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Uma piada neo ateísta que mostra que eles são… motivo de piada

Eu falei da técnica “Tem que ser fé”, que neo ateus utilizam em quantidade impressionante, já que eles precisam atender a um programa de lavagem cerebral que sofreram.
Nesse programa, eles são orientados a achar que são os “iluminados” da razão, enquanto os oponentes seriam “os da fé, inimigos da razão”.
Eis então que foi publicado em uma comunidade do Orkut, uma tira supostamente cômica em que neo ateus estariam “ridicularizando” os religiosos, e de novo usando a falsa dicotomia entre ciência e fé.
A platéia neo ateísta quando vê uma tira dessa comemora como se o time deles tivesse feito um gol em final de campeonato. Não demora para sair frases do tipo “não vejo a hora de esfregar isso na cara dos religiosos que conheço”, “isso é um tapa na cara do teísmo”, etc.
A euforia deles é tão grande que… nem perceberam os gravíssimos erros conceituais que estão ali.
O primeiro dos erros é a inversão de planos, que é inaceitável em termos filosóficos.
O sujeito da tira tenta comparar um “método científico” com “método teísta”, se esquecendo de que método científico NÃO é um método filósofico, mas qualquer “método teísta” (seja lá o que diabos ele queira dizer com isso) é, principalmente se for considerada a teologia e a filosofia da religião.
Eis que um neo ateu poderia dizer: “aha, mas a tira fala da interpretação popular da religião”, o que é pior ainda para a comparação dele, pois métodos populares não podem ser comparados com o método científico, que é basicamente para a execução de uma profissão.
O segundo dos graves erros é dizer que no “método teísta” existe algo como “Vamos atribuir estados mentais humanos a uma entidade inefável e depois procurar confirmação”. Mas de onde ele tirou isso? Naturalmente, da fé cega dele.
Ora, na religião não se atribui apenas “estados mentais humanos” a Deus, mas sim toda a criação. Claro que é uma estratégia erística deles, o que, de novo, não surpreende.
O terceiro dos pontos é que eles não percebem o tiro no pé que dão, pois afirmam que teístas partiriam da existência de Deus, para depois buscar a confirmação.
Ué, mas quem disse que a própria existência de Deus não pode ser definida logicamente, e, depois de aceita, como axioma, dar extensão à outros raciocínios? Pois é seguindo o mesmo princípio que a universalidade das leis físicas é aceita, e só depois existe a extensão à outras idéias, como a possibilidade do conhecimento destas leis físicas, e daí por diante.
Claro que esse erro de percepção deles só ocorre por que os neo ateus não perceberam que estão cometendo a falácia da inversão de planos.
Tratar o aceite da questão Deus no mesmo nível do aceite de uma teoria científica é uma inversão de planos, pois a discussão de Deus é a discussão de um axioma, ao passo que a discussão de uma teoria científica não, pois está em um nível abaixo da discussão de um axioma.
A universalidade das leis físicas, a existência da moral e a existência de Deus estão em um nível superior de discussão, gostem os neo ateus ou não.
Estes níveis superiores de discussão (nível da epistemologia, teologia, filosofia, etc.), habilitarão os níveis inferiores, hierarquicamente, a seguir, a prosseguir com especializações do conhecimento baseadas na premissa já aceita anteriormente.
Que os neo ateus não tenham percebido todos esses erros, por si só já é motivo para iniciar uma investigação de como pode a lavagem cerebral que eles sofreram ter sido capaz de eliminar o potencial de realizar distinções cognitivas tão básicas, a ponto de colocar sob suspeita praticamente tudo que esse tipo de gente escreve. Cognitivamente, estão em um nível muito abaixo da média.
Em breve, teremos aqui nesse blog dois estudos sobre o neo ateismo, que serão apresentados em duas séries de artigos.
Um deles focará na origem e os motivos para o neo ateísmo, falando das associações do mesmo com a síndrome da mente revolucionária, e com o marxismo cultural, que toma como base neste caso a estratégia gramsciana.
O outro focará no estado mental dos neo ateus que, após a lavagem cerebral sofrida, perdem a capacidade de dedução lógica (tamanha a força do programa inserido neles), e cometem erros que só podem ser aceitáveis a alguem com debilidade mental. Neste caso, o tipo de debilidade mental a ser estudado é um tipo adquirido por hábito e lavagem cerebral, e talvez não por deficiência de nascença. Mas essa deficiência precisa, sim, ser estudada.
Alguém poderia dizer que muitos religiosos cometem erros lógicos. Sim, eu concordo, o que é normal na maioria dos seres humanos. Mas estes vem principalmente do cidadão popular, como no caso da empregadinha que vai na Igreja do Edir Macedo.
No caso dos neo ateus, erros lógicos em quantidade quilométrica são encontrados nos textos dos principais LÍDERES do neo ateísmo, ou seja, Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e Daniel Dennett. E todos erros lógicos são repetidos pelos seus seguidores.
Ou seja, os INTELECTUAIS do neo ateísmo cometem erros lógicos em quantidade similar ao cidadão mais simplório do teísmo.
A grande piada da tirinha, portanto, não está nela em si, tão recheada de erros lógicos e científicos que é mais constrangedora do que engraçada para os neo ateus.
A piada está no fato de que neo ateus, quando tentam ridicularizar os teístas, demonstram que o método de análise deles é mais recheado de fé cega do que apenas fé, e com certeza não tem nada de científico.
Técnica: Tem que ser fé

Última atualização: 27 de fevereiro de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Essa técnica é um suporte básico que os neo ateus utilizam para implementar a famosa falsa dicotomia entre ciência e religião, um dos principais recursos deles.
A técnica se baseia em tentar impor a qualquer religioso que estiver no debate com eles que a opção do religioso tem que ser aceita por fé.
No caso de adeptos de Dawkins, eles ainda chegam ao ponto de usar a fé tomando-a por fé cega, em um claro uso do rótulo odioso.
A idéia é bem simples: tentar, na contenda, definir que o adversário é da fé, “oposta à razão”, enquanto que o ateu dirá que está do lado da razão.
Não passa de tentativa subliminar de dizer que ele já estaria vencendo qualquer debate de antemão.
Claro que ele tentará esconder a informação de que para a maioria dos religiosos a fé não entra em contradição com a razão. Aliás, a opção por um não envolve exclusão do outro.
O grande problema para o neo ateu é que se o religioso o questionar a respeito do uso da razão, simplesmente não vai conseguir demonstrar que usa mais a razão do que o oponente.
Em contrapartida, alguns teístas poderão alegar o uso da fé (e portanto não poderão argumentar a favor dela), enquanto outros o uso da razão.
Sendo assim, a idéia de que se alguém é religioso, automaticamente é pela fé, ao invés de razão, perde poder, justamente com o fato de que nem todos os religiosos assumem que se acreditam, é somente pela fé.
A dica é: a não ser que realmente você aceite Deus unicamente pela fé, exija do oponente evidências de que você aceita Deus pela fé. Isso, é claro, se você tiver boas noções do questionamento investigativo.
Refutação
Abaixo está um exemplo de discussão em que o neo ateu esteja tentando impor o seu estratagema:
- NEO ATEU: Essa é a diferença entre eu e você, eu uso de conclusões através de evidências, e você usa da fé.
- REFUTADOR: O curioso é que você usa a expressão “conclusões” e “fé”, mas não especifica em relação a quê.
- NEO ATEU: A diferença é que quando eu acredito em uma pesquisa científica, eu escolho as evidências, enquanto você usaria da fé para acreditar em Deus.
- REFUTADOR: Espere. Até o momento falamos de crenças em coisas diferentes. Que tal então, pelo bem do debate, que você questione as crenças específicas.
- NEO ATEU: Pois não, como queira.
- REFUTADOR: Em relação a acreditar em uma pesquisa científica ou não, eu opto pelas evidências tanto quanto você, ou até mais. Fico no aguardo de que você me demonstre o contrário.
- NEO ATEU: Mas eu comparei minhas escolhas científicas coma escolha sua em Deus.
- REFUTADOR: Você não pode fazer essa comparação, pois são planos diferentes da discussão. Já mostrei que você não conseguirá mostrar que acredita mais em evidências do que eu na questão de pesquisas científicas. Quer falar de Deus agora?
- NEO ATEU: Sim, vamos. Em relação à crença em Deus, eu tomo minhas decisões através do conhecimento, deduções lógicas e a razão, e concluo que Deus não existe. Você, ao contrário, parte da fé.
- REFUTADOR: Novamente, você não consegue provar que usa conhecimento, deduções lógicas e razão em maior quantidade do que eu.
- NEO ATEU: Claro que sim, pois a crença em em Deus é pela fé, e ao menos a minha não é.
- REFUTADOR: Demonstre que a sua é uma crença baseada na razão.
E assim, sucessivamente, o neo ateu poderá tentar implementar a falsa dicotomia entre razão e fé, mas que só sobrevive como frase de efeito e auto-ajuda, mas não tem valia argumentativa. Questionar é o suficiente para demolir essa estratégia.
Conclusão
Neo ateus são frutos de doutrinação PNL e extensiva lavagem cerebral. Uma das principais técnicas de lavagem cerebral que é utilizada neles (por acadêmicos gramscianos/marxistas/neo ateus ou autores de livros neo ateus) é o uso da falsa dicotomia entre ciência e religião, além da associação forçada entre ciência e ateísmo. Junto com essas, existe a técnica de implementar no cérebro dele a falsa dicotomia entre fé e razão. Ele será doutrinado a achar que está do lado da razão, e seu adversário não. Como se nota, eles são vítimas de manipulação psicológica de potencial danoso ao raciocínio deles. Como isso provavelmente já está tão enraizado na mente, eles não possuem critérios para defender as dicotomias que alegam. O questionamento cético com certeza se encarregará de mostrar o quanto a alegação deles é ausente de coerência e evidências. Para quando eles usam esse estratagema do “Tem que ser fé”, esse questionamento é especialmente eficaz. Na verdade, o “tem que ser fé” é apenas algo que eles precisam forçar goela abaixo dos outros, pois caso contrário a programação que lhes foi inserida (ex. “o religioso aceita sem questionar, é por fé, só fé, jamais razão, razão só para você, neo ateu, ó iluminado”) entra em pane.
O estado catatônico de um leitor de Carl Sagan

O diálogo abaixo aconteceu em uma comunidade do Orkut, e um tal de Monstro, leitor de Carl Sagan até a medula, se incomodou com a refutação que eu fiz a outro debatedor, Brasinha, que fez uma versão bizarra do argumento da causa primeira, para refutá-la.
Falarei deste “argumento” de Brasinha no futuro, provavelmente na seção de técnicas (“Conhecendo o Inimigo”), mas o que importa aqui é transcrever um diálogo que o tal de Monstro travou comigo.
Monstro (ele não divulga o nome real dele, por sorte), é moderador da comunidade “Céticos & Ateus”, do Orkut, e defende ser um especialista em ciência. Logo no começo, ele já chegou de forma desastrada:
- MONSTRO: Você é do tipo neo-teísta. A ciência não tem lógica e o teísmo tem. Risos. Só que a minha lógica fez computadores a medicina e muito mais. Já a sua”lógica”, está só tentando.
- LUCIANO: De novo a falsa dicotomia entre ciência X religião? Aliás, onde eu falei que ciência não tinha lógica? Vá estudar ciência antes de pagar mico e falar o que não sabe!
- MONSTRO: Você sabe o que é ciência? Pelo visto não. Cara, leigo em ciência é pior que teísta fundamentalista.
- LUCIANO: Esse é o Monstro. Leigo em ciência., pior que teísta fundamentalista. Vejamos do seu profile: “O hinduísmo diz que eu sou um espírito evoluindo. O cristianismo diz que eu sou um pecador. O islamismo diz que eu sou um infiel. O politeísmo diz que eu sou muito infiel. O espiritismo diz que vai me mandar vibrações positivas.O horóscopo diz que eu sou sortudo. A kabala diz que eu sou miguxo. A ciência diz que todo isso é besteira de quem tem merda na cabeça.” Realmente, você não tem a mínima noção do que é ciência.
