Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Pt. 10 – Suicídio Intelectual

Chega o momento de avaliarmos o resultado de todo o processo de conversão de alguém em uma ideologia baseada em intepretação delirante, na variação da mente revolucionária: o neo ateísmo.
De todo o processo, o que é o resultado final? Obviamente que, como é uma expansão da estratégia gramsciana (uma das formas de arquitetar o marxismo cultural), que insere alguma ideologia subversiva em alguém através das vias da reforma do pensamento e aplicação da PNL, o resultado final será algum militante. Ferrenho, aliás.
Cabe agora entendermos qual o programa a ser executado pelos neo ateus, ou seja, se eles foram doutrinados para executar uma militância, o que caracteriza essa doutrina e qual o comportamento resultante?
O Programa a Ser Executado
Se, então, já sabemos que os neo ateus são pessoas que sofreram doutrinação para pregar contra a religião, é possível identificar com extrema clareza suas diretivas. Estou considerando, agora, o programa a ser executado pela MASSA dos neo ateus, ou seja, os leitores e seguidores dos autores do neo ateísmo:
- Agir de forma militante na luta contra a religião
- Utilizar de escárnio o máximo que conseguir, fazendo o uso tanto quanto possível de simulação de falso entendimento em relação às doutrinas religiosas
- Permanecer o maior tempo possível em redes sociais, interferindo em discussões entre religiosos, e divulgando o maior número possível de ridicularizações e difamações
- Simular que se representa a ciência, e forçar a discussão criacionismo X evolucionismo
- Buscar notícias na Internet em que religiosos cometam equívocos ou situações ridicularizáveis, e usar de generalizações, dando a impressão de que se aplicam ao todo
- Tentar maquiar o maior número possível de fatos históricos para simular a impressão de que religião é decisiva para eventos inconvenientes
- Em contrapartida, inocentar o ateísmo da maior quantidade possível de eventos
- Maquiar dados para fingir que em alguns países, como Suécia e Nova Zelândia, há uma maioria de ateus, e usar a estratégia da “Vitória Irresistível”
- Criar e/ou divulgar imagens simuladamente humorísticas ou charges em que se descrevem “o comportamento teísta”, usando da generalização o máximo possível (é recomendável nunca associar a ofensa a um teísta ou um grupo específico, mas a todos os teístas)
- Em caso de estar na mídia, usar ressignificações e técnicas de pânico moral sempre com intuito de difamação e/ou ridicularização de religiosos
- Endeusar em público as figuras de Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e Daniel Dennett – em caso de discordâncias, simular discordâncias em pontos irrelevantes, apenas para não dar muito na cara que os adeptos do neo ateísmo não possuem senso crítico (ou seja, jamais discordar destes autores nas teses centrais do neo ateísmo)
- Em caso de surgir um refutador ao neo ateísmo pela frente, ofender o máximo possível, e usar difamações contra ele
- Usar o maior número possível de chavões e frases de efeito em sua pregação
Enfim, em linhas gerais esse é o exemplo do comportamento de praticamente todos os leitores dos gurus do neo ateísmo. Como se pôde notar, há várias características que transcendem aquilo que conhecíamos por diálogo filosófico. Pelo contrário, o tipo de “diálogo” estabelecido pelo neo ateu tem mais a aparência de um discurso político de rivalidade (onde geralmente nenhuma razão é dada ao oponente sob qualquer circunstância, assumindo que a priori todas as opções do oponente sempre estão erradas). Nisso, o neo ateísmo novamente se posiciona como um irmão do marxismo, uma outra doutrina de cunho político baseada em ódio.
Covardia e Bullying virtual nas redes sociais: indícios de Sociopatia
Uma coisa que se pode notar, principalmente em redes sociais, é praticamente um comportamento sociopata dos neo ateus. Obviamente não se trata da sociopatia em todos os seus sintomas (mas um sociopata não precisa atender a todos eles, sendo que o atendimento a 3 dos itens já configura um estado de sociopatia).
