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Como usar a investigação do vested interest neo ateísta

Ontem, eu publiquei um artigo falando a respeito da atitude de um neo ateu, Lucas, que pensa em tomar ações, até judiciais, para proibir a exibição de cartazes religiosos na universidade em que estuda.
Obviamente que argumentos neo ateus surgem, e um deles que vi é o seguinte, a ser comentado:
- (1) Nenhuma religião agrada a todos
- (2) Sendo assim, qualquer religião pode incorrer no risco de ofender a alguém, que não gostará de ver manifestação pública dessa religião
- (3) Dessa forma, todas as manifestações públicas de religião devem ser proibidas
- (4) Isso garantiria o estado laico.
Muito justo, não? Errado.
Vejamos aonde a tese falha.
Vested Interest
Para qualquer estudo na área de auditoria, é importantíssimo saber o conceito de Vested Interest. Duas traduções são boas para o termo:
- (a) Um interesse específico na proteção ou promoção daquilo que dá vantagem pessoal a alguém em especial
- (b) Ação pela qual um ou mais grupos específicos buscam manter ou controlar um sistema ou atividade a partir de iniciativas que visam seus interesses privados
Vamos a um exemplo. Imaginem uma empresa chamada XYZ, que produz eletrodomésticos. Ela tem 2 grupos principais de qualidade, que possuem idéias diferentes em relação aos métodos. O principal paradigma da empresa é o Six Sigma, culturalmente estabelecido. Mas uma outra área defende a presença do TQM. De qualquer forma, é um padrão da empresa que todas as metodologias mereçam igual respeito (ou seja, qualquer iniciativa lá poderá ser tomada, mesmo por grupos que estudem novas metodologias), embora culturalmente sejam vistas iniciativas do Six Sigma em tudo que é lugar, pois é o grupo que culturalmente estabeleceu essa direção. As pessoas do TQM são respeitadas, e até iniciativas são feitas, mas as manifestações Six Sigma tomam conta da cultura organizacional. Há um outro grupo que não quer a área de qualidade, pois é contra o levantamento de métricas.
Temos aqui 3 agentes:
- (1) Grupo Six Sigma – culturalmente estabelecido, sendo que 85% da empresa o adota
- (2) Grupo TQM – executa algumas atividades, mas não é a metodologia principal da empresa
- (3) Grupo Anti-Processos – não quer processos de qualidade e é contra todos
Eis então que o representante do grupo (3) diria: “Já que a empresa se propõe a respeitar todos os paradigmas de qualidade e ideologias quanto a elas, e não privilegiar nenhuma, sugiro que todas as metodologias de qualidade sejam eliminadas da discussão, e sequer apresentadas em reunião. Alguém passa a ler livros de Six Sigma ou TQM em sua casa, pois precisamos respeitar os direitos de todas as metodologias. Então, eliminemos todas elas da discussão pública”.
Parece justo?
Claro que não, pois o que vemos aqui é que o elemento do grupo (3) usou um estratagema retórico para SER BENEFICIADO em relação aos participantes dos grupos (1) e (2). Isso é o vested interest em ação.
E isso é a mesmíssima coisa que os neo ateus como o Lucas estão tentando fazer quanto à religiões. Simplesmente, eles querem que o neo ateísmo leve VANTAGEM sobre todas as outras religiões. Enfim, eles querem ditar as regras.
Nas discussões públicas, inclusive de grupos ideológicos, é recomendável tentar identificar o vested interest na questão. Principalmente se um dos grupos tenta dizer que “luta pela igualdade” ou coisas do tipo.
Mas a igualdade não é o mesmo que estado laico?
Não, não é.
O que o estado laico defende (e eu defendo) é que NENHUMA religião ou postura religiosa (incluindo o ateísmo) seja beneficiada. Em suma, é um estado que não prega nenhuma religião, sendo esta de livre escolha dos cidadãos.
No que a presença de cartazes nas escolas ou até de crucifixos em repartições públicas retira a livre escolha dos cidadãos? Em nada.
Se alguém é ateu, e não professa religião alguma, então os cartazes NÃO SIGNIFICAM NADA para ele. Então, logicamente, ele não precisaria pregar cartazes com símbolos religiosos. Sendo assim, ele quer RETIRAR qualquer cartaz com símbolo religioso?
O que isso significa é que o neo ateísmo dele defende que a religião seja eliminada da discussão pública, então, ao se eliminarem os cartazes, o neo ateísmo É BENEFICIADO perante as outras religiões, principalmente a religião majoritária do país.
Enfim, um grupo é BENEFICIADO em detrimento de outros. É a explicação perfeita da execução do vested interest.
Sendo assim, essas iniciativas de banir a religião dos locais públicos é tudo, menos representação de um estado laico.
E como tal, qualquer tipo de atitude deste tipo deveria ser objetivo de forte repúdio por parte de líderes religiosos.
Até por que deixar-se vencer por uma estratégia retórica tão chinfrim (retirada de todas as manifestações religiosas da vida pública, alegando que é uma atitude para respeitar todos) é de uma ingenuidade ímpar.
Fórmula sugerida para investigar o vested interest
Uma forma de tentar identificar o vested interest é a seguinte:
- (1) Identifique os grupos (ou indivíduos) presentes em qualquer discussão (organizacional, política, ideológica, etc.)
- (2) Mapeie os interesses de cada grupo (ou indivíduo), ou seja, a agenda particular de cada
- (3) Identifique as idéias defendidas por cada grupo (ou invidíduo)
- (4) Tente identificar quais os ganhos no caso da implementação da idéia de cada um dos grupos em comparação com as agendas.
Há uma outra dica especial. Se algum dos grupos prometer que sua idéia é focada em “igualdade” ou alguma idéia para “ganho de todos”, nutra uma suspeita particular e investigue com mais cuidado o possível vested interest.
Será que a pessoa quer benefício para si própria ou realmente para o todo? Temos que investigar, oras.
Mais um exemplo:
A religião deve ser ensinada em sala de aulas?
- (1) Um dado grupo defende que sua religião seja ensinada, e nenhuma outra
- (2) Um grupo, focado no estado laico, defende que nenhuma religião seja ensinada, ou, se ensinada, por iniciativas particulares dentro da escola
- (3) Ou outro grupo, liderado por Daniel Dennett (um dos representantes de neo ateus), defende que TODAS as religiões ensinadas, e comparadas
Agora avaliemos a agenda de cada um. O grupo (1) quer o benefício direto e impor sua religião, mas não as outras. O grupo (2) aparentemente é o que pode ser menos criticado. Mas o grupo (3) quer o benefício óbvio de poder relativizar todas as religiões, e até utilizar-se de um “fake ecumenismo”, para no fim levar vantagem sobre todas.
E não é que tem gente que cai nesse engodo? Vejam o exemplo de Hector Avalos, anti-religioso que dá aulas de “Estudo das Religiões”, em Iowa. Quer dizer, ele consegue garantir que o seu benefício particular, e de seu grupo (anti-religião) seja obtido.
Uma picaretagem sem igual, mas infelizmente pouco notada pelo fato de que os movimentos neo ateus fizeram uso de retórica estritamente desonesta nessa sua venda de idéias. Pois garantir o seu vested interest, e os outros não notarem, é um sintoma do uso de estratagemas desonestos.
Conclusão
Se há algo que pode ajudar os religiosos na garantia de seus direitos (e ao mesmo tempo sem atrapalhar os direitos dos outros), esse pode ser o conhecimento de como investigar um possível vested interest. É um framework de aplicação simples, que visa entender como as iniciativas de alguém ou algum grupo pode estar relacionada a uma agenda. É uma disciplina essencial para auditores, mas pode ser estudada por qualquer um, pois é simples e de rápida aplicação. O importante é identificar os picaretas que dizem que lutam por “estado laico” quando na verdade estão agindo contra qualquer iniciativa realmente laica. E sempre com a atenção redobrada: estado laico não é o mesmo que estado ateu.
Neil DeGrasse Tyson dá um exemplo aos religiosos
Neil deGrasse Tyson é um astrofísico dos Estados Unidos, atualmente diretor do Planetário Hayden, no Museu Americano de História Natural, em Manhattan.
Tyson já escreveu alguns livros de popularização da astronomia, e não é um dos maiores fãs do ensino do criacionismo nas escolas, no que concordo absolutamente com ele.
Ele possui um estilo engraçado de atuar em público, usando trejeitos aparentemente inspirados em pastores pop evangélicos, mas a causa dele é secular.
Esse vídeo possui dois pontos interessentes (alguns cientistas contra religião, e a religião na sala de aula), e o segundo deles me lembra de uma idéia muito inteligente que Tyson oferece não só aos ateus como também aos teístas. Basta aproveitar.
Antes disso, comecemos com o ponto inicial.
Não há cientistas contra a religião?
Em 0:52, Tyson diz o seguinte
“Não existe uma tradição entre os cientistas de sair batendo em portas de religiosos [...] Isso nunca acontece! Você não vê cientistas na frente das igrejas com cartazes criticando as religiões. Os dois co-existem desde sempre! [...] Se nós temos comunidades religiosas batendo nas portas dos cientistas, tem algo de errado aí, e eu penso que isso é fanatismo em pleno século 21″.
Se considerarmos como cientistas Sam Harris, Daniel Dennett, Steven Weinberg, Laurence Krauss e principalmente Richard Dawkins, sim, temos cientistas batendo em portas de religiosos.
E o objetivo deles é justamente pregar ateísmo. Não são todos os ateus cientistas que fazem isso, claro. Mas esses que citei fazem.
Alguém poderia objetar: eles não estão indo bater de porta em porta nas casas pregando ateísmo.
Decerto, mas estão indo bater de porta em porta em salas de aula para obter espaço para pregar ateísmo aos alunos, disfarçando-o de divulgações extrapoladas de evolucionismo e de variações bizarras de ciência (ex. cientismo), entre outras coisas.
Realmente eu gostaria que a postura deles fosse laica, como Tyson apregoa, mas não é.
Espero que isso pelo menos seja a intenção dele.
O que é um atenuante para seu engano.
Contra religião na sala de aula
No restante do vídeo, Tyson conta a história de um professor que pregou religião em uma aula de História, dizendo que o Big Bang não ocorreu e que a teoria da evolução era falsa, além de dizer que Jesus era o único salvador.
Ele também lembra que um aluno, Matthew McClair, incomodado com a pregação, gravou a aula, e mandou para um jornal de grande circulação.
Tyson mandou uma carta ao Editor do Jornal, a respeito da notícia, dizendo que era algo ainda mais grave do que a simples quebra da separação entre a Igreja e o Estado. Segue a carta, que ele exibe no vídeo:
Ao Editor. As pessoas dizem que esse caso foi uma violação da primeira emenda. Só porque esse professor diz que o Big Bang e a evolução não são científicos e que a Arca de Noé carregava dinossauros. Esse caso não é sobre a necessidade da separação entre “Igreja e Estado”. É sobre a necessidade de separar ignorantes científicos e limitados da profissão de professores.
Ou seja, para McClair, como aluno, e para Tyson, como militante, o professor já foi tachado de oponente, denunciado em público e ridicularizado.
Simples assim.
Como eu poderia dizer que eles erraram quando na verdade eles apenas fizeram o que deveriam fazer. Mais ainda, fizeram aquilo que os religiosos deveriam estar fazendo.
Pois o que existe ali é apenas…
A ótima idéia fornecida por Tyson e McClair
É. Em 0:39, Tyson dá uma idéia genial.
Ele diz que vai “dar na cara” de quem aparecer na classe de ciências dele querendo que ele ensine o que o outro aprende na escola dominical.
A mensagem é evidente.
Ele não vai tolerar, e inclusive irá usar de violência se for preciso, caso alguém tentar inserir conteúdo teísta na sala de aula.
E qual a idéia maravilhosa que Tyson nos dá?
Simplesmente ele nos mostra automaticamente (basta interpretarmos) que é lícito também aos religiosos “darem na cara” de alguém que aparecer na classe de ciências (ou qualquer outra matéria, incluindo história, sociologia, etc.) querendo que seja ensinado o que é aprendido em livros de Dawkins ou na reunião do Partido Comunista.
Simples assim.
E o aluno que ele citou fez exatamente o que eu sugeri nesse texto.
Gravou a aula e denunciou.