- MONSTRO: Deus existe, cientificamente falando? NÃO. Portanto, tem lógica crer nisso? NÃO. É por isso que não tem Deus em nenhuma teoria científica. Deus, Zeus, fadas, URI, MOV, gnomos, duendes, papai-noel e coelho da páscoa. Crenças irracionais e ilógicas (cientificamente falando, claro). Se você acredita nessas coisas, o problema é seu.
- LUCIANO: Deus não é assunto da ciência. Além do mais, você tenta definir algo como lógico se for parte da ciência ou não. Isso é cientismo, e não tem nada de científico nisso. E quanto a Deus estar em alguma teoria científica: quem disse que Deus teria que estar em alguma teoria científica?
- MONSTRO: Vamos ver se você entendeu. A ciência considera as hipóteses de algo que não podem ser comprovados por lógica como: existente, ou inexistente (até que se prove o contrário).
- LUCIANO: Erro grosseiro, pois a ciência não trata de questões metafísicas. Deixemos que a Academia Nacional de Ciências coloque você em seu devido lugar.
- MONSTRO: Religião -> seres mágicos feitos de mágica em mundos mágicos. Ciência -> coisas reais, feitos de coisas que existem, no mundo real. Claro que Deus não é assunto da ciência. Sauron também não é. Sobre questões metafísicas, é claro que a ciência não trata, pois metafísica é tudo que não existe. Por exemplo, a alma. É bobagem metafísica, não existe, no mesmo sentido em que a ciência diz que uma porta existe. Por isso a ciência não tem nem como tratar disso.
- LUCIANO: Vejamos o que diz a NAS: “Na raiz do aparente conflito entre alguma religiões e a evolução está uma compreensão equivocada da diferença crítica entre o modo de conhecimento religioso e o científico. As religiões e a ciência respondem a perguntas diferentes sobre o mundo. Se existe um propósito no universo ou um propósito para a existência humana, essas não são perguntas para a ciência. O modo de conhecimento religioso e o científico representaram, e continuarão a representar, papéis significativos na história humana… A ciência é uma maneira de conhecer o mundo natural. Ela se limita a explicar o mundo natural através de causas naturais. A ciência não pode dizer nada acerca do sobrenatural. Se Deus existe ou não é uma questão sobre a qual a ciência é neutra.” Ou seja, você sair dizendo que a ciência NEGA Deus é um DESCONHECIMENTO TOTAL do que é ciência. Detalhe que o texto da NAS está perfeitamente alinhado com a filosofia da ciência.
- MONSTRO: As religiões e a ciência respondem a perguntas diferentes sobre o mundo. Uma fala do mundo real. A outra do mundo da imaginação. Diga uma só verdade metafísica que exista logicamente.
- LUCIANO: Vejamos… as leis físicas são universais. Só falta você achar que isso é TEORIA CIENTÍFICA.
- MONSTRO: Eu posso ser um ignorante em filosofia, mas pelo menos eu não sou em ciência, ao contrário de você, que acha que coisas que não possuem evidências de existênsia (sic), existem cientificamente. Cuidado heim, tem um gafanhoto invisível na sua janela querendo te matar, eu não posso provar que ele existe, portanto ele é verdade! Aliás, as leis da física são metafísica?
- LUCIANO: Ele reconheceu que é ignorante em filosofia, pois já soube que a ciência não aborda tais assuntos e volta a pedir algo que “existe cientificamente”. As universalidade das leis da física (não confundir com as leis da física em si) são discutidas em um nível ACIMA da ciência: chama-se epistemologia.
- MONSTRO: Tá. Um dia você vai se perguntar por que metafísica não entra em nenhuma área da ciência. Ou não né…
- LUCIANO: Não entra, pois a metafísica está em um NÍVEL ACIMA, o nível da filosofia…
- MONSTRO: Eu sou moderador da Céticos e Ateus. Eu sou respeitado por todos céticos que eu conheço. Sua achologia sobre o que é ou não ciência não me afeta. Isso só é uma verdade no seu mundinho. é como aquela piada do português dirigindo na contramão ouve no rádio o locutor dizer: ‘Cuidado tem um idiota dirigindo na contramão’. E o português responde: ‘um não, vários…’. Você é o português”.
- LUCIANO: Nessa piada, você é então o português, pois a Academia Nacional de Ciências vai para um lado, e você para o outro.
- MONSTRO: Eu e Carl… Você e quem mesmo? Silêncio. Ah tá.
- LUCIANO: Pronto, mais um que caiu na onda do Carl Sagan. Quer estudar ciência? Estude Karl Popper. Carl Sagan é “ciência” para garotos iludidos, é auto-ajuda para fracos. Agora entende-se por que você errou em tudo que falou a respeito da alçada da ciência até agora.
- MONSTRO: Pô, sério que Popper defende que coisas que não possuem evidência de existência existem?
- LUCIANO: Não, Popper não diz isso. Popper delimita a área de atuação das ciências. Fora desta área, a ciência não pode dizer nada a respeito. São de outras áreas, como filosofia, matemática, teologia, epistemologia, etc…
- MONSTRO: Ah tá. Elegeram ele para delimitar em que assembléia mesmo?
- LUCIANO: Ele publicou “A Lógica da Pesquisa Científica”, e se tornou um dos mais relevantes filósofos da ciência. Junto com Lakatos, construiu o que se chama de método científico atualmente usado. Se quiser elaborar um trabalho científico, tem que aprender Popper e Lakatos. Preciso te ensinar sobre Kuhn agora?
- MONSTRO: Então tá. Isso garante à ele uma autoridade inigualável, de certo.
- LUCIANO: Autoridade? Não, e sim base de conhecimento. Mas é algo que você deveria saber se quer discutir ciência. Melhor que citar o “Carl”…
- MONSTRO: [sobre a citação da NAS] O livro só fala, naquele trecho, que, na opinião de alguns dos autores, crer em Deus pode ser compatível com crer na evolução, tendo em vista que lidam com mundo diferentes, o natural e o sobrenatural. Não preciso nem dizer que o mundo sobrenatural é fantasia em matéria de ciência.
- LUCIANO: Mais um motivo para demonstrar sua ignorância, pois se conforme a citação mostrou, a ciência NÃO FAZ JUÍZO DE VALOR sobre assuntos religiosos, então a ciência não define se é fantasia ou não.
- MONSTRO: Desse mesmo livro que vc citou: “Fact: In science, an observation that has been repeatedly confirmed and for all practical purposes is accepted as ‘true’. Truth in science, however, is never final, and what is accepted as a fact today may be modified or even discarded tomorrow.” Lembre-se de aquilo que eu disse: o que não possui evidências de existência, a princípio, não existe (cientificamente falando).
- LUCIANO: Ou seja, note que é a descrição de “fato, em ciência”, e não “fato”. Vai mal até no inglês aí, hein? Além do mais, você continua confundindo existência em si com um fato ou dado científico.
- MONSTRO: Você disse que a ciência não faz juízo de valor sobre assuntos religiosos. Na verdade, faz. A presunção de inexistência é inerente à falta de evidências de existência. Por isso que eu posso inventar N coisas que podem ser prejudiciais, quando adotado determinado comportamento científico, e, no entanto, elas serão completamente desconsideradas. Isso não é “neutro”, por que se eu falo, por exemplo, que um portal dimensional do inferno será aberto se reativarem o LHC, como eu não posso provar minha tese, ela é considerada como FALSA. Eles não vão suspender o experimento por que “eles não podem provar que eu estou errado”. Entendeu?
- LUCIANO: Como sempre você está errado. Aqui você confundiu uma alegação científica sem provas com uma alegação metafísica. Mais um desastre intelectual teu.
- MONSTRO: O que vale é que cientificamente falando essas hipoteses são FALSAS. Se você acha que tem alguma “lógica” escolher uma crença metafísica em detrimento de outra problema é seu. Vá discutir com quem crê em besteiras diferentes das suas.
- LUCIANO: Não, isso não vale nada. Só seria válido se fossem “cientificamente falsas”, se as hipóteses fossem da ALÇADA da ciência. Se não são, a ciência NÃO DIZ NADA sobre elas, então não podem ser rotuladas como cientificamente falsas ou não.
- MONSTRO: ALÇADA da ciência é o mundo real/natural. Tudo que EXISTE, que é tangível, observável, testável, analisável. Ainda bem que suas crenças não possuem essas características.
- LUCIANO: Não, não é tudo que existe. São apenas pequenos aspectos da realidade passíveis de observação. A universalidade das leis físicas, que permite a existência da ciência, está fora da alçada da ciência. Mas é sorte que a religião está fora da alçada da ciência. Só pequenos recortes da realidade podem estar na alçada da ciência, mas não questões maiores, como moral absoluta, epistemologia, metafísica, sentido da vida, existência de Deus, etc… A ciência não tem capacidade para tratar dessas questões. Estude ciência e saberá disso.
- MONSTRO: Pelo menos eu conheço ciência. Se uma religião diz que Deus fez o universo como está e a ciência diz que o universo surgiu após uma explosão e está se expandindo, eu SEI, que, ainda que indiretamente, a ciência está considerando como errada a hipótese teísta e, portanto emitindo juízo de valor.
- LUX IN TENEBRIS: Quem defendeu essa teoria foi um Padre. Lemaitre, não foi? (*)
Como se nota, não há troca de conhecimento com um sujeito desse tipo.
Esse é o perfil de alguém doutrinado por Carl Sagan. Alguém que acha que pode dizer o que a ciência permite ou não, mas não conhece nem Karl Popper. Alguém que não conhece sequer os limites da ciência, mas acredita fielmente na dicotomia ciência X religião.
Mentes idiotizadas e beirando a debilidade mental, como as desse tal de Monstro, são um reflexo daquilo que autores como Carl Sagan e Richard Dawkins produzem.
Como se nota, o nível é realmente inferior até ao material de outros neo ateus que tem sido publicado aqui, pois o perfil de Monstro é mais próximo do aborrescente.
Mas era justamente essa a proposta de Sagan e atualmente é a de Dawkins: incutir o cientismo, junto com a doutrina de que há uma eterna luta entre ciência X religião, na cabeça dessa garotada.
O resultado é isso aí que vocês puderam notar. A falsa dicotomia é para Monstro praticamente obsessão. É raro ele falar algo que não seja do tipo “enquanto a ciência faz isso, a religião é o oposto…”. Mas a origem está ali, pois grande parte do material de Sagan é 100% baseado nesta falsa dicotomia.
Monstro beira a catatonia, e não recebe mais informação do mundo exterior. Ele não pode sequer ser rotulado como “leitor de ciência” e sim como vítima de engenharia comportamental de líderes do cientismo.
Se procurarem ele daqui dois anos, ele continuará pregando pelas comunidades a idéia de que “se não é afirmado pela ciência, então não existe”, e, mesmo que todo o material de estudo lhe seja oferecido, mostrando o tamanho do equivoco dele, o discurso não mudará.
Como vítima de lavagem cerebral, Monstro está programado para agir assim. Reconheço o potencial de tal estratégia da dupla Sagan/Dawkins: se você junta o programa Cosmos, mais livros de auto-ajuda, do próprio Sagan, e junta a isso um empurrãozão de Dawkins, a lavagem cerebral está completa no garoto.
Quando me perguntam por que eu também mostro o perigo que o material de Carl Sagan representa, Monstro pode ser citado como um exemplo. E ele não é o único.
Mentes assim, já no estado em que estão incapazes de aprender informação nova, estão também entre as vítimas de Carl Sagan. E não só entre as vítimas de Richard Dawkins.
(*) Outro forista, Lux in Tenebris, participou ao final.
Técnica: Jogando na conta da ciência

Última atualização: 12 de fevereiro de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Se o Capitão Nascimento mandou botar na conta do papa, com esta técnica os neo ateus mandam botar na conta da ciência.
