Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

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Técnica: Genocídios na Rússia e China causados por irracionalidade

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Última atualização: 31 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Esse estratagema é usado por neo ateus em complemento à técnica “Religiões diferentes causam conflitos” ou em qualquer variação na qual alegam que a incidência de religião é um FATOR de conflitos em geral. Normalmente, nesse sentido, eles usam o período das Cruzadas ou até outros conflitos para dizer que a religião teve influência neles (algo como “se lá houvesse ateísmo, ao invés da religião, talvez os conflitos não ocorreriam”). A função da técnica inicial, previsivelmente, é tentar vender ao leitor a idéia de que a eliminação da religião aumentaria as chances de paz.

O “problema” da Rússia e da China é que ambos os países, em períodos de gestão ateísta, tiveram conflitos em que se tornaram praticamente os campeões mundiais em genocídios. Uma argumentação que alguns neo ateus fazem é que se as mortes ocorreram, foi em nome de qualquer outra coisa, menos ateísmo. O difícil é eles explicarem por que a anti-religiosidade, exatamente similar à do neo-ateísmo, era PRIORITÁRIA em tais implementações. Mas esse não é o único problema teórico. O outro reside no fato de que os maiores exemplos de atrocidades na história recente ocorreram nesses países, que não eram “vitimados” pela religião.

Para “resolver” esse amontoado de problemas, eis então que autores como Sam Harris criaram este estratagema que é tratado aqui. Eles consideram então a religião como “irracional”, e, portanto, esse é o único atributo com o qual ela será tratada pelo neo ateu. Em seguida, ele faz a segunda manipulação semântica, e atribui o rótulo de irracional a todos os atos da Rússia e da China nos governos comunistas. Com isso, o neo ateu espera não só inocentar o ateísmo, mas TRANSFERIR a culpa desses eventos para a religião (lembremos, ele manipula a religião e trata-a pura e exclusivamente por irracionalidade). Portanto, temos um caso de DUPLA manipulação semântica.

O argumento pode ser resumido da seguinte forma:

  • (a) Religião é irracionalidade
  • (b) Ateísmo é racionalidade
  • (c) Mesmo ateus, os regimes comunistas da Rússia e da China foram frutos da irracionalidade
  • (d) Logo, a culpa dos genocídios da Rússia e da China pertence à religião ou algo igual à religião

Que é um estratagema dos mais desonestos possíveis, e suficiente para colocar sob suspeita de idoneidade moral qualquer um que fizer uso dele, isso já deve ter ficado evidente para todos. O que surpreende é que não só Sam Harris como também Richard Dawkins e Christopher Hitchens o tenham usado em avassaladora quantidade em seus livros.

Em relação às premissas (a) e (b) elas são automaticamente demolidas simplesmente pela ausência absoluta de evidências que as corroborem, além do fator lógico, conforme mostrado neste post. Aqui é mostrado que o ateísmo nem de longe é a opção mais racional. Pelo contrário, dentre as opções disponíveis, é a menos racional.

O terrível problema do argumento, no entanto, resulta na segunda falsa associação (de novo, não podemos esquecer que a primeira havia sido a tentativa de associação automática de religião com irracionalidade), que é a dos genocídios serem frutos da irracionalidade.

Nada mais falso, pois não há irracionalidade nas atitudes de Stalin e Mao. Os genocídios foram atos completamente racionais e coerentes em relação à ideologia que eles seguiam, que é o marxismo – ideologia, aliás, que deve ser viabilizada juntamente com fortíssimas campanhas de doutrinação ateísta e eliminação da religião. Não há como colocar a culpa dos genocídios na irracionalidade, mas sim na IMORALIDADE (e a moral era outro fator contra o qual os ideólogos do marxismo lutavam). A grande verdade é que os atos dos genocídios foram completamente imorais mas não deixam de ser racionais. Desta forma, se as premissas (a) e (b) são automaticamente falsas, (c) também é. Logo, nenhuma das premissas dessa argumentação passa pelo escrutínio lógico.

Conclusão

Mais um exemplo mostrando que, para subversivos em geral, vale tudo na defesa da classe, inclusive usar duas manipulações semânticas em um único argumento, somente com o intuito de difamar a religião e tentar tornar o ateísmo ileso de investigação. A refutação se baseia simplesmente em mostrar que todas as premissas deste argumento são inválidas.

Escrito por lucianohenrique

março 31, 2010 em 11:47 pm

O comuteísmo de Eliel Vieira

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Eliel Vieira, do site Desconstruindo, tentou refutar um texto de Norma Braga. Norma escreveu um artigo chamado “Por que não sou de esquerda”. Eliel ficou aparentemente brabo e quis dar uma resposta à altura.

Eis então a surpresa. Eu, que costumava ser um leitor de vários artigos de Eliel (embora já tivesse percebido ares de “cristão manso” em alguns de seus posts), fiquei extremamente decepcionado com uma série de argumentações que beiram a insanidade.

Curiosamente, ele começa tentando convencer ao leitor de que “não é comunista”. Vejamos:

Antes de começar, também gostaria de deixar claro algo muito importante aqui. Eu não sou comunista. Para não haver confusão, vou repetir: eu não sou comunista. Como pode ser evidenciado neste texto, eu questionei um amigo meu comunista sobre algumas posturas comunistas quando achei justo fazê-lo (isto para não citar os diversos debates que já tivemos sobre variantes desta controvérsia política-social). A verdade é que, na maior das controvérsias sociais, eu não sou esquerdista nem direitista. Eu sou alguém que, observando a controvérsia do “lado de fora”, busca analisar os pontos-chave da mesma, refletindo sobre algumas conclusões à luz de alguns fatos que podemos observar na sociedade. Eu também não gostaria que considerassem minha neutralidade aqui como uma posição “em cima do muro” – eu não me decidi ainda (como o fiz quando abandonei o calvinismo), pois acho que não li e refleti ainda o suficiente para tomar uma decisão equilibrada e que abranja todas suas implicações.

Não deixa de ser curioso ver um texto caindo nas maiores ilusões do comunismo e ao mesmo tempo chegando a distorcer o cristianismo, na tentativa de resposta à Norma. Como não importa a declaração formal dele de que “não é comunista” e sim o comportamento que ele demonstrará, veremos pela análise de seus argumentos se ele é comunista ou não. Eu já começo apostando que ele já se decidiu pelo comunismo e está com vergonha de falar isso tão rápido. Será que estou certo? Prossigamos:

O Problema do Mal

Eliel apresenta um argumento pífio dizendo o seguinte “o problema do mal é pior para um cristão do que para um ateu”. E quais as provas dele para isso? Segundo ele, C. S. Lewis chamou Deus de “torturador cósmico” quando a amada Joy morreu em “A Anatomia de uma Dor” e o ateu niilista André Cancian disse que não se preocupa com o “problema do mal”.

Logo de cara, Eliel confundiu as bolas. Quando se fala em problema do mal, tratamos de uma questão filosófica, que ele confundiu vergonhosamente com um tratamento emocional do mal. Estranho, pois ele já devia saber disso, já que William Lane Craig tirou todas as dúvidas com esse vídeo aqui.

Agora, mesmo na questão EMOCIONAL, as amostras com C. S. Lewis e André Cancian são amostragens reduzidas, e NÃO COMPROVAM que teístas tem mais PROBLEMAS com “o problema do mal” do que os ateus. Muitas vezes um ateu pode ficar indignado se o mal ocorrer e então por isso dizer que Deus não existe, e um teísta pode xingar a Deus. Mas isso, de novo, não é o problema do mal na questão filosófica.

Por que isso é importante? Pois a abordagem de Marx é FILOSÓFICA, portanto é nesse nível que Eliel devia estar discutindo, e não na abordagem emocional. O erro dele, portanto, é de causar vergonha alheia.

Provavemente, Eliel tentou essa enrolação sobre o “problema do mal” para tentar invalidar a afirmação de Norma ao dizer que Jesus “satisfez essa urgência que temos de encontrar uma resposta para a existência de sofrimento no mundo, então quem não está em Cristo necessariamente precisa externalizar esta crise existencial e é daí que começamos a presenciar os grandes males da humanidade”.

Nota-se que ele não entendeu absolutamente nada do que Norma escreveu. Vou tentar, então, simplificar, interpretando o que naturalmente se quer dizer com isso:

  • (a) Para o cristão, sendo que Jesus morreu na cruz, alguém não pode ser culpado pelos pecados do mundo
  • (b) Logo, não precisamos de “salvadores da humanidade”, e sim pessoas que fazem o melhor de si e pelo próximo
  • (c) A idéia de que precisamos de “salvadores da humanidade”, e que até o Eliel pode fazer parte dessa turma se virar comunista, é uma ILUSÃO
  • (d) Pois o raciocínio baseado em (c) não passa de FACHADA para iludir e criar novos militantes

Será que é difícil de entender um negócio tão simples, Eliel? Nota-se que ao tentar tratar do problema do mal no ambito emocional, Eliel praticou um Red Herring dos mais grosseiros possíveis. E quando a Norma escreveu que “assim, a violência aumenta na mesma proporção do secularismo” ela estava se referindo a países que RETIRARAM a influência da religião de seu cenário. Os grandes exemplos, naturalmente, são a Alemanha Hitlerista, a Rússia de Lênin e Stálin, Cuba e outros.

Torcendo para os ateus

Sabem um grande problema dos neo ateus e comunistas? Vou citar de novo o post do dia anterior:

A anti-religiosidade vista na época da Revolução Russa era diretamente advinda do ateísmo radical (que é a mesmíssima coisa que é pregada pelos neo ateus), e a base era a negação de qualquer valor moral oriundo da religião. Conforme Marx disse, no Manifesto Comunista, “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses”, assim como “o comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral”. Mais um exemplo da luta contra a moral objetiva está na declaração de Lenin, ao dizer que “justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta”, assim como “subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. Não surpreende, haja vista ele também ter afirmado que “o melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral”.

Está bem claro pelo visto acima que não dá para conciliar cristianismo com comunismo. Um dos sistemas prega a verdade (e tem até entre seus mandamentos “não praticarás falso testemunho”), e o outro defende o uso de “estratagemas e dissimulações”, desde que seja de acordo com sua causa. É fácil de entender por que os comunistas optam pelo “vale tudo” no momento de defender suas idéias. Como um novo “ampliado” foi ENROLADO por uma utopia, este passa a considerar todos os que estão contra essa utopia como inimigos. E então, contra esses, vale tudo, até mentir. Claro que coisas muito piores que a mentira tendem a ocorrer. Isso é o comunismo, em essência.

Segundo Heitor di Paola:

Como a ideologia opera através de um splitting, uma ruptura da personalidade, permite evitar sentimentos dolorosos como a empatia com os outros e o amor ao próximo, a misericórdia, a ternura. O amor ao próximo se torna um “amor a toda a Humanidade”, desprezando os seres reais e concretos que, em geral, incomodam. Não há “amor ao próximo”, considerado sentimento burguês, mas um suposto e idealizado amor a toda a humanidade, que inclui a possibilidade de que o próximo poderá e deverá ser sacrificado em nome do todo, se assim for exigido para aprofundar o processo histórico. Há uma verdadeira e profunda inversão de valores.

É por isso que não surpreende que “simpatizantes do comunismo” (estou sendo gentil) podem até mentir no seu ideal. Uma das mentiras é fingir que a Norma não se referia aos países que se tornaram de controle ateísta, mas sim a alguns países europeus, que estão distante de se tornarem “países ateus”.

Nessa mentira, Eliel usou um estratagema neo ateu dos mais baixos, que é dizer que “os dados mais recentes apontam para uma realidade completamente vergonhosa para nós, cristãos, e que contradizem sua afirmação”. Ele prossegue dizendo o seguinte:

[...] um estudo estatístico realizado pela ONG Vision of Humanity, por exemplo, quanto menos influenciado pela religião for um país, mais pacífico ele é. Vergonhosamente admito que eu conheço mais não-cristãos militantes em questões sócio-ambientais e éticas do que cristãos engajados nas mesmas frentes. Estou eu defendendo o ateísmo? Não! Apenas estou sendo fiel aos fatos.

Para início de conversa, esse papo de “realidade completamente vergonhosa para nós cristãos” é pura encenação. Eu não tenho nada do que ficar envergonhado, pois eu vou atrás dos fatos, e não de propaganda ateísta e comunista. Se Eliel quiser fazer cena de “envergonhado” que fale POR ELE e não pelos cristãos em geral. Até por que, depois desse show de barbaridades que ele escreveu, sei que o meu cristianismo é o tradicional, e não um cristianismo self-service, que vive do “sou cristão, mas”.

Querem notar um absurdo? Ele ACEITOU a notícia publicada aqui, que diz isso: “O chamado ‘Ranking da Paz 2009′, um estudo estatístico realizado pela ONG Vision of Humanity, demonstra que os países com menos influência religiosa tendem a ser mais pacíficos. Por isso, Nova Zelândia, Dinamarca e Noruega, países em que o conflito religioso na sociedade é praticamente inexistente, lideram o ranking. Na outra ponta da tabela aparecem Iraq, Afeganistão e Israel.”

Quando investigamos a notícia, vemos que foi o JORNALISTA que adicionou a informação de que “países com menos influência religiosa tendem a ser mais pacíficos”. Essa informação NÃO EXISTE no artigo original. Ou seja, uma vergonhosa falta de ceticismo de Eliel. Para piorar, ele assume que os países do topo da lista são ateus. De onde ele tirou isso? Ou ele acreditou no repórter ou acreditou na propaganda de gente como Richard Dawkins e Sam Harris. Algumas observações

  • (1) Ele assumiu que países com uma taxa “menor” de religião do que outros são “mais ateus”. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
  • (2) Uma flutuação na religião entre os países não indica maior ou menor INFLUÊNCIA da religião no país. Por exemplo, a taxa de religião dos Estados Unidos é similar à do Brasil, mas lá a religião é muito mais INFLUENTE…
  • (3) A retirada de países como Vietnam, China e Cambodja e Russia da menção no artigo é mais uma desonestidade intelectual do repórter, e de novo Eliel caiu feito um patinho.
  • (4) A Nova Zelândia é um país com 56.3% de religiosos, a Noruega possui 80.7 % e na Dinamarca 82% das pessoas pertencem à Igreja Luterana – alguns ateus argumentam que a frequência à Igrejas é baixa, principalmente na Noruega e Dinamarca, e isso os tornaria ateus, o que é besteira, pois não vou à Igreja à tempos, e isso não me torna ateu.
  • (5) Deve-se tomar cuidado com manipulações de números feitas por neo ateus, e um exemplo é este post que fiz há tempos.

Enfim, eu poderia prosseguir nos erros metodológicos, mas, pelo visto, não há nada do que algum cristão deva se envergonhar. No caso, eu sinto vergonha alheia pelo papel feito pelo Eliel, por acreditar em site de orientação ateísta sem usar o ceticismo.

E, de novo, ele não respondeu à questão da Norma, que tratava de países SECULARES, no caso, ela falava de países que TIRARAM a religião do cenário, como Rússia, China, Cuba, Cambodja, Vietnã, etc…

Mais problemas com números…

Eliel agora parte para rodeios, pois quer retirar as acusações de crimes em países comunistas, e daí traz uma propaganda igualzinha aquela feita por professores marxistas de faculdade (acho que ele deve estar sofrendo doutrinação de algum guru marxista, só pode):

[...]se assim for o que dizer então do próprio cristianismo? Quantos foram mortos nas Cruzadas? Quantos foram mortos na Idade Média por serem “hereges”? Quantos foram mortos durante a Reforma? Será que Serveto, ordenado à morte pelo amigo de Norma João Calvino, sentiria alguma diferença entre os reformadores e aqueles que ela critica?