Dentre os sintomas mais conhecidos da sociopatia podemos citar
- Ausência de qualquer sentimento de remorso e de valores morais, usando da mentira, calúnia, insultos, sedução, intimidação, ameaças e violência, para verem satisfeitas suas vontades
- Não se compadecer pelo choro alheio. As manifestações emocionais das outras pessoas são-lhe completamente indiferentes. Se for preciso ainda agridem e humilham mais a pessoa que está em sofrimento, para que esta se cale, alegando precisar de silêncio
- São covardes, porque “atacam” sobretudo aqueles que dificilmente poderão reagir às suas agressões. Tendem a culpar as suas vítimas dos seus atos mais insanos, chamando-lhes loucas, estúpidas e outras ofensas, sublinhando que são merecedoras de todo o sofrimento que lhes incute
- Revelam uma necessidade doentia de manipular aqueles que não respeita. Quando perdem o controle da situação, reagem furiosamente.
Agora, vejamos um perfil da maioria da atuação dos neo ateus em redes sociais.
Tecnicamente, os neo ateus (assim como os marxistas) não deixam jamais de realizar patrulhamento ideológico, assim como perseguição ideológica contra aqueles que são religiosos. Pessoas com baixo treino em debate são humilhadas e esmagadas com estratagemas, e, infelizmente, muitas não conseguem se defender. Ao perceber isso, os neo ateus se unem e realizam ainda mais a ridicularização da vítima.
Se a moderação de uma comunidade ou fórum for composta de neo ateus, muitas vezes a vítima da ofensa não poderá se defender. Caso o teísta replique a ofensa, ele será punido, mas um moderador neo ateu não tende a punir qualquer ateu.
Um exemplo real deste comportamento deve ser visto em uma palestra em que uma garota, realmente muito ingênua, perguntou para Richard Dawkins “E se você estiver errado?”, no que Dawkins, com a palavra, usou o famoso estratagema do Monstro Espaguete Voador, que é justamente uma técnica de ridicularização, mas não de diálogo. O que mostra, naturalmente, que eles optam por ridicularizar um adversário, mas escolhem preferencialmente aqueles que são incapazes de reagir aos seus ataques. Curiosamente, Richard Dawkins não aceitou participar de um debate com William Lane Craig.
Pessoas como essa garota da palestra existem aos montes nas redes sociais, e são as vítimas preferenciais do bullying virtual. Muitas vezes, a ridicularização não é sutil, mas também extensiva e pejorativa. Conforme a descrição da sociopatia (como veremos a seguir), os neo ateus jamais se consideram errados em suas atitudes, e todos os religiosos são merecedores de quaisquer ofensas.
Muitas vezes, podem tentar iludir alguns teístas donos de comunidades, pedindo para participar da moderação (obviamente, para livrar a cara de um neo ateu quando for preciso). Também são capazes de tomar alguma comunidade de teístas, principalmente mantendo a couraça para fingir que ela ainda é uma comunidade teísta. Mesmo assim, passam a usar seus poderes de novos donos de comunidade para permitir a entrada de neo ateus, e barrar a presença de teístas mais aptos, deixando por lá apenas os incapazes. Motivo: uma comunidade que possua a fachada de ser teísta, mas seja dominada por neo ateus, tem mais capacidade de juntar pessoas que não perceberam ainda as tramas contra os teístas lá. Logo, são vítimas indefesas. Os neo ateus mantém essas comunidades como se fosse um tesouro, pois lá eles podem praticar bullying virtual à vontade.
Caso as pessoas peçam para eles pararem, eles aumentarão o potencial da ofensa, pois não se compadecem com a lamentação alheia. E, como já visto, quanto mais alguém pede clemência, mais eles sentem prazer em sua atitude ofensiva. Pessoas normais, por exemplo, se compadecem ao ver alguém que não tem capacidades de embate, agindo de maneira diametralmente oposta ao que um neo ateu faz quando vê um adversário fraco pela frente.
Que o comportamento padrão do neo ateu, com uma atitude de causar vergonha a qualquer pessoa que tenha acesso ao básico dos valores morais humanos, não tenha percebido que a longo prazo causa danos à imagem até dos ateus tradicionais, assim como dão motivos para uma retaliação, é algo a ser estudado. Temos, portanto, um item final a descobrir. Neste artigo final, seguiremos.