Essa técnica é usada principalmente quando neo ateus usam o disfarce de “divulgador da ciência”. Por tabela, muitos dos leitores desses autores acabam seguindo pelo mesmo caminho.
A técnica envolve transferir para a ciência todas as responsabilidades que estariam sobre si próprio.
O neo ateu pode tentar isso quando estiver, por exemplo, defendendo qualquer tipo de alegação contra a religião. Geralmente essa alegação pertence à ele, em termos filosóficos. Em outros casos, a alegação pode ser também oriunda de um filósofo, que o inspirou. De qualquer forma, como a alegação é endossada pelo neo ateu, devemos entendê-lo como um das partes na discussão (sendo a outra parte o religioso).
A técnica envolve em, como se fosse um truque de mágica, substituir a si próprio pela ciência, fazendo com que sua declaração aparentemente se torne uma declaração da ciência (e não dele).
Exemplos incluem:
- Transformar a alegação “Digo que Deus não existe” por “A ciência diz que Deus não existe”
- Transformar a alegação “Eu digo que acredito só em evidências” por “A ciência só aceita evidências”
E daí por diante.
Naturalmente, é uma técnica covarde, em que o neo ateu foge da responsabilidade pelos seus argumentos e suas alegações, e tenta transferi-las todas para a “ciência”. E, como não seria inteligente questionar “a ciência”, o neo ateu aparentemente espera que com esse estratagema ele e sua alegação fiquem livres do julgamento e da avaliação pela outra parte.
Obviamente eu concordo (e creio que quase todos aqui fariam o mesmo) que a ciência (assim como a auditoria, a perícia, o sistema judiciário, etc.) foca em evidências. Em relação a alegação de existência ou nao de Deus, a ciência não traz esse tipo de juízo.
De qualquer forma, o fato de que a ciência é baseada em evidências, não implica que um cientista, ou um cientista wannabe, ou um leitor de divulgador de ciência, sejam focados em evidências.
Uma coisa, naturalmente, é a entidade a que se dá o nome de ciência. Outra coisa é um sujeito, falível, que se diz cientista ou “adepto de ciência” (seja lá que diabos ele queira dizer com isso).
Mesmo que a pessoa seja um cientista (e na maioria dos casos não é), os atos de qualquer ser humano, incluindo suas alegações, não podem ser julgados pelos mesmos filtros que se julga a ciência. O motivo é evidente: a ciência, como um todo, é um grande processo, que transcende a subjetividade de seus participantes. O cientista, quando avaliado no todo de suas decisões, é completamente passível de possuir falhas de julgamento e vícios, como qualquer ser humano em qualquer profissão.
Como é um estratagema basicamente de confusão, é importante prestar muita atenção no momento em que o neo ateu pratica a “mudança” de personagem (substituindo ele pela ciência). Não raro isso ocorre, durante um debate em que o neo ateu tenta provar seu ponto, e passa a dizer coisas como “a ciência diz” ou “a ciência faz”, normalmente sem muita relação direta com o argumento que ele originalmente defendia. Mesmo que não exista tal relação direta, o neo ateu poderá fingir que há.
Refutação
A refutação é extremamente simples e se baseia em interromper o oponente, mostrando que ele está tentando enrolar a platéia quando ele tenta fingir que ele seria “a ciência” ou então um representante dela.
Segue o exemplo abaixo:
- NEO-ATEU: Eu não acredito que Deus existe, pois não há provas científicas da existência de Deus, e assim a ciência não afirma que Deus existe. Logo, ela não acredita que Deus exista.
- REFUTADOR: Sim, eu sei, mas você não é a ciência. [N.E. - Aliás, nem é da alçada da ciência dizer se Deus existe ou não]
- NEO-ATEU: Eu não sou a ciência, você está correto. Mas o que a ciência nos diz…
- REFUTADOR: O que a “ciência nos diz” eu já sei, e não tem nada a ver com o que você disse. Agora, diga o seu argumento. Os argumentos em relação ao que a “ciência diz” eu posso procurar em livros de Karl Popper, Thomas Kuhn, etc.
Durante a refutação, outro ponto curioso é que não raro você conseguirá notar que aquilo que o neo ateu diz ser uma “alegação da ciência” muitas vezes nem sequer é suportada pela ciência em si. Isso ocorre muitas vezes em argumentos de Carl Sagan e Richard Dawkins, que são baseados no cientismo, que nada tem de científico na realidade.
Conclusão
Como é uma técnica de fuga da responsabilidade (o neo ateu tenta erradamente jogar nas costas da ciência uma alegação que é exclusivamente dele), é importante sempre impedi-lo de fugir desta responsabilidade que lhe é inerente. Um argumento de militância ateísta feito por um neo ateu, mesmo que ele alegue ser cientista, divulgador de ciência ou leitor de divulgação da ciência, não implica em uma posição da ciência, salvo ele prove com argumentos que é (raramente é). Em alguns casos, para refutar com maior propriedade todas as tentativas, é recomendável um bom estudo sobre filosofia da ciência.
Baixarias na Biologia I – O evolucionismo como “tudo na vida”
Quem acompanha os debates acirrados entre religião X ateísmo na Internet com certeza já viu a situação descambar para o duelo criacionismo X evolucionismo.
Outra situação vista constantemente é a idolatria ao evolucionismo, praticada em muito mais quantidade do que a qualquer outra teoria científica já elaborada.
Criou-se, de forma até patética, uma nova geração de idólatras “evos”, que tratam Darwin assim como os idiotas úteis tratavam a Lênin. Como a um Deus.
Notem bem: rejeitar esse tipo de idolatria não é o mesmo que rejeitar a teoria evolucionista. A qual não rejeito. Uma coisa é acreditar no evolucionismo e até ser rotulado de “evolucionista” (o que também não é agradável, pois ninguém me rotula de big banguista, gravitacionista, etc.) Outra coisa é ir além do aceite do evolucionismo, e torná-lo como o paradigma através do qual a vida (sua e a dos outros) é analisada, beirando as interpretações mais fundamentalistas (e errôneas) das religiões.
Ou seja, a primeira visão, mais saudável, encara o evolucionismo como uma teoria científica, como várias outras (i.e. Big Bang, Teoria da Relatividade, etc.), e a segunda encara o evolucionismo como a ideologia absoluta de sua vida.
Esse desvio só se explica por uma razão evidente: a adoração não é pelo evolucionismo, e sim pelo ateísmo, ou outras ideologias parentes, como o epicurismo. Em alguns casos, espíritas (que defendem que os espíritos “evoluem”) também podem estar prontos a matar e morrer pelo evolucionismo. No fim das contas, o evolucionismo é apenas cortina de fumaça para eles.
O mais irônico é que o evolucionismo é uma teoria que atende às perspectivas tanto ateístas como teístas, só que acaba sendo na verdade uma teoria neutra nesse aspecto. Entretanto, principalmente os neo ateus parecem tentar “encampar” a teoria como se fosse propriedade deles.
O objetivo é simples: tentar arrumar alguma desculpinha para justificar ateísmo, e, como não conseguem através da teoria da evolução, executam manipulações na divulgação dela.
Um exemplo pode ser visto no trailer do filme “Creation”, acima, que conta a história de Charles Darwin e do estabelecimento de sua teoria. Certo momento, um dos personagens diz “Você acabou de matar Deus!” (vejam em 1:08, no vídeo).
Claro que se esse diálogo ocorreu na vida real é óbvio que o sujeito mentia para si próprio, pois no escopo da teoria da evolução não existia nada disso, mas ele precisa PRIMEIRO mentir para si próprio, talvez em busca de conforto espiritual, para depois mentir para os outros.
O modelo de ação se baseia em afirmar alto, muito alto, repetidamente e em bom tom, de forma que todos olhem para ele como UM REPRESENTANTE DO EVOLUCIONISMO, e portanto, aquele que tem como explicar as coisas que a “religião antes explicava”. Tudo bem que para isso ele terá que mentir e esconder a informação de que a Igreja não interpretava a Bíblia literalmente há mais de 15 séculos, mas, como “idiotas úteis” sempre fazem, mentir não é problema.
Depois dessa mentira implementada, resta dedicar a vida a Darwin. Com isso, as versões modernas dos deslumbrados (como aquele do vídeo) fazem comemorações do aniversário de Darwin, palestras sobre Darwin, prêmios com o nome Darwin, blogs de Darwin, e, é claro, participam ativamente em fóruns, falando sobre Darwin, e principalmente duelando contra criacionistas. Aliás, esses tipos de duelos são sua principal diversão.
O absurdo é que pessoas assim beiram a patologia, e não entendem algo que podemos chamar de “direito a ignorância” dos outros.
O “direito à ignorância” significa o direito que alguém possui em ser leigo em relação a algo, e, convenhamos, os criacionistas da Terra Jovem na maioria das vezes são leigos em evolução. Justamente por isso também, tornaram-se os principais alvos da atenção desses “novos evolucionistas”.
O mais grotesco de toda a situação é que os tais “novos evolucionistas” não percebem o básico da interação humana, pois não entendem que o ser humano normalmente é ignorante em uma área de especialização em que não adentrou. É isso mesmo que eles não conseguem sequer idealizar: o ser humano normalmente é IGNORANTE em uma área de especialização em que não adentrou!
Por exemplo, além de gostar da teoria da evolução eu tenho experiência sênior em Gerenciamento de Projetos e Auditoria. Posso dissertar sobre várias técnicas de Auditoria e também de Projetos. Nesse caso, por exemplo, eu poderia citar o PERT/CRM, Corrente Crítica, Teoria X e Y, etc. E claro que leigos no assunto nem saberiam o que é.
Será que eu me incomodo com esse “direito de ignorância” de grande parte da população em Gestão de Projetos? Claro que não.
Esses novos evolucionistas argumentam em relação a isso dessa forma: “se não lutarmos pelo evolucionismo, ele será prejudicado pelos esforços dos criacionistas”. Será? Mas como? Será que não são capazes de perceber que, se os criacionistas não possuem argumentos científicos válidos, a exposição do criacionismo só irá prejudicar o próprio criacionismo, e não o evolucionismo? Ao passo de que a divulgação darwinista extremista que mistura deslumbre, falsificação de informações, arrogância, ofensa ao inimigo e frases de efeito só ajuda a acirrar ainda mais os ânimos e alimentar a campanha criacionista.
Senão vejamos: as pesquisas espaciais são prejudicadas por causa de um pequeno grupo que acredita que o homem não foi à lua? Claro que não são. Por que será que os pesquisadores especiais não dedicam sua vida a lutar contra os descrentes na viagem à lua?
O motivo de novo desemboca na única resposta plausível: na pesquisa especial, não há uma ideologia suportando a discussão. O motivo de grande parte desse “amor ao evolucionismo”, recheado de falso deslumbre (como mostrado no exemplo do vídeo), é claro, a propagação de uma ideologia, normalmente transitando entre o epicurismo, o niilismo e o ateísmo. As opções e combos são variados para esse pessoal.
Simplesmente se um adepto da descrença na viagem do homem à lua protesta aos quatro ventos, os pesquisadores sérios os ignoram. Totalmente diferente dos novos evolucionistas, que não são capazes de ignorar os criacionistas.
Um argumento dos novos evolucionistas poderia ser: “mas há 40% (número hipotético) das pessoas que ainda não acreditam na Teoria da Evolução, ou que acham que a Terra surgiu há 6.000 anos, portanto é preciso ‘enfiar’ a teoria da evolução na cabeça deles”. Capaz, só que há também muita gente que não conhece o PERT/CPM ou até duvida que a implementação de um escritório de projetos dê resultados (talvez acreditem que a soliticação direta de atividades seja mais efetiva), e eu não vou perder meu sono por causa disso.
