Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

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Comunidade Criacionismo: e como fica a propaganda dizendo que moral independe de religião?

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Já é um argumento manjado dos neo ateus divulgar a idéia de que a moral é independente de religião. Essa idéia já foi refutada aqui.

Mas nem seria preciso ter refutado isso, pois a cada dia os neo ateus dão mostras de que eles se acham o fiel da balança. Ou seja, para eles bom é o que está do lado deles. E ruim é o que está contra. Não há outro critério moral para eles que não aquilo que os satisfaça. Simples assim. Tal qual Epicuro ensinou e tal qual os marxistas sempre fizeram.

Um exemplo claro ocorre na comunidade Criacionismo. [N.E. - Como já dito, não apoio o criacionismo, e sou veemente contra a idéia criacionista, mas não posso deixar de julgar os fatos comportamentais observados naquela comunidade, independente dos lados da contenda]

A comunidade, como é notório, é dominada por neo ateus. Virou um reduto de propaganda de ódio aos religiosos, e alguns poucos cristãos, a maioria atuando de forma ingênua, por lá permanecem, apenas para servir de escárnio aos neo ateus.

A nova mania lá é o Ataque em Bando, técnica já abordada aqui. Nessa técnica, um neo ateu junta os seus amigos e eles postam contra um teísta, que, pela quantidade de mensagens (deve-se notar que eles postam em conjunto), não irá responder a todos. Eles misturam, no ataque, escárnio, provocações, ofensas e todos os estratagemas possíveis de ridicularização.

Um dos conselheiros da comunidade, Zwinglio Rodrigues, quis parar com essa baixaria. [N.E. - Aliás, a comunidade aparentemente tem um conselho, com 6 evolucionistas e 6 criacionistas, sendo que Zwinglio é um dos criacionistas]

Segue a mensagem dele na comunidade do conselho:

Caro Conselheiros, convoco-os para essa REUNIÃO para que tratemos de um caso na Criacionismo que não vejo com bons olhos. Trata-se da abertura de tópicos que levam o nome de membros daquela Comunidade “desafiando-o”. Tópicos dessa natureza, a meu ver, não dá ao “desafiado” o direito de não querer responder a qualquer indagação que seja e, esse direito é dele e ele pode e deve querer usá-lo. Talvez alguém diga que ele, o “desafiado”, pode ou não usar desse direito caso queira: basta não responder [ou responder] às perguntas que dão a razão de ser do tópico aberto. Só que não é assim que “a banda toca”. Não dar respostas a “desafios” lançados pode, e gera, ridicularizações, deboches e abusos outros, e a Criacionismo não existe para isso. Ao silenciar-se, o “desafiado” nominalmente fica exposto, pois o tópico sempre fica sendo revivido pelo “desafiante”. A meu ver, “desafios” podem e devem ser propostos, porém, o “desafiado” tem que aceitar previamente tal “desafio” antes da abertura de qualquer tópico; esse “desafio” deve envolver apenas “desafiante” e “desafiado”; e esse “desafio” deve ser MODERADO. Qualquer coisa diferente disso parece-me esdrúxulo e razão de exposição gratuita de qualquer membro que seja da Comunidade Criacionismo.

Um caso atual que está eivado, a meu ver, de tentativas de exposição e de ridicularização é o que envolve o membro George. Vejam aqui:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=138671&tid=5448470489583309451&start=1

Como eu não vejo na atual REGRA um ARTIGO ou PARÁGRAFO que ponha um freio nesse tipo de coisa, e como não estou vendo ninguém propondo impedir que tópicos dessa natureza sejam criados, proponho  que votemos, em caráter emergêncial, o APAGAR de todos os tópicos que levam o nome de membros da Criacionismo. Os favoráveis votem SIM; os não favoráveis, votem NÃO.

Uma proposta no mínimo digna, pois ninguém é obrigado a sofrer coação e humilhações somente por ser de uma ideologia. Certo? Certo só se for para os que possuem algum conceito de moral, óbvio, mas não é o que ocorre com os neo ateus.

Neste momento (11 de abril de 2010) o resultado da votação é:

  • Hermínio…….SIM
  • Marcelo………SIM
  • Sergio………..NÃO
  • Pedro…………SIM
  • Victor…………NÃO
  • Celio………….NÃO
  • Lívia………….SIM
  • Zwinglio…….SIM
  • Leonardo…..NÃO
  • Roberto…….NÃO

Vamos à “ficha” do que estão votando NÃO. Comecemos por Sérgio, neo ateu e amigo de Eli Vieira (o tal do presidente da LiHS, do site Bule Voador), principal acusado de liderar os ataques virtuais. O seguinte, Victor, como não poderia deixar de ser, é também neo ateu, o que pode ser confirmado pelas suas postagens na comunidade. Roberto se declara como agnóstico ou espiritualista, mas sempre incentiva também os ataques neo ateus. A exceção dos que votam em NÃO fica com Leonardo, que alega ser católico, e Célio, que alega ser protestante. Assim, teríamos duas situações. Com Roberto Parra no time ateu, 60% de apoio às ofensas, e sem ele, 40% de apoio.

Agora, entre os cristãos da comunidade, Lívia e Zwinglio votaram no SIM, ao passo que Marcelo, islâmico, também – ou seja, CONTRA a manutenção das ofensas. Hermínio, que alega ser “spiritual but not religious”, e Pedro, que afirma ser agnóstico, também votaram no SIM.

Em resumo, não há um único caso de neo ateu que tenha votado a favor do término das ofensas. Entre os da “coluna do meio”, há alguns que votaram pela manutenção, e outros pelo término. Entre os teístas, a maioria votou pelo término das ofensas, embora 2 deles tenham votado pela manutenção.

Querem algo mais revelador ainda? Vejam a postura irracional e histérica de Wesley, neste tópico, em que ele critica furiosamente Marcelo, Lívia, Zwinglio e Pedro, chamando-os de “Quarteto Fantástico”. Como era de se esperar, Wesley é um neo ateu dos mais carrancudos. Caso raro, aliás, de neo ateu punido por lá. Por ofender a moderação, Wesley ganhou uma suspensão de 20 dias.

Esse resultado nos dá uma evidência muito clara do que tem sido dito aqui: neo ateu não tem critério objetivo de moral. Eles julgam o que é certo ou errado apenas em relação ao que está do lado deles. É a moral epicurista.

Mais um exemplo? Vejamos. O Sr. Eli Vieira disse os seguinte termos em direção à teísta Cinthia: “Desonesta, ignorante, mentirosa, falaciosa, inane, insossa, pueril, insípida, desinteressante, irracional, vil, delirante, torpe, incompetente, ignorante, falaz, pseudointelectual, pseudofilósofa, supersticiosa, dissimulada, fujona, conspiracionista, crédula, ególatra, desinformada, cega, teimosa, esperneante, pseudocientífica, mimada, idiólatra, ignóbil, abjeta, limitada, imatura, arrogante, inábil, fútil, preguiçosa, inescrupulosa, ilógica, escorregadia, mitômana, ridícula, risível, sectária, paranóica, irresponsável, acrítica, inculta, histérica, condescendente, verborrágica, logorréica, pelecípoda, covarde, iludida, desocupada, leviana, frívola, acéfala, repetitiva, enfadonha, previsível, palampra, inócua, petulante, atrevida, insubstanciosa, oca, soporífera, infrutífera, vulgar e acima de tudo CÍNICA.”

E o que aconteceu com ele? Apenas uma mera advertência. Como sempre, é assim que funciona. Neo ateu age somente em benefício dos seus.

Uma dica: a partir do dia em que o teísta entender o neo ateu como INIMIGO, somente aí ele começará a respeitar esse teísta. Pois o neo ateu já SABE que a postura dele é de um inimigo, e age como se não tivesse que dar nenhuma satisfação moral a qualquer teísta que vir pela frente. Como muitos teístas se portam de forma MANSA perante isso, ele sabe que pode avançar cada vez mais, até o limite que for tolerado.

Agora, para finalizar: também não entendo o que os teístas ficam fazendo por lá. Se já é claro que não há nenhum código moral que os neo ateus seguem, os teístas estão debaixo do julgamento subjetivo deles. E sendo que o julgamento deles sempre é epicurista, é claro que os teístas vão perder sempre. É preciso de um pouco de dignidade ao menos para que os teístas abandonem essa comunidade ou ao menos retribuam na mesma moeda, pois a forma como eles são tratados por lá é coisa de dar pena. Coisa de causar vergonha alheia. Atualmente, a função que a maioria deles executa lá é a de servir de CAPACHO para neo ateus mal intencionados e desonestos, que DEPENDEM da presença deles por lá para fazer propaganda. A cada vez que um teísta é ridicularizado por lá, neo ateus comemoram como se fosse um gol. E praticamente ninguém lá é capaz de reagir a isso. Aceitam, passivamente, a SÃO CONIVENTES com esse tipo de propaganda anti-cristã.

Como Bernie Goldberg bem disse. Para que o time dos malucos prevaleça, é preciso que o time adversário seja composto de frouxos. Na comunidade Criacionismo, o time dos malucos já prevaleceu.

Escrito por lucianohenrique

abril 11, 2010 em 8:49 pm

Baixarias na Biologia III – O terror para os neo ateus

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Se há algo que deve aterrorizar neo ateus, este é o crescimento do evolucionismo teísta ou ao menos uma grande parte de religiosos passarem a estudar a fundo a teoria da evolução. Mas como? A campanha de Dawkins não envolve “divulgação de evolucionismo”?

Vamos, então, por partes.

Assumo como premissa aqui o fato de que a negação explícita à teoria da evolução, principalmente na variação criacionista, é um desestímulo ao estudo profundo dela.

Não é raro entre os criacionistas notar frases como “o homem não é descendente do macaco”, quando na verdade não há nenhuma afirmação desse tipo na teoria da evolução.

Esse exemplo, dentre vários outros que eu poderia elencar aqui, é resultante de desconhecimento da teoria da evolução, pura e simplesmente.

O que abordarei aqui, por sua vez, mostrará que esse desconhecimento é extremamente útil para os neo ateus.

Vejamos da seguinte forma: grande parte das ideologias de Richard Dawkins são sustentadas por modelos extrapolados indevidamente do evolucionismo.

Como exemplo, podemos citar o gene egoísta e a memética, só para ficar nos dois modelos explicativos preferidos dele. Inclusive, ambos os modelos são utilizados a esmo no livro “Deus, Um Delírio”, para tentar (ingenuamente e inutilmente) provar que a moral humana, se vem de algum lugar, não é da religião.

No caso, Dawkins diz que a moral viria dos genes, que nos “programaram” para ter a moral. É, não dêem risada, pois é exatamente isso que ele afirma.

Na questão dos memes, ele usa-os para dizer que as religiões são vírus que “grudaram” nas mentes das pessoas feito parasitas.

Obviamente, os dois modelos de explicação são naturalmente pseudociências de pior qualidade, que não possuem nenhuma utilidade senão o viés ideológico, o de pregação de ateísmo, e, principalmente no caso do gene egoísmo, a difusão do epicurismo.

O mais divertido é notar que quanto mais conhecemos a evolução profundamente, mais fica fácil notar as falhas nos modelos defendidos por Dawkins. Os modelos de Dawkins são simplesmente INCOERENTES com tudo que conhecemos da teoria da evolução.

Um exemplo, na questão da memética, é que as idéias não são seres vivos, o que é uma premissa básica da evolução. Para piorar, a memética prega que as idéias podem ser difundidaas por “design” e “seleção natural” ao mesmo tempo, o que, de novo, não tem nada a ver com a teoria da evolução.

Na questão do gene egoísta, Richard Dawkins simplesmente quer por que quer (o tal do argumento ad nauseam) que tudo seja explicado pela visão dos genes, o que está em desacordo com as principais teorias da Biologia, que defendem a seleção multi-nível. A seleção multi-nível não é focada nos genes, mas sim nos indivíduos, nos grupos, e TAMBÉM nos genes. Um dos maiores empecilhos para a teoria do gene egoísta é o sucesso recente de vários modelos preditivos da seleção de grupo, que Dawkins julgava descartada quando escreveu seu livro.

