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Eis o cristianismo vira-lata

Se antes eu já tinha abordado os cristãos self-service, e uma variação deles, os cristãos mansos, é o momento de falar de outra variação dos self-service, que defini como cristãos vira-lata.
O cristão vira-lata é aquele que não tem mais identidade religiosa e é uma cruza de doutrinas ao mesmo tempo cristãs e anti-cristãs.
Isso vem, normalmente, pelo fato dele sofrer doutrinação de anti-cristãos, mas ainda não ter se desvencilhado totalmente do paradigma cristão. O resultado é uma mistura bizarra e perigosa.
Em termos de definição: “O cristão vira-lata é aquele que, mesmo ainda mantendo o seu paradigma cristão base, aceitou a doutrinação sofrida por um adversário anti-cristão, obtendo portanto vários sentimentos que são anti-cristãos, juntamente com os seus tradicionais sentimentos cristãos. Isso torna-o um ser contraditório, aceitando culpas e falhas que não são inerentes ao cristianismo, mas atuando como se fossem. Por sua natureza, o cristão vira-lata pode ser mais danoso à religião do que um neo-ateu”.
Um exemplo pode ser a Sandra Paulsen, comentarista do Blog do Noblat.
Esse texto dela, “A nuvem negra sobre a Igreja Católica”, é de uma estupidez intelectual ímpar, e de um comportamento servil (ao adversário) inigualável e intolerável. Ela não pode ser tolerada por fazer o que fez.
Todo o post dela, do início ao fim, é praticamente a execução de uma agenda anti-católica, mesmo que ELA SE DECLARE CATÓLICA.
Vejamos o joguete psicológico que ela faz no começo:
A gente aceita melhor um crime que parte de um criminoso comum, do que qualquer delito cometido por alguém em quem confiamos. Em dez anos de Suécia, dou-me conta de que aceito com maior facilidade ler nos jornais, sobre a violência aí no Brasil , do que sobre um acidente de trânsito aqui. É como se, de um país desenvolvido, rico, espera-se sempre mais… Com essa mesma lógica, tenho enorme dificuldade em conformar-me com as notícias sobre a pederastia no seio da Igreja Católica. Dela, apesar do passado da Inquisição, das Cruzadas, do alheiamento quanto à escravidão e de tantos outros erros históricos cometidos, ainda espero algo bom. As denúncias sobre pedofilia, pederastia e exercício ativo da sexualidade de padres me escandalizam, me comovem, me revoltam, me dão nojo, me assustam. Muito mais do que outras horríveis notícias sobre violência e abusos em qualquer lugar do mundo. A razão? Ora, trata-se da minha Igreja!
No texto anterior, em que falei da Lavagem Cerebral (na parte 7 da série “Desvendando a Ilusão do Neo Ateísmo”) mostrei que no estágio 2 surge o sentimento de culpa, e em seguida no item 3 vem a auto-traição. Ora, o que é o discurso dela senão um ato de auto-traição.Detalhe: ela nem teria por que se trair, pois as culpas que ela declara NÃO SÃO CULPAS verdadeiras, mas sim crenças sobre culpas implantadas por um adversário desonesto e mal intencionado.
Notem quando ela diz que “aceita melhor um crime que parte de um criminoso comum” do que “por alguém em quem confiamos”. Ao final ela declara “trata-se da minha Igreja”.
Aqui ela aceita a manipulação das notícias, e aceita o crime dos padres não como se fossem dos padres e sim DA IGREJA!
Mas é claro que o jogo é esse, pois a campanha ideológica não é contra os padres em si, e sim contra a religião cristã e a maior instituição cristã, a Igreja Católica.
Portanto, a transferência da culpa dos atos dos padres para a Igreja é CONVENIENTE para os INIMIGOS DA IGREJA. E a Sandra Paulsen caiu no jogo deles feito uma patinha.
E, como tentativa de se fazer gol contra pouca é bobagem, ela aceita CULPAS pela Inquisição, pelas Cruzadas e pelo alheiamento quanto à escravidão…
Quer dizer, agora a Igreja Católica, para ela, não só deve se desculpar por ser CULPADA dos crimes de pedofilia, como também aceitar ser CULPADA por “Inquisição, Cruzada e omissão na questão da escravidão”.
Obviamente, ela não conhece a questão da Inquisição, ou aceitou o discurso anti-religioso de que as Inquisições foram uma atrocidade (na verdade, foram violentas, mas politicamente necessárias), e nem sequer provavelmente pensou sobre como seria a nossa sociedade hoje se as Cruzadas não tivessem ocorrido. Além do mais, colocou a função na Igreja Católica como responsável por agir ou não contra a escravidão. Para sanar essa ignorância dela, eu recomendo que ela leia o seguinte texto: “A Igreja, o tráfico e a escravidão”. Embora para ela, como boa cristã vira-lata que é, deve ignorar o assunto, pois preferirá os textos anti-cristãos.
Ela, mesmo que diga que foi para a missa e rezou, não convence, pois afirma o seguinte:
Ser cristão, neste mundo de hoje, já não é fácil. Ser católico na Europa moderna é ainda mais complicado. Mas, é desestimulante, desencorajador, para qualquer católico, ler as notícias do México, da Irlanda, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Itália, do Chile e de tantos outros lugares, sobre os abusos cometidos por aqueles que deveriam nos apoiar nos momentos difíceis e nos relembrar do caminho da Luz. [...] Que a imprensa continue denunciando! Que as pessoas diretamente ofendidas e suas famílias continuem tirando os podres dos seus arquivos empoeirados e colocando tudo sobre a mesa! Que os culpados sejam levados a enfrentar o julgamento e a justiça dos homens! Que o Vaticano tenha juízo e faça a faxina necessária! E que La Mala Educación nunca mais se repita!
Eu concordo que ser cristão atualmente não é fácil, e ser católico na Europa atual deve ser muito pior. Mas assume que é “desestimulante” e “desencorajador” para “qualquer católico” ler as notícias dos crimes na Igreja.
Será que ela fala por “todos” os católicos? Ou por ela?
Ora, o católico que analisar os dados corretamente poderá ver que a atuação da mídia atualmente configura um caso de Pânico Moral, e não uma cobertura jornalística séria.
A mim, por exemplo, cabe investigar o viés da mídia, e por que está sendo uma criada uma imagem de que a “Igreja é mais culpada” do que outras instituições. Obviamente, eu considero os padres culpados, e que devam ser punidos. Mas a atuação da Igreja, enquanto instituição, está sendo exemplar. Mas ela aceita tanto o discurso do inimigo que passa a achar que a atuação da imprensa está sendo digna. Como se dar mais atenção aos crimes da Igreja e IGNORAR os restantes fosse uma atuação digna de qualquer ser humano que se preze…
Justiça seja feita, no final a mensagem dela até lembra algo do cristianismo.