Ou seja, eu ACEITO que muitos sejam ignorantes em relação ao PERT/CPM ou à elaboração de uma matriz de risco. Somente não aceito quando, é claro, essa ignorância ou descrença em um profissional que for contratado como Gerente de Projetos. Mas quanto aos outros? Simplesmente não importam…
Já os novos evolucionistas acham um PROBLEMA TERRÍVEL o fato de 40% das pessoas não darem a mínima para a Teoria da Evolução a ponto de rejeitá-la e até substituí-la por uma crença baseada na interpretação literal (e errônea) da Bíblia, o Criacionismo. Por não aceitarem a teoria deles ser ignorada, rejeitada ou desprezada, eles se tornam PREGADORES de evolucionismo. Desde quando uma teoria científica precisa ser pregada em público? Que eu saiba, ela precisa ser praticada e executada pelos cientistas, e se os leigos não acreditam, é só dizer fuck off…
Ao invés de ignorar e deixar os criacionistas da Terra Jovem irem para a mesma vala em que os descrentes na viagem à lua foram, eles tomam o caminho oposto, e passam a dedicar a sua vida à ficar brigando com criacionistas. Aliás, a própria carreira de Dawkins em sua maioria (tirando o livro “Deus, Um Delírio”) se baseia em responder a criacionistas.
Não duvido que muitos adeptos do ateísmo militante decidiram entrar para a faculdade única e exclusivamente para sair com o diploma, dar algumas aulinhas, fazer “pose” de cientista, e então praticar o que mais gosta: brigar com criacionistas. Criacionistas, estes, como eu já disse, que deveriam ser ignorados.
O problema chave para esse pessoal “novo evolucionista” é que, como eles não conseguem entender a teoria da evolução apenas como teoria científica, e sim como ideologia (a ser extrapolada indevidamente para qualquer área imaginável), eles não conseguem aceitar a existência de seres humanos que queiram ignorar a Teoria Evolucionista.
A baixaria é tamanha que hoje em dia temos que filtrar o material a ser lido quando se fala em evolução. Quando avaliamos um material, será que se trata de um pesquisador sério ou de um ateu e/ou marxista que no fato apenas diz que divulga ou estuda evolucionismo, mas que no fundo quer mesmo é discutir ideologia?
Nesse cenário, é óbvio, não são apenas esses novos “evos” os únicos responsáveis pela baixaria e até prejuízo à ciência.
Aliás, há um outro grupo que anda prejudicando tanto a ciência quanto eles. E são os… criacionistas, tema dos próximos 2 textos dessa série, “Baixarias na Biologia”.
O grande perigo que o neo ateísmo pode trazer para a ciência

O quê? Mas como pode ser? Richard Dawkins e sua turminha vivem dizendo que estão “defendendo” a ciência de um mundo de trevas. Portanto, como poderiam eles estarem prejudicando a ciência?
Primeiramente, vamos aos fatos.
Temos que transcender um pouco para entender como o neo ateísmo é danoso para a ciência.
Vamos avaliar o efeito desse tipo de atitude nas empresas.
Antes disso, cabe relembrar o modus operandi de grande parte dos neo ateus.
Tecnicamente, o neo ateu executa um “disfarce” de defensor de ciência.
Isso é parte do conjunto de técnicas que ele usa para divulgar um mantra aprendido pelos marxistas: o oponente está nas trevas, enquanto ele está em um mundo de tecnologia e ciência.
Mas isso é apenas a ponta do iceberg.
O discurso dele será recheado, então, de vários exemplos da ciência que “minaram” a espiritualidade e/ou deram “todas” as respostas, inclusive sobre o sentido da vida.
Daí ele apontará para pesquisas sobre extraterrestres, psicologia evolutiva, neurociência, gene egoísta, memética e antropologia, dentre outras. Vale tudo.
Um exemplo pode ser a alegação de que a “neurociência descobriu que não existe livre arbítrio”. Aí quando começamos a investigar os resultados notamos que esse pessoal está absolutamente a anos luz de distância de demonstrar resultados como os vistos no filme Minority Report. Ué, como eles podem afirmar a inexistência de livre arbítrio sem demonstrar a “programação” inerente aos seres humanos sob teste? E como eles poderiam demonstrar o passo-a-passo desse programa? Na verdade não podem.
Outros dizem que a genética comportamental já prevê os comportamentos com baixíssima margem de erro, mas até hoje jamais foi apresentado um resultado consistente mostrando a predição de escolhas e mapeamento das ações das pessoas sob análise. Por exemplo, daria para, avaliando o código genético, saber quais produtos as pessoas comprarão? Não, não dá, portanto atualmente as empresas precisam dos inputs da área de Marketing e CRM, e não de geneticistas. Sinto muito, mas essa é a realidade. Mais um caso de promessa não cumprida.
O problema é que nos casos avaliados, praticamente sem exceção, neo ateus quando fazem tal divulgação mentem deliberadamente, fornecem informações falsas e prometem mais do que a área em questão pode oferecer.
É aí que está o desastre.
Nas empresas, qualquer pessoa que atua com gestão sabe que não se pode, POR HIPÓTESE ALGUMA, cometer lisonja, isto é, dizer que os resultados apresentados são melhores do que realmente são. Neste contexto, há outra tradução adequada para lisonja: elogio não merecido. Melhor ainda: falso testemunho.
Na verdade, a motivação sempre vem por resultados A SEREM ALCANÇADOS, e não por mentiras divulgando resultados que JAMAIS foram alcançados ou nem serão.
É claro que no mundo corporativo não é lícito dizer que serão entregues ao fim do ano 200 projetos com sucesso quando na verdade apenas 50 passarão pelos critérios de projetos com sucesso. O motivo para isso é a governança, suportada pela auditoria, que não permite a divulgação de informações falsas. Ou ao menos as informações falsas são descobertas na raiz.
Internamente, no entanto, a divulgação de informações falsas e implantação de falsas expectativas tem um outro efeito, mais aterrador, que é a desmotivação pela obtenção dos resultados.
Ora, a questão é simples: ao invés de prometer aquilo que não fez, é melhor FAZER e depois apresentar os resultados.
A busca por FAZER e depois apresentar os resultados é a força motriz das empresas.
Ao contrário de MENTIR dizendo que fez, quando realmente não fez.
São posturas opostas.
Na primeira, motivamos os resultados a acontecerem (algo como dizer “não quero ouvir conversas, e sim ver os resultados”), na segunda motivamos o relaxamento (pois se alguém acredita só nas promessas, para que realizar?).
Entretanto, para tentar decretar a “morte de Deus”, neo ateus, travestidos de divulgadores da ciência, inventam resultados que estão muito distantes de ocorrer. Os exemplos da neurociência e da genética comportamental são apenas dois dos muitos exemplos que podemos citar. (Obs: nada contra as áreas científicas, desde que avaliadas pelos seus resultados REAIS, e não por falsas promessas)
Quanto mais esses neo ateus pregam resultados inexistentes, mais perto da tragédia anunciada estamos: a criação de uma cambada de acadêmicos VAGABUNDOS que estarão desestimulados a produzir resultados, pois eles não PRECISAM produzi-los.
É mais fácil mentir e dizer que faz algo do que REALMENTE fazer esse algo.
Em outras palavras: para que lutar pela fama se a fama já vem antes mesmo da luta?
Grande parte das mentiras e falsas promessas ocorre, naturalmente, na área da mente.
Recomendo a leitura de “A Mente Desconhecida”, de John Horgan. O livro é praticamente como se fosse um “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, de Carl Sagan. Enquanto o livro de Sagan focava na investigação e desmascaramento de médiuns e pseudo-cientistas de todo o tipo, o livro de Horgan foca na investigação e demolição das expectativas de algumas pessoas envolvidas com neurociência, psicologia evolutiva, etc… Não é a demolição de todos, mas sim daqueles “profetas da neurociência” ou “profetas da psicologia evolutiva”, que dizem que já SABEMOS a natureza humana. Falso: não há nada disso em neurociência e nem na psicologia evolutiva ainda.
E a tal da Equação Drake?
Na tentativa de provar a existência de vida alienígena, muitos adeptos do neo ateísmo dizem “estamos próximos de descobrir vida alienígena”.
Perguntas: Próximo significa quanto? Conseguem dar uma data? Em uma empresa, uma data é o mínimo que se espera.
É claro que não precisam dar uma data, pois eles NÃO ESTÃO atrás de resultados, e sim de contar historinhas e inventar que produziram mais resultados do que realmente produziram.
Ressaltando: a maior devastação que o neo ateísmo pode causar à ciência é justamente essa. Criar uma geração de picaretas que preferem MENTIR sobre resultados que não existem ao invés de realmente buscar os RESULTADOS REAIS e somente depois disso apresentar.
E o criacionismo?
Vejamos: eu não concordo com o criacionismo, sei que está distante de ser ciência e jamais deveria ser ensinado como alternativa à evolução. Ponto.
Só que os criacionistas vivem procurando defeitos na teoria da evolução, enquanto que alguns neo ateus ESCONDEM quaisquer defeitos que porventura lá existam. Qual a vantagem de esconder os defeitos?
Aliás, e a idéia de que a teoria da evolução serve para explicar o comportamento humano e toda a cultura? Claro que é mais uma mentirinha que os neo ateus adoram divulgar, mas não há um resultado sequer que demonstre essa alegação deles.
Sendo assim, a auditoria que é necessária nesse tipo de pesquisa (evolução) é feita pelos oponentes da teoria e não pelos seus adeptos – principalmente por causa do viés que atualmente envolve tal polêmica.
É por isso que desconfio tanto de “divulgadores de ciência” tanto quanto desconfio de falsários e políticos corruptos, etc…
Ciência é uma área profissional. Profissionais apresentam RESULTADOS.
Não é preciso de propaganda e nem de venda de falsas ilusões.
O resultado é a única propaganda necessária.
Ou será que existe “divulgação de gestão de projetos”, “divulgação de auditoria”, “divulgação de administração”?
Claro que não, pois são áreas em que os RESULTADOS falam por si. Não é preciso nada mais que isso. E o mesmo vale para a ciência. Até hoje não conseguiram apresentar um argumento sequer dizendo por que é preciso existir “divulgação de ciência” mais do que existir “divulgação de gestão de processos” por exemplo.
Em suma, o que se pede é menos enrolation, e mais trabalho!
Isso, claro, se os neo ateus não atrapalharem. Pois ajudar que é bom até agora nada…
Nota Final: Claro que há outros perigos do neo ateísmo, como por exemplo a criação de uma falsa visão do que a ciência é, e ainda o risco de jogar o público mais ignorante contra a ciência (quando os neo ateus fingem que representam a ciência, alguns mais ingênuos podem acreditar que eles REALMENTE a representam). Entretanto, na visão deste blogueiro que vos fala, nada é pior do que ter MENOS resultados do que teríamos por questão de desestímulo dos profissionais.
Deus, Um Delírio – Capítulo 3 – Pt. 6 – Ciência e Dawkins: uma combinação impossível

* ATENÇÃO AOS LEITORES: Como essa é uma seção do livro em que Dawkins decide falar de ciência e cientistas, será feito o uso da investigação de evidência em maior freqüência do que nos capítulos anteriores. Por isso, caso você seja um neo ateu fanático leitor de Dawkins, esse texto poderá lhe ser perigoso, pois sua fé em Dawkins será abalada! Depois não digam que eu não avisei.. *
Eis que chega o momento do livro em que Dawkins demonstra que, se não tem capacidade argumentativa e nem vergonha na cara (e muito menos um intelecto básico), ao menos um pouco de coragem ele teve, pois raros apostariam tão alto. É fato também que poucos iriam se expor de maneira tão grandiloqüente, com um altíssimo risco (que se materializou) de auto-destruição. O resultado aqui é um dos maiores tombos que seriam possíveis para qualquer cientista. Não, pior. Qualquer acadêmico. Na verdade, o tombo de Dawkins aqui é inaceitável para qualquer um.
