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Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 6 – A origem da picaretagem intelectual

Anteriormente, já falamos da Estratégia Gramsciana, que pode ser definida como uma arquitetura de implementação do marxismo cultural. Movimento que pode ser definido como um dos ícones da subversão. O neo ateísmo é atualmente seu carro chefe. Conforme vimos nesses textos, uma das principais armas dos subversivos é o uso sistemático e estruturado da mentira, inclusive justificável (para eles). Enfim, temos uma nova série de artimanhas que torna-se um novo sistema de agir, direcionado a produzir o maior número de estratagemas possível de forma que o público menos apto não seja capaz de perceber. E até produzir novos estratagemas para o caso dos truques serem descobertos. Um exemplo, como já dito, é a tentativa de atacar os argumentadores oponentes para que o público não perceba que o que eles próprios dizem é uma mentira. Em suma, o que estamos tratando aqui é da prática oficializada da charlatanice, que, conforme confirmou Trostky, era aceitável, pois, contra os inimigos todos os “estratagemas” e “dissimulações” deveriam ser praticados. Trotsky citava Lênin, inclusive.
O que está sendo objeto de estudo aqui é um misto da retórica pura e simples, com a impostura e o blefe, e de como isso tudo se tornou um padrão comportamental para os subversivos, ao passo que para muitos outros deveria ser um ato de vergonha suprema o mero ato de pensar em executá-los.
A partir de agora, neste texto, tratarei todas as iniciativas de falsidade e desonestidade intelectual, desde a retórica até o blefe, desde a trapaça até a divulgação de falsas informação, desde a retirada de textos do contexto até a contra-informação pura e simples, desde a impostura até a fraude, enfim, tudo isso como apenas mentira. Em oposição à busca da verdade. Lembro que aqui trato não só a mentira contada por alguém, com foco em enganar os outros, mas sim também a atitude que ocorre, em vários casos, de alguém aceitar passivamente uma mentira simplesmente por não dar tanta importância à verdade.
Obviamente meu objetivo aqui não é contar a origem da mentira, mas sim entender como o uso da mentira, de forma sistemática e estruturada, se tornou um paradigma comportamental para uma classe de pessoas.
A Bíblia e a Verdade
Antes de tudo, ao tratar da Bíblia aqui, não o farei de forma apologética. Não irei demonstrar que ela é a verdade em cima de outras, e nem tentarei fazer a validação dela aqui, mas apenas analisá-la externamente. Pode até ser considerada uma análise secular, e eu optei por fazê-lo desta forma pois os 10 textos dessa série são na verdade uma iniciativa de estudo científico a respeito de uma ideologia subversiva (o neo ateísmo). Logo, eu não posso tratar o assunto aqui de forma teológica, ou até me apegar à minha religião, que eu claramente considero verdadeira. O tratamento que farei aqui é o tratamento como se fosse de alguém que NÃO fosse um cristão católico, e sim de alguém que avalia a Bíblia de uma forma secular.
Avaliando-a, portanto, de uma perspectiva secular, notamos a vantagem da Bíblia sobre os textos anteriores de cunho religioso, e uma “inovação” que deveria ser motivo de orgulho para todos os que a seguem – notem aqui que não trato do orgulho destrutivo, anti-produtivo, mas sim do reconhecimento do valor de algo a que se é apegado. Esse motivo de orgulho que eu afirmo é o fato da Bíblia conter uma série de trechos em que ela é extremamente clara: a mentira sempre será considerada uma abominação, e a luta pela verdade deverá ocorrer sempre.
Em João 16:13 é dito: “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.”. Olhando na perspectiva do que tratamos aqui deve-se notar que quando está escrito “não falará de si mesmo” é a idéia de que a verdade não é aquilo que queremos que seja, mas sim as coisas como elas são. Se notarmos com cuidado, idéias assim estão extremamente alinhadas com o método científico, que é uma forma de descobrirmos, no mundo natural, as coisas como elas se mostram, mas não como alguns gostariam que fosse.
Os filósofos pós-modernos, por exemplo, afirmam que não há coisas como “verdade absoluta”. Isso está em oposição à tudo que é ensinado na Bíblia, em que temos a verdade absoluta, e em nenhum dos casos a verdade absoluta é apresentada como originada da vontade das pessoas. A verdade é apresentada na Bíblia na forma de cinco colunas, conforme estão nas escrituras: “Deus é a verdade” (Isaías 65:16), “Jesus Cristo é a verdade” (João 14:6), “O Espírito Santo é a verdade” (João 16:13), “A Bíblia é a verdade” (João 17:17) e “A Lei de Deus é a verdade” (Salmo 110:142). Essas seriam as cinco colunas da verdade. Espero que os leitores não-religiosos não se incomodem, pois em nenhum momento estou aqui querendo convencer a ninguém de que “O cristianismo é a verdade”, mas sim mostrar a importância da busca da verdade conforme está nas Escrituras, e como em todas as cinco colunas da verdade em nenhum momento ela é tratada como se fosse algo submetido à vontade humana. A única pessoa de carne mencionada como uma das cinco colunas da verdade é Jesus Cristo, e ninguém mais. Isso explica-se pelo fato da vida toda de Jesus ser vivida em coerência com as palavras de Deus.
O que importa, para este momento, não é defender a Bíblia em si, mas sim me atentar aos fatos. Este blog é feito por mim, um católico, mas sob a perspectiva secular. Aqui eu não quero dizer que a Bíblia é melhor que o Corão, ou que somos melhores que os ateus, e nem impor aquilo no que acredito aos outros, mas sim me atentar aos fatos. E estes nos mostram que em uma análise da Bíblia, podemos observar que ela é um livro em notamos a busca incessante pela verdade. Esta busca não é jamais mencionada como algo que estaria condicionado às vontades humanas (ou seja, verdade relativa), mas sim está sempre em um nível acima da mera vontade humana. Essa é a forma que a Bíblia trata a verdade, e é justamente por isso que normalmente me refiro ao cristianismo como uma religião de direção aristotélica. Não é que o cristianismo SEGUE o aristotelismo, mas sim que está em plena consonância com o aristotelismo e em completa oposição ao epicurismo (que é o principal foco deste artigo, como veremos adiante).
Muitos ateus dizem que “A Bíblia é uma mentira” ou contém “historinhas”. Mas, se olharmos até por essa perspectiva deles, poderíamos dizer que a Bíblia seria então baseada uma mentira mas ainda assim foca em dizer que não devemos buscar a mentira? E mais: Será que a Bíblia é uma “armação” de pessoas que queriam o poder? Mas se for assim, por que é que a Bíblia em nenhum momento, com exceção de quando se refere a Jesus Cristo, menciona que a verdade está em pessoas (o que seria um habilitador para que os donos do poder a usassem para dizer “eu sou um emissário de Deus, me sigam” ou coisas do tipo)? Portanto, qualquer idéia anti-bíblica que diga que “não há provas de que Deus existe” ou “a história de Jesus é apenas ficção” não é algo que estou tratando neste texto, embora essas idéias também já tenham sido refutadas brilhantemente por apologetas como William Lane Craig e outros estudiosos.
Portanto, para que tudo seja limpo e cristalino, eis meu interesse aqui: não estou difundindo a Bíblia e nem pregando-a, pois este é um blog secular. Mas sim avaliando o que está lá escrito para mostrar que há motivos para qualquer pós-moderno rejeitar a Bíblia. Aquele que não acredita em verdade absoluta não pode mesmo estar alinhado à Bíblia, e até por isso fica fácil de entender por que tantas pessoas anti-religiosas dedicam seu tempo a atacá-la. Mesmo que muitos não entendam patavinas das mensagens lá. Ou, se entenderam, é muito provavel que a rejeitaram. Para concluir, em João 8:32 temos “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”
Os três sábios
Eu não quero dizer que a única iniciativa de busca da verdade veio dos autores da Bíblia, mas também temos grandes exemplos dentre aqueles que são chamados de três sabios: Sócrates, Platão e Aristóteles.
O primeiro deles, Sócrates, nasceu em 470 a.C., em Atenas, e dedicou sua vida à filosofia. Segundo ele, os cidadãos deveriam ser sábios e honestos, ao contrário dos sofistas, que eram pensadores que discursavam com a intenção do benefício particular. Desde aquela época, o discurso sofista tinha atitudes de “escravização” mental dos menos capazes (exatamente como a Estratégia Gramsciana planejou, mas sem toda a engenharia de ação prevista por Gramsci), e, como diria Gérson, “levar vantagem sempre, certo?”. Sócrates bateu de frente com esse tipo de pessoas, o que levou a hostilidades contra ele desde o começo. Claro que Sócrates também não era um ser totalmente passivo, e ficou conhecido também por sua ácida ironia e seus questionamentos ferozes, não raro desmascarando picaretas intelectuais. Aliás, aquilo que este blog normalmente traz, que é o desmascaramento de fraudes intelectuais, para Sócrates era uma norma comportamental. As hostilidades para com Sócrates culminaram em uma acusação jurídica movida por ele contra Mileto, Anico e Licon. A acusação dizia que Sócrates corrompia a mocidade e negou os deuses estabelecidos na época (sim, lá se vivia na época do politeísmo). Sócrates negou-se a rever os seus pontos e por isso foi condenado à morte, em uma execução que ocorreu em 399 a.C., quando ele estava com 71 anos de idade.
Sócrates desenvolveu um processo dialético chamado de indução, com o qual comparava vários indivíduos de uma mesma espécie, retirando-lhes as diferenças individuais e as qualidades volúveis, mantendo os elementos em comum, estáveis e permanentes. Embora sem o caráter demonstrativo do processo lógico utilizado atualmente (que vai do fenômeno até a lei), já era um meio de generalização constituindo extrema inovação para a época.
Outro método desenvolvido por Sócrates é o Diálogo Socrático, em que ele propunha questões e depois esboçava respostas. A idéia era fazer com que os indivíduos pensassem por si próprios. Como um estágio anterior à retórica, ele fazia o uso da dialética, que na forma de perguntas e respostas e um debate de oposição de pontos era um método da obtenção da verdade. Para Sócrates, o fim da filosofia era a moral. Tecnicamente, podemos chamar Sócrates até de fundador da ciência, e, além disso, o arquiteto da ciência moral. Ele valorizava a busca contínua da verdade e nesse caminho a busca era sempre em direção à razão, em oposição ao lado animalesco do ser humano.
O trabalho filosófico de Sócrates não foi jamais estabelecido de forma escrita. O que conhecemos de seu legado deve-se principalmente a Platão, também nascido em Atenas, em 428 a.C. em uma família aristocrática. Quando tinha cerca de 20 anos de idade, Platão conheceu Socrátes e tornou-se seu discípulo intelectual. Após a morte de Sócrates, Platão viajou pelo mundo para adquirir conhecimentos, em viagens que foram de 390 a.C. a 388 a.C.. Em 387, Platão fundou a escola de filosofia “A Academia”, cuja missão e objetivos estavam todos já previstos na famosa história “A Caverna”.
Nessa história, é mostrado que a maioria das pessoas vive com um um véu sobre seus olhos, obtendo então apenas uma noção parcial de coisas como Verdade e Beleza. Ele mostrou vários indivíduos acorrentados em uma caverna escura, iluminada somente por uma grande fogueira atrás deles. Esses homens enxergavam apenas sombras deles mesmos, assim como outras imagens trêmulas nas paredes. Mesmo assim, essas pessoas tomavam isso como a realidade. A maioria dessas pessoas não possuiam curiosidade ou imaginação para transcender o que viam. Quando um dos prisioneiros da caverna consegue fugir e descobrir que há muito mais do que imaginavam, a resposta dos outros habitantes da caverna tende a ser a rejeição dessa nova informação. Segundo Platão, os outros habitantes estariam mais propensos a matar este profeta, pois ele seria uma ameaça ao estado já estabelecido das coisas.
Tanto quanto Sócrates, Platão também dizia que a filosofia tinha um fim moral. Segundo ele, é a grande ciência que resolve o problema da vida. Enquanto Sócrates focava seu questionamento e pesquisa ao aspecto antropológico e moral, Platão estendeu essa busca ao campo metafísico e cosmológico. Logo, Platão queria entender toda a realidade.
O terceiro e último dessa grande linhagem de sábios era Aristóteles, nascido em Estagira, colônia grega de Trácia, em 384 a.C.. Em 367, Aristóteles mudou-se para Atenas e juntou-se à Academia, tornando-se um dos pupilos de Platão, durante 20 anos. Aristóteles discordava de Platão em vários pontos, e, depois da morte do mestre, viajou pelo mundo, tendo sido tutor de Alexandre, que, ao invés de adentrar o terreno da filosofia, tornou-se um dos grandes conquistadores da Terra. Aristóteles também criou sua própria academia, denominada Liceu.
Um dos pontos de discordância de Aristóteles com Platão era quanto a Teoria das Formas, deste último. Platão dizia que havia uma outra dimensão, com várias formas, como Verdade, Beleza e Amor, vivendo como entidades que flutuavam. Aristóteles questionou a improbabilidade desta abordagem, e defendeu a idéia de que o substancial observado fisicamente era bastante real, e as formas não seriam elementos separados, mas sim características embutidas naquilo que percebemos com os sentidos.
Explorar toda a grandiosa obra de Aristóteles requereria um livro só para falar dela. A sua obra incluía escritos lógicos (cujo conjunto foi denominado Órganon), escritos sobre a física (incluindo estudos sobre cosmologia, antropologia e física teórica), escritos metafísicos (cuja obra “Metafísica”, composta de catorze livros, é uma compilação feita após sua morte), escritos morais e políticos (incluindo “Ética a Nicômano”) e escritos retóricos e poéticos (incluidno “Retórica”, em três livros, e “Poética”, em dois). As publicações, aliás, não foram feitas pelo próprio Aristóteles, e sim por outras pessoas, após sua morte.
A base da busca da filosofia de Aristóteles era decifrar os últimos enigmas do Universo. Como acreditava também na verdade absoluta, Aristóteles tinha por objetivo buscar a razão última das coisas (o universal), as formas e suas relações. Segundo Aristóteles, a filosofia divide-se em teorética (física, matemática e filosofia primeira, incluindo metafísica e teologia), prática (ética e política), e poética (estética e técnica), com isso abrangendo todo o saber humano obtido pela razão. A lógica aristotélica é basicamente dedutiva, demonstrativa e também apodíctica – sendo esta última a arte de demonstrar um princípio por base do raciocínio, quando não se tem os fatos à mão. O silogismo é um processo essencial no método de Aristóteles. O sistema final de Aristóteles, remodelado a partir das idéias de Platão, é bastante abrangente, e inclui, em uma síntese final: observação fiel da natureza, rigor no método (podemos considerá-lo como o definidor da base do método científico) e unidade de conjunto.
A teoria da potencialidade de Aristóteles dizia que, dentro de tudo (inclusive os indivíduos) existe uma evolução natural tentando efetivar o próprio potencial – em essência, relembrando a teoria das formas de Platão, isso significaria tomar sua própria Forma. O processo, que, segundo Aristóteles é involuntário, atende ao princípio de que um movimento na natureza e nos humanos nos conduz a um estado de imperfeição para um estado de perfeição, ou mais perto possível que se pode chegar da perfeição. Aristóteles definiu quatro causas no processo: causa material (significa que uma força externa está criando ou iniciando o processo), causa eficiente (o processo de criação em si), causa formal (aquele elemento específico em seu estado natural) e causa final (o que pode surgir quando o potencial é realizado). Aristóteles definiu Deus como causa primeira de todas as coisas, e o denominou por Motor Imóvel. Para Aristóteles, sendo a primeira coisa que existiu, Deus é a Forma fundamental e única. São Tomás de Aquino futuramente explorou esse argumento, embora a Teologia cristã, como um todo, trate de uma concepção de Deus diferente da que Aristóteles possuía. Para este, seu Deus não se importava muito com o que ocorria em Terra. Mesmo com essa discordância, a teologia de São Tomás de Aquino é bastante aristotélica, sendo chamada até de aristotelismo cristão.
Enfim, fica claro a partir desta análise que a busca da verdade era uma prioridade para estes 3 filósofos. Já é o momento de, antes de partirmos para a última parte deste texto, relembrarmos o que foi dito na parte 3 (O marxismo Cultural), em que citamos que a grande prioridade dos marxistas era acabar com aquilo que denominaram 3 colunas, sendo, elas: (1) Direito Romano, (2) Filosofia Grega e (3) Moral Judaico-Cristã.