Basta que alunos cristãos, que ao observarem professores fazendo campanha ateísta, anti-religião ou pró-marxismo na sala de aula, que gravem as aulas também.
E que exponham os professores.
Em suma, o mesmo respeito que Tyson dá ao religioso que tenta inserir religião na sala de aula, deve ser dado pelos religiosos em relação ao ateu ou marxista que tenta inserir pregação ateísta ou marxista na sala de aula.
Nem mais nem menos.
O vídeo dá um excelente exemplo da eficiência de uma simples gravação.
Se há esperança de que consigamos barrar a estratégia gramsciana, principalmente em academias, o exemplo que Tyson nos dá é no mínimo inspirador.
Como visto, é uma atitude que funciona.
Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 8 – Dawkins contra os evolucionistas mais inteligentes

Certa vez recebi uma lição de meu avô, que disse que religião sempre é bom, quando não há fanatismo. E sempre é ruim, quanto há fanatismo. Na verdade, essa lição vale para qualquer coisa.
O fanatismo nunca é bom, e um exemplo disso é quando Dawkins sempre escorrega pelo fato de sempre agir como fanático.
Agora, acreditem se quiser, ele dedica uma seção do livro para atacar os evolucionistas que simplesmente entendem os limites da ciência, e não buscam o conflito com a religião.
Vejam como Dawkins começa seu ataque:
Um possível motivo oculto dos cientistas que insistem no MNI — a invulnerabilidade da Hipótese de que Deus Existe à ciência — é a peculiar agenda política americana, causada pela ameaça do criacionismo populista. Em certas regiões dos Estados Unidos, a ciência está sendo atacada por uma oposição organizada, com boas conexões políticas e acima de tudo bem financiada, e o ensino da evolução está entrincheirado na frente de batalha.
Notem que, como sempre, ele se apega à “Hipótese de que Deus Existe”, que será esmagada devidamente a seu tempo nos comentários referentes ao capítulo 4. Mas, para não perder o costume, Dawkins insiste desesperadamente que Deus é parte do processo de seleção natural, e, portanto, seria improvável. Uma alucinação completa, claro, pois não tem nada a ver com o Deus das religiões.
É claro que o Deus inventado por Dawkins não resiste ao exame científico. Mas esse é um problema especificamente do Dawkins. E não dos religiosos.
Curiosamente, ele afirma também que a “ciência está sendo atacada” pelo que ele chama de “oposição organizada”. Só que o próprio argumento dele não confirma esse ataque à ciência, no máximo o ataque feito pelos criacionistas à teoria da evolução. O problema, para Dawkins, é que a teoria da evolução não é a ciência. É UMA das milhares de teorias científicas existentes. Atacar uma teoria científica não é o mesmo que atacar a ciência.
O raciocínio de Dawkins é totalmente inválido, e tenta reduzir a teoria da evolução à toda a ciência, o que é claramente uma mentira deslavada. Essa tentativa dele, de tomar a teoria da evolução pela ciência, não passa de um raciocínio falacioso, o qual é impiedosamente demolido simplesmente pela mera avaliação lógica da declaração.
Auditores são treinados para identificar falhas de raciocínio desse tipo, pois em muitos casos pessoas tentam se safar, dizendo que “os processos estão descontrolados”, só que, às vezes, em uma avaliação profunda, descobre-se que os processos, em geral, estão muito bem, mas existe a exceção em um processo relacionado à um conjunto de pessoas investigadas, seja por desvio de compliance ou até fraude. Nesse exemplo, pode-se observar uma situação onde um sujeito, sob investigação, tentou jogar a culpa para “todos os processos”, para que suas fraudes não ficassem sob holofotes. E esse recurso é o mesmo que Dawkins tentou. Ele quer que a teoria da evolução se livre de críticas, e, imediatamente, muda o discurso para dizer que é “a ciência” que está sendo criticada. Como ninguém é insano a ponto de tolerar que toda a ciência seja atacada, alguém desatento compraria a causa de Dawkins. A coisa complica para ele se aparecer alguém que conheça o básico do guia de falácias e use o raciocínio investigativo. Conclusão: Dawkins é um picareta.
Para concluir, Dawkins mente novamente, ao dizer que “o ensino da evolução está ameaçado”. Falso. Não há ameaças ao ensino da evolução, e as requisições de outras partes é simplesmente pelo ensino também de teorias alternativas.
Embora o criacionismo seja contestável, e seja lícito ser contra seu ensino nas escolas, a afirmação de Dawkins é completamente mentirosa, o que desqualifica esse primeiro trecho dele.
A sucessão de falácias prossegue:
Os cientistas podem ser perdoados por se sentir ameaçados, já que a maior parte do dinheiro para as pesquisas vem mesmo do governo, e os representantes eleitos têm de responder aos ignorantes e aos preconceituosos de seu eleitorado do mesmo modo que aos bem informados.
Aqui o que esmaga definitivamente o argumento dele é o fato de ser uma petição de princípio. O argumento só seria válido se ele comprovasse que realmente os cientistas se sentem ameaçados, o que ele não comprovou nem um momento sequer.
Diante de uma evidência tão fraca e natimorta como essa, só me resta avaliar o restante do “caso” de Dawkins:
Em resposta a essas ameaças, surgiu um lobby para defender a evolução, representado de forma mais notável pelo Centro Nacional para a Educação em Ciência (National Center for Science Education — NCSE), comandado por Eugenie Scott, uma ativista incansável em defesa da ciência e que recentemente produziu seu próprio livro, Evolution vs. creationism. Um dos principais objetivos políticos do NCSE é cortejar e mobilizar opiniões religiosas “sensatas”: integrantes moderados do clero e mulheres que não tenham nenhum problema com a evolução e possam considerá-la irrelevante para sua fé (ou, até de modo bem esquisito, uma contribuição a ela). É esse ramo moderado do clero, dos teólogos e dos fiéis não fundamentalistas, que se sentem desconfortáveis com o criacionismo porque ele agride a reputação de sua religião, que o lobby em defesa da evolução tenta atingir. E uma forma de fazer isso é recuar na direção deles adotando o MNI — concordar que a ciência não representa uma ameaça, porque não tem nenhuma conexão com as alegações religiosas.
Livros de diatribe, como esse do Dawkins, dificilmente trazem sequer frases que sejam válidas sob investigação. Mas, estranhamente, Dawkins quase acerta em um trecho, que é esse: “É esse ramo moderado do clero, dos teólogos e dos fiéis não fundamentalistas, que se sentem desconfortáveis com o criacionismo porque ele agride a reputação de sua religião, que o lobby em defesa da evolução tenta atingir.”
Ele erra ao dizer que esse é o ramo mais “moderado”. Pelo contrário, é o mais forte e consistente, e é baseado em profundo conhecimento. Desses que Dawkins chama de “moderados” estão gente como Dinesh D’Souza e William Lane Craig, que reduzem os argumentos de Dawkins a pó.
Mas ele acerta ao dizer que os religiosos de maior conhecimento rejeitam o criacionismo, achando-o constrangedor. Mas, voltando ao fato do livro ser uma diatribe (portanto, é baseado em distorção de informação para difamação de inimigos), o restante do trecho é completamente errado.
Por exemplo, ele diz que o National Center for Science Education — NCSE aceitaria a divulgação do evolucionismo a teístas executando um “recuo” na direção do MNI. Isso é uma total ignorância de Dawkins em relação ao que é ciência. O MNI, e a proposta do NCSE, representam tão somente a definição CORRETA do que é ciência, ou seja, um ramo de estudo focado no estudo da realidade física e tangível, e que não é baseada em verdades definitivas, apenas leis e teorias, que, por sua natureza, devem ser falseáveis.
Por essa descrição, que é a única correta, seria simplesmente impossível que a ciência pudesse ser usada para negar a religião. Só seria um “recuo”, se estivesse em contradição com a definição correta de ciência. E sendo que a atitude do NCSE não representa um “recuo”, Dawkins é culpado também de cometer a falácia da falsa causa.
Portanto, Richard Dawkins dizer que a teoria da evolução seria uma “contribuição” à fé de alguém como algo esquisito é apenas um esperneio, irrelevante do ponto de vista argumentativo.
É, a coisa realmente caminha mal para Dawkins: essa é basicamente uma seção do livro em que ele está contra cientistas que são muito, mas muito, mais inteligentes que ele.
Um exemplo de alguém que é muito mais apto para falar de evolução, e defendê-la, é Michael Ruse. Por sua superioridade intelectual, e pleno domínio do que é ciência, é claro que é alguém contra quem Dawkins não está apto a discutir, pois isso ele apela para a baixaria:
Outro luminar do que podemos chamar de escola Neville Chamberlain de evolucionistas é o filósofo Michael Ruse. Ruse tem sido um combatente eficaz contra o criacionismo, tanto no papel quanto nos tribunais. Ele diz ser ateu, mas seu artigo publicado na Playboy assume “a visão de que nós que amamos a ciência temos de nos dar conta de que o inimigo de nossos inimigos é nosso amigo. Os evolucionistas perdem tempo demais insultando possíveis aliados. Isso acontece especialmente com os evolucionistas laicos. Os ateus perdem mais tempo afugentando cristãos solidários que combatendo os criacionistas. Quando João Paulo II escreveu uma carta endossando o darwinismo, a resposta de Richard Dawkins foi simplesmente dizer que o papa era hipócrita, que ele não podia falar genuinamente sobre a ciência e que o próprio Dawkins preferiria um fundamentalista honesto.”
Para qualquer pessoa que não é fanática, e utiliza a razão para avaliar os argumentos, está claro como a neve: Michael Ruse é capaz de passar por cima de suas crenças pessoais em defesa do evolucionismo. Esse sim é um verdadeiro cientista. É por isso que Dawkins deve ficar tão irritadinho, pois enquanto Ruse fala do evolucionismo de verdade, Dawkins precisa pregar debilidades mentais do tipo Gene Egoísta e Memética, criadas apenas para ele tentar vender neo ateísmo disfarçado de evolucionismo. E olhem que existe ainda uma molecada que cai nesse conto do vigário engendrado por Dawkins.
Dawkins é tão incapaz que não percebeu que a crítica do Ruse desmascara seu fanatismo por completo.
Se fosse mais esperto, Dawkins nem deveria ter citado Ruse, pois qualquer pessoa que conhece o mínimo do que a ciência é, sabe que Ruse está certíssimo na questão. Ruse é cientista, está a favor (e em defesa) da teoria evolucionista e quer estudá-la. É o oposto de Dawkins.
Como não tem argumentos contra Ruse, Dawkins apela de novo:
Do ponto de vista puramente estratégico, consigo enxergar o apelo superficial da comparação de Ruse com a luta contra Hitler: “Winston Churchill e Franklin Roosevelt não gostavam de Stálin e do comunismo. Mas, quando combatiam Hitler, perceberam que tinham de trabalhar junto com a União Soviética.”
Caramba! A Lei de Godwin tão cedo? É, Dawkins estava realmente sem munição.
Para quem não sabe, a Lei de Godwin é também conhecida como a Regra das Analogias Nazistas de Godwin, baseado em estudos feitos por Mike Godwin, um advogado americano. Godwin afirmou o seguinte: “À medida que uma discussão na Usenet cresce, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Hitler ou nazistas aproxima-se de 1 (100%).”
Segundo Godwin, é notório que aqueles que usam tal comparação normalmente estão sem argumentos. E, realmente, Dawkins não tem argumentos contra o evolucionismo de verdade (aquele defendido por Ruse). Sobra, é claro, esse raciocínio patético e falacioso que ele tentou implementar, ao rotular Ruse e os evolucionistas racionais de “Escola Neville Chamberlain de evolucionistas”.
É um golpe desesperado, infantil, inútil, que não ataca de forma alguma os oponentes de Dawkins.
E, claro, Dawkins tem que citar os evolucionistas de menor nível, como Jerry Coyne, que é seu amiguinho:
[...] posto-me ao lado de meu colega, o geneticista de Chicago Jerry Coyne, que escreveu que Ruse “não capta a natureza verdadeira do conflito. Não se trata apenas da evolução contra o criacionismo. Para cientistas como Dawkins e Wilson [E. O. Wilson, o destacado biólogo de Harvard], a verdadeira guerra é entre o racionalismo e a superstição. A ciência não é nada mais que uma forma de racionalismo, enquanto a religião é a forma mais comum de superstição. O criacionismo é apenas um sintoma do que eles encaram como o inimigo maior: a religião. Embora a religião possa existir sem o criacionismo, o criacionismo não pode existir sem a religião.”