Isso aqui acima só pode ser piada. Como pode alguém que debateu com ateus tanto tempo escrever uma besteira como esta acima? Só posso rotular isso de absoluta falta de senso de proporções. Vejamos aqui como Dinesh D’Souza já refutou tentativa semelhante feita por Christopher Hitchens. Para se ter uma idéia do nível, ele está usando argumentos de gente como.. Hitchens.

Deus, um criminoso… isso para Eliel

Vejam só que “maravilha” o argumento dele:

E o que dizer sobre os crimes atribuídos a Deus na Bíblia? Afinal de contas, chacina é chacina não importa em qual contexto ela aconteça. Se formos contabilizar apenas as mortes atribuídas a Deus na Bíblia (especialmente no AT), temos o número de 2.391.421 mortes. Mas se quisermos podemos contabilizar também todas as 75 mil mortes causadas pelo terremoto no Haiti, já que o para grande amigo dos anti-esquerdistas Julio Severo (e eu devo levar em conta o que ele diz, pois os de direita são “mais cristãos” que os de esquerda) o terremoto no Haiti foi causado efetiva e soberanamente por Deus.

Eu só posso chamar isso aqui de um OANI (objeto argumentativo não identificado). Eliel deve ter caído no dramalhão de Dawkins quando este disse o seguinte: “O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo. Aqueles que são acostumados desde a infância ao jeitão dele podem ficar dessensibilizados com o terror que sentem.”

Notaram a semelhança do discurso do “garoto que está se decidindo se vai ser comunista ou não” (estou respeitando-o e não atribuindo a ele o rótulo de comunista diretamente) com o dos neo ateus?

Antes de tudo, a comparação das mortes causadas por Deus com mortes causadas por seres humanos é mais uma variação da falta de senso de proporções que está acometendo o Eliel. Como já dito aqui, a influência de adeptos da mentalidade revolucionária pode causar danos irreparáveis.

For God’s Sake… não é possível comparar Deus com seres humanos. A explicação que vou dar aqui não é nem teológica, e sim aquela que daria para uma criança de 10 anos. Olha, Elielzinho, Deus não é um ser humano, ele não convive com outros deuses. Se ele resolver matar toda a população da Terra, ainda assim não será um crime, um homicídio, um genocídio, entendeu? Esses atributos só podem ser aplicados a seres humanos. Logo, se Deus resolver matar 2 bilhões, e o seu guru comunista resolver matar 1 “ampliado” que tenha desistido, ele é um canalha e Deus não. Capisce? Tentar justificar os crimes dos regimes comunistas com as mortes causadas por Deus na Bíblia é simplesmente ignorância absoluta dos atributos que definem Deus e os atributos que definem um ser humano. Ou má fé mesmo. Um discurso até compreensível para um neo ateu (que usa de burrice programada muitas vezes), mas inaceitável para alguém que já estudou o assunto.

E como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada, pois ele já caiu no clichê de atacar o Júlio Severo ad nauseam. E todos os ataques são basicamente ad hominem, nem um pouco argumentativos. É, Eliel, o nível de vossa argumentação está realmente baixo…

Vejamos mais:

Novamente, não gostaria que me atribuíssem nomenclaturas. O rigor lógico me impulsiona a analisar ambos os lados da questão sob os mesmos padrões. Se o comunismo é mal porque milhões morreram, por que o tratamento deveria ser diferente quando quem mata é a Igreja de Deus, ou o próprio Deus? Agir de forma diferente é desonestidade intelectual, e não vou incorrer neste erro em nome de uma coisa tão pobre intelectualmente como o “anticomunismo”.

Mas o que nós estamos vendo no discurso de Eliel que não desonestidade intelectual e o uso dos piores e mais manjados argumentos neo ateus e comunistas? Ok, não o chamarei de comunista, mas posso avaliar o comportamento, não? E, de novo, ele incorre no erro ao dizer o seguinte: “Se o comunismo é mal porque milhões morreram, por que o tratamento deveria ser diferente quando quem mata é a Igreja de Deus, ou o próprio Deus?”. Na questão da Igreja de Deus, a resposta já foi dada acima, por Dinesh D’Souza, e no caso de Deus, ele segue fazendo a confusão entre Deus e seres humanos. Convenhamos, é uma argumentação somente lícita a uma criança.

Desculpa esfarrapada

Como não tem argumentos para defender sua posição (principalmente no arremedo de comunismo e cristianismo, o que é indefensável – ao passo que comunismo com ateísmo é excelente combinação), ele parte para alguns recursos que de argumentativos não tem nada:

Aliás, permitindo-me compartilhar algo pessoal aqui, a falta de critério, a desonestidade intelectual e os argumentos “ataque o espantalho” são um repelente muito forte a mim para que eu adote a posição “direita” no que se refere à controvérsia social.

O engraçado é que vemos que aqueles que OFICIALIZARAM o uso da retórica, dos estratagemas, e da dissimulação foram os comunistas. Hoje, para um conservador, um debate fica muito fácil contra um comunista, pois este último está acostumado a usar os estratagemas típicos que os gurus lhe ensinaram, e a nós basta usar o guia de falácias, um checklist de erística e da contra-informação, e deixar os comunistas se enforcarem por si sós. Para tirar as dúvidas, vamos à sequência:

A própria Norma, neste doloroso ensaio, chama o conceito de “classe dominante” de vago. Mas por que é vago? O que falta a ele? Em qual sentido é vago? Onde ele erra especificamente? Depois Norma diz que uma favela do Rio pareceria “condomínio de luxo” se comparada a Cuba. Mas será que isto ocorre por causa do comunismo em si, ou por eles (Cuba) serem embargados economicamente, impedidos de importar tecnologia e crescer, pelos EUA? Você critica Chavez, mas por que não diz sobre os crescimentos de todos os índices de desenvolvimento humano e social na Venezuela, que estão em plena ascensão?

Olhem a choradeira. Uma boa parte do mundo hoje simpatiza com regimes como os de Cuba (ex. a China, a Russia, a Venezuela, o Brasil). E aí os “coitadinhos” de Cuba dizem que existem dificuldades lá somente por causa do EMBARGO dos Estados Unidos. Mas que beleza hein? Isso se chama fugir da responsabilidade. Quanto a Chavez, ele começa a omitir informações, como a crise energética que o país sofre, e a recente prisão do dono de uma rede de televisão que… criticou Chavez. Como se vê, quando alguém sofre doutrinação comunista, começa a MAQUIAR a realidade para se adequar à sua teoria. Os fatos já não são mais importantes para Eliel. Uma pena.

Nada é mais patético, no entanto, do que ele dizer que o conceito de “classe dominante” não seria vago. Vamos ensinar um pouco de comunismo ao Eliel (que ainda deve estar na fase de aprendizado, portanto o perdoarei por essa): o comunismo tem como uma de suas bases a idéia de que há uma “classe dominante” e uma “classe oprimida”, e ambos vivem em uma luta. O que está na classe oprimida não se rebela por não conseguir se organizar ou por estar condicionado aos “valores burgueses”. Isso tudo está no Manifesto Comunista, portanto Eliel pode consultar direto da fonte. O que isso significa? Eu, por exemplo, sou consultor, e cobro por hora do meu trabalho, e tenho uma empresa de consultoria. Ela é pequena, e tenho dois sócios, mas prefiro assim do que assumir um cargo de gestão atualmente (acho muito estressante). Eu lutei bastante para poder cobrar bem, e considero todos os meus contratantes como pessoas abençoadas, e o trabalho é uma benção para mim. Quem me dá trabalho é alguém que merece o meu respeito. E não um opressor meu. O maluco do Marx quer que pessoas que trabalhem passem a ACHAR que o seu empregador é o seu inimigo. É claro que é uma visão completamente neurótica e torna seus adeptos praticamente neuróticos. Tudo que eu aprendi com o cristianismo envolve RESPEITAR aquele que lhe dá trabalho, e fazer sempre o seu melhor (já ouviu falar da parábola das minas, Eliel?), e não ficar igual criador de caso achando que o seu patrão é um “inimigo”. Aliás, o patrão é “inimigo” justamente daqueles que pensam assim. Pois os que se esforçam, que dão o seu melhor, geralmente se destacam. É por isso que essa coisa de “classe dominante” ou até a “luta de classes” é algo que está na cabeça dos comunistas. Aí é claro que o patrão pode colocá-lo mais de canto. Esse tipo de gente tende a ser mais criador de caso nas empresas do que realmente alguém produtivo…

Distorção total

Eliel diz o seguinte, a respeito da idéia da reestruturação da sociedade:

Vou tentar respondê-las: primeiro, até que me seja provado o contrário, eu não vejo tanta incoerência assim em aderir a um movimento que busca, através de uma reestruturação da sociedade, acabar com a disparidade entre classes ou, usando um termo muito conhecido por todos, acabar com a “desigualdade social”. No socialismo, pelo o que eu entendo de sua proposta, ninguém trabalha para si, mas todos trabalham para todos, como em uma sociedade de formigas. Não há, contudo, menor incoerência entre este modelo e o que era usado, por exemplo, pelos cristãos da Igreja Primitiva (leia Atos 4: 32-36). O texto bíblico destacado a seguir deixa muito claro que não havia “propriedade privada” entre os cristãos primitivos – tudo era trago aos apóstolos, que repartiam entre as pessoas conforme a necessidade de cada um.

Ainda realmente não caiu a ficha para ele. A tal “reestruturação da sociedade” com o fim da “disparidade entre classes” nega diretamente a Bíblia, em vários quesitos. Primeiramente, esquece-se de que na Bíblia é dito que Deus julgará alguém PELOS SEUS ATOS, e não que as coisas devem cair de mão beijada. O mérito é importante para os cristãos. Em seguida, para acabar com essa suposta “disparidade” (que para qualquer pessoa que avalie racionalmente é simplesmente a meritocracia), é preciso existir o ROUBO de propriedade. Para igualar um proletário com um burguês e transformá-los em “2 proletários”, é preciso que um roube do outro. Será que preciso ensinar ao Eliel os 10 mandamentos?

Risível também é ele comparar o ESTILO DE VIDA dos cristãos da Igreja Primitiva com a DOUTRINA do comunismo. Isso é de novo mais um sinônimo de ausência de senso de proporções. O estilo de vida dos cristãos daquela época era permitido pela ECONOMIA da época. Hoje, isso é absolutamente inviável. A Bíblia não é PRESCRITIVA em relação a economia. Portanto, querer viver igual os apóstolos viviam naquela época (ou dizer que se quer recriar aquelas condições de vida) é apenas uma ENROLAÇÃO utópica, mas não serve para justificar que isso é “cristianismo”. Cristianismo tem a ver única e exclusivamente com a DOUTRINA CRISTÃ, e não com supostas armações retóricas para fingir que se está propondo “viver como os apóstolos”. E se Fidel Castro disse que “há dez mil vezes mais coincidências do cristianismo com o comunismo do que as que pode haver com o capitalismo”, falta a ele explicar por que matou mais de 100.000 pessoas em seu regime. Bem cristão isso, não é?

O show maior de pérolas vem ao final.

Pode-se argumentar que o socialismo prega mais do que apenas melhoria social. Pode-se argumentar que, (1) o comunismo cometeu vários crimes no passado e busca de alargar suas fronteiras – bem, assim como os países capitalistas também o fizeram, e assim como os próprios cristãos também já fizeram seus assassinatozinhos; (2) o comunismo é uma ditadura – sim, mas trata-se de uma ditadura do povo, diferente de uma ditadura dos ricos sobre os pobres, como acontece no capitalismo; (3) o comunismo instaura um Estado que “pune seus dissidentes” (a segunda pergunta retórica de Norma) – sim, pois em uma sociedade do tipo comunista, passaria a ser crime qualquer ação que configurasse (ou pudesse caracterizar no futuro) exploração da mão de obra de outras pessoas. Aliás, na sociedade socialista da Igreja de Atos, Pedro rogou uma praga que matou na hora Ananias e sua esposa, que tentaram ser “dissidentes” do modelo. Portanto, a punição pela dissidência, seria normal – assim como é normal punir quem usa drogas em uma sociedade que condena este ato; (4) o comunismo é hipócrita, pois os líderes do movimento possuem luxos que proíbem o povo de ter – sim, isto acontece, mas isto só prova que a hipocrisia sempre vai existir, por causa da depravação do ser humano. Na própria Igreja do Senhor existe hipocrisia, não é?! Acaso isto prova a não-veracidade da fé cristã? Absolutamente não!; (5) o comunismo é mais do que apenas um modelo social-econômico que pensa nos pobres, ele é uma cosmovisão necessariamente ateísta – Marx era ateu, sim, bem como praticamente todos os líderes revolucionários que defenderam a bandeira do comunismo. Também é verdade que um dos principais discursos dos comunistas é de que “a religião é o ópio das massas”. Porém o fato de uma conclusão comunista não ser verdadeira não implica que toda a teoria e proposta do comunismo são equívocas. Deus existe, sim, mas ainda assim existe o problema das mazelas da nossa sociedade, da desigualdade social, da fome, etc. Se a igreja prefere permanecer de braços cruzados sobre este problema (quando ela não deseja piorar o quadro, com ensinos diabólicos como a “teologia da prosperidade”), que as pedras clamem, pois até delas Deus consegue fazer filhos de Abraão (Mateus 3: 9)! Se a igreja não se preocupa com o meio ambiente, graças a Deus pelo Green Peace; se a igreja só pensa em dinheiro e pouco está se lixando com a sociedade, graças a Deus por aqueles que se preocupam!

Vamos por partes:

1 – Isso aqui já foi refutado por Dinesh D’Souza. O comunismo tem em sua ideologia AMBIÇÕES GLOBAIS, além da promessa de utopia (para justificar qualquer coisa feita em nome dela), ao contrário do capitalismo, que não promete falsas esperanças

2 – Que engraçado ele dizer que no comunismo é “ditadura do povo”. Será que ele não percebeu que isso não passa de recurso de linguagem? Na verdade, o comunismo é um sistema em que um grupo toma o poder de forma totalitária, mas que isso seria só uma “fase de transição” para o comunismo real. Mas os próprios adeptos do comunismo são contra a “moral” ou “qualquer ética burguesa”, como esperar que eles cumpram a promessa de entregar a ditadura ao povo? O resultado é sempre ilusão…

3 – Comparar a ação de Pedro, na Bíblia, que tem um cunho simbólico, com a permissão de que um Estado faça tudo, inclusive mortes de dissidentes, é mais um exemplo de falta de senso de proporções. Notaram que a falta de senso de proporções é uma mania entre os “ampliados”?

4 – O engraçado é que muitos líderes na Igreja vivem uma vida sem luxos. Ao passo que os líderes comunistas possuem luxos absurdos. Ou seja, de novo Eliel demonstra falta de senso de proporções. Em nome da tentativa de inocentar o comunismo de sua história abjeta, vale qualquer distorção, não é?