O “caso” que ele tenta abrir aqui é mais ou menos complexo e ousado. Ele começa com a alegação de que (1) há um argumento teísta dizendo que “maioria de cientistas são religiosos” ou coisas do tipo; (2) esse argumento é falso, pois a maioria dos cientistas são ateus; (3) e que esses ateus cientistas seriam a elite intelectual.
Como se vê a patologia do sujeito é realmente séria, de forma que recomendo que segurem-se na cadeira que a diversão está garantida.
O começo, bem chinfrim, inclui já uma citação à Bertrand Russell:
A imensa maioria dos homens intelectualmente eminentes não acredita na religião cristã, mas esconde esse fato do público, porque tem medo de perder sua renda (Bertrand Russell)
Curiosamente, ele cita Bertrand Russell, que era um precursor do neo ateísmo. Quase todo o discurso de Russell era focado em ataque à religião, portanto não serve como declaração de nada. É uma declaração com viés. Mas mesmo que não fosse, não há evidências dessa “imensa maioria” alegada por Russell. Para variar, ele usa a técnica de leitura mental para ler a mente desses supostos homens “intelectualmente eminentes”. Não sei quanto a isso, pois como cético devo questionar, só que uma coisa é clara: Russell não mostrou intelectualidade neste caso.
Se o começo já não é promissor, vamos ver o que há pela frente:
”Newton era religioso. Quem é você para se achar superior a Newton, Galileu, Kepler etc. etc. etc.? Se Deus era bom o suficiente para gente como eles, quem você pensa que é?” Não que isso faça muita diferença num argumento que já é tão ruim, mas alguns apologistas acrescentam até o nome de Darwin [...] Neste trecho concentro-me principalmente nos cientistas, porque — por motivos que talvez não sejam muito difíceis de imaginar — aqueles que propagandeiam os nomes de indivíduos admirados que seriam exemplares religiosos com frequência escolhem cientistas. Newton realmente afirmava ser religioso. Assim como quase todo mundo até — de modo significativo, na minha opinião — o século XIX, quando havia menos pressão social e judicial que nos séculos anteriores para se professar a religião, e mais apoio científico para abandoná-la.
Mas é claro que o argumento “Newton era religioso. Quem é você para se achar superior a Newton, Galileu, Kepler etc. etc. etc.” é ruim, pois foi Dawkins que o inventou. É apenas uma falácia do espantalho a respeito de supostos argumentos de pessoas religiosas que citam cientistas com declarações sobre respeito à religião, o que seria uma sugestão de que a religião não seria tão irracional quanto fanáticos como Dawkins afirmam. É bem diferente desse argumento inventado por ele.
Outro problema que esmaga Dawkins é o fato dele afirmar que “aqueles que propagandeiam” com “frequência escolhem cientistas”. Sem demonstrar a frequência, a declaração de Dawkins não vale uma tampinha de coca-cola.
Do jeito que está, talvez até a empregadinha doméstica que vai na Igreja do Bispo Macedo tenha apresentado um argumento tal qual o Dawkins inventou. Mas é curioso: é com a empregadinha que Dawkins está duelando?
Só que uma provocação, e não um argumento sério, que poderia ser usado é “Einstein, Hawking e outros cientistas não compartilham do fanatismo alucinado ateísta de Dawkins, e são cientistas muito mais capacitados do que ele jamais será”. Seria um revide à altura, e poderia ser usado para a provocação do oponente. Aí só sobraria o fricote a Dawkins.
Claro que um argumento desses derrubaria grande parte da choradeira que ele tentou implementar aqui, pois é apenas uma tentativa patética de apelo à autoridade. Só que se for por apelo à autoridade, Dawkins não está em muitas condições de duelar, pois sequer a opinião dele foi endossada pela Academia Nacional de Ciências.
Outro fator suspeito na alegação de Dawkins. Ele disse que havia algo sobre uma grande pressão na época para cientistas se declararem ateus, o que é falso, pois o deísmo já estava em alta por causa do Iluminismo, portanto a tentativa de Dawkins disfarçar dizendo que há 100 ou 150 anos era mais difícil encontrar ateus ou não-teístas na Academia por haver “pressão em contrário” simplesmente não passa por qualquer exame cético. É uma fé cega de Dawkins, mas não serve como argumento.
Detalhe: Dawkins afirma que “quase todo mundo” era religioso naquela época. Cadê as pesquisas? Se for para trabalhar em cima de evidência anedota, isso qualquer professorzinho marxista radical de universidade já faz. E justamente por isso não deve ser levado a sério.
Dawkins continua fantasiando um pouco mais à frente:
Fica cada vez mais difícil encontrar grandes cientistas que professem sua religião ao longo do século XX, mas eles não são especialmente raros. Desconfio que a maioria dos mais recentes é religiosa apenas no sentido einsteiniano, o que, como argumentei no capítulo l, é um uso equivocado da palavra.
E, conforme mostrei nesse artigo, refutando todas as declarações de Dawkins quanto à “religião einsteiniana”, não havia uso equivocado da palavra religião. Dawkins apenas aparentava estar se sentindo sozinho, e queria a companhia de gente como Einstein e Ursula Goodenough, mas não conseguiu.
Curiosamente, ambos (Einstein e Ursula) ridicularizaram paradigmas neo ateístas como os de Dawkins. Se Dawkins fosse um bom estrategista, ele jamais deveria sequer citar esses nomes. Ele citou, se deu mal.
Fica óbvio que não existe isso de “religioso apenas no sentido einsteiniano”. Essa tentativa de Dawkins chega a ser infantil e é um índicio de que ele possui patologias mentais sérias. Esses que Dawkins chama de “religiosos einsteinianos” são religiosos como qualquer outro. Portanto, como sempre, Dawkins não acerta o alvo.
A tentativa dele prossegue:
Mesmo assim, existem alguns espécimes genuínos de bons cientistas que são sinceramente religiosos, no sentido pleno e tradicional. Entre os cientistas britânicos contemporâneos, os mesmos três nomes aparecem com a familiaridade agradável do nome dos sócios de uma firma dickensiana de advocacia: Peacocke, Stannard e Polkinghorne. Os três ou ganharam o prémio Templeton ou fazem parte do conselho consultor da Templeton. Depois de discussões amistosas com todos eles, tanto em público como na esfera privada, continuo perplexo, não tanto por sua crença em uma espécie de legislador cósmico, mas por sua crença nos detalhes da religião cristã: a ressurreição, o perdão dos pecados e tudo o mais.
Detalhe que Dawkins afirma sobre a crença nos detalhes da religião, por 3 cientistas, mas não é capaz de dizer COMO ocorre essa crença. Por exemplo, acreditar no pecado e na ressurreição é uma coisa, mas acreditar nisso da mesma forma INFANTIL E DEMENTE que mentes obtusas como a de Dawkins entendem é outra completamente diferente.
Nesse caso, portanto, acreditar em “um criador, na ressurreição e no perdão dos pecados” não configura um caso de acusação contra os crentes nisso, a não ser que Dawkins tente entrar no mérito de COMO é essa crença.
De novo voltando ao exemplo da galinha do Big Bang. Para um incapaz, como Dawkins, a crença no ovo cósmico iria requerer uma galinha, portanto seria infantil. Já para alguém apto, como Hawking, a crença no ovo cósmico NÃO REQUER uma galinha e não possui nada de infantil.
Portanto, se Dawkins afirma que alguém acredita em algo, mas não especifica COMO é essa crença em algo, ele não pode falar nada contra as pessoas que tenta acusar.
De novo, ao Dawkins…. FAIL!
Vamos em frente, portanto…
Em 1996, nos jardins de sua antiga faculdade, em Cambridge, o Clare College, entrevistei meu amigo Jim Watson, génio fundador do Projeto Genoma Humano, para um documentário da BBC que estava fazendo sobre Gregor Mendel, génio fundador da própria genética. Mendel, evidentemente, era religioso, um monge agostiniano; mas aquilo foi no século xix, quando se tornar um monge foi o meio mais fácil para o jovem Mendel explorar seus estudos científicos. Para ele, era o equivalente a uma bolsa de pesquisa. Perguntei a Watson se ele conhecia muitos cientistas religiosos hoje em dia. Ele respondeu: “Virtualmente nenhum. Às vezes os encontro, e fico meio sem jeito [risos] porque, sabe, não consigo acreditar em ninguém que aceite a verdade pela revelação”.
Se Jim Watson é um amigo de Dawkins, e com prévia aceitação ao ateísmo militante, seu testemunho também não pode ser incluído no “caso” de Dawkins contra a religião. É apenas uma alegação pessoal, anedótica, que muito bem pode ser relegada como uma encenação para facilitar a pregação dele e de Dawkins contra a religião. Nesse caso, não está provado que “há virtualmente nenhum” religioso, e nem que ele “fica meio sem jeito”. Como se auto humilhação pouca fosse bobagem, Watson também parte para se escrachar: a afirmação de Watson de que “não consigo acreditar em ninguém que aceite a verdade pela revelação” é a falácia da credulidade/incredulidade pessoal, em que um oponente tenta desqualificar uma alegação adversária meramente afirmando que “não consegue acreditar na validade da afirmação”. Por enquanto, em termos de evidências, Dawkins não possui absolutamente nada.
E Dawkins não desiste:
Francis Crick, co-fundador junto com Watson de toda a revolução da genética molecular, abriu mão de sua associação ao Churchill College, de Cambridge, por causa da decisão da faculdade de construir uma capela (a pedido de um benfeitor). Na entrevista com Watson em Clare College, eu lhe disse, de propósito, que, diferentemente dele e de Crick, algumas pessoas não vêem conflito entre a ciência e a religião, porque alegam que a ciência trata de como as coisas funcionam, e a religião trata de para que as coisas servem. Watson replicou: “Bom, não acho que existamos para nada. Somos só produtos da evolução. Você poderá dizer: ‘Credo, sua vida deve ser bem sem graça, se você não acha que existe um propósito’. Mas estou esperando ansiosamente um gostoso almoço”. E realmente tivemos um gostoso almoço.
Aqui é apenas um amontoado de frases nonsense, mas que não prova ainda o ponto de Dawkins contra qualquer suposto caso contra a religião.
Para piorar, é um diálogo simulado entre duas pessoas que já teriam a aceitação prévia do ateísmo militante, portanto, sendo uma encenação teatral (e ainda sequer filmada, portanto não pode ser declarada por Dawkins como evidência), ela não faz o menor sentido como investigação comportamental a respeito de um caso contra a religião.
E lá vem mais ladainha e frasesinhas de efeito…
O empenho dos apologistas para encontrar cientistas modernos destacados que sejam religiosos tem um certo ar de desespero, produzindo o som inconfundível de raspar o fundo da panela.
Como é? Em uma alegação formal sobre ciência, Dawkins faz uso de uma impressão subjetiva? Dizer que um oponente tem um “certo ar de desespero” é uma declaração totalmente subjetiva e irrelevante para qualquer caso de acusação. Só valeria se ele tivesse citado exemplos claros, mas não assim, jogando a acusação no vazio. A expressão “produzindo o som inconfundível de raspar o fundo da panela” também é apenas um esperneio que não configura evidência. Lembremos que impressões subjetivas de Dawkins são irrelevantes, portanto não podem ser alegadas como evidência no caso dele.
Dawkins exibe sua fé cega com a corda toda:
A única página da internet que consegui achar com uma suposta lista de “Cristãos Vencedores de Prêmios Nobel Científicos” apresentou seis nomes, do total de várias centenas de Nobel científicos. Desses seis, quatro na verdade não eram nem vencedores do Nobel; e pelo menos um, que eu saiba, é um descrente que vai à igreja por motivos puramente sociais.
O desastre de Dawkins é completo:
- 1 – Não mostrou o link;
- 2 – A afirmação “pelo menos um que eu saiba” é evidência anedota, automaticamente irrelevante.
E lá vem mais:
Um estudo mais sistemático de Benjamin Beit-Hallahmi “descobriu que entre os laureados pelo prémio Nobel nas áreas científicas, assim como na literatura, houve um grau notável de irreligiosidade, se comparado com as populações das quais eles são oriundos”.
