Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

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Técnica: Os religiosos não aceitam críticas dos neo ateus

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Essa técnica tem por objetivo permitir que o neo ateu lance uma cortina de fumaça em relação às críticas que porventura seus autores sofram, principalmente quando são desmascarados.

Para fingir que os problemas (principalmente argumentativos) não existem em suas obras e no comportamento dos adeptos do neo ateísmo, eles passam a fingir que na verdade o único problema seria o seguinte: “o religioso não era criticado, agora é, e então reclama”.

Obviamente, que isso se trata de uma série de manipulação de informações, pois não há indícios de que antes existiam MENOS críticas à religião antes do surgimento do neo ateísmo. Pelo contrário, a crítica à religião, além do uso de piadas contra religiosos, é antiqüíssima. Até os questionamentos sobre a moral religiosa datam de séculos atrás.

Não há praticamente nada de novo nas críticas à religião, se considerarmos os argumentos do neo ateísmo contra a religião. Por exemplo, críticas ao argumento de São Tomás de Aquino, que Dawkins fez (e de maneira porca), outros fizeram muito melhor no passado – embora sem derrubar o argumento, naturalmente.

O problema, portanto, não é a crítica em si, mas sim o ataque feito de uma forma extremamente desleal, incluindo atitudes meramente políticas como:

  • Solicitação de retirada do direito dos pais ensinarem valores religiosos aos filhos (para permitir a doutrinação das crianças na escola em neo ateísmo)
  • Solicitação de que alguns países islâmicos deveriam ser bombardeados por causa de suas crenças
  • Motivação para atitude de bullying virtual e escolar/universitário contra os religiosos que ainda não estão psicologicamente preparados para um duelo (eles ainda acreditam que o neo ateu é apenas um crítico, e não alguém com agenda política)
  • Discriminação formal contra religiosos, como, por exemplo, quando Sam Harris sugeriu que Francis Collins não deveria dirigir o NIH só por ser religioso
  • Incentivo à atitudes de manipulações de notícias para geração de pânico moral contra entidades religiosas e contra religiosos
  • Criação de conceito de “classes”, assim como no marxismo, com a diferença que as classes agora seriam ateus e religiosos, e o respeito mútuo dos ateus pelos religiosos não deveria existir
  • Uso de técnicas da estratégia gramsciana (agora oficializadas por eles) para prejudicar a carreira universitária de quem for cristão ou pertencente à outra facção religiosa
  • Através do conceito de classes, uso de generalizações para atribuir um sentimento de ódio contra religiosos, por parte de seu grupo, em tática similar ao antissemitismo (a diferença é que o antissemitismo focava na etnia judaica, ao passo que o neo ateísmo foca no ódio à todos os religiosos)

Ora, esses itens acima são apenas algumas das “inovações” do discurso neo ateu em relação às tradicionais críticas à religião.

Logo, se os neo ateus NÃO INOVARAM EM NADA no conceito de críticas à religião (apenas na atitude política e geração de cultura de ódio), logo, se algum religioso os criticar, provavelmente é por outro motivo, e não pelo fato de ocorrerem “críticas à religião”. Pois, se o motivo fosse “críticas à religião”, juntamente com “religioso não pode ter suas crenças criticadas”, logo o religioso não ficaria em oposição ao neo ateísmo, mas sim contra vários outros críticos da religião, desde o iluminismo.

Obviamente que o religioso tem motivos para ficar em oposição ao neo ateísmo. Mas, ao ficar, NÃO SERÁ pelo fato de que religião “não pode ser criticada”.

Há muitos outros motivos para se opor ao neo ateísmo antes de pensar nas “críticas à religião”.

Querem mais um motivo para se opor ao neo ateísmo? A safadeza dos neo ateus é tamanha que até para se defenderem de críticas precisam mentir e criar estratagemas INVENTANDO motivos para a crítica do oponente que em nada correspondem aos reais motivos.

Escrito por lucianohenrique

abril 26, 2010 em 9:40 pm

Blog “Sem Fronteiras” poderia mudar de nome para “Sem Vergonha”: mais sobre o caso de pedofilia na Igreja

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Em um blog do Terra, entitulado “Sem Fronteiras”, mais um show de besteiras na questão dos casos de pedofilia na Igreja Católica. O post é este aqui.

O colunista em questão é Wálter Fanganiello Maierovitch (anotem esse nome).

Vejamos o show de mau caratismo:

Uma coisa parece certa. O papa Ratzinger está cercado de trapalhões.

Será que está? Veremos mais à frente…

Em seguida, Maierovitch faz uma “retrospectiva” dos últimos dias:

O padre Cantalamessa, predicador oficial, deu um grande fora na Sexta-feira Santa ao comparar, com base na carta que diz ter recebido de um amigo judeu, o sofrimento do papa com a Shoá-Holocausto.

Putz! Já começou com uma mentira desavergonhada. Já desmascarei a farsa em relação ao padre Cantalamessa neste texto, da última sexta-feira. O problema é que Maierovitch lança uma NOVA mentira em relação às que a mídia estava usando. Lembremos.

