Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Pt. 7 – Lavagem cerebral e reforma do pensamento

Chegamos a uma parte de nosso estudo onde começamos a entrar em um terreno pantanoso, até perigoso, mas extremamente esclarecedor. É um território polêmico, onde vários estudos já foram feitos, mas ainda não há um consenso. Esse consenso não é importante para a nossa abordagem, pois os pontos de divergência não causam impacto em nosso objeto de estudo. As discordâncias são quanto ao fato de se as pessoas vítimas de lavagem cerebral são responsáveis ou não pelo que ocorre à elas. Para fins deste estudo, se são ou não isso não é relevante.
Também não focarei apenas na lavagem cerebral em si, mas também nas mais simples estratégias de reforma do pensamento, que, em conjunto, podem ser chamadas de lavagem cerebral. Com isso, o objetivo é entender não apenas a doutrinação de um novo intelectual orgânico, conforme vimos no artigo sobre a estratégia gramsciana, como também as diversas iniciativas para a reformulação do senso comum.
A abrangência do assunto é tamanha que só exploraremos as diversas variedades das reformas de pensamento nessa questão do neo ateísmo com 3 artigos, sendo este o primeiro. O seguinte é aquele em que tratarei do uso das técnicas de Auto-Ajuda e PNL na reforma mental, e o derradeiro é a parte 9, em que explicarei o habilitador para o neo ateísmo na perspectiva da teoria da evolução.
A formatação da mente das novas gerações
O início do uso do termo lavagem cerebral é recente, ocorrendo a partir dos anos 40, principalmente com o estudo dos ocorridos na China. A referência inicial era quanto aos métodos de reforma de pensamento dos prisioneiros de guerra. Quando os americanos começaram a estudar o que havia ocorrido com vários prisioneiros que estavam nas mãos dos comunistas chineses, durante a Guerra da Coréia (que durou de 1950 a 1953), o termo ganhou popularidade. A partir dali, notou-se que as mudanças comportamentais causadas tendiam a ser permanentes.
Quando o assunto foi estudado pela CIA, o objetivo era compreender como uma grande porcentagem de soldados norte-americanos foi para o lado inimigo mesmo após terem sido prisioneiros, um evento até novo se considerarmos as guerras anteriores. Cerca de 21 soldados americanos se recusaram a voltar para casa após o término da guerra. As investigações americanas levaram à descoberta de uma série de técnicas utilizadas sobre os prisioneiros, que iam desde a privação do sono até tortura psicológica, sempre tentando fazer ruir a autonomia moral dos indivíduos e a manipulação não só da identidade como de todo o código moral deles.
O que é importante é saber que a psicologia adotou o estudo da lavagem cerebral, mas utilizando a partir daí uma nova terminologia: reforma do pensamento, destinada a estudar o comportamento das massas e a aplicação de técnicas de engenharia social na questão. Obviamente, nesse contexto, já não tratamos mais de um cenário de aprisionamento de pessoas e tortura psicológica, mas sim de uma série de reformas de pensamento sutis, que em muitos casos podem ser orientadas a um objetivo externo à pessoa.
A compreensão da engenharia social pode nos ajudar a entender melhor este panorama. A engenharia social é uma disciplina dentro da ciência política e trata do conjunto de iniciativas para influenciar o comportamento de massa em larga escala, podendo surgir tanto a partir de grupos particulares como do governo. A tendência é que governos autoritários utilizem mais das práticas extensivas de engenharia social. Nos anos 20, o governo da União Soviética iniciou uma campanha para alterar radicalmente o comportamento do cidadão russo, juntamente com seus ideais, na tentativa de substituir o modelo social cultural da Rússia dos Czares por uma nova cultura, a do Novo Homem soviético. Na campanha, foram utilizados os mecanismos da mídia, livros, cinema, etc. A estratégia gramsciana é um modelo de engenharia social, diga-se.
No caso da reforma de pensamento das massas, podemos considerar principalmente o estudo do pensamento grupal, que pode ser definido como um conjunto de idéias exibidas pelos membros de um grupo. Esses membros do grupo normalmente tentam minimizar o conflito e alcançar o consenso sem o teste crítico, análise e avaliação de suas idéias. O estudo do pensamento grupal, aliás, é extremamente importante nas implementações de novos processos nas organizações, pois é possível encontrar grupos de pessoas que podem levar um projeto ao fracasso pelo compartilhamento de uma série de idéias em comum. Nesse caso, o problema não está nas idéias do grupo em si, mas sim na irredutibilidade deles em caso das idéias serem comprovadamente equivocadas ou não suportadas por fatos.
É essencial notar a diferença entre estipulação de pensamento grupal e reformulação do senso comum. A reformulação do senso comum não requer necessariamente um pensamento grupal. No caso da reformulação do senso comum, por exemplo, podemos considerar todo o aceite que ultimamente é feito das idéias anti-religiosas publicadas pela mídia. Não podemos dizer que parte dos leitores, anestesiados pelas notícias (e até aceitando várias delas, já sem senso crítico, por causa da repetição), sejam um grupo homogêneo. Eles são vítimas de um processo de reforma de pensamento. Já uma investigação do comportamento dos neo ateus, como um grupo, estabelece claramente um caso de pensamento grupal. Uma evidência disso é o compartilhamento dos objetivos, similaridade de discurso, idolatria aos mesmos ídolos, rejeição ao pensamento discordante, e absoluta ausência de senso crítico na discussão de assuntos contra a ideologia neo ateísta.
