Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

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Quando um teísta faz gol contra ao debater com neo ateus: Rick Warren X Sam Harris

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No texto anterior, vimos como identificar, em linhas gerais, se um ideólogo é um fraudador intelectual ou não. No caso da maioria absoluta dos neo ateus, vemos que são desonestos. Agora, vou explorar um pouco as conseqüências de não se perceber que a outra parte é desonesta.

Antes de tudo, tratarei do contexto do diálogo honesto, em que os dois debatedores, lado a lado, estão buscando conhecimento. Ora, aí é fácil, pois podemos notar que a informação recebida por cada uma das partes é assimilada, e, se surgirem discordâncias, elas são tratadas de forma honesta. Por ambas as partes. Enfim, aí existe troca de informação e um aprendizado mútuo.

Esse é o motivo pelo qual eu distancio os ateus tradicionais dos neo ateus nas refutações tratadas neste blog. Um ateu tradicional não possui um filtro automático que lhe impeça de dialogar de maneira civilizada com a outra parte, já um neo ateu possui este filtro. Sendo que o neo ateu não possui nenhum traço de respeito nem pelo oponente e nem por suas idéias, obviamente que não temos mais um debate, e sim um caso de acusação e defesa, que, naturalmente, deveria ser compartilhado por ambas as partes. Infelizmente, em muitos casos, muitos cristãos nem sequer perceberam que o outro está apenas preparando armadilhas para ele, e entram de coração aberto, tornando-se presas fáceis para a propaganda neo ateísta. [N.E. - Esse texto prossegue a idéia básica tratada já aqui e aqui]

Vejamos, por exemplo, um debate que ocorreu entre o neo ateu Sam Harris e o cristão evangelista Rick Warren.

No debate, Sam Harris já começou com um estratagema: “Não há evidência para um Deus como o que você descreve, e é importante notar que todos nós somos ateus a respeito de Zeus e de milhares de outros deuses mortos para os quais não há mais adoração nos dias atuais”, lançando, em seguida, o questionamento desafiador para Warren: “Rick, qual é a evidência para a existência do Deus de Abraão?”

A resposta de Rick não poderia ser mais ingênua, até infantil. Agindo como se estivesse conversando com um amigo ou com seus filhos, Rick disse: “Eu vejo as digitais de Deus por toda a parte. Eu as vejo na cultura. Eu as vejo nas leis. Vejo-as na literatura. Vejo também na natureza. Vejo-as em minha própria vida. Tentar entender de onde veio Deus é como uma formiga tentar entender a Internet. Mesmo o cientista mais brilhante iria concordar que nós temos apenas uma fração de uma percentagem do conhecimento do universo”.

Obviamente, Warren não argumentou, e sim apenas apresentou seus sentimentos… a um adversário. Obviamente, Harris se deu bem, pois pôde concluir o seguinte: “Qualquer cientista deve concordar que nós NÃO (*) compreendemos o universo por completo. Mas nem a Bíblia e nem o Corão representam nosso melhor entendimento do universo. Isso é primorosamente claro”.

Infelizmente, Warren apenas ajudou o seu adversário a realizar sua propaganda. Ora, logo no começo o debate já começou errado, pois era “God Debate”, mas poderia ser algo como “A Clash Between a Theist and a Neo Atheist”, pois aí ambas as ideologias seriam colocadas sob julgamento. Harris, espertamente, sabia que o melhor era manter a crença de Harren sob julgamento, mas não a dele. Cabia a Warren perceber esse estratagema do oponente, e ele não percebeu. Mais ainda. Warren foi tolo o suficiente para declarar suas SENSAÇÕES SUBJETIVAS em um debate entre oponentes ideológicos.

Claro que Harris não cometeria esses erros, pois ele está lá para ridicularizar Warren a partir de tudo que este disser. E se Warren comete o erro de declarar suas crenças subjetivas, ele se torna mais ridicularizável ainda.

A ingenuidade de Warren é tamanha que ele não percebeu que a todo momento Harris estava cometendo a inversão de planos, levando a discussão sobre “provas” da existência de Deus para o aspecto do teste, como nos moldes de uma teoria científica – e o plano da discussão correto seria o metafísico, em que os argumentos seriam lógicos, contra ou a favor a existência de Deus. Além do mais, Harris usou o estratagema claramente boboca “Todos São Ateus”.

O comportamento ridículo de Warren pode ser explicado por um fator: ele não conseguiu perceber que estava diante de um adversário desonesto e mal intencionado. Provavelmente, ele achava que estava em uma discussão para troca de conhecimento, onde até declarações subjetivas são aceitas – um exemplo é a prática da gestão do conhecimento, em que o conhecimento tácito é valorizado. Ao contrário, Harris sabia que estava em um embate, e que Warren seria sua vítima. Este último apenas foi incapaz de perceber o óbvio. Se não percebeu, e permitiu-se a ridicularização, Warren no fim foi apenas útil para a propaganda de Harris.

Esse é o trágico cenário de muitos debates entre cristãos e neo ateus. Os neo ateus adentram em campo com todos os seus estratagemas, e pleno desrespeito ao oponente, e o cristão não consegue sequer perceber isso. Pelo contrário, muitos cristãos dão o direito de arena, e alguns até dão a posição de “moderador” a alguns neo ateus em suas comunidades. Obviamente, o neo ateu está ali para fazer propaganda, e muitos cristãos não, posicionando-se para a discussão honesta. Tecnicamente, digamos que esse tipo de cristão aceita jogar pelas regras do oponente.

É claro que, para este cristão, o jogo está perdido antes mesmo que ele entre em campo.

Enfim, um gol contra do Warren. O Harris agradece.

(*) Correção, após retificação identificada pela observação do Sizenando.

Escrito por lucianohenrique

abril 20, 2010 em 10:30 pm

Não li e não gostei OU Como o show de ferocidade ainda engana alguns

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O quê? Como pode? Em termos intelectuais, essa declaração é quase uma blasfêmia. não?

Calma. Explico.

Digo isso em relação ao livro “O Cristianismo é bom para o mundo?”, que traz um debate entre Christopher Hitchens (neo ateu) e o pastor Douglas Wilson (cristão). A obra está sendo lançada pela Garimpo Editorial.

Mesmo que eu não tenha lido, e já declaro que não gostei, lerei o livro, e posso até gostar de alguns argumentos de Douglas Wilson contidos lá, se eles forem convincentes.

Mas o que eu não gostei (e não admito mesmo) é simplesmente o contexto aonde o livro se encaixa.

Vejam: “o cristianismo é bom para o mundo?”. Que raio de pergunta é essa? Tudo bem que é uma pergunta aceitável em um debate focado no conhecimento, mas não em um diálogo com uma pessoa que só quer escarnecer a religião.

Quer dizer então que nós, cristãos, temos uma doutrina que é base da nossa civilização (e portanto, não teríamos que estar encostados na parede) e ainda assim temos que DEFENDER a nossa doutrina.? E o neo ateu, fanfarrão, como o Hitchens, não precisa defender o neo ateísmo? Por que? Por que nesse jogo (aceito por Wilson) o único que precisaria de defesa é o cristianismo.

A jogada é uma obra de esperteza dos neo ateus, mas que infelizmente, como tenho denunciado neste blog, muitos líderes religiosos (incluindo o Douglas Wilson) ainda NÃO PERCEBERAM.

Uma das principais qualidades em qualquer cenário de conflito é a PERCEPÇÃO. Isso significa perceber o mundo que nos rodeia, os eventos que estão neste mundo, e então, decidir nossas ações, de acordo com esses eventos.

A mania atual que alguns cristãos tem de ficar “se defendendo” é baseado em um problema de PERCEPÇÃO do contexto da guerra intelectual como ela ocorre atualmente.

O que acontece, então, é que o Christopher Hitchens e sua turminha encenam como se fossem os portadores do julgamento na questão, e que há um réu já definido: o cristianismo.