Notaram que ele não mostrou os números. Suspeito, não? Claro que é.
Mas vem mais no momento em que ele realmente apostou alto, e se deu mal:
Um estudo na importante revista Nature, de Larson e Witham, em 1998, mostrou que dentre os cientistas americanos considerados eminentes o bastante para serem eleitos para a Academia Nacional de Ciências (o equivalente a pertencer à Royal Society na Grã-Bretanha) apenas cerca de 7% acreditam num Deus pessoal.53 Essa enorme preponderância de ateus é quase que o exato oposto do perfil da população americana em geral, da qual mais de 90% são formados por pessoas que acreditam em algum tipo de ser sobrenatural. O número entre cientistas menos eminentes, não eleitos para a Academia Nacional, é intermediário. Assim como na amostra mais destacada, os que acreditam na religião são minoria, mas uma minoria menos drástica, de cerca de 40%. O fato de os cientistas americanos serem menos religiosos que o povo americano em geral é exatamente como eu teria imaginado, assim como o de os cientistas mais destacados serem os menos religiosos. O que é notável é a oposição completa entre a religiosidade do povo americano em geral e o ateísmo da elite intelectual.
Ele erra em absolutamente tudo e até comete fraudes.
O primeiro erro: Dawkins chama o grupo de cientistas avaliados de “elite intelectual”. Mas quem disse para ele que cientistas são “elite intelectual”? Basta ver o número de profissionais que chegam a CEOs nas organizações. Dentre os que chegam a CEO (o mais alto cargo corporativo), o número de profissionais vindos de áreas como Administração de Empresas e Engenharia é muito superior aos que vêm de áreas como Biologia e Física, por exemplo. Mesmo que esse parâmetro que usei seja questionável (capacidade de se alcançar a posição de CEO em empresas de grande porte), não há um argumento sequer a favor de estipular um cientista tradicional como alguém da “elite intelectual”.
O segundo erro é ainda mais embaraçoso para Dawkins, e é inaceitável para qualquer pessoa com algum estudo (e olhem que Dawkins é Doutor, o que também não significa absolutamente nada nesta investigação). Notem o que ele afirma: “apenas cerca de 7% acreditam num Deus pessoal… essa enorme preponderância de ateus”. De novo, quem foi vendeu a idéia estúpida ao Dawkins de que alguém que não acredita em um Deus pessoal é um ateu? A idéia de Deus pessoal é a de um Deus que possua características pessoais, ou que tenha os mesmos sentimentos que um ser humano possui. Não são todos os que acreditam em um Deus dessa forma. Entre vários teístas, existe a definição de Deus como “uma força superior” ou “algo que comanda as vidas das pessoas e do universo” e similares. Isso não é necessariamente um Deus pessoal. Eu mesmo não acredito em um Deus pessoal. E sou tudo, menos ateu. Isso já prova que Dawkins agiu de maneira intelectualmente desonesta. O que, de novo, não surpreende, pois essa é a tônica de seus textos.
Esse erro dawkinista pode ser explicado pela absoluta ausência de ceticismo dele ao investigar o artigo original da Nature, que está neste link. E a coisa já começa errada com o título, pois o título fala o seguinte: “principais cientistas ainda rejeitam Deus”. O problema é que basta ler o restante do texto para descobrir que a pesquisa fala dos cientistas… dos Estados Unidos. Estranho o título não ser, então, “Principais cientistas americanos ainda rejeitam Deus”. Isso já é uma mostra de que até a Nature pode errar feio, e publicar material que não vale um peido.
Mas nada é pior, do que já dito anteriormente, o erro da pesquisa ao citar o item “Deus pessoal”.
Um exemplo desse erro seria se eu quisesse demonstrar que só uns 10% dos torcedores do Rio são flamenguistas (embora os números digam que a torcida flamenguista chegue aos 50%). Imbuído de má intenção, eu não perguntaria “Você torce para o Flamengo?” e sim “Você inclui o Flamengo como ideologia principal?”. Claro que isso reduziria absurdamente o número de pessoas que respondesse afirmativamente. Com isso, seria fácil conseguir um resultado com 10% de flamenguistas, ou seja, o time passaria a ser o de menos torcida no estado. Só que tudo isso seria causado por uma “maquiagem” na pergunta, que é forçada para que poucos a respondam de maneira afirmativa.
A pesquisa já é inválida por ter usado a questão baseada em “Deus pessoal”. A pesquisa só seria válida se a pergunta fosse: “você acredita em Deus?”. Até porque a definição de ateu é “aquele que não acredita em Deus ou Deuses” e não “aquele que não acredita em Deus pessoal ou Deuses pessoais”.
Outro erro ainda dentro da pesquisa da Nature se encontra na segunda tabela, em que se questiona a imortalidade. A pergunta, também maquiada, é a seguinte: “Você acredita em crença na imortalidade humana?”. Errado. Nenhum teísta acredita em crença na imortalidade humana, e sim na imortalidade da… alma.
Mesmo com os erros na estrutura das questões (que categorizam a pesquisa como no mínimo fraudulenta), ainda há outras falhas que podem ser apontadas.
Notem os resultados para crença no “Deus pessoal”, em três datas:
- 1914 – 27.7%
- 1933 – 15%
- 1998 – 7.0%
A primeira pesquisa, foi feita, por James H. Leuba, um psicólogo. Na pesquisa, foram incluídos os “principais cientistas”, e a seleção foi pelos que participavam da AMS, ou seja, American Men of Science. Na pesquisa mais recente, de 1998, a pesquisa foi feita por Edward J. Larson, um historiador, e Larry Witham, um jornalista. Ambos, que são conhecidos por pregação ferrenha contra a religião, também selecionaram os “principais cientistas”, mas aí, segundo eles próprios, optaram por escolher membros da NAS, ou National Academy of Science.
O engraçado é a justificativa da dupla Larson-Witham para explicar o motivo por escolher as pessoas da NAS: “Nosso grupo escolhido de “maiores” cientistas eram membros da Academia Nacional de Ciências”.
O que significa que a escolha dos “principais cientistas” foram por membros da Academia Nacional de Ciências. Mas o texto da Nature só traz essa explicação. Quer dizer, os caras simplesmente escolheram ALEATORIAMENTE um outro grupo de estudo e definiram deliberadamente esses como “principais cientistas”.
A idéia da duplinha, assim como Leuba tentou fazer, era dizer que, quanto maior a qualificação do cientista, menor era a crença em Deus. Só que a fraude é descoberta fácil: quem disse para a dupla que os membros da Academia Nacional de Ciências são necessariamente os mais “qualificados”?
Vejam, direto do site da Academia Nacional de Ciências, o processo de eleição dos membros desta academia: “Members and foreign associates are elected annually in recognition of their distinguished achievements in original research; election is considered one of the highest honors that can be accorded a scientist or engineer. Currently, as many as 72 members and 18 foreign associates may be elected annually. Although many names are suggested informally, formal nominations can be submitted only by an Academy member. Nomination materials and candidate lists are confidential. The nomination and evaluation process occurs throughout the year, culminating in a final ballot at the Academy’s annual meeting in April. The names of newly elected members and foreign associates are announced in a press release, available on our web site. Because membership is achieved by election, there is no process by which an individual may apply for membership.”
Resumindo, os membros são eleitos anualmente de acordo com o reconhecimento em pesquisas originais. As nominações formais só podem ser submetidas por um membro atual da Academia, embora muitos nomes sejam sugeridos informalmente. Os materiais de nomeação e listas de candidatos são confidenciais. O processo é tratado como eleição.
Como se vê é um processo muito similar ao Oscar, com quase nenhum critério para auditoria do processo (de forma a garantir que os melhores sejam realmente tratados como os melhores). Isso, somando-se ao fato da dupla Larson-Witham não explicar a metodologia para seleção da amostra de maneira detalhada (e que fosse passível de auditoria), a informação de que a pesquisa trata dos “principais cientistas” não vale nada. Não há nada, absolutamente nada, garantindo que realmente são os “principais” cientistas ou “melhores” cientistas. Ressalto também que Leuba cometeu o mesmo erro em sua pesquisa original, sendo então que nem os resultados originais de Leuba e nem os resultados de 1996 de Larson-Witham não significam absolutamente nada.
Sendo a pesquisa repleta de viés e erros metodológicos, ela não é capaz de dizer que existe uma “elite intelectual ateísta”.
Um conselho aos neo-ateus: se quiserem realmente fazer uma pesquisa do tema, que estudem sobre uma matéria chamada Análise de Sistemas de Medição, que é básica para estudantes de estatística. Estudem também sobre mecanismos de auditoria para validar as amostras.
Em suma, aprendam a fazer pesquisas REALMENTE científicas. Pois essa pesquisa da Nature (endossada por Dawkins) é tudo, menos ciência.
E portanto, qualquer um com o mínimo de conhecimento sobre o método científico ridiculariza com extrema facilidade qualquer declaração baseada nesta “pesquisa”.
Ainda há algo curioso em uma nova citação de Dawkins, em que ele apela, ora vejam só, à Paul Bell:
Como era de esperar, pesquisadores diferentes mensuram as coisas de formas diferentes, por isso é difícil comparar estudos diferentes. A metanálise é uma técnica em que um pesquisador analisa todos os trabalhos publicados sobre determinado tópico e compara o número de estudos que concluíram uma coisa com o número dos que concluíram outra coisa. A respeito de religião e QI, a única metanálise que conheço foi publicada por Paul Bell na Mensa Magazine em 2002 (a Mensa é a sociedade de indivíduos de QI elevado, e sua revista, nada surpreendentemente, inclui artigos sobre aquilo que os reúne). Bell concluiu: “Dos 43 estudos realizados desde 1927 sobre a relação entre crença religiosa e a inteligência e/ou o nível de instrução da pessoa, todos, com exceção de quatro, observaram uma conexão inversa. Isto é, quanto maior a inteligência ou o nível de instrução da pessoa, menor é a probabilidade de ela ser religiosa ou ter qualquer tipo de ‘crença’”. Uma metanálise é sempre fadada a ser menos específica que qualquer um dos estudos que contribuíram para ela.
Muito provavelmente os mesmos erros da pesquisa da Nature encontram-se aqui, mas há algo muito mais sério, pois nem sequer no fórum do Richard Dawkins os fiéis dele foram capazes de fornecer como evidência o artigo original, dessa forma a alegação de Dawkins é posta em dúvida. Interessante é essa parte aqui: “The discussion pages at Wikipedia show the reference being dropped after considerable discussion, because no- one could find the original source (also the Beckwith meta- analysis discussed above).” Ou seja, até as evidências que os leitores de Dawkins colocaram no Wikipedia foram questionadas e retiradas depois que ninguém conseguiu encontrar a fonte original para os estudos alegados por Dawkins. Obviamente não digo que os estudos não existam, e sim que são tão obscuros que não mereceram maior relevância.
E, ainda, que existisse uma taxa maior de ateísmo em acadêmicos, isso também poderia ser explicado pela Estratégia Gramsciana, de forma que qualquer estudo sério sobre ateísmo em acadêmicos deveria no mínimo dividir as pessoas em dois grupos. Por exemplo, supondo que 30% são de direção marxista, e todos ateus, estes estariam em grupos separados dos conservadores. Deveria ser feita uma medida para conservadores e outra para marxistas, e não deveriam jamais ser somados os grupos, pois a análise completa seria viciada.
Em suma, mais motivos para mostrar que as evidências alegadas por Dawkins inexistem.
A conclusão final dele, aliás, demonstra que ele não tem mais nada a oferecer na questão:
Uma conclusão razoável, a partir dos estudos existentes, é que os apologistas religiosos seriam mais sábios se ficassem mais calados do que normalmente são sobre as pessoas que querem usar como exemplos, pelo menos no que diz respeito aos cientistas.
