Posts Tagueados ‘ceticismo’
Um pouquinho sobre rede social chutando fundilhos neo ateus

Já tomei um puxão de orelha por não ter divulgado o meu Twitter, que criei há alguns dias.
Seja lá como for, aproveito a oportunidade para divulgá-lo. Para acessá-lo, clique no link http://www.twitter.com/lucianoayan, onde geralmente publico os updates daqui, além de algumas coisinhas mais.
E, para aproveitar o embalo, para quem quiser enviar me enviar algumas perguntas rápidas, e obter outras respostas igualmente rápidas, eu criei o meu Formspring, no endereço http://www.formspring.me/LHAyan.
E, como não poderia deixar de ser, segue o link para a comunidade deste blog no Orkut: “Neo Ateísmo, Um Delírio”.
Aguardo-os por lá.
Um fator no debate cristãos tradicionais X neo ateus: a diferença que faz a diferença

No debate entre cristãos tradicionais X neo ateus, tenho notado um fator que faz a total diferença. Esse fator, se a princípio pode parecer algo contra os cristãos, pode e deve ser convertido em algo positivo.
Antes de tudo é importante notar que trato aqui de dois perfis específicos em debate, e elimino vários outros, simplesmente por questões de relevância.
Considero apenas os cristãos tradicionais, do lado dos cristãos, e os neo ateus, do lado dos ateus.
Os ateus tradicionais não estão se importando muito com a religião, e se baseiam em basicamente defender o seu direito de não crer. Então, estão fora deste duelo. Já os cristãos self-service, principalmente os “cristãos mansos”, não estão interessados em debater, e sim fazer proselitismo, e acabam dando mais munição aos neo ateus.
Sendo assim, é importante considerar os dois lados de maior relevância.
No caso dos cristãos tradicionais, não há foco em atacar o ateísmo como um todo, e nem em estimular o sentimento de ódio contra ateus. Já no caso dos neo ateus, o foco é no ataque à religião como um todo e estimulação do sentimento de ódio contra os religiosos (todos, não apenas os fundamentalistas).
Nesse cenário, então, temos o contexto da guerra intelectual.
E qual o fator que atualmente faz a diferença nessa guerra? É o uso da mentira deliberada, como ferramenta para maquiagem de informações a respeito do oponente. Um exemplo é este texto recente, em que comento o artigo de Ludwig, um neo ateu que endossa alegações de Christopher Hitchens.
E nisso os neo ateus são simplesmente mestres. Raros grupos ideológicos se especializaram tanto na fabricação de mentiras a respeito de seus oponentes quanto os neo ateus. Podemos encontrar algum paralelo de tal magnitude no máximo entre os comunistas, talvez pela própria orientação deles de que o que importa é a “classe”, e não a verdade em si.
Para estes, se a informação é conveniente à classe, ela é divulgada, e até ampliada. Se não for, maquia-se a informação de forma a favorecer à classe.
A mentira passa a ser uma estratégia que definirá os grandes representantes da ideologia. Os maiores mentirosos serão os líderes.
Eis que o pensador maquiavélico poderia objetar: de que forma combater um mentiroso senão mentindo ainda mais que ele? Poderia até ser, se não fosse o fato de que esse fator (o uso da mentira de forma deliberada) conspira contra a moral absoluta na qual os cristãos acreditam.
Por exemplo, um neo ateu pode chegar e dizer que o comunismo só causou atrocidades por que é um tipo específico de religião (sim, acreditem, eu já cheguei a debater com gente que disse isso, inclusive neste blog). Para isso, o neo ateu precisou maquiar o conceito de religião, e usar de diversas estratégias erísticas.
Mas para ele não importa, pois ele se orgulhará de ter praticado essa mentira, pois ela teve um objetivo: difamar o adversário.
Nós, cristãos, não podemos agir da mesma maneira.
Como exemplo, imaginemos a Inquisição. Não podemos, pela nossa própria moral, dizer que a causa dela é o ateísmo em forma de religião, ou então esconder as informações. Simplesmente não dá para fazermos isso.
Eu me envergonharia de mim mesmo se maquiasse as informações para difamar um oponente.
Logo, esse fator existe e é algo que conspiraria, a princípio, a favor dos neo ateus. Eles tem uma ferramenta em mãos que podem usar à vontade, e nós, religiosos, temos freios morais que nos impedem de usá-la.
Sendo assim, na perspectiva maquiavélica, perdemos o jogo?
É aí que não, e é aí que o jogo deve ser revertido a nosso favor, e justamente por um princípio básico: quem mente mais, tem mais sujeiras a serem descobertas.
É o mesmo princípio que explica que a pessoa honesta tem muito menos a temer que o desonesto.
E, dentro desse princípio, o jogo só pode ser revertido a favor dos cristãos com o uso do ceticismo metodológico, incluindo principalmente a auditoria investigativa. É, alias, a principal defesa deste blog: o uso da perspectiva de auditoria e ceticismo na investigação das alegações neo ateístas.
É por isso que, quando eles começam a abrir a boca, para mim começa uma investigação. É exatamente como o Pe. Paulo Ricardo disse.
Com os neo ateus, não se discute, não se dialoga. O debate começa, e desde o início deve-se começar a desmascarar as alegações deles.
Em debates, se a mentira é a iniciativa principal deles, mas não nossa, então nossa ferramenta principal tem que ser o ceticismo e a investigação.
Senão, de que forma descobrimos os picaretas dentro das organizações senão através da função de Auditoria?
E a função da Auditoria é feita dentro de parâmetros totalmente alinhados com a Direção da Organização, e ela é basicamente honesta. Uma das principais características de um bom auditor é a honestidade.
Por isso, da mesma forma, não vamos nos rebaixar ao nível do oponente e usar a ferramenta de mentira deliberada que eles usam. A sugestão é, ao contrário, aumentar o foco no ceticismo e na auditoria das alegações deles. E, para isso, a atitude honesta tem que ser um valor que não pode ser negado de forma alguma.
Ou seja, em debates devemos agir moralmente de forma oposta aos neo ateus.
Como a idolatria a Bertrant Russell pode levar a efeitos colaterais

Uma coisa que não é difícil para qualquer religioso que tenha compreendido a religião a fundo é se acostumar com a idéia de que pessoas não devem ser idolatradas.
Eu aprendi que, desde que eu idolatre a Deus, eu não preciso idolatrar pessoa alguma.
Isso nos torna mais céticos e evita que nos decepcionemos, depositando falsas esperanças em outrém.
Por exemplo, entre autores que eu costumo ler está Olavo de Carvalho, mas nem de longe eu concordo com tudo que ele escreve. Outro que citei há tempos é Robert Anton Wilson, mas atualmente gosto de apenas uma parte ínfima do que ele escreveu. E assim por diante…
Nenhum intelectual vivo ou morto merecerá, portanto, minha idolatria.
Entretanto, para quem tem um sistema de pensamento oposto, apto a idolatrar pessoas, deve ser difícil ver um de seus ídolos desmascarado.
Entendo, portanto, como Aurélio deve ter se sentido ao ler um texto meu de refutação a Bertrand Russell. Eu simplesmente atingi o seu ídolo. Como ele não está preparado para viver sem um ídolo, reage como se tivesse sido ofendido.
A reação de Aurélio ao meu texto “A ausência de senso críticos dos dawkinistas na avaliação de Bertrand Russell” foi completamente desproporcional e imatura. A começar pelo título, notem:
O engraçado é que o julgamento de “inépcia” dele foi completamente subjetivo, como mostrarei mais a frente. Todas as tentativas dele me acusar de desonestidade intelectual irão, também, pelo ralo. Mas nada é pior do que ele usar a terminologia pueril “ataque a Bertrand Russell”. Oras, eu não fiz ataque a Russell, mas sim aos argumentos dele.
Vamos então ao “caso” de Aurélio.
Acusação 1 de Desonestidade
Afirma Aurélio que eu teria “selecionado” ou “picotado” trechos de períodos completos, tornando-os isolados do contexto.
Ele corretamente diz que a resposta completa de Russell à questão “Por que você não é um cristão?” é “Porque eu não vejo nenhuma evidência para os dogmas cristãos. Eu examinei todos os argumentos disponíveis em favor da existência de Deus e nenhum deles me parece ser logicamente válido.”. O problema é que em momento algum eu disse que a resposta de Russell havia sido diferente disso.
A acusação de que eu teria desonestamente separado a expressão “não vejo evidência” do resto, para então acusa-lo da falácia de incredulidade, não se justifica, pois QUALQUER SENTENÇA que inclua tal tipo de expressão (ex. “não vi”, “não encontrei”, “não acredito”, etc.), no contexto de histórias pessoais na tentativa de provar um ponto, implica em uma falácia da incredulidade pessoal.
Aurélio ainda diz que Russell DEMONSTROU a razão pela qual não crê em Deus, e portanto isso implica em inexistência da falácia da incredulidade. Obviamente, uma conclusão falsa de Aurélio.
Aurélio confunde dizer que tem uma razão com DEMONSTRAR essa razão. Aurélio confunde dizer que estudou todos os argumentos com efetivamente TER ESTUDADO todos os argumentos.
Não há como escapar: Russell cometeu falácia da incredulidade, pois não demonstrou a razão pela qual não crê em Deus. Russell apenas DISSE que tinha uma razão, assim como poderia ter dito que viu isso em uma bola de cristal. Ambas são alegações subjetivas, e, portanto, qualificam a falácia da incredulidade, e, principalmente, evidência anedota.
Acusação 2 de Desonestidade
Aurélio diz que minha crítica “ignora a forma do discurso de Russell, realizado em uma entrevista não direcionada a especialistas de lógica formal, metafísica e teologia, mas sim para o público em geral”.
Não, minha crítica não ignora nada disso. Na verdade, minha crítica não faz JUÍZO DE VALOR a respeito disso.
Mas já que ele comentou a respeito, eu devo dizer que me solidarizo com qualquer idéia que afirme que a participação de um filósofo em entrevistas de 4 minutos normalmente não faria justiça às idéias de qualquer pensador, pois tais idéias geralmente são complexas em termos de exposição. O detalhe é que ninguém obrigou Russell a ir ao programa. Se ele foi lá, ele era maior de idade para saber dos riscos de não conseguir se expressar com todo o detalhamento necessário.
Sendo assim, a minha crítica, de que a ausência de especificação prejudica Russell, é algo que Aurélio não conseguiu refutar.
Aurélio ainda afirma: “Luciano, portanto, perde o senso de ridículo ao dar a entender que Russell pelo menos especificasse de quais argumentos ele rejeitou em uma entrevista de pouco mais de 3 minutos, de modo algum uma entrevista técnica, mas informal. Eu me pergunto se tal atrocidade é falta de técnica ou pura má fé.”
Na verdade, quem perde o senso de ridículo é Aurélio, ao não perceber que ele no máximo JUSTIFICOU os problemas vistos na entrevista de Russell (no caso, pouco tempo para a entrevista).
De novo, eu até entendo a justificação, mas isso não salva a argumentação de Russell.
Na próxima acusação, Aurélio diz que eu “ignoro” a trajetória intelectual de Bertrand Russell, o que, conforme mostrarei, é um red herring da parte dele.
Acusação 3 de Desonestidade
Aurélio insiste que eu não deveria ter rotulado a declaração de Russell (de que ele teria estudado os argumentos) como evidência anedota.
Sinto desapontar Aurélio, mas ele precisa estudar um pouco mais de ceticismo em debates e muito mais de argumentação lógica.
Para demonstrar isso, vamos avaliar algumas, mas não todas, possibilidades:
(a) Russell pode não ter conhecido argumento algum, e mentiu
(b) Russell pode ter estudado a fundo e seriamente todos os argumentos
(c) Russell pode ter trabalhado apenas com versões espantalho dos argumentos que alega estudar
Das hipóteses acima, todas são possíveis, embora (b) e (c) sejam mais fortes que (a). Explico: a hipótese (a) é refutada pelo fato de que ao menos Russell transcreveu os argumentos, então ao menos um pouquinho ele conhecia.
De qualquer forma, quando Russell afirma (b), obviamente temos aqui uma evidência anedota. Precisaríamos ter FÉ em Russell para acreditar que a resposta definitivamente é (b).
Sendo assim, não adianta Aurélio escrever sobre o passado de Russell em filosofia, e até na questão de críticas à religião, que isso ainda NÃO RETIRA dele a pecha de evidência anedota.
Mais ainda: quando Aurélio afirma que eu possuo “ignorância e amadorismo” a respeito de Russell, é ele quem pratica mais uma falácia: no caso a falácia da credulidade pessoal. Aurélio provavelmente imagina que eu desconheça a obra de Russell na questão anti-religião, e desata a proclamar sua crença, sem o menor traço de ceticismo.
O problema é que este não foi o primeiro texto de refutação a Russell. Há não só “Pérolas da LiHS 2 – As babadas de Russell” como também a técnica “Bule de Russell”. Ademais, até mesmo o texto que ele afirma criticar tinha como sua parte mais importante não o comentário do vídeo, mas a reação de crença cega demonstrada e evidenciada em fãs de Dawkins, na análise do material de Russell, de forma idólatra.
Eu realmente acredito que Russell no passado já criticou argumentos sobre a existência de Deus, mas isso não prova que ele estudou a fundo tais argumentos. Ele poderia, como mostrei, ter trabalhado com versões espantalho dos argumentos. Qualquer tentativa de Russell em vencer a argumentação dizendo que “estudou tais argumentos” é apenas evidência anedota, goste Aurélio disso ou não.
Outro argumento terrivelmente ruim apresentado por Aurélio é o seguinte: “Temos então uma de suas obras mais famosas: História da Filosofia Ocidental, que colocou-o numa posição considerável de historiador da filosofia e de sucesso em vendas.Numa obra como essas, não é preciso ser muito inteligente para perceber que o escritor deve conhecer todo o arcabouço metafísico ocidental, ou seja, todos os argumentos a favor e contra a existência de Deus. Russell comenta todos, seja em Platão, Aristóteles, Epicuro, Agostinho, Boécio, Anselmo, Sto. Tomás, Scot, Descartes, Leibniz, Kant e Hegel. Não é preciso mais comentários: Russell reexamina os argumentos e os comenta, demonstrando sua posição já na idade madura.”