Pois basta um facho de luz para derrotar a escuridão. E só uma chuva muito forte, uma tempestade com muito vento, para fazer a nuvem negra desaparecer… Porque Jesus morreu para preservar a bondade eterna no coração humano criado pelo Pai e para que, Nele, encontremos forças para amar até o fim. Que Deus nos ajude a preservar nossa conexão com Ele, mesmo quando confrontados com a doença e a mais profunda maldade.
Decerto que todos os casos denunciados devem ser úteis para que a Igreja faça uma “limpa” lá dentro. Mas sem, obviamente, aceitar a culpa que ingenuamente a Sandra Paulsen nos quer fazer acreditar que exista.
Com cristãos como a Sandra Paulsen, será que os anti-religiosos precisam de Richard Dawkins?
Na verdade, até precisam, pois o neo ateu atua difamando a religião. E os cristãos vira-lata aceitam a culpa que lhes é impingida…
O neo ateu fabrica a difamação. Os cristãos vira-latas aceitam o discurso deles.
E por que os cristãos vira-latas são perigosos?
Imaginem, por exemplo a situação em que acusam um familiar seu de cometer um crime, mesmo sendo a acusação falsa. Já imaginou? Ok, agora imagine a situação em que a acusação falsa do crime vem de DENTRO da família.
Se o exemplo foi suficiente para realizar a situação, notamos que Sandra Paulsen tem um comportamento periculoso para a religião.
Ela se torna FUNCIONAL para um objetivo: atacar a religião, principalmente a católica. E, pior, ela pode enganar mais gente, pelo fato de aparecer como “católica”…
Mais um ato falho de um picareta intelectual: ainda na questão de Dawkins contra o Papa

O meu post de ontem está fresquinho, e quem o leu provavelmente se lembra de que eu abordei duas questões respondidas por Dawkins e deixei uma terceira de lado para tratar adiante.
Vamos então à terceira questão, ainda referente à polêmica envolvendo os casos de pedofilia na Igreja e a torpe acusação de que o Papa foi conivente com esses casos em 1979.
“O Papa deve renunciar?”, pergunta o repórter.
No que Dawkins responde:
Não. Como o Colégio de Cardeais deve ter entendido quando o elegeram, ele é perfeitamente – idealmente – qualificado para liderar a Igreja Católica Romana. Um velho bandido de batina, que gastou décadas conspirando sob portas fechadas pela posição que ele agora ocupa; um homem que acredita que é infalível e age como se fosse; um homem cuja pregação cientificamente falsa é responsável pelas mortes de incontáveis vítimas de AIDS na África; um homem cujo principal instinto quando seus padres são pegos de calças arriadas é acobertar o escândalo, relegando suas jovens vítimas ao silêncio; em resumo, é com certeza o homem certo para o cargo. Ele não deveria renunciar, além disso, pelo fato dele estar perfeitamente posicionado para acelerar a queda dessa organização corrupta e malévola, em cujo caráter ele se encaixa feito uma luva, e da qual ele é o monarca absoluto e historicamente adequado. Não, o Papa Ratzinger não deve renunciar. Ele deveria permanecer no cargo desse edifício fétido – todo voltado a obtenção de lucros, amedontramento de mulheres, colecionamento de culpas, ódio à verdade, institucionalização de estupro infantil – enquanto ele cai, entre um fedor de incenso e uma multidão de corações sagrados e virgens absurdamente coroadas para gáudio de turistas cafonas, sobre suas orelhas.
Primeiramente, não passa de um estratagema dos mais banais e infantis. Algo como aquele sujeito que não consegue destituir alguém de um cargo, e então lança o discurso de derrota do tipo: “ah, melhor que ele fique por lá, por que assim cai junto com a empresa”. Não serve nem como provocação de parquinho. Segundo, pelo fato de uma quantidade de bobabens emocionais, que só são capazes de comover aos mais ingênuos.
O foco aqui não é nas trivialidades do discurso de Dawkins, mas sim na lógica interna dele, onde identificamos mais uma faceta de sua mentalidade abjeta. A investigação do picareta intelectual pode ser feita, como já disse, principalmente pela coleção de suas idéias. Com Dawkins é a mesma coisa. É só deixar ele falar que ele mesmo se enrola.
Vejamos o ponto, onde há duas situações:
- (a) O Papa é culpado dos casos de pedofilia
- (b) O Papa não é culpado dos casos de pedofilia
É uma questão de lógica simples. Ou alguém acredita em (a) ou acredita em (b). Obviamente, pelas evidências em questão, é claro que eu defendo a idéia de (b), pois realmente não há evidência alguma de que o Papa tenha qualquer tipo de culpa ou mesmo acobertado algo.
O importante, no entanto, é saber que, se eu acreditasse em (a), portanto eu deveria querer a punição do Papa, ou até sua renúncia. Mas o Dawkins é quem ACREDITA na hipótese (a).
Ora, se ele acredita em (a), logo, ele tem a concepção de que o Papa PERMITE a prática de pedofilia em criancinhas. E, como eu acredito em (b), e estou justificado pelas evidências, é claro que não tenho essa concepção.
Sendo assim, ao menos em termos de INTENÇÃO, eu não posso ser conivente com pedofilia, pelo menos nessa questão.
E aí é que está a ironia da coisa. Vamos à situação moral do Dawkins:
- (a) Dawkins crê que o Papa protege pedófilos
- (b) Para que possa proteger pedófilos, o Papa precisa estar lá
- (c) Na crença de Dawkins, portanto, se alguém quiser proteger as criancinhas, teria que tirar aquele que protege os pedófilos, ou seja, o Papa
- (d) Mas Dawkins não quer que o Papa saia
- (e) Logo, Dawkins não está nem aí para as criancinhas, e é conivente com a possibilidade delas continuarem a ser estupradas
Vejam, tudo isso é mera questão de lógica. Se Dawkins realmente crê que o Papa é culpado, e que a atuação do Papa PROTEGE os pedófilos, logo ele deveria querer o Papa fora de lá SE realmente quisesse salvar as criancinhas.
Mas, em uma única entrevista, Dawkins mostra que, mesmo considerando o Papa culpado, ele SUGERE que ele por lá permaneça. A opção do Dawkins é imoral, e SÓ SERIA LÍCITA a alguém que não considerasse o Papa culpado. Como eu, que não considero. Portanto para mim não é imoralidade defender o Papa.
No fim das contas, quem é o conivente com a pedofilia? Richard Dawkins.
A carta de intenções do Dawkins é evidente: para ele, qualquer um pode fazer o que quiser, desde que ele possa continuar fazendo sua propaganda.
Se em seu livro “Deus, Um Delírio”, Dawkins cometeu vários descuidos, seu desleixo ultimamente está MAIOR.
Ou seja, mais material a ser investigado.
Livro: Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, de Thomas E. Woods Jr.

“Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”, de Thomas E. Woods Jr., 222 páginas, Editora: Quadrante.
Hoje em dia, não é raro vermos professores de orientação marxista e neo ateísta (afinal, estes últimos são basicamente agentes do marxismo cultural) condenarem a era Medieval como a Era das Trevas.
Na verdade, o intuito é tentar lançar sobre a Igreja Católica o ônus de mantenedora de uma era de ignorância e desconhecimento, tudo isso aliado à genocídios de bruxas, todas devidamente queimadas na fogueira.
Que os professores petralhas falam isso até com um brilho no olhar, isso é indubitável. O problema é que muitos caem nesse tipo de engodo sem pestanejar. E, pior, muitos desses são até católicos.
Não demora para este tipo de católico (os que acreditam nesses “professores”, claro, a não os céticos, como os leitores deste blog) ficar com aquela síndrome de vira-latas, dizendo algo como “sou catolico, mas…”, como se tivesse que se desculpar pelas “trevas” trazidas pela Igreja Católica, que teria sido “vencida” pelo Iluminismo, que trouxe, enfim, a ciência e a luz ao mundo de trevas.
É por isso que o livro “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”, de Thomas E. Woods Jr., é uma das obras mais indispensáveis para aquele que quiser entender qual a real importância da Igreja Católica para a nossa civilização. E, naturalmente, é uma importância oposta àquela apregoada pelos professores marxistas.
Já mostrei aqui alguns vídeos de Woods, em que ele nos introduz a alguns dos conceitos do livro.
Entre outras coisas, o livro mostra que somente a mentalidade católica, em uma época de luta contra os bárbaros, habilitou o surgimento da ciência moderna e da razão. Não só isso, como também a introdução da economia moderna advém da Igreja Católica. Aliás, devemos à Igreja a criação da instituição fundamental para a ciência: a Universidade.
E os direitos humanos? Naturalmente, possuem berço nas tradições católicas, assim como o nosso conceito de Direito, aprimorado a partir do Direito Romano, mas plenamente fundido com o Direito canônico.
A obra de Woods vai muito além disso, sempre utilizando-se de uma linguagem carismática, sem revanchismo com os inimigos da religião. O autor se limita a mostrar, com um forte arcabouço de referências históricas, a verdade sobre a primeira (e maior) das grandes instituições do cristianismo.
Em tempos em que muitos professores de História desonestos e mal intencionados se limitam a fazer campanha anti-religião e principalmente anti-Igreja Católica, o livro de Woods é uma leitura indispensável para qualquer católico que queira livrar a sua mente dos vírus mentais transmitidos por professores e ideólogos que merecem tanta credibilidade quanto a leitura da borra de café.
Já vi, inclusive, tal livro para download na Internet. Mas recomendo: não façam isso!
Comprem o livro, que é baratinho (não chega a quarenta reais), para incentivar que mais obras desse tipo sejam lançadas. Aliás, é fundamental para qualquer católico ter esse livro em sua Biblioteca.
Adaptando o que Marion Cobretti diz na introdução do filme “Stallone Cobra”: “Se no quesito da abordagem à Igreja Católica, os professores marxistas e neo ateus são a doença, esse livro é a cura!”.
Como criar factóides do tipo “religião como causa de guerras”

Um dos principais estratagemas utilizados pelos neo ateus é advogarem-se como “paladinos da paz”, assumindo uma função de críticos da religião. Segundo eles, a religião seria um fator incentivador de guerras.
Justiça seja feita, mesmo que eles divulguem tal informação, o argumento é tão ruim que até eles já dão uma “amenizada”, dizendo que a religião não é a única causadora de guerras, apenas um fator importante para causá-las, dentre outros fatores.
Mas de que adianta uma mentira amenizada em relação a uma mentira não amenizada: a falta de honestidade intelectual é a mesma.
O engraçado é que muitos neo ateus usam tal estratagema de forma empolgada no início do debate, mas basta um pouco de questionamento socrático para que eles se compliquem, justamente pela falta de evidências.
Um exemplo é o conflito entre protestantes e católicos na Irlanda.
Qualquer neo ateu já taxa, de imediato, e não larga disso por nada no mundo: “a culpa é da religião”.
Claro que isso não sobrevive ao menor questionamento.
Por exemplo, basta perguntar se há evidências de que, se as religiões fossem as mesmas não haveria a colonização feita pela Inglaterra? E, supondo a colonização já em vigência, não haveria, a tentativa de luta pela liberdade se tanto o povo da colônia como do país colonizador fossem da mesma religião?
Simplesmente, quando questionamos as evidências de que tais “movimentos de paz” ocorreriam somente pela ausência de religião ou seriam dificultados por tal ausência, eles começam a tergiversar.
O questionamento deve seguir, sempre, pois a alegação realmente é basicamente uma mentirinha ideológica.
Aos poucos, pela experiência em debates, fui descobrindo como os neo ateus, inclusive os autores (Hitchens, Harris, Dawkins, etc.), criam esse tipo de factóide.
Segue aqui então, o método Tabajara para criar mitos sobre guerras causadas por religião.
1 – Selecione todas as guerras que conseguir elencar, e coloque numa lista
2 – Tome o cuidado de anotar os lados na guerra, em duas perspectivas, agressão (agressor/agredido) e religião (de cada uma das partes).
3 – Revise a lista agora com a perspectiva olhando pelo fator “agressão”
4 – Caso o país agressor seja um país ateu, retire esse conflito da lista
5 – Para os itens restantes da lista, olhe pelo fator “religião”
6 – Caso a religião entre os dois países seja igual, retire o conflito da lista, da mesma forma que foi feito no item 4
7 – Para os itens restantes, categorize-os todos como guerras religiosas e já pode ir dizendo que a religião foi fundamental para as guerras
É simples assim!
Claro que ao findar o item 7, o neo ateu terá em mãos uma grande quantidade de guerras que ele tentará vender ao público como se fossem “guerras religiosas”.
É exatamente em cima deste tipo de estratégia que grande parte da campanha de associação de religião com conflitos é construída.
Alguns até conseguem fazer algum barulho em debates, pois o número de conflitos que sobrarão na lista após o término do passo 7 é bem grande.
Entretanto, mesmo que a quantidade seja grande, basta, é claro, uma sessão de questionamentos céticos para ver que tal tentativa não passa justamente de um factóide.
Em defesa de uma investigação secular do neo ateísmo

Eis, então, um site que indico para ser lido não só com interesse, mas sim também nos menores detalhes possíveis: Investigating Atheism. Ainda não o li por completo (cheguei perto disso), mas encontrei lá uma quantidade enorme de informações incrivelmente relevantes e, principalmente, inteligentes.
O objetivo do site não é outro senão abrir uma investigação do ateísmo.
E esta é a postura que considero admirável!
Isso abre o gancho para que eu comente não só o site Investigating Atheism, como principalmente a postura que defendo neste blog aqui.
