Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 4 – A Engenharia da Subversão

Assim como a base central do artigo anterior desta série foi inspirada em uma apresentação do Pe. Paulo Ricardo, este terá como espinha dorsal as declarações de Yuri Bezmenov, dissidente russo, ex-funcionário da KGB. Em 1984, Yuri (que adotou o nome americano de Tomas Schuman após desertar) deu uma entrevista a G. Edward Griffin, num documentário de nome “Soviet Subversion of the Free Press”, e também apresentou uma palestra na qual ensinou os mecanismos de subversão utilizados pelo governo soviético. Embora infelizmente não tão divulgada pela mídia como deveria, as apresentações e a entrevista de Yuri foram extremamente esclarecedoras.
É importante entender que grande parte da visão de Yuri ainda vinha de um tempo da guerra fria, e praticamente tudo que se falava em termos de subversão estava praticamente relacionado à influência soviética, que podia ter participação direta ou indireta nisso. Hoje o cenário é um pouco diferente, e, embora os russos tenham influências em estágios de subversão, outras nações e ideologias também já o possuem. Obviamente, por tudo que veremos aqui, os marxistas têm importante papel na subversão atual, pois é a ideologia com maior foco em “reestruturação” da humanidade atualmente, haja vista que o nazismo está hoje praticamente morto e enterrado. O nazismo se foi, o comunismo ainda segue perigoso. Claro que em termos globais, há hoje em dia uma outra ameaça além do comunismo, que é a Nova Ordem Mundial, e, podemos compreender as revoluções, impulsionadas em grande parte pela visão marxista, como parte desse processo maior. Antes que você se assuste e desista de seguir em frente, mostrarei que o marxismo provavelmente nem sequer seja o objetivo final. Mas ainda chegarei lá. Neste texto, será mostrado qual o PAPEL da subversão, e, então como os subversivos de vários tipos são importantes dentro do contexto de uma revolução.
Peço que, ao menos dentro deste artigo, deixe a sua doutrina um pouco de lado (assim como deixarei a minha), e o avalie pela perspectiva utilitarista, como recomendo para avaliarmos movimentos políticos (e não para construirmos nossa moral). E a subversão será tratada desta maneira cá.
Entendendo a subversão
Não dá para prosseguirmos sem antes compreender o que é subversão. Segundo o Dicionário Michaelis, subversão é o “ato ou efeito de destruir ou perturbar”. Outra definição é “insubordinação, revolta contra a autoridade ou contra as instituições”. Para fins de nossos estudos, podemos definir a subversão portanto, como uma iniciativa para destruir as bases de um sistema a partir de agentes internos dentro desse sistema. Bezmenov chega a ser ainda mais explícito e define subversão como parte de uma atividade para destruir coisas como religião, governo, sistema político, sistema econômico de um país.
Como já mencionado anteriormente, temos que entender as declarações de Bezmenov como fruto de um tempo em que a guerra fria andava em voga. Ele declarou que das atividades da KGB fora das fronteiras soviéticas, apenas 15% do orçamento era gasto em espionagem tradicional. Entenda-se por espionagem tradicional como a prática de obtenção de informações secretas dos rivais. Neste caso, países rivais. Segundo Yuri, 85% do orçamento, no entanto, era gasto com atividades de subversão. Não deixa de ser curioso, mas compreensível, principalmente pelo fato de que a maior parte dessas atividades é considerada legítima se avaliarmos pelo ponto de vista criminalístico. Além de tudo, não é uma atividade secreta, mas executada de forma pública. Aliás, a atividade de subversão é tão facilmente identificável que só falta o agente subversor dizer “olha, estamos aqui para desestruturar suas bases, ok?”, sendo que a resposta tende a ser “ok”. Por exemplo, basta estudar o marxismo cultural, que se estrutura principalmente como um movimento cultural, mas tem caráter totalmente gramsciano.
Antes de seguirmos, é importante definirmos uma terminologia padrão. Definiremos como patrocinador da subversão a entidade ou pessoa diretamente interessada nos frutos a serem colhidos após a conclusão das atividades de subversão. No caso da apresentação feita por Bezmenov, consideramos a União Soviética como um dos patrocinadores da subversão (pois ele falava sobre os Estados Unidos, e em 1984), mas não o único. Para nosso estudo, não importa quem é o patrocinador, ao menos para o momento. Se é um país, uma organização, um grupo meta-capitalista, simplesmente não focarei nisso no momento. Meu interesse, nessa análise do material de Yuri, é entender COMO O JOGO É JOGADO, e não quem são especificamente os organizadores do jogo.
Uma outra definição que utilizarei aqui é a de organizador da subversão, que são grupos e entidades organizadas que executam a subversão. Estes organizadores podem ser ativos ou passivos. No exemplo de Yuri, o patrocinador era a União Soviética (na maioria dos casos, novamente é bom frisar) e a organização a KGB. Esta era uma organização ativa. Uma organização passiva é, por exemplo, um jornal que não possui interesses reais na subversão, mas tem em seu quadro de funcionários um conjunto de agentes subversivos. Como o interesse do dono do jornal é lucrar com vendas de jornal, e não fazer subversão (na maioria dos casos), caso a divulgação de textos subversivos dê lucro, isso deixará feliz tanto o seu empregado como ele.
A terceira e última definição que utilizaremos é a do agente subversivo, que é a pessoa que executa subversão. Ela pode ou não estar diretamente associada a uma organização subversiva, tanto passiva como ativa. Em vários casos, os agentes podem ser representados de várias formas, como um estudante que entra no país para intercâmbio, um diplomata, um ator, um artista, um jornalista. Bezmenov, inclusive, executava o papel de jornalista, até o início dos anos 70, quando desertou.
Bezmenov destaca que o importante, na compreensão da subversão, é que ela é uma via de duas mãos, e que não se pode subverter um inimigo que não esteja passível de ser subvertido. Fica claro o motivo pelo qual a sociedade chinesa é tão fechada, chegando a censura da mídia e da Internet. Quero, desde já, dizer que não estou propondo a censura ao identificar o flagelo da subversão aqui. Peço que aguardem até o final do texto, onde mostrarei as sugestões para tratar a subversão (e sem pensar em censura). O que quero, por enquanto, é mostrar o fator que habilita um país a ser susceptível a subversão. Fica mais claro entender por que o governo brasileiro, de direção marxista (e que pensa dia em noite em assumir o poder de forma totalitária, sendo que o PNDH-3 é uma iniciativa nesse sentido) é tão interessado em dar apoio à ONGs que tentam impor a “Governança” da Internet. Eles estão simplesmente pensando no futuro, e em como, após tomar o poder, eliminar o risco de subversão externa. O que quer dizer que à partir do momento em que totalitários estiverem no poder, eles, que conhecem os “benefícios” trazidos a eles pelas atividades de subversão, eliminarão os pontos pelos quais ela pode ocorrer.