Em relação a isso, Aurélio vocifera: ” Temos aqui, por conseguinte, o zênite do amadorismo, ignorância e desonestidade intelectual de Luciano: alguém que desconhece por completo o legado russelliano e suas críticas aos argumentos.”
Ou seja, uma calamidade argumentativa em todos os níveis, já que:
(a) escrever um livro de história da filosofia ocidental não implica que alguém tenha estudado a fundo os argumentos sobre a existência de Deus
(b) não é também preciso conhecer profundamente todo o arcabouço metafísico ocidental, pois livros de “história da filosofia” são geralmente bastante genéricos
(c) nada impede que alguém que só trabalhe com falácias do espantalho sobre argumentos da existência de Deus escreva uma obra assim
Dessa forma, quando Aurélio afirma que eu “desconheço” o “legado russelliano” e suas “críticas aos argumentos” é apenas uma saída pela tangente dele, mas em que momento algum comprova que eu realmente desconheça as críticas de Russell aos argumentos.
Mais curioso ainda é quando ele comenta o debate de Russell com o padre Copleston. Aurélio, novamente exaltado, diz: “Luciano não sabe nada disso, e é duvidoso que queira saber.”
Sinto de novo desapontar Aurélio, pois eu conheço tal debate, e a tradução do mesmo está nos planos deste blog. [N.E. - Agradeço ao Francisco Razzo pelo envio]
Aurélio conclui essa terceira acusação dizendo que eu não teria “o direito de julgar “anedota” algo que Russell o fez por mais de 70 anos em vida”
Pelo contrário: eu não só tenho o direito, como o dever, em nome da lógica, de mostrar que qualquer declaração de “eu estudei isso a fundo, e portanto posso afirmar” é uma evidência anedota, venha de quem vier. Na questão de Russell, no entanto, a suspeita de fraude é ainda mais forte.
Vejam, por exemplo, a evidência a seguir.
Evidência: As “críticas” de Russell à causa primeira
No livro “Por que não sou cristão”, Russell diz que esse argumento é o “mais simples” de ser entendido.
Engraçado, pois ele comete um erro imperdoável, que é dizer o seguinte, citando John Stuart Mill: “Meu pai ensinou-me que a pergunta ‘Quem me fez?’ não pode ser respondida, já que sugere imediatamente a pergunta imediata: ‘Quem fez Deus?’” Essa simples sentença me mostrou, como ainda hoje penso, a falácia do argumento da Causa Primeira. “
Não é preciso ir muito distante para notar que William Lane Craig esmagou uma tentativa de Dawkins extremamente parecida com a de Russell.
Outro erro é quando Russell afirma “Se tudo tem de ter uma causa, então Deus deve ter uma causa”, entrando em contradição com ele próprio, que anteriormente interpretou o agumento assim: “Afirma-se que tudo o que vemos neste mundo tem uma causa e que, se retrocedermos cada vez mais na cadeia de tais causas, acabaremos por chegar a uma Causa Primeira, e que a essa Causa Primeira se dá o nome de Deus).”
Esperem… de uma hora para outra Russell substitui “tudo que vemos” por “tudo” assim, sem mais nem menos?
É claramente uma estratégia de manipulação semântica, que beira o amadorismo.
Enfim, essa evidência mostra que talvez Russell tenha estudado os outros argumentos (eu duvido), mas e em relação à esse? Talvez ele tenha tomado emprestado versões espantalho já praticadas por outros adeptos da anti-religião. Como cético, temos que questionar, naturalmente, e Russell nem de longe provou que estudou tal argumento, pois cometeu erros imperdoáveis. Talvez ele tenha estudado, mas não entendido. Em qualquer situação, o ceticismo é mantido e a acusação que fiz, de que a declaração de Russell ter estudado todos os argumentos é uma anedota, segue incólume.
Comentários adicionais de Aurélio
- Aurélio diz que Russell “não afirmou em nenhum momento que “Não há Deus” na entrevista”. O problema é que Aurélio teria que jogar fora a frase em que Russel diz “não pode haver razão prática para acreditar no que não é verdade”. Detalhe: o que estava sendo discutida era a crença em Deus. Aurélio tenta salvar a pele de Russell dizendo que “em várias obras que leu, ele nunca afirmou tal coisa’. Capaz. Só que Russell estava em uma entrevista, na qual ele poderia ter cometido o ato falho de dizer que acha que Deus não existe.
- Curiosamente, Aurélio em seguida diz que dou uma “intepretação duvidosa”. Estranhamente, em seguida, Aurélio diz o seguinte: “Concordo com Luciano que Russell não deveria ter dito isso, vide que, de fato, parte do ônus da prova passa a ser do próprio Russell, que deveria ter de demonstrar para o quê exatamente atribuiu o adjetivo ‘falso’.” Mas se ele concorda comigo que ele não deveria ter dito isso, então ele concorda que ao menos um equívoco ocorreu por parte de Russell. Foi esse equívoco o que apontei.
- Ele ainda segue dizendo o seguinte: “Caso Russell tenha utilizado o termo ‘falso’ para se referir aos argumentos acerca da existência de Deus – embora saibamos que, dum ponto de vista mais técnico, se este é o caso, deveria ter usado o termo ‘inválido’ –, então não há qualquer contradição aqui.” Só que Aurélio fugiu do assunto real, pois o que estava sendo discutida era a crença em Deus, e não argumentos específicos a favor da existência de Deus. A defesa de Aurélio só seria válida se a repórter tivesse perguntado a respeito de alguns argumentos específicos que fossem inválidos. Dessa forma, Aurélio tentou inocentar Russell da contradição cometida, mas não conseguiu.
- Quando eu falei a respeito de contradição entre a frase de Russell (“não se deve acreditar em algo por sua utilidade, apenas”) e o epicurismo, Aurélio diz que eu deturpo o pensamento russelliano. Só que ele não demonstra como eu faria tal deturpação. Mas, em todo caso, toda a obra “A Conquista da Felicidade” é baseada no paradigma epicurista (ex. “o que importa é buscar o prazer e fugir da dor”). Russell ainda lançou “The Philosophy of Logical Atomism”, em que levaria as idéias de Epicuro ao paroxismo. Estranho é alguém duvidar de que Russell e Epicuro tinham muita coisa em comum.
- Aurélio, em seguida diz que eu estaria “provavelmente me referindo às crença de âmbito moral, e não filosóficas ou científicas”, dizendo que eu “deveria ter dito crenças morais”, mas em todas as tentativas de imaginar como penso Aurélio fantasiou. Curiosamente, mesmo com tanto delírio da parte dele, Aurélio ainda conclui com “é falta de técnica, Luciano?”. Se é falta de técnica minha, não sei, mas que é falta de ceticismo por parte de Aurélio, isso é um fato.
- Aurélio desafia: “Se Luciano quiser conhecer as posições russellianas sobre a moral judaica-cristã e de outras religiões em que ele alegou ver malefícios, recorra às obras já supramencionadas”. Como já visto, eu citei uma delas, e o resultado não foi nada favorável ao “caso” de Aurélio.
- Para defender uma das idéias de Russell, Aurélio diz, sobre um ateu: “um mesmo ateu pode defender os valores que herdara da tradição judaico-cristã sob à luz unicamente da razão”. Que é possível ele trazer os valores, eu concordo, mas daí a dizer que seria “à luz unicamente da razão” é uma alegação sem evidências. Geralmente, basta desafiar um alegador a dizer que chegou aos valores morais e mensurar a “razão” mensurada (em contraposição à “razão” alegada), que normalmente a coisa não sai da evidência anedota. Em suma, se um ateu tiver os mesmos valores que um religioso, isso não comprova que ele chegou “lá” por mais ou menos razão que um religioso.
- Mais de Aurélio, a la Russell: “Abandonamos, portanto, esse conjunto de superstição antiga na qual os valores clássicos se baseavam: não precisamos desses mitos teológicos antigos”. Engraçado Russell (em versão emulada por Aurélio) tratar a questão por “necessidade”, sendo que antes ele falou que as crenças não deveriam ser avaliadas na questão da “utilidade”. Como eu falei, não é preciso muito para ele entrar em contradição com ele próprio.
- Aurélio ainda cita as supostas “barbáries” da religião e aponta até “permissividade para escravizar índios e negros”. Quanto a isso, eu recomendo o livro “O Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. Em relação “judeus mortos em Cruzadas” ou “maioria de guerras serem de origem religiosa entre Inglaterra e França”, é o tradicional exagero dawkinista de tentar dizer que várias guerras ocorreram POR CAUSA da religião, mas sem nenhuma demonstração efetiva disto.
- Ele ainda diz que seria possível viver sob os valores judaico-cristãos, dizendo “não precisamos de sua teologia, vide que podemos fundamentá-los na razão”. O engraçado é que quando se exigem as alegações deles (de maior uso da “razão” na sustentação de seus valores), eles costumam fugir para a casinha. Em suma, de novo, não provou que um ateu, ao usar os valores judaicos-cristãos, usa a razão em maior quantidade que os não-ateus.
- Mais evidência anedota, sobre Russell: “Abandonar a superstição que os sustenta é uma coisa, abandonar tais valores, é outra. Russell preferiu a primeira opção ao invés da segunda”. Estranho, pois se ele assumiu marxismo no futuro, ele não aceitou de todo os valores judaico-cristãos, principalmente o direito à propriedade. Detalhes…
- Aurélio tenta defender a repórter, dizendo que ela concorda com a máxima de Políbio: “a religião serve como uma espécie de controle social”. O que é apenas um clichê usado futuramente por marxistas, mas nem de longe um argumento comprovado. Mas ele ainda defende Políbio: “não só Políbio convergiu para a mesma conclusão, mas quantos ao longo da cultura universal o fizeram?”, o que é uma falácia ad populum. Dá para supor que a quase totalidade dos marxistas concordem com esse discurso de Políbio, pois virou clichê de propaganda marxista. Mais divertido é quando Aurélio diz: “Luciano se surpreenderia com o número de grandes pensadores que, desde tempos imemoriais, concluíram que a religião encabresta, em grande parte pelo medo que impõem”. Não, eu não me surpreenderia. O difícil será dizer que são “grandes” pensadores, pois frases de efeito não servem como boa argumentação, e tal discurso não passa de frase de efeito. Depois de conhecer a Estratégia Gramsciana, nada me surpreende.
- Aurélio tenta inocentar Russell da acusação de esquerdismo e anti-americanismo, dizendo: “A comparação não é válida, pois muito antes de Russell ter lido uma linha de Marx (ele refutou algumas posições do materialismo dialético em sua História da Filosofia), ele já tinha posições muito independentes de qualquer conclusão marxista anti-religiosa.” Aurélio erra, pois não estou julgando aqui o que Russell pensava, e sim o que ele ESCREVEU quando começou a pregar contra a religião. Nessa fase, sim, Russell já tinha conhecido Marx.
- Ele ainda tenta salvar a pele de Russell dizendo que ele criticou Lênin. Ué, criticar uma implementação de Lênin até Gramsci já fez. O que não mostra desalinhamento com marxismo, pelo contrário. E sim a busca de uma implementação mais abrangente do mesmo. E mais perigosa.
- Essa parte aqui é bizarra: “Sim, Russell era socialista, mas não um ‘esquerdista’ desonesto”. Difícil saber quais parâmetros Aurélio usou para definir honestidade que não seu gosto pessoal por Russell.
- Esse rodeio de Aurélio é estranhíssimo, pois quando foi perguntado se o ateísmo traria mais “força”, Russell respondeu que “estava apenas engajado na busca do conhecimento”. Eu mostrei que a alegação era apenas, de novo, anedota. Aurélio protesta: “Dizer isso sobre alguém do calibre intelectual de Russell é um ato sórdido, que beira à puriedade. Russell foi, ao longo de quase seus 100 anos de vida, um dos maiores intelectuais do século XX”. Está aí um belíssimo exemplo de Red Herring. Eu estava comentando a postura de Russell em UMA QUESTÃO EM ESPECÍFICO (ateísmo como “força”), e Aurélio tentou falar da vida intelectual de Russell no geral, o que é no mínimo um ato desesperado. Ora, se Russell produziu algo de bom intelectualmente, isso não o salva de ter usado um argumento ruim para responder à repórter. E também não demosntra que NESSA QUESTÃO ele estava “em busca do conhecimento”.
- Aurélio diz que Russell é “um polímata: matemático, lógico, exímio escritor (Nobel de Literatura, em 1950), ensaísta, moralista, historiador e comentador político”. A pergunta: no que isso salva Russell dos erros lógicos cometidos na questão específica de seus argumentos contra a religião? Resposta: nada.
- Engraçado também foi, depois dessa ladainha, Aurélio afirmar: “Quem é Luciano?”. Será que ele está apelando ao famoso argumento infantil de dizer que alguém só pode criticar Russell depois de ganhar um prêmio Nobel? Não sei se é preciso, pois sem prêmios Nobel eu já mostrei a falta de lógica e racionalidade nas alegações russellianas. Imaginem se eu tivesse um Nobel então (risos).
- Já apelando à platéia, Aurélio diz: “O intento de Luciano, evidentemente claro, foi denegrir a imagem do grande intelectual inglês”. Não, não foi. Eu apontei os erros lógicos de Russell em uma declaração específica. Pouco me importa a pessoa do Russell.
- Momento espetacularmente cômico: “Você quer enfrentar o legado russelliano em qual frente, Luciano? O do Russell dos Principhia Mathematica, a maior contribuição às lógicas no século XX? O do Russell filósofo e historiador da filosofia? O do Russell ensaísta e crítico das superstições populares? O do Russell escritor, ganhador do Nobel em 1950? Vai precisar sair da crítica de entrevista de televisão e recorrer a assuntos mais técnicos nos quais, evidentemente, sua competência é duvidosa. Pode começar pela ‘The Bertrand Russell Society’.” Não. Eu só quero refutar o Bertrand Russell nas declarações anti-religiosas dele. Principalmente as que forem irracionais. O resto não me importa.