5 – Tudo isso que ele disse após o item 5 já caiu na beira da histeria. Ele diz que “A Igreja não se preocupa” mas “os comunistas sim”.  Ó, iluminados comunistas, os únicos “interessados” no bem da humanidade, não? É assim que começa. O cara já fez a divisão na cabeça dele mostrando que há “os que se preocupam” (eles, os comunistas), e os que “NÃO se preocupam”. Tudo isso, diante de muitas doses de falsa dicotomia, demonização do oponente, sensação de pertencer a um movimento para “salvar a humanidade” é o que? Simplesmente: mentir para si próprio. O problema em si não é o ateísmo, mas o que se deriva de um ateísmo radical, que é a negação da moral. Essa é a base do comunismo. Que incluiu, para os líderes dessa “coisa”, até a criação de ilusões para doutrinar pessoas que vão achar que lutam pela “salvação da humanidade” e são apenas bucha de canhão para permitir a chegada no poder desses totalitários.

E chegamos à conclusão, pois isso já está repulsivo demais para o meu gosto:

Por fim, quero dizer novamente que não sou comunista – ainda há muito o que pensar e refletir – mas posso dizer que estou muito mais longe de loucos direitistas crentes em um Deus terrorista como Julio Severo do que dos militantes comunistas. O apelo social deles é relevante, e quanto a isto não parece haver dúvidas. Apesar de não ser comunista, entretanto, quis mostrar nesta resposta que as mui superficiais e falaciosas palavras de Norma não convencem a mim e, espero e confio, à Igreja de Cristo no Brasil.

Esse discurso de dizer que “não é comunista” será respeitado, embora eu pessoalmente não acredite. Raros comunistas defenderiam o comunismo tão ardorosamente, usando de tantas distorções, como fez Eliel. Que apelou até para o discurso NEO ATEÍSTA! Além de tudo, a baixaria foi tamanha que ele não se furtou em ofender Julio Severo duas vezes (aliás, é mania de comunista ofender o Júlio Severo). Talvez realmente eu não concorde com tudo que Severo diz, mas pelo menos a busca dele é honesta, fugindo de utopias, falsas esperanças e de distorções da Bíblia.

As palavras de Norma não foram falaciosas, mas representaram o que é o cristianismo. Uma das bases do cristianismo é buscar a verdade, e buscar respeitar os 10 mandamentos. E não usar de mentiras dissimuladas e estratagemas (como os líderes do comunismo já confessaram que fazem) em prol de seus interesses.

E no dia em que a Igreja do Brasil apoiar formalmente o comunismo, aí é que não ponho os pés nela de jeito nenhum. E vou continuar sendo cristão. Ah, mais um motivo para notar que o argumento dos “países ateus” trazido por Eliel era furado mesmo.

Depois de um texto tão bizarro como este do Eliel, sugiro a ele uma experiência que será espiritual:

Que ele vá nas reuniões dos grupos comunistas e faça os seguintes questionamentos baseados em fatos:

  • (a) Por que os petistas alugaram uma mansão de 12.000 reais por mês para a Dilma ficar durante a campanha? Não é um excesso?
  • (b) Por que o Foro de São Paulo trazia a participação dos líderes da FARC durante vários anos?
  • (c) A ação do MST é imoral ou moral? E quando eles atacaram aquela fazenda no Pará e prejudicaram vários estudos genéticos?
  • (d) O comunismo alega que deve haver uma fase de transição do comunismo de estado para o comunismo do povo. Por que nunca se passou da fase de comunismo de estado?
  • (e) Vai sair um filme (ver trailer) mostrando uma vítima dos terroristas comunistas no Brasil, que recebe menos dinheiro hoje dos que os criminosos. Isso é justo ou não?

Vai ser divertida a reação deles. Será uma lição sobre a “moral” comunista…

Escrito por lucianohenrique

março 30, 2010 em 12:01 am

A estratégia Keyser Soze

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ATENÇÃO (Spoiler) – Se você ainda não assistiu “Os Sete Suspeitos”, talvez não seja recomendável assistir o vídeo acima, que explicita o que é o personagem Keyser Soze. Se você já viu o filme, ou não liga para o spoiler, não há problema em acompanhar o texto até o final. Em todo o caso, colocarei a parte do texto com spoiler grafada em vermelho também.

Estava eu participando dia desses em um debate que tratava do comunismo. Um dos participantes, comunista (naturalmente), queria simplesmente INTERROMPER o debate e dizia, incessantemente, que o comunismo não existia mais.

A partir daí, o sujeito começava a destoar os seus mantras, como “o comunismo já acabou”, “você ainda pensa que está na época da Guerra Fria?”, “que conspiracionismo é esse?”, e diversos.

O curioso é que basta questionarmos o seguinte à ele para vê-lo perder grande parte de sua ação: “Ué, se eu sou então um conspiracionista, e tudo o que afirmo é mentira, por que há tanto interesse em me demover da idéia?”. Ora, se eu fosse tão “paranóico”, por que ele não deixaria eu apresentar uma idéia errada, com ele me apoiando no caminho em direção ao abismo? Se eu estivesse lutando contra um inimigo imaginário, por que então não me deixar seguindo por esse caminho? Até por que, se o inimigo é imaginário, ninguém seria afetado, certo?

Como ele não se segura e não consegue esconder que tudo que ele executa é apenas uma fachada, ele nem percebe o quanto está dando na cara. Qualquer um percebe que o sujeito está querendo barrar uma investigação.

Para variar, a estratégia Keyser Soze também já foi executada até por alguns neo ateus, que, como tenho mostrado aqui, são apenas mais uma variação de subversivos. Justiça seja feita. Sua aplicação por neo ateus é muitíssimo mais rara do que a aplicação por comunistas. Mas é só dar tempo ao tempo, pois o perfil comportamental deles é o mesmo e eles estão apenas no começo de sua militância.

Esses neo ateus dizem “nós somos apenas uns gatos pingados que estávamos esquecidos no armário”. Engraçado é que ele não explica, por exemplo, esse frenesi todo quando Dawkins foi fazer uma palestra na Universidade de Oklahoma.

Quer dizer, esconder os fatos, e tentar mentir para a platéia, dizendo coisas como “comunismo já acabou” ou “neo ateísmo é só um movimento sem maior importância” (ou até “neo ateísmo nem existe direito”) já é, de cara, uma atitude desonesta intelectualmente, para não dizer uma mentira deslavada.

Aquele que mente, de forma estruturada (ou seja, planeja o seu discurso selecionando as mentiras que vai usar, avaliando-as apenas pelo seu efeito de marketing de sua agenda ao invés de qualquer busca pela verdade), já é uma pessoa sem dignidade. E, por que não dizer, sem moral.

O que não deixa de ser irônico, pois muitos neo ateus tem como base de sua campanha a afirmação de que é possível ser “moral” sem ser religioso. Capaz, como eu já disse várias vezes aqui, pois a pessoa ateísta poderá ter assimilado isso da cultura cristã.

O que é inviável, naturalmente, é alguém ser moral e ao mesmo tempo ser neo ateísta ou marxista militante. E, apenas como um exemplo, a estratégia Keyser Soze já é baseada em mentira deliberada, o que é naturalmente… imoral.

No filme, Keyser Soze é um personagem ficcional, que é parte da história contada por Verbal Kint (Kevin Spacey). Kint é na verdade um criminoso, mas cria o personagem Keyser para iludir a polícia. O grande objetivo no entanto era convencer as pessoas da inexistência dos crimes de Keyser em si, quando na verdade os crimes eram de Kint. Durante o filme, Kint usa a frase “A maior jogada do Diabo é convencer os outros de que ele não existe”, o que é, na verdade, o grande truque dos comunistas (e provavelmente irá se tornar outro truque padrão de vários neo ateus futuramente) atualmente, tentando convencer as pessoas de que o comunismo “não mais existe”.

O difícil para eles é tentar explicar por que na América Latina, uma boa parte dos paises possuem hoje regimes socialistas. E também explicar por que regimes que são uma transição para o socialismo estão até em alguns países da Europa. Claro que eles também possuem um problema teórico para explicar a Venezuela, as FARC, o MST, a Dilma, o Lula, o Foro de São Paulo, etc.

Tecnicamente, eles estão com uma tarefa muito mais difícil do que o personagem de Kevin Spacey.

Mas que são dedicados, ah, isso eles são…

Escrito por lucianohenrique

março 22, 2010 em 12:58 am

Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 3 – Marxismo cultural

com 15 comentários

Vamos relembrar, antes de prosseguirmos, algumas características que eu citei da mentalidade revolucionária:

  • (a) promessa de um futuro utópico, inexorável
  • (b) ausência completa de julgamento moral para os atos do grupo que defende essa idéia, pois ela é tão bela que os fins justificam os meios
  • (c) remodelação do conceito de ser humano, na busca do super-homem
  • (d) ambições globais
  • (e) sensação de ser um agente da luta por esse futuro

Já deu para ver que a mais completa das manifestações da mente revolucionária é justamente o marxismo. Inspirado por Epicuro (no passado), e posteriormente por Hegel e principalmente Feuerbach, Karl Marx, juntamente com Friedrich Engels, criou, dentre outras obras, o Manifesto Comunista, lançado em 1848.

Depois de alguns ideólogos da Revolução Francesa, tudo que se conhecia do passado virou fichinha, em termos de mentalidade revolucionária, com o surgimento do marxismo. Até o neo ateísmo se torna meio ingênuo diante do marxismo. Tecnicamente, o neo ateísmo é apenas o carro-chefe (ou braço direito) do marxismo, pois nenhuma ideologia da mentalidade revolucionária é tão abrangente quanto o marxismo.

Vejamos, por exemplo, como está descrita uma das idéias no Manifesto Comunista:

Uma vez que desaparecerem as diferenças de classe no curso do desenvolvimento, e toda a produção concentrar-se nas mãos de indivíduos associados, o poder público perderá seu caráter político. Em sentido próprio, o poder público é o poder organizado de uma classe para a opressão de outra. Se o proletariado, em sua luta contra a burguesia deve necessariamente unificar-se em uma classe única, se, em decorrência de uma revolução, ele se converte em classe dominante; e como classe dominante, suprimir pela violência as antigas relações de produção, suprimirá automaticamente, juntamente com essas relações de produção, as condições de existência da oposição de classe e, por esse viés, as classes em geral e, com isso, sua própria dominação de classe. No lugar da antiga sociedade burguesa com suas classes e oposições de classe surge uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.

Quanto ao que está acima, não restam dúvidas de que atende a todos os parâmetros que descrevem a mentalidade revolucionária, principalmente a luta por um objetivo utópico, maravilhoso (tão maravilhoso que, em sua busca, os fins justificam os meios, independente dos meios), ausência completa de moral na busca desse objetivo (pois, como já dito, o objetivo é “maravilhoso”) e a sensação de ser um agente nesta busca (portanto, ausente de julgamento moral). Durante a leitura do manifesto, encontramos facilmente o conceito de remodelação do ser humano, além das ambições globais.

Claro que isso tudo não comoveria os “intelectuais” da época não fossem, por exemplo, várias estratégias de manipulação psicológica e lavagem cerebral, como a criação da falsa dicotomia, que é a forma como Marx & Engels justamente abrem o seu manifesto:

A história de toda sociedade até nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre e oficial, em suma, opressores e oprimidos, sempre estiveram em constante oposição; empenhados numa luta sem trégua, ora velada, ora aberta, luta que a cada etapa conduziu a uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou ao aniquilamento das duas classes em confronto.

É natural, então que a falsa dicotomia seja utilizada por eles até hoje, em seus discursos, assim como todas as ideologias dos agentes orgânicos, dentre as quais se inclui o neo ateísmo, sempre usam os mesmos recursos. Vamos imaginar como isso funciona. Imagine que você seja um assalariado, e, portanto, tem um patrão. Na mentalidade de um marxista, ele é teu inimigo. Assim como se há uma ordem moral, externa ao ser humano, que diga que você não pode roubar a propriedade dele, esse é o problema da “ordem moral”, que, na mente deles, é opressora e arbitrária, e que, segundo eles, lhe tornaria um conformista.

Obviamente, não é o momento ainda de estipularmos o motivo pelo qual o neo ateísmo é essencialmente parte do marxismo cultural, pois deixarei maiores detalhes disso para a parte 5, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Pelo momento, focaremos no marxismo, e no marxismo cultural, e então em associações com a irreligião.

O que é importante para o momento é apenas relembrarmos o início do marxismo, e como ele atende perfeitamente ao conceito de mentalidade revolucionária. Como tal, as idéias dos marxistas são incorrigíveis, portanto, os fatos que futuramente negarem a teoria serão todos rejeitados, pois a teoria é o que vale, e não os fatos que teriam que sustentá-la. E como surgiu isso? Simples. A promessa do futuro utópico, que TEM que acontecer (para eles), é tão bela que tal tipo de mentalidade não aceita que ela não seja verdade. Com isso compreenderemos por que tal tipo de raciocínio permanece até hoje, mesmo que os fatos não corroborem praticamente nada das alegações de Marx & Engels em relação ao “conflito de classes” e como qualquer pessoa sã notaria tal iniciativa de criar um mundo de Smurfs (todos vivendo em igualdade) era realmente ingênua.

Claro que tal tipo de ideologia com foco em mentira e auto-ilusão seria claramente anti-cristã. A alegação marxista era de que a religião era o “ópio do povo”, e que, por causa disso, eles não lutariam por não serem inconformados. Como sempre, de novo tudo era julgado somente pelos filtros e pela ideologia simplória deles. Se não atendia aos objetivos da luta de classes, então era um problema. Restava a eles a difamação pública da religião, assim como fariam para qualquer construção cultural que estivesse contra os objetivos da revolução.

O horror, o horror

Nada poderia ser pior para os marxistas do que ver a sua ilusão ser quebrada. E não é preciso ir muito a fundo para ver que a ilusão era forte. Senão, vejamos como Marx & Engels terminaram o seu Manifesto Comunista:

Em uma palavra, em toda a parte os comunista apóiam qualquer movimento revolucionário contra as ordens sociais e políticas estabelecidas. Em todos esses movimentos, destacam como questão fundamental do movimento a questão da propriedade, qualquer que seja a forma, mais ou menos desenvolvida, que ela possas ter assumido. Enfim, os comunistas trabalham, em toda a parte, pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países. Os comunistas recusam-se a dissimular suas concepções e seus propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos pela derrubada violenta de toda a ordem social passada. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista. Os proletários nada têma perder, exceto seus grilhões. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!

Até aqui, esse “fecho” apenas continua corroborando tudo que já vimos a respeito da mentalidade revolucionária. Mas faltava ainda que um dos aspectos ficasse mais explícito, que é a ambição global. A citação acima justamente nos mostra que, indiscutivelmente, a ambição era global. Marx & Engels não pensavam com foco com contexto de um país, mas sim de forma global.

Marx & Engels queriam criar uma sensação de animosidade dos proletários em relação aos burgueses. Não é muito diferente das iniciativas atuais de Dawkins e Cia., que querem criar uma sensação de animosidade dos ateus em relação aos religiosos, assim como os líderes gayzistas fazem o mesmo, criando uma relação de ódio dos homossexuais perante os heterossexuais. O padrão é o mesmo.

A grande expectativa dessa turma era de que os membros da “classe” se juntassem, de forma global, contra aquilo que consideravam a classe opressora. Na lógica deles, podemos supor que pensavam assim: se usamos bem a estratégia da falsa dicotomia, no ambito da criação de relação de ódio de uma classe com outra, a fidelidade teria que ser à classe, e não às suas convenções sociais, culturais, familiares, patrióticas, etc. Em resumo, a expectativa era de que os proletários se juntassem e se revoltassem, e destruíssem todos os capitalistas. Na visão deles, havia só um time: proletários x burgueses, independente de a qual país eles pertencessem.