Isso tudo deixa mais cristalino o entendimento de quando Bezmenov explica que a subversão só pode ser bem sucedida quando o iniciador (ou ator, ou agente da subversão) tem um alvo que responde. É isso que significa um tráfego de mão dupla. Podemos com isso compreender perfeitamente por que países como Estados Unidos, França e Brasil, dentre outras “sociedades abertas”, nas quais seus “intelectuais” adoram tanto termos como “globalização” ou “tornarmo-nos parte de uma aldeia global”, são alvos receptivos de subversão.
Uma grande sacada de Bezmenov, aliás, é relembrar Sun Tzu, que seria o originador da teoria da subversão. Sun Tzu explicou, 2.500 anos atrás, que para implementar a política estatal de forma belicosa, a forma mais contraprodutiva, bárbara e ineficiente era lutar num campo de batalha. Ele diz que a maior arte da guerra é não chegar a lutar, mas sim subverter tudo que for de valor no país de seu inimigo. Com isso, ele não mais perceberá você como um inimigo, e que o seu sistema, sua civilização e suas ambições irão parecer a ele uma alternativa se não desejável então ao menos factível (“antes vermelho que morto”). Esse é o propósito final, que indica que a subversão foi bem sucedida.
Qual o motivo para a existência de ideologias subversivas?
Como esse é um estudo que tem por objetivo desvendar a ilusão que está por trás de algumas ideologias subversivas, vou recordar o que afirmei na parte 1. Não terei falsos pudores em investigar o neo ateísmo, e nem outras ideologias subversivas associadas, nem mesmo se isso destruir o véu de beleza messiânica que alguns adeptos destas ideologias possam nutrir por elas. Se após o nosso estudo, coisas como a “luta por igualdade” do marxismo e a “luta pela razão” do neo ateísmo não parecerem nem mais factíveis, honestas e principalmente viáveis, esse é um risco que devemos correr.
Por exemplo, eu sei que muitos acreditam no “mundo ideal” do marxismo. Quem possui amigos marxistas, sabe que seus olhos brilham quando ele pensa em Fidel Castro, Che Guevara ou Stalin. Assim como um neo ateu chega a tremer de emoção ante o nome de Richard Dawkins ou Christopher Hitchens. Globalistas podem chegar a lacrimejar ao ouvir a mera menção a Al Gore e Barack Obama. Toda essa emoção e comportamento irracionalmente febril é vista no comportamento de subversivos que vão às ruas, fazem passeatas, e lutam por suas causas com uma determinação que pode até parecer empolgante para os mais ingênuos. Mas e se tudo isso for apenas uma ilusão?
Como vimos no capítulo passado, a mentalidade revolucionária tem um conjunto específico de características, entre elas sempre a crença em um futuro utópico, que inclui a remodelação da humanidade, ambições globais, e a sensação de fazer parte deste grupo. Além do mais, existe a absoluta ausência de freio moral em torno de qualquer ato cometido a favor desta causa. Tudo é lindo para os adeptos, mas e se Marx jamais acreditou naquilo que ele propôs realmente? Vejamos as duas possibilidades principais:
- (a) Marx e Engels tinham como objetivo construir um mundo igualitário, em que todos vivessem em igualdade
- (b) Marx e Engels riam na cara de quem acreditasse nessa utopia tola, mas criaram uma ideologia que poderia ser usada por aqueles interessados em fazer uso de pessoas subversivas de seu país (em suma, os portadores da mentalidade revolucionária) para esfacelar os sistemas vigentes e tomar conta da nação
No caso da alternativa (b), quem sabe Marx & Engels, com o sucesso das implementações, não se tornariam figuras da alta estirpe do poder? E se Marx estivesse pensando: “Será que vou arrumar algum patrocinador para essa idéia? Quanto eu vou levar nessa? A idéia é boa e vai enganar muita gente, que vai aderir ao marxismo, e isso pode ser um grande negócio.”?
Alguém diria: “mas que maquiavelismo o seu”. Será que é maquiavelismo? De que forma julgamos um sistema político ou econômico senão pelos exemplos de sua implementação? E desde quando o comunismo teve uma implementação conforme previsto na utopia marxista? Em lugar nenhum do mundo. E em quantos lugares a ideologia foi implementada em atendimento aos objetivos de governantes totalitários? Em vários lugares. O curioso é que em vários dos países, algumas pessoas que até deram suporte à implementação, foram para o paredão após o poder ser conseguidos por poucos. Estes poucos que jamais implementaram a tal da “justiça social”. E se considerarmos, diante dessa informação, o marxismo não como uma ideologia bela, mas simplesmente uma construção ideológica que não tem função alguma de modificar qualquer fator de desigualdade social, mas sim PROMETER ISSO, e dessa forma se tornar uma das mais poderosas ferramentas de subversão conhecidas na atualidade? Se criarmos no futuro uma disciplina chamada “Estudos da Subversão”, provavelmente um módulo chamado “Engenharia da Subversão” teria que incluir o marxismo como o grande estudo de caso.
O caso é que, como vimos no texto anterior, o marxismo não pode ser implementado sozinho, e então precisa fazer uso de outras ideologias subversivas. Outra das grandes ideologias era a irreligião, que vem desde os tempos de alguns iluministas e de Feuerbach, este último um dos principais influenciadores de Marx. A irreligião teve também entre seus “pensadores” gente como Bertrand Russell e vários outros. A maioria deles, é claro, marxistas. Essa ideologia hoje se materializou em um movimento focado, que é o neo ateísmo. Assim como com o marxismo, temos duas opções para o neo ateísmo:
- (a) Criar um mundo científico, onde todas as decisões são científicas, definindo as decisões, com isso, todas as injustiças serão eliminadas, e a ciência trará soluções maravilhosas para todos, sendo os ateístas os embaixadores deste novo mundo
- (b) Simular que se luta pela alternativa (a), mas sendo isso apenas uma utopia para lançar uma cortina de fumaça, pois o foco principal é atacar a identidade religiosa dos povos, com o objetivo de retirar qualquer barreira conservadora, e torná-los susceptíveis a outros tipos de subversão, principalmente a marxista
Considerando a alternativa (b), a qual também é extremamente viável simplesmente pela análise dos países que se tornaram fortificações do ateísmo, podemos também considerar o neo ateísmo como outra ideologia subversiva, essa agora como sustentação do marxismo. Notem que, como veremos na parte 5 em mais detalhes, não é preciso que o neo ateísta seja um marxista, mas que apenas execute uma atividade subversiva para DAR SUPORTE à outra atividade subversiva principal.
