Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 1 – Por que estudar o neo ateísmo?

Em uma comunidade, nos tempos da STR, alguém afirmou: “Cristão bom é cristão morto”. Recentemente, jogadores de futebol foram intimidados na Europa por realizarem comemorações em que mostravam camisas com dizeres como “Jesus é fiel”. Na Espanha, um sujeito invadiu uma Igreja durante uma cerimônia de batismo, gritando “não creio, não creio”. Conforme visto aqui, neste blog, nos Estados Unidos, recentemente um professor foi punido pela justiça após executar patrulhamento ideológico sobre um aluno pelo único fato dele ser cristão. Uma campanha, obstinada, visa retirar os crucifixos de todos os lugares públicos, talvez por considerarem um desrespeito a mera presença deles por lá. Richard Dawkins propõe uma campanha que visa retirar o direito dos pais ensinarem aos filhos suas religiões, mesmo que isso vá contra nossas noções de direitos humanos. Na mesma direção, Daniel Dennett sugere que os religiosos recebam punições maiores que os não-religiosos. E, ainda na mesma linha de frente, Sam Harris prega que alguns países e culturas devem ser eliminados por causa de sua religião.
Alguém que tenha hibernado por 200 anos, e acordado nos dias atuais, com certeza se surpreenderia com o estado atual das coisas. Se antes era possível a discussão sadia com filósofos ateus e até alguns pensadores que questionavam a religião, podemos dizer que isso já se tornou coisa do passado. Embora os filósosos ateus, como Epicuro, sempre fossem de segunda categoria (em comparação com gente como Sócrates e Aristóteles), ainda assim eram pessoas que podíamos definir como capazes do convívio social sadio com pessoas de opinião oposta. Precisamos entender, então, como chegamos a um novo modelo de ateísmo no qual essa ideologia parou de fazer sentido. Quando uma parte das pessoas ateístas se tornou um risco para a sociedade? Esse é o objetivo de nosso estudo. Para compreendê-los, temos que estudá-los como um fenômeno natural.
Por que o neo ateísmo, e não o ateísmo?
Daniel Dennett e Richard Dawkins já tentaram estudar a religião. Na verdade, quiseram estudar não apenas uma vertente religiosa, mas sim a religião como um todo. Dennett chegou a sugerir que nas escolas todas as religiões fossem ensinadas, para que as pessoas compreendessem a “natureza” da religião como um fenômeno natural. Nesse texto, em que refuto a seção 4 do capítulo 5 do livro “Deus, um Delirio”, de Richard Dawkins, o biólogo inglês tenta explicar a religião como um fenômeno natural, em uma abordagem sob a teoria da evolução.
A explicação, tanto de Dawkins como a de Dennett, não funciona simplesmente por uma questão de escopo. A religião é um fenômeno de amplitude excessiva para ser explicada por um modelo tão básico como o que eles tentaram.
Para entender a dimensão do erro que eles cometeram, tente imaginar todas as pessoas ateístas que você puder se lembrar. Não pense em identificar apenas os neo ateus que vivem militando nas comunidades do Orkut. Pense em amigos, conhecidos, artistas, etc. Quando você observar a miríade de pessoas sob avaliação, você notará que o ateísmo não é uma ideologia homogênea e que a única coisa que os une é a ausência de crença em Deus.
E da mesmíssima maneira, quando olhamos para os religiosos, vemos alguém como C.S. Lewis, e em seguida olhamos para um pastor neo pentecostal. Ambos são religiosos, mas a diferença entre eles é tão grande que só podemos chegar à uma conclusão óbvia: a única coisa que une ambos é a crença em Deus e na Bíblia. De resto, são posturas diferentes, motivações diferentes, interpretações diferentes.
Se alguém tenta estudar a “religião”, terá que abarcar tanto C. S. Lewis como o Marcelo Crivella, tanto o William Lane Craig quanto a Irmã Dulce. Aí danou-se tudo, pois são quatro paradigmas tão diferentes de ver a vida que não é possível fazer uma explicação para a religião dos quatro, e nem estudar a religião considerando-os como um todo. Fazer isso é um convite ao erro, conforme demonstrei na avaliação da seção específica do livro de Dawkins.
