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Como identificar um fraudador intelectual

Em diálogos com amigos teístas, não é raro que eu aponte o grau de desconfiança que nutro para com os debatedores neo ateus. Em todas as experiências vistas com estes últimos, há sempre um grau extremo de desonestidade, oriundo, naturalmente, da formatação mental que eles receberam. Isso causa a eles incapacidade de se colocar na posição do outro (o teísta), que sempre é visto por eles como alguém a ser ridicularizado.
Entretanto, muitos me questionam: como observar se o neo ateu é realmente desonesto ou se isso permanece sendo apenas uma impressão? Caso fosse apenas uma impressão, eu não poderia usar isso em uma argumentação, pois não é algo facilmente visualizado objetivamente.
Temos, então, que encontrar uma forma de identificar se minha proposição (a de que o neo ateu, em debates, é intrinsecamente desonesto e mal intencionado) é verificável empiricamente ou não.
Como sempre, eu defendo que os melhores modelos de investigação e accountability utilizados nas organizações pelos profissionais de auditoria e segurança sejam expandidos para a investigação das partes em debate. E, justamente dos processos organizacionais, temos vários exemplos para identificar o nível de honestidade intelectual de alguém. Por exemplo, imagine uma reunião em que foram definidos os novos templates para um projeto. Ao final da reunião, é enviada uma ata a todos participantes, e, por email, cada um deles dá ciência em relação ao que foi lá discutido. Logo, este não pode mais alegar “não saber” do que foi discutido, e será responsabilizado por qualquer desvio. A ata é apenas um dos vários exemplos de como é fácil e prático identificar se alguém tem ciência ou não de qualquer informação em termos corporativos.
Ok, se já sabemos que a identificação da ciência de alguém em um dado assunto é algo plenamente viável, e, além disso, fundamental, temos que avaliar as duas possibilidades em relação a um neo ateu quando este pratica um argumento intrinsecamente falho e/ou potencialmente fraudulento:
- 1. Desconhecimento do assunto
- 2. Conhecimento do assunto, mas simulação do falso entendimento
Vamos a um exemplo bem fácil de abstrair. Caso eu esteja em debate e um neo ateu apareça dizendo “Você, como religioso, tem que acreditar em um mundo de 6.000 anos. Portanto, você acredita nisso”, temos aqui um caso claro do item (1), pois ele não sabe se eu acredito ou não em um mundo de 6.000 anos, e aceitou, por fé, a declaração de algum de seus gurus (Dawkins, Dennett,etc.) esse tipo de preconceito. Sendo assim, eu digo a ele: “Sim, eu sou religioso, mas eu não acredito em um mundo de 6.000 anos”. Caso, em seguida, ele replique “Sim, você acredita em um mundo de 6.000 anos”, temos já então configurado um caso que representa o item (2). Ele já tem a informação em mãos, mas finge não ter, para unicamente tentar difamar o oponente. A própria declaração, em posts das redes sociais, e a resposta dele (em seguida ao que foi escrito por mim) já substitui a ata de reunião, e, portanto, ele não pode mais alegar ignorância, mas sim ser acusado de má fé.
Já ficou fácil de notar que podemos acusar praticamente a totalidade dos neo ateus, pela visualização de seu comportamento em redes sociais, como pessoas desonestas intelectualmente, e não apenas como pessoas equivocadas.
Um exemplo incontestável, no entanto, vem quando investigamos o comportamento de Dawkins demonstrado em seus escritos no livro “Deus, Um Delírio” (organizacionalmente, a análise do que alguém escreve faz parte da análise do comportamento desta pessoa). Em vários capítulos, ele destila uma ignorância suprema a respeito de assuntos teológicos, correto? Errado. No quarto capítulo do mesmo livro, ele cometeu um ato falho ao confessar que esteve durante dias em palestras em Cambridge, onde conversou com vários teólogos, que mostraram os equívocos de seu argumento contra a existência de Deus. Logo, Dawkins tem CIÊNCIA de que a abordagem dele não pode ser tomada como verdade, pelo menos de acordo com os argumentos que ele usou. E o que Dawkins faz? Simplesmente ignora todos os argumentos teológicos que ouviu e assume que aquilo que ele propaga é a visão dos teólogos. Mesmo que os teólogos tenham lhe mostrado que jamais pensam do jeito que ele afirmou que pensam. Logo, a evidência é direta: Dawkins comete desonestidade intelectual, e, portanto, não podemos mais encará-lo como alguém ignorante no assunto em que discute, mas sim alguém que já tem o conhecimento mínimo para não cometer tais sandices argumentativas. E, mesmo assim, ele FINGE não ter o conhecimento, pois o propósito dele é unicamente a prática de calúnia e difamação. E evidências semelhantes podem ser encontradas nos escritos de Sam Harris, Daniel Dennett e Christopher Hitchens.
Diante dessa nova informação, chamá-los de ignorantes no assunto é então um ato ingênuo. Pelo contrário, eles são dissimulados. Uma mera análise da informação que eles tinham em mãos já comprova isso. E há uma diferença brutal entre um ignorante e alguém intelectualmente desonesto. Ao primeiro pode ser dado o benefício da dúvida, e até a estipulação de um diálogo digno. Ao segundo, só cabe o desmascaramento e a demonstração pública de que estamos diante de alguém desonesto e que, por sua postura, deve ser exposto.