Aqui é apenas uma tentativa de Dawkins em usar a falácia da autoridade. O problema é que Coyne, em sua declaração, não comprovou existir o conflito, portanto, como evidência, a declaração de Coyne é nula para Dawkins.
O conflito, é claro, só existe na cabeça de malucos como Coyne e Dawkins. Bem, para ser justo, talvez as Testemunhas de Jeová vejam conflito. Mas notem: dentre os ateus e os religiosos, só os ultra-fundamentalistas e extremistas é que acreditam nesse conflito. Esse problema, portanto, é um problema do Dawkins, e não de seus adversários. Dessa forma, apelar para E. O. Wilson também não vai ajudar muito, pois seria mais um exemplo de declaração com viés de alguém da turminha do Dawkins, e, naturalmente, fácil de desqualificar em termos de evidência. Se bem que ele nem colocou citação de Wilson aí, portanto nem preciso desqualificar nada.
Outro erro de Dawkins: afirmar que ciência é uma forma de racionalismo. Naturalmente uma estupidez completa, pois o racionalismo não entra em conflito com a religião. O racionalismo tem sua origem com Descartes, Leibniz e Spinoza, que eram religiosos. Como se nota, essa turminha de amiguinhos de Dawkins devia ESTUDAR MAIS e sair um pouquinho do laboratório, pois senão são capazes de cometer papelões ridículos como dizer que “ciência é uma forma de racionalismo”. O racionalismo é uma postura filosófica, a ciência é um método de trabalho. E se Dawkins não sabe disso, deveria fechar a boca e não dizer bobagem.
Agora, uma coisa engraçada: se Coyne e Wilson encaram religião como inimigo maior DA CIÊNCIA, é claro que não conseguiram entender nem a ciência e nem o racionalismo.
Outra afirmação estúpida: “Embora a religião possa existir sem o criacionismo, o criacionismo não pode existir sem a religião.”. Claro que não. A crença em que os “Deuses eram Astronautas”, de Daniken, não era religiosa e era uma espécie de criacionismo.
Dawkins realmente não acerta uma…
Mais divertido é o que vem a seguir:
Tenho uma coisa em comum com os criacionistas. Assim como eu, mas diferentemente da “escola Chamberlain”, eles não querem nem saber do MNI e seus magistérios independentes.
Pronto. Confessou. Já era. Ces’t fini.
Os criacionistas não são bons representantes da ciência. O Dawkins também não é um bom representante da ciência. Ambos os grupos possuem dificuldades para entender o que é ciência e religião, e não sabem os limites da cada uma delas. Bem, se Dawkins confessou seu problema, quem sou eu para discordar dele?
Vamos em frente, portanto:
Longe de respeitar a separação do terreno da ciência, os criacionistas gostam mesmo é de pisoteá-lo com suas botas sujas e com travas na sola. E eles também jogam sujo. Os advogados que defendem o criacionismo, em disputas judiciais nos confins dos Estados Unidos, apelam a evolucionistas que sejam abertamente ateus. Sei — para meu desgosto — que meu nome já foi usado assim. É uma tática eficiente, porque entre os jurados escolhidos aleatoriamente há mais chance de haver indivíduos criados para acreditar que os ateus são a encarnação do demônio, no mesmo nível dos pedófilos ou dos “terroristas” (o equivalente atual às bruxas de Salem e aos comunas de McCarthy). Qualquer advogado criacionista que conseguisse me colocar no tribunal conquistaria instantaneamente o júri só de me perguntar: “Seu conhecimento sobre a evolução influenciou-o para que se tornasse ateu?” Eu teria de responder que sim e, de um golpe, teria perdido o júri. Por outro lado, a resposta judicialmente correta do lado secularista seria: “Minhas crenças religiosas, ou a falta delas, são uma questão pessoal, que não interessa a este tribunal nem está ligada de forma alguma à minha ciência”. Eu não poderia dizer isso com honestidade [...]
Essa alegação do Dawkins é completamente neurótica e sem nenhuma evidência de verdade. Ele não provou, por exemplo, que o fato de criacionistas citarem evolucionistas ateus seria pelo fato de que “existem indivíduos criados para acreditar que os ateus são a encarnação do demônio”. Isso é leitura mental. Estranho um sujeito afirmar que é contra a “superstição” e apela tanto para a leitura mental. Aliás, a idéia de dizer que os religiosos pensam que “os ateus são a encarnação do Demônio” é apenas mais um delírio dele. Eu mesmo não penso isso. Mas como já se sabe, essa é só mais uma das superstições de Dawkins.
A questão que Dawkins evita (e será tratada mais a fundo após a próxima citação) é simples, e não adianta ele dizer que “crenças religiosas são irrelevantes”. Se o darwinismo se tornar incisivo demais contra os teístas (por culpa de fanáticos como o Dawkins), e até forem proibidos acadêmicos evolucionistas de serem teístas, o ensino do Darwinismo nas escolas passará a ser contra o estado laico, pois uma teoria seria usada como representação de uma postura religiosa (ateísmo).
Outro problema é que, com uma situação desejada por Dawkins (de 100% de evolucionistas serem ateus), as análises evolucionistas, pelo fato de existir ausência de oposição, seriam muito suspeitas.
Por todos esses motivos, a luta de Dawkins contra o evolucionismo teísta é uma das coisas mais burras possíveis.
É daquelas situações chamadas de perde-perde. Todo mundo perde. Mas o evolucionismo é o que sai mais prejudicado com a postura de Dawkins.
Querem ver? Pois não…
A jornalista do The Guardian Madeleine Bunting escreveu um artigo intitulado “Por que o lobby do design inteligente agradece a Deus por Richard Dawkins”. Não há indicação de que ela tenha consultado mais ninguém além de Michael Ruse, e o artigo dela bem que poderia ter sido escrito na verdade pelo próprio Ruse. Dan Dennett respondeu, citando bem Uncle Remus: “Acho engraçado que dois britânicos — Madeleine Bunting e Michael Ruse — tenham caído em uma versão de um dos golpes mais famosos do folclore americano (“Por que o lobby do design inteligente agradece a Deus por Richard Dawkins”, 27 de março). Quando Mano Coelho é pego pela raposa, ele implora: “Por favor, por favor, Mana Raposa, faça qualquer coisa, só não me jogue naqueles horríveis espinhos!” — onde ele vai parar, são e salvo, depois de a raposa fazer exatamente isso. Quando o propagandista americano William Dembski escreve zombeteiramente para Richard Dawkins, dizendo que continue assim, para o bem do design inteligente, Bunting e Ruse caem! “Ai, meu Deus, Mana Raposa, sua afirmação declarada — de que a biologia evolutiva descarta a idéia de um Deus criador — põe em risco o ensino da biologia nas aulas de ciência, já que ensinar isso violaria a separação entre Igreja e Estado!” Está bem. Você também deveria tirar o pé da fisiologia, já que ela declara ser impossível virgens darem à luz [...]
Dawkins mantém o mesmo baixo nível ao afirmar que a “fisiologia declara ser impossível virgens darem à luz”.
Antes de tudo, lição básica para o Dawkins e sua turminha: teorias científicas não legislam nada. Portanto, supondo a literalidade do nascimento virginal, isso poderia ser catalogado como fato a ser explicado, ou até um entendimento posterior a ser feito, mas não configura algo declarado como impossível por nenhuma lei científica.
E quanto ao Daniel Dennett? Ele realmente não passa de um coitado. O sujeito tenta fazer uma analogia de parquinho de jardim da infância e sequer comprova a validade da analogia? Onde foi que esse Dennett estudou filosofia? Será que fez curso por correspondência? A tentativa de Dennett é frágil demais, e é demolida com um sopro.
O mais absurdo e ridículo é que Michael Ruse e a Madeleine Bunting são ambos defensores do evolucionismo, e apenas buscam evitar tornar a questão um conflito religião X ciência.
O que Demsbki disse se refere ao fato do evolucionismo ser associado ao ateísmo.
Se isso ocorrer, os religiosos passam a ter um “caso” em mãos, pois em um estado laico nenhuma religião deve ser beneficiada, e isso vale até para uma postura em relação a religião, como o ateísmo. Exemplos: o cristianismo não pode ser beneficiado sobre o judaísmo ou ateísmo, mas nem o ateísmo pode ser beneficiado sobre o cristianismo e o islamismo. A associação de ateísmo com evolucionismo seria uma tentativa de favorecimento ao ateísmo perante outras religiões, e, portanto, configuraria a abertura de um “caso” contra o evolucionismo. Seria, no final, um prejuízo ao próprio evolucionismo.
Isso já deveria ser óbvio.
A diferença de postura entre Ruse e Dawkins é evidente;
- (a) Dawkins quer usar darwinismo para pregar ateísmo
- (b) Ruse quer divulgar o darwinismo, e desvencilhá-lo do ateísmo.
Se Dawkins obtiver sucesso e o darwinismo for usado para pregar ateísmo, a partir daí os teístas que quiserem divulgar uma teoria alternativa poderão lutar por isso, pois o darwinismo passaria a ser representação de ateísmo, e, DE NOVO, isso NÃO PODERIA OCORRER em um estado laico.
O engraçado é que toda a palhaçada infantil de Mano Coelho, proclamada por Dennett, não mencionou o motivo pelo qual o argumento de Ruse é correto, ao mesmo tempo que a postura de Dawkins nessa questão é estúpida e irracional.
Dawkins, aliás, parece defender a idéia de que “irracionalidade pouca é bobagem”, pois ele prossegue:
Não estou sugerindo que meus colegas do lobby da conciliação sejam necessariamente desonestos. Eles podem acreditar sinceramente no MNI, embora eu não consiga deixar de me perguntar se eles realmente pensaram nele a fundo e como eles pacificam os conflitos internos na própria cabeça.
O conflito dele, se existir, é por ignorância do que é ciência. E já deixei isso claro várias vezes. Além do mais, cientificamente, “conflitos internos” nem sequer são testáveis, portanto não podem fazer parte do caso de alegação do Dawkins.
Ô Dawkins, cadê o ceticismo? Você vendeu? Perdeu?
E não poderia faltar o draminha ao final:
Não há necessidade de explorar a questão por enquanto, mas qualquer pessoa que queira entender as declarações publicadas de cientistas a respeito de assuntos religiosos só terá a ganhar se não esquecer o contexto político: as guerras culturais surreais que estão dilacerando os Estados Unidos.
E é por isso que Dawkins e seus amigos devem ser investigados mais. Ele assume que a “guerra cultural” nessa questão é “surreal”. Mas isso vale não só para os criacionistas, como também principalmente para o Dawkins.
E quanto a isso estar “dilacerando os Estados Unidos”, não passa de apelo emocional barato, tentando jogar para a platéia.
Em uma seção de baixíssimo nível, Dawkins manteve a consistência em todo momento. Foi baixaria do início ao fim.
Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 4 – Dramatizando a questão dos Pais Fundadores

Dawkins realmente parece ser alguém carente de companhia.Talvez por isso ele tenha criado essa sub-seção para falar dos pais fundadores dos Estados Unidos e dizer que eles, se estivessem vivos na época atual, estariam revoltados com a momento corrente do secularismo nos Estados Unidos e provavelmente seriam ateus. Como sempre, não passa de uma gororoba requentada e sem sentido.
Vamos começar:
É tradição assumir que os Pais Fundadores da República americana eram deístas. Sem dúvida muitos eram, embora já tenha sido alegada a possibilidade de que os maiores deles tenham sido ateus. O que eles escreveram sobre religião em sua época não me deixa dúvidas de que a maioria teria sido ateia em nossos tempos.
Dawkins mostra aqui que é um ignorante na questão. Ele, por ser inglês, talvez não tenha tido interesse de estudar a história norte-americana, mas, já que ele abre um “caso” em seu livro, deveria ao menos tomar o cuidado de pesquisar fontes idôneas.
Curiosamente aqui ele no máximo citou Christopher Hitchens, seu parceiro de luta contra a religião, que jamais pode ser chamado de fonte idônea.