E o que tem a ver a engenharia social com o pensamento grupal, e o novo senso comum na questão do neo ateísmo? Vamos então a como funciona: no contexto da engenharia social, a iniciativa seria a redução da influência da religião e diminuição do seu poder. Essa estratégia é aplicada por grupos ideológicos de esquerda (nos Estados Unidos, os liberais, e, no Brasil, os liberais e os marxistas). Dentro desse framework, é preciso ter vários grupos atuantes. Os liberais, como um todo, ocupam um papel, assim como os marxistas. Todos estes são anti-religião, e há um pensamento grupal neles, mas nem todos, é claro, são ateístas ou neo ateístas. O neo ateísmo acaba sendo a nova estipulação de um pensamento grupal, ou, melhor, um NOVO GRUPO específico para atuar de maneira mais focada nos ataques contra a religião. Sendo o neo ateísmo um grupo focado, mas não o único (é apenas o mais estridente desses grupos), eles tem um papel FUNCIONAL na reformulação do senso comum. Resumindo, ao final o objetivo global é apenas um: reformulação do senso comum.
Portanto, devemos estudar aqui não só o que gera o pensamento grupal, como também o que permite as diversas reformulações do senso comum. Tudo, é claro, dentro da questão da engenharia social. Obviamente, falaremos da lavagem cerebral tradicional (com pessoas “confinadas” e tudo o mais), mas o principal para a nossa abordagem é considerar os modelos de reforma do pensamento na criação de formas de pensamento grupal, as quais serão funcionais na reformulação do senso comum.
Já antecipo uma possível crítica hipotética aqui: “como você pode querer tratar ao mesmo tempo a lavagem cerebral tradicional e as outras formas de pensamento grupal, sendo que a primeira requer isolamento e encarceramento, e as reformas de pensamento em geral não?”. Isso, claro, não é nem de longe um problema no contexto deste estudo, pois vários livros já foram publicados e podemos ter uma evidência conclusiva do melhor cenário de “encarceramento” onde a lavagem cerebral tradicional é executada: as universidades.
Vejamos: é um lugar onde os alunos passam a maior parte do tempo, muitos deles em fraternidades (no Brasil, nas repúblicas), longe de suas famílias, próximos a vários grupos ideológicos, etc. Ideologicamente, há pressões fortíssimas, e estruturas de coação que recriam perfeitamente um cenário de lavagem cerebral tradicional. Não dá para fugir da universidade, a não ser que alguém queira largar os estudos – e isso seria considerado algo inaceitável por muitos. Lá, o adestramento intelectual é intensivo. Como forma de ilustrar isso, essa cena do filme “Tropa de Elite”, mostra como a forma de pensamento marxista é o padrão e como é proibido pensar fora disso. É um exemplo de pensamento grupal. Mas claro que não posso usar um filme de ficção como PROVA do que afirmo, naturalmente. A citação à “Tropa de Elite” é apenas uma ILUSTRAÇÃO de como funciona. Mas para exemplos mais empíricos, temos o filme “Indoctrinate U”, documentário dirigido em 2007 por Evan Coyne Maloney, que denuncia o conceito do politicamente correto e o viés esquerdista visto nas universidades americanas. O filme foi produzido em um período de dois anos e meio, e foi precedido por dois curtas: “Brainwashing 101” e “Brainwashing 201: The Second Semester”.
Dessa forma, o estudo da geração do pensamento grupal nas universidades pode ser encaixado não só como análise das iniciativas de reforma de pensamento, como também da lavagem cerebral tradicional em si – que, como já dito, envolve um conjunto de reformas de pensamento com um objetivo específico.
Protestos podem surgir quanto à minha afirmação pois alguém poderá alegar: “eu sou universitário, então eu sofro lavagem cerebral?”. Eu não afirmei isso, pois nem todos os cursos são focos da reforma de pensamento, e sim principalmente aqueles de onde saem os formadores de opinião. Por exemplo, cursos como Direito, Ciência da Computação e Fisioterapia, naturalmente são desinteressantes para os gramscianos. Já cursos como Jornalismo, Sociologia, História, Ciência Política, Economia, e vários outros que tendem a produzir formadores de opinião, são interessantíssimos sob uma perspectiva gramsciana. Cursos de Ciências Naturais também se tornaram obviamente um cenário perfeito para doutrinação. Se hoje é dado muito espaço a cientistas falarem sobre tudo na mídia, é importante para os gramscianos que eles estejam dentro de um pensamento grupal anti-religioso, e também dentro de um pensamento grupal liberal ou marxista.
Ainda assim, é possível que mesmo dentro desses cursos, universidades de direção cristã ou religiosa rejeitem a iniciativa de professores doutrinadores da esquerda seja minimizada. Mas em grande parte das universidades, em cursos estratégicos, o risco de doutrinação esquerdista é grande. Curiosamente, encontrei até um link em que são dadas as dicas para alguém que for conservador, e tiver que adentrar a uma escola liberal.
Alguns livros podem ser importantes no estudo de como a esquerda contaminou a escola americana: “Indoctrination U: The Left’s War Against Academic Freedom”, de David Horowitz, “One Party Classroom”, também de Horowitz, e “Illiberal Education”, de Dinesh D’Souza, dentre outros. Como não poderia deixar de ser, no Brasil, ainda há pouca investigação em relação ao viés nas escolas, mas o site Escola sem Partido tem feito um ótimo trabalho nesse sentido.
