Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 3 – Marxismo cultural

Vamos relembrar, antes de prosseguirmos, algumas características que eu citei da mentalidade revolucionária:
- (a) promessa de um futuro utópico, inexorável
- (b) ausência completa de julgamento moral para os atos do grupo que defende essa idéia, pois ela é tão bela que os fins justificam os meios
- (c) remodelação do conceito de ser humano, na busca do super-homem
- (d) ambições globais
- (e) sensação de ser um agente da luta por esse futuro
Já deu para ver que a mais completa das manifestações da mente revolucionária é justamente o marxismo. Inspirado por Epicuro (no passado), e posteriormente por Hegel e principalmente Feuerbach, Karl Marx, juntamente com Friedrich Engels, criou, dentre outras obras, o Manifesto Comunista, lançado em 1848.
Depois de alguns ideólogos da Revolução Francesa, tudo que se conhecia do passado virou fichinha, em termos de mentalidade revolucionária, com o surgimento do marxismo. Até o neo ateísmo se torna meio ingênuo diante do marxismo. Tecnicamente, o neo ateísmo é apenas o carro-chefe (ou braço direito) do marxismo, pois nenhuma ideologia da mentalidade revolucionária é tão abrangente quanto o marxismo.
Vejamos, por exemplo, como está descrita uma das idéias no Manifesto Comunista:
Uma vez que desaparecerem as diferenças de classe no curso do desenvolvimento, e toda a produção concentrar-se nas mãos de indivíduos associados, o poder público perderá seu caráter político. Em sentido próprio, o poder público é o poder organizado de uma classe para a opressão de outra. Se o proletariado, em sua luta contra a burguesia deve necessariamente unificar-se em uma classe única, se, em decorrência de uma revolução, ele se converte em classe dominante; e como classe dominante, suprimir pela violência as antigas relações de produção, suprimirá automaticamente, juntamente com essas relações de produção, as condições de existência da oposição de classe e, por esse viés, as classes em geral e, com isso, sua própria dominação de classe. No lugar da antiga sociedade burguesa com suas classes e oposições de classe surge uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.
Quanto ao que está acima, não restam dúvidas de que atende a todos os parâmetros que descrevem a mentalidade revolucionária, principalmente a luta por um objetivo utópico, maravilhoso (tão maravilhoso que, em sua busca, os fins justificam os meios, independente dos meios), ausência completa de moral na busca desse objetivo (pois, como já dito, o objetivo é “maravilhoso”) e a sensação de ser um agente nesta busca (portanto, ausente de julgamento moral). Durante a leitura do manifesto, encontramos facilmente o conceito de remodelação do ser humano, além das ambições globais.
Claro que isso tudo não comoveria os “intelectuais” da época não fossem, por exemplo, várias estratégias de manipulação psicológica e lavagem cerebral, como a criação da falsa dicotomia, que é a forma como Marx & Engels justamente abrem o seu manifesto:
A história de toda sociedade até nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre e oficial, em suma, opressores e oprimidos, sempre estiveram em constante oposição; empenhados numa luta sem trégua, ora velada, ora aberta, luta que a cada etapa conduziu a uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou ao aniquilamento das duas classes em confronto.
É natural, então que a falsa dicotomia seja utilizada por eles até hoje, em seus discursos, assim como todas as ideologias dos agentes orgânicos, dentre as quais se inclui o neo ateísmo, sempre usam os mesmos recursos. Vamos imaginar como isso funciona. Imagine que você seja um assalariado, e, portanto, tem um patrão. Na mentalidade de um marxista, ele é teu inimigo. Assim como se há uma ordem moral, externa ao ser humano, que diga que você não pode roubar a propriedade dele, esse é o problema da “ordem moral”, que, na mente deles, é opressora e arbitrária, e que, segundo eles, lhe tornaria um conformista.
Obviamente, não é o momento ainda de estipularmos o motivo pelo qual o neo ateísmo é essencialmente parte do marxismo cultural, pois deixarei maiores detalhes disso para a parte 5, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Pelo momento, focaremos no marxismo, e no marxismo cultural, e então em associações com a irreligião.
O que é importante para o momento é apenas relembrarmos o início do marxismo, e como ele atende perfeitamente ao conceito de mentalidade revolucionária. Como tal, as idéias dos marxistas são incorrigíveis, portanto, os fatos que futuramente negarem a teoria serão todos rejeitados, pois a teoria é o que vale, e não os fatos que teriam que sustentá-la. E como surgiu isso? Simples. A promessa do futuro utópico, que TEM que acontecer (para eles), é tão bela que tal tipo de mentalidade não aceita que ela não seja verdade. Com isso compreenderemos por que tal tipo de raciocínio permanece até hoje, mesmo que os fatos não corroborem praticamente nada das alegações de Marx & Engels em relação ao “conflito de classes” e como qualquer pessoa sã notaria tal iniciativa de criar um mundo de Smurfs (todos vivendo em igualdade) era realmente ingênua.
Claro que tal tipo de ideologia com foco em mentira e auto-ilusão seria claramente anti-cristã. A alegação marxista era de que a religião era o “ópio do povo”, e que, por causa disso, eles não lutariam por não serem inconformados. Como sempre, de novo tudo era julgado somente pelos filtros e pela ideologia simplória deles. Se não atendia aos objetivos da luta de classes, então era um problema. Restava a eles a difamação pública da religião, assim como fariam para qualquer construção cultural que estivesse contra os objetivos da revolução.
O horror, o horror
Nada poderia ser pior para os marxistas do que ver a sua ilusão ser quebrada. E não é preciso ir muito a fundo para ver que a ilusão era forte. Senão, vejamos como Marx & Engels terminaram o seu Manifesto Comunista:
Em uma palavra, em toda a parte os comunista apóiam qualquer movimento revolucionário contra as ordens sociais e políticas estabelecidas. Em todos esses movimentos, destacam como questão fundamental do movimento a questão da propriedade, qualquer que seja a forma, mais ou menos desenvolvida, que ela possas ter assumido. Enfim, os comunistas trabalham, em toda a parte, pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países. Os comunistas recusam-se a dissimular suas concepções e seus propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos pela derrubada violenta de toda a ordem social passada. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista. Os proletários nada têma perder, exceto seus grilhões. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!
