Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Arquivo para janeiro 2010

Burrice neo ateísta feita em casa

com 9 comentários

Recentemente, o blog Bule Voador endossou o texto “Deus Feito em Casa”, que era um texto de tentativa de escárnio praticado pelo site Ceticismo.Net. Tentativa de escárnio, aliás, que é uma das estratégias mais usadas por neo ateus em debates.

O objetivo é um só: tentar humilhar os religiosos. Provavelmente, a ponto do religioso reagir de forma intempestiva. Será que eles (os neo ateus) não fazem isso somente para depois ter um pretexto para reclamar de que são discriminados? Capaz. Mas aqui mostrarei como sair desta armadilha armada por eles.

Os estratagemas de escárnio são normalmente utilizados em períodos de guerras, duelos entre grupos rivais, etc. Sempre o objetivo é tentar ofender o rival, e motivá-lo a uma ação. O melhor é tomar a ação mais inteligente.

Existe 3 formas de se reagir a esse tipo de atitude deles:

  • (1) Revidar o escárnio com palavras
  • (2) Revidar com violência
  • (3) Tornar-se passivo, e guardar o rancor, e fingir para si próprio que perdoou (é a pior das reações)

Eu sempre optei pela primeira, que envolve não usar a violência e nem a passividade, mas o revide, justo e correto.

O escárnio é um recurso utilizado por alguém que não lhe vê com o mínimo respeito, e a única forma de tratar essa pessoa é com o mínimo respeito também. É legítimo usar o escárnio sempre que for para o revide a um escárnio anterior.

É importante também notar que qualquer revide é legítimo, pois o objetivo do escárnio é simplesmente dizer a mensagem: “eu não tenho respeito nenhum por você, e vou jogar sujo”. Ou seja, quem está em público praticando o escárnio em relação a você é alguém que não teria pudor em lhe meter um balaço na cabeça se estivesse participando de um governo totalitário e dominando as pessoas de sua ideologia. Um exemplo é como na China os cristãos são tratados.

Alguém poderia perguntar: mas o revide não é contra a religião?

De forma alguma. Não há nada no cristianismo que implique em não forçar os outros a te respeitarem, principalmente se sua busca por respeito mútuo for justa. Além do mais, quando permitimos que o outro nos desrespeite, estamos lançando uma mensagem pública de que esse comportamento é aceitável. Isso explica por que a passividade é a pior das respostas.

Esse modelo de atuação que eu uso simplesmente FORÇA o neo ateu a me respeitar. Em um debate, ele pode até começar com escárnio, e vai tomar o revide. Ele pode tentar de novo, e vai ter o revide de novo. Mas chegará um momento em que ele provavelmente está muito mais humilhado e com certeza irritado (a experiência nesse tipo de duelo garante que eu não me irrite mais, pois já virou esporte para mim). Ele terá então que respeitar o teísta do outro lado, e aí, somente aí, poderá começar um diálogo de verdade, e não uma guerra intelectual.

Noto também que não é sempre que os neo ateus apelarão para as provocações desse tipo de texto, que, naturalmente é mais infantilóide que a média. Muitos tentarão argumentos, mesmo que com erística e falácias, mas sem o componente de escárnio.

Só que mesmo que seja um modelo forte de atuação, o objetivo aqui é mostrar como se trata esse tipo de ataque. É importante que eu ressalte de novo que não considero que a maioria das implementações de ataques feitas por neo ateus atendam ao mesmo princípio de escárnio do texto avaliado aqui. Muitos são textos argumentativos (embora com difamações, erísticas, etc.).

O nível deste texto (“Deus feito em casa”) é realmente mais baixo. É coisa de gente que está apelando. Raros dos debates em que participo atualmente possuem tal nível de baixaria.

Mas já houve um tempo, na comunidade Contradições do Ateísmo, em que neo ateus atuavam SÓ desta maneira, com implementações de escárnio em provocações de parquinho. Era uma época de revides fortes, e, modéstia a parte, eu me saía bem (eu nem era moderador na época).A questão é simplesmente de agilidade e sangue frio na hora do revide, que tem que ser imediato. Lembre-se: é um duelo entre pessoas que não possuem respeito entre elas. Ao menos, com certeza, os neo ateus não possuem.

Nesse artigo “Uma Requisição de Neo Ateus: O Direito de Ser Idiota”, explico uma forma pela qual a maioria das tentativas de escárnio pode ser revidada.

Aqui na seção “Conhecendo o Inimigo” há várias técnicas que são utilizadas por eles para escárnio (consulte as técnicas de ridicularização), e justamente com as formas de revide também.

De qualquer forma, o objetivo aqui é usar como um estudo de caso esse texto “Deus Feito em Casa”, que tem por objetivo incitar à uma briga. Ao invés de brigar, que tal avaliá-lo e mostrar o nível de retardo mental (altíssimo) de quem o escreveu?

Lembro também que o endosso em 100% dos adeptos do blog “Bule Voador” mostrou que é lícito retaliar à vontade contra eles, pois eles aprovam a tentativa de escárnio.

Vamos começar.

E considerando que todas essas culturas são diferentes entre si, todos esses deuses acabam sendo diferentes entre si também.

O autor (cujo nome não descobri, talvez ele tenha vergonha, mas o chamarei de “neo ateu” a partir de agora) comete o erro aqui de achar que se várias culturas conceituam um objeto de forma diferente, então se trata de vários objetos. Obviamente um exemplo de paralaxe cognitiva da figura.

Mais ridículo vem a seguir:

Se você quer ter um deus particular (um só seu), não é tão complicado assim. Diga que seu deus existe e mande que os outros provem em contrário.

Engraçado seria  a figura chegar aqui e pedir para eu “provar em contrário” ao Deus dele, e eu dizer que “não me importo”. A partir daí é só provocá-lo a ponto de fazê-lo tremer na base. Tsc, Tsc… Santa ingenuidade neo ateísta. (Recomendo ler os textos “Ateus ou Teístas: Quem é que vai para a Arena?” e “A Triste História de Gustavo Bandejra”, para quem ainda não os leu).

Ele prossegue:

Este artigo mostra como criar seu próprio “Deus Home-Made”. Come with us e que seu deus o acompanhe.

A partir daqui ele começa as 10 “regrinhas” que ele afirma.

Uma mais infantil e patética do que a outra.

Há tantos erros lógicos e ingenuidades que postarei os comentários somente após cada técnica.

1 – SÓ ELE EXISTE
Bom, pra princípio de conversa, somente o seu deus existe. Ele é único e exclusivo. Você acredita nele e isso é o suficiente para provar tal existência [1]. Quem duvidar que prove o contrário, ora essa [2]! Assim, quem não acreditar em seu deus é ateu. Pouco importa se são judeus, cristãos, muçulmanos, seguidores de deidades pagãs etc. São todos ateus e ponto final! [3]
Ignore os princípios da Lógica [4]. Exija que provem que seu deus é apenas uma piada e que não existe de fato [5]. Não dê a mínima se te disserem que não se pode provar uma inexistência, isso é papo de ateu ignorante [6]. Seu deus existe, é real e o ama de verdade. Os ateus? Ora, seu deus os odeia (assim como você os odeia também) e vai mandá-los pro inferno, para sofrimentos terríveis. Entretanto, sendo você uma pessoa boa e justa, estará orando para que seu deus os perdoe (coisa que você sabe que nunca acontecerá) [7]. Você fica parecendo um cara legal, seu deus fica com duas personalidades e todos os que o contrariarem irão pro inferno, tendo medo e se afastarão de você, mostrando o quanto você está certo [8].
Quer coisa melhor que isso? [9]

1 – Só isso já mostrou que ele é intelectualmente inferior aos adversários dele (que provavelmente seriam os membros das principais religiões), pois estes não dizem que basta acreditar que o Deus passaria a existir. A teologia judaica e a cristã, muito complexa e rica, mostra que o estágio mental do neo ateu é patético. Ele ainda está comendo poeira, e muita.

2 – A piadinha dele torna-se inútil, pois ele não é indiferente ao Deus das principais religiões, mas seríamos indiferentes ao “deus dele”. Portanto, a provocação dele não surtiria efeito nenhum. Basta ridicularizá-lo em retorno a cada vez que ele tentar esse estratagema.

3 – Aqui é o tradicional erro cognitivo dos ateus mais incapazes, que nem sequer sabem o conceito de ateu. Para maiores informações, consulte a técnica “Todos são Ateus”, na seção “Conhecendo o Inimigo”.

4 – Notem as dicas que o coitado dá… Bem, em nossa religião não ignoramos os princípios da lógica. Então, ele que morra de inveja.

5 – Ihh… esse ainda está na fase da exigência? Ele vai ter muitas decepções na vida.

6 – Errado. Isso é papo de ignorante em lógica, independente de ser ateu ou não. Tanto existência como inexistência podem ser provadas. O ônus da prova é de quem fez a alegação. Se ele não sabe nem isso, como pode tentar praticar escárnio?

7 – Aqui é pura falha de raciocínio dele. Se ele sabe que não acontecerá, por que iria orar então? Talvez ele tenha lido a mente dos oponentes, para saber que eles rezam, mas duvidam da própria reza. Ou talvez ele não saiba por que os adversários rezam.

8 – No caso, se afastariam do neo ateu por outros motivos, inclusive infantilidade…

9 – Notaram que ele se contenta com pouco?

2 – SEU DEUS SABE TUDO
Ora, convenhamos, um deus que se preze tem que saber tudo. Senão, para que alguém precisaria dele? [10] Contrate um economista e fim de papo! Mas, você está criando uma religião e não um cargo no Ministério da Fazenda. [11] Assim, seu deus sabe tudo de tudo sobre tudo. Sabe até o que as pessoas não fizeram, mas queriam fazer. E o que é melhor: Disse tudo a você, pois você é o enviado dele (não, não foi um trocadilho com relação à sua opção sexual). [12]
Desse modo, você – oh, Profeta! – também sabe tudo; e não caia na conversa de incrédulos que dizem que suas acusações são infundadas. Seu deus nunca o enganaria, não é mesmo? Condene severamente, amaldiçoe e execre em público todos aqueles que o contrariarem, não esquecendo de orar pela graça do seu deus a essas pobres almas pecadoras (coisa que você não faz a menor questão que aconteça). [13]

10 – Aqui ele admite um Deus de acordo com as necessidades dele. Ou seja, realmente é um Deus que ele inventou, e não serve para ele atacar a maioria dos religiosos. Ele poderia retrucar dizendo que o “nosso” Deus seria inventado também. Mas aí ele é que teria que correr atrás das provas. Para mais detalhes, consultar a técnica “Bule de Russell”.

11 – Aqui é pura insanidade e loucura do neo ateu.

12 – Engraçado que se ele sair com essa conversa, ele é que ficará com pose de maluco. Essa é a diferença da religião cristã para seitas de malucos… De novo, ele que morra de inveja.

13 – O mais divertido é que o neo-ateu afirma que faria isso mas nem sequer revelou o seu nome, pois ele sabe que sua proposta é infantilóide. Será que ele tem algum “estudo de caso” para provar o que afirma? Ah, não vale abordar as religiões tradicionais, pois ele não tem a mínima idéia de como elas se iniciaram…

3 – SEU DEUS ESTÁ EM TODO LUGAR
Olha só, seu deus tem que estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Se aquele deus lá (o tal daqueles caras largados no deserto, junto com bosta de cabra) era onipresente, por que o seu não seria? [14] Afinal, o seu deus é único e verdadeiro, enquanto que o deles é falso, obviamente. Se o deusinho deles fosse verdadeiro, ele teria se apresentado para você. Ele fez isso? Não, mas o seu deus sim! Em quem você prefere acreditar? [15]
Assim, o seu omniultrapowermegafucker deus pode ver onde estão os pecadores, para ferrá-los depois. Afinal, é estando em todos os lugares que ele sabe de tudo, não é mesmo? E se te perguntarem como ele precisa estar em algum lugar se ele sabe tudo, chame esta pessoa de herética, berre que é blasmacho… quero dizer, blasfêmia condene-a ao inferno, jogue algumas maldições sobre a família dele e grite alucinadamente. [16] Nossa legislação ainda está proibindo assassinatos, e este seria o único método de fazê-lo parar. Logo, NÃO PARE!!! [17]
Não esqueça de terminar com a frase: Meu deus te ama. [18]

14 – Mais um erro lógico, pois se ele afirma que há um outro Deus, além do dele, então não haveria sentido nele dizer que é o único Deus. Ihh….

15 – Detalhe que essa provocação só teria valia se todos os religiosos fossem profetas, o que seria uma idiotice. Pensando bem, é uma idiotice da parte do neo ateu mesmo. Fraquinho, fraquinho…

16 – Já deu para descobrir quem são os adversários dele. São os fanáticos de rua. Ora, se ele escolhe como adversários a turma do populacho (e ainda assim, aqueles desajustados), como iria querer duelar com outro tipo de religioso? É nisso que dá ele ser um duelista de segunda divisão…

17 – Ele está histérico neste momento…

18 – Só a frase “Meu deus te ama” mostrou a ingenuidade da proposta dele, pois ele afirmou antes que ele criaria um Deus que seria “único”. Notaram como ele se desconcentra fácil?

4 – SEU DEUS É BOM
Claro! Afinal, ele é deus. E todo deus é bondoso, certo? Errado! O SEU deus é bondoso! Os deuses dos outros não são porque não existem. Se existissem, não haveria monoteísmo. [19] E você sabe muito bem que seu deus lhe disse que ele era o único deus que existia; e você, como um bom fiel (e poderoso profeta), vai acreditar em tudo o que o senhor seu deus fala, é óbvio! [20]
Entretanto, convém notar que seu deus fica irritado às vezes e pune as pessoas. Isso acontece sim, é verdade, e é tudo por culpa de quem? Dele que as criou? Claro que não, ora bolas! A culpa é de quem não entendeu o que seu deus disse. E se ninguém mais ouviu o que seu deus falou, é porque são pecadores. E nós sabemos que pecadores merecem ir pro inferno. [21]
Pode ser que algumas pessoas inocentes sofram, mas quem garante que bebezinhos não se tornariam pérfidos ateus? Seu deus sabe de tudo, logo ele vai punir o bebezinho logo de uma vez. Esta geração atual já nasce endiabrada mesmo. Vide aquela garota do filme do exorcista. Aquele padre molenga achou que ela era boazinha. Se ela realmente fosse, teriam feito uma continuação do filme? Pense nisso. [22]
No final das contas, seu deus é o cara mais legal que você conhece. [23] O pessoal que sofre, mas dizia acreditar nele, não passam de mentirosos. Somente o verdadeiro fiel tem graças infinitas. Se não tiver, é porque seu deus quer testar a fé deles, mesmo sendo omnisciente. Logo, é necessário que você seja instrumento do seu deus e comece a perseguir e imputar dor e sofrimento a quem o rodeia. [24] Vai que eles são espiões dos falsos deuses? De qualquer forma, a pessoa tem que saber que não é fiel ao seu deus. Mesmo sendo um bebezinho de colo. E você – oh, Profeta! – é aquele que ajudará o seu deus nesta Missão Santa, que não tem nada de impossível. Ou você acha que Tom Cruise faria melhor? [25]

19 – Engraçado que essa falácia da (in)credulidade pessoal é uma prática do neo ateu. “Ex. Se Deus existisse, eu acreditaria nele”. Já se deu mal até nessa…

20 – Novamente, provocação inútil a não ser que ele fale com um profeta. O problema é que se ele quiser se comparar a Jesus, este não CONCEITUOU Deus. Sendo assim, ele duela com um inimigo da imaginação dele. Pura esquizofrenia neo ateísta…

21 – Aqui é apenas interpretação infantilóide. Apenas a interpretação dele, pura e simplesmente, já é suficiente para ridicularizá-lo.

