Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Arquivo para abril 2010

A funcionalidade do discurso de ridicularização para os neo ateus

com um comentário

No final da série “Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo”, mapeei o neo ateísmo como um movimento político e, como tal, recheado de discurso de propaganda contra o adversário. Em essência, um discurso de ódio.

Tomando como premissa a conclusão do neo ateísmo ser um movimento político, podemos, enfim, mapear a origem dos estratagemas de ridicularização na argumentação neo ateísta.

Consideremos, por início, esse tipo de iniciativa política como o ato de tornar os religiosos uma classe de pessoas alheias à participação nos círculos do poder, reduzindo ao longo do tempo sua influência. O objetivo final seria a retirada progressiva dos direitos da classe, e, em cenários de conflito ou necessidade, o extermínio.

Nesse artigo anterior, pude mostrar um exemplo de como o processo ocorre e de como aos poucos a opinião de uma classe é considerada de menor valor em relação à opinião de outras classes, após uma camada de reformulação do senso comum [ver "A Estratégia Gramsciana" para maiores detalhes].

Notem bem que eu não divido as pessoas em classes. Eu não acho que um ateu e um religioso deveriam estar em uma classe diferente da outra, mas a partir do momento em que politicamente um grupo executa a divisão, ela virtualmente passa a existir. Por exemplo, a partir do momento em que os comunistas definiram que existia a classe proletária de um lado e do outro a classe burguesa (junto com os pequenos burgueses), mesmo que estes últimos rejeitassem a existência desta classe, isso não adiantaria muito, pois se um dos lados já considera alguém ou um grupo como o seu inimigo, aquele que não se considera como oponente ainda assim SERÁ AFETADO pela inimizade do outro. Tudo bem que lutemos para eliminar o conceito de luta de classes, que é irracional em si, mas, enquanto os comunistas continuarem achando que o conflito existe, não dá para fugir do fato de existir um conflito entre grupos de pessoas.

Da mesma forma, mesmo que eu não me considere em classe diferente em relação a um ateu tradicional, o neo ateu já SE CONSIDERA em classe diferente em relação aos teístas como um todo. Portanto, se eu ignorar a existência virtual dessa classe os efeitos serão ainda piores. No caso da negação, a ignorância poderá me condenar aos efeitos e nem sequer me permitirá que eu me defenda, pois, sem identificar o grupo de onde os ataques surgem, não há como sequer eu executar atos de precaução, contenção e revide. No caso da aceitação ao menos temporária dessa divisão virtual, a compreensão dela facilitará com que qualquer ataque feito seja revidado de maneira mais clara e objetiva.

Sendo que o movimento interessado (o movimento anti-religião, dentro do qual o neo ateísmo é o carro-chefe) tem grande uso para os estratagemas de ridicularização, que constituem grande parte de seu discurso, é preciso entender como tal tipo de iniciativa é funcional para os objetivos anti-religiosos? Por que, dentre os estratagemas neo ateus, os de ridicularização estão entre os mais usados? Já que, se é uma alegação de alguns neo ateus que estes lutam contra o “preconceito” sofrido pelos ateus, não faz sentido atacar os religiosos pela ridicularização de suas crenças.

Eu já havia abordado algo semelhante no início deste blog, mas é bom eu ressaltar novamente. Imaginem um grupo de defesa do respeito aos homossexuais. É possível que na agenda deles esteja a diminuição de supostos atos de preconceitos contra os homossexuais. Mas, se a maioria das ações deste hipotético grupo forem em direção ao escárnio dos heterossexuais (por exemplo, a ridicularização do casamento, da gravidez feminina, etc.), já podemos de imediato suspeitar da alegação de que o interesse do grupo realmente seja diminuir o preconceito contra eles. O motivo para suspeitar da validade das intenções alegadas é que a ação executada não combina com a intenção alegada. Ora, se a busca realmente fosse para eliminar o preconceito alegadamente sofrido, então a via seria do diálogo, buscando obter a simpatia do outro, e, em contrapartida, oferecendo isso de volta. Mas se as ações são focadas unicamente em ataque, daí a intenção provavelmente não é o término do suposto preconceito sofrido, mas sim outro item NÃO REVELADO à primeira vista. Logo, neste caso teríamos que buscar pelos reais motivos. E, partindo desse princípio, da mesma forma já podemos descartar todas as iniciativas de ridicularização dos neo ateus contra os religiosos como se fossem uma ação para diminuir preconceito supostamente sofrido por ateus. Assim, temos que encontrar o real motivo.

Vejamos: temos grupos de esquerda (liberais, inspirados pelo iluminismo radical, além dos marxistas) interessados em retirar como um todo a influência da religião como na sociedade. Uma forma de fazer isso é desrespeitando as pessoas da classe religiosa unicamente pelo fato que as distingue da classe anti-religiosa. Portanto, o instrumento de ridicularização escolhido é a crença em si.

Darei um exemplo que já citei anteriormente. O de um sujeito hipotético que certo dia resolveu discriminar os teóricos do Big Bang. Uma forma de atacá-los pode ser executando a simulação de falso entendimento a respeito das crenças deles. Imagine se o ovo cósmico, tratado na teoria do Big Bang, fosse reduzido à crença em uma galinha cósmica que tivesse botado um ovo. Obviamente que essa não é a forma pela qual o físico visualiza o Big Bang, mas em uma campanha de ódio, não importa aquilo que o outro compreende, mas sim a interpretação mais odiosa possível. Esta é a interpretação que será atacada.

Tecnicamente, é exatamente o que acontece quando Bill Maher e Richard Dawkins resolveram ridicularizar crenças religiosas. Não eram as crenças religiosas que eles estavam atacando, porém eles faziam interpretações odiosas de crenças religiosas para então atacar essas interpretações, para daí fingir que tais interpretações REPRESENTAVAM a religião. Aliás, Dawkins até cometeu um ato falho ao dizer que Francis Collins talvez não fosse tão “brilhante” como cientista… por causa de suas crenças religiosas. Quer dizer, já não dá para esconder que o ataque é aos religiosos, mais do que às crenças religiosas.

Por causa desse truque, muitos ainda acreditam que os neo ateus são críticos da religião, o que em nada confere com a realidade. Na verdade, os neo ateus são inimigos dos religiosos e agem politicamente contra eles, e, em sua trajetória, criam simulações de falso entendimento a respeito da religião, para então fingir que as crenças do oponente são ridículas. Ora, se em nenhum momento eles se interessam pelas crenças dos oponentes, mas apenas em versões espantalho das mesmas, temos mais um motivo para entender o neo ateísmo apenas como a execução de uma agenda política.

Resumindo esse item da agenda neo ateísta: eles precisam sair em campo e obter, atuando de forma orgânica, a diminuição do respeito que a sociedade em geral possui pelas opiniões dos religiosos em qualquer assunto da vida pública. Para isso, é preciso tirar a credibilidade dos religiosos. Uma das formas de se chegar a isso é através da simulação de falso entendimento das crenças religiosas, maquiando-as para parecerem ridículas, e aí, em cima desta versão maquiada, serão feitos os ataques. A mensuração da eficiência desta iniciativa será feita através da perda de credibilidade identificada em público em relação aos religiosos.

Escrito por lucianohenrique

abril 30, 2010 em 10:31 pm

Igreja Católica deve contabilizar uma batalha perdida… é momento de reflexão

com 8 comentários

Se é para estudarmos os efeitos da Estratégia Gramsciana, nada melhor que esta matéria publicada na Folha, a respeito da CNBB ter criticado uma decisão que permite adoção de crianças por gays.

Segue a matéria, escrita por Johanna Nublat e Larissa Guimarães:

A adoção por casais gays, direito reconhecido em decisão inédita anteontem pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), tira da criança a possibilidade de crescer em um ambiente familiar formado por pai e mãe, afirma o padre Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Nem sempre o que é legal é moral e ético, afirma ele. “Cremos que a questão da adoção por casais homossexuais fere o direito da criança de crescer nessa referência familiar.” Para padre Bento, as crianças têm o direito de conviver com as figuras masculina e feminina no papel de pais.
A decisão do STJ tratou do caso específico de duas mulheres de Bagé (RS) e pode influenciar processos futuros. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal.
O pastor Paulo Freire, presidente do conselho de doutrina da igreja evangélica Assembleia de Deus, tem posição semelhante a do padre Bento. “A criança precisa da figura do pai e da mãe para entender a vida”, afirmou.
Para Freire, a instituição não é contra homossexuais. “Somos contra o casamento deles.” Continua e diz que a existência de dois pais ou duas mães confunde a criança sobre as figuras tradicionais da paternidade.
“Se a criança não tem um pai e vive só com a mãe, sabe, mesmo assim, o que é a figura do pai. O casal homossexual que adota, foge disso”, diz o pastor.
A FEB (Federação Espírita Brasileira) discorda de que a adoção por um casal gay pode ter efeitos negativos sobre a criança. “O mais importante em termos de educação e família é o amor. Com ele, não se entra na questão da sexualidade”, disse Geraldo Campetti, diretor-executivo da FEB.
Para Campetti, o importante é a preservação da família e a formação do caráter. “O maior problema das uniões é a promiscuidade, tanto em relações entre homem e mulher quanto em relações entre pessoas do mesmo sexo.”
Para Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), as críticas à decisão do STJ incitam o preconceito. “Casais de homem e mulher com filhos representam hoje 50% das famílias. Filhos criados com avó, pais e mães solteiros… todos, então, têm problemas?”, critica.

Antes de tudo, é bom que eu esclareça: eu não tenho procuração para defender a CNBB, até por que sou extremamente crítico em relação a ela, principalmente no apoio que dão a marginais (como o Movimento Sem Terra). Mas concordo com o fato de que a questão da adoção por casais homossexuais é algo passível de discussão, e nesse caso sou a favor do padre Luiz Antônio Bento, da CNBB.

Não é esse o ponto que quero discutir, e sim o fato de que deveria haver uma DISCUSSÃO,certo? Errado, pois são tempos em que a estratégia gramsciana atua fortemente.

Antes de meus comentários finais, vejam abaixo alguns comentários feitos por leitores para a matéria:

Rafael Moreira: “As crianças tem direito à terem uma infância tranquila, sem serem molestadas por padres que usam de sua autoridade e da confiança depositada neles. Essa sim, deveria ser a preocupação da CNBB, já que o problema é “dentro de casa”. Além disso, acho que eles se esqueceram que essa criança, agora adotada, já foi ABANDONADA por um pai e uma mãe. Agora, tem um lar que a tira do orfanato e dá afeto.”

Gustavo Fuentes: “A CNBB, e a Igreja Católica não tem qualquer moral para vir a público criticar a sentença proferida pelo STJ no que tange à adoção de crianças por casais homossexuais. Longe estamos de que alguma instituição mergulhada em escândalos de pedofilia venha nos dizer o que é correto e o que é errado. Talvez alguns membros do corpo religioso ainda pensem que o correto é que uma criança seja assediada e violada por um sacerdote e o crime encoberto pela alta hierarquia. Fácil é pensar que os telhados de vidro não existem e que o problema existe apenas com os outros. São os cegos, que não vêem o cisco no próprio olho, mas sim a trave no olh o do vizinho. Há quem pense que tal sentença, histórica, é um sinal dos tempos e que o “fim do mundo” está próximo, que a Humanidade está perdida e bla bla bla.”

Andrea Medeiros: “Para a Igreja Católica, em se tratando de crianças, pedofilia é permitido. Adoção, não.”

Ademilson Diniz: “A IGREJA CATÓLICA sempre na contra-mão de tudo; é incrível como eles (a Igreja) não aprendem a lição que o mundo lhes dá desde a idade média: tudo em que a Igreja põe a mão, amarga e estraga. Em nome do BEM praticam as maiores crueldades e desumanidades, somente porque acreditam em que o MODELO que eles julgam SAGRADO deve ser como um MANTO a cobrir, enlaçar e moldar a REALIDADE. É claro que uma criança deve ter a figura de um PAI e de uma MÃE. Mas, e quando estes faltam? Um lar é sempre um lar, ainda que constituído dessas uniões chamadas de “casal” à falta de uma denominação melhor. Deixar a criança abandonada nesses purgatórios que são a maioria dos abrigos? Condenar de antemão esse “casal” por atitudes deletérias com a criança, não se sabendo se tais atitudes vão acontecer ou não? Tudo em nome de “princípios”? Isso é arrogante e anti-cristão. Aliás, está na hora de a Igreja Católica se reduzir à sua cozinha e deixar a sociedade se guiar pelas LEIS dos homens porque, ao que parece, a outra Lei, a que a Igreja chama de DIVINA, até agora NÃO DEU CERTO.”

Cassio Curi: “Você é um preconceituoso ignorante! As crianças nascem preconceituosas graças a tua igreja ridícula! Os verdadeiros pais são aqueles que criam a criança, independente de sexo, raça e sangue!” (isso em resposta a alguém que apoiou a CNBB)

Neno 9012: “Aparentemente, ou eles querem o monopólio do homossexualismo, ou preferem que as crianças não sejam adotadas para que estejam mais disponíveis aos seus ensinamentos, tão divulgados nos últimos dias.”

Paulo Cesar Veloso Sobrinho: “CNBB – Confederação Nacional dos Bi-chas e Bastardos. Como se a entidade tivesse o direito de fazer algum julgamento! A melhor coisa que eles poderiam fazer era sair de fininho deste contexto ou ficarem calados, pois tudo que disserem será de pleno acordo para que a justiça possa usar a pedofilia no tribunal… Será que eles são iguais ao “Mula”, cegos, mudos e surdos? As crianças estão sendo vilipendiadas por toda a sorte deste mundo, e estes centros que as abrigam mais parecemantro de covardia do destino doq eu a entidade para que nossdas crianças sejam tratadas como respeito e dedicação que elas merecem. E quando alguém se candidata a ser pai ou mãe desta ou daquela criança, a “CNBB” é do contra. A CNBB só não é contra os padres pedófilos. Nós sabemos que a união de pessoas do mesmo sexo é uma proposta bem aceita e sabemos também que quando eles querem ser pais ou mães o fazem de uma maneira maravilhosa e respeitam sempre suas crianças. Sou a favor desta opção, não tenho nada contra. Não sou homossexual e apoio a decisão permanente a que eles submetam toda a forma de amor no trato com as nossas criancinhas. Que a “CNBB” enfie a viola no saco e deixe viver quem há muito tempo merece respeito…”.

Leandro Milanez: “O que é isso gente, a CNBB só quer garantir as crianças para seus padres pedófilos.”

Douglas Ventura: “Que moral tem os padres p/ falar alguma coisa em relação a adoção? Afinal os padres são os maiores molestadores de crianças,eles deviam era se preocupar com os padres pedófilos isso sim,porque a situação está insustentevel. “

Cesar Henrique Oliveira: “Me parece que a igreja católica e suas entidades não estão em posição de dar, falar ou querer impor regras de moralidade a ninguem.”

Ari Zillman: “Engraçado: pedofilia pode – é praticada por inúmeros membros da Igreja Católica (inclusive bispos). Agora, a adoção, não… É por estas e outras que nunca mais colocarei meus pés dentro de uma igreja católica.”

Jorge Dias: “Com certeza o que a CNBB deveria se preocupar é com os padres pedófilos isso sim, traumatiza a criança e nao PESSOAS que adotam para educar, criar, dar um lar decente, educaçao e etc. Se são gays ou nao, o que importa é que são PESSOAS decentes e nao esses padres que mais parecem ANIMAIS molestando inocentes.”

Marcos Cesar Fernandes: “O Brasil precisa urgentemente de outra CNBB ou Confederação Nacional das Bishas do Brasil para se contrapor a esta CNBB estabelecida, que apesar de ser composta por uma grande maioria de homossexuais, se diz contra o homossexualismo. Não há nada mais contraditório!!! E se um casal de homossexuais quizer adotar uma criança e cria-la com amor e respeito, será um menor abandonado a menos nas ruas à merce de algum pedófilo disfarçado de religioso. Essa tal CNBB manda demais, e tem poderes para influenciar orgãos públicos. Eu não acredito no IBGE quando dá para o Brasil uma percentagem de 76% da população sendo católica. Para mim esse dado foi arrumado pela CNBB.”

Claudinei Machado Nunes: “[...] uma igreja prostituta, promíscua, com padres pilantras, pedófilos, que pagam michês com dinheiro de ofertas, cardeais vivem no maior luxo, você acha que esta tal tem direito de criticar o STJ? [...] Essa CNBB nunca apareceu na mídia para falar sobre a avalanche de acusações dos bispos e padres, agora quer dar uma de santinha, depois, ataca de galinha, é óbvio. Trabalhei numa capela em Uruguaiana, RS, o padre saia todo sábado com a mulher de um ministro da eucaristia. Você acha isso justo? Era seminarista e via com meus próprios olhos, os padres transando com os seminaristas? Você acha que eu vou confiar numa igreja com estas atitudes? Você acha que estou errado?”