Até aqui, esse “fecho” apenas continua corroborando tudo que já vimos a respeito da mentalidade revolucionária. Mas faltava ainda que um dos aspectos ficasse mais explícito, que é a ambição global. A citação acima justamente nos mostra que, indiscutivelmente, a ambição era global. Marx & Engels não pensavam com foco com contexto de um país, mas sim de forma global.
Marx & Engels queriam criar uma sensação de animosidade dos proletários em relação aos burgueses. Não é muito diferente das iniciativas atuais de Dawkins e Cia., que querem criar uma sensação de animosidade dos ateus em relação aos religiosos, assim como os líderes gayzistas fazem o mesmo, criando uma relação de ódio dos homossexuais perante os heterossexuais. O padrão é o mesmo.
A grande expectativa dessa turma era de que os membros da “classe” se juntassem, de forma global, contra aquilo que consideravam a classe opressora. Na lógica deles, podemos supor que pensavam assim: se usamos bem a estratégia da falsa dicotomia, no ambito da criação de relação de ódio de uma classe com outra, a fidelidade teria que ser à classe, e não às suas convenções sociais, culturais, familiares, patrióticas, etc. Em resumo, a expectativa era de que os proletários se juntassem e se revoltassem, e destruíssem todos os capitalistas. Na visão deles, havia só um time: proletários x burgueses, independente de a qual país eles pertencessem.
Vou usar aqui uma analogia, com a panela de pressão, que empresto do Pe. Paulo Ricardo, um dos principais teóricos sobre o Marxismo Cultural, que elaborou uma palestra que é a principal fonte inspiradora desta parte do ensaio. A idéia é mostrar que a suposta opressão que os trabalhadores sofriam era tamanha que todos estes trabalhadores se juntariam, e iriam se revoltar, como uma panela de pressão que estoura. A revolta seria contra os capitalistas e burgueses. Ao final da revolta, seria implementada a justiça social. Ficam aqui resumidas, então, as principais expectativas dos marxistas na concepção do marxismo clássico.
Um conflito europeu de grandes proporções já era previsto por Marx há muito tempo, e antes da Primeira Guerra Mundial, as iniciativas subversivas comunistas já surtiam o seu efeito. Diante dessa grande panela de pressão, prestes a explodir, a expectativa era de que os trabalhadores de todos os países se juntassem, aproveitassem o momento de conflito, e direcionassem suas armas não aos “companheiros” de outros países, mas aos opressores. Ora, se todos estavam cheio de armas, para lutar nos campos de batalha, que tal se eles se juntassem e tomassem o poder, estabelecendo a Ditadura do Proletariado?
Eis então que a Primeira Guerra Mundial, que tomou espaço entre 1914 e 1919, mostrou justamente o contrário. Trabalhadores lutaram sim contra trabalhadores de outros países, em prol de seu país, de sua cultura, sua família, seus valores. A previsão de que os trabalhadores deveriam se unir simplesmente não aconteceu. Isso, obviamente, era uma ofensa, um horror para qualquer marxista naquele período. Se havia um momento em que a revolução deveria acontecer, globalmente, era na conquista de toda a Europa pelos proletários. E que melhor momento para isso acontecer que não na Primeira Guerra Mundial? No fim das contas, a decepção dos marxistas foi algo de até hoje eles não se recuperaram. Algo como entrar em campo achando que vai levar o título, aplicando uma goleada, e sair com o vice-campeonato, após tomar 6×0.
Até aqui fica claro de que a teoria pregada pelos marxistas simplesmente fracassou. E sabemos que a mentalidade revolucionária foca na teoria, e não nos fatos. Não obstante, o impacto psicológico deve ter sido grande para eles, em alguns casos até a ponto de desistência, mas os mais “dedicados” à utopia não iam largar isso por nada. Eles tinham que arrumar os “culpados” para o fato da teoria não funcionar.
Ao menos, tiveram um alívio pelo fato do objetivo ter sido alcançado na Rússia, em 1917, com a Revolução Bolchevique. Foi o suficiente para que os marxistas pensassem que não está tudo perdido, restando então entender o que deu errado na aplicação da teoria à Europa.
Após a Guerra, terminada em 1919, várias revoltas de cunho socialista começaram a ocorrer ao redor do Globo, como a revolta espartacista em Berlim. Podemos definir a revolta espartacista (ou segundo alguns de Revolta Espartaquista, ou Revolução Alemã de 1918-1919) como um conjunto de iniciativas, lideradas por Rosa Luxemburgo, influenciadas pela Revolução Russa de 1917. O Kaiser, Guilherme II, considerado um dos responsáveis pelo fim do império alemão na época, caiu nesse período. Na época, os comunistas conseguiram até controlar a região da Baviera, ao sul da Alemanha, onde foi fundada uma República Socialista. A partir dali, eles queriam expandir o movimento. A vida desse movimento revolucionário foi curta, pois eles foram dominados pelo governo, de linha social-democrata, o qual se estabeleceu após a queda do Kaiser.
Quer dizer, se a Revolução Russa deu uma esperança aos comunistas, após a decepção com o fracasso da iniciativa marxista na Primeira Guerra Mundial, o governo alemão tratou de decepcioná-los de novo. Droga, diriam eles, “isso não é justo”. Eles ainda tentaram implementar o Governo Soviet de Munique, mas também não deu certo.
Até aqui o score era mais ou menos assim:
- Na Rússia, deu certo
- Na ambição européia, deu tudo errado
- Em uma tentativa na Alemanha, deu errado de novo
- Em uma nova tentativa na Alemanha, tudo deu com os burros n’água
- Na Hungria… para variar, o barco virou
Na Hungria, havia um filósofo, Georg Lukács, que apoiava o governo de Bella Kuhn. Kuhn era comunista, mas perdeu o poder após as tropas romenas terem invadido o país.
Na Itália, no entanto, a derrota foi mais dolorosa ainda para os comunistas. Mussolini fundou o movimento fascista em 1919, com foco em um programa baseado na república, na separação entre Igreja e Estado, um exército nacional, além do desenvolvimento de cooperativas. O fascismo italiano tinha até algumas características da mentalidade revolucionária, mas era oposição à outro tipo de mentalidade revolucionária, o marxismo. Em resumo, a anarquia dos comunistas era rejeitada ferozmente por Mussolini. Uma das críticas ao comunismo era a idéia do laissez-faire desse governo. Nota-se que Mussolini era até um pouco ingênuo, pois o nível de controle do estado visto na Rússia era bem maior do que aquele visto na Itália. No fim das contas, o fascismo era brincadeira de criança perto dos governos comunistas em termos totalitários. O que importa para nós, no entanto, é estudar mais um momento em que o comunismo simplesmente não vingou.