Como mostrei, não dá para encontrar as falhas grotescas nesses dois modelos explicativos de Dawkins sem conhecer ao menos o básico da teoria da evolução.

É claro que Dawkins, portanto, não quer que seus adversários se aprofundem em Darwin.

Uma técnica que ele e seus adeptos usam é infiltrar o maior número de novos evolucionistas (ler mais sobre eles aqui) em duelos com criacionistas, e escolher os criacionistas como alguns de seus principais adversários.

Podemos sugerir que o motivo para isso é fazer com que os criacionistas fiquem cada vez mais criacionistas, criando uma espécie de ultra-criacionismo. O modo como isso funciona é simples: mexendo com o orgulho de um oponente mais ingênuo, ele pode ou ir para o seu lado ou ficar cada vez mais contra você. No caso, ou o sujeito viraria novo evolucionista, ou viraria cada vez mais anti-evolucionista, e, portanto, criacionista.

Para entender mais a fundo esse modelo de ação, eu recomendo a leitura do livro “A Era do Radicalismo”, de Cass R. Sunstein, que já foi comentado aqui.

No livro é mostrado como a polarização é útil para os ideólogos. Dividir a questão entre ultra-darwinismo (do tipo de Dawkins) e ultra-criacionismo é ótimo para ideólogos como Dawkins. Justamente por isso esse tipo de gente fica muitíssimo incomodada com a mera existência de evolucionistas não-radicais, como Stephen Jay Gould, e evolucionistas teístas, como Kenneth Miller.

É interessante para os novos evolucionistas que os criacionistas ou sejam ultra-criacionistas, ou então “se convertam” ao novo evolucionismo.

Os novos evolucionistas não questionam seus gurus e utilizam fé cega para adotar modelos de Dawkins, e chegam a se enfurecer ao ver qualquer tipo de questionamento ao gene egoísta. Ultra-criacionistas fogem de qualquer abordagem profunda da teoria da Darwin, e raramente passam da periferia.

Aqui, então, mostrarei qual é o tipo de postura para causar medo em gente como Laurence Krauss, John Hartung, PZ Myers e, é claro, Richard Dawkins: o evolucionista não-radical, o evolucionista teísta, e o estudioso do evolucionismo (mesmo que não seja um evolucionista, podendo ser até um adepto do DI).

Esses, por se especializarem no evolucionismo, conseguirão desmascarar ideólogos como Dawkins de uma maneira extremamente fácil, e, melhor ainda, mostrando como as abordagens dawkinistas são incoerentes não só em comparaçaõ com a metodologia científica, mas também com o próprio evolucionismo.

Infelizmente, os líderes religiosos ainda não descobriram o quão vantajoso seria ensinar a teoria da evolucão A SÉRIO para os cristãos.

As vantagens do ensino do evolucionismo seriam:

  • maior facilidade para identificar picaretagens que não são sustentadas pela evolução, mas afirmadas como tal (ex. gene egoísta, memética, sociobiologia);
  • diminuição do risco do aluno ser enrolado e ensinado em uma versão extrapolada indevidamente do evolucionismo, que é disfarçada por alguns ideólogos como ensino de ateísmo;
  • diminuição da discriminação dos religiosos por serem chamados de “anti-ciência”;
  • eliminação de um pretexto, usado pelos adversários da religião;
  • aumento geral do conhecimento científico dos religiosos, e diminuição da efetividade da estratégia gramsciana, em versão ateísta, aplicada academicamente.

Em suma, só há benefícios para o aprofundamento no evolucionismo. Só quem perde com isso seriam os novos evolucionistas como Richard Dawkins. Os religiosos só tem a ganhar.

Claro que algum cristão self-service (para saber mais deles, recomendo ler a matéria anterior) poderia reclamar dizendo: “eu não uso minha religião, para obter benefícios, e sim para seguir a Deus”.

Eu concordo que a religião é para a evolução espiritual de cada um, e não deve ser utilitarista, mas o conhecimento científico, no nível das teorias científicas (e não da epistemologia), deve SIM ser utilitarista. As teorias científicas são estudadas, abordadas, aprovadas, ridicularizadas ou descartadas somente pela utilidade, seja prática ou explicativa.

Se não podemos definir nossa religiosidade pela perspectiva utilitarista, o mesmo não pode ser dito em relação ao uso ou aceite de uma teoria científica. E o que estou tratando neste texto é somente do aceite ou não da teoria evolucionista, com o consequentemente aprofundamento na mesma.

E que benefícios a recusa do evolucionismo traria para a religião? Absolutamente nenhum. A não ser que alguém use o criacionismo da terra jovem, simplesmente o aceite do criacionismo não é necessário para qualquer tipo de aprofundamento religioso.

Em suma, um religioso poderá optar pelo criacionismo, mas não conseguirá argumentos fortes para justificá-lo por causa de sua religião. Ele talvez pode justificar o criacionismo por causa de gosto pessoal, orgulho ferido ou coisas do tipo. Mas não há um bom argumento religioso que o justifique.

E pela perspectiva do neo ateísta, um bom número de criacionistas é útil para eles, pelos seguintes benefícios que trazem às suas campanhas:

  • maior dificuldade que os criacionistas terão para identificar picaretagens como gene egoísta, memética, e sociobiologia, que são ideologias disfarçadas de ciência;
  • maior facilidade para criação de falsa dicotomia entre religião X ciência, e o criacionista será usado como um “símbolo do mal” a ser ridicularizado em aulas;
  • é um pretexto para discriminar os religiosos, fingindo que eles seriam “anti-ciência”;
  • com alguma retórica e PNL, é possível implementar uma justificativa para divulgar a estratégia gramsciana em academias, principalmente em ciências;
  • aumenta a facilidade de identificar os religiosos como “pessoas que vivem nas trevas”, o que facilitará ainda mais na propaganda da estratégia gramsciana;
  • facilita bastante o uso do evolucionismo como “ateísmo justificado”, pois os criacionistas seriam usados como exemplos (associados intrinsecamente à religiao) opostos a serem negados.

Quer dizer, o novo evolucionista PRECISA do criacionista, principalmente dos mais radicais. Podemos até chamar os criacionistas de idiotas úteis do novo ateísmo. Espero que eles não se ofendam com essa definição, mas é mais do que evidente que eles servem a um único objetivo: facilitar a campanha de divulgação do neo ateísmo, dando-lhes diversas justificativas e pretextos.

Em contrapartida, o cristão que se aprofunda no evolucionismo é tudo aquilo de que os neo ateístas não precisam, pois isso aumentaria o corpo de conhecimento do evolucionismo perante os religiosos.

Isso seria, claro, um pesadelo para os adeptos de Dawkins.

P.S.: Para lembrar dos dois textos anteriores da série, o primeiro foi “O Evolucionismo Como Tudo Na Vida”, em que o conceito de novo evolucionista é abordado. O segundo texto foi “Por que o Criacionismo é Tão Supervalorizado?”.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 14, 2010 em 2:19 am

Baixarias na Biologia II – Por que o criacionismo é tão supervalorizado?

com 13 comentários

O artigo anterior falou de uma variação patológica do evolucionismo. Ela é composta por pessoas que podem ser chamadas de “novos evolucionistas”, uma espécie de evolucionistas que tratam a teoria de Darwin muito mais do que apenas a melhor teoria sobre a especiação, mas sim como o paradigma base de sua vida.

Falei também de como essas pessoas não conseguem mais encarar o evolucionismo apenas como teoria de trabalho. Para eles, o objetivo é principalmente realizar a imposição dos escritos de Darwin a todas as pessoas.

Evidentemente, os novos evolucionistas elegem o criacionismo como inimigo a ser combatido, e, para isso existem várias razões.

A principal e mais óbvia delas é que é muito fácil criar um espantalho em cima de todos os religiosos enquanto atuam como se tiverem incontida indignação para com o criacionismo. Talvez até tenham uma indignação real. Ou talvez seja só fingimento. Principalmente o fingimento para si próprio.

A partir daí, basta entorpecer a mente dos “novos adeptos” com discursos como “precisamos divulgar o evolucionismo, temos que impor o evolucionismo, e quem não concorda é um inimigo”. Após isso, estes adeptos estarão, dia após dia, pensando que ao duelarem com o criacionismo estão de fato duelando contra a religião.

Richard Dawkins já disse que “a religião pode existir sem o criacionismo, mas o criacionismo não pode existir sem a religião”. Obviamente, Dawkins tenta usar de um pretexto na forma de fase de efeito com o objetivo de atacar a religião. Jerry Coyne, adepto de Dawkins, também pratica o mesmo estratagema.

Na verdade, esse é um dos motivos pelos quais o “novo evolucionista” não pode deixar de pensar no criacionismo. O criacionismo é principalmente um pretexto para que os adeptos de Dawkins possam atacar a religião! Estranhamente, muitos líderes religiosos sequer perceberam a jogada.

O mais justo seria refazer a frase de Dawkins: “a religião pode existir sem o criacionismo, mas o darwinismo fundamentalista não pode”. O evolucionismo sadio, obviamente, não iria acabar, por causa de suas evidências sólidas, mas esse show de frescurites que envolvem culto a Darwin, idolatria a Darwin, amor por Darwin, inspiração por Darwin, comemoração de aniversário de Darwin, sonhos com Darwin, e muito parangolé desse tipo, incluindo sub-teorias bizarras e pseudo-científicas como gene egoísta, psicologia evolutiva, memética e outras com certeza cairiam no ridículo.

Como não querem deixar tais discursos caírem em desuso, precisam vender a imagem de “apologistas do evolucionismo”, aqueles que guiariam os “pobres seres a-científicos pelo mundo da evolução”. O trabalho missionário deles ficaria muito mais difícil sem proclamarem a mensagem, ad nauseam: “olha, não esqueçam, estamos te protegendo dos criacionistas, ah, esses ignorantes, que são contra a ciência”.

Sem o criacionismo, o recurso de lavagem cerebral e auto-ajuda cai pelo ralo, pois para lavar o cérebro da garotada é preciso encontrar um inimigo odioso, para que, a partir daí, os gurus fiquem do lado dos “novos adeptos”, salvando-os desse inimigo. Esse inimigo é o criacionismo. Sem o inimigo, o guru vai salvá-los de quem?

Outro fator de grande relevância para essa excessiva dependência é o fato de que fica fácil para os “novos evolucionistas” fingirem que todos os seus adversários são criacionistas.

Um exemplo foi quando Richard Dawkins fugiu de debates com William Lane Craig. Mesmo sem conhecê-lo, Dawkins justificou-se: “não debato com criacionistas”. Ou seja, já criaram a falsa dicotomia e dividiram o mundo entre evolucionistas X criacionistas. Quem não está do lado dele, é um criacionista e ele não discute mais isso! O problema é que William Lane Craig nem de longe era criacionista…

Mais um exemplo? O blog “A Voz da Espécie” tentou defender Richard Dawkins das críticas que ele sofreu de Alister McGrath. Como o blogueiro “evo” estava sem argumentos, já tirou o ataque histérico da cartola: “é criacionista, é criacionista”. Detalhe: novamente, o adversário não era criacionista, e sim evolucionista. Para maiores detalhes, consulte o artigo no qual comento tal texto clicando aqui.

A obsessão pelo criacionismo é tamanha que eles chegam a alucinar e expor em público seus delírios em relação aos inimigos, imaginando-os como criacionistas.