A Estrutura da Lavagem Cerebral
O psicólogo Robert Jay Lifton, que estudou os ex-prisioneiros da Guerra da Coréia, chegou a um modelo de como eles eram doutrinados, e mostrou que normalmente ele começa com ataques contra a identidade do sujeito, e conclui com a mudança de suas crenças. Segundo Lifton, nos prisioneiros de guerra, todos os estágios ocorriam em um ambiente de isolamento. Naturalmente, aqui, trarei exemplos do contexto da doutrinação nas universidades ou até no território virtual. Vejamos como eram os estágios, para Lifton:
- 1. ataque contra a identidade
- 2. culpa
- 3. autotraição
- 4. ponto de colapso
- 5. clemência
- 6. compulsão para confissão
- 7. canalização da culpa
- 8. liberação da culpa
- 9. progresso e harmonia
- 10. confissão final e renascimento
Lifton dividiu o processo em três estágios: ponto de colapso do eu, apresentação da possibilidade da salvação e reconstrução do eu.
PONTO DE COLAPSO DO EU
- (1) Ataque contra a identidade: Constitui-se de um ataque à identidade (ego) do sujeito e seu principal sistema de crença. Se alguém é um “devoto” ou que “luta por Deus”, deve ter os ataques focados em “você não é devoto” ou “não há luta por Deus”. A idéia é que as crenças da pessoa sejam tornadas mais fluidas, menos sólidas.
- (2) Sentimento de Culpa: A vítima deve ter culpa em relação a qualquer deslize que tenha cometido. Os ataques anteriores deverão ser úteis. Por exemplo, se alguém faz preces ajoelhado, o doutrinador pode usar isso para dizer “você se ajoelhou”, e a vítima passará pela fase de sentir culpa por ter feito isso.
- (3) Autotraição: A vítima deve concordar que os atos que ela fez em outros tempos eram realmente ruins. Isso envolve inclusive ridicularização da família, amigos, que compartilham das mesmas idéias “erradas” que o doutrinado. Muitos, que são doutrinados em marxismo, acabam criticando sua família por possuir valores burgueses – no caso da escola de Frankfurt, Felix Weil, que torrou a fortuna da família para divulgar o marxismo, acreditava que os pais eram “um problema”. Esse tipo de atitude em relação à essas crenças tende a aumento da sensação de vergonha e a perda da identidade, que nesse passo já devem estar próximas de acometer o alvo.
- (4) Ponto de colapso: É o ponto de colapso nervoso, no qual a vítima já deve estar com a identidade em crise, com extrema vergonha de tudo o que foi, e apto a trair as coisas nas quais acreditou. Se a compreensão da realidade está em frangalhos, a pessoa acaba se sentindo completamente sem rumo e sozinha. Esse é o ponto no qual o agente tem a ação de mostrar as novas possibilidades e inserir o novo sistema de crenças, o qual deverá libertar alguém de sua situação atual. Aliás, Richard Dawkins disse no vídeo “Expelled” que o ateísmo traria uma “sensação de liberdade”. Não se deve duvidar da idéia de que isso é usado aos borbotões nas universidades atuais (aliás, desde os tempos de Herbert Marcuse).
APRESENTAÇÃO DA POSSIBILIDADE DE SALVAÇÃO
- (5) Clemência: Isso ocorria quando o agente oferecia alguns pequenos “agrados” à vítima. Podemos ver isso ocorrer várias vezes em comunidades virtuais de ateus, onde é permitido que um cristão adentre. Esse cristão será ridicularizado e ofendido diretamente, mas, se ele for receptivo, serão toleradas a eles umas gentilezas. Como ele está em um estado de colapso (isso, é claro, se for receptivo, como eu já disse – e não no caso de ter firmeza de caráter), a pequena gentileza parece enorme, e o alvo demonstra sensação de alívio e gratidão, normalmente fora de proporção em relação aquilo que lhe foi oferecido. O agente passa a ser foco da gratidão da vítima.
- (6) Compulsão para confissão: Esse é um caso específico das formatações da mente em campos de prisioneiros. O alvo se defronta com o contraste entre a culpa e a dor do ataque contra a identidade, sentindo o alívio repentino da clemência. Na retribuição da gentileza oferecida a ele, o agente apresenta a possibilidade de confissão, de forma que isso alivie parte da culpa e a dor psicológicas.
- (7) Canalização da culpa: Após muito tempo de ataque, o alvo não tem certeza do que fez de errado. Mas ele tem a certeza de que está errado. Isso acaba criando alguma lacunas, a serem preenchidas pelo agente: este pode acrescentar culpa para qualquer coisa que quiser. Naturalmente, o agente irá transferir a culpa para o sistema de crenças que está tentando substituir. Se vocês se lembram do marxismo cultural, a culpa pela repressão sexual dos universitários seria jogada em cima dos valores familiares e a moral judaico-cristã. O sistema antigo de crenças será associado ao sofrimento, e o novo sistema associado com a possibilidade de fugir dessa situação.
- (8) Liberação da Culpa: O alvo agora aprende que o “problema” para ele é que todas as suas crenças estavam erradas, e ele pode escapar do sentimento de erro. Para isso, ele precisa denunciar todas as pessoas e instituições associadas ao seu sistema de crença, e todo o seu sofrimento psicológico acabará. Toda a atitude considerada “raivosa” dos neo ateus em comunidades pode ser esplendidamente explicada por esse estágio. Ao final desse passo, a vítima deverá ter completado a rejeição psicológica de sua antiga identidade. Agora, cabe ao agente finalizar a formatação do cérebro. Enfim, dar a nova identidade ao sujeito.