22 – No filme Exorcista, a menina não “nasceu” possuída. Portanto, até nas referências ele se perde.

23 – O fato dele definir deus como um “cara” mostra que ele ainda usa a concepção de Deus de uma criança de 6 a 7 anos.

24 – Engraçado vai ser ver se ele terá coragem de fazer isso. Eu duvido…

25 – Mais uma vez, discurso inútil para duelo contra aquele que não é profeta. Inútil do ponto de vista da provocação.

5 – DEUS TE ESCOLHEU
Bom, tomando por base que você criou o deus, é justo supor que você (e ninguém mais) é o mensageiro dele. E é simples de entender.
Você criou um deus. Mas só fez isso porque seu deus existe e lhe disse isso pessoalmente. Você sentiu ele penetrar em… humm… err… bem, ele entrou em você (espiritualmente, é claro) e isso o inspirou divinamente. Seu deus só fala com você e ninguém mais, porque mesmo sendo onipresente, ele sente que precisa de um porta-voz na Terra. E sendo o porta-voz dele, você usa a inspiração para espalhar a Boa Nova. Qual é a Boa Nova? Seu deus existe, ama todo mundo, mas vai destruir todo aquele que pensar em dizer que o profeta dele (no caso, você) é totalmente maluco.
Quem não acreditar, terá a misericórdia do seu deus (enquanto arde no fogo do inferno). Até mesmo o Hank pensa duas vezes de contrariá-lo e Chuck Norris passa batido. [26]
Qualquer mente esclarecida ao mínimo saberá na verdade que você não criou nada. Seu deus é que lhe fez ter esta idéia – esta inspiração divina, digamos assim – pois ele precisava de um mensageiro fiel e um profeta à altura da grandiosidade dele. Logo, o escolhido foi… VOCÊ!! Pouco importa se a descrição do seu deus se pareça contigo. É normal, já que fomos feitos à imagem e semelhança dele, mesmo tendo tantos indivíduos completamente diferentes um dos outros. [27]
Portanto, cabe a você – oh Escolhido – impor… hã, quero dizer… pregar o culto ao deus supremo. Quem vai lhe contestar? Um bando de céticos que não sabem de nada? Condene-os ao inferno e está tudo certo. [28] Teu deus te ouvirá. Afinal, quer maior teste de fé que aceitar você, meu caro Profeta, que seu deus é único e que todos devem fazer o que você manda? [29] Afinal, você é o Escolhido. Mas, evite andar de casacão preto e óculos escuros e jamais – JAMAIS!! – tome qualquer pílula ou comprimido na cor vermelha. [30] Isso é coisa do diabo (daqui a pouco saberemos mais sobre isso).

26 – Como se nota, a paralaxe cognitiva dele de novo segue. Ele prossegue achando que todos os religiosos são profetas… rs.

27 – Aqui ele confundiu “Deus fez o homem a imagem e semelhança” com “Deus fez o profeta com a imagem e semelhança”. Ele está menos criativo, mas igualmente incapaz.

28 – De novo, inútil como provocação aos cristãos (ou judeus, ou islâmicos), pois não é um profeta que condena ao inferno…

29 – Notem o que ele entende por “prova de fé”…

30 – Só isso já dá para ter uma idéia do perfil do neo ateu, pelos seus gostos pessoais. Aliás, isso de andar de casacão preto e óculos esculos não é coisa de emo?

6 – SEU DEUS FEZ TUDO
Precisava dizer isso? Ora, se o seu deus é único e poderoso, claro que ele fez o Universo há… bem, não importa quando foi, importa? E não acredite em cientistas. [31] Como diz o reverendo Homer Simpson: “Fatos… Bah! Pode-se provar qualquer coisa com eles”.
A parada é a seguinte: Numa hora de ociosidade, seu deus resolveu criar tudo. Muito bem, ele criou. E para quê? Para que nos mundos… digo, neste mundo aparecessem seres que o adorassem. Simples, não? Afinal, se ele é deus, a nossa obrigação é cairmos de joelhos [32] perante ele (e a você também, já que é o emissário); e quem não quiser… bem, é um ateu desgraçado e vai sofrer penas infernais de dar dó. [33]
Mas, como você avisou antes, seu deus não terá pena de ninguém. Mas, tenha certeza: Seu deus ama todo mundo, pois é clemente e misericordioso.

31 – Talvez aqui ele conseguiria duelar com Testemunhas de Jeová. Mas só…

32 – O “cair de joelhos” só mostra o quanto a auto-estima desse neo ateu é frágil…

33 – Aqui ele divide um mundo entre os crentes no Deus que ele inventou e ateus… Para ele, dislexia pouca é bobagem.

7 – O NOME DO SEU DEUS
Deus, ora bolas! Que outro nome ele precisa ter? Os outros que tenham, já que não passam de demônios mesmo. O único deus que existe é o seu, lembre-se disso. [34]

34 -Ué, antes ele falava de um Deus criado por ele. Agora ele muda para um Deus definido por ele. Ora, ou ele está criando um Deus ou não está… A perturbação do neo ateu é evidente.

8 – HISTÓRIAS CÓPIA/COLA
Em qualquer religiãozinha ridícula, vagabunda e mequetrefe que vemos por aí, os deuses (bem chulés também) passam por histórias grandiosas e épicas. Tendo isso em mente, você pode se perguntar: O que meu deus fez de extraordinário?
Bem, meu caro Profeta, a resposta é simples: Tudo aquilo e ainda mais! [35]
Pensa comigo. Seu deus fez tudo de tudo, certo? Os outros deuses não passam de historinhas inventadas (que perdem de 1000 a zero para as do Cebolinha). Seu deus hiper-mega-ultra é muito superior. E se as outras culturas possuem aquelas histórias é porque copiaram das aventuras de seu deus. [36]
Não interessa se você o criou agora, isso não é relevante. Seu deus sempre existiu, isto é fato! E se ele sempre existiu, todos falavam dele, apesar de darem nomes diferentes. Não importa! Seu deus é “O Cara” e todos os pecadores estavam falando dele, quando criaram suas mitologias estúpidas.
Assim, eles apenas tiveram contato com seu deus, mas como porcos pecadores que são, ignoraram o “hômi” e agora estão pagando por isso. Isso significa que todas aquelas histórias foram baseadas em acontecimentos VERÍDICOS ordenados pelo SENHOR seu deus. [37]
E tudo começou com uma chuvarada imensa que alagou tudo inclusive as montanhas mais altas (o fato da água ter aparecido do nada é irrelevante. Seu deus fode pode tudo). [38]
E quem duvidar só pode ser um ateu desgraçado e você sabe melhor do que eu o que acontece com hereges. Afinal, você é o inspirado. [39][40]

35 – Notaram que aqui ele mudou o discurso e agora está tratando apenas de uma versão do cristianismo que só é utilizada em catecismo de crianças muito novas?

36 – As fantasias dele se multiplicam, pois antes ele tentou ironizar o Deus judaico-cristão, e agora finge um comportamento que não é o da cultura judaico-cristã. Está claro que ele se perdeu na tentativa de ataque, e está sem foco…

37 – Geralmente quando um neo ateu começa com essa sandice, é melhor pedir as referências do que ele alega (livros, tratados de teologia, etc.). Geralmente eles correm para a casinha…

38 – Aqui é o anacronismo, pois isso só valeria como provocação para uma religião que defina que o início do universo tenha sido com um dilúvio…Logo, ele não consegue implementar provocação em ninguém.

39 – Aqui é de novo a dissonância cognitiva por entender errado o termo ateu.

40 – De novo, aqui só valeria como provocação se o adversário fosse um profeta.

9 – O DIABO
Não existe somente mocinhos bons numa história. Sempre há aqueles que matam, estupram, pilham, saqueiam, mutilam, escravizam, massacram e agem com selvageria extrema em guerras sangrentas e desnecessárias.
Um cético pode lhe interromper neste ponto e dizer que tudo isso fora muitas vezes causadas em nome das religiões. [41] O que você fará? Resposta: Rirá com desdém. [42] Por quê? Ora, Profeta, simplesmente porque não foi o seu deus (o único e verdadeiro deus que existe), mas sim obra do diabo.
O diabo, cramunhão, pé-de-bode, capiroto, bicho-feio, demo e nomes afins retratam a mesma coisa: qualquer pseudodeusinho pé-rapado que não seja o seu deus. Afinal, seu deus é único. Os demais deuses (todos falsos) são contra ele. O diabo é uma figura que se contrapõe ao seu deus, assim: todos aqueles deuses são demônios. Simples! [43]
Aqueles dois céticos chatos de um certo Blog inconveniente [44] podem argumentar dizendo que se seu deus criou tudo, logo criou o diabo também e, assim, é responsável por tudo. E daí? Eles que falem! Eles foram tocados pelo seu deus? Não, mas você foi (espiritualmente, claro). Eles entendem a beleza disso? Claro que não. São alarmistas fantasiosos e, pior de tudo, céticos (arghhhhhhhh). [45]
Assim o que lhe resta? Sacudir a cabeça, insistir que seu deus é bom, o capeta não é, eles estão influenciados pelo maligno e acabarão no inferno. Mas, como você é uma boa pessoa, rezará muito para que eles encontrem a luz do seu deus, amém. [46]

41 – O problema é que se o “cético” afirmar isso, e não mostrar a relação de causa-efeito (ex. por causa da religião), ele será um crédulo, e não um cético…

42 – Fico imaginando o nível dos teístas com quem esse neo ateu tem duelado… Deve ser tipo os caras do Atheist Experience, que só aceitam duelos, mas não com os teístas que entendam do assunto.

43 – Todo esse esperneio para errar gravemente na forma como se entende o Demônio. Ou seja, para ele, o Demônio é um Deus. Esse é mais um que caiu no conto do Dawkins (que queria vender o monoteísmo como politeísmo por causa dos santos).

44 – Esse blog seria o Ceticismo.Net? Mas quem disse para eles que a dupla é cética? Eles são ateus, mas não possuem traços de ceticismo. Um exemplo é esse texto da dupla, recheado de credulidade e ilusão.

45 – De novo a auto-ilusão dele se achando um cético, quando na verdade ele nem sabe o que é ser um cético… Se o texto for da dupla, o delírio é de ambos.

46 – De novo, a interpretação aqui não é diferente da interpretação religiosa de uma criança de 6 ou 7 anos. Provavelmente estava faltando assunto para o sujeito aqui…

10 – CONTRADIÇÕES
Seguinte. Seu deus precisa dar algumas instruções. Essas instruções (devidamente repassada por você) podem ser compreendidas ou não. Não é problema seu se tem idiotas no mundo que não compreendem o senhor seu deus. Esses são infiéis e merecem o inferno.
E o fato de haver discrepâncias e contradições, só ressalta o valor espiritual de suas palavras, pois a letra cata e o espírito mexirica. Ou algo similar a isso. [47]
Isso significa que seu deus é sábio e confundiu todo mundo para que ele pudesse saber quem é o verdadeiro fiel. Afinal, ele é omnisciente, mas as pessoas não. [48] E estes precisam ser testados, para que usem seu livre arbítrio e sigam da melhor forma possível tudo o que já tinha sido predestinado [49] pelo seu deus omnibondoso, já que ele mandará quem não fez direito nenhuma de suas instruções lá pras profundezas do inferno [50].

47 – Se ele já assume a idéia que ele entendeu como contraditória, como ele provaria que a idéia entendida pelo outro é? Por enquanto, é fé do lado dele.

48 – Eu não sei se as pessoas em geral não são sábias, mas o neo ateu do texto com certeza não é.

49 – Aqui é a confusão default da maioria dos neo ateus mirins: confusão entre previsão e predestinação. Resumindo, eles confundem “Deus sabe” com “Deus definiu que seria feito”. Erro de amador.

50 – Detalhe que a condenação ao inferno não seria feita por Deus, na religião cristã, e sim seria uma consequência das ações das pessoas. De novo, ele erra o alvo e tenta atacar um adversário que ele inventou.

Conclusão

Como pode tentar ofender um adversário com escárnio alguém que possui tão pouca inteligência quanto o autor do texto “Deus feito em casa”? Simples. Somente com uma auto-ilusão, oriunda de lavagem cerebral, é que pessoas podem aceitar que esse texto é o suficiente para tentar adentrar em guerras intelectuais. A facilidade com que se revida tal tipo de provocação é fácil demais. No texto, são 50 oportunidades de revide, que, de acordo com a criatividade de cada duelista, podem ser expandidas de forma a deixar o neo ateu irritado por semanas. O objetivo final, é claro, não é a irritação do adversário, e simplesmente que seja passada em público a mensagem de que o respeito dado pelo neo ateu ao religioso é aquele que será dado a ele. Até o momento em que, por bem ou por mal, ele começará a agir feito alguém com dignidade e pare de comportamento antisocial. Revidar ataques desonestos desse tipo é uma forma de forçá-lo a se comportar direito.

P.S.: Pelo que tenho notado nas reações dos participantes do blog Bule Voador (e também de outros neo ateus), algumas críticas e refutações feitas à eles estão sendo encaradas de forma pessoal, o que é uma estupidez que eles estão cometendo. É preciso que eles entendam o básico da questão: o MESMO respeito fornecido pelos neo ateus aos religiosos, é o que deve ser fornecido aos neo ateus pelos religiosos. Não vejo por que eles seriam uma classe privilegiada isenta de críticas. Simplesmente não faz o menor sentido. Será que só por ser minoria alguns neo ateus acham que eles devem ficar isentos de críticas? Será que eles acham que as idéias que eles defendem devem, da mesma maneira, ficar isentas de críticas? No way…

Escrito por lucianohenrique

janeiro 31, 2010 em 11:14 pm

Deus, um Delírio – Capítulo 5 – Pt. 3 – O Gene Egoísta das Lacunas da Seleção de Grupo

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Certa vez um crítico de cinema comentou o lançamento do filme “Hulk”, dirigido por Ang Lee, em 2003. Ele disse: “é melhor que o Batman, mas isso não significa nada”. Segundo ele, nada podia ser pior que os filmes do Batman dirigidos por Tim Burton. A mesma analogia pode ser aplicada à Seleção de Grupo, que embora seja uma teoria razoável em cenários mais limitados, é sofrível quando tenta explicar algumas características complexas humanas, como por exemplo a religião. Mesmo assim, ela é melhor que a teoria do Gene Egoísta. O que importa, no momento, é saber que, mesmo que a Teoria da Seleção de Grupo seja superior à do Gene Egoísta, isso não significa muita coisa, pois nada produzido cientificamente, nessa área, pode ser pior que a teoria do Dawkins.

Ainda assim, foi divertido Dawkins ter incluído essa seção para falar da Seleção de Grupo. Antes de tudo, preciso dizer qual o motivo pelo qual ele adicionou tal seção: descartar a seleção de grupo. E por que ele faria isso? Simples também: a teoria do gene egoísta é apenas uma teoria de “gene egoísta das lacunas”, pois foi justamente das lacunas das explicações que a seleção de grupo não fornecia que Dawkins se aproveitou para tentar vender sua idéia.

Essa seção, portanto, trata das explicações da Seleção de Grupo para a religião, na visão de Dawkins. Veremos, na verdade, que a teoria só explica alguns comportamentos básicos, mas não a religião. Comecemos, portanto, vendo como ele trata a idéia do cristianismo a partir da visão de um antropólogo:

O arqueólogo Colin Renfrew, de Cambridge, sugere que o cristianismo sobreviveu devido a uma forma de seleção de grupo, porque alimentava a idéia de lealdade e de amor dentro do grupo, e isso ajudou os grupos religiosos a sobreviver em detrimento de grupos menos religiosos.