Vou usar aqui uma analogia, com a panela de pressão, que empresto do Pe. Paulo Ricardo, um dos principais teóricos sobre o Marxismo Cultural, que elaborou uma palestra que é a principal fonte inspiradora desta parte do ensaio. A idéia é mostrar que a suposta opressão que os trabalhadores sofriam era tamanha que todos estes trabalhadores se juntariam, e iriam se revoltar, como uma panela de pressão que estoura. A revolta seria contra os capitalistas e burgueses. Ao final da revolta, seria implementada a justiça social. Ficam aqui resumidas, então, as principais expectativas dos marxistas na concepção do marxismo clássico.

Um conflito europeu de grandes proporções já era previsto por Marx há muito tempo, e antes da Primeira Guerra Mundial, as iniciativas subversivas comunistas já surtiam o seu efeito. Diante dessa grande panela de pressão, prestes a explodir, a expectativa era de que os trabalhadores de todos os países se juntassem, aproveitassem o momento de conflito, e direcionassem suas armas não aos “companheiros” de outros países, mas aos opressores. Ora, se todos estavam cheio de armas, para lutar nos campos de batalha, que tal se eles se juntassem e tomassem o poder, estabelecendo a Ditadura do Proletariado?

Eis então que a Primeira Guerra Mundial, que tomou espaço entre 1914 e 1919, mostrou justamente o contrário. Trabalhadores lutaram sim contra trabalhadores de outros países, em prol de seu país, de sua cultura, sua família, seus valores. A previsão de que os trabalhadores deveriam se unir simplesmente não aconteceu. Isso, obviamente, era uma ofensa, um horror para qualquer marxista naquele período. Se havia um momento em que a revolução deveria acontecer, globalmente, era na conquista de toda a Europa pelos proletários. E que melhor momento para isso acontecer que não na Primeira Guerra Mundial? No fim das contas, a decepção dos marxistas foi algo de até hoje eles não se recuperaram. Algo como entrar em campo achando que vai levar o título, aplicando uma goleada, e sair com o vice-campeonato, após tomar 6×0.

Até aqui fica claro de que a teoria pregada pelos marxistas simplesmente fracassou. E sabemos que a mentalidade revolucionária foca na teoria, e não nos fatos. Não obstante, o impacto psicológico deve ter sido grande para eles, em alguns casos até a ponto de desistência, mas os mais “dedicados” à utopia não iam largar isso por nada. Eles tinham que arrumar os “culpados” para o fato da teoria não funcionar.

Ao menos, tiveram um alívio pelo fato do objetivo ter sido alcançado na Rússia, em 1917, com a Revolução Bolchevique. Foi o suficiente para que os marxistas pensassem que não está tudo perdido, restando então entender o que deu errado na aplicação da teoria à Europa.

Após a Guerra, terminada em 1919, várias revoltas de cunho socialista começaram a ocorrer ao redor do Globo, como a revolta espartacista em Berlim. Podemos definir a revolta espartacista (ou segundo alguns de Revolta Espartaquista, ou Revolução Alemã de 1918-1919) como um conjunto de iniciativas, lideradas por Rosa Luxemburgo, influenciadas pela Revolução Russa de 1917. O Kaiser, Guilherme II, considerado um dos responsáveis pelo fim do império alemão na época, caiu nesse período. Na época, os comunistas conseguiram até controlar a região da Baviera, ao sul da Alemanha, onde foi fundada uma República Socialista. A partir dali, eles queriam expandir o movimento. A vida desse movimento revolucionário foi curta, pois eles foram dominados pelo governo, de linha social-democrata, o qual se estabeleceu após a queda do Kaiser.

Quer dizer, se a Revolução Russa deu uma esperança aos comunistas, após a decepção com o fracasso da iniciativa marxista na Primeira Guerra Mundial, o governo alemão tratou de decepcioná-los de novo. Droga, diriam eles, “isso não é justo”. Eles ainda tentaram implementar o Governo Soviet de Munique, mas também não deu certo.

Até aqui o score era mais ou menos assim:

  • Na Rússia, deu certo
  • Na ambição européia, deu tudo errado
  • Em uma tentativa na Alemanha, deu errado de novo
  • Em uma nova tentativa na Alemanha, tudo deu com os burros n’água
  • Na Hungria… para variar, o barco virou

Na Hungria, havia um filósofo, Georg Lukács, que apoiava o governo de Bella Kuhn. Kuhn era comunista, mas perdeu o poder após as tropas romenas terem invadido o país.

Na Itália, no entanto, a derrota foi mais dolorosa ainda para os comunistas. Mussolini fundou o movimento fascista em 1919, com foco em um programa baseado na república, na separação entre Igreja e Estado, um exército nacional, além do desenvolvimento de cooperativas. O fascismo italiano tinha até algumas características da mentalidade revolucionária, mas era oposição à outro tipo de mentalidade revolucionária, o marxismo. Em resumo, a anarquia dos comunistas era rejeitada ferozmente por Mussolini. Uma das críticas ao comunismo era a idéia do laissez-faire desse governo. Nota-se que Mussolini era até um pouco ingênuo, pois o nível de controle do estado visto na Rússia era bem maior do que aquele visto na Itália. No fim das contas, o fascismo era brincadeira de criança perto dos governos comunistas em termos totalitários. O que importa para nós, no entanto, é estudar mais um momento em que o comunismo simplesmente não vingou.

Um problema teórico… mas nada que a mentalidade revolucionária não resolva

Até esse momento, não é difícil notar que temos duas teses:

  • (1) Os trabalhadores se uniriam, em prol dos interesses da classe, ignorando os valores, a moral estabelecida, a família e a pátria, todos contra a burguesia
  • (2) Os trabalhadores estariam, juntos dos “burgueses”, em prol da defesa de sua pátria, sua cultura, sua família, seus valores, etc.

O que aconteceu, durante e após a Primeira Guerra Mundial, é que a tese (2) foi vista em toda a Europa, com a exceção da tese (1), que vingou na União Soviética. Uma mente científica naturalmente pensaria que a tese marxista não funcionava, e que a União Soviética deveria ser estudada como o “ponto fora da curva”. A mentalidade revolucionária age de forma inversa. Na União Soviética a tese se implementou, ela está correta, e todo o resto da Europa era o ponto fora da curva.

Esse problema teórico resultou no movimento chamado Marxismo Cultural, que, conforme mostraremos aqui, pode ser muito mais danoso que o próprio Marxismo em si. Motivo: ele serve como um “enabler” para iniciativas futuras do Marxismo.

Como a mentalidade revolucionária cria factóides em sua mente para justificar o não funcionamento de suas teorias (que, para ele, são inquestionáveis), a missão dos teóricos do marxismo cultural era encontrar o motivo pelo qual os fatos não se adequavam à teoria. Como Pe. Paulo Ricardo disse: “Para os marxistas, a teoria é inquestionável, e se a realidade não está seguindo a teoria, pior para a realidade”.

Antonio Gramsci, fundador do partido comunista italiano, e Georg Lukacs, que eu citei anteriormente, podem ser considerados os precursores do marxismo cultural. E ambos chegaram, através de contatos mútuos, a uma resposta em comum: o problema é que a cultura ocidental não habilitava as práticas revolucionárias comunistas. Quer dizer, era preciso atacar os pilares da cultura ocidental, para torná-la apta a receber um regime como o soviético.

Não demorou para esse pessoal definir que a família cristã era uma das culpadas. Na verdade, nem precisariam pesquisar muito, pois o próprio Manifesto Comunista já se denuncia. Segue, direito daquele documento:

Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados diante desse desígnio infame dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho individual. A família, na sua plenitude, só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família para o proletário e na prostituição pública. A família burguesa desvanece-se naturalmente com o desvanecer de seu complemento e uma e outra desaparecerão com o desaparecimento do capital.

O que eles chamam de “família burguesa” é simplesmente a família tradicional. São convenções e elos que os marxistas, na época, consideravam “artificiais”. O motivo é óbvio. Se alguém é ligado à sua família, tem maior risco de ser ligado à um conjunto estabelecido de valores, e ao seu país e suas convenções também. Para os marxistas, o proletário pertence à “classe”, e não à sua família, as convenções sociais, seu país, etc…

Mas, além disso, existiam as 3 colunas, que também eram todas defensoras da família, e portanto, consideradas como inimigas. Lukacs e Gramsci já definiam que os vilões, contra os quais as lutas deveriam ser travadas:

  • filosofia grega
  • direito romano
  • moral judaico-cristã

Em relação ao Direito Romano, sabemos que as revoluções marxistas não prezam pelo direito adquirido e nem pelo respeito à propriedade. Noções como jurisprudência, por exemplo, incomodam a eles. Motivo: tudo isso limita a luta dos proletários. Para implementar as revoluções, as leis tradicionais devem ser ignoradas. As leis são boas, para eles, somente quando atendem aos direitos da classe. Um exemplo pode ser visto na questão das invasões de terra pelo MST, ou na ação de tráfico de drogas pela FARC. Em termos legais, condenáveis, correto? Não para a mentalidade revolucionária, pois para eles todos os atos estão a priori justificados, e não sendo então condenáveis. Não é isso que a base do direito romano nos diz, e portanto, ele será considerado uma instituição burguesa a ser atacada pelos adeptos do marxismo cultural.

Na questão da filosofia grega, é bom notar do que falamos aqui. Falamos do CERNE da filosofia grega, que são os 3 grandes sábios: Sócrates, Platão e Aristóteles. Todos eles, na época, buscavam a verdade. E como a mentalidade revolucionária encararia tal busca? Isso não seria satisfatório para eles. Não é raro notar como os revolucionários simulam desdém por qualquer idéia aristotélica ou socrática. Em contrapartida, um pseudo-filósofo menor, como Epicuro, é idolatrado por esse pessoal (tratarei mais da oposição de pensamentos entre Epicuro e Aristóteles na parte 6 deste estudo). Motivo: Epicuro não acreditava em coisas como verdade, ao passo que Aristóteles era obcecado pela verdade. E de que lado os marxistas iriam ficar? De Aristóteles? Claro que não.

Mas nenhum adversário era tão prioritário, nessa luta, quanto a moral judaico-cristã. Em agradecimento ao site Darwinismo, segue a ótima compilação abaixo que mostra um pouco do que esse pessoal pensava sobre “moral”.

  • “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses.” (Karl Marx, no Manifesto comunista, p. 36)
  • “O comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral” (Karl Marx, no Manifesto comunista. p. 44)
  • “A moral, é a impotência colocada em ação” (Karl Marx, em “A Sagrada Família”)
  • “Justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta” (Lênin apud Alceu Amoroso Lima, Introdução ao direito moderno, ed. Agir, p. 15)
  • “Subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. (Lênin, Staat und Revolution, zit. n. Ausgewälte Werke, Bd, II, Moskau, 1947, 225).
  • “O melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral” (Lênin)
  • “Lênin ensinou, como se sabe, que, para atingir o objetivo almejado, os bolchevistas podem, e às vezes devem, usar qualquer estratagema, como o silêncio e a dissimulação da verdade…” (Novaia Rossia, 17-2-38).
  • “É necessário saber adaptar-se a tudo, a todos os sacrifícios e até, se necessário for, usar vários estratagemas, enganos, procedimentos ilegais, usar o silêncio, a dissimulação da verdade para penetrar nos sindicatos, permanecer neles, desenvolver neles a qualquer custo o embrião comunista.” (Lênin apud Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “Invocar em nossos dias as “verdades eternas” da moral significa tentar fazer retroceder o pensamento.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “Quem não quiser voltar a Moisés, Cristo ou Maomé, nem satisfazer-se com um ecletismo arlequinesco, deve reconhecer que a moral é um produto do desenvolvimento social; que ela não tem nada de imutável; que serve aos interesses da sociedade; que esses interesses são contraditórios; que, mais que qualquer outra forma ideológica, a moral tem um caráter de classes.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “Não existem, então, preceitos morais elementares elaborados pelo desenvolvimento da humanidade e indispensáveis à vida de qualquer coletividade? Existem, sem dúvida, mas sua eficácia é muito incerta e limitada. As normas “obrigatórias para todos” são tanto menos eficazes quanto mais áspera se torna a luta de classes. A guerra civil, forma culminante da luta de classes, suprime violentamente todos os laços morais entre as classes adversas.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “As normas morais “obrigatórias para todos” adquirem, dentro da realidade, um conteúdo de classe, isto é, um conteúdo antagonístico. A norma moral é tanto mais categórica quanto menos é “obrigatória para todos”. A solidariedade dos operários, especialmente nas greves ou por detrás das barricadas, é infinitamente mais “categórica” que a solidariedade humana em geral.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “O fim (a democracia ou o socialismo) justifica, em certas circunstâncias, meios como a violência e o homicídio.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “Do ponto de vista das “verdades eternas” a revolução é, naturalmente, “imoral”. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
  • “O juízo moral está condicionado, como o juízo político, pelas necessidades internas da luta.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)

Agora, uma pergunta: como é que com esse tipo de mentalidade, como vista acima nas declarações de Marx, Lenin e Trostky, seria possível um diálogo com uma sociedade sedimentada na cultura ocidental, baseada na família, com alicerce no direito romano, filosofia grega e, principalmente, a moral judaico-cristã? Simplesmente, não é possível. Curiosamente, Trostky se tornou dissidente russo, refugiou-se no México e foi assassinado com marteladas na cabeça a mando de um agente de Stalin. Pelo menos Trostky não poderia reclamar de nada, já que ele mesmo escreveu que os fins justificam, em certas circunstâncias, até a violência e o homicídio.

Gramsci e Lukacs sabiam que para permitir a futura revolução marxista, era preciso atacar a base da cultura ocidental. Enfim, corroer o organismo internamente, como um parasita. Eis então que o marxismo cultural assume a frente da luta revolucionária, enquanto o marxismo tradicional ficará relegado ao segundo plano, por uns tempos. Abordarei isso em mais detalhes na parte 5 deste ensaio, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Por enquanto, nos preocupemos com a base histórico-cultural deste movimento social, que será útil, como veremos após a conclusão desta parte do ensaio (assim como das partes 4 e 5), para entender a importância política do neo ateísmo.

Entra em ação o marxismo cultural

Até o momento sabemos que o pensamento dos marxistas era: “Se quisermos ter qualquer ambição de implantar o marxismo no Ocidente, é preciso acabar com a filosofia grega, o direito romano e, principalmente, a moral judaico-cristã”.

Alguns poderão até questionar: “mas a crítica à religião assumiu maior força no Iluminismo, não?”. Correto, mas a crítica era no máximo à influência da religião politicamente, com foco na criação do Estado Laico. E não uma eliminação da religião do cenário público. O marxismo tem uma iniciativa muito mais ousada. É preciso atacar a religião e retirá-la da discussão pública, pois a influência da religião, parra eles, é danosa. Na questão da religião, podemos dizer que os liberais (aqueles de bases iluministas), lutam pelo estado laico. O que é totalmente diferente do ataque e retirada das religiões do cenário público.

O que importa, principalmente agora, é saber que essas prioridades foram descobertas em 1920. Uma coisa curiosa é notar como Bertrand Russell, de um início mais “low profile” contra a religião, se tornou praticamente um dos precursores do neo ateísmo. Influências naturalmente advindas da campanha marxista. Haja vista que ele se “converteu” ao marxismo durante sua carreira.