RECONSTRUÇÃO DO EU
- (9) Progresso e harmonia: O novo sistema de crenças é apresentado pelo agente como se fosse o “caminho do bem”. A partir dessa momento, não há mais “ataques” à identidade do sujeito, pois a este agora é ofertado apenas conforto psicológico e alívio mental. O alvo, inclusive, tem a sensação de que a escolha entre bem e mal está sendo feita unicamente por ele. A sensação de que a “escolha foi consciente” é também parte desse momento, pois isso garante a aceitação plena no novo paradigma. Nesse passo, assim como um prisioneiro acha que não traiu ninguém ao denunciá-los (“pois eles tinham crenças erradas”), um novo subversivo acha que não faz nada de mal ao atacar os seus antigos amigos (“pois eles estão no caminho errado”). A escolha não é difícil, pois essa nova identidade é “segura” e aparece como muito atraente, já que não tem nada a ver com a identidade que ele acredita ser responsável pelo seu colapso.
- (10) Confissão final e renascimento: Em vista ao contraste do antigo sistema de crenças com a paz do novo, o alvo decide-se pela nova identidade, apegando-se ferrenhamente a ela. Nota-se, em muitos casos, uma “paixão” pela nova crença. Em termos da terminologia sobre lavagem cerebral, esse estágio é descrito como “renascimento”.
O teste desse processo de lavagem cerebral não foi feito em laboratórios, pois isso seria considerado um experimento científico contrário à ética. Essa narrativa é totalmente baseada no estudo das vítimas dos captores de guerra, além de outros exemplos obtidos ao redor do mundo.
O fato curioso é que não funciona com todas as pessoas. Segundo os estudos de Lifton, algumas pessoas que já tiveram grandes dúvidas sobre si mesmas e que tenham demonstrado tendência à culpa são mais susceptíveis. Pessoas com um forte senso de identidade e de auto-confiança podem ser mais resistentes ao processo. Isso, aliás, ajuda a nos explicar dois pontos: (1) a rejeição marxista contra a filosofia grega, pois essa era excessivamente focada na busca da verdade; (2) a rejeição também da moral judaico-cristã, pois, segundo Lifton, a fé em um poder superior pode ajudar um alvo a se neutralizar mentalmente do processo de lavagem cerebral. Isso talvez explique a ojeriza que os subversivos possuem pela expressão fé, assim como a qualquer conceito de moral objetiva (eles admitem a “moral por interesse”, como dos animais, mas não a moral objetiva, que transcende o mero interesse individual).
É extremamente importante conhecer esse mecanismo (bem como as técnicas a serem abordadas), para reduzir a eficácia do processo. Quem conhece os truques de um ilusionista não é mais enganado por ele. Aliás, os militares americanos, justamente por esse motivo, passaram a ser ensinados nesses métodos.
O papel da propaganda e da mídia
Se o tópico anterior era focado no exemplo da aderência de alguém a um novo pensamento grupal, agora falaremos de algo que pode ser não só voltado ao reforço neste novo pensamento grupal, mas principalmente na reformulação do senso comum.
No estágio anterior, entendemos como muitas pessoas são doutrinadas nas universidades, e saem de lá como liberais, marxistas, e alguns como neo ateus. Não dá para negar também que alguém poderá sair como subversivo de outros cenários, como de um bombardeamento de propaganda. No cenário da propaganda, também temos o aceite às idéias desses subversivos. Detalhe que propaganda não é o mesmo que mídia. A mídia é apenas um meio excelente não só de informação, mas ultimamente tem sido principalmente um meio de propaganda para reforma do pensamento de massa. Em suma, geração do novo senso comum e até suporte a aderência a pensamento grupal.
Em nosso estudo, trataremos da mídia como o conjunto dos meios de comunicação de massa. Não podemos confundir a propaganda em si com indústria cultural, que, obviamente, é beneficiada pela propaganda. O filme “Avatar” é parte da indústria cultural. Qualquer produto da indústria cultural pode ou não servir de propaganda a um objetivo específico. No filme de James Cameron, por exemplo, existe a propaganda contra o militarismo americano, e a favor de uma crença panteísta inspirada na Hipótese Gaia. Não quero focar aqui no filme de Cameron, mas sim dar um exemplo e mostrar a diferença entre os conceitos tratados aqui: propaganda, mídia, indústria cultural. No caso, mídia aqui será tratada pela união da comunicação de massa com a indústria cultural. Em ambas, as mensagens podem ser transmitidas a um grande número de pessoas. Mesmo que a criação do conceito indústria cultural tenha sido feito por filósofos marxistas (na Escola de Frankfurt), podemos hoje claramente observar que tanto esquerdistas quanto direitistas são parte da indústria cultural.
Ao relembrarmos dos estudos sobre a Estratégia Gramsciana, ficará mais fácil entender por que tomei especial preocupação com a abordagem sobre a mídia. Na parte 4, Yuri Bezmenov explicou o excessivo poder hoje dado à mídia, que não se constitui de pessoas eleitas pelo povo mas estão lá para FORMATAR o senso comum deste mesmo povo. O cidadão comum em geral não tem o preparo intelectual para se defender de uma avalanche de idéias enviesadas, diferentemente de um soldado americano pronto a se defender de uma sessão de lavagem cerebral em uma prisão (por conhecer o processo). Por isso, a mídia é muito eficiente ao realizar a propaganda a que se destina.
