Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Arquivo para março 2010

Técnica: Genocídios na Rússia e China causados por irracionalidade

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Última atualização: 31 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Esse estratagema é usado por neo ateus em complemento à técnica “Religiões diferentes causam conflitos” ou em qualquer variação na qual alegam que a incidência de religião é um FATOR de conflitos em geral. Normalmente, nesse sentido, eles usam o período das Cruzadas ou até outros conflitos para dizer que a religião teve influência neles (algo como “se lá houvesse ateísmo, ao invés da religião, talvez os conflitos não ocorreriam”). A função da técnica inicial, previsivelmente, é tentar vender ao leitor a idéia de que a eliminação da religião aumentaria as chances de paz.

O “problema” da Rússia e da China é que ambos os países, em períodos de gestão ateísta, tiveram conflitos em que se tornaram praticamente os campeões mundiais em genocídios. Uma argumentação que alguns neo ateus fazem é que se as mortes ocorreram, foi em nome de qualquer outra coisa, menos ateísmo. O difícil é eles explicarem por que a anti-religiosidade, exatamente similar à do neo-ateísmo, era PRIORITÁRIA em tais implementações. Mas esse não é o único problema teórico. O outro reside no fato de que os maiores exemplos de atrocidades na história recente ocorreram nesses países, que não eram “vitimados” pela religião.

Para “resolver” esse amontoado de problemas, eis então que autores como Sam Harris criaram este estratagema que é tratado aqui. Eles consideram então a religião como “irracional”, e, portanto, esse é o único atributo com o qual ela será tratada pelo neo ateu. Em seguida, ele faz a segunda manipulação semântica, e atribui o rótulo de irracional a todos os atos da Rússia e da China nos governos comunistas. Com isso, o neo ateu espera não só inocentar o ateísmo, mas TRANSFERIR a culpa desses eventos para a religião (lembremos, ele manipula a religião e trata-a pura e exclusivamente por irracionalidade). Portanto, temos um caso de DUPLA manipulação semântica.

O argumento pode ser resumido da seguinte forma:

  • (a) Religião é irracionalidade
  • (b) Ateísmo é racionalidade
  • (c) Mesmo ateus, os regimes comunistas da Rússia e da China foram frutos da irracionalidade
  • (d) Logo, a culpa dos genocídios da Rússia e da China pertence à religião ou algo igual à religião

Que é um estratagema dos mais desonestos possíveis, e suficiente para colocar sob suspeita de idoneidade moral qualquer um que fizer uso dele, isso já deve ter ficado evidente para todos. O que surpreende é que não só Sam Harris como também Richard Dawkins e Christopher Hitchens o tenham usado em avassaladora quantidade em seus livros.

Em relação às premissas (a) e (b) elas são automaticamente demolidas simplesmente pela ausência absoluta de evidências que as corroborem, além do fator lógico, conforme mostrado neste post. Aqui é mostrado que o ateísmo nem de longe é a opção mais racional. Pelo contrário, dentre as opções disponíveis, é a menos racional.

O terrível problema do argumento, no entanto, resulta na segunda falsa associação (de novo, não podemos esquecer que a primeira havia sido a tentativa de associação automática de religião com irracionalidade), que é a dos genocídios serem frutos da irracionalidade.

Nada mais falso, pois não há irracionalidade nas atitudes de Stalin e Mao. Os genocídios foram atos completamente racionais e coerentes em relação à ideologia que eles seguiam, que é o marxismo – ideologia, aliás, que deve ser viabilizada juntamente com fortíssimas campanhas de doutrinação ateísta e eliminação da religião. Não há como colocar a culpa dos genocídios na irracionalidade, mas sim na IMORALIDADE (e a moral era outro fator contra o qual os ideólogos do marxismo lutavam). A grande verdade é que os atos dos genocídios foram completamente imorais mas não deixam de ser racionais. Desta forma, se as premissas (a) e (b) são automaticamente falsas, (c) também é. Logo, nenhuma das premissas dessa argumentação passa pelo escrutínio lógico.

Conclusão

Mais um exemplo mostrando que, para subversivos em geral, vale tudo na defesa da classe, inclusive usar duas manipulações semânticas em um único argumento, somente com o intuito de difamar a religião e tentar tornar o ateísmo ileso de investigação. A refutação se baseia simplesmente em mostrar que todas as premissas deste argumento são inválidas.

Escrito por lucianohenrique

março 31, 2010 em 11:47 pm

Técnica: Simulação de Imparcialidade

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Última atualização: 31 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Essa técnica manifesta-se muitas vezes de forma inusitada e muitas vezes não tão facilmente perceptível.

Ela ocorre quando um neo ateu (ou simpatizante) adentra o debate e declara, logo a princípio, que “não é nem ateu, e portanto está ali só em busca da verdade” ou algo do tipo.

O objetivo inicial, no caso, é fingir que se está em cima do muro, ou dentro de uma perspectiva neutra, e a partir daí destilar os maiores argumentos difamatórios possíveis contra a religião.

Notem que não estou afirmando que em 100% dos casos em que isso ocorre a pessoa é um ateu disfarçado. Não é isso. O que estou afirmando é que é importante prestarmos atenção à situações onde alguém se declara NEUTRO, mas comporta-se como se não fosse.

A finalidade desta atitude é realizar um determinado tipo de propaganda, que pode ser deste tipo: “a religião é tão ruim, mas tão ruim, que até alguém que avalia a questão de forma neutra, irá ridicularizá-la”.

É importante ressaltar que a técnica não é muito frequente, mas, quando executada, pode enganar alguns debatedores, que inclusive podem achar que a pessoa em questão é um “teísta” ou “deísta”. Ou agnóstico, talvez?

Para evitar que a pessoa implemente o estratagema, a sugestão é deixar completamente de lado qualquer declaração que ela fizer a respeito de suas crenças e passar a observar pura e exclusivamente o  comportamento no debate. Ou seja, julgar alguém pelos seus atos, e não pelo que diz ser.

Refutação

Um exemplo de diálogo pode ser mais ou menos assim, com uma dica de como eu ajo nesse tipo de situação:

  • NEO ATEU(?): Quero que fique bem claro para todos que eu não sou ateu, e estou em dúvida em relação ao meu teísmo, portanto peço que não me julguem a priori. Minha questão aqui é querer saber como vocês aceitam uma religião que matou milhões de pessoas na Inquisição? E por que aceitam uma religião que criou a escravidão e o sexismo?
  • REFUTADOR: Mas que quantidade de absurdos você escreveu, não? Vou gastar várias linhas refutando tudo isso aí…
  • NEO ATEU(?): Ei, espere, eu não sou neo ateu ou sequer ateu. Tenho dúvidas legítimas, e portanto não me trate como um.
  • REFUTADOR: Não me importa se você é um neo ateu ou não, o que me importa são seus argumentos. Se os argumentos são tão ruins quanto os de um neo ateu, refutarei-os, mesmo que você me diga que vai na Igreja várias vezes por semana…

[Sempre fazendo questão de que é irrelevante a declaração que ele deu de suposta “imparcialidade” no início, e o que vale são apenas os argumentos dele]

Conclusão

Técnica simples? Sim, bastante, mas quando é executada pode exercer um efeito psicólogo nos participantes do fórum. Motivo: a declaração de imparcialidade pode facilitar com que o sujeito (seja neo ateu ou não) consiga atacar a religião com menor rejeição ao seu discurso. Sendo basicamente uma técnica de propaganda, o importante é eliminá-la em sua raiz.

Escrito por lucianohenrique

março 31, 2010 em 12:01 am

O comuteísmo de Eliel Vieira

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Eliel Vieira, do site Desconstruindo, tentou refutar um texto de Norma Braga. Norma escreveu um artigo chamado “Por que não sou de esquerda”. Eliel ficou aparentemente brabo e quis dar uma resposta à altura.

Eis então a surpresa. Eu, que costumava ser um leitor de vários artigos de Eliel (embora já tivesse percebido ares de “cristão manso” em alguns de seus posts), fiquei extremamente decepcionado com uma série de argumentações que beiram a insanidade.

Curiosamente, ele começa tentando convencer ao leitor de que “não é comunista”. Vejamos:

Antes de começar, também gostaria de deixar claro algo muito importante aqui. Eu não sou comunista. Para não haver confusão, vou repetir: eu não sou comunista. Como pode ser evidenciado neste texto, eu questionei um amigo meu comunista sobre algumas posturas comunistas quando achei justo fazê-lo (isto para não citar os diversos debates que já tivemos sobre variantes desta controvérsia política-social). A verdade é que, na maior das controvérsias sociais, eu não sou esquerdista nem direitista. Eu sou alguém que, observando a controvérsia do “lado de fora”, busca analisar os pontos-chave da mesma, refletindo sobre algumas conclusões à luz de alguns fatos que podemos observar na sociedade. Eu também não gostaria que considerassem minha neutralidade aqui como uma posição “em cima do muro” – eu não me decidi ainda (como o fiz quando abandonei o calvinismo), pois acho que não li e refleti ainda o suficiente para tomar uma decisão equilibrada e que abranja todas suas implicações.

Não deixa de ser curioso ver um texto caindo nas maiores ilusões do comunismo e ao mesmo tempo chegando a distorcer o cristianismo, na tentativa de resposta à Norma. Como não importa a declaração formal dele de que “não é comunista” e sim o comportamento que ele demonstrará, veremos pela análise de seus argumentos se ele é comunista ou não. Eu já começo apostando que ele já se decidiu pelo comunismo e está com vergonha de falar isso tão rápido. Será que estou certo? Prossigamos:

O Problema do Mal

Eliel apresenta um argumento pífio dizendo o seguinte “o problema do mal é pior para um cristão do que para um ateu”. E quais as provas dele para isso? Segundo ele, C. S. Lewis chamou Deus de “torturador cósmico” quando a amada Joy morreu em “A Anatomia de uma Dor” e o ateu niilista André Cancian disse que não se preocupa com o “problema do mal”.

Logo de cara, Eliel confundiu as bolas. Quando se fala em problema do mal, tratamos de uma questão filosófica, que ele confundiu vergonhosamente com um tratamento emocional do mal. Estranho, pois ele já devia saber disso, já que William Lane Craig tirou todas as dúvidas com esse vídeo aqui.

Agora, mesmo na questão EMOCIONAL, as amostras com C. S. Lewis e André Cancian são amostragens reduzidas, e NÃO COMPROVAM que teístas tem mais PROBLEMAS com “o problema do mal” do que os ateus. Muitas vezes um ateu pode ficar indignado se o mal ocorrer e então por isso dizer que Deus não existe, e um teísta pode xingar a Deus. Mas isso, de novo, não é o problema do mal na questão filosófica.

Por que isso é importante? Pois a abordagem de Marx é FILOSÓFICA, portanto é nesse nível que Eliel devia estar discutindo, e não na abordagem emocional. O erro dele, portanto, é de causar vergonha alheia.

Provavemente, Eliel tentou essa enrolação sobre o “problema do mal” para tentar invalidar a afirmação de Norma ao dizer que Jesus “satisfez essa urgência que temos de encontrar uma resposta para a existência de sofrimento no mundo, então quem não está em Cristo necessariamente precisa externalizar esta crise existencial e é daí que começamos a presenciar os grandes males da humanidade”.

Nota-se que ele não entendeu absolutamente nada do que Norma escreveu. Vou tentar, então, simplificar, interpretando o que naturalmente se quer dizer com isso:

  • (a) Para o cristão, sendo que Jesus morreu na cruz, alguém não pode ser culpado pelos pecados do mundo
  • (b) Logo, não precisamos de “salvadores da humanidade”, e sim pessoas que fazem o melhor de si e pelo próximo
  • (c) A idéia de que precisamos de “salvadores da humanidade”, e que até o Eliel pode fazer parte dessa turma se virar comunista, é uma ILUSÃO
  • (d) Pois o raciocínio baseado em (c) não passa de FACHADA para iludir e criar novos militantes

Será que é difícil de entender um negócio tão simples, Eliel? Nota-se que ao tentar tratar do problema do mal no ambito emocional, Eliel praticou um Red Herring dos mais grosseiros possíveis. E quando a Norma escreveu que “assim, a violência aumenta na mesma proporção do secularismo” ela estava se referindo a países que RETIRARAM a influência da religião de seu cenário. Os grandes exemplos, naturalmente, são a Alemanha Hitlerista, a Rússia de Lênin e Stálin, Cuba e outros.

Torcendo para os ateus

Sabem um grande problema dos neo ateus e comunistas? Vou citar de novo o post do dia anterior:

A anti-religiosidade vista na época da Revolução Russa era diretamente advinda do ateísmo radical (que é a mesmíssima coisa que é pregada pelos neo ateus), e a base era a negação de qualquer valor moral oriundo da religião. Conforme Marx disse, no Manifesto Comunista, “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses”, assim como “o comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral”. Mais um exemplo da luta contra a moral objetiva está na declaração de Lenin, ao dizer que “justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta”, assim como “subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. Não surpreende, haja vista ele também ter afirmado que “o melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral”.

Está bem claro pelo visto acima que não dá para conciliar cristianismo com comunismo. Um dos sistemas prega a verdade (e tem até entre seus mandamentos “não praticarás falso testemunho”), e o outro defende o uso de “estratagemas e dissimulações”, desde que seja de acordo com sua causa. É fácil de entender por que os comunistas optam pelo “vale tudo” no momento de defender suas idéias. Como um novo “ampliado” foi ENROLADO por uma utopia, este passa a considerar todos os que estão contra essa utopia como inimigos. E então, contra esses, vale tudo, até mentir. Claro que coisas muito piores que a mentira tendem a ocorrer. Isso é o comunismo, em essência.

Segundo Heitor di Paola:

Como a ideologia opera através de um splitting, uma ruptura da personalidade, permite evitar sentimentos dolorosos como a empatia com os outros e o amor ao próximo, a misericórdia, a ternura. O amor ao próximo se torna um “amor a toda a Humanidade”, desprezando os seres reais e concretos que, em geral, incomodam. Não há “amor ao próximo”, considerado sentimento burguês, mas um suposto e idealizado amor a toda a humanidade, que inclui a possibilidade de que o próximo poderá e deverá ser sacrificado em nome do todo, se assim for exigido para aprofundar o processo histórico. Há uma verdadeira e profunda inversão de valores.

É por isso que não surpreende que “simpatizantes do comunismo” (estou sendo gentil) podem até mentir no seu ideal. Uma das mentiras é fingir que a Norma não se referia aos países que se tornaram de controle ateísta, mas sim a alguns países europeus, que estão distante de se tornarem “países ateus”.

Nessa mentira, Eliel usou um estratagema neo ateu dos mais baixos, que é dizer que “os dados mais recentes apontam para uma realidade completamente vergonhosa para nós, cristãos, e que contradizem sua afirmação”. Ele prossegue dizendo o seguinte:

[...] um estudo estatístico realizado pela ONG Vision of Humanity, por exemplo, quanto menos influenciado pela religião for um país, mais pacífico ele é. Vergonhosamente admito que eu conheço mais não-cristãos militantes em questões sócio-ambientais e éticas do que cristãos engajados nas mesmas frentes. Estou eu defendendo o ateísmo? Não! Apenas estou sendo fiel aos fatos.

Para início de conversa, esse papo de “realidade completamente vergonhosa para nós cristãos” é pura encenação. Eu não tenho nada do que ficar envergonhado, pois eu vou atrás dos fatos, e não de propaganda ateísta e comunista. Se Eliel quiser fazer cena de “envergonhado” que fale POR ELE e não pelos cristãos em geral. Até por que, depois desse show de barbaridades que ele escreveu, sei que o meu cristianismo é o tradicional, e não um cristianismo self-service, que vive do “sou cristão, mas”.

Querem notar um absurdo? Ele ACEITOU a notícia publicada aqui, que diz isso: “O chamado ‘Ranking da Paz 2009′, um estudo estatístico realizado pela ONG Vision of Humanity, demonstra que os países com menos influência religiosa tendem a ser mais pacíficos. Por isso, Nova Zelândia, Dinamarca e Noruega, países em que o conflito religioso na sociedade é praticamente inexistente, lideram o ranking. Na outra ponta da tabela aparecem Iraq, Afeganistão e Israel.”