O resultado, naturalmente, é um desastre intelectual.
Tudo o que Dawkins mostrará daqui para a frente em nenhum momento mostra que os pais fundadores, se estivessem vivos nos tempos atuais, seriam ateus.
Dawkins apenas irá citar essas pessoas fora de contexto, talvez tentando “inflar” o número de ateus. Ele já tentou fazer isso com cientistas deístas e panteístas anteriormente (Albert Einstein, Ursula Goodenough, etc.), portanto sua atitude aqui não surpreende.
Ele também afirma que essa ação (conversão ao ateísmo) seria da “maioria” dos pais fundadores, só que no decorrer do capítulo ele citou máximo 3 destes pais fundadores (convém lembrar que são 74 os pais fundadores, sendo 55 os signatários da Declaração de Independência). E, para piorar, no máximo são declarações contra uma religião específica, ou o clericarismo.
Outro erro de Dawkins é interpretar críticas à intervenção da religião no estado como críticas à religião em si. Só que simplesmente uma não tem nada a ver com a outra. Pedir a secularização do estado não é o mesmo que lutar contra a religião.
E lá vem mais:
As opiniões religiosas dos Pais Fundadores são objeto de grande interesse dos propagandistas da direita americana atual, ansiosa por empurrar sua versão da história. Contrariamente à visão deles, o fato de que os Estados Unidos não foram fundados como uma nação cristã foi bem cedo declarado nos termos do tratado de Trípoli, elaborado em 1796, durante a presidência de George Washington, e assinado por John Adams em 1797: “Como o governo dos Estados Unidos da América não é, em nenhum sentido, fundamentado na religião cristã; como não tem em si nenhum caráter de inimizade contra as leis, a religião ou a tranquilidade dos muçulmanos; e como os ditos estados jamais entraram em guerra nem executaram nenhum ato de hostilidade contra nenhuma nação maometana, os lados declaram que nenhum pretexto derivado de opiniões religiosas jamais deverá causar a interrupção da harmonia existente entre os dois países.” [...] As palavras que abrem essa citação hoje causariam furor nas autoridades de Washington.
É importante prestar atenção, pois o Dawkins realmente é malandro. John Adams, acima, disse que o GOVERNO americano não é, em nenhum sentido, fundamentado na religião cristã. O termo “nação cristã” pode muitas vezes dizer que é um país de maioria cristã. Quer dizer, negar um “governo cristão” não é o mesmo que negar uma “nação cristã”. Essa é só a primeira tentativa de manipulação semântica de Richard Dawkins.
Ademais, tais palavras não causaram furor na época… e nem causariam agora.
Bem, Dawkins escreveu seu livro em 2006, e provavelmente não assistiu à eleição de Barack Obama, que chegou recentemente ao excesso de dizer que os Estados Unidos não são uma nação cristã, mas também uma nação budista, nação muçulmana, e nação de descrentes.
Embora um discurso político, a idéia de Obama é secular, e, claramente, não causou tanto furor como Dawkins previu.
Tudo bem que Obama é de direção esquerdista, mas mesmo assim Obama pôde sim afirmar o mesmo que os pais fundadores afirmaram no passado, e a previsão de Dawkins fracassa miseravelmente.
Aqui Dawkins faz uma nova citação, feita em 1981, pelo senador Barry Goldwater, que é conservador:
[...] uma citação — talvez surpreendente — do senador Barry Goldwater em 1981, mostrando claramente a determinação com que o presidenciável e herói do conservadorismo americano sustentava a tradição laica da fundação da República: “Em nenhuma outra posição as pessoas são tão irremovíveis como em suas crenças religiosas. Não se pode arregimentar aliado mais poderoso num debate do que Jesus Cristo, ou Deus, ou Alá, ou como quer que se denomine esse ser superior. Mas, como toda arma poderosa, o uso do nome de Deus para benefício próprio deve ser usado criteriosamente. As facções religiosas que estão crescendo em toda a nossa nação não estão usando seu trunfo religioso com sabedoria. Estão tentando obrigar os líderes do governo a seguir cem por cento de sua posição. Se você discorda desses grupos reli-giosos numa questão moral específica, eles reclamam e o ameaçam com a perda de dinheiro, a perda de votos ou ambas. Estou sinceramente farto de pregadores políticos em todo este país me dizendo que, como cidadão, se eu quiser ser uma pessoa de moral, tenho de acreditar em A, B, C e D. Quem eles pensam que são? E de onde eles tiram a idéia de que têm o direito de impor suas crenças religiosas a mim? E fico ainda mais furioso porque sou um legislador que é obrigado a suportar as ameaças de todo grupo religioso que acha que tem algum direito divino de controlar meu voto em todas as votações do Senado. Hoje os advirto: vou combatê-los sem cessar se eles tentarem impor suas convicções morais a todos os americanos em nome do conservadorismo.”
Dawkins realmente não é um bom advogado de acusação. Pois esse é um exemplo que mostra o cenário atual, em que o secularismo na política (ou seja, o estado laico) é defendido até por um cristão conservador. Chega a ser divertido:
- (1) Dawkins abre um caso em que diz que hoje o secularismo corre riscos
- (2) Ele diz que nos tempos dos pais fundadores, isso não ocorreria
- (3) Como ele escreveu o livro em 2006, não previu a eleição de Obama, com seus discursos seculares, que não causaram o furor que ele previu que causaria
- (4) Só que ele ainda apresenta a declaração de um senador conservador, em 1981, sendo tão adepto do secularismo na política como os pais fundadores o foram
- (5) Os itens (4) e (5) derrubam a alegação de Dawkins
Se o próprio Dawkins deu o tiro no próprio pé, posso passar aos próximos temas, incluindo as tentativas de Dawkins em explicar a alta religiosidade nos Estados Unidos:
Muitas vezes já se ressaltou o paradoxo de que os Estados Unidos foram fundados com base no secularismo e hoje são o país mais religioso da cristandande, enquanto a Inglaterra, com uma Igreja estabelecida e chefiada por seu monarca constitucional, está entre os menos religiosos. Constantemente me perguntam por que isso acontece, e eu não sei a resposta. Imagino ser possível que a Inglaterra tenha ficado cansada da religião depois do seu pavoroso histórico de violência entre crenças, com protestantes e católicos obtendo alternadamente a supremacia e sistematicamente assassinando o outro grupo.
Para início de conversa, não há paradoxo algum. Uma base secular para a política de um pais não implica em diminuição da religiosidade na população. Muito pelo contrário.
O secularismo AJUDA a religião, pois permite que a mesma não seja exposta em um cenário que não é o dela. Quando se impõe a religião aos outros, inserindo-a na política, existe o desrespeito à religião dos outros. Isso enfraquece a religião, pois ela será objeto de sucessivas críticas, justamente pelo uso da religião em um âmbito que não é o dela. O paradoxo, portanto, só existe na cabeça de Richard Dawkins.
Além disso, de novo ele tenta dizer que a Inglaterra é um país que está dentre os menos religiosos. Só que há 55 milhões de pessoas que lá vivem, e dentre elas 26 milhões são aderentes à Igreja da Inglaterra. O cristianismo é, naturalmente, a principal religião na Inglaterra.
Não é surprendente, entretanto, que a Europa apresenta um alto índice de ateísmo e pessoas sem religião, mas isso vem principalmente da adição de países socialistas ou ex-socialistas ao “core” da União Européia. Mas não o suficiente para afirmar que a Inglaterra está entre os “menos religiosos”.
Outro problema no argumento de Dawkins é dizer que essa “baixa religiosidade” seria resultante das guerras entre protestantes e católicos, só que, como já demonstrado no Capítulo 1 desta refutação (ver aqui), ele sequer comprovou que aquele era um conflito religioso. Na verdade, era um conflito pela independência, que não conspirou nem um pouco a favor da imagem que Dawkins tenta vender: a de que a religião é a causa da maioria dos conflitos.
Em seguida, Dawkins tenta arrumar uma explicação para a alta religiosidade americana:
Outra sugestão emana da observação de que os Estados Unidos são um país de imigrantes. Um colega me aponta que os imigrantes, arrancados da estabilidade e do conforto de sua família na Europa, podem muito bem ter adotado a Igreja como uma espécie de parente substituto em terra estrangeira. É uma idéia interessante, merecedora de mais pesquisas. Não há dúvida de que muitos americanos encaram sua igreja local como uma unidade importante de identidade, que tem, sim, alguns dos atributos de família.
Notem de onde vem a fonte de Richard Dawkins: um colega dele. Talvez por vergonha, ele nem citou o nome do colega. Mas posso supor que poderia ser o Peter Atkins? Ou o Christopher Hitchens? Se for, são fanáticos como ele. E, novamente, uma alegação sem evidências. Curiosamente, a religião defende a família, o relacionamento estável, o que diminuiria o risco da pessoa estar “sozinha”. Mas essa companhia defendida é no âmbito familiar. A Igreja jamais pretendeu ser substituta da família. Como se nota, Dawkins escreve instintivamente, ele sequer raciocina em dados momentos.
Vamos à próxima hipótese dele:
Outra hipótese é que a religiosidade dos Estados Unidos provém, paradoxalmente, do secularismo de sua Constituição. Precisamente porque os Estados Unidos são legalmente laicos, a religião se transformou num empreendimento liberado. Igrejas rivais competem por congregações — e pelo gordo dízimo que elas trazem consigo — e a concorrência é marcada por todas as técnicas agressivas de venda do mercado. O que funciona para o sabão em pó funciona para Deus, e o resultado é algo que se aproxima de uma mania de religião nas classes menos instruídas.
E não é que essa hipótese é até razoável? Realmente, o secularismo da Constituição auxilia a religião, pelos motivos já apresentados. Na China, por exemplo, que é um país oficialmente ateu, a religião não é liberada, sendo limitada pelo governo. Obviamente, o ateísmo se torna criticável na China por essa atitude.
Só que a explicação de Richard Dawkins, ao final, é totalmente furada, dizendo que “o resultado é algo que se aproxima de uma mania de religião nas classes menos instruídas”. Essa conclusão não é suportada pelo argumento dele, pois o sabão em pó é vendido para todas as classes, e não só as menos instruídas.
Decerto que há grupos religiosos que são direcionados basicamente à população carente, o que não implica em um atributo da religião, e sim de determinados grupos religiosos. Esse é mais um viés na “pesquisa” de Dawkins. E, como não é suportado por evidências, torna-se, como quase todo o seu capítulo, irrelevante do ponto de vista argumentativo em prol do “caso” aberto por ele.
E novamente ele ressalta o tal paradoxo… que só existe na cabeça dele.
Curiosamente, do “nada”, no capítulo, Dawkins faz uma mistureba danada de todas as suas argumentações no capítulo:
O gênio do fanatismo religioso está à solta nos Estados Unidos atuais, e os Pais Fundadores teriam ficado horrorizados. Seja ou não correto abraçar o paradoxo e culpar a Constituição laica que eles elaboraram, os fundadores eram certamente secularistas que acreditavam na separação entre religião e política, e isso é o bastante para colocá-los firmemente do lado daqueles que são contra, por exemplo, a exibição ostentatória dos Dez Mandamentos em lugares públicos estatais. Mas é tentador especular que pelo menos alguns entre os fundadores tenham ido além do deísmo. Quem sabe eles tenham sido agnósticos ou até absolutamente ateus?
Para variar, Dawkins apela à repetição, e quase todo o trecho acima já foi refutado neste artigo. Mas nem todos, como a idéia de que o secularismo implica em ser contra a exibição dos 10 Mandamentos em lugares públicos estatais. Não há nada disso, pois o secularismo pode admitir sim a exibição, considerando que os mandamentos são ensinamentos que dão suporte à civilização. Retirar os mandamentos, que estão estabelecidos culturalmente, é como dizer em público que a religião cristã deve ser desrespeitada, pois até uma tradição cultural ensinada por ela deve ser banida. É um caso complexo, naturalmente, mas uma ação de retirada de mandamentos de locais públicos é naturalmente uma ação que implica o favorecimento à um grupo religioso (ou melhor dizendo, anti-religioso), que são os ateus. Isso não é nada secular.
Dawkins também confessa que sua especulação em favor de sua crença de que alguns pais fundadores era ateu é oriunda apenas de sua tentação (“é tentador especular”, diz ele). Portanto, ele se deixa trair pelas próprias palavras.