Como exemplo, dificilmente você verá a mídia diretamente fazendo uma pregação neo-ateísta (embora em alguns momentos isso ocorra), mas poderá notar que não raro as religiões são constantemente ridicularizadas. Isso é parte do processo de ataque às religiões, mas ainda não é o suficiente para colocar alguém dentro de um novo pensamento grupal, no caso, o neo ateísta. Para isso, será preciso que a pessoa adentre a grupos de discussão (e participe ativamente deles), entre em uma universidade ou qualquer outro ambiente onde o bombardeamento de nova informação será mais direcionado. Ainda assim, a mídia atua decisivamente na inserção de um pensamento ALHEIO à religião. Isso ocorre naturalmente pela agenda dos jornalistas, que em sua maioria absoluta ou são liberais, ou são marxistas. A função de qualquer um jornalista, se estiver nesses grupos, é tratar qualquer visão conservadora como ridícula ou pouco digna de crédito. Isso já é uma ação firme de reformulação do senso comum.
Se Richard Dawkins hoje possui grande presença de mídia, obviamente isso surgiu por iniciativa de pessoas que fazem parte da mídia. A Revista Época deu espaço ao Christopher Hitchens. Jornais dão espaço a todos os quatro principais autores do neo ateísmo. Aos livros deles é dado mais espaço do que ao lançamento de qualquer livro cristão. As críticas ferozes que eles fazem à religião são, várias vezes, sustentadas por ações de publicações de notícias que desfavorecem os religiosos – se há um crime de pedofilia, por exemplo, deve-se associar a pratica ao religioso, mas, se for um ateu, não é preciso mencionar que ele seja um. Quando iniciativas desse tipo ocorrem, já é fácil identificar o viés na mídia, no caso um viés esquerdista. Podemos dizer que todos os profissionais da mídia são neo ateus? Claro que não. Mas que a maioria deles possui um viés esquerdista, isso é um fato. Os neo ateus, ao mesmo tempo que são muito úteis para a agenda anti-religião da mídia, terão, é claro, mais espaço garantido nela.
Obviamente, não podemos dizer que propaganda advém apenas da mídia. Comunidades do Orkut, grupos de discussão, Facebook, Twitter ou quaisquer outros meios da Internet são meios de propaganda, mas aí já falamos não dos profissionais da mídia, mas dos agentes orgânicos (convertidos ao neo ateísmo) que atuarão única e exclusivamente em função da prática de propaganda – já que, em sua formatação, eles foram orientados a pregar, de forma militante, sua nova ideologia. Eles, a partir daí, tentam participar o máximo possível, com uma dedicação surpreendente, dispendendo tempo o suficiente de forma a não perder a oportunidade de realizar propaganda anti-religiosa em qualquer comunidade onde for possível. Não importa, para estes, se a comunidade é de ateus ou religiosos. Qualquer lugar é importante. Aliás, o resultado da propaganda deles é melhor obtido se a comunidade não for já orientada ao ateísmo: o motivo para isso é que a possibilidade de conseguir novos adeptos para a sua ideologia é maior em uma comunidade cristã do que uma não cristã. A participação em comunidades de ciência é extremamente útil para a propaganda deles, pois isso poderá vender a idéia em público de que “ateísmo é ciência”. Enfim, o militante é um eterno propagandista.
Com tudo isso, concluí essa introdução ao papel da mídia e da propaganda não só na questão da reformulação do senso comum anti-religioso como também na preparação de um novo adepto de um pensamento grupal.
Técnicas de reforma do pensamento
Não apresentarei aqui neste artigo todas as técnicas de reforma de pensamento. Dividirei com o próximo artigo, pois algumas das técnicas são mais adequadas à uma abordagem da PNL (Programação Neuro-Linguística). Mas, com exceção das técnicas da PNL, essa seção visa mostrar exemplos de técnicas de reforma de pensamento que podem ser utilizadas como propangada, principalmente pela mídia, mas também em qualquer cenário em que for feita a propaganda para a reforma do pensamento (inclusive, nas universidades).
AD NAUSEAM
Essa é uma das técnicas preferidas da mídia jornalística, pois se baseia em repetir excessivamente algo a ponto de tentar convencer a platéia não pela razão, mas pelo costume. Um exemplo é o excesso de notícias recentes na mídia a respeito de pedofilia na Igreja. Mesmo que, estatisticamente, os padres estejam entre os menores praticantes de pedofilia do mundo (comparados com outras categorias profissionais), o público será levado a associar a expressão “pedofilia” ao lembrar da Igreja Católica.
APELO AO MEDO
Aqui a idéia é tentar implementar o medo no público alvo, para que este aceite mais passivamente qualquer tipo de idéia a ser incutida nele. Sam Harris utiliza esse recurso de maneira explosiva em seu livro “A Morte da Fé”, ao garantir que a presença de diferentes religiões irá causar a destruição da humanidade. O medo, neste caso, é feito para vender a idéia de que a eliminação da religião poderá salvar o mundo.
BODE EXPIATÓRIO
Nessa técnica, os agentes atribuem culpa a outros indivíduos ou grupos, não efetivamente responsáveis, para aliviar os sentimentos de culpa da parte responsável. Um caso explícito é quando se demonstra que o comunismo tem como mola propulsora o ateísmo militante, de gente como Feuerbach, Comte e Marx. Os neo ateus dizem que a culpa é da religião, pois as mortes do comunismo foram, segundo eles, da irracionalidade, e do ato de seguir algo de forma determinada, e isso é religião. A culpa seria da religião, para eles. Deve-se notar que aqui eles utilizam também a técnica da Ressignificação (que será tratada no próximo artigo).
