que buscar esses valores fora de casa.
E irá buscar com quem?
Naturalmente com o professorzinho criminoso e desonesto.
Mas, sem firulas: se for para eu não ensinar os meus valores morais aos meus filhos, eu preferiria que eles não os aprendessem na maioria da escolas e principalmente universidades.
Que me perdoem os bons professores, que agem como PROFISSIONAIS (sim, eu acredito que alguns deles ainda existam, e os respeito muito – peço que não se sintam incluídos entre os professores questionados aqui), mas a maioria, principalmente nas universidades, não serve como base moral para nada.
Eu preferiria que meus filhos adquirissem seus valores morais em um PUTEIRO ao invés de com professores dessa estirpe.
A puta, pelo menos, está ganhando o o seu dinheiro vendendo o corpo. O professorzinho desonesto está usando o dinheiro que os pais ingenuamente investem no estudo dos filhos para ensinar sua cartilha anti-cristã aos filhos dele. É claro que qualquer puta vale muito mais do que esse tipo específico de professor.
Eu sugiro aliás, uma nova campanha: que tal colocarmos em cartazes fotos de Caroline Miranda, Thammy Gretchen, Marcia Imperator e outras atrizes pornô, ao lado da seguinte mensagem: “Aprenda seus valores morais com qualquer um, até com elas, menos com professorzinho neo-ateu, gayzista e/ou militante comunista. As putas ao menos recebem o seu dinheiro para uma função, e executam essa função. Eles não.”
O recado está dado: o objetivo dessa campanha chinfrim do Dawkins, cheia de apelo emocional, é apenas confessar indiretamente que a patota dele que está doidinha para passar seus “valores” às crianças, e adolescentes. E que elas estariam mais vulneráveis sem os valores morais ensinados pelos pais, principalmente os valores religiosos.
Cabe aos pais agora investigarem e não permitirem esse crime contra o estado e contra o investimento financeiro que fazem no estudo dos filhos. Para isso devem usar de qualquer artifício possível, dentro da lei.
É hora do pai, que financia o estudo do filho, saber que ele tem que exigir que o professor DÊ AULA. E só.
As dicas para auditar os professores desonestos estão aí.
As câmeras deveriam ser apenas o começo…
Aos neo ateus que odeiam este blog: seus problemas acabaram!

Não, isso não significa que o blog vai acabar.
Muito pelo contrário!
A irritação de alguns neo ateus, que se OMITEM de contra-argumentar o que está escrito aqui, aliado às contínuas manifestações de fúria, mostram que o blog está no seu caminho certo.
Desde o início eu sabia que o resultado seria esse, mesmo que eu use uma abordagem respeitosa, sempre focada nos argumentos.
O fato é que um consultor sênior em Auditoria e Governança sabe como reagem indignados aqueles que estão sob investigação. Nenhum auditor ou investigador sério se abalaria com gritos e choradeiras.
Mas, antecipando o fato de que as investigações dos argumentos ateus irá continuar, decidi ajudar àqueles que me odeiam.
Criei um formulário padrão para que eles possam fazer seus ataques a este blog.
E, com um DIFERENCIAL: os neo ateus não precisam nem pensar muito.
É só imprimir, preencher entre os colchetes (para cada sentença, não escolha mais de uma opção), que você já terá o seu ataque pronto.