Não poderíamos deixar de concluir essa parte sem antes falar de uma terceira e extremamente importante ideologia subversiva, que é a luta por uma “civilização global”. Essa ideologia se apresenta de várias formas, desde a luta por “globalização” até o “governo global”. De novo há duas alternativas, sendo que elenco a primeira sempre a mais bonitinha, aquela que seduz os mais ingênuos, e a segunda a mais racional, de acordo com os fatos:
- (a) Criar um mundo onde todos são “irmãos” iguais, colaborando uns com os outros, sem barreiras culturais, com uma religião universal, e todos juntos para tornar o mundo um lugar mais justo, sempre lutando por causas de interesse global, como luta contra o aquecimento global, eliminação da fome, etc.
- (b) Através da propaganda baseada em (a), criar uma geração de pessoas que lutem para eliminar a identidade cultural de suas nações, tornando-as, então, mais susceptíveis à subversão externa.
Ora, com a alternativa (b), se existem projetos de reestruturação global, e até iniciativas de se ampliar mercados e estabelecer sistemas totalitários que dêem suporte à essas novas implementações, fica fácil então avaliar esse tipo de projeto “global” sob uma nova perspectiva. Olhando toda a questão com um prisma mais racional, é fácil entender que sempre pessoas ingênuas acabam sendo estimuladas a acreditar em utopias e lutar por interesses que, inicialmente acham que são nobres, mas no fundo são apenas pessoas que servem como marionetes de interesses de outros. Quero deixar claro aqui que não sou contra a globalização em si, que é inevitável, com a redução das barreiras entre os países, o advento da Internet, a redução do custo das passagens aéreas, etc. O que está sendo tratado aqui não é esse tipo de globalismo, e sim a ideologia globalista, que tem ambições, dia-e-noite, em tornar o mundo uma civilização “programada” composta de várias nações que tenham renegado sua cultura, sua identidade e seus valores.
Portanto, quando um globalista vier lhe dizendo “você é contra a justiça social?”, é lícito responder a ele: “claro que não, mas sou contra ver você servir de fantoche e achar que com sua luta você está sendo útil para isso, quando não está”. Curiosamente, essas três ideologias (marxismo, neo ateísmo e globalismo) sem exceção incluem pessoas que atendem aos paradigmas da mentalidade revolucionária. Podemos considerá-las até como fruto de experimentos de grande porte de engenharia comportamental.
E qual o maior empecilho para subversivos? É claro que é a cultura conservadora. E isso agora nos explica muita coisa. Quem observa grande parte da mídia (sempre adepta de ideologia subversivas, conforme pode ser explicado pelo marxismo cultural, e será melhor explicado ainda quando adentrarmos à parte 5, com a Estratégia Gramsciana), notará que os conservadores sempre são tratados como inimigos das “nobres iniciativas”. O que importa, nesse momento, é oficializar o motivo pelo qual em todo esse estudo tratarei o marxismo, globalismo e o neo ateísmo apenas como ideologias subversivas.
Notamos também que agentes da subversão, que são os propagadores de ideologias subversivas, não necessariamente são agentes da KGB. Seria ridículo e ingenuo pensar desta forma. Mas é um fato que governos com tendência a apoiar essa globalização investem bastante em uma EDUCAÇÃO que forme novos agentes subversivos. Esses agentes geralmente são intelectuais, estudantes e acadêmicos que são DOUTRINADOS a perseguir uma ou mais das 3 principais ideologias subversivas, e então são algo que fazem os investidores desse tipo de iniciativa (organizações privadas e governamentais, dentre elas) sorrirem de orelha a orelha: eles são pessoas que lutam ferrenhamente para execução de subversão e NÃO GANHAM SALÁRIO.
Uma outra questão que pode surgir: “seriam todos esses movimentos oriundos de outros países?” Nem sempre. O patrocínio da subversão pode tanto surgir de dentro do país como de fora. No caso de surgir internamente, normalmente vemos que a ambição é submetê-lo à uma ambição maior, no caso global (o marxismo, o globalismo e, em alguns casos, até o neo ateísmo se encaixam nisso), a qual pode ter o patrocínio oriundo do exterior. O essencial é compreender que a tática da subversão se baseia em aproveitar os movimentos culturais e sociais internos que já existem dentro do país. Bezmenov é bem lúcido ao afirmar que se uma sociedade é livre e democrática, obviamente há vários movimentos diferentes dentro dela. Em relação à subversão, basta que os patrocinadores da mesma escolham os movimentos adequados e a partir daí INFLUENCIEM a proliferação e incentivo destes movimentos, pois em cada sociedade obviamente há pessoas que são CONTRA a sociedade. Como exemplo destas pessoas podemos citar criminosos comuns (em discordância com a política estatal, como exemplo o Comando Vermelho e o PCC, no Brasil), inimigos declarados do sistema, além de personalidades puramente psicóticas que são contra tudo. Isso não impede que haja o pequeno grupo de agentes de subversão que venham de uma nação estrangeira. Mas, em tempos globais, como o atual, isso não é tão relevante, por causa da Internet. A coisa era um pouco mais complicada após a Segunda Guerra Mundial, em que as estruturas de comunicação não eram tão proliferadas como atualmente. Naquela época, o “problema” dos marxistas foi resolvido com a importação de vários deles, oriundos da Escola de Frankfurt, para os Estados Unidos.
Sobre esses movimentos internos, para os patrocinadores da subversão o importante é saber o momento em que todos eles estiverem posicionados em uma mesma direção. A partir daí, o jogo se baseia em apoiá-los, como um todo, e incentivá-los a ir nessa direção. Não é estranho que atualmente vários movimentos estejam unificados? Vejam o neo ateísmo que em vários casos se associa ao gayzismo, e até em relação aos Direitos Humanos para Bandidos… E também já vemos a unificação de vários movimentos marxistas e revolucionários com movimentos neo ateístas. Tudo isso é completamente previsível, conforme mencionado por Bezmenov, que nos demonstra que para os para os interessados na reestruturação da sociedade, é importante incentivar esses movimentos para forçar a sociedade ao colapso. A investigação do atual discurso acadêmico tem mostrado que a universidade atual é uma usina de subversão.