Meus comentários

Se vocês acompanharam todos os comentários acima já deve ter sido suficiente para perceber a tônica deles. Embora não dê para afirmarmos que é a maioria dos postadores lá, há uma grande quantidade de leitores que:

  • (a) Acham que Igreja APÓIA a pedofilia
  • (b) E que a maioria dos padres é composta de pedófilos
  • (c) Por isso, a Igreja NÃO TEM MORAL para opinar sobre nada

Isso tudo mesmo tendo sido mostrado aqui que a categoria profissional dos padres é uma das que menos possui casos de pedofilia relacionados a ela. E, mesmo assim, ignorando os números, a mídia, anti-religiosa, utilizou das estratégias de Pânico Moral e Espiral do Silêncio.

O objetivo é claro. Deve-se (segundo a estratégia gramsciana) reformar o SENSO COMUM, para que, pouco a pouco, a opinião de um determinado grupo de pessoas (neste caso os religiosos, mas podem ser várias manifestações do conservadorismo), NÃO MEREÇA MAIS ATENÇÃO.

A proporção de pessoas que já caiu no engodo da mídia é bastante grande, e significa que no jogo de usar a mídia para atacar a Igreja, os anti-religiosos estão levando vantagem. E, quando se questionava a postura da direção da Igreja Católica de extrema mansidão perante os ataques, não é que queríamos uma manifestação de ira, mas uma resposta enérgica e justa.

Se não existiu a resposta, no jogo político quem atacou já obtém a vitória. Neste jogo não é importante que o ofensor esteja com a razão, mas é fundamental para o desonesto que aquele que está sendo vilipendiado se cale.

Diante do que se vê, na manifestação de muitos leitores da Folha, qualquer um pode opinar, menos os membros da Igreja Católica. Ou seja, o objetivo maior daquele que executa um ataque de mídia está sendo conquistado. Graças à falta de ação dos responsáveis pela Igreja.

Ou os líderes da religião católica (e também das outras) começam a reagir, ou então as consequências serão graves não apenas para as instituições religiosas, mas principalmente para os seus fiéis.

Os religiosos, que têm ajudado muito as instituições através do tempo, NÃO MERECEM essa omissão dos líderes.

Portanto, se há vários que aceitaram a propaganda e já a enraizaram em seu subconsciente, temos dois principais culpados: (1) os membros da anti-religião inseridos na mídia; (2) os líderes religiosos que não reagiram quando deveriam.

E quem vai pagar o pato em um futuro não muito distante? O povo cristão, como um todo, naturalmente. Os primeiros da lista serão os católicos, mas não serão os únicos…

Obs.:  Não significa que a batalha perdida seja na questão da pedofilia discutida recentemente, mas sim no pânico moral que vem de vários anos atrás. Nesse quesito é que a batalha foi perdida.

Escrito por lucianohenrique

abril 29, 2010 em 9:22 pm

Richard Dawkins e Bill Maher: um show de estratagemas

com 16 comentários

Se Richard Dawkins, quando vai em entrevistas distante de seus amigos, já demonstra seu habitual padrão de picaretagem, o que não dizer desta entrevista que ele dá para o seu amigo e parceiro de preconceito anti-religioso Bill Maher?

O mais impressionante é a cara de pau dawkinista em não se furtar a usar estratagemas em praticamente nenhuma de suas respostas. Praticamente todas as respostas são planejadas para obter efeito de platéia (aplausos, inclusive), com uso de preconceitos, chavões, etc.

Maher, por sua vez, não fica atrás, chegando ao fato de julgar Francis Collins por suas crenças, e, como não poderia deixar de ser, sempre usando a falácia do espantalho.

Enfim, um vídeo instrutivo para mostrar a absolutamente falta de decência e moral de gente como Maher e Dawkins.

Escrito por lucianohenrique

abril 29, 2010 em 11:50 am

Começando a pensar politicamente na guerra intelectual com os neo ateus

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Como será que reagiria o comitê republicano se os líderes democratas declarassem que todos os eleitores republicanos não merecem os mesmos direitos que os eleitores democratas? Ou se os líderes republicanos tentassem pedir a deportação dos democratas?

Obviamente, a reação seria violenta e incisiva, pois estamos em um cenário de luta política, onde o lado que optar pela mansidão está automaticamente condenado à auto-destruição.

Diante disso, e do fato do reconhecimento do neo ateísmo como uma agenda de ação política (conforme ressaltei no meu texto anterior), é óbvio que a postura de muitos cristãos (não todos, por sorte) pode ser aquilo que tenderá a tornar a vida cristã extremamente complicada pela frente.

Em suma, diante de uma ação política, nenhuma reação é o mesmo que permitir a derrota. Se há alguma chance para o cristianismo, esta reside naqueles que militarem não só pelo cristianismo, mas principalmente pelo contra-ataque ao neo ateísmo e à todos os movimentos anti-religião.

Em política, nem sempre tudo se baseia em divulgar suas idéias. Até por que uma mera acusação da parte adversária pode ter um efeito de bomba relógio. E se for uma acusação vinda de uma parte desonesta? Nesse caso, é pior ainda tomar a decisão de ficar calado. Caso, em território político, um grupo esteja diante de oponentes desonestos, aí é que surge a oportunidade de desmascaramento dos picaretas (e justamente por isso defendo o revide). É claro que a oportunidade precisa ser aproveitada.

Logo, é o momento de alguns líderes e intelectuais cristãos (e dos demais grupos teístas em geral) reconhecerem que é um cenário de guerra intelectual, disputada basicamente por imposição de discurso – ainda não é um contexto de luta armada, felizmente.

Quando William Lane Craig entra em um debate (e atua brilhantemente), ele quer discutir logicamente a existência de Deus, mas seu oponente, Christopher Hitchens, quer executar propaganda, e distorcer o máximo as afirmações da outra parte em seu intento. Como em todo jogo político. Um entra para o debate, e outro entra para fazer política.

E o que é a política? É basicamente a arte de grupos se organizarem para interferir nos assuntos públicos, usando ferramentas como a militância ou o voto. Para uma pessoa agir politicamente, não é preciso ter um cargo no executivo ou no legislativo. Basta atuar interferindo na vida pública.

E o plano dos anti-religiosos é fácil de identificar. Atacando-os e ridicularizando-os, acaba-se remodelando o senso comum ao ponto da sociedade “achar normal” o desrespeito contra um religioso. Em seguida, o que virá pela frente é a retirada de direitos. Simples assim. Se alguns ainda acham que todo o interesse do neo ateu é apenas “rir e ofender religiosos”, só tenho algo a dizer: a história nos mostra que isso jamais fica apenas pela ofensa e ridicularização, e acreditar que ficará apenas por isso é uma redefinição da expressão “ingenuidade”. Se lermos a história, é fácil notar que essa ação dos líderes do neo ateus é apenas o sinal de fumaça pro que virá pela frente.

Por exemplo, durante anos no Brasil virou mania rir e ridicularizar dos militares, além de atribuir a eles uma pecha de violência e postura ditatorial (os subversivos, por sua vez, eram os “heróis” da Nação). Hoje mesmo, o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que queria revisar a Lei da Anistia, em vigência há mais de 3 décadas no país. O objetivo da ação da OAB era para punir criminalmente os militares envolvidos em tortura na época da Ditadura. Detalhe: a revogação da anistia estava planejada apenas para os militares, mas não para os guerrilheiros. Obviamente, é isso que configuro como exemplo de retirada de direitos, após a remodelação do senso comum. A remodelação do senso comum pode levar décadas, mas quando a interrupção dos direitos começa a ocorrer fica difícil até perceber como tudo começou.

Vejam o exemplo de quando Sam Harris se colocou contra o fato de Francis Collins ser eleito para diretor da NIH. Motivo para Francis Collins não ser considerado apto para o cargo? A religiosidade dele. Que isso é um ato de extremo preconceito, não há dúvida alguma. Mas qual a reação à esse preconceito do Sam Harris. Absolutamente nada. Necas. Logo, temos um sinal de que a propaganda política dos anti-religiosos (liderada, atualmente, pelos neo ateus) está surtindo seu efeito.

E se, ao invés de alguém protestar contra um religioso pedisse para que um homossexual ou um negro fossem demitidos. Será que isso seria considerado tão “normal”? Claro que não.

Se há algo que devemos considerar nesse tipo de embate (não mais puramente ideológico, mas político), é que uma falsa acusação não deve ficar barata, e nem atitudes de desrespeito devem ser toleradas. Obviamente, não se pede para PROIBIR as atitudes de desrespeito (digo isso antes que um neo ateu proteste algo como “Luciano quer censura”). Em meu texto, toda a responsabilidade na guerra intelectual é transferida para os religiosos.

Por exemplo, os pastores, os padres… como é que estes estão orientando os seus fiéis (considerando o aspecto popular da religião) a reagirem em relação às tentativas de mudanças para retirar os crucifixos do cenário público? Como orientam os seus fiéis a reagirem a propagandas contra a religião na mídia? Essas são perguntas importantes no contexto da guerra intelectual.

No questão do preconceito de Sam Harris contra Francis Collins, qual a reação pública dos líderes religiosos e os intelectuais da religião contra esse ato de preconceito? Eu não soube de nenhum protesto, e gostaria de notícias a esse respeito.

Diante da política das REAÇÕES ao ataque contra a religião é que poderemos avaliar a eficiência da ação política religiosa contra isso.

Outro exemplo é na questão recente de ataques de pânico moral contra a Igreja Católica na questão da pedofilia. Inclusive com ameaças de Richard Dawkins e Christopher Hitchens querendo processar o Papa. Qual a reação à isso? Processaram em retorno? Se não fizeram, já perderam a batalha.

Não digo que perderam a guerra, mas não dá para negar que várias batalhas foram automaticamente perdidas somente com a falta de resposta enérgica.

Na política é assim: se um oponente lhe acusa, mesmo com uma acusação falsa, o silêncio automaticamente se converte em ponto positivo para o adversário.

Obs.: A imagem deste post é um exemplo da ação política anti-religião. Embora seja lícito pedir que o estado seja laico, dizer que religião e política andam em CAMINHOS OPOSTOS  já é um exemplo de uma propaganda que surte efeito positivo… para os anti-religião.

Escrito por lucianohenrique

abril 29, 2010 em 12:02 am

Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Pt. 10 – Suicídio Intelectual

com 4 comentários

Chega o momento de avaliarmos o resultado de todo o processo de conversão de alguém em uma ideologia baseada em intepretação delirante, na variação da mente revolucionária: o neo ateísmo.

De todo o processo, o que é o resultado final? Obviamente que, como é uma expansão da estratégia gramsciana (uma das formas de arquitetar o marxismo cultural), que insere alguma ideologia subversiva em alguém através das vias da reforma do pensamento e aplicação da PNL, o resultado final será algum militante. Ferrenho, aliás.

Cabe agora entendermos qual o programa a ser executado pelos neo ateus, ou seja, se eles foram doutrinados para executar uma militância, o que caracteriza essa doutrina e qual o comportamento resultante?

O Programa a Ser Executado

Se, então, já sabemos que os neo ateus são pessoas que sofreram doutrinação para pregar contra a religião, é possível identificar com extrema clareza suas diretivas. Estou considerando, agora, o programa a ser executado pela MASSA dos neo ateus, ou seja, os leitores e seguidores dos autores do neo ateísmo:

  • Agir de forma militante na luta contra a religião
  • Utilizar de escárnio o máximo que conseguir, fazendo o uso tanto quanto possível de simulação de falso entendimento em relação às doutrinas religiosas
  • Permanecer o maior tempo possível em redes sociais, interferindo em discussões entre religiosos, e divulgando o maior número possível de ridicularizações e difamações
  • Simular que se representa a ciência, e forçar a discussão criacionismo X evolucionismo
  • Buscar notícias na Internet em que religiosos cometam equívocos ou situações ridicularizáveis, e usar de generalizações, dando a impressão de que se aplicam ao todo
  • Tentar maquiar o maior número possível de fatos históricos para simular a impressão de que religião é decisiva para eventos inconvenientes
  • Em contrapartida, inocentar o ateísmo da maior quantidade possível de eventos
  • Maquiar dados para fingir que em alguns países, como Suécia e Nova Zelândia, há uma maioria de ateus, e usar a estratégia da “Vitória Irresistível”
  • Criar e/ou divulgar imagens simuladamente humorísticas ou charges em que se descrevem “o comportamento teísta”, usando da generalização o máximo possível (é recomendável nunca associar a ofensa a um teísta ou um grupo específico, mas a todos os teístas)
  • Em caso de estar na mídia, usar ressignificações e técnicas de pânico moral sempre com intuito de difamação e/ou ridicularização de religiosos
  • Endeusar em público as figuras de Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e Daniel Dennett – em caso de discordâncias, simular discordâncias em pontos irrelevantes, apenas para não dar muito na cara que os adeptos do neo ateísmo não possuem senso crítico (ou seja, jamais discordar destes autores nas teses centrais do neo ateísmo)
  • Em caso de surgir um refutador ao neo ateísmo pela frente, ofender o máximo possível, e usar difamações contra ele
  • Usar o maior número possível de chavões e frases de efeito em sua pregação

Enfim, em linhas gerais esse é o exemplo do comportamento de praticamente todos os leitores dos gurus do neo ateísmo. Como se pôde notar, há várias características que transcendem aquilo que conhecíamos por diálogo filosófico. Pelo contrário, o tipo de “diálogo” estabelecido pelo neo ateu tem mais a aparência de um discurso político de rivalidade (onde geralmente nenhuma razão é dada ao oponente sob qualquer circunstância, assumindo que a priori todas as opções do oponente sempre estão erradas). Nisso, o neo ateísmo novamente se posiciona como um irmão do marxismo, uma outra doutrina de cunho político baseada em ódio.

Covardia e Bullying virtual nas redes sociais: indícios de Sociopatia

Uma coisa que se pode notar, principalmente em redes sociais, é praticamente um comportamento sociopata dos neo ateus. Obviamente não se trata da sociopatia em todos os seus sintomas (mas um sociopata não precisa atender a todos eles, sendo que o atendimento a 3 dos itens já configura um estado de sociopatia).

Dentre os sintomas mais conhecidos da sociopatia podemos citar

  • Ausência de qualquer sentimento de remorso e de valores morais, usando da mentira, calúnia, insultos, sedução, intimidação, ameaças e violência, para verem satisfeitas suas vontades
  • Não se compadecer pelo choro alheio. As manifestações emocionais das outras pessoas são-lhe completamente indiferentes. Se for preciso ainda agridem e humilham mais a pessoa que está em sofrimento, para que esta se cale, alegando precisar de silêncio
  • São covardes, porque “atacam” sobretudo aqueles que dificilmente poderão reagir às suas agressões. Tendem a culpar as suas vítimas dos seus atos mais insanos, chamando-lhes loucas, estúpidas e outras ofensas, sublinhando que são merecedoras de todo o sofrimento que lhes incute
  • Revelam uma necessidade doentia de manipular aqueles que não respeita. Quando perdem o controle da situação, reagem furiosamente.

Agora, vejamos um perfil da maioria da atuação dos neo ateus em redes sociais.

Tecnicamente, os neo ateus (assim como os marxistas) não deixam jamais de realizar patrulhamento ideológico, assim como perseguição ideológica contra aqueles que são religiosos. Pessoas com baixo treino em debate são humilhadas e esmagadas com estratagemas, e, infelizmente, muitas não conseguem se defender. Ao perceber isso, os neo ateus se unem e realizam ainda mais a ridicularização da vítima.

Se a moderação de uma comunidade ou fórum for composta de neo ateus, muitas vezes a vítima da ofensa não poderá se defender. Caso o teísta replique a ofensa, ele será punido, mas um moderador neo ateu não tende a punir qualquer ateu.

Um exemplo real deste comportamento deve ser visto em uma palestra em que uma garota, realmente muito ingênua, perguntou para Richard Dawkins “E se você estiver errado?”, no que Dawkins, com a palavra, usou o famoso estratagema do Monstro Espaguete Voador, que é justamente uma técnica de ridicularização, mas não de diálogo. O que mostra, naturalmente, que eles optam por ridicularizar um adversário, mas escolhem preferencialmente aqueles que são incapazes de reagir aos seus ataques. Curiosamente, Richard Dawkins não aceitou participar de um debate com William Lane Craig.

Pessoas como essa garota da palestra existem aos montes nas redes sociais, e são as vítimas preferenciais do bullying virtual. Muitas vezes, a ridicularização não é sutil, mas também extensiva e pejorativa. Conforme a descrição da sociopatia (como veremos a seguir), os neo ateus jamais se consideram errados em suas atitudes, e todos os religiosos são merecedores de quaisquer ofensas.