Essa explicação até seria razoável, mas falha ao dizer que a religião basicamente alimenta a “lealdade e amor” dentro do grupo, quando é muito mais que isso. Não há motivos para achar que há menos “lealdade dentro de grupos” na China, em que eles se garantem como povo mais populoso do mundo, e não é um país religioso. Além do mais, “lealdade dentro do grupo”, não significa uma lealdade tomada como valor absoluto, pois até grupos sem moral absoluta podem ser leais entre eles. Isso tudo mostra que tratar a questão da forma que Renfrew tentou é simplória em excesso, e nada explica.

Vamos em frente:

O apóstolo americano da seleção de grupo D. S. Wilson desenvolveu, de forma independente, uma sugestão semelhante, mais meticulosa, em Darwin’s cathedral. Veja um exemplo inventado, para mostrar como seria a teoria da seleção de grupo para a religião. Uma tribo com um “deus das batalhas” muito beligerante ganha guerras contra tribos rivais cujos deuses pregam a paz e a harmonia, ou tribos sem deus nenhum.

De cara, um problema inicial é que tal teoria só explicaria um suposto “Deus de batalhas”, seja lá o que diabos Dawkins e D.S. Wilson queiram dizer com isso. Portanto, não serve para validar o caso de Dawkins, principalmente quando colocamos na mesa as religiões abraâmicas, que é contra as quais o biólogo abriu um caso no livro. Além do mais, não foi comprovada uma dependência intrínseca entre crença em Deus e vontade de guerrear (nos contextos antropológicos, poder-se-ia utilizar a questão de disputa territorial). Sendo assim, de novo a teoria de seleção de grupo poderia ser usada, mas não para explicar a religião.

Outro problema, mais grave, é que não é assim que se apresentam proposições científicas. O correto seria mostrar que, existindo a alegação de “mais bravura” e “maior incidência de auto-sacrifícios”, esses dois fatores deveriam ser MENSURADOS. Ao final, com todos os 3 fatores (bravura, incidência de auto-sacrifício e probabilidade de sobrevivência) devidamente mensurados, seriam feitos os testes da teoria. Ah, e não se espantem, esse problema, na explicação de D.S. Wilson é amplificado nas explicações que Dawkins usa pela teoria do Gene Egoísta também, portanto as falhas na explicação de Wilson não são nada de que Dawkins deveria se orgulhar.

Ele segue:

Combatentes que acreditam piamente que a morte como mártir os mandará direto para o paraíso lutam com bravura, e abrem mão de sua vida de bom grado. Por isso as tribos desse tipo de religião têm mais probabilidade de sobreviver a guerras intertribais, roubar o gado da tribo conquistada e tomar suas mulheres como concubinas. Tribos bem-sucedidas como essas dão origem a tribos-filhas, que por sua vez propagam mais tribos-filhas, todas adorando o mesmo deus tribal. A idéia de que um grupo dê origem a grupos-filhos, como uma colmeia que gera enxames, não é implausível, aliás.

O problema é que essa teoria é também falseada, agora pelo exemplo dos Tamil Tigers, que tinham disposição de abrir mão de sua vida assim como membros do Hamas. Aliás, os Estados Unidos, a maior nação cristã do mundo, entra em guerras com o objetivo de ter o menor NÚMERO de baixas possível em seu contingente. É mole? O sujeito realmente parece que não submeteu o seu material para revisão. Um self-assessment ia bem. Com certeza diminuiria o risco do livro trazer explicações natimortas como essa.

Em relação à segunda explicação (tribos-filhas seguindo as crenças das tribos-pai), é até capaz, mas o problema é que o mesmo nível de explicação para tribos (explicação bastante simplista) não explica organizações complexas, contexto no qual as religiões estão sendo avaliadas por Dawkins. Talvez realmente seria possível explicar a cultura de tribos de nativos da Polinésia, mas não a cultura judaico-cristã, por exemplo. Dessa forma, quando ele diz que a idéia de que um grupo dando origem a grupos-filhos é plausível, isso não o ajuda em seu caso contra a religião.

De qualquer forma, é bom ressaltar que mesmo sem apresentar uma boa explicação, Dawkins ainda tenta citar tal propagação como “uma colmeia que gera enxames”, em claro estratagema do rótulo odioso, que não passa de técnica retórica, mas de pouca valia em termos de argumentação científica.

Ele prossegue:

Aqueles que como nós desqualificam a seleção de grupo admitem que em princípio ela pode acontecer. A questão é se ela chega a representar uma força significativa na evolução. Contraposta à seleção em níveis inferiores — como quando a seleção de grupo é apresentada como explicação para o auto-sacrifício do indivíduo —, a seleção de nível inferior tende a ser mais forte. Em nossa tribo hipotética, imagine um único guerreiro egoísta em meio a um exército dominado por aspirantes a mártir ansiosos por morrer pela tribo e conquistar uma recompensa nos céus. Ele terá uma probabilidade apenas um pouco menor de estar do lado vencedor, em conseqüência da hesitação na batalha para salvar sua própria pele. O martírio de seus companheiros o beneficiará mais que beneficia qualquer um deles na média, porque eles estarão mortos. Ele tem mais chance de se reproduzir que eles, e seus genes, por se recusar a ser martirizados, têm mais chance de ser reproduzidos na geração seguinte. Portanto a tendência para o martírio diminuirá nas gerações futuras. Esse é um exemplo simplista, mas ilustra um problema perene da seleção de grupo. As teorias de seleção de grupo sobre o auto-sacrifício individual são sempre vulneráveis a subversões internas. Mortes individuais e reproduções acontecem numa escala de tempo mais rápida e com maior frequência que extinções e fissões de grupos.

Novamente, nada disso explica a religião contra a qual ele se opõe. Na verdade explica tanto os Tamil Tigers (terroristas ateus e marxistas) e o Hamas (terroristas islâmicos). Mas fracassa ao explicar a cultura cristã. Dessa forma, a explicação seria até razoável, mas NÃO serve como uma explicação da religião e sim do auto-sacrifício, independente de religião. Ora, se o auto-sacrifício ocorre, independente de religião, portanto uma teoria que o explique é melhor do que uma que explica o auto-sacrifício “mas só se tiver religião no meio” (mania de Dawkins, claro, pois ele é especialista em editar informações para se adequar às suas crenças). O importante aqui, antes de tudo, é mostrar que Dawkins tentará jogar para baixo do tapete essa explicação, pois ele não consegue implementar difamação contra a religião com ela.

O engraçado é o motivo alegado por Dawkins para tentar descartar a seleção de grupo: “a tendência para o martírio diminuirá nas gerações futuras, pois cada indivíduo teria maior chance de se reproduzir (e a seus genes) sem se martirizar”. O curioso é que mesmo que Dawkins admita que é uma explicação simplista ele diz que isso é um problema PERENE da teoria da seleção de grupo. Segundo ele, as teorias de seleção de grupo sobre o auto-sacrifício individual sempre seriam vulneráveis as subversões internas. Ora, e o gene egoísta resolveria qual problema nessa explicação? Nenhum.

É importante ressaltar que mesmo que Dawkins considere a Seleção de Grupo descartada, em 2007 um artigo da New Scientist (em 3 de Novembro) mostrou que o pai da Sociobiologia, E. O. Wilson, mudou sua visão a respeito da Seleção de Grupo, explicando que as evidências a respeito dela são muito fortes para serem ignoradas. Abaixo estão as palavras, tiradas do artigo escrito por E. O. Wilson e David Sloan Wilson:

Os velhos argumentos contra a seleção de grupo falharam, como um todo. Ela é teoreticamente plausível, e ocorre na realidade, e as assim chamadas alternativas na verdade incluem a lógica da seleção multinível. Se isso tivesse sido conhecido nos anos 60, a sociobiologia teria tomado uma direção muito diferente. É esse ponto de divisão que deve ser revisado para colocar a sociobiologia de volta em uma fundação teórica sólida. O aceite da seleção multinível tem implicações profundas. Isso significa que nós não podemos relegar o indivíduo como um nível privilegiado da hierarquia biológica.

Isso significa um terror para adeptos do gene egoísta, que acreditam que contando anedotas a respeito de como acham que os humanos fazem uso de seus paradigmas mais complexos estão realizando análises válidas com base em “genes egoístas”.

Dan Agin, do The Huffington Post, comenta, em favor da seleção de grupo:

A rotina padrão estava se baseando em negligenciar completamente as interações de indivíduos com seus grupos – sem seleção de grupo pela evolução, apenas seleção de indivíduos. Altruísmo era explicado em termos de análise de custo-benefício genético. Os Wilson agora viraram a mesa, deixando os pratos quebrarem-se no chão, e anunciaram que o altruísmo é mais claramente explicado pela seleção de grupo – grupos com mais altruístas tendem a ser melhores que grupos com menos altruístas, e assim tais grupos se desenvolvem.

Não se deve esquecer, no entanto, que mesmo que seja uma explicação muito superior à idiotice do gene egoísta, a seleção de grupo nesse caso somente explicaria o baixo altruísmo, mas não a moral absoluta, por exemplo.

Ele tenta raspar algo no fundo do tacho, ainda:

Se duas tribos de homens primitivos, vivendo no mesmo local, entrassem em competição, se uma tribo incluísse (com as outras circunstâncias sendo equivalentes) um número maior de membros corajosos, fiéis e solidários, sempre dispostos a alertar uns aos outros do perigo, a ajudar e defender uns aos outros, essa tribo sem dúvida seria mais bem-sucedida e conquistaria a outra [...] Pessoas egoístas e contenciosas não se unem, e sem coerência não se realiza nada.

Decerto, só que aí temos o problema de que os fiéis de Dawkins estão unidos em uma cruzada. E sem possuírem religião. Ele até poderia argumentar que seus fiéis não saem em batalha. É possível, mas outros adeptos de gurus como ele, como no caso de Pol Pot, no Cambodja, saem. E obtém resultados. De forma que como sempre a tentativa de Dawkins em associar “vontade de guerrear” à religião é patética.

Em suma, tudo que Dawkins trouxe aqui para tentar explicar a religião na verdade não serve para explicá-la. Também não serve para explicar o altruísmo, a não ser o baixo-altruísmo.

Entretanto, mesmo que fora dessa explicação da religião, que não pode ser explicada por uma teoria tão básica quanto a teoria da evolução, alguns argumentos trazidos foram interessantes, o que não surpreende, haja vista que a teoria da seleção de grupo é superior à do gene egoísta. E sempre lembrando: ser melhor que a teoria do gene egoísta não significa nada.

Enfim, uma seção mais do que contraproducente para o caso de Dawkins contra a religião.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 31, 2010 em 2:51 am

Pérolas da LiHS I – O desespero de Marcelo Druyan

com 22 comentários

O blog Bule Voador, da LiHS (Liga “Humanista” Secular do Brasil), foi desmascarado há poucos dias, com a publicação do texto “Os Ateus e o Programa Nacional de Direitos humanos”, publicado no blog do Eliel Vieira.

Não foi o texto em si que desmascarou o blog por completo, pois Eliel basicamente apontou erros lógicos em um argumento de Marcelo Druyan. O que desmascarou o blog foi a atitude dos líderes da LiHS nos dias que se seguiram à publicação do post de Eliel.

A reação foi desproporcional e cheia de coitadismos. Algo como “só nos criticam por que nos odeiam”, “eles não conseguem conter nosso crescimento” ou “ele deve ser ateofóbico”. Todo o tradicional show de coitadismo, que demonstra não só o quanto esse pessoal foge da realidade, como também lhes falta de vergonha na cara.

O mais curioso é que eles perderam definitivamente toda a pose de que seriam os “ateus moderados” (ou seja, melhores que os ateus da UNA e da ATEA). A atual postura deles mostra que não são nem um pouquinho melhor.

O tal do Marcelo Druyan (o sobrenome teria algo a ver com a viúva de Carl Sagan?) aparenta ser um dos líderes da turminha. E com certeza, juntamente com o “presidente” da LiHS, Eli Vieira, é um dos campeões de besteirol.

O seu texto no qual afirma refutar este blog é entitulado “Os sem Deus e os sem noção”. É basicamente um longo esperneio.

Não deixa de ser irônico tal blog colocar a seguinte frase da semana: “Jamais diga uma mentira que não possa provar” (Millôr Fernandes). Por que não estou surpreso? Quer dizer, se eles “provam” uma mentira, mesmo usando de distorções, então isso não é um problema para Millòr. Para ele, o único problema seria a mentira que não pudesse ser encoberta. É assim que pensam os epicuristas mesmo, portanto não surpreende o fato de que o texto de Druyan é repleto de mentiras.

Vamos começar:

No texto Aloprados e Antiateus, escrevi que “não me constrange que vozes se levantem a criticar os ateus, principalmente no momento em que há, em todo o mundo, um evidente crescimento do ateísmo. Faz parte do jogo democrático e é importante que o debate exista. O que me impressiona, mesmo, é a qualidade e o nível das críticas. Acho que merecemos contendores melhor preparados”.

Ele já parte da premissa de que o oponente é antiateu, o que, conforme mostrarei aqui, é mentira. Quanto a “aloprados”, é só uma provocação de parquinho, e portanto não merece comentários.

Provavelmente ele está tentando associar as críticas a “ateus” com um suposto crescimento de ateísmo no mundo. Só que, de novo, conforme mostrarei aqui, tal relação de causa e efeito é irrelevante. As críticas ao NEO-ateísmo não dependem do crescimento do ateísmo.

O mais bizarro vem ao final do parágrafo, em que ele tenta usar um JULGAMENTO SUBJETIVO para descartar uma crítica.

Ora, para ele basta dizer “olha, o adversário não tem boas críticas, eu acho que ele não tem, acho que merecíamos contendor melhor preparado” que ele consideraria isso como uma refutação?

Qualquer criança sabe que QUALQUER UM pode dizer isso de um oponente. Portanto, tal estratagema que ele tentou não serve como argumento.

Só pelo primeiro parágrafo, já foi possível notar que lógica é algo que falta completamente a Druyan.

Depois dessa introdução, ele começa o seu “caso” contra este blogueiro citando o artigo “Os Ateus Úteis”, deste blog:

O autor inicia com a reprodução em video do depoimento de Yuri Alexandrovich Bezmenov, ex-agente da KGB, a extinta agência de informação e segurança da também extinta União Soviética. Ele discorre sobre o que chama de “idiotas úteis”, pessoas que apoiavam ou eram simpatizantes do regime soviético; socialistas; ou simplesmente idealistas e militantes de causas civis sem nenhum vínculo ideológico ou político com o comunismo:

Segundo Yuri, os idiotas úteis têm apenas um propósito: “Eles servem para alguma coisa apenas durante a etapa de desestabilização de uma nação”. Após a implantação de um regime Marxista-leninista, são descartados em prisões ou executados em paredões.

A seguir, vem o salto lógico não autorizado.

“Ou seja, são os marxistas de faculdade, como o professor Carlão, ou os militantes ateus, como os membros da LiHS, ATEA e UNA, ou os gayzistas, dentre outros. Cada grupo executando sua agenda, enquanto os líderes marxistas-leninistas (ie. Lula, Dilma Roussef, etc.) esperam colher os frutos no futuro”.

O erro dele é grosseiro.

Não há salto lógico algum, pois o vídeo de Yuri fala dos idiotas úteis, e serve única e exclusivamente para explicar a FUNÇÃO do idiota útil em um contexto revolucionário.

A desestabilização de uma nação vem naturalmente da desestabilização dos valores morais que existem em uma sociedade, portanto é preciso de que militantes (os neo ateus são apenas um exemplo deles) divulguem causas que sejam contra esses valores morais. O exemplo é evidente ao incluirmos os professores marxistas, os neo ateus, etc.

Não há salto lógico não autorizado de forma alguma.

Mesmo assim, Druyan comete a ingenuidade de identificar falácias onde não existem, como no trecho abaixo:

Salada de falácias

Falácia da generalização precipitada: nem todos os ateus são comunistas ou simpatizantes.