É por isso que quase sempre que um ateu me questiona, eu faço normalmente uma segunda pergunta, de especificação, em um padrão socrático. Recentemente, um neo ateu me indagou “Cadê suas provas para a existência de Deus?”. No que eu lhe questionei: “Se você questiona sobre provas, você deve ser específico em relação ao que espera. Que tipo de provas você espera?”. Naturalmente, ele não respondeu. Se eu já suspeitava que estava diante de alguém desonesto, a pergunta de especificação foi o suficiente para que eu tirasse a dúvida. Como o sujeito era um seguidor dos livros de Dawkins, eu não deveria perder tempo com ele. Aí termina a sessão do diálogo pacífico e começo com a sessão de desmascaramento. Sem dó nem piedade.
Um pouquinho sobre rede social chutando fundilhos neo ateus

Já tomei um puxão de orelha por não ter divulgado o meu Twitter, que criei há alguns dias.
Seja lá como for, aproveito a oportunidade para divulgá-lo. Para acessá-lo, clique no link http://www.twitter.com/lucianoayan, onde geralmente publico os updates daqui, além de algumas coisinhas mais.
E, para aproveitar o embalo, para quem quiser enviar me enviar algumas perguntas rápidas, e obter outras respostas igualmente rápidas, eu criei o meu Formspring, no endereço http://www.formspring.me/LHAyan.
E, como não poderia deixar de ser, segue o link para a comunidade deste blog no Orkut: “Neo Ateísmo, Um Delírio”.
Aguardo-os por lá.
Um fator no debate cristãos tradicionais X neo ateus: a diferença que faz a diferença

No debate entre cristãos tradicionais X neo ateus, tenho notado um fator que faz a total diferença. Esse fator, se a princípio pode parecer algo contra os cristãos, pode e deve ser convertido em algo positivo.
Antes de tudo é importante notar que trato aqui de dois perfis específicos em debate, e elimino vários outros, simplesmente por questões de relevância.
Considero apenas os cristãos tradicionais, do lado dos cristãos, e os neo ateus, do lado dos ateus.
Os ateus tradicionais não estão se importando muito com a religião, e se baseiam em basicamente defender o seu direito de não crer. Então, estão fora deste duelo. Já os cristãos self-service, principalmente os “cristãos mansos”, não estão interessados em debater, e sim fazer proselitismo, e acabam dando mais munição aos neo ateus.
Sendo assim, é importante considerar os dois lados de maior relevância.
No caso dos cristãos tradicionais, não há foco em atacar o ateísmo como um todo, e nem em estimular o sentimento de ódio contra ateus. Já no caso dos neo ateus, o foco é no ataque à religião como um todo e estimulação do sentimento de ódio contra os religiosos (todos, não apenas os fundamentalistas).
Nesse cenário, então, temos o contexto da guerra intelectual.
E qual o fator que atualmente faz a diferença nessa guerra? É o uso da mentira deliberada, como ferramenta para maquiagem de informações a respeito do oponente. Um exemplo é este texto recente, em que comento o artigo de Ludwig, um neo ateu que endossa alegações de Christopher Hitchens.
E nisso os neo ateus são simplesmente mestres. Raros grupos ideológicos se especializaram tanto na fabricação de mentiras a respeito de seus oponentes quanto os neo ateus. Podemos encontrar algum paralelo de tal magnitude no máximo entre os comunistas, talvez pela própria orientação deles de que o que importa é a “classe”, e não a verdade em si.
Para estes, se a informação é conveniente à classe, ela é divulgada, e até ampliada. Se não for, maquia-se a informação de forma a favorecer à classe.
A mentira passa a ser uma estratégia que definirá os grandes representantes da ideologia. Os maiores mentirosos serão os líderes.
Eis que o pensador maquiavélico poderia objetar: de que forma combater um mentiroso senão mentindo ainda mais que ele? Poderia até ser, se não fosse o fato de que esse fator (o uso da mentira de forma deliberada) conspira contra a moral absoluta na qual os cristãos acreditam.
Por exemplo, um neo ateu pode chegar e dizer que o comunismo só causou atrocidades por que é um tipo específico de religião (sim, acreditem, eu já cheguei a debater com gente que disse isso, inclusive neste blog). Para isso, o neo ateu precisou maquiar o conceito de religião, e usar de diversas estratégias erísticas.
Mas para ele não importa, pois ele se orgulhará de ter praticado essa mentira, pois ela teve um objetivo: difamar o adversário.
Nós, cristãos, não podemos agir da mesma maneira.
Como exemplo, imaginemos a Inquisição. Não podemos, pela nossa própria moral, dizer que a causa dela é o ateísmo em forma de religião, ou então esconder as informações. Simplesmente não dá para fazermos isso.
Eu me envergonharia de mim mesmo se maquiasse as informações para difamar um oponente.
Logo, esse fator existe e é algo que conspiraria, a princípio, a favor dos neo ateus. Eles tem uma ferramenta em mãos que podem usar à vontade, e nós, religiosos, temos freios morais que nos impedem de usá-la.
Sendo assim, na perspectiva maquiavélica, perdemos o jogo?