Os estágios da subversão
Se já sabemos o que é a subversão e quais as principais ideologias da subversão, o importante agora é entender quais são os estágios em que ela ocorre. Basicamente, subversão consiste de 4 períodos, avaliados em uma linha do tempo:
- (a) Desmoralização
- (b) Desestabilização
- (c) Crise
- (d) Normalização
No primeiro estágio, a sociedade está visualizando aquilo que aparentemente é a “execução da liberdade de expressão”, com várias participações de pessoas na mídia que possuam opiniões “contundentes” a respeito dos valores pré-estabelecidos. É também notório que ridicularização de qualquer instituição vigente é feito de maneira sistemática. Como vimos na parte 3, via marxismo cultural grande parte dessas iniciativas acontecem na publicação de livros, em filmes, nas novelas e sob qualquer forma de manifestação cultural. Um exemplo pode ser a obra de Pier Paolo-Pasolini e Costa-Gravas, dois cineastas italianos que dedicaram toda sua carreira a lançar filmes atacando a “burguesia”, e apoiando o marxismo. Esse exemplo é apenas um dentre vários outros possíveis. Os estágios seguintes vão, sequencialmente, levando a sociedade a finalmente perder sua identidade e entrar em colapso, primeiramente moral e posteriormente social, quando, enfim, com o último estágio, a subversão é extinta, pois o país já foi submetido a um governo totalitário, sendo que esse governo pode chegar ao poder via revolução interna ou intervenção externa. Tanto faz, o que importa é que a subversão, que foi útil para o esfacelamento inicial do país já não é mais útil aos que conseguiram tomar o poder.
Veremos, a seguir, em maiores detalhes, esses quatro estágios.
Estágio 1: Desmoralização
Consideremos uma sociedade hipotética. Conforme mencionado anteriormente, nessa sociedade existirão vários movimentos que estão na contramão dos princípios e valores morais básicos. É o suficiente para um patrocinador se aproveitar e tirar vantagem da existência desses movimentos. Como já tratado anteriormente, é importante relembrarmos que o patrocinador não precisa ser externo. O que importa é que tirar a maior vantagem possível dos movimentos de desmoralização social é o propósito principal do patrocinador da subversão.
Segundo Bezmenov, leva de 15 a 20 anos para desmoralizar uma sociedade. Ele justifica esse período de tempo pois mostra que este é o tempo suficiente para educar uma geração inteira. Nesse tempo, uma nova formatação de visão do mundo e ideologia são difundidos e aceitos como o padrão por parte desta geração. Alguns poderiam perguntar: “mas isso ocorre com todos?”. Não com todos, mas sim cria-se uma NOVA GERAÇÃO de subversivos, em quantidade suficiente para realizarem influência social. Nem todos serão subversivos, naturalmente. Esses resistentes normalmente atendem pelos conservadores, que tradicionalmente rejeitam ideologias subversivas.
O conjunto de atividades de desmoralização inclui, dentre outros, influência, por vários métodos, incluindo propaganda, networking, patrulhamento ideológico, nas seguintes áreas onde a opinião pública é formada ou moldada:
- (1) Religião
- (2) Educação
- (3) Vida Social
- (4) Estrutura de Poder
- (5) Relações de Trabalho
- (6) Lei e Ordem
Serão estas, acima, as áreas de APLICAÇÃO da subversão.
No caso da religião, o objetivo é destruí-la, através da ridicularização. Isso pode ocorrer de várias formas, incluindo, na mídia, a publicação de charges, satirização e coisas do tipo. O estímulo à religiões alternativas e mitologias new age também pode ser uma forma de atacar a religião base do país. As religiões alternativas devem sempre em levar o praticante para longe do propósito principal da religião, que é manter os seus adeptos em contato com Deus. Essas novas religiões podem, por exemplo, estarem focadas no utilitarismo, como muitas das idéias new age, ou até mesmo serem relativistas. Até variações relativistas do cristianismo podem ser lançadas. Destas, a mais notória é a Teologia da Libertação, que prega uma mistureba entre marxismo e cristianismo, totalmente inconvincente. Aproveitadores dessas ondas culturais podem surgir, incluindo propostas ecumênicas estranhíssimas. Enfim, qualquer coisa que leve o cidadão comum para longe da religião estabelecida no país será útil ao objetivo de desmoralização.
Na questão da educação, o objetivo é distrair os alunos de aprender algo construtivo, pragmático e eficiente, nas palavras exatas de Bezmenov. Isso inclui tirar um pouco do foco de matemática, física, línguas estrangeiras, química, e ensinar a eles a história do conflito urbano, sexualidade alternativa, propostas suspeitas de “cidadania” e coisas do tipo. Obviamente a globalização entra na agenda e as crianças desde o início são doutrinadas a sonhar com tais idéias. Notem, por exemplo, este caso bizarro em que apostilas do Sistema COC foram flagradas com doutrinação marxista. E não é que tem gente que ainda é capaz de falar que as declarações de Bezmenov são “teoria da conspiração”? O duro é explicarem essas apostilas do sistema COC…
No contexto da vida social, a iniciativa principal é trocar as instituições e organizações tradicionalmente estabelecidas por organizações fajutas. Isso significa chutar para o alto as ligações naturalmente estabelecidas entre as pessoas, criando novos órgãos controlados de forma burocrática. Muitas dessas iniciativas “sociais” promovidas por ONGs surgem dessa maneira. As pessoas deixariam de se unir pelos elos naturais e instituições tradicionalmente aceitas, mas sim por essas organizações. O importante é que essas organizações em muitos casos são financiadas não pelas organizações civis naturais, mas por patrocinadores estrangeiros, pelo governo, etc. E isso novamente explica muita coisa. Segundo Bezmenov, diretamente:
Pessoas que estão na folha de pagamento de quem? Sociedade? Não. Burocracia. A principal preocupação dos assistentes sociais não é a sua família, não é você, não é a relação social entre grupos de pessoas. A principal preocupação é pegar o contracheque do governo. Qual será o resultado social do trabalho deles? Não importa. Eles podem desenvolver todo tipo de conceitos para mostrar para o governo e para o povo que eles são úteis.
Na questão da estrutura de poder, os órgãos naturais de administração, que tradicionalmente ou são eleitos pela população ou indicados pelos líderes eleitos da sociedade são substituídos ativamente por órgãos artificiais. Um exemplo desses órgãos artificiais é a mídia. Gente como Gramsci, Goebbels e Lukacs desde o início sabiam do poder violentíssimo que a mídia detem sobre as pessoas. Isso também explica o motivo pelo qual os subversivos adoram participar da mídia no máximo que for possível. A partir de lá, esses subversivos presentes na mídia definem o que é bom ou ruim para o restante da população. A influência deles é tamanha que chegam a ditar o que um governo deve ou não fazer. O curioso é que muitos não possuem nem sequer noção do que estão falando, mas o importante é que eles executem a agenda pessoal dos patrocinadores da subversão. Junto dos acadêmicos e professores de universidade, a categoria de subversivos mais perigosa é a aquela que se instaura na mídia. Mesmo que um governo tenha sido eleito pelo povo, muitas das decisões são diretamente influenciadas por esta classe de subversivos que pertence à mídia.