Talvez a estrutura de raciocínio desse pessoal seja algo mais ou menos assim:

(1) Eu sou evolucionista
(2) Tudo no mundo é explicado por Darwin
(3) O evolucionismo é correto, é fato, é absoluto, e magnânimo
(4) Tudo o que eu penso se baseia na evolução
(5) E portanto tudo o que eu penso é correto
(6) Se ele não concorda comigo, ele não concorda com a evolução
(7) Ele é criacionista

Se não por isso, qual o motivo que explicaria que Alister McGrath e William Lane Craig foram chamados de criacionistas sem jamais terem escrito qualquer linha a favor do criacionismo?

O fato é o seguinte: o criacionismo é irrelevante para a religião. Pelo contrário, ele chega a ser prejudicial, pois defende uma visão pobre e ingênua a respeito da Bíblia (extremamente literal).

Por outro lado, o criacionismo é indispensável para o neo ateísmo (e para o novo evolucionismo). Sem o criacionismo, fica difícil criar um espantalho em cima do qual bater.

Sem o criacionismo, grande parte da campanha neo ateísta teria que se limitar a focar outros alvos, como, principalmente, exagerar os crimes da Inquisição e esconder, ao mesmo tempo, os crimes cometidos na Rússia e China comunistas. Mas não haveria, nessa empreitada, o componente de “divulgação científica” que mexe com a ilusão teen. Criando a encenação de conflito entre criacionismo X religião, isso fica mais fácil.

Assim sendo, o criacionismo, hoje, é como o “um anel” para Gollum. Qualquer um desses novos “evos” tem motivo para clamar “my precious” sempre que ouvir falar de criacionismo.

Não é estranho, também, que as principais comunidades criacionistas do Orkut são infestadas de “novos evolucionistas” que não largarão por nada deste mundo a oportunidade de ensiná-los no “caminho da verdade”… o caminho de Darwin.

O que seria dos “novos evolucionistas” sem os criacionistas? Fico com pena só de imaginar…

Sendo assim, o resultado principal do criacionismo termina sendo fornecer munição a um inimigo.

Simples assim.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 27, 2010 em 11:13 pm

Baixarias na Biologia I – O evolucionismo como “tudo na vida”

com 7 comentários

Quem acompanha os debates acirrados entre religião X ateísmo na Internet com certeza já viu a situação descambar para o duelo criacionismo X evolucionismo.

Outra situação vista constantemente é a idolatria ao evolucionismo, praticada em muito mais quantidade do que a qualquer outra teoria científica já elaborada.

Criou-se, de forma até patética, uma nova geração de idólatras “evos”, que tratam Darwin assim como os idiotas úteis tratavam a Lênin. Como a um Deus.

Notem bem: rejeitar esse tipo de idolatria não é o mesmo que rejeitar a teoria evolucionista. A qual não rejeito. Uma coisa é acreditar no evolucionismo e até ser rotulado de “evolucionista” (o que também não é agradável, pois ninguém me rotula de big banguista, gravitacionista, etc.) Outra coisa é ir além do aceite do evolucionismo, e torná-lo como o paradigma através do qual a vida (sua e a dos outros) é analisada, beirando as interpretações mais fundamentalistas (e errôneas) das religiões.

Ou seja, a primeira visão, mais saudável, encara o evolucionismo como uma teoria científica, como várias outras (i.e. Big Bang, Teoria da Relatividade, etc.), e a segunda encara o evolucionismo como a ideologia absoluta de sua vida.

Esse desvio só se explica por uma razão evidente: a adoração não é pelo evolucionismo, e sim pelo ateísmo, ou outras ideologias parentes, como o epicurismo. Em alguns casos, espíritas (que defendem que os espíritos “evoluem”) também podem estar prontos a matar e morrer pelo evolucionismo. No fim das contas, o evolucionismo é apenas cortina de fumaça para eles.

O mais irônico é que o evolucionismo é uma teoria que atende às perspectivas tanto ateístas como teístas, só que acaba sendo na verdade uma teoria neutra nesse aspecto. Entretanto, principalmente os neo ateus parecem tentar “encampar” a teoria como se fosse propriedade deles.

O objetivo é simples: tentar arrumar alguma desculpinha para justificar ateísmo, e, como não conseguem através da teoria da evolução, executam manipulações na divulgação dela.

Um exemplo pode ser visto no trailer do filme “Creation”, acima, que conta a história de Charles Darwin e do estabelecimento de sua teoria. Certo momento, um dos personagens diz “Você acabou de matar Deus!” (vejam em 1:08, no vídeo).

Claro que se esse diálogo ocorreu na vida real é óbvio que o sujeito mentia para si próprio, pois no escopo da teoria da evolução não existia nada disso, mas ele precisa PRIMEIRO mentir para si próprio, talvez em busca de conforto espiritual, para depois mentir para os outros.

O modelo de ação se baseia em afirmar alto, muito alto, repetidamente e em bom tom, de forma que todos olhem para ele como UM REPRESENTANTE DO EVOLUCIONISMO, e portanto, aquele que tem como explicar as coisas que a “religião antes explicava”. Tudo bem que para isso ele terá que mentir e esconder a informação de que a Igreja não interpretava a Bíblia literalmente há mais de 15 séculos, mas, como “idiotas úteis” sempre fazem, mentir não é problema.

Depois dessa mentira implementada, resta dedicar a vida a Darwin. Com isso, as versões modernas dos deslumbrados (como aquele do vídeo) fazem comemorações do aniversário de Darwin, palestras sobre Darwin, prêmios com o nome Darwin, blogs de Darwin, e, é claro, participam ativamente em fóruns, falando sobre Darwin, e principalmente duelando contra criacionistas. Aliás, esses tipos de duelos são sua principal diversão.

O absurdo é que pessoas assim beiram a patologia, e não entendem algo que podemos chamar de “direito a ignorância” dos outros.

O “direito à ignorância” significa o direito que alguém possui em ser leigo em relação a algo, e, convenhamos, os criacionistas da Terra Jovem na maioria das vezes são leigos em evolução. Justamente por isso também, tornaram-se os principais alvos da atenção desses “novos evolucionistas”.

O mais grotesco de toda a situação é que os tais “novos evolucionistas” não percebem o básico da interação humana, pois não entendem que o ser humano normalmente é ignorante em uma área de especialização em que não adentrou. É isso mesmo que eles não conseguem sequer idealizar: o ser humano normalmente é IGNORANTE em uma área de especialização em que não adentrou!

Por exemplo, além de gostar da teoria da evolução eu tenho experiência sênior em Gerenciamento de Projetos e Auditoria. Posso dissertar sobre várias técnicas de Auditoria e também de Projetos. Nesse caso, por exemplo, eu poderia citar o PERT/CRM, Corrente Crítica, Teoria X e Y, etc. E claro que leigos no assunto nem saberiam o que é.

Será que eu me incomodo com esse “direito de ignorância” de grande parte da população em Gestão de Projetos? Claro que não.

Esses novos evolucionistas argumentam em relação a isso dessa forma: “se não lutarmos pelo evolucionismo, ele será prejudicado pelos esforços dos criacionistas”. Será? Mas como? Será que não são capazes de perceber que, se os criacionistas não possuem argumentos científicos válidos, a exposição do criacionismo só irá prejudicar o próprio criacionismo, e não o evolucionismo? Ao passo de que a divulgação darwinista extremista que mistura deslumbre, falsificação de informações, arrogância, ofensa ao inimigo e frases de efeito só ajuda a acirrar ainda mais os ânimos e alimentar a campanha criacionista.

Senão vejamos: as pesquisas espaciais são prejudicadas por causa de um pequeno grupo que acredita que o homem não foi à lua? Claro que não são. Por que será que os pesquisadores especiais não dedicam sua vida a lutar contra os descrentes na viagem à lua?

O motivo de novo desemboca na única resposta plausível: na pesquisa especial, não há uma ideologia suportando a discussão. O motivo de grande parte desse “amor ao evolucionismo”, recheado de falso deslumbre (como mostrado no exemplo do vídeo), é claro, a propagação de uma ideologia, normalmente transitando entre o epicurismo, o niilismo e o ateísmo. As opções e combos são variados para esse pessoal.

Simplesmente se um adepto da descrença na viagem do homem à lua protesta aos quatro ventos, os pesquisadores sérios os ignoram. Totalmente diferente dos novos evolucionistas, que não são capazes de ignorar os criacionistas.

Um argumento dos novos evolucionistas poderia ser: “mas há 40% (número hipotético) das pessoas que ainda não acreditam na Teoria da Evolução, ou que acham que a Terra surgiu há 6.000 anos, portanto é preciso ‘enfiar’ a teoria da evolução na cabeça deles”. Capaz, só que há também muita gente que não conhece o PERT/CPM ou até duvida que a implementação de um escritório de projetos dê resultados (talvez acreditem que a soliticação direta de atividades seja mais efetiva), e eu não vou perder meu sono por causa disso.

Ou seja, eu ACEITO que muitos sejam ignorantes em relação ao PERT/CPM ou à elaboração de uma matriz de risco. Somente não aceito quando, é claro, essa ignorância ou descrença em um profissional que for contratado como Gerente de Projetos. Mas quanto aos outros? Simplesmente não importam…

Já os novos evolucionistas acham um PROBLEMA TERRÍVEL o fato de 40% das pessoas não darem a mínima para a Teoria da Evolução a ponto de rejeitá-la e até substituí-la por uma crença baseada na interpretação literal (e errônea) da Bíblia, o Criacionismo. Por não aceitarem a teoria deles ser ignorada, rejeitada ou desprezada, eles se tornam PREGADORES de evolucionismo. Desde quando uma teoria científica precisa ser pregada em público? Que eu saiba, ela precisa ser praticada e executada pelos cientistas, e se os leigos não acreditam, é só dizer fuck off…

Ao invés de ignorar e deixar os criacionistas da Terra Jovem irem para a mesma vala em que os descrentes na viagem à lua foram, eles tomam o caminho oposto, e passam a dedicar a sua vida à ficar brigando com criacionistas. Aliás, a própria carreira de Dawkins em sua maioria (tirando o livro “Deus, Um Delírio”) se baseia em responder a criacionistas.

Não duvido que muitos adeptos do ateísmo militante decidiram entrar para a faculdade única e exclusivamente para sair com o diploma, dar algumas aulinhas, fazer “pose” de cientista, e então praticar o que mais gosta: brigar com criacionistas. Criacionistas, estes, como eu já disse, que deveriam ser ignorados.

O problema chave para esse pessoal “novo evolucionista” é que, como eles não conseguem entender a teoria da evolução apenas como teoria científica, e sim como ideologia (a ser extrapolada indevidamente para qualquer área imaginável), eles não conseguem aceitar a existência de seres humanos que queiram ignorar a Teoria Evolucionista.

A baixaria é tamanha que hoje em dia temos que filtrar o material a ser lido quando se fala em evolução. Quando avaliamos um material, será que se trata de um pesquisador sério ou de um ateu e/ou marxista que no fato apenas diz que divulga ou estuda evolucionismo, mas que no fundo quer mesmo é discutir ideologia?

Nesse cenário, é óbvio, não são apenas esses novos “evos” os únicos responsáveis pela baixaria e até prejuízo à ciência.

Aliás, há um outro grupo que anda prejudicando tanto a ciência quanto eles. E são os… criacionistas, tema dos próximos 2 textos dessa série, “Baixarias na Biologia”.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 26, 2010 em 11:23 pm

Deus, Um Delírio – Capítulo 4 – Pt. 4 – Roubando no jogo: Ampliações Indevidas

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Eu não podia deixar de citar que neste quarto capítulo, seja tratando dos criacionistas seja dos adeptos do DI, principalmente no último caso Richard Dawkins comete uma das maiores baixarias possíveis para um debatedor filosófico. Ele realiza ampliações indevidas, para fingir que o oponente disse algo que realmente não disse. E tenta refutar essa versão exagerada.

