Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Técnica: Genocídios na Rússia e China causados por irracionalidade

com 4 comentários

Última atualização: 31 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Esse estratagema é usado por neo ateus em complemento à técnica “Religiões diferentes causam conflitos” ou em qualquer variação na qual alegam que a incidência de religião é um FATOR de conflitos em geral. Normalmente, nesse sentido, eles usam o período das Cruzadas ou até outros conflitos para dizer que a religião teve influência neles (algo como “se lá houvesse ateísmo, ao invés da religião, talvez os conflitos não ocorreriam”). A função da técnica inicial, previsivelmente, é tentar vender ao leitor a idéia de que a eliminação da religião aumentaria as chances de paz.

O “problema” da Rússia e da China é que ambos os países, em períodos de gestão ateísta, tiveram conflitos em que se tornaram praticamente os campeões mundiais em genocídios. Uma argumentação que alguns neo ateus fazem é que se as mortes ocorreram, foi em nome de qualquer outra coisa, menos ateísmo. O difícil é eles explicarem por que a anti-religiosidade, exatamente similar à do neo-ateísmo, era PRIORITÁRIA em tais implementações. Mas esse não é o único problema teórico. O outro reside no fato de que os maiores exemplos de atrocidades na história recente ocorreram nesses países, que não eram “vitimados” pela religião.

Para “resolver” esse amontoado de problemas, eis então que autores como Sam Harris criaram este estratagema que é tratado aqui. Eles consideram então a religião como “irracional”, e, portanto, esse é o único atributo com o qual ela será tratada pelo neo ateu. Em seguida, ele faz a segunda manipulação semântica, e atribui o rótulo de irracional a todos os atos da Rússia e da China nos governos comunistas. Com isso, o neo ateu espera não só inocentar o ateísmo, mas TRANSFERIR a culpa desses eventos para a religião (lembremos, ele manipula a religião e trata-a pura e exclusivamente por irracionalidade). Portanto, temos um caso de DUPLA manipulação semântica.

O argumento pode ser resumido da seguinte forma:

  • (a) Religião é irracionalidade
  • (b) Ateísmo é racionalidade
  • (c) Mesmo ateus, os regimes comunistas da Rússia e da China foram frutos da irracionalidade
  • (d) Logo, a culpa dos genocídios da Rússia e da China pertence à religião ou algo igual à religião

Que é um estratagema dos mais desonestos possíveis, e suficiente para colocar sob suspeita de idoneidade moral qualquer um que fizer uso dele, isso já deve ter ficado evidente para todos. O que surpreende é que não só Sam Harris como também Richard Dawkins e Christopher Hitchens o tenham usado em avassaladora quantidade em seus livros.

Em relação às premissas (a) e (b) elas são automaticamente demolidas simplesmente pela ausência absoluta de evidências que as corroborem, além do fator lógico, conforme mostrado neste post. Aqui é mostrado que o ateísmo nem de longe é a opção mais racional. Pelo contrário, dentre as opções disponíveis, é a menos racional.

O terrível problema do argumento, no entanto, resulta na segunda falsa associação (de novo, não podemos esquecer que a primeira havia sido a tentativa de associação automática de religião com irracionalidade), que é a dos genocídios serem frutos da irracionalidade.

Nada mais falso, pois não há irracionalidade nas atitudes de Stalin e Mao. Os genocídios foram atos completamente racionais e coerentes em relação à ideologia que eles seguiam, que é o marxismo – ideologia, aliás, que deve ser viabilizada juntamente com fortíssimas campanhas de doutrinação ateísta e eliminação da religião. Não há como colocar a culpa dos genocídios na irracionalidade, mas sim na IMORALIDADE (e a moral era outro fator contra o qual os ideólogos do marxismo lutavam). A grande verdade é que os atos dos genocídios foram completamente imorais mas não deixam de ser racionais. Desta forma, se as premissas (a) e (b) são automaticamente falsas, (c) também é. Logo, nenhuma das premissas dessa argumentação passa pelo escrutínio lógico.