Um problema teórico… mas nada que a mentalidade revolucionária não resolva
Até esse momento, não é difícil notar que temos duas teses:
- (1) Os trabalhadores se uniriam, em prol dos interesses da classe, ignorando os valores, a moral estabelecida, a família e a pátria, todos contra a burguesia
- (2) Os trabalhadores estariam, juntos dos “burgueses”, em prol da defesa de sua pátria, sua cultura, sua família, seus valores, etc.
O que aconteceu, durante e após a Primeira Guerra Mundial, é que a tese (2) foi vista em toda a Europa, com a exceção da tese (1), que vingou na União Soviética. Uma mente científica naturalmente pensaria que a tese marxista não funcionava, e que a União Soviética deveria ser estudada como o “ponto fora da curva”. A mentalidade revolucionária age de forma inversa. Na União Soviética a tese se implementou, ela está correta, e todo o resto da Europa era o ponto fora da curva.
Esse problema teórico resultou no movimento chamado Marxismo Cultural, que, conforme mostraremos aqui, pode ser muito mais danoso que o próprio Marxismo em si. Motivo: ele serve como um “enabler” para iniciativas futuras do Marxismo.
Como a mentalidade revolucionária cria factóides em sua mente para justificar o não funcionamento de suas teorias (que, para ele, são inquestionáveis), a missão dos teóricos do marxismo cultural era encontrar o motivo pelo qual os fatos não se adequavam à teoria. Como Pe. Paulo Ricardo disse: “Para os marxistas, a teoria é inquestionável, e se a realidade não está seguindo a teoria, pior para a realidade”.
Antonio Gramsci, fundador do partido comunista italiano, e Georg Lukacs, que eu citei anteriormente, podem ser considerados os precursores do marxismo cultural. E ambos chegaram, através de contatos mútuos, a uma resposta em comum: o problema é que a cultura ocidental não habilitava as práticas revolucionárias comunistas. Quer dizer, era preciso atacar os pilares da cultura ocidental, para torná-la apta a receber um regime como o soviético.
Não demorou para esse pessoal definir que a família cristã era uma das culpadas. Na verdade, nem precisariam pesquisar muito, pois o próprio Manifesto Comunista já se denuncia. Segue, direito daquele documento:
Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados diante desse desígnio infame dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho individual. A família, na sua plenitude, só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família para o proletário e na prostituição pública. A família burguesa desvanece-se naturalmente com o desvanecer de seu complemento e uma e outra desaparecerão com o desaparecimento do capital.
O que eles chamam de “família burguesa” é simplesmente a família tradicional. São convenções e elos que os marxistas, na época, consideravam “artificiais”. O motivo é óbvio. Se alguém é ligado à sua família, tem maior risco de ser ligado à um conjunto estabelecido de valores, e ao seu país e suas convenções também. Para os marxistas, o proletário pertence à “classe”, e não à sua família, as convenções sociais, seu país, etc…
Mas, além disso, existiam as 3 colunas, que também eram todas defensoras da família, e portanto, consideradas como inimigas. Lukacs e Gramsci já definiam que os vilões, contra os quais as lutas deveriam ser travadas:
- filosofia grega
- direito romano
- moral judaico-cristã
Em relação ao Direito Romano, sabemos que as revoluções marxistas não prezam pelo direito adquirido e nem pelo respeito à propriedade. Noções como jurisprudência, por exemplo, incomodam a eles. Motivo: tudo isso limita a luta dos proletários. Para implementar as revoluções, as leis tradicionais devem ser ignoradas. As leis são boas, para eles, somente quando atendem aos direitos da classe. Um exemplo pode ser visto na questão das invasões de terra pelo MST, ou na ação de tráfico de drogas pela FARC. Em termos legais, condenáveis, correto? Não para a mentalidade revolucionária, pois para eles todos os atos estão a priori justificados, e não sendo então condenáveis. Não é isso que a base do direito romano nos diz, e portanto, ele será considerado uma instituição burguesa a ser atacada pelos adeptos do marxismo cultural.
Na questão da filosofia grega, é bom notar do que falamos aqui. Falamos do CERNE da filosofia grega, que são os 3 grandes sábios: Sócrates, Platão e Aristóteles. Todos eles, na época, buscavam a verdade. E como a mentalidade revolucionária encararia tal busca? Isso não seria satisfatório para eles. Não é raro notar como os revolucionários simulam desdém por qualquer idéia aristotélica ou socrática. Em contrapartida, um pseudo-filósofo menor, como Epicuro, é idolatrado por esse pessoal (tratarei mais da oposição de pensamentos entre Epicuro e Aristóteles na parte 6 deste estudo). Motivo: Epicuro não acreditava em coisas como verdade, ao passo que Aristóteles era obcecado pela verdade. E de que lado os marxistas iriam ficar? De Aristóteles? Claro que não.
Mas nenhum adversário era tão prioritário, nessa luta, quanto a moral judaico-cristã. Em agradecimento ao site Darwinismo, segue a ótima compilação abaixo que mostra um pouco do que esse pessoal pensava sobre “moral”.
- “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses.” (Karl Marx, no Manifesto comunista, p. 36)
- “O comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral” (Karl Marx, no Manifesto comunista. p. 44)
- “A moral, é a impotência colocada em ação” (Karl Marx, em “A Sagrada Família”)
- “Justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta” (Lênin apud Alceu Amoroso Lima, Introdução ao direito moderno, ed. Agir, p. 15)
- “Subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. (Lênin, Staat und Revolution, zit. n. Ausgewälte Werke, Bd, II, Moskau, 1947, 225).
- “O melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral” (Lênin)
- “Lênin ensinou, como se sabe, que, para atingir o objetivo almejado, os bolchevistas podem, e às vezes devem, usar qualquer estratagema, como o silêncio e a dissimulação da verdade…” (Novaia Rossia, 17-2-38).