DEMONIZAÇÃO DO OPONENTE
Atribuir todas as culpas possíveis ao oponente, ridicularizando as idéias dele, e atribuindo às idéias dele culpa por grandes empecilhos do mundo. Dizer, por exemplo, que a maioria das guerras ocorre pelas idéias do oponente, e coisas do tipo. Quem já leu os livros de Harris, Dawkins, Dennett e Hitchens, sabe que grande parte dos tempos eles passam demonizando o oponente. Se este processo for bem sucedido, perde-se empatia pelo outro, e, então, todos os atos contra ele passam a ser de imediato justificados.
BUSCA POR DESAPROVAÇÃO
Com essa técnica, deve-se buscar a desaprovação a tudo que vier do oponente. Mesmo que para isso seja necessário maquiar qualquer declaração do outro. Um exemplo é uma vez em que me foi questionado se eu tinha fé. Eu disse: “Sim, tenho”. O neo ateu disse: “Como ele confessou, ele não precisa de razões, por ter fé”. Obviamente eu não afirmei nada quanto ao fato de eu precisar de razões ou não, mas ele buscava, a todo custo, obter a desaprovação ao meu pensamento e minhas idéias.
EFEITO DOMINÓ
Aqui o objetivo é fingir que a vitória é inevitável para o membro do pensamento grupal. Isso é uma forma de convencer a audiência a se juntar ao grupo, pois esse grupo é o que deverá “vencer” no final. Aliás, isso explica por que as pesquisas eleitorais são tão importantes. Nesse caso, as pessoas que seguem a algo pelo desejo de estar do lado vitorioso irão optar por ser desse grupo. Muitos neo ateus dizem que “acabaremos com a religião em poucos anos, junte-se a nós”.
FALSA DICOTOMIA
Essa é uma técnica seminal de doutrinação, e muitos adeptos dos neo ateus são capazes de passar toda uma discussão somente praticando-a. Ela é amplificada pelo uso da ressignificação (de novo, vocês notarão essa técnica em detalhes no próximo artigo). A técnica se baseia em dividir todos os pontos de discussão em extremos, e a decisão deverá ser tomada com base nestes extremos. Como uma variação da falácia do falso dilema, a idéia do agente é colocada como pertencente a um dos extremos (e geralmente atribuída a rótulos positivos) e a idéia do oponente é pertencente ao outro extremo. No caso, “ciência é razão, religião é fé”, “razão é acerto, fé é erro”, “ciência é conhecimento, religião é ignorância”, enfim, as possibilidades são múltiplas.
ROTULAGEM
Atribuir um rótulo odioso a um indivíduo ou grupo contra o qual se opõe é a base desta técnica. Por exemplo, um religioso poderá ser chamado de “fanático”, mesmo que fanatismo não seja intrínseco à religião (na verdade, o comportamento dos neo ateus, depois de tamanhas artimanhas de doutrinação, é de extremo fanatismo). Sempre que o neo ateu se referir ao religioso, por exemplo, ele poderá rotulá-lo de fanático. Caso sejam mostrados religiosos não fanáticos, ele irá ignorar estes exemplos e dizer que não são representativos. O que importa, para ele, é manter a rotulagem de forma estereotipada.
ADULAÇÃO
Uso de palavras virtuosas para um novo adepto ou potencial adepto da nova ideologia. Dizer que ele é uma pessoa inteligente, e que portanto não pode ter o sistema de crenças que possui. Ou até dizer que pessoas inteligentes não acreditam em X, Y e Z, e que ele, como é inteligente, deve ir para o outro lado e trocar de crença.
PROPAGANDA ENGANOSA
Em conjunto com as outras técnicas, a vítima não irá perceber o logro contido. Essa técnica envolve a atribuição de vantagens sensacionais para o aceite do novo sistema de crenças. Por exemplo, aumento da “razão” pelo fato de alguém se converter, ou aumento da “liberdade”. Enfim, vale tudo.
RACIONALIZAÇÃO
Criação de um sistema racional de pensamento para justificar a nova crença e explicar por que ela é a crença certa. A venda do cientificismo, por exemplo, é racional CASO fosse comprovado que o único plano de discussão é o material e tangível (e não é, por causa do plano metafísico, dentre outros). Mesmo que as informações sejam omitidas, são criados sistemas de racionalização, alguns até complexos, mesmo que informações sejam omitidas. Com isso, o alvo poderá até defender apaixonadamente essa nova crença, achando-a racional.
SLOGAN
São frases curtas, e impactantes, normalmente incluindo rotulagem e estereotipação. Um exemplo é como Christopher Hitchens termina o primeiro capítulo de seu livro “Deus não é grande”, com o slogan “Religião envenena tudo”. Obviamente, é possível já encontrar o uso de tal slogan no meio de debates de neo ateus com religiosos. O objetivo do slogan é meramente para efeito psicológico.
SUPER-SIMPLIFICAÇÃO
Uso de generalidades utilizadas para contextualizar problemas sociais, políticos, econômicos complexos. Um exemplo é a famosa técnica dos neo ateus para converter quase todos os conflitos em conflitos religiosos. Essa técnica já foi desmascarada aqui.
FRASES E TERMOS DE EFEITO
Frases e termos geralmente com alto apelo emocional, normalmente associadas a conceitos e crenças muito valorizados, para convencer sem a necessidade de informações ou razões para apoiá-las. Elas são basicamente apelos à emoção do alvo. Um exemplo é a citação “O Universo é tudo que existe, tudo que existiu e tudo que existirá”, de Carl Sagan, na série Cosmos, em que ele tenta convencer que não há Deus. Outro é a citação “Com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Porém para pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião”, de Steven Weinberg. Normalmente, neo ateus não discutem racionalmente tais frases, as utilizam, aceitam e vibram.