É aí que não, e é aí que o jogo deve ser revertido a nosso favor, e justamente por um princípio básico: quem mente mais, tem mais sujeiras a serem descobertas.
É o mesmo princípio que explica que a pessoa honesta tem muito menos a temer que o desonesto.
E, dentro desse princípio, o jogo só pode ser revertido a favor dos cristãos com o uso do ceticismo metodológico, incluindo principalmente a auditoria investigativa. É, alias, a principal defesa deste blog: o uso da perspectiva de auditoria e ceticismo na investigação das alegações neo ateístas.
É por isso que, quando eles começam a abrir a boca, para mim começa uma investigação. É exatamente como o Pe. Paulo Ricardo disse.
Com os neo ateus, não se discute, não se dialoga. O debate começa, e desde o início deve-se começar a desmascarar as alegações deles.
Em debates, se a mentira é a iniciativa principal deles, mas não nossa, então nossa ferramenta principal tem que ser o ceticismo e a investigação.
Senão, de que forma descobrimos os picaretas dentro das organizações senão através da função de Auditoria?
E a função da Auditoria é feita dentro de parâmetros totalmente alinhados com a Direção da Organização, e ela é basicamente honesta. Uma das principais características de um bom auditor é a honestidade.
Por isso, da mesma forma, não vamos nos rebaixar ao nível do oponente e usar a ferramenta de mentira deliberada que eles usam. A sugestão é, ao contrário, aumentar o foco no ceticismo e na auditoria das alegações deles. E, para isso, a atitude honesta tem que ser um valor que não pode ser negado de forma alguma.
Ou seja, em debates devemos agir moralmente de forma oposta aos neo ateus.
O teste de paródia esmaga Feuerbach

Em cada disciplina (Gestão de Projetos, Gestão de Projetos, TI, Finanças, etc.) , auditores são orientados a utilizar uma série específica de testes, que podem ser utilizados para validar ou não um objeto sob análise.
Como neste blog divulgo a auditoria em textos argumentativos (focado na investigação de textos neo ateístas, e textos de outros tipos de mente revolucionária também), é natural que eu comente alguma das técnicas que podem ser utilizadas.
O teste de paródia envolve criar uma nova versão do argumento sob análise de forma a avaliar se ele é pertinente ou não.
Neste teste, identificamos se a “cópia” do argumento é tão aplicável quanto a original.
Caso seja, há fortes suspeitas de estarmos diante de uma fraude intelectual.
Vejamos nesse exemplo do argumento de Feuerbach usado para atacar a religião, feito em 1841:
(1) Não existe Deus
(2) Mas muitas pessoas acreditam em Deus. Por quê?
(3) Porque elas querem consolação.
(4) Assim, elas “projetam” ou “objetivam” seus desejos e chamam a isso de “Deus”.
(5) Assim, esse “Deus” não-existente é apenas a projeção dos desejos humanos.
Vamos, então, à primeira paródia, no caso, substituiremos “crença em Deus” por “crença no amor”:
(1) Não existe o amor.
(2) Mas muitas pessoas acreditam no amor. Por quê?
(3) Porque elas querem consolação.
(4) Assim, elas “projetam” ou “objetivam” seus desejos e chamam a isso de “amor”.
(5) Assim, esse “amor” não-existente é apenas a projeção dos desejos humanos.
Como se nota, fácil demais, e a afirmação original é facilmente parodiável.
Mas dá para fazer o mesmo para o ateísmo? Vejamos:
(1) Existe Deus.
(2) Mas muitas pessoas não acreditam em Deus. Por quê?
(3) Porque elas querem consolação.
(4) Assim, elas “projetam” ou “objetivam” seus desejos e chamam a isso de “inexistência de Deus”.
(5) Assim, essa “inexistência de Deus”, inválida, é apenas a projeção dos desejos humanos.
Tanto as duas paródias como a primeira são igualmente verificáveis empiricamente. Quer dizer: há zero evidências empíricas para cada.
Mas poderia a parodia em si ser o suficiente para esmagar uma argumentação? Não.
Se um argumento é tão facilmente parodiável como este, temos suspeitas fortes de que estamos diante de uma picaretagem, e a partir daí aplicamos os testes de consistência tradicionais na busca de erros lógicos.
Só no argumento de Feuerbach, de cinco linhas, encontrei 2 erros graves:
Erro 1: A afirmação (1) “Deus não existe” é uma premissa falsa, além, é claro, de ser uma petição de princípio.
Erro 2: A afirmação (3) “elas querem consolação” é uma evidência anedotal, e baseia-se em leitura mental.
Com os dois erros, o argumento de Feuerbach é totalmente inválido.
Curioso é que mesmo sendo um argumento tão ruim, muitos neo ateus saem eufóricos aplicando estratagemas de provocação diretamente suportados por essa alegação de Feuerbach, sem o menor senso crítico.
Quando você ver um neo ateu tentando implementar uma provocação do tipo “Aha, Você é religioso, é por que quer consolo!!!!”, é basicamente uma implementação de feuerbachiana.
Agora, no entanto, fica claro que o “argumento neo ateu do consolo” não passa de uma fraude intelectual.
O otário, neste caso, é o neo ateu.
