A empatia bizarra dos “humanistas” seculares

Quando eu digo que a melhor opção nessa guerra intelectual iniciada pelo neo ateísmo é o ceticismo em relação À PREGAÇÃO DELES, é por que já os estudei de tal forma que o perfil comportamental deles é realmente muito previsível.
Sempre defendi que, se eles apresentam alegações, devem ser INVESTIGADOS para avaliarmos se suas alegações são factuais ou não, ao invés de apenas ficar tendo que “defender” a religião e Deus de argumentos neo ateus que não passariam no crivo de uma criança de 10 anos.
É na investigação do DISCURSO deles que encontramos algumas pérolas que merecem estudos mais fortes… um estudo de como eles são sugestionáveis a ideologias picaretas. Tecnicamente, acreditam em tudo, inclusive em qualquer falsa promessa desde que amparada por alguma retórica, desde que esteja contra a religião.
O que mais causa vergonha alheia em relação a esse pessoal é que aceitam o discurso sem JULGAMENTO CRÍTICO, pois algumas coisas que eles pregam são dignas de riso. Em termos práticos, não há muita diferença entre a postura deles e a pior faceta religiosa, como nos casos do Edir Macedo. Em ambas as situações, é apenas discurso sedutor, emocional, para enrolar os incautos.
Diante dessa perspectiva da investigação das alegações neo ateístas, eu não podia deixar passar batido este texto, “Seja individualista você também”, uma defesa do humanismo secular feita de forma apaixonada por Eli Vieira.
Se alguém já leu “Cachorros de Palha”, de John Gray, já deve ter uma idéia a respeito do humanismo secular, e de como é uma ideologia patética, do início ao fim.
Vamos ao texto:
Calma. Não estou convidando ninguém a ser egoísta. Muito pelo contrário – pretendo mostrar que ser individualista é bem melhor para quem se preocupa com o resto da Humanidade. O que é este individualismo que não é um egoísmo? É uma postura comum de quem é humanista e secular.
Humanistas seculares estão preocupados em defender uma plenitude da vida humana construída sobre um chão sólido. O chão sólido é que a vida humana seja vista como é apresentada pela ciência, ou seja, solitária no contexto cósmico, finita e rara, produto de processos puramente naturais. A construção da plenitude é feita tanto com o incentivo ao melhor entendimento desse chão sólido, ou seja, com a indicação da ciência como o método mais apropriado de obter conhecimento, quanto com a proposição de valores éticos que dizem respeito à preservação da vida humana.
O divertido é que a coisa já começa com um baixíssimo nível de humildade. O sujeito não só diz “defender uma plenitude da vida humana” como também a idéia de que ele caminha em direção à “construção da plenitude”. Os leitores do Bule devem ter ficado com a calcinha molhada neste momento.
Mas essa plenitude, segundo ele, vem da ciência, que ele define como “o método mais apropriado para obter conhecimento”. Bem, pelo menos ele não escreveu “o único método”, mas o cheiro de cientificismo é forte.
Vejam só: se é verdade isso que ele diz, será que ele consegue provar CIENTIFICAMENTE que a postura de quem é humanista e secular AUMENTA a “preocupação com o resto da humanidade”? Será que ele fará uma parte 2 do texto trazendo tais evidências? Lembremos que ele ALEGOU que o conhecimento teria que vir da ciência…
E a tal “proposição de valores éticos que dizem respeito à preservação da vida humana”… Vieram de onde? Da ciência? Qual pesquisa? Qual paper?
Já deu para notar que o começo do discurso de Eli não é nada promissor. E o restante não melhora muito, quando ele prossegue:
Esta preservação e manutenção da qualidade da vida humana é pautada no indivíduo. Porque entendemos que não há sociedade saudável sem indivíduos saudáveis.
A última frase merece uma explicação especial. ‘Saúde’ do indivíduo significa:
[1] – expressar livremente suas opiniões e impulsos estéticos e artísticos,
[2] – atender a seus impulsos biológicos fundamentais, como os sexuais, quaisquer que sejam contanto que com parceiros capazes de responder por si (o que exclui crianças por exemplo),
[3]- ter a oportunidade de livrar-se da dor física e psicológica, mesmo que signifique optar pela eutanásia ou pelo aborto (contanto que responsavelmente e na ausência de alternativas),
[4] – ter acesso universal à apresentação imparcial do conhecimento,
entre outras coisas que se seguem logicamente dos valores fundamentais que adotamos.
Valorizar o indivíduo evita coisas como a opressão das minorias, as guerras, os privilégios a instituições ideológicas e religiosas (como a isenção de impostos escandalosa que é dada às religiões no Brasil), a homofobia, o racismo, o fascismo, e todas as formas de comportamento de rebanho que foram danosas à Humanidade em sua história milenar.