Quando investigamos a notícia, vemos que foi o JORNALISTA que adicionou a informação de que “países com menos influência religiosa tendem a ser mais pacíficos”. Essa informação NÃO EXISTE no artigo original. Ou seja, uma vergonhosa falta de ceticismo de Eliel. Para piorar, ele assume que os países do topo da lista são ateus. De onde ele tirou isso? Ou ele acreditou no repórter ou acreditou na propaganda de gente como Richard Dawkins e Sam Harris. Algumas observações

  • (1) Ele assumiu que países com uma taxa “menor” de religião do que outros são “mais ateus”. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
  • (2) Uma flutuação na religião entre os países não indica maior ou menor INFLUÊNCIA da religião no país. Por exemplo, a taxa de religião dos Estados Unidos é similar à do Brasil, mas lá a religião é muito mais INFLUENTE…
  • (3) A retirada de países como Vietnam, China e Cambodja e Russia da menção no artigo é mais uma desonestidade intelectual do repórter, e de novo Eliel caiu feito um patinho.
  • (4) A Nova Zelândia é um país com 56.3% de religiosos, a Noruega possui 80.7 % e na Dinamarca 82% das pessoas pertencem à Igreja Luterana – alguns ateus argumentam que a frequência à Igrejas é baixa, principalmente na Noruega e Dinamarca, e isso os tornaria ateus, o que é besteira, pois não vou à Igreja à tempos, e isso não me torna ateu.
  • (5) Deve-se tomar cuidado com manipulações de números feitas por neo ateus, e um exemplo é este post que fiz há tempos.

Enfim, eu poderia prosseguir nos erros metodológicos, mas, pelo visto, não há nada do que algum cristão deva se envergonhar. No caso, eu sinto vergonha alheia pelo papel feito pelo Eliel, por acreditar em site de orientação ateísta sem usar o ceticismo.

E, de novo, ele não respondeu à questão da Norma, que tratava de países SECULARES, no caso, ela falava de países que TIRARAM a religião do cenário, como Rússia, China, Cuba, Cambodja, Vietnã, etc…

Mais problemas com números…

Eliel agora parte para rodeios, pois quer retirar as acusações de crimes em países comunistas, e daí traz uma propaganda igualzinha aquela feita por professores marxistas de faculdade (acho que ele deve estar sofrendo doutrinação de algum guru marxista, só pode):

[...]se assim for o que dizer então do próprio cristianismo? Quantos foram mortos nas Cruzadas? Quantos foram mortos na Idade Média por serem “hereges”? Quantos foram mortos durante a Reforma? Será que Serveto, ordenado à morte pelo amigo de Norma João Calvino, sentiria alguma diferença entre os reformadores e aqueles que ela critica?

Isso aqui acima só pode ser piada. Como pode alguém que debateu com ateus tanto tempo escrever uma besteira como esta acima? Só posso rotular isso de absoluta falta de senso de proporções. Vejamos aqui como Dinesh D’Souza já refutou tentativa semelhante feita por Christopher Hitchens. Para se ter uma idéia do nível, ele está usando argumentos de gente como.. Hitchens.

Deus, um criminoso… isso para Eliel

Vejam só que “maravilha” o argumento dele:

E o que dizer sobre os crimes atribuídos a Deus na Bíblia? Afinal de contas, chacina é chacina não importa em qual contexto ela aconteça. Se formos contabilizar apenas as mortes atribuídas a Deus na Bíblia (especialmente no AT), temos o número de 2.391.421 mortes. Mas se quisermos podemos contabilizar também todas as 75 mil mortes causadas pelo terremoto no Haiti, já que o para grande amigo dos anti-esquerdistas Julio Severo (e eu devo levar em conta o que ele diz, pois os de direita são “mais cristãos” que os de esquerda) o terremoto no Haiti foi causado efetiva e soberanamente por Deus.

Eu só posso chamar isso aqui de um OANI (objeto argumentativo não identificado). Eliel deve ter caído no dramalhão de Dawkins quando este disse o seguinte: “O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo. Aqueles que são acostumados desde a infância ao jeitão dele podem ficar dessensibilizados com o terror que sentem.”

Notaram a semelhança do discurso do “garoto que está se decidindo se vai ser comunista ou não” (estou respeitando-o e não atribuindo a ele o rótulo de comunista diretamente) com o dos neo ateus?

Antes de tudo, a comparação das mortes causadas por Deus com mortes causadas por seres humanos é mais uma variação da falta de senso de proporções que está acometendo o Eliel. Como já dito aqui, a influência de adeptos da mentalidade revolucionária pode causar danos irreparáveis.

For God’s Sake… não é possível comparar Deus com seres humanos. A explicação que vou dar aqui não é nem teológica, e sim aquela que daria para uma criança de 10 anos. Olha, Elielzinho, Deus não é um ser humano, ele não convive com outros deuses. Se ele resolver matar toda a população da Terra, ainda assim não será um crime, um homicídio, um genocídio, entendeu? Esses atributos só podem ser aplicados a seres humanos. Logo, se Deus resolver matar 2 bilhões, e o seu guru comunista resolver matar 1 “ampliado” que tenha desistido, ele é um canalha e Deus não. Capisce? Tentar justificar os crimes dos regimes comunistas com as mortes causadas por Deus na Bíblia é simplesmente ignorância absoluta dos atributos que definem Deus e os atributos que definem um ser humano. Ou má fé mesmo. Um discurso até compreensível para um neo ateu (que usa de burrice programada muitas vezes), mas inaceitável para alguém que já estudou o assunto.

E como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada, pois ele já caiu no clichê de atacar o Júlio Severo ad nauseam. E todos os ataques são basicamente ad hominem, nem um pouco argumentativos. É, Eliel, o nível de vossa argumentação está realmente baixo…

Vejamos mais:

Novamente, não gostaria que me atribuíssem nomenclaturas. O rigor lógico me impulsiona a analisar ambos os lados da questão sob os mesmos padrões. Se o comunismo é mal porque milhões morreram, por que o tratamento deveria ser diferente quando quem mata é a Igreja de Deus, ou o próprio Deus? Agir de forma diferente é desonestidade intelectual, e não vou incorrer neste erro em nome de uma coisa tão pobre intelectualmente como o “anticomunismo”.

Mas o que nós estamos vendo no discurso de Eliel que não desonestidade intelectual e o uso dos piores e mais manjados argumentos neo ateus e comunistas? Ok, não o chamarei de comunista, mas posso avaliar o comportamento, não? E, de novo, ele incorre no erro ao dizer o seguinte: “Se o comunismo é mal porque milhões morreram, por que o tratamento deveria ser diferente quando quem mata é a Igreja de Deus, ou o próprio Deus?”. Na questão da Igreja de Deus, a resposta já foi dada acima, por Dinesh D’Souza, e no caso de Deus, ele segue fazendo a confusão entre Deus e seres humanos. Convenhamos, é uma argumentação somente lícita a uma criança.

Desculpa esfarrapada

Como não tem argumentos para defender sua posição (principalmente no arremedo de comunismo e cristianismo, o que é indefensável – ao passo que comunismo com ateísmo é excelente combinação), ele parte para alguns recursos que de argumentativos não tem nada:

Aliás, permitindo-me compartilhar algo pessoal aqui, a falta de critério, a desonestidade intelectual e os argumentos “ataque o espantalho” são um repelente muito forte a mim para que eu adote a posição “direita” no que se refere à controvérsia social.

O engraçado é que vemos que aqueles que OFICIALIZARAM o uso da retórica, dos estratagemas, e da dissimulação foram os comunistas. Hoje, para um conservador, um debate fica muito fácil contra um comunista, pois este último está acostumado a usar os estratagemas típicos que os gurus lhe ensinaram, e a nós basta usar o guia de falácias, um checklist de erística e da contra-informação, e deixar os comunistas se enforcarem por si sós. Para tirar as dúvidas, vamos à sequência:

A própria Norma, neste doloroso ensaio, chama o conceito de “classe dominante” de vago. Mas por que é vago? O que falta a ele? Em qual sentido é vago? Onde ele erra especificamente? Depois Norma diz que uma favela do Rio pareceria “condomínio de luxo” se comparada a Cuba. Mas será que isto ocorre por causa do comunismo em si, ou por eles (Cuba) serem embargados economicamente, impedidos de importar tecnologia e crescer, pelos EUA? Você critica Chavez, mas por que não diz sobre os crescimentos de todos os índices de desenvolvimento humano e social na Venezuela, que estão em plena ascensão?

Olhem a choradeira. Uma boa parte do mundo hoje simpatiza com regimes como os de Cuba (ex. a China, a Russia, a Venezuela, o Brasil). E aí os “coitadinhos” de Cuba dizem que existem dificuldades lá somente por causa do EMBARGO dos Estados Unidos. Mas que beleza hein? Isso se chama fugir da responsabilidade. Quanto a Chavez, ele começa a omitir informações, como a crise energética que o país sofre, e a recente prisão do dono de uma rede de televisão que… criticou Chavez. Como se vê, quando alguém sofre doutrinação comunista, começa a MAQUIAR a realidade para se adequar à sua teoria. Os fatos já não são mais importantes para Eliel. Uma pena.

Nada é mais patético, no entanto, do que ele dizer que o conceito de “classe dominante” não seria vago. Vamos ensinar um pouco de comunismo ao Eliel (que ainda deve estar na fase de aprendizado, portanto o perdoarei por essa): o comunismo tem como uma de suas bases a idéia de que há uma “classe dominante” e uma “classe oprimida”, e ambos vivem em uma luta. O que está na classe oprimida não se rebela por não conseguir se organizar ou por estar condicionado aos “valores burgueses”. Isso tudo está no Manifesto Comunista, portanto Eliel pode consultar direto da fonte. O que isso significa? Eu, por exemplo, sou consultor, e cobro por hora do meu trabalho, e tenho uma empresa de consultoria. Ela é pequena, e tenho dois sócios, mas prefiro assim do que assumir um cargo de gestão atualmente (acho muito estressante). Eu lutei bastante para poder cobrar bem, e considero todos os meus contratantes como pessoas abençoadas, e o trabalho é uma benção para mim. Quem me dá trabalho é alguém que merece o meu respeito. E não um opressor meu. O maluco do Marx quer que pessoas que trabalhem passem a ACHAR que o seu empregador é o seu inimigo. É claro que é uma visão completamente neurótica e torna seus adeptos praticamente neuróticos. Tudo que eu aprendi com o cristianismo envolve RESPEITAR aquele que lhe dá trabalho, e fazer sempre o seu melhor (já ouviu falar da parábola das minas, Eliel?), e não ficar igual criador de caso achando que o seu patrão é um “inimigo”. Aliás, o patrão é “inimigo” justamente daqueles que pensam assim. Pois os que se esforçam, que dão o seu melhor, geralmente se destacam. É por isso que essa coisa de “classe dominante” ou até a “luta de classes” é algo que está na cabeça dos comunistas. Aí é claro que o patrão pode colocá-lo mais de canto. Esse tipo de gente tende a ser mais criador de caso nas empresas do que realmente alguém produtivo…

Distorção total

Eliel diz o seguinte, a respeito da idéia da reestruturação da sociedade:

Vou tentar respondê-las: primeiro, até que me seja provado o contrário, eu não vejo tanta incoerência assim em aderir a um movimento que busca, através de uma reestruturação da sociedade, acabar com a disparidade entre classes ou, usando um termo muito conhecido por todos, acabar com a “desigualdade social”. No socialismo, pelo o que eu entendo de sua proposta, ninguém trabalha para si, mas todos trabalham para todos, como em uma sociedade de formigas. Não há, contudo, menor incoerência entre este modelo e o que era usado, por exemplo, pelos cristãos da Igreja Primitiva (leia Atos 4: 32-36). O texto bíblico destacado a seguir deixa muito claro que não havia “propriedade privada” entre os cristãos primitivos – tudo era trago aos apóstolos, que repartiam entre as pessoas conforme a necessidade de cada um.

Ainda realmente não caiu a ficha para ele. A tal “reestruturação da sociedade” com o fim da “disparidade entre classes” nega diretamente a Bíblia, em vários quesitos. Primeiramente, esquece-se de que na Bíblia é dito que Deus julgará alguém PELOS SEUS ATOS, e não que as coisas devem cair de mão beijada. O mérito é importante para os cristãos. Em seguida, para acabar com essa suposta “disparidade” (que para qualquer pessoa que avalie racionalmente é simplesmente a meritocracia), é preciso existir o ROUBO de propriedade. Para igualar um proletário com um burguês e transformá-los em “2 proletários”, é preciso que um roube do outro. Será que preciso ensinar ao Eliel os 10 mandamentos?

Risível também é ele comparar o ESTILO DE VIDA dos cristãos da Igreja Primitiva com a DOUTRINA do comunismo. Isso é de novo mais um sinônimo de ausência de senso de proporções. O estilo de vida dos cristãos daquela época era permitido pela ECONOMIA da época. Hoje, isso é absolutamente inviável. A Bíblia não é PRESCRITIVA em relação a economia. Portanto, querer viver igual os apóstolos viviam naquela época (ou dizer que se quer recriar aquelas condições de vida) é apenas uma ENROLAÇÃO utópica, mas não serve para justificar que isso é “cristianismo”. Cristianismo tem a ver única e exclusivamente com a DOUTRINA CRISTÃ, e não com supostas armações retóricas para fingir que se está propondo “viver como os apóstolos”. E se Fidel Castro disse que “há dez mil vezes mais coincidências do cristianismo com o comunismo do que as que pode haver com o capitalismo”, falta a ele explicar por que matou mais de 100.000 pessoas em seu regime. Bem cristão isso, não é?

O show maior de pérolas vem ao final.

Pode-se argumentar que o socialismo prega mais do que apenas melhoria social. Pode-se argumentar que, (1) o comunismo cometeu vários crimes no passado e busca de alargar suas fronteiras – bem, assim como os países capitalistas também o fizeram, e assim como os próprios cristãos também já fizeram seus assassinatozinhos; (2) o comunismo é uma ditadura – sim, mas trata-se de uma ditadura do povo, diferente de uma ditadura dos ricos sobre os pobres, como acontece no capitalismo; (3) o comunismo instaura um Estado que “pune seus dissidentes” (a segunda pergunta retórica de Norma) – sim, pois em uma sociedade do tipo comunista, passaria a ser crime qualquer ação que configurasse (ou pudesse caracterizar no futuro) exploração da mão de obra de outras pessoas. Aliás, na sociedade socialista da Igreja de Atos, Pedro rogou uma praga que matou na hora Ananias e sua esposa, que tentaram ser “dissidentes” do modelo. Portanto, a punição pela dissidência, seria normal – assim como é normal punir quem usa drogas em uma sociedade que condena este ato; (4) o comunismo é hipócrita, pois os líderes do movimento possuem luxos que proíbem o povo de ter – sim, isto acontece, mas isto só prova que a hipocrisia sempre vai existir, por causa da depravação do ser humano. Na própria Igreja do Senhor existe hipocrisia, não é?! Acaso isto prova a não-veracidade da fé cristã? Absolutamente não!; (5) o comunismo é mais do que apenas um modelo social-econômico que pensa nos pobres, ele é uma cosmovisão necessariamente ateísta – Marx era ateu, sim, bem como praticamente todos os líderes revolucionários que defenderam a bandeira do comunismo. Também é verdade que um dos principais discursos dos comunistas é de que “a religião é o ópio das massas”. Porém o fato de uma conclusão comunista não ser verdadeira não implica que toda a teoria e proposta do comunismo são equívocas. Deus existe, sim, mas ainda assim existe o problema das mazelas da nossa sociedade, da desigualdade social, da fome, etc. Se a igreja prefere permanecer de braços cruzados sobre este problema (quando ela não deseja piorar o quadro, com ensinos diabólicos como a “teologia da prosperidade”), que as pedras clamem, pois até delas Deus consegue fazer filhos de Abraão (Mateus 3: 9)! Se a igreja não se preocupa com o meio ambiente, graças a Deus pelo Green Peace; se a igreja só pensa em dinheiro e pouco está se lixando com a sociedade, graças a Deus por aqueles que se preocupam!

Vamos por partes:

1 – Isso aqui já foi refutado por Dinesh D’Souza. O comunismo tem em sua ideologia AMBIÇÕES GLOBAIS, além da promessa de utopia (para justificar qualquer coisa feita em nome dela), ao contrário do capitalismo, que não promete falsas esperanças

2 – Que engraçado ele dizer que no comunismo é “ditadura do povo”. Será que ele não percebeu que isso não passa de recurso de linguagem? Na verdade, o comunismo é um sistema em que um grupo toma o poder de forma totalitária, mas que isso seria só uma “fase de transição” para o comunismo real. Mas os próprios adeptos do comunismo são contra a “moral” ou “qualquer ética burguesa”, como esperar que eles cumpram a promessa de entregar a ditadura ao povo? O resultado é sempre ilusão…

3 – Comparar a ação de Pedro, na Bíblia, que tem um cunho simbólico, com a permissão de que um Estado faça tudo, inclusive mortes de dissidentes, é mais um exemplo de falta de senso de proporções. Notaram que a falta de senso de proporções é uma mania entre os “ampliados”?