Outras anomalias neo ateístas
Os neo ateus terminam sendo acometidos não só de uma variante da sociopatia, como também de outras síndromes que são evidentes em uma mera análise de seu discurso. Por exemplo, vários se acham na posição de atuarem até como consultores de crença, dizendo aquilo em que os outros deveriam ou não acreditar. Muitos, como Daniel Dennett, dizem que se deve determinar uma crença para todo o mundo, e que um comitê liderado por ele deveria existir para isso. Isso, é claro, os qualifica, como também a vários de seus seguidores, como portadores de um doentio e assustador auto-engano, que, em várias vezes, causa um misto de assombro e vergonha alheia. Não raro neo ateus definem que são os portadores da “razão”, mas a única evidência que trazem disso é a declaração. Quanto à ciência, outros tantos (inclusive vários que não são portadores da ciência) alegam representá-la.
O auto-engano, como um processo de alguém enganar a si próprio, significa a tendência a aceitar como verdadeiro algo que é falso. Tecnicamente, é mais uma manifestação da interpretação delirante. Portanto, além da mentalidade revolucionária, o neo ateu tem mais uma série de variações da interpretação delirante. Principalmente, a crença de que é “racional”, “cético” ou coisas do tipo.
No livro “How We Know What Isn’t So”, Thomas Gilovich dá os detalhes de características de pessoas que se acometem de auto-engano, aqui, é claro, com exemplos do discurso neo ateísta:
- 1. erro de interpretação de dados aleatórios, encontrando padrões onde eles não existem – neste caso podemos considerar quando o neo ateu faz a citação de países que teriam um número maior de ateus, apontando-os como evidência de que o ateísmo teria resultado em melhorias das condições do país, só que para isso eles ignoram os Estados Unidos, com altíssimo número de religiosos, e países como China, com altíssimo número de ateus;
- 2. erro de interpretação de dados incompletos ou não representativos, dando atenção extra a dados que confirmam a hipótese, tirando conclusões sem esperar ou procurar dados que a negam – neste caso, naturalmente podemos observar este padrão quando utilizam poucos exemplos de islâmicos que tenham cometido atentado suicida, e definem isso como algo derivado da religião, o que claramente configura uma amostra não representativa, sem olhar para exemplos de países que tiveram também atentados terroristas suicidas praticados por grupos não-religiosos (ex. Tamil Tigers, no Sri Lanka);
- 3. avaliação de dados ambiguos ou inconsistentes, tendendo a ser acritico com dados que lhe apoiem e muito critico a outros dados – um caso é o aceite da teoria do gene egoísta, por grande parte de neo ateus, com o aceite da idéia de que a seleção tem como unidade fundamental o gene, mas a rejeição da idéia de que a seleção natural tem mais evidências de ocorrer de forma multi-nível (e não orientada apenas ao gene).
Aliás, justamente por serem indivíduos acometidos de auto-engano, é preciso termos um forte ceticismo com grande parte de seu discurso. Que eles tem tendência a se auto-enganarem, esse é um fato, mas é importante deixar que não nos enganem.
O pensamento preto e branco, obviamente uma manifestação do comportamento preconceituoso, termina fazendo com que a pessoa veja tudo de forma dicotômica. Desta forma, o maniqueísmo assume ares gigantescos, com eles terminando por considerar todo um religioso alguém que está em um extremo, ao passo que ele está em outro extremo. Obviamente, ele, embutido de seu auto-engano, irá atribuir todas as características do extremo a que pertence como lisonjeiras, ao passo que todas as características do extremo a que o outro pertence são, naturalmente, pejorativas.
Outro problema do pensamento preto e branco é o uso abusivo de estereótipos, naturalmente, com que se refere aos religiosos. Portanto, torna-se difícil para ele, encarar algum religioso fora do estereótipo. Isso, aliás, tende a dificultar sua socialização com qualquer pessoa religiosa, que irá provavelmente identificar a quantidade enorme de preconceitos que o neo ateu possui. Isso talvez explique por que eles preferem ser tão unidos entre eles.
A mitomania é outra faceta da personalidade do neo ateu. Talvez pela cultura do ódio, que explicarei adiante, ele considera lícito mentir o máximo possível contra qualquer religioso que encontrar pela frente. Não há limites para a quantidade de mentiras. Quando estão em grupo, principalmente nas redes sociais, podem mentir e difamar de forma mais coordenada, mas não há jamais o interesse em buscar a verdade a respeito do oponente.
Normalmente, quando suas mentiras são descobertas, tendem a se tornar agressivos e impacientes, o que, novamente, é uma característica da sociopatia.