Muitas vezes, podem tentar iludir alguns teístas donos de comunidades, pedindo para participar da moderação (obviamente, para livrar a cara de um neo ateu quando for preciso). Também são capazes de tomar alguma comunidade de teístas, principalmente mantendo a couraça para fingir que ela ainda é uma comunidade teísta. Mesmo assim, passam a usar seus poderes de novos donos de comunidade para permitir a entrada de neo ateus, e barrar a presença de teístas mais aptos, deixando por lá apenas os incapazes. Motivo: uma comunidade que possua a fachada de ser teísta, mas seja dominada por neo ateus, tem mais capacidade de juntar pessoas que não perceberam ainda as tramas contra os teístas lá. Logo, são vítimas indefesas. Os neo ateus mantém essas comunidades como se fosse um tesouro, pois lá eles podem praticar bullying virtual à vontade.

Caso as pessoas peçam para eles pararem, eles aumentarão o potencial da ofensa, pois não se compadecem com a lamentação alheia. E, como já visto, quanto mais alguém pede clemência, mais eles sentem prazer em sua atitude ofensiva.  Pessoas normais, por exemplo, se compadecem ao ver alguém que não tem capacidades de embate, agindo de maneira diametralmente oposta ao que um neo ateu faz quando vê um adversário fraco pela frente.

Que o comportamento padrão do neo ateu, com uma atitude de causar vergonha a qualquer pessoa que tenha acesso ao básico dos valores morais humanos, não tenha percebido que a longo prazo causa danos à imagem até dos ateus tradicionais, assim como dão motivos para uma retaliação, é algo a ser estudado. Temos, portanto, um item final a descobrir. Neste artigo final, seguiremos.

Outras anomalias neo ateístas

Os neo ateus terminam sendo acometidos não só de uma variante da sociopatia, como também de outras síndromes que são evidentes em uma mera análise de seu discurso. Por exemplo, vários se acham na posição de atuarem até como consultores de crença, dizendo aquilo em que os outros deveriam ou não acreditar. Muitos, como Daniel Dennett, dizem que se deve determinar uma crença para todo o mundo, e que um comitê liderado por ele deveria existir para isso. Isso, é claro, os qualifica, como também a vários de seus seguidores, como portadores de um doentio e assustador auto-engano, que, em várias vezes, causa um misto de assombro e vergonha alheia. Não raro neo ateus definem que são os portadores da “razão”, mas a única evidência que trazem disso é a declaração. Quanto à ciência, outros tantos (inclusive vários que não são portadores da ciência) alegam representá-la.

O auto-engano, como um processo de alguém enganar a si próprio, significa a tendência a aceitar como verdadeiro algo que é falso. Tecnicamente, é mais uma manifestação da interpretação delirante. Portanto, além da mentalidade revolucionária, o neo ateu tem mais uma série de variações da interpretação delirante. Principalmente, a crença de que é “racional”, “cético” ou coisas do tipo.

No livro “How We Know What Isn’t So”, Thomas Gilovich dá os detalhes de características de pessoas que se acometem de auto-engano, aqui, é claro, com exemplos do discurso neo ateísta:

  • 1. erro de interpretação de dados aleatórios, encontrando padrões onde eles não existem – neste caso podemos considerar quando o neo ateu faz a citação de países que teriam um número maior de ateus, apontando-os como evidência de que o ateísmo teria resultado em melhorias das condições do país, só que para isso eles ignoram os Estados Unidos, com altíssimo número de religiosos, e países como China, com altíssimo número de ateus;
  • 2. erro de interpretação de dados incompletos ou não representativos, dando atenção extra a dados que confirmam a hipótese, tirando conclusões sem esperar ou procurar dados que a negam – neste caso, naturalmente podemos observar este padrão quando utilizam poucos exemplos de islâmicos que tenham cometido atentado suicida, e definem isso como algo derivado da religião, o que claramente configura uma amostra não representativa, sem olhar para exemplos de países que tiveram também atentados terroristas suicidas praticados por grupos não-religiosos (ex. Tamil Tigers, no Sri Lanka);
  • 3. avaliação de dados ambiguos ou inconsistentes, tendendo a ser acritico com dados que lhe apoiem e muito critico a outros dados – um caso é o aceite da teoria do gene egoísta, por grande parte de neo ateus, com o aceite da idéia de que a seleção tem como unidade fundamental o gene, mas a rejeição da idéia de que a seleção natural tem mais evidências de ocorrer de forma multi-nível (e não orientada apenas ao gene).

Aliás, justamente por serem indivíduos acometidos de auto-engano, é preciso termos um forte ceticismo com grande parte de seu discurso. Que eles tem tendência a se auto-enganarem, esse é um fato, mas é importante deixar que não nos enganem.

O pensamento preto e branco, obviamente uma manifestação do comportamento preconceituoso, termina fazendo com que a pessoa veja tudo de forma dicotômica. Desta forma, o maniqueísmo assume ares gigantescos, com eles terminando por considerar todo um religioso alguém que está em um extremo, ao passo que ele está em outro extremo. Obviamente, ele, embutido de seu auto-engano, irá atribuir todas as características do extremo a que pertence como lisonjeiras, ao passo que todas as características do extremo a que o outro pertence são, naturalmente, pejorativas.

Outro problema do pensamento preto e branco é o uso abusivo de estereótipos, naturalmente, com que se refere aos religiosos. Portanto, torna-se difícil para ele, encarar algum religioso fora do estereótipo. Isso, aliás, tende a dificultar sua socialização com qualquer pessoa religiosa, que irá provavelmente identificar a quantidade enorme de preconceitos que o neo ateu possui. Isso talvez explique por que eles preferem ser tão unidos entre eles.

A mitomania é outra faceta da personalidade do neo ateu. Talvez pela cultura do ódio, que explicarei adiante, ele considera lícito mentir o máximo possível contra qualquer religioso que encontrar pela frente. Não há limites para a quantidade de mentiras. Quando estão em grupo, principalmente nas redes sociais, podem mentir e difamar de forma mais coordenada, mas não há jamais o interesse em buscar a verdade a respeito do oponente.

Normalmente, quando suas mentiras são descobertas, tendem a se tornar agressivos e impacientes, o que, novamente, é uma característica da sociopatia.

A psicose é outra característica evidente, e que tem fortes relações com o auto-engano e a mitomania. Pessoas com essa característica mentem tanto, mas tanto, que passam até a acreditar em suas próprias mentiras. Por exemplo, em comunidades como as vistas nos fóruns de Richard Dawkins e Sam Harris (eles abrem fóruns para seus leitores), nota-se que vários neo ateus realmente acreditam naquilo que falam, pois estão em um grupo no qual não há frequência de religiosos. Logo, alguns deles já não estão no estágio de mentir para um oponente, mas sim mentir entre eles próprios, principalmente quando estão em grupos de amigos.

Essa característica, aliás, é uma das mais interessantes, pois quando eles já estão neste estágio é aquilo que os psiquiatras definem como “perda de contato com a realidade”. Recentemente, por exemplo, um neo ateu se afirmou cientista, mas na verdade estava apenas… estudando biologia. Outro afirmou-se cientista também, mas após alguns questionamentos notou-se que ele era um advogado. No que ele retrucou: “sou um cientista das ciências jurídicas”. Enfim, não há limites.

A demência é outra manifestação evidente em vários neo ateus. Alguns deles, mesmo tendo o desenvolvimento intelectual normal, perdem a capacidade cognitiva parcial ou completamente. Muitas vezes o diálogo com eles torna-se algo próximo do surreal, como quando um disse certa vez no Orkut: “Eu não acredito em Deus, pois a ciência exige evidências” (ele se comparou à ciência). Ou então quando um outro afirmou: “Eu não posso acreditar em nada, pois sou ateu” (o ateísmo é só ausência de crença em Deus, e não em tudo).

O curioso é que se você questioná-los a respeito de suas afirmaçoes, será se como você não tivesse dito nada. O erro, conforme já previsto na interpretação delirante, é persistente, incorrigível.

Por fim, a imbecilidade é uma característica que os torna completamente sugestionáveis a qualquer sandice que ouvirem desde que venha do guru ou de qualquer pessoa que esteja com idéias alinhadas com o guru. Não questionam nada. Um exemplo engraçado foi uma vez que usei um perfil falso chamado “Dichard Rawkins”, e entrei em um fórum de ateus postando a seguinte teoria: “A religião tende a aumentar a criminalidade pois tem o perdão. Com o perdão, as pessoas ficariam incentivadas a cometer crimes, pois serão perdoadas no dia do julgamento se pedirem o perdão. Portanto, temos mais um motivo para retirar a religião e aumentar a justiça no mundo”. Foi mais ou menos isso. Claro que vários neo ateus apoiaram. Em coro.

Duvidam? Façam a experiência, mas procurem, é claro, obter um argumento esquisito, sem evidências, mas que esteja plenamente alinhado com a ideologia dos autores neo ateus. Não vão lhe questionar. Será um ecoar de palmas em uníssono.

Não é para rir, e nem para ter pena

Com tudo o que coloquei acima, e que é claramente observado no comportamento dos neo ateus pelas redes sociais e pela Internet (comportamento derivado das campanhas dos autores neo ateus, diga-se), claro que a primeira tendência é sentir pena, certo?

Esse é o pior dos caminhos, pois, se realmente pensássemos na maioria das anomalias imediatamente relacionadas acima, com certeza deveríamos ter pena dos neo ateus. Mas, se pensarmos em características como megalomania, aliada à síndrome citada anteriormente, da sociopatia, o resultado se torna perigoso.

Tecnicamente, é um perfil orientado à violência psicológica, que, se não possui efeito contra pessoas bem treinadas (vários leitores deste blog, por exemplo), pode ser uma crueldade com pessoas pouco treinadas para o embate, seja virtual ou não.

Outro motivo para não menosprezar o oponente, é o fato de que os neo ateus tem embutido em seu programa a militância ferrenha, e uma organização dessa militância, contando inclusive com ações públicas que podem resultar em perdas de direitos civis para religiosos.

Enfim, são pessoas que fogem da realidade? Claro que são, mas nem por isso são pessoas inofensivas. Pelo contrário, os neo ateus têm apoio incondicional da esquerda liberal e da esquerda extrema, os marxistas. Isso significa que em territórios de doutrinação (e, como Gramsci previu, as universidades seriam um foco) eles têm caminho aberto.

Logo, o menosprezo pelas iniciativas dos neo ateus é o primeiro passo para permitir que eles avancem, pois, além de serem militantes ferrenhos de sua causa, possuem apoio irrestrito dos principais tipos de subversivos.

Aliás, um motivo pelo qual vários cristãos ainda não estão preparados para o duelo intelectual com os neo ateus é que muitos pensam neles como “ovelhas desgarradas, em busca de respostas”. Ou seja, menosprezam.

Todo esse estudo teve um objetivo: mostrar o que está por trás do neo ateísmo. Creio que esgotei, para um levantamento preliminar, o assunto, e uma das conclusões a que se pode chegar é que o neo ateísmo deve ser tratado como um fenômeno social (ou seja, fecho a idéia que iniciei na parte 1, quando decidi justificar o estudo), e, ao invés de vários debates formais com eles (como fez Dinesh D’Souza e William Lane Craig, em iniciativas que até respeito, embora não atinjam o oponente, que já está no estágio político da discussão), a postura deveria ser a oposta: o desmascaramento.

Tecnicamente, pelas anomalias mentais exibidas aqui (e com exemplos, diga-se), não há como ter uma discussão frutífera com os neo ateus. Aliás, qualquer discussão em que um religioso entrar de coração aberto, já é causa perdida, pois para o neo ateu a informação vinda de qualquer religioso é inútil.

É importante também sempre considerar que, se o neo ateu não dá atenção à informação vinda do oponente (pois está só em militância e propaganda), qualquer tentativa de conversão é inútil. Esse tipo de diálogo, mostrando com gentileza as escrituras bíblicas ou coisa do tipo, é sempre um convite ao escárnio e revide do neo ateu. Para este, qualquer discussão, qualquer debate, ou qualquer participação ativa, seja publicando um texto ou fazendo palestras, é um ato de propaganda, em uma causa política.

O discurso do neo ateu não é diferente de um discurso de campanha política dos mais sujos, onde é permitida a acusação formal e difamatória contra um oponente, além da divulgação de factóides. E, nesse quesito, precisam ser desmascarados, pois se até hoje muitos estavam acostumados com o debate aberto, formal, entre pessoas que trocavam conhecimento, o surgimento do neo ateísmo ajudou a colocar uma pedra em cima deste tipo de interação.

Que é algo que muitos podem até lamentar (o fim das discussões inteiramente socráticas, ao menos quando for o diálogo com neo ateus), é algo com que não posso deixar de concordar. Mas é simplesmente uma questão de adaptação. Infelizmente, os tempos são outros.

As motivações para o discurso de ódio

Se uma das conclusões tratadas nesta última parte é que há motivos para tratar o neo ateísmo como um fenômeno social, e não como uma vertente intelectual legítima, deixei outro ponto para tratar ao final, que é a característica de ódio existente no discurso deles.

Lembremos que no paradigma da mentalidade revolucionária, há sempre o componente da utopia, da remodelação de mundo, e a inexistência de freios morais em qualquer ação tomada em direção à esta utopia. Obviamente, o adepto da mente revolucionária se considera PARTE deste empreendimento em busca da utopia.

Ora, se antes tivemos o Iluminismo, com sua utopia de “busca por um mundo melhor, à luz da ciência”, o marxismo levou tudo ao paroxismo, prometendo um mundo totalmente igualitário, onde tudo seria mais belo. Utopias poderosas, naturalmente.

E, considerando que elas eram baseadas em discursos sedutores, obviamente ganharam muitos adeptos. O marxismo assumiu a dianteira intelectual, com o marxismo cultural, e os iluministas foram pelo mesmo caminho. Seja lá como for, o discurso subversivo foi utilizado para iludir geração através de geração, e, em ambos os discursos a anti-religião era um foco.

Se notarmos bem, em ambos os discursos tínhamos a prioridade na eliminação da religião. Iniciativa que se transformou em ódio com o advento do marxismo – aliás, por isso é lícito notar que embora vários autores neo ateus sejam de tendência liberal/iluminista, a característica de ódio tem muito mais a ver com o marxismo. Em suma, o ódio à religião tem pai e mãe. É extremamente importante lembrarmos que em ambas as ideologias, principalmente no marxismo, existia um grupo que era colocado como INIMIGO da utopia: os religiosos.

Ora, o que acontece quando alguém tenta impedir que algo de bom aconteça? Obviamente, muitos tendem a ficar com raiva desses “estraga prazeres”. É uma tendência natural do ser humano. E, se existem promessas maravilhosas de “mundo ideal” (e alguns acreditam nessas promessas), o que vai resultar naturalmente de um grupo que é TACHADO como inimigo desse ideal? Obviamente, será um resultado de ódio.

Antes de tudo, é preciso que eu diga que praticamente todas as acusações dos neo ateus não sobrevivem ao menor exame cético, mas o problema não é esse: o detalhe é que muitos dos adeptos ACREDITAM que realmente os religiosos são culpados de muitos males do mundo. Se os dados corroboram a idéia de que são culpados ou não, para os ideólogos do neo ateísmo isso não importa. O que importa é só conseguir gerar uma sensação de ódio contra um grupo.

Isso já aconteceu antes, por exemplo, com o anti-semitismo. As principais características do anti-semitismo envolviam a atribuição de generalizações para difamar um grupo, os judeus, além de utilizá-los como bode expiatório para todas as culpas que fosse possível encontrar. E, de preferência, criar uma idéia de “mundo ideal”, sendo que, diante dessa idéia, este grupo seria considerado e apontado em público como um empecilho. Simples assim. Não estou dizendo que o ódio à religião é similar ao Holocausto, mas sim ao anti-semitismo. Obviamente, o anti-semitismo foi COMBUSTÍVEL para que ocorresse um Holocausto.

Saindo do contexto da discussão unicamente anti-religião, o próprio marxismo é um discurso de ódio. Neste artigo, falando dos maoistas, eu citei um exemplo de discurso:

Se mesmo assim você não se convencer, com certeza estarei combatendo você com todas as minhas forças do lado do proletariado no dia da nossa revolução. Que ainda não ocorreu e ocorrerá. E isso é apenas uma questão de tempo, pode aguardar. E é bom você definir o seu lado.

Quer dizer,o sujeito já entra em debate com violência psicológica. E as pessoas que são facilmente sugestionáveis acabam, naturalmente, se defrontando com um tipo de perversidade mental com a qual não estão habituadas. É preciso de um certo sangue frio e experiência em conhecer os piores meandros da mente humana, para não se surpreender com pessoas que já entram em campo com ódio do oponente. Ou, como já disse, um terceiro caminho, que sugiro, é conhecer o que eles pensam, por que eles agem dessa forma e o PROGRAMA inserido no cérebro deles, para, enfim, com toda a calma do mundo, desmascará-los, em público.