Ora, se a base da revolução incluía o roubo de propriedades e destruição de uma classe por outra, isso não poderia ser feito senão pelo ato de ignorar todas as conquistas do direito romano até então. E, para implementar coisas como a Estratégia Gramsciana, teríamos que nos abster de buscar a verdade. Mas como fazer isso se gente como Aristóteles, Sócrates e Platão, assim como a Bíblia, nos insistem em dizer que a busca da verdade não é só importante, como também um objetivo final?
Fica agora mais claro de entender por que não só marxistas, como subversivos de todo tipo, lutam ardentemente contra a filosofia grega (e por “filosofia grega” entendemos os três sábios, pois, como veremos à frente, Epicuro era até objeto de estudo de Karl Marx) e a moral judaico-cristã. Sem a moral judaico-cristã, solidificada na Bíblia, os ensinamentos desta última seriam varridos da face da terra.
Como a picaretagem foi oficializada OU A Epifania de Epicuro
Para os leitores dos três sábios e da Bíblia, a mentira é algo inaceitável. Isso não implica que não possam mentir. Claro que podem, pois segundo a Bíblia, é dado o livre arbítrio ao ser humano. A diferença é que o ato em si não é ACEITÁVEL moralmente. Ou seja, dificilmente em grupo você, se estiver diante de aristotélicos e religiosos, poderá dizer que vai mentir para enganar alguém e será tratado com um sorriso no rosto. Será um ato de vergonha o mero ato de mentir. Dizer que se está planejando uma mentira para atingir os outros seria uma vergonha muito maior.
Como vimos até agora, no entanto, para os subversivos a mentira não só não é um problema, como também um recurso que eles consideram legítimo. Um exemplo foi quando publiquei este texto, e um neo ateu postou, em uma comunidade de Orkut mensagens de revolta com o simples fato de eu ter exposto quatro mentiras recentes cometidas pela mídia anti-católica. Ao invés dele reconhecer os fatos e reorganizar sua argumentação a partir dela, o sujeito ignora os fatos. Relembrando o que foi dito no texto da parte 2 (Interpretação Delirante e a Mente Revolucionária), para estes não importam os fatos e sim a teoria. É uma visão, naturalmente, completamente oposta à da busca pela verdade.
Para alguém agir, intelectualmente, dessa forma, é preciso que um comportamento, que antes era considerado inaceitável (na época dos três sábios), passasse a se tornar aceitável, ou justificado. Se antes os sofistas não tinham feito isso de uma maneira estruturada, o herói para os subversivos tem um nome: Epicuro, que criou a primeira “base filosófica” para a prática da mentira. Ele nasceu em 341 a.C., e muitas vezes acaba sendo citado como referência para o hedonismo devasso. Algo como alguém que dê liberdades para alguém fazer o que quiser, como estuprar, matar, etc. Nada disso. Isso não é o que Epicuro queria. A vontade de Epicuro era viver de forma contemplativa, conforme trataremos a frente. O grande problema de Epicuro não era o incentivo ao hedonismo devasso, mas sim a definição da mentira como um comportamento intelectualmente aceitável.
Pessoalmente, Epicuro era um sujeito reservado, que vivia a vida filosofando em sua rede. Sua mãe era uma praticante de magia, e não há informações de se ela ensinou algo ao filho. Podemos, é claro, sugerir que algumas idéias como “não há verdade” estão em perfeito alinhamento com algumas idéias ocultistas e pagãs. Idéias mais recentes do ocultismo, que não são mais que releituras das idéias originais, defendem coisas como: “Na Magia do Caos, crenças não são vistas como fins nelas mesmas, mas como ferramentas que criam os efeitos desejados. Entender, totalmente, isto é, encarar uma terrível liberdade na qual nada é verdadeiro e tudo é permitido, é como dizer que tudo é possível. A Gargalhada parece ser a única defesa contra a compreensão de que ninguém possui sequer um Eu real.”. Bastante epicurista, diga-se.
Epicuro foi iniciado no sistema de Demócrito, e em 306 abriu sua escola em Atenas, denominada O Jardim. Ela ficava nos jardins de sua vila, e por isso muitas vezes ela é referida como O Jardim de Epicuro. Ele tinha uma vida aristocrática, e vários membros da aristocracia, na época, gostavam de suas idéias. Segundo Epicuro, os deuses viviam em um lugar sereno, apenas contemplando as coisas, sem nada a fazer. Ele vivia também desta forma, e seu jardim era proposta para ser um lugar semelhante ao que os deuses viviam. Para seus seguidores, Epicuro chegou a ser uma espécie de “quasi-divindade”, pois sua filosofia era considerada redentora.
O epicurismo considera a filosofia dividida em lógica, física e ética, subordina a ciência à moral, e a teoria à prática. Até aí, nada de muito surpreendente, mas a diferença seminal é simplesmente quanto ao objetivo final de sua filosofia. De início, não se nota nada relacionado a busca por devassidão nos interesses de Epicuro, pois ele próprio dizia buscar a serenidade, a paz, a apatia. A questão final é que a moral para Epicuro é exclusivamente hedonista. Sendo o fim da vida o prazer sensível, o critério único de moralidade para ele seria justamente o sentimento. A equação dele é de facílima compreensão. O único bem é o prazer, o único mal é a dor. Para Epicuro, não há nenhum prazer a ser recusado (a não se que cause consequências para quem busca esse prazer), e nenhum sofrimento deve ser aceito. Para o sofrimento ser aceito, deve-se ter em busca um outro prazer. Sendo assim, a busca da verdade se torna inútil, e até o próprio conceito de verdade absoluta perde o sentido, pois o prazer de cada um é simplesmente individual. Logo, se alguém possui várias coisas que lhe dê prazer, esse é o critério de verdade para ele, e não uma verdade externa. Esse é o grande diferencial do epicurismo, que o coloca em oposição ao aristotelismo.
Antes que alguns adeptos de Epicuro possam protestar, eu novamente ressalto minha compreensão de que Epicuro tinha como INTERESSE PESSOAL passar a vida filosofando, conversando com os amigos, e praticando diálogos no jardim. Isso eu sei. Mas é o momento de separarmos os interesses pessoais de Epicuro com a base CENTRAL de sua filosofia. Ora, se Epicuro queria passar o dia no Jardim filosofando, isso é o que lhe dava prazer, portanto era verdadeiro para ele. Se alguém quiser ficar torturando um gato, e isso é o que dá prazer para essa pessoa, então isso seria tratado como verdadeiro. Novamente, se o conceito de verdade é relativo, então não há verdade absoluta. A “verdade” para a ser adotada por questões de conveniência.
Para Epicuro, não há espaço para prazeres espirituais, e sim para os prazeres carnais – é por isso que alguns dizem que Epicuro é o precursor do ateísmo, embora ele fizesse menção à deuses. Realmente Epicuro dizia que o homem vulgar buscava o prazer imediato, mas ele buscava algo além deste prazer, e obteria isso a partir da reflexão filosófica. Mas o sistema filosófico dele não era para aplicação somente dos filósofos, e sim universal. Portanto, quando alguém decide que algo lhe cause prazer, não é preciso ter os mesmos interesses que Epicuro pela reflexão em sua rede no Jardim, mas sim associar diretamente a busca pelo prazer pessoal como critério último de verdade.
Epicuro, pensando em tudo, criou até um “remédio” intelectual para os seus seguidores, que era o Tetrafarmacón. Isso englobava as seguintes quatro máximas da ética epicurista: (1) não temer a divindade, que não se preocupa com o homem, (2) não temer a morte, (3) ter em mente a facilidade do prazer, (4), ter em mente a brevidade da dor. Mas como obter isso? A meditação, com foco em visualização criativa, seria um componente útil para convencer os seguidores da validade das quatro máximas. Quanto mais o seguidor tivesse gravado em sua mente que todos os quatro itens são verdadeiros (ou ao menos percebidos como verdadeiros, o que em termos epicuristas não faz diferença), mais ele vai se sentir bem, e portanto talvez se sinta bem. Sendo que a única forma de admiração que Epicurista possui pelos deuses é pelo ideal estético grego da vida (ou seja, são arquétipos, mesmo que ele não tenha formalizado essa intenção), caberia ao ser humano imitar essas características dos Deuses.
Em resumo, o que podemos entender praticamente é a divisão da filosofia em duas frentes: (a) a busca da verdade (pelos três sábios, em perfeito alinhamento com a busca dos autores das Escrituras), (b) a busca pelo prazer, sendo que a verdade seria uma conveniência para cada um. Epicuro, responsável pela definição de (b) de forma sistêmica, acaba sendo o grande influenciador de uma geração de intelectuais que não buscam a verdade. A partir daí podemos citar gente como Foucault, Derrida, Heidegger, Nietzsche, Rorty, e muitos outros. O próprio pós-modernismo pode ser definido como uma retomada do Epicurismo.
É importante notar que não estou tratando o epicurismo como um habilitador DIRETO da subversão, mas sim como um estágio pelo qual o novo discípulo precisa ter a idéia do conceito de “verdade flutuante” (ou seja, nada é verdadeiro, e tudo é permitido). Tecnicamente, poderíamos citar o epicurismo como a formatação seletiva do cérebro de alguém, sendo que consideraríamos a formatação apenas dos programas relacionados à elementos como verdade absoluta. Após isso, o novo adepto fica susceptível à inserção de novos programas. Por exemplo, o marxismo, o neo ateísmo e qualquer outra coisa. Mesmo com esses novos programas inseridos, o novo subversivo sempre mantém os resquícios de que a luta pela verdade absoluta é algo contra o que ele deve lutar até o fim dos seus dias. A luta contra a religião será uma prioridade. Não deixa de ser revelador lembrar que a tese de mestrado de Karl Marx era baseada em Epicuro. Futuramente, ele ignorou o Epicurismo, mas nunca mais aceitou a idéia de verdade absoluta.
A partir do não aceite da idéia de verdade absoluta, fica mais fácil para os subversivos considerarem a prática da mentira algo tão trivial. Quando algum neo ateu recusa os fatos que derrubam suas alegações (assim como o marxista normalmente faz), ele estaria, de acordo com Epicuro, buscando o prazer (no caso dele, o prazer de atacar um oponente), e fugindo da dor (ou seja, da dor de ver sua tese refutada). Ora, se os fatos apresentados pelo oponente refutam sua tese, então os fatos devem ser ignorados. O critério da verdade é baseado na busca do prazer. Agindo assim, um neo ateu está sendo epicurista.
Conclusão
Essa parte do nosso estudo tentou compreender a origem de um comportamento praticamente mitômano dos diversos tipos de subversivos, principalmente os neo ateus. Conseguimos, por tabela, ter uma explicação interessante para o motivo pelo qual os marxistas culturais (principal conjunto atual de subversivos no Ocidente, ao lado dos neo ateus e anti-religiosos de todo tipo) usam a mentira de forma estruturada e metódica. Foi mostrado também por que a moral judaico-cristã e a filosofia grega se tornaram prioridades dos atos de hostilidade dos marxistas culturais. Obviamente, o neo ateísmo, como carro-chefe no ataque à religião, executa a função de atacar a coluna da moral judaico-cristã. É claro que não podemos dizer que um religioso automaticamente se torna alguém que só diz verdades por ser de uma religião aristotélica. Seria ingênuo afirmar isso. Mas podemos dizer com segurança que a prática da mentira não é um ato considerado digno e aceitável tanto dentro da cultura dos religiosos como dos aristotélicos e socráticos em geral. Entendemos, por outro lado, por que existem tanta falácias e estratagemas erísticos nas obras dos quatro autores do neo ateísmo (Richard Dawkins, Daniel Dennett, Christopher Hitchens e Sam Harris), e por que isso é aceito com tanta facilidade e ausência de senso crítico por seus leitores. Provavelmente, eles atenderam ao público que já tinha tendências anti-religiosas, e, por sua influência subversiva, não ligaram para critérios como busca da verdade. Por isso, fica fácil compreender por que se tornaram praticamente mentirosos profissionais. Esse texto nos dá abertura para as duas próximas partes desse ensaio, em que falarei da lavagem cerebral e do combo da auto-ajuda e PNL para a doutrinação de novos adeptos.
Técnica: É possível existir moral sem religião

Última atualização: 29 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Esse recurso é utilizado em grande quantidade em todos os livros dos quatro principais autores do neo ateísmo (Hitchens, Dawkins, Harris e Dennett). Ele se baseia em transferir uma questão social para o ambito pessoal (onde, é claro, o julgamento é sempre subjetivo) e dizer “é possível ser ético sem religião, portanto religião não pode ser responsável pela moral”.
Obviamente esse argumento origina-se de uma confusão total do que está sob discussão. O que normalmente é dito, por vários estudiosos da religião, é que sem uma concepção de Deus, não é possível existir uma moralidade objetiva, e isso resultará, naturalmente em impactos negativos visíveis na sociedade.
A anti-religiosidade vista na época da Revolução Russa era diretamente advinda do ateísmo radical (que é a mesmíssima coisa que é pregada pelos neo ateus), e a base era a negação de qualquer valor moral oriundo da religião. Conforme Marx disse, no Manifesto Comunista, “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses”, assim como “o comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral”. Mais um exemplo da luta contra a moral objetiva está na declaração de Lenin, ao dizer que “justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta”, assim como “subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. Não surpreende, haja vista ele também ter afirmado que “o melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral”.
Ou seja, ao contrário do que os autores neo ateus afirmam, o ateísmo era IMPORTANTE para a revolução russa, pois era parte essencial da luta contra a moral objetiva, que era uma preocupação seminal de Aristóteles, refletida também em todas as religiões abraâmicas. O que é importante é notar que essa é uma avaliação da moral na perspectiva SOCIAL, ou seja, olhando para a sociedade como um todo, e qual o efeito que a religião tem como fator importantíssimo para a moral de uma sociedade.
O que não é o mesmo que afirmar que uma pessoa que não tenha uma religião seja automaticamente imoral. Não é isso, pois um cidadão ateu, agnóstico ou deísta poderá ter um comportamento plenamente moral, mas isso só ocorrerá PELO FATO dele viver em uma sociedade de cultura majoritariamente religiosa. Nesse caso, ele irá assumir os padrões morais comportamentais puramente por hábito e convivência com os outros.
Se lembrarmos, no entanto, como Trostky, citando Lenin, chegou a afirmar que, em prol da causa que ele acredita é útil até utilizar coisas como “estratagemas, enganos, procedimentos ilegais, usar o silêncio, a dissimulação da verdade”, temos uma idéia clara de que adeptos de ideologias subversivas (aí temos o marxismo, o comunismo, o neo ateísmo, etc.) são naturalmente desprovidos de moral. Em suma, se podemos considerar um ateu como POSSIVELMENTE moral por viver em uma sociedade religiosa, o mesmo não podemos dizer de um neo ateu. Pela natureza de sua militância, e pelo convívio com seres que apoiam sua ideologia anti-religiosa, eles serão essencialmente imorais.
Um exemplo disso pode ser visto nos livros dos quatro autores neo ateus já citados. Todos os livros apresentam pura e simplesmente estratagemas, enganos e dissimulação da verdade, exatamente conforme sugerido por Trostky, pois “vale tudo” pelo seu grupo. Em suma, mentir para eles é padrão comportamental válido, desde que seja mentira contra um adversário ideológico. Obviamente, que isso é a mãe de todos os comportamentos imorais, pois a partir daí vale tudo.
Quando um neo ateu diz, então que “é possível que ele seja moral, sem ser religioso”, podemos até aceitar, e em casos específicos. No caso dele ser um ateu tradicional. Caso ele seja um neo ateu, facilmente descobriremos que ele não é nem um pouco moral, pelo contrário, ele tem um comportamento assumidamente imoral (notaremos isso nas mentiras que eles praticam sempre). No caso de avaliarmos uma sociedade, sabemos que, sem uma religião de característica abraâmica, a tendência é vermos cenários onde a moral irá ser relegada a segundo plano, pois a população não terá mais critérios objetivos de moral.
Por isso, sempre é importantíssimo notar que quando um ateu ou neo ateu diz que “é possível ser moral sem ser religioso” é importante notar se a afirmação dele se refere ao comportamento pessoal dele, ou então ao comportamento da sociedade, derivado de uma cultura ateísta ou religiosa. No segundo claro, é evidentemente que ele não conseguirá provar que uma sociedade é moral sem influência religiosa, ao passo que no primeiro podemos aceitar, por caridade (ou educação, ou até por acreditarmos mesmo), que alguém em específico pode ser moral sem ser religioso, mas somente se assimilar a moral da cultura religiosa vigente.
Refutação
Um neo ateu geralmente começa a pregação contra a moral oriunda da religião dessa forma:
- NEO ATEU: Eu sou ateu, e sou uma pessoa moral. Não precisei da religião para ter moral. Isso mostra que a religião é irrelevante para a moral.