  • (1) O padre recebeu a carta de um amigo judeu, que dizia que a perseguição ideológica sofrida pela Igreja lembrava o antissemitismo
  • (2) Vários jornais fizeram um “facelift” na divulgação e fingiram que foi uma afirmação do Padre, e não de seu amigo judeu
  • (3) Também editaram a notícia para transformar a declaração de respeito e solidariedade em “insulto” aos judeus
  • (4) Assim como mentiram, dizendo que foi uma declaração do Vaticano, e não do Padre (sendo que nem era do Padre…)
  • (5) Eis a inovação de Maierovitch… dizer que não foi comparação com o antissemitismo e sim com a Shoá-Holocausto…

Como eu tenho dito, está faltando dignidade de alguns na hora de escrever. Vejamos o que vem pela frente:

Por seu turno, o cardeal Tarcisio Bertone, o segundo homem forte do Vaticano, dado como braço direito do papa Ratzinger, sustentou, em viagem ao Chile, a correlação entre homossexualismo e pedofilia. Ou seja, chamou de criminosos todos os homossexuais.

Mentira, naturalmente. Pois afirmar a correlação entre homossexualismo e pedofilia NÃO é chamar de criminosos todos os homossexuais… Se fosse assim, quando alguém afirma a correlação de um fator com a qualidade de um produto estaria naturalmente dizendo que TODOS os produtos estariam associados ao fator? Claro que não.  E lá vem mais:

Segundo vaticanistas, Bertone despontava como nome certo à sucessão de Ratzinger. Agora, não mais. Como dizem, Bertone “queimou o filme”.

Quais vaticanistas?

Ontem, depois de uma conversa telefônica entre Bertone (estava no Chile) e o padre Federico Lombardi (porta-voz do Vaticano), foi acertada uma nota de esclarecimento. Nela o Vaticano pretendeu reduzir o alcance da desinformação e da absurda colocação do cardeal Bertone. Pela nota, em síntese, Bertone teria referido-se apenas a um levantamento feito pela Igreja sobre efebofilia. Ou seja, os padres pedófilos seriam homossexuais, conforme levantamento realizado pela Igreja e referente a um arco de tempo de cinco anos, com termo inicial em 2001: 3 mil casos analisados.

Onde foi que Bertone afirmou que TODOS os padres pedófilos eram homossexuais?

No comunicado, a Santa Sé deu um tiro no pé ao afirmar que o secretário de Estado falava dos abusos da Igreja. E “que não compete às autoridades eclesiásticas fazerem afirmações generalizadas de natureza médico-psicológica”. Diante da nota, pode-se concluir que, para Bertone, todos os padres homossexuais são pedófilos.

Maierovitch mente de novo, pois não existe a conclusão de que todos os padres homossexuais são pedófilos. Aliás, aqui ele comete o erro lógico, pois:

  • (a) dizer que todos os padres homossexuais são pedófilos
  • (b) não é o mesmo que dizer que todos os padres pedófilos são homossexuais
  • (c) só que nem foi afirmado que todos os padres pedófilos são homossexuais
  • (d) Maierovitch mentiu e repetiu a mentira

Querem ver o resultado de iniciativas como a desse blogueiro? Notem lá na seção de comentários (lá no post dele, e o link está aqui de novo) e vejam a forma de ódio com que a Igreja Católica E os católicos são tratados.

A agenda é clara: campanha de ódio anti-Igreja Católica e anti-religião.

Isso tem um nome: Estratégia Gramsciana.

Escrito por lucianohenrique

abril 15, 2010 em 8:31 pm

Técnica: Cristão moderado ou cristão literal?

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Última atualização: 27 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Essa é uma das técnicas mais sutis utilizadas por debatedores neo ateus, e é principalmente levada à frente nos livros “A Morte da Fé”, de Sam Harris, e “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins.

Ela se baseia em simular uma suposta limitação do universo dos religiosos, dividindo-os em dois grupos, igualmente condenáveis:

  • (a) aquele que segue a Bíblia “corretamente” (segundo eles), e então interpreta-a literalmente
  • (b) aquele que seleciona partes específicas da Bíblia, pois, olhando-a como um todo, ela seria horrenda demais para ser seguida

Um exemplo disso é quando Harris cita o Deuteronômio e diz que raros cristãos em sã consciência “seguiriam aquilo hoje em dia”. Harris diz que se os cristãos seguissem a Bíblia “corretamente”, então teriam que sair matando (pois, segundo ele, o Deuteronômio é manual de horrores). O cristão “moderado” seria aquele que não seguiria as partes de “horrores” da Bíblia.

Claro que Harris e Dawkins simulam não só a interpretação pueril, como também a falácia do falso dilema, em uma de suas formulações mais grosseiras.

Aquilo que os dois autores neo ateus chamam de “cristão moderado” é na verdade o cristão self-service. E o “outro” tipo de cristão é o cristão literal. [N.E. - Ver mais sobre o cristianismo self-service aqui]

Naturalmente, as duas perspectivas são igualmente condenáveis, por possuírem uma vasta série de contradições. Curiosamente, Harris e Dawkins ignoram estudiosos como a maioria absoluta dos teólogos, assim como cristãos como William Lane Craig, Dinesh D’Souza e Alvin Plantinga, dentre outros, que não são nem cristãos “moderados” (ou self-service) e nem cristãos literais. São cristãos TRADICIONAIS.