4 – O engraçado é que muitos líderes na Igreja vivem uma vida sem luxos. Ao passo que os líderes comunistas possuem luxos absurdos. Ou seja, de novo Eliel demonstra falta de senso de proporções. Em nome da tentativa de inocentar o comunismo de sua história abjeta, vale qualquer distorção, não é?

5 – Tudo isso que ele disse após o item 5 já caiu na beira da histeria. Ele diz que “A Igreja não se preocupa” mas “os comunistas sim”.  Ó, iluminados comunistas, os únicos “interessados” no bem da humanidade, não? É assim que começa. O cara já fez a divisão na cabeça dele mostrando que há “os que se preocupam” (eles, os comunistas), e os que “NÃO se preocupam”. Tudo isso, diante de muitas doses de falsa dicotomia, demonização do oponente, sensação de pertencer a um movimento para “salvar a humanidade” é o que? Simplesmente: mentir para si próprio. O problema em si não é o ateísmo, mas o que se deriva de um ateísmo radical, que é a negação da moral. Essa é a base do comunismo. Que incluiu, para os líderes dessa “coisa”, até a criação de ilusões para doutrinar pessoas que vão achar que lutam pela “salvação da humanidade” e são apenas bucha de canhão para permitir a chegada no poder desses totalitários.

E chegamos à conclusão, pois isso já está repulsivo demais para o meu gosto:

Por fim, quero dizer novamente que não sou comunista – ainda há muito o que pensar e refletir – mas posso dizer que estou muito mais longe de loucos direitistas crentes em um Deus terrorista como Julio Severo do que dos militantes comunistas. O apelo social deles é relevante, e quanto a isto não parece haver dúvidas. Apesar de não ser comunista, entretanto, quis mostrar nesta resposta que as mui superficiais e falaciosas palavras de Norma não convencem a mim e, espero e confio, à Igreja de Cristo no Brasil.

Esse discurso de dizer que “não é comunista” será respeitado, embora eu pessoalmente não acredite. Raros comunistas defenderiam o comunismo tão ardorosamente, usando de tantas distorções, como fez Eliel. Que apelou até para o discurso NEO ATEÍSTA! Além de tudo, a baixaria foi tamanha que ele não se furtou em ofender Julio Severo duas vezes (aliás, é mania de comunista ofender o Júlio Severo). Talvez realmente eu não concorde com tudo que Severo diz, mas pelo menos a busca dele é honesta, fugindo de utopias, falsas esperanças e de distorções da Bíblia.

As palavras de Norma não foram falaciosas, mas representaram o que é o cristianismo. Uma das bases do cristianismo é buscar a verdade, e buscar respeitar os 10 mandamentos. E não usar de mentiras dissimuladas e estratagemas (como os líderes do comunismo já confessaram que fazem) em prol de seus interesses.

E no dia em que a Igreja do Brasil apoiar formalmente o comunismo, aí é que não ponho os pés nela de jeito nenhum. E vou continuar sendo cristão. Ah, mais um motivo para notar que o argumento dos “países ateus” trazido por Eliel era furado mesmo.

Depois de um texto tão bizarro como este do Eliel, sugiro a ele uma experiência que será espiritual:

Que ele vá nas reuniões dos grupos comunistas e faça os seguintes questionamentos baseados em fatos:

  • (a) Por que os petistas alugaram uma mansão de 12.000 reais por mês para a Dilma ficar durante a campanha? Não é um excesso?
  • (b) Por que o Foro de São Paulo trazia a participação dos líderes da FARC durante vários anos?
  • (c) A ação do MST é imoral ou moral? E quando eles atacaram aquela fazenda no Pará e prejudicaram vários estudos genéticos?
  • (d) O comunismo alega que deve haver uma fase de transição do comunismo de estado para o comunismo do povo. Por que nunca se passou da fase de comunismo de estado?
  • (e) Vai sair um filme (ver trailer) mostrando uma vítima dos terroristas comunistas no Brasil, que recebe menos dinheiro hoje dos que os criminosos. Isso é justo ou não?

Vai ser divertida a reação deles. Será uma lição sobre a “moral” comunista…

Escrito por lucianohenrique

março 30, 2010 em 12:01 am

Técnica: É possível existir moral sem religião

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Última atualização: 29 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Esse recurso é utilizado em grande quantidade em todos os livros dos quatro principais autores do neo ateísmo (Hitchens, Dawkins, Harris e Dennett). Ele se baseia em transferir uma questão social para o ambito pessoal (onde, é claro, o julgamento é sempre subjetivo) e dizer “é possível ser ético sem religião, portanto religião não pode ser responsável pela moral”.

Obviamente esse argumento origina-se de uma confusão total do que está sob discussão. O que normalmente é dito, por vários estudiosos da religião, é que sem uma concepção de Deus, não é possível existir uma moralidade objetiva, e isso resultará, naturalmente em impactos negativos visíveis na sociedade.

A anti-religiosidade vista na época da Revolução Russa era diretamente advinda do ateísmo radical (que é a mesmíssima coisa que é pregada pelos neo ateus), e a base era a negação de qualquer valor moral oriundo da religião. Conforme Marx disse, no Manifesto Comunista, “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses”, assim como “o comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral”. Mais um exemplo da luta contra a moral objetiva está na declaração de Lenin, ao dizer que “justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta”, assim como “subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. Não surpreende, haja vista ele também ter afirmado que “o melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral”.

Ou seja, ao contrário do que os autores neo ateus afirmam, o ateísmo era IMPORTANTE para a revolução russa, pois era parte essencial da luta contra a moral objetiva, que era uma preocupação seminal de Aristóteles, refletida também em todas as religiões abraâmicas. O que é importante é notar que essa é uma avaliação da moral na perspectiva SOCIAL, ou seja, olhando para a sociedade como um todo, e qual o efeito que a religião tem como fator importantíssimo para a moral de uma sociedade.

O que não é o mesmo que afirmar que uma pessoa que não tenha uma religião seja automaticamente imoral. Não é isso, pois um cidadão ateu, agnóstico ou deísta poderá ter um comportamento plenamente moral, mas isso só ocorrerá PELO FATO dele viver em uma sociedade de cultura majoritariamente religiosa. Nesse caso, ele irá assumir os padrões morais comportamentais puramente por hábito e convivência com os outros.

Se lembrarmos, no entanto, como Trostky, citando Lenin, chegou a afirmar que, em prol da causa que ele acredita é útil até utilizar coisas como “estratagemas, enganos, procedimentos ilegais, usar o silêncio, a dissimulação da verdade”, temos uma idéia clara de que adeptos de ideologias subversivas (aí temos o marxismo, o comunismo, o neo ateísmo, etc.) são naturalmente desprovidos de moral. Em suma, se podemos considerar um ateu como POSSIVELMENTE moral por viver em uma sociedade religiosa, o mesmo não podemos dizer de um neo ateu. Pela natureza de sua militância, e pelo convívio com seres que apoiam sua ideologia anti-religiosa, eles serão essencialmente imorais.

Um exemplo disso pode ser visto nos livros dos quatro autores neo ateus já citados. Todos os livros apresentam pura e simplesmente estratagemas, enganos e dissimulação da verdade, exatamente conforme sugerido por Trostky, pois “vale tudo” pelo seu grupo. Em suma, mentir para eles é padrão comportamental válido, desde que seja mentira contra um adversário ideológico. Obviamente, que isso é a mãe de todos os comportamentos imorais, pois a partir daí vale tudo.

Quando um neo ateu diz, então que “é possível que ele seja moral, sem ser religioso”, podemos até aceitar, e em casos específicos. No caso dele ser um ateu tradicional. Caso ele seja um neo ateu, facilmente descobriremos que ele não é nem um pouco moral, pelo contrário, ele tem um comportamento assumidamente imoral (notaremos isso nas mentiras que eles praticam sempre). No caso de avaliarmos uma sociedade, sabemos que, sem uma religião de característica abraâmica, a tendência é vermos cenários onde a moral irá ser relegada a segundo plano, pois a população não terá mais critérios objetivos de moral.

Por isso, sempre é importantíssimo notar que quando um ateu ou neo ateu diz que “é possível ser moral sem ser religioso” é importante notar se a afirmação dele se refere ao comportamento pessoal dele, ou então ao comportamento da sociedade, derivado de uma cultura ateísta ou religiosa. No segundo claro, é evidentemente que ele não conseguirá provar que uma sociedade é moral sem influência religiosa, ao passo que no primeiro podemos aceitar, por caridade (ou educação, ou até por acreditarmos mesmo), que alguém em específico pode ser moral sem ser religioso, mas somente se assimilar a moral da cultura religiosa vigente.

Refutação

Um neo ateu geralmente começa a pregação contra a moral oriunda da religião dessa forma:

  • NEO ATEU: Eu sou ateu, e sou uma pessoa moral. Não precisei da religião para ter moral. Isso mostra que a religião é irrelevante para a moral.
  • REFUTADOR: Eu posso até aceitar que você seja moral, mas isso ainda não prova a independência da moral perante a religião.
  • NEO ATEU: Claro que prova, pois eu sou ateu, e sou moral.
  • REFUTADOR: Talvez você tenha adquirido sua moral por hábito, por companhia de religiosos. Temos que testar países. Por exemplo, países que tem em sua base o ateísmo. Exemplo: Cuba, Rússia, China, etc.
  • NEO ATEU: E por que não a Holanda ou a Noruega?
  • REFUTADOR: Esses países podem ter um bom número de ateus (e podemos explicar isso pela Estratégia Gramsciana e o Marxismo Cultural), mas ainda são culturas com base conservadora e/ou religiosa. Temos que testar países com BASE ateísta. Ou seja, o governo ser de direção ateísta, e até a religião oficial ser ateísta. Note que você não pode confundir o seu comportamento específico, que pode ser oriundo de educação religiosa ou hábito adquirido por convívio com religiosos, com a importância da religião para a moral vista na SOCIEDADE. É por isso que temos que testar os países com base ateísta…

[A partir disso, o importante é impedir que o neo ateu faça a confusão entre a moral dele, como indivíduo, com a moral vista na sociedade]

Conclusão

Embora pareça um engano fácil, é extremamente importante notar a diferença entre o conceito de moral aplicado à socieade e o comportamento moral de alguém em específico, pois são assuntos completamente diferentes. O comportamento subjetivo de uma pessoa não é testável, em muitos casos, e acabamos confiando que os outros são morais muitas vezes por educação, ou até por não termos evidência em contrário. O que não garante que a pessoa seja moral. A visualização da moral em aspectos objetivos deve ser feita em uma avaliação social. E, usando os governos de NATUREZA ateísta, como os governos comunistas, vemos que a ausência de uma moral objetiva tende a causar impactos consideráveis. Isso também explica por que os comunistas lutam tanto contra a religião. Motivo: não querem padrões objetivos de moral para o julgamento de suas ações. A importância de saber a diferença entre a moral declarada por um indivíduo e a moral observada na sociedade é que isso permite a refutação de um dos estratagemas de propaganda mais comuns de neo ateístas. Em sua sanha por retirar o valor da religião para a sociedade, os neo ateus tentam provar que ela é inútil do ponto de vista moral. Mas todas as tentativas deles em fazer isso não passam de estratagemas e manipulação do conceito de moral, além da confusão entre a moral de alguém em específico e a moral vista em termos sociais. Concluindo, os neo ateus não chegam nem a abordar de raspão a moral em termos objetivos. E esta moral é justamente aquela que é tratada pelos aristotélicos e pelo cristianismo.

Escrito por lucianohenrique

março 29, 2010 em 2:49 am

Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 4 – A Engenharia da Subversão

com 2 comentários

Assim como a base central do artigo anterior desta série foi inspirada em uma apresentação do Pe. Paulo Ricardo, este terá como espinha dorsal as declarações de Yuri Bezmenov, dissidente russo, ex-funcionário da KGB. Em 1984, Yuri (que adotou o nome americano de Tomas Schuman após desertar) deu uma entrevista a G. Edward Griffin, num documentário de nome “Soviet Subversion of the Free Press”, e também apresentou uma palestra na qual ensinou os mecanismos de subversão utilizados pelo governo soviético. Embora infelizmente não tão divulgada pela mídia como deveria, as apresentações e a entrevista de Yuri foram extremamente esclarecedoras.

É importante entender que grande parte da visão de Yuri ainda vinha de um tempo da guerra fria, e praticamente tudo que se falava em termos de subversão estava praticamente relacionado à influência soviética, que podia ter participação direta ou indireta nisso. Hoje o cenário é um pouco diferente, e, embora os russos tenham influências em estágios de subversão, outras nações e ideologias também já o possuem. Obviamente, por tudo que veremos aqui, os marxistas têm importante papel na subversão atual, pois é a ideologia com maior foco em “reestruturação” da humanidade atualmente, haja vista que o nazismo está hoje praticamente morto e enterrado. O nazismo se foi, o comunismo ainda segue perigoso. Claro que em termos globais, há hoje em dia uma outra ameaça além do comunismo, que é a Nova Ordem Mundial, e, podemos compreender as revoluções, impulsionadas em grande parte pela visão marxista, como parte desse processo maior. Antes que você se assuste e desista de seguir em frente, mostrarei que o marxismo provavelmente nem sequer seja o objetivo final. Mas ainda chegarei lá. Neste texto, será mostrado qual o PAPEL da subversão, e, então como os subversivos de vários tipos são importantes dentro do contexto de uma revolução.

Peço que, ao menos dentro deste artigo, deixe a sua doutrina um pouco de lado (assim como deixarei a minha), e o avalie pela perspectiva utilitarista, como recomendo para avaliarmos movimentos políticos (e não para construirmos nossa moral). E a subversão será tratada desta maneira cá.

Entendendo a subversão

Não dá para prosseguirmos sem antes compreender o que é subversão. Segundo o Dicionário Michaelis, subversão é o “ato ou efeito de destruir ou perturbar”. Outra definição é “insubordinação, revolta contra a autoridade ou contra as instituições”. Para fins de nossos estudos, podemos definir a subversão portanto, como uma iniciativa para destruir as bases de um sistema a partir de agentes internos dentro desse sistema. Bezmenov chega a ser ainda mais explícito e define subversão como parte de uma atividade para destruir coisas como religião, governo, sistema político, sistema econômico de um país.

Como já mencionado anteriormente, temos que entender as declarações de Bezmenov como fruto de um tempo em que a guerra fria andava em voga. Ele declarou que das atividades da KGB fora das fronteiras soviéticas, apenas 15% do orçamento era gasto em espionagem tradicional. Entenda-se por espionagem tradicional como a prática de obtenção de informações secretas dos rivais. Neste caso, países rivais. Segundo Yuri, 85% do orçamento, no entanto, era gasto com atividades de subversão. Não deixa de ser curioso, mas compreensível, principalmente pelo fato de que a maior parte dessas atividades é considerada legítima se avaliarmos pelo ponto de vista criminalístico. Além de tudo, não é uma atividade secreta, mas executada de forma pública. Aliás, a atividade de subversão é tão facilmente identificável que só falta o agente subversor dizer “olha, estamos aqui para desestruturar suas bases, ok?”, sendo que a resposta tende a ser “ok”. Por exemplo, basta estudar o marxismo cultural, que se estrutura principalmente como um movimento cultural, mas tem caráter totalmente gramsciano.

Antes de seguirmos, é importante definirmos uma terminologia padrão. Definiremos como patrocinador da subversão a entidade ou pessoa diretamente interessada nos frutos a serem colhidos após a conclusão das atividades de subversão. No caso da apresentação feita por Bezmenov, consideramos a União Soviética como um dos patrocinadores da subversão (pois ele falava sobre os Estados Unidos, e em 1984), mas não o único. Para nosso estudo, não importa quem é o patrocinador, ao menos para o momento. Se é um país, uma organização, um grupo meta-capitalista, simplesmente não focarei nisso no momento. Meu interesse, nessa análise do material de Yuri, é entender COMO O JOGO É JOGADO, e não quem são especificamente os organizadores do jogo.

Uma outra definição que utilizarei aqui é a de organizador da subversão, que são grupos e entidades organizadas que executam a subversão. Estes organizadores podem ser ativos ou passivos. No exemplo de Yuri, o patrocinador era a União Soviética (na maioria dos casos, novamente é bom frisar) e a organização a KGB. Esta era uma organização ativa. Uma organização passiva é, por exemplo, um jornal que não possui interesses reais na subversão, mas tem em seu quadro de funcionários um conjunto de agentes subversivos. Como o interesse do dono do jornal é lucrar com vendas de jornal, e não fazer subversão (na maioria dos casos), caso a divulgação de textos subversivos dê lucro, isso deixará feliz tanto o seu empregado como ele.