- REFUTADOR: Eu posso até aceitar que você seja moral, mas isso ainda não prova a independência da moral perante a religião.
- NEO ATEU: Claro que prova, pois eu sou ateu, e sou moral.
- REFUTADOR: Talvez você tenha adquirido sua moral por hábito, por companhia de religiosos. Temos que testar países. Por exemplo, países que tem em sua base o ateísmo. Exemplo: Cuba, Rússia, China, etc.
- NEO ATEU: E por que não a Holanda ou a Noruega?
- REFUTADOR: Esses países podem ter um bom número de ateus (e podemos explicar isso pela Estratégia Gramsciana e o Marxismo Cultural), mas ainda são culturas com base conservadora e/ou religiosa. Temos que testar países com BASE ateísta. Ou seja, o governo ser de direção ateísta, e até a religião oficial ser ateísta. Note que você não pode confundir o seu comportamento específico, que pode ser oriundo de educação religiosa ou hábito adquirido por convívio com religiosos, com a importância da religião para a moral vista na SOCIEDADE. É por isso que temos que testar os países com base ateísta…
[A partir disso, o importante é impedir que o neo ateu faça a confusão entre a moral dele, como indivíduo, com a moral vista na sociedade]
Conclusão
Embora pareça um engano fácil, é extremamente importante notar a diferença entre o conceito de moral aplicado à socieade e o comportamento moral de alguém em específico, pois são assuntos completamente diferentes. O comportamento subjetivo de uma pessoa não é testável, em muitos casos, e acabamos confiando que os outros são morais muitas vezes por educação, ou até por não termos evidência em contrário. O que não garante que a pessoa seja moral. A visualização da moral em aspectos objetivos deve ser feita em uma avaliação social. E, usando os governos de NATUREZA ateísta, como os governos comunistas, vemos que a ausência de uma moral objetiva tende a causar impactos consideráveis. Isso também explica por que os comunistas lutam tanto contra a religião. Motivo: não querem padrões objetivos de moral para o julgamento de suas ações. A importância de saber a diferença entre a moral declarada por um indivíduo e a moral observada na sociedade é que isso permite a refutação de um dos estratagemas de propaganda mais comuns de neo ateístas. Em sua sanha por retirar o valor da religião para a sociedade, os neo ateus tentam provar que ela é inútil do ponto de vista moral. Mas todas as tentativas deles em fazer isso não passam de estratagemas e manipulação do conceito de moral, além da confusão entre a moral de alguém em específico e a moral vista em termos sociais. Concluindo, os neo ateus não chegam nem a abordar de raspão a moral em termos objetivos. E esta moral é justamente aquela que é tratada pelos aristotélicos e pelo cristianismo.
Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 3 – Marxismo cultural

Vamos relembrar, antes de prosseguirmos, algumas características que eu citei da mentalidade revolucionária:
- (a) promessa de um futuro utópico, inexorável
- (b) ausência completa de julgamento moral para os atos do grupo que defende essa idéia, pois ela é tão bela que os fins justificam os meios
- (c) remodelação do conceito de ser humano, na busca do super-homem
- (d) ambições globais
- (e) sensação de ser um agente da luta por esse futuro
Já deu para ver que a mais completa das manifestações da mente revolucionária é justamente o marxismo. Inspirado por Epicuro (no passado), e posteriormente por Hegel e principalmente Feuerbach, Karl Marx, juntamente com Friedrich Engels, criou, dentre outras obras, o Manifesto Comunista, lançado em 1848.
Depois de alguns ideólogos da Revolução Francesa, tudo que se conhecia do passado virou fichinha, em termos de mentalidade revolucionária, com o surgimento do marxismo. Até o neo ateísmo se torna meio ingênuo diante do marxismo. Tecnicamente, o neo ateísmo é apenas o carro-chefe (ou braço direito) do marxismo, pois nenhuma ideologia da mentalidade revolucionária é tão abrangente quanto o marxismo.
Vejamos, por exemplo, como está descrita uma das idéias no Manifesto Comunista:
Uma vez que desaparecerem as diferenças de classe no curso do desenvolvimento, e toda a produção concentrar-se nas mãos de indivíduos associados, o poder público perderá seu caráter político. Em sentido próprio, o poder público é o poder organizado de uma classe para a opressão de outra. Se o proletariado, em sua luta contra a burguesia deve necessariamente unificar-se em uma classe única, se, em decorrência de uma revolução, ele se converte em classe dominante; e como classe dominante, suprimir pela violência as antigas relações de produção, suprimirá automaticamente, juntamente com essas relações de produção, as condições de existência da oposição de classe e, por esse viés, as classes em geral e, com isso, sua própria dominação de classe. No lugar da antiga sociedade burguesa com suas classes e oposições de classe surge uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.
Quanto ao que está acima, não restam dúvidas de que atende a todos os parâmetros que descrevem a mentalidade revolucionária, principalmente a luta por um objetivo utópico, maravilhoso (tão maravilhoso que, em sua busca, os fins justificam os meios, independente dos meios), ausência completa de moral na busca desse objetivo (pois, como já dito, o objetivo é “maravilhoso”) e a sensação de ser um agente nesta busca (portanto, ausente de julgamento moral). Durante a leitura do manifesto, encontramos facilmente o conceito de remodelação do ser humano, além das ambições globais.
Claro que isso tudo não comoveria os “intelectuais” da época não fossem, por exemplo, várias estratégias de manipulação psicológica e lavagem cerebral, como a criação da falsa dicotomia, que é a forma como Marx & Engels justamente abrem o seu manifesto:
A história de toda sociedade até nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre e oficial, em suma, opressores e oprimidos, sempre estiveram em constante oposição; empenhados numa luta sem trégua, ora velada, ora aberta, luta que a cada etapa conduziu a uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou ao aniquilamento das duas classes em confronto.
É natural, então que a falsa dicotomia seja utilizada por eles até hoje, em seus discursos, assim como todas as ideologias dos agentes orgânicos, dentre as quais se inclui o neo ateísmo, sempre usam os mesmos recursos. Vamos imaginar como isso funciona. Imagine que você seja um assalariado, e, portanto, tem um patrão. Na mentalidade de um marxista, ele é teu inimigo. Assim como se há uma ordem moral, externa ao ser humano, que diga que você não pode roubar a propriedade dele, esse é o problema da “ordem moral”, que, na mente deles, é opressora e arbitrária, e que, segundo eles, lhe tornaria um conformista.
Obviamente, não é o momento ainda de estipularmos o motivo pelo qual o neo ateísmo é essencialmente parte do marxismo cultural, pois deixarei maiores detalhes disso para a parte 5, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Pelo momento, focaremos no marxismo, e no marxismo cultural, e então em associações com a irreligião.
O que é importante para o momento é apenas relembrarmos o início do marxismo, e como ele atende perfeitamente ao conceito de mentalidade revolucionária. Como tal, as idéias dos marxistas são incorrigíveis, portanto, os fatos que futuramente negarem a teoria serão todos rejeitados, pois a teoria é o que vale, e não os fatos que teriam que sustentá-la. E como surgiu isso? Simples. A promessa do futuro utópico, que TEM que acontecer (para eles), é tão bela que tal tipo de mentalidade não aceita que ela não seja verdade. Com isso compreenderemos por que tal tipo de raciocínio permanece até hoje, mesmo que os fatos não corroborem praticamente nada das alegações de Marx & Engels em relação ao “conflito de classes” e como qualquer pessoa sã notaria tal iniciativa de criar um mundo de Smurfs (todos vivendo em igualdade) era realmente ingênua.
Claro que tal tipo de ideologia com foco em mentira e auto-ilusão seria claramente anti-cristã. A alegação marxista era de que a religião era o “ópio do povo”, e que, por causa disso, eles não lutariam por não serem inconformados. Como sempre, de novo tudo era julgado somente pelos filtros e pela ideologia simplória deles. Se não atendia aos objetivos da luta de classes, então era um problema. Restava a eles a difamação pública da religião, assim como fariam para qualquer construção cultural que estivesse contra os objetivos da revolução.
O horror, o horror
Nada poderia ser pior para os marxistas do que ver a sua ilusão ser quebrada. E não é preciso ir muito a fundo para ver que a ilusão era forte. Senão, vejamos como Marx & Engels terminaram o seu Manifesto Comunista:
Em uma palavra, em toda a parte os comunista apóiam qualquer movimento revolucionário contra as ordens sociais e políticas estabelecidas. Em todos esses movimentos, destacam como questão fundamental do movimento a questão da propriedade, qualquer que seja a forma, mais ou menos desenvolvida, que ela possas ter assumido. Enfim, os comunistas trabalham, em toda a parte, pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países. Os comunistas recusam-se a dissimular suas concepções e seus propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos pela derrubada violenta de toda a ordem social passada. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista. Os proletários nada têma perder, exceto seus grilhões. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!
Até aqui, esse “fecho” apenas continua corroborando tudo que já vimos a respeito da mentalidade revolucionária. Mas faltava ainda que um dos aspectos ficasse mais explícito, que é a ambição global. A citação acima justamente nos mostra que, indiscutivelmente, a ambição era global. Marx & Engels não pensavam com foco com contexto de um país, mas sim de forma global.
Marx & Engels queriam criar uma sensação de animosidade dos proletários em relação aos burgueses. Não é muito diferente das iniciativas atuais de Dawkins e Cia., que querem criar uma sensação de animosidade dos ateus em relação aos religiosos, assim como os líderes gayzistas fazem o mesmo, criando uma relação de ódio dos homossexuais perante os heterossexuais. O padrão é o mesmo.
A grande expectativa dessa turma era de que os membros da “classe” se juntassem, de forma global, contra aquilo que consideravam a classe opressora. Na lógica deles, podemos supor que pensavam assim: se usamos bem a estratégia da falsa dicotomia, no ambito da criação de relação de ódio de uma classe com outra, a fidelidade teria que ser à classe, e não às suas convenções sociais, culturais, familiares, patrióticas, etc. Em resumo, a expectativa era de que os proletários se juntassem e se revoltassem, e destruíssem todos os capitalistas. Na visão deles, havia só um time: proletários x burgueses, independente de a qual país eles pertencessem.
Vou usar aqui uma analogia, com a panela de pressão, que empresto do Pe. Paulo Ricardo, um dos principais teóricos sobre o Marxismo Cultural, que elaborou uma palestra que é a principal fonte inspiradora desta parte do ensaio. A idéia é mostrar que a suposta opressão que os trabalhadores sofriam era tamanha que todos estes trabalhadores se juntariam, e iriam se revoltar, como uma panela de pressão que estoura. A revolta seria contra os capitalistas e burgueses. Ao final da revolta, seria implementada a justiça social. Ficam aqui resumidas, então, as principais expectativas dos marxistas na concepção do marxismo clássico.
Um conflito europeu de grandes proporções já era previsto por Marx há muito tempo, e antes da Primeira Guerra Mundial, as iniciativas subversivas comunistas já surtiam o seu efeito. Diante dessa grande panela de pressão, prestes a explodir, a expectativa era de que os trabalhadores de todos os países se juntassem, aproveitassem o momento de conflito, e direcionassem suas armas não aos “companheiros” de outros países, mas aos opressores. Ora, se todos estavam cheio de armas, para lutar nos campos de batalha, que tal se eles se juntassem e tomassem o poder, estabelecendo a Ditadura do Proletariado?
Eis então que a Primeira Guerra Mundial, que tomou espaço entre 1914 e 1919, mostrou justamente o contrário. Trabalhadores lutaram sim contra trabalhadores de outros países, em prol de seu país, de sua cultura, sua família, seus valores. A previsão de que os trabalhadores deveriam se unir simplesmente não aconteceu. Isso, obviamente, era uma ofensa, um horror para qualquer marxista naquele período. Se havia um momento em que a revolução deveria acontecer, globalmente, era na conquista de toda a Europa pelos proletários. E que melhor momento para isso acontecer que não na Primeira Guerra Mundial? No fim das contas, a decepção dos marxistas foi algo de até hoje eles não se recuperaram. Algo como entrar em campo achando que vai levar o título, aplicando uma goleada, e sair com o vice-campeonato, após tomar 6×0.
Até aqui fica claro de que a teoria pregada pelos marxistas simplesmente fracassou. E sabemos que a mentalidade revolucionária foca na teoria, e não nos fatos. Não obstante, o impacto psicológico deve ter sido grande para eles, em alguns casos até a ponto de desistência, mas os mais “dedicados” à utopia não iam largar isso por nada. Eles tinham que arrumar os “culpados” para o fato da teoria não funcionar.
Ao menos, tiveram um alívio pelo fato do objetivo ter sido alcançado na Rússia, em 1917, com a Revolução Bolchevique. Foi o suficiente para que os marxistas pensassem que não está tudo perdido, restando então entender o que deu errado na aplicação da teoria à Europa.
Após a Guerra, terminada em 1919, várias revoltas de cunho socialista começaram a ocorrer ao redor do Globo, como a revolta espartacista em Berlim. Podemos definir a revolta espartacista (ou segundo alguns de Revolta Espartaquista, ou Revolução Alemã de 1918-1919) como um conjunto de iniciativas, lideradas por Rosa Luxemburgo, influenciadas pela Revolução Russa de 1917. O Kaiser, Guilherme II, considerado um dos responsáveis pelo fim do império alemão na época, caiu nesse período. Na época, os comunistas conseguiram até controlar a região da Baviera, ao sul da Alemanha, onde foi fundada uma República Socialista. A partir dali, eles queriam expandir o movimento. A vida desse movimento revolucionário foi curta, pois eles foram dominados pelo governo, de linha social-democrata, o qual se estabeleceu após a queda do Kaiser.
Quer dizer, se a Revolução Russa deu uma esperança aos comunistas, após a decepção com o fracasso da iniciativa marxista na Primeira Guerra Mundial, o governo alemão tratou de decepcioná-los de novo. Droga, diriam eles, “isso não é justo”. Eles ainda tentaram implementar o Governo Soviet de Munique, mas também não deu certo.
Até aqui o score era mais ou menos assim:
- Na Rússia, deu certo
- Na ambição européia, deu tudo errado
- Em uma tentativa na Alemanha, deu errado de novo
- Em uma nova tentativa na Alemanha, tudo deu com os burros n’água
- Na Hungria… para variar, o barco virou
Na Hungria, havia um filósofo, Georg Lukács, que apoiava o governo de Bella Kuhn. Kuhn era comunista, mas perdeu o poder após as tropas romenas terem invadido o país.
Na Itália, no entanto, a derrota foi mais dolorosa ainda para os comunistas. Mussolini fundou o movimento fascista em 1919, com foco em um programa baseado na república, na separação entre Igreja e Estado, um exército nacional, além do desenvolvimento de cooperativas. O fascismo italiano tinha até algumas características da mentalidade revolucionária, mas era oposição à outro tipo de mentalidade revolucionária, o marxismo. Em resumo, a anarquia dos comunistas era rejeitada ferozmente por Mussolini. Uma das críticas ao comunismo era a idéia do laissez-faire desse governo. Nota-se que Mussolini era até um pouco ingênuo, pois o nível de controle do estado visto na Rússia era bem maior do que aquele visto na Itália. No fim das contas, o fascismo era brincadeira de criança perto dos governos comunistas em termos totalitários. O que importa para nós, no entanto, é estudar mais um momento em que o comunismo simplesmente não vingou.
Um problema teórico… mas nada que a mentalidade revolucionária não resolva
Até esse momento, não é difícil notar que temos duas teses:
- (1) Os trabalhadores se uniriam, em prol dos interesses da classe, ignorando os valores, a moral estabelecida, a família e a pátria, todos contra a burguesia
- (2) Os trabalhadores estariam, juntos dos “burgueses”, em prol da defesa de sua pátria, sua cultura, sua família, seus valores, etc.
O que aconteceu, durante e após a Primeira Guerra Mundial, é que a tese (2) foi vista em toda a Europa, com a exceção da tese (1), que vingou na União Soviética. Uma mente científica naturalmente pensaria que a tese marxista não funcionava, e que a União Soviética deveria ser estudada como o “ponto fora da curva”. A mentalidade revolucionária age de forma inversa. Na União Soviética a tese se implementou, ela está correta, e todo o resto da Europa era o ponto fora da curva.
Esse problema teórico resultou no movimento chamado Marxismo Cultural, que, conforme mostraremos aqui, pode ser muito mais danoso que o próprio Marxismo em si. Motivo: ele serve como um “enabler” para iniciativas futuras do Marxismo.