Vamos a um exemplo básico: ao comentar o Design Inteligente, que não explicita que o designer seria Deus (aliás, a teoria seria a mesma se os designers fossem alienígenas), ele já finge que o oponente disse “é Deus”, e então refuta isso. O que não é muito difícil, pois nenhuma teoria científica poderia chegar na conclusão “é Deus” através de saltos indutivos, assim como nenhuma teoria poderia chegar na conclusão “o Big Bang ocorreu” através de saltos indutivos também. Só que se os adeptos do DI não chegam diretamente à conclusão “é Deus” um debatedor erístico e picareta como Dawkins finge que eles disseram isso, e depois tentará atacar tal versão exagerada do argumento oponente.

Além de tudo, Dawkins usa a estratégia de falar do “Deus das Lacunas”, que é uma crença criticada inclusive por religiosos, e portanto não pode ser parte do caso de acusação dele contra a religião. A estratégia é mais ou menos tratar Deus como uma hipótese científica, e considerar que a ciência trata tudo (ou seja, cientismo), e daí dizer que Deus está nas “lacunas” da ciência.
O problema é que isso não se aplica ao design inteligente, pois o designer não é identificado como Deus, e assim não poderia ser um “Deus das lacunas” (no máximo um “designer das lacunas”, que poderia ser até um ET). Só que, como Dawkins precisa da ampliação indevida para implementar falácias do espantalho nos argumentos dos oponentes, ele tentará esse recurso também.

Quer dizer, além de ser um duelista de segunda divisão, conforme demonstrei na seção anterior, ele ainda MENTE sobre seus oponentes, de forma a facilitar seu ataque. A pergunta: se até com oponentes que não são de primeira linha ele precisa ROUBAR no jogo, que tipo de duelista é Dawkins? De novo, mais um motivo para entender por que ele foge de duelos argumentativos com filósofos da religião. Simplesmente na frente de um filósofo ele tomaria um puxão de orelha a cada vez que tentasse ROUBAR no jogo (a metáfora “roubar no jogo” significa ser desonesto e desleal, ou seja, tentar implementar erística e falácias para ganhar o debate), e ainda seria demonstrado como fraco perante à platéia.

Eis, então, que apresento aqui as evidências das tentativa de implementar a falácia de Ampliação Indevida, junto com maquiagem de informações dos oponentes. Todas as evidências, como de pracste nas refutações deste capítulo, retiradas integralmente do Capítulo 4 de “Deus, Um Delírio”:

Evidência 1: “Esse [argumento da improbabilidade], em termos muito resumidos, é o argumento favorito dos criacionistas — um argumento que só poderia ter sido pensado por uma pessoa que não entende o essencial da seleção natural: alguém que acha que a seleção natural é uma teoria do acaso, quando — no sentido relevante de acaso — se trata do contrário.”

LH: Aqui Dawkins dá uma de malandro, pois ele realiza o seguinte salto indutivo: alguém diz que a teoria da evolução possui mutações baseadas no acaso, daí ele finge ter entendido que foi-lhe dito que a seleção natural é baseada no acaso. Em seguida, ele finge ter refutado essa versão que ele inventou. Como se nota, é picaretagem. Mas o fato é que no lamarckismo se tratavam as mutações que os organismos sofriam que fossem em função de seu uso, só que de acordo com Darwin as mutações são aleatórias, portanto… pertencem ao domínio do acaso. O erro de Dawkins aqui foi constrangedor, para dizer o mínimo.

Evidência 2: “O argumento da improbabilidade afirma que coisas complexas não podem ter surgido por acaso. Mas muitas pessoas definem “surgir por acaso” como sinónimo de “surgir na ausência de um design deliberado”. Não surpreende, portanto, que elas achem que a improbabilidade seja uma evidência do design.”

LH: Improbabilidade de quê? Dawkins novamente age feito doidinho de rua, sem conseguir raciocinar por parágrafos. Na maioria das vezes ele pensa somente por palavras, e raramente por frases. Para se ter uma idéia, notem quantas pontas abertas ele deixa: Argumento da improbabilidade de quê? Coisas complexas são quais? Muitas pessoas significa quem? Essas pessoas definem que o QUÊ surgiu por acaso? Elas acham que a improbabilidade de quê seria evidência do design? Ou seja, com tantas informações vagas é natural que ele tenha seríssimas dificuldades de comunicação. Inclusive para entendimento do oponente, é claro.

Evidência 3: “Os autores da Torre da Vigia não perderam tempo e acrescentaram: “Mas de uma coisa nós sabemos: o acaso não deve ter sido o autor”. Não mesmo, o acaso não deve ter sido o autor. Isso é algo com que todos concordamos.”

LH: O problema é que a mutação é aleatória. De forma que acaso é melhor para descrevê-la do que “o contrário do acaso”. Aliás, notaram que Dawkins tenta várias vezes usar a expressão “não, não é acaso, é exatamente o contrário”? Puro jogo de palavras para obter um efeito psicológico na patuléia, mas não tem um sentido racional.

Evidência 4: “O acaso não é uma solução, considerando os níveis elevadíssimos de improbabilidade que encontramos nos organismos vivos, e nenhum biólogo são jamais sugeriu que ele fosse. O design também não é uma solução real, como veremos mais tarde; mas por enquanto quero continuar demonstrando o problema que qualquer teoria da vida tem de solucionar: o problema de como escapar do acaso.”

LH: De novo o pensamento vago que ele tenta implementar. O acaso não é uma solução para quê? O caso é o seguinte: não há necessidade de se ‘escapar do acaso’, pois sabemos que as novas espécies surgem através de mutações, que são aleatórias. A questão é saber se dentro dessa aleatoriedade há elementos de mutação que são direcionados, para então sobreviverem com mais facilidade do processo de seleção natural ou não. Ou seja, descobrir se mutações são basicamente pelo acaso ou design. Claro que a versão da teoria da evolução pregada por Dawkins é incompleta, pois se não o fosse ele não conseguiria enrolar seus leitores deslumbrados.

Evidência 5: “A intricada elegância da flor faz a Torre da Vigia perguntar: “Tudo isso aconteceu por acaso? Ou aconteceu pelo design inteligente?”. Outra vez, é claro que não aconteceu por acaso. Outra vez, o design inteligente não é a alternativa adequada para o acaso.”

LH: Ele continua confundindo as bolas. O texto da Torre da Vigia (e olhe que eles não são grande coisa) fala em “aconteceu por acaso” e não “a seleção natural ocorreu por acaso”. Uma coisa é a modificação ocorrer, ou seja, a mutação, outra coisa é ser selecionada. Portanto, a ocorrência ou é pelo acaso ou é pelo design inteligente. A teoria da evolução ainda não serve para eliminar as duas possibilidades.

Evidência 6: “O criacionista não enxerga o cerne da questão, porque ele (pelo menos uma vez, as mulheres não deviam se importar por serem excluídas pelo pronome) insiste em tratar a génese da improbabilidade estatística como um evento único e isolado. Ele não entende o poder do acúmulo.”

LH: Não há evidências de que significa que não entendam o poder do acúmulo. Outra hipótese é a de que DISCORDEM DELE, mesmo entendendo o poder do acúmulo. De novo, o Dawkins apela ao espantalho.

Evidência 7: “O fato de que tanta gente esteja tão redondamente enganada a respeito desses casos tão óbvios devia servir para nos alertar para outros exemplos menos óbvios, como as teses celulares e bioquímicas que vêm sendo defendidas por criacionistas que se abrigam sob o eufemismo político de “teóricos do design inteligente”

LH: Por enquanto, Dawkins não mostrou erro nenhum. Aliás, o erro grosseiro é o do Dawkins, pois ele confundiu uma informação que normalmente versa sobre o processo de mutação, tratou-a como se fosse da seleção natural, e depois fingiu que refutava algo. Outro erro aqui é ele chamar adeptos do DI de criacionistas. Pura atitude infantil essa do Dawkins, naturalmente.

Evidência 8: “Os criacionistas procuram avidamente uma lacuna no conhecimento ou na compreensão atuais. Se uma aparente lacuna é encontrada, assume-se que Deus, por padrão, deve preenchê-la.”

LH: Isso depende de quem o Dawkins está falando. Se for o criacionista literal, ele pode ou não estar assumindo “Deus”. Se for o adepto do DI, a teoria não fala que “Deus preenche” qualquer coisa. O que será que causa tanta alucinação assim no Dawkins? Será um “vírus da mente”? (Risos)

Evidência 9: “O que preocupa teólogos conscientes como Bonhoeffer é que as lacunas diminuem conforme a ciência avança, e Deus fica ameaçado de acabar sem nada para fazer, e sem ter onde se esconder.”

LH: Decerto. O problema é que Dawkins omite a informação de que a teologia católica há mais de 1.500 não trata da Bíblia literalmente, portanto jamais existe um “Deus que se esconde” da ciência, pelo contrário. De novo, Dawkins apela às suas fantasias.

Evidência 10: “Como escreveu meu amigo Matt Ridley, “a maioria dos cientistas fica entediada com o que já descobriu. É a ignorância que os impele”. Os místicos exultam com o mistério e querem que ele continue misterioso. Os cientistas exultam com o mistério por um motivo diferente: ele lhes dá o que fazer.”

LH: Não dá para saber, cientificamente, a sensação subjetiva dos cientistas. Se sentem tédio, isso pode ser uma alegação anedota, portanto irrelevante para o argumento. O outro problema é que Dawkins cita os “místicos”, que exultam com os mistérios. Ele não sabe se isso ocorre ou não. Místicos podem também FINGIR que há mistérios onde não existem. Curiosamente, Dawkins afirma que “cientista exultam com o mistério”. Estranhamente, por rejeitar algumas explicações a priori, Dawkins é contra a existência de mistérios na teoria da evolução. Essa é só mais uma das milhares contradições dele.

Evidência 11: “[...] um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento.”

LH: Só se for a religião que o Dawkins inventou. Se ele é tão incapaz como cientista, é normal que ele seja como teólogo. Duvido que algum religioso queira seguir essa religião que o Dawkins inventou… Como sempre, a provocaçãozinha dele foi infantilóide.

Evidência 12: “Admissões de ignorância e a mistificação temporária são vitais para a boa ciência. É portanto infeliz, para dizer o mínimo, o fato de a principal estratégia dos propagandistas da criação ser a tática negativa de procurar lacunas no conhecimento científico e querer preenchê-las automaticamente com o “design inteligente”.”

LH: Isso só seria verdadeiro se o design inteligente fosse para preencher “lacuna” do conhecimento científico, mas isso está distante de ser verdade. Pelo contrário, o design é uma teoria lógica. Ou as mutações ocorrem pelo acaso ou são dirigidas. Cientificamente, não dá para eliminar nenhuma delas. O acaso, das mutações, é aceito pela verificabilidade, é natural, mas encontra problemas em alguns cenários de larga escala. Já no caso do design, falta ainda robustez para explicar como o design ocorreria. Entretanto, se Dawkins não se apega à lógica (para saber que a alternativa ao acaso é a orientação, ou design), esse é um problema dele, e a ignorância pertence a ele. E não aos seus oponentes.

Evidência 13: “Somos estimulados a pular para a teoria-padrão sem nem mesmo prestar atenção para ver se ela não falha exatamente no mesmo ponto que a teoria que ela substitui. O design inteligente ganha um passe livre incondicional, uma imunidade encantada às exigências rigorosas feitas à evolução.”

LH: Claro que não, pois se os teóricos fazem uma proposição teórica, não há passe livre incondicional pela própria definição de teoria. Se eles chamassem de, ao invés de teoria, de Regra Una de Design, aí o salto indutivo de Dawkins seria válido. Como os adeptos do DI a tratam por teoria, essa é mais uma falácia do Dawkins.