Conclusão
Está aí um exemplo de como um ateu, que até escreve bons textos por vezes, perde completamente a estribeira quando um ídolo seu é criticado. É importante que ele aprenda (até para evitar decepções), que nenhum intelectual é infalível. Reconheço que Russell pode ter produzido algum material bom, mas isso não o impede de realizar um argumento esdrúxulo e por vezes aparentar bastante ingenuidade. Os outros dois textos que citei aqui, envolvendo Russell, mostram isso. Tentar apelar à crença na honestidade de Russell, ou simplesmente acreditar em tudo que ele diz, independente de julgamento, não é a melhor forma de defender um argumento ceticamente. O que me surpreende, já que Aurélio discutia sobre ceticismo há muito tempo, e defendia o paradigma de James Randi. Hoje, para defender Russell, ele é obrigado a abandonar grande parte de seu ceticismo. Sua tentativa de defender Russell é prejudicada justamente por ser uma análise desprovida de ceticismo. Para mais detalhes, este texto explica como o ceticismo não convive bem com neo ateísmo.
O que é a postura agnóstica para debates?

Não raro eu sou questionado a respeito da postura agnóstica em debates, mesmo com o fato de eu ser teísta de orientação católica.
Já vi neo ateísta chamando essa atitude de hipocrisia, o que, é claro, uma tremenda injustiça, e principalmente ignorância.
Ignorância, no caso, a respeito do que é um debate e do que é o ceticismo.
É natural, por exemplo, assumir posturas em um debate, principalmente quando o interesse é motivar a discussão adiante. O ceticismo, por sua vez, é melhor executado quando alguém questiona uma alegação da outra parte, e não quando duas partes com propostas opostas são apresentadas ao mesmo tempo.
Para demonstrar como é perfeitamente normal adotar posturas de debate, eu vou transcender a questão para a existência de vida alienígena.
Embora em termos práticos duas opções principais sejam explícitas (1 – acredito em vida alienígena, 2 – não acredito em vida alienígena), é possível a postura de dúvida, ou, melhor dizendo, suspensão de juízo. É a famosa coluna do meio.
Eu praticamente não acredito que existam os “coluna do meio” em qualquer coisa, mas utilizar tal postura em um debate é conveniente até para estimular a discussão e evitar perda de foco.
A principal perda de foco que poderia ocorrer é tratar de duas alegações simultaneamente. Mas quando um dos debatedores assume oficialmente (mesmo que não interiormente) uma postura de dúvida, a outra parte terá então que definir se quer levar adiante ou não sua alegação.
No suposto debate entre crédulo e cético em vida alienígena, teríamos uma pessoa que teria que trazer evidências de vida alienígena, e outro que teria que trazer evidências de que não há vida alienígena.
Obviamente, isso configuraria perda de foco, principalmente pelo motivo de que cada alegação teria que ser solidificada por evidências, e cada evidência teria que ser avaliada. Daí para perder o foco é um pulo. Além do mais, o tempo gasto tende a ser excessivo.
Ao invés disso, mantemos uma alegação só, sob discussão, sendo justamente a da parte que quer vender a idéia. No caso, um alegador que diz que a vida alienígena existe OU daquele que diz que a vida alienígena não existe. A segunda parte no debate seria então o cético, que suspenderia o juízo, e assumiria a postura neutra, para então avaliar as alegações de quem afirma existir ou não a vida alienígena.
A mesma coisa vale aqui.
Como optei por investigar as alegações neo ateístas, eu não vou focar em tentar provar a existência de Deus em um debate, mesmo que nele eu acredite. Mais do que isso: eu SEI que Deus existe.
No debate, no entanto, até para não prejudicar a investigação, eu assumo a postura de dúvida, que no caso é o agnosticismo absoluto. A partir daí julgarei a alegação de quem diz que Deus não existe.
E quanto a provar que Deus existe? No máximo eu recomendo as leituras de São Tomás de Aquino e William Lane Craig.
Executo isso como um teste de interesse da outra parte. Se a outra parte não estiver disposto a conhecer tais obras e discuti-las, por que eu deveira me importar com essas pessoas?
Como até agora não encontrei neo ateus interessados em discutir a questão de Deus a sério, simplesmente eu assumi INTERESSE ZERO em provar a existência de Deus para elas.
Neste caso, para os debates que participo, geralmente com neo ateus,a perspectiva que uso é agnóstica.
Notem que é totalmente diferente de eu ser agnóstico. Realmente no passado eu já fui agnóstico, mas atualmente eu não mantenho tal ponto de vista.
O agnosticismo em debates é diferente, obviamente, do agnostismo do dia-a-dia.
Esse agnosticismo em debates traz vários benefícios, dos quais o principal deles, como já disse, é a diminuição do risco da perda de foco.
Se assumo a perspectiva agnóstica no debate isso significa que um oponente não pode “brecar” o debate dizendo “então me prove a existência de Deus”.
Isso é importante, pois já presenciei vários debates sobre vários assuntos diferenciados (e não diretamente relacionados à existência de Deus) em que o neo ateu tentou “parar” o debate.
O curioso é que isso ocorria em muitas situações em que a existência de Deus não estava sob discussão. Como exemplos:
- religião aumenta ou não incidência de violência?
- religião envolve fé cega ou não?
- religião resulta em homens bomba em maior proporção que ausência de religião ou não?
E daí por diante. Como já dito, cada uma dessas discussões é independente da discussão da existência de Deus.
Curiosamente, muitos neo ateus, quando encurralados e sem provas, apelam para “aha, então me prove que Deus existe”, sendo que isso às vezes não tem nada a ver com a discussão.
Para evitar que ele use esse recurso, basta dizer que “neste debate, me veja como agnóstico”.
Isso resolve a maioria dos problemas, e faz com que ele enfrente a seguinte situação: ou ele prova suas alegações ou não prova.
O segundo benefício é que isso automaticamente evita qualquer acusação de proselitismo que o neo ateu tente fazer.
Normalmente costumo deixar claro para ele que se ele quiser apresentar argumentos contra Deus, que o faça, pois eu no máximo o mandarei estudar as obras citadas.
Um terceiro benefício é que a discussão vai testar quem está mais interessado em convencer o outro.
Normalmente, eu mostro que não estou minimamente interessado na conversão dele, ao passo que, se ele desejar, deverá vender a idéia dele para mim (e para o público).
Claro que algum neo ateu mais malicioso poderá dizer que eu não tive “coragem” de declarar minha crença.
Mas como não, se eu de imediato digo que sou católico? Ou seja, eu AFIRMO minha escolha pessoal.
O que não implica que em todos os debates que eu faça eu tenha que sair defendendo a existência de Deus, principalmente diante de um adversário suspeito (lembre-se que eu posso aplicar o teste de interesse).
O agnosticismo de uma das partes no debate abre a oportunidade para que a outra parte possa elaborar livremente o seu caso, e que a partir daí então a análise seja feita de início ao fim de toda a proposta apresentada, incluindo-se aí toda investigação necessária tanto das evidências apresentadas como do argumento em si.
É uma postura também que irá obrigar muitos neo ateus a saírem de sua zona de conforto e então realizarem a apresentação de sua proposta, ao invés de apenas seguir atacando a crença do outro.
É como eu sempre digo. Se os neo ateus se incomodam tanto com a crença religiosa, eles que corram atrás.
Que sejam avaliados.
A ausência de senso crítico dos dawkinistas na avaliação de Russell
Em homenagem aos 40 anos da morte de Bertrand Russell, o blog da LiHS, Bule Voador, segue com manifestações de idolatria (injustificada) em relação a ele. A última delas foi postar um vídeo mostrando uma declaração de Russell à uma jornalista, em 1959.
Segue uma análise cética do vídeo:
0:19 – Russell responde que “não vê” nenhuma evidência para os dogmas cristãos. Evidentemente é uma falácia da incredulidade pessoal. Obviamente, a pergunta foi “Por que você não é cristão?”, portanto há um atenuante para Russell. Nos próximos pontos, não há atenuante algum.
0:22 - Ele disse que “examinou todos os argumentos disponíveis” para a existência de Deus, o que é evidência anedota. Ele conclui dizendo que “nenhum deles” parece ser logicamente válido para ele. Aqui, a falta de especificação é suficiente para comprometer seu discurso.
0:38 – Ele afirma que NÃO PODE (friso no “Não pode”) “haver razão prática para acreditar no que não é verdade”, no caso a existência de Deus. Se ele afirma que não é verdade, então ele está certo da inexistência de Deus. Dessa forma, caberia a ele provar a inexistência (lembremos: o ônus da prova é do alegador).
0:46 - Ele ainda diz “se é verdade, você deve acreditar, se não é você não deve”, concluindo com “se você não pode descobrir se é verdade ou não, você deve suspender o juízo”, mas ele entra em contradição com que disse na declaração anterior, em que ele afirma que não se pode acreditar no que NÃO É verdade. Portanto, ele não suspendeu juízo algum. Notem que não é preciso menos que 1 minuto de prosa para ele se complicar.
1:07 – Ele diz que é desonestidade intelectual “ter uma crença por que pensa que ela é útil e não porque pensa que é verdadeira”. Nisso eu concordo com ele. O problema é que o paradigma de Russell é completamente sustentado pelo paradigma de Epicuro, que defende que as crenças devam ser aceitas por conveniência, e não por seu valor de verdade. Russell não estava particularmente bem nesse dia ou ele era sempre ilógico assim? Aposto na segunda opção.
1:26 – Quando a jornalista lhe pergunta a respeito de alguns cristãos que acham que não existiria código de conduta sem a religião, Russell diz: “Essas regras são geralmente equivocadas, e muitas vezes fazem mais mal do que bem”. Novamente, ele é falho por não ser específico em quais equívocos, embora possamos suspeitar que é basicamente a chorumela que Dawkins tentou. Clique aqui para ver as refutações de Dawkins a argumentos para a existência de Deus (são os itens 3.1 a 3.7 das refutações a “Deus, Um Delírio”).
1:39 – Russell prossegue dizendo que as pessoas “provavelmente conseguiriam uma moralidade racional pela qual viver, se abandonassem essas moralidade irracionais e tradicionais de tabu que vieram de eras selvagens”. Mais uma afirmação sem evidências, naturalmente, e uma teoria que é falseada com o exemplo de países que fizeram o “abandono” de tal moralidade (ex. Rússia, China).
1:58 – Que a repórter é burra demais, e quase retardada, isso muitos concordariam, pois ela diz que as pessoas “precisam ter algo externo que seja imposto sobre elas”, e sem isso não teriam tanta “força moral” quanto Russell. Ou seja, ela assume que as besteiras de Russell são válidas. O engraçado é quando ele diz: “não acho que isso seja verdade, o que é imposto externamente não tem nenhum valor, não conta”. Divertido, pois quando entramos em uma organização, existem várias regras impostas externamente a nós. Se formos viver no paradigma de Russell, simplesmente não sobreviveríamos em organização alguma. Detalhes…
2:15 – Quando perguntado sobre quando ele decidiu não mais ser um religioso, ele segue: “Eu nunca decidi que não queria continuar um crente. Eu decidi, entre 15 e 18 anos de idade, gastar quase todo o meu tempo livre pensando sobre os dogmas cristãos e tentando descobrir se havia razão para acreditar neles. E quando eu tinha 18 anos eu descartei o último deles.”, O duro é que ele não conseguiu especificar nenhum. Curiosamente, os “argumentos” que Russell diz ter descartado eram apenas versões espantalho (como os que referenciei acima, na versão de Dawkins), o que provavelmente sugere outro fator para o descarte (ex. marxismo). O marxista assume, a princípio, que a religião é má, e depois sairá difamando-a e inventando versões espantalhos da mesma para negar tais espantalhos. Há fortes evidências de tal postura de Russell, inclusive quando ele assumiu militância esquerdista e de anti-americanismo.
2:40 – Quando perguntado sobre se o ateísmo lhe traria mais “força” (confesso que foi uma pergunta idiota da repórter), ele diz “estava apenas engajado na busca do conhecimento”, mas isso é uma declaração que serve para qualquer coisa. Qualquer um pode dizer que “buscou conhecimento”, só que isso não torna a alegação verdadeira.
3:22 – A repórter pergunta-lhe sobre ateus e agnósticos que se converteram no leito de morte. Ele diz: “Bem, não é nem um pouco tão frequente quanto pensam os religiosos, porque os religiosos, a maioria deles, pensam que é um ato virtuoso mentir sobre os leitos de morte dos agnósticos e etc. Na verdade, não acontece com tanta frequência”. Como sempre, só sandices, pois ele não mencionou a “frequência” para definir que seria menor do que a frequência apontada por alguns relgiosos, que ele define como “maioria”, mas não atribui novamente o número. E mesmo que alguns religiosos estivessem enganados quanto a isso, raramente eles afirmam que é uma virtude mentir. Ele assume que se alguém deu uma informação falsa, que automaticamente essa pessoa assume que é uma “virtude” executar uma mentira, o que é uma ampliação indevida grotesca dele.
Três análises foram feitas para avaliar o senso crítico de neo ateus. A primeira foi na comunidade do Orkut “Richard Dawkins Brasil”, do Orkut, em que todas as amostras pós-publicação endossaram o vídeo por completo, mesmo com todos os erros lógicos demonstrados acima. As duas outras análises foram feitas utilizando-se da seção de comentários do blog da LiHS, Bule Voador.
Avaliação 1 – Testemunhos na comunidade “Richard Dawkins Brasil”
Na “Richard Dawkins Brasil”, os 7 “ratos de laboratório”, neste experimento, deram sua declaração:
- Juarez: “Valeu pelo vídeo. Que o Grande Bule de Chá te abençoe.”
- Renato: “Aplausos para o grande herege!”
- Adriana: “Sereno, tranquilo, seguro…Ele, nesse vídeo, é um exemplo do que a velhice (maturidade, como gostam hoje) deveria ser para todos. Um período de servir de exemplo, de ser referência, de ser porto. Não um período de “aproveitar o que não aproveitei”, de “a idade está na cabeça” e outras fugas que alguns utilizam quando se veem velhos e vazios… (Viajei!!!).”
- William: “Aplausos para o grande herege! [2] Esse foi o cara.”
- Roberto: “”Aplausos para o grande herege!”[3]“
- Vinícius: “Um dos melhores conjuntos de todos os conjuntos que se contêm a si próprios como membro.”
- Avelino: “Uma aula de consciência e razão.”