A isso dou o nome de encenação de ferocidade.

Lembro disso por causa de uma tira do Garfield. É assim: o gato fanfarrão (e divertido, nas tiras) caminha pela rua, e aparece um baita de um cachorro na frente dele. Garfield coloca as unhas para fora, faz um som feroz, e o cachorro foge com medo. Garfield olha para o leitor e diz: “Um dia esse show de ferocidade irá fracassar”.

O duro é quando o show de ferocidade não fracassa! Ao menos para gente como Wilson.

Sempre quando um cristão é colocado contra a parede, por um neo ateu, o que está sendo executado é um show de ferocidade. O neo ateu finge, nesse caso, algo que ele não é. O pior é que a outra parte ACREDITA que ele teria o poder de coação.

Para que o cristianismo estivesse sob julgamento, com os neo ateus fazendo a acusação e os cristãos tendo que se defender, o que seria de se esperar era que a cultura vigente fosse neo ateísta, e que o cristianismo fosse algo raro, ou algo “novo”, a ser apresentado. O cristianismo, nesse caso, teria que ser a nova idéia a ser vendida.

Os neo ateus fingem que esse mundo existe (lembram-se da mentalidade revolucionária?), agem de forma opressora como se fossem os novos inquisidores. E os que alguns líderes cristãos fazem? Caem nesse show de ferocidade.

Em resumo, uma ingenuidade injustificável. Nenhum religioso que caia nessa jogada deve ser livre de críticas. Quando um cenário acontece desta forma, independente dos argumentos apresentados, já temos uma questão em que o cristão começou pisando na bola.

Se alguém estiver com dúvidas, eu sugiro um experimento.

Vá organizar um jogo de vôlei, e escolha um time. Por exemplo, o time de camisa azul. E o outro time seria, também hipoteticamente, o de camisa vermelha. Para testar a utilidade de ficar só na defesa, dê uma orientação ao seu time: nenhum ataque será efetuado, apenas defesa. O que significa que, se a bola cair na sua quadra, seu time fará a defesa, e daí devolverá a bola para o outro lado da rede. Ao time vermelho, será feita a opção default: atacar e defender.

Posso apostar que na totalidade das vezes, o time de vermelho vai ganhar, e por um placar elástico.

É por isso que quando vejo um título de livro como “O Cristianismo é bom para o mundo?, noto uma situação em que Douglas Wilson caiu no show de ferocidade do adversário.

Vejam a situação:

  • (1) Douglas Wilson, cristão, está no debate
  • (2) Christopher Hitchens, ateu, está no debate
  • (3) O foco do debate não é o neo ateísmo, que, portanto, está livre do julgamento (a princípio)
  • (4) O foco do debate é ver se o cristianismo tem ou não defesa – o cristianismo está no banco dos réus

Suponha que alguém não compre o livro, e veja apenas a capa dele na livraria. Qual o resultado? Neo Ateus 1 x 0 Cristãos. E o Sr. Douglas Wilson é co-responsável por essa propaganda que favorece aos neo ateus.

Vai ter um livro chamado “O Neo Ateísmo é bom para o mundo?”.

Sinceramente, eu duvido. Christopher Hitchens não daria esse gostinho aos cristãos.

Por mais que eu critique Hitchens, pela imoralidade de sua atuação (cheia de fraudes intelectuais), ele ao menos percebe o seu mundo. Douglas Wilson parece que precisa aprimorar isso.

É justamente por isso que respeito Alister McGrath e Dinesh D’Souza. Apenas uma PARTE do material deles é de defesa, e uma boa parte é de ataque e contra-ataque.

Como já dito, ainda lerei o livro, e devo adquiri-lo em breve. É uma pena, somente, que o foco e principalmente o título já tenham sido uma pequena mancha negra nessa obra.

Mas que, ao menos sirva como uma lição sobre PERCEPÇÃO.

Ou os líderes religiosos dominam a arte da PERCEPÇÃO ou então esse conflito intelectual será mais danoso aos cristãos do que parece.

E, para exigir desses líderes religiosos uma postura de MACHO só um movimento cultural de cristãos tradicionais (o qual já começou, ainda timidamente, com gente como McGrath e D’Souza, seguindo os passos outrora abandonados de gente como C. S. Lewis e C. K. Chesterton) pode ser uma luz no fim do túnel.

Quer dizer, se os principais representantes da religião não sabem agir perante ao inimigo, temos que demonstrar a eles a inutilidade de seu comportamento.

Quem sabe dessa forma não cai a ficha para eles…

Escrito por lucianohenrique

março 20, 2010 em 12:01 am

Tolerância zero com o cristianismo self-service

com 28 comentários

Embora esse blog não seja focado em divulgar nenhuma vertente religiosa, eu gostaria de introduzir um conceito apenas para demonstrar o motivo pelo qual trarei algumas críticas à postura de alguns perfis de cristãos que tenho visto no Orkut. São aqueles que Dinesh D’Souza definiria como adeptos do cristianismo self-service.

Antes de tudo, é imporante eu esclarecer: eu sou um cristão tradicional, que leio a Bíblia de forma tradicional, e portanto busco descobrir os significados por trás de tudo que lá está.

O cristianismo self-service é praticamente o oposto do cristianismo tradicional, pois ele se baseia em uma interpretação LITERAL da Bíblia. E onde está o “gap”? Simples. Uma interpretação literal não sustenta qualquer estilo de vida que alguém queira levar. Com isso, o adepto tem que selecionar umas partes da Bíblia e ignorar outras. É isso exatamente que define o cristianismo self-service.

Aparentemente, o catolicismo é focado no cristianismo tradicional, ao passo que o cristianismo literalista ou até o self-service parecem fazer mais sucesso entre as Igrejas Evangélicas, ao menos no Brasil.

Não estou dizendo, é claro, que um evangélico automaticamente busca o cristianismo self-service, ou que o católico automaticamente busca o cristianismo tradicional. É possível que um católico opte pelo self-service, assim como um evangélico opte pela visão tradicional. Portanto, esse texto não discrimina nenhuma religião.

Dito isso, o caso aqui é de desmascarar um pouco do cristinianismo self-service, principalmente por uma de suas principais variações, que considero uma das maiores aberrações intelectuais já vistas: o cristão manso. Não estou falando do “manso” na forma tradicional, e sim do “manso”na perspectiva literal. Enfim, é um sujeito que apanha e volta para pedir mais porrada. Como vocês verão, ele até escolhe de quem vai apanhar.

Obviamente, esse tipo de cristão se tornou o adversário preferido para diálogos com neo ateus. Neo ateus adoram, mais do que tudo na vida, encontrar um cristão manso pela frente. Aí fazem dele gato e sapato, em uma situação que chega a causar vergonha alheia. Do cristão manso, claro.

O problema é que muitos neo ateus tentam usar o estratagema de fingir que esses cristãos mansos, presas fáceis de qualquer neo ateu que apareça na frente deles, representam todos os cristãos. Naturalmente, eu teria vergonha de ser comparado a eles.

Obviamente que quando esses neo ateus tentam implementar essa técnica por aqui, eles encontram alguns cristãos tradicionais pela frente (não só eu, como vários comentaristas na seção de comentários deste blog) e saem correndo para a casinha.

Daí o que lhes resta pela frente? Adentrar de novo em uma comunidade do Orkut, procurar o primeiro cristão manso que encontrar pela frente e esculachá-lo, sem só nem piedade.

Há comunidades, por exemplo, infestadas de cristãos mansos. Um exemplo dessas é a “Eu Amo e Acredito em Deus”. Em suma, uma comunidade que serve para ridicularizar cristãos mansos, que vivem de coração aberto pronto a responder qualquer pergunta maliciosa de um neo ateu com uma pureza de coração que chega a comover os mais ingênuos. A resposta, naturalmente, só serve para um escárnio posterior do neo ateu.