Conclusão

Chegamos, portanto, ao final do estudo. Naturalmente, esse é apenas o primeiro draft do ensaio, e novas idéias podem surgir, e é possível expandi-lo. Mas a idéia geral acredito ter concluído, pois passei pelos primórdios das ideologias que primeiramente pregaram o ódio à religião (um pouco do iluminismo e principalmente o marxismo), por como os subversivos agem na sociedade, e como os ideólogos subversivos são úteis nesse processo. Passei pela Estratégia Gramsciana, que, em conjunto com os estudos da proliferação anti-religiosa nas universidades e na mídia, nos dá uma explicação para o modus operandi da propagação de ideologias subversivas. Foi possível também compreender como o neo ateísmo acaba sendo útil tanto à agenda iluminista como à agenda marxista, portanto tem apoio de grande parte da mídia. Em seguida, tratei das técnicas de lavagem cerebral, além do uso da PNL para potencializar essas técnicas, no ato da doutrinação de novos adeptos. Neste último texto, mostrei que o resultado do processo de se acreditar em uma utopia, chegando lá através de forte doutrinação, pode produzir seres humanos que transitam entre a demência e a imbecilidade, incapazes de um juízo perfeito (*). Entretanto, uma outra anomalia, a sociopatia, é ainda mais evidente que as outras, e, portanto, os neo ateus tornam-se perigosos em termos sociais. Essa última anomalia é explicada pelo discurso do ódio, em outra similaridade espetacular entre o marxismo e o neo ateísmo. Ambas, naturalmente, são discursos de ódio. Sabendo de tudo isso, além do fato da ação neo ateísta ter mais caráter político do que verdadeiramente intelectual, torna-se mais fácil defender a idéia de que a melhor atitude a tomar com eles é o desmascaramento formal, ao invés do diálogo amigável.

(*) Obviamente não digo que os neo ateus são necessariamente débeis mentais ou imbecis em termos QUÍMICOS. Em termos físicos, acredito que muitos tenham o cérebro em condições normais. Tratei aqui de pessoas que, após a reforma do pensamento (com o uso inclusive de manipulações linguísticas, que limitam o pensamento e cognição), possuem um COMPORTAMENTO típicamente insano, mas isso é provavelmente mais fruto da lavagem cerebral do que propriamente de alguma lesão cerebral, naturalmente.

Técnica: Os religiosos não aceitam críticas dos neo ateus

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Essa técnica tem por objetivo permitir que o neo ateu lance uma cortina de fumaça em relação às críticas que porventura seus autores sofram, principalmente quando são desmascarados.

Para fingir que os problemas (principalmente argumentativos) não existem em suas obras e no comportamento dos adeptos do neo ateísmo, eles passam a fingir que na verdade o único problema seria o seguinte: “o religioso não era criticado, agora é, e então reclama”.

Obviamente, que isso se trata de uma série de manipulação de informações, pois não há indícios de que antes existiam MENOS críticas à religião antes do surgimento do neo ateísmo. Pelo contrário, a crítica à religião, além do uso de piadas contra religiosos, é antiqüíssima. Até os questionamentos sobre a moral religiosa datam de séculos atrás.

Não há praticamente nada de novo nas críticas à religião, se considerarmos os argumentos do neo ateísmo contra a religião. Por exemplo, críticas ao argumento de São Tomás de Aquino, que Dawkins fez (e de maneira porca), outros fizeram muito melhor no passado – embora sem derrubar o argumento, naturalmente.

O problema, portanto, não é a crítica em si, mas sim o ataque feito de uma forma extremamente desleal, incluindo atitudes meramente políticas como:

  • Solicitação de retirada do direito dos pais ensinarem valores religiosos aos filhos (para permitir a doutrinação das crianças na escola em neo ateísmo)
  • Solicitação de que alguns países islâmicos deveriam ser bombardeados por causa de suas crenças
  • Motivação para atitude de bullying virtual e escolar/universitário contra os religiosos que ainda não estão psicologicamente preparados para um duelo (eles ainda acreditam que o neo ateu é apenas um crítico, e não alguém com agenda política)
  • Discriminação formal contra religiosos, como, por exemplo, quando Sam Harris sugeriu que Francis Collins não deveria dirigir o NIH só por ser religioso
  • Incentivo à atitudes de manipulações de notícias para geração de pânico moral contra entidades religiosas e contra religiosos
  • Criação de conceito de “classes”, assim como no marxismo, com a diferença que as classes agora seriam ateus e religiosos, e o respeito mútuo dos ateus pelos religiosos não deveria existir
  • Uso de técnicas da estratégia gramsciana (agora oficializadas por eles) para prejudicar a carreira universitária de quem for cristão ou pertencente à outra facção religiosa
  • Através do conceito de classes, uso de generalizações para atribuir um sentimento de ódio contra religiosos, por parte de seu grupo, em tática similar ao antissemitismo (a diferença é que o antissemitismo focava na etnia judaica, ao passo que o neo ateísmo foca no ódio à todos os religiosos)

Ora, esses itens acima são apenas algumas das “inovações” do discurso neo ateu em relação às tradicionais críticas à religião.

Logo, se os neo ateus NÃO INOVARAM EM NADA no conceito de críticas à religião (apenas na atitude política e geração de cultura de ódio), logo, se algum religioso os criticar, provavelmente é por outro motivo, e não pelo fato de ocorrerem “críticas à religião”. Pois, se o motivo fosse “críticas à religião”, juntamente com “religioso não pode ter suas crenças criticadas”, logo o religioso não ficaria em oposição ao neo ateísmo, mas sim contra vários outros críticos da religião, desde o iluminismo.

Obviamente que o religioso tem motivos para ficar em oposição ao neo ateísmo. Mas, ao ficar, NÃO SERÁ pelo fato de que religião “não pode ser criticada”.

Há muitos outros motivos para se opor ao neo ateísmo antes de pensar nas “críticas à religião”.

Querem mais um motivo para se opor ao neo ateísmo? A safadeza dos neo ateus é tamanha que até para se defenderem de críticas precisam mentir e criar estratagemas INVENTANDO motivos para a crítica do oponente que em nada correspondem aos reais motivos.

Escrito por lucianohenrique

abril 26, 2010 em 9:40 pm

Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Pt. 9 – O Neo Ateísmo como Subproduto de outra coisa

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Nosso estudo discute uma teoria para explicar a origem e o desenvolvimento do comportamento neo ateísta em alguém, e, ironicamente, uma parte da teoria é suportada justamente por uma abordagem do maior líder dos neo ateus, Richard Dawkins.

Como todos os leitores deste blog já devem saber, Dawkins é autor de “Deus, Um Delírio”, provavelmente o livro de neo ateísmo com maior vendagem até hoje, mas tem uma carreira de discursos anti-religião que data desde 1976, quando lançou sua primeira obra, “O Gene Egoísta”. A principal idéia daquele livro era criar uma metáfora na qual todo o sentido da vida não seria mais discutido a partir da visão dos indivíduos, mas dos genes. Era praticamente uma reutilização dos princípios do atomismo, de Demócrito (também defendido por Epicuro), dos velhos tempos da filosofia grega, só que transferido para o cenário da biologia. Não resta dúvidas de que o Gene Egoísta não sobrevive como teoria científica, e até nem foi publicado desta forma (não passou por um processo de peer-review, inclusive). O curioso é que no mesmo livro Dawkins também introduziu o conceito de memes, que, segundo ele, seriam entidades de informação, sem matéria, mas que se reproduziam por um processo darwinista. Essencialmente, Dawkins queria simplesmente atacar a religião e inventou uma explicação para dizer que as idéias que as pessoas tinham na verdade eram todos memes, e que os seres humanos existiam para os memes “se propagarem”. Alguns memes seriam danosos ao ser humano, sendo qualificados como “vírus da mente”. Esses memes teriam como principal exemplo a religião. Não vou entrar em maiores detalhes, mas as maiores “contribuições” para a ciência que Dawkins fez são essas duas (o conceito de gene egoísta e memética), e ambas não passam de jogos de ressignificação, mas jamais teorias científicas sérias. Ambas foram criadas com o intuito de redefinição de valores humanos, talvez como fórmula para o sentido da vida, da moral, etc.

De qualquer forma, ao avaliarmos a carreira de Richard Dawkins como pregador anti-religioso, notamos que nem tudo que ele escreveu foi a respeito dos memes e dos genes egoístas. Grande parte de sua carreira se baseou em atacar o criacionismo. Podemos ver que vários de seus livros são respostas ao criacionismo. Dawkins desenvolveu um estilo agressivo e propagador de ódio justamente nessa fase. Mas, mesmo quando Dawkins não tinha ainda se tornado um símbolo dos ateus militantes, ele já tinha vários problemas com a religião.

O grande fato é que, estudando a estratégia gramsciana, podemos elaborar a teoria de que Dawkins foi doutrinado a lutar contra a religião já na faculdade, assim como ocorrem com vários anti-religiosos. Muito provavelmente a leitura intensiva de Bertrand Russell (que também escrevia muito contra a religião, e tinha argumentos muitos similares aos que Dawkins usou posteriormente) o ajudou a reforçar sua fúria.

Podemos definir Richard Dawkins como um dos principais autores de diatribes contra a religião em toda a história, se não pela qualidade, mas principalmente pela quantidade, além de sua notória influência. Seus leitores o vêem como um guru, e até se enfurecem quando ele é questionado ou refutado. O que importa é que não há discussão em relação à importância de Dawkins no cenário da luta contra a religião.

Uma característica fundamental dos escritos de Dawkins é seu notório desconhecimento de teologia como um todo. E nem sequer ele próprio esconde isso, pois afirma que a teologia é completamente inválida, pois, segundo ele, Deus não é provado cientificamente. Sendo Deus não comprovado cientificamente (e Dawkins é cientificista, portanto o que não está provado cientificamente está fora da discussão para ele), nada que for oriundo das discussões teológicas deve ser levado a sério. Partindo dessa premissa, ainda assim Dawkins se aventura a discutir argumentos de São Tomás de Aquino, Santo Anselmo e diversos outros, cometendo, como sempre, erros constrangedores, a ponto de causar vergonha alheia. Os exemplos podem ser vistos nessa seção do blog [Index Reverso, nos vários artigos de refutação ao livro “Deus, Um Delírio” - recomendação de consulta: itens 3.1 a 3.8].

A ignorância absoluta (factual ou simulada, não importa) de Dawkins quanto à religião não é refletida em sua razoável competência para descrever alguns aspectos da teoria da evolução. O que, aliás, é previsível, pois, se dedicou grande parte de sua carreira ao duelo contra criacionistas, ele não só tinha que conhecer evolução, mas sim ser um dos maiores especialistas nela. Que ele derrapa terrivelmente ao fazer suas analogias fantasiosas como gene egoísta e memética, isso é um fato, mas quando não sai do riscado ele realmente é competente.

Eis que aí vem a parte curiosa da coisa: Dawkins, em “Deus, Um Delírio” fez um trabalho bastante esforçado para explicar a religião como um subproduto de outra coisa. Ele definitivamente não conseguiu chegar nem perto da explicar a religião. Mas terminou nos explicando não só o neo ateísmo, como várias outras pequenas crenças em gurus (e o neo ateísmo é apenas uma dessas crenças em gurus).

A crença em gurus como subproduto evolutivo

A abordagem de Dawkins inicialmente, conforme já mencionado, envolvia tentar explicar a religião como subproduto de outra coisa. Essa teoria do subproduto, uma das várias teorias conectadas à teoria da evolução, estuda características indesejáveis e que à primeira vista não possuam qualquer benefício evolutivo, mas que foram originadas como “efeitos colaterais” surgidos a partir de uma característica benéfica. O motivo para isso é claro: se há uma característica, ela tem que ser tratada a priori como benéfica a partir do ponto de vista da evolução. Se há uma característica não benéfica, então provavelmente ela seria um “efeito colateral” resultante de uma outra característica benéfica. Isso é o que constitui a teoria do subproduto evolutivo. Deixemos que o próprio Dawkins fale um pouco sobre a teoria do subproduto:

Gosto de apresentar a idéia do subproduto com uma analogia de minha área, a do comportamento animal. As mariposas voam para dentro da chama da vela, e a coisa não parece acidental. Elas fazem de tudo para se entregar ao fogo como numa oferenda. [...] Não se trata de suicídio. A aparência de suicídio é um efeito colateral inadvertido de outra coisa.

Antes de tudo, para mantermos uma sequência dos 2 artigos anteriores (partes 7 e 8), em que falei da reforma do pensamento, temos que analisar o discurso de Dawkins na perspectiva dos elementos para manipulação das palavras e conceitos. No caso, ele usa o “suicídio” das mariposas como uma âncora para evocar sensações negativas. O prenúncio é claro de que ele está falando da religião e quer provocar essa sensação de repulsa em seus leitores. O que é importante, excetuando-se o estratagema, é notar que a explicação em si de como funciona a teoria do subproduto está correta. Vamos seguindo com Dawkins:

Aplique agora a lição do subproduto ao comportamento religioso dos seres humanos. Observamos grandes números de pessoas — em muitas áreas correspondendo a 100% — que possuem crenças que contradizem diretamente os fatos científicos demonstráveis e também religiões rivais seguidas por outras tantas pessoas. As pessoas não apenas possuem uma certeza apaixonada dessas crenças mas também dedicam tempo e recursos para atividades dispendiosas decorrentes delas. Morrem por elas, ou matam por elas. Assombramo-nos com isso, exatamente do mesmo modo como nos assombramos com o “comportamento de auto-imolação” das mariposas. Estupefatos, perguntamos por quê. Mas minha tese é que podemos estar fazendo a pergunta errada. O comportamento religioso pode ser um subproduto indesejado e infeliz de uma propensão psicológica subliminar que, em outras circunstâncias, é, ou foi um dia, útil.

Essa é a parte da explicação em que há uma bifurcação obrigatória. Ou se aceita a idéia de que Dawkins realmente fala da religião, ou então aceitamos a idéia de que ele fala de uma outra coisa que não é a religião. É puramente uma decisão lógica. Mostrarei aqui que a segunda hipótese sobrevive, ao passo que a primeira é demolida já na primeira análise.

Antes disso, que tal analisarmos alguns joguetes erísticos, apenas para ressaltar o entendimento dos dois textos anteriores? Notemos que de cara Dawkins tenta implementar um estratagema de verbo não especificado, ao usar o termo “assistimos estupefatos”. O terapeuta o questionaria: “quem assiste estupefato?”. Claro que Dakwins não deixa específico quem estaria estupefato. Lembremos também que eu trarei de modelos comportamentais, no texto anterior, que falavam também sobre a encenação. Dawkins chegou a confessar no início do livro que contou com a ajuda de sua esposa, Lalla Ward, atriz, para encenar uma recitação do livro. Talvez, nessa “encenação imaginária”, Dawkins tenha pensado em convencer o público de que realmente existe a estupefação. Podemos considerá-lo até como um estratagema do falso espanto, em que alguém pode fingir estupefação com algo, mas sem comprovar tal estupefação.

Ele afirma que a crença religiosa contradiz (em 100% dos casos), os fatos científicos. Mas, novamente, ele não especifica quais. Claro que é a famosa tentativa de ressignificação, na qual ele tenta convencer o público de que há uma contradição entre ciência e religião. Talvez seja uma religião que o Dawkins inventou, feita para discutir questões científicas, mas não é a religião que ele tenta questionar.

Dawkins afirma que “as pessoas possuem uma certeza apaixonada”, mas não descreveu a qualificação de uma certeza apaixonada (poderia ser, por exemplo, uma dedução lógica), e se a certeza é mais apaixonada daquela que ele possui pelo ateísmo. Ou da que Carl Sagan possuía pela astronomia? Cientificamente, ele não mensurou isso. Seja lá como for, não serve como descrição intrínseca de religião.

Ele tenta também dar consultoria de recursos em crenças (o que, no mínimo, é bizarro) ao dizer que “as pessoas dedicam tempo e recursos para atividades dispendiosas decorrentes da religião”. O que, de novo, não é característica intrínseca da religião, mas sim uma opção. Alguém que é religioso pode gastar recursos com a religião como pode não gastar recurso algum. Assim como um ateu pode doar uma grana para o site de Richard Dawkins e visitar convenções de ateus (consumindo recursos financeiros, como estadia em hotéis, passagens de avião, etc.), como um religioso pode ir à missa e doar seu dinheiro, além de realizar peregrinações. Logo, ele discute um fator mais uma vez não intrínseco à religião.

Logo a seguir ele tenta usar mais um verbo não especificado com a expressão “Morrem por elas, ou matam por elas”. Se Dawkins não especificou o grau em que as mortes ocorrem (em termos percentuais no mínimo, em relação a outros comportamentos), e ainda não especificou, com exemplos, quem são os que morrem (se é uma maioria ou minoria, quais os grupos, etc.), e a relevância disso, também é outro fracasso dele na definição de religião.

Depois de tantas ressignificações, de baixíssimo nível, ele tenta ainda mais uma, ao dizer “Assombramo-nos com isso”. Note que curioso: ele cria uma série de estratagemas, que não sobrevivem ao mínimo exame linguístico, que nada tem a ver com a religião, e, depois do leitor dele estar entorpecido (em estado hipnótico, talvez) ele assume que há um assombro. Daí, logo de cara, ele usa a âncora “suicídio das mariposas”, para evocar a sensação negativa. Se havia uma dúvida de que a base do discurso de Dawkins era baseado em PNL, essas dúvidas morreram agora. Em um parágrafo só, no mínimo 5 estratagemas foram utilizados.