Falácia “non sequitur” (“não se segue que”): ao fato da União Soviética utilizar-se da democracia para derrocar a democracia, não se segue que todos aqueles que lutaram pela democracia são idiotas e, muito menos, úteis ao propósito antidemocrático. Pelo contrário. No rol daqueles que defendem a extensão e o aprofundamento das liberdades democráticas, existem opositores ferrenhos a qualquer tipo de regime totalitário, seja de esquerda ou de direita. O argumento do autor nos levaria a concluir, caso houvesse uma Revolução Comunista nos EUA, em plenos anos 60, que Martin Luther King – Prêmio Nobel da Paz – teria sido um “idiota útil”.

Falácia causal, a relação entre causa e efeito é invertida: não se pode atribuir aos defensores da democracia a causa da instrumentalização comunista. Não foram os “idiotas úteis” que “causaram” a estratégia, foi a estratégia que se serviu deles. O texto leva crer que a melhor maneira de defender a democracia seria sufocando a própria democracia! Menos liberdades civis = menos idiotas úteis = democracia estável. Com certeza, o autor se candidataria a uma das vagas ao STCIU ( Supremo Tribunal de Caça aos Idiotas Úteis ).

Ele afirma que seria uma salada de falácias, mas erra no alvo em todas as vezes.

Ele tenta me acusar de praticar a falácia da generalização apressada, dizendo “nem todos os ateus são comunistas ou simpatizantes”. Mas onde foi que eu disse que todos os ateus seriam comunistas ou simpatizantes? Pelo contrário, a simpatia do ateísmo pelo comunismo era irrelevante para o meu argumento, pois notem o que eu escrevi: “E mesmo que um neo ateu proteste “ah, eu defendo Dawkins, mas eu não sou marxista nem comunista”, isso não importa, pois ainda assim ele executa, de forma “útil”, a agenda que os revolucionários prepararam para ele. Ou seja, mesmo que ele não se declare marxista, ele ainda pode ser útil à causa.”

Na primeira tentativa de identificar falácia, portanto, Druyan fracassou.

Será que ele melhora na segunda? Vejamos:

Ele tenta afirmar que pratiquei a falácia “non sequitur”, mas ele pratica a petição de princípio, ao dizer que se um militante revolucionário (ex. marxista, neo ateu, gayzista, etc.) pratica a militância, é por causa da democracia. Como ele não consegue logicamente chegar à essa conclusão, ele simplesmente não pode me acusar de “non sequitur”.

O texto meu não fala “daqueles que lutam pela democracia”, e sim daqueles que caíram em doutrinas vigaristas, e essa doutrinação é útil para pessoas mais espertas que ele. Ele ainda tenta o exemplo de Martin Luther King, mas também não lhe serve, pois ele não conseguiu comprovar que os militantes revolucionários russos “lutavam pela democracia”.

De novo, então, ele errou feio. Não existia falácia non sequitur em meu texto.

Ele tenta, então, a última cartada, ao me acusar da Falácia causal. E ele diz isso: “Não foram os “idiotas úteis” que “causaram” a estratégia, foi a estratégia que se serviu deles.”. E eu CONCORDO PLENAMENTE com Druyan. Ou seja, ele não só mostrou que eu não cometi falácia como ele mostrou que CONCORDA comigo. É verdade. Gente como Druyan, com sua militância neo-ateísta, é “útil”, mas muito provavelmente não é responsável pela estratégia. Perfeito, Druyan! Você acabou de mostrar que eu estava certo! Obrigado.

Nas 3 tentativas, portanto, não existiu falácia alguma, o que me leva a sugerir que Druyan RELEIA os guias de falácias que estão disponíveis na web.

Cometer uma falácia em um texto argumentativo não é algo de que alguém se orgulhe. Mas ERRAR em identificação de falácias em um oponente é muito, mas muito mais vergonhoso.

Quem sabe Druyan não usa essa vergonha que ele sofreu aqui para aprender mais. Como diria Nietzsche (ele deve gostar de Nietzsche, suponho): “A vergonha é a mãe do aprendizado”.

Não deixa de ser cômico também ele dizer que eu afirmei que “a melhor maneira de defender a democracia seria sufocando a própria democracia!”. Ele diz: “Menos liberdades civis = menos idiotas úteis = democracia estável. Com certeza, o autor se candidataria a uma das vagas ao STCIU”.

Ele deve ter alucinado, pois meu texto não afirma absolutamente nada disso.

Aliás, se ele tivesse me investigado, ele saberia que eu defendo o direito das minorias da mesma forma que ele defende. A diferença é que ele entende que direito dos ateus significa difamação de religiosos, o que, é claro, só uma mente distorcida compreenderia.

A seguir, ele me acusa de “ateofobia”:

Ateofobia escancarada

Defino ateofobia como: ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa ou grupo de pessoas contra ateus e, consequentemente, contra o ateísmo. O ateofóbico evita, despreza ou persegue o ateu. Pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação; bem como manifestações ostensivas e violentas. É um tipo de xenofobia, entendida aqui como a aversão em relação a pessoas ou grupos diferentes; às suas formas de perceber a realidade; de pensar e propor soluções aos problemas do indivíduo e da sociedade.

Eis algumas pérolas ateofóbicas do texto:

1) Justamente por isso quando neo ateus aparecem em público para contar vantagens (“ah, temos maioria dos cientistas que são ateus, uhuuu”), isso é um fator que eles deviam na verdade esconder, pois não passa de uma evidência clara de que isso resulta muito provavelmente de um foco de doutrinação revolucionária.

2) “Tanto no Brasil como nos Estados Unidos, neo ateus possuem uma utilidade, e são descartáveis”

3) Sendo que as evidências são incontestáveis, só fica uma dúvida ao final: será o Richard Dawkins um espertão ou um idiota útil? Quanto a isso não tenho a resposta. Mas com certeza seus seguidores são idiotas úteis.

Realmente, esse aí já perdeu todo o senso de realidade. O texto dele é maluquice pura.

Nenhum dos 3 itens citados por ele contém qualquer traço daquilo que ele chama de ateofobia.

Querem ver?

1) Eu afirmei que os neo ateus deviam esconder o fato de que grande parte de cientistas são ateus. O motivo para isso é que essa informação pode servir como EVIDÊNCIA de ocorrência da estratégia gramsciana. A estratégia gramsciana envolve enfiar o maior número de pessoas de mente revolucionária nas universidades, e, posteriormente, sua inserção em territórios intelectuais. Ou seja, é uma forma “diferente” de se fazer revolução. A doutrinação de estudantes seria uma dessas formas. Notem que minha observação é puramente baseada nos fatos públicos, a estratégia Gramsciana criada antes dos anos 40, e o posterior aumento de marxistas nas universidades (aliás, muitos estudantes universitários se tornaram guerilheiros) serve como evidência de qualquer teorização feita a respeito do gramcismo nas universidades. Como o marxismo EXIGE o ateísmo em seus militantes, isso explicaria um número maior de ateus nas academias do que em outras profissões não tão acadêmicas, e isso sem implicar em que todos os ateus tenham que ser marxistas. Apontar os fatos e estudá-los NÃO configura “ódio, aversão ou discriminação” de ateus.

2) Dizer que “neo ateus” são úteis à uma causa (pois lutam contra valores sólidos da sociedade, sendo úteis à causas revolucionárias) também NÃO configura “ódio, aversão ou discriminação” de ateus.

3) A questão a respeito de se o Richard Dawkins é ou não um idiota útil (e a afirmação de que os leitores definitivamente são) também NÃO configura “ódio, aversão ou discriminação” de ateus.

Resumindo: na definição que ELE (Marcelo Druyan) colocou, não há nada que permita que ele me qualifique como um ateofóbico.

A coisa vai mal, hein Druyan…

Mais um exemplo de como ele só escreveu bobagem. Recomendo esse link, com o texto “UNA: O ateu que te escura”, em que o ateu Aurélio Moraes critica duramente o neo ateísmo, em um tom não muito diferente do que eu faço neste blog.

Ele seria ateofóbico também?

O grande erro de Druyan, no entanto, é que ele se esqueceu de me investigar, pois se ele tivesse feito teria lido esse texto que pertence ao F.A.Q., em que explicito minha posição quanto ao ateísmo.

Qualquer consulta lá mostrará que eu nada tenho contra ateus – aliás, ele não deve ter prestado atenção e notado que este blog esculhamba o neo ateísmo, e não o ateísmo…

Mais um motivo de vergonha para Druyan…

Mais:

Paranóia?

Eu me pergunto sobre o por que de tanta preocupação com a “conspiração comunista”. Será o autor, mais um órfão da Guerra Fria? Será que, em pleno ano de 2010, possui fontes (invejáveis!) que atestam o soerguimento do “comunismo internacional”? Não sabe ele que o muro de Berlim foi derrubado em 1989? Que a China trocou os AK-47 pelos dólares americanos; Cuba balança mas não cai e a Coréia do Norte tornou-se uma hedionda ”reserva ecológica” do comunismo? E que o Marxismo, hoje, possui tendências que defendem o chamado revisionismo e retomam a proposta de um socialismo democrático? Não, com certeza não, e eu sou apenas mais um “idiota útil”.

Aqui é só falácia do espantalho.

Ele começa se pergutando o porque de tanta “preocupação” com a “conspiração comunista”.

Primeiramente, quem usou o termo “conspiração” foi Druyan, e não eu.

É, Druyan está cada vez mais igual ao professores marxistas das universidades…

Aí ele apela ao “muro de Berlin que caiu”, como uma suposta evidência de que o comunismo “já era”, e que eu “não deveria me preocupar”…

Ué, mas que tanto ele se preocupa com a minha preocupação? Claro que Druyan, como militante, tem motivos para TORCER para que eu não me preocupe.

Só que aí eu teria que esquecer os seguintes fatos:

  • Venezuela é hoje um país comunista, e que já está se dando mal
  • A Bolívia também é liderada por um comunista, que defende o cultivo da coca
  • Que as FARC, da Colômbia, são idolatradas pelos líderes do governo atual
  • Que o Brasil está indo pelo mesmo caminho, tentando implementar o Programa Nacional de Direitos Humanos, que envolve claramente idéias marxistas (e envolve até o controle da imprensa)

Os exemplos do risco comunista/marxista para a nossa sociedade obviamente prosseguem, e os fatos estão aí.

O suspeito, por parte de Druyan, é que ele se INCOMODA com o fato de eu ler o noticiário…

Mais uma cartada vem a seguir, em que ele tenta me acusar de homofóbico:

Homofobia?

Também me pergunto porque o autor utilizou a expressão “gayzistas” na frase: “Ou seja, são os marxistas de faculdade, como o professor Carlão, ou os militantes ateus, como os membros da LiHS, ATEA e UNA, ou os gayzistas, dentre outros”.

O que isso significa, exatamente? Se gayzistas são os defensores dos direitos homoafetivos, então, sou um deles, e isso me torna ainda mais “idiota útil” aos comunistas comedores de criancinhas!

A questão de “comunistas comedores de criancinhas” é naturalmente uma tentativa de implementar falácia do espantalho em qualquer comentário de oponentes.

Truquezinho esquerdista manjadíssimo, diga-se, de passagem.

Estranho ele ter tentado usar um estratagema tão pífio assim à essa altura do campeonato.

A questão de homofobia é outro equívoco de Druyan, que não ACERTOU EM NADA em seu “caso” contra mim.

O gayzismo não envolve apenas a defesa de direitos dos gays, e sim a tentativa de IMPOSIÇÃO dos valores em cima do restante da população, tentando tornar os gays uma classe privilegiada. Sem contra o gayzismo não implica em ser contra os gays.

Portanto, Druyan foi apenas estúpido e ignorante nessa. Como sempre, ele foi precipitado.

O final é novamente constrangedor:

Sem noção

Choro, esperneio, fico triste … quando aparecerão os verdadeiros adversários do ateísmo, aqueles que, sem recorrer a falácias e preconceitos, apontarão eventuais erros e exageros; de modo que, no debate democrático, possamos nos aprimorar, mais e mais? Até quando ficaremos sujeitos aos ataques de blogueiros sem noção, movidos pelo ódio e pela aversão aos ateus?

Se eu acreditasse em deus, juro que faria uma oração!

Puro apelo emocional e, de novo, a provocação de parquinho (“quando aparecerão os verdadeiros adversários do ateísmo”).

E de novo ele comete o erro de me chamar de “adversário do ateísmo”.

Eu não sou adversário de ateísmo coisíssima nenhuma, conforme demonstrei.

Portanto, a idéia de que sou um “blogueiro movido pelo ódio e pela aversão aos ateus” é apenas um delírio de Druyan.

Aqui são refutadas e ridicularizadas alegações ILÓGICAS de grupos militantes NEO-ateístas (aprenda Druyan, e não os chame de “os ateus”, pois eles não representam a totalidade dos ateus).

Um exemplo é o texto de Druyan, que é ilógico e irracional do início ao fim.

E não é preciso de “falácias e preconceitos” para notar isso.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 30, 2010 em 2:40 pm

Publicado em Estudos de caso

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Equívocos neo ateístas sobre a moral absoluta

com um comentário

O blog da LiHS, que se define como “humanista secular” (embora com discurso neo ateísta), tentou dar uma cartada contra a religião aproveitando-se dos eventos trágicos recentes no Haiti.

Talvez seja uma lição que aprenderam com Richard Dawkins, o qual aproveitou-se do atentado no 11 de Setembro para vender a idéia de que religião causaria a violência.

O texto já começa com um estratagema erístico em seu título: “Religião garante uma moral absoluta?”.

O que seria, naturalmente, uma ampliação indevida. Como já mostrado várias vezes aqui, a ampliação indevida consiste em criar uma versão exagerada de uma afirmação do oponente, refutar essa versão exagerada e fingir que refutou a versão original.

O artigo, na verdade, é citação de um texto de Fernanda Calgaro, publicado na G1 Notícias.

“Cientistas políticos comparam situação política no Haiti ao “estado de natureza”

Fonte: G1 Notícias

Autora: Fernanda Calgaro

Brigas nas filas de distribuição de alimentos por entidades humanitárias, canos de abastecimento da cidade cortados para ter acesso à água e saques a supermercados em ruínas são cenas comuns nos últimos dias em Porto Príncipe, capital do Haiti, devastada por dois terremotos. A situação do país e a reação de seus habitantes, que, na luta pela sobrevivência, acabam ferindo princípios morais e éticos, compõem o que o pensador inglês Thomas Hobbes (1588-1679) chamou de “estado de natureza”.

“O estado de natureza é a ausência total de regras. É quase uma anomia, quando não existe o estado. As pessoas acabam agindo dessa maneira, racionalmente, como uma maneira de se autopreservar”, explica Rogério Arantes, professor de ciências políticas da USP. “O país acaba mergulhado num clima de insegurança, por causa do medo das outras pessoas. Numa situação como essa, as atitudes ficam imprevisíveis.”

Segundo ele, o “estado de natureza” puro, com a completa inexistência de ordem, nunca existiu. “É uma ideia hipotética, mas há duas situações reais em que um país se aproxima dele: 1) guerra civil, em que não existe um organismo no país que monopolize a força física para conseguir valer as leis; e 2) no caso de guerra entre os estados no plano internacional, a chamada ‘guerra de todos contra todos’, em que os estados agem na lógica da autopreservação.” Na visão do professor da USP, o caso do Haiti não chega a ser “estado de natureza”, porque há organismos internacionais agindo.

Reconstrução do país

O cientista político Cláudio Gonçalves Couto, professor da PUC-SP e da FGV, é da mesma opinião. Ele explica que, antes do terremoto, já havia a atuação de forças internacionais de paz no país para criar condições para a reconstrução do Haiti, após anos de guerra civil. “No entanto, com o terremoto, desorganização tão profunda das relações sociais que estavam sendo estabelecidas, houve um retrocesso ao estágio anterior, que se assemelha ao estado de natureza.”

