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Técnica: Cristão moderado ou cristão literal?

Última atualização: 27 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Essa é uma das técnicas mais sutis utilizadas por debatedores neo ateus, e é principalmente levada à frente nos livros “A Morte da Fé”, de Sam Harris, e “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins.
Ela se baseia em simular uma suposta limitação do universo dos religiosos, dividindo-os em dois grupos, igualmente condenáveis:
- (a) aquele que segue a Bíblia “corretamente” (segundo eles), e então interpreta-a literalmente
- (b) aquele que seleciona partes específicas da Bíblia, pois, olhando-a como um todo, ela seria horrenda demais para ser seguida
Um exemplo disso é quando Harris cita o Deuteronômio e diz que raros cristãos em sã consciência “seguiriam aquilo hoje em dia”. Harris diz que se os cristãos seguissem a Bíblia “corretamente”, então teriam que sair matando (pois, segundo ele, o Deuteronômio é manual de horrores). O cristão “moderado” seria aquele que não seguiria as partes de “horrores” da Bíblia.
Claro que Harris e Dawkins simulam não só a interpretação pueril, como também a falácia do falso dilema, em uma de suas formulações mais grosseiras.
Aquilo que os dois autores neo ateus chamam de “cristão moderado” é na verdade o cristão self-service. E o “outro” tipo de cristão é o cristão literal. [N.E. - Ver mais sobre o cristianismo self-service aqui]
Naturalmente, as duas perspectivas são igualmente condenáveis, por possuírem uma vasta série de contradições. Curiosamente, Harris e Dawkins ignoram estudiosos como a maioria absoluta dos teólogos, assim como cristãos como William Lane Craig, Dinesh D’Souza e Alvin Plantinga, dentre outros, que não são nem cristãos “moderados” (ou self-service) e nem cristãos literais. São cristãos TRADICIONAIS.
Vejam mais, a partir do próprio D’Souza:
[...] rejeito o literalismo bruto. Mas, de igual modo, rejeito a visão que se refugia no extremo oposto, segundo a qual deveríamos ler a Bíblia através de lentes de suposições seculares contemporâneas. Há quem pleiteie a rejeição de trechos das Escrituras que, segundo o seu entendimento, são sujeitos a objeções, defendendo a aceitação somente daquilo que vai segundo seu gosto pessoal. Isso é “Cristianismo Self-Service”, e é pior que o literalismo. Pelo menos, o literalista está tentando aprender com as Escrituras. O cristão self-service termina por projetar sobre o texto seus próprios preconceitos.
Como se nota, ele não se encaixa nas duas categorias citadas por Harris e Dawkins. Nem eu me encaixo. E dos leitores deste blog, acho que raros se encaixariam.
Sendo assim, por que os autores neo ateus definiram estes dois grupos como aqueles representantes do cristianismo? O motivo é simples: em cima destes dois grupos de cristãos, é extremamente fácil implementar objeções sobre eles. Mas não é tão fácil fazê-lo em relação ao cristão tradicional.
Dessa forma, o que os vigaristas neo ateus fazem? Ignoram a existência dos cristãos tradicionais e fingem que o mundo cristão é dividido entre cristão “moderado” ou cristão literal.
Refutação
Como a vigarice intelectual é elevada à enésima potência nessa implementação neo ateísta, a refutação deve ser igualmente enérgica. Algo como:
- NEO ATEU: Você acredita que se deve pegar a filha virgem, e a concubina do outro, tirá-las para fora, humilhando-as, e permitindo que os outros façam delas o que parecem bem aos vossos olhos? Isso está escrito em Juízes, portanto a Bíblia ordena que você faça isso.
- REFUTADOR: Claro que que a Bíblia não ordena que eu faça isso. De onde você tirou a idéia?
- NEO ATEU: Mas está escrito na Bíblia. Então você deve fazer. Se não faz, então você já se acostumou com o horror da Bíblia. Daí não segue tudo. Você não é literal, é um moderado.
- REFUTADOR: A história em questão narra a parábola de um homem que sacrificou sua própria filha (virgem) para proteger os que estavam sob sua guarda. E não é uma norma diretamente prescritiva para alguém, pois a situação em que o homem estava ali era única, e referente a um único momento. O que importa é a lição contida lá.
- NEO ATEU: Você está só enrolando. Você só não joga sua filha para os outros estuprarem por que não segue a Bíblia.
- REFUTADOR: Então vá estudar, e deixe VOCÊ de enrolar. E busque referências teológicas afirmando que a Bíblia “manda” eu fazer o ato que você alega.
[E daí por diante, sempre deixando claro a extrema desonestidade intelectual do neo ateu neste estratagema]
Conclusão
Neste caso, a falácia do espantalho, misturada com o falso dilema, tenta implementar o seguinte cenário: primeiro colocar em pauta dois perfis cristãos que são dificilmente justificáveis logicamente, e, em segundo, mentir para a platéia afirmando que esses são os únicos dois perfis a que um cristão pode pertencer. Como se nota, é uma estratégia unicamente de difamação, e que, portanto, tem que ser rejeitada com veemência. Em caso de insistência do neo ateu (que poderá tentar lhe impor ou a pecha de cristão moderado ou cristão literal, e não aceitará que você não pertença a um dos dois grupos) você poderá até pensar em medidas mais extremas, pois o intuito de difamação é claro.
Técnica: Não podemos falar mais nada?

Última atualização: 25 de março de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Esse estratagema nem chega a ser um falso argumento (como a maioria dos argumentos neo ateus), sendo mais uma técnica de fuga do debate, tentando apelar à piedade da platéia, ou tentando jogar a platéia contra o interlocutor teísta.
Basicamente, essa técnica ocorre em debates quando o neo ateu teve um ou mais de seus argumentos sumariamente refutados. Diante da vergonha, ele então lança a frase: “Quer dizer então que nós, ateus, não podemos mais nos expressar?”. Tradução: o sujeito terá desistido do debate, e tentado a partir disso comover a platéia, vilanizando o seu oponente.
O estratagema pode ocorrer em outras situações além do debate formal. Por exemplo, suponha que o neo ateu querendo aplicar o estratagema tenha lido um artigo refutando um ou mais dos argumentos dos principais autores neo ateus (ex. Dawkins, Hitchens, etc.). Caso a refutação não permita uma resposta, ele poderá, postar no fórum a seguinte frase: “O que vocês querem? Que nós, ateus, não possamos mais abrir a boca? Simplesmente eles abriram a boca e vocês querem proibir…”.
Em termos técnicos, todas as variações da técnica misturam a falácia do espantalho com o estratagema erístico ampliação indevida, mas principalmente a Estratégia Gato de Botas.
Refutação
Como não é um argumento, e sim um desabafo desesperado, segue um exemplo de como isso pode ocorrer e como o neo ateu pode ser tratado neste caso.
- NEO ATEU: Sim, eu vi que você refutou alguns argumentos do Dawkins e do Hitchens, mas isso é apenas preconceito contra ateus de tua parte.
- REFUTADOR: Como é?
- NEO ATEU: Sim, pois você não quer que eles se expressem. Eles apenas escreveram livros por que tinham seus motivos, e você não queria que eles tivessem escrito.
- REFUTADOR: Onde, for God’s sake, está escrito que eu não queria que eles tivessem escrito os livros?
- NEO ATEU: Se você critica-os tanto, é por que não queria que eles escrevessem.
- REFUTADOR: Não tem nada a ver. Veja, por exemplo, que eu acho que os estudos religiosos poderiam ter até disciplinas como “Estrutura do Neo Ateísmo” e “Estudos da Subversão”. O fato deles escreverem é até bom, pois fornecem material para nossa refutação e conhecimento de como eles pensam. De novo, de onde você tirou a idéia de que eu NÃO QUERO que eles escrevam?
- NEO ATEU: Então, por que você critica tanto?
- REFUTADOR: Não há relação alguma entre criticar algo escrito (e refutar) com querer proibir que a pessoa não escreva ou sequer divulgue sua idéia. Se o Dawkins escrever mais uns 3 livros (com títulos hipotéticos com “A Salvação Trazida pelos Ateus”, “Deus, Um Psicopata” ou “Nova Ordem Ateísta Mundial”), ele que o faça. Certamente vou refutar mais bobagens, embora eu ache que ele já tenha esgotado seu arsenal com “Deus, Um Delírio”. Mas, se quiser escrever, pode fazer. Irei ler, e refutar. De novo, de onde você tirou a idéia de que eu quero PROIBIR ele de emitir sua opinião?
Em resumo, quanto mais ele for tentando, menor é a possibilidade dele vender para a platéia a idéia de que os críticos do neo ateísmo estão querendo OPRIMIR os neo ateus, impedindo-os de proferir suas idéias.
Conclusão
Embora não seja um argumento, e portanto de refutação automática, é essencialmente importante impedir a execução deste estratagema pelo neo ateu. Motivo: ele, como não terá argumentos, vai apelar à uma tentativa de coação e manipulação da platéia, o que, embora seja intelectualmente desonesto, poderá ter seu efeito de propaganda. E, como tal, deve ser interrompida. Obs.: Essa técnica é parecida com a Técnica “Você Queria Que Eles Ficassem Quietos?”. A diferença é que aquela era formalmente uma falácia do falso dilema, ao passo que esta não.
Livro: “Como Vencer Todas as Argumentações”, de Madsen Pirie

“Como Vencer todas as Argumentações”, de Madsen Pirie, 152 páginas, Editora: Edições Loyola.
Como sempre tenho afirmado neste blog, a participação do teísta em guerras intelectuais (o debate entre teístas X neo ateus é um exemplo de guerra intelectual) pode ser um terreno pantanoso.
Para evitar chafurdar, é necessário o conhecimento de um “set” de técnicas, das quais posso citar, dentre outras: questionamento socrático, checklist de falácias, checklist de dialética erística, investigação de fraudes, etc.
Sem o conhecimento de ao menos parte dessas técnicas, o debatedor pode ficar vulnerável à argumentações tendenciosas e mal intencionadas e ser ludibriado facilmente.
Eis então que chega às minhas mãos o livro “Como Vencer Todas as Argumentações”, de Madsen Pirie, que não cumpre o que promete na capa, mas ainda assim é bem interessante.
A promessa seria de que este é um manual para ajudar o leitor a vencer as argumentações em que participa. Falso, pois o domínio de falácias, tanto para aplicação como prevenção, é apenas uma parte do “core” de conhecimentos necessários – pode-se dizer que o conhecimento da dialética erística tem igual importância, no mínimo. E o livro foca basicamente nas falácias.
Nessa parte é que o livro de Pirie, presidente e fundador do Instituto Adam Smith, se destaca da maioria dos trabalhos a abordarem o tema.
O livro é basicamente um guia bastante completo de toda a sorte de falácias existentes, e faz uso de bastante humor na demonstração dos erros lógicos inerentes à elas, sempre com exemplos bastante espirituosos.
A postura de Pirie em sua obra é quase maquiavélica. Ele mostra como alguém pode ao mesmo tempo aprender a aplicar a falácia para ganhar um debate, como também para entender o comportamento falacioso, e se proteger dele. Naturalmente que este blog defende a segunda opção, e é com essa perspectiva que analisei o livro.