Resultado: 100% de aprovação.
Avaliação 2 – Testemunhos no blog da LiHS, Bule Voador
Conforme pode ser visto nesta matéria deles (onde o vídeo foi citado a primeira vez), seguem os testemunhos dos adeptos, na seção de comentários:
- Marcelo Druyan: “Show de bola!”
- Raphael Bastos: “Fantástico!”
- Catupiry: “Video sensacional. Conversão de ateus no leito de morte é uma mentira que os religiosos adoram contar uhauhahuahuahua”
- Francisco Maxilimiano da Silva: “Russel mandou bem! Mas para os convictos (fazer o que) ele deve ter falado grego. A entrevistadora (não sei se inferi corretamente) me pareceu estranhar, não aceitar de todo, ou não compreender os argumentos de Russel. Mas enfim, posso estar enganado.”
- D. Prado: “Valeu Bule!!! Adorei o Vídeo”
- Gerson B.: “Lógica simples e elegante! Valeu!”
- A. Rodrigues: “A propósito da conversão na hora da morte: Um ateu estava agonizando e a esposa, que era evangélica, mandou chamar um pastor evangélico para o confortar na morte. Então ele pediu que chamassem também um padre católico e queria um de cada lado da cama. Quando estavam os dois, um de cada lado, o homem disse: “Agora sim já posso morrer, como morreu Jesus Cristo, entre dois ladrões.”
Resultado: 100% de aprovação.
Avaliação 3 – Testemunhos no blog da LiHS, Bule Voador, a respeito de um texto similar
Como se as duas amostras acima não fossem suficientes, vocês se lembram do texto anterior (publicado aqui), que mostrava várias babadas de Russell? No blog Bule Voador, também ocorreu apoio unânime.
- Marcelo Druyan: “Fantástico!”
- catupiry: “Eu preciso ler mais Russell… To com o “Ensaios Céticos” e “No que Acredito” em casa. Acho que começo hoje.”
- José Netto: “Fantástico! [2]“
- Junior: “Ótimo artigo. Vou procurar mais sobre Russel.”
- Homero: “Obrigado ao Bule por lembrar deste que foi um de meus ídolos na juventude (na verdade ainda é, claro, mas comecei a ter contato com as idéias dele muito tempo atrás). Uma mente poderosa, e um ser humano fantástico. Parabéns..:-)”
- jorge: “ESSE É O CARA!”
Resultado: 100% de aprovação.
Conclusão
Mesmo que seja um texto completamente irracional (assim como o vídeo), recheado de falácias, evidências anedota, distorções e erística, o neo ateu irá aceitar o texto sem qualquer senso crítico. Isso ajuda a refutar a idéia que eles inventaram, de que o religioso aceita as coisas sem questionamento. Pelo contrário, há religiosos que criticam os religiosos radicais e fundamentalistas, e até falaciosos. Entre os ateus, é possível que exista algum deles que critique textos irracionais de Richard Dawkins, Bertrand Russell e patota. Entretanto, entre os neo ateus, como todas as amostragens evidenciaram, NÃO HÁ nenhum senso crítico deles para o aceite de idéias, como foi visto em 100% das amostras. O que gente como Russell e Dawkins disser, para eles, receberá apoio irrestrito. Não deixa de ser irônico ver que, em momentos que eles alegam serem os “portadores da razão”, temos exemplos de que eles agem instintivamente, sem nenhum traço de racionalidade. É muito mais fácil, usando de retórica e PNL, enganar um neo ateu do que enganar um religioso.
Pérolas da LiHS II – As babadas de Bertrand Russell

Alguns neo ateus afirmam que se você acha Richard Dawkins radical, é só consultar a fonte, que seria Bertrand Russell, para ver visões semelhantes mas com menos radicalismo.
Seja lá como for, o blog Bule Voador, da LiHS, neo ateísta até a medula, divulgou algumas citações de Bertrand Russell (parece que eles estão comemorando os 40 anos da morte dele).
E o nível (ao menos dessas citações) é similar ao de Dawkins, ou seja, nenhum. É sempre a mesma conversinha, misturada com induções PNL, auto-ajuda, erística, distorções e falácias. Não há um traço de racionalidade, ao menos nesses itens cá citados.
Citação 1: “Acredito que quando morrer apodrecerei e nada do meu ego sobreviverá.[1] Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenharia estremecer de pavor diante do pensamento da aniquilação. A felicidade não deixa de ser verdadeira porque deve necessariamente chegar a um fim; tampouco o pensamento e o amor perdem seu valor por não serem eternos. [2] Muitos homens preservam o orgulho ante o cadafalso; decerto o mesmo orgulho deveria nos ensinar a pensar verdadeiramente sobre o lugar do homem no mundo. [3] Ainda que as janelas abertas da ciência a princípio nos façam tiritar, depois do tépido e confortável ambiente familiar de nossos mitos humanizadores tradicionais, ao fim o ar puro nos confere vitalidade, e ademais os grandes espaços têm seu próprio esplendor.” [4] (What I Believe [No que acredito] – 1925.)
1 – Aqui, ao invés de usar o ceticismo, ele afirma uma certeza. Não há questionamento, e sim uma fé na idéia de que nada do ego dele sobreviverá.
2 – Estranho, pois agora ele duela com um inimigo imaginário, no caso um religioso que teria afirmado que felicidade seria falsa ou que pensamento e amor não teriam valor caso não fossem eternos. Em suma, ele viajou na maionese.
3 – Notaram o raciocínio de guru? Ele e a turma dele pensam “verdadeiramente” sobre o lugar do homem no mundo. Argumentos para isso? Nenhum.
4 – Isso aqui não passa de um conjunto de frases de efeito, totalmente emocionais, mas sem dizer nada de concreto.
Citação 2: “Toda infelicidade depende de algum tipo de desintegração ou falta de integração; há desintegração interna do eu através da falta de coordenação entre a mente consciente e a mente inconsciente; há falta de integração entre o eu e a sociedade quando ambos não se unem pela força de interesses objetivos e afeições em comum.[1] O homem feliz é aquele que não sofre de qualquer uma dessas falhas de unicidade, cuja personalidade não é nem dividida contra si mesma nem atirada contra o mundo. [2] Tal homem sente-se um cidadão do universo, desfrutando livremente o espetáculo que o universo oferece e as alegrias que proporciona, imperturbável pelo pensamento da morte porque não se sente realmente separado daqueles que virão depois de si. [3] É nesta profunda união instintiva com a fluxo da vida que a maior felicidade é encontrada. [4]” (The Conquest of Happiness [A Conquista da Felicidade] – 1930.)
1 – Estranho, pois para alguém faminto, a felicidade é um pedaço de pão com presunto e queijo, por exemplo. Alguém poderia dizer que isso é felicidade momentânea, e não felicidade “global”. Tudo bem, só que neste caso ele cria um novo conceito de infelicidade, que envolve, por exemplo, gostar de algo que a maioria não gosta.
2 – A definição de “homem feliz” dele é uma das coisas mais ridículas e simplórias possíveis. Dá no mesmo que dizer que o homem feliz é aquele que não sofre de apreços desajustados por itens não-objetivamente avaliados e não-definidos por consenso. Claro que o que eu disse foi apenas uma frase inventada de última hora, nonsense, mas tem a mesma valia argumentativa que a de Russell.
3 – Notaram aqui a despersonalização do indivíduo? Claro fruto das ideologias marxistas que ele amava.
4 – Ele se contenta com pouco na hora de definir aonde será encontrada a maior felicidade. Talvez dizer coisas como essa seja a maior felicidade para ele.
Citação 3: “Algumas pessoas idosas se afligem com o medo da morte. Nos jovens há uma justificativa para este sentimento. Rapazes que têm motivos para temer que serão mortos em batalha podem justificavelmente padecer no pensamento de que foram privados das melhores coisas que a vida pode oferecer. Mas num homem idoso que conheceu as alegrias e mágoas humanas, e que atingiu alguma obra que estivesse propenso a realizar, o medo da morte é algo abjeto e ignóbil. A melhor maneira de superá-lo – ao menos assim me parece ser – é tornar seus interesses gradualmente cada vez mais amplos e mais impessoais, até que pouco a pouco os muros do ego se afastem, e sua vida se torne crescentemente fundida à vida universal.
A existência de um indivíduo deve ser como um rio – pequeno no começo, estreitamente contido em suas margens, e correndo apaixonadamente através de pedregulhos e quedas. Gradualmente o rio se alarga, as margens se afastam, as águas correm mais calmas, e no fim, sem uma quebra visível, as águas misturam-se com o mar; e sem dor perdem sua individualidade. O homem que, na idade avançada, pode ver sua vida dessa forma, não sofrerá com o medo da morte, pois o que é importante para ele continuará.
E se, enquanto a vitalidade decai, o cansaço cresce, a ideia de descansar será bem-vinda. Devo desejar morrer enquanto ainda trabalho, sabendo que outros continuarão o que não mais posso fazer, e satisfeito com o pensamento de que o que era possível foi feito.”
(How to Grow Old [Como Envelhecer], em Portraits From Memory And Other Essays [Retratos da Memória e Outros Ensaios] – 1956.)
Aqui é puramente discurso de auto-ajuda, sem validade argumentativa.
Citação 4: “Não são argumentos racionais, mas emoções, que causam a crença numa vida futura [após a morte]. [1] A mais importante dessas emoções é o medo da morte, que é instintivo e biologicamente útil. [2] Se nós acreditássemos genuina e sinceramente na vida futura, deveríamos parar completamente de ter medo da morte. [3] Os efeitos seriam curiosos, e provavelmente seriam tais que a maioria de nós deploraria. Mas nossos ancestrais humanos e sub-humanos lutaram e exterminaram seus inimigos através de muitas eras geológicas e foram beneficiados pela coragem; é portanto uma vantagem para os vencedores da luta pela existência a capacidade de ocasionalmente superar o medo natural da morte. [4] Entre animais e selvagens, a belicosidade instintiva é suficiente para este propósito; mas num certo estágio de desenvolvimento, como os maometanos provaram pela primeira vez, a crença no Paraíso tem valor militar considerável para reforçar a belicosidade natural. [5] Devemos, portanto, admitir que os militaristas são sábios ao encorajar a crença na imortalidade, sempre supondo que esta crença não se torne tão profunda ao ponto de produzir indiferença para com as questões mundanas.”[6] (Do We Survive Death? [Sobrevivemos à Morte?] em Why I Am Not a Christian [Por que não sou cristão] – 1957.)
1 – Não deixa de ser divertido ver um ateu dizendo os MOTIVOS pelos quais existiria a crença na vida após a morte. O difícil, claro, é ele conseguir provar.
2 – Engraçado é que cientificamente ele está distante de provar isso.
3 – Esse é um erro que nem o Richard Dawkins cometeu. Dawkins lembrou que alguém, mesmo que acredite na vida após a morte, pode ter medo da sensação de morrer. Russell não aventa nem essa possibilidade.
4 – Detalhe que ele não provou que os que acreditam em crença numa vida após a morte teriam mais medo da morte que ele.
5 – Como sempre, alegação sem evidências. Mas deu para notar de onde Dawkins tirou as idéias para praticamente dizer que para ser homem bomba é preciso ser religioso.
6 – Isso é o estratagema do falso motivo. Ele inventa que os militares encorajam a crença na imortalidade, para se aproveitarem dos soldados. O problema é que a tese mostrando que religiosos possuem medo da morte quebra essa alegação do Russell.
Citação 5: “Desejo que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas sejam espalhadas e desejo que não haja qualquer cerimônia fúnebre.”
(Testamento datado de 18 de novembro de 1966.)
Estranho é isso ter sido mencionado como uma “citação” relevante lá no Bule Voador. Pergunta: qual a relevância dessa citação?
Citação 6: “Contaram-me [1] que os chineses disseram que me enterrariam próximo ao Lago Ocidental e construiriam um templo em memória a mim. Tenho um leve arrependimento de que isto não tenha acontecido [2], pois eu poderia ter me tornado um deus [3], o que teria sido muito chique para um ateu.” (The Autobiography of Bertrand Russell [A Autobiografia de Bertrand Russell] – 1968.)
1 – Engraçado é que um pessoal “contou” a ele… e ele ACREDITOU!
2 – Ele não tem do que se arrepender, pois é uma história anedota. Além do mais, é um ato feito por outros, e não ele. Ninguém se arrepende por atos de terceiros…
3 – Ou seja, templo em memória de alguém elevaria esse alguém à condição de Deus. Isso é coisa que um intelectual escreva?
4 – Ué, Deus seria chique? Hm, Dawkins não teria aprovado essa.
Citação 7: “É duro ter que deixar este belo mundo.” (Janeiro de 1970, poucas semanas antes de morrer.)
Quer dizer, para Russell ter medo da morte não pode, mas ter pesar por deixar o “belo mundo” pode.
Agravante: Mesmo recheado de frases de efeito, argumentos esdrúxulos, auto-ajuda para domésticas e crenças cegas, a totalidade dos participantes do Bule Voador afirmou que as declarações de Russell são IRRETOCÁVEIS (ou coisa do tipo). Sinal de que senso crítico anda em falta para os neo ateus. Mais um motivo para a tese apontada aqui neste blog, que diz que para aceitar o neo ateísmo, deve-se jogar o ceticismo na lata do lixo. Russel, aliás, pode ser tudo, menos um cético.
A terrível contradição do neo ateu: abandono do ceticismo

Eu me lembro de alguns atuais neo ateus e a postura anterior de alguns deles, há uns 8 anos atrás, quando resolvi participar de alguns debates na Internet.
Foi nessa época que eu participei de alguns embates com alguns céticos que, curiosamente, hoje vestem a camisa na qual está estampada a mensagem “filhos de Dawkins”.
O que chega a ser surpreendente é a contradição ambulante que tais pessoas se tornaram, pois entram em conflito particular com alguns dos princípios que assumiram, ao menos no passado.
Explico. Originalmente os fóruns da STR e congêneres se dispunham a basicamente uma ação: lutar contra aquilo que chamavam de pseudo-ciência.
Assim, eles se posicionavam contra:
- leitura na borra do café
- quiromancia
- astrologia
- mediunidade
E daí por diante.