A terceira e última definição que utilizaremos é a do agente subversivo, que é a pessoa que executa subversão. Ela pode ou não estar diretamente associada a uma organização subversiva, tanto passiva como ativa. Em vários casos, os agentes podem ser representados de várias formas, como um estudante que entra no país para intercâmbio, um diplomata, um ator, um artista, um jornalista. Bezmenov, inclusive, executava o papel de jornalista, até o início dos anos 70, quando desertou.

Bezmenov destaca que o importante, na compreensão da subversão, é que ela é uma via de duas mãos, e que não se pode subverter um inimigo que não esteja passível de ser subvertido. Fica claro o motivo pelo qual a sociedade chinesa é tão fechada, chegando a censura da mídia e da Internet. Quero, desde já, dizer que não estou propondo a censura ao identificar o flagelo da subversão aqui. Peço que aguardem até o final do texto, onde mostrarei as sugestões para tratar a subversão (e sem pensar em censura). O que quero, por enquanto, é mostrar o fator que habilita um país a ser susceptível a subversão. Fica mais claro entender por que o governo brasileiro, de direção marxista (e que pensa dia em noite em assumir o poder de forma totalitária, sendo que o PNDH-3 é uma iniciativa nesse sentido) é tão interessado em dar apoio à ONGs que tentam impor a “Governança” da Internet. Eles estão simplesmente pensando no futuro, e em como, após tomar o poder, eliminar o risco de subversão externa. O que quer dizer que à partir do momento em que totalitários estiverem no poder, eles, que conhecem os “benefícios” trazidos a eles pelas atividades de subversão, eliminarão os pontos pelos quais ela pode ocorrer.

Isso tudo deixa mais cristalino o entendimento de quando Bezmenov explica que a subversão só pode ser bem sucedida quando o iniciador (ou ator, ou agente da subversão) tem um alvo que responde. É isso que significa um tráfego de mão dupla. Podemos com isso compreender perfeitamente por que países como Estados Unidos, França e Brasil, dentre outras “sociedades abertas”, nas quais seus “intelectuais” adoram tanto termos como “globalização” ou “tornarmo-nos parte de uma aldeia global”, são alvos receptivos de subversão.

Uma grande sacada de Bezmenov, aliás, é relembrar Sun Tzu, que seria o originador da teoria da subversão. Sun Tzu explicou, 2.500 anos atrás, que para implementar a política estatal de forma belicosa, a forma mais contraprodutiva, bárbara e ineficiente era lutar num campo de batalha. Ele diz que a maior arte da guerra é não chegar a lutar, mas sim subverter tudo que for de valor no país de seu inimigo. Com isso, ele não mais perceberá você como um inimigo, e que o seu sistema, sua civilização e suas ambições irão parecer a ele uma alternativa se não desejável então ao menos factível (“antes vermelho que morto”). Esse é o propósito final, que indica que a subversão foi bem sucedida.

Qual o motivo para a existência de ideologias subversivas?

Como esse é um estudo que tem por objetivo desvendar a ilusão que está por trás de algumas ideologias subversivas, vou recordar o que afirmei na parte 1. Não terei falsos pudores em investigar o neo ateísmo, e nem outras ideologias subversivas associadas, nem mesmo se isso destruir o véu de beleza messiânica que alguns adeptos destas ideologias possam nutrir por elas. Se após o nosso estudo, coisas como a “luta por igualdade” do marxismo e a “luta pela razão” do neo ateísmo não parecerem nem mais factíveis, honestas e principalmente viáveis, esse é um risco que devemos correr.

Por exemplo, eu sei que muitos acreditam no “mundo ideal” do marxismo. Quem possui amigos marxistas, sabe que seus olhos brilham quando ele pensa em Fidel Castro, Che Guevara ou Stalin. Assim como um neo ateu chega a tremer de emoção ante o nome de Richard Dawkins ou Christopher Hitchens. Globalistas podem chegar a lacrimejar ao ouvir a mera menção a Al Gore e Barack Obama. Toda essa emoção e comportamento irracionalmente febril é vista no comportamento de subversivos que vão às ruas, fazem passeatas, e lutam por suas causas com uma determinação que pode até parecer empolgante para os mais ingênuos. Mas e se tudo isso for apenas uma ilusão?

Como vimos no capítulo passado, a mentalidade revolucionária tem um conjunto específico de características, entre elas sempre a crença em um futuro utópico, que inclui a remodelação da humanidade, ambições globais, e a sensação de fazer parte deste grupo. Além do mais, existe a absoluta ausência de freio moral em torno de qualquer ato cometido a favor desta causa. Tudo é lindo para os adeptos, mas e se Marx jamais acreditou naquilo que ele propôs realmente? Vejamos as duas possibilidades principais:

  • (a) Marx e Engels tinham como objetivo construir um mundo igualitário, em que todos vivessem em igualdade
  • (b) Marx e Engels riam na cara de quem acreditasse nessa utopia tola, mas criaram uma ideologia que poderia ser usada por aqueles interessados em fazer uso de pessoas subversivas de seu país (em suma, os portadores da mentalidade revolucionária) para esfacelar os sistemas vigentes e tomar conta da nação

No caso da alternativa (b), quem sabe Marx & Engels, com o sucesso das implementações, não se tornariam figuras da alta estirpe do poder? E se Marx estivesse pensando: “Será que vou arrumar algum patrocinador para essa idéia? Quanto eu vou levar nessa? A idéia é boa e vai enganar muita gente, que vai aderir ao marxismo, e isso pode ser um grande negócio.”?

Alguém diria: “mas que maquiavelismo o seu”. Será que é maquiavelismo? De que forma julgamos um sistema político ou econômico senão pelos exemplos de sua implementação? E desde quando o comunismo teve uma implementação conforme previsto na utopia marxista? Em lugar nenhum do mundo. E em quantos lugares a ideologia foi implementada em atendimento aos objetivos de governantes totalitários? Em vários lugares. O curioso é que em vários dos países, algumas pessoas que até deram suporte à implementação, foram para o paredão após o poder ser conseguidos por poucos. Estes poucos que jamais implementaram a tal da “justiça social”. E se considerarmos, diante dessa informação, o marxismo não como uma ideologia bela, mas simplesmente uma construção ideológica que não tem função alguma de modificar qualquer fator de desigualdade social, mas sim PROMETER ISSO, e dessa forma se tornar uma das mais poderosas ferramentas de subversão conhecidas na atualidade? Se criarmos no futuro uma disciplina chamada “Estudos da Subversão”, provavelmente um módulo chamado “Engenharia da Subversão” teria que incluir o marxismo como o grande estudo de caso.

O caso é que, como vimos no texto anterior, o marxismo não pode ser implementado sozinho, e então precisa fazer uso de outras ideologias subversivas. Outra das grandes ideologias era a irreligião, que vem desde os tempos de alguns iluministas e de Feuerbach, este último um dos principais influenciadores de Marx. A irreligião teve também entre seus “pensadores” gente como Bertrand Russell e vários outros. A maioria deles, é claro, marxistas. Essa ideologia hoje se materializou em um movimento focado, que é o neo ateísmo. Assim como com o marxismo, temos duas opções para o neo ateísmo:

  • (a) Criar um mundo científico, onde todas as decisões são científicas, definindo as decisões, com isso, todas as injustiças serão eliminadas, e a ciência trará soluções maravilhosas para todos, sendo os ateístas os embaixadores deste novo mundo
  • (b) Simular que se luta pela alternativa (a), mas sendo isso apenas uma utopia para lançar uma cortina de fumaça, pois o foco principal é atacar a identidade religiosa dos povos, com o objetivo de retirar qualquer barreira conservadora, e torná-los susceptíveis a outros tipos de subversão, principalmente a marxista

Considerando a alternativa (b), a qual também é extremamente viável simplesmente pela análise dos países que se tornaram fortificações do ateísmo, podemos também considerar o neo ateísmo como outra ideologia subversiva, essa agora como sustentação do marxismo. Notem que, como veremos na parte 5 em mais detalhes, não é preciso que o neo ateísta seja um marxista, mas que apenas execute uma atividade subversiva para DAR SUPORTE à outra atividade subversiva principal.

Não poderíamos deixar de concluir essa parte sem antes falar de uma terceira e extremamente importante ideologia subversiva, que é a luta por uma “civilização global”. Essa ideologia se apresenta de várias formas, desde a luta por “globalização” até o “governo global”. De novo há duas alternativas, sendo que elenco a primeira sempre a mais bonitinha, aquela que seduz os mais ingênuos, e a segunda a mais racional, de acordo com os fatos:

  • (a) Criar um mundo onde todos são “irmãos” iguais, colaborando uns com os outros, sem barreiras culturais, com uma religião universal, e todos juntos para tornar o mundo um lugar mais justo, sempre lutando por causas de interesse global, como luta contra o aquecimento global, eliminação da fome, etc.
  • (b) Através da propaganda baseada em (a), criar uma geração de pessoas que lutem para eliminar a identidade cultural de suas nações, tornando-as, então, mais susceptíveis à subversão externa.

Ora, com a alternativa (b), se existem projetos de reestruturação global, e até iniciativas de se ampliar mercados e estabelecer sistemas totalitários que dêem suporte à essas novas implementações, fica fácil então avaliar esse tipo de projeto “global” sob uma nova perspectiva. Olhando toda a questão com um prisma mais racional, é fácil entender que sempre pessoas ingênuas acabam sendo estimuladas a acreditar em utopias e lutar por interesses que, inicialmente acham que são nobres, mas no fundo são apenas pessoas que servem como marionetes de interesses de outros. Quero deixar claro aqui que não sou contra a globalização em si, que é inevitável, com a redução das barreiras entre os países, o advento da Internet, a redução do custo das passagens aéreas, etc. O que está sendo tratado aqui não é esse tipo de globalismo, e sim a ideologia globalista, que tem ambições, dia-e-noite, em tornar o mundo uma civilização “programada” composta de várias nações que tenham renegado sua cultura, sua identidade e seus valores.

Portanto, quando um globalista vier lhe dizendo “você é contra a justiça social?”, é lícito responder a ele: “claro que não, mas sou contra ver você servir de fantoche e achar que com sua luta você está sendo útil para isso, quando não está”. Curiosamente, essas três ideologias (marxismo, neo ateísmo e globalismo) sem exceção incluem pessoas que atendem aos paradigmas da mentalidade revolucionária. Podemos considerá-las até como fruto de experimentos de grande porte de engenharia comportamental.

E qual o maior empecilho para subversivos? É claro que é a cultura conservadora. E isso agora nos explica muita coisa. Quem observa grande parte da mídia (sempre adepta de ideologia subversivas, conforme pode ser explicado pelo marxismo cultural, e será melhor explicado ainda quando adentrarmos à parte 5, com a Estratégia Gramsciana), notará que os conservadores sempre são tratados como inimigos das “nobres iniciativas”. O que importa, nesse momento, é oficializar o motivo pelo qual em todo esse estudo tratarei o marxismo, globalismo e o neo ateísmo apenas como ideologias subversivas.

Notamos também que agentes da subversão, que são os propagadores de ideologias subversivas, não necessariamente são agentes da KGB. Seria ridículo e ingenuo pensar desta forma. Mas é um fato que governos com tendência a apoiar essa globalização investem bastante em uma EDUCAÇÃO que forme novos agentes subversivos. Esses agentes geralmente são intelectuais, estudantes e acadêmicos que são DOUTRINADOS a perseguir uma ou mais das 3 principais ideologias subversivas, e então são algo que fazem os investidores desse tipo de iniciativa (organizações privadas e governamentais, dentre elas) sorrirem de orelha a orelha: eles são pessoas que lutam ferrenhamente para execução de subversão e NÃO GANHAM SALÁRIO.

Uma outra questão que pode surgir: “seriam todos esses movimentos oriundos de outros países?” Nem sempre. O patrocínio da subversão pode tanto surgir de dentro do país como de fora. No caso de surgir internamente, normalmente vemos que a ambição é submetê-lo à uma ambição maior, no caso global (o marxismo, o globalismo e, em alguns casos, até o neo ateísmo se encaixam nisso), a qual pode ter o patrocínio oriundo do exterior. O essencial é compreender que a tática da subversão se baseia em aproveitar os movimentos culturais e sociais internos que já existem dentro do país. Bezmenov é bem lúcido ao afirmar que se uma sociedade é livre e democrática, obviamente há vários movimentos diferentes dentro dela. Em relação à subversão, basta que os patrocinadores da mesma escolham os movimentos adequados e a partir daí INFLUENCIEM a proliferação e incentivo destes movimentos, pois em cada sociedade obviamente há pessoas que são CONTRA a sociedade. Como exemplo destas pessoas podemos citar criminosos comuns (em discordância com a política estatal, como exemplo o Comando Vermelho e o PCC, no Brasil), inimigos declarados do sistema, além de personalidades puramente psicóticas que são contra tudo. Isso não impede que haja o pequeno grupo de agentes de subversão que venham de uma nação estrangeira. Mas, em tempos globais, como o atual, isso não é tão relevante, por causa da Internet. A coisa era um pouco mais complicada após a Segunda Guerra Mundial, em que as estruturas de comunicação não eram tão proliferadas como atualmente. Naquela época, o “problema” dos marxistas foi resolvido com a importação de vários deles, oriundos da Escola de Frankfurt, para os Estados Unidos.

Sobre esses movimentos internos, para os patrocinadores da subversão o importante é saber o momento em que todos eles estiverem posicionados em uma mesma direção. A partir daí, o jogo se baseia em apoiá-los, como um todo, e incentivá-los a ir nessa direção. Não é estranho que atualmente vários movimentos estejam unificados? Vejam o neo ateísmo que em vários casos se associa ao gayzismo, e até em relação aos Direitos Humanos para Bandidos… E também já vemos a unificação de vários movimentos marxistas e revolucionários com movimentos neo ateístas. Tudo isso é completamente previsível, conforme mencionado por Bezmenov, que nos demonstra que para os para os interessados na reestruturação da sociedade, é importante incentivar esses movimentos para forçar a sociedade ao colapso. A investigação do atual discurso acadêmico tem mostrado que a universidade atual é uma usina de subversão.

Os estágios da subversão

Se já sabemos o que é a subversão e quais as principais ideologias da subversão, o importante agora é entender quais são os estágios em que ela ocorre. Basicamente, subversão consiste de 4 períodos, avaliados em uma linha do tempo:

  • (a) Desmoralização
  • (b) Desestabilização
  • (c) Crise
  • (d) Normalização

No primeiro estágio, a sociedade está visualizando aquilo que aparentemente é a “execução da liberdade de expressão”, com várias participações de pessoas na mídia que possuam opiniões “contundentes” a respeito dos valores pré-estabelecidos. É também notório que ridicularização de qualquer instituição vigente é feito de maneira sistemática. Como vimos na parte 3, via marxismo cultural grande parte dessas iniciativas acontecem na publicação de livros, em filmes, nas novelas e sob qualquer forma de manifestação cultural. Um exemplo pode ser a obra de Pier Paolo-Pasolini e Costa-Gravas, dois cineastas italianos que dedicaram toda sua carreira a lançar filmes atacando a “burguesia”, e apoiando o marxismo. Esse exemplo é apenas um dentre vários outros possíveis. Os estágios seguintes vão, sequencialmente, levando a sociedade a finalmente perder sua identidade e entrar em colapso, primeiramente moral e posteriormente social, quando, enfim, com o último estágio, a subversão é extinta, pois o país já foi submetido a um governo totalitário, sendo que esse governo pode chegar ao poder via revolução interna ou intervenção externa. Tanto faz, o que importa é que a subversão, que foi útil para o esfacelamento inicial do país já não é mais útil aos que conseguiram tomar o poder.

Veremos, a seguir, em maiores detalhes, esses quatro estágios.

Estágio 1: Desmoralização

Consideremos uma sociedade hipotética. Conforme mencionado anteriormente, nessa sociedade existirão vários movimentos que estão na contramão dos princípios e valores morais básicos. É o suficiente para um patrocinador se aproveitar e tirar vantagem da existência desses movimentos. Como já tratado anteriormente, é importante relembrarmos que o patrocinador não precisa ser externo. O que importa é que tirar a maior vantagem possível dos movimentos de desmoralização social é o propósito principal do patrocinador da subversão.