As relações de trabalho começam a ser erodidas, assim como os elos tradicionalmente acordados na negociação entre patrão e empregado. Os sindicatos, que Yuri reconhece como extremamente úteis uns 100 anos atrás, se transformam em organizações políticas, em que muitas das decisões são tomadas com objetivos puramente políticos (sempre, é claro, de esquerda). Após cada greve prolongada, os trabalhadores perdem, e milhões são prejudicados pelos resultados da greve. Mas o chefe do sindicato sempre lucra com isso, pois o objetivo é a propagação ideológica. Conforme Bezmenov cita:
Qualquer ação, mesmo que não resulte em ganhos para o trabalhador, resulta em ganho político, sempre ‘provando para os capitalistas’ que eles tem o que merecem as vezes. E os trabalhadores não podem desobedecer esses líderes. Por que? Piquetes!
Quanto a lei e ordem, é executado um trabalho sistemático de desmoralização do poder. Nisso, os intelectuais do Brasil são PHDs. Dias atrás eu noticiei no Twitter o futuro lançamento do filme “400 contra 1”, que conta a história do Comando Vermelho, organização de trafico de drogas do Rio de Janeiro. Mais um dos milhares de filmes nacionais que colocam o criminoso como um herói e os policiais como bandidos. A partir disso, se instaura ódio e desconfiança contra as pessoas que deveriam nos proteger. Que existem policiais corruptos? Claro que eles existem na realidade. Mas da forma como são mostrados nos filmes nacionais isso chega a ser ridículo.
Tudo isso citado pode ou não ocorrer com ajuda dos patrocinadores da subversão. Deixemos que Bezmenov nos explique mais:
Como? Sempre que há um sindicato em greve, por exemplo, há um influxo de propaganda, mídia de massa, disseminação ideológica (“O Direito dos Trabalhadores”).
Patrocinadores podem ajudar nesse cenário apenas divulgando literaturas baseadas em lutas de classe, discurso anti-religião, e mesmo se não forem diretamente marxistas ou ateístas, elas podem estar disfarçadas de propagandas com legítimas aspirações das pessoas, como “melhoria de vida”, “igualdade”, etc.
Lembremos que na religião não se diz que as pessoas são “iguais” ou que “nascem iguais”. Bezmenov nos lembra disso ao dizer: É o oposto. ‘Pelos SEUS ATOS Deus o julgará’, ‘o que você FAZ é importante’, ‘o mérito de sua personalidade’. Não se pode legislar igualdade… se você quiser SER igual, terá que LUTAR para ser igual. É a base da construção da sociedade.
Isso tudo deixa claro o quanto é ilusório divulgar expressões como “igualdade” sem compreender o contexto onde ela se encaixa. Bezmenov diz, a respeito disso:
Se fazemos as pessoas iguais a força, se colocarmos sob o princípio da igualidade na base da estrutura sócio política é como construir uma casa na areia, cedo ou tarde ela vai desmoronar [...] É dito ‘igualdade, sim, todos são iguais’.
Claro que isso, para os patrocinadores da subversão, é uma maravilha, pois os conflitos naturalmente vão surgir justamente a partir disto.
Bezmenov também questiona, brilhantemente, a igualdade no sistema legal. Segundo ele:
[...] Pessoas que trabalham feito um cão devem ter os mesmos direitos que um criminoso que veio nos barcos de Cuba em 1980? Por que? Muitos nem sabem o por que, mas repetem ‘igualdade, igualdade!’, como papagaios. (*)
Fica claro que muitos confundem democracia com igualdade. Bezmenov também nos ajuda clarificando sua opinião sobre isso:
Democracia é o sistema em que pessoas DIFERENTES, pessoas desiguais, têm uma chance de sobreviver e ajudar-se umas às outras em constante concorrência, aperfeiçoamento, e não uma igualdade superimposta por um patrono. Igualdade absoluta existe na Rússia, todo mundo na lama, exceto os que ficam no Politburo.
Diante dessas declarações, fica evidente o que constitui o estágio de desmoralização, que pode ser resumido em tentar tirar a identidade moral e cultural de uma nação, com a presença de uma nova geração de subversivos, que inserem idéias subversivas. Quando a sociedade não tem mais como diferenciar claramente o que é certo ou errado, o estágio de desmoralização está completo. O próximo passo é a Desestabilização.
Estágio 2: Desestabilização
Nessa fase o colapso moral já ocorreu, e então é momento de preparar o colapso social, que deve ser resultante do primeiro. Se antes o foco era em preparar CULTURALMENTE a sociedade para a sua desestruturação, agora o momento é de execução das iniciativas. O objetivo principal é desestabilizar todas as relações, instituições e organizações aceitas no país que é foco da subversão.
Na questão das relações de trabalho, começa a haver uma radicalização no processo de negociação. As greves são mais violentas, e começam a surgir iniciativas de conflitos mais sérios, em alguns casos até conflitos armados. Organizações como MST, por exemplo, já começam a invasão de terras em público e desafiam até a polícia – lembrem-se que no estágio anterior, o importante era fazer a polícia deixar de ser respeitada pela população. Agora é o momento dos subversivos colherem os frutos dessa desmoralização. Segundo Bezmenov, “se antes era possível, teoricamente, atingir acordo entre as partes, aqui é a radicalização, sempre recorrendo à decisões judiciais”. Nessa fase, não há acordo, em alguns casos, nem mesmo dentro da família.
Os neo ateus começam a se tornar relevantes nessa fase, e até os marxistas já não são mais sutis. Os grupos gayzistas começam a se tornarem moralmente agressivos. Não deixa de ser relevante esta notícia comentada por Olavo de Carvalho, a respeito de uma estratégia de coação judicial sofrida por Dom Eugênio de Araújo Sales, que foi alvo de um conjunto de ações judiciais arquitetadas por gayzistas:
No caso do bombardeio de ações judiciais arquitetado pelo movimento gay contra Dom Eugênio de Araújo Sales, a Defensoria Homossexual de São Paulo não esconde seu propósito de utilizar a justiça como instrumento de coação. “Na Argentina esse procedimento funcionou muito”, afirma um dos promotores da iniciativa: “Os grupos escolhiam cerca de cinco inimigos (julgados ‘homofóbicos’) e abriam processos dizendo-se pessoalmente ofendidos. Isso fez o Legislativo enxergar a comunidade como um grupo muito bem articulado para prejudicar a imagem dos políticos e do país.” Não se trata, pois, de uma legítima reparação de danos, e sim de um ato publicitário destinado a chantagear um terceiro.