Para combater essas pseudociências, eles contavam principalmente com o framework de James Randi (que tratei aqui).
Eles sabiam de cor e salteado o Guia de Falácias, e sabiam quando alguém tentava cometer uma alegação falsa. Estavam prontos a desmascaram qualquer fraude intelectual que vissem pela frente.
E, então, o que aconteceu?
Atualmente, muitos destes antigos céticos resolveram virar neo ateus, talvez empolgados com o sucesso dos livros de Dawkins e patota.
Começam aí então os conflitos que devem ter torturado a mente deles na fase inicial de doutrinação.
Para assumir o ceticismo militante, eles não podiam cometer falácias, e não tolerariam nada que não passasse pelo estrito crivo cético.
Se uma alegação era feita, a respeito de um efeito (por exemplo, homeopatia), logo de imediato seriam solicitadas provas estatísticas e empíricas.
Foi nessa época, inclusive, que me inspirei a aprender o modelo de investigação de James Randi, e adotar o ceticismo para a investigação de alegações em debates. Se há uma área argumentativa na qual eu posso me dizer que me “sinto em casa” hoje, é na investigação de alegações suspeitas.
Ou seja, ironicamente, aprendi boa parte de minhas técnicas com alguns neo ateus (que não eram neo ateus na época, claro) que, hoje, abandonaram o ceticismo e a racionalidade, e optaram pela fé cega.
E é justamente aí que está a terrível contradição que se abate hoje sobre a mente deles.
Richard Dawkins e os outros cavalos do apocalipse efetuaram de tal forma sessões de lavagem cerebral nessa patuléia, que eles passaram a assumir uma porção de paradigmas, que eles passariam a adotar em sua militância. Como exemplo:
1. A religião causa aumento de violência, que não ocorreria em tal proporção sem ela
2. A teoria da evolução deve ser expandida para explicar toda a realidade
3. O religioso é alguém que acredita somente por que lhe orientaram, sem questionar
4. Memes existem
Como se nota, é uma série de alegações que não é diferente de, respectivamente:
5. A homeopatia causa melhoria gradativa do estado de saúde do paciente, em comparação com a alopatia, para X tratamentos
6. A teoria gaia deve ser expandida para explicar todo o comportamento humano
7. O cético é alguém que questiona somente por que tem raiva
8. O espiritismo é válido, e explica por que o ser humano toma determinadas atitudes
Claro que, em uma avaliação cética, os itens de 1 a 4 são exatamente iguais aos itens de 5 a 86 em termos de alegações sem evidências. E ambas as listas podem ser vítimas de um extenso e implacável questionamento cético, tornando a vida do crente nessas idéias algo difícil.
E o que o neo ateu faz? Simplesmente defende os itens e 1 a 4. Ou seja, eles vão na contra-mão de tudo que lhes foi ensinado por James Randi em termos de ceticismo.
E vejam como um cético de verdade trataria os itens de 1 a 4:
1. Se a religião causa aumento de violência, ou as provas estatísticas disso são apresentadas ou não são. E sem as provas, sem validação. Sorry.
2. Para cada área em que a teoria da evolução for expandida, uma grande quantidade de evidências deve ser fornecida, tanto quanto na teoria original. Sem essas evidências, sem chance para as extrapolações.
3. Para saber o comportamento do religioso, como “sem questionamento” para a crença, testes científicos devem ser feitos, para comprovar essa alegação. Infelizmente, hoje o PET SCAN ainda não captura intenções complexas, portanto qualquer alegação nesse sentido é puro chute, e não serve como evidência.
4. Não há evidência de que os memes existam. Os adeptos de tal crença devem isolar os memes e demonstrá-los. Enquanto isso não for feito, os memes não passam de mitos.
O resultado é que eles tornam-se figuras tão ridículas ante os olhos de um questionador religioso cético quanto para eles antigamente eram ridículos os médiuns e as pessoas que faziam leitura na borra de café.
Mas, em nome do novo paradigma, para eles o ceticismo deixa de ser importante, e eles assumem em público uma série de alegações que não podem provar.
O resultado, como se nota, é similar aos grupos extremistas de adeptos da pseudociência: começam a se unir em grupos em que eles ficam sozinhos, e lutam apenas por aprovação de seus pares de militância. Perante um grupo de questionadores céticos independentes, eles podem ser aterrorizados e humilhados.
Terrível para eles será o dia em que for difundido o ceticismo para uso dos religiosos (conforme defendo aqui), nos moldes do que James Randi fazia no passado. Basta um uso básico do framework de investigação “randiano”, juntamente com entendimento dos guias de falácias e checklist de dialética erística, que os argumentos e alegações deles ficam reduzidos a pó.
Fica evidente que o ceticismo não pode caminhar junto com o neo ateísmo. O neo ateísmo implica no aceite de vários paradigmas que não possuem evidências, e o cético não aceita alegações extraordinárias sem evidências.
Mais ainda: o neo ateu precisa ser o oposto de um cético.
Essa é a maior de todas as vulnerabilidades do neo ateísmo, um sistema de pensamento que pode ser destruído unicamente com o uso do ceticismo pela parte adversária.
Falta só os líderes religiosos descobrirem essa jóia preciosa: o ceticismo.
A ilusão materialista

Quando eu tinha uns 13 ou 14 anos, e era ateu, eu achava lindo quando os outros diziam “ah, ele é muito materialista”.
Com o tempo, acostumei a me orgulhar de ser chamado assim, e muito provavelmente a maioria dos neo ateus devem se sentir da mesma forma. Isso, é claro, é uma teoria sobre o comportamento deles, e não uma verdade universal. Mas podemos chegar à essa conclusão olhando a forma como eles lutam para dizer “se não é testável pelo método científico, não existe”. Ora, isso é adoção do materialismo.
Mas será que é materialismo de verdade?
Não, na verdade não é. O materialismo, tal qual o positivismo, é uma vertente de pensamento natimorta, justamente por que possui tantos fatores de incoerência internos que não pode ser levada à frente por alguém que pense neles seriamente.
Na época, eu já ouvia algumas pessoas me dizendo “não, não vá por esse caminho” ou “apoiar positivismo e materialismo, filosoficamente, é igual ter a mãe na zona”. Mesmo assim, eu achava que tudo era muito bonito e me orgulhava quando diziam que eu era “o materialista”.
E, caso faltassem argumentos, bastaria atacar toda filosofia. Ah, essa malvada filosofia, que, se estudada a sério, ridiculariza o materialismo!
Ora, se o estudo de Platão e Aristóteles nos leva a encontrar erros fortes no materialismo, erros estes que jamais foram refutados, por que não ignorá-los? Bastaria apelar a Epicuro, Nietzsche e Rorty que tudo estaria resolvido, não?
É, tecnicamente, como efeito psicológico, até resolvia, desde que eu estivesse debatendo somente com epicuristas e nietzschenianos.
Mas, infelizmente, o mundo não era feito apenas deles (hoje eu digo “ufa, que sorte!”).
Mas quais os problemas que o materialismo causa a si próprio enquanto sistema filosófico?
Eu citarei um só, e um dos problemas mais simplórios, e facilmente visível por qualquer adolescente – ou seja, se o sistema em si já pode ser refutado por um adolescente, é sinal de que boa coisa ele não é.
Esse problema envolve o conjunto de limitações trazidas pelo fato de se tratar tudo que não é material como automaticamente não-existente.
O exemplo claro seria dos nossos pensamentos. Para conseguirmos raciocinar, precisamos trabalhar em cima de pensamentos nossos, e portanto precisamos acreditar que eles existem. Mas, na visão materialista, eles não existem.
Alguns tentaram resolver o problema dizendo: “ah, os pensamentos existem e são materiais sim, mas apenas não foram identificados ainda cientificamente em um PET-SCAN”. Mas de que me vale isso? Quer dizer que a existência material dos pensamentos é como se fosse o Dragão na Garagem?
Para um cético, é claro, isso é uma explicação que não satisfaz: ou vemos o pensamento no PET-SCAN e dimensionamos sua materialidade ou NÃO vemos. E isso é uma pergunta estritamente científica.
Como a resposta dessa pergunta não é satisfatória, resta então recorrer a um recurso para auto engano: criar uma espécie de materialismo light.
Ele funciona mais ou menos da mesma maneira: fingimos que o sistema materialista vale para toda a ciência E para a hipótese Deus. Se quisermos negar outros eventos sobrenaturais, também podemos usar o materialismo. Mas não se usa o materialismo e fingimos até que o materialismo não existe quando consideramos o resto dos eventos não provados como materiais.
É exatamente isso que você leu! Como o sistema em si tem furos, quando aplicado universalmente, define-se momentos específicos em que ele pode ser aplicado.
Claro que todo aquele que busca a verdade vai se incomodar de imediato, pois isso antes de tudo é enganar a si próprio. Para a pessoa conseguir aceitar tal tipo de armação, ela precisa mentir para si próprio de maneira quase hipnótica a ponto de, depois de algum tempo, achar de novo que o “materialismo é a verdade”.
No final das contas, uma análise racional do materialismo light mostra que ele não tem o status de sistema filosófico sério, pois é apenas um recurso retórico para tentar atacar idéias em debates. O problema, como já dito, é quando alguém lhe questiona em retorno.
O resultado é algo hilariante deste tipo:
- Materialista: Eu não acredito em Deus, pois ele não pode ser provado materialmente.
- Questionador: Quer dizer que só podemos acreditar no que é provado materialmente?
- Materialista: Exato.
- Questionador: Como podemos acreditar em seus pensamentos?
- Materialista: Veja bem…
Não importa como, basta o mínimo de talento para o questionamento, que o materialista será colocado em uma situação ridícula.
Na verdade, o materialista é colocado sob ridículo justamente por que o materialismo verdadeiro e pleno jamais é praticado por ninguém em sã consciência. O que os remanescentes dessa bobagem pseudofilosófica usam é o materialismo light, que resulta nos problemas acima tratados, mas pelo menos permite que o seu adepto sobreviva.
Claro que ele só vai sobreviver mentindo para si próprio e tentando convencer a si próprio de que Epicuro é a lei.
Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 9 – Os homenzinhos verdes em mais um delírio de Dawkins

Às vezes eu não entendo Richard Dawkins. Um sujeito que dedica grande parte de sua carreira tentando aplicar o ceticismo (mesmo que seletivo) CONTRA a religião, também acaba sendo um ALEGADOR de outras idéias dificílimas de serem provadas como válidas, como exemplo a memética, o gene egoísta e, como não poderia deixar de ser (devido à sua influência obtida com Carl Sagan) a possibilidade de existência de vida alienígena.
Basicamente, é uma opção que pode ser considerada perigosa, pois um questionador nato torna-se basicamente VISADO simplesmente por criar um histórico de ataque à alegações dos outros. Obviamente, o ser humano tende à retaliação.
Foi assim que aprendi que, a partir do dia em que decidi publicamente questionar com ceticismo as alegações ateístas, eu não poderia mais fazer alegações em boa quantidade, no máximo discutir racionalmente. Quando surgisse uma alegação, como a defesa da teoria da mente revolucionária para explicar o neo ateísmo (apresentarei essa argumentação em detalhes mais em breve, inspirada na idéia original do Olavo de Caravalho), ela só seria feita caso existissem evidências diretas, oriundas, naturalmente, de fontes primárias.
Richard Dawkins faz o contrário: ao mesmo tempo que usa o ceticismo contra a religião, ele apresenta uma série de alegações absurdas e fantasiosas, praticamente IMPLORANDO que nós acreditemos em algo apenas pelo fato dele acreditar também. Assim fica difícil para ele, pois ele tentou, nos tempos do documentário Root of All Evil?, vender a idéia de que cientista só se deixa mover por evidências. E veremos aqui nesta seção do livro que, para discutir a questão da suposta existência de vida alienígena e sua relação com a questão Deus, Dawkins não dá a mínima atenção para evidência. Tudo que ele proclama aqui não é menos constrangedor do que os relatos de um sujeito da região rural que afirma ter visto a mula sem cabeça.
Vamos começar:
Suponha que a parábola de Russell não tivesse sido sobre um bule no espaço sideral, mas sobre a vida no espaço sideral — o objeto da memorável recusa de Sagan de usar os instintos. Aqui também não temos como descartá-lo, e a única posição estritamente racional é o agnosticismo.
Eu vou revisar essa declaração do Dawkins sobre agnosticismo pela última vez, e, depois, nessa seção, ignorarei. Mas já perdi a conta de quantas vezes o Dawkins comete o erro de confundir agnosticismo com postura de dúvida em relação a uma questão. Agnosticismo, de novo, não é para decidir ficar em dúvida quanto a existência de alienígenas, lobisomens, vampiros, etc…
E quanto ao fato de Sagan se recusar a usar os instintos, isso é uma alegação dele, mas diante de todos os esforços do SETI essa declaração pode ser facilmente colocada em dúvida. Pois a decisão foi de investir uma alta grana no projeto SETI (usando dinheiro dos outros, inclusive do governo) ao invés de procurar lobisomens ou vampiros. Por que o dinheiro foi gasto nessa pesquisa e não em outras? Qual a probabilidade de sucesso? Quem calculou? Quem auditou os cálculos? O fato é que nenhum procedimento de validação de investimento foi realizado, de forma que o esforço pela busca de alienígenas e não de qualquer outra coisa foi tudo, menos racional. Foi definitivamente uma decisão instintiva. Patética, diga-se.
Mais patético ainda é o que vem a seguir:
Mas a hipótese já não é absurda. Não farejamos imediatamente uma improbabilidade extrema. Podemos ter uma discussão interessante com base em evidências incompletas, e podemos determinar o tipo de evidência que reduziria nossa incerteza. Ficaríamos indignados se nosso governo investisse em telescópios caros com o propósito exclusivo de procurar bules em órbita. Mas podemos pensar em gastar dinheiro com a Busca por Inteligência Extraterrestre [Search for Extraterrestrial Intelligence — SETI], usando radio telescópios para varrer os céus na esperança de detectar sinais de alienígenas inteligentes.
Notem que Dawkins afirma, taxativamente, que a hipótese de vida alienígena não é absurda. Baseado em quê? É simples: para ele dizer que a hipótese não seria absurda, ele deveria apresentar um cálculo probabilístico, respaldado por EVIDÊNCIAS, mostrando que a hipótese é viável. Ele não fez isso. Por enquanto, é só esperança dele.