Começava aí o movimento que pode ser chamado de “marxismo ocidental”, o que é um eufemismo para o Marxismo Cultural. Inicialmente, os camaradas de Moscou não ficaram muito satisfeitos com esse tipo de marxismo. Entretanto, veremos mais à frente, que a própria KGB fez uso principalmente desta espécie de marxismo. Tratarei isso na parte 4, em que trarei a história de Yuri Bezmenov, um desertor russo que era especialista em aplicações práticas de Marxismo Cultural. A expressão “marxismo ocidental” foi cunhada pelo filósofo marxista Maurice Merleau-Ponty (1908-1961).

Os primórdios do Marxismo Cultural, como já mencionado, relacionam-se a Antonio Gramsci e Georg Lukacs. Em relação ao primeiro, como já mencionei, dedicarei a parte 5 a ele, neste ensaio. Se hoje vemos a idéia dos intelectuais orgânicos, temos que considerar Gramsci como o principal responsável. Lukacs, por sua vez, queria incutir nos trabalhadores a “consciência de classe”, e usou o termo “revolução cultural”, com foco em mudar o senso comum da sociedade. Em tese, uma abordagem diferenciada, embora não tão detalhada como a de Gramsci, para a implementação do marxismo por vias culturais.

A partir dessa dupla, uma série de acadêmicos começaram a construir o “core” de idéias que tinham como foco destruir a base da civilização ocidental, que, como já vimos, é considerada “inimiga” do marxismo.

A Escola de Frankfurt

Cortina de Ferro era um termo utilizado para definir a divisão da Europa em duas partes: Oriental e Ocidental. Eram tratadas como áreas de influência político-econômica distintas, no pós Segunda Guerra Mundial. A Europa Oriental tinha o controle político/influência da União Soviética e a Europa Ocidental sob o controle político/influência dos Estados Unidos.

A proposta dos marxistas culturais era manter a “integridade” cultural dos países do Oriente, e implementar idéias marxistas no Ocidente. A partir daí surgiu uma série de filósofos, que muitos até aceitam como se fossem pessoas normais, mas no fundo todos são portadores da mentalidade revolucionária, na manifestação marxista: Ernst Bloch, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Jurgen Habermass, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, dentre outros.

O principal catalizador deste movimento pode ser definido como a Escola de Frankfurt. Para compreender sua origem temos que remontar a 1923, na Alemanha. Por lá, ocorreu a Semana de Trabalho Marxista, na qual alguns filósofos marxistas se reuniram para discutir o tal problema teórico de que antes falamos. A discussão era: “Por que a realidade não atendeu a teoria?”. Nessa semana, participavam Georg Lukacs e Felix Weil. Nesse ponto, Lukacs já tinha descoberto, juntamente com Gramsci, que o problema estava nas 3 colunas (filosofia grega, direito romano e moral judaico-cristã). O problema para os marxistas culturais agora não era discutir o “por que” (isso já tinha sido feito por Gramsci e Lukacs), mas sim “como” resolver o tal problema teórico.

Felix Weil assumiu função importante nesse ponto, ao criar em 1924 o Instituto para Pesquisas Sociais, em Frankfurt, na Alemanha. O Instituto se tornou, naturalmente, o quartel-general das discussões sobre como implementar o marxismo pelo mundo. Weil era o filho de um próspero comerciante, Hermann Weil, que teve como custear os estudos do filho em instituições renomadas como nas universidades de Tubingen e Frankfurt. Nessa última, Felix recebeu seu doutorado em ciência política. Nessa fase acadêmica, foi doutrinado pelas idéias socialistas e marxistas. De acordo como historiador com o historiador Matin Jay, o tema da dissertação de Felix foi “os problemas práticos da implementação do socialismo”.

Aliás, esse é o momento onde começa a ficar mais claro por que encontramos muitos marxistas, gayzistas, defensores de direitos humanos para bandidos, neo ateístas e outros desse tipo em universidades. Eles são úteis ao movimento revolucionário, pois, possuindo uma possibilidade financeira maior, ao serem doutrinados, eles conseguem influenciar mais gente. Como já dito antes, para marxistas, os meios não importam, desde que os fins sejam alcançados. No caso de Felix, a doutrinação dele teve importância muito maior, no caso, a grana que ele pode obter com o seu pai para criar o Instituto de Frankfurt. Fica aqui explicado um importante enigma. Por que será que há tantos filhinhos de papai associados a ideologias subversivas? Principalmente os que vão para a faculdade? Embora tratarei deste assunto aqui, expandirei ele na parte 5.

Por enquanto, foquemos na Escola de Frankfurt (ou Instituto para Pesquisas Sociais), que inicialmente iria se chamar Instituto Marx & Engels. Eis que surgia um problema: já existia um Instituto Marx & Engels na Rússia. E, nesse momento (estamos em meados da década de 20), o mundo já conhecia as atrocidades do governo russo, que posteriormente ficou conhecido por ser um dos campeões mundiais de genocídio, ao lado da China de Mao. Perto deles, até o governo futuro de Hitler seria trabalho de escoteiro. Até Hitler, que foi influenciadíssimo pelas idéias da mentalidade revolucionária, tentou se desassociar da conexão com as idéias de Marx. Obviamente, tais tentativas foram desmascaradas recentemente com o lançamento do vídeo “The Soviet Story”, na qual é demonstrado que os marxistas russos são praticamente os professores das estratégias de atuação nazistas.

Aliás, esse tipo de tentativa de Weil iniciou o que podemos chamar de “Estratégia do Varrimento para Debaixo do Tapete”. Para evitar suas associações com o marxismo, muitos desses ideólogos se identificam como “não tão ligados a Marx” ou até “críticos do comunismo”. Não surpreende que muitos subversivos hoje fiquem até ofendidos quando associados a Marx. Mas de que adianta se, conforme já vimos (e veremos mais ainda), a agenda do marxismo cultural é cumprida a risca? Basta um estudo mais profundo em cima desse pessoal para notar que os padrões comportamentais são os mesmos. Portanto, não adianta Weil ter identificado o seu Instituto como Insituto para Pesquisas Sociais. É um instituto para divulgação do marxismo, e a leitura do material desse pessoal será suficiente para tirar qualquer dúvida. Será que os neo ateus são todos marxistas? É evidente que nem todos são. Mas quando estudarmos a Estratégia Gramsciana veremos que é até produtivo que nem todos sejam. Parte da eficiência do marxismo cultural se deve à desassociação formal perante o marxismo original. Curiosamente, a edição geral das obras de Marx & Engels foi feita, simultaneamente, no Instituto de Frankfurt e no Instituto de Marx & Engels em Moscow. Detalhes…

O principal objetivo do Instituto de Frankfurt era estudar a Alemanha Ocidental, para entender o pensamento ocidental, e como isso “alienaria” os trabalhadores. Lembremos que, para Gramsci, os trabalhadores que não pegaram em armas contra os seus patrões na época da Primeira Guerra Mundial estavam “alienados”. Tudo ia muito bem, nos estudos desta turma (pois eles estavam criando a “estratégia de derrubada da cultura ocidental”), até que veio a Segunda Guerra Mundial.

Going to America

Como todos sabem, Hitler queria se desvencilhar da imagem de sua cultura revolucionária aprendida com Marx. Como Hitler não era de brincadeira, resolveu apelar à propagar a imagem de que lutava contra o marxismo, sendo aliado de Mussolini nesse ideal. O que importa para nós é saber que formalmente Hitler lutou contra os marxistas. E, mais ainda, lutou contra os judeus. Aqui temos um problema duplo para o pessoal do Instituto de Frankfurt: eles não eram apenas marxistas, como também judeus. Resultado: o Instituto de Frankfurt foi bombardeado e não restou-lhes outra alternativa que não fugir para os Estados Unidos. Entre os que foram para lá estavam Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse e Max Horkheimer.

Alguns até dizem que não há marxistas nos Estados Unidos, mas isso pode ser definido como “Estratégia Keyser Soze”. Para quem se lembra desse ótimo filme (“Os Sete Suspeitos”), ele conclui com o assassino, Keyser Soze,que se fingiu de debilitado o tempo todo para escapar da polícia, andando normalmente com um baita sorriso cínico na cara, após conseguir que outro fosse condenado em seu lugar. A frase que o filme mostrava era: “A maior jogada do Diabo foi convencer o mundo que ele não existe”.

Grande parte do esforço desses acadêmicos marxistas era doutrinar novos marxistas, ou ao menos, se não fosse possível, doutrinar novos subversivos. Outros acadêmicos eram também um foco de sua atuação. Grande atenção era dada ao fato de que isso não fosse tão “explícito”, mas sim aplicado de forma sutil. A Estratégia Keyzer Soze (mesmo que o filme só tenha sido lançado nos anos 90, ele explica bem a estratégia utilizada por eles) estava em vigência nas universidades americanas, e tudo isso com a Segunda Guerra em curso. Foi o tempo suficiente para que a contaminação dessas idéias na Academia se tornasse relevante em termos políticos. Quando a Segunda Guerra acabou, Horkheimer e Adorno voltaram para a Europa. Mas Marcuse continuou nos Estados Unidos.

Marcuse começou a dar aulas na Universidade de San Diego, na California, justamente na época em que explodiu toda a Revolução Estudantil de 1968, que causou impacto fundamental na França. Marcuse tornou-se parte de uma das mudanças culturais mais relevantes no Ocidente, embora muitos sequer tenham ouvido falar dele. Marcuse resolveu fazer um casamento entre as idéias de dois revolucionários: Marx e Freud.

Lembremos que eu falei da metáfora da válvula da panela de pressão no começo? Retorno à ela agora. A idéia era de que a válvula na panela de pressão tinha furado, a pressão escapava e a revolução não ia acontecer. Aí Marcuse veio com a idéia de encontrar pessoas revoltadas justamente onde elas aparecem em maior quantidade: nos jovens universitários, que seriam então tratados como as pessoas reprimidas sexualmente. E se eles eram reprimidos sexualmente, quem era o culpado? A moral judaico-cristã. Essa estratégia foi descoberta ao final dos anos 50. Lembrando também que a contestação da moral cristã não foi criada pelo marxismo. Nietzsche já fazia isso e não gostava de marxismo. O que importa, para os marxistas, como veremos na parte 4 (quando falaremos da subversão), é usar os movimentos existentes atualmente em curso e deixá-los seguir nesse caminho e motivá-los a ir até o fim.

No caso de Marcuse, ele encontrou um ambiente de pessoas que se sentiam reprimidas sexualmente, ele então apenas incentivou-as a ir mais além e ajudou a transformar a luta contra essa suposta repressão em um ato político. O lançamento de sua obra “Eros e Civilização” foi fundamental nessa luta. Com isso, Marcuse uniu o útil ao agradável. Ajudava a criar um movimento de luta contra a repressão sexual, travestido de luta pela paz, e ainda ajudava a dar cutucões na moral conservadora, principalmente da sociedade americana. O que importava, no final não era libertar essas pessoas da repressão, mas principalmente conseguir a militância. Era simplesmente a idéia de tentar matar dois coelhos com uma cajadada só: usava-se a rebeldia contra a religião, aprendida com Marx, e a noção de buscar todas as respostas no sexo, com Freud. Se hoje em dia, muitos encaram Freud e Nietzsche como intelectuais, deve-se, é claro, à iniciativas do marxismo cultural. Não é que ambos fossem intelectuais, mas sim que era importante que as pessoas considerassem eles como intelectuais, para darem mais atenção às suas idéias. Não surpreende, aliás, que Freud também fosse ateu.

O mais importante neste momento é saber que um dos objetivos principais dos marxistas culturais é dar aulas em universidades e atuarem no âmbito acadêmico. Muito provavelmente por isso é que os ideólogos marxistas busquem doutrinar as pessoas de destaque no mundo acadêmico primeiro. Tecnicamente, o marxista cultural não precisa pegar em armas, até por que não é uma iniciativa tão segura. Que o uso das armas fique para os proletários da revolução no momento certo. A função do intelectual do marxismo cultural é atuar para culturalmente moldar a sociedade para facilitar futuramente a revolução.

Nas universidades, os marxistas encontram terreno fértil para a doutrinação de seus alunos dizendo coisas com “a sociedade capitalista é uma sociedade opressora”, “se essa opressão ocorreu, a culpa é da religião”, “você não executa a sua liberdade sexual por causa dessa opressão”, “lute contra isso”, “mostre sua luta”, etc.). O resultado final disso, é claro, eram as manifestações de pós-adolescentes contra a Guerra do Vietnã (ou seja, implicitamente idéias pró-comunistas) e com base no “Faça Amor, Não Faça a Guerra”, lema de Marcuse. A importância cultural de Marcuse era tanta que a geração hippie com certeza deve muito a ele. Marcuse, que chegou a trabalhar para a CIA, nem se preocupava em se identificar como marxista. O importante para ele era conquistar a aceitação do público americano, pois ali era o foco do trabalho dele. Marcuse sabia que as idéias de revolução sexual seriam propagadas ao redor do mundo, culturalmente. Enquanto isso, outros ideólogos marxistas faziam o mesmo trabalho na Europa.

Os Estados Unidos sempre foram conhecidos por serem um país onde todas as opiniões podem ser ditas, independentes de quais fossem. Veremos que essa praticamente tem sido a fonte da ruína cultural deles, pois foi por onde os ideólogos marxistas resolveram atacar, se infiltrando, moldando culturalmente geração após geração. E o importante é notar como as técnicas dos marxistas sempre foram utilizadas da maneira mais desleal possível, pois como já visto, para eles a moral é uma estupidez, e os fins justificam os meios. Obviamente que eu não proponho uma nova censura, mas já que os marxistas culturais jogam tão sujo, temos que estudar formas de investigar e desmascarar em público esse tipo de material.

Patrulhamento ideológico

Se hoje vemos os neo ateus como símbolos de patrulhamento ideológico, não podemos esquecer que seus professores nisso foram os marxistas originais.

Um dos grandes exemplos de patrulhamento ideológico no molde marxista padrão foi a questão do senador Joseph McCarthy, que nos anos 50 investigou um número de artistas infiltrados na indústria cinematográfica americana. Estes artistas atuavam de forma a lançar obras que ajudassem na difusão cultural de idéias revolucionárias. Foi descoberto que McCarthy tinha um histórico de alcoolismo e era também homossexual. Muitos comunistas simularam que as investigações de McCarthy serviam como opressão, naquilo que foi denominado macartismo, e durou de 1950 a 1956. Alguns ideólogos comunistas alegavam que pessoas eram levadas ao suicídio pelas investigações de McCarthy. Começou então um extensivo patrulhamento ideológico contra McCarthy, que foi tratado como um pária social. Obviamente, o caso de alcoolismo dele foi extensivamente aproveitado por marxistas (e até alguns liberais) que frequentavam a mídia.

A questão com McCarthy é apenas um dos exemplos de como os ideólogos marxistas e seus pares subversivos sabem executar a noção de que aqueles que lutam contra suas utopias deverá ser destruído, e não haverá nenhum padrão moral para julgar qualquer ato que for feito contra ele.

Uma das principais formas de patrulhamento ideológico é a Estratégia das Tesouras, que é apresentada por Olavo de Carvalho desta forma:

A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.

E o que isso significa? Em termos sociais, temos 3 vertentes hoje: conservadorismo, liberalismo e marxismo. O que importa para eles hoje é atacar o conservadorismo, eliminá-lo do espectro político e transformar a questão em uma discussão entre liberalismo e marxismo. Futuramente, com isso, o marxismo se ocuparia de destruir o liberalismo com mais facilidade. É por isso que a religião TRADICIONAL é que é tratada hoje inimiga do neo ateísmo. E eles não se importam tanto com os deístas e panteístas. Por enquanto.