Tecnicamente, eu não levantaria a hipótese (que admito como pouco provável) de que os cristãos mansos GOSTAM de passar papel ridículo perante os outros. Eu sinceramente duvido disso. No entanto, uma explicação para essa postura pode estar no sistema de pensamento que eles utilizam. Como é um sistema self-service, as atividades de “plug and play” podem gerar problemas de compatibilidade. E, assim como os neo ateus, os cristãos do self-service acabam tendo em mãos um sistema auto-contraditório e incompleto.

Um exemplo dessa falta de coerência eu vi recentemente ao notar um cristão manso respondendo a um neo ateu.

O cristão manso, que chamarei aqui de Senhor X, dizia ao neo ateu que o ideal, para conhecer a Deus, era “ter uma experiência com ele”. Até aí eu não teria nada contra, a não ser o fato de que o Senhor X não conseguiu notar que o neo ateu queria apenas uma brecha para, em público, dizer que qualquer experiência do Senhor X com Deus era uma alucinação. A idéia do neo ateu era justamente tentar desqualificá-lo de imediato.

Como foi incapaz de perceber isso, Senhor X lutou até o final para levar a frente o seguinte conjunto de idéias:

  • (a) os argumentos teológicos sobre Deus devem ser ignorados
  • (b) o que importa é a experiência pessoal que X teve
  • (c) é isso que ele falará ao ateu, várias e várias vezes
  • (d) o ateu o ridicularizará (pois toda a experiência pessoal é ridicularizável, em guerras argumentativas)
  • (e) o Senhor X continuará, ad aeternum, narrando sua experiência pessoal, torcendo para que o neo ateu o aceite

Para mim, a situação do Senhor X parecia mais carência de aceitação, e a luta para que seu paradigma fosse aceito pelo neo ateu.  E assim caminhava a coisa, infinitamente. Até eu, que sou cristão, me irritei com o proselitismo ingênuo do Senhor X.

Como a coisa me incomodou, perguntei para ele por que ele ficou tentando por tanto tempo vender o seu “produto” para alguém que decididamente não iria comprá-lo. E também perguntei por que ao invés de partir para o proselitismo chato, por que ele não partiu para o debate argumentativo. Ao final, citei a parábola “Não se joga pérolas aos porcos”.

A resposta do Senhor X foi, aliás, uma pérola: “Pra mim ele não é porco, mas sim alguém que carece da misericórdia de Deus para ser alcançado pelo amor tão pregado pelo Senhor Jesus.”

Quer dizer, o sujeito nem sequer entendeu o que significava a citação das pérolas aos porcos. Um cristão tradicional normalmente entenderá que isso significa que não vale a pena gastar saliva com alguém que não irá aproveitar aquilo que você disser. Em suma, evitar a banalização da palavra de Deus. Obviamente que eu tive que explicar a ele o erro conceitual de interpretação.

Outro detalhe é que ele se enfezou com o fato de eu tê-lo provocado por causa de sua passividade perante o neo ateu. Talvez eu tenha até me excedido, reconheço, pois cheguei a lhe dizer o seguinte: “se o cristianismo fosse isso que você está mostrando aqui, eu talvez não seria cristão…”.

O resultado foi ele dizer que pessoas com o meu pensamento “jogaram pessoas na fogueira certamente não entendem nada de amor”. E, segundo ele, eu não seguia a Bíblia e não tinha “moral”.

Mas vejam só que coisa: para conversar com o neo ateu, que o ridiculariza, é só mansidão, e comigo ele ficou bravinho. Não dá para entender isso de outra maneira que não uma auto-contradição. A mansidão do Senhor X era seletiva. A mansidão vale para o oponente que o ridiculariza por completo, mas não vale para aquele que também for cristão, e só discorde de alguns pontos.

Outro ponto importante: ele defende o uso abusivo da citação “virar a outra face”, mas simplesmente ignora o “não se joga pérolas aos porcos”.

Mais uma mostra de que não é preciso dialogar por muito tempo para notar que a auto-contradição é uma característica inerente do sistema de pensamento cristão self-service, seja em sua variação grotesca “cristão manso” ou não.

Tecnicamente, cristãos self-service e neo ateus parecem ter nascido um para o outro.

O bizarro é quando um neo ateu encontra um cristão tradicional pela frente, e não consegue perceber o tamanho do caminhão que o atropelou. (*)

O diacho é que temos que fazer igual o Capitão Nascimento quando sobe ao morro e pega um traficante e lhe diz: “a gente está aqui para desfazer a merda que você faz”.

É a mesma coisa. Esse blog aqui, assim como vários outros (alguns deles estão na seção de links), está aqui para desfazer a merda que os cristãos self-service (principalmente os mansos) fazem em debates com os neo ateus.

(*) É importante notar que o termo “atropelamento” aqui refere-se ao aspecto argumentativo. Sim, é no quesito de demolição argumentativa, e não está se referindo à violência física. Eu também sei que a maioria absoluta dos leitores deste blog são cristãos tradicionais, mas é possível que algum cristão self-service frequente aqui, e talvez possa se incomodar com o termo “atropelamento”.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 13, 2010 em 4:09 am

Técnica: Crença em Deus como servidão

com 8 comentários

Última atualização: 10 de fevereiro de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Técnica geralmente utilizada para insultos. Um dos especialistas nesse estratagema é Christopher Hitchens, que várias vezes em seu livro “Deus não é Grande” referiu-se à crença em Deus como servidão.

Na verdade, tal técnica não tem cunho argumentativo algum e foca mera e exclusivamente na ofensa.

Curiosamente, é um estratagema que só pode funcionar com extrema ignorância do que significa servidão, que era o status dos camponeses no feudalismo. Uma diferença entre os servos e os escravos é que os servos não eram propriedade de qualquer pessoa.

Obviamente que nada disso caracteriza a relação do ser humano com Deus, portanto a alegação neo ateísta é completamente inválida.

Ademais, o homem possui livre arbítrio, de acordo com a Bíblia, portanto nessa definição não possui qualquer tipo de limitação estabelecida por um sistema de servidão.

Refutação

Há várias formas de se revidar. Veremos algumas delas:

1) A primeira forma de refutar envolve demonstrar ao neo ateu o erro dele no conceito de servidão

  • NEO ATEU: Você é crente em Deus, portanto possui uma relação de servidão com Deus.
  • REFUTADOR: Realmente acredito em Deus, mas não implica em relação de servidão.
  • NEO ATEU: É servidão sim! E você ainda se ajoelha para rezar.
  • REFUTADOR: Se eu não me ajoelho (*) perante a pessoa alguma, não é servidão.

[a partir daí é só explicar o erro conceitual do neo ateu quanto à definição de servidão]

(*) Ainda há o fato de que nem todos rezam, e nem todos os que rezam o fazem ajoelhados.

2) Insultando e provocando de volta

Caso o neo ateu esteja irritado (o que não é raro ocorrer, visto que ele já está apelando ao insulto), uma sugestão é provocá-lo de volta.

  • NEO ATEU: Você é crente em Deus, portanto possui uma relação de servidão com Deus.
  • REFUTADOR: Eu acredito em Deus, mas não é relação de servidão.
  • NEO ATEU: É sim! É relação de servidão! Você é como um escravo de deus, e tem que adorá-lo.
  • REFUTADOR: Ainda que eu fosse, seria uma relação com Deus, e não em relação a ser humano algum. Ao contrário de você que idolatra gurus, como os que te ensinaram tal discurso. A única servidão aqui é de tua parte.

[Claro que ele ainda pode tentar sair pela tangente...]

  • NEO ATEU: Você não conhece qualquer “guru” meu.
  • REFUTADOR: Não preciso, o seu discurso aprendido com Marx te desmascara.
  • NEO ATEU: Mas eu nem ligo para Marx!
  • REFUTADOR: Então você não se importará de eu ridicularizar todo o discursinho dele contra a religião (incluindo besteiras como “religião é submissão do homem”) e também a forma como os militantes marxistas e neo ateus são submissos e servis à tais ideologias, correto?