Claro que, como Pirie diz que ensina alguém a cometer falácias, até ele próprio comete algumas, como neste exemplo, quando ele cita os conservadores e sua suposta relação com a falácia ad antiquitatem: “Os conservadores são os maiores usuários do ad antiquitam. Eles o cultivaram e o manterão em nome de Deus. Os valores antigos são os certos O patriotismo, a grandeza nacional, a disciplina – o que quer que se queira: se é antigo, é bom”.
Estranho, naturalmente, pois a maldade humana é antiga, e dificilmente se vê algum conservador dizendo que ela é boa.
Claro que esse tipo de deslize falacioso do livro pode ser um exemplo daquilo que o autor chama de “como aplicar falácias para vencer”. Mas se um leitor já consegue identificar falácias em várias das abordagens, é sinal de que esse tipo de estudo sempre faz bem.
Notem que não estou invalidando o livro, pois aí eu cometeria o estratagema erístico de “Tomar a prova pela tese”. Obviamente o exemplo dele é falacioso, mas a apresentação da falácia que ele faz é bastante correta.
Mais um motivo para mostrar que não só o conhecimento de um checklist de falácias, como é o livro de Pirie, como também da Dialética Erística, é essencial não só para a avaliação dos argumentos dos outros como também dos próprios argumentos.
No caso apenas do estudo do checklist de falácias, “Como Vencer Todas as Argumentações” serve como ótima introdução.
Uma piada neo ateísta que mostra que eles são… motivo de piada

Eu falei da técnica “Tem que ser fé”, que neo ateus utilizam em quantidade impressionante, já que eles precisam atender a um programa de lavagem cerebral que sofreram.
Nesse programa, eles são orientados a achar que são os “iluminados” da razão, enquanto os oponentes seriam “os da fé, inimigos da razão”.
Eis então que foi publicado em uma comunidade do Orkut, uma tira supostamente cômica em que neo ateus estariam “ridicularizando” os religiosos, e de novo usando a falsa dicotomia entre ciência e fé.
A platéia neo ateísta quando vê uma tira dessa comemora como se o time deles tivesse feito um gol em final de campeonato. Não demora para sair frases do tipo “não vejo a hora de esfregar isso na cara dos religiosos que conheço”, “isso é um tapa na cara do teísmo”, etc.
A euforia deles é tão grande que… nem perceberam os gravíssimos erros conceituais que estão ali.
O primeiro dos erros é a inversão de planos, que é inaceitável em termos filosóficos.
O sujeito da tira tenta comparar um “método científico” com “método teísta”, se esquecendo de que método científico NÃO é um método filósofico, mas qualquer “método teísta” (seja lá o que diabos ele queira dizer com isso) é, principalmente se for considerada a teologia e a filosofia da religião.
Eis que um neo ateu poderia dizer: “aha, mas a tira fala da interpretação popular da religião”, o que é pior ainda para a comparação dele, pois métodos populares não podem ser comparados com o método científico, que é basicamente para a execução de uma profissão.
O segundo dos graves erros é dizer que no “método teísta” existe algo como “Vamos atribuir estados mentais humanos a uma entidade inefável e depois procurar confirmação”. Mas de onde ele tirou isso? Naturalmente, da fé cega dele.
Ora, na religião não se atribui apenas “estados mentais humanos” a Deus, mas sim toda a criação. Claro que é uma estratégia erística deles, o que, de novo, não surpreende.
O terceiro dos pontos é que eles não percebem o tiro no pé que dão, pois afirmam que teístas partiriam da existência de Deus, para depois buscar a confirmação.
Ué, mas quem disse que a própria existência de Deus não pode ser definida logicamente, e, depois de aceita, como axioma, dar extensão à outros raciocínios? Pois é seguindo o mesmo princípio que a universalidade das leis físicas é aceita, e só depois existe a extensão à outras idéias, como a possibilidade do conhecimento destas leis físicas, e daí por diante.
Claro que esse erro de percepção deles só ocorre por que os neo ateus não perceberam que estão cometendo a falácia da inversão de planos.
Tratar o aceite da questão Deus no mesmo nível do aceite de uma teoria científica é uma inversão de planos, pois a discussão de Deus é a discussão de um axioma, ao passo que a discussão de uma teoria científica não, pois está em um nível abaixo da discussão de um axioma.
A universalidade das leis físicas, a existência da moral e a existência de Deus estão em um nível superior de discussão, gostem os neo ateus ou não.
Estes níveis superiores de discussão (nível da epistemologia, teologia, filosofia, etc.), habilitarão os níveis inferiores, hierarquicamente, a seguir, a prosseguir com especializações do conhecimento baseadas na premissa já aceita anteriormente.
Que os neo ateus não tenham percebido todos esses erros, por si só já é motivo para iniciar uma investigação de como pode a lavagem cerebral que eles sofreram ter sido capaz de eliminar o potencial de realizar distinções cognitivas tão básicas, a ponto de colocar sob suspeita praticamente tudo que esse tipo de gente escreve. Cognitivamente, estão em um nível muito abaixo da média.
Em breve, teremos aqui nesse blog dois estudos sobre o neo ateismo, que serão apresentados em duas séries de artigos.
Um deles focará na origem e os motivos para o neo ateísmo, falando das associações do mesmo com a síndrome da mente revolucionária, e com o marxismo cultural, que toma como base neste caso a estratégia gramsciana.
O outro focará no estado mental dos neo ateus que, após a lavagem cerebral sofrida, perdem a capacidade de dedução lógica (tamanha a força do programa inserido neles), e cometem erros que só podem ser aceitáveis a alguem com debilidade mental. Neste caso, o tipo de debilidade mental a ser estudado é um tipo adquirido por hábito e lavagem cerebral, e talvez não por deficiência de nascença. Mas essa deficiência precisa, sim, ser estudada.
Alguém poderia dizer que muitos religiosos cometem erros lógicos. Sim, eu concordo, o que é normal na maioria dos seres humanos. Mas estes vem principalmente do cidadão popular, como no caso da empregadinha que vai na Igreja do Edir Macedo.
No caso dos neo ateus, erros lógicos em quantidade quilométrica são encontrados nos textos dos principais LÍDERES do neo ateísmo, ou seja, Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e Daniel Dennett. E todos erros lógicos são repetidos pelos seus seguidores.
Ou seja, os INTELECTUAIS do neo ateísmo cometem erros lógicos em quantidade similar ao cidadão mais simplório do teísmo.
A grande piada da tirinha, portanto, não está nela em si, tão recheada de erros lógicos e científicos que é mais constrangedora do que engraçada para os neo ateus.
A piada está no fato de que neo ateus, quando tentam ridicularizar os teístas, demonstram que o método de análise deles é mais recheado de fé cega do que apenas fé, e com certeza não tem nada de científico.
Refutando a treta – Parte 1 – Neo ateus envenenam tudo

Eu me lembro de alguns posts antigos em que que comentei textos do Ludwig, do blog português neo-ateu Que Treta.
Na época, ele ficou ofendido por eu ter usado termos como ‘burro” ou “incapaz” para me referir a ele.
Seja lá como for, assimilei algumas críticas de alguns leitores, não por causa dele, e reduzi o uso de tais impropérios em meu vocabulário. Este blog, aliás, saiu ganhando com isso.
Ele, ao contrário, não evoluiu absolutamente nem um pouco desde aquelas críticas. O que vemos no raciocínio de Ludwig é a mesma estrutura monocórdia baseada em falsa dicotomia entre ciência X religião, aceite de que a religião é má, e que a religião é irrelevante para a moral, e daí por diante.
O resultado naturalmente é o mais do mesmo.
Como eu estava matando tempo, resolvi clicar em tal blog e vi que lá agora Ludwig desatou a elogiar e saudar as idéias de Christopher Hitchens, que teria feito uma palestra em Portugal, em seu texto “Hitchens 1 – A Religião Envenena Tudo”.
Vamos então, aos comentários sobre o bizarro endosso de Ludwig à quase tudo que Hitchens disse:
Hitchens defende que a religião envenena tudo quer pelas suas consequências quer pelos seus princípios. Não há nenhum acto que se reconheça como bom que seja exclusivo dos religiosos e, para ser uma pessoa boa e ter valores louváveis, não é preciso ter religião. Por outro lado, facilmente nos ocorrem actos e valores condenáveis associados a práticas religiosas, desde os sacrifícios humanos e a inquisição aos ataques bombistas e à mutilação genital de raparigas. Ele não o mencionou mas, antecipando já as criticas costumeiras, saliento que isto não quer dizer que todos os ateus sejam boas pessoas. O ponto aqui é que a religião é desnecessária para se ser bom e é motivo para muitos actos condenáveis. Pesando os prós e os contras, mais vale não a ter.
Eu já mostrei aqui nesse blog que para uma sociedade ter algo próximo ao conceito de moral absoluta, a religião é indispensável.
Quando Ludwig afirma que “não há nenhum acto que se reconheça como bom que seja exclusivo dos religiosos e, para ser uma pessoa boa e ter valores louváveis, não é preciso ter religião”, ele está automaticamente distorcendo a discussão, pois está apelando aos aspectos subjetivos de cada ser humano, quando na verdade ele deveria estar avaliando as sociedades.
Como Hitchens usa os mesmos estratagemas de Hauser, Dawkins e Dennett, é natural que Ludwig tenha tentado aplicar o mesmo no texto dele, pois basicamente o que Ludwig faz é endossar Hitchens.
Esse link mostra a refutação já feita a esse tipo de estratagema, e simplesmente mostra a dimensão da fraude intelectual de Ludwig.
Resumindo o que Ludwig tentou:
- (a) Ele diz que religião não tem nada de bom a trazer, e que moral independe de religião (mas trata de versão distorcida do tema, conforme mostrei no link)
- (b) Ele diz que muitas coisas ruins são trazidas, e são oriundas da religião
- (c) Logo, ele diz que balanceando o fato de que religião não traz nada de bom, e traz algumas coisas de ruin, é melhor extirpar a religião
Como visto no exemplo do link que citei (publicado ontem neste blog), a premissa (a) dele está demolida, e com extrema facilidade.
Mas será que a premissa (b) sobrevive? Como diria o bom auditor, vamos investigar…
Ludwig apresenta como exemplos de que a religião traz coisas ruins, que não existiriam sem a religião, ele cita os seguintes exemplos:
- 1. sacrifícios humanos e a inquisição
- 2. ataques bombistas
- 3. mutilação genital de raparigas
É fácil notar que a alegação dele fracassa nos 3 itens, como mostrarei.
1 – Sacrifícios humanos e a Inquisição: Ludwig fracassa aqui pelo simples fato de que sacrifícios humanos não são uma constante entre a religião, no máximo relato de povos antigos, que não tem muito a ver com a religião nossa. Portanto, os sacrifícios não são uma característica inerente da religião. Em relação à Inquisição, ele assume que o fato de existir a religião é que causou a Inquisição, e não o fato de que havia um momento em que os cátaros e os hereges eram uma ameaça social (e a população já praticava a Inquisição). Decerto que um entidade religiosa encampou as atividades inquisitórias, e estabeleceu a Inquisição oficial, mas isso ainda não é o suficiente para associar intrinsecamente religião aos atos, pois, se assim o fosse, manifestações da Inquisição deveriam estar ocorrendo até hoje, e isso não é um fato.