Evidência 14: “Mas o ponto que defendo agora é que a trama criacionista questiona o regozijo natural do cientista — necessário mesmo — com a incerteza (temporária). Por motivos puramente políticos, o cientista de hoje em dia pode hesitar antes de dizer: “Hum, interessante essa tese. Fico imaginando como aconteceu realmente a evolução da articulação do cotovelo nos ancestrais do sapo-doninha. Não sou especialista em sapos-doninha, terei de ir até a biblioteca da universidade para dar uma olhada. Talvez dê um projeto interessante para um aluno de pós-graduação”. No minuto em que um cientista disser alguma coisa parecida com isso — e muito antes que o aluno comece a trabalhar no projeto —, a conclusão-padrão virara manchete de um panfleto criacionista: “Sapo-doninha só pode ter sido projetado por Deus”. Existe, portanto, uma ligação infeliz entre a necessidade metodológica da ciência de buscar áreas de ignorância para definir seus alvos de pesquisas e a necessidade do design inteligente de buscar áreas de ignorância para reivindicar a vitória por eliminação.”

LH: Isso de “negar o regozijo natural do cientista” é apenas chororô que não é comprovado por evidências, portanto irrelevante pro caso. Se alguém diz uma frase, conforme a citada por Dawkins, também não há evidência de que é por motivos puramente políticos. A expressão de que criacionistas estariam esperando tal informação para dizer “[espécie] só pode ter sido projetada por Deus” é apenas mais um atestado de insanidade de Dawkins, e não tem potencial argumentativo, mas sim de esperneio. A idéia de que se “buscar áreas de ignorância” para “reinvindicar vitória por eliminação’, de novo, só serviria em um contexto FORA das teorias científicas, contexto no qual não se reinvindicam “vitórias por eliminação”, e sim possibilidades teóricas. No caso, além de possibilidade teórica, como já dito, é possibilidade lógica para descrever as mutações. Que o Design Inteligente pode ser contestado, isso é óbvio, mas não da forma falaciosa feita pelo Dawkins.

Evidência 15: “O caso de amor dos criacionistas com as “lacunas” dos registros fósseis simboliza toda a teologia das lacunas.”

Ah, as lacunas. Dawkins de novo se engalfinha com elas. Não existe TEOLOGIA das lacunas. Dawkins deve estar confundindo uma alegação de teor religioso com alegação teológica, um erro que nem sequer uma criança normal cometeria.

Evidência 16: “Muitas transições evolutivas estão elegantemente documentadas por séries mais ou menos contínuas de fósseis intermediários com alterações gradativas. Algumas não estão, e são essas as famosas “lacunas”. Michael Shermer apontou com perspicácia que, se uma nova descoberta de fóssil aparece para ocupar o meio de uma “lacuna”, os criacionistas declaram que agora há o dobro de lacunas! De qualquer maneira, perceba de novo o uso do auto-matismo. Se não há fósseis para documentar uma transição evolutiva postulada, a conclusão automática é que não há transição evolutiva, portanto Deus tem de ter intervindo.”

LH: Isso de “existir número X de lacunas e depois surgir o dobro” será que foi calculado por Dawkins ou é mais um fricote? Como o livro não traz evidências de “número de lacunas” encontradas, então assume-se que Dawkins estava só espernenando. E se Dawkins fala da conclusão “Deus tem de ter intervindo” é claro que de novo é o salto indutivo para implementar a falácia do espantalho.

Evidência 16: “Quando desafiado por um popperiano zeloso a dizer como a evolução poderia ser desmentida, J. B. S. Haldane retrucou: “Fósseis de coelho no Pré-cambriano”. Nenhum fóssil anacrónico como esse jamais foi encontrado, apesar das lendas desacreditadas de criacionistas sobre crânios humanos do Carbonífero e pegadas humanas entremeadas com as de dinossauros. As lacunas, pelo padrão da cabeça dos criacionistas, são preenchidas por Deus.”

LH: Sem comentários.

Evidência 17: “Como a complexidade irredutível está sendo usada como argumento para o design, ela não devia ser afirmada por decreto, como é o próprio design. É como simplesmente afirmar que o sapo-doninha (besouro-bombardeiro etc.) demonstra o design, sem nenhum outro argumento ou justificativa. Não é assim que se faz ciência.”

LH: Eu suponho que alguns seguidores de Dawkins podem ler esse texto também, e não apenas seus oponentes. Diante disso, pergunto: será que alguém que segue a Dawkins poderia livrá-lo de sua eterna vergonha de não saber que qualquer teoria científica, problemática ou não, jamais afirma algo por “decreto”? De novo, Dawkins fracassa por não ter a mínima noção de como se faz a ciência.

Evidência 18: “O raciocínio que sustenta a teoria do “design inteligente” é preguiçoso e derrotista — o clássico raciocínio do “Deus das Lacunas”. Já o apelidei, no passado, de Argumento da Incredulidade Pessoal.”

LH: O argumento da incredulidade pessoal é outra coisa, e não tem nada a ver com isso que o Dawkins falou. Esse argumento, falacioso, descreve qualquer argumento baseado na pura descrença. Não tem nada a ver com teorizar sobre design ou não. Dawkins devia estudar mais filosofia antes de falar bobagem.

Evidência 19: “Os predadores parecem ter sido lindamente “projetados” para capturar suas presas, enquanto as presas parecem tão lindamente “projetadas” quanto para escapar deles. De que lado Deus está?”

LH: Aqui o Dawkins foi criativo. Não foi inteligente, claro, mas ao menos criativo. Deus agora teria que escolher qual espécie escaparia ou não de predatores? Se Dawkins inventou um Deus, que tal ele escrever uma Bíblia para termos noção do que ele fala?

Evidência 20: “Os teólogos lacunares que desistem de olhos e asas, flagelos bacterianos e sistemas imunológicos freqüentemente depositam suas últimas esperanças na origem da vida.”

LH: Aqui Dawkins mostra um anacronismo típico de malucos. Na fantasia dele, o argumento de origem da vida só surgiu após desistência de tentativa de teorização do design inteligente. Vá sonhando Dawkins, mas aqui ele nos faz lembrar totalmente a mente revolucionária, conforme descrita por Olavo de Carvalho, pois ele mostrou deficiência graves na percepção da linha do tempo.

Conclusões

Convenhamos: duelar com o criacionismo seria fácil. Com o design inteligente, seria mais difícil, mas não tão difícil para um biólogo evolucionista experiente. E mesmo assim, ele realiza o estratagema erístico da ampliação indevida em tamanha quantidade que dá para suspeitar de insegurança dele em duelar até mesmo com esses adversários. Como não fosse suficiente, ele inventa coisas como “teologia das lacunas”, o que seria suficiente para constranger até um adolescente que tenha plena posse de suas faculdades mentais. Se não bastasse, em sua rodada de delírios, Dawkins comete erros até na conceituação da teoria da evolução, falha terrivelmente ao interpretar como teorias científicas funcionam e ainda mostra erros bizarros na interpretação da linha do tempo. Em suma, Marx provavelmente ADORARIA assistir a uma aula de Dawkins.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 7, 2010 em 10:16 pm

Deus, Um Delírio – Capítulo 4 – Pt. 3 – Um Neo Ateu de Segunda Divisão

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Até o momento, com as duas seções anteriores ([1] e [2]), demonstrei como Dawkins usou de técnicas de PNL e lavagem cerebral para enrolar seus leitores e manipular seus cérebros de forma que eles acreditassem em uma visão deslumbrada e indevidamente extrapolada da Teoria da Evolução, fazendo com que eles admitissem a idéia de seu argumento Boeing 747 Definitivo. Com isso, eles passariam a usar a Teoria da Evolução para dizer que Deus quase com certeza não existe.

Só que Dawkins tentou aumentar a eficiência de sua pregação, e usou ainda mais um recurso de auto-ajuda, que muitos gurus usam. Esse recurso, que abordarei nessa seção, envolve utilizar supostos “casos de sucesso”, mesmo que suspeitos (só que se o público estiver deslumbrado, eles não irão suspeitar de nada), para facilitar sua empreitada. Enfim, não adianta só usar uma teoria. Ela tem que ser comprovada na prática. Mesmo que o guru faça uma maquiagem da “prática”.

Eis que Dawkins então consegue quase fazer um truque de mágica, o qual, infelizmente para ele, será desmascarado aqui.

Este truque é uma variação do estratagema “Seleção do Adversário”. Ele implica em escolher oponentes para os seus argumentos, que nem sequer sejam representativos do oponente, mas fingir que eles são representativos, e depois gritar em altos brados “ah, eu venci”.

É mais ou menos o seguinte: imaginem que no campeonato espanhol, alguém esteja representando o Córdoba Club de Fútbol. O time jamais ganhou um título de primeira divisão, e sequer é competitivo quando se defronta com Real Madrid ou Barcelona, por exemplo. Em suma, não há muita vantagem a ser contada por um representante do Córdoba se este resolver duelar em público para tentar expor “vitórias” de seu time em comparações com outros.

E qual a solução nesse caso? Um truque de PNL é a ressignificação, de forma a tentar transformar os fracassos em vitórias, e também selecionar exemplos que forneçam a impressão de que a vitória suprema realmente ocorreu, mesmo que não exista nenhuma vitória a ser contada. Como exemplo, ao invés de dizer que o time ficou em décimo quarto lugar, permanecendo na Primeira Divisão, modifica-se a expressão para “superamos os times X, Y, W e Z” (ou seja, os que ocupam as posições, 15, 16, 17 e 18, respectivamente) e começa-se a alegar que “superamos 4 times” e ignora-se a menção à 14º posição.

Como se vê, é uma picaretagem sem igual, e é justamente essa a tática que Richard Dawkins usa. Sendo incapaz de duelar com os melhores argumentadores que representam a teologia, a filosofia da religião, teístas evolucionistas, ou até ateístas que não extrapolam a teoria da evolução, como Stephen Jay Gould e Michael Ruse, Dawkins assume a postura igual à de um time de segunda divisão, e começa a se vangloriar de alguns sucessos, mas só contra os adversários de segundo escalão.

E é notório que se há um adversário que pode ser rotulado de segundo escalão, estes são os criacionistas da Terra Jovem.

Não é de surpreender, portanto, que Richard Dawkins, cite seus duelos com a Torre da Vigia uma grande quantidade de vezes durante o capítulo 4. Não que eu discorde da Teoria da Evolução e sequer concorde com a Torre da Vigia (publicação religiosa que repudio, naturalmente, por seu fundamentalismo – é a publicação principal das Testemunhas de Jeová), mas é possivel claramente notar que Richard Dawkins desceu tanto, mas tanto, que ele se engalfinha com a Torre da Vigia para dar uma falsa sensação de vitória. Atitude típica de quem está no fundo do poço. É claro que o Richard Dawkins vai ganhar em duelos com o pessoal do Torre da Vigia. Mas ganhar deles não significa absolutamente nada.

É esse tipo de comportamento de Dawkins que rotulo como um duelista de segunda divisão. Realmente, é um duelista, que gosta de briga. Mas só consegue vencer adversários de segunda divisão, de modo que, diante daqueles que pertencem à primeira divisão, ele fica com a impressão de fanfarrão e covarde. No fundo, é um loser.

Criando inimigos imaginários

Em relação aos adeptos do Design Inteligente, podemos rotulá-los, em termos de duelo filosófico ou científico, ainda como adversários de segunda divisão, com alguma pretensão de adentrarem à primeira. Eles são naturalmente melhores que os criacionistas da Terra Jovem (adversários preferidos de Dawkins, é claro), mas ainda estão em uma fase incipiente na demonstração de sua teoria. Quer dizer, é uma Teoria que ainda não tem robustez para ser admitida como teoria científica, o que pode ocorrer por vários fatores, sendo um deles a possível ausência de base científica da teoria. Mas mesmo que a teoria tenha base científica (não entrei nesse mérito aqui), ela ainda é uma teoria jovem demais. Dessa forma, é um adversário não muito difícil de ser superado, principalmente se eles não reverterem a derrota judicial em Dover, que foi, convenhamos, constrangedora para o Discovery Institute.