[Curiosamente, em muitos casos, neo ateus que tentam se desvincular de paradigmas ridicularizáveis como epicurismo, relativismo, positivismo e afins, mas eles podem acabar entrando em contradição e até cometer o ato falho de se importar quando esses paradigmas são ridicularizados]

Conclusão

Em relação à insulto de neo ateu, uma das sugestões é insultar de volta, e sempre procurando usar luvas de pelica. Outra forma é demonstrar a ignorância do neo ateu na questão. Como este estratagema é de insulto, muito provavelmente o adversário neo ateu já entrará em campo pronto para esse tipo de diálogo, portanto qualquer tipo de revide é lícito.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 10, 2010 em 11:58 pm

Técnica: Solicitação de Declaração de Subjetividade

com 43 comentários

Última atualização: 19 de janeiro de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Técnica que habilita grande capacidade de ataque da parte adversária, justamente por ser bastante simples e por constituir uma armadilha em que grande parte das pessoas cai. Deve-se notar que tanto ateus como teístas são igualmente suscetíveis de serem vítimas desta técnica.

Normalmente a técnica é aplicada quando um debatedor, talvez por não conseguir atacar um argumento do oponente, pede que este lhe entregue apenas declarações de sua subjetividade, em cima das quais ele também fará normalmente ou (1) opiniões subjetivas ou (2) escárnio.

O objetivo é que ele se torne o juiz em cima daquilo que o outro disser, e possa, em 100% das vezes, negar e/ou ridicularizar a declaração subjetiva do outro. E por que ele pode negar a declaração do outro em 100% das vezes? É extremamente simples, e é aqui que a lógica desta técnica funciona: a declaração do outro poderá ser negada pelo único fato dela ser subjetiva.

Como se nota, adversários em debate não se interessam pelo aspecto subjetivo do oponente. Aspectos subjetivos são relevantes, por exemplo, para amigos, irmãos, cônjuges, etc., mas não para estranhos. Só que um adversário em debate, mal intencionado, pode fingir que está interessado pelo seu aspecto subjetivo pelo único motivo de que ele vai esmagar essa declaração logo a seguir.

Olhando por essa perspectiva, fica difícil de justificar por que devemos entregar declarações subjetivas aos oponentes em debate. Simplesmente, não acrescenta em nada ao nosso ponto, e é meio parecido com a Lei de Miranda: “Tudo aquilo que você disser pode e será utilizado contra você no curso de um debate, e isso vale principalmente para declarações de subjetividade”.

Vamos à um exemplo, em que um neo ateu pergunta a um teísta sobre os motivos deste último para acreditar em Deus:

  • NEO ATEU: Quais seus motivos para acreditar em Deus?
  • TEÍSTA: Ah, eu acredito justamente por achar que é a melhor explicação [1], além do fato de que a minha experiência pessoal tem comprovado Deus [2].
  • NEO ATEU: Aha, quer dizer então que você, no primeiro caso, apelou ao chutão, e não ao conhecimento, e no segundo, apelou à sua alucinação?
  • TEÍSTA: Eu não disse que tive alucinação….
  • NEO ATEU: Um esquizofrênico diria a mesma coisa, pois sua experiência pessoal é a mesma de um esquizofrênico.

Obs: [1] e [2] são as declarações subjetivas.

Notaram que o neo ateu, neste exemplo, não estava nem um pouco interessado nas declarações subjetivas do oponente, mas apenas queria um gancho para implementar golpes (desleais, diga-se)?

A razão disso, como já dito, é que oponentes em debates não estão nem um pouco interessados na subjetividade do outro.

Detalhe que essa técnica pode ser aplicada justamente por um teísta contra um neo ateu exatamente da mesma forma. Vejam:

  • TEÍSTA: Quais seus motivos para não acreditar em Deus?
  • NEO ATEU: Ah, eu acredito que após desacreditar em Deus, eu passei a confiar mais em mim mesmo [1] e cheguei à conclusão através de muita leitura [2].
  • TEÍSTA: Como você pode provar que sua confiança em você aumentou mais? Lembremos que você pode estar frágil por dentro e estar mentindo aqui querendo me convencer de que você é mais confiante agora. Não podemos descartar essa possibilidade. E como você prova que chegou à conclusão através de muita leitura, e não por causa de doutrinação de Dawkins?
  • NEO ATEU: Não, eu não aceito isso que você disse. Eu sou mais confiante sim.
  • TEÍSTA: Um louco, no sanatório, fingindo ser Napoleão, pode ser bastante confiante também. Essa sensação sua não é diferente da atitude de um maluco de sanatório.

Obs: Assim como no exemplo anterior, [1] e [2] são as declarações subjetivas.

Vale ressaltar que eu não estou fazendo juízo de valor a respeito do teísta e do neo ateu, nesses exemplos, ao atacarem as opiniões subjetivas do outro, e não estou afirmando que são lícitas, mas sim apenas demonstrando como a técnica é aplicada.

Contra medida

Não há refutação à essa técnica, pois toda declaração que é subjetiva pode e será humilhada pelo adversário pelo fato dela ser subjetiva. Simplesmente a declaração subjetiva é irrelevante para o oponente em termos de prova. A contra-medida é saber que o debate é uma discussão não de opiniões, mas sim de argumentos, e sempre orientar o oponente em direção ao que um debate realmente é. Abaixo está a forma como eu encontrei para me tornar imune à esse estratagema:

  • NEO ATEU: Quais os seus motivos pessoais para acreditar em Deus?
  • LUCIANO: Se são motivos pessoais, eles continuarão assim, sendo pessoais.
  • NEO ATEU: Mas então você não tem argumentos para a crença em Deus?
  • LUCIANO: Claro que tenho, mas argumentos são diferentes de motivos pessoais. Motivos pessoais não são argumentos, e sim opiniões.
  • NEO ATEU: Mas eu quero saber exatamente por que VOCÊ decidiu acreditar em Deus?
  • LUCIANO: Não é da tua conta.
  • NEO ATEU: Mas é isso que me importa, eu quero saber seus motivos.
  • LUCIANO: E justamente o meu interesse é que você pare com essas besteiras, irrelevantes ao debate, e comete a focar nos argumentos. Ou você tem argumentos contra a existência de Deus ou não tem. Eu não me interesso com suas opiniões subjetivas, e não te fornecerei as minhas também.

E assim, sucessivamente, até expor ao oponente (e ao público) o quão irrelevante a opinião subjetiva sua (assim como de qualquer um) é para o debate.

Conclusão

Técnica ao mesmo tempo de simples aplicação, e alta eficácia, pois muitos caem nela. Por outro lado, a contra-medida também é extremamente fácil, e baseia-se apenas no fato de reconhecer que em debates são discutidos argumentos, e não opiniões. E as declarações subjetivas estão mais próximas das opiniões do que argumentos. E importante salientar que opiniões não são proibidas de serem divulgadas, pelo contrário. Quando eu estou defendendo um ponto de vista, automaticamente isso é a minha opinião. Assim como eu posso dizer que eu acho mais lúcida a visão conservadora, ao invés da visão revolucionária, por exemplo. O problema é quando essa opinião subjetiva se torna o CENTRO do meu argumento (ou seja, torna-se o OBJETO a ser provado), pois é aí que o adversário encontrará uma forma automática de ataque.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 19, 2010 em 6:24 am

Publicado em Conhecendo o Inimigo

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Ateus ou teístas: quem é que vai para a arena?

com 21 comentários

Há algo de engraçado em nossa sociedade atual, que é a tendência para a inversão de valores. Isso, é claro, tem sido amplificado pelo fato de que o estudo da boa filosofia é praticamente coisa do passado. Aristóteles e Kant vão para a vala, e entram em cena Nietzsche, Habermas e Foucault.