Note que isso é uma prescrição, e não uma descrição da realidade. (É como queremos que as coisas sejam, e não como as coisas são hoje.)
Chega a ser engraçado. Primeiramente ele diz que “não há sociedade saudável sem indivíduos saudáveis”, mas ao invés de tratar da concepção de saúde tradicional, opta por outra coisa muito estranha. Ele redefine o termo ‘saúde’.
Os itens [1] a [3] existem em países extremamente religiosos também. Não tem a ver com o humanismo.
Já o item [4] chega a ser no mínimo hipócrita da parte dele. Recomendo que leiam um livro chamado “Indoctrination U”, de David Horowitz, que fala do patrulhamento ideológico que sofre a minoria em alguns cursos universitários. E qual a minoria? Os conservadores/religiosos. A maioria, claro, é composta de esquerdistas (que é do tipo liberal, nos Estados Unidos, com facetas pós-iluministas, “humanistas”, anti-religiosas,etc.). E vejam como eles tratam as minorias. Uma das tentativas que eles farão, por exemplo, é destruir a carreira acadêmica de alguém que pertence à minoria. Mas aí vem o alívio (para eles), pois é só a minoria que eles não gostam. E eles não gostam dos conservadores.
Querem ver o “respeito” ao próximo deles? Ele defende o término da isenção de impostos de religiões (ele deveria ter escrito “igrejas”, e não religiões, aliás). Quer dizer, entidades que recebem doações podem ter privilégios, MENOS que sejam religiosas. O sujeito devia pelo menos tentar esconder a agenda anti-religiosa dele em um texto onde fala de “respeito ao próximo”.
Aí ele diz que essa atitude que defende irá “evitar” coisas como “opressão das minorias”, as “guerras”, a “homofobia”, o “racismo”, etc.
Curioso que ele não se esforçou nem um pouco para mostrar COMO isso vai ocorrer.
Vamos aos fatos: o discurso que ele está tentando é basicamente o da esquerda americana (no Brasil, estaria mais próximo ao do PSDB). Funciona assim: o sujeito INVENTA a historinha de que está a “favor dos direitos das minorias”, do “respeito à individualidade” e usa isso como jogo político, para dizer que “luta contra os outros” que não estão a favor dessas minorias. Daí ele defende a idéia de que o oponente é “genocida”, “intolerante”, “racista”, “homofóbico” e coisas do tipo, somente para JOGAR SEUS SEGUIDORES CONTRA o oponente. O discurso de “humanismo” não tem outra função que não isso. E, para piorar, ele não provou que o “humanismo” será a panacéia que promete.
Aliás, a panacéia para o mundo… Já ficou bem claro que o discurso dele é uma pregração de SALVAÇÃO da humanidade.
E ainda tem a pachorra de afirmar: “É como queremos que as coisas sejam…”. Esse é o Eli, O Salvador.
Vamos a mais coisas divertidas à frente:
Para os humanistas seculares, nenhum indivíduo pode ser transformado em bode expiatório. A ideia cristã, por exemplo, de que seria admirável o inocente Jesus morrendo para pagar por erros cometidos por outras pessoas, é simplesmente absurda aos olhos do Humanismo Secular (HS). Também é absurda para o HS a ideia de que um indivíduo pode sozinho saber mais que todo o resto da humanidade (como um Papa, um Aiatolá ou um Lama). Isso é contraditório com o chão firme das ciências humanas, que mostra as limitações da mente humana tanto em ética quanto em conhecimento. No HS o indivíduo humano é ’sagrado’ (defensável), mas não é ’santo’ (dotado de atributos não demonstráveis). Empatia é a chave para esta postura. Sendo humanista secular, você não será homofóbico, porque entende que a atração sexual por pessoas do mesmo sexo é algo inexorável e irresistível para o indivíduo homossexual (empatia).
Pois é, nessas horas é bom ser cético.
O Eli Vieira promete uma teoria em que “nenhum indivíduo pode ser transformado em bode expiatório”. Será que é verdade? Recomendo que vejam a comunidade “Criacionismo” e procurem os posts de Eli e seus amigos contra religiosos. Claro que ele só consegue praticar bullying virtual em uma comunidade de Orkut, e quando está apoiado pela moderação, mas o importante aqui é que vocês vejam a “empatia” que ele tem pelos religiosos. Se o tal do “humanismo secular” garantisse empatia, então os adeptos dele não iriam praticar bullying virtual de maneira covarde principalmente contra aqueles que não sabem se defender.