Só que em relação aos adeptos do DI, Dawkins perde toda a classe e chama-os de criacionistas, o que, é naturalmente, uma atitude desesperada. Tecnicamente, é um recurso ad hominem que mostra naturalmente a falta de conteúdo de Dawkins. Essa técnica lembra, inclusive, aqueles marxistas de faculdade, que, quando não possuem mais argumentos para rebater os adversários, rotulam estes de “fascistas, fascistas” e saem gritando isso pelo corredor. A atitude de Dawkins e dos neo ateus que o seguem é a mesmíssima coisa. Quando não possuem argumentos, saem gritando “criacionistas, criacionistas” no ouvido dos outros. Como se nota, é uma atitude revestida de alto charlatanismo. Detalhe que os argumentos dos adeptos do DI, aos quais eu me refiro, não são apenas os argumentos propondo o Design Inteligente, mas sim os argumentos de crítica à falhas na Teoria da Evolução, inclusive na versão Sintética, que porventura sejam encontrados.

Dawkins tenta, por exemplo, expor uma declaração infeliz de Michael Behe (proponente do design inteligente) no julgamento de Dover, que ajudou a culminar com a derrota para o DI.

O problema que ajuda a fulminar as expectativas de Dawkins é que qualquer derrota que o DI tenha tido implica somente que a teoria do Design Inteligente (possivelmente) tinha problemas, mas não implica em rejeitar os argumentos de proponentes do Design Inteligente em relação à críticas à teoria da Evolução. Além do mais, rejeitar o Design Inteligente no tribunal não é o mesmo que rejeitar a idéia de Design na natureza, e nem ao mesmo dizer que a Teoria da Evolução refuta o Design. Se Richard Dawkins acredita que a derrubada justa do DI no tribunal de Dover confirmaria essas duas expectativas (rejeição do Design na natureza, e evolucionismo refutando o design), ele caiu do cavalo.

Esse é apenas o primeiro dos saltos indutivos que Dawkins comete, e, portanto, a argumentação dele perde poder.

O fato é o seguinte: o não aceite do ensino do Design Inteligente não conspira absolutamente em nada contra o Evolucionismo teísta, o qual, naturalmente, entra em conflito direto com a proposta do Boeing 747 Definitivo de Dawkins.

Para agravar ainda mais a situação de Dawkins, há uma forma de derrubar definitivamente as expectativas do biólogo inglês, e ele está ciente disso: o evolucionismo teísta, respaldado pelo MNI (tanto que Dawkins tentou atacá-los no Capítulo 2). As duas formas não apresentam objeção alguma à Teoria da Evolução, o que inviabiliza qualquer tentativa de Dawkins em impor o ateísmo através da Teoria da Evolução – e é exatamente isso o que ele tenta fazer com o seu argumento do Boeing.

Outro fator desconcertante para Dawkins: a única forma em que o Design Inteligente poderia ser rejeitado (no caso de duelo com Teoria da Evolução) seria a respeito da transição entre os seres vivos, pois a Teoria da Evolução não versa sobre elementos não vivos da natureza e também não versa sobre a origem da vida. Se a competição ocorre, ela SÓ PODE ocorrer nos domínios em que a Teoria da Evolução versa.

Mais outro problema para Dawkins, como se ele já não os tivesse em quantidade suficiente: o Design Inteligente é aplicado ao aspecto biológico, e não tem nada a ver com a abordagem filosófica e teológica como por exemplo o argumento do design de São Tomás de Aquino. Dawkins não poderia cometer a confusão de confundir o argumento do design com a teoria do design inteligente, que são coisas totalmente diferentes. O problema é que ele já cometeu esse erro no livro, como pode ser visto aqui.

Por isso, fica evidente que Dawkins se apegou em excesso ao seu duelo com a Torre da Vigia e ao seu duelo com o Design Inteligente, e reforçou bastante a derrota do Design Inteligente em Dover. Mas isso foi só a falácia Red Herring (que constitui a estratégia PNL tratada aqui) para esconder os seguintes pontos:

  • (a) A teoria da evolução só serve para explicar a especiação, referente à transição entre os seres vivos
  • (b) O criacionismo literal, da Torre da Vigia, não é representante da religião (dá para ser religioso e duvidar deste criacionismo)
  • (c) O Design Inteligente ainda não é uma teoria sólida (e pode nunca sê-lo), mas o fato do DI ter sido rejeitado no julgamento de Dover não implica que a Teoria da Evolução passe a explicar a origem da vida ou até mesmo explicar coisas que o design não explica
  • (d) Existindo ou não qualquer tipo de design na natureza, a Teoria da Evolução não pode negá-lo ou afirmá-lo, pois o escopo dela não abrange esse tipo de abordagem (em suma, a Teoria da Evolução mostra a ocorrência de um processo, mas não a FINALIDADE deste processo)
  • (e) A validação da Teoria da Evolução, que não foi ameaçada no julgamento de Dover, não garante a sua extrapolação indevida, que é a que Dawkins tenta fazer para negar Deus (como mostrei anteriormente, ele tenta extrapolar até para a cosmologia)

Ou seja, toda a argumentação que Dawkins apresentada no capítulo só seria válida se ele estivesse diante de um proponente que defendesse ou o Criacionismo da Terra Jovem ou o Design Inteligente, o que não é o caso aqui e de muitos leitores. Simplesmente o teísmo permanece incólume sem essas duas teorias, e o fato de existir uma grande quantidade de evolucionistas teístas simplesmente DERRUBA qualquer caso de Dawkins em favor da tentativa de se usar o evolucionismo para validar o ateísmo. Simplesmente, o aceite da teoria da evolução pelos religiosos é um fator ATERRADOR para Dawkins.

Para tentar esconder isso, Dawkins lutou contra adversários fracos e expôs duas vitórias (que são irrelevantes), para esconder o fato de que diante dos adversários fortes (entre os quais se encontram os filósofos da religião, teólogos, a Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos, evolucionistas teístas como Kenneth Miller, evolucionistas ateus que não são fanáticos, como Michael Ruse e Stephen Jay Gould, e qualquer pessoa racional e inteligente), ele fracassa de forma retumbante.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 3, 2010 em 12:01 am

Deus, Um Delírio – Capítulo 4 – Pt. 2 – Pressão psicológica: entre o deslumbre e a extrapolação indevida

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Quando adolescentes de 12 ou 13 anos se deslumbram com um personagem de histórias de ficção, é algo que todos nós achamos ridículo, mas compreendemos, pelo bem do entendimento entre todos os seres humanos. Sabemos que pessoas nessa idade estão em uma fase de alta imaginação e formação do caráter, portanto tendem a extrapolar todos os símbolos que lhe são ofertados.

É por isso também que é uma fase da vida em que pessoas são facilmente susceptíveis a ideologias picaretas, principalmente aquelas ensinadas no colégio: professores marxistas e (agora) ultra-darwinistas encontram um território fértil para encher a mente da criançada de simbologias recheadas de um elemento de “deslumbre”.

Isso não é diferente do recurso que gurus de auto-ajuda utilizam, pois tratam de elementos simples da vida, que, ao serem apresentados aos seus novos fiéis, são adornados de forma a manipular a mente de pessoas ingênuas a ponto delas observarem o novo símbolo de uma forma tão deslumbrada que sua visão de mundo já se torna totalmente distorcida.

Um exemplo? Imagine que aquele professorzinho marxista ensinou aos alunos que não há nada melhor na vida a fazer que não lutar contra a burguesia. A luta contra a burguesia é apresentada de uma forma maniqueísta, como uma luta entre o bem e o mal (e os marxistas definem eles como os “guerreiros do bem”), de forma que o olhar de deslumbre do novo adepto em torno de sua “nova função” no mundo não é algo que demore a ocorrer.

Mas o deslumbre em si pode nem sempre ser suficiente. Nesses casos, pode ser necessário inserir um novo componente: a extrapolação, principalmente de uma teoria ou ideologia, para limites além do que ela é aplicável. Por exemplo, alguém pode aprender o Lean Six Sigma, que é um excelente método para melhoria de processos nas empresas, e a partir daí, de acordo com o DESLUMBRE (inserido na cabeça dele por gurus mal intencionados), ele tentará aplicar o Lean Six Sigma no casamento, no estudo filosófico, no relacionamento com os amigos, e daí por diante. Essa sim é a extrapolação indevida. Claro que o resultado não será outro que não o da auto-ajuda barata e torpe, mas para os gurus que programaram a mente dele isso não importa. O que importa para esse tipo de gente é rentabilizar com palestras e venda de livros.

E é justamente isso que Richard Dawkins faz, pois nesse quarto capítulo há um fortíssimo componente de lavagem cerebral e principalmente PNL. Como mostrei na seção anterior, ele anunciou o seu argumento usando a estratégia do disco quebrado (uma estratégia de PNL, é claro) pois isso seria interessante para moldar a cabecinha dos seus seguidores para que estes lutem pelo seu argumento (o Boeing 747 Definitivo).

Mas isso por si só não seria suficiente se ele não fizesse outro recurso de repetição em paralelo, que é a execução de 2 estratagemas sequencialmente: (1) Falso Deslumbre e (2) Extrapolação Indevida. Para que o segundo estratagema funcione, o primeiro já deverá estar devidamente implementado no cérebro dos leitores de Dawkins. Só que para que o argumento patético de Dawkins seja inserido na cabeça de seus leitores e a partir daí não mais questionado, tanto (1) e (2) deverão estar implementados. (1) e (2) serão, nesse caso, as ferramentas de justificação para que eles não se sintam ridículos. Pelo contrário, eles tendem a ficarem orgulhosos quando saírem por aí pregando o argumento de Dawkins, o Boeing 747 Definitivo.

O primeiro estratagema, Falso Deslumbre, se baseia em, a toda vez que ele citar a teoria da evolução, elogiá-la como algo absoluto, perfeito, implacável, enfim, quanto mais adjetivos superlativos ele conseguir, melhor. O objetivo é fazer os olhos da garotada brilharem ao ouvir o termo “teoria da evolução”. Claro que para seres humanos normais e inteligentes, a teoria da Evolução é uma teoria científica como as outras. No caso, a teoria de Darwin explica o processo de especiação dos seres vivos, e naturalmente é aceita como a explicação para a biodiversidade da Terra. Entretanto, a teoria, que explica bem os processos em pequena escala, é também aceita para os processos em maior escala (como a criação de um novo reino ou filo), e não poderia deixar de ser diferente, mas nesse aspecto ela já encontra alguns desafios. Em micro escala, como na explicação biomolecular, a teoria de Darwin encontra desafios. Notem que nada do que eu afirmei dá qualquer suporte à Teoria Criacionista ou coisas do tipo, mas simplesmente mostra que a Teoria da Evolução é a melhor teoria para explicar a especiação, e o processo de surgimento de novas espécies. Naturalmente, portanto, que a explicação seja aceita para a maior escala. Não estou questionando essa aplicação, só que isso tudo ajuda a mostrar que atribuir rótulos como “poderoso”, “absoluto” ou “inquestionável” para a Teoria da Evolução, como Dawkins tenta fazer, significa implementar uma sensação de deslumbramento que não só é irracional, como também é completamente anticientífica e injustificada.

Já na questão do segundo estratagema, a Extrapolação Indevida, é basicamente a tentativa de aplicação de uma teoria além dos seus limites naturais, no caso a tentativa de Richard Dawkins em usar a Teoria da Evolução não só para explicar o processo de especiação, como também usá-la como “fator de conscientização” (acredite se quiser, ele realmente afirmou isso, e colocarei a seguir evidências, para não acharem que estou inventando historinhas) e também expandi-la para o uso em domínios que não seriam naturalmente o da teoria. Como exemplo, a famosa Sociobiologia e a Psicologia Evolutiva. É naturalmente a tentativa de observar tudo pelo viés da Teoria da Evolução, mas o número de evidências que tais abordagens possuem é praticamente nulo, ao passo que a Teoria da Evolução, não extrapolada, é recheada de evidências. O próprio Dawkins, ao criar as crenças Gene Egoísta e da Memética, tentou novamente realizar extrapolações indevidas da Teoria da Evolução para outros territórios. Duas teorias, aliás, que não são menos ridículas do que qualquer história da carochinha.