A psicose é outra característica evidente, e que tem fortes relações com o auto-engano e a mitomania. Pessoas com essa característica mentem tanto, mas tanto, que passam até a acreditar em suas próprias mentiras. Por exemplo, em comunidades como as vistas nos fóruns de Richard Dawkins e Sam Harris (eles abrem fóruns para seus leitores), nota-se que vários neo ateus realmente acreditam naquilo que falam, pois estão em um grupo no qual não há frequência de religiosos. Logo, alguns deles já não estão no estágio de mentir para um oponente, mas sim mentir entre eles próprios, principalmente quando estão em grupos de amigos.
Essa característica, aliás, é uma das mais interessantes, pois quando eles já estão neste estágio é aquilo que os psiquiatras definem como “perda de contato com a realidade”. Recentemente, por exemplo, um neo ateu se afirmou cientista, mas na verdade estava apenas… estudando biologia. Outro afirmou-se cientista também, mas após alguns questionamentos notou-se que ele era um advogado. No que ele retrucou: “sou um cientista das ciências jurídicas”. Enfim, não há limites.
A demência é outra manifestação evidente em vários neo ateus. Alguns deles, mesmo tendo o desenvolvimento intelectual normal, perdem a capacidade cognitiva parcial ou completamente. Muitas vezes o diálogo com eles torna-se algo próximo do surreal, como quando um disse certa vez no Orkut: “Eu não acredito em Deus, pois a ciência exige evidências” (ele se comparou à ciência). Ou então quando um outro afirmou: “Eu não posso acreditar em nada, pois sou ateu” (o ateísmo é só ausência de crença em Deus, e não em tudo).
O curioso é que se você questioná-los a respeito de suas afirmaçoes, será se como você não tivesse dito nada. O erro, conforme já previsto na interpretação delirante, é persistente, incorrigível.
Por fim, a imbecilidade é uma característica que os torna completamente sugestionáveis a qualquer sandice que ouvirem desde que venha do guru ou de qualquer pessoa que esteja com idéias alinhadas com o guru. Não questionam nada. Um exemplo engraçado foi uma vez que usei um perfil falso chamado “Dichard Rawkins”, e entrei em um fórum de ateus postando a seguinte teoria: “A religião tende a aumentar a criminalidade pois tem o perdão. Com o perdão, as pessoas ficariam incentivadas a cometer crimes, pois serão perdoadas no dia do julgamento se pedirem o perdão. Portanto, temos mais um motivo para retirar a religião e aumentar a justiça no mundo”. Foi mais ou menos isso. Claro que vários neo ateus apoiaram. Em coro.
Duvidam? Façam a experiência, mas procurem, é claro, obter um argumento esquisito, sem evidências, mas que esteja plenamente alinhado com a ideologia dos autores neo ateus. Não vão lhe questionar. Será um ecoar de palmas em uníssono.
Não é para rir, e nem para ter pena
Com tudo o que coloquei acima, e que é claramente observado no comportamento dos neo ateus pelas redes sociais e pela Internet (comportamento derivado das campanhas dos autores neo ateus, diga-se), claro que a primeira tendência é sentir pena, certo?
Esse é o pior dos caminhos, pois, se realmente pensássemos na maioria das anomalias imediatamente relacionadas acima, com certeza deveríamos ter pena dos neo ateus. Mas, se pensarmos em características como megalomania, aliada à síndrome citada anteriormente, da sociopatia, o resultado se torna perigoso.
Tecnicamente, é um perfil orientado à violência psicológica, que, se não possui efeito contra pessoas bem treinadas (vários leitores deste blog, por exemplo), pode ser uma crueldade com pessoas pouco treinadas para o embate, seja virtual ou não.
Outro motivo para não menosprezar o oponente, é o fato de que os neo ateus tem embutido em seu programa a militância ferrenha, e uma organização dessa militância, contando inclusive com ações públicas que podem resultar em perdas de direitos civis para religiosos.
Enfim, são pessoas que fogem da realidade? Claro que são, mas nem por isso são pessoas inofensivas. Pelo contrário, os neo ateus têm apoio incondicional da esquerda liberal e da esquerda extrema, os marxistas. Isso significa que em territórios de doutrinação (e, como Gramsci previu, as universidades seriam um foco) eles têm caminho aberto.