Vejam mais, a partir do próprio D’Souza:

[...] rejeito o literalismo bruto. Mas, de igual modo, rejeito a visão que se refugia no extremo oposto, segundo a qual deveríamos ler a Bíblia através de lentes de suposições seculares contemporâneas. Há quem pleiteie a rejeição de trechos das Escrituras que, segundo o seu entendimento, são sujeitos a objeções, defendendo a aceitação somente daquilo que vai segundo seu gosto pessoal. Isso é “Cristianismo Self-Service”, e é pior que o literalismo. Pelo menos, o literalista está tentando aprender com as Escrituras. O cristão self-service termina por projetar sobre o texto seus próprios preconceitos.

Como se nota, ele não se encaixa nas duas categorias citadas por Harris e Dawkins. Nem eu me encaixo. E dos leitores deste blog, acho que raros se encaixariam.

Sendo assim, por que os autores neo ateus definiram estes dois grupos como aqueles representantes do cristianismo? O motivo é simples: em cima destes dois grupos de cristãos, é extremamente fácil implementar objeções sobre eles. Mas não é tão fácil fazê-lo em relação ao cristão tradicional.

Dessa forma, o que os vigaristas neo ateus fazem? Ignoram a existência dos cristãos tradicionais e fingem que o mundo cristão é dividido entre cristão “moderado” ou cristão literal.

Refutação

Como a vigarice intelectual é elevada à enésima potência nessa implementação neo ateísta, a refutação deve ser igualmente enérgica. Algo como:

  • NEO ATEU: Você acredita que se deve pegar a filha virgem, e a concubina do outro, tirá-las para fora, humilhando-as, e permitindo que os outros façam delas o que parecem bem aos vossos olhos? Isso está escrito em Juízes, portanto a Bíblia ordena que você faça isso.
  • REFUTADOR: Claro que que a Bíblia não ordena que eu faça isso. De onde você tirou a idéia?
  • NEO ATEU: Mas está escrito na Bíblia. Então você deve fazer. Se não faz, então você já se acostumou com o horror da Bíblia. Daí não segue tudo. Você não é literal, é um moderado.
  • REFUTADOR: A história em questão narra a parábola de um homem que sacrificou sua própria filha (virgem) para proteger os que estavam sob sua guarda. E não é uma norma diretamente prescritiva para alguém, pois a situação em que o homem estava ali era única, e referente a um único momento. O que importa é a lição contida lá.
  • NEO ATEU: Você está só enrolando. Você só não joga sua filha para os outros estuprarem por que não segue a Bíblia.
  • REFUTADOR: Então vá estudar, e deixe VOCÊ de enrolar. E busque referências teológicas afirmando que a Bíblia “manda” eu fazer o ato que você alega.

[E daí por diante, sempre deixando claro a extrema desonestidade intelectual do neo ateu neste estratagema]

Conclusão

Neste caso, a falácia do espantalho, misturada com o falso dilema, tenta implementar o seguinte cenário: primeiro colocar em pauta dois perfis cristãos que são dificilmente justificáveis logicamente, e, em segundo, mentir para a platéia afirmando que esses são os únicos dois perfis a que um cristão pode pertencer. Como se nota, é uma estratégia unicamente de difamação, e que, portanto, tem que ser rejeitada com veemência. Em caso de insistência do neo ateu (que poderá tentar lhe impor ou a pecha de cristão moderado ou cristão literal, e não aceitará que você não pertença a um dos dois grupos) você poderá até pensar em medidas mais extremas, pois o intuito de difamação é claro.

Escrito por lucianohenrique

março 27, 2010 em 12:54 am

Christopher Hitchens contra o papa

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Que eu sempre tenho afirmado aqui neste site que a tolerância com que os neo ateus são tratados está sendo interpretada por eles como “liberdade para o avanço”, isso já não é novidade.

Em suma, a cada tentativa de ataque, se não ocorrer uma retaliação à altura, eles avançam cada vez mais. Segue abaixo um texto de Olavo de Carvalho, publicado originalmente no site Mídia Sem Máscara ontem, 23 de março, em que mais um exemplo da atitude desaforada dos líderes dos neo ateus é evidente:

“Hitchens tenta forçar a Igreja a renegar-se, a humilhar-se ante o altar da Justiça leiga, cujas normas, porém, o próprio Hitchens se permite aplicar às avessas.”

“Em artigo publicado no Wall Street Journal do último dia 15, Christopher Hitchens acusa o Papa Bento XVI de haver acobertado um crime de pedofilia em 1979, entre outros inumeráveis, e sugere que o Pontífice deve ser processado por isso.

Nem comento o estilo. Entremeado de menções ao “fedor” e à “sujidade” do caráter de Bento XVI, ele vibra em todas as cordas midiáticas da indignação estereotipada – o mais alto sentimento moral que algumas almas conseguem alcançar. O raciocínio que Hitchens segue para chegar à sua conclusão reflete, de maneira condensada, toda a deformidade estrutural da mente moderna.