A ausência de valores é uma conseqüência natural. E desastrosa, em todos os níveis. Principalmente intelectuais. Sai a filosofia, entra o discurso de auto-ajuda.

Dentro da inversão de valores, uma das situações mais constrangedoras e risíveis é a idéia, implementada há tempos, de que religiosos devem satisfação a ateus.

Antes de tudo, é salutar relembrar: tecnicamente, e a priori, o nível de satisfação que um ateu deve a um teísta, seria igual ao que um teísta deve a um ateu. Não estou no mérito deste tipo de argumentação, entre pessoas que não são adversárias.

Mas o que estou falando é no CONTEXTO de um debate em que há um cenário de desafio e desconfiança mútua – atualmente, grande parte dos debates se enquadra nesse contexto. E nesse contexto, por qual motivo um teísta teria que ficar dando mais satisfação a um neo ateu do que um neo ateu dar satisfação a teista?

Não é raro recentemente ocorrer absurdos como este exemplo: em duelos argumentativos, geralmente o ateu sair com essa da cartola: “Me prove que Deus existe”.

Simples, não?

Só que nisso há um problema. A questão não é definida na entrega de provas diretas científicas, e sim na seguinte questão: os argumentos para a existência de Deus são melhores que os argumentos para a inexistência de Deus.

Sendo assim, por que caberia ao teísta o ônus da prova?

Se é o neo ateu que está VENDENDO a idéia de ateísmo, por que temos que explicar a ele nossos argumentos ao ponto de vender a idéia de teísmo para ele? (Detalhe, o intuito do neo ateu dificilmente é a discussão séria, então a explicação profunda é perda de tempo).

Isso tem ocorrido simplesmente por causa da inversão de valores.

Hoje em dia, qual é o paradigma vigente em nossa sociedade? O teísmo.

Quem está vendendo o novo paradigma? Os neo ateus.

Logo, se eles QUEREM CONVENCER a gente de que Deus não existe, e nos vender a idéia de que os argumentos para a inexistência de Deus são melhores do que os argumentos para a existência de Deus, não somos nós que temos que explicar e vender nossos argumentos para eles. São ELES que devem vender os argumentos deles para a gente.

Cabe a eles estarem sob questionamento.

Se a idéia neo ateísta é tão boa, que eles estejam então na arena, para serem submetidos à saraivada de questionamentos.

Nós, como adeptos do paradigma vigente, não precisamos estar sob questionamento.

Outro exemplo de pergunta que neo ateus fazem em desafio: “Quais partes da Bíblia se interpretam literalmente? Tem que ter um método para isso”

Eu geralmente já questiono: “é essa mesmo sua interpretação”? “Vai manter essa interpretação?” “Quer mesmo seguir por este caminho?”

Em caso de confirmação positiva, o esmagamento do argumento dele é feito. Eu só explico o suficiente para mostrar os erros dele, e não uma explicação aprofundada, que eu só forneceria a um amigo ou a alguém que estivesse querendo discutir respeitosamente.

Simples assim.

A conclusão é natural: como nós, religiosos, fazemos parte do paradigma vigente, é natural que estejamos envolvidos em discussões, mas quem tem que ser colocado contra a parede é o neo ateu, e não a gente.

Para compreender mais fácil esse modelo, vejamos o paradigma vigente para a relação duradoura: quase todo mundo se casa, ao menos uma vez na vida. Raros são aqueles que optam por ficar solteiros por toda a vida.

Definimos então o grupo entre solteiros e casados.

Supondo uma nova variação chamada neo solteiros, que seria composta de pessoas intolerantes com o casamento, e que dissessem que o casamento é um dos males da sociedade.

Quem é que tem que ir para a arena?

Supondo em uma comunidade de casados, e felizes, seja invadida por neo-solteiros, agressivos, irritadiços, e que digam que o casamento é uma ilusão. Será que os casados é que deviam estar na arena ou os solteiros?

A questão tem que ser definida muito claramente: quem é que está vendendo a idéia?

É natural: são os neo solteiros que tem que correr atrás. Os casados podem somente avaliar se compram ou não a idéia dos neo solteiros.

Eu mesmo não me incomodo nem um pouquinho se alguém é ateu ou deixa de ser ateu. Se o neo ateu se incomoda com o fato de que sou religioso, ele é que tem que se virar para me vender a idéia. E não eu. Minha situação, nesse tipo de debate, é extremamente confortável.

Recentemente, na comunidade Contradições do Ateísmo, vi um neo ateu abrir um tópico no qual exigia evidências científicas de que Jesus existiu. Detalhe: ninguém havia prometido provas científicas, até por que essa não é uma questão científica.

O sujeito não estava disposto a discussão séria, e obviamente usava estratégias ad nauseam, provocações, etc… e tudo permitiria que ele MOLDASSE o cenário de forma a passar a idéia de que ele era um comprador de idéias, e os outros que se virassem para VENDER a idéia para ele. E ele estava disposto a ser um comprador chato.

Mas de onde ele tirou a concepção de que os outros teriam que vender a idéia?

Simplesmente, DO NADA ele abriu o tópico e decidiu isso.

Obviamente, muitos no momento não percebem que o que está sendo feito é só uma encenação para jogar o oponente dentro da arena, local onde ele está sob avaliação (mas o questionador não estaria sob avaliação).

Nesse momento, como comprador, ele simplesmente decide as regras do jogo, e, naturalmente, se for minimamente esperto, vai vencer.

Sempre lembrando que ninguém havia prometido fornecer provas científicas para ele, até por que a questão é meramente histórica.

A primeira coisa que tenho a dizer aos religiosos que entenderam a mensagem acima é a seguinte: como se pode amar a Deus se a pessoa não ama a si própria?

Para mim, a pessoa que aceita as regras de um adversário, geralmente desonesto e mal intencionado, simplesmente faz o que qualquer um lhe pede, mesmo que este esteja contra ele.

Não vejo isso como uma atitude sequer justa em relação à sua religião. Sequer justa em relação a si próprio.

A primeira coisa que um religioso deve fazer é, no mínimo, respeitar a própria religião. E a si próprio.

Para mim, o papel que vejo em alguns casos de teístas no Orkut, ao aceitarem as regras impostas pelo inimigo, é algo que conspira contra sua própria religião.Isso tem um nome mais forte: é um desrespeito à Deus. Desrespeitar a si próprio? Ok, tem gente que não se importa com coisas como a auto-estima, dignidade, etc.. Mas diante de um debate em que vai discutir sua própria religião?

O mínimo que se espera é o respeito por sua própria religião.

Isso implica em evitar entrar em armadilhas criadas pelo adversário.

Mas, antes de tudo, jamais entrar em uma arena sendo que isso não é sua proposta.

É por isso que geralmente em debates que participo neo ateus quase sempre se incomodam.

A primeira tentativa de cada um deles é geralmente tentar me colocar na arena, e, quando não conseguem, tornam-se irritadiços.

Nesse blog mesmo, eu avisei que não iria me propor a provar a existência de Deus. No máximo, em raros momentos, eu poderia discutir argumentos sobre existência ou inexistência, e avaliá-los na persepctiva racional. E nada mais.

Pois não é que teve um que andou avisando que eu prometi que, neste blog, provaria a existência de Deus?

O que o neo ateu tentou? Simplesmente ele queria sair da posição de vendedor e se tornar um comprador.

Claro que eu jamais permiti que ele aplicasse a armadilha, o que resultou em ataques histéricos da parte dele.

E que ele tenha quantos ataques histéricos quiser. Simplesmente isso não importa para mim.

Quem tem que correr atrás da propaganda dele é ele. E não eu.

É por isso que o momento fundamental de cada debate argumentativo (que eu defendo em uma nova variação a ser abordada aqui futuramente: o duelo cético) é o momento inicial, onde os papéis são definidos. Quem é que está trazendo uma idéia nova, e fará o papel de vendedor, e quem é que está na posição de comprador da idéia, e que decidirá se compra ou não a idéia.