Como Dawkins possui uma fé cega de que alguns pais fundadores teriam sido ateus nos dias atuais, ele faz uma tentativa aqui:
A declaração de Jefferson a seguir é indistinguível do que hoje chamaríamos de agnosticismo: “Falar de existências imateriais é falar de nadas. Dizer que a alma, os anjos e deus são imateriais é dizer que eles são nadas, ou que não existe deus, nem anjos, nem alma. Não consigo pensar de outra maneira [...] sem mergulhar no abismo insondável dos sonhos e fantasmas. Satisfaço-me e fico suficientemente ocupado com as coisas que existem, sem me atormentar com as coisas que podem até existir, mas das quais não tenho provas.”
Thomas Jefferson era claramente deísta, o que é facilmente perceptível. Não há nada ali de declaração ateísta, pois simplesmente ele atribui ao conceito de Deus uma aura material. Não há nada que dê uma interpretação agnóstica, no entanto. Simplesmente, o agnosticismo não tem nada a ver com declarações deste tipo feitas por Jefferson. [N.E. – No próximo artigo, comentarei em detalhes os fracassos de Dawkins ao lidar com o agnosticismo, domínio de conhecimento no qual ele se embreta todas as vezes, portanto não aprofundarei neste assunto neste momento]
Dawkins faz mais uma tentativa:
Considero emocionante o conselho de Jefferson, ainda na carta a Peter Carr: “Joga fora todos os medos de preconceitos servis, sob os quais as mentes dos fracos se curvam. Coloca a razão firmemente no trono dela, e apela ao tribunal dela para todos os fatos, todas as opiniões. Questiona com coragem até a existência de Deus; porque, se houver um, ele deve aprovar mais o respeito à razão que o medo cego.”
Ué, e qual religião proíbe o questionamento? Só se for uma religião inventada por Dawkins, pois a religião católica, por exemplo, defende o questionamento. É possível para um religioso questionar até a existência de Deus. Aliás, ele pode questionar tudo. Esse é o livre arbítrio. De novo, Dawkins não consegue defender o seu “caso”.
A próxima tentativa de Dawkins é mais patética ainda:
Declarações de Jefferson, como a de que “o cristianismo é o sistema mais pervertido que já brilhou sobre o homem”, são compatíveis com o deísmo, mas também com o ateísmo.
Mas onde? Quer dizer que alguém criticar uma religião ESPECÍFICA é algo em direção ao ateísmo? Dawkins devia estar bêbado quando escreveu isso, pois é um discurso nonsense até para uma criança. Um muçulmano poderia dizer o mesmo que Jefferson disse, e isso não significa ser compatível com o ateísmo. De novo, Dawkins foi patético.
Em seguida, ele tenta mudar de assunto, e cita um livro de David Mills, que também é de pregação militante ateísta:
David Mills, em seu admirável livro Atheist universe, conta uma história que você chamaria de uma caricatura pouco realista de intolerância policial, se fosse ficção. Um curandeiro cristão fazia uma “Cruzada dos Milagres” que chegava à cidade de Mills uma vez por ano. Entre outras coisas, o curandeiro incentivava os diabéticos a jogar sua insulina fora, e os pacientes de câncer a desistir da quimioterapia e a rezar por um milagre. Com bons motivos, Mills decidiu organizar uma manifestação pacífica para advertir as pessoas. Mas ele cometeu o erro de contar sobre suas intenções à polícia e pedir proteção policial para possíveis ataques dos defensores do curandeiro. O primeiro policial com quem ele falou perguntou: “Você vai protestar por ele ou contra ele?”. Quando Mills respondeu “contra ele”, o policial disse que pretendia ir ele mesmo ao ato e que planejava cuspir no rosto de Mills quando passasse diante da manifestação. Mills resolveu tentar a sorte com um segundo policial, que disse que, se algum defensor do curandeiro atacasse Mills com violência, Mills seria preso por estar “tentando interferir na obra de Deus”. Mills foi para casa e tentou telefonar para a delegacia, na esperança de encontrar um pouco mais de solidariedade num nível superior. Finalmente conseguiu falar com um sargento, que disse: “Vá para o inferno, amigo. Nenhum policial quer proteger um ateu maldito. Espero que alguém o acerte direitinho”. Parece que naquela delegacia estavam em falta o leite da bondade humana e o senso do dever. Mills conta que falou com sete ou oito policiais naquele dia. Nenhum quis ajudar, e a maioria lhe fez ameaças diretas de violência.
Engraçado que tal citação é baseada em evidência anedota de David Mills. Para piorar, Mills não fala nada a respeito de como seria o protesto dele. Seria ofensivo? Isso por si só já justificaria uma rejeição. Aliás, se Mills já suspeitava de um ataque violento ao seu protesto, será que isso já não seria um indício de que ele estaria ali para ofender? Lembremos que os neo ateus defendem o DESRESPEITO aos religiosos. Em suma, a citação acima não serve como evidência de nada e nem sequer de preconceito contra os ateus.
Dawkins prossegue no drama:
São muitas as histórias de preconceitos contra ateus, mas Margaret Downey, fundadora da Rede de Apoio Antidiscriminação (Anti-Discrimination Support Network — ADSN), mantém registros sistemáticos de casos como esse, através da Freethought Society of Greater Philadelphia. eu banco de dados de incidentes, divididos nas categorias comunidade, escola, local de trabalho, mídia, família e governo, inclui exemplos de perseguição, perda de emprego, rejeição familiar e até assassinato.
Na maioria dos casos, é evidente que tudo não passa de um dramalhão excessivo, querendo chamar a atenção dos outros. O próprio Dawkins defende que os ateus devem se unir para desrespeitar os religiosos. Um revide é natural, e portanto, há um precedente aberto.
É interessante no entanto citar o que seria o caso de “assassinato” por alguém ser ateu. O caso é o de Larry Hooper, que teria sido morto por Arthur Shelton, um colega de quarto cristão, PELO FATO de Hooper ser ateu.
Na verdade, a notícia (que pode ser lida em sua versão original aqui) apenas mostra que a vítima era atéia e que o assassino era um cristão. O assassino afirmou que o colega de quarto era “o Diabo em pessoa”, para justificar o crime. Isso leva a suspeitas de que haviam conflitos entre ambos, e que esse foi o motivador do homicídio. É claro que dizer que alguém é o “Diabo em pessoa” é uma metáfora para dizer que o comportamento do outro era imoral, ou coisas do tipo, mas de forma alguma implica diretamente em um crime por causa de religião, e não serve para apoiar o caso citado por Dawkins. Mais um tiro fora do alvo do autor inglês.
Em seguida, Dawkins parte para a argumentação clichê:
As provas documentadas por Downey do ódio e da incompreensão dirigidos aos ateus tornam mais fácil crer que, de fato, é virtualmente impossível para um ateu honesto ganhar uma eleição pública nos Estados Unidos. Há 435 membros na Câmara dos Deputados e cem no Senado. Presumindo que a maioria desses 535 indivíduos seja uma amostra culta da população, estatisticamente é quase inevitável que um número significativo deles seja de ateus. Eles devem ter mentido ou escondido sua verdadeira convicção para ser eleitos. Quem pode culpá-los, considerando o eleitorado que tiveram de convencer? É consenso universal que admitir o ateísmo seria um suicídio político instantâneo para qualquer presidenciável.
A dificuldade de eleição de ateus não implica em ódio e incompreensão de outras partes. Não há nada disso. Pode justamente ser uma questão gregária, em que naturalmente se vota em pessoas que estão alinhadas com seus ideais. E sem nenhum preconceito, diga-se.
A idéia de que vários deputados mentiram ou ocultaram uma suposta convicção ateísta para serem eleitos também carece de provas, e não serve para o “caso” dele.
E, de novo, o discurso recente de Barack Obama mostra que Dawkins está errado. Obama é suspeito por muitos de ser um descrente, e nem isso o impediu de ser eleito.
É claro que provavelmente as pesquisas, quando são feitas, ressaltam o “voto em um ateu”, e a expressão atualmente é associada a intolerância. Isso é culpa, principalmente, por causa de ateus como Richard Dawkins, que são extreamemtne intolerantes. Mas, no dia-a-dia, em que o ateísmo não é ressaltado, isso não se torna um fator de discriminação.
De novo, Dawkins tenta desviar:
Esses fatos do clima político atual nos Estados Unidos, e tudo o que eles implicam, teriam horrorizado Jefferson, Washington, Madison, Adams e todos os seus amigos. Tenham sido eles ateus, agnósticos, deístas ou cristãos, teriam recuado alarmados diante dos teocratas da Washington do início do século XXI.
O que implica a dificuldade de um ateu ser eleito com a SECULARIZAÇÃO? Não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Uma coisa é a secularização política, outra coisa é o direito individual de cada um em votar em quem quiser. Será que Richard Dawkins quer também proibir o direito de alguém não votar em um ateu? Lembremos que não são todos os ateus, mas a campanha de Dawkins envolve vender a imagem em público de que ateísmo tem que ser intolerante. Como eu poderia votar em alguém que lê e segue Richard Dawkins? Eu voto em qualquer um, menos nessa pessoa. E não tenho nada contra os ateus. Mas qual o risco de que eu, ao votar em um ateu, estaria votando em alguém que segue a Dawkins?
Em relação aos pais fundadores, para fechar a questão, vamos a uns dados: no total, eram 74 delegados de 12 estados (as 13 Colônias, com exceção de Rhode Island). Dos 74 delegados, 55 foram signatários da Constituição.
Alguns delegados não possuíam religião. Três eram católicos, 28 da Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América, oito presbiterianos, sete congregacionalistas, dois luteranos, dois reformados neerlandeses e dois metodistas. Alguns deles não possuíam religião, mas segue um escore importante quanto ao restante:
- Católicos = 3
- Igreja Episcopal = 28
- Presbiterianos = 8
- Congregacionalistas = 7
- Luteranos = 2
- Reformados neerlandeses = 2
- Metodistas = 2
Somatória = 52. Ou seja, uma grande maioria religiosa, sendo que alguns outros tinham características deístas, como Thomas Jefferson.
E, mesmo assim, defenderam o estado laico. Muito diferente dos chineses, atualmente, que são um país com maioria ateísta no governo, e que não prezam pelo estado laico.
Mais um motivo para mostrar que luta por secularização na política NÃO É OPONENTE à religião em si.
Abaixo segue o fecho desta seção:
O Deus deísta com frequência associado aos Pais Fundadores com certeza já é bem melhorado se comparado ao monstro da Bíblia. Infelizmente, não é muito mais provável que ele exista, ou tenha existido. Em qualquer das formas de Deus, a Hipótese de que Deus Existe é dispensável.*
Só para retificar: aos Pais Fundadores só pode ser associado o secularismo, que vale até hoje na política americana. Deus deísta é de alguns pais fundadores, e o Deus teísta de muitos outros.
Aproveito também relembrar que a “Hipótese de Que Deus Existe” não é uma hipótese, é um princípio, um axioma. Já foi ressaltado isso anteriormente, só que é importante fazê-lo de novo, pois Dawkins afirma que a “hipótese” é dispensável. De onde ele conclui isso? Novamente, apenas é uma expressão de sua vontade, o que de forma alguma é um argumento contra Deus.
No geral, essa seção do livro possui realmente muito mais conteúdo do que as duas seções anteriores (sobre Politeísmo e Monoteísmo), só que a quantidade de erros é também muito maior.
A coisa piora bastante ainda na próxima seção, em que Dawkins fala do Agnosticismo.
Esclarecimentos e melhorias para este Blog

Com foco na Melhoria da Qualidade desde Blog, usarei este post para realizar alguns esclarecimentos e focar em um último ponto, que fala sobre a mudança quanto aos comentários que será implementada cá.
Os cinco pontos são:
- Homofobia
- Esquerda
- Ateísmo
- Criacionismo
- Comentários
Vamos então a eles:
Homofobia
Já recebi alguns comentários a respeito da possibilidade deste blog ser homofóbico. Acho injusto o rótulo, mas reconheço que alguns posts meus, principalmente nos comentários, possam ter dado essa intepretação, a qual discuto aqui.