Se o Papa deve responder perante a Justiça comum, é evidente que os critérios dela prevalecem, no caso, sobre as regras internas da Igreja. Mas, se é assim, eles devem vigorar não só para julgar o alegado acobertamento, mas também, e prioritariamente, o crime acobertado. Ora, o padre pedófilo acusado em 1979 de abusar de um menino de onze anos na cidade alemã de Essen nunca foi julgado nem muito menos condenado pela Justiça comum. Não havendo a respeito uma sentença transitada em julgado, ninguém tem, em nome da Justiça, o direito de proclamar que houve crime. Se nem o crime é confirmado, como pode sê-lo o seu “acobertamento”? Pela lógica, é preciso provar primeiro uma coisa, depois a outra, não ao contrário. O que houve, em vez de prova judicialmente válida, foi apenas uma suspeita séria, com base na qual o então cardeal Ratzinger ordenou que o acusado fosse submetido a tratamento psiquiátrico e removido para um posto administrativo em Munique onde não tivesse contato com crianças. Logo depois, no entanto, o vigário-geral de Munique, Gerhard Gruber, sabe-se lá por que, retransferiu o padre para funções pastorais onde ele não demorou a ser alvo de novas acusações de abuso sexual. Hitchens assegura que a culpa foi toda de Ratzinger, mas não dá nenhuma prova disso exceto a opinião de um ex-empregado da Embaixada do Vaticano em Washington, segundo o qual o então chefe da Congregação para a Doutrina da Fé era um administrador meticuloso ao qual esse detalhe “não poderia” ter escapado. Ou seja: o Papa deve ser punido pela Justiça porque alguém achou que ele “deveria” saber do acobertamento, por terceiro, de uma conduta que nem sequer fôra comprovada como crime, seja pela Justiça comum, seja pela investigação interna na Igreja.

Hitchens, evidentemente, não quer nem saber como funciona a Justiça cuja intervenção ele invoca. Quer condenar um cúmplice antes de provado o crime e confirmado seu autor principal; e quer condená-lo mediante a simples opinião de um terceiro que não testemunhou nem o crime nem a cumplicidade.

Mas, se ele não entende os princípios jurídicos do mundo leigo cuja autoridade ele pretende sobrepor à da Igreja, muito menos entende as regras desta última.

Arrebatado nas ondas de um entusiasmo belicoso pueril, ele vai muito além do episódio de 1979 e acusa o então cardeal Ratzinger de haver, como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada pelo Papa João Paulo II de investigar os casos de pedofilia na Igreja, “acobertado” todos esses crimes de uma vez. Qual a base dessa acusação? Ratzinger teria transmitido aos bispos uma ordem de que as denúncias de pedofilia fossem investigadas em segredo, dentro da Igreja, sem nada comunicar à polícia e à imprensa durante dez anos. O documento que comprova isso seria uma carta confidencial parcialmente citada – sem reprodução fotográfica – no Observer de 24 de abril de 2005. Não sei se a carta é autêntica, mas, mesmo que o seja, o fato é que Hitchens, como aliás o próprio Observer, finge ignorar os dois pontos principais do texto. Primeiro: a Igreja aí reservava-se o direito à investigação secreta somente nos casos em que as alegadas vítimas já houvessem completado dezoito anos de idade; nos quais, portanto, não houvesse riscos imediatos para crianças. Segundo: a instrução abrangia, é claro, só as denúncias feitas internamente na Igreja, que não tinham sido ainda levadas à polícia ou à mídia, seja pelas vítimas, seja por quem quer que fosse. Por que deveria a Igreja permitir que casos ainda não comprovados em investigação interna, e que nem mesmo as vítimas ou seus parentes tinham denunciado às autoridades civis, se transformassem em escândalos públicos por iniciativa de bispos ávidos de brilhar na mídia como paladinos dos direitos humanos? Como chamar de “acobertamento” a mera iniciativa de bloquear um falatório prematuro que arriscaria inculpar inocentes e estimular milhares de Hitchens a destampar mais uma vez, agora sob lindos pretextos moralistas e humanitários, todas as latrinas da fúria anticristã?

O Evangelho mesmo, a rigor, proíbe que cristãos levem suas queixas à Justiça comum antes de tentar resolvê-las na Igreja (I Cor., 6:1-11). Hitchens tenta forçar a Igreja a renegar-se, a humilhar-se ante o altar da Justiça leiga, cujas normas, no entanto, o próprio Hitchens se permite aplicar às avessas. Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.

Nunca fui um admirador do ex-cardeal Ratzinger, longe disso, tenho contra ele muitas queixas engasgadas, mas confesso que seu desempenho como Papa está me surpreendendo – não em tudo, é claro, mas especialmente na sua maneira de lidar com os casos de pedofilia. Foi ele quem reabriu as investigações sobre os “Legionários de Cristo” (e seu braço leigo, Regnum Christi), mesmo depois da morte do líder e pedófilo-mor dessa poderosa entidade, Marcial Maciel Degollado. Foi ele quem, tão logo recebeu os primeiros resultados do inquérito, mandou suspender a prescrição de dez anos, que, se era justa e normal em outros casos, se revelou capaz de prejudicar inúmeras vítimas mantidas em silêncio ao longo de décadas pelo herético e abjeto “voto de segredo” imposto por aquela malfadada organização a seus noviços. Negar que esse homem quer a verdade sobre esses episódios é negar a própria verdade.

O ateísmo é uma atitude humana normal, mas o ódio ao cristianismo enlouquece, embora nem todos os afetados dessa síndrome personifiquem essa loucura com a ênfase espetacular de Christopher Hitchens. Este não odeia a Igreja porque nela há pedófilos (se fosse assim odiaria também a ONU, onde os pedófilos são mais numerosos e mais cínicos). Ele já a odiava antes disso, e nunca tentou camuflar seu sentimento. A única novidade no seu artigo é a mudança de tática. Antes ele achava que podia vencer os cristãos no debate de idéias. Derrotado e humilhado em recente confronto polêmico com o escritor católico Dinesh D’Souza, passou pela transmutação que já se tornou rotineira em ateístas militantes desmoralizados: não podendo sobrepujar intelectualmente seus adversários, quer enviá-los à cadeia.”