Sendo que estou ciente desse risco, resolvi não cometer o mesmo erro deles. Não vou estudar o ateísmo, não há um “core” de informações hábeis para isso. Eu teria que remontar aos primórdios, desde os tempos de Epicuro, e abranger todas as variações de ateísmo, o que seria contraprodutivo e com certeza me faria apelar a um reducionismo que não sobreveria à primeira investigação crítica. Assim como a abordagem de Dawkins/Dennett não sobreviveu.
E, diante disso, eu tomo uma decisão um pouco mais humilde, mas que acredito que será mais produtiva: me basear em um escopo reduzido, que é estudar uma variação específica do ateísmo, o neo ateísmo. Com isso estudarei um tipo de perfil comportamental específico, e que possui um discurso específico. Para fins didáticos, definirei neste artigo o neo ateu desta seguinte forma: “Categoria de ateu que possui um forte sentimento de anti-religiosidade, com alto foco na militância, utilizando neste intento táticas de ofensa e escárnio contra os religiosos. O discurso segue o padrão adquirido por doutrina com professores marxistas e/ou livros de Richard Dawkins, Daniel Dennett, Christopher Hitchens e Sam Harris. São facilmente identificáveis por usarem um altíssimo número de falácias, estratégias erísticas, fraudes intelectuais e discurso cientificista. Aliás, o disfarce em que fingem serem divulgadores de ciência é o estratagema preferido deles”.
Como se nota, é um conjunto de características que permitem a fácil identificação de um deles somente pelo discurso. Se não conseguíssemos identificar o nosso objeto de estudo, a abordagem ficaria definitivamente comprometida.
Querem ver como o erro de Dawkins/Dennett é imperdoável? Um estudo sobre religião teria que considerar uma das bases do cristianismo tradicional, que é aquele a la C. S. Lewis e Dinesh D’Souza. Em suas obras, ao tentarem abordar a religião, os autores ateus não citaram uma linha a respeito dos princípios conservadores, que explicam a mente conservadora, conforme definidos por Russel Kirk. Juntamente com um entendimento da mente conservadora e do aristotelismo, consegue-se ter uma pista do que leva um intelectual, por exemplo, a reforçar sua concepção religiosa (estou falando do cristianismo tradicional, especificamente) e caminhar ainda com mais força em direção à ela. Isso que estou explicando é só um exemplo do desastre que é a perda de foco. Dawkins e seu amigo perderam parte ESSENCIAL da explicação.
Por exemplo, ao abordar o neo ateísmo, conseguimos boas evidências para associá-los à mente revolucionária, que é oposta à mente conservadora. Se por algum acaso eu tentasse estudar todo o ateísmo, eu não poderia fazer essa associação genérica a todos os ateus (somente aos neo ateus). Eu perderia então parte fundamental da explicação do que origina um neo ateu.
Outro exemplo de como a especificação é importante. Se eu focasse no ateísmo, como um todo, eu não poderia estudar o fenômeno da subversão, que explica de maneira estupenda o movimento neo ateísta, mas não nos fornece nenhuma explicação para entender o ateísmo tradicional. Motivo: o ateísmo tradicional não ataca a religião, ao passo que o neo ateísta tem a obrigação de atacá-la. Para entender as motivações, temos que estudar as teorias vigentes sobre o fenômeno da subversão.
Quem sabe não teremos, no futuro, uma disciplina acadêmica, no qual as iniciativas de subversão possam ser estudadas. Algo como “Estudos da Subversão”. Difícil encontrar um tema social tão importante no momento. Obviamente uma disciplina assim teria que incluir o estudo do neo ateísmo como fenômeno natural em sua grade.
Ninguém tem culpa por desconhecer um assunto, mas devemos considerar vergonhoso que ainda não estejamos ensinando aos jovens os movimentos subversivos, incluindo o neo ateísmo, de forma disciplinada e coerente. Infelizmente, o fato de tal assunto estar praticamente banido em muitas universidades, que procuram focar no “estudo das religiões”, é algo que será explicado também neste ensaio, no capítulo em que tratarei da Estratégia Gramsciana.
Neste artigo, tratarei do neo ateísmo apenas como mais uma das ideologias subversivas. É uma das mais importantes ideologias subversivas atuais.
Cui Bono?