TESTEMUNHO
Compõe-se de citações, sejam dentro ou fora do contexto, utilizadas especialmente para apoiar ou rejeitar uma idéia. No caso dos exemplos acima, de frases e termos de efeito, elas são normalmente utilizadas no decorrer de seus discursos, embora raramente tenham alguma associação com a idéia em discussão. Geralmente, como Carl Sagan foi astrônomo conhecido, e Steven Weinberg, que ganhou um Prêmio Nobel, são conhecidos do público, se eles tem algo a dizer contra uma idéia, os agentes a utilizarão. Tecnicamente, é uma variação da falácia do apelo à autoridade.
VAGUIDADE INTENCIONAL
Utiliza-se, nesta técnica, afirmações propositalmente vagas, para que a audiência as interprete livremente. Por exemplo, a expressão “fé é um perigo” não deixa explícito a qual tipo de fé que está se referindo. Provavelmente, em uma campanha neo ateísta, é uma ressignificação de fé (tomando-a por fé cega), mas poderia ser compreendida como convicção ou alinhamento com algo. Para o propagandista, isso não importa, desde que cause o efeito desejado.
Conclusão
Aqui abordamos o motivo pelo qual os neo ateus se tornaram militantes, tão ferrenhos, de suas causas. Também exploramos o motivo pelo qual tantos deles são oriundos das academias – para uma maior abordagem sobre esse assunto, sugiro uma releitura do texto sobre a Estratégia Gramsciana. Ainda em relação a Estratégia Gramsciana, foi fornecido um modelo através do qual podem ser criados os novos agentes orgânicos nas academias. As sessões de aula podem ser sessões de lavagem cerebral, dependendo, é claro, do empenho do doutrinador, no caso executando o papel oficial de professor. A reforma do pensamento, que pode ser uma lavagem cerebral, ou mesmo reformulação do senso comum, tem grande vazão através da mídia, que é populada de pessoas que naturalmente saíram das academias. Isso explica também o viés liberal-esquerdista da mídia, que naturalmente ajudou muito o crescimento do movimento neo ateísta. Entretanto, os novos neo ateus, doutrinados a partir da atividade acadêmica e/ou leitura contínua dos livros dos autores neo ateus, além da participação em comunidades virtuais focadas em doutrinação, também são executores de propaganda, pois parte do seu “programa” é orientá-los a “sair do armário”, de forma militante. A militância é normalmente um tipo de propaganda também. Para completar as técnicas de reforma do pensamento, abordarei especificamente as técnicas mais orientadas à manipulação neuro-linguística, no artigo de número 8 (a ser publicado na semana que vem), e, a seguir, na penúltima parte deste ensaio, em que tratarei do neo ateísmo como subproduto de outra coisa em uma análise sob a ótica da evolução.

A parcialidade da mídia contra a religião é um fato também na Inglaterra
http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=52574
Parabéns pelas denúncias, Luciano!
E. Freitas
abril 22, 2010 em 10:34 pm
Rodrigo
“ROTULAGEM: Atribuir um rótulo odioso a um indivíduo ou grupo contra o qual se opõe é a base desta técnica(…). O que importa, para ele, é manter a rotulagem de forma estereotipada.”
Mas não é isso que este blog faz em relação aos neo-ateus?
Claro que não. Estudamos vossos argumentos, e a maioria das refutações aqui são feitas dos QUATRO PRINCIPAIS AUTORES DO NEO ATEÍSMO… Não são “pessoas sem referência” no universo neo ateísta.
Obviamente, que se os neo ateus lançassem 250 livros, e desses só uns poucos fossem ridicularizáveis, e eu SÓ CITASSE eles, sua acusação valeria.
Mas não, eu pego a ESSÊNCIA do discurso dos quatro autores…
Logo, não é um estereótipo. Trato de um PADRÃO do comportamento que vai desde os líderes neo ateus.
Não estou aqui defendendo pessoas que atacam a religião dos outros para se vangloriar intelectualmente ( acho que essa seria a minha definição pessoal de neo-ateu ), mas minha principal crítica é que vocês criaram um inimigo e um estereótipo para ele.
Então aqui está: http://neoateismodelirio.wordpress.com/index-reverso/
Vários trechos do livro de Richard Dawkins, “Deus, Um Delírio”, assim como partes dos livros de Daniel Dennett, Sam Harris, e Christopher Hitchens refutados.
Estereótipo ou padrão de comportamento? Claro que é o último.
Várias vezes vejo ataques pessoais e fabricação de dados. Por exemplo, onde estão os dados sobre o número de ataques publicados na mídia contra a igreja católica em relação ao número de ataques contra o PT, ou o DEM, ou ao Rick Martin. Antevendo a resposta fácil: a diferença de proporção entre o “ataque” a padres pedófilos em relação a desonestidade de algum ateu proeminente se dá devido a um fator que a mídia não tem nenhum controle: existem muito mais pessoas ligadas oficialmente a igreja católica que ao movimento ateu militante, acredito de se estas proporções fossem mais equilibradas poderiamos ter uma igual incidência de cientistas que desviam verba de pesquisa, por exemplo.
Aqui você viajou definitivamente. A comparação com ataques ao PT, DEM e Rick Martin é também ridícula.
Temos que nos manter no ÂMBITO da discussão.