O que vocês verão a partir de agora são um conjunto de evidências retiradas todas do capítulo 4, em que repetidamente Richard Dawkins repete os estratagemas (1) Falso Deslumbre e (2) Extrapolação Indevida, de forma a lavar definitivamente o cérebro de alguns de seus leitores. Como se nota no comportamento de alguns de seus seguidores, incluindo o “famoso” (para Dawkins) PZ Myers, citado diretamente pelo guru nas páginas do livro, estes seguidores já se tornam incapazes de ver o mundo como ele é. Pessoas assim, já com o cérebro “formatado” e com o software dawkinista instalado, não conseguem pensar no mundo como ele realmente é, mas sim em um mundo em que tudo é regido pela visão da Teoria da Evolução. Essa visão é habilitada pelo deslumbre, que se aceito é suficiente para tirar o senso crítico de alguém. O resultado explica o argumento de Chesterton: “Quando um homem não acredita em Deus, não é que ele não acredite em mais nada: ele acredita em tudo”. Inclusive no argumento Boeing 747 Definitivo.

Aqui vão, portanto, as evidências:

Evidência 1: “a seleção natural darwiniana é a única solução conhecida para o enigma insolúvel sobre a origem da informação.”

LH: Como se a Teoria da Evolução fosse para explicar a origem da informação...

Evidência 2: “embora o darwinismo possa não ser diretamente relevante para o mundo inanimado — a cosmologia, por exemplo —, ele nos conscientiza a pensar sobre áreas externas ao território original da biologia.”.

LH: Não, Sr. Dawkins, A Teoria da Evolução não versa sobre nenhuma área externa ao território da Biologia. Qualquer tentativa disso é extrapolação indevida…

Evidência 3: “O entendimento profundo do darwinismo nos ensina a desconfiar da afirmação fácil de que o design é a única alternativa para o acaso, e nos ensina a buscar rampas gradativas de uma complexidade que aumente lentamente. Antes de Darwin, filósofos como Hume compreenderam que a improbabilidade da vida não significa que ela necessariamente tenha sido projetada, mas não conseguiram imaginar qual seria a alternativa. Depois de Darwin, todos nós deveríamos desconfiar, no fundo dos ossos, da simples idéia do design. A ilusão do design é uma armadilha que já nos pegou no passado, e Darwin devia nos ter imunizado, conscientizando-nos. Quem dera ele tivesse sido bem-sucedido com todos nós. “

LH: Aqui Dawkins realmente se empolgou. Isso que ele chama de “entendimento profundo” é “entendimento deslumbrado a partir de uma visão indevidamente extrapolada” do darwinismo. Aliás, notaram que Dawkins está tentando levar o Darwinismo até para as discussões filosóficas? Como eu disse o sujeito não é nem de longe racional. Enfim, a Teoria da Evolução não fala nada contra ou a favor do design, e portanto se existisse uma “ilusão” de design, não é a Teoria de Darwin que a eliminaria.

Evidência 4: “O feminismo mostra-nos o poder da conscientização, e quero tomar a técnica emprestada para a seleção natural. A seleção natural não só explica a vida toda; ela também nos conscientiza para o poder que a ciência tem para explicar como a complexidade organizada pode surgir de princípios simplórios, sem nenhuma orientação deliberada. A plena compreensão da seleção natural incentiva-nos a avançar corajosamente por outras áreas.”

LH: Comparar um movimento sócio-cultural com uma teoria científica, em termos de “conscientização”, é o fim da picada. Usar a teoria da evolução como “concientização” só por que Dawkins está deslumbrado com a teoria também não convence. Detalhe que ele não demonstrou argumentos para que qualquer teoria científica tivesse tal aplicação (conscientização).

Evidência 5: “Ela [Teoria da Evolução] suscita nossa desconfiança, nessas outras áreas, na espécie de alternativas falsas que um dia, no tempo pré-darwiniano, iludiu a biologia. Quem, antes de Darwin, poderia ter imaginado que algo tão aparentemente projetado quanto a asa de uma libélula ou o olho de uma águia é na verdade o resultado de uma longa sequência de causas não aleatórias, mas puramente naturais? “

LH: Aqui é sequência do argumento anterior, em que Dawkins repete a estratégia do disco quebrado (contar uma mentira várias vezes para que alguns acreditem que é verdade). Novamente, ele extrapola, pois a Teoria da Evolução não fala nada sobre o Design. A única coisa que a Teoria da Evolução limita é a idéia da criação de forma literal, com o mundo surgido há 8.000 anos. Essa visão era rejeitada pela Igreja há mais de 1.500 anos, portanto a Teoria de Darwin não é responsável pela eliminação desta idéia. Como se vê, mais um delírio de Dawkins.

Evidência 6: “O relato emocionante e engraçado de Douglas Adams sobre sua conversão ao ateísmo radical — ele insistiu no “radical” para que ninguém o confundisse com um agnóstico — é um testemunho do poder de conscientização do darwinismo.”.

LH: Não, não é testemunho de “conscientização” do darwinismo. E sim o retrato de alguém que sofreu lavagem cerebral e aceitou uma argumentação estapafúrdia e irracional, que nada tem a ver com a Teoria da Evolução. Teoria da Evolução não foi feita para converter ninguém ao ateísmo.

Evidência 7: “O conceito de impressionante simplicidade de que ele estava falando não tinha, é claro, nada a ver comigo. Era a teoria da evolução pela seleção natural de Darwin — a conscientizadora definitiva. Que saudade, Douglas. Você é meu convertido mais inteligente, mais engraçado, mais cabeça aberta, mais sagaz, mais alto e talvez o único.”

LH: Aqui o tal conceito de “simplicidade” tinha sido citado por Douglas Adams quando ele leu “O Gene Egoísta” de Richard Dawkins, e por isso decidiu se converter ao ateísmo. Tal conversão ocorreu quando ele tinha uns 30 e poucos anos de idade, sinal de que PNL funciona até com adultos, mesmo que ele tenha se rebaixado a agir como uma criança, como se nota no testemunho deslumbrado dele, que inclui expressões como “O maravilhamento que ele me inspirou fez o maravilhamento da experiência religiosa, de que as pessoas tanto falam, parecer francamente tolo”. É a isso que chamamos de discurso de adolescente deslumbrado. Alias, com que religiosos o Douglas Adams devia conversar? Seja lá como for, Dawkins chama isso de “convertido mais inteligente” dele. Se esse era o mais inteligente, não quero nem imaginar os mais burros…

Evidência 8: “O filósofo Daniel Dennett, dono de sabedoria científica, afirmou que a evolução contraria uma das nossas idéias mais antigas: “a idéia de que é necessária uma coisa superinteligente para fazer uma coisa menor. Chamaria isso de teoria gota a gota da criação. Você nunca vai ver uma lança fazendo um fabricador de lança. Nunca verá uma ferradura fazendo um ferreiro. Nunca verá um vaso fazendo um ceramista”. A descoberta, por Darwin, de um processo viável que faz uma coisa tão contrária à nossa intuição é o que torna sua contribuição ao pensamento humano tão revolucionária, e tão armada com o poder de conscientizar.”

LH: Se o que Douglas Adams disse, mostrando o deslumbre típico de um aborrescente, me surpreendeu negativamente, não posso dizer o mesmo de Daniel Dennett. O comportamento é idêntico ao de Douglas Adams (ou seja, infantil, iludido e deslumbrado), mas de Daniel Dennett eu já esperava tudo. O sujeito nunca falou coisa com coisa mesmo.

Evidência 9: “É surpreendente quão necessário é esse tipo de conscienti-zação, mesmo na mente de cientistas excelentes em outras áreas que não a biologia. Fred Hoyle foi um físico e cosmólogo brilhante, mas sua compreensão equivocada na teoria do Boeing 747 e outros erros biológicos como sua tentativa de chamar de farsa o fóssil Archaeopteryx sugere que ele precisava ter sido conscien-tizado por uma boa dose de exposição ao mundo da seleção na-tural. No nível intelectual, suponho que ele compreendesse a seleção natural. Mas talvez seja necessário ser impregnado de seleção natural, imerso nela, nadar nela, para que se possa realmente apreciar seu poder.”

LH: Dawkins devia ser comediante. O sujeito erra em tudo, e me causou uma sonora risada ao ler isso. Quer dizer que para alguém deixar de achar que o fóssil Archaeopteryx era uma farsa era preciso de “conscientização darwinista”? Ah, vá plantar batatas, Dawkins! Análise de fóssil dá suporte à Teoria da Evolução, mas não é o mesmo que ela. Em suma, qualquer mudança da perspectiva de Fred Hoyle não se discute no âmbito da Teoria da Evolução, e sim se os métodos para avaliação do fóssil são válidos ou não. Entretanto, não deixa de ser revelador notar que a falta de juízo de Dawkins é tamanha que ele não se contenta em iludir uma geração de garotos na Biologia, e quer continuar com sua pregação irracional até para estudantes de Física. A picaretagem é total.

Evidência 10: “Ela [a Teoria da Evolução] destrói a ilusão do design dentro do domínio da biologia, e nos incita a desconfiar de qualquer hipótese de design também na física e na cosmologia. Acho que o físico Leonard Susskind tinha isso em mente quando escreveu: “Não sou historiador, mas vou me arriscar a dar uma opinião: a cosmologia moderna começou de verdade com Darwin e Wallace. Como ninguém antes, eles deram explicações para nossa existência que rejeitaram completamente os agentes sobrenaturais [...] Darwin e Wallace estabeleceram um padrão não apenas para as ciências da vida, mas também para a cosmologia”.

LH: Susskind é um daqueles novos modelos de físico teórico estilo “fisico maluquinho” que adora a Teoria das Cordas. Detalhe: é uma teoria que até hoje não foi verificada, e nenhuma predição (que fosse diferente de predições de outras teorias) foi feita por nenhuma das versões da Teoria das Cordas. Sendo que a teoria não é testável, e não há expectativas de um futuro próximo, ela não é falseável, segundo os princípios de Karl Popper. Aviso isso pois Richard Dawkins tenta validar sua posição com opiniões de Susskind. De qualquer forma, independente de Susskind ser propagador de pseudo-ciência, o que importa são seus argumentos. Mas aqui ele não trouxe nenhum argumento, e sim uma opinião. Então, não serve para o caso de Dawkins.

Evidência 11: “Fico permanentemente espantado com aqueles teístas que, longe de ser conscientizados do modo como proponho, parecem louvar a seleção natural como “a maneira como Deus realizou a criação”. Eles dizem que a evolução pela seleção natural seria um modo facílimo e divertido de obter um mundo cheio de vida. Deus não precisaria nem fazer nada! Peter Atkins, no livro que acabei de mencionar, leva essa linha de pensamento a uma conclusão sensatamente ateia quando postula um Deus hipoteticamente preguiçoso que tenta fazer o menos possível para criar um universo que contenha a vida. O Deus preguiçoso de Atkins é ainda mais preguiçoso que o Deus deísta do Iluminismo do século xvio: deus otiosus — literalmente Deus ocioso, desocupado, desempregado, supérfluo, inútil. Passo a passo, Atkins consegue reduzir a quantidade de trabalho que o Deus preguiçoso tem de fazer, até que ele finalmente fica sem nada: ele pode nem se dar ao trabalho de existir.”

LH: Incluí esse trecho para vocês terem uma idéia da mentalidade frágil de alguns amigos de Dawkins, como esse tal Peter Atkins. Quer dizer, quando não se tem algo a fazer, não é preciso mais se dar ao trabalho de existir. Mas como um Deus se daria ao “trabalho” de existir se ele é eterno? Nonsense. E, como se nota, em todas as evidências até agora foram só exemplos de deslumbre e/ou extrapolação do Darwinismo. Aqui, Dawkins quer dizer que a evolução natural, sendo aceita, levaria a uma conclusão “naturalmente” atéia. É mole?