Ateus ou teístas: quem é que vai para a arena?

Há algo de engraçado em nossa sociedade atual, que é a tendência para a inversão de valores. Isso, é claro, tem sido amplificado pelo fato de que o estudo da boa filosofia é praticamente coisa do passado. Aristóteles e Kant vão para a vala, e entram em cena Nietzsche, Habermas e Foucault.
A ausência de valores é uma conseqüência natural. E desastrosa, em todos os níveis. Principalmente intelectuais. Sai a filosofia, entra o discurso de auto-ajuda.
Dentro da inversão de valores, uma das situações mais constrangedoras e risíveis é a idéia, implementada há tempos, de que religiosos devem satisfação a ateus.
Antes de tudo, é salutar relembrar: tecnicamente, e a priori, o nível de satisfação que um ateu deve a um teísta, seria igual ao que um teísta deve a um ateu. Não estou no mérito deste tipo de argumentação, entre pessoas que não são adversárias.
Mas o que estou falando é no CONTEXTO de um debate em que há um cenário de desafio e desconfiança mútua – atualmente, grande parte dos debates se enquadra nesse contexto. E nesse contexto, por qual motivo um teísta teria que ficar dando mais satisfação a um neo ateu do que um neo ateu dar satisfação a teista?
Não é raro recentemente ocorrer absurdos como este exemplo: em duelos argumentativos, geralmente o ateu sair com essa da cartola: “Me prove que Deus existe”.
Simples, não?
Só que nisso há um problema. A questão não é definida na entrega de provas diretas científicas, e sim na seguinte questão: os argumentos para a existência de Deus são melhores que os argumentos para a inexistência de Deus.
Sendo assim, por que caberia ao teísta o ônus da prova?
Se é o neo ateu que está VENDENDO a idéia de ateísmo, por que temos que explicar a ele nossos argumentos ao ponto de vender a idéia de teísmo para ele? (Detalhe, o intuito do neo ateu dificilmente é a discussão séria, então a explicação profunda é perda de tempo).
Isso tem ocorrido simplesmente por causa da inversão de valores.
Hoje em dia, qual é o paradigma vigente em nossa sociedade? O teísmo.
Quem está vendendo o novo paradigma? Os neo ateus.
Logo, se eles QUEREM CONVENCER a gente de que Deus não existe, e nos vender a idéia de que os argumentos para a inexistência de Deus são melhores do que os argumentos para a existência de Deus, não somos nós que temos que explicar e vender nossos argumentos para eles. São ELES que devem vender os argumentos deles para a gente.
Cabe a eles estarem sob questionamento.
Se a idéia neo ateísta é tão boa, que eles estejam então na arena, para serem submetidos à saraivada de questionamentos.
Nós, como adeptos do paradigma vigente, não precisamos estar sob questionamento.
Outro exemplo de pergunta que neo ateus fazem em desafio: “Quais partes da Bíblia se interpretam literalmente? Tem que ter um método para isso”
Eu geralmente já questiono: “é essa mesmo sua interpretação”? “Vai manter essa interpretação?” “Quer mesmo seguir por este caminho?”
Em caso de confirmação positiva, o esmagamento do argumento dele é feito. Eu só explico o suficiente para mostrar os erros dele, e não uma explicação aprofundada, que eu só forneceria a um amigo ou a alguém que estivesse querendo discutir respeitosamente.
Simples assim.
A conclusão é natural: como nós, religiosos, fazemos parte do paradigma vigente, é natural que estejamos envolvidos em discussões, mas quem tem que ser colocado contra a parede é o neo ateu, e não a gente.
Para compreender mais fácil esse modelo, vejamos o paradigma vigente para a relação duradoura: quase todo mundo se casa, ao menos uma vez na vida. Raros são aqueles que optam por ficar solteiros por toda a vida.
Definimos então o grupo entre solteiros e casados.
Supondo uma nova variação chamada neo solteiros, que seria composta de pessoas intolerantes com o casamento, e que dissessem que o casamento é um dos males da sociedade.
Quem é que tem que ir para a arena?
Supondo em uma comunidade de casados, e felizes, seja invadida por neo-solteiros, agressivos, irritadiços, e que digam que o casamento é uma ilusão. Será que os casados é que deviam estar na arena ou os solteiros?
A questão tem que ser definida muito claramente: quem é que está vendendo a idéia?
É natural: são os neo solteiros que tem que correr atrás. Os casados podem somente avaliar se compram ou não a idéia dos neo solteiros.
Eu mesmo não me incomodo nem um pouquinho se alguém é ateu ou deixa de ser ateu. Se o neo ateu se incomoda com o fato de que sou religioso, ele é que tem que se virar para me vender a idéia. E não eu. Minha situação, nesse tipo de debate, é extremamente confortável.
Recentemente, na comunidade Contradições do Ateísmo, vi um neo ateu abrir um tópico no qual exigia evidências científicas de que Jesus existiu. Detalhe: ninguém havia prometido provas científicas, até por que essa não é uma questão científica.
O sujeito não estava disposto a discussão séria, e obviamente usava estratégias ad nauseam, provocações, etc… e tudo permitiria que ele MOLDASSE o cenário de forma a passar a idéia de que ele era um comprador de idéias, e os outros que se virassem para VENDER a idéia para ele. E ele estava disposto a ser um comprador chato.