Como a mentalidade revolucionária cria factóides em sua mente para justificar o não funcionamento de suas teorias (que, para ele, são inquestionáveis), a missão dos teóricos do marxismo cultural era encontrar o motivo pelo qual os fatos não se adequavam à teoria. Como Pe. Paulo Ricardo disse: “Para os marxistas, a teoria é inquestionável, e se a realidade não está seguindo a teoria, pior para a realidade”.
Antonio Gramsci, fundador do partido comunista italiano, e Georg Lukacs, que eu citei anteriormente, podem ser considerados os precursores do marxismo cultural. E ambos chegaram, através de contatos mútuos, a uma resposta em comum: o problema é que a cultura ocidental não habilitava as práticas revolucionárias comunistas. Quer dizer, era preciso atacar os pilares da cultura ocidental, para torná-la apta a receber um regime como o soviético.
Não demorou para esse pessoal definir que a família cristã era uma das culpadas. Na verdade, nem precisariam pesquisar muito, pois o próprio Manifesto Comunista já se denuncia. Segue, direito daquele documento:
Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados diante desse desígnio infame dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho individual. A família, na sua plenitude, só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família para o proletário e na prostituição pública. A família burguesa desvanece-se naturalmente com o desvanecer de seu complemento e uma e outra desaparecerão com o desaparecimento do capital.
O que eles chamam de “família burguesa” é simplesmente a família tradicional. São convenções e elos que os marxistas, na época, consideravam “artificiais”. O motivo é óbvio. Se alguém é ligado à sua família, tem maior risco de ser ligado à um conjunto estabelecido de valores, e ao seu país e suas convenções também. Para os marxistas, o proletário pertence à “classe”, e não à sua família, as convenções sociais, seu país, etc…
Mas, além disso, existiam as 3 colunas, que também eram todas defensoras da família, e portanto, consideradas como inimigas. Lukacs e Gramsci já definiam que os vilões, contra os quais as lutas deveriam ser travadas:
- filosofia grega
- direito romano
- moral judaico-cristã
Em relação ao Direito Romano, sabemos que as revoluções marxistas não prezam pelo direito adquirido e nem pelo respeito à propriedade. Noções como jurisprudência, por exemplo, incomodam a eles. Motivo: tudo isso limita a luta dos proletários. Para implementar as revoluções, as leis tradicionais devem ser ignoradas. As leis são boas, para eles, somente quando atendem aos direitos da classe. Um exemplo pode ser visto na questão das invasões de terra pelo MST, ou na ação de tráfico de drogas pela FARC. Em termos legais, condenáveis, correto? Não para a mentalidade revolucionária, pois para eles todos os atos estão a priori justificados, e não sendo então condenáveis. Não é isso que a base do direito romano nos diz, e portanto, ele será considerado uma instituição burguesa a ser atacada pelos adeptos do marxismo cultural.
Na questão da filosofia grega, é bom notar do que falamos aqui. Falamos do CERNE da filosofia grega, que são os 3 grandes sábios: Sócrates, Platão e Aristóteles. Todos eles, na época, buscavam a verdade. E como a mentalidade revolucionária encararia tal busca? Isso não seria satisfatório para eles. Não é raro notar como os revolucionários simulam desdém por qualquer idéia aristotélica ou socrática. Em contrapartida, um pseudo-filósofo menor, como Epicuro, é idolatrado por esse pessoal (tratarei mais da oposição de pensamentos entre Epicuro e Aristóteles na parte 6 deste estudo). Motivo: Epicuro não acreditava em coisas como verdade, ao passo que Aristóteles era obcecado pela verdade. E de que lado os marxistas iriam ficar? De Aristóteles? Claro que não.
Mas nenhum adversário era tão prioritário, nessa luta, quanto a moral judaico-cristã. Em agradecimento ao site Darwinismo, segue a ótima compilação abaixo que mostra um pouco do que esse pessoal pensava sobre “moral”.
- “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses.” (Karl Marx, no Manifesto comunista, p. 36)
- “O comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral” (Karl Marx, no Manifesto comunista. p. 44)
- “A moral, é a impotência colocada em ação” (Karl Marx, em “A Sagrada Família”)
- “Justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta” (Lênin apud Alceu Amoroso Lima, Introdução ao direito moderno, ed. Agir, p. 15)
- “Subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. (Lênin, Staat und Revolution, zit. n. Ausgewälte Werke, Bd, II, Moskau, 1947, 225).
- “O melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral” (Lênin)
- “Lênin ensinou, como se sabe, que, para atingir o objetivo almejado, os bolchevistas podem, e às vezes devem, usar qualquer estratagema, como o silêncio e a dissimulação da verdade…” (Novaia Rossia, 17-2-38).
- “É necessário saber adaptar-se a tudo, a todos os sacrifícios e até, se necessário for, usar vários estratagemas, enganos, procedimentos ilegais, usar o silêncio, a dissimulação da verdade para penetrar nos sindicatos, permanecer neles, desenvolver neles a qualquer custo o embrião comunista.” (Lênin apud Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Invocar em nossos dias as “verdades eternas” da moral significa tentar fazer retroceder o pensamento.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Quem não quiser voltar a Moisés, Cristo ou Maomé, nem satisfazer-se com um ecletismo arlequinesco, deve reconhecer que a moral é um produto do desenvolvimento social; que ela não tem nada de imutável; que serve aos interesses da sociedade; que esses interesses são contraditórios; que, mais que qualquer outra forma ideológica, a moral tem um caráter de classes.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Não existem, então, preceitos morais elementares elaborados pelo desenvolvimento da humanidade e indispensáveis à vida de qualquer coletividade? Existem, sem dúvida, mas sua eficácia é muito incerta e limitada. As normas “obrigatórias para todos” são tanto menos eficazes quanto mais áspera se torna a luta de classes. A guerra civil, forma culminante da luta de classes, suprime violentamente todos os laços morais entre as classes adversas.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “As normas morais “obrigatórias para todos” adquirem, dentro da realidade, um conteúdo de classe, isto é, um conteúdo antagonístico. A norma moral é tanto mais categórica quanto menos é “obrigatória para todos”. A solidariedade dos operários, especialmente nas greves ou por detrás das barricadas, é infinitamente mais “categórica” que a solidariedade humana em geral.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “O fim (a democracia ou o socialismo) justifica, em certas circunstâncias, meios como a violência e o homicídio.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Do ponto de vista das “verdades eternas” a revolução é, naturalmente, “imoral”. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “O juízo moral está condicionado, como o juízo político, pelas necessidades internas da luta.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
Agora, uma pergunta: como é que com esse tipo de mentalidade, como vista acima nas declarações de Marx, Lenin e Trostky, seria possível um diálogo com uma sociedade sedimentada na cultura ocidental, baseada na família, com alicerce no direito romano, filosofia grega e, principalmente, a moral judaico-cristã? Simplesmente, não é possível. Curiosamente, Trostky se tornou dissidente russo, refugiou-se no México e foi assassinado com marteladas na cabeça a mando de um agente de Stalin. Pelo menos Trostky não poderia reclamar de nada, já que ele mesmo escreveu que os fins justificam, em certas circunstâncias, até a violência e o homicídio.
Gramsci e Lukacs sabiam que para permitir a futura revolução marxista, era preciso atacar a base da cultura ocidental. Enfim, corroer o organismo internamente, como um parasita. Eis então que o marxismo cultural assume a frente da luta revolucionária, enquanto o marxismo tradicional ficará relegado ao segundo plano, por uns tempos. Abordarei isso em mais detalhes na parte 5 deste ensaio, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Por enquanto, nos preocupemos com a base histórico-cultural deste movimento social, que será útil, como veremos após a conclusão desta parte do ensaio (assim como das partes 4 e 5), para entender a importância política do neo ateísmo.
Entra em ação o marxismo cultural
Até o momento sabemos que o pensamento dos marxistas era: “Se quisermos ter qualquer ambição de implantar o marxismo no Ocidente, é preciso acabar com a filosofia grega, o direito romano e, principalmente, a moral judaico-cristã”.
Alguns poderão até questionar: “mas a crítica à religião assumiu maior força no Iluminismo, não?”. Correto, mas a crítica era no máximo à influência da religião politicamente, com foco na criação do Estado Laico. E não uma eliminação da religião do cenário público. O marxismo tem uma iniciativa muito mais ousada. É preciso atacar a religião e retirá-la da discussão pública, pois a influência da religião, parra eles, é danosa. Na questão da religião, podemos dizer que os liberais (aqueles de bases iluministas), lutam pelo estado laico. O que é totalmente diferente do ataque e retirada das religiões do cenário público.
O que importa, principalmente agora, é saber que essas prioridades foram descobertas em 1920. Uma coisa curiosa é notar como Bertrand Russell, de um início mais “low profile” contra a religião, se tornou praticamente um dos precursores do neo ateísmo. Influências naturalmente advindas da campanha marxista. Haja vista que ele se “converteu” ao marxismo durante sua carreira.
Começava aí o movimento que pode ser chamado de “marxismo ocidental”, o que é um eufemismo para o Marxismo Cultural. Inicialmente, os camaradas de Moscou não ficaram muito satisfeitos com esse tipo de marxismo. Entretanto, veremos mais à frente, que a própria KGB fez uso principalmente desta espécie de marxismo. Tratarei isso na parte 4, em que trarei a história de Yuri Bezmenov, um desertor russo que era especialista em aplicações práticas de Marxismo Cultural. A expressão “marxismo ocidental” foi cunhada pelo filósofo marxista Maurice Merleau-Ponty (1908-1961).
Os primórdios do Marxismo Cultural, como já mencionado, relacionam-se a Antonio Gramsci e Georg Lukacs. Em relação ao primeiro, como já mencionei, dedicarei a parte 5 a ele, neste ensaio. Se hoje vemos a idéia dos intelectuais orgânicos, temos que considerar Gramsci como o principal responsável. Lukacs, por sua vez, queria incutir nos trabalhadores a “consciência de classe”, e usou o termo “revolução cultural”, com foco em mudar o senso comum da sociedade. Em tese, uma abordagem diferenciada, embora não tão detalhada como a de Gramsci, para a implementação do marxismo por vias culturais.
A partir dessa dupla, uma série de acadêmicos começaram a construir o “core” de idéias que tinham como foco destruir a base da civilização ocidental, que, como já vimos, é considerada “inimiga” do marxismo.
A Escola de Frankfurt
Cortina de Ferro era um termo utilizado para definir a divisão da Europa em duas partes: Oriental e Ocidental. Eram tratadas como áreas de influência político-econômica distintas, no pós Segunda Guerra Mundial. A Europa Oriental tinha o controle político/influência da União Soviética e a Europa Ocidental sob o controle político/influência dos Estados Unidos.
A proposta dos marxistas culturais era manter a “integridade” cultural dos países do Oriente, e implementar idéias marxistas no Ocidente. A partir daí surgiu uma série de filósofos, que muitos até aceitam como se fossem pessoas normais, mas no fundo todos são portadores da mentalidade revolucionária, na manifestação marxista: Ernst Bloch, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Jurgen Habermass, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, dentre outros.
O principal catalizador deste movimento pode ser definido como a Escola de Frankfurt. Para compreender sua origem temos que remontar a 1923, na Alemanha. Por lá, ocorreu a Semana de Trabalho Marxista, na qual alguns filósofos marxistas se reuniram para discutir o tal problema teórico de que antes falamos. A discussão era: “Por que a realidade não atendeu a teoria?”. Nessa semana, participavam Georg Lukacs e Felix Weil. Nesse ponto, Lukacs já tinha descoberto, juntamente com Gramsci, que o problema estava nas 3 colunas (filosofia grega, direito romano e moral judaico-cristã). O problema para os marxistas culturais agora não era discutir o “por que” (isso já tinha sido feito por Gramsci e Lukacs), mas sim “como” resolver o tal problema teórico.
Felix Weil assumiu função importante nesse ponto, ao criar em 1924 o Instituto para Pesquisas Sociais, em Frankfurt, na Alemanha. O Instituto se tornou, naturalmente, o quartel-general das discussões sobre como implementar o marxismo pelo mundo. Weil era o filho de um próspero comerciante, Hermann Weil, que teve como custear os estudos do filho em instituições renomadas como nas universidades de Tubingen e Frankfurt. Nessa última, Felix recebeu seu doutorado em ciência política. Nessa fase acadêmica, foi doutrinado pelas idéias socialistas e marxistas. De acordo como historiador com o historiador Matin Jay, o tema da dissertação de Felix foi “os problemas práticos da implementação do socialismo”.
Aliás, esse é o momento onde começa a ficar mais claro por que encontramos muitos marxistas, gayzistas, defensores de direitos humanos para bandidos, neo ateístas e outros desse tipo em universidades. Eles são úteis ao movimento revolucionário, pois, possuindo uma possibilidade financeira maior, ao serem doutrinados, eles conseguem influenciar mais gente. Como já dito antes, para marxistas, os meios não importam, desde que os fins sejam alcançados. No caso de Felix, a doutrinação dele teve importância muito maior, no caso, a grana que ele pode obter com o seu pai para criar o Instituto de Frankfurt. Fica aqui explicado um importante enigma. Por que será que há tantos filhinhos de papai associados a ideologias subversivas? Principalmente os que vão para a faculdade? Embora tratarei deste assunto aqui, expandirei ele na parte 5.
Por enquanto, foquemos na Escola de Frankfurt (ou Instituto para Pesquisas Sociais), que inicialmente iria se chamar Instituto Marx & Engels. Eis que surgia um problema: já existia um Instituto Marx & Engels na Rússia. E, nesse momento (estamos em meados da década de 20), o mundo já conhecia as atrocidades do governo russo, que posteriormente ficou conhecido por ser um dos campeões mundiais de genocídio, ao lado da China de Mao. Perto deles, até o governo futuro de Hitler seria trabalho de escoteiro. Até Hitler, que foi influenciadíssimo pelas idéias da mentalidade revolucionária, tentou se desassociar da conexão com as idéias de Marx. Obviamente, tais tentativas foram desmascaradas recentemente com o lançamento do vídeo “The Soviet Story”, na qual é demonstrado que os marxistas russos são praticamente os professores das estratégias de atuação nazistas.
Aliás, esse tipo de tentativa de Weil iniciou o que podemos chamar de “Estratégia do Varrimento para Debaixo do Tapete”. Para evitar suas associações com o marxismo, muitos desses ideólogos se identificam como “não tão ligados a Marx” ou até “críticos do comunismo”. Não surpreende que muitos subversivos hoje fiquem até ofendidos quando associados a Marx. Mas de que adianta se, conforme já vimos (e veremos mais ainda), a agenda do marxismo cultural é cumprida a risca? Basta um estudo mais profundo em cima desse pessoal para notar que os padrões comportamentais são os mesmos. Portanto, não adianta Weil ter identificado o seu Instituto como Insituto para Pesquisas Sociais. É um instituto para divulgação do marxismo, e a leitura do material desse pessoal será suficiente para tirar qualquer dúvida. Será que os neo ateus são todos marxistas? É evidente que nem todos são. Mas quando estudarmos a Estratégia Gramsciana veremos que é até produtivo que nem todos sejam. Parte da eficiência do marxismo cultural se deve à desassociação formal perante o marxismo original. Curiosamente, a edição geral das obras de Marx & Engels foi feita, simultaneamente, no Instituto de Frankfurt e no Instituto de Marx & Engels em Moscow. Detalhes…
O principal objetivo do Instituto de Frankfurt era estudar a Alemanha Ocidental, para entender o pensamento ocidental, e como isso “alienaria” os trabalhadores. Lembremos que, para Gramsci, os trabalhadores que não pegaram em armas contra os seus patrões na época da Primeira Guerra Mundial estavam “alienados”. Tudo ia muito bem, nos estudos desta turma (pois eles estavam criando a “estratégia de derrubada da cultura ocidental”), até que veio a Segunda Guerra Mundial.
Going to America
Como todos sabem, Hitler queria se desvencilhar da imagem de sua cultura revolucionária aprendida com Marx. Como Hitler não era de brincadeira, resolveu apelar à propagar a imagem de que lutava contra o marxismo, sendo aliado de Mussolini nesse ideal. O que importa para nós é saber que formalmente Hitler lutou contra os marxistas. E, mais ainda, lutou contra os judeus. Aqui temos um problema duplo para o pessoal do Instituto de Frankfurt: eles não eram apenas marxistas, como também judeus. Resultado: o Instituto de Frankfurt foi bombardeado e não restou-lhes outra alternativa que não fugir para os Estados Unidos. Entre os que foram para lá estavam Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse e Max Horkheimer.