- “É necessário saber adaptar-se a tudo, a todos os sacrifícios e até, se necessário for, usar vários estratagemas, enganos, procedimentos ilegais, usar o silêncio, a dissimulação da verdade para penetrar nos sindicatos, permanecer neles, desenvolver neles a qualquer custo o embrião comunista.” (Lênin apud Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Invocar em nossos dias as “verdades eternas” da moral significa tentar fazer retroceder o pensamento.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Quem não quiser voltar a Moisés, Cristo ou Maomé, nem satisfazer-se com um ecletismo arlequinesco, deve reconhecer que a moral é um produto do desenvolvimento social; que ela não tem nada de imutável; que serve aos interesses da sociedade; que esses interesses são contraditórios; que, mais que qualquer outra forma ideológica, a moral tem um caráter de classes.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Não existem, então, preceitos morais elementares elaborados pelo desenvolvimento da humanidade e indispensáveis à vida de qualquer coletividade? Existem, sem dúvida, mas sua eficácia é muito incerta e limitada. As normas “obrigatórias para todos” são tanto menos eficazes quanto mais áspera se torna a luta de classes. A guerra civil, forma culminante da luta de classes, suprime violentamente todos os laços morais entre as classes adversas.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “As normas morais “obrigatórias para todos” adquirem, dentro da realidade, um conteúdo de classe, isto é, um conteúdo antagonístico. A norma moral é tanto mais categórica quanto menos é “obrigatória para todos”. A solidariedade dos operários, especialmente nas greves ou por detrás das barricadas, é infinitamente mais “categórica” que a solidariedade humana em geral.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “O fim (a democracia ou o socialismo) justifica, em certas circunstâncias, meios como a violência e o homicídio.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Do ponto de vista das “verdades eternas” a revolução é, naturalmente, “imoral”. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “O juízo moral está condicionado, como o juízo político, pelas necessidades internas da luta.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
Agora, uma pergunta: como é que com esse tipo de mentalidade, como vista acima nas declarações de Marx, Lenin e Trostky, seria possível um diálogo com uma sociedade sedimentada na cultura ocidental, baseada na família, com alicerce no direito romano, filosofia grega e, principalmente, a moral judaico-cristã? Simplesmente, não é possível. Curiosamente, Trostky se tornou dissidente russo, refugiou-se no México e foi assassinado com marteladas na cabeça a mando de um agente de Stalin. Pelo menos Trostky não poderia reclamar de nada, já que ele mesmo escreveu que os fins justificam, em certas circunstâncias, até a violência e o homicídio.
Gramsci e Lukacs sabiam que para permitir a futura revolução marxista, era preciso atacar a base da cultura ocidental. Enfim, corroer o organismo internamente, como um parasita. Eis então que o marxismo cultural assume a frente da luta revolucionária, enquanto o marxismo tradicional ficará relegado ao segundo plano, por uns tempos. Abordarei isso em mais detalhes na parte 5 deste ensaio, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Por enquanto, nos preocupemos com a base histórico-cultural deste movimento social, que será útil, como veremos após a conclusão desta parte do ensaio (assim como das partes 4 e 5), para entender a importância política do neo ateísmo.
Entra em ação o marxismo cultural
Até o momento sabemos que o pensamento dos marxistas era: “Se quisermos ter qualquer ambição de implantar o marxismo no Ocidente, é preciso acabar com a filosofia grega, o direito romano e, principalmente, a moral judaico-cristã”.
Alguns poderão até questionar: “mas a crítica à religião assumiu maior força no Iluminismo, não?”. Correto, mas a crítica era no máximo à influência da religião politicamente, com foco na criação do Estado Laico. E não uma eliminação da religião do cenário público. O marxismo tem uma iniciativa muito mais ousada. É preciso atacar a religião e retirá-la da discussão pública, pois a influência da religião, parra eles, é danosa. Na questão da religião, podemos dizer que os liberais (aqueles de bases iluministas), lutam pelo estado laico. O que é totalmente diferente do ataque e retirada das religiões do cenário público.
O que importa, principalmente agora, é saber que essas prioridades foram descobertas em 1920. Uma coisa curiosa é notar como Bertrand Russell, de um início mais “low profile” contra a religião, se tornou praticamente um dos precursores do neo ateísmo. Influências naturalmente advindas da campanha marxista. Haja vista que ele se “converteu” ao marxismo durante sua carreira.
Começava aí o movimento que pode ser chamado de “marxismo ocidental”, o que é um eufemismo para o Marxismo Cultural. Inicialmente, os camaradas de Moscou não ficaram muito satisfeitos com esse tipo de marxismo. Entretanto, veremos mais à frente, que a própria KGB fez uso principalmente desta espécie de marxismo. Tratarei isso na parte 4, em que trarei a história de Yuri Bezmenov, um desertor russo que era especialista em aplicações práticas de Marxismo Cultural. A expressão “marxismo ocidental” foi cunhada pelo filósofo marxista Maurice Merleau-Ponty (1908-1961).
Os primórdios do Marxismo Cultural, como já mencionado, relacionam-se a Antonio Gramsci e Georg Lukacs. Em relação ao primeiro, como já mencionei, dedicarei a parte 5 a ele, neste ensaio. Se hoje vemos a idéia dos intelectuais orgânicos, temos que considerar Gramsci como o principal responsável. Lukacs, por sua vez, queria incutir nos trabalhadores a “consciência de classe”, e usou o termo “revolução cultural”, com foco em mudar o senso comum da sociedade. Em tese, uma abordagem diferenciada, embora não tão detalhada como a de Gramsci, para a implementação do marxismo por vias culturais.
A partir dessa dupla, uma série de acadêmicos começaram a construir o “core” de idéias que tinham como foco destruir a base da civilização ocidental, que, como já vimos, é considerada “inimiga” do marxismo.
A Escola de Frankfurt
Cortina de Ferro era um termo utilizado para definir a divisão da Europa em duas partes: Oriental e Ocidental. Eram tratadas como áreas de influência político-econômica distintas, no pós Segunda Guerra Mundial. A Europa Oriental tinha o controle político/influência da União Soviética e a Europa Ocidental sob o controle político/influência dos Estados Unidos.
A proposta dos marxistas culturais era manter a “integridade” cultural dos países do Oriente, e implementar idéias marxistas no Ocidente. A partir daí surgiu uma série de filósofos, que muitos até aceitam como se fossem pessoas normais, mas no fundo todos são portadores da mentalidade revolucionária, na manifestação marxista: Ernst Bloch, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Jurgen Habermass, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, dentre outros.