Essa é uma questão basicamente darwinista. Se há ideologias subversivas, precisamos saber qual o benefício nossa espécie tira delas. Ou não tira nenhum benefício? Ou será que a ideologia subversiva é um subproduto de uma característica que pode até ser benéfica? Nesse caso, a ideologia subversiva seria uma característica indesejável e danosa, mas que existe por causa de uma outra característica que ou é útil atualmente, ou já foi no passado, para a nossa espécie.
Obviamente que se estudarmos o “cui bono?”, temos que saber todos os benefícios e malefícios associados à ideologia subversiva. E como consideramos ela como um subproduto (e isso será explicado justamente utilizando a explicação de Richard Dawkins), temos que entender também a característica outrora benéfica que a gerou.
Para entender isso, teremos que estudar o perfil de pessoas subversivas. Obviamente isso significa que estaremos estudando uma característica da mente revolucionária, para então demonstrar a ideologia subversiva como um subproduto de uma outra coisa.
Obviamente que o estudo do neo ateísmo como fenômeno natural, principalmente avaliando-o na perspectiva do estudo dele como subproduto de outra coisa, vai elevar o nível do debate. Se atualmente gastamos parte do tempo refutando o discurso neo ateísta, podemos continuar fazendo isso, é claro (não podemos deixar de fazê-lo, aliás), mas também podemos entender o que há por trás de tal ideologia. Não demorará para notar que ideologias como neo ateísmo, o marxismo, o gayzismo e outras facetas da subversão sucumbem diante de uma abordagem baseada na evolução. Aqueles que outrora alguns consideraram como intelectuais serão vistos, a partir de agora, agentes orgânicos como uma função social, e devem ser avaliados e estudados, e também até colocados sob tratamento, mas jamais funcionarem como pessoas a fornecerem idéias a serem aproveitadas pela sociedade. Isso é mais um motivo para colocá-los sob estudo, e avaliar se aquilo que eles trazem sobrevive ao escrutínio cético ou não. Por que isso não é uma pergunta científica?
Se há ideologias subversivas em voga, qual o benefício que elas trazem para a nossa espécie. Não podemos permitir mais que a questão não fique sob investigação. Quase todo o discurso que eles trazem pode ser considerado como material de análise, ajudando-nos nessa investigação. Precisamos saber o ‘cui bono?’ do modelo comportamental deles. Se eles estão tão interessados em nos vender ateísmo, qual a vantagem não só para a espécie, mas também para nós como meros indivíduos? Eles tem que ser colocados na parede e obrigados a nos demonstrar o benefício de seus paradigmas, e, se não conseguirem, tais ideologias devem ser descartadas. Claramente, essa é uma das questões mais relevantes sob estudo.
Podemos notar que várias civilizações foram dizimadas, corroídas por dentro, e a subversão foi carro-chefe de grande parte desses movimentos. Não podemos deixar de esquecer da importância da propaganda anti-religiosa (uma das precursoras da ideologia ateísta) na Rússia e na China, onde tivemos os maiores genocídios de nossa história recente. Sendo que as ideologias subversivas tiveram papel central, e estamos atualmente acompanhando o drama na Venezuela, o terror dos prisioneiros em Cuba, as invasões do MST no Brasil, e o pesadelo das FARC na Colômbia, não vejo uma questão mais importante do que estudar o neo ateísmo como um fenômeno natural, e, a partir daí, passarmos a estudar todos os movimentos subversivos. Novamente ressalto que aqui focarei no movimento subversivo neo ateísta. A importância dessa questão nos leva a suscitar que já passou da hora de colocá-los sob o crivo da ciência, onde teriam que expor, sob questionamentos críticos e extremamente exigentes, que benefícios eles trazem para a nossa espécie. Considerando o perigo iminente que vários países hoje sofrem com idéias subversivas, o estudo científico de tais comportamentos pode nos trazer uma luz no fim do túnel.
A questão é fundamental: por que o homem pode se tornar susceptível a ideologias auto-destrutivas e, em posse dessas ideologias, militar a favor de sua destruição e a dos outros?
Será que deveríamos pensar em relegar os subversivos, de vários tipos, em ilhas? Algo como no filme “Fuga de Nova York”? Ou ignorá-los? Quanto a isso não é o momento de responder à questão, mas que precisamos estudar, ante a perigos iminentes que eles trazem, isso é difícil de contestar.