Vamos então ao…
Formulário-Padrão para Ataques ao blog Neo Ateísmo, Um Delírio
Luciano, o proprietário deste blog é
- [ ] fascista
- [ ] homofóbico
- [ ] desocupado
Na verdade, o que ele possui em relação ao Dawkins é apenas
- [ ] inveja
- [ ] perseguição implacável
- [ ] ateofobia
Mas isso só ocorre por que o Dawkins consegue algo que ele não consegue, que é
- [ ] dar palestras sobre ateísmo
- [ ] dar aulas em Oxford
- [ ] trazer luz às trevas
É por isso que todos os que concordam com o Luciano são
- [ ] memes
- [ ] fakes criados por ele
- [ ] equivocados, sempre
Esse meu argumento é tão implacável que
- [ ] irá fazer com que ninguém mais visite o blog
- [ ] trará luz às trevas
- [ ] mostrará que o Luciano não tem caráter
É meu mantra, que não pode ser negado
- [ ] que o Luciano só apanha nos argumentos
- [ ] que o Luciano sofre com meus comentários
- [ ] que o Luciano não refuta nada
É por isso que me divirto sabendo que o Luciano jamais
- [ ] vai dar aula de Biologia
- [ ] vai trabalhar na Biblioteca
- [ ] vai ser funcionário do Planetário
Disso, conclui-se que o Luciano
- [ ] está desmascarado
- [ ] está refutado
- [ ] está triste
Obs: Amanhã será publicado o novo artigo da série de refutação à Deus, Um Delírio, falando das sandices de Dawkins sobre o agnosticismo. No capítulo, ele comete 2 erros argumentativos inacreditáveis. Coisa para perder a fé na humanidade. Portanto, prevejo que o formulário será preenchido por algum neo ateu hater muito em breve…
A ignorância quanto ao âmbito da ciência

Ignorância essa que pode ser notada no discurso de Ludwig, do blog Que Treta.
Que o blog Que Treta é um lugar de pessoas que odeiam este blog, isso não é novidade. O que me surpreende, no entanto, é que o proprietário de lá possui um raciocínio de ostra.
Acreditem se quiser: recentemente vários comentaristas neo ateus surgiram aqui (embora fossem todos fakes de uma pessoa só) sugerindo que eu deveria “invejar” o proprietário daquele blog pelo fato dele dar aulas de Inteligência Artificial e por ir moderar um debate sobre Darwin.
Não obrigado, eu não tenho interesse em nenhuma dessas atividades, e aparentemente não pagam bem.
Vamos, portanto, ao que eu tenho interesse, que é refutar argumentos ruins dessa patuléia.
Esse artigo de Ludwig, entitulado “O Âmbito da Ciência” parece ter sido feito para homenagear a gente como Carl Sagan e Richard Dawkins, pois é uma mistureba do discurso dos dois. Um pouco mais esquizofrênico, um pouco mais ingênuo, mas, ainda assim, é um clone da argumentação da dupla.
Vamos lá…
É certo que algumas perguntas (ainda?) estão fora do âmbito da ciência. “O que é o bem?”, por exemplo. Mas isto não se deve a um limite arbitrário de jurisdições. Não é pelas regras do jogo. Deve-se apenas à falta de critérios para distinguir respostas certas e respostas erradas. Isto já aconteceu com muitas perguntas que hoje consideramos científicas, da composição do Sol à origem das espécies, e que estiveram na filosofia até se descobrir como avaliar as respostas. Se há quinhentos anos atrás disséssemos a um filósofo que o universo tem treze mil milhões de anos de idade ele ficava na mesma porque não tinha forma de testar essa hipótese. Nesse tempo só se podia discutir estas coisas com argumentos e especulação, e só mais tarde foi possível começar a testar hipóteses. Só então essas perguntas passaram a ser científicas.
Ele começa até questionando (“ainda?”) a idéia de que algumas perguntas estariam fora do âmbito da ciência.
Detalhe: a idéia de que TODAS as perguntas, e subsequentes respostas, estão dentro do âmbito da ciência é o cientismo.
Ronald Dworkin já havia afirmado, em 2006, na The New York Review, sobre o cientismo, que “defende que não existe nada que não possa ser medido e explicado por métodos das ciências físicas e biológicas, de maneira que amor, beleza, bondade e liberdade devem ser ilusões. O cientismo é, de facto, dogmático”.
O que o Ludwig faz em seu discurso? Ele simplesmente adota o cientismo, e trata todos os temas como se o cientismo fosse VÁLIDO.
Detalhe que o cientismo nem sequer é apoiado pela Academia Nacional de Ciências, conforme mostrei aqui mesmo neste blog.
O cientismo é mais para mentes fracas, sugestionáveis e que tendem ao fanatismo, como Ludwig.
O fanatismo, aliás, que ele tenta justificar, mas só se engasga.