Mas de onde ele tirou a concepção de que os outros teriam que vender a idéia?
Simplesmente, DO NADA ele abriu o tópico e decidiu isso.
Obviamente, muitos no momento não percebem que o que está sendo feito é só uma encenação para jogar o oponente dentro da arena, local onde ele está sob avaliação (mas o questionador não estaria sob avaliação).
Nesse momento, como comprador, ele simplesmente decide as regras do jogo, e, naturalmente, se for minimamente esperto, vai vencer.
Sempre lembrando que ninguém havia prometido fornecer provas científicas para ele, até por que a questão é meramente histórica.
A primeira coisa que tenho a dizer aos religiosos que entenderam a mensagem acima é a seguinte: como se pode amar a Deus se a pessoa não ama a si própria?
Para mim, a pessoa que aceita as regras de um adversário, geralmente desonesto e mal intencionado, simplesmente faz o que qualquer um lhe pede, mesmo que este esteja contra ele.
Não vejo isso como uma atitude sequer justa em relação à sua religião. Sequer justa em relação a si próprio.
A primeira coisa que um religioso deve fazer é, no mínimo, respeitar a própria religião. E a si próprio.
Para mim, o papel que vejo em alguns casos de teístas no Orkut, ao aceitarem as regras impostas pelo inimigo, é algo que conspira contra sua própria religião.Isso tem um nome mais forte: é um desrespeito à Deus. Desrespeitar a si próprio? Ok, tem gente que não se importa com coisas como a auto-estima, dignidade, etc.. Mas diante de um debate em que vai discutir sua própria religião?
O mínimo que se espera é o respeito por sua própria religião.
Isso implica em evitar entrar em armadilhas criadas pelo adversário.
Mas, antes de tudo, jamais entrar em uma arena sendo que isso não é sua proposta.
É por isso que geralmente em debates que participo neo ateus quase sempre se incomodam.
A primeira tentativa de cada um deles é geralmente tentar me colocar na arena, e, quando não conseguem, tornam-se irritadiços.
Nesse blog mesmo, eu avisei que não iria me propor a provar a existência de Deus. No máximo, em raros momentos, eu poderia discutir argumentos sobre existência ou inexistência, e avaliá-los na persepctiva racional. E nada mais.
Pois não é que teve um que andou avisando que eu prometi que, neste blog, provaria a existência de Deus?
O que o neo ateu tentou? Simplesmente ele queria sair da posição de vendedor e se tornar um comprador.
Claro que eu jamais permiti que ele aplicasse a armadilha, o que resultou em ataques histéricos da parte dele.
E que ele tenha quantos ataques histéricos quiser. Simplesmente isso não importa para mim.
Quem tem que correr atrás da propaganda dele é ele. E não eu.
É por isso que o momento fundamental de cada debate argumentativo (que eu defendo em uma nova variação a ser abordada aqui futuramente: o duelo cético) é o momento inicial, onde os papéis são definidos. Quem é que está trazendo uma idéia nova, e fará o papel de vendedor, e quem é que está na posição de comprador da idéia, e que decidirá se compra ou não a idéia.
Além do framework que eu defendo para investigação dos argumentos neo ateus, acredito que um soft skill necessário para este tipo de debate é sempre saber qual é a sua posição no debate: de vendedor ou comprador de idéias.
Pelo meu secularismo em debates, eu jamais estou vendendo idéias.
Logo, quem tem que correr atrás são os neo ateus.
Se entram em debate comigo, são eles que vão para a arena.
E é assim que deveria ser sempre.
Em defesa de uma investigação secular do neo ateísmo

Eis, então, um site que indico para ser lido não só com interesse, mas sim também nos menores detalhes possíveis: Investigating Atheism. Ainda não o li por completo (cheguei perto disso), mas encontrei lá uma quantidade enorme de informações incrivelmente relevantes e, principalmente, inteligentes.
O objetivo do site não é outro senão abrir uma investigação do ateísmo.
E esta é a postura que considero admirável!
Isso abre o gancho para que eu comente não só o site Investigating Atheism, como principalmente a postura que defendo neste blog aqui.
Antes de tudo, preciso dizer que preferiria que naquele site fosse “investigação do neo ateísmo” ao invés de “investigação do ateísmo”. Acredito que haveria mais foco nisso. Mas não se pode ter tudo.
E esta é a postura defendida pelo meu blog.
Particularmente, pelo que acompanho em Orkut, noto que muitos teístas, durante argumentação com neo ateus, entram em campo de coração aberto.
Exemplo de caso: imagine quando um sujeito neo ateu entra em uma comunidade de religiosos e pergunta: “Vocês podem me comentar a respeito de suas evidências históricas sobre a Bíblia?”. A primeira vista parece uma abordagem natural e amigável, não? Em muitos casos, teístas respondem ao ateu como se respondessem de forma descompromissada a um companheiro de religião ou até a alguém independente. Não demora para este neo ateu começar a ridicularizar as opiniões do teísta, e para isso ele fará uso da abordagem “sem armas” que o teísta usou.