2 – Ataques bombistas: Estratégia de propaganda usada bastante por Sam Harris e Richard Dawkins, aqui ela é também utilizada por Hitchens, e vemos que de novo Ludwig caiu no conto dele. Essa alegação é derrubada simplesmente pela existência dos Tamil Tigers, grupo marxista-leninista, que praticou atentados com homens bomba em maior quantidade que os adeptos do Hamas.
3 – Mutilação Genital de Raparigas: Essa alegação só seria válida se existisse alguma religião que prescrevesse que deveria ocorrer a mutilação genital, mas não há um indício sequer disso. Portanto, Ludwig mente de novo. Em alguns países africanos e asiáticos, existe realmente a mutilação genital, por causa disso ser condição prévia ao casamento. Algumas razões que os adeptos da mutilação apontam incluem: assegurar a castidade da mulher, assegurar a preservação da virgindade antes do casamento, alegação de que o contato do bebê com o clítoris pode ser fatal ao feto, etc. Claro que existem até algumas superstições no meio disso, e não concordo com as justificativas dos adeptos desta prática. Só que essas superstições estas não são apoiadas pela religião, principalmente as religiões judaico-cristãs.
Agora vem a pergunta? Se Ludwig, endossando Hitchens, conseguiu mentir tanto, como pode ele querer vender a idéia de que ele seria “moral”?
A própria atitude de Ludwig é baseada em maquiagem de informações, de forma planejada (e não acidental). Ele maquia os dados convenientemente, pois ele parte de uma conclusão apriorística.
E não é que a crença imutável (ou seja, partir de uma conclusão apriorística, e não mudá-la) é considerado como um dos “problemas” pelos adeptos do neo ateísmo? Mas é justamente essa crença imutável que vemos na propaganda dos neo ateus. Eles omitem, como mostrei, todos os fatos que refutem suas alegações.
Querem mais um exemplo de falta de moral? Vejamos como Ludwig se porta em relação aos governos comunistas:
Mesmo entre os que são ateus, num sentido estrito, o mau comportamento institucionalizado vem da aceitação acrítica de superstições e ideologias estranhas ao ateísmo. Na Coreia do Norte, um exemplo comum dos terrores do ateísmo, a Constituição foi alterada em 1998 para nomear Kim Il-Sung o Presidente Eterno da República. O homem já tinha morrido quatro anos antes. O estalinismo, o maoismo e a ditadura em Cuba, apesar de não seguirem algo que oficialmente seja considerado divino, assentam também numa teimosia ideológica que o ateísmo não exige mas que é fundamental em qualquer religião. As religiões consideram-se acima das limitações, da falibilidade e até da contestação humana, e é essa atitude que facilmente tem consequências trágicas.
Notaram a maquiagem que Ludwig tenta fazer?
Ele pega 1 (hum) exemplo de nomeação de Kim Il-Sung e diz que isso é uma “aceitação acrítica de superstições e ideologias estranhas ao ateísmo”.
Claro que não, pois o ateísmo não versa absolutamente nada (nem contra nem a favor) de que pessoas não possam receber “nomeações eternas”.
Aliás, tal tipo de nomeação seria uma demonstração ao povo de que mesmo que o sujeito já estando morto, os valores pregados por ele seriam mantidos.
Chamar isso de superstição (e não ideologia programa) já é uma fraude intelectual de Ludwig.
Ou seja, mesmo quando as sujeiras de regimes irreligiosos (como os comunistas) são descobertas, ele tenta MAQUIAR a informação para dizer que os tais regimes irreligiosos são religiosos.
Só isso aqui que Ludwig fez já é o suficiente para que fechemos o vidro do carro quando ele passa na rua, pois a atitude, senão criminosa, é de endosso ao crime. Que é feito intencionalmente, para falsificar as verdadeiras razões por trás dos genocídios comunistas.
O que importa é que essa afirmação de Ludwig (“o mau comportamento institucionalizado vem da aceitação acrítica de superstições e ideologias estranhas ao ateísmo”) foi facilmente demolida.
Aliás, o ateísmo é uma das bases principais da irreligião. Ou seja, oposição formal a tudo que a religião disser.
A irreligião gerou aberrações como o comunismo, que derivou no nazismo.
Notem a cara de pau de Ludwig: “O estalinismo, o maoismo e a ditadura em Cuba, apesar de não seguirem algo que oficialmente seja considerado divino, assentam também numa teimosia ideológica que o ateísmo não exige mas que é fundamental em qualquer religião. “
Ele diz que se o ateísmo não exige “teimosia ideológica”, então o ateísmo está livre de qualquer acusação por crimes do comunismo.
Ele deve estar de gozação, só pode.
Primeiro: ateísmo não exige teimosia ideológica.
Segundo: teísmo também não exige teimosia ideológica.
Se ele quer livrar a cara do ateísmo, terá ele que comparar teísmo com ateísmo, e não ateísmo com algumas doutrinas específicas, pois aí ele estaria cometendo uma falácia da inversão de planos.
Mas, após tentar dizer que ateísmo está livre de “teimosia ideológica”, ele diz que teísmo NÃO estaria isento, pois todas as religiões obrigam a “teimosia ideológica”.
Ué, mas se eu acabei de mostrar, ao comentar a citação anterior, que Ludwig usou conclusão apriorística e ignorou os fatos contra a sua alegação, o que temos em sua pregação que não uma “teimosia ideológica”?
Aliás, a teimosia ideológica é a base da argumentação neo ateísta, que é um branch do ateísmo.
Então, vamos aos fatos:
(a) teísmo e ateísmo não são intrinsecamente relacionados a teimosia ideológica
(b) movimentos ideológicos com foco em retórica, podendo até ser religiosos e anti-religiosos, teístas ou ateistas, podem se basear em teimosia ideológica
(c) logo, não é possível dizer que teimosia ideológica, existente em Cuba, Rússia e China, está diretamente relacionada a religião
Aliás, tal raciocínio é facilmente corroborado por qualquer investigação histórica.
Ora, sendo então a irreligião a base do comunismo, que está nos 3 países citados, os atos comunistas estão mais associados ao ateísmo do que ao teísmo. Qualquer análise de alinhamento mostra isso.
E, mais: todos os regimes comunistas lutam incessantemente contra a religião.
O engraçado é que os regimes comunistas se baseiam em propagandas baseadas em maquiagem ideológica, como se vê justamente em Ludwig. Notem o que ele afirma: “As religiões consideram-se acima das limitações, da falibilidade e até da contestação humana, e é essa atitude que facilmente tem consequências trágicas.”
Para isso ser válido, ele teria que mostrar que as religiões consideram-se acima das “limitações, da falibilidade e até da contestação humana” em maior quantidade que as ideologias que nada possuem de religiosas.
E, pelo visto, o exemplo do comunismo de novo esmaga tal argumento.
Ou seja, não é preciso de religião para que grupos ideológicos considerem-se acima das “limitações, da falibilidade e até da contestação humana”. E não há evidência alguma de que religião implique nesses itens, da mesma forma.
O que mostrei aqui é que Ludwig mente de tal forma que ele até provavelmente já acredita nas próprias mentiras.
Mas basta olhar com o minimo de ceticismo a propaganda dele que veremos que até agora nada, absolutamente nada, passa pelo menor exame lógico.
Simplesmente nada do que Ludwig disse, ao endossar Hitchens, serve como argumentação pró-ateísmo e anti-teísmo – aliás, essa é a base do blog dele, como um todo.
Como até agora ele fracassou, vamos ver o restinho de sua pregação:
Além disso, as religiões declaram-nos todos servos dos deuses. Não somos donos de nós próprios nem os responsáveis pelos nossos valores. Somos instrumentos criados por outrem para servir os seus propósitos e cujo mérito é função da submissão a esse desígnio. Isto desumaniza as pessoas.
Eu não sei se Ludwig é comunista, mas que os neo ateus, como ele, aprenderam a mentir com os comunistas, isso é um fato.
O discurso ao final de dizer que religiosos acreditam que “somos instrumentos criados por outrem para servir os seus propósitos e cujo mérito é função da submissão a esse desígnio” é algo copiado do materialismo dialético de Marx.
De novo, não dá para saber de Ludwig é marxista-comunista, mas podemos supor que aqueles que lavaram o cérebro dele devem ser, pois ele aprendeu a distorcer e mentir sobre o adversário de uma forma exatamente semelhante a eles.
Em sua sanha de pregação de ódio aos religiosos, esquece-se Ludwig de a religião cristã defende, fundamentalmente, o livre arbítrio, o que por si só já é suficiente para esmagar qualquer alegação anti-religiosa de que religiosos acreditariam que “não somos donos de nós próprios”.
Pelo contrário, somos donos de nós próprios. E nossos valores possuem INSPIRAÇÃO DIVINA, e por isso buscamos a verdade. Ao contrário dos epicuristas e marxistas, que defendem abertamente a mentira contra os oponentes, em uma atitude completamente torpe, somente aceitável para cérebros que não acreditem em uma verdade absoluta, mas sim em “verdades subjetivas”, seja lá que diabos isso signifique para eles.
Eu mesmo ficaria envergonhado se eu analisasse o texto de Ludwig utilizando-me de maquiagens e distorções. Os próprios leitores cristãos deste blog me repreenderiam, baseados em uma moral absoluta (“mentir é feio”).
Os neo ateus fazem o oposto: eles mentem sobre o adversário, e se ORGULHAM se continuar mentindo.
Como Ludwig mentiu na cara dura em todo seu texto, no final ele tenta dar uma de “razoável”, o que não combina nem um pouco com o restante de sua pregação:
Nestes aspectos concordo com o Hitchens, mas parece-me que ele erra ao considerar, implicitamente, que a religião é a origem destes problemas. A religião é apenas um de vários meios de desumanizar e levar pessoas boas a praticar o mal. É o mais popular e foi provavelmente o primeiro a ser inventado, mas não é o único. O problema fundamental não é a crença num deus ou numa casta de sacerdotes; é a facilidade com que abdicamos da nossa autonomia e responsabilidade e lavamos mãos das asneiras que fazemos com a desculpa de agir em nome de qualquer fantasia que nos impinjam.
Esse é o estratagema da falsa discordância. O sujeito concorda nos pontos essenciais, e finge discordar de um dos pontos, periféricos, para aparentar que há ainda nele algum traço de senso crítico.
O problema é que tal estratagema não funciona, pois ele ainda afirma que a “religião é apenas um de vários meios de desumanizar e levar pessoas boas a praticar o mal” e diz que “é o mais popular” e “foi provavelmente o primeiro a ser inventado”.
Como em todo o texto dele, ele não conseguiu provar que a religião é um meio de “desumanizar” as pessoas “boas” a “praticar o mal”. No máximo, poder-se-ia argumentar que pessoas provocaram o mal, apesar da religião.
Pior ainda, ele assume que religião foi “inventada” para “desumanizar” as pessoas, o que, de novo, é pura fantasia de Ludwig, não respaldada por evidências. Ele se limita a repetir isso, ad nauseam, mas não prova.
Em seguida, ele afirma que o “problema fundamental é o seguinte”: “é a facilidade com que abdicamos da nossa autonomia e responsabilidade e lavamos mãos das asneiras que fazemos com a desculpa de agir em nome de qualquer fantasia que nos impinjam”.
Aqui, de novo ele precisa da falácia da petição de princípio, ao assumir que idéias religiosas são uma “fantasia”.