Segundo Bezmenov, leva de 15 a 20 anos para desmoralizar uma sociedade. Ele justifica esse período de tempo pois mostra que este é o tempo suficiente para educar uma geração inteira. Nesse tempo, uma nova formatação de visão do mundo e ideologia são difundidos e aceitos como o padrão por parte desta geração. Alguns poderiam perguntar: “mas isso ocorre com todos?”. Não com todos, mas sim cria-se uma NOVA GERAÇÃO de subversivos, em quantidade suficiente para realizarem influência social. Nem todos serão subversivos, naturalmente. Esses resistentes normalmente atendem pelos conservadores, que tradicionalmente rejeitam ideologias subversivas.

O conjunto de atividades de desmoralização inclui, dentre outros, influência, por vários métodos, incluindo propaganda, networking, patrulhamento ideológico, nas seguintes áreas onde a opinião pública é formada ou moldada:

  • (1) Religião
  • (2) Educação
  • (3) Vida Social
  • (4) Estrutura de Poder
  • (5) Relações de Trabalho
  • (6) Lei e Ordem

Serão estas, acima, as áreas de APLICAÇÃO da subversão.

No caso da religião, o objetivo é destruí-la, através da ridicularização. Isso pode ocorrer de várias formas, incluindo, na mídia, a publicação de charges, satirização e coisas do tipo. O estímulo à religiões alternativas e mitologias new age também pode ser uma forma de atacar a religião base do país. As religiões alternativas devem sempre em levar o praticante para longe do propósito principal da religião, que é manter os seus adeptos em contato com Deus. Essas novas religiões podem, por exemplo, estarem focadas no utilitarismo, como muitas das idéias new age, ou até mesmo serem relativistas. Até variações relativistas do cristianismo podem ser lançadas. Destas, a mais notória é a Teologia da Libertação, que prega uma mistureba entre marxismo e cristianismo, totalmente inconvincente. Aproveitadores dessas ondas culturais podem surgir, incluindo propostas ecumênicas estranhíssimas. Enfim, qualquer coisa que leve o cidadão comum para longe da religião estabelecida no país será útil ao objetivo de desmoralização.

Na questão da educação, o objetivo é distrair os alunos de aprender algo construtivo, pragmático e eficiente, nas palavras exatas de Bezmenov. Isso inclui tirar um pouco do foco de matemática, física, línguas estrangeiras, química, e ensinar a eles a história do conflito urbano, sexualidade alternativa, propostas suspeitas de “cidadania” e coisas do tipo. Obviamente a globalização entra na agenda e as crianças desde o início são doutrinadas a sonhar com tais idéias. Notem, por exemplo, este caso bizarro em que apostilas do Sistema COC foram flagradas com doutrinação marxista. E não é que tem gente que ainda é capaz de falar que as declarações de Bezmenov são “teoria da conspiração”? O duro é explicarem essas apostilas do sistema COC…

No contexto da vida social, a iniciativa principal é trocar as instituições e organizações tradicionalmente estabelecidas por organizações fajutas. Isso significa chutar para o alto as ligações naturalmente estabelecidas entre as pessoas, criando novos órgãos controlados de forma burocrática. Muitas dessas iniciativas “sociais” promovidas por ONGs surgem dessa maneira. As pessoas deixariam de se unir pelos elos naturais e instituições tradicionalmente aceitas, mas sim por essas organizações. O importante é que essas organizações em muitos casos são financiadas não pelas organizações civis naturais, mas por patrocinadores estrangeiros, pelo governo, etc. E isso novamente explica muita coisa. Segundo Bezmenov, diretamente:

Pessoas que estão na folha de pagamento de quem? Sociedade? Não. Burocracia. A principal preocupação dos assistentes sociais não é a sua família, não é você, não é a relação social entre grupos de pessoas. A principal preocupação é pegar o contracheque do governo. Qual será o resultado social do trabalho deles? Não importa. Eles podem desenvolver todo tipo de conceitos para mostrar para o governo e para o povo que eles são úteis.

Na questão da estrutura de poder, os órgãos naturais de administração, que tradicionalmente ou são eleitos pela população ou indicados pelos líderes eleitos da sociedade são substituídos ativamente por órgãos artificiais. Um exemplo desses órgãos artificiais é a mídia. Gente como Gramsci, Goebbels e Lukacs desde o início sabiam do poder violentíssimo que a mídia detem sobre as pessoas. Isso também explica o motivo pelo qual os subversivos adoram participar da mídia no máximo que for possível. A partir de lá, esses subversivos presentes na mídia definem o que é bom ou ruim para o restante da população. A influência deles é tamanha que chegam a ditar o que um governo deve ou não fazer. O curioso é que muitos não possuem nem sequer noção do que estão falando, mas o importante é que eles executem a agenda pessoal dos patrocinadores da subversão. Junto dos acadêmicos e professores de universidade, a categoria de subversivos mais perigosa é a aquela que se instaura na mídia. Mesmo que um governo tenha sido eleito pelo povo, muitas das decisões são diretamente influenciadas por esta classe de subversivos que pertence à mídia.

As relações de trabalho começam a ser erodidas, assim como os elos tradicionalmente acordados na negociação entre patrão e empregado. Os sindicatos, que Yuri reconhece como extremamente úteis uns 100 anos atrás, se transformam em organizações políticas, em que muitas das decisões são tomadas com objetivos puramente políticos (sempre, é claro, de esquerda). Após cada greve prolongada, os trabalhadores perdem, e milhões são prejudicados pelos resultados da greve. Mas o chefe do sindicato sempre lucra com isso, pois o objetivo é a propagação ideológica. Conforme Bezmenov cita:

Qualquer ação, mesmo que não resulte em ganhos para o trabalhador, resulta em ganho político, sempre ‘provando para os capitalistas’ que eles tem o que merecem as vezes. E os trabalhadores não podem desobedecer esses líderes. Por que? Piquetes!

Quanto a lei e ordem, é executado um trabalho sistemático de desmoralização do poder. Nisso, os intelectuais do Brasil são PHDs. Dias atrás eu noticiei no Twitter o futuro lançamento do filme “400 contra 1”, que conta a história do Comando Vermelho, organização de trafico de drogas do Rio de Janeiro. Mais um dos milhares de filmes nacionais que colocam o criminoso como um herói e os policiais como bandidos. A partir disso, se instaura ódio e desconfiança contra as pessoas que deveriam nos proteger. Que existem policiais corruptos? Claro que eles existem na realidade. Mas da forma como são mostrados nos filmes nacionais isso chega a ser ridículo.

Tudo isso citado pode ou não ocorrer com ajuda dos patrocinadores da subversão. Deixemos que Bezmenov nos explique mais:

Como? Sempre que há um sindicato em greve, por exemplo, há um influxo de propaganda, mídia de massa, disseminação ideológica (“O Direito dos Trabalhadores”).

Patrocinadores podem ajudar nesse cenário apenas divulgando literaturas baseadas em lutas de classe, discurso anti-religião, e mesmo se não forem diretamente marxistas ou ateístas, elas podem estar disfarçadas de propagandas com legítimas aspirações das pessoas, como “melhoria de vida”, “igualdade”, etc.

Lembremos que na religião não se diz que as pessoas são “iguais” ou que “nascem iguais”. Bezmenov nos lembra disso ao dizer: É o oposto. ‘Pelos SEUS ATOS Deus o julgará’, ‘o que você FAZ é importante’, ‘o mérito de sua personalidade’. Não se pode legislar igualdade… se você quiser SER igual, terá que LUTAR para ser igual. É a base da construção da sociedade.

Isso tudo deixa claro o quanto é ilusório divulgar expressões como “igualdade” sem compreender o contexto onde ela se encaixa. Bezmenov diz, a respeito disso:

Se fazemos as pessoas iguais a força, se colocarmos sob o princípio da igualidade na base da estrutura sócio política é como construir uma casa na areia, cedo ou tarde ela vai desmoronar [...] É dito ‘igualdade, sim, todos são iguais’.

Claro que isso, para os patrocinadores da subversão, é uma maravilha, pois os conflitos naturalmente vão surgir justamente a partir disto.

Bezmenov também questiona, brilhantemente, a igualdade no sistema legal. Segundo ele:

[...] Pessoas que trabalham feito um cão devem ter os mesmos direitos que um criminoso que veio nos barcos de Cuba em 1980? Por que? Muitos nem sabem o por que, mas repetem ‘igualdade, igualdade!’, como papagaios. (*)

Fica claro que muitos confundem democracia com igualdade. Bezmenov também nos ajuda clarificando sua opinião sobre isso:

Democracia é o sistema em que pessoas DIFERENTES, pessoas desiguais, têm uma chance de sobreviver e ajudar-se umas às outras em constante concorrência, aperfeiçoamento, e não uma igualdade superimposta por um patrono. Igualdade absoluta existe na Rússia, todo mundo na lama, exceto os que ficam no Politburo.

Diante dessas declarações, fica evidente o que constitui o estágio de desmoralização, que pode ser resumido em tentar tirar a identidade moral e cultural de uma nação, com a presença de uma nova geração de subversivos, que inserem idéias subversivas. Quando a sociedade não tem mais como diferenciar claramente o que é certo ou errado, o estágio de desmoralização está completo. O próximo passo é a Desestabilização.

Estágio 2: Desestabilização

Nessa fase o colapso moral já ocorreu, e então é momento de preparar o colapso social, que deve ser resultante do primeiro. Se antes o foco era em preparar CULTURALMENTE a sociedade para a sua desestruturação, agora o momento é de execução das iniciativas. O objetivo principal é desestabilizar todas as relações, instituições e organizações aceitas no país que é foco da subversão.

Na questão das relações de trabalho, começa a haver uma radicalização no processo de negociação. As greves são mais violentas, e começam a surgir iniciativas de conflitos mais sérios, em alguns casos até conflitos armados. Organizações como MST, por exemplo, já começam a invasão de terras em público e desafiam até a polícia – lembrem-se que no estágio anterior, o importante era fazer a polícia deixar de ser respeitada pela população. Agora é o momento dos subversivos colherem os frutos dessa desmoralização. Segundo Bezmenov, “se antes era possível, teoricamente, atingir acordo entre as partes, aqui é a radicalização, sempre recorrendo à decisões judiciais”. Nessa fase, não há acordo, em alguns casos, nem mesmo dentro da família.

Os neo ateus começam a se tornar relevantes nessa fase, e até os marxistas já não são mais sutis. Os grupos gayzistas começam a se tornarem moralmente agressivos. Não deixa de ser relevante esta notícia comentada por Olavo de Carvalho, a respeito de uma estratégia de coação judicial sofrida por Dom Eugênio de Araújo Sales, que foi alvo de um conjunto de ações judiciais arquitetadas por gayzistas:

No caso do bombardeio de ações judiciais arquitetado pelo movimento gay contra Dom Eugênio de Araújo Sales, a Defensoria Homossexual de São Paulo não esconde seu propósito de utilizar a justiça como instrumento de coação. “Na Argentina esse procedimento funcionou muito”, afirma um dos promotores da iniciativa: “Os grupos escolhiam cerca de cinco inimigos (julgados ‘homofóbicos’) e abriam processos dizendo-se pessoalmente ofendidos. Isso fez o Legislativo enxergar a comunidade como um grupo muito bem articulado para prejudicar a imagem dos políticos e do país.” Não se trata, pois, de uma legítima reparação de danos, e sim de um ato publicitário destinado a chantagear um terceiro.

Não é muito diferente dos neo ateus que entraram com ações judiciais contra a presença de crucifixos nas reparticões. Se um grupo, como a ATEA, faz campanha contra os crucifixos, o objetivo muitas vezes não é sequer conseguir o intento, mas sim fazer a propaganda. Se conseguirem barrar os crucificos, cantarão vitória, se não conseguirem, ditão que “religião continua oprimindo”. A propaganda ocorre nos dois casos.

Nas escolas, passa a ser regra a presença de professores ensinando seus alunos a lutarem, até agressivamente, por aquilo que consideram seus direitos. Lembremos que as lutas por “direitos das minorias” passarão a ser legitimadas, simplesmente pela prática do coitadismo. Quanto mais difícil a luta, melhor para os militantes, pois mais heróicos eles aparentam. De novo, o fator propaganda é fundamental em todas essas iniciativas para eles.

A partir dessa fase, os seres humanos dentro da sociedade já não compõem mais uma sociedade sólida, sendo uma série de “pequenas tribos” que entram em conflitos umas com as outras. Não haverá mais acordos, e todas as oportunidades de conflito serão exploradas, e, naturalmente, o número de ações judiciais inter-grupos tende a aumentar consideravelmente. Grupos subversivos tenderão a iniciar ações judiciais por questões irrelevantes, não sendo importante se ganham ou perdem.

Diante de todo esse cenário, possíveis ações armadas passam a ocorrer. Um exemplo são as FARC, na Colômbia. O sinistro, nessa fase, é que tais ações podem começar a ser tratadas como algo normal. Vejam no Brasil, por exemplo, o apoio que a CNBB dá ao MST. Ações criminosas, de roubo de terras, agora passam a ser consideradas não só “normais”, como também “merecedoras de respeito”. Obviamente que a participação de jornalistas subversivos nesse empreendimento será fundamental.

Não sendo mais possível a população resolver seus problemas, a sociedade fica antagônica. Os líderes dos grupos subversivos ficam mais sólidos, e tornam-se referência para os adeptos desses grupos. Como parte desse processo, eles passam a ter ações de cunho político, como pode ser exemplificada na iniciativa de Christopher Hitchens em querer a punição do Papa por causa de crimes de pedofilia na Igreja. Ser ateu, nesses casos, passa a ser um ato político.

Quanto mais os grupos ficarem mais e mais antagônicos, com propensão à luta armada, isso é o sucesso do processo de desestabilização. E muitos desses líderes recebem dinheiro de várias fundações para sua “luta legítima em prol de qualquer minoria”. Esse processo, naturalmente, leva diretamente ao estágio da crise.

Estágio 3: Crise

No caso de nações em desenvolvimento, onde Bezmenov mais atuava, o processo começa quando os órgãos legítimos de poder, a estrutura social desmoronava, não podendo funcionar mais. A partir disso, órgãos artificiais são injetados na sociedades.

Bezmenov citou os “comitês não eleitos”, que são grupos de assistentes sociais não eleitos pelo povo. Estes passam a agir em conjunto, adquirindo um poder acima daquilo que lhes seria inerente. Ao mesmo tempo, profissionais da mídia aumentam o seu poder como legitimadores de ações desses grupos, em alguns casos ações paramilitares. Yuri cita que no Irã quando chegou à fase de crise havia, de repente, comitês revolucionários, no que ele conclui, até com irritação:

Quem? Quê? Que tipo de revolução? Não havia revolução ainda, e ainda assim eles tinham comitês! Eles tomavam o poder de julgamento, eles tinham o poder de execução, eles tinham o poder de legislação, e tinham o poder judiciário, todos combinados em uma pessoa, que é um intelectual de miolo mole às vezes formado em Harvard ou Berkeley. Ele volta para seu país e acha que sabe a solução para todos os problemas sociais e econômicos.

Esses grupos passam a promover e vender sua própria ideologia, sempre em aliança com estes novos órgãos artificiais que vão exigir o poder. E caso o poder seja negado a eles, tentarão tomá-lo à força. É importante notar que nessa fase a sociedade não tem condições de funcionar produtivamente, pois está em colapso social. Tente imaginar o MST ou as FARC já como grupos não mais semi-clandestinos, mas sim como grupos que não podem mais serem contidos pela nação. Isso é um exemplo do que configura o cenário de crise. No caso de países como Brasil e Colômbia, estamos no estágio da Desestabilização, com riscos de adentrar ao cenário de crise.

A situação torna-se nessa fase tão crítica que isso naturalmente vai ecoar nas sensações percebidas pela população, que começará a ficar impaciente, em busca de um salvador da pátria. A partir daí a idéia de um governo forte, até mesmo se for socialista, passa a ser considerada uma boa idéia pela população. Bezmenov complementa, sobre esse cenário:

Um líder, um salvador é necessário. A população já está irritada e cansada. E cá está, nós temos um salvador! Ou uma nação estrangeira vem, ou o grupo local de esquerdistas, marxistas, não importa de que eles se chamam. Um exemplo são os sandinistas. Ou algugém como o bispo Muzorewa, no Zimbábue… Não importa. Um salvador vem e diz ‘Eu guiarei vocês!’.

Nesse momento as duas alternativas são:

  • guerra civil
  • invasão

Em relação a guerra civil, Bezmenov cita o Líbano como o melhor exemplo, com a guerra civil que foi artificialmente implantada no Líbano por injeção de forças da OLP – Organização para Libertação da Palestina. No caso de invasão, ele cita o Afeganistão. Ou até mesmo qualquer pais do Leste Europeu invadido pelo governo soviético. Em todo o caso, o resultado é o mesmo, que culmina no próximo estágio, a normalização.