Mas como adivinhar que se está diante de um neo ateu, que, por sua definição, é um adversário envolvido em uma diatribe contra a religião (diatribe esta, proliferada pelo séquito liderado por Dawkins e sua patota)?
Antes de tudo, é bom entender o que é a diatribe. Abaixo uma definição:
DIATRIBE: Termo de origem grega (diatribe, “discurso ou conversação filosófica”) que, inicialmente, se refere aos discursos preambulares moralistas dos filósofos estóicos e cínicios na Grécia antiga. Deste tipo de discursos, possuímos hoje as Diatribai de Epitecto. Um filósofo próximo dos cínicos, Bion de Borístenes (século IV a. C.) introduz o sentido que hoje damos a diatribe: texto agressivo ou premeditadamente ofensivo para com um determinado interlocutor. A sátira greco-latina haverá de recorrer a este tipo discursivo, como nas Sátiras Menipeas de Varrão, ou as Tusculanas de Cícero. Entre nós, a diatribe literária confunde-se com a sátira ou com a comum invectiva, não sendo frequente a referência directa ao género, a não ser em casos pontuais, como o de Joaquim José da Costa e Sá (1740-1803), que nos deixou uma Diatribe critica sobre a latinidade dos poetas: extrahidas das obras de Joao Jorze Walquio (Lisboa, 1775). O tom de invectiva de As Farpas, de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, aproximam-nos facilmente do modelo da diatribe. (Carlos Ceia)
Muito boa definição, diga-se.
Fica mais fácil, com isso, entender com o que estamos lidando.
O conceito de diatribe, junto com o conceito dos neo ateus (que admitem sua intolerância com os religiosos e a religião), já situa os neo ateus em um contexto onde estes são inimigos dos teístas, por definição. Se o neo ateu for REALMENTE amigável, ou disposto a uma discussão leal, então não é um neo ateu: é basicamente um ateu tradicional, contra o qual este blog não tem absolutamente nada contra.
O importante aqui é mesmo considerar o neo ateu, que é o inimigo.
Vale salientar que este é o inimigo somente no conceito da guerra intelectual. Espero que não me compreendam mal e achem que a idéia é que neo ateu saia dando tiros em teístas, e teístas revidem aos tiros os neo ateus. Nunca disse nada a respeito disso. Defendo o conflito… mas é o conflito INTELECTUAL!
Da parte do que os neo ateus fazem em sua diatribe, o que destaco são os ataques difamatórios, baseados em divulgações de informações falsas contra a religião e os religiosos.
E aí que entra o ceticismo investigativo que defendo.
Para quem já assistiu o seriado “CSI: Crime Scene Investigation”, uma dica de postura é exatamente como Gil Grissom e sua equipe tratam as pessoas que investigam. Recomendo também os “spin-offs” da série, passados em Nova York e Miami (a série original se passa em Las Vegas).
Transcendendo para o nosso cenário, a investigação é focada nos argumentos e nos “casos” abertos pelos neo ateus contra a religião.
Recomendo a aplicação do mesmo crivo investigador e cético contra ambos (os argumentos e os “casos”). Como já frisei em outros textos, a avaliação cética se divide em (a) estudo do argumento e (b) estudo do caso. Como exemplo, um argumento seria “Existiu conflito no Camboja, os envolvidos são religiosos; logo, a religião é culpada”. É um argumento ruim, mas é investigado pelo estudo do argumento. Já a informação “a religião tem parte importante no aumento de violência do conflito” é um “caso”, é uma alegação formal, que deverá ser investigada assim como as alegações de qualquer pessoa sob investigação. Questões que podem ser feitas: A religião é um fator? Qual o percentual relacionado a esse fator? Por que outros cenários de conflitos não incluem religião? Pode provar? Tudo isso sabendo que até as “provas” apresentadas serão colocadas sob escrutínio cético. Esse é o estudo de caso.
A meu ver, essa é a maneira definitiva pela qual o neo ateísmo deve ser tratado. Pelo ceticismo investigativo, com base tanto no estudo de argumento como estudo de caso.
Por exemplo: ensinar a palavra de Deus, dar dicas sobre a interpretação da Bíblia, etc… São úteis, mas SOMENTE quando não se está diante de um inimigo. Seria tão improdutivo como o Gil Grissom, em um debate com um suspeito (que tenha culpa no cartório), sair pregando sua visão do que é honestidade. Simplesmente o suspeito é oponente dele, e nada do que Grissom disser nesse sentido será aproveitado pelo oponente. É perda de tempo.
Diante de um oponente, desleal e mal intencionado, a postura que recomendo não é a postura apologética. É a postura investigadora, de cunho secular.
A partir desse momento, normalmente não me interesso nem um pouco em converter um neo ateu à minha religião. Pelo contrário, o que eu quero saber é pura e simplesmente: as alegações do neo ateu passam pelo escrutínio cético? A resposta nesse caso ou é sim ou é não. Não há meio termo. E se não passarem (como na maioria dos casos não passam mesmo), irei expor as descobertas que desmascaram o neo ateu em público.
Justamente por isso, fiquei tão animado com o site que vi.
Mais um detalhe relevante: o site é praticamente independente.
O que significa que ele pode ser lido tanto por um teísta católico, islâmico ou judeu, ou até um panteísta, um deísta, um ateísta, etc. Enfim, ele é tratado com a visão secular.