Notem por exemplo quando ele diz que há quinhentos anos atrás, um filósofo não poderia conceber que o universo teria 13.7 bilhões de anos, mas hoje pode.
Essa é uma falácia tosca e grosseira. Não passa de uma falácia da esperança, pois se algo era impossível, mas hoje é, na visão dele tudo que é impossível hoje, um dia não será. E, portanto, o cientismo estaria justificado.
Obviamente que o argumento dele é natimorto.
A cereja do bolo vem abaixo:
Mas não há respostas fora do âmbito da ciência. A ciência não responde a algo como “o que é o bem?” por não se conseguir distinguir a resposta correcta das incorrectas. Mas, precisamente por isso, rejeita como infundada qualquer resposta a esta pergunta. Se dissermos que o bem é justiça, liberdade, amor ou um pastel de nata, a ciência vai dizer que não se justifica declarar uma destas alternativas como mais correcta que as outras. A mesma falta de critérios que põe a pergunta fora do âmbito da ciência leva a ciência a rejeitar a resposta como infundada.
E não é que ele confirmou o cientismo?
Simplesmente ao usar a frase “Não há respostas fora do âmbito da ciência” ele entregou o ouro.
Detalhe que o cientismo é uma coisa tão estúpida que só é aceitável para pessoas de no máximo 13 anos de idade. Tipo aquele pessoal que assistiu o programa “Cosmos” e ficou deslumbrado, mas que na verdade não conhece a realidade da ciência. Na verdade, é ciência para a criançada.
O mais engraçado é quando ele escreve o seguinte: “Se dissermos que o bem é justiça, liberdade, amor ou um pastel de nata, a ciência vai dizer que não se justifica declarar uma destas alternativas como mais correcta que as outras”.
Mas quem disse para esse bocó de mola que a opinião da ciência aqui sequer é útil?
A ciência simplesmente NÃO TEM NADA A DIZER sobre o assunto.
E se ele diz que “a ciência rejeita” (o que duvido, pois nada do que Ludwig fala sobre ciência é realmente válido, pois ele não a conhece), isso também não significaria nada, justamente por estar fora do âmbito da ciência.
O pior é que ele nem descobriu ainda que a resposta para a ciência, ou seja, a justificação da ciência, nem é dada pela ciência, e sim por uma área SUPERIOR à ela, que é a epistemologia.
Se bem que eu acho que ele iria se debater histericamente diante dessa afirmação minha, que apenas é orientada pela lógica.
Mas notem só a ladainha dele:
Infelizmente, destas premissas correctas – que a ciência não responde a tudo e que há perguntas fora do âmbito da ciência – infere-se erradamente que se pode responder fora do âmbito da ciência sem contradizer a ciência. Este erro deve-se à confusão entre a hipótese como pergunta, por exemplo “será que o bem é justiça?”, e a hipótese apresentada como uma resposta ou afirmação: “o bem é a justiça.” Porque qualquer afirmação factual cai numa de três categorias. Se há evidências que a favorecem em detrimento das alternativas, justifica-se aceitá-la como verdadeira. Se as evidências suportam melhor uma alternativa, deve-se rejeitar a hipótese em favor dessa outra. E se não há dados que distingam as alternativas não se deve defender nenhuma como mais correcta que as outras. Por isso, à pergunta “será que o bem é justiça?” a ciência não pode responder nem sim nem não porque não tem um critério objectivo para avaliar estas respostas. Mas a afirmação “o bem é justiça” a ciência pode classificar: é uma afirmação para a qual não há evidências e que, enquanto afirmação sobre os factos, não deve ser considerada mais verdadeira que as alternativas.
Errou, mas errou FEIO!
Eu avisei que isso de professor maluquinho de inteligência artificial, que FINGE ser divulgador de ciência, uma hora ia dar merda…
Acho que a ciência não vai gostar de ver o Ludwig escrevendo tanta bobagem sobre ela.
Ele faz todo um discursinho clichê tentando tratar a questão “será que o bem é justiça?” como uma HIPÓTESE CIENTÍFICA (de novo, o mesmo estratagema que ele aprendeu com Dawkins), sem sequer demonstrar epistemologicamente por que essa deveria ser uma questão científica.