Lembro-me de um post em que critiquei a postura de um grupo homossexual na Espanha. Não critiquei a homossexualidade em si, mas sim o fato desse grupo homossexual sair ofendendo a religião. Em suma, uma atitude que considero não só desnecessária como também motivadora de um revanchismo inútil, pois uma ofensa pode resultar em um revide, que resultaria em novo revide, e daí por diante.
Também lembro que citei um forista, Eli Vieira, e chamei-o de “afeminado”. Nesse caso, não considero sequer algo referente à homossexualidade, pois eu poderia tê-lo chamado de “mulherzinha”, e daria no mesmo.
Mas o importante é transmitir a minha posição oficial: não tenho nada contra os homossexuais, e respeito os homossexuais, desde que estes não tenham nada contra os heterossexuais.
O que critico é uma postura de ALGUNS homossexuais que se lançam contra todos os valores religiosos, e então passam a desrespeitar o direito dos religiosos possuírem esses valores. É uma nova forma de inversão de valores, onde alguém deveria se sentir culpado por ser heterossexual ou por ter valores que não dêem suporte ao homossexualismo.
Um exemplo de minha posição ideológica: se os homossexuais querem direito ao casamento (civil), obviamente isso é algo que lhes cabe. Não há uma base argumentativa forte para proibir o direito deles se casarem, de forma civil. Se a justificativa pudesse ser religiosa, isso seria quebrado logo de cara, pois o estado é laico. Sem justificativas contra a proibição, não há uma base lógica para proibir o casamento civil.
Posto isso, vamos ao seguinte: o direito ao casamento civil NÃO IMPLICA em direito ao casamento religioso, principalmente na religião católica. Pois, se os dogmas e valores da religião são CONTRA o homossexualismo, esses valores também precisam ser respeitados, e a Igreja tem todo o direito de não aceitar realizar casamentos gays.
A Igreja também tem o direito de considerar o homossexualismo uma abominação, sem com isso desrespeitar os homossexuais e nem desrespeitar seus direitos. Basta que os homossexuais se afastem da Igreja, que não terão que se sentir incomodados.
Como se nota, minha posição não implica em desrespeito aos homossexuais, mas sim no RESPEITO aos direitos deles e a liberdade deles, mas lembrando que os valores não podem ser confundidos. Portanto, os direitos dos homossexuais devem ser respeitados NA MEDIDA em que os homossexuais respeitam os direitos dos heterossexuais.
Não vejo isso como homofobia, e sim direito ao respeito mútuo.
Esquerda
Talvez esse é o ponto mais forte que foi notado por pessoas que fizeram sugestões, seja via Orkut, e-mail e até comentários deste site.
Pode haver a impressão de que eu sou anti-esquerda. Hmm.. tecnicamente, eu sou contra o comunismo e o marxismo, mas não é o foco deste blog falar disso.
Um exemplo foi o artigo “A comemoração ilusória de um Dawkinista”, em que desqualifico a eleição do Richard Dawkins como um dos 3 maiores intelectuais da atualidade por ela vir de uma publicação da esquerda. Pode ter dado a impressão de que eu disse que “se é de esquerda, então não vale nada a opinião deles”? Não, não foi isso que eu quis dizer. O que eu quis dizer é que se a publicação é de esquerda, as pessoas eleitas podem ter sido eleitas não por questões de intelectualidade, mas sim por DEFENDEREM EM PÚBLICO a agenda da esquerda. E o Richard Dawkins faz isso, pois para alguns militantes de esquerda, o ateísmo deve ser inserido nas escolas, principalmente para justificar Marx.
Como se vê, não quis dizer que a opinião dos leitores da Prospect não vale ou que seriam INFERIORES por serem de esquerda, mas sim que a opinião divulgada lá tem viés.
Talvez eu esteja mais acostumado a identificar opiniões e pareceres com viés no dia-a-dia, por atuar com consultoria em Auditoria e Segurança, para a Governança Corporativa. Todos os dias eu identifico tranquilamente pessoas com viés, e insiro tais informações na documentação de Auditorias, ou ao menos ensino minhas equipes de auditores a fazerem o mesmo. No dia-a-dia corporativo, identificar o viés em declarações, termos, documentos, etc… não implica em ofensa. Sempre que eu faço isso também, não implica que eu esteja ofendendo ou desmerecendo alguém. Simplesmente, que, PARA UM PARECER EM ESPECÍFICO, o conflito de interesses pode tornar uma análise viciada.
Também há o caso do Avelino, que foi criticado pelo Eduardo, que o chamou de comunista, e eu endossei. Reconheço que não deveria ter endossado diretamente, mas sim chamado o Avelino de alguém que possui “a mente da esquerda militante”.
Hoje em dia, no Brasil, a mídia é quase toda de esquerda, e parte destes são da esquerda militante. Estes últimos demonizam os seus oponentes e criam mitos em cima deles, e a partir daí só trabalham em cima destes mitos. Um exemplo citado pelo Eduardo foi o caso do Altamiro Borges, do site www.vermelho.org, que chamou a Bárbara Gancia de fascista, somente pelo fato dela não gostar de Hip Hop. A partir daí, não há mais nada no mundo que demova gente como o Altamiro Borges de parar de chamá-la de fascista.
Foi o mesmo que o Avelino fez. O raciocínio dele foi o seguinte: “se o Luciano é contra o Dawkins, é criacionista”. A partir daí, enloquecidamente, Avelino só iria aceitar que eu fosse criacionista, mesmo que meus textos mostrassem o contrário. É claro que o Avelino copia o comportamento padrão de gente como o Altamiro Borges. Talvez pessoas da direita façam o mesmo? Capaz, mas que esse é um modus operante da esquerda militante mais radical, isso é um fato.
Reconheço, no entanto, que eu não deveria atribuir isso à esquerda em si, e sim à esquerda militante, principalmente os que ocupam posições na mídia e na academia.
Ateísmo
Vários opositores deste site afirmam que aqui é divulgado o seguinte: “Mata que é ateu!”. Obviamente, mais uma difamação no estilo da esquerda militante, ou ao menos de gente como o Altamiro Borges.
É uma atitude histérica, e simplesmente tenta implementar um mito contra este que vos escreve.
Se alguém notar com cuidado, verá que este blog tem em relação aos ateus algo similar ao que é feito com os homossexuais: os direitos dos ateus devem ser respeitados, pois o estado é laico é DEVE PERMANECER ASSIM. Em qualquer luta dos ateus pelo estado laico, podem contar com o meu apoio, pois até a meu ver a interferência da Igreja na política significa sair da ALÇADA dela. Para mim, a Igreja é melhor quando cuida de aspectos espirituais dos seus fiéis, de sua teologia, de sua ética, e no compromisso em ajudar à sociedade, em ações filantrópicas. Tirando algumas exceções históricas, como em épocas de guerras, qualquer coisa além disso é perda de foco. Por isso, de novo reafirmo: qualquer atitude em prol do estado laico tem meu apoio.
Também não vejo problema em alguém ser ateu. Para mim, é uma atitude que não pode ser provada cientificamente como válida, assim como o teísmo não pode. Logo, ser ateu é tão legítimo quanto ser teísta. Tenho vários amigos ateus que dialogam com respeito com os religiosos, e recebem o meu respeito recíproco.
Diante disso, este blog é FOCADO no revide aos NEO ATEUS, que são uma parcela dos ateus que preferem repudiar a religião e ofender os religiosos. Para mim, é o lado fanático do ateísmo. Que, obviamente, não corresponde a todos os ateus, assim como os religiosos fanáticos não correspondem a todos os religiosos.
Essa é a principal diferença de postura de ATAQUE entre eu e os neo ateus: enquanto os neo ateus atacam TODA a religião, eu ataco SOMENTE o neo ateísmo. Na questão de foco, portanto, considero que sou muito mais efetivo que o neo ateísmo (que são os adversários), pelo fato de que mantenho o FOCO.
A questão é até lógica: se alguém sai em guerra contra o mundo, vai ser difícil concentrar suas forças. A Alemanha caiu justamente por causa disso na Segunda Guerra Mundial. Já uma Guerra direcionada (como foi a dos Estados Unidos contra o Iraque) é mais FOCADA, e portanto mais produtiva.
Se eu estivesse contra os ateus, eu estaria INDO CONTRA meus princípios (que defendem a postura laica), e incorreria nesse outro erro estratégico: perder o foco.
Só um detalhe: se hoje é tão fácil revidar os ataques dos neo ateus, isso não tem outro motivo senão a PERDA DE FOCO deles em seus ataques. O problema é deles. E este blog continuará refutando o neo ateísmo, cada vez mais.
Criacionismo
Essa aqui é direto para o Sr. Avelino Bego, da comunidade Richard Dawkins Brasil, e ao Sr. Eli Vieira, presidente da LIHS (Liga Humanista Secular do Brasil). O Avelino também é da LIHS, o que me faz suspeitar desta entidade. Há quem diga que há pessoas de respeito na entidade. Capaz. Só que essa dupla não passa de escória cultural.
Eli, histericamente, tentou chamar este blog de criacionista pelo fato de que eu adicionei um link para o blog “A Lógica do Sabino”. Avelino fez pior, e disse que eu sou “criacionista” por ser contra o Richard Dawkins. É, é isso mesmo que os senhores leram: o sujeito diz que o fato de eu ser contra o Richard Dawkins implica em ser criacionista. Nada mais estúpido, claro, pois o Kenneth Miller e o Michael Ruse se posicionam contra Richard Dawkins, e são EVOLUCIONISTAS.
A questão do link para o blog “A Lógica do Sabino” refere-se ao fato de que eu gosto das críticas que ele fez em relação a alguns dos argumentos do Dawkins. Não tem nada a ver com apoio à qualquer idéia criacionista.
Portanto, Sr. Avelino e Sr. Eli, queria dizer que ambos os senhores são MENTIROSOS, pois este blog jamais defendeu o criacionismo.
Aliás, eu sempre disse que o criacionismo não só é MÁ CIÊNCIA como também é MÁ RELIGIÃO, pois baeia-se numa interpretação literal da Bíblia. Interpretação que atende aos interesses apenas dos INIMIGOS DA RELIGIÃO. Gente como o José Saramago, Richard Dawkins e turminha. Como eu poderia defender então uma ideologia como o criacionismo? Sendo que essa ideologia só atende aos objetivos dos INIMIGOS da religião? Como se nota, não faz o menor sentido alguém com os meus princípios apoiar o criacionismo.
Para que eu apoiasse o Criacionismo, eu precisaria acreditar em uma versão LITERAL da Bíblia.
E já desmascarei os críticos com este texto.
A religião não foi feita para estipular teorias científicas, mais um motivo para eu rejeitar o criacionismo.
E quanto ao Design Inteligente? Tecnicamente, não conheço tal teoria a fundo, de forma que para mim o Evolucionismo é a melhor explicação (desde que aplicado, naturalmente, aos seres vivos, que é o único escopo válido da Teoria). Pelo que sei, não afirmam a necessidade de um Designer ser divino, o que permite que a teoria atenda aos requisitos materialistas para uma teoria do tipo. Só que parece que o Design Inteligente ainda está no início, portanto vai demorar para obter o status de teoria válida, isso SE conseguir tal status.
Dessa forma, não posso me posicionar a favor de uma teoria que nem conheço.
Os fatos são os seguintes: sou contra o criacionismo, sou neutro em relação ao design inteligente, e sou a favor do evolucionismo. Sou contra, no entanto, extrapolações ordinárias do evolucionismo, como sociobiologia, psicologia evolutiva, memética e gene egoísta, todas facilmente refutáveis com o menor exame cético.
Comentários
Na tentativa de “vilanizar” o dono deste blog (já que não conseguiam rebater a argumentação), alguns neo ateus saíram dizendo que eu era “censor” de posts e que não permitia comentários deles. Isso veio, naturalmente, de uma turminha do Portal do Criador, e de perfis que vivem ameaçando dizendo que “vão me desmascarar”. Eu já respondi isso aqui.
Justamente, por isso, a título de EXPERIÊNCIA, neste mês de Novembro, não haverá a princípio moderação nos comentários.