Além do framework que eu defendo para investigação dos argumentos neo ateus, acredito que um soft skill necessário para este tipo de debate é sempre saber qual é a sua posição no debate: de vendedor ou comprador de idéias.

Pelo meu secularismo em debates, eu jamais estou vendendo idéias.

Logo, quem tem que correr atrás são os neo ateus.

Se entram em debate comigo, são eles que vão para a arena.

E é assim que deveria ser sempre.

Escrito por lucianohenrique

novembro 20, 2009 em 10:12 am

Esclarecimentos e melhorias para este Blog

com 58 comentários

qualityControl

Com foco na Melhoria da Qualidade desde Blog, usarei este post para realizar alguns esclarecimentos e focar em um último ponto, que fala sobre a mudança quanto aos comentários que será implementada cá.

Os cinco pontos são:

  • Homofobia
  • Esquerda
  • Ateísmo
  • Criacionismo
  • Comentários

Vamos então a eles:

Homofobia

Já recebi alguns comentários a respeito da possibilidade deste blog ser homofóbico. Acho injusto o rótulo, mas reconheço que alguns posts meus, principalmente nos comentários, possam ter dado essa intepretação, a qual discuto aqui.

Lembro-me de um post em que critiquei a postura de um grupo homossexual na Espanha. Não critiquei a homossexualidade em si, mas sim o fato desse grupo homossexual sair ofendendo a religião. Em suma, uma atitude que considero não só desnecessária como também motivadora de um revanchismo inútil, pois uma ofensa pode resultar em um revide, que resultaria em novo revide, e daí por diante.

Também lembro que citei um forista, Eli Vieira, e chamei-o de “afeminado”. Nesse caso, não considero sequer algo referente à homossexualidade, pois eu poderia tê-lo chamado de “mulherzinha”, e daria no mesmo.

Mas o importante é transmitir a minha posição oficial: não tenho nada contra os homossexuais, e respeito os homossexuais, desde que estes não tenham nada contra os heterossexuais.

O que critico é uma postura de ALGUNS homossexuais que se lançam contra todos os valores religiosos, e então passam a desrespeitar o direito dos religiosos possuírem esses valores. É uma nova forma de inversão de valores, onde alguém deveria se sentir culpado por ser heterossexual ou por ter valores que não dêem suporte ao homossexualismo.

Um exemplo de minha posição ideológica: se os homossexuais querem direito ao casamento (civil), obviamente isso é algo que lhes cabe. Não há uma base argumentativa forte para proibir o direito deles se casarem, de forma civil. Se a justificativa pudesse ser religiosa, isso seria quebrado logo de cara, pois o estado é laico. Sem justificativas contra a proibição, não há uma base lógica para proibir o casamento civil.

Posto isso, vamos ao seguinte: o direito ao casamento civil NÃO IMPLICA em direito ao casamento religioso, principalmente na religião católica. Pois, se os dogmas e valores da religião são CONTRA o homossexualismo, esses valores também precisam ser respeitados, e a Igreja tem todo o direito de não aceitar realizar casamentos gays.

A Igreja também tem o direito de considerar o homossexualismo uma abominação, sem com isso desrespeitar os homossexuais e nem desrespeitar seus direitos. Basta que os homossexuais se afastem da Igreja, que não terão que se sentir incomodados.

Como se nota, minha posição não implica em desrespeito aos homossexuais, mas sim no RESPEITO aos direitos deles e a liberdade deles, mas lembrando que os valores não podem ser confundidos. Portanto, os direitos dos homossexuais devem ser respeitados NA MEDIDA em que os homossexuais respeitam os direitos dos heterossexuais.

Não vejo isso como homofobia, e sim direito ao respeito mútuo.

Esquerda

Talvez esse é o ponto mais forte que foi notado por pessoas que fizeram sugestões, seja via Orkut, e-mail e até comentários deste site.

Pode haver a impressão de que eu sou anti-esquerda. Hmm.. tecnicamente, eu sou contra o comunismo e o marxismo, mas não é o foco deste blog falar disso.

Um exemplo foi o artigo “A comemoração ilusória de um Dawkinista”, em que desqualifico a eleição do Richard Dawkins como um dos 3 maiores intelectuais da atualidade por ela vir de uma publicação da esquerda. Pode ter dado a impressão de que eu disse que “se é de esquerda, então não vale nada a opinião deles”? Não, não foi isso que eu quis dizer. O que eu quis dizer é que se a publicação é de esquerda, as pessoas eleitas podem ter sido eleitas não por questões de intelectualidade, mas sim por DEFENDEREM EM PÚBLICO a agenda da esquerda. E o Richard Dawkins faz isso, pois para alguns militantes de esquerda, o ateísmo deve ser inserido nas escolas, principalmente para justificar Marx.

Como se vê, não quis dizer que a opinião dos leitores da Prospect não vale ou que seriam INFERIORES por serem de esquerda, mas sim que a opinião divulgada lá tem viés.

Talvez eu esteja mais acostumado a identificar opiniões e pareceres com viés no dia-a-dia, por atuar com consultoria em Auditoria e Segurança, para a Governança Corporativa. Todos os dias eu identifico tranquilamente pessoas com viés, e insiro tais informações na documentação de Auditorias, ou ao menos ensino minhas equipes de auditores a fazerem o mesmo. No dia-a-dia corporativo, identificar o viés em declarações, termos, documentos, etc… não implica em ofensa. Sempre que eu faço isso também, não implica que eu esteja ofendendo ou desmerecendo alguém. Simplesmente, que, PARA UM PARECER EM ESPECÍFICO, o conflito de interesses pode tornar uma análise viciada.

Também há o caso do Avelino, que foi criticado pelo Eduardo, que o chamou de comunista, e eu endossei. Reconheço que não deveria ter endossado diretamente, mas sim chamado o Avelino de alguém que possui “a mente da esquerda militante”.

Hoje em dia, no Brasil, a mídia é quase toda de esquerda, e parte destes são da esquerda militante. Estes últimos demonizam os seus oponentes e criam mitos em cima deles, e a partir daí só trabalham em cima destes mitos. Um exemplo citado pelo Eduardo foi o caso do Altamiro Borges, do site www.vermelho.org, que chamou a Bárbara Gancia de fascista, somente pelo fato dela não gostar de Hip Hop. A partir daí, não há mais nada no mundo que demova gente como o Altamiro Borges de parar de chamá-la de fascista.

Foi o mesmo que o Avelino fez. O raciocínio dele foi o seguinte: “se o Luciano é contra o Dawkins, é criacionista”. A partir daí, enloquecidamente, Avelino só iria aceitar que eu fosse criacionista, mesmo que meus textos mostrassem o contrário. É claro que o Avelino copia o comportamento padrão de gente como o Altamiro Borges. Talvez pessoas da direita façam o mesmo? Capaz, mas que esse é um modus operante da esquerda militante mais radical, isso é um fato.

Reconheço, no entanto, que eu não deveria atribuir isso à esquerda em si, e sim à esquerda militante, principalmente os que ocupam posições na mídia e na academia.

Ateísmo

Vários opositores deste site afirmam que aqui é divulgado o seguinte: “Mata que é ateu!”. Obviamente, mais uma difamação no estilo da esquerda militante, ou ao menos de gente como o Altamiro Borges.

É uma atitude histérica, e simplesmente tenta implementar um mito contra este que vos escreve.

Se alguém notar com cuidado, verá que este blog tem em relação aos ateus algo similar ao que é feito com os homossexuais: os direitos dos ateus devem ser respeitados, pois o estado é laico é DEVE PERMANECER ASSIM. Em qualquer luta dos ateus pelo estado laico, podem contar com o meu apoio, pois até a meu ver a interferência da Igreja na política significa sair da ALÇADA dela. Para mim, a Igreja é melhor quando cuida de aspectos espirituais dos seus fiéis, de sua teologia, de sua ética, e no compromisso em ajudar à sociedade, em ações filantrópicas. Tirando algumas exceções históricas, como em épocas de guerras, qualquer coisa além disso é perda de foco. Por isso, de novo reafirmo: qualquer atitude em prol do estado laico tem meu apoio.