Outro grande risco que é mais um motivador de nossa análise é o fato de que as universidades estão contaminadas com vários vírus subversivos. Teremos, claro, que estudar a estratégia gramsciana para entender como isso ocorreu, e quais os riscos da manutenção de tal parasitismo intelectual. É absolutamente urgente entendermos como os subversivos se entregam a ideologias utópicas e irracionais de forma assustadoramente submissa.
Precisamos retirar o véu de ilusão que há em cima do neo ateísmo, que a partir daí deve ser avaliado como uma ideologia subversiva com fins claros. Será que o neo ateísmo realmente é racional? Será que o gayzismo realmente luta pelos direitos dos gays? Será que o marxismo realmente defende maior justiça social? Se estudarmos as ideologias subversivas, será que não encontraremos uma função social para esse tipo de visão utópica? Não ficará mais fácil defendermos a sociedade de ideólogos? Acredito que, se conseguirmos desvendar esse mistério, teremos até um mapeamento de como a crença em utopias ocorre. Será que não conseguimos com isso curar as pessoas de crenças em utopias assim como curamos o TDAH com o uso da ritalina? Se não fizermos disso um estudo científico, não conseguiremos tal resultado. Eu estou convencido de que isso é possível, embora possa levar tempo.
Dennett disse o seguinte: “Com grande frequência encontramos seres humanos que deixam de lado seus interesses pessoais, sua saúde, oportunidades de terem filhos e dedicam a vida inteira a promover uma idéia que se fixou em seus cérebros”. Ele errou ao tentar atribuir tal explicação como algo intrínseco à religião (embora talvez possa explicar alguns religiosos mais radicais), mas ela funciona de forma impecável para explicar o comportamento do neo ateísta. Funciona também para explicar as principais ideologias revolucionárias. Mais um motivo para avaliarmos a questão na perspectiva do “cui bono?” para a nossa espécie.
Do fim do respeito injustificado
A nossa sociedade vive, infelizmente, uma sindrome do coitadismo. As minorias acham que não podem ser objeto de escrutínio cético, justamente pelo fato de serem minorias. Recentemente, uma psicóloga brasileira sofreu praticamente um patrulhamento ideológico pelo fato dela estudar a homossexualidade, e até lutar para ajudá-los.
Ao que parece as minorias não gostam de estar sob foco. No caso das minorias subversivas, tenho notado um extremo incômodo quando eu abordo a questão do neo ateísmo como fenômeno natural a ser estudado. Parece que eles se incomodam muito mais do que quando lhes são feitas refutações.
À esses neo ateus eu já aviso: o meu interesse aqui é efetuar um estudo, claro e justo, a respeito do neo ateísmo como fenômeno natural. Não terei pelo seu comportamento e por suas crenças um respeito injustificável e nem tratarei suas doutrinas como algo intocável. Para mim, quase todo o discurso do neo ateu é um objeto de estudo.
Talvez por existir um excessivo número de acadêmicos vítimas de ideologias subversivas, talvez nos esquecemos de estudá-las. Espero que isso fique como um triste erro cultural do passado. É essencial correr atrás do tempo perdido, em busca de “vacinas” contra determinados tipos de vírus mentais. A contaminação em muitos acadêmicos talvez até seja um dos fatores que causaram o respeito injustificado pelo neo ateísmo e por outras ideologias subversivas. Estes não aceitam ser objeto de investigação, e nem qualquer tipo de críticas. Para eles, a religião pode ser criticada, o neo ateísmo jamais.
Infelizmente, para esses que solicitam tal excesso de respeito, já aviso que não terão seu desejo atendido. Posso até magoar alguns de vocês, mas a urgência pela elucidação dos motivos que regem essa forma de subversão é o critério mais importante para a tomada de decisão pela sequência do estudo.