Não é muito diferente dos neo ateus que entraram com ações judiciais contra a presença de crucifixos nas reparticões. Se um grupo, como a ATEA, faz campanha contra os crucifixos, o objetivo muitas vezes não é sequer conseguir o intento, mas sim fazer a propaganda. Se conseguirem barrar os crucificos, cantarão vitória, se não conseguirem, ditão que “religião continua oprimindo”. A propaganda ocorre nos dois casos.
Nas escolas, passa a ser regra a presença de professores ensinando seus alunos a lutarem, até agressivamente, por aquilo que consideram seus direitos. Lembremos que as lutas por “direitos das minorias” passarão a ser legitimadas, simplesmente pela prática do coitadismo. Quanto mais difícil a luta, melhor para os militantes, pois mais heróicos eles aparentam. De novo, o fator propaganda é fundamental em todas essas iniciativas para eles.
A partir dessa fase, os seres humanos dentro da sociedade já não compõem mais uma sociedade sólida, sendo uma série de “pequenas tribos” que entram em conflitos umas com as outras. Não haverá mais acordos, e todas as oportunidades de conflito serão exploradas, e, naturalmente, o número de ações judiciais inter-grupos tende a aumentar consideravelmente. Grupos subversivos tenderão a iniciar ações judiciais por questões irrelevantes, não sendo importante se ganham ou perdem.
Diante de todo esse cenário, possíveis ações armadas passam a ocorrer. Um exemplo são as FARC, na Colômbia. O sinistro, nessa fase, é que tais ações podem começar a ser tratadas como algo normal. Vejam no Brasil, por exemplo, o apoio que a CNBB dá ao MST. Ações criminosas, de roubo de terras, agora passam a ser consideradas não só “normais”, como também “merecedoras de respeito”. Obviamente que a participação de jornalistas subversivos nesse empreendimento será fundamental.
Não sendo mais possível a população resolver seus problemas, a sociedade fica antagônica. Os líderes dos grupos subversivos ficam mais sólidos, e tornam-se referência para os adeptos desses grupos. Como parte desse processo, eles passam a ter ações de cunho político, como pode ser exemplificada na iniciativa de Christopher Hitchens em querer a punição do Papa por causa de crimes de pedofilia na Igreja. Ser ateu, nesses casos, passa a ser um ato político.
Quanto mais os grupos ficarem mais e mais antagônicos, com propensão à luta armada, isso é o sucesso do processo de desestabilização. E muitos desses líderes recebem dinheiro de várias fundações para sua “luta legítima em prol de qualquer minoria”. Esse processo, naturalmente, leva diretamente ao estágio da crise.
Estágio 3: Crise
No caso de nações em desenvolvimento, onde Bezmenov mais atuava, o processo começa quando os órgãos legítimos de poder, a estrutura social desmoronava, não podendo funcionar mais. A partir disso, órgãos artificiais são injetados na sociedades.
Bezmenov citou os “comitês não eleitos”, que são grupos de assistentes sociais não eleitos pelo povo. Estes passam a agir em conjunto, adquirindo um poder acima daquilo que lhes seria inerente. Ao mesmo tempo, profissionais da mídia aumentam o seu poder como legitimadores de ações desses grupos, em alguns casos ações paramilitares. Yuri cita que no Irã quando chegou à fase de crise havia, de repente, comitês revolucionários, no que ele conclui, até com irritação:
Quem? Quê? Que tipo de revolução? Não havia revolução ainda, e ainda assim eles tinham comitês! Eles tomavam o poder de julgamento, eles tinham o poder de execução, eles tinham o poder de legislação, e tinham o poder judiciário, todos combinados em uma pessoa, que é um intelectual de miolo mole às vezes formado em Harvard ou Berkeley. Ele volta para seu país e acha que sabe a solução para todos os problemas sociais e econômicos.
Esses grupos passam a promover e vender sua própria ideologia, sempre em aliança com estes novos órgãos artificiais que vão exigir o poder. E caso o poder seja negado a eles, tentarão tomá-lo à força. É importante notar que nessa fase a sociedade não tem condições de funcionar produtivamente, pois está em colapso social. Tente imaginar o MST ou as FARC já como grupos não mais semi-clandestinos, mas sim como grupos que não podem mais serem contidos pela nação. Isso é um exemplo do que configura o cenário de crise. No caso de países como Brasil e Colômbia, estamos no estágio da Desestabilização, com riscos de adentrar ao cenário de crise.
A situação torna-se nessa fase tão crítica que isso naturalmente vai ecoar nas sensações percebidas pela população, que começará a ficar impaciente, em busca de um salvador da pátria. A partir daí a idéia de um governo forte, até mesmo se for socialista, passa a ser considerada uma boa idéia pela população. Bezmenov complementa, sobre esse cenário:
Um líder, um salvador é necessário. A população já está irritada e cansada. E cá está, nós temos um salvador! Ou uma nação estrangeira vem, ou o grupo local de esquerdistas, marxistas, não importa de que eles se chamam. Um exemplo são os sandinistas. Ou algugém como o bispo Muzorewa, no Zimbábue… Não importa. Um salvador vem e diz ‘Eu guiarei vocês!’.
Nesse momento as duas alternativas são:
- guerra civil
- invasão
Em relação a guerra civil, Bezmenov cita o Líbano como o melhor exemplo, com a guerra civil que foi artificialmente implantada no Líbano por injeção de forças da OLP – Organização para Libertação da Palestina. No caso de invasão, ele cita o Afeganistão. Ou até mesmo qualquer pais do Leste Europeu invadido pelo governo soviético. Em todo o caso, o resultado é o mesmo, que culmina no próximo estágio, a normalização.
Estágio 4: Normalização
Bezmenov nos lembra da ironia contida no termo normalização, que foi emprestado da situação de 1968 na Tchecoslováquia, a famosa Primavera de Praga. Foi um período em que havia liberalização política no país, após a entrada do reformista eslovaco Alexander Dubcek. A reforma começou em 5 de janeiro de 1968 e durou até 21 de agosto, quando a União Soviética e os diversos membros do Pacto de Varsóvia tomaram o país para interromper as reformas. Tanto a propaganda soviética como o New York times declararam “O país está normalizado”. Na terminologia pós-revolução é assim: “não há mais violência, portanto está tudo normal”.