Mesmo que ele não prove isso, ele tenta o estratagema padrão aprendido com o relativismo: ele considera qualquer ideologia e religião como “fantasia”, e diz que são o mesmo. Só que sem especificar cada uma delas, isso não serve de nada ao caso dele contra a religião.
Mas o mais grotesco de tudo é ele dizer que “abdicamos da nossa autonomia e responsabilidade e lavamos mãos das asneiras que fazemos”.
Bom, pode ser que ELE (Ludwig) abdique da autonomia e responsabilidade dele, e lava as mãos das asneiras que ele faz, principalmente neste texto que ele escreveu, em nome de qualquer fantasia que lhe foi impingida por doutrinadores como Hitchens e Dawkins.
Isso, de forma alguma, comprova que os religiosos chegariam a um nível moral tão baixo como o dele.
Aliás, um nível de moral tão pífio como o dele é o que eu não esperaria nem na maioria dos ateus.
Só nos neo ateus, que, pelo seu discurso, mostram-se cada vez mais distantes de qualquer avaliação sobre a moral.
O nível de mentiras deles é tamanho que esse tipo de gente só pode ser avaliada junto com comunistas, outra espécie epicurista torpe e que merece ser investigada sempre.
Em suma, em relação a qualquer texto escrito por neo ateu, é só investigar que as fraudes intelectuais aparecem aos borbotões.
Que esse tipo de gente venha fazer discursos sobre a “moral” é uma das coisas mais surreais possíveis em termos intelectuais.
A “teoria” do Deus Imaginário, por SubHeaven
Já falei do argumento de Anselmo, que na verdade não é usado para comprovar a existência de Deus (pois o assume a priori). Foi este argumento que Dawkins tentou refutar aqui.
Notem que se Anselmo não tem a ousadia de tentar provar a existência de Deus com seu argumento, alguns ateus tentam fazer um argumento INVERSO ao dele e garantem que provariam a inexistência de Deus.
É ver para crer. Para começar, vejamos como Lewis Wolpert usar essa estratégia perante William Lane Craig, dizendo que, ao invés de Deus, existia um super-computador. Assistam, acima, que as risadas estão garantidas.
Seguindo o mesmo caminho de Wolpert, um debatedor do Orkut, SubHeaven, garante que provará que Deus é puramente imaginário.
Ele criou uma teoria que chama de “Teoria do Deus Imaginário”, mas que poderia até ser chamada de “Reverso de Anselmo ao Extremo”. Tecnicamente, dá no mesmo.
Antes de tudo é preciso entender quem é SubHeaven.
Quem é SubHeaven?
SubHeaven alegou que minha investigação a respeito de sua história seria um Ad Hominem. Não, não era.
Na verdade, diante de um argumento tão grotesco, apresentado de forma tão confiante, eu precisava compreender a mente de quem está por trás de idéia tão bizarra.
SubHeaven, depois de contar histórias tristes, diz que sua indignação com Deus surgiu por que ele se achava feio. Mais, de acordo com ele:
“Eu chorava a noite por estar apaixonado por alguma menina da escola e vê-la me tratar com tanto desprezo como as outras crianças. Eu pedia a Deus para ele me mudar, mas nada adiantava. Foi nessa época que eu pensei em ler toda a bíblia, para tentar descobrir o que eu estava fazendo errado para ser tão castigado daquele jeito. Eu então cheguei a duas conclusões possíveis: Ou eu estava sendo provado ou eu não tinha fé suficiente. Comecei a tentar entender o que era fé, ao mesmo tempo em que tentava aceitar tudo como uma grande provação. Como os próprios evangélicos dizem, resolvi deixar nas mãos de Deus.”
Curioso: só dele achar que Deus é uma entidade que deveria mudar seu aspecto físico, já é um motivo para suspeitar que ele trata de uma visão pueril de Deus, que nada tem a ver com o Deus que os religiosos adultos normalmente acreditam.
Querem saber como ele “descobriu” que Deus não existe? Vejam:
Mas enfim, eu andava com símbolos satânicos e camisetas xingando a Deus, para ver se alguém respondia as minhas dúvidas ou se um dos dois aparecia. Só queria a manifestação de algum dos dois pra eu bolar algum jeito de mudar a minha vida. Mas nada. Nem Deus, nem diabo, nem espiritos, nem sonhos, nem alucinações, nem vozes. Nada de sobrenatural aconteceu ou acontecia na minha vida. Foi aí que percebi a coisa mais óbvia de todas. Não existiam Deus e nem diabo e eu tinha feito papel de palhaço a vida inteira acreditando nessas bobagens. Eu só tinha tido muito azar quando nasci. Apenas isso e nada mais.
Não há nada de racional aí na decisão dele de deixar de acreditar em Deus, como se pode ver.
O engraçado é que mesmo que ele diga que agora não acredita em Deus, parece que ele não desgruda de pensar n’Ele, mesmo quando fala de seus projetos:
O mundo social é controlado por beleza e dinheiro e não tenho nenhum dos dois. O Projeto Gênesis é eu “comprar” beleza. Simples assim. Com isso passo a ser considerado um humano normal pelas outras pessoas, e consequentemente provo que eu não preciso de deus pra nada.
Isso tudo está mais para desabafo do que realmente algo válido contra Deus.
Isso que postei não é um Ad Hominem, e sim um estudo de uma personalidade que está realmente incentivada a nos provar que Deus é puramente imaginário. O problema é que toda a visão que ele demonstrou de Deus é bizarra. Logo, como ele poderia se tornar a partir daí um conselheiro para nós a respeito do que devemos acreditar ou não?
Vejam então, à frente, o argumento dele.
SubHeaven e sua “teoria” do Deus Imaginário:
Abaixo ele nos propõe o modelo básico de argumento que daria suporte à sua “teoria” do Deus Imaginário. Segue:
Meu modelo básico de argumento para provar que deus é imaginário é:
A tem todas as características de B,
A tem todas as limitações de B,
Logo, A é B.
Aparentemente, não é tão ruim, embora ele não precisasse do segundo passo, pois ele poderia incluir as limitações entre as características.
Ele sugere duas formas de provar a teoria dele:
Primeira Prova:
1 – Liste todas as características de deus.
2 – Crie na sua imaginação um ser com essas mesmas características.
3 – A teoria do deus imaginário diz que 100% das características serão possíveis de serem replicados.
Segunda Prova:
1 – Todo ser imaginário possui diversas limitações;
2 – A teoria do deus imaginário diz que deus também está preso a 100% dessas limitações.
A conclusão dele segue aqui:
O conceito “imaginário” é coerente com o conceito “deus” em todos os pontos e com isso, podemos concluir que deus é imaginário.
Uma forma dele defender o seu conceito foi a seguinte:
Atribuem-se a esse deus a capacidade de ser onipotente, oniciente e bom. Coisa que posso atribuir a qualquer ser imaginário. Seus alegados feitos são apenas relatos em um livro de ficção, a bíblia e posso escrever um livro contando os feitos de qualuer criação imaginária minha. Algumas pessoas dizem conversar com deus e você pode conversar com um ser imaginário. Algumas pessoas dizem receber inspirações de deus e você pode muito bem receber inspirações de um ser imaginário. Algumas pessoas dizem que deus está sempre ao lado deles, e você pode ter sua criação imaginária sempre ao seu lado. Algumas pessoas quando estão com uma dor de cabeça e ela passa, atribuem isso a deus e você, se estava com uma dor de cabeça que já passou pode atribuí-lo a qualquer criação imaginária sua. Porém esse deus, mesmo com sua suposta onipotencia, não é capaz de afetar o mundo real diretamente pois o imaginário não é capaz de afetar o real diretamente (*). Ele não é capaz de, mesmo com sua suposta onisciencia, dizer para uma pessoa algo que ela já não o saiba, pois um ser imaginário não é capaz de saber nada a mais do que a própria pessoa que a imagina já saiba. Continuando o exemplo da cura da dor de cabeça, ninguém consegue atribuir a deus, uma quantidade de “curas milagrosas” em quantidade maior que a quantidade de erros médicos ou maior que o que é causado pelo efeito placebo. E assim por diante. O deus teísta comum possui infinitas características pois cada um o imagina de uma forma diferente pois essa é outra característica inerente a toda criação imaginária. No entanto todas essas características podem ser atribuídas a uma criação imaginária e qualquer limitação de uma criação imaginária será também uma limitação do deus teísta.
Obs: Atenção para a parte citada com (*), pois a tratarei mais a frente, pois o restante chega a ser pífio. Não é mais do que a interpretação de Deus de uma criança de 10 anos, no máximo. [N.E. - Mais sobre isso aqui]
É aí que começam os problemas…
SubHeaven erra terrivelmente por partir da premissa que Deus não existe (ou então seria puramente imaginário), e diz que concluiu isso. O que não passa de raciocínio circular.
Tecnicamente, ele faz exatamente como Lewis Wolpert no vídeo. Ele repete a definição de Deus, nos traz uma EVIDÊNCIA ANEDOTA de que ele apenas “imaginou” isso, e então diz que isso é puramente imaginário (sem qualquer conexão com o real). Sendo assim, ele diz que a definição original refere-se também à um ente imaginário.
Notem que ele apresentou originalmente o argumento dele da seguinte forma: “A tem todas as características e limitações de B, então A é B”, mas na verdade o que ele faz é o seguinte.
A tem um dado número de características.
Inventa-se que uma (ou mais) dessas características é ser imaginária. [N.E. - Nessa versão, tanto faz características como limitações, pois limitações são também características]
Recria-se A na mente e chama-o de B.
A agora teria todas as características de B.
A é B.
O grande problema aí são justamente os passos 2 (inventar uma característica, não existente no conceito original) e 3 (Recriação de A, dando um outro nome).
Em relação ao item 2, isso é óbvio. Os teístas não afirmam que o Deus no qual acreditam é imaginário. SubHeaven teria que INSERIR essa característica, para depois fazer o joguete de falsa comparação.
O grande problema, como já dito, é realmente quando ele diz que compara A com B, quando na verdade ele compara A com A.
Como um dos foristas notou bem, o raciocínio de SubHeaven é nulo, pois ele citou um argumento, até válido, mas que não serve para provar inexistência de Deus, pois:
- (a) uma coisa é comparar dois objetos distintos, e encontrar similaridades entre eles
- (b) outra coisa, oposta, é selecionar um objeto, reimaginá-lo, sem mudar características dele, e dizer que se trata de dois objetos distintos
Para tentar provar Deus, ele usa (b), mas o argumento dele só serviria para (a).
A coisa fica ainda mais cômica quando notamos que os exemplos que ele tenta dar são focados em objetos do mundo físico, ao invés de entidades metafísicas, que é o nível no qual o argumento deveria ser apresentado e testado.
Ele fez outra tentativa, aliás, ao dizer que não comparou A com A, mas sim A com B (e disse que B assimilava as características de A). O problema é que B foi usado para “importar” automaticamente todas as características de A. Ou seja, é o mesmo que comparar A com A. Claro que de novo é um truque sujo, que mais uma vez implode o argumento.
Mas e se ele tentar ainda, por retórica e insistência, vender o argumento dele por aí? É aí que a coisa fica mais divertida…
Testes do Argumento
Como essa questão Deus atinge a ele emocionalmente em excesso, é melhor levar o argumento para outros domínios além da existência de Deus.