Querem mais um exemplo? Aqui está um tópico de bullying virtual (embora o George saiba se defender, ele estava em uma comunidade em que as regras funcionavam para o lado dos neo ateus, ou “humanistas”, como o Eli agora quer se rotular).
Eles não são gente finíssima? Pois é, não transformam “ninguém” em bode expiatório. Dá para notar…
Mesmo assim, a cara de pau é tamanha que a promessa de palanque não tem limites:
Você não apoiará as guerras, porque saberá do horror que significa a morte de um único soldado cheio de esperanças e vontades de viver, e saberá que apesar da vontade do grupo, muitos indivíduos terão objeção de consciência com relação a se doarem por causas abstratas (empatia). Tampouco um humanista secular deverá comemorar quando defensores de ideologias anti-humanistas são mortos em conflitos – sabemos da fragilidade da mente humana ignorante e sua extensa propensão a crenças simplórias e tribais, que não diminuem a raridade e a preciosidade de um indivíduo humano, ainda que fanático e nocivo (empatia).
No momento em que ele garante que o humanista “não apoiará as guerras”, não é bonito de ver falar? O problema é que não há nada que comprove isso, e ainda o histórico que mostrei do Sr. Eli nos demonstra que o discurso é só da boca para fora.
Tanto que ele usa estratagemas para ridicularizar seus oponentes ao dizer “fragilidade da mente humana ignorante” ou “extensa propensão a crenças simplórias e tribais”, e a pérola “fanático e nocivo”.
Notaram como ele define um religioso? NOCIVO!
Vamos realizar: será que se alguém for racista e ao encontrar uma pessoa de outra raça disser “mesmo que você seja nojento e nocivo, chorarei se você morrer (empatia)” estará sendo humanista? Será que usar um discurso de preconceito desse é o que ele chama de empatia?
Mas, enfim, no conceito bizarro de moral dele, Eli pode ser preconceituoso o quanto quiser, já que estes que são contra ele estariam contra a “promessa de paz”, a famosa utopia, que prossegue:
As crenças ufanistas e nacionalistas que motivam muitas guerras vão de encontro à cosmovisão humanista quando fabricam conceitos frouxos como nação, raça, grupo de fé, e outros conceitos coletivos que não significam nada perto do sofrimento real e das aspirações básicas de um organismo humano individual. Ninguém deve morrer pela pátria, pátrias não têm outra substância que não sejam ideias, pátrias não sentem dor, não têm aspirações nem necessidade de prazer.
Depois ele não poderá negar que prometeu a utopia. E lá vem mais:
Individualistas podem se orgulhar por ter nascido em determinado lugar do planeta, por falar certa língua ou pertencer a certa etnia. Mas, acima de tudo, não deixarão que este orgulho fira outros indivíduos na forma de xenofobia, racismo e sexismo, porque quem fere o outro fere a si próprio. Quem desvaloriza indivíduos em nome de ideologias de rebanho está desvalorizando a si próprio (Podem incluir aqui as torcidas fanáticas do futebol!).
A utopia prossegue. Mas uma pergunta que não quer calar: se ideologias de rebanho estão proibidas, o neo ateísmo não está? Algo como: ler os livros de Richard Dawkins e Sam Harris e depois sair ofendendo os religiosos nas comunidades, com discurso decorado dos livros (todo baseado em slogans, como bem apontou Chris Hedges) pode? Só não pode se for um “comportamento de rebanho” que ele não gosta, certo? Esse discurso do Eli está cada vez mais revelador a respeito de quem ele realmente é. Sigamos…
Ordens só devem ser seguidas na medida em que promovem a dignidade dos indivíduos humanos. Nenhum humanista secular deve atentar contra indivíduos sob a alegação de que estava somente seguindo ordens (como fizeram vários empregados do regime nazista que diariamente jogavam judeus na câmara de gás, ou como fez o personagem fictício Abraão ao obedecer as ordens de Javé para sacrificar o próprio filho).
E se o Sam Harris dá a ordem para sair pregando e ofendendo os religiosos, essa é uma ordem que pode ou não ser seguida pelo “humanista secular”? Ah, eu me divirto…
A ciência mostrou que nós, indivíduos, somos raros, finitos, e pequenos. Encontrar outro indivíduo neste planeta é, portanto, um evento mais precioso que observar a explosão de uma supernova. Se você é individualista, portanto, você valoriza o que é raro e precioso. Nas palavras de Carl Sagan para sua amada Ann Druyan, “diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta e uma época com você”.