Escrito por lucianohenrique

março 24, 2010 em 12:04 am

Vídeo de auto-ajuda para neo ateus: cortesia da UNA

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Na boa, essa é a “elite intelectual”?

Os “adeptos da razão” em um mundo de trevas?

Em suma, o vídeo é constrangedor.

Se eu fosse ateu, teria vergonha do vídeo acima.

Aliás, tentar apelar à música de Clint Mansell Mozart (Requiem for a Dream) foi o fim da picada.

Talvez tentaram isso para dar um tom de “drama” ao testemunho dos ateus do vídeo. Sabe como é, o apelo emocional funciona sempre com cérebros inferiores. [N.E. - Não que a música seja para cérebros inferiores, mas usá-la como apelo emocional é demais para qualquer cabeça racional]

Curioso também é o fato de que no vídeo reclamam por causa de preconceito sofrido, mas o vídeo mais PRATICA PRECONCEITO contra os religiosos do que realmente serve para divulgar a causa deles.

Sim, pois dizer que “se usa a razão, e o outro não” é um ato gravíssimo de preconceito.

Mas se eles querem continuar vivendo dessa forma, praticando preconceito à rodo, que o façam… só não lutem por aceitação depois.

Obviamente também que, como sempre ressalto, não são todos os ateus a que me refiro, e sim os fanáticos dessa UNA, LiHS e ATEA, as tais “organizações de ateus”, que, sem exceção, são extremistas.

Notem aliás, que grande parte do discurso é emulado da pregação do Richard Dawkins.

Voltando ao requiem… Será que não perceberam que requiem, no contexto musical, significa Marcha para a Morte?

Isso explica o fato de que essa UNA é uma organização de ateus que até agora não conseguiu se estabilizar, e os seus líderes parecem mais um saco de gatos.

De qualquer, forma, é claro… a opção é deles.

A postura claramente de auto-ajuda, focada em frases de efeito, e IRRACIONAIS, obviamente irão gerar uma “massa crítica” de má qualidade.

É por isso que dificilmente o pessoal da UNA serve para ser adversário em debate.

Perdem sempre.

Nota: para terem uma idéia do nível mental do pessoal da UNA, este post que publiquei, no primeiro mês deste blog, refutava os “argumentos” de um neo ateu que hoje é “diretor” da UNA.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 1, 2010 em 7:12 pm

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Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 3 – Monodawkins

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Após falar do politeísmo, e tentar confundi-lo com o monoteísmo, Dawkins abre uma nova seção em seu livro entitulada “Monoteísmo”, na qual não tenta argumentar muito. No máximo, apenas alguns desabafos. Talvez pela falta de assunto, Dawkins inclui uma citação de Gore Vidal:

O grande e indizível mal no cerne de nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas — o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no-céu. São, literalmente, patriarcais — Deus é o Pai Onipotente —, daí o desprezo às mulheres por 2 mil anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres (Gore Vidal)

Não que o fato de Gore Vidal ser tão de esquerda a ponto de ser perseguido pelo macarthismo americano o desabone por completo, mas simplesmente a declaração acima vem de um autor completamente com viés.

Qualquer pessoa de extrema esquerda aplaudiria a declaração de Gore Vidal.

Mas ela não passa da opinião de um escritor que era a priori anti-religião.

Seria o mesmo que colher a opinião de um anti-semita notório a respeito do conflito Palestina X Israel.

Vamos em frente, portanto…

Tecnicamente, nesta seção do livro, Richard Dawkins jamais chega a formular um “caso” contra o monoteísmo. Convém lembrar que na seção anterior Dawkins apenas tentou confundir monoteísmo com politeísmo. É a tal tática do “se não puder esclarecer, confunda”.

Um pouquinho mais da “argumentação” de Dawkins:

A mais antiga das três religiões abraâmicas, e a clara ancestral das outras duas, é o judaísmo: originalmente um culto tribal a um Deus único e desagradável, que tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, por sua superioridade em relação aos deuses rivais e pelo exclusivismo de sua tribo desértica escolhida. Durante a ocupação romana da Palestina, o cristianismo foi fundado por Paulo de Tarso como uma seita do judaísmo menos intransigentemente monoteísta e menos exclusivista, que olhou além dos judeus e para o resto do mundo. Vários séculos depois, Maomé e seus seguidores retomaram o monoteísmo inflexível do original judaico, mas não seu exclusivismo, e fundaram o islamismo a partir de um novo livro sagrado, o Corão, ou Qur’an, acrescentando uma forte ideologia de conquista militar à disseminação da fé. O cristianismo também foi disseminado pela espada, primeiro nas mãos romanas, quando o imperador Constantino o elevou de culto excêntrico a religião oficial, depois nas dos cruzados e depois nas dos conquistadores e outros invasores e colonizadores europeus, com acompanhamento missionário.

Na dá nem sequer para comentar o parágrafo acima. Não passa de um desabafo recheado de clichês aprendidos do discurso marxista, sempre colocando a religião como culpada de opressão e violência, e sempre escondendo os crimes de países como a China e Rússia.

Como é mais do mesmo, o parágrafo só está aí a título de ilustração, para que todos possam perceber o nível da baixaria a que Dawkins se submete.

É um direito dele, naturalmente, embora novamente isso resvale em perda de foco, o que diminui o potencial ofensivo da diatribe dele, quando colocada sob escrutínio cético.