Logo, o menosprezo pelas iniciativas dos neo ateus é o primeiro passo para permitir que eles avancem, pois, além de serem militantes ferrenhos de sua causa, possuem apoio irrestrito dos principais tipos de subversivos.
Aliás, um motivo pelo qual vários cristãos ainda não estão preparados para o duelo intelectual com os neo ateus é que muitos pensam neles como “ovelhas desgarradas, em busca de respostas”. Ou seja, menosprezam.
Todo esse estudo teve um objetivo: mostrar o que está por trás do neo ateísmo. Creio que esgotei, para um levantamento preliminar, o assunto, e uma das conclusões a que se pode chegar é que o neo ateísmo deve ser tratado como um fenômeno social (ou seja, fecho a idéia que iniciei na parte 1, quando decidi justificar o estudo), e, ao invés de vários debates formais com eles (como fez Dinesh D’Souza e William Lane Craig, em iniciativas que até respeito, embora não atinjam o oponente, que já está no estágio político da discussão), a postura deveria ser a oposta: o desmascaramento.
Tecnicamente, pelas anomalias mentais exibidas aqui (e com exemplos, diga-se), não há como ter uma discussão frutífera com os neo ateus. Aliás, qualquer discussão em que um religioso entrar de coração aberto, já é causa perdida, pois para o neo ateu a informação vinda de qualquer religioso é inútil.
É importante também sempre considerar que, se o neo ateu não dá atenção à informação vinda do oponente (pois está só em militância e propaganda), qualquer tentativa de conversão é inútil. Esse tipo de diálogo, mostrando com gentileza as escrituras bíblicas ou coisa do tipo, é sempre um convite ao escárnio e revide do neo ateu. Para este, qualquer discussão, qualquer debate, ou qualquer participação ativa, seja publicando um texto ou fazendo palestras, é um ato de propaganda, em uma causa política.
O discurso do neo ateu não é diferente de um discurso de campanha política dos mais sujos, onde é permitida a acusação formal e difamatória contra um oponente, além da divulgação de factóides. E, nesse quesito, precisam ser desmascarados, pois se até hoje muitos estavam acostumados com o debate aberto, formal, entre pessoas que trocavam conhecimento, o surgimento do neo ateísmo ajudou a colocar uma pedra em cima deste tipo de interação.
Que é algo que muitos podem até lamentar (o fim das discussões inteiramente socráticas, ao menos quando for o diálogo com neo ateus), é algo com que não posso deixar de concordar. Mas é simplesmente uma questão de adaptação. Infelizmente, os tempos são outros.
As motivações para o discurso de ódio
Se uma das conclusões tratadas nesta última parte é que há motivos para tratar o neo ateísmo como um fenômeno social, e não como uma vertente intelectual legítima, deixei outro ponto para tratar ao final, que é a característica de ódio existente no discurso deles.
Lembremos que no paradigma da mentalidade revolucionária, há sempre o componente da utopia, da remodelação de mundo, e a inexistência de freios morais em qualquer ação tomada em direção à esta utopia. Obviamente, o adepto da mente revolucionária se considera PARTE deste empreendimento em busca da utopia.
Ora, se antes tivemos o Iluminismo, com sua utopia de “busca por um mundo melhor, à luz da ciência”, o marxismo levou tudo ao paroxismo, prometendo um mundo totalmente igualitário, onde tudo seria mais belo. Utopias poderosas, naturalmente.
E, considerando que elas eram baseadas em discursos sedutores, obviamente ganharam muitos adeptos. O marxismo assumiu a dianteira intelectual, com o marxismo cultural, e os iluministas foram pelo mesmo caminho. Seja lá como for, o discurso subversivo foi utilizado para iludir geração através de geração, e, em ambos os discursos a anti-religião era um foco.
Se notarmos bem, em ambos os discursos tínhamos a prioridade na eliminação da religião. Iniciativa que se transformou em ódio com o advento do marxismo – aliás, por isso é lícito notar que embora vários autores neo ateus sejam de tendência liberal/iluminista, a característica de ódio tem muito mais a ver com o marxismo. Em suma, o ódio à religião tem pai e mãe. É extremamente importante lembrarmos que em ambas as ideologias, principalmente no marxismo, existia um grupo que era colocado como INIMIGO da utopia: os religiosos.