Assim como Deus, existem outros pontos que se discutem só no aspecto metafísico, como a moral, a beleza, a universalidade das leis físicas, etc. Isso qualquer um que queira fazer abordagem filosófica deve saber.
Fiquemos então na questão da feiúra, que o SubHeaven, alegou em seu texto como motivo para descrer em Deus.
Segundo a fórmula epicurista de SubHeaven, o problema da feiúra estaria resolvido da seguinte maneira.
- (1) Pega-se a descrição de feio ou feiúra, no dicionário
- (2) Anota-se todas as características desta entidade metafísica
- (3) Cria-se uma nova entidade na mente, com todas as características, sem tirar nem por
- (4) Dá-se um novo nome à essa entidade
- (5) Aí executa-se o truque e é dito “PUFF… a entidade que criei é puramente imaginária”
- (6) Logo, a feiúra é também puramente imaginária
Essa é exatamente a execução do modelo que ele sugere. Vejamos que não tem nada a ver com comparação de A com B, e sim A com A, e fingir que se comparou A com B. Como se vê, o argumento de comparação A com B é até útil, mas de maneira alguma serve para a teoria dele.
De novo no exemplo, ele fará uma cirurgia e diz que quer ficar bonito, para não precisar de Deus (ou coisa do tipo). A fórmula fica assim:
- (1) Pega-se a descrição de belo ou beleza, no dicionário
- (2) Anota-se todas as características desta entidade metafísica
- (3) Cria-se uma nova entidade na mente, com todas as características, sem tirar nem por
- (4) Dá-se um novo nome à essa entidade
- (5) Aí executa-se o truque e é dito “PUFF… a entidade que criei é puramente imaginária”
- (6) Logo, a beleza é também puramente imaginária
Considerando válido o modelo de SubHeaven, ele não poderá deixar de ser feio, e nem ficar bonito, pois tanto feiúra como beleza não existem.
Mas, se não existem, por que ele reclamou tanto delas em seu texto? Detalhes…
Desastre metafísico
Outro forista, Eduardo, sugeriu uma nova aplicação para testar o modelo, agora para a universalidade das leis físicas:
- (1) Pega-se a descrição de universalidade das leis físicas, nos livros de ciência
- (2) Anota-se todas as características desta entidade metafísica
- (3) Cria-se uma nova entidade na mente, com todas as características, sem tirar nem por
- (4) Dá-se um novo nome à essa entidade
- (5) Aí executa-se o truque e é dito “PUFF… a entidade que criei é puramente imaginária”
- (6) Logo, a universalidade das leis físicas é também puramente imaginária
Temos aí um problema, pois a ciência depende do aceite de que as leis físicas são universais, e não locais.
Agora, um momento divertido. Ao saber disso, SubHeaven protestou:
O pobre rapaz começa até mesmo a inventar regras científicas. tsc, tsc, tsc… A ciência não depende disso, ela conclui isso. Uma lei física nasce de um reconhecimento pelo método científica (Ou seja, algo que pode ser facilmente provado) ou de uma teoria científica (Um conceito que explica, faz previsões e permite ser falseável). As teorias e principalmente as experiências falseáveis continuam sendo coerentes no universo conhecido, logo, as leis físicas se aplicam. Se porém um dia descobrissemos por exemplo que vivemos nos pelos de um coelho branco e que, fora dele as leis que conhecemos hoje são diferentes não invalidaria a ciência pois seus resultados (Comunicações, transporte, medicina e outros) continuam sendo válidos e funcionais. Logo, sua única tentativa de argumentação apela para um termo genérico, com regras mentirosas para tentar me refutar.
Acreditem se quiser, SubHeaven confundiu universalidade das leis físicas com as leis físicas em si. Ele se esquece de que estas últimas são tratadas pelo método científico, e podem fazer ou não parte de teorias científicas, ou então serem resultantes delas.
SubHeaven comete a falha imperdoável de confundir uma discussão metafísica, no aspecto da epistemologia, com uma discussão sobre teorias científicas.
Esquece-se ele de que as coisas são completamente diferentes. Uma discussão epistemológica jamais é discutida no mesmo nível em que uma teoria científica é. A epistemologia é uma base para a solidificação do método científico. A universalidade das leis físicas só pode ser discutida no nível da epistemologia.
Como ele não tem a mínima noção do que é metafísica e epistemologia, ele então tentou se safar dizendo que Eduardo “apelou para um termo genérico, com regras mentirosas”.
Não, de jeito algum, isso é discussão metafísica, que ele sequer entendeu.
Auto-destruição
O pior está por vir.
A primeira coisa que se aprende em Filosofia é que, ao defender um modelo de argumentação (criado por você ou por outros), deve-se tomar cuidado para que esse modelo não seja auto-destrutivo.
Vocês se lembram que no item (*) ele citou o seguinte?
Porém esse deus, mesmo com sua suposta onipotência, não é capaz de afetar o mundo real diretamente pois o imaginário não é capaz de afetar o real diretamente.
Ora, essa suposta característica então precisa ser submetida ao argumento dele. A característica é: “incapacidade de afetar o mundo real diretamente”.
Aplicando o modelo dele:
- (1) Pega-se a descrição da “Incapacidade divina de afetar o mundo real diretamente”, no dicionário
- (2) Anota-se todas as características desta entidade metafísica
- (3) Cria-se uma nova entidade na mente, com todas as características, sem tirar nem por
- (4) Dá-se um novo nome à essa entidade
- (5) Aí executa-se o truque e é dito “PUFF… a entidade que criei é puramente imaginária”
- (6) Logo, a incapacidade divina de afetar o mundo real diretamente é também puramente imaginária
Sendo assim, seguiria válida a capacidade divina de afetar o mundo diretamente.
Conclusão
O modelo argumentativo é tão ruim que só merece ser tratado na base da piada. Na verdade, ele se baseia na crença absoluta de SubHeaven (assim como de Lewis Wolpert) de que Deus é imaginário, e tenta recursos sofísticos para tentar induzir os outros a acreditar nisso. É aí que a porca torce o rabo, pois não adianta tentar apresentar qualquer proposta nesse nível sem conhecimento de epistemologia ou metafísica, pois é preciso primeiro que a pessoa tente entender como criar uma argumentação nesse nível. Obviamente no final das contas, no item “Auto-destruição”, eu não provei que a capacidade divina de afetar o mundo diretamente é válida, assim como SubHeaven sequer provou que Deus é puramente imaginário. O intuito, ao final, foi mostrar como a própria idéia, se aceita, serve para implodir não só a teoria que ele tentou implementar, como também qualquer raciocínio. Em suma, um serviço de porco com base no Tetrafarmacón, de Epicuro. Mais uma mostra de que Epicuro só serve para estragar a cabeça da garotada.
Técnica: Jogando na conta da ciência

Última atualização: 12 de fevereiro de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]
Se o Capitão Nascimento mandou botar na conta do papa, com esta técnica os neo ateus mandam botar na conta da ciência.
Essa técnica é usada principalmente quando neo ateus usam o disfarce de “divulgador da ciência”. Por tabela, muitos dos leitores desses autores acabam seguindo pelo mesmo caminho.
A técnica envolve transferir para a ciência todas as responsabilidades que estariam sobre si próprio.
O neo ateu pode tentar isso quando estiver, por exemplo, defendendo qualquer tipo de alegação contra a religião. Geralmente essa alegação pertence à ele, em termos filosóficos. Em outros casos, a alegação pode ser também oriunda de um filósofo, que o inspirou. De qualquer forma, como a alegação é endossada pelo neo ateu, devemos entendê-lo como um das partes na discussão (sendo a outra parte o religioso).
A técnica envolve em, como se fosse um truque de mágica, substituir a si próprio pela ciência, fazendo com que sua declaração aparentemente se torne uma declaração da ciência (e não dele).
Exemplos incluem:
- Transformar a alegação “Digo que Deus não existe” por “A ciência diz que Deus não existe”
- Transformar a alegação “Eu digo que acredito só em evidências” por “A ciência só aceita evidências”
E daí por diante.
Naturalmente, é uma técnica covarde, em que o neo ateu foge da responsabilidade pelos seus argumentos e suas alegações, e tenta transferi-las todas para a “ciência”. E, como não seria inteligente questionar “a ciência”, o neo ateu aparentemente espera que com esse estratagema ele e sua alegação fiquem livres do julgamento e da avaliação pela outra parte.
Obviamente eu concordo (e creio que quase todos aqui fariam o mesmo) que a ciência (assim como a auditoria, a perícia, o sistema judiciário, etc.) foca em evidências. Em relação a alegação de existência ou nao de Deus, a ciência não traz esse tipo de juízo.
De qualquer forma, o fato de que a ciência é baseada em evidências, não implica que um cientista, ou um cientista wannabe, ou um leitor de divulgador de ciência, sejam focados em evidências.
Uma coisa, naturalmente, é a entidade a que se dá o nome de ciência. Outra coisa é um sujeito, falível, que se diz cientista ou “adepto de ciência” (seja lá que diabos ele queira dizer com isso).
Mesmo que a pessoa seja um cientista (e na maioria dos casos não é), os atos de qualquer ser humano, incluindo suas alegações, não podem ser julgados pelos mesmos filtros que se julga a ciência. O motivo é evidente: a ciência, como um todo, é um grande processo, que transcende a subjetividade de seus participantes. O cientista, quando avaliado no todo de suas decisões, é completamente passível de possuir falhas de julgamento e vícios, como qualquer ser humano em qualquer profissão.
Como é um estratagema basicamente de confusão, é importante prestar muita atenção no momento em que o neo ateu pratica a “mudança” de personagem (substituindo ele pela ciência). Não raro isso ocorre, durante um debate em que o neo ateu tenta provar seu ponto, e passa a dizer coisas como “a ciência diz” ou “a ciência faz”, normalmente sem muita relação direta com o argumento que ele originalmente defendia. Mesmo que não exista tal relação direta, o neo ateu poderá fingir que há.
Refutação
A refutação é extremamente simples e se baseia em interromper o oponente, mostrando que ele está tentando enrolar a platéia quando ele tenta fingir que ele seria “a ciência” ou então um representante dela.
Segue o exemplo abaixo:
- NEO-ATEU: Eu não acredito que Deus existe, pois não há provas científicas da existência de Deus, e assim a ciência não afirma que Deus existe. Logo, ela não acredita que Deus exista.
- REFUTADOR: Sim, eu sei, mas você não é a ciência. [N.E. - Aliás, nem é da alçada da ciência dizer se Deus existe ou não]
- NEO-ATEU: Eu não sou a ciência, você está correto. Mas o que a ciência nos diz…
- REFUTADOR: O que a “ciência nos diz” eu já sei, e não tem nada a ver com o que você disse. Agora, diga o seu argumento. Os argumentos em relação ao que a “ciência diz” eu posso procurar em livros de Karl Popper, Thomas Kuhn, etc.
Durante a refutação, outro ponto curioso é que não raro você conseguirá notar que aquilo que o neo ateu diz ser uma “alegação da ciência” muitas vezes nem sequer é suportada pela ciência em si. Isso ocorre muitas vezes em argumentos de Carl Sagan e Richard Dawkins, que são baseados no cientismo, que nada tem de científico na realidade.