Depois do desabafo juvenil, Dawkins propõe algo curioso (e bizarro):

A definição simples da Hipótese de que Deus Existe com que comecei tem de ser significativamente engordada para acomodar o Deus abraâmico. Ele não criou apenas o universo; ele é um Deus pessoal que vive dentro dele, ou talvez fora dele (o que quer que isso signifique), possuidor das qualidades humanas desagradáveis às quais aludi.

Para quem se lembra da refutação ao final do texto relacionado ao início do capítulo 2, Dawkins propôs um Deus que é parte do processo de evolução gradativa (ou seja, que chegou ao universo depois de seu início). E depois propõe “engordar” essa definição para um Deus conforme o das escrituras.

Isso, é claro, é uma proposta totalmente nonsense, pois ambas as definições são mutuamente auto-excludentes.

É simples: se é o Deus das escrituras, que a maioria de nós, religiosos, reconhece, esse Deus não é parte do processo de evolução. E, se é parte do processo de evolução, ele NÃO é o Deus das escrituras. Isso é algo do que não se pode fugir, simplesmente pela definição aceita acerca de Deus.

Dawkins não tem escapatória: ou é um ou é outro. Não pode, absolutamente, ser os dois ao mesmo tempo.

Curiosamente, Dawkins toca no assunto e depois deixa a questão de lado e pula para outro tópico. O fato é que o parágrafo de Dawkins simplesmente poderia ser excluído na revisão (ele afirma, nos agradecimentos do livro, que existiram vários revisores). Pois a proposta dele de unir as duas definições é puramente irracional.

Vamos em frente:

Qualidades pessoais, sejam agradáveis ou desagradáveis, não têm espaço no deus deísta de Voltaire e Thomas Paine. Comparado ao delinqüente psicótico do Antigo Testamento, o Deus deísta do Iluminismo setecentista é um ser mais grandioso: respeitável por sua criação cósmica, altivamente despreocupado com as questões humanas, sublimemente indiferente a nossos pensamentos e esperanças particulares, alheio a nossos pecados ou penitências resmungadas. O Deus deísta é um físico que encerra toda a física, o alfa e ômega dos matemáticos, a apoteose dos projetistas; um hiperengenheiro que estabeleceu as leis e as constantes do universo, ajustou-as com uma precisão e uma antevisão extraordinárias, detonou o que hoje chamamos de big bang, aposentou-se e ninguém nunca mais soube dele.

Em se tratando de mostrar uma cultura que não possui, ninguém é mais constrangedor do que Richard Dawkins. Ele é um escritor trash.

Quem já assistiu a filmes trash, sabe que eles são divertidos justamente quando os seus realizadores acreditam estar realizando um filme bom. Nós rimos de sua incapacidade, que é justamente amplificada pelo fato de que eles se consideram capazes quando realmente não são.

Vale o mesmo para Richard Dawkins.

Vamos avaliar: ele diz que o Deus deísta é mais grandioso. Mas por qual motivo? Será que seria pelo fato de ser despreocupado com as questões humanas? Só que na visão monoteísta, mesmo com sua interferência, quem falou em preocupação? Ou será que é a indiferença que ele acha interessante? Ou será que seria o fato dele ser alheio à comunicação humana? Em qualquer das situações, Dawkins não deixa claro o que configuraria o Deus deísta como “mais grandioso”. Pelo que se nota, é com certeza MENOS grandioso, pois são retiradas características virtuosas dele. Mas não dá para compreender a lógica de Dawkins. Não que eu dica que ele possua algo como uma “lógica”.

Ele também não entende o deismo, que não necessariamente afirma que Deus não interfere. Na verdade, os deístas basicamente contestam coisas como a revelação divina, os dogmas e a tradição.

Tecnicamente, os deístas sequer negam a revelação divina, mas basicamente entendem que a revelação tem caráter puramente pessoal. Não estranha, portanto, que o deísmo seja uma porta de entrada para o ocultismo, que, em muitos casos, busca a interferência não só de Deus como outras entidades.

E, como sói ocorre nesses casos, Dawkins tenta “inflar” o ateísmo com o deísmo:

Em épocas de fé mais exacerbada, os deístas foram considerados iguais aos ateus. Susan Jacoby, em Freethinkers: A history of American secularism [Livres-pensadores: uma história do secularismo americano], lista uma seleção dos epítetos lançados contra o pobre Tom Paine: “Judas, réptil, porco, cachorro louco, bêbado, nefasto, arquibesta, bruto, mentiroso e, é claro, infiel”. Paine morreu abandonado por ex-amigos políticos envergonhados com suas opiniões anticristãs (com a honorável exceção de Jefferson). Hoje em dia, a situação mudou tanto que é mais provável que os deístas sejam contrastados com os ateus e agregados aos teístas. Afinal, eles realmente acreditam numa inteligência suprema que criou o universo.

Errou de novo!

Não existe tal “mudança” de direção.

Algumas religiões teístas consideram o deísmo algo que foge dos princípios básicos do teísmo, o que é natural. (*)

O fato de alguém ser chamado de “infiel”, como Tom Paine foi, não implica em alguém ser chamado de ateu.

Isso valia para antes e vale agora.

Portanto, no próximo tópico, quando Dawkins tentar de novo “inflar” o ateísmo citando deístas, como os Pais Fundadores, é evidente que estamos diante de uma picaretagem da braba.