Alguns até dizem que não há marxistas nos Estados Unidos, mas isso pode ser definido como “Estratégia Keyser Soze”. Para quem se lembra desse ótimo filme (“Os Sete Suspeitos”), ele conclui com o assassino, Keyser Soze,que se fingiu de debilitado o tempo todo para escapar da polícia, andando normalmente com um baita sorriso cínico na cara, após conseguir que outro fosse condenado em seu lugar. A frase que o filme mostrava era: “A maior jogada do Diabo foi convencer o mundo que ele não existe”.
Grande parte do esforço desses acadêmicos marxistas era doutrinar novos marxistas, ou ao menos, se não fosse possível, doutrinar novos subversivos. Outros acadêmicos eram também um foco de sua atuação. Grande atenção era dada ao fato de que isso não fosse tão “explícito”, mas sim aplicado de forma sutil. A Estratégia Keyzer Soze (mesmo que o filme só tenha sido lançado nos anos 90, ele explica bem a estratégia utilizada por eles) estava em vigência nas universidades americanas, e tudo isso com a Segunda Guerra em curso. Foi o tempo suficiente para que a contaminação dessas idéias na Academia se tornasse relevante em termos políticos. Quando a Segunda Guerra acabou, Horkheimer e Adorno voltaram para a Europa. Mas Marcuse continuou nos Estados Unidos.
Marcuse começou a dar aulas na Universidade de San Diego, na California, justamente na época em que explodiu toda a Revolução Estudantil de 1968, que causou impacto fundamental na França. Marcuse tornou-se parte de uma das mudanças culturais mais relevantes no Ocidente, embora muitos sequer tenham ouvido falar dele. Marcuse resolveu fazer um casamento entre as idéias de dois revolucionários: Marx e Freud.
Lembremos que eu falei da metáfora da válvula da panela de pressão no começo? Retorno à ela agora. A idéia era de que a válvula na panela de pressão tinha furado, a pressão escapava e a revolução não ia acontecer. Aí Marcuse veio com a idéia de encontrar pessoas revoltadas justamente onde elas aparecem em maior quantidade: nos jovens universitários, que seriam então tratados como as pessoas reprimidas sexualmente. E se eles eram reprimidos sexualmente, quem era o culpado? A moral judaico-cristã. Essa estratégia foi descoberta ao final dos anos 50. Lembrando também que a contestação da moral cristã não foi criada pelo marxismo. Nietzsche já fazia isso e não gostava de marxismo. O que importa, para os marxistas, como veremos na parte 4 (quando falaremos da subversão), é usar os movimentos existentes atualmente em curso e deixá-los seguir nesse caminho e motivá-los a ir até o fim.
No caso de Marcuse, ele encontrou um ambiente de pessoas que se sentiam reprimidas sexualmente, ele então apenas incentivou-as a ir mais além e ajudou a transformar a luta contra essa suposta repressão em um ato político. O lançamento de sua obra “Eros e Civilização” foi fundamental nessa luta. Com isso, Marcuse uniu o útil ao agradável. Ajudava a criar um movimento de luta contra a repressão sexual, travestido de luta pela paz, e ainda ajudava a dar cutucões na moral conservadora, principalmente da sociedade americana. O que importava, no final não era libertar essas pessoas da repressão, mas principalmente conseguir a militância. Era simplesmente a idéia de tentar matar dois coelhos com uma cajadada só: usava-se a rebeldia contra a religião, aprendida com Marx, e a noção de buscar todas as respostas no sexo, com Freud. Se hoje em dia, muitos encaram Freud e Nietzsche como intelectuais, deve-se, é claro, à iniciativas do marxismo cultural. Não é que ambos fossem intelectuais, mas sim que era importante que as pessoas considerassem eles como intelectuais, para darem mais atenção às suas idéias. Não surpreende, aliás, que Freud também fosse ateu.
O mais importante neste momento é saber que um dos objetivos principais dos marxistas culturais é dar aulas em universidades e atuarem no âmbito acadêmico. Muito provavelmente por isso é que os ideólogos marxistas busquem doutrinar as pessoas de destaque no mundo acadêmico primeiro. Tecnicamente, o marxista cultural não precisa pegar em armas, até por que não é uma iniciativa tão segura. Que o uso das armas fique para os proletários da revolução no momento certo. A função do intelectual do marxismo cultural é atuar para culturalmente moldar a sociedade para facilitar futuramente a revolução.
Nas universidades, os marxistas encontram terreno fértil para a doutrinação de seus alunos dizendo coisas com “a sociedade capitalista é uma sociedade opressora”, “se essa opressão ocorreu, a culpa é da religião”, “você não executa a sua liberdade sexual por causa dessa opressão”, “lute contra isso”, “mostre sua luta”, etc.). O resultado final disso, é claro, eram as manifestações de pós-adolescentes contra a Guerra do Vietnã (ou seja, implicitamente idéias pró-comunistas) e com base no “Faça Amor, Não Faça a Guerra”, lema de Marcuse. A importância cultural de Marcuse era tanta que a geração hippie com certeza deve muito a ele. Marcuse, que chegou a trabalhar para a CIA, nem se preocupava em se identificar como marxista. O importante para ele era conquistar a aceitação do público americano, pois ali era o foco do trabalho dele. Marcuse sabia que as idéias de revolução sexual seriam propagadas ao redor do mundo, culturalmente. Enquanto isso, outros ideólogos marxistas faziam o mesmo trabalho na Europa.
Os Estados Unidos sempre foram conhecidos por serem um país onde todas as opiniões podem ser ditas, independentes de quais fossem. Veremos que essa praticamente tem sido a fonte da ruína cultural deles, pois foi por onde os ideólogos marxistas resolveram atacar, se infiltrando, moldando culturalmente geração após geração. E o importante é notar como as técnicas dos marxistas sempre foram utilizadas da maneira mais desleal possível, pois como já visto, para eles a moral é uma estupidez, e os fins justificam os meios. Obviamente que eu não proponho uma nova censura, mas já que os marxistas culturais jogam tão sujo, temos que estudar formas de investigar e desmascarar em público esse tipo de material.
Patrulhamento ideológico
Se hoje vemos os neo ateus como símbolos de patrulhamento ideológico, não podemos esquecer que seus professores nisso foram os marxistas originais.
Um dos grandes exemplos de patrulhamento ideológico no molde marxista padrão foi a questão do senador Joseph McCarthy, que nos anos 50 investigou um número de artistas infiltrados na indústria cinematográfica americana. Estes artistas atuavam de forma a lançar obras que ajudassem na difusão cultural de idéias revolucionárias. Foi descoberto que McCarthy tinha um histórico de alcoolismo e era também homossexual. Muitos comunistas simularam que as investigações de McCarthy serviam como opressão, naquilo que foi denominado macartismo, e durou de 1950 a 1956. Alguns ideólogos comunistas alegavam que pessoas eram levadas ao suicídio pelas investigações de McCarthy. Começou então um extensivo patrulhamento ideológico contra McCarthy, que foi tratado como um pária social. Obviamente, o caso de alcoolismo dele foi extensivamente aproveitado por marxistas (e até alguns liberais) que frequentavam a mídia.
A questão com McCarthy é apenas um dos exemplos de como os ideólogos marxistas e seus pares subversivos sabem executar a noção de que aqueles que lutam contra suas utopias deverá ser destruído, e não haverá nenhum padrão moral para julgar qualquer ato que for feito contra ele.
Uma das principais formas de patrulhamento ideológico é a Estratégia das Tesouras, que é apresentada por Olavo de Carvalho desta forma:
A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.
E o que isso significa? Em termos sociais, temos 3 vertentes hoje: conservadorismo, liberalismo e marxismo. O que importa para eles hoje é atacar o conservadorismo, eliminá-lo do espectro político e transformar a questão em uma discussão entre liberalismo e marxismo. Futuramente, com isso, o marxismo se ocuparia de destruir o liberalismo com mais facilidade. É por isso que a religião TRADICIONAL é que é tratada hoje inimiga do neo ateísmo. E eles não se importam tanto com os deístas e panteístas. Por enquanto.
Na execução da estratégia das tesouras, os marxistas simplesmente efetuam toda e qualquer forma de patrulhamento ideológico contra aquele que estiver fora do espectro delimitado por eles.
Diante dessa lição, aprendida com o macartismo, e notando como o patrulhamento ideológico hoje está bastante focado nas universidades e na mídia, pode-se dizer que o cenário de maior perigo hoje em dia para se ter uma idéia conservadora é o cenário acadêmico. Hoje por exemplo, que alguém ouse questionar o movimento gayzista em uma universidade. Ou, pior, que se tente questionar um paradigma ateísta. O resultado disso será a tentativa dos marxistas culturais em destruírem sua carreira.
Tratarei especificamente de estratégias mais detalhadas de patrulhamento ideológico na parte 5, sobre a Estratégia Gramsciana. Por enquanto, abordei apenas a origem desta prática, e, como não poderia deixar de ser, é uma prática marxista.
Conclusão
O marxismo cultural é uma forma aparentemente light de marxismo, justamente por que assim ele causa à princípio menos rejeição, e portanto, é mais facilmente difundido. Entretanto, ele não é menos perigoso que o marxismo tradicional. Pelo contrário, ele é um habilitador das idéias revolucionárias mais radicais. Uma série de estratégias é utilizadas por eles, e principalmente em âmbito cultural e acadêmico, justamente por uma questão de facilidade de alcance de mais mentes vulneráveis, principalmente universitários (em fase de alta ebulição sexual e rebeldia). Dentro desse âmbito de doutrinação universitária, eles vão criando novos subversivos, e mantém sua estrutura de maioria acadêmica, usando desde a lavagem cerebral até o patrulhamento ideológico. Esse artigo apenas dá a base explicando o surgimento e como funciona basicamente o marxismo cultural. Nos próximos 2 artigos, em que tratarei das Estratégias de Subversão (com exemplo da história do dissidente russo Yuri Bezmenov) e da estrutura da Estratégia Gramsciana, fornecerei algumas idéias básicas do que seria uma forma de contenção aos objetivos marxistas. Notem que não tratei, ainda do historicismo absoluto e do desconstrucionismo, e nem da gramática transformacional, de Noam Chomsky. Em relação à esta última tratarei dela na parte 7, e quanto as outras 2 tratarei na parte 5.
E enfim, os coringas virtuais

E não é que na geração pós-iluminismo e pós-marxismo tinha que surgir um novo espécime, os tais dos discordianos? Para se ter uma idéia do que significa este tipo de gente, esse link pode dar uma idéia.
Em suma, basta imaginar o epicurismo, levado às últimas consequências, com o niilismo, também levado às últimas consequências, que o resultado é esse.
O interessante é que tais figuras, de um site discordiano (ou caótico, o que dá no mesmo) queriam me convidar para participar de lá. Não revelarei o nome do site deste pessoal, apenas por questão de caridade, pois eu poderia desmascará-los. O importante do texto abaixo é notar a que nível de picaretagem isso chegou.
E qual a idéia dessa turma? Simplesmente ter grupos “rivais” brigando e “irritando” uns aos outros. Detalhes: ateus e teístas ficariam em um “palco”, enquanto eles assistiriam dando risada, praticando algo que seria uma forma de agnosticismo extremo.
Sem enrolação, vamos então conhecer um pouco do “discordianismo”:
- Jennifer: Aí Murício, esse é Luciano.
- Luciano: Olá Murício, tudo bem?
- Jennifer: Aí está um bom critico dos neoateus.
- Luciano: Estou lendo seu site.
- Murício: Opa. Ele ainda não é tão sério quanto planejamos. A idéia é misturar discórdia com informação útil. De forma sacana e descontraída. Você gosta de irritar neo ateus. Basta escrever, colocar no blog que é dividido em meses e lá está sua participação na “Revista Mensal”.
- Jennifer: Ele gosta de falar de neoateus. E consequentemente ele irrita.
- Murício: Cada artigo chama novas atenções para o site. Se bem elaborado ele vira um foco de visitas. Apenas com o artigo dos Simpsons do Pastor Virtual conseguimos mais de umas mil visitas em menos de um mês. Estamos procurando alguém para atacar os EUA. E alguém pra falar de sexo, bebidas e outras coisas de homem.
- Luciano: Olha…vejamos. Não é meu foco irritar os ateus. Isso é um efeito secundário.
- Jennifer: Um efeito secundario bem marcante.
- Luciano: Basicamente, o meu foco é estipular técnicas de prevenção aos ataques difamatórios de neo ateus.
- Murício: O que irrita ateus. Logo junta o útil e o agradável.
- Luciano: Eu sou um bom questionador, se você não se incomoda. [N.E. - Aqui eu já desconfiava da figura]
- Murício: Sem contar que publicando ali, eu fico preparado contra ateus também. E outras pessoas mais.
- Luciano: Por que quer irritar os ateus?
- Murício: Por que irritamos tudo e todos. Apenas porque é engraçado. A comunidade que está agora. Doei de bom grado a Jennifer para ela criar esta pequena zona de discórdia. Isso nos informa sobre o tema, ficamos com possibilidades de argumentação refinadas em off. Pois trocamos informações.
- Jennifer: Se eles não se irritam, é prova que seus argumentos são bons.
- Murício: Nossa idéia é ir criando comunidades de vários temas. Jennifer, eles não se irritam na sua frente se forem polidos; mas os ratos de computador guardam mágoas em off. (risos) [...] É como se tivessemos especialistas em todas as áreas. A idéia é ter artigos sobre tudo, explorando os paradoxos das mais variadas teorias.
- Luciano: Não sei nem o que dizer. [N.E. - Aqui a vontade já era de mandar ele tomar no cu, mas deixei rolar...]
- Murício: Join the team. Seja um dos nossos X-men.
- Luciano: (risos). Você gosta de Peter Carroll? Timothy Leary?
- Murício: Viu. Não conheço nenhum destes. Você é uma fonte de novas informações.
- Luciano: Você é adepto do discordianismo, correto?
- Murício: Sim. Você se informa e desinforma os outros. Mas minha vertente é nova. A desinformação é legal na vida real, pois posso ver os resultados.
- Luciano: Aha.
- Murício: Na internet o mais engraçado é a manipulação argumentativa para contestar as idéias alheias.
- Luciano: O próprio discordianismo pode ser exposto, não acha?
- Murício: Claro que pode, como toda teoria. Mas então quanto mais ideologias você esconde para mascarar seus objetivos, melhor é o resultado.
- Luciano: Mas isso pode ser apenas uma crença, não acha? Algo como uma crença RPG.
- Murício: Bom, tecnicamente vivemos em um RPG.
- Luciano: Ou pode ser apenas uma crença de que se vive em um RPG.
- Murício: Como cada jogador, mesmo sem ter consciência da sua política faz parte do jogo. Temos um sistema de crenças que não pode ser comprovada acerca dos sentimentos, emoções e pensamentos alheios.
- Luciano: Explique esse último argumento, por favor.
- Murício: O RPG é variável de acordo com o ponto em que você se encontra. Veja bem, em uma discussão, por mais que a pessoa utilize palavras que parecem compor suas emoções, ela pode estar te manipulando. Então quando você imagina ter exposto a idéia de alguém ao fracasso, ele na verdade estava procurando alguém que organizasse seus próprios pensamentos. Veja o meu caso. Você não sabe se sou ou não ateu.
- Luciano: Não que eu estou me importando se você é ou não ateu, e sim com seus argumentos.
- Murício: E eu posso estar aproveitando seus padrões de pensamentos elogiados popr Jennifer, para fuçar suas idéias e encontrar uma idéia que posso vencer seus paradoxos.
- Luciano: Então, a idéia é “começar um jogo”?
- Murício: Traduzindo: como te “vencer” ao te encontrar em uma mesa de bar. Então eu continuo semeando a desinformação de certa forma, pois eu aparento estar fazendo algo para me divertir quando na verdade estou apenas me informando.
- Luciano: E como você compreenderá, por exemplo, uma interpretação minha apenas com conhecimento superficial?
- Murício: Eu não sei, mas você terá que utilizar alguma interpretação. E por meio dela, vou analisar seus níveis de conhecimento.
- Luciano: Mas para analisar os níveis de conhecimento de alguém sobre um assunto, é preciso conhecê-lo, não?
- Murício: Quando falei na mesa do bar foi hipotético.
- Luciano: Posso te mostrar um texto do meu blog em que falo disso.
- Murício: Eu vou discutir com alguém que tem idéias parecidas com a que você expôs.
- Luciano: No duelo com o neo ateu, o outro é que vai para a arena.
- Murício: O outro, seria seu personagem no RPG? Me passe o link. Como estou analisando seu currículo vou te favoritar
- Luciano: Segue o link. Lembremos, eu também estou analisando seu CV.
- Murício: (risos) Acredito que não. Mas meu objetivo 1 já foi atingido.
- Luciano: O meu também. Como já disse, conheço os discordianos.
- Murício: Mas talvez eu não seja um.