O principal catalizador deste movimento pode ser definido como a Escola de Frankfurt. Para compreender sua origem temos que remontar a 1923, na Alemanha. Por lá, ocorreu a Semana de Trabalho Marxista, na qual alguns filósofos marxistas se reuniram para discutir o tal problema teórico de que antes falamos. A discussão era: “Por que a realidade não atendeu a teoria?”. Nessa semana, participavam Georg Lukacs e Felix Weil. Nesse ponto, Lukacs já tinha descoberto, juntamente com Gramsci, que o problema estava nas 3 colunas (filosofia grega, direito romano e moral judaico-cristã). O problema para os marxistas culturais agora não era discutir o “por que” (isso já tinha sido feito por Gramsci e Lukacs), mas sim “como” resolver o tal problema teórico.
Felix Weil assumiu função importante nesse ponto, ao criar em 1924 o Instituto para Pesquisas Sociais, em Frankfurt, na Alemanha. O Instituto se tornou, naturalmente, o quartel-general das discussões sobre como implementar o marxismo pelo mundo. Weil era o filho de um próspero comerciante, Hermann Weil, que teve como custear os estudos do filho em instituições renomadas como nas universidades de Tubingen e Frankfurt. Nessa última, Felix recebeu seu doutorado em ciência política. Nessa fase acadêmica, foi doutrinado pelas idéias socialistas e marxistas. De acordo como historiador com o historiador Matin Jay, o tema da dissertação de Felix foi “os problemas práticos da implementação do socialismo”.
Aliás, esse é o momento onde começa a ficar mais claro por que encontramos muitos marxistas, gayzistas, defensores de direitos humanos para bandidos, neo ateístas e outros desse tipo em universidades. Eles são úteis ao movimento revolucionário, pois, possuindo uma possibilidade financeira maior, ao serem doutrinados, eles conseguem influenciar mais gente. Como já dito antes, para marxistas, os meios não importam, desde que os fins sejam alcançados. No caso de Felix, a doutrinação dele teve importância muito maior, no caso, a grana que ele pode obter com o seu pai para criar o Instituto de Frankfurt. Fica aqui explicado um importante enigma. Por que será que há tantos filhinhos de papai associados a ideologias subversivas? Principalmente os que vão para a faculdade? Embora tratarei deste assunto aqui, expandirei ele na parte 5.
Por enquanto, foquemos na Escola de Frankfurt (ou Instituto para Pesquisas Sociais), que inicialmente iria se chamar Instituto Marx & Engels. Eis que surgia um problema: já existia um Instituto Marx & Engels na Rússia. E, nesse momento (estamos em meados da década de 20), o mundo já conhecia as atrocidades do governo russo, que posteriormente ficou conhecido por ser um dos campeões mundiais de genocídio, ao lado da China de Mao. Perto deles, até o governo futuro de Hitler seria trabalho de escoteiro. Até Hitler, que foi influenciadíssimo pelas idéias da mentalidade revolucionária, tentou se desassociar da conexão com as idéias de Marx. Obviamente, tais tentativas foram desmascaradas recentemente com o lançamento do vídeo “The Soviet Story”, na qual é demonstrado que os marxistas russos são praticamente os professores das estratégias de atuação nazistas.
Aliás, esse tipo de tentativa de Weil iniciou o que podemos chamar de “Estratégia do Varrimento para Debaixo do Tapete”. Para evitar suas associações com o marxismo, muitos desses ideólogos se identificam como “não tão ligados a Marx” ou até “críticos do comunismo”. Não surpreende que muitos subversivos hoje fiquem até ofendidos quando associados a Marx. Mas de que adianta se, conforme já vimos (e veremos mais ainda), a agenda do marxismo cultural é cumprida a risca? Basta um estudo mais profundo em cima desse pessoal para notar que os padrões comportamentais são os mesmos. Portanto, não adianta Weil ter identificado o seu Instituto como Insituto para Pesquisas Sociais. É um instituto para divulgação do marxismo, e a leitura do material desse pessoal será suficiente para tirar qualquer dúvida. Será que os neo ateus são todos marxistas? É evidente que nem todos são. Mas quando estudarmos a Estratégia Gramsciana veremos que é até produtivo que nem todos sejam. Parte da eficiência do marxismo cultural se deve à desassociação formal perante o marxismo original. Curiosamente, a edição geral das obras de Marx & Engels foi feita, simultaneamente, no Instituto de Frankfurt e no Instituto de Marx & Engels em Moscow. Detalhes…
O principal objetivo do Instituto de Frankfurt era estudar a Alemanha Ocidental, para entender o pensamento ocidental, e como isso “alienaria” os trabalhadores. Lembremos que, para Gramsci, os trabalhadores que não pegaram em armas contra os seus patrões na época da Primeira Guerra Mundial estavam “alienados”. Tudo ia muito bem, nos estudos desta turma (pois eles estavam criando a “estratégia de derrubada da cultura ocidental”), até que veio a Segunda Guerra Mundial.
Going to America
Como todos sabem, Hitler queria se desvencilhar da imagem de sua cultura revolucionária aprendida com Marx. Como Hitler não era de brincadeira, resolveu apelar à propagar a imagem de que lutava contra o marxismo, sendo aliado de Mussolini nesse ideal. O que importa para nós é saber que formalmente Hitler lutou contra os marxistas. E, mais ainda, lutou contra os judeus. Aqui temos um problema duplo para o pessoal do Instituto de Frankfurt: eles não eram apenas marxistas, como também judeus. Resultado: o Instituto de Frankfurt foi bombardeado e não restou-lhes outra alternativa que não fugir para os Estados Unidos. Entre os que foram para lá estavam Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse e Max Horkheimer.
Alguns até dizem que não há marxistas nos Estados Unidos, mas isso pode ser definido como “Estratégia Keyser Soze”. Para quem se lembra desse ótimo filme (“Os Sete Suspeitos”), ele conclui com o assassino, Keyser Soze,que se fingiu de debilitado o tempo todo para escapar da polícia, andando normalmente com um baita sorriso cínico na cara, após conseguir que outro fosse condenado em seu lugar. A frase que o filme mostrava era: “A maior jogada do Diabo foi convencer o mundo que ele não existe”.
Grande parte do esforço desses acadêmicos marxistas era doutrinar novos marxistas, ou ao menos, se não fosse possível, doutrinar novos subversivos. Outros acadêmicos eram também um foco de sua atuação. Grande atenção era dada ao fato de que isso não fosse tão “explícito”, mas sim aplicado de forma sutil. A Estratégia Keyzer Soze (mesmo que o filme só tenha sido lançado nos anos 90, ele explica bem a estratégia utilizada por eles) estava em vigência nas universidades americanas, e tudo isso com a Segunda Guerra em curso. Foi o tempo suficiente para que a contaminação dessas idéias na Academia se tornasse relevante em termos políticos. Quando a Segunda Guerra acabou, Horkheimer e Adorno voltaram para a Europa. Mas Marcuse continuou nos Estados Unidos.