Espero que esse estudo nos ajude a fazer uma escolha consciente das ideologias vigentes, e saber o que está ocorrendo ao nosso redor quanto ideólogos tentarem nos “vender” uma ideologia como neo ateísmo. Temos que saber os benefícios que tal adoção de paradigma irá causar para nós e para a nossa sociedade. Diante de uma série de exemplos, e suas respectivas consequências, precisamos ter uma base para uma escolha e avaliação de coisas como o neo ateísmo. Devemos tolerá-lo? Extirpá-lo? Prender seus praticantes? Não é possível dar respostas assim de bate-pronto. Justamente por isso temos que colocar o neo ateísmo como objeto de estudo. Para tomar decisões, precisamos entender o que está por trás desse tipo de idéias que tentam nos vender. Ressalto desde já que quaisquer correções e aprimoramento serão muito bem vindos, pois entendo que isso é apenas um draft, e se precisarmos expandir o estudo, que o seja. Nada do que estou dizendo aqui é uma palavra final, apenas uma tentativa inicial de incitar um novo foco de estudo.
Peço desculpas de antemão, pois sei que tal estudo poderá quebrar a “emoção” que existe por muitos adeptos ao adentrarem tal doutrina. Ao final, a luta por divulgação de textos de Carl Sagan poderá não parecer mais tão bela ou empolgante, a luta pelos ideias de Marx poderá não mais ser tão poética, e daí por diante. Se ao final do estudo, isso ocorrer, é um motivo pelo qual eu peço desculpas, mas não posso deixar de seguir em frente devido aos riscos que podem se materializar caso não levemos essa investigação à frente.
À esses neo ateus, só tenho a dizer: sinto muito. Se esse é o preço a pagar (a destruição da ilusão do neo ateísmo) nesse esforço de estudá-los, a nossa espécie com certeza vai achar que é um bom investimento.
Há possibilidade de cura?
Será que com esse estudo, teremos até algo de útil para alguns dos neo ateus? Será que podemos salvar alguns deles de algo que pode ser comparado ao uso de tóxicos? Sinceramente, eu não sei, mas se conseguir isso ao menos com alguns, isso é também um benefício colateral deste estudo, embora não seja o foco.
Pelo que se nota, qualquer recém participante de uma ideologia subversiva é mais facilmente curável do que um die hard. Os die hards vivem e morrem pela ideologia subversiva, e são quase “professores” dela. Aliás, muitos professores de universidade são die hards de uma ou outra ideologia deste tipo. Há quase certeza de que morrerão como subversivos. Sendo assim, pensar em alguma possibilidade de curá-los é uma perda de tempo.
Mas e se algum newbie se aproveitar do material aqui escrito e então se livrar do neo ateísmo? Isso é possível, claro, mas sempre com a advertência: se a lavagem cerebral atingiu a pessoa em quantidade excessiva, não devemos nutrir muitas esperanças.
Eu já aviso isso pois entendo que a possibilidade de recuperação é quase um acidente. Há quem diga que vítimas de lavagem cerebral, como os subversivos, só são curados com uma outra lavagem cerebral.
Novamente caímos na questão de custo X benefício. Qual o custo em recuperar alguém que está em estágio avançado de aceite de uma ideologia subversiva? Não seria melhor desmascarar esses já condenados e, assim que fizermos isso em quantidade suficiente, deixemos que a sociedade avalie esses que já estão irrecuperáveis, e assim protegeremos a nova geração da infecção?
A vantagem final do estudo
Nós conseguiremos elaborar melhor nossos métodos de contenção e proteger a geração FUTURA desta infecção mental se estudarmos e expusermos aqueles que estão infectados atualmente. Se nesse processo algum infectado se curar, ótimo, mas a priorização na geração futura e naqueles não infectados é o melhor negócio.
Nunca escondi de ninguém que a perspectiva que utilizo é o da investigação de fraudes corporativas, principalmente fraudes em TI. Hackers são um exemplo claro de pessoas que precisam ter seu comportamento previsto. Não é por outro motivo que grande parte do “core” de conhecimentos de um Administrador de Segurança de TI é conhecer os manuais dos hackers. Como eles pensam? Quais benefícios eles obtem? Por que eles existem? Quais os seus principais métodos de atuação? É praticamente um estudo científico.
Esse tipo de estudo tem dois benefícios óbvios: melhores e mais eficientes métodos de contenção, e elaboração de métodos de prevenção.