Antes de tudo, preciso dizer que preferiria que naquele site fosse “investigação do neo ateísmo” ao invés de “investigação do ateísmo”. Acredito que haveria mais foco nisso. Mas não se pode ter tudo.
E esta é a postura defendida pelo meu blog.
Particularmente, pelo que acompanho em Orkut, noto que muitos teístas, durante argumentação com neo ateus, entram em campo de coração aberto.
Exemplo de caso: imagine quando um sujeito neo ateu entra em uma comunidade de religiosos e pergunta: “Vocês podem me comentar a respeito de suas evidências históricas sobre a Bíblia?”. A primeira vista parece uma abordagem natural e amigável, não? Em muitos casos, teístas respondem ao ateu como se respondessem de forma descompromissada a um companheiro de religião ou até a alguém independente. Não demora para este neo ateu começar a ridicularizar as opiniões do teísta, e para isso ele fará uso da abordagem “sem armas” que o teísta usou.
Mas como adivinhar que se está diante de um neo ateu, que, por sua definição, é um adversário envolvido em uma diatribe contra a religião (diatribe esta, proliferada pelo séquito liderado por Dawkins e sua patota)?
Antes de tudo, é bom entender o que é a diatribe. Abaixo uma definição:
DIATRIBE: Termo de origem grega (diatribe, “discurso ou conversação filosófica”) que, inicialmente, se refere aos discursos preambulares moralistas dos filósofos estóicos e cínicios na Grécia antiga. Deste tipo de discursos, possuímos hoje as Diatribai de Epitecto. Um filósofo próximo dos cínicos, Bion de Borístenes (século IV a. C.) introduz o sentido que hoje damos a diatribe: texto agressivo ou premeditadamente ofensivo para com um determinado interlocutor. A sátira greco-latina haverá de recorrer a este tipo discursivo, como nas Sátiras Menipeas de Varrão, ou as Tusculanas de Cícero. Entre nós, a diatribe literária confunde-se com a sátira ou com a comum invectiva, não sendo frequente a referência directa ao género, a não ser em casos pontuais, como o de Joaquim José da Costa e Sá (1740-1803), que nos deixou uma Diatribe critica sobre a latinidade dos poetas: extrahidas das obras de Joao Jorze Walquio (Lisboa, 1775). O tom de invectiva de As Farpas, de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, aproximam-nos facilmente do modelo da diatribe. (Carlos Ceia)
Muito boa definição, diga-se.
Fica mais fácil, com isso, entender com o que estamos lidando.
O conceito de diatribe, junto com o conceito dos neo ateus (que admitem sua intolerância com os religiosos e a religião), já situa os neo ateus em um contexto onde estes são inimigos dos teístas, por definição. Se o neo ateu for REALMENTE amigável, ou disposto a uma discussão leal, então não é um neo ateu: é basicamente um ateu tradicional, contra o qual este blog não tem absolutamente nada contra.
O importante aqui é mesmo considerar o neo ateu, que é o inimigo.
Vale salientar que este é o inimigo somente no conceito da guerra intelectual. Espero que não me compreendam mal e achem que a idéia é que neo ateu saia dando tiros em teístas, e teístas revidem aos tiros os neo ateus. Nunca disse nada a respeito disso. Defendo o conflito… mas é o conflito INTELECTUAL!
Da parte do que os neo ateus fazem em sua diatribe, o que destaco são os ataques difamatórios, baseados em divulgações de informações falsas contra a religião e os religiosos.
E aí que entra o ceticismo investigativo que defendo.
Para quem já assistiu o seriado “CSI: Crime Scene Investigation”, uma dica de postura é exatamente como Gil Grissom e sua equipe tratam as pessoas que investigam. Recomendo também os “spin-offs” da série, passados em Nova York e Miami (a série original se passa em Las Vegas).
Transcendendo para o nosso cenário, a investigação é focada nos argumentos e nos “casos” abertos pelos neo ateus contra a religião.
Recomendo a aplicação do mesmo crivo investigador e cético contra ambos (os argumentos e os “casos”). Como já frisei em outros textos, a avaliação cética se divide em (a) estudo do argumento e (b) estudo do caso. Como exemplo, um argumento seria “Existiu conflito no Camboja, os envolvidos são religiosos; logo, a religião é culpada”. É um argumento ruim, mas é investigado pelo estudo do argumento. Já a informação “a religião tem parte importante no aumento de violência do conflito” é um “caso”, é uma alegação formal, que deverá ser investigada assim como as alegações de qualquer pessoa sob investigação. Questões que podem ser feitas: A religião é um fator? Qual o percentual relacionado a esse fator? Por que outros cenários de conflitos não incluem religião? Pode provar? Tudo isso sabendo que até as “provas” apresentadas serão colocadas sob escrutínio cético. Esse é o estudo de caso.
A meu ver, essa é a maneira definitiva pela qual o neo ateísmo deve ser tratado. Pelo ceticismo investigativo, com base tanto no estudo de argumento como estudo de caso.
Por exemplo: ensinar a palavra de Deus, dar dicas sobre a interpretação da Bíblia, etc… São úteis, mas SOMENTE quando não se está diante de um inimigo. Seria tão improdutivo como o Gil Grissom, em um debate com um suspeito (que tenha culpa no cartório), sair pregando sua visão do que é honestidade. Simplesmente o suspeito é oponente dele, e nada do que Grissom disser nesse sentido será aproveitado pelo oponente. É perda de tempo.
Diante de um oponente, desleal e mal intencionado, a postura que recomendo não é a postura apologética. É a postura investigadora, de cunho secular.
A partir desse momento, normalmente não me interesso nem um pouco em converter um neo ateu à minha religião. Pelo contrário, o que eu quero saber é pura e simplesmente: as alegações do neo ateu passam pelo escrutínio cético? A resposta nesse caso ou é sim ou é não. Não há meio termo. E se não passarem (como na maioria dos casos não passam mesmo), irei expor as descobertas que desmascaram o neo ateu em público.
Justamente por isso, fiquei tão animado com o site que vi.
Mais um detalhe relevante: o site é praticamente independente.
O que significa que ele pode ser lido tanto por um teísta católico, islâmico ou judeu, ou até um panteísta, um deísta, um ateísta, etc. Enfim, ele é tratado com a visão secular.
Mais um ponto pelo qual encontro uma similaridade deste blog com os objetivos do site “Investigating Atheism”.
Uma coisa é usar a visão religiosa para analisar os conceitos de SUA religião. Aprofundar no estudo dela. E, então, avaliar seus dogmas e ensinamentos exatamente como se estivesse diante da religião que é correta. Eu defendo isso fortemente.
Só que quando saímos para investigar um oponente, e usamos o filtro secular (mesmo quando somos religiosos), nossa investigação adquire muito mais poder.