- Luciano: Sim, é. Sua psique atende aos requisitos.
- Murício: Ou sou apenas um vagabundo virtual.
- Luciano: Está em fase de “confusão mental”. Gosta disso.
- Murício: E se meu objetivo for informar ao invés de não informar?
- Luciano: Neste caso, seria um caso especial a ser estudado.
- Murício: Afinal de contas, eu tenho um personagem.
- Luciano: Todos os discordianos são pessoas que ainda estão na fase da “empolgação” filosófica. Mas você pode ser uma exceção.
- Murício: Se bem que eu cairia em um paradoxo. Se a teoria não for pura de acordo com os antagonismos, eu precisaria de algo novo. Ainda sou um moleque.
- Luciano: Dê exemplo de “teoria pura de acordo com os antagonismos”.
- Murício: Estou na empolgação filosófica. Admito.
- Luciano: Cuidado que alguns ficam assim até o fim da vida, viu. (risos)
- Murício: Não existe. Ela é feita, mas não é aplicável. No caso da discórdia menos ainda. Isso pode ser positivo se for o meu caso.
- Luciano: Espere aí. Você busca algo que não existe ainda…
- Murício: É uma fase de eternos questionamentos, que pode ser uma máscara também. E me dá maiores possibilidades de ação.
- Luciano: Mas se busca, pode existir, não?
- Murício: Imagine uma pessoa que apenas se faz de desentendida. E que no final das contas não busque nada. Mas não existe um paradoxo entre discórdia e não discórdia.
- Luciano: ?
- Murício: Por que não existe discórdia igual. Nunca. É o primeiro passo para ser do grupo. Que não é um grupo.
- Luciano: HA HA HA HA
- Murício: Você pode ter objetivos ao desinformar as pessoas. Ou não. Praticar algo semelhante aos discordianos não quer dizer que seja um.
- Luciano: Isso é PNL.
- Murício: Vejo que escreve muito bem. Tem uma dedicação que eu não possuo. Já ganhei alguns prêmios redacionais no meu nível de conhecimento, ma confesso ter uma enorme preguiça em escrever bem para o público.
- Luciano: Eu gosto de filosofia, com foco na busca da verdade. Já gostei de picaretagens, como filosofias de Epicuro, Nietzsche, e (acredite) até Marx.
- Murício: A verdade? (momento crítico da conversa…) [N.E. - E por que não estou surpreso?]
Luciano: Não é crítico. Por exemplo, você acredita que há verdade? - Murício: Evidentemente não.
- Luciano: Opa… Agora a coisa ficou divertida.
- Murício: Mas você afirmou focar uma verdade.
- Luciano: Lembre que você disse “evidentemente” que não há verdade. Mas você já desistiu dessa busca, pois você não acredita que há uma, certo?
- Murício: Ah, agora sim experimentamos um momento Arquivo X. Minha mente é bem aberta. Eu não pratico processos de desistência.
- Luciano: A resposta é: ‘ou sim ou não’. Qual a aposta que você faz?
- Murício: Escolher buscar uma verdade implica em um antagonismo ocidental.
- Luciano: Ah, sim… (risos).
- Murício: Um extremo ou outro pode gerar a falta de um ponto de equilíbrio.
- Luciano: Sim, não, talvez.
- Murício: Mas o ponto de equilíbrio também é um paradoxo. Pois ele se coloca como teoria contra a teoria dos antagonismos.
- Luciano: Mas enfim… você não busca pela verdade, certo?
- Murício: Não. Mas posso esbarrar com ela. Mas para isso devo evitar me levar por emoções excessivas. Elas devem surgir naturalmente.
- Luciano: Mas não fará nenhum esforço para buscá-la, certo?
- Murício: Evitando ao máximo que sejam mera respostas do meu dia-a-dia.
- Luciano: COMO você acha que, se esbarrar na verdade, isso ocorrerá?
- Murício: Meu esforço estará em catalogar e fuçar as coisas.
- Luciano: Como você avalia a qualidade do catálogo?
- Murício: Não existe avaliação para isso. É possível ter a maior biblioteca do mundo. E do nada encontrar um livro que faz toda ela parecer uma piada.
- Luciano: Sim… eu acreditava nisso. Até conhecer a Gestão do Conhecimento.
- Murício: Mas você não é mais ateu. (risos).
- Luciano: Eu não fui apenas ateu.
- Murício: Então confessa que se divertia destruindo argumentos religiosos? Quanta maldade em seu coração. Sua diversão, verdade que pratica, é criar argumentos para fazer as pessoas mudarem de lado.
- Luciano: ‘quanta maldade em seu coração’ <- os seres humanos são assim. E não, eu não quero que o meu adversário mude de lado.
- Murício: Como você já foi discordiano, sua ficha de argumentações é contestável.
- Luciano: Defina “ficha de argumentações”?
- Murício: Dizem que uma vez filho de Éris sempre filho de Éris.
- Luciano: E você acreditou?
- Murício: Como não age em grupos, pode mascarar totalmente suas intenções por trás de ideologias. Criando um jogo de palavras que o diverte.
- Luciano: Isso passa. E, de novo, não importa a sensação subjetiva. E sim o argumento.
- Murício: Como seu paraíso é o resultado que nega ser o real, pois também está na arena. A idéia é convencer o maior número de pessoas possível a abandonar este mundo de manipulação e escolher um lado. Assim você poderá o manipular depois. E manipular quem manipula é bastante agradável.
- Luciano: E como você prova que essa é a minha intenção?
- Murício: Isso é apenas uma possibilidade de interpretação sobre a sua pessoa.
- Luciano: Aha. Ou apenas uma interpretação. Errada. Embora isso não faça a menor diferença para você, não é?
- Murício: É possível que eu não acredite em nada do que eu disse. E eu também não posso provar.
- Luciano: O que também é irrelevante. Não é importante se você acredita ou não, e sim a argumentação.
- Murício: Pois no jogo de palavras o resultado só poderá ser provado por fatos. Difíceis de se conectar no mundo virtual, que é um mundo de mentiras. O paraíso delas. E a argumentação é a fonte da discórdia.
- Luciano: E sem argumentação, teríamos muito mais discórdia.
- Murício: Não. teríamos mais um Big Brother. Uma discórdia sem refinamento.
- Luciano: Interessante.
O mais interessante, ao final, é notar o seguinte: Se eles podem fingir o tempo todo, por que eu, neste diálogo por ele, não poderia ter fingido interesse? Em suma, se tudo é um jogo, eles não podem reclamar de eu desmascará-los aqui (e olhem que fui caridoso ao trocar os nomes deles), correto?
No final das contas, esses discordianos (espécime rara, felizmente) só não são mais politicamente perigosos que os neo ateus justamente por serem ingênuos demais e a doença dele não ser tão popular quanto o neo ateísmo.
Mas o objetivo de desmascará-los aqui é somente fornecer o alerta: cuidado com qualquer comunidade feita para “embates”, em que aparentemente não há regras. E cuidado especial ao notar que um grupo específico apóia os “embates”, apelando ao quanto pior melhor.
Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo – Introdução

Nas organizações, se quizermos proteger a companhia das ameaças externas, incluindo entre eles os fraudadores e os hackers (no caso da TI), temos, é claro, que estudá-los sob a perspectiva do framework MMO, que significa means (meios), motive (motivo) e opportunity (oportunidade). Qualquer ação criminosa só ocorre com a combinação de ao menos dois desses fatores.
É extremamente relevante, no entanto, entender o segundo fator, o motivo, através dos quais podemos prever os meios, e então identificar as oportunidades através das quais os crimes serão perpetrados.
Se quizermos refutar o neo ateísmo, que pode ser considerado como uma ideologia praticamente criminosa (devido ao seu caráter subversivo), precisamos estudá-los, compreender sua origem e seus motivos. Enfim, entender o neo ateísmo como um fenômeno natural.
Esse ensaio não traz absolutamente nenhuma teoria nova, fazendo apenas uso de teorias já existentes (incluindo, ironicamente, uma abordagem utilizada pelo próprio Richard Dawkins, um dos papas no ateísmo).
Abordarei aqui, em 10 artigos (além desta introdução), o neo ateísmo como um fenômeno natural. Temos que avaliar este movimento da mesma forma que estudamos o vírus do sarampo, ou um surto de gripe, e então estudá-lo e observar o ‘cui bono?’ para a nossa espécie.
Já de antemão aviso que não terei falsos pudores, pois precisamos estudar os fatos, sem medo de provocar melindres.
Como uma introdução, é claro, apresento a seguir os 10 tópicos deste ensaio.
Parte 1 – Por que estudar o neo ateísmo como fenômeno natural?
Nesse artigo, fornecerei os motivos pelos quais é extremamente importante que estudemos o neo ateísmo como um fenômeno natural, e devemos avaliar as consequências dele para a nossa espécie. Meu objetivo, com esse artigo, é mostrar a urgência de um estudo sério e disciplinado não só do neo ateísmo como também das principais ideologias subversivas, sendo que o neo ateísmo é apenas um membro desta família de ideologias. Por que o ser humano cria ideologias que leva suas sociedades à destruição? Por que o ser humano torna-se tão irracional assumindo paradigmas contraditórios como o neo ateísmo? Por que tornam-se tão agressivos, irracionais e falaciosos, a ponto de serem incapazes de levar uma vida socialmente aceitável quanto se defrontam com aqueles que não são ateus? Todas essas perguntas serão tratadas, de forma a mostrar que é vital e importantíssimo que estudemos o neo ateísmo como um fenômeno natural, assim como todas as ideologias subversivas o são. Da mesma forma mostrarei por que tratarei especificamente o neo ateísmo, e não o ateísmo.
Parte 2 – A Mente Revolucionária
Podemos entender a mente revolucionária como uma mente com uma série de “falhas”, que também devem ser objetos de estudo. As vítimas de ideologias subversivas estão entre os que apresentam os comportamentos típicos da mente revolucionária, incluindo os líderes. Para entender a mente revolucionária, devemos colocá-la em contraposição com a mente evolucionária (ou conservadora), conforme definida por Russell Kirk, um dos principais estudiosos do conservadorismo. O objetivo é entender a diferença da mente revolucionária, e por que este tipo de mente se torna tão susceptível a uma série de ideologias subversivas.
Parte 3 – Entendendo o Marxismo Cultural
Naturalmente, nenhum movimento se aproveitou tanto da fragilidade da mente revolucionária como o marxismo cultural. Se quisermos entender os motivos por trás de vários grupos militantes hoje, incluindo gayzistas, defensores de direitos humanos em privilégio de marginais, MST e, claro, o neo ateísmo, dentre outros, precisamos compreender o marxismo cultural e como ele é extremamente relevante pelo uso que faz de pessoas que possuem tal deficiência (mente revolucionária). Se hoje o neo ateísmo se tornou uma nova tendência cultural, podemos entender como isso aconteceu através de uma compreensão do marxismo cultural. Só o entendimento de como funciona o marxismo cultural nos ajudará a criar métodos de contenção.
Parte 4 – Os quatro estágios da subversão
Como já dito, o neo ateísmo, assim como várias outras ideologias radicais, são meramente mecanismos de subversão. É importante entender como a subversão funciona, em seus quatro estágios, que são, segundo Yuri Bezmenov: desmoralização, desestabilização, crise e normalização. Tecnicamente, os neo ateus, assim como várias minorias são úteis desde a fase de desmoralização até a crise, sendo então descartados quando entrar a fase de normalização, em que todos os subversivos não são mais necessários. Yuri, ex-agente da KGB, conta detalhes de como isso ocorreu em vários países do mundo, e ocorre, atualmente no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos… Aliás, em qualquer país onde ideologias como o neo ateísmo estiverem em voga, já estamos em um estágio avançado de subversão. Por sorte, em alguns casos isso não é irreversível.
Parte 5 – A subversão na perspectiva de Gramsci
Se estudamos a subversão, dentro do paradigma do marxismo cultural, temos que conhecer o principal de seus arquitetos, Antonio Gramsci. O grande foco de Gramsci era a criação de uma hegemonia (cultural), para facilitar a conquista do poder (uso da força) pelos revolucionários. Obviamente, que isso não tardou para se tornar a estratégia favorita de marxismo cultural. Entendendo Gramsci, entendemos o vigor dos intelectuais orgânicos, e por que as faculdades estão tão recheadas de revolucionários e subversivos. Graças a quem? Gramsci. Se hoje há um grande número de ateus nas universidades, estudar Gramsci simplesmente ajuda a desvendar este mistério.
Parte 6 – Epicuro X Aristóteles
Depois de tudo isso já tratado, chega o momento de falar como os intelectuais orgânicos são doutrinados, principalmente em universidades, para se tornarem novos intelectuais orgânicos. O objetivo é simples, influenciar o maior número de pessoas, proliferando “organicamente” (conforme Gramsci solicitou) novos comportamentos sobre o cidadão comum de todas as maneiras possíveis, atuando na mídia, na cultura, dando aulas, etc. O discurso dos subversivos nunca é racional, mas é basicamente retórico. Para entender como eles são tão susceptíveis a esse tipo de discurso mais sedutor do que racional, temos que entender uma subcultura que focava em priorizar a idéia Epicurista (“não há verdade, a não ser a que for conveniente”) em detrimento da visão Aristotélica (“há uma verdade absoluta, e temos que buscá-la”). Mesmo que muitos desses novos agentes orgânicos sequer entenda o que Epicuro significa, o paradigma é utilizado para formatar suas mentes, e portanto é parte essencial de nosso estudo.
Parte 7 – Lavagem cerebral
Tudo isso explica até o momento a base que habilita o surgimento de alguém que compra uma idéia subversiva, mas ainda temos que entender por que eles se tornam tão dedicados ao novo programa, e ao mesmo tempo tão incapazes de receber qualquer outra informação nova, principalmente alguma que contradiga o programa. Temos que estudar a lavagem cerebral que eles sofrem, com algumas de suas principais técnicas: uso da falsa dicotomia, ressignificação, contra-informação, patrulhamento ideológico e demonização do oponente, dentre outros. O importante é notar que o componente Lavagem Cerebral não é um opcional, sendo parte dos programas revolucionários. Logo, se você encontrar um neo ateu pela frente, ou um marxista, ou um defensor de marginais em detrimento dos cidadãos honestos, temos praticamente a certeza de que ele é uma vítima de lavagem cerebral. Por isso, precisamos estudar as técnicas de lavagem cerebral que são identificadas principalmente no discurso deles, já que é necessário que nossa abordagem seja completamente científica.
Parte 8 – Explicando o nervosismo neo ateísta: efeito colateral da auto-ajuda
Isso tudo explica a militância, a dedicação à uma causa nem um pouco racional, e o comprometimento febril com ideías que se tornaram paradigma deste novo subversivo, mas ainda, até o momento não temos uma explicação para a extrema arrogância que alguns neo ateus tentam demonstrar perante seus oponentes. Eis que temos agora, ao estudar o discurso de auto-ajuda de muitos gurus do neo ateísmo, que compõem outra parte do programa de doutrinação deles. Se há um programa acadêmico, há outro programa que se apresenta em livros, vídeos, palestras, etc. Estes são geralmente de auto-ajuda, e um componente inerente à esse material são as frases de apoio que eles recebem. Algo como “você é mais inteligente”, “você pode superar tudo”, “você é mais racional”. E isso explica bastante a postura que aparentemente é arrogante dos neo ateus, mas no fundo é apenas resultado de auto-ajuda que eles sofreram. Neste artigo, trarei um exemplo de como um dos gurus de auto-ajuda, Lair Ribeiro, faz uso do tema do filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, para incutir na mente de seus adeptos uma suposta superioridade, e a extrema semelhança desta técnica com aquela utilizada em livros de Carl Sagan e Richard Dawkins.
Parte 9 – O neo ateísmo como subproduto de outra coisa
Até aqui já sabemos como surge um neo ateu, e então temos uma explicação evolutiva para como alguns seres humanos são susceptíveis a programas assim. A grande curiosidade é que a explicação vem justamente de uma abordagem trazida por um dos gurus do neo ateísmo, Richard Dawkins. Ele tentou explicar a religião como subproduto de outra coisa. Dawkins errou o alvo de forma retumbante, pois ele confundiu religião com “crença na autoridade, sem necessidade de confirmação”. Se este atributo não resume a religião, resume, por sua vez, o comportamento da crença em gurus, em superstições, e em qualquer ideologia de auto-ajuda, incluindo alguns esoterismos ou cientificismos. Também explica o marxismo. Nesse artigo fechamos a explicação e finalmente temos um entendimento de tudo que leva alguém a se tornar neo ateu, e a explicação final nos é dada justamente pelo entendimento do neo ateísmo como subproduto de outra coisa. Com isso, entendemos por que o leitor neo ateu aceita tudo que um de seus gurus diz e não possui mais o mínimo senso crítico para avaliar a validade ou não da idéia.