Seja lá como for, tínhamos duas hipóteses, uma em que Dawkins realmente falava de religião, e outra na qual ele falava de uma outra coisa que nada tem a ver com a religião. E, diante de tudo isso, notamos que os atributos que ele descreveu ou não são intrínsecos à religião ou não tem nada a ver com ela. Sendo assim, podemos com total parcimônia ficar com a segunda opção. Logo, temos que descobrir que característica ele tenta estudar como sendo o subproduto da evolução. A religião já temos certeza de que não é. Dawkins usa o termo “indesejado e infeliz”, mas, se ele não trata da religião (e sim de outra característica), temos que saber qual é a característica “indesejada e infeliz”. Vejamos se Dawkins dá mais pistas abaixo:

Por essa visão, a propensão que foi alvo da seleção natural em nossos ancestrais não foi a religião per se; teve algum outro benefício, e só de forma incidental é que se manifesta como comportamento religioso. Só entenderemos o comportamento religioso quando o tivermos rebatizado. Se, então, a religião é subproduto de uma outra coisa, o que é essa outra coisa? Qual é o equivalente ao hábito da mariposa de navegar por bússolas orientadas pela luz celeste? Qual é o traço vantajoso primitivo que algumas vezes atinge o alvo errado e gera a religião?

Em todas as partes acima, onde está escrito “religião”, devemos fazer a substituição da expressão “religião” por “outra característica”, pois, como já vimos anteriormente ele trata de qualquer coisa, menos de religião. Eis, então, o momento em que podemos já sugerir qual é essa “outra característica”. A hipótese mais parcimoniosa é de que ele trata, na verdade, da crença em gurus (curiosamente Dawkins tinha como guru Bertrand Russell, portanto, ele próprio foi vítima de crença em gurus). Ou seja, crença cega. Como já vimos na parte 4 de nosso estudo, os que seguem algum tipo de crença subversiva tendem a ser manipulados (e, depois de algum tempo, tornam-se manipuladores dos novatos), mas, mesmo assim, agem de forma a destruirem os pilares das civilizações em que habitam, configurando até um risco à sociedade. Vou, então reescrever o parágrafo:

Por essa visão, a propensão que foi alvo da seleção natural em nossos ancestrais não foi a crença em gurus per se; teve algum outro benefício, e só de forma incidental é que se manifesta como crença em gurus. Só entenderemos o comportamento de crença em gurus quando o tivermos rebatizado. Se, então, a crença em gurus é subproduto de uma outra coisa, o que é essa outra coisa? Qual é o equivalente ao hábito da mariposa de navegar por bússolas orientadas pela luz celeste? Qual é o traço vantajoso primitivo que algumas vezes atinge o alvo errado e gera a crença em gurus?

E, sendo a crença em gurus a partir de agora o nosso objeto de estudo, Dawkins, mesmo sem saber, está nos explicando a origem de tal característica. Chega o momento da grande ironia involuntária, quando ele conclui sua hipótese abaixo:

Minha hipótese específica é sobre crianças. Mais que qualquer outra espécie, sobrevivemos pela experiência acumulada pelas gerações anteriores, e essa experiência precisa ser transferida às crianças em nome de sua proteção e seu bem-estar. [...] para dizer o mínimo, haverá uma vantagem seletiva para cérebros de crianças dotados da seguinte regra geral: acredite, sem questionamentos, no que seus adultos lhe dizem. Obedeça a seus pais; obedeça aos anciãos da tribo, especialmente quando eles adotam um tom solene e ameaçador. Confie nos anciãos sem questionamentos. Essa é uma regra normalmente valiosa para uma criança. Mas, assim como com as mariposas, ela pode dar errado.

Sendo o neo ateísmo uma crença obtida a partir de gurus, temos a agora uma explicação que funciona perfeitamente para a habilitação da inculcação do neo ateísmo. Vejamos: conforme demonstrado nos dois artigos anteriores, há uma série de recursos utilizados pelos doutrinadores da ideologia neo ateísta para a formatação da mente (sendo alguns desses recursos os de PNL), mas eles são geralmente capitaneados por um guru. Se Dawkins tinha como guru Bertrand Russell (e talvez outros gurus adicionais, na universidade), ele mesmo agora é um dos gurus de uma série de discípulos neo ateus, que lêem seus livros, assistem suas palestras, e compram seus DVDs. Mas, além dos recursos linguísticos utilizados, é preciso que o novo adepto tenha CONFIANÇA cega, obediência àquilo tudo que este guru está lhe dizendo. Dawkins precisa dessa confiança, para potencializar os efeitos de sua doutrinação. Não são apenas os autores neo ateus que são os gurus, os doutrinadores deles (inclusive alguns em universidades, como pôde ser visto na parte da Estratégia Gramsciana) também o foram, pois foram capazes de gerar vários adeptos para uma doutrina que não sobreviveria caso alguém a questionasse. Karl Marx era também um guru. Para identificarmos um guru, nos termos em que ele é tratado aqui, imaginemos alguém que traz “fórmulas” para a melhoria da vida de alguém ou de “correção da humanidade”. Mesmo que a fórmula não seja suportada por evidências, o potencial adepto confiará no discurso sedutor deste alguém trazendo as novas. Este alguém é o guru.

Temos aqui mais um motivo para saber que a explicação de Dawkins não pode servir para a religião, ao menos para as religiões abraâmicas, como o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo. No caso do cristianismo, há apenas um messias, Jesus. No caso do Islamismo, existe a figura de Maomé. Gurus devem ser compreendidos como professores temporários, os quais são encarados como exemplos do comportamento, não passíveis de questionamento. Talvez algumas seitas religiosas atualmente estejam susceptíveis a gurus, mas as religiões abraâmicas inibem essa prática. No caso do cristianismo, por exemplo, existe o conceito de que “o homem é repleto de falhas, mas Deus não é”, gerando uma tendência muito menor a se confiar em gurus. Quer dizer, nessas religiões as únicas pessoas em que você pode confiar em termos de doutrina já morreram há séculos e você não deve sofrer lavagem cerebral, via gurus, pois as religiões citadas dizem que é só em Jesus ou Maomé (ou em nenhum dos dois, no caso do Judaísmo). Neles e em Deus. Mais ninguém. Sendo assim, Dawkins consegue explicar a crença em gurus, e por isso elimina de uma vez por todas as chances de explicar a religião. Sendo o neo ateísmo uma crença em gurus, conforme já demonstrado, a explicação é perfeita para o neo ateísmo.

O apelo à autoridade

Se você não perdeu o fio da meada, deve se lembrar que nos últimos dois artigos eu esgotei praticamente todas as técnicas de reforma do pensamento. Mas deixei uma para o final, e é justamente essa: o apelo à autoridade. A técnica é utilizada desde o contexto da propagada pura e simples até a tradicional reforma de pensamento das massas. Aliás, qualquer guru utiliza essa técnica em grande quantidade. Para tirar a dúvida leia qualquer livro de Lair Ribeiro e note a quantidade de vezes em que ele cita alguém de renome (principalmente acadêmico), para suportar uma idéia. Geralmente a idéia muitas vezes nem serve para comprovar o ponto, mas gera alguma impressão, a ser explorada pelo guru. Dawkins, naturalmente, faz isso várias vezes nas páginas de seus livros.

Note que eu não questiono o fato de uma autoridade científica ou acadêmica ter o seu valor. O que está sendo questionado aqui é a autoridade citada em um ponto que não seja relevante à discussão, ou que não possua argumentos comprovados como válidos, mas ainda assim aceitos unicamente por causa da autoridade. Como o próprio Dawkins, que é citado como referência para discussões anti-religião, mas muitas vezes seus próprios leitores seus o citam como alguém “que dá aulas em Oxford, portando tem méritos”, o que configura um apelo à autoridade. A citação feita por profissionais anti-religiosos inseridos na mídia em relação às qualificações de Dawkins obedece o mesmo padrão. Muitos citam ele como o grande líder da campanha neo ateísta para a discussão anti-religião, e mesmo que seus argumentos sejam frágeis os leitores terminam sendo induzidos a acreditar em suas palavras unicamente por sua autoridade. Enfim, o apelo à autoridade aqui é avaliado na perspectiva de uma técnica da reforma do pensamento.

A crença em professores, independente das sandices que proferirem (ei, não estou dizendo que todos os professores dizem sandices…) é um exemplo de crença na autoridade. Além da universidade, dependendo do curso, ser uma usina para geração de formadores de opinião, os próprios professores possuem autoridade perante os seus alunos. Quando os arquitetos do marxismo cultural, principalmente Gramsci, estavam definindo inicialmente a escola fundamental/média e posteriormente a universidade como o principal foco de geração de novos intelectuais orgânicos, eles tinham completa noção do que estavam fazendo. Eles sabiam que para reformar o pensamento, o ideal seria escolher um lugar onde as vítimas estariam susceptíveis ao apelo à autoridade.

Dawkins e as criancinhas

A Estratégia Gramsciana colocou como prioridade a retirada das pessoas da religião, em perfeito alinhamento com os objetivos de Marx. E, como já vimos, a iniciativa planejada devia começar nas escolas fundamentais (e prosseguir até a universidade), pois nessa fase as crianças estariam mais susceptíveis. Ora, é uma questão de lógica. Se a religião tradicional diminui os riscos de alguém ser susceptível a gurus, a tirada da religião das crianças e jovens aumentaria a propensão dos gurus agirem.

Chegamos então ao momento de desvendar uma das iniciativas mais curiosas de Richard Dawkins: a sua campanha para tentar proibir os pais de ensinarem suas doutrinas religiosas aos filhos. A grande curiosidade é que Dawkins definiu isso como uma “violência psicológica” contra as crianças, que então estariam passíveis de serem forçadas a acreditar em algo por imposição dos pais. Para Dawkins, as crianças não podem ser rotuladas como católicas ou muçulmanas, pois não teriam ainda consciência para aceitar essas religiões. Segundo ele, todas as religiões deveriam ser ensinadas, e os pais não poderiam mais influenciar os filhos em sua religião.

O que é aparentemente injustificável (embora desvendaremos agora esse enigma, descobrindo o vested interest de Dawkins) é o fato dele não ser somente contra a doutrinação das crianças em uma religião, mas principalmente contra a doutrinação vinda dos pais. Mas de onde Dawkins tirou o argumento de que a doutrinação vinda dos pais é problemática? Os pais tendem a passar aquilo em que acreditam aos filhos de forma honesta. Pelo menos na maioria dos casos. Quando eu aprendi a torcer pelo Inter, e não pelo Grêmio, foi uma influência de meu pai. E até hoje eu não reclamei nem um pouquinho. Não há simplesmente um argumento forte para querer impedir que os pais transmitam seus valores centrais aos filhos, mesmo que até se possa alegar que no futuro alguns adultos rejeitarão esses valores, e preferirão não tê-los recebido.

O objetivo de Dawkins é desvelado quando estudamos a agenda gramsciana. Não dá para estudar esse interesse de Dawkins que não pela análise da agenda dos discípulos de Gramsci. A explicação, diante de tudo que já vimos até o momento, é a seguinte: Dawkins e outros neo ateus são vítimas de uma doutrina baseada em uma agenda gramsciana. Na divisão de pensamento em que eles foram doutrinados (a luta contra a religião), uma parte do programa incluía agir de maneira militante. Isso engloba o ato de lutar para reforçar as próprias fileiras, o que significa trazer novos adeptos para a luta anti-religião. Para fazer isso, é preciso de uma doutrinação, feita, principalmente nas escolas, mas também através de recursos como livros, DVDs, palestras. Essa doutrinação, para ter maior efeito, precisa ter a ação de gurus (alguns professores podem também fazer esse papel), que formatarão a mente dos novos adeptos. O problema é que a religião em si já tem recursos para gerar uma desconfiança nos seus seguidores em relação aos gurus ou qualquer vendedor de falsas promessas. Para tentar combater a isso, Dawkins iniciou uma campanha para lutar contra a influência dos pais na transmissão de seus valores religiosos aos filhos. A meta é óbvia: reduzir a influência religiosa nas crianças, com elas entrando nas escolas com baixo nível de religiosidade. Com isso, aumenta-se a chance delas estarem susceptíveis aos gurus, que estão lá, prontos para formatarem as mentes delas. Isso tudo fica mais fácil pela crença na autoridade, no caso, os professores (e a literatura de doutrinação que pode ser indicada por eles), que devem ser considerados os substitutos dos pais para a transmissão de valores morais. Detalhe: isso vale até para quando o jovem entrar na universidade, em que a doutrinação tende a aumentar. Em resumo, Dawkins quer que as crianças fiquem livres da religião para se tornarem mais susceptíveis a ele!

Conclusão

A estratégia dawkinista de doutrinação das crianças é nada mais nada menos do que uma especialização da estratégia gramsciana. Dawkins basicamente quer ser o Antonio Gramsci do ateísmo. A via pela qual ele quer explorar isso é a crença em gurus, a qual manifesta-se através do recurso de reforma do pensamento que é o Apelo à Autoridade. A teoria do subproduto, justamente oriunda da explicação de Dawkins, nos mostra como funciona a susceptibilidade de alguém ao apelo sedutor de gurus através da teoria da evolução – embora ele tenha feito a explicação inicial pensando na religião, ele cometeu praticamente um ato falho, ao pensar que falava da religião quando falava da crença em gurus. Basicamente, Dawkins chegou, pelo estudo da evolução, à conclusões que Gramsci já havia chegado muitas décadas atrás: as crianças, quando confiam cegamente na autoridade, são mais susceptíveis à doutrinação. Como Dawkins é um guru, e o neo ateísmo é uma doutrina inserida através da reforma de pensamento feita por eles, o plano dele envolve fazer uma campanha para “livrar” as crianças da religião, e aumentar as chances delas serem doutrinadas pelos gurus nas escolas. Todas as estratégias de reforma do pensamento, citadas nos artigos 7 e 8, são simplesmente potencializadas com o apelo à autoridade. Chegamos então, à uma explicação completa do gatilho inicial para a geração de um doutrinado em neo ateísmo. O último artigo da série, que se segue à este, irá tratar do resultado final do processo, e o que visualizamos ao notar alguém doutrinado, com sintomas que lembram a sociopatia e a insanidade, e uma postura que configura o neo ateu praticamente como um risco social.

Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Pt. 8 – O Ilusionismo Neo Ateu

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Como já afirmado anteriormente, eu não abordei todas as técnicas de reforma do pensamento no texto anterior desta série. Ainda há algo mais, e este artigo pode ser encarado perfeitamente como uma sequência natural do anterior. A proposta aqui, no entanto, é mais ousada. Mostrarei que grande parte da formatação mental do neo ateu é oriunda a partir de mecanismos de manipulação linguísticos.

Essa jogada, de manipular o comportamento das pessoas e limitar suas opções através da redefinição da linguagem, é algo que foi brilhantemente tratado por George Orwell em sua obra “1984”. Lá, o uso da Novilíngua, pelo governo totalitário, visava restringir a amplitude do pensamento, fazendo isso pela remoção e condensação de palavras. Por meio do controle sobre a linguagem, o governo controlava o pensamento dos indivíduos, e portanto idéias indesejadas não apareceriam. Aliás, não podemos deixar de notar que várias iniciativas do politicamente correto, incluindo redefinições linguísticas (como exemplo, a redefinição de “relação homossexual” para “relação homoafetiva”), tem exatamente este objetivo.

O meu interesse aqui é entender aqui um pouco da “novilíngua” neo ateísta, que é utilizada para controlar o pensamento deles, tornando-se parte fundamental do processo de geração de um novo comportamento. Antes, falarei do escopo e da proposta, mas primeiramente mostrarei o conto “O princípe e o mágico”, de John Fowles, que já foi várias vezes citados pelos principais autores da PNL. Ainda neste artigo você entenderá o motivo de eu tê-lo citado também.

O principe e o mágico

Era uma vez um príncipe que acreditava em tudo menos em três coisas. Não acreditava em ilhas, não acreditava em princesas, não acreditava em Deus. O seu pai, o rei, disse-lhe que tais coisas não existiam. Como não existiam princesas nem ilhas no reino do seu pai, nem qualquer sinal de Deus, o príncipe acreditava no seu pai.

Um dia o príncipe saiu do palácio e viajou até ao reino vizinho. Aproximou-se do mar e, para seu grande espanto, avistou ilhas e estranhas criaturas que não ousou nomear. Quando procurava um barco para tentar visitar a ilha mais próxima, avistou um homem que passeava na praia envergando um manto.

“São verdadeiras aquelas ilhas?” — perguntou o jovem príncipe.

“Claro que são verdadeiras!” respondeu o homem do manto.

“E que criaturas são aquelas?”

“Claro que são princesas!”

“Então Deus deve existir!” — gritou o príncipe.

“Eu sou Deus!” — respondeu o homem do manto, com um sorriso.

O jovem príncipe voltou ao seu palácio tão rápido quanto pôde.