Vou avisando logo de início a todos os leitores, pois pode ser possível que algumas atitudes ofensivas sejam detectadas, e, como todo bom cético, cabe-me demonstrar o modus operandi dessa turma:
- É possível que pessoas que se originaram do domínio “vodafone.pt” venham postar usando de “ad nauseam”
- É possível que Loredana apareça, geralmente com discurso clonado do Argo (que sai postando em vários blogs contra mim)
- É possível também que estes digam que pessoas que me elogiam são fakes meus
- Vão também ameaçar este blog dizendo que se eu não publicar comentários, vão tirar print screens e divulgar no portal do Argo (o Portal do Criador)
- Vão dizer que eu invento comentários para este blog, que é um blog fracassado, segundo eles
- Para se proteger das críticas, fakes do Argo dirão que “O Argo realmente marcou o Luciano, por isso ele não deixa de pensar nele” (essa é uma frase clichê de fakes como Loredana, Pedro Ferreira, etc.)
- Pode ser que ofendam pessoas que concordaram com posts meus
E daí por diante, sempre com atitudes patéticas e de moleques, mas que só demonstrarão o quanto este blog incomoda. Lembro a todos que o Sr. Argo me convidou para ir ao Portal do Criador, e depois ao Fórum Ateu, e recusei ambos os convites. Após minha recusa, as ofensas dele aumentaram.
Só que ficará o aviso de que a ofensa PRIMEIRO será publicada, pois nenhum post passará pelo crivo, e depois aos poucos as pessoas poderão saber os motivos pelos quais os ofensores passarão pelo crivo da moderação. Quer dizer, a ofensa será publicada para que a DESONESTIDADE desse pessoal seja exposta.
Mais iniciativas serão tomadas… agora para a melhoria.
Uma delas é o fato de que não responderei mais aos comentários com frases em negrito, pois isso poderia dar a impressão de que direciono posts.
Caso eu responda um comentário, eu abrirei um novo comentário, desta forma, serei um usuário da caixa de comentários do blog tanto como os leitores. Mesmo que eu tenha direito ao recurso de edição, não usarei, por questões de justiça.
Com isso, supostas acusações de que eu seria um “vilão” por “não permitir a liberdade de expressão” perdem a razão de existir.
And then…
Diante de tudo isso, espero que os esclarecimentos impeçam que os adversários deste blog continuem pregando mitos contra ele. Se quiserem atacar aqui, inventem novas desculpinhas.
E, por favor, PAREM DE ENCHER O SACO de outros blogs que estão linkados aqui.
Se possuem problema comigo, que venham ao menos aqui, e não no blog dos outros. Esse terrorismo virtual já deu no saco, e está cada vez mais queimando a imagens dos neo ateus que são contra esse blog, e não a minha imagem.
Como exemplo, o Jorge, do blog DeusLoVult!, não é responsável por este blog.
Teve um que já foi lá encher o saco dele várias e várias vezes, em um atitude covarde, como se isso fosse prejudicar este blog. Não vai. Pelo contrário, isso acaba atraindo até mais cliques para este site.
De novo: espero que as mudanças neste site sejam para melhor, que possamos focar no objetivo deste site, que é expor uma visão racional, crítica, cética e investigativa sobre o neo ateísmo, livrando os religiosos de difamações que foram sofridas, e questionando os parâmetros da turminha do Dawkins.
Tanto que futuramente até apresentarei novas denúncias, estas relacionadas a professores pregando ateísmo em academias (ou seja, um crime), e neo ateus usando brechas do estado laico para impor discriminação, além de jornalistas que discriminam a religião com notícias viciadas.
Quer dizer, há muito trabalho pela frente.
Let’s kick some neo atheist ass…
Refutação a um texto neo-ateísta contra a cruz

REFUTAÇÃO AO ARTIGO “Estado melhor é Estado sem cruz”, do neo-ateu Robson Fernando. Obs.: Este artigo já era um contra-ataque em relação ao artigo “Estado sem Cruz”, de Luiz Domingos de Luna.
O texto que será refutado aqui mostra que um dos colaboradores do blog Ceticismo.net, o neo-ateu Robson Fernando, não possui muita prática em ceticismo, pois faz diversas alegações que não consegue provar. A maioria das alegações do Robson não são diferentes das histórias de lobisomem contadas pelo tiozinho do sítio.
Vamos às pregações de Robson:
Em primeiro lugar, me incluo entre as pessoas defensoras de que não existe “necessidade” nenhuma de impor a cruz, seja lá em que sentido, em organismos que servem a gentes de todas as religiões e também àquelas sem religião.
Começou mal, pois a disponibilização de uma cruz publicamente não implica em imposição. Seria o mesmo que dizer que um casal usando alianças em público seria uma imposição do casamento a algum solteiro que visse o casal. A argumentação de Robson é totalmente nonsense. Detalhe que todas as instituições públicas prezam a família, que é outro símbolo de nossa civilização. Só que muitos gostariam de viver solteiros. Seria uma ofensa aos solteiros? Claro que não.
Em seguida, Robson tenta dizer que a contribuição histórica da cruz na história do Brasil foi negativa. Vejamos:
Em nome do deus cristão e com respaldo da Bíblia, destruiu-se centenas, se não milhares, de culturas indígenas. Seus deuses e deusas foram ultrajados/as, populações massacradas porque não aceitaram de bom grado a palavra de um “Senhor” que não era seu. O mesmo ocorreu com povos negros do outro lado do oceano, cujas guerras internas foram fomentadas com muito interesse pelos cristãos ibéricos e cujos povos foram escravizados de forma covarde e removidos à força para o Brasil, que manteve a vergonha da escravocracia até 1888 – ironicamente num Estado imperial oficialmente católico de acordo com a Constituição de 1824.
Enfim, até que o apelo emocional começou cedo demais no texto dele.
E não passa da falácia tosca Cum hoc ergo propter hoc (ou falsa causa). O diagnóstico dele se baseia no seguinte: “Portugal foi invadido por portugueses, e os portugueses eram católicos. Logo, a causa foi o catolicismo.”. E ele tenta mais uma variação desta falácia, e tentará impor isso no resto do seu texto é: “O Catolicismo tem como um de seus símbolos a cruz. Logo, a causa da invasão foi a cruz”. Ou seja, argumento que já nasce inválido.
Para desmascarar Robson é fácil. Pois ele tentou até associar a escravidão dos negros africanos à cruz ou ao catolicismo, dizendo que tais atos, assim como a colonização dos índios, teria sido feita “em nome do Deus cristão”.
É preciso ignorar todas as aulas de história (as isentas claro, não valem aquelas ministradas por professores de esquerda, que mentem mesmo) para escrever tamanha sandice.
Bastaria que Robson tivesse estudado a origem das colonizações, para entender que a falácia dele só enganaria alguém muito ingênuo.
E, para refutá-lo, o mesmo povo católico que trouxe negros escravos ao Brasil, foi o mesmo povo católico que aboliu a escravidão.
Mas ele é esforçado, pois tenta de novo:
O cristianismo que dizem ter sido tão importante para a fundação deste país foi um dos maiores culpados pelo etnocentrismo assassino dos portugueses colonialistas. Para estes, só Jesus salvava, e, se não salvava, matava! Etnias não-cristãs que não seguissem as normas dos “senhores” invasores lusos eram taxadas de “selvagens” e “bárbaras” por gente que não olhava para seu próprio nariz. Os/as pobres silvícolas foram chamados/as de “pagã(o)s” como se esta fosse uma ofensa e, por assim serem, eram explorados/as e massacrados/as sem ninguém, tampouco Seu Jesus, para defendê-los/as das espadas e mosquetes dos impiedosos cristãos que “construíram a nação brasileira”.
Se Robson desconhecia a história das colonizações no parágrafo anterior, neste ele demonstra não conhecer o que é etnocentrismo. Não há uma nesga de evidência quanto ao fato do etnocentrismo ser causado por fatores religiosos, ou seja, ele tentou de novo aplicar a falácia da falsa causa.
E, como sempre, ele tenta impor a falácia do apelo emocional. Dá para notar nos termos típicos de novela mexicana, como “pobres silvícolas”, “eram massacrados, sem ninguém, nem Jesus, para defendê-los das espadas dos impiedosos cristãos”.
Quer dizer, um show de bobagem e infantilidade nesse argumento.
Primeiro ninguém afirmou que a função de Jesus era defender ninguém de espada. Segundo, o cristianismo dos colonizadores era irrelevante para qualquer massacre (basta estudar a história das colonizações, independente de religião). Terceiro, como já dito, não há evidências de que etnocentrismo é causado por religião (se assim o fosse, os religiosos hoje não seriam tratados de forma etnocentrica pelo governo ateu lá na China). Quarto, as etnias conquistadas não eram trucidadas pelo fato de não acreditarem em Deus. Quinto, a expressão “só Jesus salvava, e, se não salvava, matava” é no mínimo delírio de Robson.
A refutação desse tipo de choradeira é fácil demais.
E o próximo erro é até ingênuo:
Com o terreno “varrido”, ocuparam o país e meteram nomes de santos/as por todos os lugares. Aos brancos que chegavam, ensinaram que só Jesus é bom no mundo da religião e que valia tudo em nome dele. Às brancas, impuseram a submissão e a inferioridade com respaldo bíblico. Aos negros e negras, a sujeição à escravidão, também com apoio do livro “sagrado”.
De novo, essa bobagem de “respaldo bíblico” é apenas fantasia da cabeça de Robson. E a frase “meteram nomes de santos/as por todos os lugares” é no mínimo cômica, pois não confere com a realidade. O fato é que os símbolos religiosos e nomes de santos foram inseridos nos lugares que os colonizadores portugueses construíram.
Além disso, a tentativa de dizer que negros e negras eram sujeitos à escravidão com apoio do livro “sagrado” já está devidamente refutada. De novo, o mesmo livro sagrado esteve presente nos atos de abolição. Não há evidências de dependência direta entre religião e escravidão. Fato.
O próximo trecho comentado mostra que Robson precisa aprender a entender os textos que lê:
Voltando à questão do laicismo, digo ao autor do texto aqui rechaçado que laicismo é neutralidade religiosa. Dizer que um país adotou cruzes e feriados cristã(o)s “sem prejuízo para o laicismo” é um sofisma, porque a Constituição atual, Artigo 19, proíbe que o Estado brasileiro se escore em qualquer religião específica ou simbologia religiosa.
Aqui o sujeito errou na leitura da citação da constituição que ele próprio fez. Quando a constituição diz que está proibido que o Estado brasileiro se ESCORE em qualquer religião específica ou simbologia religiosa, isso significa que o Estado, por exemplo, não poderá condenar alguém por não usar o crucifixo, e da mesma forma não poderá inocentar alguém por usar o crucifixo. Entendeu? Isso é laicismo.
Laicismo não implica em retirar os símbolos religiosos que lá estão por questões culturais. O não há evidência de que o uso do crucifixo altere as decisões lá tomadas. Só haveria quebra do laicismo, se alterasse.
Mas Robson tenta de novo:
E o Brasil “sempre conviveu pacificamente (sic)” com o cristianismo, com a propagação de símbolos e feriados de tal religião porque, até o início da república, era sim um Estado oficialmente católico e a palavra da lei laica não foi suficiente para banir a tradição da cruz e da estátua de santo/a nos Três Poderes. E tal “pacificação” só foi alcançada ao longo da história pela força das armas que criminalizou os cultos indígenas e africanos. Para não sofrer a sanção da morte por serem “pagãs”, as pessoas inferiorizadas pelo Estado cristão – índios/as e negros/as– tiveram que adotar a cruz, contra toda a sua convicção espiritual, como símbolo a reger sua vida.
Aqui de novo a falácia da falsa causa. O cara realmente acredita que Portugal veio colonizar nossa região somente para pregar sua religião. Chega a ser patético. De novo: NÃO HÁ COMO custear uma colonização com o objetivo de pregar religião. Simplesmente, a expedição não iria se pagar. O motivo para uma colonização é econômico.
Claro que o sujeito continua afirmando que índios e negros tiveram que adotar a cruz para não morrerem. Como tudo que Robson escreveu nesse texto, besteira. Não há evidências dessa afirmação dele.