Conclusão
Como é uma técnica de fuga da responsabilidade (o neo ateu tenta erradamente jogar nas costas da ciência uma alegação que é exclusivamente dele), é importante sempre impedi-lo de fugir desta responsabilidade que lhe é inerente. Um argumento de militância ateísta feito por um neo ateu, mesmo que ele alegue ser cientista, divulgador de ciência ou leitor de divulgação da ciência, não implica em uma posição da ciência, salvo ele prove com argumentos que é (raramente é). Em alguns casos, para refutar com maior propriedade todas as tentativas, é recomendável um bom estudo sobre filosofia da ciência.
Pérolas da LiHS II – As babadas de Bertrand Russell

Alguns neo ateus afirmam que se você acha Richard Dawkins radical, é só consultar a fonte, que seria Bertrand Russell, para ver visões semelhantes mas com menos radicalismo.
Seja lá como for, o blog Bule Voador, da LiHS, neo ateísta até a medula, divulgou algumas citações de Bertrand Russell (parece que eles estão comemorando os 40 anos da morte dele).
E o nível (ao menos dessas citações) é similar ao de Dawkins, ou seja, nenhum. É sempre a mesma conversinha, misturada com induções PNL, auto-ajuda, erística, distorções e falácias. Não há um traço de racionalidade, ao menos nesses itens cá citados.
Citação 1: “Acredito que quando morrer apodrecerei e nada do meu ego sobreviverá.[1] Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenharia estremecer de pavor diante do pensamento da aniquilação. A felicidade não deixa de ser verdadeira porque deve necessariamente chegar a um fim; tampouco o pensamento e o amor perdem seu valor por não serem eternos. [2] Muitos homens preservam o orgulho ante o cadafalso; decerto o mesmo orgulho deveria nos ensinar a pensar verdadeiramente sobre o lugar do homem no mundo. [3] Ainda que as janelas abertas da ciência a princípio nos façam tiritar, depois do tépido e confortável ambiente familiar de nossos mitos humanizadores tradicionais, ao fim o ar puro nos confere vitalidade, e ademais os grandes espaços têm seu próprio esplendor.” [4] (What I Believe [No que acredito] – 1925.)
1 – Aqui, ao invés de usar o ceticismo, ele afirma uma certeza. Não há questionamento, e sim uma fé na idéia de que nada do ego dele sobreviverá.
2 – Estranho, pois agora ele duela com um inimigo imaginário, no caso um religioso que teria afirmado que felicidade seria falsa ou que pensamento e amor não teriam valor caso não fossem eternos. Em suma, ele viajou na maionese.
3 – Notaram o raciocínio de guru? Ele e a turma dele pensam “verdadeiramente” sobre o lugar do homem no mundo. Argumentos para isso? Nenhum.
4 – Isso aqui não passa de um conjunto de frases de efeito, totalmente emocionais, mas sem dizer nada de concreto.
Citação 2: “Toda infelicidade depende de algum tipo de desintegração ou falta de integração; há desintegração interna do eu através da falta de coordenação entre a mente consciente e a mente inconsciente; há falta de integração entre o eu e a sociedade quando ambos não se unem pela força de interesses objetivos e afeições em comum.[1] O homem feliz é aquele que não sofre de qualquer uma dessas falhas de unicidade, cuja personalidade não é nem dividida contra si mesma nem atirada contra o mundo. [2] Tal homem sente-se um cidadão do universo, desfrutando livremente o espetáculo que o universo oferece e as alegrias que proporciona, imperturbável pelo pensamento da morte porque não se sente realmente separado daqueles que virão depois de si. [3] É nesta profunda união instintiva com a fluxo da vida que a maior felicidade é encontrada. [4]” (The Conquest of Happiness [A Conquista da Felicidade] – 1930.)
1 – Estranho, pois para alguém faminto, a felicidade é um pedaço de pão com presunto e queijo, por exemplo. Alguém poderia dizer que isso é felicidade momentânea, e não felicidade “global”. Tudo bem, só que neste caso ele cria um novo conceito de infelicidade, que envolve, por exemplo, gostar de algo que a maioria não gosta.
2 – A definição de “homem feliz” dele é uma das coisas mais ridículas e simplórias possíveis. Dá no mesmo que dizer que o homem feliz é aquele que não sofre de apreços desajustados por itens não-objetivamente avaliados e não-definidos por consenso. Claro que o que eu disse foi apenas uma frase inventada de última hora, nonsense, mas tem a mesma valia argumentativa que a de Russell.
3 – Notaram aqui a despersonalização do indivíduo? Claro fruto das ideologias marxistas que ele amava.
4 – Ele se contenta com pouco na hora de definir aonde será encontrada a maior felicidade. Talvez dizer coisas como essa seja a maior felicidade para ele.
Citação 3: “Algumas pessoas idosas se afligem com o medo da morte. Nos jovens há uma justificativa para este sentimento. Rapazes que têm motivos para temer que serão mortos em batalha podem justificavelmente padecer no pensamento de que foram privados das melhores coisas que a vida pode oferecer. Mas num homem idoso que conheceu as alegrias e mágoas humanas, e que atingiu alguma obra que estivesse propenso a realizar, o medo da morte é algo abjeto e ignóbil. A melhor maneira de superá-lo – ao menos assim me parece ser – é tornar seus interesses gradualmente cada vez mais amplos e mais impessoais, até que pouco a pouco os muros do ego se afastem, e sua vida se torne crescentemente fundida à vida universal.
A existência de um indivíduo deve ser como um rio – pequeno no começo, estreitamente contido em suas margens, e correndo apaixonadamente através de pedregulhos e quedas. Gradualmente o rio se alarga, as margens se afastam, as águas correm mais calmas, e no fim, sem uma quebra visível, as águas misturam-se com o mar; e sem dor perdem sua individualidade. O homem que, na idade avançada, pode ver sua vida dessa forma, não sofrerá com o medo da morte, pois o que é importante para ele continuará.
E se, enquanto a vitalidade decai, o cansaço cresce, a ideia de descansar será bem-vinda. Devo desejar morrer enquanto ainda trabalho, sabendo que outros continuarão o que não mais posso fazer, e satisfeito com o pensamento de que o que era possível foi feito.”
(How to Grow Old [Como Envelhecer], em Portraits From Memory And Other Essays [Retratos da Memória e Outros Ensaios] – 1956.)
Aqui é puramente discurso de auto-ajuda, sem validade argumentativa.
Citação 4: “Não são argumentos racionais, mas emoções, que causam a crença numa vida futura [após a morte]. [1] A mais importante dessas emoções é o medo da morte, que é instintivo e biologicamente útil. [2] Se nós acreditássemos genuina e sinceramente na vida futura, deveríamos parar completamente de ter medo da morte. [3] Os efeitos seriam curiosos, e provavelmente seriam tais que a maioria de nós deploraria. Mas nossos ancestrais humanos e sub-humanos lutaram e exterminaram seus inimigos através de muitas eras geológicas e foram beneficiados pela coragem; é portanto uma vantagem para os vencedores da luta pela existência a capacidade de ocasionalmente superar o medo natural da morte. [4] Entre animais e selvagens, a belicosidade instintiva é suficiente para este propósito; mas num certo estágio de desenvolvimento, como os maometanos provaram pela primeira vez, a crença no Paraíso tem valor militar considerável para reforçar a belicosidade natural. [5] Devemos, portanto, admitir que os militaristas são sábios ao encorajar a crença na imortalidade, sempre supondo que esta crença não se torne tão profunda ao ponto de produzir indiferença para com as questões mundanas.”[6] (Do We Survive Death? [Sobrevivemos à Morte?] em Why I Am Not a Christian [Por que não sou cristão] – 1957.)
1 – Não deixa de ser divertido ver um ateu dizendo os MOTIVOS pelos quais existiria a crença na vida após a morte. O difícil, claro, é ele conseguir provar.
2 – Engraçado é que cientificamente ele está distante de provar isso.
3 – Esse é um erro que nem o Richard Dawkins cometeu. Dawkins lembrou que alguém, mesmo que acredite na vida após a morte, pode ter medo da sensação de morrer. Russell não aventa nem essa possibilidade.
4 – Detalhe que ele não provou que os que acreditam em crença numa vida após a morte teriam mais medo da morte que ele.
5 – Como sempre, alegação sem evidências. Mas deu para notar de onde Dawkins tirou as idéias para praticamente dizer que para ser homem bomba é preciso ser religioso.
6 – Isso é o estratagema do falso motivo. Ele inventa que os militares encorajam a crença na imortalidade, para se aproveitarem dos soldados. O problema é que a tese mostrando que religiosos possuem medo da morte quebra essa alegação do Russell.
Citação 5: “Desejo que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas sejam espalhadas e desejo que não haja qualquer cerimônia fúnebre.”
(Testamento datado de 18 de novembro de 1966.)
Estranho é isso ter sido mencionado como uma “citação” relevante lá no Bule Voador. Pergunta: qual a relevância dessa citação?
Citação 6: “Contaram-me [1] que os chineses disseram que me enterrariam próximo ao Lago Ocidental e construiriam um templo em memória a mim. Tenho um leve arrependimento de que isto não tenha acontecido [2], pois eu poderia ter me tornado um deus [3], o que teria sido muito chique para um ateu.” (The Autobiography of Bertrand Russell [A Autobiografia de Bertrand Russell] – 1968.)
1 – Engraçado é que um pessoal “contou” a ele… e ele ACREDITOU!
2 – Ele não tem do que se arrepender, pois é uma história anedota. Além do mais, é um ato feito por outros, e não ele. Ninguém se arrepende por atos de terceiros…
3 – Ou seja, templo em memória de alguém elevaria esse alguém à condição de Deus. Isso é coisa que um intelectual escreva?
4 – Ué, Deus seria chique? Hm, Dawkins não teria aprovado essa.
Citação 7: “É duro ter que deixar este belo mundo.” (Janeiro de 1970, poucas semanas antes de morrer.)
Quer dizer, para Russell ter medo da morte não pode, mas ter pesar por deixar o “belo mundo” pode.
Agravante: Mesmo recheado de frases de efeito, argumentos esdrúxulos, auto-ajuda para domésticas e crenças cegas, a totalidade dos participantes do Bule Voador afirmou que as declarações de Russell são IRRETOCÁVEIS (ou coisa do tipo). Sinal de que senso crítico anda em falta para os neo ateus. Mais um motivo para a tese apontada aqui neste blog, que diz que para aceitar o neo ateísmo, deve-se jogar o ceticismo na lata do lixo. Russel, aliás, pode ser tudo, menos um cético.
Burrice neo ateísta feita em casa

Recentemente, o blog Bule Voador endossou o texto “Deus Feito em Casa”, que era um texto de tentativa de escárnio praticado pelo site Ceticismo.Net. Tentativa de escárnio, aliás, que é uma das estratégias mais usadas por neo ateus em debates.
O objetivo é um só: tentar humilhar os religiosos. Provavelmente, a ponto do religioso reagir de forma intempestiva. Será que eles (os neo ateus) não fazem isso somente para depois ter um pretexto para reclamar de que são discriminados? Capaz. Mas aqui mostrarei como sair desta armadilha armada por eles.
Os estratagemas de escárnio são normalmente utilizados em períodos de guerras, duelos entre grupos rivais, etc. Sempre o objetivo é tentar ofender o rival, e motivá-lo a uma ação. O melhor é tomar a ação mais inteligente.