“Na falta de um poder central capaz de dizer o que é lícito e ilícito e punir as eventuais transgressões de um modo a manter a ordem, o que existe é uma situação em que todos tentam resolver os seus problemas de acordo com o que a sua força permite, o que acaba resultado na conflagração generalizada entre as pessoas.”
“Há aqueles que, por desespero ou oportunismo, vêem essa situação em que não há uma fonte de ordem estabelecida, usam os seus recursos próprios para fazer aquilo que lhes é mais conveniente.” Couto cita como exemplo o caso dos presos que fugiram de uma prisão que desabou com o terremoto e voltaram para uma favela que é o centro da criminalidade e instauraram a sua própria ordem.”

Como se nota, no texto original não há juízo de valor a respeito da religião.

Toda interpretação para tentar abrir um “caso” contra a religião parte unica e exclusivamente do representante do blog, Guilherme Roesler, que postou uma introdução ao artigo.

E, como já dito, se ele já começa com um estratagema erístico e falacioso no título, é claro que o restante não seria diferente.

Vejam como ele apresenta o texto:

“É dito sempre por religiosos, que o povo sem religião cairia na barbárie [1]. Bom, vamos discutir alguns dados: Cerca de 95% dos haitianos proclam fé Cristã [2]. Isso, segundo os defensores da religião como uma forma de moral absoluta, deveria garantir que mesmo sem as forças policiais, um país de maioria religiosa deveria se manter civilizado [3]. Entretanto, quando algum desastre elimina o governo estabelecido [4], vemos um país mergulhar em um caos selvagem, que apenas o estabelecimento de uma nova ordem social pode inibir.

1 – O primeiro erro aqui ocorre na falácia do espantalho, o que se torna ainda mais suspeito por Guilherme afirmar que algo “é sempre dito por religiosos”, mas não especifica quais (religiosos) e nem faz citações.

2 – Ele usa a informação de que 95% dos haitianos proclamam fé cristã. O que, conforme veremos à frente, não é relevante para o caso dele.

3 – De novo ele cita os “defensores da religião”, mas não consegue especificar quais. O grotesco, é claro, vem quando ele afirma que a religião deveria “garantir” que mesmo sem as forças policiais, um país de maioria religiosa deveria se manter civilizado. Ele obviamente pratica distorção, pois o que normalmente é alegado é que um povo que acredita em moral absoluta pode JULGAR o que é certo ou errado e evitar distorções nesse julgamento em quantidade muito menor do que um povo que não acredita. Por exemplo, sabemos que matar é errado. Esse é um valor absoluto. Mesmo que o país tenha uma onda de homicídios. julgaremos o evento justamente por esse princípio, absoluto. Em um país sem valores absolutos, como foi a Rússia Comunista, e como é a China atual, é possível que o “matar é errado” seja uma “verdade conveniente” e temporária, passível de ser eliminada a bel prazer através de truques de retórica, de acordo com a “conveniência”, pois os valores não são mais absolutos, somente convenientes. Um exemplo é quando um marxista diz que “matar pela revolução, tudo bem” ou então apóia alguém que teve passado terrorista. O valor pela vida humana deixa de ser absoluto, mas apenas conveniente. O resultado, é claro, muito mais calamitoso do que qualquer evento em países orientados ao aristotelismo (e a religião simplesmente apóia a visão aristotélica). Tanto que podemos ter a certeza de que, em termos de impacto, os eventos sociais descritos na matéria jamais terão o impacto do que teriam em países sob a visão epicurista/marxista, etc…

4 – Aqui é novamente outra distorção de Guilherme, pois são os anarquistas (ex. marxistas) que defendem uma organização sem governo. Nenhuma religião, dentre as institucionalziadas, defende tal absurdo. Portanto, vai ser difícil achar promessas religiosas dizendo “olha é só confiar em Deus, que podemos tirar o governo da parada”.

Como se nota, pelos itens acima, na tentativa de vender ateísmo e tentar atacar a religião, vale tudo.

Os eventos no Haiti não conspiram absolutamente nada contra a religião. Pelo contrário, ela sai reforçada, pois podemos comparar os eventos que se sucederam à tragédia no Haiti com o que ocorreria em países sem valores absolutos.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 28, 2010 em 11:43 pm

Publicado em Refutações

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Baixarias na Biologia II – Por que o criacionismo é tão supervalorizado?

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O artigo anterior falou de uma variação patológica do evolucionismo. Ela é composta por pessoas que podem ser chamadas de “novos evolucionistas”, uma espécie de evolucionistas que tratam a teoria de Darwin muito mais do que apenas a melhor teoria sobre a especiação, mas sim como o paradigma base de sua vida.

Falei também de como essas pessoas não conseguem mais encarar o evolucionismo apenas como teoria de trabalho. Para eles, o objetivo é principalmente realizar a imposição dos escritos de Darwin a todas as pessoas.

Evidentemente, os novos evolucionistas elegem o criacionismo como inimigo a ser combatido, e, para isso existem várias razões.

A principal e mais óbvia delas é que é muito fácil criar um espantalho em cima de todos os religiosos enquanto atuam como se tiverem incontida indignação para com o criacionismo. Talvez até tenham uma indignação real. Ou talvez seja só fingimento. Principalmente o fingimento para si próprio.

A partir daí, basta entorpecer a mente dos “novos adeptos” com discursos como “precisamos divulgar o evolucionismo, temos que impor o evolucionismo, e quem não concorda é um inimigo”. Após isso, estes adeptos estarão, dia após dia, pensando que ao duelarem com o criacionismo estão de fato duelando contra a religião.

Richard Dawkins já disse que “a religião pode existir sem o criacionismo, mas o criacionismo não pode existir sem a religião”. Obviamente, Dawkins tenta usar de um pretexto na forma de fase de efeito com o objetivo de atacar a religião. Jerry Coyne, adepto de Dawkins, também pratica o mesmo estratagema.

Na verdade, esse é um dos motivos pelos quais o “novo evolucionista” não pode deixar de pensar no criacionismo. O criacionismo é principalmente um pretexto para que os adeptos de Dawkins possam atacar a religião! Estranhamente, muitos líderes religiosos sequer perceberam a jogada.

O mais justo seria refazer a frase de Dawkins: “a religião pode existir sem o criacionismo, mas o darwinismo fundamentalista não pode”. O evolucionismo sadio, obviamente, não iria acabar, por causa de suas evidências sólidas, mas esse show de frescurites que envolvem culto a Darwin, idolatria a Darwin, amor por Darwin, inspiração por Darwin, comemoração de aniversário de Darwin, sonhos com Darwin, e muito parangolé desse tipo, incluindo sub-teorias bizarras e pseudo-científicas como gene egoísta, psicologia evolutiva, memética e outras com certeza cairiam no ridículo.

Como não querem deixar tais discursos caírem em desuso, precisam vender a imagem de “apologistas do evolucionismo”, aqueles que guiariam os “pobres seres a-científicos pelo mundo da evolução”. O trabalho missionário deles ficaria muito mais difícil sem proclamarem a mensagem, ad nauseam: “olha, não esqueçam, estamos te protegendo dos criacionistas, ah, esses ignorantes, que são contra a ciência”.

Sem o criacionismo, o recurso de lavagem cerebral e auto-ajuda cai pelo ralo, pois para lavar o cérebro da garotada é preciso encontrar um inimigo odioso, para que, a partir daí, os gurus fiquem do lado dos “novos adeptos”, salvando-os desse inimigo. Esse inimigo é o criacionismo. Sem o inimigo, o guru vai salvá-los de quem?

Outro fator de grande relevância para essa excessiva dependência é o fato de que fica fácil para os “novos evolucionistas” fingirem que todos os seus adversários são criacionistas.

Um exemplo foi quando Richard Dawkins fugiu de debates com William Lane Craig. Mesmo sem conhecê-lo, Dawkins justificou-se: “não debato com criacionistas”. Ou seja, já criaram a falsa dicotomia e dividiram o mundo entre evolucionistas X criacionistas. Quem não está do lado dele, é um criacionista e ele não discute mais isso! O problema é que William Lane Craig nem de longe era criacionista…

Mais um exemplo? O blog “A Voz da Espécie” tentou defender Richard Dawkins das críticas que ele sofreu de Alister McGrath. Como o blogueiro “evo” estava sem argumentos, já tirou o ataque histérico da cartola: “é criacionista, é criacionista”. Detalhe: novamente, o adversário não era criacionista, e sim evolucionista. Para maiores detalhes, consulte o artigo no qual comento tal texto clicando aqui.

A obsessão pelo criacionismo é tamanha que eles chegam a alucinar e expor em público seus delírios em relação aos inimigos, imaginando-os como criacionistas.

Talvez a estrutura de raciocínio desse pessoal seja algo mais ou menos assim:

(1) Eu sou evolucionista
(2) Tudo no mundo é explicado por Darwin
(3) O evolucionismo é correto, é fato, é absoluto, e magnânimo
(4) Tudo o que eu penso se baseia na evolução
(5) E portanto tudo o que eu penso é correto
(6) Se ele não concorda comigo, ele não concorda com a evolução
(7) Ele é criacionista

Se não por isso, qual o motivo que explicaria que Alister McGrath e William Lane Craig foram chamados de criacionistas sem jamais terem escrito qualquer linha a favor do criacionismo?

O fato é o seguinte: o criacionismo é irrelevante para a religião. Pelo contrário, ele chega a ser prejudicial, pois defende uma visão pobre e ingênua a respeito da Bíblia (extremamente literal).

Por outro lado, o criacionismo é indispensável para o neo ateísmo (e para o novo evolucionismo). Sem o criacionismo, fica difícil criar um espantalho em cima do qual bater.

Sem o criacionismo, grande parte da campanha neo ateísta teria que se limitar a focar outros alvos, como, principalmente, exagerar os crimes da Inquisição e esconder, ao mesmo tempo, os crimes cometidos na Rússia e China comunistas. Mas não haveria, nessa empreitada, o componente de “divulgação científica” que mexe com a ilusão teen. Criando a encenação de conflito entre criacionismo X religião, isso fica mais fácil.

Assim sendo, o criacionismo, hoje, é como o “um anel” para Gollum. Qualquer um desses novos “evos” tem motivo para clamar “my precious” sempre que ouvir falar de criacionismo.

Não é estranho, também, que as principais comunidades criacionistas do Orkut são infestadas de “novos evolucionistas” que não largarão por nada deste mundo a oportunidade de ensiná-los no “caminho da verdade”… o caminho de Darwin.

O que seria dos “novos evolucionistas” sem os criacionistas? Fico com pena só de imaginar…

Sendo assim, o resultado principal do criacionismo termina sendo fornecer munição a um inimigo.

Simples assim.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 27, 2010 em 11:13 pm

Baixarias na Biologia I – O evolucionismo como “tudo na vida”

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Quem acompanha os debates acirrados entre religião X ateísmo na Internet com certeza já viu a situação descambar para o duelo criacionismo X evolucionismo.

Outra situação vista constantemente é a idolatria ao evolucionismo, praticada em muito mais quantidade do que a qualquer outra teoria científica já elaborada.

Criou-se, de forma até patética, uma nova geração de idólatras “evos”, que tratam Darwin assim como os idiotas úteis tratavam a Lênin. Como a um Deus.

Notem bem: rejeitar esse tipo de idolatria não é o mesmo que rejeitar a teoria evolucionista. A qual não rejeito. Uma coisa é acreditar no evolucionismo e até ser rotulado de “evolucionista” (o que também não é agradável, pois ninguém me rotula de big banguista, gravitacionista, etc.) Outra coisa é ir além do aceite do evolucionismo, e torná-lo como o paradigma através do qual a vida (sua e a dos outros) é analisada, beirando as interpretações mais fundamentalistas (e errôneas) das religiões.

Ou seja, a primeira visão, mais saudável, encara o evolucionismo como uma teoria científica, como várias outras (i.e. Big Bang, Teoria da Relatividade, etc.), e a segunda encara o evolucionismo como a ideologia absoluta de sua vida.

Esse desvio só se explica por uma razão evidente: a adoração não é pelo evolucionismo, e sim pelo ateísmo, ou outras ideologias parentes, como o epicurismo. Em alguns casos, espíritas (que defendem que os espíritos “evoluem”) também podem estar prontos a matar e morrer pelo evolucionismo. No fim das contas, o evolucionismo é apenas cortina de fumaça para eles.

O mais irônico é que o evolucionismo é uma teoria que atende às perspectivas tanto ateístas como teístas, só que acaba sendo na verdade uma teoria neutra nesse aspecto. Entretanto, principalmente os neo ateus parecem tentar “encampar” a teoria como se fosse propriedade deles.

O objetivo é simples: tentar arrumar alguma desculpinha para justificar ateísmo, e, como não conseguem através da teoria da evolução, executam manipulações na divulgação dela.

Um exemplo pode ser visto no trailer do filme “Creation”, acima, que conta a história de Charles Darwin e do estabelecimento de sua teoria. Certo momento, um dos personagens diz “Você acabou de matar Deus!” (vejam em 1:08, no vídeo).

Claro que se esse diálogo ocorreu na vida real é óbvio que o sujeito mentia para si próprio, pois no escopo da teoria da evolução não existia nada disso, mas ele precisa PRIMEIRO mentir para si próprio, talvez em busca de conforto espiritual, para depois mentir para os outros.

O modelo de ação se baseia em afirmar alto, muito alto, repetidamente e em bom tom, de forma que todos olhem para ele como UM REPRESENTANTE DO EVOLUCIONISMO, e portanto, aquele que tem como explicar as coisas que a “religião antes explicava”. Tudo bem que para isso ele terá que mentir e esconder a informação de que a Igreja não interpretava a Bíblia literalmente há mais de 15 séculos, mas, como “idiotas úteis” sempre fazem, mentir não é problema.

Depois dessa mentira implementada, resta dedicar a vida a Darwin. Com isso, as versões modernas dos deslumbrados (como aquele do vídeo) fazem comemorações do aniversário de Darwin, palestras sobre Darwin, prêmios com o nome Darwin, blogs de Darwin, e, é claro, participam ativamente em fóruns, falando sobre Darwin, e principalmente duelando contra criacionistas. Aliás, esses tipos de duelos são sua principal diversão.

O absurdo é que pessoas assim beiram a patologia, e não entendem algo que podemos chamar de “direito a ignorância” dos outros.

O “direito à ignorância” significa o direito que alguém possui em ser leigo em relação a algo, e, convenhamos, os criacionistas da Terra Jovem na maioria das vezes são leigos em evolução. Justamente por isso também, tornaram-se os principais alvos da atenção desses “novos evolucionistas”.

O mais grotesco de toda a situação é que os tais “novos evolucionistas” não percebem o básico da interação humana, pois não entendem que o ser humano normalmente é ignorante em uma área de especialização em que não adentrou. É isso mesmo que eles não conseguem sequer idealizar: o ser humano normalmente é IGNORANTE em uma área de especialização em que não adentrou!

Por exemplo, além de gostar da teoria da evolução eu tenho experiência sênior em Gerenciamento de Projetos e Auditoria. Posso dissertar sobre várias técnicas de Auditoria e também de Projetos. Nesse caso, por exemplo, eu poderia citar o PERT/CRM, Corrente Crítica, Teoria X e Y, etc. E claro que leigos no assunto nem saberiam o que é.

Será que eu me incomodo com esse “direito de ignorância” de grande parte da população em Gestão de Projetos? Claro que não.

Esses novos evolucionistas argumentam em relação a isso dessa forma: “se não lutarmos pelo evolucionismo, ele será prejudicado pelos esforços dos criacionistas”. Será? Mas como? Será que não são capazes de perceber que, se os criacionistas não possuem argumentos científicos válidos, a exposição do criacionismo só irá prejudicar o próprio criacionismo, e não o evolucionismo? Ao passo de que a divulgação darwinista extremista que mistura deslumbre, falsificação de informações, arrogância, ofensa ao inimigo e frases de efeito só ajuda a acirrar ainda mais os ânimos e alimentar a campanha criacionista.