Dawkins, aliás, tem uma mania bizarra de dizer que “algo é improvável” ou “algo é provável”, mas sem apresentar os cálculos que levaram a essa conclusão. O motivo aparenta ser claro: quando se apresentam os números da probabilidade calculada, um auditor poderá investigar a ORIGEM desses números, e então o alegador poderá ser chamado de novo para se justificar, caso necessário. Talvez para evitar a investigação dos números, Dawkins chuta que algo possui “alta probabilidade”, não diz os números e resta à ele torcer para que ninguém note a picateragem. A picaretagem aumenta ainda quando Dawkins diz que “podemos pensar em gastar dinheiro” nessa pesquisa. Mas como ele justifica o investimento? Ele simplesmente não abre a boca quanto a isso.
Para demonstrar o quanto é ridícula a postura de Dawkins, vou dar um exemplo de como se calculam os investimentos para mitigação de riscos nas organizações. Um exemplo é o uso dos modelos SLE (single loss expectancy, ou expectativa de perda unitária) e ALE (annual loss expectancy, ou expectativa de perda anual). SLE é o produto do valor do ativo (AV, ou asset value) multiplicado pelo fator de exposição (EF, ou exposure factor): SLE = AV x EF. EF é a probabilidade que um evento irá ocorrer e sua magnitude calculada (os dados para os cálculos devem ser acessíveis em bases de dados confiáveis, abrangendo um longo histórico de dados organizacionais). ALE adiciona a taxa de ocorrência anualizada (ARO, ou annualized rate of occurrence) à equação com o resultado que múltiplas ocorrências irão resultar em maiores perdas potenciais. O ALE é normalmente expressado assim: ALE = SLE X ARO. ALE é a expectativa anual de perda relacionada a um ativo, resultando de uma ameaça em específico. ARO é o número de vezes que uma ameaça a um único ativo está estimada para ocorrer. Quanto maior o risco associado com a ameaça, maior o ARO. Um exemplo disso é quando os dados da seguradora mostram que um incêndio provavelmente irá ocorrer uma vez a cada 25 anos. Nesse caso, o ARO é 1/25 = 0.04. Basta então saber qual o custo estimado de prejuízo relacionado ao incêndio, e avaliar, diante da probabilidade estimada, se vale a pena ou não fazer o investimento em mecanismos de controle para EVITAR que o incêndio ocorra. Para poupar tempo, esse exemplo foi retirado direto do ISACA.
O que eu citei é apenas um dos milhares de exemplos que qualquer pessoa séria ao falar de probabilidade alta ou baixa deve vivenciar, principalmente se precisar justificar um investimento relacionado à essa probabilidade. E a pergunta é simples: há um cálculo probabilístico? Qual o valor? Os elementos que levaram à esse valor podem ser investigados? São três perguntas que apontei aqui, e para uma delas a resposta é um valor claro, e para as outras duas a resposta ou é “sim” ou é “não”. E sem qualquer uma das 3 respostas, não há cálculo probabilístico válido, MUITO MENOS quando for para justificar um investimento, como no caso da pesquisa em relação ao projeto SETI.
Por isso quando Dawkins diz “não farejamos imediatamente uma improbabilidade extrema” é apenas a manifestação da esperança dele, mas não uma prova de que a improbabilidade é alta, pois ele não traz os valores.
Mesmo que ele continue com o esperneio de dizer que Sagan era cético quanto a vida alienígena, nada explica a quantidade de grana que foi jogada fora no projeto SETI, e, até o momento, de forma injustificável. Por enquanto, o SETI existe há 40 anos, e só conseguiu fracassos até agora.
Mas ele ainda nos tenta vender a idéia da validade do SETI:
[...] é possível (e Sagan o fez) fazer uma avaliação sóbria sobre o que seria necessário saber para proceder a uma estimativa da probabilidade. Isso pode começar a partir de uma simples lista dos pontos que ignoramos, como na famosa Equação de Drake, que, nas palavras de Paul Davies, coleta probabilidades. Ela afirma que, para estimar o número de civilizações que se desenvolveram de forma independente no universo, é preciso multiplicar sete termos. Entre os sete estão o número de estrelas, o número de planetas semelhantes à Terra por estrela e a probabilidade disso, daquilo ou daquilo outro, que não preciso listar porque a única coisa que quero mostrar é que todas são desconhecidas, ou estimadas com margens de erro enormes. Quando tantos termos completa ou quase completamente desconhecidos são multiplicados, o produto — o número estimado de civilizações alienígenas — tem erros-padrão tão colossais que o agnosticismo parece uma posição muito razoável, se não a única com credibilidade.
Avaliação sóbria? Como diria um personagem do filme “O Enigma do Outro Mundo” (The Thing), You gotta be fucking kidding, man!
Ele próprio reconhece que a avaliação começa a partir de uma simples lista dos pontos que ignoramos.
Seriam os “ETs das lacunas”?
Mesmo assim, supondo dúvida (e não agnosticismo), os erros padrão colossais não justificam uma posição de neutralidade. Pode-se naturalmente duvidar dos alienígenas, e ficar exigindo as provas daqueles que acreditam neles. Ou daqueles que acham que há alta probabilidade.
Na verdade, como mostrarei a seguir, os termos da equação NÃO CONTEMPLAM o processo de surgimento da vida, que é de baixíssima probabilidade. Na verdade, ele é tão improvável que só ocorreu uma vez em todo o período de vida na Terra. É aquele tipo de evento que, caso ocorra, não se deve alimentar esperanças de que ocorra de novo. Querem ver um exemplo? Na equação que apresentei anteriormente, o ARO (taxa de ocorrência anualizada) é 0,00000000029 para a “materialização” do risco de surgimento da vida. Ou seja, é um evento que ocorreu uma vez em 3,500,000,000 anos.
Para tentar nos vender a idéia de que é viável a existência de vida inteligente fora da Terra, Dawkins tem que IGNORAR esse aspecto da baixa probabilidade do surgimento da vida. Notem que nenhuma das equações defendidas por Dawkins inclui o ARO ou algo semelhante.
Ele direciona seu caso para falar da Equação Drake:
Alguns dos termos da Equação Drake já são menos desconhecidos hoje do que quando foram escritos, em 1961. Naquela época, nosso sistema solar de planetas orbitando em torno de uma estrela central era o único conhecido, junto com as analogias locais proporcionadas pelos sistemas de satélites de Júpiter e Saturno.
Vamos relembrar a equação Drake para notar o quanto Dawkins está iludido:
N = R* x fp x ne x fl x fi x fi x L
Cada termo da equação descrito:
- N = o número de estrelas na Via Láctea
- Fp = a fração com planetas
- Ne = o número de planetas por estrela capaz de suportar vida
- Fl = a fração dos planetas onde a vida evolui
- Fi = a fração onde a vida inteligente evolui
- L = a extensão de tempo no qual tais civilizações lançam sinais detectáveis no espaço
Agora, uma pergunta: isso é ciência? A equação não tem nada de científico, e a única forma de preencher os termos dela com valores é usar o chutão, ou, falando o português claro, a fé cega mesmo. E chutes, em ciência, não passam de manifestações da vontade. Não são alternativas científicas legítimas, e nem fazem parte de uma pesquisa científica séria. A equação em si também não é testável. Tudo conspira contra Drake…
E de onde Drake tirou a idéia de que civilizações iriam lançar “sinais detectáveis” no espaço? Por que não iriam esconder seus sinais e então visitar os planetas de maneira sorrateira? Drake simplesmente não trata dessa possibilidade.
E lembram do ARO? Onde está na equação? Resposta: em lugar nenhum. Isso significa que um dos itens mais importantes, que avalia o “risco” de surgimento de vida espontaneamente em um dos planetas capaz de suportar foi simplesmente ignorado. Se considerarmos o que ocorreu na Terra (que é capaz de suportar vida por um período longuíssimo), esse valor é 0,00000000029, que simplesmente faz todas as esperanças dos adeptos da vida alienígena irem para o ralo.
E a abordagem que sugeri, do ARO, é uma das variações. Para detalhes de outras abordagens que mostram como a vida inteligente é improvável fora do planeta Terra recomendo em especial o livro “Sós no Universo?”, de Donald Brownlee e Peter Ward.
Dawkins ainda tenta o seguinte:
O que deveríamos fazer, de forma inteligente, para propagandear nossa presença a ouvintes extraterrestres?
Notem que ele já pressupõe uma “alta probabilidade” desses ouvintes existirem. Mas é uma questão irrelevante, pois, como já mostrado anteriormente, não há evidências de uma razoável probabilidade deles existirem. Perguntar o que deveríamos fazer, de forma inteligente, para propagandear nossa presença a ouvintes extraterrestres, é o mesmo que perguntar:
- O que as garotas deveriam fazer, de forma inteligente, para atrair vampiros que as seduzam, como na série do cinema “Twilight”?
- Ou o que os Lykans deveriam fazer, de forma inteligente, para vencer os vampiros que pudessem estar escondidos por aí, como em “Anjos da Noite”?
Em suma, é apenas fé cega do Dawkins, e não ciência. Na verdade, ao invés de tentar “propagandear” nossa presença a ouvintes extraterrestres, o melhor para Dawkins é se afundar em livros de ficção (já que ele citou Arthur Clarke) e deixar de fazer 171 em ciência.
Mais fantasia e sci-fi por aí:
Seja detectando números primos ou por algum outro meio, imagine que o SETI realmente forneça evidências indiscutíveis de inteligência extraterrestre, seguida, quem sabe, por uma transmissão maciça de conhecimento e sabedoria, na linha da série de TV A for Andromeda, de Fred Hoyle, ou do livro Contato, de Carl Sagan. Como deveríamos responder? Uma reação perdoável seria alguma coisa disposta à adoração, já que qualquer civilização capaz de transmitir um sinal a uma distância tão imensa provavelmente será muito superior à nossa. Mesmo que essa civilização não seja mais avançada que a nossa no momento da transmissão, a enorme distância entre nós permite calcular que eles devem estar um milênio na nossa frente quando a mensagem chegar até nós (a menos que eles tenham se extinguido, o que não é improvável). Consigamos ou não saber sobre elas, é muito provável que existam civilizações alienígenas que sejam sobre-humanas, a ponto de serem tão parecidas com deuses que superem qualquer coisa que um teólogo possa imaginar. Suas conquistas tecnológicas nos pareceriam sobrenaturais, como as nossas pareceriam a um camponês da Idade Média que fosse transportado ao século XXI. Imagine a reação dele a um laptop, a um telefone celular, a uma bomba de hidrogênio ou a um Jumbo.
Dawkins deve ter visto Evil Dead III – Army of Darkness , pois está fantasiando reações de pessoas da idade média em relação à tecnologia. O problema para essa argumentação de Dawkins é que a tecnologia já era presente no passado. E,como se observa, naturalmente quando vemos uma tecnologia nova, queremos saber de onde veio a tecnologia, ao invés de atribuir tecnologia a Deus. Aliás, até a leitura da Bíblia mostra que não se usava Deus como justificação de tecnologia avançada, portanto o argumento de Dawkins é inútil. Para validar o seu argumento, Dawkins teria que provar que a função de Deus seria validação de tecnologia. Confesso que Dawkins ao menos foi original, pois esse argumento neo ateu eu nunca tinha lido em lugar algum. Se é para ser maluco, ao menos Dawkins é um maluco original. Ri litros.
Desta forma, quando ele diz que “uma reação perdoável seria” ele não prova que essa reação ocorreria. Talvez seria uma reação perdoável para ELE, mas não para seus adversários. O mais patético é que os exemplos que dawkins cita são existentes apenas nos livros de ficção.
E lá vem historinhas:
Os alienígenas do nosso sinal do SETI seriam para nós como deuses, assim como os missionários foram tratados como deuses (e exploraram a honra indevida até não poder mais) quando apareceram em culturas da Idade da Pedra munidos de armas, telescópios, fósforos e almanaques que previam eclipses com precisão de segundos.
Ele não sabe como foram tratados os missionários naquela época. Aliás, ele não tem a mínima idéia de como foi esse processo. Portanto, ele achar que nossa reação caso a literatura de ficção que ele lê fosse verdade, é apenas mais um raciocínio falacioso da mente fértil de Dawkins.
Aqui ele inova de novo:
Em que sentido, então, os alienígenas mais avançados do SETI não seriam deuses? Em que sentido eles seriam sobre-humanos, mas não sobrenaturais? Num sentido muito importante, que toca no cerne deste livro. A diferença crucial entre deuses e extraterrestres parecidos com deuses não está em suas propriedades, e sim em sua proveniência.
Não, não seriam iguais a Deus, pois não são criadores do universo. Dawkins tem que aprender a focar no tema em discussão, e não no tema que ele inventou. Como já dito, não há evidências de que Deus é uma explicação para tecnologias avançadas. Portanto, quando ele afirma que essa é a “diferença crucial” entre deuses e extraterrestres parecidos com deuses, ele erra em tudo:
- 1 – não há semelhança entre extraterrestres e Deus, mesmo na descrição do Dawkins
- 2 – não se afirma que a proveniência de Deus seja de um processo evolutivo – apenas o deus que Dawkins inventou, mas esse não está sob discussão
Se duvidam que o Dawkins afirma que Deus é resultante de um processo evolutivo, leiam a parte abaixo:
Entidades complexas o bastante para serem inteligentes são resultado de um processo evolutivo. Por mais semelhantes a deuses que possam parecer quando as encontrarmos, elas não começaram assim. Autores de ficção científica, como Daniel E Galouye em Counterfeit world [Mundo simulado], chegaram até a sugerir (e não consigo pensar em como poderia descartar a hipótese) que vivemos numa simulação de computador, criada por alguma civilização muito superior. Mas os autores da simulação teriam de ter vindo de algum lugar.
Isso é hipótese que se apresente? Isso é cópia do roteiro do filme Matrix. É patético. Não serve como discussão científica.
Além do mais, “entidades complexas o bastante para serem inteligentes são resultado de um processo evolutivo”?. Não se forem definidas entidades imateriais. Se ele estiver pensando em Deus, os religiosos não afirmam que ele é material.