Também não vejo problema em alguém ser ateu. Para mim, é uma atitude que não pode ser provada cientificamente como válida, assim como o teísmo não pode. Logo, ser ateu é tão legítimo quanto ser teísta. Tenho vários amigos ateus que dialogam com respeito com os religiosos, e recebem o meu respeito recíproco.

Diante disso, este blog é FOCADO no revide aos NEO ATEUS, que são uma parcela dos ateus que preferem repudiar a religião e ofender os religiosos. Para mim, é  o lado fanático do ateísmo. Que, obviamente, não corresponde a todos os ateus, assim como os religiosos fanáticos não correspondem a todos os religiosos.

Essa é a principal diferença de postura de ATAQUE entre eu e os neo ateus: enquanto os neo ateus atacam TODA a religião, eu ataco SOMENTE o neo ateísmo. Na questão de foco, portanto, considero que sou muito mais efetivo que o neo ateísmo (que são os adversários), pelo fato de que mantenho o FOCO.

A questão é  até lógica: se alguém sai em guerra contra o mundo, vai ser difícil concentrar suas forças. A Alemanha caiu justamente por causa disso na Segunda Guerra Mundial. Já uma Guerra direcionada (como foi a dos Estados Unidos contra o Iraque) é mais FOCADA, e portanto mais produtiva.

Se eu estivesse contra os ateus, eu estaria INDO CONTRA meus princípios (que defendem a postura laica), e incorreria nesse outro erro estratégico: perder o foco.

Só um detalhe: se hoje é tão fácil revidar os ataques dos neo ateus, isso não tem outro motivo senão a PERDA DE FOCO deles em seus ataques. O problema é deles. E este blog continuará refutando o neo ateísmo, cada vez mais.

Criacionismo

Essa aqui é direto para o Sr. Avelino Bego, da comunidade Richard Dawkins Brasil, e ao Sr. Eli Vieira, presidente da LIHS (Liga Humanista Secular do Brasil). O Avelino também é da LIHS, o que me faz suspeitar desta entidade. Há quem diga que há pessoas de respeito na entidade. Capaz. Só que essa dupla não passa de escória cultural.

Eli, histericamente, tentou chamar este blog de criacionista pelo fato de que eu adicionei um link para o blog “A Lógica do Sabino”. Avelino fez pior, e disse que eu sou “criacionista” por ser contra o Richard Dawkins. É, é isso mesmo que os senhores leram: o sujeito diz que o fato de eu ser contra o Richard Dawkins implica em ser criacionista. Nada mais estúpido, claro, pois o Kenneth Miller e o Michael Ruse se posicionam contra Richard Dawkins, e são EVOLUCIONISTAS.

A questão do link para o blog “A Lógica do Sabino” refere-se ao fato de que eu gosto das críticas que ele fez em relação a alguns dos argumentos do Dawkins. Não tem nada a ver com apoio à qualquer idéia criacionista.

Portanto, Sr. Avelino e Sr. Eli, queria dizer que ambos os senhores são MENTIROSOS, pois este blog jamais defendeu o criacionismo.

Aliás, eu sempre disse que o criacionismo não só é MÁ CIÊNCIA como também é MÁ RELIGIÃO, pois baeia-se numa interpretação literal da Bíblia. Interpretação que atende aos interesses apenas dos INIMIGOS DA RELIGIÃO. Gente como o José Saramago, Richard Dawkins e turminha. Como eu poderia defender então uma ideologia como o criacionismo? Sendo que essa ideologia só atende aos objetivos dos INIMIGOS da religião? Como se nota, não faz o menor sentido alguém com os meus princípios apoiar o criacionismo.

Para que eu apoiasse o Criacionismo, eu precisaria acreditar em uma versão LITERAL da Bíblia.

E já desmascarei os críticos com este texto.

A religião não foi feita para estipular teorias científicas, mais um motivo para eu rejeitar o criacionismo.

E quanto ao Design Inteligente? Tecnicamente, não conheço tal teoria a fundo, de forma que para mim o Evolucionismo é a melhor explicação (desde que aplicado, naturalmente, aos seres vivos, que é o único escopo válido da Teoria). Pelo que sei, não afirmam a necessidade de um Designer ser divino, o que permite que a teoria atenda aos requisitos materialistas para uma teoria do tipo. Só que parece que o Design Inteligente ainda está no início, portanto vai demorar para obter o status de teoria válida, isso SE conseguir tal status.

Dessa forma, não posso me posicionar a favor de uma teoria que nem conheço.

Os fatos são os seguintes: sou contra o criacionismo, sou neutro em relação ao design inteligente, e sou a favor do evolucionismo. Sou contra, no entanto, extrapolações ordinárias do evolucionismo, como sociobiologia, psicologia evolutiva, memética e gene egoísta, todas facilmente refutáveis com o menor exame cético.

Comentários

Na tentativa de “vilanizar” o dono deste blog (já que não conseguiam rebater a argumentação), alguns neo ateus saíram dizendo que eu era “censor” de posts e que não permitia comentários deles. Isso veio, naturalmente, de uma turminha do Portal do Criador, e de perfis que vivem ameaçando dizendo que “vão me desmascarar”. Eu já respondi isso aqui.

Justamente, por isso, a título de EXPERIÊNCIA, neste mês de Novembro, não haverá a princípio moderação nos comentários.

Vou avisando logo de início a todos os leitores, pois pode ser possível que algumas atitudes ofensivas sejam detectadas, e, como todo bom cético, cabe-me demonstrar o modus operandi dessa turma:

  • É possível que pessoas que se originaram do domínio “vodafone.pt” venham postar usando de “ad nauseam”
  • É possível que Loredana apareça, geralmente com discurso clonado do Argo (que sai postando em vários blogs contra mim)
  • É possível também que estes digam que pessoas que me elogiam são fakes meus
  • Vão também ameaçar este blog dizendo que se eu não publicar comentários, vão tirar print screens e divulgar no portal do Argo (o Portal do Criador)
  • Vão dizer que eu invento comentários para este blog, que é um blog fracassado, segundo eles
  • Para se proteger das críticas, fakes do Argo dirão que “O Argo realmente marcou o Luciano, por isso ele não deixa de pensar nele” (essa é uma frase clichê de fakes como Loredana, Pedro Ferreira, etc.)
  • Pode ser que ofendam pessoas que concordaram com posts meus

E daí por diante, sempre com atitudes patéticas e de moleques, mas que só demonstrarão o quanto este blog incomoda. Lembro a todos que o Sr. Argo me convidou para ir ao Portal do Criador, e depois ao Fórum Ateu, e recusei ambos os convites. Após minha recusa, as ofensas dele aumentaram.

Só que ficará o aviso de que a ofensa PRIMEIRO será publicada, pois nenhum post passará pelo crivo, e depois aos poucos as pessoas poderão saber os motivos pelos quais os ofensores passarão pelo crivo da moderação. Quer dizer, a ofensa será publicada para que a DESONESTIDADE desse pessoal seja exposta.

Mais iniciativas serão tomadas… agora para a melhoria.

Uma delas é o fato de que não responderei mais aos comentários com frases em negrito, pois isso poderia dar a impressão de que direciono posts.

Caso eu responda um comentário, eu abrirei um novo comentário, desta forma, serei um usuário da caixa de comentários do blog tanto como os leitores. Mesmo que eu tenha direito ao recurso de edição, não usarei, por questões de justiça.

Com isso, supostas acusações de que eu seria um “vilão” por “não permitir a liberdade de expressão” perdem a razão de existir.

And then…

Diante de tudo isso, espero que os esclarecimentos impeçam que os adversários deste blog continuem pregando mitos contra ele. Se quiserem atacar aqui, inventem novas desculpinhas.