Transcendendo para a questão da subversão. Entendendo como funciona a mente neo ateísta, analizando-a como uma ideologia subversiva, conseguimos ter facilitada a nossa vida na elaboração de métodos de contenção. Esses métodos de contenção são quando refutamos um ataque deles à qualquer faceta da religião (no caso de um ataque indevido, claro, e não no caso das raras críticas justas), principalmente os ataques fraudulentos e de cunho difamatório. A contenção pode abranger até a neutralização de propagandas que eles façam e coisas do tipo.
Os métodos de prevenção podem abranger uma nova forma de educar a nova geração e os cidadãos não convertidos à subversão. Eles poderão entender como funciona esse tipo de mente, a base da subversão, seus interesses, sua função social, os riscos advindos deles, os impactos que ideologias assim já causaram no passado, etc.
No decorrer deste artigo, eu já citei ao menos uma dezena de benefícios secundários que um estudo do neo ateísmo como fenômeno natural pode trazer. Mas desses benefícios todos, esses dois são realmente aqueles que eu chamaria de benefícios fundamentais: (1) aumento da eficiência dos métodos de contenção, (2) criação de métodos eficazes de prevenção.
A salvação de várias civilizações de um colapso (*) pode depender disso, conforme mostrarei nos próximos artigos dessa série.
(*) Espero que não me entendam como um “salvador da pátria”. Não tenho essa pretensão. Os “salvadores” da pátria serão citados no decorrer dos 10 artigos desta série. Se há alertas identificados, os méritos não são meus. Meu foco é na compilação das várias teorias em uma teoria unificada para a explicação do neo ateísmo.

bem inteligente, lúcido e benevolente da parte do autor, expor quais são os igredientes deste bolo chamado neo-ateísmo. por quê algumas pessoas gostam? será que faz bem, faz mal? vamos acompanhar os fatos (verdade que o luciano tem para mostrar) e que possamos ser sábios para optarmos pela escolha que nos fará cidadãos melhores, seres humanos mais dignos e pessoas honestas conosco mesmos.
natã
setembro 1, 2010 em 11:40 pm
Olá Cristiano
Você é ou foi aluno do curso do Olavo de Carvalho? caso positivo, me passa ai suas impressões…ou mando pro meu email se possivel.
Olha, não fui aluno dele não. Mas tenho os principais livros dele, desde “A Nova Era e a Revolução Cultural”, assim como “O Imbecil Coletivo – 1 e 2″ e “Aristóteles em nova Perspectiva” (o primeiro que li). O meu preferiro é “O Jardim das Ilusões”.
Ainda pretendo fazer o curso dele, no futuro, mas ainda não consegui tempo hábil para me dedicar.
Pelo que ouvi, de amigos que o fazem, é um curso muito bom e completo.
lucianohenrique
março 13, 2010 em 8:18 pm
Luciano,
Você é ou foi aluno do curso do Olavo de Carvalho? caso positivo, me passa ai suas impressões…ou mando pro meu email se possivel.
Abraços
Cristiano Oliveira
março 13, 2010 em 7:12 pm
Ansiosamente esperando pelos estudos…
Cristiano Oliveira
março 11, 2010 em 8:20 pm
Por mim está ótimo Luciano ^^
Acauã K.
março 11, 2010 em 2:40 pm
Acauã
Só me permita fazer uma crítica pessoal – apesar que,de certa forma, você deixa isso implícito nesse texto: não tem essa de “salvar a sociedade” de nada, nem do neo ateísmo, nem da militância gayzista, nem do marxismo cultural, nem de nada do tipo. “Salvar o mundo” é uma coisa muito messiânica e, se formos olhar bem, típica da mente revolucionária, mentalidade essa qe engloba grupos que na teoria querem reconstruir um mundo melhor mas nas práticas o corroem. Se eu entendi bem lendo principalmente Russell Kirk e outros conservadores (e mesmo liberais mais moderados), de visão mais religiosa ou mesmo secular (Mário Vargas Llosa por exemplo), nossa função não é salvar o mundo, mas sim MANTÊ-LO EM PÉ, conservando o que é bom e reformando o que não está funcionando direito, alcançando assim o verdadeiro progresso que melhora a civilização em um todo.
Muito pertinente sua observação. Tenho que me precaver para não deixar que o texto transpareça uma idéia assim, pois você está certíssimo. Qualquer idéia como “salvar a humanidade” é realmente uma atitude da mente revolucionária.