Como puderam notar, essa seção de “Deus, Um Delírio” é basicamente vaga e desfocada.

Difícil entender o que Dawkins quis com essa sub-seção do livro.

(*) O blog não defende discriminação de doutrina alguma, incluindo o deísmo, portanto o reconhecimento da postura das religiões teístas aqui não busca fazer juízo de valor das mesmas. A título de argumento, é irrelevante se o não-aceite do deísmo pelas religiões tradicionais é correto ou não.

Escrito por lucianohenrique

novembro 19, 2009 em 2:39 am

John Hartung é só papo furado

com 12 comentários

John Hartung é mais um neo ateu que aprendeu certinho os dogmas de Richard Dawkins. Em especial, os dogmas dos Capítulo 7 e 8 de “Deus, Um Delírio”, que pregam que a Bíblia é um manual de IMORALIDADE.

Claro que o livro inteiro de Dawkins será refutado nas páginas deste blog, mas por enquanto ainda estou na refutação ao capítulo 2 (para acompanhar as refutações, é só consultar a seção Index Reverso).

Antes desse vídeo, Hartung, que é antropólogo evolucionista e físico, afirmou o seguinte:

A Bíblia é um guia da moralidade entre membros do mesmo grupo, contendo instruções para o genocídio, para a escravização de forasteiros e para a dominação do mundo. Mas a Bíblia não é malévola devido aos seus objectivos ou à glorificação do assassinato, da crueldade e do estupro. Muitas obras antigas fazem a mesma coisa: a Ilíada, as sagas islandesas, as lendas dos sírios da Antiguidade ou as inscrições dos Maias, por exemplo. Mas ninguém vende a Ilíada como base da moralidade e é aqui que está o problema. A Bíblia é vendida e comprada para orientar a vida das pessoas e é, de longe, o maior best seller de todos os tempos.

Uau! Quer dizer então que a Bíblia é um GUIA para orientar a escravizar forasteiros e dominar o mundo?

Na visão pueril deste Hartung, isso é o mesmo que dizer que o filme “300″ é um manual para se matar persas em grande quantidade . Claro que na minha visão, mais adulta, é uma lição de como a ação coesa e focada pode produzir melhores resultados do que o inverso.

Quer dizer, Hartung defende a INTERPRETAÇÃO LITERAL, que a Igreja não pratica há 15 séculos, e diz que o problema então é o pessoal seguir essa interpretação literal, e por isso o mundo vai acabar. Para piorar, nem a interpretação literal salva a teoriazinha furada dele, pois mesmo que a Bíblia narre histórias com Moisés, lá não está escrito algo como “leitor, sempre que estiver nessa situação, juntem-se e matem os outros”. Não há absolutamente NADA DISSO escrito na Bíblia.

Dizer algo como “Moisés fez” não é o mesmo que dizer “leitor, vá lá e faça”.

E isso qualquer um que não é retardado entenderia.

É por isso que digo que esses neo ateus que compram esse tipo de idéia não são pessoas mentalmente sadias. Tudo bem que o cara se esforçou para obter um doutorado (o que não é tão difícil assim de obter, nos Estados Unidos), mas nem de longe é uma pessoa inteligente.

E nem é uma pessoa mentalmente sadia. E vale os mesmos para os seguidores desse tipo de chorumela.

O vídeo acima PROSSEGUE com esse tipo de pregação, e como sempre com apelação emocional.

Notem quando perguntaram a ele qual a visão dele para o futuro da humanidade, nos próximos 1000 anos. Como todo bom neo ateu fanático, a resposta dele não poderia deixar de incluir a sua famosa choradeira contra a religião. Choradeira esta que ocupa quase a TOTALIDADE de seu discurso.

A idéia dele é justamente de que controlemos a evolução e o universo para manter uma longuíssima linhagem de descendentes, que fariam o mesmo, na perspectiva da humanidade ter descendentes para sempre. Mas há algo divertido nisso, pois evolução “controlada” é design inteligente. Tudo bem que seria a inteligência humana, mas não deixa de ser design inteligente.

Só que o *medo* dele é que não teríamos descendentes com a “oportunidade de encarar o desafio de direcionar a evolução e controlar o universo”, porque, segundo ele, “o maior obstáculo que temos, agora, não é um desafio fisico, nem científico, é um desafio psicológico.”

O trecho abaixo, ainda no restante do vídeo, é a transcrição da ladainha tentando apelar à emoção e comover a patuléia, sempre, é claro, defendendo a agenda anti-religião:

São idéias que impusemos a nos mesmos, são noções de deuses que se acredita terem o controle do futuro longínquo e de nosso destino último. E, infelizmente, a mais obstrutiva de todas essas idéias de Deus é o Deus da maior religião do mundo, o Deus para o qual Jesus fez orações, o Deus da Bíblia. Esse Deus é contra o nosso objetivo de cotnrolar o Universo viver para sempre. As pessoas que escreveram a Bíblia, incluindo a história da torre de Babel deixaram muito claro que na opinião delas os humanos tem a capacidade de se tornarem como deuses (essa é a expressão usada no Gênesis) e de viver para sempre. Mas se os humanos assumire este anseio e trabalharem nele, O Deus que inventaram vai nos punir. E assim, há pessoas na nossa cultura que precisam sentir-se bem consigo mesmas, precisam pensar que sua passagem para o céu é certa. Precisam sentir que estão fazendo trabalho deste Deus se nos advertirem contra o progresso. Então, por exemplo, hoje temos cientistas saindo dos Estados Unidos porque George Bush tornou tão difícil a pesquisa com células-tronco. Este é um grande problema, mas como se não bastasse, a bagagem que vem com a Bíblia contém um obstáculo ainda maior. As pessoas que escreveram a Bíblia, através do mundo, os muitos grupos de pessoas, tinham um objetivo em comum. Eles queriam incutir um espírito cooperativo num grande grupo para fazê-lo coeso como grupo. De forma que esse grupo fosse capaz de derrotar outros grupos, e roubar tudo o que têm. Para Moisés, isso significava um Deus que comandava seus seguidores a cometer total genocídio contra sete nações de outros povos. Para Jesus, significava restaurar o Reino de Davi, de modo que Israel pudesse novamente viver às custas de seus vizinhos. Para nós, significa que a terceira guerra mundial está tomando forma em linhas antigas desde que Harry Truman pensou que não haveria problema em fazer palestinos pagarem pelo que os alemães fizeram aos judeus na segunda guerra mundial. Este é o conjunto de idéias que pode nos matar. Que pode quebrar a corrente da vida em nosso elo. Meu palpite é que vai nos matar. Mas como no problema sobre o Universo físico, porque há uma chance de conseguirmos superar esse obstáculo, devemos tentar. Se o que eu disse sobre a Bíblia parece um absurdo para você, por favor ocupe-se de realmente ler este livro. E por favor, visite o meu site, chamado “Struggles For Existence” (Lutas Pela Existência).

Vamos lá: se ele quiser interpretar a Bíblia desse jeito, o problema é dele. Não da religião.

O pior é que ele foi enfiando no discurso dele um monte de eventos, colocando tudo no mesmo saco, beirando a leitura fria. Ele chega a incluir a questão da emancipação do Estado de Israel.

Claro que qualquer pessoa sabe que o conceito religioso é apenas um “adorno” para a emancipação do Estado de Israel, pois os motivos são ESTRATÉGICOS, focados na conquista territorial e a manutenção da estabilidade do Oriente Médio. A presença americana no Oriente Médio, graças ao Estado de Israel, impede a organização efetiva de países contra os Estados Unidos. Simples assim.

Não é preciso de religião para isso.

E notem que a Bíblia sequer solicita que se faça isso, a não ser na interpretação de Hartung, que, como se nota, não é para ser levado a sério.

Mas ele ACHA que a pregação dele deve ser levada a sério. Notem quando ele afirma: “Se o que eu disse sobre a Bíblia parece um absurdo para você, por favor ocupe-se de realmente ler este livro.”

O cara é tão louco que realmente acha que a interpretação infantil e emocional dele é a interpretação que devemos ter. E pior, nem a interpretação literal diz isso que ele afirma dizer.

O fato é que quanto mais se conhece da Bíblia, MAIS DISTANTE ficamos desta interpretação patética do Hartung.

Será que ele não é capaz de entender isso?

Pensando bem, ele não é capaz mesmo.

É pedir demais que uma pessoa que pregue a palavra de Dawkins aja ao menos de forma adulta.

O discursinho dele, portanto, não passa de pregação para comover pessoas de mentalidade fraca e educação obtusa.

Mas é importante que se conheça, para notar o tipo de pessoa que joga sujo e com a qual teremos que lidar no futuro.

Basicamente, é só investigar os textos dele, e investigar sua agenda, além de seus amigos, que tranquilamente se desmascara esse tipo de pessoal.

Gente como Marx adoraria a agenda difamadora do Hartung.

Típico fruto da Estratégia Gramsciana. O cara recebe o salário para dar aula, e ocupa seu tempo com pregaçãozinha de marxismo dialético, neo ateísmo, e outras besteiras.

Já passou da hora de investigar mesmo esse tipo de gente e sempre salientando que em muitos casos o salário dele é pago com dinheiro oriundo de IMPOSTOS.

Nós não pagamos impostos para sustentar vagabundo fanático pregador de teorias anti-religião. É por isso que o estado é laico. Mas deve ser laico MESMO. Se não se deve beneficiar a pregação religiosa em academias, não se deve beneficar a pregação ateísta DA MESMA FORMA.

É mais um alerta.

Prevenir é melhor que remediar.

Escrito por lucianohenrique

novembro 16, 2009 em 12:34 am

Onde não há Deus, tudo é permitido…

com 3 comentários

Excelente vídeo, no qual Dinesh D’Souza mostra as inconsistências no discurso de Christopher Hitchens.

O discursinho de Hitchens é a mesma chorumela neo-ateísta de sempre:

1 – Se há um crime em um país, e há religião, a culpa é da religião

2 – A Inquisição é um exemplo que ele usa ad nauseam, mesmo que o número de mortos na Inquisição seja muito menor do que opressões do governo feitas em países não-religiosos

3 – Hitchens, para variar, ignora os crimes desses países não-religiosos

D’Souza notou, com habilidade, a artimanha do neo-ateu e argumentou com bastante eficiência e eficácia esse problema.

Detalhe que a discussão sobre tentativa de acusar religião por crimes (feita por Hitchens) e consequente refutação de Dinesh D’Souza aparecem lá pela metade do vídeo.

Escrito por lucianohenrique

setembro 19, 2009 em 11:10 pm

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