Na execução da estratégia das tesouras, os marxistas simplesmente efetuam toda e qualquer forma de patrulhamento ideológico contra aquele que estiver fora do espectro delimitado por eles.

Diante dessa lição, aprendida com o macartismo, e notando como o patrulhamento ideológico hoje está bastante focado nas universidades e na mídia, pode-se dizer que o cenário de maior perigo hoje em dia para se ter uma idéia conservadora é o cenário acadêmico. Hoje por exemplo, que alguém ouse questionar o movimento gayzista em uma universidade. Ou, pior, que se tente questionar um paradigma ateísta. O resultado disso será a tentativa dos marxistas culturais em destruírem sua carreira.

Tratarei especificamente de estratégias mais detalhadas de patrulhamento ideológico na parte 5, sobre a Estratégia Gramsciana. Por enquanto, abordei apenas a origem desta prática, e, como não poderia deixar de ser, é uma prática marxista.

Conclusão

O marxismo cultural é uma forma aparentemente light de marxismo, justamente por que assim ele causa à princípio menos rejeição, e portanto, é mais facilmente difundido. Entretanto, ele não é menos perigoso que o marxismo tradicional. Pelo contrário, ele é um habilitador das idéias revolucionárias mais radicais. Uma série de estratégias é utilizadas por eles, e principalmente em âmbito cultural e acadêmico, justamente por uma questão de facilidade de alcance de mais mentes vulneráveis, principalmente universitários (em fase de alta ebulição sexual e rebeldia). Dentro desse âmbito de doutrinação universitária, eles vão criando novos subversivos, e mantém sua estrutura de maioria acadêmica, usando desde a lavagem cerebral até o patrulhamento ideológico. Esse artigo apenas dá a base explicando o surgimento e como funciona basicamente o marxismo cultural. Nos próximos 2 artigos, em que tratarei das Estratégias de Subversão (com exemplo da história do dissidente russo Yuri Bezmenov) e da estrutura da Estratégia Gramsciana, fornecerei algumas idéias básicas do que seria uma forma de contenção aos objetivos marxistas. Notem que não tratei, ainda do historicismo absoluto e do desconstrucionismo, e nem da gramática transformacional, de Noam Chomsky. Em relação à esta última tratarei dela na parte 7, e quanto as outras 2 tratarei na parte 5.

Olavo de Carvalho fala das comparações entre cristianismo e comunismo

com 2 comentários

Não deixa de ser curioso que o tal do marxismo, até pelas próprias influências originais de Marx (incluindo Epicuro), tenha se tornado uma escola de mitômanos.

Basicamente, um filósofo marxista, e principalmente um líder marxista, ganha a vida mentindo, e se orgulha disso.

Uma mania européia, que também ocorre no Brasil (via turma do Boff e a Teologia da Libertação), se baseia numa “coisa” chamada marxismo cristão, que no fundo é uma contradição em termos.

Recentemente, um forista do Orkut, marxista, me disse que o marxismo apenas implementa aquilo que os cristãos não fizeram e deveriam ter feito.

Perguntei-lhe o que era tal coisa que os cristãos deveriam fazer e não fizeram. A resposta dele foi: “implantar aquilo que é dito no Sermão do Monte”.

Ele cita,então, o Sermão do Monte: “E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.”

Aqui, é claro, ele confundiu a atitude de um cristão em ser caridoso e generoso, com a atitude dos líderes da revolução em roubar as propriedades e posses de outros para distribuição para o proletariado.

Confundir o Sermão do Monte com o roubo de propriedades feito pelos sistemas marxistas é o primeiro sinal de falta de senso de proporções, característica inerente a esse pessoal discípulo de Lenin.

Outra tentativa dele foi a seguinte citação: “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.”

Aqui de novo, ele confunde a caridade e o altruísmo, descompromissados, com o roubo forçado de bens, proposto no marxismo.

Até o momento, está claro que marxismo e cristianismo estão em direção praticamente oposta.

Nesse vídeo acima, Olavo de Carvalho brilhantemente comenta sobre as tentativas patéticas de associar comunismo ao cristianismo.

Talvez seja até possível que alguns cristãos do tipo self-service um pouco mais sofisticados (esses são do tipo mais “intelectualizado”, mais acadêmico, mas ainda assim precisarão ignorar mandamentos fundamentais do cristianismo) se associem ao marxismo.

Claro que quando a revolução tomar forma, eles serão os primeiros a ir para o paredão, pois ficarão ressentidos com o novo governo.

Mas é o livre arbítrio deles, não é?

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 26, 2010 em 12:01 am

Refutando a treta – Parte 1 – Neo ateus envenenam tudo

com 16 comentários

Eu me lembro de alguns posts antigos em que que comentei textos do Ludwig, do blog português neo-ateu Que Treta.

Na época, ele ficou ofendido por eu ter usado termos como ‘burro” ou “incapaz” para me referir a ele.

Seja lá como for, assimilei algumas críticas de alguns leitores, não por causa dele, e reduzi o uso de tais impropérios em meu vocabulário. Este blog, aliás, saiu ganhando com isso.

Ele, ao contrário, não evoluiu absolutamente nem um pouco desde aquelas críticas. O que vemos no raciocínio de Ludwig é a mesma estrutura monocórdia baseada em falsa dicotomia entre ciência X religião, aceite de que a religião é má, e que a religião é irrelevante para a moral, e daí por diante.

O resultado naturalmente é o mais do mesmo.

Como eu estava matando tempo, resolvi clicar em tal blog e vi que lá agora Ludwig desatou a elogiar e saudar as idéias de Christopher Hitchens, que teria feito uma palestra em Portugal, em seu texto “Hitchens 1 – A Religião Envenena Tudo”.

Vamos então, aos comentários sobre o bizarro endosso de Ludwig à quase tudo que Hitchens disse:

Hitchens defende que a religião envenena tudo quer pelas suas consequências quer pelos seus princípios. Não há nenhum acto que se reconheça como bom que seja exclusivo dos religiosos e, para ser uma pessoa boa e ter valores louváveis, não é preciso ter religião. Por outro lado, facilmente nos ocorrem actos e valores condenáveis associados a práticas religiosas, desde os sacrifícios humanos e a inquisição aos ataques bombistas e à mutilação genital de raparigas. Ele não o mencionou mas, antecipando já as criticas costumeiras, saliento que isto não quer dizer que todos os ateus sejam boas pessoas. O ponto aqui é que a religião é desnecessária para se ser bom e é motivo para muitos actos condenáveis. Pesando os prós e os contras, mais vale não a ter.

Eu já mostrei aqui nesse blog que para uma sociedade ter algo próximo ao conceito de moral absoluta, a religião é indispensável.

Quando Ludwig afirma que “não há nenhum acto que se reconheça como bom que seja exclusivo dos religiosos e, para ser uma pessoa boa e ter valores louváveis, não é preciso ter religião”, ele está automaticamente distorcendo a discussão, pois está apelando aos aspectos subjetivos de cada ser humano, quando na verdade ele deveria estar avaliando as sociedades.

Como Hitchens usa os mesmos estratagemas de Hauser, Dawkins e Dennett, é natural que Ludwig tenha tentado aplicar o mesmo no texto dele, pois basicamente o que Ludwig faz é endossar Hitchens.

Esse link mostra a refutação já feita a esse tipo de estratagema, e simplesmente mostra a dimensão da fraude intelectual de Ludwig.

Resumindo o que Ludwig tentou:

  • (a) Ele diz que religião não tem nada de bom a trazer, e que moral independe de religião (mas trata de versão distorcida do tema, conforme mostrei no link)
  • (b) Ele diz que muitas coisas ruins são trazidas, e são oriundas da religião
  • (c) Logo, ele diz que balanceando o fato de que religião não traz nada de bom, e traz algumas coisas de ruin, é melhor extirpar a religião

Como visto no exemplo do link que citei (publicado ontem neste blog), a premissa (a) dele está demolida, e com extrema facilidade.

Mas será que a premissa (b) sobrevive? Como diria o bom auditor, vamos investigar…

Ludwig apresenta como exemplos de que a religião traz coisas ruins, que não existiriam sem a religião, ele cita os seguintes exemplos:

  • 1. sacrifícios humanos e a inquisição
  • 2. ataques bombistas
  • 3. mutilação genital de raparigas

É fácil notar que a alegação dele fracassa nos 3 itens, como mostrarei.

1 – Sacrifícios humanos e a Inquisição: Ludwig fracassa aqui pelo simples fato de que sacrifícios humanos não são uma constante entre a religião, no máximo relato de povos antigos, que não tem muito a ver com a religião nossa. Portanto, os sacrifícios não são uma característica inerente da religião. Em relação à Inquisição, ele assume que o fato de existir a religião é que causou a Inquisição, e não o fato de que havia um momento em que os cátaros e os hereges eram uma ameaça social (e a população já praticava a Inquisição). Decerto que um entidade religiosa encampou as atividades inquisitórias, e estabeleceu a Inquisição oficial, mas isso ainda não é o suficiente para associar intrinsecamente religião aos atos, pois, se assim o fosse, manifestações da Inquisição deveriam estar ocorrendo até hoje, e isso não é um fato.

2 – Ataques bombistas: Estratégia de propaganda usada bastante por Sam Harris e Richard Dawkins, aqui ela é também utilizada por Hitchens, e vemos que de novo Ludwig caiu no conto dele. Essa alegação é derrubada simplesmente pela existência dos Tamil Tigers, grupo marxista-leninista, que praticou atentados com homens bomba em maior quantidade que os adeptos do Hamas.

3 – Mutilação Genital de Raparigas: Essa alegação só seria válida se existisse alguma religião que prescrevesse que deveria ocorrer a mutilação genital, mas não há um indício sequer disso. Portanto, Ludwig mente de novo. Em alguns países africanos e asiáticos, existe realmente a mutilação genital, por causa disso ser condição prévia ao casamento. Algumas razões que os adeptos da mutilação apontam incluem: assegurar a castidade da mulher, assegurar a preservação da virgindade antes do casamento, alegação de que o contato do bebê com o clítoris pode ser fatal ao feto, etc. Claro que existem até algumas superstições no meio disso, e não concordo com as justificativas dos adeptos desta prática. Só que essas superstições estas não são apoiadas pela religião, principalmente as religiões judaico-cristãs.

Agora vem a pergunta? Se Ludwig, endossando Hitchens, conseguiu mentir tanto, como pode ele querer vender a idéia de que ele seria “moral”?

A própria atitude de Ludwig é baseada em maquiagem de informações, de forma planejada (e não acidental). Ele maquia os dados convenientemente, pois ele parte de uma conclusão apriorística.

E não é que a crença imutável (ou seja, partir de uma conclusão apriorística, e não mudá-la) é considerado como um dos “problemas” pelos adeptos do neo ateísmo? Mas é justamente essa crença imutável que vemos na propaganda dos neo ateus. Eles omitem, como mostrei, todos os fatos que refutem suas alegações.

Querem mais um exemplo de falta de moral? Vejamos como Ludwig se porta em relação aos governos comunistas:

Mesmo entre os que são ateus, num sentido estrito, o mau comportamento institucionalizado vem da aceitação acrítica de superstições e ideologias estranhas ao ateísmo. Na Coreia do Norte, um exemplo comum dos terrores do ateísmo, a Constituição foi alterada em 1998 para nomear Kim Il-Sung o Presidente Eterno da República. O homem já tinha morrido quatro anos antes. O estalinismo, o maoismo e a ditadura em Cuba, apesar de não seguirem algo que oficialmente seja considerado divino, assentam também numa teimosia ideológica que o ateísmo não exige mas que é fundamental em qualquer religião. As religiões consideram-se acima das limitações, da falibilidade e até da contestação humana, e é essa atitude que facilmente tem consequências trágicas.

Notaram a maquiagem que Ludwig tenta fazer?

Ele pega 1 (hum) exemplo de nomeação de Kim Il-Sung e diz que isso é uma “aceitação acrítica de superstições e ideologias estranhas ao ateísmo”.

Claro que não, pois o ateísmo não versa absolutamente nada (nem contra nem a favor) de que pessoas não possam receber “nomeações eternas”.

Aliás, tal tipo de nomeação seria uma demonstração ao povo de que mesmo que o sujeito já estando morto, os valores pregados por ele seriam mantidos.

Chamar isso de superstição (e não ideologia programa) já é uma fraude intelectual de Ludwig.

Ou seja, mesmo quando as sujeiras de regimes irreligiosos (como os comunistas) são descobertas, ele tenta MAQUIAR a informação para dizer que os tais regimes irreligiosos são religiosos.

Só isso aqui que Ludwig fez já é o suficiente para que fechemos o vidro do carro quando ele passa na rua, pois a atitude, senão criminosa, é de endosso ao crime. Que é feito intencionalmente, para falsificar as verdadeiras razões por trás dos genocídios comunistas.

O que importa é que essa afirmação de Ludwig (“o mau comportamento institucionalizado vem da aceitação acrítica de superstições e ideologias estranhas ao ateísmo”) foi facilmente demolida.

Aliás, o ateísmo é uma das bases principais da irreligião. Ou seja, oposição formal a tudo que a religião disser.

A irreligião gerou aberrações como o comunismo, que derivou no nazismo.

Notem a cara de pau de Ludwig: “O estalinismo, o maoismo e a ditadura em Cuba, apesar de não seguirem algo que oficialmente seja considerado divino, assentam também numa teimosia ideológica que o ateísmo não exige mas que é fundamental em qualquer religião. “

Ele diz que se o ateísmo não exige “teimosia ideológica”, então o ateísmo está livre de qualquer acusação por crimes do comunismo.

Ele deve estar de gozação, só pode.

Primeiro: ateísmo não exige teimosia ideológica.

Segundo: teísmo também não exige teimosia ideológica.

Se ele quer livrar a cara do ateísmo, terá ele que comparar teísmo com ateísmo, e não ateísmo com algumas doutrinas específicas, pois aí ele estaria cometendo uma falácia da inversão de planos.

Mas, após tentar dizer que ateísmo está livre de “teimosia ideológica”, ele diz que teísmo NÃO estaria isento, pois todas as religiões obrigam a “teimosia ideológica”.

Ué, mas se eu acabei de mostrar, ao comentar a citação anterior, que Ludwig usou conclusão apriorística e ignorou os fatos contra a sua alegação, o que temos em sua pregação que não uma “teimosia ideológica”?

Aliás, a teimosia ideológica é a base da argumentação neo ateísta, que é um branch do ateísmo.

Então, vamos aos fatos:

(a) teísmo e ateísmo não são intrinsecamente relacionados a teimosia ideológica
(b) movimentos ideológicos com foco em retórica, podendo até ser religiosos e anti-religiosos, teístas ou ateistas, podem se basear em teimosia ideológica
(c) logo, não é possível dizer que teimosia ideológica, existente em Cuba, Rússia e China, está diretamente relacionada a religião

Aliás, tal raciocínio é facilmente corroborado por qualquer investigação histórica.

Ora, sendo então a irreligião a base do comunismo, que está nos 3 países citados, os atos comunistas estão mais associados ao ateísmo do que ao teísmo. Qualquer análise de alinhamento mostra isso.

E, mais: todos os regimes comunistas lutam incessantemente contra a religião.

O engraçado é que os regimes comunistas se baseiam em propagandas baseadas em maquiagem ideológica, como se vê justamente em Ludwig. Notem o que ele afirma: “As religiões consideram-se acima das limitações, da falibilidade e até da contestação humana, e é essa atitude que facilmente tem consequências trágicas.”