Parte 10 – O suicídio mental neo ateísta: debilidade mental e catatonia
Reconheço que são termos fortes, mas são usados aqui para uma forma de debilidade mental, assim como uma manifestação similar à catatonia, que são auto-adquiridas, e não fruto de deficiências de nascença. Não é o mesmo caso de uma criança que nasce com deficiência mental, mas sim pessoas que se tornam praticamente débeis mentais mesmo que tenham uma capacidade mental inata totalmente normal. Por exemplo, todos os itens anteriores, desde a falha mental que pode ser chamada de mente revolucionária, com a adição de componentes como epicurismo, as doutrinações sofridas e os programas de lavagem cerebral e auto-ajuda de acordo com técnicas de subversivos, dentro do modelo de marxismo cultural, ajudaram a tornar a pessoa praticamente incapaz de pensar racionalmente, concatenar informações, configurando, enfim, um suícidio intelectual. Talvez até a pessoa consiga executar sua função diária, profissional, mas no momento em que tratam do assunto religião e ateísmo, torna-se irracional ao ponto do quase inimaginável para uma pessoa minimamente sadia. É aí que agem como se fossem catatônicos e/ou débeis mentais. Esse artigo mostrará vários exemplos que mostram que o comportamento das pessoas que chegaram neste estágio confirma essa teoria, a de que o discurso neo ateísta é um discurso débil mental e catatônico.
Conclusão
O objetivo deste ensaio não é encerrar a discussão, mas sim propor um draft para que investiguemos e aprimoremos a teoria, de acordo com os estudos disponíveis e já conhecidos (ex: subproduto evolutivo, marxismo cultural, estratégia gramsciana, estudos sobre subversão, análise do discurso neo ateísta, mente revolucionária x mente revolucionária, lavagem cerebral, etc.), para compreender, finalmente, o que leva alguém a adotar o paradigma neo ateísta, e comportar-se como se ele fosse válido. Obviamente, o objetivo final não é fornecer uma forma de salvá-los, pois para isso seria necessária uma nova lavagem cerebral, o que é uma tarefa árdua e não é o foco aqui. A idéia é permitir que os mecanismos de refutações sejam mais facilmente mapeáveis, a partir do entendimento da origem e motivações deles. Enfim, exatamente como fazemos com hackers. Se os livros que estudam o comportamento hacker se tornaram indispensáveis para qualquer estudioso de segurança em TI, o mesmo vale para todos os estudos disponíveis que explicam o neo ateísmo (meu trabalho aqui foi apenas compilá-los). Se quisermos salvar a nossa sociedade, temos que atacar os movimentos subversivos, dos quais o neo ateísmo é um dos principais. Entendendo o motivo das ações deles, e a função social que eles cumprem, isso tende a ser facilitado.
A ilusão materialista

Quando eu tinha uns 13 ou 14 anos, e era ateu, eu achava lindo quando os outros diziam “ah, ele é muito materialista”.
Com o tempo, acostumei a me orgulhar de ser chamado assim, e muito provavelmente a maioria dos neo ateus devem se sentir da mesma forma. Isso, é claro, é uma teoria sobre o comportamento deles, e não uma verdade universal. Mas podemos chegar à essa conclusão olhando a forma como eles lutam para dizer “se não é testável pelo método científico, não existe”. Ora, isso é adoção do materialismo.
Mas será que é materialismo de verdade?
Não, na verdade não é. O materialismo, tal qual o positivismo, é uma vertente de pensamento natimorta, justamente por que possui tantos fatores de incoerência internos que não pode ser levada à frente por alguém que pense neles seriamente.
Na época, eu já ouvia algumas pessoas me dizendo “não, não vá por esse caminho” ou “apoiar positivismo e materialismo, filosoficamente, é igual ter a mãe na zona”. Mesmo assim, eu achava que tudo era muito bonito e me orgulhava quando diziam que eu era “o materialista”.
E, caso faltassem argumentos, bastaria atacar toda filosofia. Ah, essa malvada filosofia, que, se estudada a sério, ridiculariza o materialismo!
Ora, se o estudo de Platão e Aristóteles nos leva a encontrar erros fortes no materialismo, erros estes que jamais foram refutados, por que não ignorá-los? Bastaria apelar a Epicuro, Nietzsche e Rorty que tudo estaria resolvido, não?
É, tecnicamente, como efeito psicológico, até resolvia, desde que eu estivesse debatendo somente com epicuristas e nietzschenianos.
Mas, infelizmente, o mundo não era feito apenas deles (hoje eu digo “ufa, que sorte!”).
Mas quais os problemas que o materialismo causa a si próprio enquanto sistema filosófico?
Eu citarei um só, e um dos problemas mais simplórios, e facilmente visível por qualquer adolescente – ou seja, se o sistema em si já pode ser refutado por um adolescente, é sinal de que boa coisa ele não é.
Esse problema envolve o conjunto de limitações trazidas pelo fato de se tratar tudo que não é material como automaticamente não-existente.
O exemplo claro seria dos nossos pensamentos. Para conseguirmos raciocinar, precisamos trabalhar em cima de pensamentos nossos, e portanto precisamos acreditar que eles existem. Mas, na visão materialista, eles não existem.
Alguns tentaram resolver o problema dizendo: “ah, os pensamentos existem e são materiais sim, mas apenas não foram identificados ainda cientificamente em um PET-SCAN”. Mas de que me vale isso? Quer dizer que a existência material dos pensamentos é como se fosse o Dragão na Garagem?
Para um cético, é claro, isso é uma explicação que não satisfaz: ou vemos o pensamento no PET-SCAN e dimensionamos sua materialidade ou NÃO vemos. E isso é uma pergunta estritamente científica.
Como a resposta dessa pergunta não é satisfatória, resta então recorrer a um recurso para auto engano: criar uma espécie de materialismo light.
Ele funciona mais ou menos da mesma maneira: fingimos que o sistema materialista vale para toda a ciência E para a hipótese Deus. Se quisermos negar outros eventos sobrenaturais, também podemos usar o materialismo. Mas não se usa o materialismo e fingimos até que o materialismo não existe quando consideramos o resto dos eventos não provados como materiais.
É exatamente isso que você leu! Como o sistema em si tem furos, quando aplicado universalmente, define-se momentos específicos em que ele pode ser aplicado.
Claro que todo aquele que busca a verdade vai se incomodar de imediato, pois isso antes de tudo é enganar a si próprio. Para a pessoa conseguir aceitar tal tipo de armação, ela precisa mentir para si próprio de maneira quase hipnótica a ponto de, depois de algum tempo, achar de novo que o “materialismo é a verdade”.
No final das contas, uma análise racional do materialismo light mostra que ele não tem o status de sistema filosófico sério, pois é apenas um recurso retórico para tentar atacar idéias em debates. O problema, como já dito, é quando alguém lhe questiona em retorno.
O resultado é algo hilariante deste tipo:
- Materialista: Eu não acredito em Deus, pois ele não pode ser provado materialmente.
- Questionador: Quer dizer que só podemos acreditar no que é provado materialmente?
- Materialista: Exato.
- Questionador: Como podemos acreditar em seus pensamentos?
- Materialista: Veja bem…
Não importa como, basta o mínimo de talento para o questionamento, que o materialista será colocado em uma situação ridícula.
Na verdade, o materialista é colocado sob ridículo justamente por que o materialismo verdadeiro e pleno jamais é praticado por ninguém em sã consciência. O que os remanescentes dessa bobagem pseudofilosófica usam é o materialismo light, que resulta nos problemas acima tratados, mas pelo menos permite que o seu adepto sobreviva.
Claro que ele só vai sobreviver mentindo para si próprio e tentando convencer a si próprio de que Epicuro é a lei.
Desmascarando estratagemas neo-ateus 1 – Criacionismo é religião

Uau!
E então o Pedro Amaral, do blog Crer para Ver, tentou apelar oficialmente ao sofisma para ver se conseguia pontuar em seus duelos comigo. Até agora, no entanto, encontrei tantos furos em sua argumentação que o máximo que ele poderia tentar seria apelar à minha piedade.
Mas, em sua eterna tentativa de sofística (e um tanto de erística), reconheço que agora ele foi ousado, portanto ao invés de respondê-lo em minhas caixas de comentários (já que seus “duplos” aparecem para postar seus textos aqui), farei-o desta vez em um artigo específico para tal.
Apresentando o ardil sofístico de Pedro
Pedro tenta impor um ardil desde o início, utilizando-se das minhas definições iniciais de ciência e religião, conforme seguem abaixo:
Definições de “ciência”, segundo Luciano:
* «corpo de conhecimento adquirido através das práticas e pesquisas que tenham sido suportadas pelo método científico»
* «sistema de aquisição de conhecimento baseado no método científico»Definições de “religião”, segundo Luciano:
* (visão do todo) «o conjunto de crenças relacionadas ao divino, sobrenatural, sagrado, transcendental, etc.»
* (visão individual) «o conjunto de práticas religiosas, junto com o código moral, que se deriva dessa crença»
Em cima, disso, Pedro tenta defender ardorosamente a sua idéia de que ciência X religião é uma associação válida, pois, como já expus várias vezes aqui, é PARTE INTEGRANTE DO COMPONENTE DE AUTO-AJUDA que os gurus neo ateus (que Pedro segue, fanaticamente) implementam, através de recursos como falsas dicotomias. De outra forma, seria difícil lavar o cérebro mesmo de pessoas fracas. Com o uso de falsas dicotomias (como ciência X religião), cerebrinhos vulneráveis como os de Pedro Amaral são presas fáceis.
Na sua eterna tentativa de validar os seus gurus, Pedro tentou:
Segundo a primeira definição dada, uma religião não entra em conflito com a ciência se as crenças que compõem não entram no domínio da ciência ou se [não] implica uma postura contrária daquelas que se exige na ciência. Por exemplo criacionismo é a crença de que Deus criou o Universo ou que criou os moldes para tudo o que existe, como uma instância de cada espécie. Isso é uma crença que relacionada com o divino, por isso pertence à religião. Se não concorda, a definição está errada.
Como Pedro sabe que não vai tentar conseguir “fechar” a associação (e então assim, ele conseguiria implementar um golpe em seu oponente), ele tentou apelar às suas famosas analogias infantis para tentar impor sua idéia de que “Ciência X Religião” estão em conflito, pois ele queria de qualquer forma dizer que criacionismo é religião:
Encontramos duas condições necessárias: 1) ser um rectângulo; 2) ter todos os lados com o mesmo comprimento. Essas condições são suficientes para designar um quadrado. Com condições necessárias e suficientes, temos uma definição.
Outras definições: Um rectângulo é um paralelograma com todos os ângulos internos rectos. Um paralelogramo é um quadrilátero cujos lados opostos têm o mesmo comprimento e são paralelos entre si. Um quadrilátero é um polígono com apenas quatro lados. Um triângulo é um polígono com apenas três lados. Um polígono é uma figura geométrica plana formada que é uma linha fechada formada por uma sequência de um número finito de segmentos de recta. Uma circunferência é uma figura plana geométrica que consiste numa linha curva fechada cujos pontos estão localizados à mesma distância (raio) de determinado ponto fixo (centro).
Vamos supor que alguém diz que um triângulo é um quadrado. Afinal de contas, os triângulos são polígonos. E suponhamos que alguém diz que um rectângulo não é um quadrilátero, porque um polígono com quatro lados é um polígono com quatro lados iguais. E quem o contradiz, é acusado de ser desonesto, que quer colocar os triângulos entre os feios e não quer admitir os defeitos dos quadrados, e apresenta um exemplo, como argumento, de alguém que propôs que as circunferências são quadrados. É absurdo, não é?
Dizer que um rectângulo é um quadrado, é como dizer que um xadrezista é um campeão de xadrez, só porque joga xadrez. Falta uma condição necessária: ganhar um campeonato de xadrez. Agora imaginem que ele diz que isso é uma analogia falsa porque «jogar xadrez não implica em campeão de xadrez, mas sim em ser um enxadrista». Já escrevi sobre essa acusação de falsa analogia noutro artigo. Aqui escrevo sobre o argumento por detrás dessa analogia (que não era o propósito do outro artigo). Acho que, para começar, o melhor é contextualizar a metáfora da geometria com a discussão que representa (apesar de com isso poder correr o risco de ser acusado de prolixo).
Como se nota, apenas desvio de foco, pois a idéia dele era tentar me refutar, pois eu afirmei que no máximo criacionismo é uma “má ciência”, e a discussão jamais chegou no aspecto da religião.
Só que Pedro insiste de novo (lembrem-se que o cerebrinho dele foi lavado, portanto sem a falsa dicotomia ciência X religião, as muletas dele são quebradas):
Repara que estou a seguir a definição que apresentaste: «o conjunto de crenças relacionadas ao divino, sobrenatural, sagrado, transcendental, etc.» Se X é uma crença e está relacionada com o divino, pertence à (ou a uma) religião. O que eu disse é que o criacionismo é uma crença que pertence a esse conjunto, já que está relacionada com o divino: é um caso particular de Design Inteligente(citando-me: «Isso é uma crença que relacionada com o divino, por isso pertence à religião»). E nós consideramos que entra em conflito com a ciência (posso elaborar, mas é irrelevante se ambos aceitamos a proposição).
Ele tenta, portanto, dar o seu “golpe fatal” aqui:
Reparem que Luciano disse que o criacionismo é uma parte da ciência e serviu como outro exemplo a memética, que serviu para um argumento de um seu artigo: a «Teoria da Memética, criada por Richard Dawkins» «Não passou pelo método científico, foi chamada de “teoria científica” por alguns cientistas, e ninguém passou o crivo do método científico em cima dela. Para piorar, nem é falseável.»
Vejamos: ninguém passou a memética pelo crivo do método científico e nem é falseável, mas serviu para os seus argumentos, como se tratasse de uma teoria científica, porque “alguns cientistas” chamaram-na de “teoria científica”. É o “triângulo é um quadrado” – não satisfaz as condições necessárias! Mesmo pela definição dada por Luciano, o que nunca foi suportado pelo método científico, não pode ser considerado ciência. E aceitando que o que distingue a condição que distingue a ciência é a falseabilidade, então a memética não faz parte da ciência. É uma pseudo-ciência, se fazem passá-la de ciência, ou quanto muito uma proto-ciência, se está a seguir o processo que pode permitir que se torne uma teoria científica.
Por isso o Supremo Tribunal Americano, depois de ouvir cientistas como testemunhas, que explicaram o que é uma ciência, considerou que a Creation Science e o criacionismo não fazem parte da ciência e por isso não pode ser incluído nas aulas de ciências. Daí surgiu como resposta o Design Inteligente. No caso Kitzmiller v. Dover, o professor Behe, por exemplo, disse que segundo a sua definição diferente de “ciência”, a astrologia seria também uma ciência, e admitiu que não existem testes que validem premissas do Design Inteligente, como a complexidade irredutível. O juiz Jones, escolhido pelo presidente George W. Bush, decidiu que o Design Inteligente não é uma teoria científica, que é apenas um produto do criacionismo e que é de natureza religiosa. Até um juiz evangélico conservador, perante os factos, teve de chegar a essas conclusões. [Wikipedia; Wikisource; UMKC School of Law; Cornel University Law School; Find Law; Talk Origins; Vídeos: Dover Trial - Intelligent Design Get's It's Day In Court]
Resumindo e concluíndo, dizer que o criacionismo e memética são ou pertencem à ciência, segundo os termos de Luciano, é dizer formalmente:
1) ∀x ∈ Z : x ∈ X ↔ a(x)
2) ∃y ∈ Z : ¬a(y)
3) y ∈ X
… o que é logicamente absurdo.
Desmascarando a fraude
É bastante fácil desmascarar os estratagemas do Pedro. Sou grato ao material de Schopenhauer, que sempre me foi muito útil em duelos com adversários desonestos e mal intencionados.
1) A primeira falha de Pedro é trabalhar em cima de minhas definições de religião, só que ele cometeu um erro terrível. Se Pedro tivesse estudado um pouco de Aristóteles (vejo que essa é a base que falta a ele, portanto o máximo que ele consegue é implementar erística ou sofística, que só funcionaria com adversários pouco aptos), ele deveria ter questionado sobre a definição, e não sair tentando refutá-la sem ANTES tentar sequer entendê-la.