“Então voltastes!” — exclamou o rei seu pai.

“Vi ilhas, vi princesas, vi Deus!” — respondeu o jovem príncipe.

O rei não se deixou afetar pela exaltação do príncipe:

“Não existem nem ilhas, nem princesas, nem Deus!”

“Eu vi-os!”

“E como estava vestido Deus?”

“Deus usava um manto…”

“E podias ver os seus sapatos?”

“Não…”

O rei sorriu: “Esse é o uniforme dos mágicos! Foste enganado…”

O princípe abandonou o palácio e voltou o mais rápido possível ao reino vizinho. Voltou a encontrar o homem do manto.

“O meu pai, o rei, disse-me quem o senhor é. Não me enganará de novo! Agora sei que as ilhas e as princesas não são reais porque o senhor é um mágico!”

O homem do manto sorriu: “No reino do teu pai existem muitas ilhas e muitas princesas. Só não as vês, meu rapaz, por causa do feitiço que o teu pai te lançou!”

O príncipe voltou a casa imerso nos seus pensamentos. Olhou o seu pai, o rei, nos olhos e perguntou:

“Pai, é verdade que não és um rei, mas sim um mágico?”

O rei sorriu. Levantou-se e deixou que o seu manto lhe tapasse os pés.

“Sim, meu filho, sou apenas um mágico.”

“Então o homem da praia é Deus?”

“O homem da praia é apenas outro mágico.”

“Eu preciso de saber a verdade, a verdade por detrás da magia!”

“Não há verdade por detrás da magia…”

Profundamente infeliz,o jovem príncipe anunciou que não podia aceitar tal situação, só a morte o podia libertar: “Eu me matarei”.

O rei estalou os dedos e apareceu a Morte. A Morte permaneceu à porta, mas acenou ao príncipe.

O príncipe estremeceu. Lembrou-se das belas princesas irreais que viviam nas belas ilhas que não existiam: “Muito bem. Acho que posso suportar a situação.”

“Muito bem, meu filho. Tu também, começas a ser um mágico.”

O que a PNL é e o que ela não é

Os criadores da PNL são Richard Bandler e John Grinder. Em 1973, eles estabeleceram uma série de princípios, além de modelos, para manipular a mente (neuro) usando a linguagem (linguística) em um processo para melhorar o desempenho do indivíduo no ato de influenciar aos outros e a si próprio, além de estudar como o comportamento humano pode ser afetado por isso. Quando lançaram o livro “A Estrutura da Magia – Parte 1”, em 1975, eles já estavam fornecendo ao público leigo em geral um modelo de atuação que pudesse ser utilizado por todos, embora em várias partes os autores não negassem que a prática era basicamente terapêutica.

Quando Bandler e Grinder começaram seus estudos, eles tiveram como principal influência a hipnose ericksoniana, do Dr. Milton Erickson (fundador da Sociedade Americana de Hipnose Clínica), a qual era uma modernização em comparação com a hipnose clássica. Em termos de objetivos, já existiam semelhanças entre as propostas da hipnose ericksonia e da PNL, que envolvia a mudança de comportamento dos pacientes através da quebra de padrões de pensamentos e sentimentos, com o uso da descoberta de novas opções na vida. Isso seria habilitado por técnicas de influência, obtidas em estados alterados de consciência e percepção, quando o paciente estivesse sob profundo relaxamento, momento em que está mais sugestionável.

A grande diferença entre a PNL e a hipnose ericksoniana, no entanto, envolve o fato de que a primeira possui mais recursos e se dirigia a um publico mais amplo do que apenas os terapeutas. Além do mais, há uma mudança de foco, pois se a hipnose ericksoniana visava ajudar os pacientes a melhorar sua vida, a PNL visa permitir que o indivíduo obtenha os melhores resultados que queira a partir da influência que ele pode obter sobre os outros e a si próprio através da manipulação sobre a mente a partir dos modelos linguísticos.

Curiosamente, a PNL não tem nada de novo, sendo basicamente um compêndio de práticas antigas, principalmente advindas dos ocultistas (que eram considerados especialistas na arte de manipular a mente dos outros, para que estes achassem que eles possuiam mais poderes do que realmente possuíam). Para um exemplo interessante, recomendo assistir a “Sherlock Holmes”, filme de 2009 dirigido por Guy Ritchie, com Robert Downey Jr. e Jude Law. No filme, há uma organização secreta liderada pelo Lorde Blackwood (interpretado por Mark Frost). Há um ar de mistério que paira sobre a organização, e a própria polícia começa a achar que eles possuem algo de sobrenatural. Entretanto (veja o filme, pois sempre será melhor que minha descrição), os membros da organização se comportam de uma certa maneira de forma a influenciar a PERCEPÇÃO dos outros, para que estes achem que há um elemento de sobrenatural neles. Essa é a chave. A capacidade de influenciar o outro através de uma série de recursos linguísticos (verbais e não verbais) hoje em dia define o que é o sucesso de uma implementação de PNL. Aquilo que antes era algo apenas de posse do conhecimento de organizações ocultistas (fechadas, naturalmente) e místicos como Aleister Crowley, Helena Blavatsky e Franz Bardon, dentre outros, tornou-se então algo a ser utilizado pelo público.

Mais alguns exemplos. Nesse vídeo, notem a expressão programada de deslumbramento de Richard Dawkins logo nos primeiros 6 a 10 segundos. O objetivo é tentar INFLUENCIAR o comportamento da platéia para achar que a informação a seguir será “deslumbrante”. Por exemplo, nesse vídeo, em comparação com este podemos notar claramente a diferença de entonação de voz de Daniel Dennett. Se no primeiro vídeo, ele tenta programar uma voz para aparentar ser muito mais “professoral” do que realmente é (e, portanto, capaz de ensinar aos outros como seguir a vida), no segundo ele está se portando de forma muito mais natural. Os atores, aliás, são especialistas em demonstrar um comportamento para influenciar a platéia. Mas são atores, e não intelectuais. Os atores não precisam ser investigados, os intelectuais sim. Um outro exemplo está neste vídeo, do filme “Creation”, em que aos 1:08 um personagem diz, de maneira deslumbrada “você acabou de matar Deus”. É claro que Darwin não “matou Deus”, mas uma encenação comportamental fingindo que matou poderá induzir o comportamento da platéia (a encenação é a força-motriz, nesse caso). Imagine uma cena similar a esta ocorrendo na realidade, em uma sala de aula. Para os mais susceptíveis, o potencial de influência é enorme pois o executor do estratagema irá simular estar diante de algo deslumbrante e assustador, para CONVENCER a platéia a achar que aquilo é realmente deslumbrante e impactante. Quando se assiste aos vídeos da série “Cosmos”, notamos que tais estratégias comportamentais são modelo padrão do comportamento de Carl Sagan. Não é por outro motivo, portanto, que ele foi definido como um excelente comunicador pela crítica. Os apresentadores da mídia também executam isso, dia após dia. O que não surpreende, aliás.

Isso que eu tratei de início é a parte NÃO-VERBAL das técnicas de PNL (tratarei do aspecto verbal mais à frente). Mesmo que os executores citados estejam recitando palavras (parte verbal da comunicação) a maior parte do resultado, nestes casos, está sendo gerada pela comunicação NÃO-VERBAL, o que inclui os procedimentos de encenação para comunicar algo a alguém. Eu fiz questão de incluir uma explanação do que é a parte NÃO-VERBAL da parte linguística da PNL, pois nenhuma abordagem do assunto ficaria completa sem isso. Nas próximas seções deste artigo, no entanto, estarei investigando o uso da PNL na questão VERBAL, pois analisarei o conteúdo dos livros dos autores neo ateístas e do discurso de doutrinação que é usado nas redes sociais para manter os efeitos da doutrinação, e até amplificá-los.

Antes de seguirmos, no entanto, preciso citar alguns princípios da PNL, conforme definidos por Joseph O’Connor (outro dos principais autores do tema) no livro “Manual de Programação Neurolinguística”:

  • “As pessoas respondem a sua experiência, não à realidade em si.
  • Ter uma escolha ou opção é melhor do que não ter uma escolha ou opção.
  • As pessoas fazem a melhor escolha que podem no momento.
  • As pessoas funcionam perfeitamente.
  • Todas as ações têm um propósito.
  • Todo comportamento possui intenção positiva.
  • A mente inconsciente contrabalança a consciente; ela não é maliciosa.
  • O significado da comunicação não é simplesmente aquilo que você pretende, mas também a resposta que obtém.
  • Já temos todos os recursos de que necessitamos ou então podemos criá-los.
  • Mente e corpo formam um sistema. São expressões diferentes da mesma pessoa.
  • Processamos todas as informações através de nossos sentidos.
  • Modelar desempenho bem-sucedido leva à excelência.
  • Se quiser compreender, aja.”

Esses princípios, no entanto, estão nos livros que são destinados ao público em geral, para facilitar a aceitação da PNL, e, claro, servem também como um mecanismo de divulgação da própria. Mas, mesmo nesses princípios, se avaliarmos com cuidado, podemos notar o relativismo contido na expressão “todo comportamento possui intenção positiva”. Epicuro não faria melhor.

No decorrer dos livros de PNL, encontram-se muitas referências à crenças como “generalizações que fazemos sobre outros, sobre o mundo e sobre nós mesmos, que se tornam nossos princípios operacionais.”. Também não é raro encontrar essa explanação: “Agimos como se fossem verdadeiras e são verdadeiras para nós”, o que envolve muito da perspectiva do epicurismo.

Sendo que a programação deve envolver a obtenção dos resultados (através dos quais a comunicação será avaliada se foi positiva ou não), temos que compreender que o conjunto das técnicas de PNL está plenamente alinhado com os objetivos de Epicuro. Em termos filosóficos, é uma mistura de pragmatismo com epicurismo. Olavo de Carvalho abordou isso em seu “O Imbecil Coletivo”, quando citou que os novos pragmáticos, como Richard Rorty, não estão mais se importando com a validade das idéias, mas sim com o poder sedutor em transmiti-las, independente de sua validade.

Sendo que “crenças são apenas ferramentas” (e só podem ser avaliadas de forma pragmática), e há um conjunto de técnicas para manipular a mente dos outros, obviamente que a PNL é considerada pelos seus divulgadores como um “poder sem limites”. Ou seja, segundo essa idéia, alguém que dominasse as técnicas PNL teria um poder praticamente ilimitado, e, considerando que crenças são apenas julgadas como “úteis”, e não pelo seu valor de verdade, isso poderia gerar uma série de comportamentos amorais, correto? Até para isso os autores da PNL tem uma âncora (termo que tratarei adiante) para ajudar a vender a própria PNL. É mais ou menos assim: “Cuidado com o poder que você tem em mãos”.

Seja lá como for, a PNL é questionada em termos científicos em relação ao seu grau de rigor científico. Realmente, não podemos julgar a PNL em termos científicos e não há como validar se ela promete o que cumpre na questão das promessas que faz ao leitor. Já é o momento em que preciso diferenciar a forma como a PNL é vendida ao leitor, da forma que ela opera. Cientificamente, não é possível comprovar se a PNL realmente é capaz de fazer alguém, por exemplo, manipulando a própria mente e a dos outros, conseguir aumentar as chances de se tornar milionário em um período X de tempo. Justamente por essa ausência de rigor científico em relação à promessa feita ao leitor, eu não considerarei essa hipótese aqui. Não estou nem um pouco interessado no potencial da PNL em mudar a vida de seu leitor de maneira fundamental.

O que me interesso, por sua vez, é em como algumas das principais técnicas da PNL são utilizadas por algumas pessoas (no caso, os doutrinadores) para INFLUENCIAR o comportamento de outras. Nesse caso, considerarei a imposição de idéias que são comprovadamente falsas ou não verificáveis, mas que são aceitas pelos doutrinados. E mapearei as técnicas utilizadas para isso, que chegam ao ponto de limitar o pensamento e o comportamento do novo doutrinado, a ponto dele mudar a percepção da realidade. Como as idéias implantadas nele não são verdadeiras, mas inseridas a partir unicamente de métodos de persuasão, elas podem ser mapeadas perfeitamente com as técnicas PNL. Garanto que é um exercício no minimo interessante e, possivelmente, geraria material até para a criação de uma disciplina de estudo, podendo nem ser diretamente referenciada à PNL, mas a como alguém pode influenciar o comportamento de alguém através de manipulações linguísticas, tanto verbais como não verbais. Esse é o nosso objeto de estudo neste artigo.

Alguns dos conceitos e técnicas da PNL

Nesta seção e na próxima (“Metamodelo”) apresentarei apenas alguns dos conceitos e das técnicas da PNL. As técnicas são utilizadas para influenciar a outra parte pelo uso da linguagem. Não focarei no uso das técnicas para manipulação de si próprio, mas sim apenas nos exemplos de manipulação dos outros. Focarei principalmente, quando citar as técnicas, em como elas são executadas, e quais os resultados esperados. Naturalmente, assim como no artigo anterior, meus exemplos estão centrados principalmente na questão da doutrinação neo ateísta.

ESTADO ATUAL E ESTADO DESEJADO

Para os adeptos da PNL, uma mudança em qualquer campo (pessoal, profissional, ideológico, etc.) requer um objetivo, que deve ser claro. Por exemplo, no caso da doutrinação de alguém, isso envolve saber qual o estado atual e o desejado. Se no estado atual há um comportamento, junto com sentimentos e pensamentos de alguém, no estado futuro estes deverão ter sido substituídos por novos comportamentos, sentimentos e pensamentos. No contexto do neo ateísmo, um exemplo de estado atual é um conjunto de pessoas que são ateístas, mas não atacam a religião, ou até religiosos no “meio do caminho”. O estado desejado é transformá-las em anti-religiosos ferrenhos. Obviamente, há muito mais modificações de estado previstas no plano de ação dos autores neo ateístas, mas, como já dito, este é só um exempo.

COMUNICAÇÃO

Para a PNL, a comunicação abrange praticamente qualquer interação com outras pessoas, incluindo conversa normal, persuasão, ensino e negociação, conforme afirma Joseph O’Connor em seu “Introdução à Programação Neuro-Linguística”. Lembremos que, conforme já citado anteriormente, a comunicação será avaliada pelos resultados obtidos pelo comunicador. Os próprios autores reconhecem que em uma apresentação diante de um grupode pessoas, 55% do impacto é determinado pela linguagem corporal (postura, gestos e contato visual, 38% pelo tom de voz e somente 7% pelo conteúdo da apresentação). Os números vem do artigo “Inference of attitues from nonverbal communication in two channels”, do The Journal of Counselling Psychology, vol. 31, 1967, pp. 248-52. É importante notar que os líderes dos neo ateus anseiam por participar em fóruns, DVDs, palestras, congressos e outras formas de apresentações para para o grande público com o intuito de potencializar as idéias que defendem em seus livros.

EMPATIA

O termo usado na PNL para empatia é rapport. Significa compreender os sentimentos da outra parte e então se comunicar de forma a estabelecer uma atmosfera de confiança entre o comunicador e o ouvinte. Há várias formas de se criar empatia, incluindo o “Espelhar e Conduzir”, que é, na interação entre duas pessoas, copiar parte dos trejeitos do outro, suavemente, para que ele se sinta mais confortável. No âmbito de nosso estudo, podemos considerar o uso de linguagem de fácil acesso e postura mais informal (notem que raramente os neo ateus fazem uso de ternos), para estabelecer um elo mais forte.

PREDICADOS

Sendo que palavras são utilizadas para descrever os pensamentos, a PNL defende que a escolha feita das palavras deve ser mensurada em como ela irá facilitar o aumento da empatia ou não. No caso de aumento da empatia, aumenta-se o potencial de se alcançar o efeito desejado.

PENSAMENTOS E ESTADOS FISIOLÓGICOS

Os adeptos da PNL compreendem que os pensamentos influenciam na fisiologia humana. Isso, aliás, não é uma conclusão que é difícil de se chegar, pois a lembrança de um evento traumático pode fazer alguém suar frio. Esse é um exemplo de como eles encaram o potencial que o uso das palavras, se for planejado detalhadamente, pode causar nos ouvintes. Isso nos leva aos próximos conceitos: Evocação e Âncoras.

EVOCAÇÃO

Na PNL, compreende-se que os pensamentos influenciam, portanto, os estados fisiológicos. A evocação indica o processo utilizado para conduzir alguém a um determinado estado mental. Ou seja, causar uma sensação profunda, em termos emocionais, com o uso de terminologias adequadas (além de outras formas da comunicação não-verbal, que devem ajudar). Isso envolve até a atuação “confiante”, com cabeça erguida, utilizada por vários gurus de auto-ajuda. Da mesma forma, emoções negativas podem ser trazidas à tona. Por exemplo, quando Daniel Dennett compara a religião ao vício de tóxicos, ele está usando a evocação para causar sensações negativas, pelas lembranças do que seria a imagem de toxicômanos. O adepto de Dennett teria a sensação negativa de ver o que seria “ter religião” (com a sensação negativa associada), e, ao criticar os religiosos pode pensar que os está livrando de um mal terrível. Tudo, é claro, sem valia em termos do que realmente significa ser a religião, mas o objetivo da evocação não tem necessidade de tratar a realidade, e sim de obter os benefícios da comunicação, como já dito anteriormente. Se o exemplo foi útil, fica claro como a técnica da evocação é utilizada ad nauseam nos livros dos quatro autores principais do neo ateísmo.