Marcuse começou a dar aulas na Universidade de San Diego, na California, justamente na época em que explodiu toda a Revolução Estudantil de 1968, que causou impacto fundamental na França. Marcuse tornou-se parte de uma das mudanças culturais mais relevantes no Ocidente, embora muitos sequer tenham ouvido falar dele. Marcuse resolveu fazer um casamento entre as idéias de dois revolucionários: Marx e Freud.
Lembremos que eu falei da metáfora da válvula da panela de pressão no começo? Retorno à ela agora. A idéia era de que a válvula na panela de pressão tinha furado, a pressão escapava e a revolução não ia acontecer. Aí Marcuse veio com a idéia de encontrar pessoas revoltadas justamente onde elas aparecem em maior quantidade: nos jovens universitários, que seriam então tratados como as pessoas reprimidas sexualmente. E se eles eram reprimidos sexualmente, quem era o culpado? A moral judaico-cristã. Essa estratégia foi descoberta ao final dos anos 50. Lembrando também que a contestação da moral cristã não foi criada pelo marxismo. Nietzsche já fazia isso e não gostava de marxismo. O que importa, para os marxistas, como veremos na parte 4 (quando falaremos da subversão), é usar os movimentos existentes atualmente em curso e deixá-los seguir nesse caminho e motivá-los a ir até o fim.
No caso de Marcuse, ele encontrou um ambiente de pessoas que se sentiam reprimidas sexualmente, ele então apenas incentivou-as a ir mais além e ajudou a transformar a luta contra essa suposta repressão em um ato político. O lançamento de sua obra “Eros e Civilização” foi fundamental nessa luta. Com isso, Marcuse uniu o útil ao agradável. Ajudava a criar um movimento de luta contra a repressão sexual, travestido de luta pela paz, e ainda ajudava a dar cutucões na moral conservadora, principalmente da sociedade americana. O que importava, no final não era libertar essas pessoas da repressão, mas principalmente conseguir a militância. Era simplesmente a idéia de tentar matar dois coelhos com uma cajadada só: usava-se a rebeldia contra a religião, aprendida com Marx, e a noção de buscar todas as respostas no sexo, com Freud. Se hoje em dia, muitos encaram Freud e Nietzsche como intelectuais, deve-se, é claro, à iniciativas do marxismo cultural. Não é que ambos fossem intelectuais, mas sim que era importante que as pessoas considerassem eles como intelectuais, para darem mais atenção às suas idéias. Não surpreende, aliás, que Freud também fosse ateu.
O mais importante neste momento é saber que um dos objetivos principais dos marxistas culturais é dar aulas em universidades e atuarem no âmbito acadêmico. Muito provavelmente por isso é que os ideólogos marxistas busquem doutrinar as pessoas de destaque no mundo acadêmico primeiro. Tecnicamente, o marxista cultural não precisa pegar em armas, até por que não é uma iniciativa tão segura. Que o uso das armas fique para os proletários da revolução no momento certo. A função do intelectual do marxismo cultural é atuar para culturalmente moldar a sociedade para facilitar futuramente a revolução.
Nas universidades, os marxistas encontram terreno fértil para a doutrinação de seus alunos dizendo coisas com “a sociedade capitalista é uma sociedade opressora”, “se essa opressão ocorreu, a culpa é da religião”, “você não executa a sua liberdade sexual por causa dessa opressão”, “lute contra isso”, “mostre sua luta”, etc.). O resultado final disso, é claro, eram as manifestações de pós-adolescentes contra a Guerra do Vietnã (ou seja, implicitamente idéias pró-comunistas) e com base no “Faça Amor, Não Faça a Guerra”, lema de Marcuse. A importância cultural de Marcuse era tanta que a geração hippie com certeza deve muito a ele. Marcuse, que chegou a trabalhar para a CIA, nem se preocupava em se identificar como marxista. O importante para ele era conquistar a aceitação do público americano, pois ali era o foco do trabalho dele. Marcuse sabia que as idéias de revolução sexual seriam propagadas ao redor do mundo, culturalmente. Enquanto isso, outros ideólogos marxistas faziam o mesmo trabalho na Europa.
Os Estados Unidos sempre foram conhecidos por serem um país onde todas as opiniões podem ser ditas, independentes de quais fossem. Veremos que essa praticamente tem sido a fonte da ruína cultural deles, pois foi por onde os ideólogos marxistas resolveram atacar, se infiltrando, moldando culturalmente geração após geração. E o importante é notar como as técnicas dos marxistas sempre foram utilizadas da maneira mais desleal possível, pois como já visto, para eles a moral é uma estupidez, e os fins justificam os meios. Obviamente que eu não proponho uma nova censura, mas já que os marxistas culturais jogam tão sujo, temos que estudar formas de investigar e desmascarar em público esse tipo de material.
Patrulhamento ideológico
Se hoje vemos os neo ateus como símbolos de patrulhamento ideológico, não podemos esquecer que seus professores nisso foram os marxistas originais.
Um dos grandes exemplos de patrulhamento ideológico no molde marxista padrão foi a questão do senador Joseph McCarthy, que nos anos 50 investigou um número de artistas infiltrados na indústria cinematográfica americana. Estes artistas atuavam de forma a lançar obras que ajudassem na difusão cultural de idéias revolucionárias. Foi descoberto que McCarthy tinha um histórico de alcoolismo e era também homossexual. Muitos comunistas simularam que as investigações de McCarthy serviam como opressão, naquilo que foi denominado macartismo, e durou de 1950 a 1956. Alguns ideólogos comunistas alegavam que pessoas eram levadas ao suicídio pelas investigações de McCarthy. Começou então um extensivo patrulhamento ideológico contra McCarthy, que foi tratado como um pária social. Obviamente, o caso de alcoolismo dele foi extensivamente aproveitado por marxistas (e até alguns liberais) que frequentavam a mídia.
A questão com McCarthy é apenas um dos exemplos de como os ideólogos marxistas e seus pares subversivos sabem executar a noção de que aqueles que lutam contra suas utopias deverá ser destruído, e não haverá nenhum padrão moral para julgar qualquer ato que for feito contra ele.