Só depois disso é que ele poderia partir para a argumentação seguinte.
E, se ele não fez isso, é sinal de que ele tem muito ainda o que aprender sobre metodologia científica.
Regra básica: não se inicia um estudo, sem antes definir o escopo do estudo, e a justificativa para ele. Detalhe: o domínio em questão também deverá ser definido.
Ele não fez absolutamente nada disso.
Usou apenas uma retórica barata dawkinista, mas não passou pelo estágio inicial e fundamental, que é definir a questão como científica.
Daí ele conclui que a afirmação resultante (“o bem é justiça”) é uma afirmação para a qual não há evidências. E, segundo ele, não deve ser considerada mais verdadeira que as alternativas.
Ué, como então ele pode validar o discurso neo ateu de que a religião é má? Se ele nem sequer definiu o bem CIENTIFICAMENTE?
Esse é apenas um dos tiros no próprio pé que ele dá.
Se ele usar o discurso baseado no cientismo, não há validade para mais praticamente nada em âmbitos morais, e nem para a própria ciência. O que, é claro, algo resultante da idéia de jerico dele.
E ele não larga o osso:
Perguntar sobre as intenções de deus, a natureza da alma ou se usar o preservativo vai contra o dom-de-si-mesmo do Amor enquanto tal é pouco interessante. Tal como a pergunta “poderá ter havido alguma intervenção sobrenatural na evolução humana?”, estão fora do âmbito da ciência. Podem ser discutidas por filósofos, teólogos ou qualquer pessoa à espera de vez no barbeiro mas não há forma de lhes identificar a resposta certa. Por isso não é de esperar qualquer conclusão.
Notem de onde ele tirou que as questões não são interessantes. Simples: da vontade dele.
Observem o nível do texto argumentativo do sujeito. “Ah, não isso interessante discutir isso”.
Obviamente que não serve como argumento.
Aí, é claro, de novo ele parte para o clichê aprendido com Dawkins e afirma que as questões podem ser discutidas por filósofos, teólogos, ou qualquer um, mas as conclusões seriam inúteis.
O argumento é mais ou menos assim
- (p1) Só há respostas na ciência
- (p2) Teólogos e filósofos podem discutir algo
- (p3) Teólogos e filósofos não são da ciência
- (c) Teólogos e filósofos não chegam a qualquer resposta
É mole?
Quem diria que, há poucos meses do ano 2010, após várias décadas em que o positivismo foi para a vala, eu veria um argumento assim?
É claro que esse sujeito não é bom da bola.
Não dá para qualificar a argumentação dele senão uma insanidade generalizada que beira a esquizofrenia.
E ele não pode alegar que é erro de digitação, pois ele se repete. Vejam:
Mas se, por um lado, é fácil inventar perguntas que a ciência não consegue responder, por outro lado isto não permite defender qualquer disparate alegando que está fora da ciência. A física não consegue responder à pergunta “há duendes invisíveis a manipular a interacção de partículas?” porque não tem forma de determinar se sim ou se não. Mas se afirmarmos que a física de partículas precisa de considerar os duendes invisíveis para que seja duendologicamente correcta, a física pode, e deve, rejeitar esta hipótese como infundada porque nada justifica este acréscimo aos modelos que temos. E dizer que a duendologia sai do âmbito da ciência não adianta de nada.
O sujeito é definivamente maluco. Podem meter a camisa de força nele.
Notem o tamanho da megalomania.
Primeiro ele se diz um “representante da ciência”.
Não que ninguém tenha nomeado ele, mas, feito doidinho de feira, se acha um “representante da ciência”.
Segundo: bradando este cargo, ele começa a definir coisas como “é da ciência” ou “não é da ciência”, e usa o cientismo para dizer que a ciência deve responder a tudo. E, segundo ele, não há respostas fora da ciência (esse mantra ele repete ad nauseam).
Como megalomania pouca é bobagem, ele diz que as pessoas procuram fazer perguntas para que a ciência não responda.
Mas como pode ser louco a esse ponto?