Aqui, Robson defende o comportamento antisocial:
O Estado brasileiro nunca foi diretamente prejudicado pelo cristianismo explícita ou veladamente assumido por ele, mas a população sim, ora pelos motivos já descritos ora pelo fato de que, até hoje, uma vez que ainda adota crucifixos e feriados “santos” obrigatórios, exclui simbolicamente de sua regência toda a população não-cristã. Uma casa estatal decorada com símbolos religiosos só poderia conviver de forma realmente harmoniosa com uma população budista, muçulmana, candomblecista, hindu etc. se ostentasse também a Roda da Lei, o Crescente, o despacho, a Estrela de Davi, o Om…
Nada mais falso.
Pessoas que sabem conviver em sociedade entendem aquilo que se chama de manifestação cultural. É por isso que eu posso viajar para Israel, e ver a Estrela de Davi nos locais públicos, e isso não me ofende. Pois eu entendo que, culturalmente, a Estrela de Davi representa a religião da maioria da população daquele país. Simples assim. Só que meu comportamento é socialmente aceitável. Se eu fosse antisocial, iria me rebelar contra os símbolos deles, claro.
Então, a harmonia só é prejudicada por aqueles que são incapazes de conviver em sociedade. Ou daqueles que agem feito o Drácula ou a Regan (de novo, do filme Exorcista), estrebuchando quando olham crucifixos à sua volta.
No fim, ele tentou jogar para a galera:
E lembremos que várias denominações da própria cristandade, como a Assembleia de Deus, rejeita o símbolo da cruz por motivos, pasme, também religiosos. Assim sendo, a cruz que o Estado acolhe até hoje faz mal até para cristã(o)s. Sem falar nos santos e santas que não agradam protestantes.
Mais erros. Crucifixo não é o mesmo que imagem de “santos e santas”. E rejeição do símbolo da cruz, para a Assembléia de Deus, não implica em proibir que os outros usem ou que seja usado em público. Ah, e William Douglas, um juiz evangélico, defendeu o uso dos crucifixos em repartições públicas (ler matéria aqui). Por isso, nós, teístas, provavelmente dispensamos a preocupação do neo-ateu Robson.
Aqui Robson usou de tentativas ainda mais torpes:
Cita-se em seguida que “muitas cidades brasileiras têm buscado subsídios na religião para formar a sua unidade social e cultural, a religiosidade do povo brasileiro está bastante amadurecida para o discernimento entre um ato de fé e uma decisão jurídica de um estado laico que forma a unidade da nossa nação.” Digo então: não, não está nada amadurecida. Se a crença dessas pessoas estivesse realmente madura, não estaríamos vendo um significativo êxodo de gente do catolicismo ao pentecostalismo, a outras religiões e até à descrença ateísta ou agnóstica. A “maturidade religiosa” era uma mentira que a sociedade só sustentou graças a repressivos valores sociais que caíram sistematicamente, se não totalmente, com a secularização da nossa cultura.
Falso. Os êxodos citados por Robson só comprovam a MATURIDADE da religiosidade do povo brasileiro. As pessoas podem ir do catolicismo ao pentecostalismo, e vice-versa, e não serão punidas por isso. O Robson precisa aprender melhor estratégia de combate intelectual, pois não pode trazer provas para a mesa que ajudem ao outro lado (no caso, eu).
Ou seja, a maturidade religiosa é um fato. Comprovado inclusive pelo trecho citado do texto de Robson.
Mais:
Outro trecho que deve ser contestado é o que fala que “a presença de símbolos cristãos nas repartições públicas no Brasil é somente o reconhecimento de um estado laico que convive pacificamente com um povo religioso.” Só se for convivência pacífica com um povo católico. Como digo, até mesmo certas denominações cristãs rejeitam a cruz como símbolo, sem falar dos santos que inconstitucionalmente enfeitam prefeituras como a de Igarassu/PE, rejeitados por quase todas as facções protestantes. E se tivéssemos 15% de população muçulmana no Brasil? Para onde iria a tal “convivência pacífica”? Vemos cada vez mais que esta é apenas um engodo que só se sustentou por tanto tempo por causa do antigo monolitismo católico forçado que já se quebrou.
Para variar, o Robson está… errado. Na verdade, se tivéssemos 15% da população muçulmana no Brasil, talvez ainda tivéssemos maioria católica. Em países como a Suécia, em que os religiosos não são maioria, não há símbolos nas instituições públicas. Simples assim.
Não há evidências de algo sustentado pelo “monolitismo católico forçado”. O que existe em um país é o respeito aos que são de outras religiões, algo muito diferente da China, um país que mata aqueles que são religiosos. E não foi cruz ou ausência de cruz que causou as mortes na colonização do Brasil, ou que está causando as mortes atuais na China.
Aqui Robson se embreta:
E vamos pôr uma vírgula no tal “povo religioso” da citação, porque este exclui toda a população irreligiosa – ateísta, agnóstica, deísta e teísta-sem-religião –, a qual vem crescendo bastante no país.
Ué, este povo “sem religião” simplesmente continua representado. Mas um povo que não tem religião, não pode querer definir como será o comportamento dos religiosos na questão religião. Assim como no futebol, há quem torça para o Palmeiras ou para o Corinthians. Em um jogo de futebol, há espaços para as torcidas, e o time mandante tem maior espaço. O time visitante tem um espaço menor. Será que seria preciso de um espaço para aqueles que não torcem para time nenhum? Besteira. Isso seria procurar pêlo em ovo.
Um ateu simplesmente poderá ignorar os crucifixos.
O que foi cômico é que a representação contra os crucifixos veio justamente daqueles que deveriam IGNORAR os crucifixos. A representação rejeitada pela Justiça Federal (ler post aqui a respeito) não veio de nenhum grupo religioso. Justamente aqueles que, de acordo com o Robson, deveriam estar ofendidos pelo crucifixo.
E eis que minha suspeita se confirma…
Finalmente, é necessário afirmar que a memória da história do país, esta tão marcada pela opressão e pela dominação por elites que odiavam o bem comum, não será “ferida”, mas sim limpa, ainda que minimamente, com a derrubada dos símbolos da opressora supremacia cristã que ceifou diversos direitos humanos durante séculos e matou tanta gente que a ela se pôs contrária.
Como é? “Opressão e dominação por elites”? Sinto cheiro de discurso esquerdista aqui? Aí fica mais fácil entender os motivos do autor em uma ladainha tão emocional.
Esse discurso anti-Igreja Católica é cópia de discursos utilizados em países como Rússia e China. E, como sempre, é facilmente refutável.
A ladainha de Robson vai chegando ao final:
Ao autor do texto aqui criticado, não dedico ofensa, mas sugiro que desenvolva mais senso crítico em relação ao que sua religião fez com o povo brasileiro por tanto tempo, procure saber melhor o significado de um Estado laico e admita que o Brasil é um país não de unidade católica, mas de uma diversidade que foi por muitas épocas reprimida e só se vê relativamente liberta hoje – relativamente porque ainda temos ilegais normas sociais que estabelecem a intolerância contra não-cristã(o)s.
Totalmente errado. Luiz Domingos de Luna foi racional em seu texto, embora eu não concorde com tudo que ele tenha escrito. Só que Luiz foi elegante, argumentativo, ao passo que o texto de Robson é rechado de falácias de apelo emocional, ignorância em relação à história das colonizações e, pelo que foi notado ao final, pregação esquerdista anti-religião. É por isso que diante do belo texto de Luiz, só restou ao Robson o apelo emocional.
E mais…
Nunca existiu nem existirá uma paz de verdade regida por governos escorados na cruz, mas sim a “Pax” de um domínio imposto. Um governo só será laico de verdade quando respeitar todas as crenças e descrenças de uma população, tratando-as com igualdade e não dando prevalência a nenhuma religião ou irreligião.
O “fecho” do neo-ateu foi pífio. Não existe governo “escorado” em cruz. Um governo é escorado em seu poderio militar e sua economia, além de sua soberania. E, de novo, o uso de um crucifixo não configura em desrespeito às outras crenças.
E o título “Estado Melhor é Estado sem Cruz” é no mínimo bobinho. Pois tirar o crucifixo não mudará em nada no ritmo da nação. A economia não vai melhorar por isso, e nem a violência vai diminuir.
A não ser que alguém tenha assistido o filme do Drácula e ficou impressionado com o final do filme. Nesse filme sim, o Drácula é desrespeitado pelo crucifixo.
Rejeitado pedido para tirar crucifixos de locais públicos

Eis que surge uma notícia que o Drácula não deve ter gostado nem um pouco. Segue, com citação da fonte (créditos a Fernando Porfírio):
A presença de símbolos religiosos em prédios públicos não ofende os princípios constitucionais da laicidade do estado nem de liberdade religiosa. Com esse entendimento, a Justiça Federal em São Paulo rejeitou pedido do Ministério Público Federal (MPF) para a retirada dos símbolos dos prédios públicos. A decisão, em caráter liminar, é da juíza federal Maria Lúcia Lencastre Ursaia, da 3ª Vara Cível Federal de São Paulo, em Ação Civil Pública, iniciada com representação de Daniel Sottomaior Pereira.
Presidente de uma Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Sottomaior alegou ter se sentido ofendido com a presença de um “crucifixo” num órgão público. Em 2007, ele já havia representado ao Ministério Público Estadual, reclamando providências para retirada de um crucifixo no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. O promotor de Justiça Saad Mazloum indeferiu a representação. Decisão confirmada pelo Conselho Superior do Ministério Público.
Agora, o MPF entendeu que a foto do crucifixo mostrada pelo autor representava desrespeito ao princípio da laicidade do Estado, da liberdade de crença, da isonomia, da impessoabilidade da Administração Pública e feria o princípio processual da imparcialidade do Poder Judiciário.
Para a juíza, o Estado laico não deve ser entendido como uma instituição anti-religiosa ou anti-clerical. “O Estado laico foi a primeira organização política que garantiu a liberdade religiosa. A liberdade de crença, de culto e a tolerância religiosa foram aceitas graças ao Estado laico e não como oposição a ele. Assim sendo, a laicidade não pode se expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos”, afirmou a juíza em seu despacho cautelar.
Aliás, o que já era óbvio. Pois, conforme mostrado nesse blog, a presença de símbolos religiosos não ofende a ninguém. A não ser o Drácula (e a menina Regan).
Cada país poderá colocar os símbolos representativos de sua cultura, e é evidente que a cultura brasileira na questão religiosa é lembrada com símbolos como o crucifixo. Em Israel, provavelmente são outros símbolos. Isso não implica em conflitos com laicismo.
Mais interessante ainda é o que escreveu a juíza Maria Lúcia Lencastre Ursaia:
Segundo os ensinamentos de nossos doutrinadores, o Estado laico não deve ser entendido como uma instituição anti-religiosa ou anti-clerical. Na realidade o Estado laico é a primeira organização política que garantiu a liberdade religiosa. A liberdade de crença, a liberdade de culto e a tolerância religiosa foram aceitas graças ao Estado laico e não como oposição a ele.
O Estado laico pode ser definido como a instituição política legitimada pela soberania popular em que o poder e a autoridade das instituições do Estado vêm do povo, tal conceito está intimamente ligado à democracia e ao respeito dos direitos fundamentais. Assim sendo, a laicidade não pode se expressar na eliminação dos símbolos religiosos mas na tolerância aos mesmos.
Em um país que teve formação histórico-cultural cristã é natural a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, sem qualquer ofensa à liberdade de crença, garantia constitucional, eis que para os agnósticos ou que professam crença diferenciada, aquele símbolo nada representa assemelhando-se a um quadro ou escultura, adereços decorativos.
Entendo que não ocorre a alegada ofensa à liberdade de crença, que significa a liberdade de escolha de religião, de aderir a qualquer seita religiosa ou a nenhuma, que não há ofensa à liberdade de culto e nem à liberdade de organização religiosa, garantias previstas no artigo 5º, inciso VI.
Bingo!
A juíza foi impecável em sua declaração.
O grande erro de Daniel Sottomaior é usar o raciocínio preto e branco, que já foi exposto neste artigo, publicado neste blog.
O problema de Sottomaior (e daqueles que o seguem nesse raciocínio) é de cunho psicológico.
Ele deveria procurar ajuda psicológica, e explicar que o cérebro dele não entende o fato de que alguém é religioso enquanto ele é ateu.
Quem sabe assim ele não aprende a viver em sociedade. E respeitar a cultura de cada povo.
P.S.: A decisão da Justiça Federal pode ser lida na íntegra neste link.