Como a situação estava caótica anteriormente, passa a ser lícito estabilizar o país à força. Os subversivos que foram extremamente importantes para levar o país à situação em que ele deveria ser “normalizado” a partir de agora não são mais necessários. É justamente aí que surgiu a terminologia do idiota útil, definido como um agente subversivo ou participante de atividades subversivas que luta por seus ideais, e, com isso, ajuda a gerar os conflitos, o que coincide com a transição, nas fases de subversão, da desestabilização até a crise. Após a crise, é dado o pretexto para a normalização, e os patrocinadores da subversão a partir daí colherão os frutos. As atividades subversivas não só passam a ser desnecessárias a partir desse momento, como também indesejáveis. Em muitos casos, é quando os ativistas e militantes, em grande parte, são executados ou exilados.
Bezmenov conta mais detalhes:
Os novos governantes precisam de estabilidade para explorar a nação, o país, tirar vantagens da vitória. Então chega de revolucionários, por favor! E isto é exatamente o que acontece em vários países. Lembram Bangladesh? Esta foi a crise na qual eu fui de utilidade. Primeiro eles tinham Mujibur Rahman. Em 1971 ele era o líder do Partido do Povo, a Liga Awami, com um bigode tipo Stalin. Ele esteve na Rússia várias vezes. Cinco anos depois ele foi baleado por seus ex-colegas – marxistas. Ele cumpriu sua função. No Afeganistão, isto aconteceu três vezes. Primeiro havia Taraki, depois Amin e agora Babrak Karmal. Eles se mataram sucessivamente um atrás do outro, No momento em que um cumpria sua obrigação. O primeiro desmoralizava o país, o segundo desestabilizava, o terceiro o levou à crise. Adeus, camarada. Pum! Babrak Karmal vem de Moscou e é colocado no poder. O mesmo aconteceu em Grenada recentemente. Maurice Bishop – marxista – foi morto por Austin – Como se chama? General alguma coisa. – que também era marxista! Então, chega de revoluções, por favor. Normalização agora. De agora em diante, chega de greves, chega de homossexuais, chega de women-lib, chega de kid-lib, chega de lib, ponto final. Boa e sólida liberdade proletária democrática. E pronto.
E para reverter o processo? Aí é que são elas. Ainda de acordo com Bezmenov:
Quando hoje os EUA tiveram que invadir Grenada para reverter o processo de subversão, algumas pessoas disseram ‘Rapaz, isso não é bom, não é kosher. Invadir um lindo país, a ilha de Grenada.’ Ora, por quê você não parou o processo na fase de desestabilização, quando Grenada foi só abordada por esquerdistas? Por quê não impedir que Maurice Bishop sequer chegasse ao poder? Os Grenadenses o queriam? Muito questionável! Pra começar eles não sabiam quem era Maurice Bishop. Ele mesmo chegou ao poder por um golpe de Estado. OK? Mas não, nós deixamos a situação avançar mais e mais e mais até a crise e normalização muito em breve… E aí os EUA decidem invadir o país descobrindo que o país era inteiramente uma base militar para a URSS! Claro que é uma medida drástica! Claro que é uma pena que os fuzileiros tiveram que perder – O quê? – desessete vidas. Muito ruim. Por quê não parar o processo antes que chegue à crise? Ah não, os intelectuais não deixam! É interferência em assuntos internos. Eles têm o máximo de cuidado para não deixar o governo americano interferir em assuntos internos de países latino-americanos. Eles não ligam pra União Soviética interferindo nestes assuntos. Então, para reverter este processo daqui É preciso apenas e sempre ação militar. Nenhuma outra força na Terra pode reverter este processo neste ponto. Neste ponto não precisa uma invasão militar pelo exército dos EUA.
Em resumo: melhor prevenir do que remediar.
Contenção
Primeiramente, quero dizer que com tudo isso trazido aqui, expondo o cerne das declarações de Bezmenov, eu não tenciono alarmar ninguém. Não é intenção minha criar uma visão apocalíptica do que vai acontecer no futuro. Meu objetivo aqui é mostrar COMO O JOGO É JOGADO, pois este é um estudo do neo ateísmo, que é uma das ideologias subversivas atuais, e precisamos entender qual o PAPEL das principais ideologias no processo de subversão.
Bezmenov defende que uma forma de conter a subversão, principalmente nos estágios iniciais, é apelar à religião. Eu vejo de maneira mais ampla, incluindo, além do apoio a religião, o apoio ao conservadorismo em geral. Acho que devemos reforçar as bases CONSERVADORAS. Precisamos apoiar políticos conservadores, e influenciar o crescimento de intelectuais conservadores. Se hoje temos o Olavo de Carvalho e o Reinaldo Azevedo? Que tenhamos dezenas deles!
Notamos aqui que grande parte das iniciativas subversivas surgem nas universidades, onde eles encontram cérebros susceptíveis à doutrinação. Depois, lançam-se como militantes acadêmicos (Richard Dawkins é apenas um deles), participantes da mídia, artistas, etc, sempre com o objetivo de influenciar o maior número de pessoas com ideologias subversivas. E qual a melhor forma de conter isso? Se chegarmos no estágio da crise, haverá conflito armado. Antes, o conflito tem que ser intelectual.
Para isso, não é preciso criminalizar os subversivos, mas desmascarar qualquer ato indigno que eles cometerem. Não é o fato de se posicionarem em academias, na mídia ou em círculos artísticos que os torna imunes de críticas. Quando distorcem as informações e argumentos alheios (e os subversivos são especialistas nisso), eles precisam ser desmascarados. Se há esse blog que desmascara os neo ateus, junto com alguns poucos outros blogs, que existam 200 deles!
Bezmenov chega até a ser radical:
Digo, não colocá-los na cadeia! Não estou falando para colocar todos os gays de São Francisco num campo de concentração! Não permita que eles consigam poder político! Não os eleja a posições de poder! Seja no nível municipal, estadual ou federal. Tem que ser enfiado na cabeça de eleitores americanos de que uma pessoa como esta nas posições de poder é um inimigo! Não temam esta palavra. É um inimigo! Se não for um inimigo aqui, será aqui. Mais adiante ele será fuzilado, é claro. Mas neste ponto ele É um inimigo. OK? Vocês estarão prestando um grande serviço negando-lhe um direito de faturar em cima de suas próprias idéias malucas e se tornar um homem poderoso, um homem que usa sua posição de poder. Restrição de certas liberdades e permissividade naquele ponto impediria deslizar pra crise e provavelmente voltaria o processo de desestabilização. Restringir o poder ilimitado, o poder monopolista dos sindicatos neste ponto salvaria a economia do colapso.