Uma das principais formas de patrulhamento ideológico é a Estratégia das Tesouras, que é apresentada por Olavo de Carvalho desta forma:
A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.
E o que isso significa? Em termos sociais, temos 3 vertentes hoje: conservadorismo, liberalismo e marxismo. O que importa para eles hoje é atacar o conservadorismo, eliminá-lo do espectro político e transformar a questão em uma discussão entre liberalismo e marxismo. Futuramente, com isso, o marxismo se ocuparia de destruir o liberalismo com mais facilidade. É por isso que a religião TRADICIONAL é que é tratada hoje inimiga do neo ateísmo. E eles não se importam tanto com os deístas e panteístas. Por enquanto.
Na execução da estratégia das tesouras, os marxistas simplesmente efetuam toda e qualquer forma de patrulhamento ideológico contra aquele que estiver fora do espectro delimitado por eles.
Diante dessa lição, aprendida com o macartismo, e notando como o patrulhamento ideológico hoje está bastante focado nas universidades e na mídia, pode-se dizer que o cenário de maior perigo hoje em dia para se ter uma idéia conservadora é o cenário acadêmico. Hoje por exemplo, que alguém ouse questionar o movimento gayzista em uma universidade. Ou, pior, que se tente questionar um paradigma ateísta. O resultado disso será a tentativa dos marxistas culturais em destruírem sua carreira.
Tratarei especificamente de estratégias mais detalhadas de patrulhamento ideológico na parte 5, sobre a Estratégia Gramsciana. Por enquanto, abordei apenas a origem desta prática, e, como não poderia deixar de ser, é uma prática marxista.
Conclusão
O marxismo cultural é uma forma aparentemente light de marxismo, justamente por que assim ele causa à princípio menos rejeição, e portanto, é mais facilmente difundido. Entretanto, ele não é menos perigoso que o marxismo tradicional. Pelo contrário, ele é um habilitador das idéias revolucionárias mais radicais. Uma série de estratégias é utilizadas por eles, e principalmente em âmbito cultural e acadêmico, justamente por uma questão de facilidade de alcance de mais mentes vulneráveis, principalmente universitários (em fase de alta ebulição sexual e rebeldia). Dentro desse âmbito de doutrinação universitária, eles vão criando novos subversivos, e mantém sua estrutura de maioria acadêmica, usando desde a lavagem cerebral até o patrulhamento ideológico. Esse artigo apenas dá a base explicando o surgimento e como funciona basicamente o marxismo cultural. Nos próximos 2 artigos, em que tratarei das Estratégias de Subversão (com exemplo da história do dissidente russo Yuri Bezmenov) e da estrutura da Estratégia Gramsciana, fornecerei algumas idéias básicas do que seria uma forma de contenção aos objetivos marxistas. Notem que não tratei, ainda do historicismo absoluto e do desconstrucionismo, e nem da gramática transformacional, de Noam Chomsky. Em relação à esta última tratarei dela na parte 7, e quanto as outras 2 tratarei na parte 5.

. “Como Hitler não era de brincadeira”
hahaha! adoro estas sacadas do luciano
natã
novembro 16, 2010 em 3:46 am
“Curiosamente, Trostky se tornou dissidente russo, refugiou-se no México e foi assassinado com marteladas na cabeça a mando de um agente de Stalin. Pelo menos Trostky não poderia reclamar de nada, já que ele mesmo escreveu que os fins justificam, em certas circunstâncias, até a violência e o homicídio.”
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Sê o amparo dos aflitos. Cada lamento que tua dureza provocar são outras tantas maldições que cairão sobre a tua cabeça.
natã
novembro 16, 2010 em 3:44 am
A série completa de 9 vídeos do Padre Paulo Ricardo falando sobre o marxismo cultural pode ser vista aqui:
http://www.youtube.com/user/1carlosf#g/c/BA69FAD0A47CCA28
carlos
março 23, 2010 em 10:25 am
Ah, luciano!
Midia sem máscara é leitura obrigatória desde o dia em que li aqui nesse blog uma resposta a um comentario que se fazia sobre humberto Eco ser melhor que Olavo de Carvalho. Fui imediantamente procurar de quem se tratava. Dai foi um passo para o outspeak e MSM.
Luciano, não estou com tempo disponível o suficiente pra me dedicar por ora ao estudo mais direcionado sobre ceticismo, investigação de fraudes, etc. Futuramente, vou fazer a você um pedido de orientação quanto a esses assuntos…espero contar com a ajuda.
————————-
Em tempo: onde se lê “Eu ainda estou na fase do descobrimento”, melhor que se leia “estou na fase da descoberta”…só um corretivo.
Cristiano Oliveira
março 22, 2010 em 10:49 pm
Cristiano
A pergunta decorre de curiosidade, Luciano. Voce esta certissimo ao exortar que cada um procure suas fontes. Acontece que eu ainda me sinto muito necessitado de leituras que formem a minha base de conhecimento. Eu ainda estou na fase do descobrimento. Vou seguindi o rastro de outras pessoas, catando todas as boas indicações, formando o primeiro momento do meu pensamento.
Chegará a hora em que poderei exercer o livre pensamento, mas por enquanto preciso aprender mais, ouvir mais e ler muito mais ainda. Por isso, todo as as indicações são bem vindas, todos os ratros de boas fontes que eu encontrar eu vou seguir. Eu nao tenho mais o direito de me precipitar. Preciso ouvir o que as pessoas confiáveis têm a dizer
Entendi, e compreendo o seu ponto de vista, e, quando iniciei os estudos, tinha a mesma necessidade.
Dessa forma, eu recomendo, que, além desta apresentação do Pe. Paulo Ricardo, os seguintes livros do Olavo de Carvalho:
- O Imbecil Coletivo I
- O Imbecil Coletivo II
- O Jardim das Aflições (o meu preferido)
- A Nova Era e a Revolução Cultural (esse está completamente disponível aqui http://www.olavodecarvalho.org/livros/neindex.htm)
de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Alvaro Vargas Llosa
- O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano
Esse site também tem umas coisas interessantes:
http://marxismocultural.blogspot.com/
Além do site http://www.midiasemmascara.com.br
No exterior, há material abundante, mas como você solicitou algo para iniciar a leitura no assunto, sugiro ficar com esses que indiquei.