Conclusão

Mais um exemplo mostrando que, para subversivos em geral, vale tudo na defesa da classe, inclusive usar duas manipulações semânticas em um único argumento, somente com o intuito de difamar a religião e tentar tornar o ateísmo ileso de investigação. A refutação se baseia simplesmente em mostrar que todas as premissas deste argumento são inválidas.

Escrito por lucianohenrique

março 31, 2010 às 11:47 pm

4 Respostas

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  1. coitados dos seguidores de sam harris e seus amigos. vou usar o mesmo termo que já ouvi de olavo de carvalho. esses caras são satanistas.

    natã

    abril 14, 2010 em 4:44 pm

  2. Luciano, tem como você falar mais sobre a interpretação Tradicional da Bíblia.

    Preciso saber mais sobre o assunto.

    Obrigado,

    Pj

    paulojuniodeoliveira

    abril 1, 2010 em 6:21 pm

  3. Isso que o Jairo falou está correto de acordo com as informações que eu disponho, já que ainda falta um mês para eu adquirir “God Is Not Great” de Christopher Hitchens. Segundo outras informações que eu disponho, Hitchens – famoso por suas declarações estapafúrdias contra a Madre Teresa -, Hitchens comete o despautério absurdo de xingar Martin Luther King de tudo quanto é jeito e tentar explicar sua luta pelos direitos civis negros não era uma atitude cristã! Vai entender esse povo…

    Quanto a, de novo, Sam Harris, esse tipo de argumento se encontra nos dois livros dele. Em “Carta A Uma Nação Cristã” ele, primeiro, ao invés de falar de nazismo, maoísmo e bolchevismo – entre outros regimes totalitários e/ou revolucionários -, ele pega as figuras de Hitler, Stálin e Mao – além de Pol Pot e Kim Jong-Ill – para dizer que eles simplesmente não eram pessoas racionais (além de fazer questão de colocar um discurso tresloucado de Hitler no qual ele cita Jesus Cristo várias vezes em… 1922!); a seguir ele diz que Auschwitz, Gulags, campos de extermínio vietnamitas são o resultado de falta de pensamento crítico em cima de dogmas (no mesmo parágrafo ele culpa a Igreja Católica pelos libelos de sangue judaícos…) e que ateísmo não tem necessidade de ser aceito como dogma e que nunca soube de uma sociedade onde as pessoas eram racionais demais (a França nos períodos iluminista e de Revolução não deve vir à memória dele)…

    Em “The End of Faith” ele cataloga Nazismo, Comunismo e similares como “religiões políticas”, nas quais a “mazela” da fé está presente. Bem, eu só tinha visto esse termo “religiões políticas” até agora com Eric Voegelin. Não sei se Sam Harris o leu, mas se o leu deve ter feito, como de praxe, uma leitura pra lá de deturpada e incorreta, já que Eric Voegelin brilhantemente pega o conceito de “religiões políticas” das heresias gnosticistas milenaristas cristãs nas quais os membros se acham imbuídos de realizarem eles próprios o julgamento final na Terra ao invés de Cristo. Além do mais, há muito mais idolatria – no sentido bíblico do termo – nesse sistemas totalitários – sejam eles o culto de personalidades como Stálin e Hitler, seja o culto ao Leviatã estatal que tudo controla como no marxismo-leninista, sejam ambas as coisas como o Maoísmo – do que a fé religiosa tradicional que envolve a confiança racional e inteligente de seus participantes do que simples adoração cega. Mas, quem disse que os neo ateus diferenciam ou possuem a honestidade intelectual que eles tanto se apregoam para diferenciar uma coisa da outra?

    Acauã K.

    abril 1, 2010 em 2:37 pm

  4. Hitchens é tão aldrabão e mentiroso, ao ponto de já ter dito que a culpa da ditadutra comunista soviética foi um povo ainda influenciado pela “teocracia” do Czar, que aceitou submeter-se religiosamente ao líder Stalin.

    É incrível mas é verdade, esses tipos conseguem acusar a religião pelos crimes do comunismo.

    Jairo Entrecosto

    abril 1, 2010 em 8:11 am


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