Ora, o que acontece quando alguém tenta impedir que algo de bom aconteça? Obviamente, muitos tendem a ficar com raiva desses “estraga prazeres”. É uma tendência natural do ser humano. E, se existem promessas maravilhosas de “mundo ideal” (e alguns acreditam nessas promessas), o que vai resultar naturalmente de um grupo que é TACHADO como inimigo desse ideal? Obviamente, será um resultado de ódio.
Antes de tudo, é preciso que eu diga que praticamente todas as acusações dos neo ateus não sobrevivem ao menor exame cético, mas o problema não é esse: o detalhe é que muitos dos adeptos ACREDITAM que realmente os religiosos são culpados de muitos males do mundo. Se os dados corroboram a idéia de que são culpados ou não, para os ideólogos do neo ateísmo isso não importa. O que importa é só conseguir gerar uma sensação de ódio contra um grupo.
Isso já aconteceu antes, por exemplo, com o anti-semitismo. As principais características do anti-semitismo envolviam a atribuição de generalizações para difamar um grupo, os judeus, além de utilizá-los como bode expiatório para todas as culpas que fosse possível encontrar. E, de preferência, criar uma idéia de “mundo ideal”, sendo que, diante dessa idéia, este grupo seria considerado e apontado em público como um empecilho. Simples assim. Não estou dizendo que o ódio à religião é similar ao Holocausto, mas sim ao anti-semitismo. Obviamente, o anti-semitismo foi COMBUSTÍVEL para que ocorresse um Holocausto.
Saindo do contexto da discussão unicamente anti-religião, o próprio marxismo é um discurso de ódio. Neste artigo, falando dos maoistas, eu citei um exemplo de discurso:
Se mesmo assim você não se convencer, com certeza estarei combatendo você com todas as minhas forças do lado do proletariado no dia da nossa revolução. Que ainda não ocorreu e ocorrerá. E isso é apenas uma questão de tempo, pode aguardar. E é bom você definir o seu lado.
Quer dizer,o sujeito já entra em debate com violência psicológica. E as pessoas que são facilmente sugestionáveis acabam, naturalmente, se defrontando com um tipo de perversidade mental com a qual não estão habituadas. É preciso de um certo sangue frio e experiência em conhecer os piores meandros da mente humana, para não se surpreender com pessoas que já entram em campo com ódio do oponente. Ou, como já disse, um terceiro caminho, que sugiro, é conhecer o que eles pensam, por que eles agem dessa forma e o PROGRAMA inserido no cérebro deles, para, enfim, com toda a calma do mundo, desmascará-los, em público.
Conclusão
Chegamos, portanto, ao final do estudo. Naturalmente, esse é apenas o primeiro draft do ensaio, e novas idéias podem surgir, e é possível expandi-lo. Mas a idéia geral acredito ter concluído, pois passei pelos primórdios das ideologias que primeiramente pregaram o ódio à religião (um pouco do iluminismo e principalmente o marxismo), por como os subversivos agem na sociedade, e como os ideólogos subversivos são úteis nesse processo. Passei pela Estratégia Gramsciana, que, em conjunto com os estudos da proliferação anti-religiosa nas universidades e na mídia, nos dá uma explicação para o modus operandi da propagação de ideologias subversivas. Foi possível também compreender como o neo ateísmo acaba sendo útil tanto à agenda iluminista como à agenda marxista, portanto tem apoio de grande parte da mídia. Em seguida, tratei das técnicas de lavagem cerebral, além do uso da PNL para potencializar essas técnicas, no ato da doutrinação de novos adeptos. Neste último texto, mostrei que o resultado do processo de se acreditar em uma utopia, chegando lá através de forte doutrinação, pode produzir seres humanos que transitam entre a demência e a imbecilidade, incapazes de um juízo perfeito (*). Entretanto, uma outra anomalia, a sociopatia, é ainda mais evidente que as outras, e, portanto, os neo ateus tornam-se perigosos em termos sociais. Essa última anomalia é explicada pelo discurso do ódio, em outra similaridade espetacular entre o marxismo e o neo ateísmo. Ambas, naturalmente, são discursos de ódio. Sabendo de tudo isso, além do fato da ação neo ateísta ter mais caráter político do que verdadeiramente intelectual, torna-se mais fácil defender a idéia de que a melhor atitude a tomar com eles é o desmascaramento formal, ao invés do diálogo amigável.