Existe 3 formas de se reagir a esse tipo de atitude deles:
- (1) Revidar o escárnio com palavras
- (2) Revidar com violência
- (3) Tornar-se passivo, e guardar o rancor, e fingir para si próprio que perdoou (é a pior das reações)
Eu sempre optei pela primeira, que envolve não usar a violência e nem a passividade, mas o revide, justo e correto.
O escárnio é um recurso utilizado por alguém que não lhe vê com o mínimo respeito, e a única forma de tratar essa pessoa é com o mínimo respeito também. É legítimo usar o escárnio sempre que for para o revide a um escárnio anterior.
É importante também notar que qualquer revide é legítimo, pois o objetivo do escárnio é simplesmente dizer a mensagem: “eu não tenho respeito nenhum por você, e vou jogar sujo”. Ou seja, quem está em público praticando o escárnio em relação a você é alguém que não teria pudor em lhe meter um balaço na cabeça se estivesse participando de um governo totalitário e dominando as pessoas de sua ideologia. Um exemplo é como na China os cristãos são tratados.
Alguém poderia perguntar: mas o revide não é contra a religião?
De forma alguma. Não há nada no cristianismo que implique em não forçar os outros a te respeitarem, principalmente se sua busca por respeito mútuo for justa. Além do mais, quando permitimos que o outro nos desrespeite, estamos lançando uma mensagem pública de que esse comportamento é aceitável. Isso explica por que a passividade é a pior das respostas.
Esse modelo de atuação que eu uso simplesmente FORÇA o neo ateu a me respeitar. Em um debate, ele pode até começar com escárnio, e vai tomar o revide. Ele pode tentar de novo, e vai ter o revide de novo. Mas chegará um momento em que ele provavelmente está muito mais humilhado e com certeza irritado (a experiência nesse tipo de duelo garante que eu não me irrite mais, pois já virou esporte para mim). Ele terá então que respeitar o teísta do outro lado, e aí, somente aí, poderá começar um diálogo de verdade, e não uma guerra intelectual.
Noto também que não é sempre que os neo ateus apelarão para as provocações desse tipo de texto, que, naturalmente é mais infantilóide que a média. Muitos tentarão argumentos, mesmo que com erística e falácias, mas sem o componente de escárnio.
Só que mesmo que seja um modelo forte de atuação, o objetivo aqui é mostrar como se trata esse tipo de ataque. É importante que eu ressalte de novo que não considero que a maioria das implementações de ataques feitas por neo ateus atendam ao mesmo princípio de escárnio do texto avaliado aqui. Muitos são textos argumentativos (embora com difamações, erísticas, etc.).
O nível deste texto (“Deus feito em casa”) é realmente mais baixo. É coisa de gente que está apelando. Raros dos debates em que participo atualmente possuem tal nível de baixaria.
Mas já houve um tempo, na comunidade Contradições do Ateísmo, em que neo ateus atuavam SÓ desta maneira, com implementações de escárnio em provocações de parquinho. Era uma época de revides fortes, e, modéstia a parte, eu me saía bem (eu nem era moderador na época).A questão é simplesmente de agilidade e sangue frio na hora do revide, que tem que ser imediato. Lembre-se: é um duelo entre pessoas que não possuem respeito entre elas. Ao menos, com certeza, os neo ateus não possuem.
Nesse artigo “Uma Requisição de Neo Ateus: O Direito de Ser Idiota”, explico uma forma pela qual a maioria das tentativas de escárnio pode ser revidada.
Aqui na seção “Conhecendo o Inimigo” há várias técnicas que são utilizadas por eles para escárnio (consulte as técnicas de ridicularização), e justamente com as formas de revide também.
De qualquer forma, o objetivo aqui é usar como um estudo de caso esse texto “Deus Feito em Casa”, que tem por objetivo incitar à uma briga. Ao invés de brigar, que tal avaliá-lo e mostrar o nível de retardo mental (altíssimo) de quem o escreveu?
Lembro também que o endosso em 100% dos adeptos do blog “Bule Voador” mostrou que é lícito retaliar à vontade contra eles, pois eles aprovam a tentativa de escárnio.
Vamos começar.
E considerando que todas essas culturas são diferentes entre si, todos esses deuses acabam sendo diferentes entre si também.
O autor (cujo nome não descobri, talvez ele tenha vergonha, mas o chamarei de “neo ateu” a partir de agora) comete o erro aqui de achar que se várias culturas conceituam um objeto de forma diferente, então se trata de vários objetos. Obviamente um exemplo de paralaxe cognitiva da figura.
Mais ridículo vem a seguir:
Se você quer ter um deus particular (um só seu), não é tão complicado assim. Diga que seu deus existe e mande que os outros provem em contrário.
Engraçado seria a figura chegar aqui e pedir para eu “provar em contrário” ao Deus dele, e eu dizer que “não me importo”. A partir daí é só provocá-lo a ponto de fazê-lo tremer na base. Tsc, Tsc… Santa ingenuidade neo ateísta. (Recomendo ler os textos “Ateus ou Teístas: Quem é que vai para a Arena?” e “A Triste História de Gustavo Bandejra”, para quem ainda não os leu).
Ele prossegue:
Este artigo mostra como criar seu próprio “Deus Home-Made”. Come with us e que seu deus o acompanhe.
A partir daqui ele começa as 10 “regrinhas” que ele afirma.
Uma mais infantil e patética do que a outra.
Há tantos erros lógicos e ingenuidades que postarei os comentários somente após cada técnica.
1 – SÓ ELE EXISTE
Bom, pra princípio de conversa, somente o seu deus existe. Ele é único e exclusivo. Você acredita nele e isso é o suficiente para provar tal existência [1]. Quem duvidar que prove o contrário, ora essa [2]! Assim, quem não acreditar em seu deus é ateu. Pouco importa se são judeus, cristãos, muçulmanos, seguidores de deidades pagãs etc. São todos ateus e ponto final! [3]
Ignore os princípios da Lógica [4]. Exija que provem que seu deus é apenas uma piada e que não existe de fato [5]. Não dê a mínima se te disserem que não se pode provar uma inexistência, isso é papo de ateu ignorante [6]. Seu deus existe, é real e o ama de verdade. Os ateus? Ora, seu deus os odeia (assim como você os odeia também) e vai mandá-los pro inferno, para sofrimentos terríveis. Entretanto, sendo você uma pessoa boa e justa, estará orando para que seu deus os perdoe (coisa que você sabe que nunca acontecerá) [7]. Você fica parecendo um cara legal, seu deus fica com duas personalidades e todos os que o contrariarem irão pro inferno, tendo medo e se afastarão de você, mostrando o quanto você está certo [8].
Quer coisa melhor que isso? [9]
1 – Só isso já mostrou que ele é intelectualmente inferior aos adversários dele (que provavelmente seriam os membros das principais religiões), pois estes não dizem que basta acreditar que o Deus passaria a existir. A teologia judaica e a cristã, muito complexa e rica, mostra que o estágio mental do neo ateu é patético. Ele ainda está comendo poeira, e muita.
2 – A piadinha dele torna-se inútil, pois ele não é indiferente ao Deus das principais religiões, mas seríamos indiferentes ao “deus dele”. Portanto, a provocação dele não surtiria efeito nenhum. Basta ridicularizá-lo em retorno a cada vez que ele tentar esse estratagema.
3 – Aqui é o tradicional erro cognitivo dos ateus mais incapazes, que nem sequer sabem o conceito de ateu. Para maiores informações, consulte a técnica “Todos são Ateus”, na seção “Conhecendo o Inimigo”.
4 – Notem as dicas que o coitado dá… Bem, em nossa religião não ignoramos os princípios da lógica. Então, ele que morra de inveja.
5 – Ihh… esse ainda está na fase da exigência? Ele vai ter muitas decepções na vida.
6 – Errado. Isso é papo de ignorante em lógica, independente de ser ateu ou não. Tanto existência como inexistência podem ser provadas. O ônus da prova é de quem fez a alegação. Se ele não sabe nem isso, como pode tentar praticar escárnio?
7 – Aqui é pura falha de raciocínio dele. Se ele sabe que não acontecerá, por que iria orar então? Talvez ele tenha lido a mente dos oponentes, para saber que eles rezam, mas duvidam da própria reza. Ou talvez ele não saiba por que os adversários rezam.
8 – No caso, se afastariam do neo ateu por outros motivos, inclusive infantilidade…
9 – Notaram que ele se contenta com pouco?
2 – SEU DEUS SABE TUDO
Ora, convenhamos, um deus que se preze tem que saber tudo. Senão, para que alguém precisaria dele? [10] Contrate um economista e fim de papo! Mas, você está criando uma religião e não um cargo no Ministério da Fazenda. [11] Assim, seu deus sabe tudo de tudo sobre tudo. Sabe até o que as pessoas não fizeram, mas queriam fazer. E o que é melhor: Disse tudo a você, pois você é o enviado dele (não, não foi um trocadilho com relação à sua opção sexual). [12]
Desse modo, você – oh, Profeta! – também sabe tudo; e não caia na conversa de incrédulos que dizem que suas acusações são infundadas. Seu deus nunca o enganaria, não é mesmo? Condene severamente, amaldiçoe e execre em público todos aqueles que o contrariarem, não esquecendo de orar pela graça do seu deus a essas pobres almas pecadoras (coisa que você não faz a menor questão que aconteça). [13]
10 – Aqui ele admite um Deus de acordo com as necessidades dele. Ou seja, realmente é um Deus que ele inventou, e não serve para ele atacar a maioria dos religiosos. Ele poderia retrucar dizendo que o “nosso” Deus seria inventado também. Mas aí ele é que teria que correr atrás das provas. Para mais detalhes, consultar a técnica “Bule de Russell”.
11 – Aqui é pura insanidade e loucura do neo ateu.
12 – Engraçado que se ele sair com essa conversa, ele é que ficará com pose de maluco. Essa é a diferença da religião cristã para seitas de malucos… De novo, ele que morra de inveja.
13 – O mais divertido é que o neo-ateu afirma que faria isso mas nem sequer revelou o seu nome, pois ele sabe que sua proposta é infantilóide. Será que ele tem algum “estudo de caso” para provar o que afirma? Ah, não vale abordar as religiões tradicionais, pois ele não tem a mínima idéia de como elas se iniciaram…
3 – SEU DEUS ESTÁ EM TODO LUGAR
Olha só, seu deus tem que estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Se aquele deus lá (o tal daqueles caras largados no deserto, junto com bosta de cabra) era onipresente, por que o seu não seria? [14] Afinal, o seu deus é único e verdadeiro, enquanto que o deles é falso, obviamente. Se o deusinho deles fosse verdadeiro, ele teria se apresentado para você. Ele fez isso? Não, mas o seu deus sim! Em quem você prefere acreditar? [15]
Assim, o seu omniultrapowermegafucker deus pode ver onde estão os pecadores, para ferrá-los depois. Afinal, é estando em todos os lugares que ele sabe de tudo, não é mesmo? E se te perguntarem como ele precisa estar em algum lugar se ele sabe tudo, chame esta pessoa de herética, berre que é blasmacho… quero dizer, blasfêmia condene-a ao inferno, jogue algumas maldições sobre a família dele e grite alucinadamente. [16] Nossa legislação ainda está proibindo assassinatos, e este seria o único método de fazê-lo parar. Logo, NÃO PARE!!! [17]
Não esqueça de terminar com a frase: Meu deus te ama. [18]
14 – Mais um erro lógico, pois se ele afirma que há um outro Deus, além do dele, então não haveria sentido nele dizer que é o único Deus. Ihh….