Não, uma conclusão razoável, a partir da investigação das declarações de Dawkins nessa seção, é que os fanáticos neo ateus seguidores de Dawkins seriam mais sábios se ficassem mais calados do que normalmente são sobre as pessoas que querem usar como exemplos, principalmente no que diz respeito a INVENTAR crenças que cientistas não possuem, ou tentar falar em nome de cientistas.
Além do mais, Dawkins, que se auto-afirma um cientista, realizou tantas alegações sem evidências que se torna tão digno de credibilidade, neste caso, quanto um médium.
Assim fica fácil demais para mim…
Derrubando mitos pregados pelo proselitismo ateu

Para quem gosta de livros sobre gestão, uma ótima pedida é a obra “Derrubando Mitos”, de Phil Rosenzweig, professor de estratégia e gestão internacional da escola de negócios IMD (Suíça).
Rosenzweig esmaga 9 mitos do mundo corporativo. No caso, são 9 teses estapafúrdias de como alcançar o sucesso.
O livro, aliás, é uma ótima pedida para entender que ceticismo NUNCA FOI E JAMAIS SERÁ uma exclusividade de argumentadores ateus. O ceticismo é para ser utilizado em qualquer contexto, e a belíssima obra de Rosenzweig comprova isso.
O resultado de aplicações do ceticismo não é outro senão a demolição de mitos.
Li o livro de Rosenzweig em 2 dias.
Assim como ele, eu também compilei tempos atrás uma lista de 9 mitos difundidos no discurso proselitista ateu.
Após uma experiência de 8 anos em duelos argumentativos com os ateus militantes, o resultado é a lista a seguir.
Vamos, então, aos 9 mitos neo ateístas:
Mito #01 – O ceticismo é propriedade do ateísmo
Esse mito é tão difundido que até o desafio do Bule, de Bertrand Russell, começa afirmando que os teístas deviam respostas aos “céticos” (quando na verdade se referia aos “ateus”). Nada mais falso. O ceticismo não é propriedade de nenhuma ideologia, nem a ateísta. Decerto que o ateu é cético em relação à existência de Deus, mas isso não implica que ele seja alguém basicamente cético. Há muitos ateus que acreditam em memes, Freud, genes egoístas, extraterrestres e muitas outras coisas. Ademais, o fato de alguém acreditar em Deus, não implica que este não seja cético em relação a outros assuntos. Particularmente, para mim a questão é simples: se eu acredito em Deus, para que eu preciso crer piamente em qualquer outra coisa? Tecnicamente, por ser religioso, minha obrigação é ser mais cético do que um ateu. Em vários exemplos que poderão ser vistos nesse blog, os ateus militantes portam-se com credulidade absurda, em vários casos beirando a fé cega. Por exemplo: muitas vezes eles lêem uma alegação no livro de Dawkins, ou Dennett, ou qualquer outra fonte do tipo, geralmente uma acusação anti-religião, e saem pregando a tal afirmação mesmo sem INVESTIGAR as fontes. Obviamente, um altíssimo grau de credulidade e fé cega é detectado neste tipo de ateu. E, ironicamente, esse tipo de ateu tende a agir de maneira extremamente desconfortável quando é submetido a uma bateria de questionamento cético. A grande prova de que o “ceticismo como propriedade do ateísmo” não passa de um mito é justamente o mecanismo que tem sido o impulsionador deste blog: o ceticismo. É exatamente isso: a principal forma de combate ao ateísmo militante é o ceticismo. E funciona com extrema eficiência, diga-se.
Mito #02 – A natureza do fundamentalismo e extremismo é religiosa
Outra crendice popular que já foi demolida principalmente após o advento da campanha atual do neo ateísmo. Antes, era fácil associar a idéia de que uma pessoa “fanática” automaticamente era uma pessoa “religiosa”. Extremismo? Provavelmente vinha da religião. Entretanto, o recente comportamento obsessivo e extremamente dedicado à anti-religiosidade visto nos seguidores de Dawkins e patota raramente possui precedentes até no comportamento religioso. Basicamente, o novo ateísmo traz tantas características de fundamentalismo e extremismo vistas basicamente somente em grupos como as Testemunhas de Jeová, da religião. Ademais, a forma de agir desses “novos ateus” não é uma exceção, sendo tal obsessão vista tanto em ateus militantes dos Estados Unidos, como também na Suécia, no Brasil, em Portugal, etc. Leitores de Richard Dawkins comportam-se como vítimas de lavagem cerebral, e a partir disso, atacam e difamam todos aqueles que não agem de maneira radical como eles. Não sobra nem para agnósticos e panteístas. É evidente que a natureza do fundamentalismo e extremismo é uma característica humana. Nos ateus, é facilmente visível nos neo ateus (e na religião ateísta “brights”). Nos religiosos, é facilmente percebida nas Testemunhas de Jeová.
Mito #03 – Os (neo) ateus são os representantes da ciência
Na tentativa de “inflar” o número de ateus na ciência, os neo ateus tentam usar estratagemas como afirmar que os cientistas não “acreditam em um Deus pessoal”, o que segundo eles seria o mesmo que “não acreditar em Deus”. Obviamente, uma distorção. Tentam, também, incluir todos os agnósticos, religiosos liberais, deístas e panteístas no grupo de ateus. Além disso, muitos dos ateus militantes fingem que divulgam ciência, e escrevem muito a respeito, mas basicamente para apresentar a falsa dicotomia entre ciência e religião. Ao tentar falar com maior insistência em nome do ateísmo (lembrem-se do mito 2), acabam afirmando que estão atuando em nome da ciência em sua pregação. Obviamente que pessoas facilmente impressionáveis podem acreditar neste mito, que é facilmente desmascarável através do ceticismo. Veja o exemplo dos quatro principais autores do neo-ateismo: Richard Dawkins é um cientista de segunda categoria (cujas teses científicas são quase místicas, como gene egoísta), Daniel Dennett é um filósofo que se meteu no âmbito da psicologia cognitiva, Sam Harris é também um filósofo que só recentemente adquiriu um (muito suspeito) doutorado em neurociência, enquanto que Christopher Hitchens é um jornalista. Se esses são os representantes “da ciência”, estamos indo bem mal… Mas, na verdade, os ateus nem de longe representam a ciência. Além do mais, a ciência é laica, portanto sequer necessita de representação com viés ideológico religioso ou anti-religioso.
Mito #04 – Há conflitos entre ciência e religião
Mito geralmente difundido em conjunção com o item 3. Na tentativa de criar a já citada falsa dicotomia entre ciência e religião, os neo ateus “inflam” a definição de ciência e tratam quase todas as situações humanas como se fossem um conflito entre ciência X religião, o que, naturalmente, é ilógico. Nessa discussão, geralmente eles se esquecem de que as áreas de conhecimento humanas envolvem domínios como Filosofia, Engenharia, Negócios, Política, Tecnologia, Matemática, Linguística e outros. Tecnicamente, a implementação de falsa dicotomia é utilizada para se “demonizar um oponente”, e é uma das táticas preferidas de lavagem cerebral. Não surpreende, portanto, que os neo ateus (que são os defensores principais da idéia de que ciência e religião estão em conflito) são as Testemunhas de Jeová do ateísmo. Obviamente, esse mito engloba várias sub-crenças, que eles não largam por nada deste mundo. A principal dessas crenças é a de que a ciência afirma que Deus não existe.
Mito #05 – Os ateus são mais racionais que os religiosos
É parte do discurso de pregação neo ateista que os religiosos representam a fé, e o ateísmo representa a razão. Só que esse mito é desmascarado quando observamos a maioria das publicações dos autores neo-ateus, recheadas de falácias, estratagemas erísticos, sofística, raciocínio de auto-ajuda, técnicas de lavagem cerebral e afins. O próprio componente de auto-ajuda é um sintoma da falta de racionalidade de uma parte considerável dos ateus (os neo ateus). Os livros de auto-ajuda são similares aos cultos da carga, e raramente produzem efeitos reais nas vidas de seus usuários. Dá para notar, por exemplo, no discurso de Richard Dawkins quando este diz que o ateísmo trará uma “sensação de liberdade”. Obviamente, uma declaração nem um pouco embasada por racionalidade.
Mito #06 – A consultoria ateísta sobre a religião é válida
Grande parte da pregação neo ateísta se baseia em criticar a religião e sugerir caminhos alternativos, ou até mesmo como a religião deveria ser utilizada pelos religiosos. Obviamente, isso é uma consultoria, justamente vinda de adversários. O que é de início extremamente suspeito: ou alguém aceitaria consultoria sobre formação do Estado de Israel feita por Palestinos? Ou uma consultoria sobre a família heterossexual brasileira feita por homossexuais heterofóbicos? Claro que não, pois existiria viés. Muitos ateus interpretam a Bíblia, por exemplo, como uma criança religiosa de 10 anos faria. E dizem que esta interpretação é a correta. Em suma, eles querem meter o bedelho em tudo. Outro exemplo são pessoas como Hector Ávalos e Bart Erhman, anti-religiosos (um deles se afirma como agnóstico, mas ambos são pregadores do neo ateísmo), que se envolvem em estudos da religião. Claro que isso não passaria por qualquer investigação cética. Em todos os casos, quando investigados, o que se descobrem são interpretações pueris da religião e atitudes de difamação. Ou seja, a consultoria deles não vale absolutamente nada. Quer dizer, até vale. Mas só se for para seguirmos os conselhos ao avesso.
Mito #07 – Os argumentos contra Deus são melhores que os argumentos a favor de Deus
Os ateus proselitistas clamam aos quatro ventos que há uma série de argumentos contra Deus, mas geralmente tais argumentos não passam de interpretações distorcidas de argumentos teístas e extrapolações indevidas do darwinismo. A maioria dos argumentos neo ateus a esse respeito não passam por qualquer exame lógico, e as “refutações” que eles fazem dos argumentos teístas geralmente são feitas em cima de versões deturpadas destes argumentos. Um dos exemplos mais notórios é a tentativa de Bertrand Russell refutar as cinco vias de Tomás de Aquino. Russell cometeu a fraude de substituir a expressão “a que chamamos de Deus” por “é Deus”, para então, com erística, simular uma uma refutação. Que jamais ocorreu, diga-se de passagem. Para piorar, mesmo alegando motivações racionais, os ateus militantes partem da conclusão apriorística da inexistência de Deus, e a consequente tentativa de atribuir causas para QUALQUER OUTRA COISA a não ser Deus torna os argumentos quase infantis. Decerto que nem todos os argumentos a favor da existência de Deus são válidos ou são comprovação da existência de Deus (no verdade, basicamente mostram que acreditar em Deus é mais racional do que não acreditar), mas dificilmente seriam piores que os argumentos ateus para a inexistência de Deus.
Mito #08 – A religião é a raiz do mal, o ateísmo é a raiz do bem
Para o ateísmo militante, quase toda a violência do mundo tem uma causa só: a religião. Segundo eles, quase todas as guerras surgem por motivações religiosas. E os homens bomba? Para eles, são simplesmente causados pela motivação de encontrar 72 virgens no paraiso. Tal discurso é propalado ad nauseam por todos os principais autores neo ateus. Sob investigação, no entanto, na quase totalidade dos casos a alegação neo ateísta é completamente refutada. Por exemplo: no caso dos homens bomba, eles não explicam por que existem tão poucos atentados com homens bomba no mundo, mesmo que o número de islâmicos chegue quase a um bilhão e meio. Ué, será que as 72 virgens motivam tão poucas pessoas a se explodirem? Mas e os Tamil Tigers, do Sri Lanka, que inventaram os atentados com homens bomba e eram marxistas/leninistas? E por que eles “inflam” os crimes da Inquisição? Da mesma forma, eles escondem os crimes cometidos pelos governos da Rússia e da China. Geralmente a desculpa é “se ateus mataram, é por outro motivo, mas não o ateísmo – se religiosos mataram, é por causa da religião”. O fato é que sob investigação esse é mais um mito demolido. A propagação deste mito por neo ateus é basicamente uma estratégia de chantagem emocional, aliás.