E, por favor, PAREM DE ENCHER O SACO de outros blogs que estão linkados aqui.

Se possuem problema comigo, que venham ao menos aqui, e não no blog dos outros. Esse terrorismo virtual já deu no saco, e está cada vez mais queimando a imagens dos neo ateus que são contra esse blog, e não a minha imagem.

Como exemplo, o Jorge, do blog DeusLoVult!, não é responsável por este blog.

Teve um que já foi lá encher o saco dele várias e várias vezes, em um atitude covarde, como se isso fosse prejudicar este blog. Não vai. Pelo contrário, isso acaba atraindo até mais cliques para este site.

De novo: espero que as mudanças neste site sejam para melhor, que possamos focar no objetivo deste site, que é expor uma visão racional, crítica, cética e investigativa sobre o neo ateísmo, livrando os religiosos de difamações que foram sofridas, e questionando os parâmetros da turminha do Dawkins.

Tanto que futuramente até apresentarei novas denúncias, estas relacionadas a professores pregando ateísmo em academias (ou seja, um crime), e neo ateus usando brechas do estado laico para impor discriminação, além de jornalistas que discriminam a religião com notícias viciadas.

Quer dizer, há muito trabalho pela frente.

Let’s kick some neo atheist ass…

Escrito por lucianohenrique

novembro 9, 2009 em 12:22 am

Técnica: Alegação de passado religioso

com 2 comentários

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Última atualização: 06 de novembro de 2009 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Técnica que está atualmente virando moda entre alguns neo-ateus do mercado. Em especial, Bart Erhman, Hector Avalos e Dan Barker.

A idéia deles é afirmarem que foram ex-religiosos, talvez com o objetivo de que suas declarações anti-religião adquiram maior respaldo por sua experiência.

O problema é que tal alegação só seria aceita se os interlocutores não fossem nem um pouco céticos, pois a declaração de que alguém viveu uma experiência não implica em que a descrição da experiência é a real. [N.E. - Detalhe: é exatamente esse um dos principais princípios que eles usam para negar a religião]

Por exemplo, imaginem alguém que tenha tido um casamento e saiu do mesmo, alegando decepção, e decidiu daí para frente viver solteiro.

Seria esta pessoa a mais ideal para definir como é o casamento? Claro que não.

Da mesma forma, imaginem alguém que resolveu ser gerente de projetos, e depois abandonou a profissão, indo para uma área totalmente diferente.

Seria esta a pessoa a mais ideal para definir como é a gestão de projetos? Novamente, claro que não.

Não que a experiência em si deva ser descartada, mas é possível que esteja maquiada por experiências desalentadoras, em muitos casos amostras não representativas.

Como agravante, ainda existe o problema de que a declaração é uma evidência anedota.

Por exemplo, eu já fui ateu. Mas não saio declarando coisas contra o ateísmo especificamente por causa disso. Justamente pelo meu treino em ceticismo, que automaticamente sinaliza que a evidência não serve. O máximo que eu poderia descrever seria minha experiência com o ateísmo, e não o ateísmo em si. Só que qualquer um poderia dizer que minha experiência com o ateísmo “não é amostra representativa”, e, portanto, descartá-la.

Aparentemente, para pessoas facilmente sugestionáveis, o estratagema obtém algum efeito. Não é raro algum neo ateu chegar e afirmar “ohhh… ele já foi religioso, portanto ele pode criticar com propriedade”.

Existe até a variação em que o próprio neo ateu declara ele próprio ter sido religioso, e, assim como os autores já citados, provavelmente tenta obter o mesmo efeito psicológico sobre pessoas pouco céticas.

O detalhe é que, somando-se os dois fatores (evidência anedota + declaração com viés), qualquer declaração deste tipo tem valor nulo em termos de evidência.

Refutação

Basta explicar para a pessoa que tal tipo de declaração é apenas evidência anedota, e, para piorar, é uma declaração com viés. Existem duas situações relevantes:

(1) Debatendo com um neo ateu educado e respeitoso

Neste caso, a reciprocidade recomenda que orientemos o neo ateu em relação ao seu erro. Como exemplo:

  • NEO-ATEU: Já fui religioso, e a experiência não foi nada agradável.
  • REFUTADOR: Talvez para você. É sua opinião, claro, mas não reflete a religião.

[E daí por diante, respeitosamente, seguir o diálogo]

(2) Debatendo com um neo ateu arrogante e desafiador

Nessa situação, a melhor alternativa é desafiar o neo ateu da mesma forma. Veja:

  • NEO-ATEU: Estou aqui para desmascarar essa coisa nojenta chamada religião. E olhem: já fui religioso (!!!). [N.E. - Nesse momento, caso o debate seja público, talvez a platéia faça um som similar a "oohhhh", que aparenta um golpe quase letal aplicado pelo neo ateu no debate]
  • REFUTADOR: Você apenas afirma que foi religioso. Mas não prova. Portanto, isso que você afirmou não vale nada. É apenas uma anedota.
  • NEO-ATEU: Como você ousa duvidar de mim? Eu posso provar com fotos que já fui religioso.
  • REFUTADOR: Mesmo que você mostre fotos mostrando que já foi religioso, isso ainda não provaria muitas de suas declarações quanto à religião. Pode ser que você não tenha tido experiências negativas, mas esteja MENTINDO dizendo que teve experiências negativas. De novo, é evidência anedota. Vale tanto quanto um peido.[N.E. - Nesse estágio, o "golpe letal" do neo ateu já foi reduzido a pó]

[E assim, sucessivamente, sempre colocando o neo ateu em seu devido lugar]

Conclusão

Uma das mais eficientes maneiras de se derrubar um adversário em um duelo cético, conforme já mostrado pelo estrategista cético James Randi, é expor ao público que o adversário não possui nada além de evidências anedotas em sua declaração. Curiosamente, esse estratagema de declarar em público ter tido um passado religioso, para em seguida ofender a religião, não passa também de uma estratégia principalmente focada em evidência anedota. Portanto, pode ser tratada exatamente da mesma maneira que se trata a história do caseiro do sítio que alega ter visto um lobisomem ou a mula sem cabeça. É o ceticismo simples e direto.

Escrito por lucianohenrique

novembro 6, 2009 em 3:12 am

Dois momentos antagônicos de Richard Dawkins…

com 11 comentários

covardia_de_dawkins

Como sempre disse, uma característica notória de alguns neo-ateus é a covardia.

Isso especificamente quando eles selecionam os adversários de debate e agem como se estivessem vencendo um adversário forte. Algo como eram as lutas do Maguila na Bandeirantes. O sujeito lutava com padeiros, pedreiros, carpinteiros… e quando foi lutar com Holyfield (que foi sua primeira luta séria) tomou tamanha porrada que quase não conseguiu ficar em pé depois.

Esse post mostrará Dawkins em dois momentos.

Primeiro momento

Dawkins arrogantemente permite que uma garota inculta, humilde e ingênua lhe faça uma pergunta. Ela faz, e acaba sendo humilhada e ridicularizada em público. Detalhe: sem direito a revide. Claro que nem seria preciso, pois ela seria como os “pedreiros” que lutaram com Maguila.

Vejam a ingenuidade da garota, derrotada com extrema facilidade…

Segundo momento

Richard Dawkins vai debater com o Dr. John Lennox, filósofo da ciência e professor de matemática em Oxford. Cheguei a ficar com pena de Dawkins em alguns momentos, por ter seus argumentos reduzidos a pó. Dawkins agora não tinha uma menininha ingênua e patética pela frente…

As outras partes seguem aqui:

Parte 2Parte 3- Parte 4Parte 5Parte 6Parte 7Parte 8Parte 9Parte 10Parte 11

Ah, e para relembrar a luta de Maguila e Holyfield, o vídeo segue abaixo:

Escrito por lucianohenrique

setembro 1, 2009 em 5:41 pm

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