Como sempre, a cada parágrafo Dawkins garante ao menos um grande errão.
Agora ele, que antes apresentou cálculos probabilísticos sem números, vem teorizar sobre o que as “leis da probabilidade” proíbem ou não. Acreditem se quiser:
As leis da probabilidade vetam a idéia de que eles [a civilização superior que estaria nos programando] possam ter aparecido espontaneamente sem ter antecedentes mais simples. Eles provavelmente devem sua existência a uma versão (talvez pouco familiar) da evolução darwiniana: algum tipo de “guindaste” elevatório, e não um “guincho que vem do céu”, para usar a terminologia de Daniel Dennett. Guinchos celestes — incluindo todos os deuses — são feitiços. Eles não dão nenhuma explicação de bona fide e mais exigem do que fornecem explicações. Guindastes são dispositivos explanatórios que realmente fornecem explicações. A seleção natural é o maior guindaste de todos os tempos. Ela elevou a vida da simplicidade primeva a altitudes estonteantes de complexidade, beleza e aparente desígnio que hoje nos deslumbram.
Mas quais leis da probabilidade? Dawkins não citou nenhuma. Ele simplesmente não sabe do que fala.
É impressionante também como ele fugiu do assunto para soltar um grito de torcida “a seleção natural é o maior guindaste de todos os tempos”. É, é um guindaste tão bom que não explica a mecânica quântica, a teoria da relatividade e nem o Big Bang. Dawkins perde o controle nesse momento.
Depois de comemoração cheerleader (“seleção natural é demais, é absoluta, ninguém supera, maravilha, show de bola, explica tudo, eeeeeeeeee”) de Dawkins, dá para entender toda a confusão que ele faz.
Ele diz que uma das possibilidades de Deus seriam espécies alienígenas. O argumento dele, como vocês puderam notar, beira a insanidade daqueles malucos de sanatório que vestem camisa de força. Aí ele diz que essas espécies seriam produto da seleção natural. Aí depois ele vai dizer, lá pelo quarto capítulo, que esse Deus não deve existir (é o Deus que ele inventou, que seria fruto da seleção natural). É pura maluquice.
Mas o fato é que é uma atitude extremamente fácil e confortável duvidar das espécies alienígenas de qualquer forma. Sorte nossa, pois quando duas civilizações se encontram, e uma é mais inteligente e tecnologicamente avançada que a outra, essa civilização mais forte destrói e conquista a outra. Motivo: competição por recursos.
Sendo assim, se realmente existissem civilizações mais tecnologicamente avançadas que a nossa, a ponto de fazer contato, provavelmente já teríamos sido dizimados se elas nos encontrassem. Mas, como cético, sigo duvidando da existência de vida inteligente fora da terra.
E cabe ao Dawkins, que afirma a alta probabilidade, que PROVE realmente que a probabilidade é alta. Ele tem que demonstrar os números, exibir a probabilidade após aplicar uma equação, e depois permitir que os dados que habilitaram esse cálculo sejam auditados. A equação Drake é inútil para as pretensões de Dawkins.
Em suma, Dawkins tem que correr atrás dos homenzinhos verdes assim como o médium tem que correr atrás de suas mágicas… cabe ao cético questionar.
P.S.: Se alguém que acredita que há probabilidade alta de existir vida alienígena inteligente, esse é um direito que respeito. O que não respeitei aqui foi a postura excessivamente confiante de Dawkins em relação à algo que ainda não é embasado por evidências. Há muito de fé cega e esperança na pesquisa sobre vida alienígena. Mas caso algum leitor do Dawkins um pouco mais enfezado quiser salvar a pele dele, que traga provas de que ETs existem, ou, ao menos, de que a probabilidade de existência de vida aligenígena é alta. Lembrem-se: não é só trazer o valor calculado, mas os dados que alimentaram a equação, para que estes sejam investigados.
Quando o neo ateísmo leva à neurose: a triste história de Gustavo Bandejra

Isso é o que pôde ser visto na atuação de um neo ateu, Gustavo Bandejra, do blog Concorde ou Discorde.
Gustavo resolveu me “desafiar” nas caixas de comentários. Não só isso: ele afirmava que estava me “desafiando” e publicando os “resultados” na comunidade do orkut “Ateísmo”, e em seu blog.
Curiosamente, ele escolheu um dos textos desse blog, entitulado “Em defesa de uma investigação secular do neo ateísmo”, e não entendeu ABSOLUTAMENTE NADA do conteúdo lá postado, e resolveu iniciar um duelo.
O resultado, para ele, foi naturalmente constrangedor.
Antes de tudo, vamos à um resumo do que era aquele texto, para ilustrar a forma absurdamente errada como ele o compreendeu: “Eu sou religioso. Há neo ateus, que ofendem os religiosos, e usam de difamações. Eu defendo o uso do ceticismo, da investigação de fraudes e da auditoria nessa investigação dos neo ateus. Para tornar a análise imparcial, eu defendo a avaliação secular. Ou seja, não importa no que os dois lados da discussão acreditem, e sim UNICAMENTE os argumentos.”
Como se nota, não é de difícil entendimento. É fácil até demais. Sendo assim, como ele pôde errar tanto?
Eis então que um tal de Senhor dos Ateus me manda uma mensagem no meu scrapbook, do Orkut, com o seguinte conteúdo: “prepare-se luciano, vc já humilhou a genttii d+. agora é a nossa vezz”.
Na comunidade “Ateísmo”, do Orkut, Gustavo abriu um tópico tentando publicar a sua “discussão” que ele iniciaria neste blog. Para acessar o tópico clique aqui.
Gustavo, em seguida, publicou a seguinte mensagem em seu perfil: “Luciano is falling”.
Ele diz que publicará todo o conteúdo da caixa de comentários desta POSTAGEM,em seu blog. A idéia dele seria mostrar que eu PERDI um debate, ou coisa do tipo.
E então começa o duelo (obs: para facilitar o entendimento, as declarações de Gustavo estarão em itálico)…
(1) Eu afirmei: “Só que quando saímos para investigar um oponente, e usamos o filtro secular (mesmo quando somos religiosos), NOSSA INVESTIGAÇÃO ADQUIRE MUITO MAIS PODER.”
Gustavo tentou retrucar: “Então porque não utilizar o filtro secular para investigar a religião, já que ele parece ser mais efetivo (poderoso)?”
Aqui está o primeiro erro vergonhoso de Gustavo.
O filtro secular é aplicado em contextos onde existam pessoas de VÁRIAS denominações religiosas, e até ateus. Neste contexto, as religiões e crenças de cada um não são influentes para a análise do caso, seja um caso judicial, argumentativo, venda de idéias, etc.
Isso é o que se chama de filtro secular.
Sabe-se lá que entendimento o infeliz teve de secularismo, mas ele perguntar sobre “aplicação de filtro secular” para investigar a religião é no mínimo estúpido e irracional.
(2) Eu mostrei que, em contextos de duelo: “São os neo ateus que estão VENDENDO IDÉIAS e VENDENDO ALEGAÇÕES, trazendo milhares de “casos” (ex. “a religião mata”, “a religião envenena tudo”, “Deus é cruel”, “A Bíblia está errada”, “ateísmo é ciência”, “a ciência é inimiga da religião” e mais uma infinidade deles). Na maioria absoluta dos debates, não somos nós que estamos vendendo idéias.”
Notem a resposta de Gustavo: “Quem é que tem vários canais na TV e pede dízimo? Quem é o líder religioso que mora em uma casa do tamanho de uma cidade? Como foram obtidos essa casa e os canais de TV? Como essa casa e os canais são mantidos?”
Mais outro erro de Gustavo, pois a resposta NADA TEM A VER com o que estava sendo discutido. Ele parece estar cobrando que eu ACEITE a defesa da causa dele (de lutar contra a religião). Isso é no mínimo neurose da parte dele. A luta contra a religião é um PROBLEMA DELE. Se ele quiser lutar contra religiosos receberem doações, repito: esse é um problema DELE, não meu. Eu investigo as doações recebidas pelos neo ateus, como o Richard Dawkins recebe, em seu site.
(3) Eu escrevi: “A questão é muito simples: ou os neo ateus provam seus “casos”, ou não provam. Ou trazem as evidências que dêem suporte às suas alegações, ou não trazem. A investigação de fraudes e crimes sempre deve ser baseada pelos princípios do método científico. É uma investigação secular.”
Notem mais um fracasso de Gustavo (ele não acerta uma): “E porque teístas não fazem o mesmo?”
Mas que petição de princípio ridícula é essa? Quando um religioso investiga um neo ateu, ele ESTÁ FAZENDO O MESMO que um neo ateu quando investiga o religioso.
Provavelmente, a neurose dele é tamanha que ele está supondo que a resposta aos neo ateus lutarem contra os religiosos deva resultar em religiosos lutando contra os religiosos, o que seria uma estupidez.
Adversário luta contra adversário, e não a favor do adversário. Se ele não entendeu nem isso, é sinal de que ele é analfabeto funcional.
Se isso é o que Gustavo chama de desafio, ele está mal.
(4) Ele me perguntou: “Se o caso [contra a religião] for provado, você muda de convicção?”
Eu respondi: “Sim. Mas não é o caso em discussão. As convicções pessoais não estão sob discussão, e sim os argumentos APRESENTADOS. Vou dar um exemplo. Suponha que você acredite nos memes, de Dawkins, mas não os defenda. Sua convicção nos memes é mantida, mas se você não os defendeu, não há que ser questionado sobre isso.”
Sabem o que a anta respondeu, quando pediu ajuda aos amiguinhos dele na comunidade “Ateísmo”?: “Foi muito desonesto ele ter me dito que muda de convicção se o contrário for provado.”
Mas esperem um pouquinho… que raio de argumentação é essa que já é baseada na idéia dele de que eu NÃO mudarei de opinião se o contrário for provado.
Fica claro que ele abordou uma premissa NÃO FALSEÁVEL (ele toma, através da FÉ CEGA, a forma como reagirei), e faz um fricote quando ouve uma resposta que não espera.
Isso é mais um papelão do Gustavo no debate.
Até agora, ele se deu mal em tudo.
(5) Ele repete a pergunta: “E o que você descobriu utilizando o secularismo na religião?”
Eu me divirto. Ele repete o erro dele no entendimento do que é secularismo. Uma pessoa não vai usar o “secularismo em religião”, e sim o secularismo no contexto em que pessoas de várias denominações religiosas estão envolvidas. Será que é tão difícil para ele entender um conceito tão básico?
(6) Ele agora me cobra um julgamento sobre o comportamento de teístas: “Então teístas erram ao transmitir programas de televisão? Quando eu (que sou ateu) ligo a TV pela madrugada, geralmente está sendo exibido algum programa religioso. Será mesmo que Dawkins é tão diferente assim?”
É mole? Ele ficar cobrando de mim atitudes que deveriam ser dele (reação contra a religião), de novo, é evidência de neurose por parte do Gustavo. Isso que ele tentou implementar parece discurso de marxista fanático.
Se Gustavo é revoltadinho contra a religião, ele que vá protestar. Que ele faça igual esse espanhol aqui fez. Isso sinceramente não me importa.
Ele não entendeu ainda a questão. Se o programa religioso for focado em difamação dos ateus (e, ao que parece, em muitos programas, os religiosos nem se importam com os ateus), é direito do Gustavo retaliar. Se ele retaliar de forma secular, a retaliação vai ser mais eficiente, pois focará nos argumentos, e não na religião do outro.
De novo, se ele não entendeu isso, o problema é dele.
Eu não me importo se Dawkins é ‘diferente’ ou não. Eu investigo as difamações feitas por ele, e as refuto. Se Gustavo não gosta disso, ele que bata a cabeça na parede quando estiver irritado, pois o que trago aqui são fatos contra Dawkins. Goste ele ou não. E a postura desse blog não vai mudar.
E por ser investigação secular, eu não me importo se Dawkins é ateu ou não. E sim me importo com os argumentos.
Só falta o maluco Gustavo ficar pedindo: “Então por que você não aplica isso com a religião tambéeeem?”
A resposta é pronta: “por que religiosos não praticaram difamação contra mim”.
Faço aqui uma nova pergunta ao Gustavo: “A menininha vai chorar agora?”
(7) Notem o que eu escrevi: “Mas não é o caso em discussão. As convicções pessoais não estão sob discussão, e sim os argumentos APRESENTADOS.”
Ele respondeu: “Então o segredo é esconder as convicções?”
Mas isso é pergunta que somente uma criança faria. Se é um segredo, como ele me perguntas QUAL é o segredo? A definição de segredo implica que a resposta à ele não seria fornecida.
Detalhe que não estou me importando em esconder ou não, e sim ao fato de que eu ESCOLHO as pessoas para quem eu dou satisfações.
Por isso, com gente da laia de Gustavo, SÓ argumentos serão discutidos. Fique ele irritadinho o quanto quiser.
(8) Ele erra pela terceira vez na questão do secularismo: “Mas o que você descobriu utilizando o secularismo em Deus?”
Não merece resposta, de novo, pois ele nem entendeu o que é secularismo.
(9) Para variar, novamente na questão secularismo, um erro (não percam a conta, é a quarta vez em que ele erra): “O secularismo é uma poderosa ferramenta, de acordo com seu texto, então porque não utilizá-lo em Deus? Se você o utilizou em Deus, quais foram as conclusões?”
Espere. Se o secularismo é uma ferramenta poderosa em UM CONTEXTO, significa que é preciso utilizar em contextos aos quais ela não se aplica?
De novo, a situação do Gustavo é típica de retardo mental grave.
(10) Ele me perguntou qual era o público dos livros de Dawkins. Eu lhe disse: “Os neo-ateus”.
Ele então tentou pontuar: “Então se Dawkins fez o livro para os neo-ateus, não há situação de confronto, a situação de confronto aqui é a mesma dos programas religiosos na TV, é um programa para um público religioso, e o confronto inicia-se assim que eu começo a assistir o programa (Que não foi feito para mim) da mesma forma que o religioso sente-se confrontado ao ler os livros de Dawkins(Que não foram feitos para eles). Será que as duas situações de confronto não são do mesmo tipo?”
