Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Errata: Contradições de Dawkins e sua turminha com Direitos Humanos

with 7 comments

 

O Olavo de Carvalho sempre avisa para consultar as fontes primárias durante uma investigação, e eis que, por quebrar esta regra, ao publicar o texto “Dawkins, Dennett e Harris em contradição com a Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Na verdade, cometi um equívoco, pois a contradição deles (naquele caso) não era com o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas sim com a Convenção Americana dos Direitos Humanos, que foi adotada na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos Humanos, em San José de Costa Rica, em 22 de novembro de 1969.

Repetindo, o trecho em questão é o seguinte:

Artigo 12º – Liberdade de consciência e de religião

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crença, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto em público como em privado.

2. Ninguém pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças.

3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita unicamente às limitações prescritas pela lei e que sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral públicas ou os direitos ou liberdades das demais pessoas.

4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.

O que não diminui a falha moral de Dawkins, é claro.

Mesmo assim, é importante que se frise o fato.

Dawkins tem que se resolver principalmente com a Convenção Americana dos Direitos Humanos, e não com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não é tão específica quanto a esse tema. Ao menos no item apontado no texto, claro.

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no entanto, há o seguinte item:

Artigo 18

Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.

Ou seja, pensando bem, até contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda Dawkins tem algo a resolver, pois o item 18 mostra que há “direito de liberdade de pensamento [...] e liberdade de manifestação da religião ou crença, PELO ENSINO, pela prática, e pelo culto [...]“

Oras, a educação dos pais evidentemente é algo garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, embora esta não seja explícita somente neste artigo.

Mas vejamos o que é dito a seguir:

Artigo 12

Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar [...]

Ou seja, Dawkins não poderá interferir na vida privada de ninguém, na família dos outros, e no lar dos outros.

Quer dizer, eu iniciei essa errata vendo se seria possível livrar a cara de Dawkins e sua turma da contradição que eles possuiriam com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Ela termina mostrando que Dawkins agora está em contradição não só com a Declaração Universal dos Direitos Humanos como também a Convenção Americana dos Direitos Humanos.

P.S.: Agradecimentos ao Luis e J.S. pelas retificações.

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Written by lucianohenrique

março 2, 2010 at 2:58 pm

7 Respostas

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  1. Acauã,
    use os símbolos no início e no final. (No lugar do espaço coloque a formatação desejada)
    “b”(bold) para negrito (ou “strong”)
    “i” para itálico (ou “em”)
    “strike” para tachado

    Luis

    março 6, 2010 at 3:31 pm

  2. Olá Acauã e Sizenando,

    Vão aqui as dicas.

    Para negritar é preciso digitar a expressão “strong”, separada por um sinal de maior, e outro de menor. No caso do encerramento do negrito, é a mesma coisa, com a diferença de que há uma barra ao final.

    Se fosse no Orkut, seria assim, [strong] para iniciar, e [/strong] para terminar. A diferença fica só no sinal de maior e menor.

    No caso do itálico, deve-se usar o “em”.

    Espero ter ajudado.

    Att.

    LH

    lucianohenrique

    março 3, 2010 at 7:09 pm

  3. Em tempo, também gostaria de saber se há uma tag habilitada para itálicos.

    Obrigado!

    Sizenando Silveira Alves

    março 3, 2010 at 3:37 pm

  4. Amigo Luciano:

    Fazendo coro com o colega Acauã, gostaria de saber quais são as tags habilitadas nesta caixa de comentários. Sei que negrito é feito a partir da tag strong, mas gostaria de saber se há tags para sublinhado/underlined, fonte, tamanho de fonte e/ou cor de fonte.

    Pax et bonum!

    Sizenando Silveira Alves

    março 3, 2010 at 3:37 pm

  5. Só voltando aqui para dizer que se Dawkins está encrencado de acordo com as duas Declarações, Sam Harris então nem se fala. Em “The End of Faith/O Fim da Fé” ele deixa implícito (e até explícito) que

    “‘Freedom of belief’ (in anything but the legal sense) is a myth. We will see that we are no more free to believe whatever we want about God than we are free to adopt unjustified beliefs about science or history, or free to mean whatever we want when using words like ‘poison’ or ‘north’ or ‘zero’. Anyone who would lay claim to such entitlements should not be surprised when the rest of us stop listening to him”. (The End of Faith, pag.51)

    “The link between belief and behavior raises the stakes considerably. Some propositions are so dangerous that it may even be ethical to kill people for believing them. This may seem an extraordinary claim, but it merely enunciates an ordinary afct about the world in which we live. Certain beliefs place their adherents beyond the reach of every peaceful mens of persuasion, while inspiring them to comiit acts of extraordinary violence against others. There is, in fact, no talking to some people. If they cannot be captured, and they often cannot, otherwise tollerant people may be justified in killing them in self-defense.” (ibid, pag.53)

    P.S.: Luciano, como eu faço para marcar palavras em negrito e/ou itálico aqui? É que tem horas – como agora – que eu quero destacar uma palavra mas não sei como…

    Acauã K.

    março 3, 2010 at 11:46 am

  6. De fato, fica ainda pior pra essa turminha sob o ponto de vista da Convenção Americana dos Direitos Humanos, pois ela é bem mais específica que a Declaração Universal.

    Luis

    março 3, 2010 at 12:30 am

  7. Mancada hein Luciano? Hehehehehe, acontece :P

    Mas sério, isso é até uma lição para NÓS, debatedores honestos aqui do blog – religiosos ou não – para SEMPRE checarmos nossas fontes quando formos citar algo ou alguém como um estudo, uma frase e etc. Um provável resultado ao se fazer isso é esse post, que ao invés de dar uma vantagem ao adversário o compromete mais ainda… ;)

    Você citou o Olavo de Carvalho. Eu digo que Winston Churchill aprendeu a mesma coisa com um instrutor escolar dele que dizia exatamente a mesma coisa. Isso é mais que fundamental e é algo que muitos cristãos, por exemplo, também deveriam fazer ao citar fontes ou frases sem saber a fonte, o que pode acabar tendo consequências desagradáveis.

    À propósito, Olavo sempre costuma citar uma frase do Lênin na qual este dizia que o Cristianismo deveria “ser varrido da face da Terra”, mas nunca encontrei a fonte. Se por um acaso você Luciano ou alguma outra pessoa aqui do fórum souber ONDE eu encontro DOCUMENTADA essa frase, eu ficaria MUITO grato, de verdade.

    Acauã K.

    março 2, 2010 at 5:37 pm


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