(*) Obviamente não digo que os neo ateus são necessariamente débeis mentais ou imbecis em termos QUÍMICOS. Em termos físicos, acredito que muitos tenham o cérebro em condições normais. Tratei aqui de pessoas que, após a reforma do pensamento (com o uso inclusive de manipulações linguísticas, que limitam o pensamento e cognição), possuem um COMPORTAMENTO típicamente insano, mas isso é provavelmente mais fruto da lavagem cerebral do que propriamente de alguma lesão cerebral, naturalmente.

Grande conclusão para a série. Aguardemos agora a versão definitiva nas livrarias \o/
Enquanto isso vamos discutir mais um pouco: o surgimento do Neo Ateísmo já provocou um prejuízo para a intelectualidade humana: o fim dos debates como palcos para troca ou mesmo combate civilizado de idéias. Nem mesmo nos tempos da intelectualidade esquerdista ocidental no início do século passado ou de debates com multiculturalistas/relativistas de fim do mesmo século não transformaram os debates em sessões de baixarias e gracinhas nas quais as respostas para perguntas são desprezadas como os neo ateus fazem com o intuito de não levar o debate à lugar algum, já que eles simplesmente desprezam a religião e os religiosos, a quem eles querem transformar numa “sub-classe”, pondo-os numa “quarentena intelectual” até que o “vírus da fé” seja extinto no mundo junto com esses religiosos incuráveis de sua fé cega…
Além de uma variante da “mentalidade revolucionária”, o neo ateísmo e seus proponentes e demais participantes são mais um sintoma da “cultura da reclamação”, termo cunhado por Robert Hughes para designar “minorias profissionais” que só querem saber de direitos mas nada de responsabilidades. Tal cultura vem devastando a cultura norte-americana, diga-se de passagem.
O neo ateísmo também é um grupo típico da “modernidade líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman. É uma ideologia que se preocupa demais com a felicidade imediata aqui na Terra e que despreza meditações mais elevadas sobre o sentido da vida e coisas assim fora do alcance da ciência. Repare, por exemplo, que a preocupação principal dos neo ateus nem é na verdade provar ou não que Deus inexiste comprovadamente, mas sim desprezá-Lo por Ele ser “cientificamente inalcançável”. O neo ateísmo é extremamente moderno nesse sentido em sua pobreza geral, infelizmente.
Por último, o neo ateísmo é a ressureição do Iluminismo justamente em sua pior versão: a francesa, com sua anti-religiosidade, materialismo elouvor ao progresso científico exagerado. Continuem assim, e o neo ateísmo criará a Inquisição Cientificista nos moldes criticados por Robert Anton Wilson – RAW – naquele livro dele que você inclusive possui Luciano.
No mais, eu vou pegar uns links depois para ilustrar alguns dos pontos que eu disse acima. Esse é um ótimo estudo Luciano, se me permite reinterar mais uma vez.
Acauã K.
abril 29, 2010 em 12:45 am
Grande trabalho, Luciano!! Foi extremamente instrutivo!!
Agora, um off topic: Eu acompanho os debates da comunidade Contradições do Ateismo, e estou com uma vontade imensa de criar um tópico propondo que o Gato Crente não seja mais moderador. O cara só está atrapalhando, defendendo os neo-ateus, e tirando a autoridade dos outros moderadores.
Se você achar que o assunto não deve ser tratado aqui, não precisa aprovar o comentario. Grande abraço!
RESP. LUCIANO
Eu também tenho achado a atuação do Gato Crente decepcionante. É importante vê-lo atuando só para estudar o comportamento do cristão manso.
Malcan
abril 28, 2010 em 4:47 pm
Viva Cristo Rei e Salve Maria Imaculada!
Caro editor,
Teria como indicar uma bibliografia portuguesa anti-neo-ateísta?
Magna
abril 28, 2010 em 11:44 am
[...] This post was mentioned on Twitter by Marcos Ludwig, Luciano Henrique. Luciano Henrique said: Novo post: Enfim, concluída a série, Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Pt. 10 – Suicídio Intelectual http://wp.me/pBzJ8-152 [...]
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abril 28, 2010 em 1:47 am