Mais um ponto pelo qual encontro uma similaridade deste blog com os objetivos do site “Investigating Atheism”.
Uma coisa é usar a visão religiosa para analisar os conceitos de SUA religião. Aprofundar no estudo dela. E, então, avaliar seus dogmas e ensinamentos exatamente como se estivesse diante da religião que é correta. Eu defendo isso fortemente.
Só que quando saímos para investigar um oponente, e usamos o filtro secular (mesmo quando somos religiosos), nossa investigação adquire muito mais poder.
Isso explica mais ou menos por que, nos tempos da Inquisição, a iniciativa era católica, mas o tribunal era secular.
Em suma, eu não entro em campo contra um neo ateu para convertê-lo a minha religião ou não. Ou para avaliar se ele está no caminho certo em sua crença pessoal ou não. Isso simplesmente não me interessa. Isso, aliás, explica o motivo pelo qual, quando algum neo ateu aparece e pergunta: “Você acredita em Deus? Qual sua interpretação de Deus?”, eu simplesmente não entro nesse assunto, pois, em uma discussão investigador-suspeito, não é da alçada do suspeito aquilo no que eu acredito.
Neste blog, atenção: SEMPRE o neo ateu é suspeito. Ao neo ateu é irrelevante o que eu, na postura do investigador, acredito.
Esse é o novo paradigma para a discussão entre teístas (que tiveram uma fase em que foram difamados) X neo ateus (que por algum tempo fizeram o papel de difamadores). É esse o paradigma que defendo. É simplesmente dizer: acabou a brincadeira. Agora o diálogo é investigador-suspeito.
São os neo ateus que estão VENDENDO IDÉIAS e VENDENDO ALEGAÇÕES, trazendo milhares de “casos” (ex. “a religião mata”, “a religião envenena tudo”, “Deus é cruel”, “A Bíblia está errada”, “ateísmo é ciência”, “a ciência é inimiga da religião” e mais uma infinidade deles). Na maioria absoluta dos debates, não somos nós que estamos vendendo idéias.
Quem está vendendo idéia e seus “casos” é que está sob escrutínio cético. Quem está como “vendedor” é que é colocado na arena. Não o “comprador” da idéia.
O que me importa é se as alegações deles são válidas ou não. Se ele afirma ter “casos” contra a religião, cabe a ele provar a validade desses casos. Tudo isso durante um processo durante o qual ele está sob estrita investigação.
Isso mostra o seguinte: minha religião é católica. Minha investigação aqui é SECULAR.
A questão é muito simples: ou os neo ateus provam seus “casos”, ou não provam. Ou trazem as evidências que dêem suporte às suas alegações, ou não trazem. A investigação de fraudes e crimes sempre deve ser baseada pelos princípios do método científico. É uma investigação secular.
A Igreja Católica já nos ensinou isso séculos atrás.
No máximo, estou apenas reutilizando o conceito.
Essa é a mensagem desse blog: quanto mais investigamos os nossos oponentes, de forma cética, com perspectiva de auditor e investigação de fraudes, mais os enfraquecemos.
Essa investigação é secular.
Além da auditoria: o self-assessment religioso para debates

Que este blog transcende a perspectiva do mero ceticismo para o âmbito da auditoria e da investigação de fraudes, isso já deve ter ficado notório aos leitores.
Ademais, um dos objetivos aqui é mostrar práticas de auditoria para que os religiosos possam AUDITAR os argumentos apresentados pelos neo-ateus, e então apresentem refutações estruturadas destes.
Mas o foco deste post é outro: é buscar olhar um pouco para nós mesmos.
E mostrar como a aplicação de uma “pré-auditoria” pode ser útil até internamente. Isso significa que o teísta poderá investigar os seus próprios argumentos a serem apresentados, ANTES que os argumentos sejam publicados ou divulgados.
É o princípio do self-assessment, também utilizado (muito) nas organizações.
Nas empresas, o self-assessment se baseia em uma revisão compreensível e sistemática das atividades da organização, e seus resultados, em comparação com um modelo de excelência (para referência). Isso tudo realizado pelos próprios responsáveis pelas atividades, antes que chegue à alçada da auditoria interna ou externa.
Transcendendo isso para o mundo dos debates, é basicamente checar e avaliar os seus próprios argumentos antes de apresentá-los.
O motivo para isso é um só: assim como você pode refutar fácil muito dos argumentos neo-ateus, um neo-ateu (ou até um ateu tradicional) pode refutar os seus argumentos, caso você tenha incluído neles componentes facilmente refutáveis. Esses componentes são erros argumentativos básicos, falácias e estratégias erísticas, além da divulgação de informações fraudulentas.
Notem como eu pego um texto de um neo-ateu (há vários exemplos neste blog). Geralmente o sujeito aparece com o textinho dele e acha que vai passar pela checagem. Quando eu começo a encontrar os erros no argumento, o neo-ateu começa a fraquejar, e logo vai para a lona. A partir daí, torna-se presa fácil.
O mesmo pode ocorrer caso um teísta apresente argumentos com tais tipos de falhas lógicas.