Há um número X de jornalistas, que podem ser a favor ou contra a religião.
Há um número Y de consumidores de notícias, que podem ser a favor ou contra a religião.
Em cima disso, analisamos o comportamento. Obviamente, eu não falo de “desonestidade de algum ateu proeminente”, e sim de um viés da maioria da mídia, pela doutrinação anti-religiosa. Ver “Estratégia Gramsciana”.
http://neoateismodelirio.wordpress.com/2010/04/04/desvendando-a-ilusao-do-neo-ateismo-parte-5-a-estrategia-gramsciana/
Na boa, você tentar defender os anti-religiosos da mídia, e até a própria mídia de VIÉS, é uma tarefa árdua para você. Quase todo dia sai ao menos uma notícia com DISTORÇÃO para atender a agenda anti-religiosa…
De todos os “casos” que tratei neste blog, o de viés na mídia contra os religiosos, é onde coleto provas de forma mais fácil.
Na área científica também existem vários ataques sem nenhum dado concreto, “a teoria de cidadão A não foi provada”, “cidadão B é um pária intelectual”. Senhores não acho essa uma atitude intelectualmente honesta.
Você está mudando o foco da discussão. Os duelos na área científica são entre GRUPOS.
O que está sendo visto na mídia é uma agenda para atingir um GRUPO específico… os religiosos. Para atender a agenda anti-religiosa.
Ah, mais uma…
http://neoateismodelirio.wordpress.com/2010/04/22/vies-da-midia-contra-os-islamicos-o-caso-hojatoleslam-kazem-sedighi/
Você deveria protestar e fazer um movimento CONTRA os jornalistas que estão praticando agenda anti-religião. E não contra mim.
Eu só descubro as picaretagens e desmascaro, como um auditor.
lucianohenrique
abril 22, 2010 em 10:17 pm
“ROTULAGEM
Atribuir um rótulo odioso a um indivíduo ou grupo contra o qual se opõe é a base desta técnica(…). O que importa, para ele, é manter a rotulagem de forma estereotipada.”
Mas não é isso que este blog faz em relação aos neo-ateus?
Não estou aqui defendendo pessoas que atacam a religião dos outros para se vangloriar intelectualmente ( acho que essa seria a minha definição pessoal de neo-ateu ), mas minha principal crítica é que vocês criaram um inimigo e um estereótipo para ele.
Várias vezes vejo ataques pessoais e fabricação de dados. Por exemplo, onde estão os dados sobre o número de ataques publicados na mídia contra a igreja católica em relação ao número de ataques contra o PT, ou o DEM, ou ao Rick Martin. Antevendo a resposta fácil: a diferença de proporção entre o “ataque” a padres pedófilos em relação a desonestidade de algum ateu proeminente se dá devido a um fator que a mídia não tem nenhum controle: existem muito mais pessoas ligadas oficialmente a igreja católica que ao movimento ateu militante, acredito de se estas proporções fossem mais equilibradas poderiamos ter uma igual incidência de cientistas que desviam verba de pesquisa, por exemplo.
Na área científica também existem vários ataques sem nenhum dado concreto, “a teoria de cidadão A não foi provada”, “cidadão B é um pária intelectual”.
Senhores não acho essa uma atitude intelectualmente honesta.
Rodrigo
abril 22, 2010 em 9:26 pm
Luciano,
Recebestes o email em que te mandei algum material sobre gramcismo?
Cristiano Oliveira
abril 19, 2010 em 7:21 pm
Olá Luciano!
Quais livros você me recomendaria do Lakatos, do Thomas Kuhn e do Karl Popper?
É que aqui na biblioteca da faculdade há alguns livros desses autores, entretanto não sei quais livros deles escolher.
Abraço e parabéns pelo seu blog!
RESP. LUCIANO
Obrigado pelas palavras.
Seguem os títulos.
De Imre Lakatos:
“A Crítica e o Desenvolvimento do Conhecimento” (que foi lançado no Brasil)
Eu também recomendo dele:
“Proofs and Refutations”
“The Methodology of Scientific Research Programmes: Philosophical Papers Vol. 1″
“Mathematics, Science and Epistemology: Philosophical Papers Vol. 2″
De Karl Popper:
“Conjecturas e Refutações”
“A Lógica da Pesquisa Científica”
De Thomas Kuhn:
“A Tensão Essencial”
“A Estrutura das Revolucoes Cientificas”
Obs: A maioria deles se encontra fácil em sebos.
eclypse
abril 19, 2010 em 11:54 am
Edson
Veja discussão acerca do artigo de Antonio Cicero “Anthony Flew e Deus” aqui:
http://antoniocicero.blogspot.com/2010/04/antony-flew-e-deus.html
O curioso é que o Anthony Flew parte da premissa de que Anthony Flew estava senil. Obviamente, desonestidade intelectual da pior qualidade, pois não há uma nesga de evidência de senilidade nele.
Além do mais, a mudança de postura de ateu para deísta envolve CRENÇA EM DEUS, ou seja, rejeição do paradigma ateísta.
Mais uma que os neo ateus ainda não perceberam…
Bem, de acordo com este texto cá, os neo ateus não tem como perceber nada distante do paradigma deles.
lucianohenrique
abril 18, 2010 em 8:53 pm
Veja discussão acerca do artigo de Antonio Cicero “Anthony Flew e Deus” aqui:
http://antoniocicero.blogspot.com/2010/04/antony-flew-e-deus.html
Edson Gil
abril 18, 2010 em 8:32 pm