O contexto no qual eu uso o termo “salvar sociedade”, é salvar a nossa civilização, mantendo as principais bases morais que temos, com a liberdade de expressão, com a estrutura laica, de respeito às diversidades (aliás, incluindo o respeito aos ateus e todas as religiões), evitando o totalitarismo. Nesse contexto, o “salvar” está mais próximo de uma atitude de investigar uma doença, que pode eliminar uma civilização (ex. quando surgiu o Ebola), e atuamos para proteger o que temos. Tecnicamente, é o oposto da mente revolucionária. Nós lutamos para “salvar” a base de nossa civilização, sem prometer idéias utópicas. A pessoa de mente revolucionária promete a “salvação da humanidade”, idealizando um mundo irreal, a utopia, que justamente é o que entorpece a mente desse pessoal.
Esse tipo de abordagem eu farei com mais detalhes no segundo texto da série, que trata a Mente Revolucionária.
Err, voltando ao texto em questão: ontem eu li uma das barbaridades que Lênin escrevei entitulada “Da Significância do Materialismo Militante” no qual ele defende o emprego maciço de literatura ateísta (principalmente a do século XVIII) como forma de educar o povo, a união de marxistas com críticos da religião da “camada burguesa” e o contínuo apoio da propagação materialista contra o clericalismo. Imagino – se compreendi o texto corretamente – que Lênin ficaria muito satisfeito em ver os esforços de alguém como Sam Harris em textos como “A Ciência deve Destruir a Religião”…
Aliás, muito bem lembrado. Essa abordarei eu focarei no terceiro texto da série, em que tratarei do marxismo cultural. E já agradeço, pois peço permissão para usar essa abordagem do Lênin para enriquecer o futuro artigo. Tudo bem?
Grande abraço,
LH
Luciano Henrique
março 11, 2010 em 12:59 pm
É, esse estudo promete.
Só me permita fazer uma crítica pessoal – apesar que,de certa forma, você deixa isso implícito nesse texto: não tem essa de “salvar a sociedade” de nada, nem do neo ateísmo, nem da militância gayzista, nem do marxismo cultural, nem de nada do tipo. “Salvar o mundo” é uma coisa muito messiânica e, se formos olhar bem, típica da mente revolucionária, mentalidade essa qe engloba grupos que na teoria querem reconstruir um mundo melhor mas nas práticas o corroem. Se eu entendi bem lendo principalmente Russell Kirk e outros conservadores (e mesmo liberais mais moderados), de visão mais religiosa ou mesmo secular (Mário Vargas Llosa por exemplo), nossa função não é salvar o mundo, mas sim MANTÊ-LO EM PÉ, conservando o que é bom e reformando o que não está funcionando direito, alcançando assim o verdadeiro progresso que melhora a civilização em um todo. Eis a diferença como eu vejo – e creio que posso sustentar isso – entre os ecochatos militantes de Copenhague e gente como Aristóteles, Lao Tsé, Moisés, o próprio Jesus Cristo, Maomé também, Goethe, Alexis de Tocqueville, Anton Tchekhov, Saul Bellow, Ortega y Gasset, o nosso Luiz Felipe Pondé e até Oscar Wilde, entre outros. Enfim, gente que não fica nessa coisa de “salvar os outros à força”, mas que emprega seus esforços para a proteção e crescimento da sociedade para todos, tanto para “santos” públicos quanto para “pecadores” privados (falei bonito agora né? xD)
Err, voltando ao texto em questão: ontem eu li uma das barbaridades que Lênin escrevei entitulada “Da Significância do Materialismo Militante” no qual ele defende o emprego maciço de literatura ateísta (principalmente a do século XVIII) como forma de educar o povo, a união de marxistas com críticos da religião da “camada burguesa” e o contínuo apoio da propagação materialista contra o clericalismo. Imagino – se compreendi o texto corretamente – que Lênin ficaria muito satisfeito em ver os esforços de alguém como Sam Harris em textos como “A Ciência deve Destruir a Religião”…
Para quem quiser conferir o texto (em inglês): http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1922/mar/12.htm
Acauã K.
março 11, 2010 em 11:13 am
Falando como um “velho” Ateu… eu só posso dizer que gostei do seu estudo.