Senão vejamos: as pesquisas espaciais são prejudicadas por causa de um pequeno grupo que acredita que o homem não foi à lua? Claro que não são. Por que será que os pesquisadores especiais não dedicam sua vida a lutar contra os descrentes na viagem à lua?

O motivo de novo desemboca na única resposta plausível: na pesquisa especial, não há uma ideologia suportando a discussão. O motivo de grande parte desse “amor ao evolucionismo”, recheado de falso deslumbre (como mostrado no exemplo do vídeo), é claro, a propagação de uma ideologia, normalmente transitando entre o epicurismo, o niilismo e o ateísmo. As opções e combos são variados para esse pessoal.

Simplesmente se um adepto da descrença na viagem do homem à lua protesta aos quatro ventos, os pesquisadores sérios os ignoram. Totalmente diferente dos novos evolucionistas, que não são capazes de ignorar os criacionistas.

Um argumento dos novos evolucionistas poderia ser: “mas há 40% (número hipotético) das pessoas que ainda não acreditam na Teoria da Evolução, ou que acham que a Terra surgiu há 6.000 anos, portanto é preciso ‘enfiar’ a teoria da evolução na cabeça deles”. Capaz, só que há também muita gente que não conhece o PERT/CPM ou até duvida que a implementação de um escritório de projetos dê resultados (talvez acreditem que a soliticação direta de atividades seja mais efetiva), e eu não vou perder meu sono por causa disso.

Ou seja, eu ACEITO que muitos sejam ignorantes em relação ao PERT/CPM ou à elaboração de uma matriz de risco. Somente não aceito quando, é claro, essa ignorância ou descrença em um profissional que for contratado como Gerente de Projetos. Mas quanto aos outros? Simplesmente não importam…

Já os novos evolucionistas acham um PROBLEMA TERRÍVEL o fato de 40% das pessoas não darem a mínima para a Teoria da Evolução a ponto de rejeitá-la e até substituí-la por uma crença baseada na interpretação literal (e errônea) da Bíblia, o Criacionismo. Por não aceitarem a teoria deles ser ignorada, rejeitada ou desprezada, eles se tornam PREGADORES de evolucionismo. Desde quando uma teoria científica precisa ser pregada em público? Que eu saiba, ela precisa ser praticada e executada pelos cientistas, e se os leigos não acreditam, é só dizer fuck off…

Ao invés de ignorar e deixar os criacionistas da Terra Jovem irem para a mesma vala em que os descrentes na viagem à lua foram, eles tomam o caminho oposto, e passam a dedicar a sua vida à ficar brigando com criacionistas. Aliás, a própria carreira de Dawkins em sua maioria (tirando o livro “Deus, Um Delírio”) se baseia em responder a criacionistas.

Não duvido que muitos adeptos do ateísmo militante decidiram entrar para a faculdade única e exclusivamente para sair com o diploma, dar algumas aulinhas, fazer “pose” de cientista, e então praticar o que mais gosta: brigar com criacionistas. Criacionistas, estes, como eu já disse, que deveriam ser ignorados.

O problema chave para esse pessoal “novo evolucionista” é que, como eles não conseguem entender a teoria da evolução apenas como teoria científica, e sim como ideologia (a ser extrapolada indevidamente para qualquer área imaginável), eles não conseguem aceitar a existência de seres humanos que queiram ignorar a Teoria Evolucionista.

A baixaria é tamanha que hoje em dia temos que filtrar o material a ser lido quando se fala em evolução. Quando avaliamos um material, será que se trata de um pesquisador sério ou de um ateu e/ou marxista que no fato apenas diz que divulga ou estuda evolucionismo, mas que no fundo quer mesmo é discutir ideologia?

Nesse cenário, é óbvio, não são apenas esses novos “evos” os únicos responsáveis pela baixaria e até prejuízo à ciência.

Aliás, há um outro grupo que anda prejudicando tanto a ciência quanto eles. E são os… criacionistas, tema dos próximos 2 textos dessa série, “Baixarias na Biologia”.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 26, 2010 em 11:23 pm

Os ateus úteis

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O vídeo acima é antigo, e é parte de uma entrevista que Yuri Alexandrovich Bezmenov, ex-agente da KGB, forneceu a G. Edward Griffin. A entrevista completa foi lançada em DVD sob o título “Soviet Subversion of Free World Press”.

O curioso é quando Yuri, ex-agente da KGB, conta como o governo marxista-leninista fazia uso dos idiotas úteis, que, ao final das contas, são descartáveis. É mais ou menos gente como Mário Maestri, tratado no post anterior deste blog: “O Fanatismo Ateísta como Militância Social, por Mário Maestri”.

Segundo Yuri, os idiotas úteis tem apenas um propósito, para tais iniciativas: “Eles servem para alguma coisa apenas durante a etapa de desestabilização de uma nação”.

Ou seja, são os marxistas de faculdade, como o professor Carlão, ou os militantes ateus, como os membros da LiHS, ATEA e UNA, ou os gayzistas, dentre outros.

Cada grupo executando sua agenda, enquanto os líderes marxistas-leninistas (ie. Lula, Dilma Roussef, etc.) esperam colher os frutos no futuro.

E mesmo que um neo ateu proteste “ah, eu defendo Dawkins, mas eu não sou marxista nem comunista”, isso não importa, pois ainda assim ele executa, de forma “útil”, a agenda que os revolucionários prepararam para ele. Ou seja, mesmo que ele não se declare marxista, ele ainda pode ser útil à causa.

E o mais curioso é que o mesmo ocorre nos Estados Unidos, com a doutrinação marxista-leninista no ensino.

Justamente por isso quando neo ateus aparecem em público para contar vantagens (“ah, temos maioria dos cientistas que são ateus, uhuuu”), isso é um fator que eles deviam na verdade esconder, pois não passa de uma evidência clara de que isso resulta muito provavelmente de um foco de doutrinação revolucionária.

Em suma, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, neo ateus possuem uma utilidade, e são descartáveis.

A luta obsessiva deles é, claro, contra os valores absolutos de pessoas de mente aristotélica (a qual é muito valorizada pela Igreja Católica, dentre outras perspectivas conservadoras). O epicurismo, o niilismo e o relativismo são a lei, para eles. Mas é claro! É assim que eles precisam pensar, para serem úteis.

Sendo que as evidências são incontestáveis, só fica uma dúvida ao final: será o Richard Dawkins um espertão ou um idiota útil?

Quanto a isso não tenho a resposta. Mas com certeza seus seguidores são idiotas úteis.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 25, 2010 em 11:53 pm

O fanatismo ateísta como militância social, por Mário Maestri

com 5 comentários

Um tal de Mário Maestri escreveu em blog do qual ele participa o seguinte texto conclamando a garotada ateísta para a militância. O texto é entitulado “O Ateísmo como Militância Social”.

Vejam só o currículo da figura: “Mário Maestri, 61, é rio-grandense, historiador, ex-refugiado político, ateu, marxista, comunista sem partido, casado [há 32 anos], pai de dois filhos, com um neto. Viveu no Chile, México, Bélgica, Itália e Brasil. Trabalha no PPGH da UPF. Entre outros livros, escreveu, com a lingüista Florence Carboni: A linguagem escravizada [2ed. São Paulo: Expressão Popular, 2006.]“.

Só por esse “currículo” é alguém que, se eu vir na rua, eu fecho o vidro do carro.

Um sujeito que deveria estar dentro de uma jaula ainda ganha emprego para trabalhar como historiador. É geralmente o tipo de gente igual o tal Professor Carlão, que também já figurou nas páginas deste blog (checar esse link).

O seu texto é tão grotesco e cheio de mentiras (e fraudes intelectuais) que não dá nem para ser discutido seriamente. O único tratamento que dá para fazer com esse material é analisá-lo, da mesma forma que se faz com um exame fecal. Querem ver?

Vamos em frente…

Dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem, a militância ateísta é dever social inarredável, para todos os que se mobilizam pela redenção da humanidade da alienação social, material e espiritual que a submerge crescentemente neste início de milênio, ameaçando a sua própria existência. Por mais subjetiva, introspectiva e sublimada que se apresente, a crença religiosa, jamais nasce, se realiza e se esgota no indivíduo. Ela é fenômeno parido no mundo social, que influencia essencialmente a ação individual e coletiva.

Já começa mal, pois ele diz que a militância ateísta é dever social inarredável “dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem”.

O estranho é que todo o texto dele se baseia em respeito à crença individual DESDE QUE seja a crença ateísta. É, não estranhe, cabeça de marxista é assim mesmo…

Então sigamos:

Em forma mais ou menos radical, mais ou menos plena, mais ou menos consciente, a crença religiosa dissocia-se da objetividade material e social. Ela desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao ser humano superar sua origem animal e, percebendo a si e à natureza, começar a conhecer as leis imanentes ao mundo, na difícil, necessária e inconclusa luta pela harmonização da existência social. A crença religiosa nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade, encobrindo-as com as espessas sombras da irracionalidade, da subjetividade, do espiritualismo. Desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos, forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do “desconhecido”, sob o peso de alienação socialmente alimentada.

Como se nota, só frases de efeito e nenhum conteúdo.

Por exemplo, ele afirma que a crença relgiiosa se dissocia da objetividade material e social, só que ele não comprova como. Não há um argumento a respeito disso.

Ele diz que a crença religiosa desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao homem superar sua origem animal e “blá blá blá”, só que ele se esquece de que é a mente marxista que ignora todo o registro histórico, reescrevendo a história de acordo com a sua conveniência. A mente conservadora (e em muitos casos, religiosa) é aristotélica, portanto é a mente que respeita o passado histórico e todo o conhecimento adquirido. Detalhes…

Nota-se que, portanto, que Maestri segue exatamente a cartilha marxista, que usa o recurso “acuse-os do que fazemos”, tentando enfim jogar uma cortina de fumaça, pois o histórico da turma dele cheira mal.

Em seguida, ele diz que a crença religiosa “nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade”, e não consegue sequer dizer quais. É, eu avisei, Mário Maestri era só enrolation.

Ele ainda diz que a religião “desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos”, mas não consegue sequer dimensionar como. Será que não ensinaram método científico para esse sujeito? Se ele faz uma afirmação dessa, e não comprova o que afirma, o discurso dele vale o mesmo que um peido.

Essa parte é mais divertida ainda: “‘forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do “desconhecido”, ou seja, pura estratégia de insulto aprendida com Schopenhauer, mas nem de longe um argumento.

É assim que começa o show de parangolé marxista-ateísta de Maestri.

Mais:

A crença religiosa droga o ser social com suas ilusões infantis de redenção conquistada através da obediência incondicional a estranho super-pai que, em muitas das mais importantes tradições espiritualistas, apesar de onisciente, onipotente e onipresente, e, assim, capaz de tudo dar aos filhos, lançou-os – no singular e no plural – em desnecessária desassistência, miséria e tristeza. É porque é!

A questão de que a crença religiosa “droga o ser social” também nem de longe é argumento. É apenas frase de efeito.

Notem que até o momento Maestri nem começou a argumentar, e ele segue desse jeito até o fim.

Por exemplo, ele diz que as crenças religiosas são “ilusões infantis de redenção”, mas não define por que é infantil.

Engraçado quando ele termina o parágrafo com a frase “É porque é!”, talvez tentando atacar os oponentes religiosos, mas ela na verdade justamente classifica como Maestri argumenta. Do início ao fim, a veia argumentativa dele inexiste, sendo substituída por frases de efeito e conclusões no estilo do “É porque é!”.

Vamos em frente:

A essência anti-científica da religião, que não argumenta, pois se nutre da crença incondicional no arbitrário, materializa-se na oposição visceral, mais ou menos realizada, ao maior tesouro humano, a capacidade de diálogo e de compreensão tendencial do universo. Que o digam Galileu e Giordano Bruno! Daí sua histórica intolerância, desconfiança e ojeriza para com o pensamento científico. E, verdadeiro tiro no pé, seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais.

Lembram-se quando eu falei que marxistas usam o recurso “acuse-os do que fazemos”?

Ele diz que a religião “não argumenta” pois “se nutre da crença incondicional no arbitrário”.

Ué, mas isso é só o que se vê no texto de Maestri, que até agora não conseguiu implementar sequer um argumento válido e quer impor sua crença através de frases de efeito, mas não da razão.

O apelo à Galileu e Giordano Bruno é também um recurso desesperado, já devidamente refutado neste blog.

A tentativa de alegar “histórica intolerância, desconfiança e ojeriza” para com o pensamento científico é também de novo apenas o estratagema de implementar uma falsa dicotomia entre ciência X religião, ou seja, mero recurso de lavagem cerebral que Maestri tenta lançar sobre seus leitores. Com certeza, deve ter aluninho dele que fica com a cueca molhada ao ouvir isso que ele diz, chegando a lacrimejar. Mas somente se não fizer uma análise racional do discurso de Maestri, que é vazio.

Ah, e ainda tem a amostragem indevida, quando ele lança isso: “seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais”.

Só que, de maneira covarde, Maestri também não cita fontes de sua alegação.

A diversão prossegue:

O pensamento religioso nega e aborta o ativismo e o otimismo racionalistas e materialistas, nascidos da possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material. Impõe visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo, essencialmente petrificado e eternizado pela materialização de transcendência, à qual o homem deve apenas submeter-se e render-se, para merecer a liberação.

O curioso é que ele tenta associar “ativismo e otimismo racionalistas e materialistas” diretamente com “possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material”.

Não tem nada a ver, ele simplesmente praticou aqui a falácia da falsa causa.

Em seguida, ele sugere que a religião impõe “visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo”.

Engraçado que ele não explica que como tal visão pessimista, quietista e introspectiva foi uma das principais responsáveis por chutar os fundilhos dos comunistas na Europa após o final da Segunda Grande Guerra.

Claro que Maestri tenta esconder essas informações, pois não está nem um pouco comprometido com a verdade, somente em aliciar garotos ingênuos para se tornarem “idiotas utéis” como ele.

Mais diversão:

Para tais visões, o ativismo e otimismo social são incongruências, ao não haver imperfeição social superável, já que esta última nasce da própria natureza humana, habitada pelo mal e pelo pecado, devido ao desrespeito a interdições primordiais do pai eterno – olha aí ele de novo –, origem do pecado. Pecado que exige incessante expiação e penitência, lançando o ser religioso em triste e mórbido mundo de culpa, de submissão, de punição. Ativismo e otimismo sociais impensáveis para uma forma de compreender a sociedade em que não há história. Ou o que compreendemos como história se mostra ininteligível, pois regida essencialmente por determinações transcendentais paridas e concluídas à margem das práticas humanas. Realidade à qual, segundo tal visão, podemos ascender, muito limitadamente, apenas através da revelação.

Todo esse cirquinho do Maestri é simplesmente para dizer que “devemos confiar no homem, cegamente, e esse papo de uma moral absoluta é uma bobagem”.

Quer dizer, é um discurso de lavagem cerebral que ele tenta, recheado de falácias do espantalho (como todo o parágrafo dele é baseado em espantalhos da religião, nem preciso citá-las), mas sempre com o objetivo fundamental: confie unicamente no homem. Algo como “se nós, do partido, dissermos que fazer X é bom, acredite, e confie!”.

Resumindo, ele simplesmente tenta implementar a credulidade cega para que os discípulos acreditem em picaretas militantes como ele.