Estágio 4: Normalização

Bezmenov nos lembra da ironia contida no termo normalização, que foi emprestado da situação de 1968 na Tchecoslováquia, a famosa Primavera de Praga. Foi um período em que havia liberalização política no país, após a entrada do reformista eslovaco Alexander Dubcek. A reforma começou em 5 de janeiro de 1968 e durou até 21 de agosto, quando a União Soviética e os diversos membros do Pacto de Varsóvia tomaram o país para interromper as reformas. Tanto a propaganda soviética como o New York times declararam “O país está normalizado”. Na terminologia pós-revolução é assim: “não há mais violência, portanto está tudo normal”.

Como a situação estava caótica anteriormente, passa a ser lícito estabilizar o país à força. Os subversivos que foram extremamente importantes para levar o país à situação em que ele deveria ser “normalizado” a partir de agora não são mais necessários. É justamente aí que surgiu a terminologia do idiota útil, definido como um agente subversivo ou participante de atividades subversivas que luta por seus ideais, e, com isso, ajuda a gerar os conflitos, o que coincide com a transição, nas fases de subversão, da desestabilização até a crise. Após a crise, é dado o pretexto para a normalização, e os patrocinadores da subversão a partir daí colherão os frutos. As atividades subversivas não só passam a ser desnecessárias a partir desse momento, como também indesejáveis. Em muitos casos, é quando os ativistas e militantes, em grande parte, são executados ou exilados.

Bezmenov conta mais detalhes:

Os novos governantes precisam de estabilidade para explorar a nação, o país, tirar vantagens da vitória. Então chega de revolucionários, por favor! E isto é exatamente o que acontece em vários países. Lembram Bangladesh? Esta foi a crise na qual eu fui de utilidade. Primeiro eles tinham Mujibur Rahman. Em 1971 ele era o líder do Partido do Povo, a Liga Awami, com um bigode tipo Stalin. Ele esteve na Rússia várias vezes. Cinco anos depois ele foi baleado por seus ex-colegas – marxistas. Ele cumpriu sua função. No Afeganistão, isto aconteceu três vezes. Primeiro havia Taraki, depois Amin e agora Babrak Karmal. Eles se mataram sucessivamente um atrás do outro, No momento em que um cumpria sua obrigação. O primeiro desmoralizava o país, o segundo desestabilizava, o terceiro o levou à crise. Adeus, camarada. Pum! Babrak Karmal vem de Moscou e é colocado no poder. O mesmo aconteceu em Grenada recentemente. Maurice Bishop – marxista – foi morto por Austin – Como se chama? General alguma coisa. – que também era marxista! Então, chega de revoluções, por favor. Normalização agora. De agora em diante, chega de greves, chega de homossexuais, chega de women-lib, chega de kid-lib, chega de lib, ponto final. Boa e sólida liberdade proletária democrática. E pronto.

E para reverter o processo? Aí é que são elas. Ainda de acordo com Bezmenov:

Quando hoje os EUA tiveram que invadir Grenada para reverter o processo de subversão, algumas pessoas disseram ‘Rapaz, isso não é bom, não é kosher. Invadir um lindo país, a ilha de Grenada.’ Ora, por quê você não parou o processo na fase de desestabilização, quando Grenada foi só abordada por esquerdistas? Por quê não impedir que Maurice Bishop sequer chegasse ao poder? Os Grenadenses o queriam? Muito questionável! Pra começar eles não sabiam quem era Maurice Bishop. Ele mesmo chegou ao poder por um golpe de Estado. OK? Mas não, nós deixamos a situação avançar mais e mais e mais até a crise e normalização muito em breve… E aí os EUA decidem invadir o país descobrindo que o país era inteiramente uma base militar para a URSS! Claro que é uma medida drástica! Claro que é uma pena que os fuzileiros tiveram que perder – O quê? – desessete vidas. Muito ruim. Por quê não parar o processo antes que chegue à crise? Ah não, os intelectuais não deixam! É interferência em assuntos internos. Eles têm o máximo de cuidado para não deixar o governo americano interferir em assuntos internos de países latino-americanos. Eles não ligam pra União Soviética interferindo nestes assuntos. Então, para reverter este processo daqui É preciso apenas e sempre ação militar. Nenhuma outra força na Terra pode reverter este processo neste ponto. Neste ponto não precisa uma invasão militar pelo exército dos EUA.

Em resumo: melhor prevenir do que remediar.

Contenção

Primeiramente, quero dizer que com tudo isso trazido aqui, expondo o cerne das declarações de Bezmenov, eu não tenciono alarmar ninguém. Não é intenção minha criar uma visão apocalíptica do que vai acontecer no futuro. Meu objetivo aqui é mostrar COMO O JOGO É JOGADO, pois este é um estudo do neo ateísmo, que é uma das ideologias subversivas atuais, e precisamos entender qual o PAPEL das principais ideologias no processo de subversão.

Bezmenov defende que uma forma de conter a subversão, principalmente nos estágios iniciais, é apelar à religião. Eu vejo de maneira mais ampla, incluindo, além do apoio a religião, o apoio ao conservadorismo em geral. Acho que devemos reforçar as bases CONSERVADORAS. Precisamos apoiar políticos conservadores, e influenciar o crescimento de intelectuais conservadores. Se hoje temos o Olavo de Carvalho e o Reinaldo Azevedo? Que tenhamos dezenas deles!

Notamos aqui que grande parte das iniciativas subversivas surgem nas universidades, onde eles encontram cérebros susceptíveis à doutrinação. Depois, lançam-se como militantes acadêmicos (Richard Dawkins é apenas um deles), participantes da mídia, artistas, etc, sempre com o objetivo de influenciar o maior número de pessoas com ideologias subversivas. E qual a melhor forma de conter isso? Se chegarmos no estágio da crise, haverá conflito armado. Antes, o conflito tem que ser intelectual.

Para isso, não é preciso criminalizar os subversivos, mas desmascarar qualquer ato indigno que eles cometerem. Não é o fato de se posicionarem em academias, na mídia ou em círculos artísticos que os torna imunes de críticas. Quando distorcem as informações e argumentos alheios (e os subversivos são especialistas nisso), eles precisam ser desmascarados. Se há esse blog que desmascara os neo ateus, junto com alguns poucos outros blogs, que existam 200 deles!

Bezmenov chega até a ser radical:

Digo, não colocá-los na cadeia! Não estou falando para colocar todos os gays de São Francisco num campo de concentração! Não permita que eles consigam poder político! Não os eleja a posições de poder! Seja no nível municipal, estadual ou federal. Tem que ser enfiado na cabeça de eleitores americanos de que uma pessoa como esta nas posições de poder é um inimigo! Não temam esta palavra. É um inimigo! Se não for um inimigo aqui, será aqui. Mais adiante ele será fuzilado, é claro. Mas neste ponto ele É um inimigo. OK? Vocês estarão prestando um grande serviço negando-lhe um direito de faturar em cima de suas próprias idéias malucas e se tornar um homem poderoso, um homem que usa sua posição de poder. Restrição de certas liberdades e permissividade naquele ponto impediria deslizar pra crise e provavelmente voltaria o processo de desestabilização. Restringir o poder ilimitado, o poder monopolista dos sindicatos neste ponto salvaria a economia do colapso.

Transcendendo essa idéia para o movimento neo ateísta. É simplesmente nos impormos e mostrar que este país é de cultura cristã. Os ateus devem ser respeitados, mas não tem o direito de COAGIR religiosos. É por isso que sempre tenho divulgado que o religioso, quando permite o avanço de atividades subversivas, está implicitamente transmitindo a mensagem “pode avançar mais”, pois o subversivo não tem limites.

Veja, por exemplo, como Yuri (que era membro da KGB, sempre é bom lembrar) :

Antes de tudo, restringindo a importação de propaganda. A coisa mais fácil de fazer. Importação ilimitada, irrestrita de literatura soviética jornalistas soviéticos, dar a propaganda soviética e a agitadores ideológicos tempo igual na cadeia de TV americana. Tem que ser impedido! E é fácil. Eles não se ofenderão – veja bem. Na verdade, eles respeitarão mais a América. Mas quando meu ex-colega Vladimir Posner aparece no Nightline e Ted Koppel pergunta “Bom, Vladimir, o que você pensa disso?” O quê ele pode pensar?! Ele é um instrumento de propaganda! Ele pensa o que o camarada Andropov manda ele pensar. Ele é apenas um belo e articulado alto-falante do sistema de subversão soviético. E Ted Koppel te faz acreditar que meu amigo Vladimir Posner PENSA?! O processo de desmoralização pode não ter começado de forma alguma se neste ponto o país que é um recipiente de subversão ativamente – não violentamente, mas ativamente – impede a importação de ideologia estrangeira. Mas quando ele te oferece um bagulho disfarçada de algo bem lustroso você deve dizer a ele: ‘Não. Nós temos nosso próprio bagulho.’

É mais um motivo pelo qual eu tenho também criticado o excessivo espaço para “debate” dado por gente como Dinesh D’Souza, William Lane Craig e Alister McGrath em discussões com gente como Christopher Hitchens e outros neo ateus. Neo ateu, como agente de subversão, não tem que ser respeitado dessa forma, pois toda a vez que ele abre a boca e é tratado com dignidade, ele usará para fazer propaganda (e não vai respeitar o oponente). É só para isso que ele funciona. Se Bezmenov menciona ideologia estrangeira, podemos mencionar também as ideologias subversivas de todo o tipo entre aquelas às quais deveria ser tirado o espaço. Ele conclui:

Se neste ponto a sociedade for forte, corajosa, e consciente o bastante para parar a importação de idéias que são estranhas então toda a cadeia de eventos pode ser evitada.

Em relação à manutenção da religião, Bezmenov conta algo muito imporante:

Um cientista soviético, Shafarevich, que não tem nada a ver com religião, – ele é um cientista da computação – fez um estudo muito intenso na história de países socialistas. Ele chamava socialista ou comunista a qualquer país com uma economia centralizada e uma estrutura de poder piramidal, e descobriu – na verdade não descobriu; apenas chamou à atenção de seus leitores – que civilizações como Mohenjo-Daro, nas regiões hindus ribeirinhas, como Egito, como os maias, como os incas, como a cultura babilônica, desmoronaram e desapareceram da face da Terra no momento em que perderam a religião. Simples assim. Desintegraram. Ninguém se lembra mais delas.

Notaram por que os neo ateus hoje são VEDETES do cenário subversivo? Dentre as ideologias subversivas, eles são os mais relevantes hoje em dia, capaz até de rivalizarem com os marxistas. Se atualmente muitos sabem que uma das metas dos ideólogos do globalismo é eliminar a religião, eles sabem do que estão fazendo. Os conservadores, em retribuição, devem ENTENDER como funciona a subversão e impedi-la. Antigamente, na época da palestra de Bezmenov, tínhamos dificuldade de acesso à informação. Hoje, tudo é mais fácil. Não há motivos para ignorar todo o estudo que já temos sobre subversão ocorrida no passado.

Bezmenov segue nos fornecendo mais razões para lutar contra a subversão, e como a religião será importante nesse aspecto:

A solução para a subversão ideológica, estranhamente, é muito simples. Você não tem que atirar nas pessoas, você não tem que mirar mísseis, Pershings e mísseis de cruzeiro no quartel-general de Andropov. Você só tem que ter fé e evitar a subversão. Em outras palavras: não ser uma vítima da subversão. Não tente ser uma pessoa que no judô está tentando esmagar o adversário e é pego pela sua mão. Não golpeie assim. Golpeie com o poder do seu espírito e superioridade moral. Se você não tem este poder, é hora de desenvolvê-lo. E esta é a única solução.

E eu adiciono mais. Juntando o apoio aos conservadores, o respeito à eles, e também à filosofia aristotélica e à religião, além de toda a cultura e as instituições do país, conseguimos ter uma chance contra a subversão. E, conforme foi visto nesse ensaio, ao tirarmos o espaço político dos subversivos, ao final das contas estaremos até sendo caridosos com eles, pois o mero fato de existirem tantos subversivos assim é basicamente ingenuidade e falta de senso crítico por parte deles. Nesse quesito, a refutação e o desmascaramento de subversivos é um ato de caridade.

Conclusão

Nesse artigo, pudemos entender qual a função social da existência de ideologias como marxismo, neo ateísmo e globalismo. Pudemos ter uma noção teórica até do motivo pelo qual tais grupos foram criados. Há também bases dificilmente contestáveis para definir tais grupos como subversivos. Com uma maior expansão desta análise, poderemos, quem sabe, até mapear o estágio de subversão em cada nação, para entender como os movimentos subversivos estão agindo e qual o esforço necessário para contê-los. A partir desse momento, é possível mudar a forma pela qual entendemos o movimento neo ateísta. Se antes podíamos pensar neles como debatedores sérios, agora podemos notá-los como mecanismos de propaganda subversiva. Isso nos dá uma justificativa lógica para optar pelo desmascaramento e refutação formal deles ao invés do diálogo atencioso. Até por que, com eles, o diálogo amigável jamais funcionou. E, para descontrair (já que esse texto é mais denso do que a média dos que estão aqui), mais uma musiquinha em homenagem aos subversivos em geral.

(*) Para quem não se lembra, nessa época, Cuba mandou 25.000 criminosos (junto de 75.000 civis) em barcos para Miami. Essa história é contada no filme “Scarface”, de 1983, com Al Pacino.

Técnica: Cristão moderado ou cristão literal?

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Última atualização: 27 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Essa é uma das técnicas mais sutis utilizadas por debatedores neo ateus, e é principalmente levada à frente nos livros “A Morte da Fé”, de Sam Harris, e “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins.

Ela se baseia em simular uma suposta limitação do universo dos religiosos, dividindo-os em dois grupos, igualmente condenáveis:

  • (a) aquele que segue a Bíblia “corretamente” (segundo eles), e então interpreta-a literalmente
  • (b) aquele que seleciona partes específicas da Bíblia, pois, olhando-a como um todo, ela seria horrenda demais para ser seguida

Um exemplo disso é quando Harris cita o Deuteronômio e diz que raros cristãos em sã consciência “seguiriam aquilo hoje em dia”. Harris diz que se os cristãos seguissem a Bíblia “corretamente”, então teriam que sair matando (pois, segundo ele, o Deuteronômio é manual de horrores). O cristão “moderado” seria aquele que não seguiria as partes de “horrores” da Bíblia.

Claro que Harris e Dawkins simulam não só a interpretação pueril, como também a falácia do falso dilema, em uma de suas formulações mais grosseiras.

Aquilo que os dois autores neo ateus chamam de “cristão moderado” é na verdade o cristão self-service. E o “outro” tipo de cristão é o cristão literal. [N.E. - Ver mais sobre o cristianismo self-service aqui]

Naturalmente, as duas perspectivas são igualmente condenáveis, por possuírem uma vasta série de contradições. Curiosamente, Harris e Dawkins ignoram estudiosos como a maioria absoluta dos teólogos, assim como cristãos como William Lane Craig, Dinesh D’Souza e Alvin Plantinga, dentre outros, que não são nem cristãos “moderados” (ou self-service) e nem cristãos literais. São cristãos TRADICIONAIS.

Vejam mais, a partir do próprio D’Souza:

[...] rejeito o literalismo bruto. Mas, de igual modo, rejeito a visão que se refugia no extremo oposto, segundo a qual deveríamos ler a Bíblia através de lentes de suposições seculares contemporâneas. Há quem pleiteie a rejeição de trechos das Escrituras que, segundo o seu entendimento, são sujeitos a objeções, defendendo a aceitação somente daquilo que vai segundo seu gosto pessoal. Isso é “Cristianismo Self-Service”, e é pior que o literalismo. Pelo menos, o literalista está tentando aprender com as Escrituras. O cristão self-service termina por projetar sobre o texto seus próprios preconceitos.

Como se nota, ele não se encaixa nas duas categorias citadas por Harris e Dawkins. Nem eu me encaixo. E dos leitores deste blog, acho que raros se encaixariam.

Sendo assim, por que os autores neo ateus definiram estes dois grupos como aqueles representantes do cristianismo? O motivo é simples: em cima destes dois grupos de cristãos, é extremamente fácil implementar objeções sobre eles. Mas não é tão fácil fazê-lo em relação ao cristão tradicional.

Dessa forma, o que os vigaristas neo ateus fazem? Ignoram a existência dos cristãos tradicionais e fingem que o mundo cristão é dividido entre cristão “moderado” ou cristão literal.