Evidência 12: “Outra vez, o design inteligente não é a alternativa adequada para o acaso. A seleção natural não é apenas uma solução parcimoniosa, plausível e elegante; é a única alternativa viável ao acaso a ter sido sugerida.”.

LH: Aqui é mais do mesmo, muito deslumbre e pouco conteúdo.

Evidência 13: “Também somos conscientizados pela crueldade e pelo desperdício da seleção natural. Os predadores parecem ter sido lindamente “projetados” para capturar suas presas, enquanto as presas parecem tão lindamente “projetadas” quanto para escapar deles. De que lado Deus está?”

LH: Seria essa a teologia darwinista? Risos.

Evidência 14: “Está claro que aqui na Terra estamos lidando com um processo generalizado para a otimização das espécies biológicas, um processo que funciona em todo o planeta, em todos os continentes e ilhas, e em todos os momentos históricos. Podemos prever com segurança que, se esperarmos mais 10 milhões de anos, um conjunto totalmente novo de espécies estará tão bem adaptado a seu estilo de vida quanto as espécies atuais são adaptadas ao estilo delas. É um fenómeno recorrente, previsível e múltiplo, não um caso de sorte estatística reconhecido retrospectivamente. E, graças a Darwin, sabemos como ele aconteceu: pela seleção natural.”

LH: Houston, we have a problem! Daqui 10 milhões de anos podemos ter novas espécies, mas projetadas inteligentemente, pois o ser humano tem evoluído bastante na engenharia genética. Ou seja, o processo agora a ser visto pode ser mais a seleção artificial e design inteligente (mesmo que humano) do que a seleção natural… Espero não torturar muito os deslumbrados de Dawkins com isso que escrevi, mas é a mais pura realidade.

Evidência 15: “Outro físico teórico, Lee Smolin, desenvolveu uma variante darwiniana tentadora para a teoria do multiverso, incluindo elementos seriados e paralelos. A idéia de Smolin, exposta em A vida do cosmos, sustenta-se na teoria de que universos-filhos nascem de universos-pais, não num big crunch completo, mas de modo mais local, em buracos negros.”.

LH: Era só o que me faltava! Teoria dos Multiversos agora? O Dawkins realmente está se agarrando à extrapolações indevidas. Como a Teoria do Multiverso não é falseável e não tem suporte experimental, não preciso nem comentá-la.

Evidência 16: “Nem todos os físicos ficaram entusiasmados com a idéia de Smolin, embora o físico e prémio Nobel Murray Gell-Mann tenha dito, segundo uma citação: “Smolin? Não é aquele jovem com aquelas idéias malucas? Ele pode não estar enganado”.70 Um biólogo sarcástico poderia se perguntar se alguns outros físicos não estão precisando de um pouco de conscientização darwiniana.”

LH: Conscientização darwiniana para quê? Para que comecem vender mais fácil a idéia do Multiverso? Se já temos mentes desequilibradas por causa da extrapolação da Teoria da Evolução na Biologia, o sujeito quer agora contaminar físicos também? Faça-me rir…

Recapitulando…

Como se nota, e o que fica evidente até com as últimas extrapolações, tentando validar o Multiverso, Dawkins criou uma gaiolinha mental para si próprio. Nada pode ser pensado, para ele, senão à luz da Teoria da Evolução. Agora eu entendo o que tortura tanto a alma dele: para quem estabelece a priori que Teoria da Evolução tem que validar tudo, não há Filosofia e nem Teologia a ser observada. A Teoria da Evolução, como tem escopo limitado, ele tentará aplicar esse mesmo escopo para todo o resto. Isso cria, é claro, uma mente limitada. Entende-se portanto por que alguns leitores de Dawkins não contestam o argumento do Boeing 747 Definitivo. O problema, então, fica justamente com os seguidores de Dawkins. Eles é que podem, justamente, serem acusados de coação psicológica, e ACEITE desta coação, pois estão proibidos de pensar em alguma explicação que não seja a partir da Teoria da Evolução.

Enfim, neo ateus… nada é mais patético!

Escrito por lucianohenrique

janeiro 2, 2010 em 12:01 am

Christophens Hitchens pagando mico? Nada de novo no front…

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E de novo o Christopher Hitchens queima o próprio filme.

Agora,  a proeza dele foi apelar para o manjadíssimo truque de dizer que a religião estava se ADAPTANDO às descobertas científicas, pois senão seria impossível manter o teísmo diante da Teoria da Evolução.

Como sempre, a prosa neo-ateísta tentando aceitar que o criacionismo é a TOTALIDADE da religião cristã.

Pois bem, o William Lane Craig já cuidou de detonar o coitado.

Hitchens, continue assim! Não acerta uma, claro, mas que é divertido vê-lo chafurdar, ah, isso é.

Escrito por lucianohenrique

outubro 19, 2009 em 1:41 am

Como fazer um amigo dos bonobos travar durante um debate

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bonobos

Nada contra a Teoria de Darwin.

Acho que é a melhor teoria para explicar a biodiversidade, e também explica muito bem o processo de especiação pela seleção natural.

Mas daí a tentar explicar o COMPORTAMENTO HUMANO com base no comportamento dos bonobos (um tipo de chimpanzé) é no mínimo risível. Mas alguns esforçados, como Frans de Wall (que escreveu o livro “Eu, Primata”), continuam tentando.

O material nesse livro cai naquela mesma ladainha de que “o comportamento dos bonobos explica o comportamento humano”. Isso me diverte.

Justiça seja feita: nem todos os crentes nesse tipo de “similaridade comportamental entre humanos e bonobos” são neo-ateus, mas vou mostrar aqui como fazer um defensor dessa bobagem simplesmente TRAVAR em um debate no qual ele venha tentar vender a idéia. Chamarei o alegador que defende Frans de Wall de CRÉDULO, e o seu oponente de CÉTICO. Esse papel de cético foi exercido por mim em debate recente.

Vejamos:

  • CRÉDULO: É importante notar que não somos assim muito diferentes dos chimpanzés ou bonobos, conforme disse Frans de Wall. Nosso comportamento pode ser explicado pela análise do comportamento dos bonobos.
  • CÉTICO: Ah, que interessante. Qual parte do comportamento?
  • CRÉDULO: O comportamento em geral. Basta investigarmos a complexidade das estratégias de guerra dos bonobos…
  • CÉTICO: Eu gostaria de ver isso.
  • CRÉDULO: Há vídeos do Discovery Channel…
  • CÉTICO: É uma alegação extraordinária. Um vídeo desse deve estar no YouTube, não? Demonstre onde está o vídeo, ou então faça o upload dele, e aponte a parte exata onde a “estratégia de guerra” é vista…
  • CRÉDULO: Veja bem… Eu não afirmei que tinha um vídeo com a estratégia de guerra. <- primeira travada
  • CÉTICO: Ué, então você alega e não traz sequer uma prova? Assim fica difícil…
  • CRÉDULO: Mas o livro de Frans de Wall fala da intrincada estrutura política dos bonobos…
  • CÉTICO: Falar é fácil! Isso qualquer um faz. Eu quero VER as evidências dessa estrutura política.
  • CRÉDULO: Não é assim… O fato é que isso está descrito no livro de Frans de Wall. <- segunda travada
  • CÉTICO: E o problema é que você ACREDITOU no livro de Frans de Wall e não foi investigar. Problema teu.
  • CRÉDULO: Mas é importante sabermos a origem de nosso comportamento…
  • CÉTICO: Importante em que sentido?
  • CRÉDULO: Para entender como agimos.
  • CÉTICO: Eu entendo como eu ajo. Dispenso tua preocupação. A preocupação talvez seja tua e do Frans de Wall. Não fale pelos demais.
  • CRÉDULO: Entendo o seu comportamento. Você deve ser um crente no criacionismo.
  • CÉTICO: Já errou! Eu acredito no darwinismo, mas sei que o escopo da teoria refere-se a explicar as espécies e como elas surgiram, e não explicar o comportamento humano em comparação com outras espécies. Tente de novo.
  • CRÉDULO: Mas não temos uma fonte importante de explicação do nosso comportamento.
  • CÉTICO: Claro que temos. Chama-se psicologia. Você não anda muito informado, certo?
  • CRÉDULO: Mas não é uma explicação com base no darwinismo.
  • CÉTICO: Aha! Então você quer é uma explicação com base no darwinismo, mas eu poderia escolher uma explicação com base no Big Bang também. Besteira. O fato de não ser explicação com base no darwinismo, não implica em que não exista uma explicação.
  • CRÉDULO: Mas Frans de Wall é convincente ao dizer “como agimos”…
  • CÉTICO: Opa, opa… vamos parar de covardia.
  • CRÉDULO: Como assim covardia?
  • CÉTICO: Notou que você covardemente usa a expressão “nós somos” ou “nosso comportamento”. Isso é jogar para a galera. O fato é que você está com uma explicação constrangedora em mãos, e, para evitar maior vergonha, tenta atribuir isso a todos os humanos ao invés de você…
  • CRÉDULO: Como é?
  • CÉTICO: Vamos fazer um teste. Primeiro deixe a covardia de lado e substitua o “nós somos” por “eu sou”. Depois substitua o “nosso comportamento” por “meu comportamento”…
  • CRÉDULO: Mas por que isso?
  • CÉTICO: Ué, você não falou que a explicação de Frans de Wall era convincente? Está com medo de aceitar a explicação para falar do SEU comportamento?
  • CRÉDULO: Mas espere… A idéia é falar do comportamento de todos.
  • CÉTICO: Desculpe, se você não consegue explicar nem o seu comportamento, como quer explicar o do resto?
  • CRÉDULO: Ok, então prossiga…
  • CÉTICO: Certo. Vamos lá. Utilize o método do Frans de Wall, e faça um relacionamento dos 10 aspectos mais relevantes para o seu sustento e sua satisfação em seu dia. Depois utilize o modelo de análise desses 10 comportamentos nos bonobos, e explique o SEU comportamento utilizando basicamente a descrição do comportamento dos bonobos. Não se esqueça de mencionar a forma como você organiza suas coisas, como você trabalha e a intimidade sua com sua esposa. Que tal?
  • CRÉDULO: Mas assim também não, né…
  • CÉTICO: Qual o problema?
  • CRÉDULO: Não, não era esse o objetivo…
  • CÉTICO: Esses 10 aspectos mais relevantes são o que além de COMPORTAMENTO????
  • CRÉDULO: Está certo, mas a idéia é diferente… <- a grande travada

Nesse momento, a situação do CRÉDULO é mais ou menos a abaixo:

tela_azul

Essa técnica que usei de questionamento é apenas o ceticismo aplicado, a la James Randi, para investigar a alegação de um neo-ateu que queria vender a idéia de que o comportamento humano poderia ser explicado pela análise dos bonobos.

O mais divertido foi notar que o maior constrangimento da parte do alegador surgiu quando lhe pedi para mostrar com exemplos no COTIDIANO DELE a similaridade com os bonobos. Aparentemente, ele estava bem confortável enquanto usava a expressão “nós somos” ou “nosso comportamento”. Quando precisou se referir ao seu dia-a-dia, a coisa complicou para o lado dele.

Importante também notar que ele se omitiu de apresentar evidências DIRETAS das alegações dele, que, em muitos casos são extraordinárias. Tá legal, os bonobos são engraçadinhos. Divertidos, até. Mas daí a falar em estratégia de guerra? Estrutura política? Que vá enrolar outro!

Essa técnica citada aqui de questionamento cético aliado à solicitação do exemplo da aplicação do modelos sugerido na vida do alegador tem funcionado em todos os debates que participei nesse assunto.

O resultado, para o alegador da similaridade com os bonobos, é geralmente a tela azul.

Escrito por lucianohenrique

agosto 27, 2009 em 1:19 pm

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