Seguimos:

Na sua petrificação a-social e a-histórica, um mundo chato, triste, deprimente, infantil, mórbido. Um universo que valoriza a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade, a transcendência, a espiritualidade, etc., valores e comportamentos historicamente explorados pelos opressores, no esforço de manter o mundo imóvel, através de alienação e submissão dos oprimidos, nesta vida, é claro, pois na outra, se sentarão à direita de deus-pai.

Provavelmente ele não conheceu todos os religiosos, ou seu cérebro traumatizado já editou o quanto as pessoas orientadas pela perspectiva religiosa já fizeram pelo mundo.

Mas, para não perder o foco, fico só no exemplo do que já citei: não fossem as Cruzadas, não teríamos construído a civilização ocidental. Não fossem os líderes religiosos, não teríamos expulso o câncer comunista de vários países da Europa.

Embora no Brasil o comunismo esteja atualmente vencendo, basta um pequeno levante conservador para de novo colocar a ordem na casa de novo.

Sendo assim, Maestri tenta provocar os oponentes com frases como “a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade”, e nisso eu até concordaria com ele, em alguns casos.

Só que quando o religioso deixa esses aspectos um pouco de lado, doenças como o marxismo são eliminadas.

Ele devia agradecer a momentos históricos em que líderes religiosos pregam a “paciência, quietismo, humildade, etc.”, pois é só em momentos assim que gente como Maestri consegue algum destaque.

Em momentos em que o religioso não interpreta tão literalmente isso (e entende essas atitudes como as que deve ter em relação a Deus, apenas, e não politicamente), a turminha do Maestri só contabiliza histórias vergonhosas, pois são escurraçados feito cachorro ladrão.

Maestri prossegue:

O ateísmo militante é necessário ao retrocesso da alienação, enormemente crescente em tempos de vitória da contra-revolução neoliberal. Ele impõe-se na luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno, em que o homem seja o amigo, não o lobo do homem. É imprescindível ao esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor, materiais e espirituais, nos limites férreos da natureza humana historicamente determinada.

Pelo contrário, no Brasil o que temos é uma revolução comunista em vigência.

Claro que como todos já conhecem o chororô marxista, todos sabem que discursos como o de Maestri, que incluem “luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno”, é apenas a palavra-chave para “confie na gente, pois quando começarmos com as barbáries em nome da CLASSE, vocês já estarão hipnotizados”.

Maestri tem motivos para temer a religião, pois com os valores defendidos por ela, os genocídios da Rússia Comunista e da China (que ele omite, espertamente) não seriam tão facilitados…

Esse papo dele, então, de falar em “esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor” é somente joguete de palavras, mas nem de longe ele consegue comprovar historicamente que a turminha dele realmente luta por isso mesmo.

Mesmo assim, ele ainda afirma que sua campanha é “democrática”:

O ateísmo militante é democrático, pois tem como essencial meio de pregação a conscientização, individual e coletiva, da necessidade de assentar as práticas sociais nos valores da humanidade, da racionalidade, da liberdade, da solidariedade, da igualdade. Pregação racionalista e materialista que compreende que a superação da alienação espiritual será materializada plenamente apenas através da superação da alienação social e material.

Vejamos, até hoje o ateísmo militante não tem outras finalidades que não escarnecer dos religiosos, e MENTIR sobre os oponentes. É só isso, numa cópia da campanha marxista (só que aplicada na questão religião), baseada na Estratégia Gramsciana, que segue esses princípios.

É a isso que ele chama de “democrático”.

Como sempre, o marxista na hora de falar de valores sempre se engasga. Ele sabe que não tem sequer percepção do que é um valor, em termos sociais.

O mais engraçado é quando ele confessa, ao final:

O que exige intransigente luta política, cultural e ideológica pela defesa dos maltratados valores do laicismo, única base possível para convivência social mínima por sobre crenças religiosas, étnicas, ideológicas, etc. singulares. Laicismo agredido pela despudorada exploração mercantil, política e social, direta ou indireta, por parte das religiões novas e antigas, da crescente anomia popular contemporânea. O monopólio público da educação e da grande mídia televisiva e radiofônica, sob controle democrático, e a ilegalização do escorcho religioso popular direto são pontos programáticos dessa mobilização.

O cara está tão perdido que confessa que quer implementar atitudes desonestas. Notem o uso do termo “intransigente”, e acha isso tudo muito lindo!

É claro que um sujeito assim tem que lutar contra a moral absoluta defendida pelos aristotélicos e pelos religiosos mesmo, pois ele simplesmente tem que vender valores espúrios para a garotada. É assim que funciona a mente dele. É assim que os “idiotas úteis” manipulados pelo “partidão” agem.

Depois de se fazer de coitadinho (“maltratados valores do laicismo” e blá blá blá), ele ainda sugere as seguintes atividades:

  • O monopólio público da educação e da grande mídia, sob controle democrático (*);
  • Ilegalização do escorcho religioso popular direto.

Ele chama a isso de “pontos programáticos dessa mobilização”.

O cara não quer nem saber. Ele divulga em público que o negócio da turminha dele é jogar sujo mesmo, e se ORGULHA DISSO!

É epicurismo na veia!

O final, do texto, sub-entitulado de “Ceu e o Inferno”, vem abaixo:

O ateísmo militante é pregação de adultos, conscientes do limite e dos perigos de empreitada subversiva, dessacralizadora e mobilizadora, pois voltada para a necessidade do homem de retomar as rédeas de sua vida material e espiritual, no aqui e no agora. É jornada sem esperanças de premiações e de graças, na outra vida e sobretudo nessa, ao contrário do habitual nas religiões oferecidas como vias expressas para o sucesso individual, no rentável balcão da exploração da alienação.

O racionalismo militante é caminho difícil que premia os que nele perseveram com a experiência, mesmo fugidia, com o que há de melhor nos seres humanos, a racionalidade, a solidariedade, a fraternidade. Sentimentos e práticas vividos em forma direta, sem tabelas, pois a única ponte que liga os homens são as lançadas entre os próprios homens, construídos pela história à imagem e semelhança dos homens.

A vida racional é aventura recompensada sobretudo pelo inebriante desvelamento do encoberto pela ignorância e irracionalidade e pelo equilíbrio obtido na procura da harmonia social, por mais difícil e limitada que seja. Trata-se de caminho que permite, sem sonhar nem crer, seguir decifrando, alegre e desvairadamente, esse mundo crescentemente encantado e terrível. Viagem por esta vida terrena, valiosa, breve e única, sempre apoiada na lembrança de que, diante das penas e tristezas, não se há de se rir ou chorar, mas sobretudo entender, para poder transformar.

Uma experiência de vida que, mesmo bordejando não raro o inferno, ou sendo elevado fugidamente aos reinos dos céus, sabe-se que tudo se passa e se conclui nesse mundo, concreto, terrivelmente triste e belo, sobre o qual somos plena, total, sem desculpas e irremediavelmente responsáveis.

Isso tudo é só discurso de auto-ajuda para conclamar seus discípulos para a “luta”.

É esse o nível de muitos professores de história no Brasil.

Esse tipo de gente tem que ter as aulas filmadas e AUDITADAS

Tudo que ele faz aqui não passa de discurso de ódio e difamação, sintoma de gente que não tem limites na hora de lutar por sua cosmovisão bizarra de mundo.

É hora de tomar cuidado e desmascarar pessoas deste naipe.

(*) Leia-se por isso uma “elite” intelectual marxista, que eles lutarão para colocar no poder, e efetuar o “monopólio”, tal qual defendido por Gramsci.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 24, 2010 em 11:20 pm

Deus, Um Delírio – Capítulo 5 – Pt. 2 – Um Vendedor de Neo Ateísmo

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Quem é consultor muitas vezes precisa dar conselhos a respeito de aceitação ou não de determinada iniciativa organizacional. Por exemplo, investimos em uma reformulação do parque tecnológico? Terceirizamos a TI? Utilizamos um número maior de fornecedores ou apenas um pequeno grupo deles, a serem tratados como parceiros de negócio? São questões que são avaliadas na perspectiva da “vantagem” a ser obtida pela decisão. A consultoria, nesses momentos, ajuda bastante com o expertise adquirido na indústria.

Dawkins tenta inovar e dar consultoria a respeito de tomada de decisão para aceite ou não de religião. Se na indústria, o critério utilizado é o alinhamento com o negócio, na visão de Dawkins, o critério será a vantagem evolutiva. Claro que é uma iniciativa desde o início bizarra e grotesca, tanto que se eu visse alguém no dia-a-dia com essa conversinha, o que eu faria imediatamente é dar uma explicação básica à pessoa a respeito do risco de envolvimento com crack e outras drogas pesadas.

Mas como os leitores de Dawkins não possuem o dom do raciocínio crítico, o discurso dawkinista é aceito na íntegra por esse pessoal. É por isso que papelões como os que você verá nesta seção são tratados pelos discípulos de Dawkins como se fossem raciocínios de verdade. Comecemos, então:

Há algumas poucas evidências de que a crença religiosa protege as pessoas de doenças relacionadas ao estresse. As evidências não são fortes, mas não seria de surpreender se elas fossem verdadeiras, pelo mesmo motivo que as curas movidas pela fé podem funcionar em alguns casos. Quem dera não fosse necessário acrescentar que tais efeitos benéficos de maneira nenhuma reforçam o valor de verdade das alegações da religião.

Para dar a consultoria em relação à tomada de decisão, o consultor Richard Dawkins começa a assumir os supostos benefícios. O primeiro “benefício” que ele trata considera a religião como algo para “proteger pessoas de doenças relacionadas ao estresse”. O que é no mínimo esquisito, pois ainda que ele mesmo reconheça que as curas movidas pela fé podem funcionar em alguns casos, esse naturalmente não é um dos objetivos da religião.  De uma hora para outra, ele afirma o seguinte: “Quem dera não fosse necessário acrescentar que tais efeitos benéficos de maneira nenhuma reforçam o valor de verdade das alegações da religião.”

A ignorância dele é surpreendente, pois não é necessário acrescentar essa informação, pois o título da subseção que o Dawkins abriu era “Vantagens da Religião”, o que significa que ele está assumindo a perspectiva utilitarista, e não a perspectiva que busca o valor de verdade de uma proposição. Ora, se ele está tratando de algo na perspectiva utilitarista, então o valor de verdade da proposta é irrelevante nesta análise, basta saber se a “vantagem” vai ocorrer ou não. Como sempre, falta não só lógica, como também consistência ao discurso dawkinista.

Na tentativa de fazer piadinha, o apelo dele também não é dos melhores:

Nas palavras de George Bernard Shaw, “o fato de um crente ser mais feliz que um cético não quer dizer muito mais que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio”.

Decerto, pois eu sou cético em relação ao discurso de Dawkins, e fico muito “feliz” (para usar a terminologia dele) quando refuto suas alegações. Logo, a premissa de que crença traz mais felicidade que questionamento é no mínimo duvidosa. Não mais duvidosa do que a premissa de que um bêbado é mais feliz do que um sóbrio. Eu não bebo e acho que estou em vantagem em relação a um ébrio, na maioria dos quesitos. Em suma, provocação mirim em texto argumentativo, Dawkins? Ridículo…

Sendo que ele não vai muito adiante no caso da “consultoria de religião” com foco em redução de doenças ou stress, ele tenta agora fazer consultoria em relação a “consolo”:

Parte do que um médico pode dar ao paciente é consolo e conforto. Isso não deve ser considerado uma aberração. Meu médico não pratica a cura pela fé postando as mãos sobre mim. [...] O efeito placebo está bem documentado e nem é tão misterioso assim. [...] Será a religião um placebo que prolonga a vida reduzindo o estresse? Ê provável, embora a teoria tenha de enfrentar um batalhão de céticos, que chamam a atenção para as muitas circunstâncias em que a religião mais causa que alivia o estresse. É difícil acreditar, por exemplo, que a saúde saia ganhando com o estado semipermanente de culpa mórbida de que sofre um católico dotado da dose normal de fragilidade humana e de uma dose de inteligência abaixo da normal.

Assim como eu já afirmei anteriormente, provocação de Jardim de Infância não se refuta, mas se parodia. Segue: “Assim como é difícil acreditar, por exemplo, que a saúde saia ganhando com o estado semipermanente de culpa mórbida por não estar sendo uma boa “máquina de sobrevivência” dos genes de que sofre um leitor de Dawkins dotado de dose normal de fragilidade humana e de uma dose de inteligência abaixo da normal.”
Como pode ser notado, o argumento é tão ruim e pueril que dá para refutá-lo de olhos fechados. É só investigar para descobrir de imediato os furos na alegação: no caso, ele nem de longe provou existência de “culpa mórbida” em quem quer que seja. De novo é apenas a postura similar a dos marxistas militantes: mentir sobre os oponentes.

Sendo que Dawkins foi infantil demais nessa, passemos ao próximo ponto:

Em todo caso, acho que a teoria do placebo não é suficiente para justificar o fenômeno de penetração tão global que é a religião. Não acredito que o motivo de termos religião seja o fato de ela ter reduzido os níveis de estresse de nossos ancestrais. Não é uma teoria boa o suficiente para dar conta do serviço, embora possa ter tido um papel subsidiário.

Pelo menos Dawkins confessou que por enquanto ele está só enrolando e praticando falácias “olha o avião”. Mas mesmo que seja apenas uma enrolação, até nisso ele já se engasga, pois ele define que essa tese “não é boa o suficiente”. Qualquer leitor racional sabe que não é uma tese boa mesmo, isso já é evidente, pela simples falta de evidência que a corrobore. Mas Dawkins não usa esse critério para descartar a teoria, e sim o fato de que ela não permite que ele atribua à religião um rótulo pejorativo, pois, se a religião fosse para reduzir o estresse, isso prejudicaria o seu “caso” contra a religião. Em todo o caso, fica evidente qual é o critério utilizado por Dawkins para definir o que é uma boa ou má teoria sobre religião: tudo é baseado única e exclusivamente no fator de difamação. Se for possível executar uma difamação, para ele é uma boa tese. Se não for, ele descarta.

Desta forma, ele prossegue:

A religião é um fenômeno de grandes dimensões e precisa de uma teoria de grandes dimensões para explicá-la. Outras teorias nem tocam na questão das explicações darwinianas. Estou falando de sugestões como “a religião satisfaz nossa curiosidade sobre o universo e sobre nosso lugar nele”, ou “a religião oferece consolo”. Pode haver alguma verdade psicológica nisso [...] mas nenhuma delas é uma explicação darwiniana.

No capítulo 4, eu apresentei o contexto em que Dawkins executa a estratégia do falso deslumbre sobre a teoria da evolução. Pois é exatamente o que continua ocorrendo com Richard Dawkins aqui. E, de forma contraditória, para tentar validar a explicação darwiniana que ele tentará, Dawkins assume que a religião seria um fenômeno de grandes proporções. Nisso eu concordo com ele, e, como disse Alister McGrath, a religião chega a ser um epifenômeno. O problema é que, justamente por ser um epifenômeno, é aí que a teoria evolucionista (que, não esqueçamos, é útil para descrever o processo de especiação) não produz resultados satisfatórios. O motivo é simples: o escopo da teoria da evolução é reduzido, e só produz resultados testáveis na questão das modificações físicas evidenciadas nas espécies na luta pela adaptação ao meio. E, só para não perder o costume, Dawkins assume que qualquer explicação que não for darwiniana não serve.

É praticamente a atitude de uma criança birrenta que grita com a mãe “eu quero por que quero”, mas não consegue dar um argumento a seu favor, a não ser a insistência. Já tratei deste assunto no capítulo 4 desta refutação, e aqui é apenas a sequência daquele erro anterior que Dawkins continua cometendo.

Por exemplo, não há não há nenhuma explicação darwiniana para a mente revolucionária, que deriva em comportamentos fanáticos como o neo ateísmo (e também o marxismo), e até mesmo a mãe de todos os raciocínios tortos, o epicurismo. Ainda assim, pode-se estudar este modelo comportamental sem apelar a teorias fajutas da sociobiologia e psicologia evolutiva. A não ser, é claro, para birrentos como Dawkins.