Refutação

Como a vigarice intelectual é elevada à enésima potência nessa implementação neo ateísta, a refutação deve ser igualmente enérgica. Algo como:

  • NEO ATEU: Você acredita que se deve pegar a filha virgem, e a concubina do outro, tirá-las para fora, humilhando-as, e permitindo que os outros façam delas o que parecem bem aos vossos olhos? Isso está escrito em Juízes, portanto a Bíblia ordena que você faça isso.
  • REFUTADOR: Claro que que a Bíblia não ordena que eu faça isso. De onde você tirou a idéia?
  • NEO ATEU: Mas está escrito na Bíblia. Então você deve fazer. Se não faz, então você já se acostumou com o horror da Bíblia. Daí não segue tudo. Você não é literal, é um moderado.
  • REFUTADOR: A história em questão narra a parábola de um homem que sacrificou sua própria filha (virgem) para proteger os que estavam sob sua guarda. E não é uma norma diretamente prescritiva para alguém, pois a situação em que o homem estava ali era única, e referente a um único momento. O que importa é a lição contida lá.
  • NEO ATEU: Você está só enrolando. Você só não joga sua filha para os outros estuprarem por que não segue a Bíblia.
  • REFUTADOR: Então vá estudar, e deixe VOCÊ de enrolar. E busque referências teológicas afirmando que a Bíblia “manda” eu fazer o ato que você alega.

[E daí por diante, sempre deixando claro a extrema desonestidade intelectual do neo ateu neste estratagema]

Conclusão

Neste caso, a falácia do espantalho, misturada com o falso dilema, tenta implementar o seguinte cenário: primeiro colocar em pauta dois perfis cristãos que são dificilmente justificáveis logicamente, e, em segundo, mentir para a platéia afirmando que esses são os únicos dois perfis a que um cristão pode pertencer. Como se nota, é uma estratégia unicamente de difamação, e que, portanto, tem que ser rejeitada com veemência. Em caso de insistência do neo ateu (que poderá tentar lhe impor ou a pecha de cristão moderado ou cristão literal, e não aceitará que você não pertença a um dos dois grupos) você poderá até pensar em medidas mais extremas, pois o intuito de difamação é claro.

Escrito por lucianohenrique

março 27, 2010 em 12:54 am

Semeadores da discórdia tentam refutar este blog, mas…

com 5 comentários

Recentemente, desmascarei aqui a postura de alguns picaretas da Internet, que se faziam passar por cristãos, mas que no fundo faziam uma comunidade somente para briguinhas entre ateus e teístas. Em suma, semeadores da discórdia, gente que consegue alcançar novos patamares de baixeza moral e desonestidade intelectual.

Nada aparentemente parece ter magoado mais o proprietário daquela comunidade (que se chama “Eu não Acredito em Ateus”), Gustavo, do que o fato de eu ter rejeitado uma parceria deste blog com a comunidade dele. Em um post, Gustavo fez a seguinte proposta:

Sou o relações públicas da comunidade Eu nao acredito em Ateus e gostaria de saber a opiniao de vocês sobre a proposta de Fusão de comunidade

Esta comunidade possui apenas 66 membros, obviamente não é uma comunidade grande, porém, tanto vocês como nós, possuimos os mesmos objetivos.

A proposta consiste de colocar um link para a comunidade “Eu nao acredito em Ateus”. Para isto, estou disposto a oferecer as seguintes condições:

1. Moderaçao para os moderadores T. R. Carraro, Pr. Paulo e também, para o dono Luciano Henrique estes farão parte da família moderação.

2. Divulgar em nossa descrição o Blog http://neoateismodelirio.wordpress.com/ que ao nosso ver, está muito bom.

No aguardo de uma resposta, deixo meus agradecimentos.

Uma fase de experiência ocorreu, pois eu ainda não conhecia a comunidade dele. Fui participar de lá, sob promessas sucessivas de Gustavo de que a comunidade poderia “assustar” por causa da baixaria, e que era uma proposta dele ir mudando isso com a presença de melhores debatedores. Dei um voto de confiança, que durou, no máximo uns 5 ou 6 dias, se não me falha a memória. Depois disso, naturalmente resolvi sair, e até retirei a comunidade dele dentre aquelas relacionadas à minha (“Neo Ateísmo, Um Delírio”). Rejeitei também automaticamente participar da moderação de lá. Depois do contato do Enishi (via Clarissa, que alega ser esposa de Gustavo), colei o resultado aqui no blog e deletei todos do MSN, com o devido bloqueio. Motivo: não é possível ter convívio com trolls.

Como não digeriu tal rejeição, Gustavo criou o blog da comunidade dele e, como sói ocorre nesses casos, veio dedicar o primeiro post justamente para… mim. O título não podia deixar de ser mais irritadiço: “Um Lunático por Nome Luciano”. Interessante é que, se ele me acha um lunático, por que insistiu tanto em fazer parceria com este blog e que eu fosse moderador da comunidade dele? Detalhes…

Como tudo que ele escreve é extremamente pueril, farei no máximo compilação de erros e os apontarei, até por que não vale a pena dedicar mais do que 15 minutos à eles. Comecemos.

O blog “Eu nao acredito em Ateus” destaca para esta semana uma fi gura ilustre da internet. Em verdade ele faz o tipo de um evangélico radical [1]. Se há uma coisa pior do que o ateu fanático, é um crente fanático [2].

1 – Primeiro erro: dizer que eu faço o tipo de “evangélico radical”, o que no mínimo é uma piada de mal gosto. Pois eu sou católico, mas, em debates, uso praticamente a premissa secular. Quem já leu “Flashbacks”, de Timothy Leary, e “O Gatilho Cósmico”, de Robert Anton Wilson, sabe que não raro discordianos são adeptos de alucinógenos. Talvez ele tenha obtido tais informações sobre meu “tipo evangélico” em uma sessão de Santo Daime. Mas não tem nada a ver com a realidade. E isso é só o começo.

2 – Este é mais um caso em que ele ouviu o galo cantar mas não sabe onde. Sim, ele me configura como “crente fanático”. Ué, mas em qual debate ele me viu com qualquer postura do tipo? Se ele chamasse de “cético fanático”, até vá lá (embora também não fosse uma definição justa), mas crente fanático foi o cúmulo da loucura…

No decorrer de nossas vidas, encontramos várias figuras grotescas como estas. O perfil do evangelico fanático é aquele que nada está correto a não ser sua forma de pensar [3]. Bom, alguns adicionam também a forma que o pastor pensa.

3 – Isso que ele tomou deve ter sido forte, pois quem leu esse blog ou qualquer de meus posts verá que eu respeito todas as formas de pensar e paradigmas afins. Aliás, em momento algum, eu defendi minha “forma de pensar” em termos religiosos, portanto, se ele faz tal acusação quanto a mim, ele deve, de novo, ter obtido tal informação durante um delírio alucinógeno, mas não em qualquer texto que eu tenha escrito.

Pessoas como estas são deveras perigosas para a sociedade. Eu nao acredito em Ateus e também nao acredito em evangélicos fanáticos. Penso que o meio termo é o adequado. Ter a capacidade de respeitar a crença e ideias alheias é um trabalho de lapidação do ser humano. E é isso que falta neste ser que atende por Luciano [4]. Primeiro ele vem com a ideia mirabolante de achar que todo ateu ou neoateu deve ser riscado do mapa para que entao possa provar do fogo do inferno [5]. Um ateu fanático apenas nao teve um crescimento espiritual esperado para ter a sensibilidade que o improvável possa existir [6].

4 – Engraçado é que Gustavo jamais vai conseguir demonstrar que eu não respeito crenças e idéias alheias. Talvez ele entenda por desrespeito a REFUTAÇÃO LÓGICA de idéias alheias. Algo como alguém dizer “2 + 2 = 5″, e eu replicar com “não, está errado, pois 2 + 2 = 4″, e ele “ahhh, não respeita idéia alheia”. Se for dessa forma, aí não respeito mesmo. Mas é desrespeito à idéia ilógica, e não à pessoa. Ou seja, até o momento Gustavo não saiu do zero.

5 – Hm, eu não conheço Santo Daime, mas pensando bem agora acho que ele deve ter tomado algo muito mais forte do que isso. Notem que ele afirma que eu vim com “idéia mirabolante” de achar que “todo ateu ou neo ateu deve ser riscado do mapa” para que “possa provar do fogo do inferno”. Sim, você não leu errado! Ele ALUCINOU achando que eu escrevi tal coisa, mas fica aqui o meu desafio para o Gustavo DEMONSTRAR onde eu teria escrito isso. Em suma, patético e ridículo.

6 – Essa idéia de que “ateu fanático apenas não teve um crescimento espiritual esperado” é de uma ingenuidade tão programada que sinceramente eu duvido que seja verdade. No máximo, Gustavo aqui faz uma caricatura de teísta. Para mim, Gustavo é maluco de pedra (e sequer capaz de ser teísta ou ateísta), e fez um personagem. Nesse caso, muito mal feito.

Sim, para sentir a presença de Deus e tomar por verdade a sua existencia é preciso todo um preparo coisas que ateus ainda nao possuem [7].

7 – Já não bastasse a consultoria que ele tenta dar sobre religião (algo como “o religioso tem que agir assim, não pode ser assim, como o Luciano”), agora ele dá consultoria global sobre crenças, focando até no ateísmo. Engraçado que se ele diz algo que faz com que qualquer teísta sadio ria dele, o mesmo vai ocorrer em relação aos ateístas.

Luciano é um ex ateu[8]. Se converteu e hoje aceita jesus como o salvador de sua vida, mas será que aceitar Jesus é o suficiente para que em alguns dias o ser humano possa ter um crescimento espiritual significativo a ponto de mudar toda a sua vida? [9] Acho difícil. Pessoas nascem com defeitos de caráter e morrem com eles e não há Deus no mundo que possa retirar tais defeitos, só quem pode retirar esses defeitos é o próprio homem, permitindo que os principios teistas ajam na sua vida [10]. Então, como é que alguem pode se achar superior a outro pelo simples fato de ter um Deus no coração e uma mente vazia? [11]

8 – Essa é a única coisa certa que ele escreveu. Sim, já fui ateu. Nunca escondi isso.

9 – O curioso é que o personagem do Gustavo é tão mal feito que esqueceu-se até do “não julgueis para não seres julgados”. Mas, de qualquer forma, o julgamento que ele fez a meu respeito, como sempre, erra o alvo.

10 – Impagável será se ele conseguir definir quem são os “teístas” a agirem na vida de quem. Pensando bem, é melhor deixar pra lá.

11 – Aqui é só provocação de parquinho, e não um argumento, portanto, irrelevante do ponto de vista de argumento.

Esse é o Luciano [12]. Um imbecil de marca maior [13] que acha que todos que olham atravessado para ele está possuído por um demônio [14] ou é vitimado pelas obras de macumbaria [15]. O que trás fascínio é ele ser tão radical, tradicional e tão herege ao mesmo tempo [16].

12 – Não, pelo visto, até agora. Todos os rótulos que ele a mim atribuiu não tem nada a ver absolutamente com o que sou, tanto em uma avaliação subjetiva, como na avaliação OBJETIVA. Eu desafio Gustavo a mostrar tal conjunto de características que ele tentou imputar a mim em qualquer um dos mais de 140 posts feitos até agora aqui neste blog.

13 – Ué, e onde está o “cristianismo manso” dele? Ah, já sei, foi mais um ato falho de Gustavo, que não soube criar seu personagem cristão direito, certo? Gustavo, quer tentar de novo?

14 – Fica o desafio para ele provar onde escrevi que alguém estaria “possuído pelo demônio” em qualquer debate comigo. Senão, ele terá a vergonha, em sua ficha corrida, de ter implementado (mais uma) evidência anedota.

15 – Idem ao anterior. Fica o desafio. Gustavo, e as provas?

16 – “Radical”, “tradicional” e “herege”. Tal combinação, junto com os erros grosseiros dele, beira o surreal. Provavelmente, ele deve ter escolhido 3 palavras no dicionário e dito “ah, vou colocar no texto para ver se ele se ofende”. Não me ofendi, e até dei boas risadas.

Se diz cristão tradicional mas não respeita os principios básicos do cristianismo, tal como oferecer a outra face [17]. Em um dos meus poucos diálogos com a criatura, ele me disse que o cristão não deve oferecer a outra face [18], mas ser agressivo e responder ódio com ódio (contrariando mais uma vez o cristianismo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.) [19] porque os tais “hereges” não pensariam duas vezes em matar um cristão caso tivesse oportunidade. Um completo absurdo! [20]

17 – Vide item 13. O sujeito quer dar consultoria de cristianismo para mim e comete mais um ato falho desses? É claro que isso é caricatura de teísta que não engana a ninguém. Melhor o Gustavo fazer um curso de ator com mais reputação, pois esse cursinho de encenação que ele fez por correspondência não serviu.

18 – Aqui já não dá nem mais para suspeitar de estupidez ou burrice, mas sim má fé. Bastasse ele ler o que eu escrevo para saber que jamais eu diria tal coisa. E sim uma crítica ao uso literal e ingênuo do “oferecer a outra face”, juntamente com o fato de ignorar qualquer outro princípio bíblico, e então ficar de calcinha molhada sempre que um ateu aparecer, mas pronto para a briga sempre que outro teísta estiver por perto. Ou seja, a crítica não é a “oferecer a outra face” e sim ao “oferecer a outra face” de forma seletiva, dissimulada, e contraditória com as próprias ações. Embora, é claro, eu duvide que Gustavo seja religioso. Como já dito, simplesmente ele está criando um personagem. E muito mal feito, diga-se, de passagem.

19 – Seria impossível eu escrever dizendo que se deve responder ódio com ódio. Muito provavelmente eu escreveria que o adequado é reagir ao desrespeito de forma enérgica, para demonstrar que o desrespeito não será aceito. Mas veremos se Gustavo consegue provar que textualmente eu escrevi aquilo que ele afirma.

20 – Bom, aqui é só ignorância histórica do Gustavo. Pois quando estiveram no poder, os governos ateus mataram muitos cristãos. O sujeito quer entrar em debates e nem estuda a história dos ateus e dos teístas?

Atitudes como estas é que criam pessoas que se auto intitulam ateus [21]. Não por negar a Deus e sim por repudiar posturas de falsos crentes [22].

21 – Aqui não dá para saber se é burrice, ingenuidade ou loucura. Ou um misto dos três. Pois se ele estudasse saberia que os ateus existem muito antes do cristianismo. Aliás, Epicuro já era, digamos, um “ateu”.

22 – O engraçado é como Gustavo fugiu de qualquer debate que lhe foi proposto. Para mostrar que ele não dura tempo algum em qualquer debate, está sendo aberto um tópico na comunidade “Contradições do Ateísmo”, em que o Gustavo está sendo desafiado a defender os seus argumentos colocados em seu texto. Vejamos como ele reagirá quando questionado sobre a doutrina cristã, pois, até o momento, o que se viu por parte dele foi apenas um “personagem” criado para satirizar o cristianismo. Ou seja, até como semeador da discórdia, ele é um amador.

Pérola da comunidade

Querem ver o quão baixo é o nível intelectual na comunidade de semeadores da discórdia dele?

Um sujeito, Backes, postou o seguinte argumento:

  • (1) É dito que quem vai para o paraíso vive em felicidade extrema
  • (2) Uma mãe pode morrer e ir para o céu, e um de seus filhos poderá ir para o inferno
  • (3) Uma mãe jamais ficaria feliz em ver o filho queimando no inferno
  • (4) Portanto, ela não será feliz no céu

Para completar a pérola, o forista neo ateu ainda disse que para um cristão acreditar que a felicidade no paraíso é possível seria preciso um “Double Think” (termo cunhado por George Orwell), que é a aceitação simultânea de crenças contraditórias.

Detalhe: esse é o argumento que os neo ateus de lá consideraram IRREFUTÁVEL. Vários neo ateus COMEMORARAM o mero fato do argumento ter sido escrito.

Se esse é um dos “melhores” argumentos dos neo ateus de lá, imaginem os piores…

Aí alguém critica esse tipo de estupidez, que não passa de vigarice intelectual, e o Gustavo dramatiza dizendo “ah, não deu a outra face”.

É mole?

Conclusão

Com argumentos de nível intelectual tão baixo, por que o Gustavo ficou tão magoado com o fato de eu ter dado um kick na comunidade dele? Ué, ele que ajude a comunidade a ter debatedores melhores, não? Hm, mas isso não vai acontecer, pois ele é semeador da discórdia, portanto lá só participa a escória intelectual. Pessoas com alguma cultura e/ou dignidade passam um tempinho por lá e saem. O que é óbvio. Como não tem por onde fugir (ou ele abandona a postura de semeador da discórdia, ou então as pessoas de nível intelectual/moral não participarão de lá), resta a ele um texto que não passa de um desabafo, mas em termos argumentativos é NOTA ZERO. Como seu nível é baixo mesmo, dedico a ele, à “esposa” dele e a sua turminha uma musiquinha.