Por exemplo, recentemente encomendei “Weapons of Mass Distortion”, de Brent L. Bozzell
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=788660&sid=91211110012214122637924974&k5=602F2D4&uid=
E:
“Bias”, de Bernard Goldbert
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=677639&sid=91211110012214122637924974&k5=3ADA68D2&uid=
Mas, de novo, recomendo esses só para leitura futura.
lucianohenrique
março 22, 2010 em 10:07 pm
A pergunta decorre de curiosidade, Luciano. Voce esta certissimo ao exortar que cada um procure suas fontes. Acontece que eu ainda me sinto muito necessitado de leituras que formem a minha base de conhecimento.
Eu ainda estou na fase do descobrimento. Vou seguindi o rastro de outras pessoas, catando todas as boas indicações, formando o primeiro momento do meu pensamento.
Chegará a hora em que poderei exercer o livre pensamento, mas por enquanto preciso aprender mais, ouvir mais e ler muito mais ainda. Por isso, todo as as indicações são bem vindas, todos os ratros de boas fontes que eu encontrar eu vou seguir.
Eu nao tenho mais o direito de me precipitar. Preciso ouvir o que as pessoas confiáveis têm a dizer
Cristiano Oliveira
março 22, 2010 em 8:55 pm
Cristiano
A propósitos, alguem sabe qual foi o Artigo que aguçou a curiosidade dele…tem alguma coisa a ver com Olavo de carvalho?
Parece que sim. Mas, conforme o Olavo indica, é recomendável que cada um busque suas fontes. Eu mesmo já gastei mais de 2.000 reais do início do ano para cá e a maioria é de livros marxistas. Comprei livros de gente como Marcuse, Lukacs, Gramsci, Derrida, Chomsky, Foucault, enfim, toda essa tranqueirada.
lucianohenrique
março 22, 2010 em 1:13 am
Nossa muito bom o vídeo do Marxismo Cultural, eu amei ele, nunca tentei ver o marxismo como algo cultural < >.
Vou tentar colocar esse vídeo no meu blog.
Obrigado,
Pj.
paulojuniodeoliveira
março 22, 2010 em 1:04 am
Acauã K.
Obrigado pelos vídeos…se houver mais nessa linha, pode indicar que vou assistindo todos.
A propósitos, alguem sabe qual foi o Artigo que aguçou a curiosidade dele…tem alguma coisa a ver com Olavo de carvalho?
Cristiano Oliveira
março 21, 2010 em 10:34 pm
Cristiano,
Sobre a abordagem de Olavo de Carvalho para a estratégia das tesouras, cá estão 2 links:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/08032002globo.htm
http://www.olavodecarvalho.org/semana/17112002zh.htm
Abs,
LH
lucianohenrique
março 21, 2010 em 2:15 pm
Cristiano
Aqui te faço a primeira pergunta: a atuação de Marcuse, ao lançar sua teoria simbiótica de marx e freud para atacar as bases da moral cristã, esta revestida da consciência de que a sociedade americana é àquela época um dos pilares de resitencia à proliferação do comunistarismo no mundo? Ele age de forma deliberada e com consciência de que a cultura tradicional americana precisa ser vencida para dar passagem a dominação comunista no mundo ou somente atua contra a moral judaico-cristã sem perceber que os EUA são os arautos da resistência?
Muito boa pergunta. Com certeza, a atuação de Marcuse era intencional. Marcuse era pertencente à escola de Frankfurt, e por lá o que era estudado era como “corroer a cultura do inimigo por dentro”. Inicialmente, o objetivo era estudar a Alemanha Ocidental, mas como tiveram que fugir de lá, foram para o melhor lugar para executar suas atividades: os Estados Unidos. Aí os objetivos se ampliaram.
P.S.: Esse tipo de pergunta ajuda muito a enriquecer o estudo, pois noto que terei que abordar mais profundamente alguns temas quando o resultado final do ensaio tiver saído (este aqui, que está sendo publicado no blog, é o primeiro draft).
lucianohenrique
março 21, 2010 em 2:12 pm
Cristiano, pode começar com esse vídeo aí abaixo do Padre Paulo Ricardo. São nove vídeos, e aí basta você procurar pela sequência nos vídeos ao lado desse ^^
Acauã K.
março 21, 2010 em 2:07 pm
Só faltou você no mínimo citar de relance a influência do marxismo cultural no totalitarismo político islâmico (favor não confundirem com o Islã religioso). À propósito, eu creio que esse grupo é o único que teria condições de se rebelar contra o marxismo cultural imperialista quando este em triunfo tentasse puxar o tapete deles. Seria até engraçado ver neguinho socialista se ferrando na mão de decapitadores extremistas islâmicos…
Bem Cristiano, creio que a resposta da sua pergunta seja positiva, com mais foco em subversão dos EUA como cultura do que qualquer outra coisa.
Acauã K.
março 21, 2010 em 2:04 pm
Muito esclarecedor.
Aliás, voltarei inumera vezes a esses textos da série, pois numa unica leitura nao se consegue apreender todos os conceitos e ideias.
Gostaria de saber em que link eu acho a tal palestra do Pe. Paulos ricardo, pois gostaria de ler mais sobre esse assunto.
Se você tiver links sobre as ideias do Olavo da estrategia da tesoura e outros, eu gostaria que indicasses.
obrigado.
Cristiano Oliveira
março 21, 2010 em 12:13 pm
Goin to Amercia.
Aqui te faço a primeira pergunta: a atuação de Marcuse, ao lançar sua teoria simbiótica de marx e freud para atacar as bases da moral cristã, esta revestida da consciência de que a sociedade americana é àquela época um dos pilares de resitencia à proliferação do comunistarismo no mundo? Ele age de forma deliberada e com consciência de que a cultura tradicional americana precisa ser vencida para dar passagem a dominação comunista no mundo ou somente atua contra a moral judaico-cristã sem perceber que os EUA são os arautos da resistência?
Aqui lembro de Olavo de Carvalho que diz que a revolução comunista pretendia destrui a partir de dentro a cultura tradicional americana e a igreja católica. No entanto a própria chegada desses marxistas nos EUA foi ocasional e decoorente da perseguição implementada na Europa. Então, segundo o meu entendimento de seu texto fica a mim parcendo que a ideia marxista dentro dos EUA nao se direcionava a destruição moral americana, mas à relativização tão somente dos valores cristãos dfendidos pela Igreja católica à época.
Não sei se fui claro e nem se a duvida é pertinente ou apenas fruto de um equivocado entendimento.
Cristiano Oliveira
março 21, 2010 em 11:55 am