Transcendendo essa idéia para o movimento neo ateísta. É simplesmente nos impormos e mostrar que este país é de cultura cristã. Os ateus devem ser respeitados, mas não tem o direito de COAGIR religiosos. É por isso que sempre tenho divulgado que o religioso, quando permite o avanço de atividades subversivas, está implicitamente transmitindo a mensagem “pode avançar mais”, pois o subversivo não tem limites.
Veja, por exemplo, como Yuri (que era membro da KGB, sempre é bom lembrar) :
Antes de tudo, restringindo a importação de propaganda. A coisa mais fácil de fazer. Importação ilimitada, irrestrita de literatura soviética jornalistas soviéticos, dar a propaganda soviética e a agitadores ideológicos tempo igual na cadeia de TV americana. Tem que ser impedido! E é fácil. Eles não se ofenderão – veja bem. Na verdade, eles respeitarão mais a América. Mas quando meu ex-colega Vladimir Posner aparece no Nightline e Ted Koppel pergunta “Bom, Vladimir, o que você pensa disso?” O quê ele pode pensar?! Ele é um instrumento de propaganda! Ele pensa o que o camarada Andropov manda ele pensar. Ele é apenas um belo e articulado alto-falante do sistema de subversão soviético. E Ted Koppel te faz acreditar que meu amigo Vladimir Posner PENSA?! O processo de desmoralização pode não ter começado de forma alguma se neste ponto o país que é um recipiente de subversão ativamente – não violentamente, mas ativamente – impede a importação de ideologia estrangeira. Mas quando ele te oferece um bagulho disfarçada de algo bem lustroso você deve dizer a ele: ‘Não. Nós temos nosso próprio bagulho.’
É mais um motivo pelo qual eu tenho também criticado o excessivo espaço para “debate” dado por gente como Dinesh D’Souza, William Lane Craig e Alister McGrath em discussões com gente como Christopher Hitchens e outros neo ateus. Neo ateu, como agente de subversão, não tem que ser respeitado dessa forma, pois toda a vez que ele abre a boca e é tratado com dignidade, ele usará para fazer propaganda (e não vai respeitar o oponente). É só para isso que ele funciona. Se Bezmenov menciona ideologia estrangeira, podemos mencionar também as ideologias subversivas de todo o tipo entre aquelas às quais deveria ser tirado o espaço. Ele conclui:
Se neste ponto a sociedade for forte, corajosa, e consciente o bastante para parar a importação de idéias que são estranhas então toda a cadeia de eventos pode ser evitada.
Em relação à manutenção da religião, Bezmenov conta algo muito imporante:
Um cientista soviético, Shafarevich, que não tem nada a ver com religião, – ele é um cientista da computação – fez um estudo muito intenso na história de países socialistas. Ele chamava socialista ou comunista a qualquer país com uma economia centralizada e uma estrutura de poder piramidal, e descobriu – na verdade não descobriu; apenas chamou à atenção de seus leitores – que civilizações como Mohenjo-Daro, nas regiões hindus ribeirinhas, como Egito, como os maias, como os incas, como a cultura babilônica, desmoronaram e desapareceram da face da Terra no momento em que perderam a religião. Simples assim. Desintegraram. Ninguém se lembra mais delas.
Notaram por que os neo ateus hoje são VEDETES do cenário subversivo? Dentre as ideologias subversivas, eles são os mais relevantes hoje em dia, capaz até de rivalizarem com os marxistas. Se atualmente muitos sabem que uma das metas dos ideólogos do globalismo é eliminar a religião, eles sabem do que estão fazendo. Os conservadores, em retribuição, devem ENTENDER como funciona a subversão e impedi-la. Antigamente, na época da palestra de Bezmenov, tínhamos dificuldade de acesso à informação. Hoje, tudo é mais fácil. Não há motivos para ignorar todo o estudo que já temos sobre subversão ocorrida no passado.
Bezmenov segue nos fornecendo mais razões para lutar contra a subversão, e como a religião será importante nesse aspecto:
A solução para a subversão ideológica, estranhamente, é muito simples. Você não tem que atirar nas pessoas, você não tem que mirar mísseis, Pershings e mísseis de cruzeiro no quartel-general de Andropov. Você só tem que ter fé e evitar a subversão. Em outras palavras: não ser uma vítima da subversão. Não tente ser uma pessoa que no judô está tentando esmagar o adversário e é pego pela sua mão. Não golpeie assim. Golpeie com o poder do seu espírito e superioridade moral. Se você não tem este poder, é hora de desenvolvê-lo. E esta é a única solução.
E eu adiciono mais. Juntando o apoio aos conservadores, o respeito à eles, e também à filosofia aristotélica e à religião, além de toda a cultura e as instituições do país, conseguimos ter uma chance contra a subversão. E, conforme foi visto nesse ensaio, ao tirarmos o espaço político dos subversivos, ao final das contas estaremos até sendo caridosos com eles, pois o mero fato de existirem tantos subversivos assim é basicamente ingenuidade e falta de senso crítico por parte deles. Nesse quesito, a refutação e o desmascaramento de subversivos é um ato de caridade.
Conclusão
Nesse artigo, pudemos entender qual a função social da existência de ideologias como marxismo, neo ateísmo e globalismo. Pudemos ter uma noção teórica até do motivo pelo qual tais grupos foram criados. Há também bases dificilmente contestáveis para definir tais grupos como subversivos. Com uma maior expansão desta análise, poderemos, quem sabe, até mapear o estágio de subversão em cada nação, para entender como os movimentos subversivos estão agindo e qual o esforço necessário para contê-los. A partir desse momento, é possível mudar a forma pela qual entendemos o movimento neo ateísta. Se antes podíamos pensar neles como debatedores sérios, agora podemos notá-los como mecanismos de propaganda subversiva. Isso nos dá uma justificativa lógica para optar pelo desmascaramento e refutação formal deles ao invés do diálogo atencioso. Até por que, com eles, o diálogo amigável jamais funcionou. E, para descontrair (já que esse texto é mais denso do que a média dos que estão aqui), mais uma musiquinha em homenagem aos subversivos em geral.
(*) Para quem não se lembra, nessa época, Cuba mandou 25.000 criminosos (junto de 75.000 civis) em barcos para Miami. Essa história é contada no filme “Scarface”, de 1983, com Al Pacino.

Ótima dica, Kelvin.
Vou criar até o meio da semana a seção, que ficará como uma página na aba direita (assim como as seções “Conhecendo o Inimigo” e “Index Reverso”) que entitularei Estudos de Caso.
Obrigado,
LH
lucianohenrique
março 30, 2010 em 12:15 am
Essa série de textos poderia ter uma seção à parte entre as páginas do blog, para ser mais fácil encontrá-los separadamente depois.
Kelvin
março 29, 2010 em 1:07 am