Minha resposta: “Ah… os leitores de Dawkins saem para pregar os discursos do livro dele por aqui, portanto, a investigação é aplicada ao conteúdo do discurso deles, ou seja, o livro.”
Por enquanto, Gustavo não saiu do zero.
(11) Notem que quando ele tentou implantar a falácia de “secularismo deve ser aplicado a Deus”, e eu respondi: “Por que a crença em Deus, para mim, não está no mesmo nível que eu trato uma estratégia de como tratar uma investigação de oponentes.”
Qualquer pessoa que não é retardada entenderia que eu afirmei que secularismo não se aplica na questão.
Notem o que o imbecil respondeu: “Então Deus não merece ser investigado?”
De onde ele tirou essa pergunta?
Simples, da confusão mental que ele fez entre secularismo e investigação.
Aliás, eu até o respondi: “Eu não falei nada a respeito disso, falei na questão do SECULARISMO na relação com Deus, o que é absurdo. Secularismo versa sobre a independência em relação a religião quando se tratam de resolver questões como conflitos, leis, alegações, etc. Por isso, é ilógico aplicar secularismo em relação a Deus. O que não tem nada a ver com investigar ou não Deus. “
Não que eu espere que ele tenha condições intelectuais de entender a resposta.
Mas ela está aí para os leitores.
(12) Ele, sabendo que cometeu erros consecutivamente, tentou recuar, ainda mantendo o desafio: “O que você descobriu investigando Deus?”
Minha resposta foi a seguinte: “Investigando Deus eu descobri que a avaliação racional da questão Deus é muito mais poderosa que a avaliação puramente baseada em fé. A avaliação baseada puramente em fé geralmente deixa pessoas não tão preparadas para discutir sobre argumentos baseados em religião. A avaliação baseada principalmente na razão cria religiosos que são capazes de aniquilar uma grande quantidade de neo ateus em debates. Em suma, Dawkins deveria torcer para que os religiosos fossem somente baseados em fé. Só que com o crescimento da apologética, e da redescoberta da teologia (ajudada em parte, pelas provocações dos neo ateus), surge um novo tipo de religioso, aquele baseado na razão. Eu sou um destes. E me orgulho disso.”
Quer dizer, para alguém do nível dele, foi uma resposta dada apenas por questão de educação e CARIDADE. Eu poderia ter dito: “isso não é problema teu”.
E, mesmo assim, com meu ato de caridade, ele não consegue nenhum contra-ataque em cima desta resposta.
(13) De novo, ele fez confusão: “E onde estão os resultados da avaliação racional de Deus? Creio que por serem avaliações poderosas, eu serei facilmente aniquilado, correto?”
Eu o desafiei (e ele fugiu): “Se vc quiser ver o resultado, sugiro que tente copiar os argumentos de Dawkins contra Deus, principalmente aqueles que ele usa no capítulo 3, e verás o resultado. Terei a maior satisfação em lhe mostrar o resultado dessa avaliação quando vc apresentar os argumentos contra Deus.”
Se, nesse duelo, ele não saiu do zero, e seus erros argumentativos foram demonstrados, ele foi facilmente aniquilado.
(14) Ele tentou de novo: “O que Dawkins conta sobre Deus eu já sei, gostaria de saber o que você conta sobre ele.”
Eu chutei-lhe os fundilhos com isso: “É similar a de São Tomás de Aquino, mas bastante influenciada pela abordagem de William Lane Craig, recentemente.”
Se ele tivesse sido atencioso, ele saberia que isso era um teste para ver se ele anda investigando as fontes para o debate desse tema ou não. Ele aparentemente não investigou.
(15) Aqui ele mostra que não investigou: “O que ela diz? [a abordagem de Aquino e Craig]
Mas esperem… o sujeito está sob avaliação, eu passo a fonte, e ele me pergunta o que a fonte diz? Será que ele não percebeu que estou TESTANDO ele para ver se ele vai PESQUISAR as informações ou não? Será que ele é ingênuo a ponto de não ter percebido isso?
(16) Segundo ele, no entanto, o motivo para eu não responder seria algo desse tipo: “Não vou mais responder porque você está comentando que está me desafiando, além do mais você tem uma perspectiva de probabilidade do que pode acontecer!”
Ele é realmente neurótico, pois esse não foi o motivo pelo qual eu não saí do escopo do blog [ele não entendeu ainda que este blog só refuta difamações de neo-ateus, e não é focado em pregar a religião, portanto não é do meu interesse falar de minha experiência com Deus neste blog].
Se o cara entra para me desafiar, e NÃO ESTUDA o foco do blog, como é que ele quer ser levado a sério?
Tudo bem que Gustavo afirmou em seu site que é um músico, e não aparenta ter experiência com investigações científicas ou auditoria. Mas é fato: ele NÃO SABE NADA de investigação de um oponente.
Para tentar me desafiar, PRIMEIRO ele teria que descobrir meus objetivos. E só me atacar neles. Eu poderia até assumir a perspectiva agnóstica aqui no site, e ele ficaria com cara de cachorro pidão. De fato, até o fato de eu ser um católico já o deixa nessa situação constrangedora. Pois, se NÃO É OBJETIVO do blog pregar uma religião (e sim defender a religião de ofensas), eu não darei a um adversário uma resposta relacionada a uma OPINIÃO PESSOAL minha. Esse tipo de resposta é dirigida aos AMIGOS ou pessoas de confiança.
(17) Aqui Gustavo cometeu um dos erros mais indignos que um ser humano pode cometer, que é se justificar em excesso: ““Eu fiz questão de comentar sobre isso no blog dos neo-ateus, que tentam transmitir a idéia de que a religião é todo o mal humano, quando na verdade, não é só a religião, assim como não é só o ateísmo. Eu só espero que isso não invalide a minha questão, até porque seria ridículo.”
Minha resposta a ele: “Você não precisa se justificar para mim. Eu não te cobrei justificativas. Na verdade, justificativas para mim são irrelevantes. O que importa aqui é o duelo argumentativo. Eu não me interesso por seus motivos.”
Ele poderia ter ido dormir sem essa…
(18) Mais, de Gustavo: ““Luciano, acho que as questões que me foram feitas foram sobre Dawkins, o grande problema, é que eu não tenho nenhum vínculo às idéias de Dawkins, o que me parece é que você espera que eu questione Deus sob a estética Forrest Gump de Dawkins, o que não é o caso, mas acho que serviria para que você respondesse minhas questões mais rápido, afinal, parece que você leu o livro inteiro do dawkins e colocou respostas ás questões dele neste blog.”
Minha resposta: “Errou, de novo. Eu não coloquei “respostas às questões dele”. Eu não me interesso em responder questões de Dawkins, e sim refutar argumentos difamatórios dele.
Como sempre, Gustavo não acerta uma.
(19) Gustavo tentou implementar a falsa proclamação de vitória: “PARECE que é aqui que chega o fim do túnel, (porque as respostas para essas perguntas são inválidas), eu ACHO que o máximo que o religioso poderá fazer é admitir que Deus é uma energia cósmica incognoscível, e que ele nunca nos mandou ter casamentos heterosexuais, nem pensar de uma determinada forma que não pode ser ignorada. TALVEZ enquanto for energia cósmica, está tudo bem, podemos até ser teístas da energia cósmica que não fala porra nenhuma, só NÃO SEI como ficaria o mundo sem a o regulador social “Religião”.
Minha resposta de novo quebrou as pernas dele: “É simples. Eu sou religioso. Você, sem saber a resposta, já foi dizendo que eu teria que admitir que “Deus é uma energia cósmica incognoscível”… Eu não tenho que admitir isso. Você errou. Questão de lógica.”
Eu já avisei, até neste blog, que esse estratagema de tentar ler a mente do outro é pseudociência e não funciona mais…
(20) E, por fim, restou a choradeira dele apelando aos amiguinhos da comunidade “Ateísmo”: “[...] Concordo com as proposições, você percebeu ao fim dos comentários que eu estou questionando sobre o que é Deus e ele tem dificuldade de responder? Parece que ele só sabe brigar contra o ateísmo Forrest Gump, aquela vertente do ateísmo que quando incitada, só sabe dizer que a igreja fez ou deixou de fazer um holocausto, esquecendo-se de que alguns ditadores foram ateus e também cometeram o mesmo tipo de coisa, invalidando a questão.”
Mas que raio é isso? Que diabos é isso de “ateísmo Forrest Gump”? Será o neo ateísmo?
O fato é que Gustavo ficou todo irritadinho com esse blog e não soube manter o controle emocional. Essa é uma das possíveis explicações para um erro argumentativo tão crasso.
Ele não pode definir um tipo de “ateísmo”, para depois vir com a choradeira de que “só sei” duelar com esse tipo de ateísmo.
Pior, ele tenta dizer que ELE é de um tipo de ateísmo diferente desse ateísmo que é refutado aqui.
A análise do site dele mostra que Gustavo Banderja é sim um ateu fanático, militante e irracional, e segue o mesmo paradigma de Richard Dawkins.
Por isso eu sei refutar tipinhos como ele com EXTREMA FACILIDADE, o que pode ser visto nos exemplos aqui.
Outro problema é quando ele diz que tenho “dificuldade de responder”. Isso que ele disse é mais um sintoma da neurose dele. O sujeito precisa de ajuda psiquiátrica imediatamente.
Ele confunde algo que não é feito com “dificuldade em fazer”. É por isso que mentes desfavorecidas deste tipo se complicam tanto quando falam de questões como onisciência, onipotência, etc. Eles simplesmente confundem fazer ou não fazer com “dificuldade de fazer”.
Vou dar um exemplo do absurdo do raciocínio dele.
Suponha que ele venha me pedir um emprego. Com a notória fragilidade da inteligência dele, eu não vou contratá-lo. Mas eu NÃO TENHO dificuldade em contratá-lo. Mas eu não vou. Simples assim.
O que ele não entendeu ainda é que eu NÃO DEVO SATISFAÇÃO a vagabundo. E não adianta um sujeito como Gustavo chorar pelos cantos.
Se ele tivesse investigado o seu oponente adequadamente, teria lido este texto e nem começado o desafio, pois ele se deu mal em todas as tentativas.
Quando estiver dialogando com um adversário, eu só vou discutir aqui ARGUMENTOS. E não minhas experiências pessoais. Simplesmente por que ele não tem MORAL para me fazer uma pergunta desse tipo.
Onde foi que eu prometi comentar minhas experiência pessoais com ele? De onde ele tirou essa idéia maluca? Onde foi que ele provou que eu tinha que dar satisfações desse tipo de experiência ou conclusão pessoal para ele?
Em qualquer situação, só o fato dele alimentar esse tipo de expectativa configura que Gustavo é um caso de internação urgente.
Se ele tivesse prestado atenção, saberia que o que importa aqui é DISCUSSÃO DE ARGUMENTOS.
É simples: existem argumentos a favor da existência de Deus, e argumentos contra a existência de Deus. Se ele quiser, que apresente um argumento contra a existência de Deus e, provavelmente, ele será refutado.
(21) Ele tenta de novo: “O grande problema agora é que os três casos de respostas possíveis (Não sei se tem algum outro) parecem levar para o mesmo caminho. Se ele afirmar ou negar, dá problema, se ele se omitir, também, o que mais ele pode fazer? Alguém me ajuda a empatizar?”
Nenhuma das 3 respostas daria problema se for embasada por argumentos.
Eu não forneci a resposta pois isso não está alinhado com a estratégia deste blog. Eu só vou discutir a questão Deus com quem ESTUDAR sobre o assunto. É simples assim. E não com um pateta leitor/seguidor de Dawkins, como Gustavo, que não sabe sequer a diferença entre secularismo e investigação.
(22) Mais uma tentativa dele: “Outro aspecto negativo é o fingimento apresentado até agora de que ele tem uma resposta e a coisa existe mesmo.”
Ué, como ele sabe que é fingimento? Ele está lendo minha mente? Gustavo está se revelando cada vez mais…
(23) A neurose dele aparece de novo: “No lugar dele, eu diria: ‘“Olha Gustavo, nem eu tenho como provar isso, eu vou acreditar porque eu sou acostumado com isso, minha família era católica, meus amigos também, você espera que eu seja ateu? Eu vou defender essa idéia, independente de você perguntar o que é Deus e eu não souber responder, então vai se foder e para de encher meu saco!’”
Quer dizer agora que o sujeito quer dar consultoria de como eu devo dar respostas?
A questão de Deus é para ser discutida com provas RACIONAIS, e o fato de eu não abordar a questão com um maluco como Gustavo é a diversão que eu tenho em ver que ele terá agora que corrrer atrás das fontes que eu citei.
Se ele acha que eu acredito em Deus por “ser acostumado” ou “por família ser católica”, isso é mais um sintoma da credulidade patética de Gustavo, pois ele tentou ler a minha mente, descobrir os meus motivos e errou em todas as tentativas.
Conclusão
Sempre que alguém tentar duelar filosoficamente, que COMPREENDA ANTES quais os objetivos daquele a quem se quer desafiar. Tentar implantar no oponente objetivos que NÃO SÃO OS OBJETIVOS DELE, permite que a contraparte faça uma refutação muito fácil. Era só Gustavo ter lido os objetivos deste blog (uma consulta na seção “About” já o ajudaria) que ele não derraparia de tal forma. Uma outra coisa importante é jamais, no curso de um debate, pedir para o outro contar impressões pessoais, histórias pessoais ou MOTIVOS pessoais, pois estes já são descartados DE IMEDIATO como evidência anedota. Portanto, a pergunta de Gustavo foi nonsense. Ou seja, o que eu descobri investigando Deus, e o que ELE descobriu investigando Deus, são assuntos que NÃO SERÃO TRATADOS no curso do debate, pois são opiniões. Qualquer iniciante em debates sabe que opiniões não são argumentos, e não podem ser usadas nem contra nem a favor de um argumentador. Portanto, tratar dessas questões é puramente irrelevante. Todas as tentativas de Gustavo, então, mostraram que ele não está preparado para me desafiar, e nem para desafiar qualquer debatedor com razoável experiência (portanto, não estou me gabando, já que qualquer um venceria o Gustavo fácil). Se ele quiser um novo duelo, que avise, pois neste a situação dele foi patética. Mas sugiro que ele estude um pouco sobre técnicas de argumentação antes disso.