Isso aqui é tão bobinho e auto-ajuda que nem vou comentar. Mais:
Pense nisso da próxima vez em que estiver andando pelas ruas da sua cidade, atrasado para o trabalho ou para o estudo. Olhe em volta os múltiplos rostos humanos: sorrindo e chorando, preocupados e contentes, esperançosos e cheios de fé, incisivos e fanáticos, com mente aberta e tentando se proteger, com medo e com coragem, opressores e oprimidos. Faz muito bem para você e para os outros.
Dica ao Eli: quando o assunto acaba, melhor parar de escrever. Eu faço isso. As vezes já reclamaram que meu estilo é abrupto e eu termino um texto as vezes sem um “grand finale”. Mas é melhor do que escrever bobagem.
Esse finalzinho do texto dele é o exemplo do Tetrafarmacón de Epicuro. Basta pensar positivo, olhar para os outros, imaginar que possuem sentimentos e “fará muito bem para você e os outros”. Será que os humanistas realmente fazem isso? Devemos exigir evidências, pois o comportamento de Eli mostrou o inverso da parte da “empatia” alegada em seu discurso.
O importante é notar que o componente de utopia está presente do início ao fim.
O recurso dele é simples, como em todo joguete político de esquerda: prometer a utopia, fingir que se é um AGENTE na busca por essa utopia, e, então, usar isso como desculpa para discriminar os que SUPOSTAMENTE estariam contra essa utopia.
O curioso é que Eli nem se preocupou em esconder sua agenda.
E, se ele promete empatia, recomendo que dêem uma olhadela pelos textos do Bule Voador.
A maioria é composta de escárnio contra religiosos, manipulação de informações, charges com generalizações, etc.
Se é essa a “empatia” que ele quer oferecer aos religiosos, então eu prefiro a antipatia. A antipatia honesta e declarada dificilmente conseguirá ser tão fétida quanto a “empatia” desses “humanistas seculares”.

Eia, calma lá caubói Jordan! Ainda que você tenha todo o direito do mundo para expressar sua indignação e esse versículo bíblico esteja correto de certa forma para com o tópico em uma forma mais espiritual, me vejo de certa forma tendo que discordar do seu comentário aqui em certos pontos.
O Humanismo, pelo que eu saiba, tem raízes filosóficas do melhor das culturas grega e romana e foi um conceito ressuscitado no finalzão da Idade Média e começo do Renascimento por cristãos helenizados, digamos assim (Dante, Petrarca, Pico della Mirandolla, Rabelais, etc.). Nos EUA, por volta da década de 50 do século passado, surgiram manifestos humanistas que reuniam tanto intelectuais seculares quanto religiosos – embora o número dos últimos que eu saiba era menor que o dos primeiros. Paul Kurtz porém, um dos participantes primordiais desses manifestos humanistas, “roubou” a idéia nas décadas seguintes transformando em algo totalmente secular, culminando com o Manifesto Humanista Secular de 2003 que envolvai entre um dos signatários ninguém mais ninguém menos que Richard Dawkins. Não sei se o termo “Humanismo Secular” é criação do senhor Paul Kurtz, um neo-ateu das antigas praticamente, mas que foi ele quem consolidou essa aberração não há como negar. Logo, não é o Humanismo por si que tem de ser combatido como o senhor, Jordan, tão descuidadamente ataca, mas sim o roubo desse conceito como se fosse algo exclusivamente secularista (mais uma reescritura desavergonhada da história por neo ateus, como podem conferir).
Segundo, você pode ter o que for contra o ateísmo para consigo mesmo, mas chamar de “a maior de todas as pragas humanas” é exagero (e intolerância) de sua parte, já que assim você está generalizando em um conceito taxando assim todos seus aderentes de imorais quando isso não é verdade. Eu já venho dizendo aqui várias vezes que o ateísmo por si só é algo que, praticamente, não fere nem cheira por si só: o ateísmo por si mesmo não prejudica a sociedade, mas também de forma alguma protege de forma firme valores morais, espirituais e afins da humanidade em um todo. O risco que se corre é quando o ateísmo é usado como ferramenta como ele foi (e ainda é) pelo socialismo em um todo para a consolidação desse e, é claro, pelo neo ateísmo nos dias de hoje querendo consolidar o ateísmo por si mesmo. Repito: há ateus – e muitos! – que são contra o neo ateísmo e isso é mais que compreensível já que nenhuma outra crença (no caso do ateísmo, uma crença descrente) é de âmbito puramente pessoal como o ateísmo e os neo ateus se dizem porta-vozes de ateus de uma forma geral, chegando ao cúmulo de até ateus serem ideologicamente perseguidos por neo ateus. E há coisas bem mas bem piores que o ateísmo meu caro como ganância desenfreada, intolerância, estupidez e outras que podem ser adotadas, infelizmente, por qualquer um: cristãos, muçulmanos, judeus, ateus, agnósticos e etc. O neo ateísmo, além de poder ser considerada uma “heresia” do ateísmo, é uma baita duma estupidez ideológica, e nada mais.