Como qualquer sofista faria, ele pegou a definição inicial, e EDITOU COMPLETAMENTE explicações posteriores dessa explicação, conforme a que segue: “A religião, na visão do praticante (não estou mencionando os padres, que possuem isso como trabalho), é feita única e exclusivamente para que este trabalhe o seu lado espiritual.”. Engraçado que isso que eu escrevi estava no MESMO TEXTO de onde ele tirou a definição inicial, portanto ele não pode alegar desconhecimento disso. Foi uma edição, feita por adversário desonesto.
Claro que qualquer um que não é retardado consegue perceber que a definição na visão do todo está relacionada diretamente com a visão individual. Portanto, sem um aspecto espiritual envolvido, não é religião.
Não é o caso, por exemplo, do criacionismo, que não tem nenhum foco no trabalho espiritual.
Portanto, não é só “relacionar” a religião que algo seria religião. A crença deve estar relacionada, mas atender aos aspectos relacionados à espiritualidade.
Só isso já serve para desqualificar toda a tentativa de ataque de Pedro, que cai no vácuo.
Mas há outros pontos interessantes a comentar.
2) O estratagema do “quadrado” e do “triângulo” é outra técnica que ele tentou, que é naturalmente inválida, pois não funciona com a definição completa que forneci tanto de ciência como de religião. O mais trágico, para Pedro, é que nem sequer com a definição resumida ele consegue me atacar. Vejam o que eu escrevi: “corpo de conhecimento adquirido através das práticas e pesquisas que tenham sido suportadas pelo método científico” ou “sistema de aquisição de conhecimento baseado no método científico”.
A confusão terrível foi confundir algo “suportado pelo método científico” ou “baseado no método científico” com “tendo passado com sucesso por todas as fases do método científico”.
Obviamente que não foi isso que eu quis dizer, e qualquer pessoa com um QI no mínimo mediano já teria entendido.
Portanto, todo o cirquinho dele de analogias cai por terra pelo fato dele trabalhar com um espantalho.
Vale aqui o mesmo aviso que já dei aos amiguinhos dele (João e Ludwig): leiam o texto COMPLETO e COM ATENÇÃO para não falar bobagem.
Uma mostra da besteira dele é quando ele tentou atacar a minha frase: “jogar xadrez não implica em campeão de xadrez, mas sim em ser um enxadrista”.
Ô Pedro, burrinho, você não percebeu que com essa frase eu estava me referindo às teorias CAMPEÃS, ou seja, que passaram por todos os estágios do método científico, e então venceram outras teorias ao final? E isso ocorreria mesmo que todas as outras teorias tivessem seguido as mesmas regras (do método científico), mas não conseguiram finalizar todas as etapas do processo?
Quer dizer, se o cara não percebeu nem isso (e ele não pode reclamar que foi erro de digitação dele, pois ele cometeu esse erro mais de uma vez), como ele pode tentar me atacar?
A minha analogia era a seguinte. O criacionismo, mesmo suportado pelo método científico (como qualquer teoria que TENTA participar do jogo), não chegou a obter o status de teoria científica VÁLIDA. O que é normal, pois muitas não chegam. Portanto, é um conflito entre ciência X ciência. Ou seja, entre teorias científicas boas e teorias científicas ruins (ou inválidas).
Aviso: eu suspeito que Pedro irá fingir que eu não escrevi isso, pois esse texto meu IMPEDE que ele implemente novos espantalhos a respeito de minha definição.
3) A analogia do quadrado que ele tentou foi para tentar refutar isso que eu escrevi: “Mas só para te esclarecer: o conjunto de todas as crenças religiosas, seriam das crenças formalmente religiosas, como os sistemas religiosos, os códigos escritos. A minha religião tem séculos de existência, o mesmo vale para judaísmo e islamismo. É a isso que eu me referia. O criacionismo é basicamente uma crença de cientistas cristãos que resolveram levar a Bíblia 100% ao pé da letra. O criacionismo não é “uma parte da religião em conflito com a ciência” mas sim “uma parte da ciência em conflito com a ciência”. Veja que Dawkins criou a teoria memética só para ser uma “anti-religião”. Ele queria criar uma entidade externa (não-material) que tivesse ação (os memes). Memética não é “ateísmo em conflito com a ciência”.»
Mas de novo ele erra retumbantemente, pois eu afirmei que “memética não passou pelo método científico”, que é o mesmo que dizer que “memética não passou por todos os estágios do método científico”. E não que não tenha sido suportada pelo método científico. Qualquer pesquisa apresentada cientificamente é SUPORTADA pelo método científico.
Aliás, já notei faz tempo: O Pedro não conhece o método científico, e isso é evidente.
De novo, as tentativas de conclusão da “teoria do quadrado” de Pedro são feitas em cima de ENTENDIMENTOS ERRADOS do que eu escrevi.
Por isso a conclusão de Pedro, de que criacionismo e memética NÃO pertencem à ciência (dizendo inclusive que é “logicamente absurdo”) é originada apenas de um entendimento POBRE de tudo que eu escrevi. Portanto, a conclusão de Pedro é inválida do ponto de vista lógico.
Tanto criacionismo como memética foram suportadas pelo método científico, que as qualifica como ciência. Mas não passaram por todos os estágios do método científico, portanto são teorias científicas, mas não teorias científicas VÁLIDAS (preste atenção, Pedro, senão você pode se perder).
A inspiração tanto de uma como de outra podem ser o ateísmo ou religião (e isso não as transforma em “ateísmo” ou “teísmo” automaticamente, portanto a citação de Pedro do julgamento de Dover é irrelevante ao debate), mas a inspiração para uma teoria científica está FORA DE QUESTÃO, pois não é passível de avaliação objetiva. O que importa é o que está ESCRITO na teoria.
E tanto memética quanto criacionismo são teorias científicas que estão no estágio da pseudo-ciência (nenhuma das duas é sequer proto ciência), mas são do domínio da ciência.
É preciso catalogar as teorias inválidas também, pois estas vão para a base de conhecimento de teorias científicas que não foram consideradas válidas.
Já que em ciência aprende-se tanto com erros como com acertos.
Bom, pelo menos o Pedro não poderá negar que ele não aprendeu um pouco de ciência. Mas ele vai precisar estudar muito mais.
Dicas ao Pedro
- Procure mais focar em dialética, e menos em erística. Do jeito que está, fica tão fácil refutar suas tentativas quanto é fácil refutar os textos de qualquer autor de esquerda. São todos erísticos, portanto, manipulam os textos semanticamente e esperam conseguir alguma pontuação assim. Não vai conseguir, desse jeito.
- Procure ler o texto COMPLETO do adversário, antes de tentar combater o argumento dele. Caso contrário, você pode passar por situações constrangedoras, como essa que você está passando agora, justamente pelo fato de eu ter descoberto suas fraudes intelectuais, que estão aqui para todos lerem.
- Em debates há vitórias e derrotas, mas o ideal é que isso seja feito com honestidade. Se você notar, eu estou honestamente mostrando os limites de ciência e religião aqui. Você, pelo contrário, desonestamente, tenta implantar uma falsa dicotomia que já foi publicamente recusada até pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Em suma, melhor você ler mais Karl Popper (e não só aquela citação que você usou, compre o livro) e Thomas Kuhn, e menos Carl Sagan e Richard Dawkins.
O mito neo-ateísta da Terra Plana

É, não tem jeito. A minha tese se confirma cada vez mais: os neo-ateus são a escória dos ateus.
São aqueles que se fossem religiosos iriam ser rejeitados até pelos religiosos mais sábios, pois na religião não se apoia fanatismo e fé cega. Resultantes, claro, da falta de inteligência.
Exemplos de fé cega incluem, por exemplo, acreditar que o Holocausto não ocorreu, ou que o homem não foi à Lua.
Vou mostrar aqui mais um exemplo de FÉ CEGA e burrice, no caso originada em um grupo de neo-ateus.
O objetivo deles: alegar que a Igreja acreditava que a Terra era plana.
Senão, vejamos a declaração deste ateu, Sidney (que é dono de uma comunidade no Orkut, “Orgulho Ateu”), ao ver uma notícia falando de um conjunto de invenções feitas por padres:
Eles inventaram tudo, mas aí veio alguém de fora que inventasse que a Terra era redonda.
Quer dizer então que alguém “inventou” que a Terra era redonda e a Igreja não sabia?
Engraçado que o conhecimento da esfericidade da Terra vinha da Grécia, séculos antes de Cristo. Lá nos tempos de Plínio, o Velho, a idéia era totamente aceita no mundo greco-romano.
Entre milhares de exemplos possíveis, um dos mais notórios era Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo grego fundamental para o pensamento medieval. Segundo Aristóleles: “Sobre a posição da Terra e da maneira de seu repouso ou movimento nossa discussão pode aqui terminar. Sua forma deve necessariamente ser esférica.”
Claro que existiram alguns raríssimos cristãos, como o monge Cosmas Indicopleustes, que tratava de uma versão literal da Bíblia lá pelos idos de 550 d.C., mas este jamais obteve qualquer tipo de reputação nos círculos intelectuais, sendo ridicularizado pelo filósofo grego cristão John Philoponus (490-570 d.C.). Aliás, se Cosmas fosse ateu, com certeza seria um neo-ateu.
Diante disso, eis que neo-ateus tentam mais uma cartada, e um deles disse o seguinte:
A Igreja quis punir Galileu pois este dizia que a Terra era esférica.
Nada mais falso, pois Galileu foi julgado por divulgação de informações científicas errôneas, entre as quais a informação de que o Sol seria o centro do universo. Galileu jamais foi julgado pela inquisição por afirmar que a Terra era esférica, pois nada disso consta em seu julgamento.
E bem antes de Galileu, o filósofo São Tomás de Aquino (1225-1274) definiu Aristóteles como suporte filosófico de toda a doutrina cristã.
Resultado: mais uma fraude intelectual neo-ateísta desmascarada.
Mas com não tinham mais argumentos, um deles, Roberto, tentou afirmar o seguinte:
Bem, independente de ser imaginada plana, a idéia de uma terra aproximadamente esférica não é compatível com várias passagens bíblicas. Em Jó 26-10, parece que a idéia de uma terra aproximadamente esférica era descartada, uma vez que não existiria este “limite da superfície das águas em redor”, até os confins da luz e das trevas. Parece que ele está se referindo ao horizonte como esse limite marcado. Aí, a gente lê gênesis, onde os céus são criados dividindo as águas de cima e de baixo, e as águas de baixo são juntadas para a parte seca aparecer. Por fim, em Isaías, o céu é descrito, numa linguagem figurada, como uma cortina estendida, uma tenda desenrolada, o que mesmo poeticamente seria estranho para representar o céu de uma terra esférica, uma tenda se desenrola por sobre uma superfície, e não fica flutuando como um todo, esfericamente, em volta de algo. Então, juntando as três passagens, parece que a idéia do mundo era, independente de citarmos um formato específico, uma porção de terra junto a uma porção de água, esta água de alguma forma contida para não “cair”, acima dela o céu, e abaixo, o nada. Pelo o que eu entendo, é mais ou menos por aí.
Ou seja, os caras realmente parecem achar que a interpretação de Cosmas foi realmente levada a sério.
Agem exatamente igual a um tal de Marcus Valério, um espírita que afirma ser “filósofo”, que publicou a sua versão para a Terra, segundo a Bíblia.
Segue abaixo:

A figura acima é ao mesmo tempo cômica e ridícula.
Claro que é só uma simulação de falso entendimento (ou burrice mesmo), que é facilmente esmagável já mesmo durante uma análise preliminar.
Em pleno século 21 d.C., o sujeito comete o mesmo erro de Cosmas Indicopleustes quinze séculos atrás. Erro que, friso de novo, foi inclusive ridicularizado por sua interpretação PUERIL da Bíblia.
E pior: esse aí nem era neo-ateu, mas adotou os mesmos mitos deles.
E o sujeito refuta-se a si próprio. Ele seleciona aqueles filósofos de menor relevância, que foram ignorados, e diz que essa é a INTERPRETAÇÃO VIGENTE da época…
É claro que é vigarice intelectual.
Pois, na verdade a imagenzinha do sujeito é uma criação da mente infantil dele. Pois não há uma evidência sequer de que tal representação era aceita pela Igreja na época.
Pelo contrário, o que se encontra são referências em livros medievais, como o “Liber Chronicarum” (“Crônicas de Nuremberg”), que possui mais 1800 ilustrações e quase 600 páginas. O livro conta a história ilustrada do mundo desde o Gênesis até aquela data: maio de 1493. Essa foi a data de publicação do livro, antes que a descoberta da América fosse conhecida (não é preciso lembrar que eles não possuíam telefone celular naquela época, portanto Colombo não teve tempo de ligar avisando “ora, mudem o livro”).
Notem abaixo a reprodução do universo, segundo Ptolomeu,com as esferas concêntricas preenchidas com os planetas conhecidos:

Fica evidente, portanto, que a esfericidade da Terra era um fato completamente estabelecido.
Um outro exemplo é o monge inglês, John Holywood (1195 – 1256 d.C.), que usava o nome latin de Joanes de Sacrobosco.
Holywood era contemporâneo de São Tomás de Aquino e era professor de Astronomia em Paris. Seu livro “Tractatus de Spharera Mundi” foi publicado em 1473 e foi um manual de astronomia e geografia tomado por base para as expedições portuguesas durante as grandes explorações. Até pelo título, é óbvio que tal obra mostrava que a esfericidade da Terra já era inquestionável.
Notem abaixo mais um exemplo, de um outro neo-ateu que realmente assumiu as interpretações de Cosmas literalmente:
“Levou-o novamente o Diabo a um monte muito alto, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e seu esplendor”. Tal fato só seria possível se a Terra fosse plana. Caso contrário, como poderia mostrar os reinos situados do outro lado do planeta? E mais: Cristóvão Colombo teve sérias dificuldades para “descobrir a América”, foi duramente inquirido pela Santa Inquisição, porque se as pessoas ficassem de cabeça para baixo cairiam ou passariam mal. Ao final, morreu desprezado e na miséria. Louvado seja Satan!
Dá para levar a sério um troço desses? Claro que não. E o sujeito, que ainda lança um infantil “Louvado seja Satan” tentou usar também o mito de que Colombo teve dificuldade para descobrir a América. Segundo a fé cega dele a Igreja não queria deixar as expedições acontecerem, pois achava que cairiam no abismo…
Totalmente falso, pois a Igreja não contestou Colombo por isso, e sim pelo fato deste ter cometido uma série de erros, como por exemplo concluir que entre as Canárias e o Japão havia 4.500 quilômetros de mar quando na realidade a distância era quase cinco vezes maior que essa.
E essa foi justamente a objeção da Igreja: o Japão está demasiado longe para ser alcançado numa viagem para Oeste.
A comissão pura e simplesmente rejeitou os cálculos de Colombo.
A origem da fraude intelectual
O fato é que o pensamento anti-religioso já existia antigamente, e um livro de Jeffrey Burton Russell, “Inventing the Flat Earth” (1991), ajudou a descobrir a fraude. Na verdade, nem seria preciso desta obra, pois os livros de História estão aí para desmascarar essa patuléia. Mas a vantagem do livro de Russell é que ele rastreia a origem da criação do mito, e encontra duas figuras: Antoine-Jean Letronne (1787-1848) e Washington Irving (1783-1859).
A tática de Letronne, que era um historiador, foi tentar atribuir excessiva importância a Cosmas Indicopleustus, dizendo que todos na Idade Média acreditavam nele. O problema é que Letronne omitiu informações de que Indicopleustos já tinha sido refutado por autores em seu tempo. Autores cristãos, inclusive.
A situação de Irving é ainda pior, pois o sujeito era tão somente um autor de romances. Ele também escreveu algumas biografias, como a de Colombo, entitulada “Columbus”, em 1828. Só que a alegação, nesta biografia, de que Colombo foi acusado de heresia por afirmar a esfericidade da Terra, era tão ficcional quanto o outro livro do autor, “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”.
Conclusão
Com um kit básico de ceticismo e um pouco de curiosidade histórica, a fraude neo-ateísta é descoberta. E o mito da Terra Plana é justamente esse: a fantasia criada por alguns anti-religiosos dizendo que a Igreja acreditava que a Terra era plana. Curiosamente, quando não possuem provas de sua alegação, neo-ateus tentam também realizar a interpretação da Bíblia mais tosca possível e dizer que era ASSIM que a Bíblia deveria ser interpretada, e portanto era ASSIM que ela era entendida na época. Fica difícil para eles sustentarem isso, pois não há nenhum documento oficial da Bíblia comprovando qualquer iniciativa da Igreja neste sentido.
Dessa forma, quando um neo-ateu diz que a Igreja acreditava na Terra plana é o mesmo que dizer que o caseiro do sítio viu um lobisomem.
São mitos.