ÂNCORAS

Se ocorre a evocação, que parte de um estímulo para se ligar a um estado fisiológico, os líderes da PNL definem um componente adicional, que é a âncora. Que seria o gatilho para disparar o estímulo. Um exemplo de fácil assimilação é quando um despertador toca. O toque do despertador é a âncora, a lembrança de que se precisa acordar é aquilo que seria chamado de evocação, e a sensação que se sente, caso não se acorde (o sentimento de que vários compromissos serão perdidos, inclusive profissionais) é o estado fisiológico desejado, no caso, o de preocupação. Vamos ao nosso contexto de novo. No caso, Christopher Hitchens utiliza como âncora o termo “servidão” (a Deus), que deve ser utilizado para a evocação da sensação de alguém sendo escravo de outro. Obviamente, no contexto religioso, não se é “escravo” de Deus, mas Hitchens programa o leitor para TER essa sensação, portanto ele escolheu a âncora adequada, buscando o efeito psicológico da servidão real. A qual, é claro, ninguém gostaria de se submeter. Um exemplo dos velhos tempos é o termo “Iluminismo”, que é basicamente uma âncora para lembrar a pessoa da sensação de estar em um lugar escuro, e ter então uma vela acesa e, enfim, se permitir ver coisas que não se viam antes. Não é surpreendente, portanto, que muitos dos iluministas tinham participações em escolas de pensamento ocultistas. Segundo Joseph O’Connor, as âncoras devem ser especiais e inconfundíveis, e fáceis de serem repetidas exatamente, e conectadas a um estado mental que seja claro e completamente revivenciado.

CRENÇAS

As crenças, para a PNL, são os mecanismos que influenciam profundamente o comportamento humano, motivam e dão forma a tudo que os seres humanos fazem. Na definição de O’Connor: “Crenças são princípios orientadores, mapas internos que usamos para dar sentido ao mundo. Elas proporcionam estabilidade e continuidade. Partilhar crenças com outras pessoas nos dá uma sensação mais profunda de empatia e de comunhão do que partilhar um mesmo trabalho”. É por isso que os estudiosos da PNL sempre procuraram técnicas para que as crenças das pessoas sejam modificadas, pela influência, e que o próprio usuário da PNL modifique suas próprias crenças. Como já mencionado anteriormente, a crença, no contexto da PNL, não precisa ser verdadeira, e sim apenas gerar os resultados desejados. O’Connor prossegue, ainda: “Podemos escolher nossas crenças, deixando de lado as que nos limitam e criando outras que tornarão nossa vida mais prazeirosa e mais eficiente.”. A importância desse conceito fluido de crenças para PNL é extremamente vital, e sem ele a própria disciplina perderia grande parte do seu impacto. O texto “O Príncipe e o Mago” mostra a visão dos estudiosos da PNL a respeito das crenças. Segundo eles, o controle absoluto das próprias crenças e manipulação das crenças dos outros, mostra que nada é real (“nada é verdeiro, tudo é permitido”), criando um novo leque de possibilidades. Isso seria o ato de fazer a magia, conforme o conto de Fowles.

Metamodelo

Diante disso tudo, o estudo do poder da linguagem passa a ser prioridade. Grinder e Bandler descobriram isso ao estudar dois terapeutas detentores de resultados excepcionais, Fritz Perls e Virginia Satir, que utilizavam uma série de perguntas enquanto colhiam informações. O importante dessa parte da PNL é que ela auxilia os seus especialistas não só a utilizarem um conjunto de técnicas, mas também a se livrarem delas quando observarem alguém aplicando-as. A seguir, alguns exemplos de padrões de comportamento observados no metamodelo.

SUJEITOS NÃO ESPECIFICADOS

Envolve a omissão do sujeito da frase pelo uso da voz passiva. Quando alguém diz “as crenças foram selecionadas”, não está sendo mencionado o sujeito. Naturalmente, para nos livarmos desse truque é importante solicitar que a outra parte especifique o sujeito.

VERBOS NÃO ESPECIFICADOS

Nesse caso, um verbo deixa de ser especificado, como na afirmação de Sam Harris: “A crença no martírio causa o suicídio”. No caso, é escondida a informação de como isso é feito. Por exemplo, a pergunta a ser feita como antídoto é “como a crença no martírio causaria o suicídio?”

COMPARAÇÕES

Tanto esse como o próximo exemplo são normalmente encontrados juntos (julgamentos e comparações). Em termos de propaganda, encontramos vários exemplos. No caso do discurso neo ateu, geralmente encontra-se exemplos como “A hipótese Deus não responde a isso satisfatoriamente”. Note que está sendo omitida a comparação. Um antídoto pode ser questionar: “Deus não é uma hipótese satisfatória em relação a que?”.

JULGAMENTOS

Como já mencionado anteriormente, os julgamentos são os grandes aliados das comparações, ainda que não necessariamente englobem comparações. Um exemplo é quando alguém diz: “O religioso é um irracional”, pode-se questionar, em retorno: “Por quais padrões você julga se ele é um irracional”. Os exemplos para refutar a tese de irracionalidade dos religiosos já foram mostrados ad nauseam neste blog. Muitas vezes é extremamente importante descobrir o VESTED INTEREST de quem faz o julgamento. Quais as razões do julgamento? São as razões da pessoa ou razões impostas a ele? O quanto o julgamento é válido? Assim, uma das formas de se quebrar o uso indevido do julgamento é questionar quem está emitindo o julgamento e sob quais bases ele é feito.

SUBSTANTIVAÇÕES

Esse padrão manifesta-se através do uso de um verbo que descreve um processo continuo e é transformado em um substantivo. Esse é um exemplo: “O método científico nos garante que encontraremos as respostas mais próximas à realidade, neste experimento”. Aparentemente, não há nada de errado, mas o sentido foi completamente alterado em relação ao que realmente ocorre. No caso, o verbo “utilização” (do método científico) foi suprimido e transformado em apenas um substantivo, “método científico”. Outro exemplo é visto quando se usa a expressão “A religião causa conflitos”, sendo que o verbo escondido está aqui: “O ato de manipular pessoas através de doutrinas (inclusive políticas, religiosas, anti-religiosas) pode levar a conflitos”. Dentro do metamodelo, as substantivações são considerados mecanismos poderosíssimos. Muitos preconceitos, inclusive contra raças, etnias, religiões são causados pelo uso indevido das substantivações.

OPERADORES MODAIS DE POSSIBILIDADE

Exemplo de operadores modais de possibilidade incluem “Posso/não posso” ou “Possível/Impossível”. São expressões linguísticas utilizadas para definir o que é possível ou não. Por exemplo, quando alguém diz que “Não é possível para alguém ter fé e razão”, é preciso lhe questionar como ela define fé, e de como ela define que não seria possível que alguém consiga compatibilizar fé e razão. O mero conhecimento dessas terminologias, e o questionamento dessas limitações alegadas, já permite a quebra deste recurso.

OPERADORES MODAIS DE NECESSIDADE

Parecidos com os operadores modais de possibilidade, estes são feitos para pressupor necessidades, e normalmente são indicados pelo uso inadequado das expressões “deveria” e “não deveria”, ou “tenho que” e “não tenho que”, ou “sou obrigado a” e “não sou obrigado a”. Geralmente, alguém, ao usar este padrão de comportamento, inclui uma regra de conduta que não é tornada explícita. Veja um exemplo: “O religioso deve ignorar a ciência e suas descobertas”. Uma forma de descobrir esse logro é questionar as consequências e as razões para o comportamento sugerido. Veja um exemplo: “O que aconteceria se o religioso não ignorasse as descobertas científicas?”. Note que, ao conhecer os problemas conceituais dos principais autores neo ateus quanto à definição de ciência e até quanto ao comportamento religioso, é possível explorar as enormes fragilidades deste padrão de comportamento. Imagine, por exemplo, em uma escola, quando esse operador modal de necessidade é utilizado da seguinte forma: “Para acreditar em Darwin, é preciso ser ateu”.

QUANTIFICADORES UNIVERSAIS

Aqui é o padrão comportamental que ocorre quando um exemplo é tomado como sendo representativo de um número muito grande de possibilidades. Em termos lógicos, conhecemos esse padrão como falácia da generalização apressada. Obviamente, não é possível ser específico o tempo todo, mas este padrão deve ser notado quando a generalização omite alguma informação importante. Um exemplo é quando um neo ateu diz “Os religiosos são incultos”, usando, como isso, exemplo de algumas declararções de religiosos incultos selecionadas especificamente para exprimir essa generalização. Em termos de questionamento, a demolição deste padrão começa ao se questionar “Todos os religiosos são incultos?”. E daí por diante.

EQUIVALÊNCIA COMPLEXA

Padrão que ocorre quando duas afirmações são ligadas como se significassem a mesma coisa. No artigo a seguir tratarei de um exemplo já abordado mais de uma vez neste blog, em que Richard Dawkins usa algo assim “O religioso acredita na Bíblia… ele acredita na autoridade”. Para quebrar este padrão, a simples pergunta inicial pode ser: “De que maneira isto significa aquilo?”.

PRESSUPOSIÇÕES

Aqui, crenças e expectativas são construída a partir da experiência pessoal da pessoa. Essa faceta observa-se no discurso de quando alguém questiona: “Por que o religioso optou por não acredita na teoria da evolução?”. Isso, é claro, é apenas parte do preconceito causado por uma generalização em que é determinado que se alguém for religioso terá que ser anti-evolução. Para trazer as pressuposições à tona, a seguinte pergunta pode funcionar: “O que o leva a acreditar que eu, como religioso, não acredito na teoria da evolução?”.

RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO

Este padrão é uma especialização do padrão da Equivalência Complexa. No caso, a diferença está no fato de que na relação de causa e efeito, um suposto efeito tem uma determinada causa, e esta é apresentada como determinante do efeito alegado. Vamos ao exemplo: “Eu até pensaria em respeitar um religioso, mas eles não admitem a discussão de suas crenças”. Ou seja, a causa é “religiosos não admitem a discussão de suas crenças” e o efeito é “ele não respeitar os religiosos”. Obviamente, se questiona a relação com perguntas como “Como exatamente o religioso não admite a discussão de suas crenças?”. Sugiro até um questionamento que também funciona para investigar as comparações “Em que proporção o religioso não admite a discussão de suas crenças em oposição à proporção de neo ateus?”.

LEITURA DA MENTE

Este padrão ocorre quando uma pessoa pressupõe saber o que o outro está pensando ou sentindo. Já o apresentei no blog dentro da Técnica “Leitura Mental”. No contexto do discurso neo ateu, é utilizado geralmente para atribuir pensamentos ao religioso. Um exemplo evidente é no estratagema “Ele busca religião, portanto precisa de consolo”, que além de ser uma relação de causa e efeito não comprovada, também atribui a leitura da mente do outro para “adivinhar” que ele precisa de consolo.

A mãe de todas as técnicas: a ressignificação

Essa é uma das grandes técnicas utilizadas pelos autores neo ateus. O estudo de livros de vários outros tipos de gurus irá mostrar que provavelmente deve ser utilizada por eles também. A técnica é tão relevante no conteúdo do material desses autores que eu tive que deixar uma seção deste artigo só para falar dela. A ressignificação (ou transformação do significado) envolve atribuir novos significados a acontecimentos ou conceitos através de uma mudança da visão de mundo da outra parte (o ouvinte, o leitor, etc.). Todas as técnicas de metamodelo podem ser utilizadas para isso. Em termos de discurso lógico, os estratagemas erísticos “Rótulo Odioso” e “Manipulação Semântica” são exemplos claros da ressignificação. Para se construir uma falácia do espantalho, também está sendo feita uma ressignificação. No caso da ressignificação de conteúdo, que é a tratada aqui (no contexto de geração de novos adeptos para uma doutrina), o conteúdo de uma experiência é redefinido como aquilo em que a pessoa deve concentrar sua atenção. O significado, para o doutrinador, pode ser o que ele quiser, desde que ele utilize as padrões, evocações e âncoras adequadas.

Para definir as ressignificações adequadas, os autores do neo ateísmo naturalmente selecionaram as ressignificações com precisão, pois o objetivo é bem claro: produzir militantes contra a religião. Vamos a apenas alguns exemplos de ressignificações (algumas delas já foram avaliadas aqui na seção “Conhecendo o Inimigo”):

DEUS COMO AMIGO IMAGINÁRIO

Com essa ressignificação, o autor neo ateu busca, através de maquiagens dos termos “Deus”, “Amigo” e “Imaginário” tentar associar o comportamento do religioso com o de uma criança. Isso terá valor de efeito psicológico positivo no novo adepto, que se sentirá em superioridade em relação ao religioso, o qual será, naturalmente, tratado como uma criança (ao passo que ele é o “adulto”).

A PESSOA COMO CIÊNCIA

Aqui o neu ateu personifica a ciência, e termina dizendo que todas as suas ações são, na verdade, ações da ciência. Um exemplo é quando Daniel Dennett diz que quer que os religiosos se apresentem a ele para avaliação de quais crenças religiosas seriam adequadas. Em várias dessas proposições ele afirma: “Deixemos que a ciência avalie”. Isso causa um efeito psicológico nos seus leitores, de que ele seria “a ciência em si”.

ATEÍSMO COMO CIÊNCIA

A associação de ciência com tecnologia nos permite saber o quanto a ciência é benéfica. Travestir os líderes dos neo ateus, e também vários de seus seguidores, como mais representantes “da ciência” do que do “ateísmo” é um gancho poderoso, e psicologicamente tem seus efeitos. Para ele funcionar, são utilizadas várias âncoras que ao mesmo tempo tentem moldar conceitos para fingir que o ateísmo é a representação da ciência (e, portanto, a religião seria a antítese da ciência) e ajudem bastante a simular uma dicotomia entre ciência e religião, o que também facilita a venda dessa idéia para os novos adeptos.

CIÊNCIA COMO DONA DA REALIDADE

Para desqualificar todos outros ramos de conhecimento, é preciso qualificar um ramo que tome conta de todos, eliminando os outros. Este é o estratagema principal do cientificismo. Mesmo que a ciência estude a realidade física e tangível (e os neo ateus já utilizaram, provavelmente, o truque de associar ateísmo à ciência), basta substituir o termo “realidade física e tangível” por “toda a realidade”. Isso, é claro, seria usado para tentar negar Deus.

FÉ COMO FÉ CEGA

A fé cega é a crença em algo só por que alguém lhe disse, sem o uso do raciocínio crítico. É algo condenável na maioria absoluta das religiões. Mesmo assim, a ressignificação do neo ateu costuma dizer que toda fé é uma fé cega, com o intuito de simular que o religioso não teria raciocínio crítico.

RELIGIÃO COMO CONSOLO

Já abordado anteriormente, esse tipo de estratagema visa simular que o religioso estaria precisando de consolo, portanto em situação de fragilidade. Ora, se o oponente está em situação de fragilidade, e o neo ateu não, este poderia se sentir em situação de superioridade.

MORAL COMO PRODUTO DA EVOLUÇÃO

Para permitir que o neo ateu não considere a religião mais como importante para a solidificação da moral, esta ressignificação significa transmutar todos os comportamentos básicos de empatia, vistos no mundo animal, em “exemplos da moral”, e, então, simular que a moral existiria mesmo sem a religião. Tecnicamente, até poderia existir, mas seria a moral como nossa sociedade a conhece? Isso não importa, pois muitos dos leitores dos autores neo ateus já acreditarão de antemão que a moral independe de religião basicamente com este truque.

CÉTICOS CONTRA CRÉDULOS

Um dos joguetes mais utilizados é não se rotular como ateu, mas sim como cético, em contraposição ao teísta, que seria o crédulo. Tecnicamente, o ceticismo não pertence a um grupo específico, e é contextual. Por exemplo, um teísta é cético quanto ao paradigma ateísta, ao passo que o ateísta é cético em relação ao paradigma teísta. Embora seja uma técnica extremamente simples de manipulação linguística (e facilmente perceptível), muitos ateus se rotulam como céticos, e, de maneira mais bizarra ainda, muitos teístas ainda acreditam que lutam “contra o ceticismo” mas não “contra o ateísmo”. Notem vários autores teístas que afirmam “resposta aos céticos” quando na verdade estão “respondendo aos ateus” ou no máximo “aos céticos quanto ao teísmo”. O efeito psicológico é surpreendente, pois se um cético é o que questiona, e o crédulo é o que crê, muitos acabam achando que o religioso é o único que deve respostas, mas o ateu não (pois ele seria “o cético”).