Isso explica mais ou menos por que, nos tempos da Inquisição, a iniciativa era católica, mas o tribunal era secular.
Em suma, eu não entro em campo contra um neo ateu para convertê-lo a minha religião ou não. Ou para avaliar se ele está no caminho certo em sua crença pessoal ou não. Isso simplesmente não me interessa. Isso, aliás, explica o motivo pelo qual, quando algum neo ateu aparece e pergunta: “Você acredita em Deus? Qual sua interpretação de Deus?”, eu simplesmente não entro nesse assunto, pois, em uma discussão investigador-suspeito, não é da alçada do suspeito aquilo no que eu acredito.
Neste blog, atenção: SEMPRE o neo ateu é suspeito. Ao neo ateu é irrelevante o que eu, na postura do investigador, acredito.
Esse é o novo paradigma para a discussão entre teístas (que tiveram uma fase em que foram difamados) X neo ateus (que por algum tempo fizeram o papel de difamadores). É esse o paradigma que defendo. É simplesmente dizer: acabou a brincadeira. Agora o diálogo é investigador-suspeito.
São os neo ateus que estão VENDENDO IDÉIAS e VENDENDO ALEGAÇÕES, trazendo milhares de “casos” (ex. “a religião mata”, “a religião envenena tudo”, “Deus é cruel”, “A Bíblia está errada”, “ateísmo é ciência”, “a ciência é inimiga da religião” e mais uma infinidade deles). Na maioria absoluta dos debates, não somos nós que estamos vendendo idéias.
Quem está vendendo idéia e seus “casos” é que está sob escrutínio cético. Quem está como “vendedor” é que é colocado na arena. Não o “comprador” da idéia.
O que me importa é se as alegações deles são válidas ou não. Se ele afirma ter “casos” contra a religião, cabe a ele provar a validade desses casos. Tudo isso durante um processo durante o qual ele está sob estrita investigação.
Isso mostra o seguinte: minha religião é católica. Minha investigação aqui é SECULAR.
A questão é muito simples: ou os neo ateus provam seus “casos”, ou não provam. Ou trazem as evidências que dêem suporte às suas alegações, ou não trazem. A investigação de fraudes e crimes sempre deve ser baseada pelos princípios do método científico. É uma investigação secular.
A Igreja Católica já nos ensinou isso séculos atrás.
No máximo, estou apenas reutilizando o conceito.
Essa é a mensagem desse blog: quanto mais investigamos os nossos oponentes, de forma cética, com perspectiva de auditor e investigação de fraudes, mais os enfraquecemos.
Essa investigação é secular.
Olavo de Carvalho comenta sobre religião e ciência
Recentemente, pude presenciar e participar de alguns debates onde os alegados “divulgadores de ciência” afirmam taxativamente coisas como “Ciência Se Corrige, Religião Não se Corrige”, ou “A Ciência Trata de Todo o Conhecimento” e coisas do tipo.
Como sempre, são leigos tanto em ciência quanto em religião.
Nesse vídeo, com a gravação de seu programa de rádio, Olavo de Carvalho explica muito bem o charlatanismo desse tipo de gente.
Outra coisa interessante é também a crítica à postura de alguns religiosos. [N.E. - O que me deixa muito satisfeito aqui é o fato de que os religioso que lêem este blog não se encaixam nas críticas do Olavo, mas ela continua muito válida para que surjam mais críticos assim]
Enfim, um vídeo revelador, inteligente e bastante perspicaz.
ADDENDUM
Outros vídeos de Olavo no tema abaixo:
Parte 2: Aqui onde ele detona um outro apóstolo do neo-ateísmo.
Resposta a um leitor:
Parte 1 – Parte 2
Entrevista: Aqui Olavo de Carvalho dá entrevista sobre tema ao programa de rádio Lado B.
A Igreja Católica: Construtora da Civilização
Eu realmente andava achando que o pessoal defensor da Igreja Católica estava muito passivo ante às ofensas e calúnias proferidas por autores neo-ateus (Dawkins, Hitchens, etc.).
Mas eis que o Doutor em História Thomas E. Woods lançou um livro chamado “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental”, que ainda não foi lançado no Brasil. Mas deve ser lançado em questão de tempo.
Excelente iniciativa, haja vista que muitos (maus) historiadores (principalmente ateus, comunistas, ou ateus-comunistas) mentem deslavadamente quando falam da Igreja Católica.
É importante rever os fatos e ver o que é verdade ou não.
E a verdade é totalmente diferente daquela pregada pelos anti-religiosos, pois o vídeo (com base no livro de Woods) mostra que a civilização que nós possuímos sequer existiria sem a ação da Igreja Católica.
O vídeo em questão foi produzido pela EWTN e é dividido em três partes: Parte 1 – Parte 2 -Parte 3
Pesquisa do Ibope sobre o acordo com a igreja católica cala a boca dos neo-ateus

A fonte da notícia abaixo é o IBOPE, publicada em 26/08.
75% dos católicos são contrários a acordo com Vaticano.
Pesquisa do instituto Ibope feita a pedido da organização não governamental Católicas pelo Direito de Decidir aponta que 75% dos católicos entrevistados discordam ou pelo menos têm restrições a um acordo fechado com apenas uma religião. O levantamento foi realizado para tratar do acordo bilateral assinado entre o governo brasileiro e o Vaticano, que agora tramita no Congresso.
Aprovada na semana passada pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara, a proposta tem 20 artigos que criam um estatuto jurídico e dão direitos à Igreja Católica no Brasil. Entre outros pontos regulamenta a forma do ensino religioso nas escolas públicas, prevê que o casamento oficiado pela igreja, caso siga também as exigências do direito civil, tenha valor jurídico e estabelece que o Estado brasileiro vai ajudar a preservar os bens móveis e imóveis, como igrejas e obras de arte.
A pesquisa do Ibope, no entanto, mostra que a proposta de dar privilégios a uma única religião desagrada à maior parte dos entrevistados, mesmo aqueles que poderiam, em tese, ter seu credo beneficiado. Entre os católicos, 44% acreditam que um acordo bilateral não deveria existir porque o Estado brasileiro não tem religião oficial. Outros 31% acham que aprovar um acordo desse tipo desrespeita as demais religiões.
O porcentual sobe quando as perguntas são feitas a pessoas de outra fé, como os evangélicos. Mas é maior ainda entre aqueles que se dizem agnósticos, ateus ou de religiões com menos expressão no Brasil, como espíritas e budistas. Entre esses, 82% reprovam o acordo. “É um acordo totalmente inadequado e absolutamente na contramão do processo histórico. A cultura brasileira é de enorme tolerância religiosa. Dar privilégios a uma única religião vai contra a Constituição”, diz Maria José Rosado, coordenadora da ONG Católicas pelo Direito de Decidir.
Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), não há privilégios no acordo – a não ser pelo fato de que a religião católica é um Estado e, como tal, pode assinar um acordo bilateral com o governo brasileiro, o que não acontece com outras religiões. “A concessão de privilégios é uma mentira. Tudo o que está no acordo está na legislação brasileira. Se não agrada, então é preciso mudar a lei”, diz dom Orani João Tempesta, presidente da comissão episcopal pastoral de educação, comunicação e cultura e arcebispo do Rio.
Já o Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que divulgou nesta terça-feira (25) uma nota na imprensa, vê o acordo como discriminação às outras religiões. “O Estado é laico, não pode privilegiar ninguém. Eu não quero privilégios para os evangélicos, mas não pode um Estado teocrático fazer um acordo desses com um Estado democrático”, afirma o pastor Silas Malafaia, vice-presidente do Cimeb. O texto terá de passar pelas comissões de Educação, Trabalho e Constituição e Justiça, antes de ir ao plenário. Depois, o mesmo processo se repete no Senado.(AE)
Epa, epa…
Nunca se deve esquecer que os neo-ateus afirmam que os religiosos não respeitam as outras religiões. E de repente vem um resultado desse mostrando que 75% dos católicos estão se opondo a um acordo desses com a Igreja Católica?
Detalhe que não vou entrar no mérito sobre este acordo, já que não vejo nada de errado com ele.
O que me importa aqui é o motivo pelo qual muitos estão contra o acordo. Segundo o IBOPE, os entrevistados afirmam que o estado não poderia ter uma religião oficial e que as outras religiões deveriam ser respeitadas. Mesmo que eu ache que justificativas estejam equivocadas, respeito a opinião deles. [N.E. - Opa, mas espere, se Dawkins estivesse correto eu também não deveria respeitar as outras opiniões. Risos]
Mas, de novo, o importante é que as justificativas se baseiam em tolerância às outras religiões.
Tolerância essa que não deveria existir se grande parte dos argumentos contra a religião feitos pelos neo-ateus estivessem certos.
Pois vejam o que está no prefácio da edição de bolso de “Deus, Um Delírio”:
VOCÊ SEMPRE ATACA O QUE HÁ DE PIOR NA RELIGIÃO E IGNORA O QUE HÁ DE MELHOR.
“Você persegue oportunistas grosseiros e incendiários como Ted Haggard, Jerry Falwell e Pat Robertson, em vez de teólogos sofisticados como Tillich ou Bonhoeffer, que ensinam o tipo de religião em que acredito.”
Dawkins responde:
“Se o predomínio fosse só dessa espécie sutil e amena de religião, o mundo sem dúvida seria um lugar melhor, e eu teria escrito outro livro. A melancólica verdade é que esse tipo de religião decente e contida é numericamente irrelevante. Para a imensa maioria de fiéis no mundo todo, a religião parece-se muito com o que se ouve de gente como Robertson, Falwell ou Haggard, Osama bin Laden ou o aiatolá Khomeini. Não se trata de testas-de-ferro; são todos influentes demais e todo mundo hoje em dia tem de lidar com eles”.
Das duas uma. Ou a pesquisa do IBOPE está errada ou Richard Dawkins e sua patota estão mentindo deslavadamente. Onde está essa imensa maioria de fiéis do mundo todo que Dawkins afirma?
Mas como o IBOPE é uma instituição idônea, e Dawkins e sua turminha são conhecidos por sua desonestidade intelectual e fanatismo, fica evidente que podemos confiar no IBOPE e já ir rindo da cara dos neo-ateus.
Refutação a um texto neo-ateísta contra a cruz

REFUTAÇÃO AO ARTIGO “Estado melhor é Estado sem cruz”, do neo-ateu Robson Fernando. Obs.: Este artigo já era um contra-ataque em relação ao artigo “Estado sem Cruz”, de Luiz Domingos de Luna.
O texto que será refutado aqui mostra que um dos colaboradores do blog Ceticismo.net, o neo-ateu Robson Fernando, não possui muita prática em ceticismo, pois faz diversas alegações que não consegue provar. A maioria das alegações do Robson não são diferentes das histórias de lobisomem contadas pelo tiozinho do sítio.
Vamos às pregações de Robson:
Em primeiro lugar, me incluo entre as pessoas defensoras de que não existe “necessidade” nenhuma de impor a cruz, seja lá em que sentido, em organismos que servem a gentes de todas as religiões e também àquelas sem religião.
Começou mal, pois a disponibilização de uma cruz publicamente não implica em imposição. Seria o mesmo que dizer que um casal usando alianças em público seria uma imposição do casamento a algum solteiro que visse o casal. A argumentação de Robson é totalmente nonsense. Detalhe que todas as instituições públicas prezam a família, que é outro símbolo de nossa civilização. Só que muitos gostariam de viver solteiros. Seria uma ofensa aos solteiros? Claro que não.
Em seguida, Robson tenta dizer que a contribuição histórica da cruz na história do Brasil foi negativa. Vejamos:
Em nome do deus cristão e com respaldo da Bíblia, destruiu-se centenas, se não milhares, de culturas indígenas. Seus deuses e deusas foram ultrajados/as, populações massacradas porque não aceitaram de bom grado a palavra de um “Senhor” que não era seu. O mesmo ocorreu com povos negros do outro lado do oceano, cujas guerras internas foram fomentadas com muito interesse pelos cristãos ibéricos e cujos povos foram escravizados de forma covarde e removidos à força para o Brasil, que manteve a vergonha da escravocracia até 1888 – ironicamente num Estado imperial oficialmente católico de acordo com a Constituição de 1824.
Enfim, até que o apelo emocional começou cedo demais no texto dele.
E não passa da falácia tosca Cum hoc ergo propter hoc (ou falsa causa). O diagnóstico dele se baseia no seguinte: “Portugal foi invadido por portugueses, e os portugueses eram católicos. Logo, a causa foi o catolicismo.”. E ele tenta mais uma variação desta falácia, e tentará impor isso no resto do seu texto é: “O Catolicismo tem como um de seus símbolos a cruz. Logo, a causa da invasão foi a cruz”. Ou seja, argumento que já nasce inválido.
Para desmascarar Robson é fácil. Pois ele tentou até associar a escravidão dos negros africanos à cruz ou ao catolicismo, dizendo que tais atos, assim como a colonização dos índios, teria sido feita “em nome do Deus cristão”.
É preciso ignorar todas as aulas de história (as isentas claro, não valem aquelas ministradas por professores de esquerda, que mentem mesmo) para escrever tamanha sandice.
Bastaria que Robson tivesse estudado a origem das colonizações, para entender que a falácia dele só enganaria alguém muito ingênuo.
E, para refutá-lo, o mesmo povo católico que trouxe negros escravos ao Brasil, foi o mesmo povo católico que aboliu a escravidão.