Dizer que “eles [os neo ateus humanistas seculares] defendem coisas que apodrecem a alma humana” é inútil para eles porque justamente eles não acreditam em alma. Logo, para se fazer uma crítica desse tipo é necessário apontar os desastres, digamos, seculares da difusão de práticas como o aborto na sociedade como algo que afete negativamente a TODOS os indivíduos – ateus inclusive.
Neo ateus humanistas seculares também não defendem discursivamente o hedonismo pura e simplesmente. O problema é que eles não concordam que hajam bases absolutas para a manutenção da moral e é aí que mora o perigo. Por falar em moral, há várias fontes para a moral meu caro (um comentarista aqui do blog, Gabriel, lembrou algumas semanas atrás de Aristóteles que em trabalhos como “Ética a Nicômaco” busca bases racionais para o consolidamento da razão, sem apelar para argumentos religiosos, embora Aristóteles fosse um teísta assim como Platão e Sócrates). Acontece que a moral em um todo encontra sua manuntenção duradoura na religião, mas isso não significa que é só a religião que cria a moral ou que ela a sequestra, para relembrar aquele argumento idiota do Arthur C. Clarke.
No mais, o que deixa brechas para o NEO ateísmo e demais ações anti-religiosas ao redor do mundo irem conqusitando terreno de pouco em pouco é a falta de defesa de religiosos (laicos e participantes) de valores básicos que moldaram a civilização como um todo, e os que defendem ou ainda não perceberam que a discussão envolvendo o neo ateísmo é política e não religiosa ou, pior ainda, defendem APENAS valores religiosos de formas que beiram ao autoritarismo (a direita fundamentalista cristã dos EUA é um exemplo medonho disso). O neo ateísmo está contra TODA a estrutura já estabelecida civilizacional da qual participam (ou parasitam – o que infelizmente é o caso geral. A Europa está cheia dos “señoritos satisfechos” de Ortega y Gasset, os mesmo que por conta da frouxidão deles deu passagem à destrutividade facista na Europa de uma forma geral) religiosos e descrentes, querendo revolucionar o mundo por estratagemas de ódio e até destruição velada se possível. É contra isso do qual faz parte o senhor Eli Vieira – um hipócrita de marca maior como se pode perceber – que tem de ser combatido.
Acauã K.
maio 3, 2010 em 4:30 pm
Para os humanistas (materialistas) seculares: “Quem agarrar-se à própria vida a perderá.” Mateus 10:39
Os humanistas não possuem um pingo de MORAL para se dizerem “defensores da vida humana”.
O humanismo secular é uma pseudo-filosofia de vida, totalmente calcada no egosimo, no materialismo e na maior de todas as pragas, o ateismo.
Como esses hipócritas podem se dizerem “defensores da humanidade”, se eles apoiam justamente aberrações que apodrecem a alma dos seres humanos, como o aborto.
Desprezam todos os outros conhecimentos não-científicos, como se eles não representassem nada na evolução humana.
Um dos maiores absurdos pregados por eles, é o cientificismo como a unica via de conhecimento e evolução humana. Pelo que eu saiba, moral e ética, não possuem nenuma raíz científica, mas sim, RELIGIOSA.
Outra merda pregada por eles é a de que o ser humano tem de se deixar levar por todos os instintos e vontades do corpo, ora, isso aí é “filosofia” de viciados em drogas. Não é atoa, que boa parte dos que defendem a “moral” epicurista, são a favor da liberação das drogas.
Se a “filosofia” epicurista é bem representada pelos viciados em drogas, imaginem o pandemônio que seria esse pensamento epicurista nas mentes dos psicopatas e sociopatas!
Os humanistas se dizem contra as guerras, mas defendem um estilo de vida e filosofia totalmente materialista e egoista, gerando os sentimentos mais mesquinhos nas pessoas, criando uma sociedade totalmente profana e que , para causarem uma guerra, não pensam 2 vezes.
Se tem uma ramificação do neo-ateismo que precisa ser desmascrada e erradicada da face da Terra, é essa merda de humanismo secular.
Jordan J. Souza (Gauss-Jordan)
maio 2, 2010 em 11:25 pm
Flavio,
Por outro lado, isso é um manifesto: o COMO que você exige, você bem o sabe, deveria ser algo como um livro, uma obra em 8 tomos, coisa do tipo. Ademais, COMO é que o seu mundo católico perfeito vai se dar? Você pode me explicar em um único post, Francisco?