FÉ VERSUS RAZÃO

Razão é uma palavra fortíssima. Todos gostariam de ter razão. Um exemplo é quando um sponsor demonstra que o seu projeto é o mais qualificado para ser aprovado. Ele está com a razão, e pronto. Logo, é difícil definir, se o ateu ou teísta é “dono da razão”. Tecnicamente, com um argumento ruim, o teísta pode estar sem a razão, e o mesmo pode ocorrer com o ateu. Enfim, quem comete erros lógicos, em um debate, obviamente se distancia da razão. Para o autor neo ateu o truque é fingir que o ateu está sempre com a razão, pois ele estaria distante da fé (lembrem-se do truque “Fé como Fé Cega”). Esse estratagema permite que o adepto do neo ateísmo jamais precise atribuir razão ao teísta, pois, por essa ressignificação, o teísta jamais teria “razão” (por ter fé).

GENE EGOÍSTA E MEMÉTICA

Essa dupla de grandes ressignificações feitas por Richard Dawkins alcançou grande sucesso, e vários adeptos, inclusive cientistas, não abrem mão de usá-las por nada nesse mundo. Para o Gene Egoísta, Dawkins quis retirar qualquer sentido da vida humana, portanto orientou tudo para benefício dos genes. Para isso, ele teve que maquiar as idéias da seleção multi-nível, e simular que a seleção na verdade é orientada ao gene. A memética é ainda mais bizarra, pois se baseia em maquiar as idéias como se fossem entidades passíveis do processo de seleção natural. Claro que não são, pois a seleção natural ocorre apenas com seres vivos. O objetivo principal da memética é dizer que os religiosos seriam vulneráveis aos memeplexos da religião (ele chamou isso de “vírus da mente”). Ora, o termo “vulnerável” é obviamente pejorativo. Nenhuma das duas teorias chega perto de ser científica, mas muitos foram seduzidos por essas idéias. Devemos estudar, aliás, o aceite de teorias como gene egoísta e memética não por sua validade, mas sim pelo efeito psicológico que causam naqueles que acreditam nelas. Tecnicamente, são apenas ressignificações de conteúdo.

O Super-Homem: crença no poder pessoal sem limites

Se vimos até agora as técnicas tradicionais da PNL aplicadas no discurso dos autores neo ateus para formatar novos adeptos, ainda falta observarmos a origem de um comportamento específico: a ilusão de superioridade. Grande parte da postura do neo ateu é de extrema arrogância, pois tacham todos os outros de “incapazes” (ao passo que ele é o capaz). Não difere muito dos leitores de auto-ajuda, que, após receber algumas palavras edificantes, sentem-se inabaláveis por qualquer coisa. Naturalmente, todas as ressignificações utilizadas anteriormente ajudaram a criar este tipo de perfil, praticamente patológico. Mas é preciso de um componente adicional: a auto-ajuda.

Antes de tudo, auto-ajuda e PNL não são a mesma coisa, embora quando a PNL é vendida ao leitor como o “poder sem limites” isso traz traços da primeira. Mas é fácil distinguir ambas: enquanto a PNL traz um conjunto de técnicas que podem ser utilizadas para obter resultados (inclusive terapêuticos), a literatura de auto-ajuda é aquela em que um autor procura ensinar formas de aprimoramento econômico, espiritual, intelectual ou emocional aos leitores. Enfim, o autor de auto-ajuda utiliza vários recursos de PNL para supostamente levar seus leitores a obter os resultados.

Um componente específico do discurso de auto-ajuda é o pensamento positivo e a manutenção da ilusão de poder (“você pode tudo”). Segundo Arnaldo Chagas (autor de “A Ilusão no Discurso de Auto-Ajuda”), os autores de auto-ajuda são

[...] profetas da sociedade contemporânea, produtos da modernidade, ou, como preferem alguns autores, da pós-modernidade, enfim, são mestres modernos que usam, ou se ocupam, como tantos outros, de referenciais da cultura moderna e contemporânea para proferir os seus discursos atrativos, imediatistas, miraculosos e superficiais. Os seguidores da auto-ajuda, que se orientam pelas sugestões imponentes e fascinantes de seus líderes, não buscam, não toleram e nem preferem experimentar a verdade, que produz mal –estar e incerteza. Na realidade, como casuístas, necessitam de ilusões, de promessas. É, desse modo, que são levados às influências das proposições dessas literaturas, tornando-se, pois, tolerantes aos seus ensinamentos e, consequentemente, a seus mestres. Portanto, são facilmente sugestionáveis e seduzidos. O julgamento crítico dos indivíduos sugestionáveis ou seduzidos são debilitados, superficiais, e as sensações sentidas a partir de um imaginário “dilatado” passam a ser de júbilo e de satisfação.

Interpretando isso, temos que entender que a ilusão de superioridade, garantida através de um discurso sedutor de um guru, dificilmente será abandonada. Um exemplo está nos treinamentos de um dos mestres da auto-ajuda no Brasil, Lair Ribeiro. Normalmente, no início dos treinos (que são executados em finais de semana, e custam 2.000 reais por pessoa, em média – incluindo o hotel), começam em um palco onde é tocada a música Also spach Zaratrustra, de Strauss, justamente para relembrar o início do filme “2001: Uma Odisséia no Espaço”. A metáfora de Lair é clara: os participantes do treinamento dele saem de um estágio para outro, assim como os macacos aprenderam a usar a tecnologia, como é vista no início do filme.

O discurso sedutor é exatamente o mesmo (embora com objetivos diferentes) para os autores neo ateus. Do início ao fim das obras desses autores (incluindo-se aí desde Carl Sagan), existem mensagens aos seus leitores de que “eles podem mais”, de que “pensam” (ao passo de que os outros não), de que são “críticos” (ao inverso dos outros) e daí por diante. Essa ilusão confortante, de achar que se tornou mais “racional” apenas pelo aceite do paradigma neo ateísta, é algo de que não vão largar, mesmo que todas as ressignificações citadas anteriormente sejam quebradas diante de seus olhos com uma mera análise lógica.

Quando seu conjunto de crenças, obtido a partir dos gurus, é demolido, eles passam a tratar este questionador (como eu sou, neste blog) como um inimigo. Os questionadores se tornam aqueles que lhes tiram a ilusão do conforto. A ilusão do Super-Homem. Esta ilusão do Super-Homem explica por que eles se tornam tão confiantes quando estão em público divulgando suas doutrinas (lembremos: a programação que eles sofrem é para sairem militando em nome do neo ateísmo, portanto, contra as religiões).

Conclusão

As técnicas de reforma do pensamento, citadas no artigo anterior, por si só teriam seu efeito, mas por que não usar tudo que a PNL tem trazido para potencializar os efeitos da reforma de pensamento? Este artigo trouxe exemplos, retirados diretamente do discurso e do comportamento dos principais autores neo-ateus, que executam tecnicamente a função de gurus, aplicando técnicas de PNL para cima de seus leitores (*), além de usarem o discurso de auto-ajuda para que eles sintam além de tudo a ilusão de superioridade. No caso das técnicas de PNL, exemplos retirados diretamente dos livros batem perfeitamente com todos os recursos de Metamodelo mapeados por Fritz Perls e Virginia Satir e que se tornaram parte essencial do estudo terapêutico. Associar esses recursos à coincidência seria apostar na hipótese menos parcimoniosa, de modo que claramente podemos identificar o discurso neo ateísta, a partir dos líderes, como um processo de reforma de pensamento potencializado por recursos da PNL. Em relação à reforma de pensamento, ainda há uma última técnica a abordar, que será tratada na parte 9 deste ensaio: “O Neo ateísmo como subproduto de outra coisa”. A técnica é o Apelo à Autoridade.

(*) É importante fazer esta diferenciação também. Aplicar uma técnica de PNL para cima de alguém NÃO É O MESMO QUE ensinar PNL ao outro. Os autores neo ateus não citam a PNL em nenhum de deus livros. Mas programam sua linguagem toda para reformar o pensamento dos leitores ATRAVÉS das técnicas PNL, dentro de um conjunto ainda maior que inclui as outras práticas de reforma do pensamento, citadas no artigo anterior.

Kirk Cameron dá uma lição de como NÃO debater

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O papelão que Kirk Cameron e seu amigo (também cristão) fizeram neste debate é tamanho, tão vergonhoso (para eles) que dá até para suspeitar se são cristãos mesmo ou ateus disfarçados.

Os caras vão em um debate e não sabem nem responder a um estratagema dos mais simples como: “se Deus é eterno, por que o universo não pode ser eterno?”.

Além do mais, o neo ateu aplica a inversão de planos (obviamente, ele quer que a questão seja levada para o aspecto cosmológico, em perspectiva cientificista), e o Kirk Cameron não percebeu.

Ora, se o debatedor neo ateu está julgando o universo pela perspectiva científica, ele terá que considerar que a teoria do universo estático (e eterno) já foi falseada há muito tempo. A própria teoria do multiverso não fala que o NOSSO universo é eterno. E essa teoria está distante de ser validada. Claro que a pergunta do neo ateu, questionando a possibilidade do universo ser eterno não só é inválida como também não passa pela Navalha de Ockam.

O erro de Cameron, ao não ter percebido isso, é imperdoável.

Com cristãos desse naipe, quem precisa de neo ateus?

E do lado dos neo ateus, a falta de vergonha na cara é também evidente.

É claro que os neo ateus vão usar a participação torpe do Cameron para dizer “ah, estão vendo! isso é um cristão em debate”.

Engraçado que não conseguem explicar por que Richard Dawkins fugiu do debate com William Lane Craig até hoje.

Motivo: neo ateu é geralmente um covarde.

Ele prefere bater nos fracotes, mas foge dos cenários em que encontra debatedores à altura.

E, voltando à perspectiva de nós, cristãos, nós também não precisamos dos fracotes, pois estes só servem para fazer gol contra.

Escrito por lucianohenrique

abril 24, 2010 em 12:45 pm

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Bertone estava certo mesmo… e mais de uma vez

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Diretamente da Acid Digital, vem a notícia em que é mencionado o psiquiatra americano Richard Fitzgibbons, mostrando que Bertone estava correto ao associar pedofilia à homossexualidade:

WASHINGTON DC, 20 Abr. 10 / 10:50 am (ACI).- O perito psiquiatra americano Richard Fitzgibbons, especialista no tratamento de sacerdotes que cometeram abusos contra menores, explicou que o Secretário de estado, Cardeal Tarcisio Bertone, tem razão ao vincular a pedofilia com a homossexualidade.

O Dr. Richard Fitzgibbons explicou à agência ACI Prensa que “os comentários do Cardeal Bertone se sustentam totalmente no estudo John Jay e na experiência clínica. De fato, todos os sacerdotes que tratei que estão envolvidos sexualmente com crianças estiveram envolvidos previamente em relações homossexuais adultas”.

Desde 1988 este psiquiatra foi diretor do Comprehensive Counseling Center em West Conshohocken, Pensilvânia ele é também consultor da Congregação para o Clero.

Em uma carta que escreveu aos bispos em 2002, o Dr. Fitzgibbons explica que nos sacerdotes com estes problemas se podia apreciar “uma dor emocional profunda” durante a infância, problemas em sua relação com os pais, rechaço de seus semelhantes, falta de confiança masculina e pobre auto-estima. Estas experiências, assinalava o médico, faziam que os sacerdotes dirigissem sua tristeza e amargura contra a Igreja, seus ensinos em moral sexual e o Magistério.

A carta também afirma que este tipo de sacerdotes envolvidos em abusos de menores “negam com freqüência o pecado em suas vidas. Com freqüência rechaçam examinar sua consciência, aceitar os ensinos da Igreja em temas morais como guia de suas ações ou acudir regularmente ao sacramento da reconciliação”.

Uma característica negativa destes presbíteros, diz o experiente psiquiatra, é “que também se negam procurar direção espiritual ou escolhem um diretor espiritual ou confessor, que abertamente se rebela ante os ensinos morais ou de sexualidade da Igreja”.

Ao ser perguntado pela ACI Prensa sobre alguns novos dados da publicação da carta, o Dr. Fitzgibbons enfatizou o problema do narcisismo: “esta debilidade epidêmica da personalidade no ocidente predispõe aos indivíduos à ira excessiva, à própria adoração, à rebelião contra Deus e sua Igreja, particularmente em relação à moral sexual”.

Ao explicar os dados do estudo dos investigadores do projeto John Jay, o psiquiatra assinala que 81 por cento das vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero são crianças ou adolescentes varões. Destes, 51 por cento entre 11 e 14 anos, 27 por cento entre 15 e 17, 16 por cento entre 8 e 10; e 6 por cento abaixo de 7 anos.

Depois de assinalar que no caso de que existam sacerdotes com atração sexual por pessoas do mesmo sexo, é vital que eles recebam atenção psiquiátrica, o Dr. Fitzgibbons assegura que “observamos que muitos sacerdotes crescem em santidade e felicidade em seu ministério como resultado da cura de sua insegurança masculina sofrida quando eles foram meninos ou adolescentes, da solidão e da ira, e em conseqüência, também de sua atração pelo mesmo sexo”.

E outra, também da Acid Digital, em que um perito psicólogo espanhol, José María Amenós Vidal, fala da correção das observações de Bertone:

SANTIAGO, 22 Abr. 10 / 05:22 pm (ACI).- O Jornal do Chile publicou em sua edição da sexta-feira 16 de abril um artigo do perito psicólogo espanhol José María Amenós Vidal que leva por título: “O Cardeal Tarcisio Bertone e a evidência científica que corrobora a relação entre homossexualidade e pedofilia”, no qual o perito dá razão ao Cardeal quem afirmou durante sua visita ao Chile a existência deste vínculo.

Amenós Vidal é licenciado em Psicologia Clínica e Social, está dedicado desde 1984 à docência e investigação na Faculdade de Filosofia e Ciências da Educação da Universidade Central de Barcelona (Espanha), e é Diretor de Seminários nos Departamentos de Psicologia Geral e Social da Faculdade de Psicologia da mesma.

O artigo foi enviado aos meios de comunicação do Chile, em resposta às desmesuradas críticas e manifestações que se produziram como conseqüência das declarações feitas pelo Secretário de estado em Santiago, e que somente pretendiam constatar uma realidade, explicada por outros peritos como o psiquiatra americano Richard Fitzgibbons, especialista no tratamento de sacerdotes que cometeram abusos contra menores.

O artigo de Amenós explica ao princípio que “o reconhecido médico e psiquiatra espanhol, o professor e doutor Aquilino Polaino, reafirmou-se com autoridade na matéria no tratamento da homossexualidade como uma patologia mental, que deve ser tratada no âmbito da consulta psiquiátrica e conforme seja o enfoque paradigmático do terapeuta em consonância com um modelo já proposto para a ciência psicológica por Gerard J. M. van den Aardweg, catedrático e psicólogo holandês, que há anos atrás decifrou as chaves desta enfermidade e seu tratamento”.

“O modelo análogo para a ciência psicológica do programa Aardweg, mostra-se em clara oposição e confrontação com a primeira e segunda escola vienense de psicanálise de Sigmund Freud e Alfred Adler, porque os psicanalistas ortodoxos e heterodoxos defenderam sem base científica que a homossexualidade se deve a fatores hereditários, quando desta hipótese que foi absolutamente descartada na atualidade por sua incongruência com os resultados das investigações científicas, conclui-se que efetivamente o meio social é seu principal fator que a desencadeia”.

Desde este ponto de vista, prossegue o perito, “as recentes afirmações do Secretário de estado do Vaticano, o Cardeal Tarcisio Bertone, em sua recente viagem ao Chile, corroboram a evidência científica que deriva de estudos estatísticos e correlativas entre homossexualidade e pedofilia, questão investigada mediante modelos homólogos pelo campo da etologia (…), em um estudo que foi apresentado precisamente e com este propósito no Primeiro Congresso Nacional de Etologia e Psicologia Comparada organizado pela Universidade do Chile (16-18 outubro 2008) e que expõe entre outras, estas conclusões”.

O artigo do Dr. Amenós também explica que estes resultados respondem “aos enganos da psicanálise com respeito à homossexualidade, porque não é resultado da herança genética, e do evolucionismo em relação com a pedofilia, porque não é independente do entorno mas aparece de forma correlativa ou simultânea como transtorno de conduta em um ambiente hostil”.

Meus comentários

As duas notícias foram publicadas, respectivamente, nos dias 20 e 22 de abril deste mês no Acid Digital.

Só que… a segunda delas refere-se à uma notícia de jornal publicada no dia 16 abril.

Tempo suficiente para estar em nossos jornais. Mas hoje estamos no dia 23 de abril e até agora NADA se fala do assunto na mídia nacional. Por que será?

Eu sei os motivos: além da tradicional estratégia gramsciana, também temos a mania do politicamente correto. Ou seja, falar mal da Igreja Católica pode, mas demonstrar um FATO CIENTÍFICO a respeito dos homossexuais não pode.

Se bem que os politicamente corretos e os gramscianos tem tudo a ver.

Escrito por lucianohenrique

abril 23, 2010 em 11:21 pm

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