Mas ele é esforçado, pois tenta de novo:
O cristianismo que dizem ter sido tão importante para a fundação deste país foi um dos maiores culpados pelo etnocentrismo assassino dos portugueses colonialistas. Para estes, só Jesus salvava, e, se não salvava, matava! Etnias não-cristãs que não seguissem as normas dos “senhores” invasores lusos eram taxadas de “selvagens” e “bárbaras” por gente que não olhava para seu próprio nariz. Os/as pobres silvícolas foram chamados/as de “pagã(o)s” como se esta fosse uma ofensa e, por assim serem, eram explorados/as e massacrados/as sem ninguém, tampouco Seu Jesus, para defendê-los/as das espadas e mosquetes dos impiedosos cristãos que “construíram a nação brasileira”.
Se Robson desconhecia a história das colonizações no parágrafo anterior, neste ele demonstra não conhecer o que é etnocentrismo. Não há uma nesga de evidência quanto ao fato do etnocentrismo ser causado por fatores religiosos, ou seja, ele tentou de novo aplicar a falácia da falsa causa.
E, como sempre, ele tenta impor a falácia do apelo emocional. Dá para notar nos termos típicos de novela mexicana, como “pobres silvícolas”, “eram massacrados, sem ninguém, nem Jesus, para defendê-los das espadas dos impiedosos cristãos”.
Quer dizer, um show de bobagem e infantilidade nesse argumento.
Primeiro ninguém afirmou que a função de Jesus era defender ninguém de espada. Segundo, o cristianismo dos colonizadores era irrelevante para qualquer massacre (basta estudar a história das colonizações, independente de religião). Terceiro, como já dito, não há evidências de que etnocentrismo é causado por religião (se assim o fosse, os religiosos hoje não seriam tratados de forma etnocentrica pelo governo ateu lá na China). Quarto, as etnias conquistadas não eram trucidadas pelo fato de não acreditarem em Deus. Quinto, a expressão “só Jesus salvava, e, se não salvava, matava” é no mínimo delírio de Robson.
A refutação desse tipo de choradeira é fácil demais.
E o próximo erro é até ingênuo:
Com o terreno “varrido”, ocuparam o país e meteram nomes de santos/as por todos os lugares. Aos brancos que chegavam, ensinaram que só Jesus é bom no mundo da religião e que valia tudo em nome dele. Às brancas, impuseram a submissão e a inferioridade com respaldo bíblico. Aos negros e negras, a sujeição à escravidão, também com apoio do livro “sagrado”.
De novo, essa bobagem de “respaldo bíblico” é apenas fantasia da cabeça de Robson. E a frase “meteram nomes de santos/as por todos os lugares” é no mínimo cômica, pois não confere com a realidade. O fato é que os símbolos religiosos e nomes de santos foram inseridos nos lugares que os colonizadores portugueses construíram.
Além disso, a tentativa de dizer que negros e negras eram sujeitos à escravidão com apoio do livro “sagrado” já está devidamente refutada. De novo, o mesmo livro sagrado esteve presente nos atos de abolição. Não há evidências de dependência direta entre religião e escravidão. Fato.
O próximo trecho comentado mostra que Robson precisa aprender a entender os textos que lê:
Voltando à questão do laicismo, digo ao autor do texto aqui rechaçado que laicismo é neutralidade religiosa. Dizer que um país adotou cruzes e feriados cristã(o)s “sem prejuízo para o laicismo” é um sofisma, porque a Constituição atual, Artigo 19, proíbe que o Estado brasileiro se escore em qualquer religião específica ou simbologia religiosa.
Aqui o sujeito errou na leitura da citação da constituição que ele próprio fez. Quando a constituição diz que está proibido que o Estado brasileiro se ESCORE em qualquer religião específica ou simbologia religiosa, isso significa que o Estado, por exemplo, não poderá condenar alguém por não usar o crucifixo, e da mesma forma não poderá inocentar alguém por usar o crucifixo. Entendeu? Isso é laicismo.
Laicismo não implica em retirar os símbolos religiosos que lá estão por questões culturais. O não há evidência de que o uso do crucifixo altere as decisões lá tomadas. Só haveria quebra do laicismo, se alterasse.
Mas Robson tenta de novo:
E o Brasil “sempre conviveu pacificamente (sic)” com o cristianismo, com a propagação de símbolos e feriados de tal religião porque, até o início da república, era sim um Estado oficialmente católico e a palavra da lei laica não foi suficiente para banir a tradição da cruz e da estátua de santo/a nos Três Poderes. E tal “pacificação” só foi alcançada ao longo da história pela força das armas que criminalizou os cultos indígenas e africanos. Para não sofrer a sanção da morte por serem “pagãs”, as pessoas inferiorizadas pelo Estado cristão – índios/as e negros/as– tiveram que adotar a cruz, contra toda a sua convicção espiritual, como símbolo a reger sua vida.
Aqui de novo a falácia da falsa causa. O cara realmente acredita que Portugal veio colonizar nossa região somente para pregar sua religião. Chega a ser patético. De novo: NÃO HÁ COMO custear uma colonização com o objetivo de pregar religião. Simplesmente, a expedição não iria se pagar. O motivo para uma colonização é econômico.
Claro que o sujeito continua afirmando que índios e negros tiveram que adotar a cruz para não morrerem. Como tudo que Robson escreveu nesse texto, besteira. Não há evidências dessa afirmação dele.
Aqui, Robson defende o comportamento antisocial:
O Estado brasileiro nunca foi diretamente prejudicado pelo cristianismo explícita ou veladamente assumido por ele, mas a população sim, ora pelos motivos já descritos ora pelo fato de que, até hoje, uma vez que ainda adota crucifixos e feriados “santos” obrigatórios, exclui simbolicamente de sua regência toda a população não-cristã. Uma casa estatal decorada com símbolos religiosos só poderia conviver de forma realmente harmoniosa com uma população budista, muçulmana, candomblecista, hindu etc. se ostentasse também a Roda da Lei, o Crescente, o despacho, a Estrela de Davi, o Om…
Nada mais falso.
Pessoas que sabem conviver em sociedade entendem aquilo que se chama de manifestação cultural. É por isso que eu posso viajar para Israel, e ver a Estrela de Davi nos locais públicos, e isso não me ofende. Pois eu entendo que, culturalmente, a Estrela de Davi representa a religião da maioria da população daquele país. Simples assim. Só que meu comportamento é socialmente aceitável. Se eu fosse antisocial, iria me rebelar contra os símbolos deles, claro.
Então, a harmonia só é prejudicada por aqueles que são incapazes de conviver em sociedade. Ou daqueles que agem feito o Drácula ou a Regan (de novo, do filme Exorcista), estrebuchando quando olham crucifixos à sua volta.
No fim, ele tentou jogar para a galera:
E lembremos que várias denominações da própria cristandade, como a Assembleia de Deus, rejeita o símbolo da cruz por motivos, pasme, também religiosos. Assim sendo, a cruz que o Estado acolhe até hoje faz mal até para cristã(o)s. Sem falar nos santos e santas que não agradam protestantes.