Será que ele não estudou ciência e suas origens para saber que a ciência, quando surgiu, e até hoje, tinha um ESCOPO DEFINIDO? Portanto não é preciso fazer uma pergunta que a ciência não responda, é simplesmente preciso fazer uma pergunta e ESTUDAR o âmbito em que ela será respondida. Será que ele fugiu tanto da realidade que acha que antes de fazer uma pergunta alguém deve pensar “será que a ciência responde ou não?”. A postura dele é injustificável.
Para variar, resta o discurso infantilóide, ao final, que não surpreende nesse tipo de mentalidade obtusa.
A pérola-mor vem ao final:
É isto que acontece com a teoria da evolução e a teologia católica. As perguntas por deuses e almas são teológicas e estão fora da ciência. Mas as respostas já não. Ao afirmar que «a emergência dos primeiros membros da espécie humana representa um acontecimento que não é susceptível de uma explicação puramente natural», os teólogos caem no meio da ciência, que avalia todas as afirmações acerca da realidade à luz das evidências. E esta afirmação a ciência rejeita por razões perfeitamente científicas: não há nada de especial na nossa espécie que exija colar um apêndice de sobrenatural à teoria da evolução. A teoria está bem como está e a alma do Homo erectus faz tanta falta como os duendes das partículas.
Só posso chamar isso aqui de OANI = Objeto Argumentativo Não Identificado.
Ao Ludwig: ô burrinho, vá estudar lógica!
Se a questão está fora do âmbito da ciência, a única resposta seria a seguinte: “não dá para dizer cientificamente nada a respeito de algo sobrenatural relacionado à alma do Homo Erectus”.
Isso é TOTALMENTE DIFERENTE de dizer que há um conflito com a teoria da evolução.
Não faz o menor sentido essa argumentação de Ludwig: é aquele “conflito” que existe só por não estar no escopo da teoria da evolução (!!!).
A teoria da evolução “está bem como está”, como ele diz, mas a teoria SÓ FALA dos aspectos físicos básicos. E nem sequer versa sobre a consciência humana.
A teoria da evolução simplesmente NÃO FALA NADA DISSO.
Justamente por isso que qualquer declaração sobre a alma humana, e o motivo pelo qual os seres humanos possuem uma consciência avançada (e nenhuma outra espécie possui), não estão no âmbito da teoria da evolução. E nem do âmbito da ciência.
Isso mostra que Ludwig tem sérias dificuldades. Ele não só é ignorante quanto à metodologia científica e epistemologia, como também é ignorante em relação à ciência em geral. E, como não poderia deixar de ser, é ignorante quanto à teoria da evolução.
É melhor que ele continue dando aula de Inteligência Artificial.
Para falar de ciência ele não serve…
Jules Winnfield: crime em nome de teísmo?
No filme Pulp Fiction, o personagem Jules Winnfield vai matar um sujeito que roubou uma grana do seu chefe, Marsellus Wallace.
Curiosamente, em uma cena, logo ao final do trecho do vídeo acima, retirado do filme, Winnfield diz o seguinte: “Há uma passagem que eu memorizei, me parece apropriada para esta situação: Ezequiel 25:17. “O caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Abençoado é aquele que, em nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é verdadeiramente o protetor de seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E Eu atacarei, com grande vingança e raiva furiosa aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá: chamo-me o Senhor quando minha vingança cair sobre você”.”
Detalhe que a citação da Bíblia não é exatamente essa que Winnfield fez.
O que o personagem fez é apenas uma interpretação de uma citação da Bíblia.
O que é interessante é que se esse evento do filme ocorresse na vida real seria aquilo que os neo ateus chamam de “crimes em nome de teísmo”.
Quer dizer, segundo a lógica deles, uma citação à Deus antes de matar implicaria no fato de que o crime foi causado pela religião.
Só que a cena do filme dá um claro exemplo de como funciona a questão da citação religiosa. Ela, no caso, não passa de um “adorno” a um ato, mas não serve como causadora do ato em si.
E, para mim, o filme é ótimo.
E não há “crimes em nome de teísmo” lá…