Aliás, a essa altura do campeonato, Dawkins tentou apelar ao argumento manjado de Ludwig Feuerbach, feito em 1941.Para isso, recomendam a refutação já feita neste blog, entitulada “O Teste de Paródia esmaga Feuerbach”.

Depois do cirquinho dawkinista, agora ele cita Michael Persinger:

A causa aproximada da religião pode ser a hiperatividade de determinada área do cérebro. Não explorarei a idéia neurológica de que haja um “centro divino” no cérebro porque não estou preocupado aqui com questões aproximadas. Isso não significa depreciá-las. Recomendo o livro How we believe: The search for God in an age of science para uma discussão sucinta, que inclui a sugestão, feita por Michael Persinger, entre outros, de que experiências religiosas visuais estão ligadas à epilepsia do lobo temporal.

Esse é o tipo de pesquisa geralmente obscura, normalmente vinda de algum neurocientista (que não representa a categoria dos neurocientistas, por sorte) que já assumiu uma posição de pregação do neo ateísmo, e não se importa se os experimentos realizados são suspeitos. Não é raro você encontrar pesquisas do tipo sempre com pouquíssimos participantes. O problema desse tipo de alegação seria comprovar que 85% das pessoas possuiriam epilepsia do lobo temporal. Pois há países com 85% de pessoas religiosas.

Uma investigação que fiz sobre Persinger mostrou que ele possui conexões com Susan Blackmore, a qual é proponente da teoria memética de Richard Dawkins. As declarações de Persinger podem ser qualificadas como conflito de interesses, e já colocadas sob suspeita. A bizarrice das declarações é tamanha que ele certa vez fez um “experimento” em 1980 no qual ele dizia (não é para rir) que a partir da estimulação artificial dos lobos temporais com um campo magnético ele induzia as pessoas a um… estado religioso. É mole? Quer dizer, será que o sujeito inventou uma nova definição para religião? Seria um estado em que eu “sou religioso”. Mas vejam que novidade: se eu não tenho a “estimulação do lobo temporal”, então eu não sou religioso? O problema é que ele depois alegou que a sensação do campo era de uma “presença etérea no quarto”. Agora vamos as definições de religião. Para uma pessoa normal e não alucinada, uma descrição da religião envolve muitos aspectos, como diz Alister McGrath em “O Delírio de Dawkins”:

Uma descrição mais fiel deve referenciar seus muitos aspectos, incluindo conhecimento, crenças, experiências, práticas ritualísticas, filiação social, motivação e conseqüências comportamentais.

Só que na definição de Persinger, religião é um “estado em que se sente presença etérea no quarto”. Naturalmente, que Persinger não é alguém que se leve a sério.

Dawkins, que apóia a pesquisa de Persinger (mais um motivo para suspeitar), escondeu o fato de que a revista Nature, em Dezembro de 2004, mostrou que um grupo de pesquisadores suecos, tentando replicar o experimento em condições duplo-cego, não conseguiu verificar o efeito alegado. Mais uma vez, quem foi que correu em apoio a Persinger? Susan Blackmore, eterna militante da causa de Dawkins. Susan Blackmore teria declarado o seguinte:

Quando eu visitei o laboratório de Persinger e conheci seus procedimentos eu conheci as experiências mais extraordinárias que já tive… Eu ficaria surpresa se tais resultados fossem originados de um efeito Placebo.

Vejamos: declaração baseada em evidência anedota agora é usada para tentar salvar Persinger? Como se nota, a defesa de Susan Blackmore não é diferente de quando um curandeiro da TV chama seus amigos e já adeptos para declararem a eficiência da mediunidade ou da leitura da borra de café a seu favor.

E tentando como sempre “dar uma forcinha”, Dawkins ainda em 2003, disse:

O experimento é baseado em recente descoberta que mostra que alguns pacientes com epilepsia do lobo temporal, uma desordem neurológica causada por descargas elétricas caóticas que trazem fortes semelhanças com experiências místicas de figuras sagradas como São Paulo e Moisés.

Podemos concluir que se o estudo do Michael Persinger, contestado no futuro, ainda teve como principais apoiadores Richard Dawkins e Susan Blackmore, isso está mais para um estudo de caso sobre o uso de engenharia social do que realmente uma abordagem científica deles.

O mais engraçado vem a seguir:

Mas minha preocupação neste capítulo é com as explicações darwinianas finais. Se os neurocientistas encontrarem um “centro divino” no cérebro, cientistas darwinianos como eu ainda vão querer entender a pressão da seleção natural que favoreceu sua evolução. Por que nossos ancestrais que tinham uma tendência genética para desenvolver um centro divino sobreviveram e tiveram mais netos que seus rivais que não tinham essa tendência?

Como de costume, segue o ad nauseam de Dawkins na tentativa de dizer que a explicação tem que ser darwinista. E qual a justificativa dele para isso? Independente do que neurocientistas encontrarem, ele ainda diz que vai querer a explicação sob a perspectiva da seleção natural. O problema é que o fato dele querer saber por Darwin, não implica na validade desta explicação.

Além do mais, se nos basearmos até agora no entendimento do que Dawkins chama de “divino”, de que adianta estudar algo que nada tem a ver com a religiosidade dos religiosos? Ele buscará uma explicação darwiniana de algo que ele diz que é religião, mas que não tem nada a ver com a religião dos seus adversários (os religiosos). É fácil notar que, no decorrer deste capítulo e também no capítulo 6, essa é justamente a estratégia que ele tentará levar até o final em sua diatribe. Ele cria um espantalho de religião, simplório, e finge que o explica pela seleção natural. Na verdade, nem é pela seleção natural que ele explica, e sim pelas pseudociências que ele defende (gene egoísta e memética). Em resumo, ele é um Houdini do ateísmo. É só truques, que um cético perspicaz desmonta fácil.

Notem que o ad nauseam prossegue:

Os darwinianos também não se satisfazem com explicações políticas, como “a religião é um instrumento utilizado pela classe dominante para subjugar as classes inferiores”. É verdade que os escravos negros da América eram consolados com promessas sobre outra vida, o que aliviava sua insatisfação com a atual e portanto beneficiava seus proprietários.

Ele já se contradiz, pois ele diz que como darwiniano não aceita a explicação X, mas diz que a explicação X é verdade para explicar a idéia de que os escravos negros podiam ser consolados com promessas sobre outra vida, e isso aliviaria sua insatisfação com a situação atual, e portanto beneficiaria seus proprietários. A explicação X, no caso, é a idéia de que “religião atende às classes dominantes para subjugar as classes inferiores”.

É coisa de louco, pois mesmo que ele finja que não aceite a explicação, diz que ela é aplicável e cita um exemplo. O fato é que, como bom portador da mente revolucionária, Dawkins não pode largar as doutrinas de Marx, como essa de que “religião é para opressão dos fortes sobre os fracos”. Ele simplesmente não pode abandonar isso, mas mesmo assim ele ainda tem que vender outra abordagem, que ele tentará mais a frente, que é de explicar tudo pelo gene egoísta e memética. Não importe as variantes que ele escolha, é tudo pseudo-ciência. Mas não deixa de ser cômico notar que ele aceita que a explicação X, conforme citei, explicaria por que os escravos seriam submissos. O problema é que os escravos eram submissos bem antes do estabelecimento das religiões. Ainda assim, outro fator ridículo na explicação marxista que Dawkins engoliu é o fato de que, se a religião servia como desmotivador para a luta para os escravos submissos, por que não serviu como desmotivador para os escravagistas? Detalhes…

E, como bom doutrinador de PNL, Dawkins tem que de novo implementar a estratégia do disco quebrado:

Mas ela não é, em si, uma questão darwiniana. O darwinista ainda quer saber por que as pessoas são vulneráveis aos encantos da religião e portanto abertas à exploração por parte de padres, políticos e reis.

Aqui, de novo ele tenta tratar a questão por “vulnerabilidade”, o que já mostra que de ciência esse argumento não tem nada – não passa de fricote e provocação pueril. Vamos ao teste da paródia:

• Para o futebol: “Ah, você é vulnerável ao futebol, e aos encantos da torcida organizada, e aberto à exploração de dirigentes de futebol”.
• Para o ateísmo: “Ah, você é vulnerável ao ateísmo, e aos encantos das teorias fantasiosas de Dawkins, e aberto à exploração de gurus ateístas de PNL”.

Como sempre, a explicação dele de novo se aplica à tudo, mas sem ele dimensionar vulnerabilidade em padrões científicos ela não significa absolutamente nada em termos argumentativos. Como ele não dimensionou (eu duvido que ele conseguiria, pois cientificamente ele é limitado), temos ainda que avaliar outro problema que ele arrumou para si próprio, pois Dawkins de novo foca em associar aceite da religião com abertura à exploração por parte de padres, políticos e reis. Mas que raio tem a ver religião com exploração por políticos e reis? E não era o Dawkins que disse que iria fugir de explicações como “a religião é um instrumento utilizado pela classe dominante para subjugar as classes inferiores? É, não tem como fugir disso, pois é evidente que a formação mental que ele teve é com Bertrand Russell e Marx.

De qualquer forma, basta apresentar um bom número de religiosos não filiados a igreja alguma que a teoria de Dawkins fracassa, por exemplo, ao dizer que eu seria “explorado por padres, políticos e reis”. Curiosamente, presenciei certa vez um discípulo de Dawkins tentando duelar com religiosos em um desses fóruns de debate da vida, e chegou usando frases como “Se você é religioso, então significa que você deixa algum padre te explorar”. O infeliz teve que ouvir respostas do tipo: “Quem disse que sou explorado por algum padre, idiota?” e “O que você sabe de mim, imbecil?”. Em suma, esse tipo de provocação que o Dawkins ensina aos leitores dele não serve e ainda permite uma retaliação à altura e com muita autoridade, pois basta um erro do neo ateu em relação a como o religioso leva a sua vida, para que o neo ateu fique vulnerável ao tentar atacar o comportamento do religioso.

Aliás, mesmo para os religiosos filiados a alguma entidade religiosa, Dawkins não dimensiona a exploração. Por exemplo, doar o dízimo é uma exploração? Mas doar dinheiro para uma ONG do Dawkins não é? O que qualifica um como exploração e não o outro? Geralmente, duelistas neo ateus travam quando são questionados sobre isso.

Mais:

Um manipulador cínico pode usar o desejo sexual como instrumento de poder político, mas ainda precisamos da explicação darwiniana de como isso funciona.

Agora talvez descobrimos o porque da grande amizade entre Dawkins e Dennett. Ambos possuem a mesma mania de implementação da petição de princípio, e praticam ad nauseam utilizando-se da estratégia PNL do Disco Quebrado para hipnotizar os leitores. Para vocês terem uma idéia, o livro “Quebrando o Encanto”, de Daniel Dennett, possui pouco mais de 350 páginas, mas ele gasta quase um terço do livro só para justificar (e não consegue, a não ser para os ateus e simpatizantes) uma teoria que ele defende, de que as religiões teriam que ser avaliadas em torno de um benefício avaliado sob a perspectiva da seleção natural (de novo, não dêem risada). Como a explicação é pífia, Dennett executa a técnica do disco quebrado incessantemente, de forma que pessoas de mente fraca, ao lerem o livro dele, podem sair da sessão de lavagem cerebral incapazes de ver o mundo a não ser sob o prisma darwinista.

E como vocês viram as repetições excessivas de Dawkins com frases no estilo “Tem que ser explicação darwinista”, “Ah, eu morro se não for explicação darwinista!”, “É Darwin na cabeça, mano!”, mostram que eu não estou exagerando. Mas ainda assim, Dawkins não chega perto da estratégia de repetição que seu amigo Dennett fez naquele livro. É simplesmente algo inacreditável até para gurus como Lair Ribeiro.

O que importa, para essa seção, é que a abordagem consultiva sobre “as vantagens da religião”, feita por Dawkins foi exatamente pela mesma linha pseudocientífica e falaciosa do que seu parceiro de luta, Dennett.

Entretanto, a coisa é mais séria do que parece, pois mesmo que qualquer pessoa racional dê risada dessas fantasias da dupla, os discípulos dele parecem acreditar nesse parangolé todo fielmente.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 24, 2010 em 2:37 am

O teste de paródia esmaga Feuerbach

com 44 comentários

Em cada disciplina (Gestão de Projetos, Gestão de Projetos, TI, Finanças, etc.) , auditores são orientados a utilizar uma série específica de testes, que podem ser utilizados para validar ou não um objeto sob análise.

Como neste blog divulgo a auditoria em textos argumentativos (focado na investigação de textos neo ateístas, e textos de outros tipos de mente revolucionária também), é natural que eu comente alguma das técnicas que podem ser utilizadas.

O teste de paródia envolve criar uma nova versão do argumento sob análise de forma a avaliar se ele é pertinente ou não.

Neste teste, identificamos se a “cópia” do argumento é tão aplicável quanto a original.

Caso seja, há fortes suspeitas de estarmos diante de uma fraude intelectual.

Vejamos nesse exemplo do argumento de Feuerbach usado para atacar a religião, feito em 1841:

(1) Não existe Deus
(2) Mas muitas pessoas acreditam em Deus. Por quê?
(3) Porque elas querem consolação.
(4) Assim, elas “projetam” ou “objetivam” seus desejos e chamam a isso de “Deus”.
(5) Assim, esse “Deus” não-existente é apenas a projeção dos desejos humanos.

Vamos, então, à primeira paródia, no caso, substituiremos “crença em Deus” por “crença no amor”:

(1) Não existe o amor.
(2) Mas muitas pessoas acreditam no amor. Por quê?
(3) Porque elas querem consolação.
(4) Assim, elas “projetam” ou “objetivam” seus desejos e chamam a isso de “amor”.
(5) Assim, esse “amor” não-existente é apenas a projeção dos desejos humanos.

Como se nota, fácil demais, e a afirmação original é facilmente parodiável.

Mas dá para fazer o mesmo para o ateísmo? Vejamos:

(1) Existe Deus.
(2) Mas muitas pessoas não acreditam em Deus. Por quê?
(3) Porque elas querem consolação.
(4) Assim, elas “projetam” ou “objetivam” seus desejos e chamam a isso de “inexistência de Deus”.
(5) Assim, essa “inexistência de Deus”, inválida, é apenas a projeção dos desejos humanos.

Tanto as duas paródias como a primeira são igualmente verificáveis empiricamente. Quer dizer: há zero evidências empíricas para cada.

Mas poderia a parodia em si ser o suficiente para esmagar uma argumentação? Não.

Se um argumento é tão facilmente parodiável como este, temos suspeitas fortes de que estamos diante de uma picaretagem, e a partir daí aplicamos os testes de consistência tradicionais na busca de erros lógicos.

Só no argumento de Feuerbach, de cinco linhas, encontrei 2 erros graves:

Erro 1: A afirmação (1) “Deus não existe” é uma premissa falsa, além, é claro, de ser uma petição de princípio.
Erro 2: A afirmação (3) “elas querem consolação” é uma evidência anedotal, e baseia-se em leitura mental.

Com os dois erros, o argumento de Feuerbach é totalmente inválido.

Curioso é que mesmo sendo um argumento tão ruim, muitos neo ateus saem eufóricos aplicando estratagemas de provocação diretamente suportados por essa alegação de Feuerbach, sem o menor senso crítico.

Quando você ver um neo ateu tentando implementar uma provocação do tipo “Aha, Você é religioso, é por que quer consolo!!!!”, é basicamente uma implementação de feuerbachiana.

Agora, no entanto, fica claro que o “argumento neo ateu do consolo” não passa de uma fraude intelectual.

O otário, neste caso, é o neo ateu.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 23, 2010 em 10:35 am

Publicado em Auditoria

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