Mais erros. Crucifixo não é o mesmo que imagem de “santos e santas”. E rejeição do símbolo da cruz, para a Assembléia de Deus, não implica em proibir que os outros usem ou que seja usado em público. Ah, e William Douglas, um juiz evangélico, defendeu o uso dos crucifixos em repartições públicas (ler matéria aqui). Por isso, nós, teístas, provavelmente dispensamos a preocupação do neo-ateu Robson.
Aqui Robson usou de tentativas ainda mais torpes:
Cita-se em seguida que “muitas cidades brasileiras têm buscado subsídios na religião para formar a sua unidade social e cultural, a religiosidade do povo brasileiro está bastante amadurecida para o discernimento entre um ato de fé e uma decisão jurídica de um estado laico que forma a unidade da nossa nação.” Digo então: não, não está nada amadurecida. Se a crença dessas pessoas estivesse realmente madura, não estaríamos vendo um significativo êxodo de gente do catolicismo ao pentecostalismo, a outras religiões e até à descrença ateísta ou agnóstica. A “maturidade religiosa” era uma mentira que a sociedade só sustentou graças a repressivos valores sociais que caíram sistematicamente, se não totalmente, com a secularização da nossa cultura.
Falso. Os êxodos citados por Robson só comprovam a MATURIDADE da religiosidade do povo brasileiro. As pessoas podem ir do catolicismo ao pentecostalismo, e vice-versa, e não serão punidas por isso. O Robson precisa aprender melhor estratégia de combate intelectual, pois não pode trazer provas para a mesa que ajudem ao outro lado (no caso, eu).
Ou seja, a maturidade religiosa é um fato. Comprovado inclusive pelo trecho citado do texto de Robson.
Mais:
Outro trecho que deve ser contestado é o que fala que “a presença de símbolos cristãos nas repartições públicas no Brasil é somente o reconhecimento de um estado laico que convive pacificamente com um povo religioso.” Só se for convivência pacífica com um povo católico. Como digo, até mesmo certas denominações cristãs rejeitam a cruz como símbolo, sem falar dos santos que inconstitucionalmente enfeitam prefeituras como a de Igarassu/PE, rejeitados por quase todas as facções protestantes. E se tivéssemos 15% de população muçulmana no Brasil? Para onde iria a tal “convivência pacífica”? Vemos cada vez mais que esta é apenas um engodo que só se sustentou por tanto tempo por causa do antigo monolitismo católico forçado que já se quebrou.
Para variar, o Robson está… errado. Na verdade, se tivéssemos 15% da população muçulmana no Brasil, talvez ainda tivéssemos maioria católica. Em países como a Suécia, em que os religiosos não são maioria, não há símbolos nas instituições públicas. Simples assim.
Não há evidências de algo sustentado pelo “monolitismo católico forçado”. O que existe em um país é o respeito aos que são de outras religiões, algo muito diferente da China, um país que mata aqueles que são religiosos. E não foi cruz ou ausência de cruz que causou as mortes na colonização do Brasil, ou que está causando as mortes atuais na China.
Aqui Robson se embreta:
E vamos pôr uma vírgula no tal “povo religioso” da citação, porque este exclui toda a população irreligiosa – ateísta, agnóstica, deísta e teísta-sem-religião –, a qual vem crescendo bastante no país.
Ué, este povo “sem religião” simplesmente continua representado. Mas um povo que não tem religião, não pode querer definir como será o comportamento dos religiosos na questão religião. Assim como no futebol, há quem torça para o Palmeiras ou para o Corinthians. Em um jogo de futebol, há espaços para as torcidas, e o time mandante tem maior espaço. O time visitante tem um espaço menor. Será que seria preciso de um espaço para aqueles que não torcem para time nenhum? Besteira. Isso seria procurar pêlo em ovo.
Um ateu simplesmente poderá ignorar os crucifixos.
O que foi cômico é que a representação contra os crucifixos veio justamente daqueles que deveriam IGNORAR os crucifixos. A representação rejeitada pela Justiça Federal (ler post aqui a respeito) não veio de nenhum grupo religioso. Justamente aqueles que, de acordo com o Robson, deveriam estar ofendidos pelo crucifixo.
E eis que minha suspeita se confirma…
Finalmente, é necessário afirmar que a memória da história do país, esta tão marcada pela opressão e pela dominação por elites que odiavam o bem comum, não será “ferida”, mas sim limpa, ainda que minimamente, com a derrubada dos símbolos da opressora supremacia cristã que ceifou diversos direitos humanos durante séculos e matou tanta gente que a ela se pôs contrária.
Como é? “Opressão e dominação por elites”? Sinto cheiro de discurso esquerdista aqui? Aí fica mais fácil entender os motivos do autor em uma ladainha tão emocional.
Esse discurso anti-Igreja Católica é cópia de discursos utilizados em países como Rússia e China. E, como sempre, é facilmente refutável.
A ladainha de Robson vai chegando ao final:
Ao autor do texto aqui criticado, não dedico ofensa, mas sugiro que desenvolva mais senso crítico em relação ao que sua religião fez com o povo brasileiro por tanto tempo, procure saber melhor o significado de um Estado laico e admita que o Brasil é um país não de unidade católica, mas de uma diversidade que foi por muitas épocas reprimida e só se vê relativamente liberta hoje – relativamente porque ainda temos ilegais normas sociais que estabelecem a intolerância contra não-cristã(o)s.
Totalmente errado. Luiz Domingos de Luna foi racional em seu texto, embora eu não concorde com tudo que ele tenha escrito. Só que Luiz foi elegante, argumentativo, ao passo que o texto de Robson é rechado de falácias de apelo emocional, ignorância em relação à história das colonizações e, pelo que foi notado ao final, pregação esquerdista anti-religião. É por isso que diante do belo texto de Luiz, só restou ao Robson o apelo emocional.
E mais…
Nunca existiu nem existirá uma paz de verdade regida por governos escorados na cruz, mas sim a “Pax” de um domínio imposto. Um governo só será laico de verdade quando respeitar todas as crenças e descrenças de uma população, tratando-as com igualdade e não dando prevalência a nenhuma religião ou irreligião.
O “fecho” do neo-ateu foi pífio. Não existe governo “escorado” em cruz. Um governo é escorado em seu poderio militar e sua economia, além de sua soberania. E, de novo, o uso de um crucifixo não configura em desrespeito às outras crenças.
E o título “Estado Melhor é Estado sem Cruz” é no mínimo bobinho. Pois tirar o crucifixo não mudará em nada no ritmo da nação. A economia não vai melhorar por isso, e nem a violência vai diminuir.
A não ser que alguém tenha assistido o filme do Drácula e ficou impressionado com o final do filme. Nesse filme sim, o Drácula é desrespeitado pelo crucifixo.