Notem esse exemplo, em que um teísta tentou dizer que a ciência não substitui a religião:
A ciência consegue mudar a vida de uma pessoa pra melhor? Consegue converter o coração de uma pessoa má e torná-la melhor? Consegue dar a paz que as pessoas precisam em um mundo tenebroso como o que enfrentamos hoje? Vocês deviam ler por exemplo as Bem-Aventuranças, que é a maior lição que Jesus deu a todos.
É correto o fato de que a ciência não substitui a religião, mas ele deveria ter feito isso apresentando os OBJETIVOS tanto de ciência como de religião.
Ele optou pelo caminho inverso e recheou o seu discurso de falácias e erros lógicos.
Vamos a eles:
- (1) A ciência consegue mudar a vida de uma pessoa pra melhor?: A pergunta dele perde o efeito, pois a ciência consegue mudar a vida de não só uma pessoa para melhor como também de muitas pessoas. E de forma diferente que a religião, mas consegue. Logo, isso não ajuda em nada o argumento dele.
- (2) Consegue converter o coração de uma pessoa má e torná-la melhor?: A questão do “coração de uma pessoa” é subjetiva, e não poderia ser alegada. Seria melhor considerar governos com ou sem religião, e observar os efeitos em larga escala, até de forma científica. Mas o questionamento à ciência aqui é também inútil, e apela a um objetivo que NÃO é da ciência. Erro grosseiro.
- (3) Consegue dar a paz que as pessoas precisam em um mundo tenebroso como o que enfrentamos hoje?: A questão da “paz” é também subjetiva, portanto não deve ser alegada. Carl Sagan dizia que olhar para as estrelas do universo lhe dava a “paz de coração” que necessitava. Logo, qualquer um pode dizer que retira tal “paz” de onde quiser. Não serve como argumento.
- (4) Vcs deviam ler por exemplo as Bem-Aventuranças, que é a maior lição que Jesus deu a todos.: Eu sou católico, e acho que realmente é a maior lição. Mas nem todos são cristãos, então o argumento dele só seria válido se o outro interlocutor fosse cristão.
Mas o pior de tudo é que o argumentador ainda por cima ASSUMIU que ciência e religião eram opostos, e portanto deveria haver uma ESCOLHA.
Ele caiu na armadilha desejada por qualquer neo-ateu: aquela que diz que há conflito entre ciência e religião.
Obviamente que eu afirmei ao debatedor ANTES que qualquer neo-ateu se expressasse: “você já perdeu esse debate”. E perdeu mesmo. Qualquer um refuta isso fácil, e não demorou meia hora para o refutarem.
E, detalhe, não era preciso que o outro fosse neo-ateu para ter vontade de refutar isso tudo que o teísta escreveu. Até um ateu tradicional iria fazê-lo. EU MESMO já me disponibilizei para refutar.
A lição que fica é: o direito de cometer erros lógicos e ser ignorante em relação aos conceitos básicos do que é ciência e religião, além do que é lógica e argumentação, é democrático: tanto pode acontecer com um religioso ou com um ateu.
E todos se tornam vulneráveis no debate após cometê-los.
Por isso, o conhecimento básico antes de qualquer debate que envolva religião e ciência é:
- (1) Saber o que é religião e teologia
- (2) Saber o que é ciência e epistemologia (mas nada de Carl Sagan, por favor, e sim Popper, Kuhn, Descartes…)
- (3) Saber o básico de lógica e argumentação
- (4) Conhecer o ceticismo e seus limites
- (5) Saber auditar e investigar fraudes de possíveis argumentos oponentes
- (6) Praticar o self-assessment
Até por que, independente do responsável por um argumento ser teísta ou ateísta, meus olhos ou ouvidos não são penico.
Enfim… o início
É com satisfação que escrevo este post para iniciar este blog, “Neo-Ateísmo, um Delírio”.
A idéia já vem de longa data, pois há uns seis anos eu debato no Orkut, e nesse tempo me tornei praticamente o pesadelo de alguns ateus.
Só que, mesmo que o Orkut seja um bom meio de comunicação, possui abrangência limitada. A estrutura do Orkut não permite uma apresentação estruturada de idéias, ao passo que em um blog este mecanismo é muito facilitado.
Com isso, o que tenho visto ultimamente são pessoas que não conhecem a minha pessoa, as minhas intenções, e até as motivações por trás de meus posts. Espero que, com esse blog, esse problema seja eliminado.
Este blog será ferrenho, enérgico e baseado em ceticismo de combate (sim, que aprendi com James Randi, curiosamente… um ateu), mas também respeitoso.
Não é objetivo deste blog desrespeitar os ateus, já que possuo vários amigos ateus. Este blog é feito para desmascarar uma categoria especial de ateus, os neo-ateus, uma geração que tem obtido mais voz ultimamente principalmente com o advento dos livros de Richard Dawkins.
Como são agressivos e fundamentalistas, os neo-ateus precisam de uma resposta à altura, e não tenho visto muito disso ao menos nos debates em que participo.
Este blog irá ajudar a eliminar esta lacuna, fornecendo aos teístas mecanismos para o duelo com os leitores de Dawkins, assim como fornecerá refutações letais de temas defendidos por Dawkins, Dennett e sua turma.
Bom, já me apresentei demais, e deixarei que os posts falem por mim.