Para isso ser válido, ele teria que mostrar que as religiões consideram-se acima das “limitações, da falibilidade e até da contestação humana” em maior quantidade que as ideologias que nada possuem de religiosas.

E, pelo visto, o exemplo do comunismo de novo esmaga tal argumento.

Ou seja, não é preciso de religião para que grupos ideológicos considerem-se acima das “limitações, da falibilidade e até da contestação humana”. E não há evidência alguma de que religião implique nesses itens, da mesma forma.

O que mostrei aqui é que Ludwig mente de tal forma que ele até provavelmente já acredita nas próprias mentiras.

Mas basta olhar com o minimo de ceticismo a propaganda dele que veremos que até agora nada, absolutamente nada, passa pelo menor exame lógico.

Simplesmente nada do que Ludwig disse, ao endossar Hitchens, serve como argumentação pró-ateísmo e anti-teísmo – aliás, essa é a base do blog dele, como um todo.

Como até agora ele fracassou, vamos ver o restinho de sua pregação:

Além disso, as religiões declaram-nos todos servos dos deuses. Não somos donos de nós próprios nem os responsáveis pelos nossos valores. Somos instrumentos criados por outrem para servir os seus propósitos e cujo mérito é função da submissão a esse desígnio. Isto desumaniza as pessoas.

Eu não sei se Ludwig é comunista, mas que os neo ateus, como ele, aprenderam a mentir com os comunistas, isso é um fato.

O discurso ao final de dizer que religiosos acreditam que “somos instrumentos criados por outrem para servir os seus propósitos e cujo mérito é função da submissão a esse desígnio” é algo copiado do materialismo dialético de Marx.

De novo, não dá para saber de Ludwig é marxista-comunista, mas podemos supor que aqueles que lavaram o cérebro dele devem ser, pois ele aprendeu a distorcer e mentir sobre o adversário de uma forma exatamente semelhante a eles.

Em sua sanha de pregação de ódio aos religiosos, esquece-se Ludwig de a religião cristã defende, fundamentalmente, o livre arbítrio, o que por si só já é suficiente para esmagar qualquer alegação anti-religiosa de que religiosos acreditariam que “não somos donos de nós próprios”.

Pelo contrário, somos donos de nós próprios. E nossos valores possuem INSPIRAÇÃO DIVINA, e por isso buscamos a verdade. Ao contrário dos epicuristas e marxistas, que defendem abertamente a mentira contra os oponentes, em uma atitude completamente torpe, somente aceitável para cérebros que não acreditem em uma verdade absoluta, mas sim em “verdades subjetivas”, seja lá que diabos isso signifique para eles.

Eu mesmo ficaria envergonhado se eu analisasse o texto de Ludwig utilizando-me de maquiagens e distorções. Os próprios leitores cristãos deste blog me repreenderiam, baseados em uma moral absoluta (“mentir é feio”).

Os neo ateus fazem o oposto: eles mentem sobre o adversário, e se ORGULHAM se continuar mentindo.

Como Ludwig mentiu na cara dura em todo seu texto, no final ele tenta dar uma de “razoável”, o que não combina nem um pouco com o restante de sua pregação:

Nestes aspectos concordo com o Hitchens, mas parece-me que ele erra ao considerar, implicitamente, que a religião é a origem destes problemas. A religião é apenas um de vários meios de desumanizar e levar pessoas boas a praticar o mal. É o mais popular e foi provavelmente o primeiro a ser inventado, mas não é o único. O problema fundamental não é a crença num deus ou numa casta de sacerdotes; é a facilidade com que abdicamos da nossa autonomia e responsabilidade e lavamos mãos das asneiras que fazemos com a desculpa de agir em nome de qualquer fantasia que nos impinjam.

Esse é o estratagema da falsa discordância. O sujeito concorda nos pontos essenciais, e finge discordar de um dos pontos, periféricos, para aparentar que há ainda nele algum traço de senso crítico.

O problema é que tal estratagema não funciona, pois ele ainda afirma que a “religião é apenas um de vários meios de desumanizar e levar pessoas boas a praticar o mal” e diz que “é o mais popular” e “foi provavelmente o primeiro a ser inventado”.

Como em todo o texto dele, ele não conseguiu provar que a religião é um meio de “desumanizar” as pessoas “boas” a “praticar o mal”. No máximo, poder-se-ia argumentar que pessoas provocaram o mal, apesar da religião.

Pior ainda, ele assume que religião foi “inventada” para “desumanizar” as pessoas, o que, de novo, é pura fantasia de Ludwig, não respaldada por evidências. Ele se limita a repetir isso, ad nauseam, mas não prova.

Em seguida, ele afirma que o “problema fundamental é o seguinte”: “é a facilidade com que abdicamos da nossa autonomia e responsabilidade e lavamos mãos das asneiras que fazemos com a desculpa de agir em nome de qualquer fantasia que nos impinjam”.

Aqui, de novo ele precisa da falácia da petição de princípio, ao assumir que idéias religiosas são uma “fantasia”.

Mesmo que ele não prove isso, ele tenta o estratagema padrão aprendido com o relativismo: ele considera qualquer ideologia e religião como “fantasia”, e diz que são o mesmo. Só que sem especificar cada uma delas, isso não serve de nada ao caso dele contra a religião.

Mas o mais grotesco de tudo é ele dizer que “abdicamos da nossa autonomia e responsabilidade e lavamos mãos das asneiras que fazemos”.

Bom, pode ser que ELE (Ludwig) abdique da autonomia e responsabilidade dele, e lava as mãos das asneiras que ele faz, principalmente neste texto que ele escreveu, em nome de qualquer fantasia que lhe foi impingida por doutrinadores como Hitchens e Dawkins.

Isso, de forma alguma, comprova que os religiosos chegariam a um nível moral tão baixo como o dele.

Aliás, um nível de moral tão pífio como o dele é o que eu não esperaria nem na maioria dos ateus.

Só nos neo ateus, que, pelo seu discurso, mostram-se cada vez mais distantes de qualquer avaliação sobre a moral.

O nível de mentiras deles é tamanho que esse tipo de gente só pode ser avaliada junto com comunistas, outra espécie epicurista torpe e que merece ser investigada sempre.

Em suma, em relação a qualquer texto escrito por neo ateu, é só investigar que as fraudes intelectuais aparecem aos borbotões.

Que esse tipo de gente venha fazer discursos sobre a “moral” é uma das coisas mais surreais possíveis em termos intelectuais.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 21, 2010 em 12:01 am

Vídeo: The Soviet Story, de Edvins Snore

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Um dos vídeos mais importantes que assisti recentemente é o “The Soviet Story”, dirigido por Edvīns Šnore. Já publiquei um trecho deste vídeo neste link.

Este é um documentário que conta detalhes da trajetória comunista na União Soviética e o estreito relacionamento de Stalin com os nazistas.

Dentre vários outros detalhes, é mostrado, claramente, que o holocausto judeu e os campos de concentração foram ensinados pelos comunistas aos nazistas.

Curiosamente, grande parte dessa história comunista é editada, simplesmente por que alguns professores e “intelectuais” da esquerda acham bonito escondê-la.

Agora, me vem a pergunta: como é que podem achar bonito esconder algo que está registrado em fatos históricos.

Não dá para explicar isso senão por uma inversão completa de valores.

Por exemplo, eu sou cristão, e reconheço tudo que ocorreu na Inquisição. Posso defender alguns pontos, criticar outros, mas não posso negar os fatos. Negar os fatos é mentir, não só para si próprio, mas para os outros.

Aprendi que mentir é feio, e aprendi isso com minha religião.

Já com os comunistas, a coisa é diferente.

Vejam um exemplo de uma tal de Ieda, no Yahoo Respostas: “Você está totalmente errado. O Holocausto tem origens remotas em sacrifícios e rituais religiosos da Antiguidade, em que animais e seres humanos eram oferecidos às divindades, sendo completamente queimados durante o ritual. Este tipo de imolação corpórea foi usado por tribos judaicas, como se evidencia no Livro do Êxodo. Agora, quanto ao filme, o que este tem a ver com o PT? O PT não é comunista nem aqui nem na China… risos. Mas qual é a diferença do que foi feito naquela época do que que está sendo feito hoje pelos EUA?”

Isso aqui o que ela está praticando é o historicismo absoluto. Ela maquia a história para atender à ideologia dela.

E os massacres mostrados no vídeo e registrados historicamente? Ela simplesmente finge ignorar e tenta dizer que os Estados Unidos fazem hoje igual. Engraçado é pedir para um comunista provar que os Estados Unidos realizam genocídios na mesma proporção que os soviéticos fizeram entre as duas grandes guerras. Como os comunistas não provam, dão uma risadinha e vão para outro lado.

Em suma, mentir para eles é padrão.

E os genocídios russos? Para eles não tem problema. Pois se foi pela “classe”, tudo bem, e de novo eles dão mais risadinhas.

É claro que esse tipo de gente tem que ter mesmo como prioridade extirpar a religião, que é totalmente oposta à postura deles, como um todo.

Em breve, este blog trará uma série de textos entitulada “Gramsci e o Neo Ateísmo”, para explicar por que o neo ateísmo é apenas uma das formas de execução da estratégia gramsciana.

A meu ver, somente compreendendo a estratégia de Gramsci, conseguiremos entender por completo como os neo ateus agem atualmente.

Mesmo que existisse a pregação comunista e a pregação marxista antes, havia um pouco de decência, como no fato de que os alemães omitiram a associação com o comunismo para não “pegar mal” perante a população.

Hoje em dia, não seria preciso fazer nem isso. Bastaria inverter os valores (uma das formas de se fazer isso é atacar os valores religiosos), e não seria nem preciso esconder nada, bastaria reinterpretar os fatos.

Na época de Bertrand Russell, mesmo que ele fosse ilógico, ainda havia algum traço de moralidade e ética em seus textos. No caso de Dawkins e Hitchens, não há nenhum. É só manipulação de informações, no estilo gramsciano de agir.

Com base sólida em epicurismo, marxismo, relativismo e outras aberrações ideológicas, Gramsci definiu uma estratégia que não tem vergonha de ser indecente.

Os neo ateus (alguns mesmo sem saber) tornaram-se imediatamente intelectuais orgânicos de Gramsci.

Querem um exemplo? Em relação ao vídeo, praticamente todo neo ateu reage da seguinte forma: risadinha e desdém. Ou então começa a dizer algo como “A Inquisição fez pior, matou muito mais”. E depois ele vai dormir com a consciência tranquila.

Conforme solicitado por Gramsci.

P.S.: Como o vídeo não foi lançado oficialmente em DVD, recomendo o download na Internet. Basta procurar que as legendas em português também são fáceis de serem encontradas.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 16, 2010 em 2:53 pm

Os ateus úteis

com 20 comentários

O vídeo acima é antigo, e é parte de uma entrevista que Yuri Alexandrovich Bezmenov, ex-agente da KGB, forneceu a G. Edward Griffin. A entrevista completa foi lançada em DVD sob o título “Soviet Subversion of Free World Press”.

O curioso é quando Yuri, ex-agente da KGB, conta como o governo marxista-leninista fazia uso dos idiotas úteis, que, ao final das contas, são descartáveis. É mais ou menos gente como Mário Maestri, tratado no post anterior deste blog: “O Fanatismo Ateísta como Militância Social, por Mário Maestri”.

Segundo Yuri, os idiotas úteis tem apenas um propósito, para tais iniciativas: “Eles servem para alguma coisa apenas durante a etapa de desestabilização de uma nação”.

Ou seja, são os marxistas de faculdade, como o professor Carlão, ou os militantes ateus, como os membros da LiHS, ATEA e UNA, ou os gayzistas, dentre outros.

Cada grupo executando sua agenda, enquanto os líderes marxistas-leninistas (ie. Lula, Dilma Roussef, etc.) esperam colher os frutos no futuro.

E mesmo que um neo ateu proteste “ah, eu defendo Dawkins, mas eu não sou marxista nem comunista”, isso não importa, pois ainda assim ele executa, de forma “útil”, a agenda que os revolucionários prepararam para ele. Ou seja, mesmo que ele não se declare marxista, ele ainda pode ser útil à causa.

E o mais curioso é que o mesmo ocorre nos Estados Unidos, com a doutrinação marxista-leninista no ensino.

Justamente por isso quando neo ateus aparecem em público para contar vantagens (“ah, temos maioria dos cientistas que são ateus, uhuuu”), isso é um fator que eles deviam na verdade esconder, pois não passa de uma evidência clara de que isso resulta muito provavelmente de um foco de doutrinação revolucionária.

Em suma, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, neo ateus possuem uma utilidade, e são descartáveis.

A luta obsessiva deles é, claro, contra os valores absolutos de pessoas de mente aristotélica (a qual é muito valorizada pela Igreja Católica, dentre outras perspectivas conservadoras). O epicurismo, o niilismo e o relativismo são a lei, para eles. Mas é claro! É assim que eles precisam pensar, para serem úteis.

Sendo que as evidências são incontestáveis, só fica uma dúvida ao final: será o Richard Dawkins um espertão ou um idiota útil?

Quanto a isso não tenho a resposta. Mas com certeza seus seguidores são idiotas úteis.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 25, 2010 em 11:53 pm

O fanatismo ateísta como militância social, por Mário Maestri

com 5 comentários

Um tal de Mário Maestri escreveu em blog do qual ele participa o seguinte texto conclamando a garotada ateísta para a militância. O texto é entitulado “O Ateísmo como Militância Social”.

Vejam só o currículo da figura: “Mário Maestri, 61, é rio-grandense, historiador, ex-refugiado político, ateu, marxista, comunista sem partido, casado [há 32 anos], pai de dois filhos, com um neto. Viveu no Chile, México, Bélgica, Itália e Brasil. Trabalha no PPGH da UPF. Entre outros livros, escreveu, com a lingüista Florence Carboni: A linguagem escravizada [2ed. São Paulo: Expressão Popular, 2006.]“.

Só por esse “currículo” é alguém que, se eu vir na rua, eu fecho o vidro do carro.

Um sujeito que deveria estar dentro de uma jaula ainda ganha emprego para trabalhar como historiador. É geralmente o tipo de gente igual o tal Professor Carlão, que também já figurou nas páginas deste blog (checar esse link).

O seu texto é tão grotesco e cheio de mentiras (e fraudes intelectuais) que não dá nem para ser discutido seriamente. O único tratamento que dá para fazer com esse material é analisá-lo, da mesma forma que se faz com um exame fecal. Querem ver?

Vamos em frente…

Dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem, a militância ateísta é dever social inarredável, para todos os que se mobilizam pela redenção da humanidade da alienação social, material e espiritual que a submerge crescentemente neste início de milênio, ameaçando a sua própria existência. Por mais subjetiva, introspectiva e sublimada que se apresente, a crença religiosa, jamais nasce, se realiza e se esgota no indivíduo. Ela é fenômeno parido no mundo social, que influencia essencialmente a ação individual e coletiva.

Já começa mal, pois ele diz que a militância ateísta é dever social inarredável “dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem”.