Rick Moreno
março 11, 2010 em 9:39 am
Ipolon
Acho que deveria-se pensar em termos de sociedade e não espécie. Primeiro por que me parece inutil se preocupar com o caminho da evolução que é lento e segue o tempo geológico. Depois que eu não acho que o Neo ateísmo está mudando significativamente o frequência de alelo nenhum.
Aí é que está. O neo ateísmo não necessariamente precisaria fazer isso. Ele será avaliado como um SUBPRODUTO de uma característica que é positiva. Na verdade, essa é a teoria que Richard Dawkins abordou, apenas com o foco mais específico, no qual ele errou.
Depois que é substrato da evolução as diferentes capacidades de cada indivíduo da espécie mas não se pode pensar em “vantagens evolutivas” para uma espécie.
Se há uma característica que gera o subproduto, estudamos a CARACTERÍSTICA, e não o subproduto. A característica pode existir justamente por ser benéfica para a nossa espécie. É simplesmente o ‘cui bono’.
“Por que idéia de características subversivas se espalham com facilidade” pode ser uma pergunta para a psicologia evolutiva, mas sua vida será mais fácil quanto mais fácil for a definição de subversão (eu não conheço). Quem sabe daqui a pouco você não estará falando de memética? =]
Mostrarei que é o OPOSTO da memética. A memética observa o comportamento pela perspectiva das idéias. O foco aqui será no comportamento. Ou seja, as idéias são usadas por um TIPO ESPECÍFICO de comportamento.
Eu acredito que Dannett concordaria com você em termos de memes sobre os ideologias revolucionárias, mas considerando tudo que você diz eu não consigo encaixar o próprio Dawkins e Dannett como neo-ateus.
Ok, e eu, com os livros deles, consigo qualificá-los em todos os atributos dos neo ateus. Será interessante.
Você está falando de memética e não sabe =]
Não. A memética busca o valor da preservação das idéias. Quanto estudarmos o mecanismo social da subversão, veremos que as idéias são irrelevantes. O que importa é o resultado que elas causam, e como os transtornos associados à mente delirante, conforme abordados pelo Dr. Paul Sérieux. Além do estudo da mente revolucionária. É um estudo comportamental.
A abordagem do neo ateísmo como subproduto de outra coisa será feita mais à frente.
Aqui eu apenas fiz uma introdução.
Luciano Henrique
março 10, 2010 em 7:26 pm
Essa é uma questão basicamente darwinista. Se há ideologias subversivas, precisamos saber qual o benefício nossa espécie tira delas.
Acho que deveria-se pensar em termos de sociedade e não espécie. Primeiro por que me parece inutil se preocupar com o caminho da evolução que é lento e segue o tempo geológico. Depois que eu não acho que o Neo ateísmo está mudando significativamente o frequência de alelo nenhum.
Depois que é substrato da evolução as diferentes capacidades de cada indivíduo da espécie mas não se pode pensar em “vantagens evolutivas” para uma espécie.
“qual o benefício que elas trazem para a nossa espécie” Não, isso não faz sentido evolutivamente.
Uma característica evolutiva pode ser estudada descobrindo-se os genes associados a ela, a taxa de mutação desses genes, teorizar sobre a eficiencia do design, comparar homologias e ortologias, comparações filogenéticas e etc.. e necessariamente estaremos falando de um “hardware” ou um “sistema operacional” e não de softwares que ocupam o espaço.
“Por que idéia de características subversivas se espalham com facilidade” pode ser uma pergunta para a psicologia evolutiva, mas sua vida será mais fácil quanto mais fácil for a definição de subversão (eu não conheço). Quem sabe daqui a pouco você não estará falando de memética? =]
Eu acredito que Dannett concordaria com você em termos de memes sobre os ideologias revolucionárias, mas considerando tudo que você diz eu não consigo encaixar o próprio Dawkins e Dannett como neo-ateus. Na verdade logo logo eu volto com trechos que irão se opor a essa idéia.
” É essencial correr atrás do tempo perdido, em busca de “vacinas” contra determinados tipos de vírus mentais.”
Você está falando de memética e não sabe =]
Tente submeter a proposta para o CNPq, talvez você ganhe uma bolsa!
lpolon
março 10, 2010 em 6:33 pm