Escrito por lucianohenrique

março 26, 2010 em 12:01 am

Técnica: Não podemos falar mais nada?

com 5 comentários

Última atualização: 25 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Esse estratagema nem chega a ser um falso argumento (como a maioria dos argumentos neo ateus), sendo mais uma técnica de fuga do debate, tentando apelar à piedade da platéia, ou tentando jogar a platéia contra o interlocutor teísta.

Basicamente, essa técnica ocorre em debates quando o neo ateu teve um ou mais de seus argumentos sumariamente refutados. Diante da vergonha, ele então lança a frase: “Quer dizer então que nós, ateus, não podemos mais nos expressar?”. Tradução: o sujeito terá desistido do debate, e tentado a partir disso comover a platéia, vilanizando o seu oponente.

O estratagema pode ocorrer em outras situações além do debate formal. Por exemplo, suponha que o neo ateu querendo aplicar o estratagema tenha lido um artigo refutando um ou mais dos argumentos dos principais autores neo ateus (ex. Dawkins, Hitchens, etc.). Caso a refutação não permita uma resposta, ele poderá, postar no fórum a seguinte frase: “O que vocês querem? Que nós, ateus, não possamos mais abrir a boca? Simplesmente eles abriram a boca e vocês querem proibir…”.

Em termos técnicos, todas as variações da técnica misturam a falácia do espantalho com o estratagema erístico ampliação indevida, mas principalmente a Estratégia Gato de Botas.

Refutação

Como não é um argumento, e sim um desabafo desesperado, segue um exemplo de como isso pode ocorrer e como o neo ateu pode ser tratado neste caso.

  • NEO ATEU: Sim, eu vi que você refutou alguns argumentos do Dawkins e do Hitchens, mas isso é apenas preconceito contra ateus de tua parte.
  • REFUTADOR: Como é?
  • NEO ATEU: Sim, pois você não quer que eles se expressem. Eles apenas escreveram livros por que tinham seus motivos, e você não queria que eles tivessem escrito.
  • REFUTADOR: Onde, for God’s sake, está escrito que eu não queria que eles tivessem escrito os livros?
  • NEO ATEU: Se você critica-os tanto, é por que não queria que eles escrevessem.
  • REFUTADOR: Não tem nada a ver. Veja, por exemplo, que eu acho que os estudos religiosos poderiam ter até disciplinas como “Estrutura do Neo Ateísmo” e “Estudos da Subversão”. O fato deles escreverem é até bom, pois fornecem material para nossa refutação e conhecimento de como eles pensam. De novo, de onde você tirou a idéia de que eu NÃO QUERO que eles escrevam?
  • NEO ATEU: Então, por que você critica tanto?
  • REFUTADOR: Não há relação alguma entre criticar algo escrito (e refutar) com querer proibir que a pessoa não escreva ou sequer divulgue sua idéia. Se o Dawkins escrever mais uns 3 livros (com títulos hipotéticos com “A Salvação Trazida pelos Ateus”, “Deus, Um Psicopata” ou “Nova Ordem Ateísta Mundial”), ele que o faça. Certamente vou refutar mais bobagens, embora eu ache que ele já tenha esgotado seu arsenal com “Deus, Um Delírio”. Mas, se quiser escrever, pode fazer. Irei ler, e refutar. De novo, de onde você tirou a idéia de que eu quero PROIBIR ele de emitir sua opinião?

Em resumo, quanto mais ele for tentando, menor é a possibilidade dele vender para a platéia a idéia de que os críticos do neo ateísmo estão querendo OPRIMIR os neo ateus, impedindo-os de proferir suas idéias.

Conclusão

Embora não seja um argumento, e portanto de refutação automática, é essencialmente importante impedir a execução deste estratagema pelo neo ateu. Motivo: ele, como não terá argumentos, vai apelar à uma tentativa de coação e manipulação da platéia, o que, embora seja intelectualmente desonesto, poderá ter seu efeito de propaganda. E, como tal, deve ser interrompida. Obs.: Essa técnica é parecida com a Técnica “Você Queria Que Eles Ficassem Quietos?”. A diferença é que aquela era formalmente uma falácia do falso dilema, ao passo que esta não.

Escrito por lucianohenrique

março 25, 2010 em 12:04 am

Christopher Hitchens contra o papa

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Que eu sempre tenho afirmado aqui neste site que a tolerância com que os neo ateus são tratados está sendo interpretada por eles como “liberdade para o avanço”, isso já não é novidade.

Em suma, a cada tentativa de ataque, se não ocorrer uma retaliação à altura, eles avançam cada vez mais. Segue abaixo um texto de Olavo de Carvalho, publicado originalmente no site Mídia Sem Máscara ontem, 23 de março, em que mais um exemplo da atitude desaforada dos líderes dos neo ateus é evidente:

“Hitchens tenta forçar a Igreja a renegar-se, a humilhar-se ante o altar da Justiça leiga, cujas normas, porém, o próprio Hitchens se permite aplicar às avessas.”

“Em artigo publicado no Wall Street Journal do último dia 15, Christopher Hitchens acusa o Papa Bento XVI de haver acobertado um crime de pedofilia em 1979, entre outros inumeráveis, e sugere que o Pontífice deve ser processado por isso.

Nem comento o estilo. Entremeado de menções ao “fedor” e à “sujidade” do caráter de Bento XVI, ele vibra em todas as cordas midiáticas da indignação estereotipada – o mais alto sentimento moral que algumas almas conseguem alcançar. O raciocínio que Hitchens segue para chegar à sua conclusão reflete, de maneira condensada, toda a deformidade estrutural da mente moderna.

Se o Papa deve responder perante a Justiça comum, é evidente que os critérios dela prevalecem, no caso, sobre as regras internas da Igreja. Mas, se é assim, eles devem vigorar não só para julgar o alegado acobertamento, mas também, e prioritariamente, o crime acobertado. Ora, o padre pedófilo acusado em 1979 de abusar de um menino de onze anos na cidade alemã de Essen nunca foi julgado nem muito menos condenado pela Justiça comum. Não havendo a respeito uma sentença transitada em julgado, ninguém tem, em nome da Justiça, o direito de proclamar que houve crime. Se nem o crime é confirmado, como pode sê-lo o seu “acobertamento”? Pela lógica, é preciso provar primeiro uma coisa, depois a outra, não ao contrário. O que houve, em vez de prova judicialmente válida, foi apenas uma suspeita séria, com base na qual o então cardeal Ratzinger ordenou que o acusado fosse submetido a tratamento psiquiátrico e removido para um posto administrativo em Munique onde não tivesse contato com crianças. Logo depois, no entanto, o vigário-geral de Munique, Gerhard Gruber, sabe-se lá por que, retransferiu o padre para funções pastorais onde ele não demorou a ser alvo de novas acusações de abuso sexual. Hitchens assegura que a culpa foi toda de Ratzinger, mas não dá nenhuma prova disso exceto a opinião de um ex-empregado da Embaixada do Vaticano em Washington, segundo o qual o então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé era um administrador meticuloso ao qual esse detalhe “não poderia” ter escapado. Ou seja: o Papa deve ser punido pela Justiça porque alguém achou que ele “deveria” saber do acobertamento, por terceiro, de uma conduta que nem sequer fôra comprovada como crime, seja pela Justiça comum, seja pela investigação interna na Igreja.

Hitchens, evidentemente, não quer nem saber como funciona a Justiça cuja intervenção ele invoca. Quer condenar um cúmplice antes de provado o crime e confirmado seu autor principal; e quer condená-lo mediante a simples opinião de um terceiro que não testemunhou nem o crime nem a cumplicidade.

Mas, se ele não entende os princípios jurídicos do mundo leigo cuja autoridade ele pretende sobrepor à da Igreja, muito menos entende as regras desta última.

Arrebatado nas ondas de um entusiasmo belicoso pueril, ele vai muito além do episódio de 1979 e acusa o então cardeal Ratzinger de haver, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada pelo Papa João Paulo II de investigar os casos de pedofilia na Igreja, “acobertado” todos esses crimes de uma vez. Qual a base dessa acusação? Ratzinger teria transmitido aos bispos uma ordem de que as denúncias de pedofilia fossem investigadas em segredo, dentro da Igreja, sem nada comunicar à polícia e à imprensa durante dez anos. O documento que comprova isso seria uma carta confidencial parcialmente citada – sem reprodução fotográfica – no Observer de 24 de abril de 2005. Não sei se a carta é autêntica, mas, mesmo que o seja, o fato é que Hitchens, como aliás o próprio Observer, finge ignorar os dois pontos principais do texto. Primeiro: a Igreja aí reservava-se o direito à investigação secreta somente nos casos em que as alegadas vítimas já houvessem completado dezoito anos de idade; nos quais, portanto, não houvesse riscos imediatos para crianças. Segundo: a instrução abrangia, é claro, só as denúncias feitas internamente na Igreja, que não tinham sido ainda levadas à polícia ou à mídia, seja pelas vítimas, seja por quem quer que fosse. Por que deveria a Igreja permitir que casos ainda não comprovados em investigação interna, e que nem mesmo as vítimas ou seus parentes tinham denunciado às autoridades civis, se transformassem em escândalos públicos por iniciativa de bispos ávidos de brilhar na mídia como paladinos dos direitos humanos? Como chamar de “acobertamento” a mera iniciativa de bloquear um falatório prematuro que arriscaria inculpar inocentes e estimular milhares de Hitchens a destampar mais uma vez, agora sob lindos pretextos moralistas e humanitários, todas as latrinas da fúria anticristã?

O Evangelho mesmo, a rigor, proíbe que cristãos levem suas queixas à Justiça comum antes de tentar resolvê-las na Igreja (I Cor., 6:1-11). Hitchens tenta forçar a Igreja a renegar-se, a humilhar-se ante o altar da Justiça leiga, cujas normas, no entanto, o próprio Hitchens se permite aplicar às avessas. Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.

Nunca fui um admirador do ex-cardeal Ratzinger, longe disso, tenho contra ele muitas queixas engasgadas, mas confesso que seu desempenho como Papa está me surpreendendo – não em tudo, é claro, mas especialmente na sua maneira de lidar com os casos de pedofilia. Foi ele quem reabriu as investigações sobre os “Legionários de Cristo” (e seu braço leigo, Regnum Christi), mesmo depois da morte do líder e pedófilo-mor dessa poderosa entidade, Marcial Maciel Degollado. Foi ele quem, tão logo recebeu os primeiros resultados do inquérito, mandou suspender a prescrição de dez anos, que, se era justa e normal em outros casos, se revelou capaz de prejudicar inúmeras vítimas mantidas em silêncio ao longo de décadas pelo herético e abjeto “voto de segredo” imposto por aquela malfadada organização a seus noviços. Negar que esse homem quer a verdade sobre esses episódios é negar a própria verdade.

O ateísmo é uma atitude humana normal, mas o ódio ao cristianismo enlouquece, embora nem todos os afetados dessa síndrome personifiquem essa loucura com a ênfase espetacular de Christopher Hitchens. Este não odeia a Igreja porque nela há pedófilos (se fosse assim odiaria também a ONU, onde os pedófilos são mais numerosos e mais cínicos). Ele já a odiava antes disso, e nunca tentou camuflar seu sentimento. A única novidade no seu artigo é a mudança de tática. Antes ele achava que podia vencer os cristãos no debate de idéias. Derrotado e humilhado em recente confronto polêmico com o escritor católico Dinesh D’Souza, passou pela transmutação que já se tornou rotineira em ateístas militantes desmoralizados: não podendo sobrepujar intelectualmente seus adversários, quer enviá-los à cadeia.”

Escrito por lucianohenrique

março 24, 2010 em 12:04 am

Técnica: Religiões diferentes causam conflitos

com 2 comentários

Última atualização: 23 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Essa técnica é base de grande parte da argumentação de gente como Sam Harris e Richard Dawkins.

Segundo eles, se há várias religiões no mundo, e cada uma possui dogmas diferentes, isso seria a configuração de divergências inconciliáveis. Sendo que tais divergências são inconciliáveis, isso é um motivo para isolamento entre os diversos grupos. Esse isolamento levaria a conflitos.

No caso de Harris, inclusive, ele chega a dizer que tais divergências religiosas vão acabar com a humanidade. Para maiores detalhes, consultar a técnica “Religião pode acabar com a humanidade”.

Desta forma, os ateus teriam um argumento forte contra a religião como um todo, certo? Errado.

C. S. Lewis já abordou de maneira informal a possibilidade do uso deste estratagema em sua obra seminal “Cristianismo Puro e Simples”.

Segundo a abordagem de Lewis, o cristianismo, o judaismo e o islamismo não são COMPLETAMENTE conflitantes. Apenas parcialmente. Em grande parte dos aspectos espirituais, estamos em concordância. Acreditamos, por exemplo, em um Deus único, atemporal, criador do universo, assim como acreditamos que há uma moral absoluta, e daí por diante. Naturalmente, discordamos em pontos específicos da doutrina, pois, se acreditamos na ressurreição de Jesus, e o judeu ignora isso, naturalmente temos um ponto de vista que não é compatível com o ponto de vista judaico.

Mas aí é que está o mais curioso de toda a coisa. Nós, evidentemente, não discordamos de toda a visão judaíca quanto à espiritualidade, apenas uma parte dela. Justiça seja feita, é uma parte importante. Mas nada impede que consigamos observar o judeu ou o islâmico como um ser humano merecedor de respeito, como nós.

Eis então aonde o argumento de que “diferenças de religião causam conflitos” cai por terra.

Se as diferenças de nossa doutrina com outras não ocorre de forma absoluta, e sim parcial, isso é totalmente diferente do que ocorre com os ateus. Quando o ateu olha para qualquer religião, ele discorda por COMPLETO de todas elas. E essa divergência de opinião é 100% inconciliável, e também irreconciliável.

Ou seja, se o problema é a diferença de crenças (e portanto, um risco para a humanidade), o ateísmo é MUITO PIOR do que cristianismo, judaísmo e islamismo nesse aspecto.

O cristianismo concorda em alguns pontos com o judaísmo, e discorda de outros. Assim como o islamismo, concorda em alguns pontos com o cristianismo e judaísmo, mas discorda de outros. Naturalmente, os três discordam completamente do ateísmo. Mas o ateísmo discorda COMPLETAMENTE de todos. O que significa que não há diálogo com ninguém além deles próprios e em nenhum aspecto da religião.

O irônico de tudo é que C. S. Lewis notou isso tudo no começo dos anos 40. E Sam Harris, Christopher Hitchens e Richard Dawkins continuam incorrendo no mesmo erro, ao defender o fato de que as religiões serem inconciliáveis é uma causa para conflito, mas o ateísmo, inconciliável com todas, não é.

Obviamente que isso torna esse estratagema neo ateu natimorto.

Refutação

  • (1) A primeira forma de refutar é exigir a evidência de que a existência de crenças religiosas diferentes é um fator motivador de conflitos em percentual maior do que em cenários de inexistência deles, ou até em cenários de ateísmo (principalmente se o ateísmo for tendência dominante em relação a outras doutrinas, como era na União Soviética, no Cambodja, na China…). Claro que ele não vai conseguir provar isso, e então, ele pode continuar tentando…
  • (2) Nesse caso, a segunda forma é deixar o neo ateu se enforcar por si próprio. Aí é só demonstrar a proposta de C. S. Lewis, que definitivamente mostra que o argumento neo ateu, de que o problema das religiões é a divergência de crenças, complica mais o ateísmo do que qualquer outra religião.

Obs.: É possível que o neo ateu ainda tente o recurso já manjado de dizer que “ateísmo é apenas ausência de crença”. O que é irrelevante, pois ainda assim é uma posição ideológica que não pode ser conciliada com o teísmo. Ou seja, ou alguém é ateu ou teísta, e isso não é compatível de forma alguma.

Conclusão

Essa técnica é o alicerce de todo o livro “A Morte da Fé”, de Sam Harris, e de parte das obras “Deus não é grande”, de Christopher Hitchens, e “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins. Como se nota, é uma técnica de puro efeito retórico, mas nenhuma valia argumentativa. O estratagema fracassa primeiramente por não ter evidências, e, segundo, por se voltar contra si próprio.

Escrito por lucianohenrique

março 23, 2010 em 12:01 am

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