Mito #09 – Nos duelos, os religiosos devem ser mansos (virarem a outra face)
Esse é um dos mitos que alguns ateus parecem acreditar, e vários blogs (incluindo este) e autores recentes tratam de refutar. Entre esses autores, encontram-se William Lane Craig, Dinesh D’Souza e Alister McGrath – embora eu ache que todos os 3 são educadinhos demais, eu acho que o dobro ou o triplo de energia é o mínimo aceitável para adentrar duelos com ateus. Mesmo que o movimento de retaliação teísta contra as extensivas ofensas proferidas pelos ateus seja recente, já é um fato de que a idéia de que cristãos deveriam “virar a outra face” não passa de uma interpretação errada da Bíblia. O “virar a outra face” jamais significou que um religioso deveria suportar difamações calado. Da mesma forma, tal metáfora bíblica jamais significou que respostas enérgicas não pudessem ser fornecidas. A função central deste blog é esmagar, diariamente, todos os mitos citados. Mas o mito mais demolido aqui é realmente o mito 9. Os religiosos não só podem, como DEVEM, argumentar com energia, vigor, ceticismo, lógica, raciocínio de auditor e perspectiva de investigação de fraudes. É justamente aí que o castelo de cartas neo ateísta começa a desabar.
Técnica: Pacotão da Ciência

Última atualização: 04 de novembro de 2009 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Com essa técnica, o neo ateu tentará impressionar a platéia do debate usando a técnica de “falsa agregação de valor” à ciência.
Normalmente isso ocorre quando o neo ateu tenta (como quase sempre) o recurso de implantar a falsa dicotomia entre ciência e religião.
Diante dessa situação, ele poderá tentar computar vários méritos que são de outras áreas, como tecnologia, engenharia e administração, dentre outras, como se fossem méritos da Ciência.
Após isso, o neo ateu poderá tentar dizer que o religioso, ao “optar” pela religião, estaria contra todos estes benefícios. Obviamente, é uma mistura de falácia do falso dilema com falácia do espantalho.
Nesse “combo” ficcional criado pelo neo-ateu, o produto principal que ele tentará adicionar é a tecnologia (que, na verdade, estará até em maior quantidade do que a “ciência”).
Não é raro eles afirmarem que coisas como o GPS, os automóveis e os computadores, dentre outros, são todos méritos da ciência. Bem, só se ciência fosse um “combo” que incluísse não só a ciência como também a engenharia, a administração e principalmente a tecnologia.
O problema para eles é que a tecnologia, embora se baseie em grande parte em leis científicas e descobertas científicas, é uma área que funciona de forma INDEPENDENTE em relação à ciência, e sequer é regida pelos mesmos princípios que a ciência.
A ciência é uma área de conhecimento focada na pesquisa da natureza física e tangível. A tecnologia se baseia na produção de objetos utilizáveis pelo ser humano.
A ciência é principalmente acadêmica. A tecnologia é principalmente industrial.
Só isso já é suficiente para mostrar que a natureza da tecnologia é bem diferente da natureza da ciência.
E mesmo que a religião negasse a ciência (o que também não é verdade, como já foi mostrado diversas vezes neste blog), isso não significaria uma negação da tecnologia. E nem das áreas que dão suporte à tecnologia, como administração e engenharia.
O uso desta técnica é claramente uma chantagem emocional, e pode surgir de forma apelativa, em declarações como: “Se você nega a ciência, então como pode usar esse computador aí, que só existe por causa da ciência? Como usa o GPS então, pois ele foi trazido pela ciência?”.
Essa técnica foi utilizada por Richard Dawkins no início de seu vídeo “Enemies of Reason”, em que ele cita maravilhas da “ciência e tecnologia” e diz que o ser humano as rejeita enquanto busca superstições.
O que, como quase tudo que ele diz, não tem a mínima lógica.
Refutação
Basicamente, para refutar essa técnica basta conhecer a natureza de cada área adicionada ao combo:
- NEO-ATEU: Se não fosse a ciência, você não estaria andando em seu carro.
- REFUTADOR: Deixe de ser maluco, pois o meu carro é mais resultante da tecnologia e do P&D do que da ciência.
- NEO-ATEU: Mas há princípios físicos nos quais a montagem do carro se baseia.
- REFUTADOR: Sim, eu sei, mas também há vários outros princípios, que eu não nego. Mas não confunda tecnologia com ciência.
- NEO-ATEU: A tecnologia e a ciência caminham juntas.
- REFUTADOR: Nada mais falso, já que a tecnologia é muito anterior à ciência. Se há boas descobertas científicas, profissionais da tecnologia farão uso delas, assim como de qualquer coisa que for útil. Mas o foco é bem diferente.
- NEO-ATEU: Só que o princípio é o mesmo…
- REFUTADOR: De jeito algum. A base da ciência é a pesquisa acadêmica, focada nas descobertas sobre a natureza física e tangível. A tecnologia é focada na confecção de produtos utilizáveis pelo ser humano. Toda nova tecnologia tem uma justificação, geralmente como ativo tangível ou intangível (por exemplo, salvar vidas humanas, o que não é tangível financeiramente). Ou seja, você não sabe diferenciar uma da outra. Dica: vá estudar ciência e não tente me enrolar. Sou religioso e faço uso de toda tecnologia que eu quiser. E não adianta fazer chantagem emocional!
[E daí por diante, sempre fazendo uso de definições reais da ciência e tecnologia, assim como de engenharia, matemática ou qualquer outra coisa que o neo ateu tentar colocar dentro do "combo" da ciência - essas definições grassam pela Internet]
Conclusão
Técnica ingênua e maliciosa, mas quase juvenil. Curiosamente, é usada por vários autores neo ateus quando tentam usar da falsa dicotomia entre ciência e religião. Obviamente que a tecnologia é muito mais EVIDENTE ao ser humano do que algumas descobertas científicas por si só. Portanto, como a ciência por vezes não é tão IMPRESSIONÁVEL ao grande público, eles tentam fazer uso da tecnologia e VENDÊ-LA como ciência para impressionar a patuléia. Com isso, seria feita a dicotomia entre o “mundo tecnológico” e o “mundo das trevas”. No entanto, a técnica, apesar de impressionar à primeira vista, é facílima de refutar. Não passa de mera manipulação dos conceitos e tentativa de “inchar” a definição de ciência.
Além da auditoria: o self-assessment religioso para debates

Que este blog transcende a perspectiva do mero ceticismo para o âmbito da auditoria e da investigação de fraudes, isso já deve ter ficado notório aos leitores.
Ademais, um dos objetivos aqui é mostrar práticas de auditoria para que os religiosos possam AUDITAR os argumentos apresentados pelos neo-ateus, e então apresentem refutações estruturadas destes.
Mas o foco deste post é outro: é buscar olhar um pouco para nós mesmos.
E mostrar como a aplicação de uma “pré-auditoria” pode ser útil até internamente. Isso significa que o teísta poderá investigar os seus próprios argumentos a serem apresentados, ANTES que os argumentos sejam publicados ou divulgados.
É o princípio do self-assessment, também utilizado (muito) nas organizações.
Nas empresas, o self-assessment se baseia em uma revisão compreensível e sistemática das atividades da organização, e seus resultados, em comparação com um modelo de excelência (para referência). Isso tudo realizado pelos próprios responsáveis pelas atividades, antes que chegue à alçada da auditoria interna ou externa.
Transcendendo isso para o mundo dos debates, é basicamente checar e avaliar os seus próprios argumentos antes de apresentá-los.
O motivo para isso é um só: assim como você pode refutar fácil muito dos argumentos neo-ateus, um neo-ateu (ou até um ateu tradicional) pode refutar os seus argumentos, caso você tenha incluído neles componentes facilmente refutáveis. Esses componentes são erros argumentativos básicos, falácias e estratégias erísticas, além da divulgação de informações fraudulentas.
Notem como eu pego um texto de um neo-ateu (há vários exemplos neste blog). Geralmente o sujeito aparece com o textinho dele e acha que vai passar pela checagem. Quando eu começo a encontrar os erros no argumento, o neo-ateu começa a fraquejar, e logo vai para a lona. A partir daí, torna-se presa fácil.
O mesmo pode ocorrer caso um teísta apresente argumentos com tais tipos de falhas lógicas.
Notem esse exemplo, em que um teísta tentou dizer que a ciência não substitui a religião:
A ciência consegue mudar a vida de uma pessoa pra melhor? Consegue converter o coração de uma pessoa má e torná-la melhor? Consegue dar a paz que as pessoas precisam em um mundo tenebroso como o que enfrentamos hoje? Vocês deviam ler por exemplo as Bem-Aventuranças, que é a maior lição que Jesus deu a todos.
É correto o fato de que a ciência não substitui a religião, mas ele deveria ter feito isso apresentando os OBJETIVOS tanto de ciência como de religião.
Ele optou pelo caminho inverso e recheou o seu discurso de falácias e erros lógicos.
Vamos a eles:
- (1) A ciência consegue mudar a vida de uma pessoa pra melhor?: A pergunta dele perde o efeito, pois a ciência consegue mudar a vida de não só uma pessoa para melhor como também de muitas pessoas. E de forma diferente que a religião, mas consegue. Logo, isso não ajuda em nada o argumento dele.
- (2) Consegue converter o coração de uma pessoa má e torná-la melhor?: A questão do “coração de uma pessoa” é subjetiva, e não poderia ser alegada. Seria melhor considerar governos com ou sem religião, e observar os efeitos em larga escala, até de forma científica. Mas o questionamento à ciência aqui é também inútil, e apela a um objetivo que NÃO é da ciência. Erro grosseiro.
- (3) Consegue dar a paz que as pessoas precisam em um mundo tenebroso como o que enfrentamos hoje?: A questão da “paz” é também subjetiva, portanto não deve ser alegada. Carl Sagan dizia que olhar para as estrelas do universo lhe dava a “paz de coração” que necessitava. Logo, qualquer um pode dizer que retira tal “paz” de onde quiser. Não serve como argumento.
- (4) Vcs deviam ler por exemplo as Bem-Aventuranças, que é a maior lição que Jesus deu a todos.: Eu sou católico, e acho que realmente é a maior lição. Mas nem todos são cristãos, então o argumento dele só seria válido se o outro interlocutor fosse cristão.
Mas o pior de tudo é que o argumentador ainda por cima ASSUMIU que ciência e religião eram opostos, e portanto deveria haver uma ESCOLHA.
Ele caiu na armadilha desejada por qualquer neo-ateu: aquela que diz que há conflito entre ciência e religião.
Obviamente que eu afirmei ao debatedor ANTES que qualquer neo-ateu se expressasse: “você já perdeu esse debate”. E perdeu mesmo. Qualquer um refuta isso fácil, e não demorou meia hora para o refutarem.
E, detalhe, não era preciso que o outro fosse neo-ateu para ter vontade de refutar isso tudo que o teísta escreveu. Até um ateu tradicional iria fazê-lo. EU MESMO já me disponibilizei para refutar.
A lição que fica é: o direito de cometer erros lógicos e ser ignorante em relação aos conceitos básicos do que é ciência e religião, além do que é lógica e argumentação, é democrático: tanto pode acontecer com um religioso ou com um ateu.
E todos se tornam vulneráveis no debate após cometê-los.
Por isso, o conhecimento básico antes de qualquer debate que envolva religião e ciência é:
- (1) Saber o que é religião e teologia
- (2) Saber o que é ciência e epistemologia (mas nada de Carl Sagan, por favor, e sim Popper, Kuhn, Descartes…)
- (3) Saber o básico de lógica e argumentação
- (4) Conhecer o ceticismo e seus limites
- (5) Saber auditar e investigar fraudes de possíveis argumentos oponentes
- (6) Praticar o self-assessment
Até por que, independente do responsável por um argumento ser teísta ou ateísta, meus olhos ou ouvidos não são penico.