Ei, maluco, não sou Francisco, sou Luciano. Eu não acredito em “mundo perfeito”. Portanto, você fracassou aqui. Quem é o picareta é o Eli e você, que buscam idéias para “mundo perfeito”, mas que no fim são apenas cortinas de fumaça para vocês praticarem preconceito, certo?
Você ataca o “bullying” (palavrinha “meio” forçada no contexto, hein?!) do Eli, e reclama da falta de “empatia”, que ele defende. Ora, a empatia dele não significa falta de discordância, mas se você fala da violência das palavras em relação aos não-adeptos da ideologia do cidadão, que instituição ocidental foi mais pancada que a Igreja Católica? Os partidos comunistas e…? Enfim, reclamar de ele bater (com palavras!) em quem não sabe se defender não é… exatamente o que você está fazendo?!
Claro que não. Ele sabe se defender. Estou aqui demonstrando a fragilidade e a inconsistência do discurso dele. E você ficou todo nervosinho, pois sabe que atingi o calcanhar de Aquiles. Agora, podemos OBSERVAR a postura dos foristas do Bule e do próprio Eli baseado no que ele escreveu. É fato: na comunidade Criacionismo, ele e os amigos dele fazem uso do apoio da moderação para atacarem debatedores frágeis. É uma demonstração da “empatia” dos humanistas seculares. Enfim, a própria “promessa de salvar o mundo” é mais cortina de fumaça para habilitarem vocês a fazerem o que quiserem. O problema é que este blog está aqui para INVESTIGAR a postura de vocês, que é bem suja.
A sua comparação do que Eli fez com o conceito de “bode expiatório” é falha. Nenhum ateu que já vi nessa vida quer espancar um cristão para expurgar os pecados desta religião – o que seria, aí sim, uma metáfora válida contrária à que Eli propos. Sua comparação confundiu espécie com gênero para atribuir característica negativa ao adversário. De novo.
Engraçado, pois o próprio blog Bule Voador defende idéias de que os religiosos são culpados pela maioria dos males do mundo. Hm…. a sua evidência anedota dizendo “nenhum ateu que já vi nessa vida quer…” caiu aí. Aliás, os genocídios que vem desde a revolução francesa, passando pelo comunismo, tem essa função. O discurso de ódio aos religiosos pregado pelo Bule Voador é apenas um ato político, com a função de discriminar uma classe, e, então justificar qualquer coisa que for feita contra eles.
O mesmo problema acontece quando ele fala de crenças tribais. Ora, você, Francisco, acredita que as populações que vivem sob ditaduras islâmicas ou em tribos paleolíticas e canibais mundo afora não estão, afinal, sob efeitos da “fragilidade da mente humana ignorante e sua extensa propensão a crenças simplórias e tribais”? Ademais, quem achou que “tribais” referia-se a comunidades religiosas por si foi você, e não ele. E o “nocivo” na frase dele não estava iimplícito (nem em “religioso”, inexistente, nem em “tribal”), e sim como algo POSSÍVEL. E eu duvido que você discorde disso. Mesmo porque acha que ele (e os tais “neoateus”) vivem numa tribo…
Aqui o Flávio não refutou nada do que eu disse, e nem conseguiu defender o Eli. O discurso de “populações que vivem sob ditaduras islâmicas” é importado do Sam Harris, o que desmascara o Flávio mais uma vez. Enfim, os religiosos não estão pedindo consultoria dos adversários neo ateus a respeito de “fragilidade da mente”, e vocês não comprovam que a mente de vocês é menos frágil que a dos religiosos. Sem isso, fica apenas o seu discurso de ódio, visando ofender os religiosos, mas não consegue apresentar uma prova científica.
A partir disso, você constrói mais uma metáfora absurda e descabida, tanto em espécie quanto em gênero, para comparar o comportamento do tal HS ao de um racista (ou supor que Sam Harris dá “ordens” ao seu “rebanho”).
Não mostrou que a metáfora é absurda e descabida, de forma alguma. Eu citei um exemplo de alguém que for racista e chame o oponente de “nocivo”, mas venha com a cara de pau de dizer que isso é “empatia”. Ou seja, a metáfora é válida, e você está só esperneando pois agora podemos observar com mais atenção a postura de vocês do Bule. Chore o quanto quiser.
Por fim, vejo erros latentes em ambos os discursos (obviamente, aqui só apontei os seus).
Aqui não apontou um erro sequer. Temos que investigar mais ainda vocês.