O estranho é que todo o texto dele se baseia em respeito à crença individual DESDE QUE seja a crença ateísta. É, não estranhe, cabeça de marxista é assim mesmo…

Então sigamos:

Em forma mais ou menos radical, mais ou menos plena, mais ou menos consciente, a crença religiosa dissocia-se da objetividade material e social. Ela desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao ser humano superar sua origem animal e, percebendo a si e à natureza, começar a conhecer as leis imanentes ao mundo, na difícil, necessária e inconclusa luta pela harmonização da existência social. A crença religiosa nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade, encobrindo-as com as espessas sombras da irracionalidade, da subjetividade, do espiritualismo. Desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos, forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do “desconhecido”, sob o peso de alienação socialmente alimentada.

Como se nota, só frases de efeito e nenhum conteúdo.

Por exemplo, ele afirma que a crença relgiiosa se dissocia da objetividade material e social, só que ele não comprova como. Não há um argumento a respeito disso.

Ele diz que a crença religiosa desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao homem superar sua origem animal e “blá blá blá”, só que ele se esquece de que é a mente marxista que ignora todo o registro histórico, reescrevendo a história de acordo com a sua conveniência. A mente conservadora (e em muitos casos, religiosa) é aristotélica, portanto é a mente que respeita o passado histórico e todo o conhecimento adquirido. Detalhes…

Nota-se que, portanto, que Maestri segue exatamente a cartilha marxista, que usa o recurso “acuse-os do que fazemos”, tentando enfim jogar uma cortina de fumaça, pois o histórico da turma dele cheira mal.

Em seguida, ele diz que a crença religiosa “nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade”, e não consegue sequer dizer quais. É, eu avisei, Mário Maestri era só enrolation.

Ele ainda diz que a religião “desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos”, mas não consegue sequer dimensionar como. Será que não ensinaram método científico para esse sujeito? Se ele faz uma afirmação dessa, e não comprova o que afirma, o discurso dele vale o mesmo que um peido.

Essa parte é mais divertida ainda: “‘forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do “desconhecido”, ou seja, pura estratégia de insulto aprendida com Schopenhauer, mas nem de longe um argumento.

É assim que começa o show de parangolé marxista-ateísta de Maestri.

Mais:

A crença religiosa droga o ser social com suas ilusões infantis de redenção conquistada através da obediência incondicional a estranho super-pai que, em muitas das mais importantes tradições espiritualistas, apesar de onisciente, onipotente e onipresente, e, assim, capaz de tudo dar aos filhos, lançou-os – no singular e no plural – em desnecessária desassistência, miséria e tristeza. É porque é!

A questão de que a crença religiosa “droga o ser social” também nem de longe é argumento. É apenas frase de efeito.

Notem que até o momento Maestri nem começou a argumentar, e ele segue desse jeito até o fim.

Por exemplo, ele diz que as crenças religiosas são “ilusões infantis de redenção”, mas não define por que é infantil.

Engraçado quando ele termina o parágrafo com a frase “É porque é!”, talvez tentando atacar os oponentes religiosos, mas ela na verdade justamente classifica como Maestri argumenta. Do início ao fim, a veia argumentativa dele inexiste, sendo substituída por frases de efeito e conclusões no estilo do “É porque é!”.

Vamos em frente:

A essência anti-científica da religião, que não argumenta, pois se nutre da crença incondicional no arbitrário, materializa-se na oposição visceral, mais ou menos realizada, ao maior tesouro humano, a capacidade de diálogo e de compreensão tendencial do universo. Que o digam Galileu e Giordano Bruno! Daí sua histórica intolerância, desconfiança e ojeriza para com o pensamento científico. E, verdadeiro tiro no pé, seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais.

Lembram-se quando eu falei que marxistas usam o recurso “acuse-os do que fazemos”?

Ele diz que a religião “não argumenta” pois “se nutre da crença incondicional no arbitrário”.

Ué, mas isso é só o que se vê no texto de Maestri, que até agora não conseguiu implementar sequer um argumento válido e quer impor sua crença através de frases de efeito, mas não da razão.

O apelo à Galileu e Giordano Bruno é também um recurso desesperado, já devidamente refutado neste blog.

A tentativa de alegar “histórica intolerância, desconfiança e ojeriza” para com o pensamento científico é também de novo apenas o estratagema de implementar uma falsa dicotomia entre ciência X religião, ou seja, mero recurso de lavagem cerebral que Maestri tenta lançar sobre seus leitores. Com certeza, deve ter aluninho dele que fica com a cueca molhada ao ouvir isso que ele diz, chegando a lacrimejar. Mas somente se não fizer uma análise racional do discurso de Maestri, que é vazio.

Ah, e ainda tem a amostragem indevida, quando ele lança isso: “seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais”.

Só que, de maneira covarde, Maestri também não cita fontes de sua alegação.

A diversão prossegue:

O pensamento religioso nega e aborta o ativismo e o otimismo racionalistas e materialistas, nascidos da possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material. Impõe visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo, essencialmente petrificado e eternizado pela materialização de transcendência, à qual o homem deve apenas submeter-se e render-se, para merecer a liberação.

O curioso é que ele tenta associar “ativismo e otimismo racionalistas e materialistas” diretamente com “possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material”.

Não tem nada a ver, ele simplesmente praticou aqui a falácia da falsa causa.

Em seguida, ele sugere que a religião impõe “visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo”.

Engraçado que ele não explica que como tal visão pessimista, quietista e introspectiva foi uma das principais responsáveis por chutar os fundilhos dos comunistas na Europa após o final da Segunda Grande Guerra.

Claro que Maestri tenta esconder essas informações, pois não está nem um pouco comprometido com a verdade, somente em aliciar garotos ingênuos para se tornarem “idiotas utéis” como ele.

Mais diversão:

Para tais visões, o ativismo e otimismo social são incongruências, ao não haver imperfeição social superável, já que esta última nasce da própria natureza humana, habitada pelo mal e pelo pecado, devido ao desrespeito a interdições primordiais do pai eterno – olha aí ele de novo –, origem do pecado. Pecado que exige incessante expiação e penitência, lançando o ser religioso em triste e mórbido mundo de culpa, de submissão, de punição. Ativismo e otimismo sociais impensáveis para uma forma de compreender a sociedade em que não há história. Ou o que compreendemos como história se mostra ininteligível, pois regida essencialmente por determinações transcendentais paridas e concluídas à margem das práticas humanas. Realidade à qual, segundo tal visão, podemos ascender, muito limitadamente, apenas através da revelação.

Todo esse cirquinho do Maestri é simplesmente para dizer que “devemos confiar no homem, cegamente, e esse papo de uma moral absoluta é uma bobagem”.

Quer dizer, é um discurso de lavagem cerebral que ele tenta, recheado de falácias do espantalho (como todo o parágrafo dele é baseado em espantalhos da religião, nem preciso citá-las), mas sempre com o objetivo fundamental: confie unicamente no homem. Algo como “se nós, do partido, dissermos que fazer X é bom, acredite, e confie!”.

Resumindo, ele simplesmente tenta implementar a credulidade cega para que os discípulos acreditem em picaretas militantes como ele.

Seguimos:

Na sua petrificação a-social e a-histórica, um mundo chato, triste, deprimente, infantil, mórbido. Um universo que valoriza a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade, a transcendência, a espiritualidade, etc., valores e comportamentos historicamente explorados pelos opressores, no esforço de manter o mundo imóvel, através de alienação e submissão dos oprimidos, nesta vida, é claro, pois na outra, se sentarão à direita de deus-pai.

Provavelmente ele não conheceu todos os religiosos, ou seu cérebro traumatizado já editou o quanto as pessoas orientadas pela perspectiva religiosa já fizeram pelo mundo.

Mas, para não perder o foco, fico só no exemplo do que já citei: não fossem as Cruzadas, não teríamos construído a civilização ocidental. Não fossem os líderes religiosos, não teríamos expulso o câncer comunista de vários países da Europa.

Embora no Brasil o comunismo esteja atualmente vencendo, basta um pequeno levante conservador para de novo colocar a ordem na casa de novo.

Sendo assim, Maestri tenta provocar os oponentes com frases como “a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade”, e nisso eu até concordaria com ele, em alguns casos.

Só que quando o religioso deixa esses aspectos um pouco de lado, doenças como o marxismo são eliminadas.

Ele devia agradecer a momentos históricos em que líderes religiosos pregam a “paciência, quietismo, humildade, etc.”, pois é só em momentos assim que gente como Maestri consegue algum destaque.

Em momentos em que o religioso não interpreta tão literalmente isso (e entende essas atitudes como as que deve ter em relação a Deus, apenas, e não politicamente), a turminha do Maestri só contabiliza histórias vergonhosas, pois são escurraçados feito cachorro ladrão.

Maestri prossegue:

O ateísmo militante é necessário ao retrocesso da alienação, enormemente crescente em tempos de vitória da contra-revolução neoliberal. Ele impõe-se na luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno, em que o homem seja o amigo, não o lobo do homem. É imprescindível ao esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor, materiais e espirituais, nos limites férreos da natureza humana historicamente determinada.

Pelo contrário, no Brasil o que temos é uma revolução comunista em vigência.

Claro que como todos já conhecem o chororô marxista, todos sabem que discursos como o de Maestri, que incluem “luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno”, é apenas a palavra-chave para “confie na gente, pois quando começarmos com as barbáries em nome da CLASSE, vocês já estarão hipnotizados”.

Maestri tem motivos para temer a religião, pois com os valores defendidos por ela, os genocídios da Rússia Comunista e da China (que ele omite, espertamente) não seriam tão facilitados…

Esse papo dele, então, de falar em “esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor” é somente joguete de palavras, mas nem de longe ele consegue comprovar historicamente que a turminha dele realmente luta por isso mesmo.

Mesmo assim, ele ainda afirma que sua campanha é “democrática”:

O ateísmo militante é democrático, pois tem como essencial meio de pregação a conscientização, individual e coletiva, da necessidade de assentar as práticas sociais nos valores da humanidade, da racionalidade, da liberdade, da solidariedade, da igualdade. Pregação racionalista e materialista que compreende que a superação da alienação espiritual será materializada plenamente apenas através da superação da alienação social e material.

Vejamos, até hoje o ateísmo militante não tem outras finalidades que não escarnecer dos religiosos, e MENTIR sobre os oponentes. É só isso, numa cópia da campanha marxista (só que aplicada na questão religião), baseada na Estratégia Gramsciana, que segue esses princípios.

É a isso que ele chama de “democrático”.

Como sempre, o marxista na hora de falar de valores sempre se engasga. Ele sabe que não tem sequer percepção do que é um valor, em termos sociais.

O mais engraçado é quando ele confessa, ao final:

O que exige intransigente luta política, cultural e ideológica pela defesa dos maltratados valores do laicismo, única base possível para convivência social mínima por sobre crenças religiosas, étnicas, ideológicas, etc. singulares. Laicismo agredido pela despudorada exploração mercantil, política e social, direta ou indireta, por parte das religiões novas e antigas, da crescente anomia popular contemporânea. O monopólio público da educação e da grande mídia televisiva e radiofônica, sob controle democrático, e a ilegalização do escorcho religioso popular direto são pontos programáticos dessa mobilização.

O cara está tão perdido que confessa que quer implementar atitudes desonestas. Notem o uso do termo “intransigente”, e acha isso tudo muito lindo!

É claro que um sujeito assim tem que lutar contra a moral absoluta defendida pelos aristotélicos e pelos religiosos mesmo, pois ele simplesmente tem que vender valores espúrios para a garotada. É assim que funciona a mente dele. É assim que os “idiotas úteis” manipulados pelo “partidão” agem.

Depois de se fazer de coitadinho (“maltratados valores do laicismo” e blá blá blá), ele ainda sugere as seguintes atividades:

  • O monopólio público da educação e da grande mídia, sob controle democrático (*);
  • Ilegalização do escorcho religioso popular direto.

Ele chama a isso de “pontos programáticos dessa mobilização”.

O cara não quer nem saber. Ele divulga em público que o negócio da turminha dele é jogar sujo mesmo, e se ORGULHA DISSO!

É epicurismo na veia!

O final, do texto, sub-entitulado de “Ceu e o Inferno”, vem abaixo:

O ateísmo militante é pregação de adultos, conscientes do limite e dos perigos de empreitada subversiva, dessacralizadora e mobilizadora, pois voltada para a necessidade do homem de retomar as rédeas de sua vida material e espiritual, no aqui e no agora. É jornada sem esperanças de premiações e de graças, na outra vida e sobretudo nessa, ao contrário do habitual nas religiões oferecidas como vias expressas para o sucesso individual, no rentável balcão da exploração da alienação.

O racionalismo militante é caminho difícil que premia os que nele perseveram com a experiência, mesmo fugidia, com o que há de melhor nos seres humanos, a racionalidade, a solidariedade, a fraternidade. Sentimentos e práticas vividos em forma direta, sem tabelas, pois a única ponte que liga os homens são as lançadas entre os próprios homens, construídos pela história à imagem e semelhança dos homens.

A vida racional é aventura recompensada sobretudo pelo inebriante desvelamento do encoberto pela ignorância e irracionalidade e pelo equilíbrio obtido na procura da harmonia social, por mais difícil e limitada que seja. Trata-se de caminho que permite, sem sonhar nem crer, seguir decifrando, alegre e desvairadamente, esse mundo crescentemente encantado e terrível. Viagem por esta vida terrena, valiosa, breve e única, sempre apoiada na lembrança de que, diante das penas e tristezas, não se há de se rir ou chorar, mas sobretudo entender, para poder transformar.

Uma experiência de vida que, mesmo bordejando não raro o inferno, ou sendo elevado fugidamente aos reinos dos céus, sabe-se que tudo se passa e se conclui nesse mundo, concreto, terrivelmente triste e belo, sobre o qual somos plena, total, sem desculpas e irremediavelmente responsáveis.

Isso tudo é só discurso de auto-ajuda para conclamar seus discípulos para a “luta”.

É esse o nível de muitos professores de história no Brasil.

Esse tipo de gente tem que ter as aulas filmadas e AUDITADAS

Tudo que ele faz aqui não passa de discurso de ódio e difamação, sintoma de gente que não tem limites na hora de lutar por sua cosmovisão bizarra de mundo.

É hora de tomar cuidado e desmascarar pessoas deste naipe.

(*) Leia-se por isso uma “elite” intelectual marxista, que eles lutarão para colocar no poder, e efetuar o “monopólio”, tal qual defendido por Gramsci.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 24, 2010 em 11:20 pm

Seria o nazismo um empreendimento cristão?

com 18 comentários

Acreditem se quiser, mas até hoje alguns neo ateus em comunidades do Orkut alegam isso.

Aliás, até aqui mesmo nesse blog já teve um texto mostrando que um deles tentou imputar nas costas da Igreja Católica parte da responsabilidade sobre o nazismo.

Só que o vídeo acima ajuda a esclarecer muito.

Curiosamente, tanto nazismo como o marxismo mostram traços da mente revolucionária.

Ambos tinham alicerces em uma utopia. Ambos usavam de fortíssima propaganda e não se furtavam em mentir à granel. Ambos tinham uma visão totalitária. Ambos reescreviam a história passada, adequando-a para iludir o povo. Ambos achavam que uma grande quantidade de mortes, desde que fosse pela “causa”, não era problemático.

Embora, é claro, não seja possível associar nazismo diretamente ao ateísmo (só que quanto ao marxismo, a tarefa já não é difícil), muito menos é possível associá-lo ao cristianismo (e nem a nenhuma religião estabelecida).

Tanto o nazismo como o marxismo russo (e até o marxismo chinês) são as maiores “lacunas” na teoria de Richard Dawkins afirmando que a principal causa de conflitos é a religião.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 16, 2010 em 12:08 am

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