(continua)
lucianohenrique
maio 2, 2010 em 9:45 pm
(continuação)
Mas você não percebe como também comete erros, apenas por ser “mais filósofo” diante de alguém sem grandes conhecimentos de filosofia e deveras romântico, mas que nem por isso é 10% perigoso como você o pinta?
Essa é a estratégia Keyser Soze. Ou seja, o sujeito quer disfarçar o perigo que o movimento neo ateu representa em sua campanha de ódio… rs.
Olha, Francisco, o problema é que esse tipo de texto seu consegue justificar até aqueles conceitos panacas de psicanálise, como “espelhamento”, que é justamente o que faz com que alguns “neoateus” pós-modernosos tenham tanto fanatismo estapafúrdio em sua visão de mundo deturpada…
É Luciano, não Francisco.Não, o que explica os neo ateus é o seguinte. A função deles é ridicularizar os religiosos, para aos poucos retirá-los do cenário da discussão intelectual. Com isso,aos poucos, direitos serão tirados dos religiosos. E isso é apenas o começo. Enfim, o neo ateísmo não é diferente do anti-semitismo, e autores como Sam Harris e Richard Dawkins pregam discurso de preconceito. É natural que você se irrite TANTO com meu texto, pois agora temos um modelo para INVESTIGAR o comportamento dos neo ateus…
lucianohenrique
maio 2, 2010 em 9:45 pm
O texto do Eli me fez lembrar um pequeno livro: “sobre falar merda” http://www.submarino.com.br/produto/1/1054685/sobre+falar+merda
No mais, boa semana a todos.
Luis
maio 2, 2010 em 9:25 pm
A sua comparação do que Eli fez com o conceito de “bode expiatório” é falha. Nenhum ateu que já vi nessa vida quer espancar um cristão para expurgar os pecados desta religião – o que seria, aí sim, uma metáfora válida contrária à que Eli propos. Sua comparação confundiu espécie com gênero para atribuir característica negativa ao adversário. De novo.
O mesmo problema acontece quando ele fala de crenças tribais. Ora, você, Francisco, acredita que as populações que vivem sob ditaduras islâmicas ou em tribos paleolíticas e canibais mundo afora não estão, afinal, sob efeitos da “fragilidade da mente humana ignorante e sua extensa propensão a crenças simplórias e tribais”? Ademais, quem achou que “tribais” referia-se a comunidades religiosas por si foi você, e não ele. E o “nocivo” na frase dele não estava iimplícito (nem em “religioso”, inexistente, nem em “tribal”), e sim como algo POSSÍVEL. E eu duvido que você discorde disso. Mesmo porque acha que ele (e os tais “neoateus”) vivem numa tribo…
A partir disso, você constrói mais uma metáfora absurda e descabida, tanto em espécie quanto em gênero, para comparar o comportamento do tal HS ao de um racista (ou supor que Sam Harris dá “ordens” ao seu “rebanho”). Frangamente, Francisco, convenceria “uma criança de 10 anos”?
Por fim, vejo erros latentes em ambos os discursos (obviamente, aqui só apontei os seus). Sua crítica à “utopia” está correta. Sua preferência pela antipatia (que você demonstra com unhas e dentes), também. Prefiro usar palavras menos suaves para discordâncias sérias e nada suaves (e nem por isso, menos civilizadas).
Mas você não percebe como também comete erros, apenas por ser “mais filósofo” diante de alguém sem grandes conhecimentos de filosofia e deveras romântico, mas que nem por isso é 10% perigoso como você o pinta?
Olha, Francisco, o problema é que esse tipo de texto seu consegue justificar até aqueles conceitos panacas de psicanálise, como “espelhamento”, que é justamente o que faz com que alguns “neoateus” pós-modernosos tenham tanto fanatismo estapafúrdio em sua visão de mundo deturpada…
Flavio Morgenstern
maio 2, 2010 em 9:16 pm
Agora, não sei se é o que o Eli defende, mas se quer ver como a ética é sim uma coisa que advém “da ciência” (ou, melhor dizendo, é biologicamente definida), consulte o livro de Jared Diamond, Armas, Germes e Aço, e me diga se é mesmo necessário apelar para esse discurso que, oh, posso encontrar nas entrelinhas do seu sem colocar palavras na sua boca, certo?, que diz que, sem acreditar em sobrenatural, nada pode ser ético (pois é “impossível” ter concepções éticas retiradas apenas da observação da ciência – e de qual mesmo? só das hard? Antropologia é ciência? E filosofia da ciência, não é consideração científica? Ih, parece que você também passou ao largo de tudo isso, não é?…
(ele dará uma explicação sucinta e perfeitamente darwnista, mais para frente: “porque quem fere o outro fere a si próprio.” – você discorda que seja suficiente para construir uma moral, ou faltam milagres, vôos e, digamos, um pouco de mágica para os olhos, aí?)
Isto posto, também chama a atenção que você reclame de ele não explicar COMO o mundo que ele propõe pode ser possível – eu também não proponho, simplesmente dei a sugestão de um livro. Por outro lado, isso é um manifesto: o COMO que você exige, você bem o sabe, deveria ser algo como um livro, uma obra em 8 tomos, coisa do tipo. Ademais, COMO é que o seu mundo católico perfeito vai se dar? Você pode me explicar em um único post, Francisco? Preferencialmente, menor que esse, que deu dor de cabeça…
Você ataca o “bullying” (palavrinha “meio” forçada no contexto, hein?!) do Eli, e reclama da falta de “empatia”, que ele defende. Ora, a empatia dele não significa falta de discordância, mas se você fala da violência das palavras em relação aos não-adeptos da ideologia do cidadão, que instituição ocidental foi mais pancada que a Igreja Católica? Os partidos comunistas e…? Enfim, reclamar de ele bater (com palavras!) em quem não sabe se defender não é… exatamente o que você está fazendo?!
Flavio Morgenstern
maio 2, 2010 em 9:15 pm
Não estou aqui para ser advogado de causa perdida, mesmo porque discordo frontalmente de ambos (em muitos aspectos sou “conservador”, embora ateu, e meu problema com o humanismo secular está mais no “humanismo” do que no “secular”), mas, Francisco, você não acha que cometeu os MESMOS erros (ou “erros”) do sujeito que agora ataca?
Você começa atacando fatores estéticos de “rebeldia” no texto do garoto. Honestamente, preciso ficar meio longe da tela nos primeiros parágrafos do seu, pois o tanto que você gritou doeu de LER aqui deste lado do monitor.
Depois, a contradição mais flagrante: parte do pressuposto (não dado no texto do Eli) de que ele TALVEZ seja cientificista. Ora, pressuposto que não fica tão claro quanto você pensa no texto do garoto, mas já está lá você colocando palavras na boca dele.
Mas aí, eis que você reclama que a moral que ele defende não advém da ciência… epa! isso não é, justamente, uma prova de uma moral NADA cientificista, mostrando que a contradição está na sua pressa em classificar seu adversário num tipo desprezível para sua audiência, e depois reclamar da FALTA de atributos nele que confirmem o que você pressupõe? Pode ficar lindo, mas só para a SUA audiência, predisposta a considerar qualquer ateu algo próximo de um verme. E nada verdadeiro.
Flavio Morgenstern
maio 2, 2010 em 9:13 pm
Humanismo secular é o de menos.. a defesa dele do veganismo foi bem pior!
E é o de sempre, o cara escolhe arbitrariamente o que é moral ou não… daí que se um cara contestar o humanismo já era (http://wp.me/poEI5-Jo), ele vai ter de impor o humanismo dele na porrada…
Charles Fernando
maio 2, 2010 em 8:52 pm
Esse discurso pra “inglês ver” de uma pessoa tão hostil com os religiosos como o Eli Viera, só mostra o quanto ele não faz o menor esforço pra cumprir com o que escreve sobre o humanismo(ou talvez ele faça e não consiga).
Mas como uma liga com objetivos utópicos como esse, e com textos completamente hipócritas, nada mais justo do que ser presidida por alguém como o Eli.
Na verdade esse negócio de “Não fazer ao próximo o que não gostaria que fizessem com você” é uma cópia barata do segundo mandamento de Jesus (amar ao próximo como a ti mesmo), só que não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com você não é o suficiente, pois pensar não é fazer, desejar não é fazer. Posso muito bem não fazer mal a alguém mas desejar o seu mal. Já quando amamos alguém estamos incapacitados e deserjar-lhe o mal.
Enfim… Essa Liga Secular tem o objetivo claro de apregoar a Anti-Religião, então todos estejamos de olhos abertos!
George Henrique
maio 2, 2010 em 7:56 pm
[...] This post was mentioned on Twitter by Fabiano Sampaio and francisco razzo, francisco razzo. francisco razzo said: Neo-ateu só pode ser uma besta-quadrada ou sofrer de muito esquizofrenia: http://bit.ly/aBn6WS [...]
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maio 2, 2010 em 7:55 pm
Nossa…
O cara vive na “segunda realidade”, ideologia egofânica, torpe, gnóstica, esquizofrênico e medonho!
francisco razzo
maio 2, 2010 em 7:32 pm