15 – Detalhe que essa provocação só teria valia se todos os religiosos fossem profetas, o que seria uma idiotice. Pensando bem, é uma idiotice da parte do neo ateu mesmo. Fraquinho, fraquinho…
16 – Já deu para descobrir quem são os adversários dele. São os fanáticos de rua. Ora, se ele escolhe como adversários a turma do populacho (e ainda assim, aqueles desajustados), como iria querer duelar com outro tipo de religioso? É nisso que dá ele ser um duelista de segunda divisão…
17 – Ele está histérico neste momento…
18 – Só a frase “Meu deus te ama” mostrou a ingenuidade da proposta dele, pois ele afirmou antes que ele criaria um Deus que seria “único”. Notaram como ele se desconcentra fácil?
4 – SEU DEUS É BOM
Claro! Afinal, ele é deus. E todo deus é bondoso, certo? Errado! O SEU deus é bondoso! Os deuses dos outros não são porque não existem. Se existissem, não haveria monoteísmo. [19] E você sabe muito bem que seu deus lhe disse que ele era o único deus que existia; e você, como um bom fiel (e poderoso profeta), vai acreditar em tudo o que o senhor seu deus fala, é óbvio! [20]
Entretanto, convém notar que seu deus fica irritado às vezes e pune as pessoas. Isso acontece sim, é verdade, e é tudo por culpa de quem? Dele que as criou? Claro que não, ora bolas! A culpa é de quem não entendeu o que seu deus disse. E se ninguém mais ouviu o que seu deus falou, é porque são pecadores. E nós sabemos que pecadores merecem ir pro inferno. [21]
Pode ser que algumas pessoas inocentes sofram, mas quem garante que bebezinhos não se tornariam pérfidos ateus? Seu deus sabe de tudo, logo ele vai punir o bebezinho logo de uma vez. Esta geração atual já nasce endiabrada mesmo. Vide aquela garota do filme do exorcista. Aquele padre molenga achou que ela era boazinha. Se ela realmente fosse, teriam feito uma continuação do filme? Pense nisso. [22]
No final das contas, seu deus é o cara mais legal que você conhece. [23] O pessoal que sofre, mas dizia acreditar nele, não passam de mentirosos. Somente o verdadeiro fiel tem graças infinitas. Se não tiver, é porque seu deus quer testar a fé deles, mesmo sendo omnisciente. Logo, é necessário que você seja instrumento do seu deus e comece a perseguir e imputar dor e sofrimento a quem o rodeia. [24] Vai que eles são espiões dos falsos deuses? De qualquer forma, a pessoa tem que saber que não é fiel ao seu deus. Mesmo sendo um bebezinho de colo. E você – oh, Profeta! – é aquele que ajudará o seu deus nesta Missão Santa, que não tem nada de impossível. Ou você acha que Tom Cruise faria melhor? [25]
19 – Engraçado que essa falácia da (in)credulidade pessoal é uma prática do neo ateu. “Ex. Se Deus existisse, eu acreditaria nele”. Já se deu mal até nessa…
20 – Novamente, provocação inútil a não ser que ele fale com um profeta. O problema é que se ele quiser se comparar a Jesus, este não CONCEITUOU Deus. Sendo assim, ele duela com um inimigo da imaginação dele. Pura esquizofrenia neo ateísta…
21 – Aqui é apenas interpretação infantilóide. Apenas a interpretação dele, pura e simplesmente, já é suficiente para ridicularizá-lo.
22 – No filme Exorcista, a menina não “nasceu” possuída. Portanto, até nas referências ele se perde.
23 – O fato dele definir deus como um “cara” mostra que ele ainda usa a concepção de Deus de uma criança de 6 a 7 anos.
24 – Engraçado vai ser ver se ele terá coragem de fazer isso. Eu duvido…
25 – Mais uma vez, discurso inútil para duelo contra aquele que não é profeta. Inútil do ponto de vista da provocação.
5 – DEUS TE ESCOLHEU
Bom, tomando por base que você criou o deus, é justo supor que você (e ninguém mais) é o mensageiro dele. E é simples de entender.
Você criou um deus. Mas só fez isso porque seu deus existe e lhe disse isso pessoalmente. Você sentiu ele penetrar em… humm… err… bem, ele entrou em você (espiritualmente, é claro) e isso o inspirou divinamente. Seu deus só fala com você e ninguém mais, porque mesmo sendo onipresente, ele sente que precisa de um porta-voz na Terra. E sendo o porta-voz dele, você usa a inspiração para espalhar a Boa Nova. Qual é a Boa Nova? Seu deus existe, ama todo mundo, mas vai destruir todo aquele que pensar em dizer que o profeta dele (no caso, você) é totalmente maluco.
Quem não acreditar, terá a misericórdia do seu deus (enquanto arde no fogo do inferno). Até mesmo o Hank pensa duas vezes de contrariá-lo e Chuck Norris passa batido. [26]
Qualquer mente esclarecida ao mínimo saberá na verdade que você não criou nada. Seu deus é que lhe fez ter esta idéia – esta inspiração divina, digamos assim – pois ele precisava de um mensageiro fiel e um profeta à altura da grandiosidade dele. Logo, o escolhido foi… VOCÊ!! Pouco importa se a descrição do seu deus se pareça contigo. É normal, já que fomos feitos à imagem e semelhança dele, mesmo tendo tantos indivíduos completamente diferentes um dos outros. [27]
Portanto, cabe a você – oh Escolhido – impor… hã, quero dizer… pregar o culto ao deus supremo. Quem vai lhe contestar? Um bando de céticos que não sabem de nada? Condene-os ao inferno e está tudo certo. [28] Teu deus te ouvirá. Afinal, quer maior teste de fé que aceitar você, meu caro Profeta, que seu deus é único e que todos devem fazer o que você manda? [29] Afinal, você é o Escolhido. Mas, evite andar de casacão preto e óculos escuros e jamais – JAMAIS!! – tome qualquer pílula ou comprimido na cor vermelha. [30] Isso é coisa do diabo (daqui a pouco saberemos mais sobre isso).
26 – Como se nota, a paralaxe cognitiva dele de novo segue. Ele prossegue achando que todos os religiosos são profetas… rs.
27 – Aqui ele confundiu “Deus fez o homem a imagem e semelhança” com “Deus fez o profeta com a imagem e semelhança”. Ele está menos criativo, mas igualmente incapaz.
28 – De novo, inútil como provocação aos cristãos (ou judeus, ou islâmicos), pois não é um profeta que condena ao inferno…
29 – Notem o que ele entende por “prova de fé”…
30 – Só isso já dá para ter uma idéia do perfil do neo ateu, pelos seus gostos pessoais. Aliás, isso de andar de casacão preto e óculos esculos não é coisa de emo?
6 – SEU DEUS FEZ TUDO
Precisava dizer isso? Ora, se o seu deus é único e poderoso, claro que ele fez o Universo há… bem, não importa quando foi, importa? E não acredite em cientistas. [31] Como diz o reverendo Homer Simpson: “Fatos… Bah! Pode-se provar qualquer coisa com eles”.
A parada é a seguinte: Numa hora de ociosidade, seu deus resolveu criar tudo. Muito bem, ele criou. E para quê? Para que nos mundos… digo, neste mundo aparecessem seres que o adorassem. Simples, não? Afinal, se ele é deus, a nossa obrigação é cairmos de joelhos [32] perante ele (e a você também, já que é o emissário); e quem não quiser… bem, é um ateu desgraçado e vai sofrer penas infernais de dar dó. [33]
Mas, como você avisou antes, seu deus não terá pena de ninguém. Mas, tenha certeza: Seu deus ama todo mundo, pois é clemente e misericordioso.
31 – Talvez aqui ele conseguiria duelar com Testemunhas de Jeová. Mas só…
32 – O “cair de joelhos” só mostra o quanto a auto-estima desse neo ateu é frágil…
33 – Aqui ele divide um mundo entre os crentes no Deus que ele inventou e ateus… Para ele, dislexia pouca é bobagem.
7 – O NOME DO SEU DEUS
Deus, ora bolas! Que outro nome ele precisa ter? Os outros que tenham, já que não passam de demônios mesmo. O único deus que existe é o seu, lembre-se disso. [34]
34 -Ué, antes ele falava de um Deus criado por ele. Agora ele muda para um Deus definido por ele. Ora, ou ele está criando um Deus ou não está… A perturbação do neo ateu é evidente.
8 – HISTÓRIAS CÓPIA/COLA
Em qualquer religiãozinha ridícula, vagabunda e mequetrefe que vemos por aí, os deuses (bem chulés também) passam por histórias grandiosas e épicas. Tendo isso em mente, você pode se perguntar: O que meu deus fez de extraordinário?
Bem, meu caro Profeta, a resposta é simples: Tudo aquilo e ainda mais! [35]
Pensa comigo. Seu deus fez tudo de tudo, certo? Os outros deuses não passam de historinhas inventadas (que perdem de 1000 a zero para as do Cebolinha). Seu deus hiper-mega-ultra é muito superior. E se as outras culturas possuem aquelas histórias é porque copiaram das aventuras de seu deus. [36]
Não interessa se você o criou agora, isso não é relevante. Seu deus sempre existiu, isto é fato! E se ele sempre existiu, todos falavam dele, apesar de darem nomes diferentes. Não importa! Seu deus é “O Cara” e todos os pecadores estavam falando dele, quando criaram suas mitologias estúpidas.
Assim, eles apenas tiveram contato com seu deus, mas como porcos pecadores que são, ignoraram o “hômi” e agora estão pagando por isso. Isso significa que todas aquelas histórias foram baseadas em acontecimentos VERÍDICOS ordenados pelo SENHOR seu deus. [37]
E tudo começou com uma chuvarada imensa que alagou tudo inclusive as montanhas mais altas (o fato da água ter aparecido do nada é irrelevante. Seu deus fode pode tudo). [38]
E quem duvidar só pode ser um ateu desgraçado e você sabe melhor do que eu o que acontece com hereges. Afinal, você é o inspirado. [39][40]
35 – Notaram que aqui ele mudou o discurso e agora está tratando apenas de uma versão do cristianismo que só é utilizada em catecismo de crianças muito novas?
36 – As fantasias dele se multiplicam, pois antes ele tentou ironizar o Deus judaico-cristão, e agora finge um comportamento que não é o da cultura judaico-cristã. Está claro que ele se perdeu na tentativa de ataque, e está sem foco…
37 – Geralmente quando um neo ateu começa com essa sandice, é melhor pedir as referências do que ele alega (livros, tratados de teologia, etc.). Geralmente eles correm para a casinha…
38 – Aqui é o anacronismo, pois isso só valeria como provocação para uma religião que defina que o início do universo tenha sido com um dilúvio…Logo, ele não consegue implementar provocação em ninguém.
39 – Aqui é de novo a dissonância cognitiva por entender errado o termo ateu.
40 – De novo, aqui só valeria como provocação se o adversário fosse um profeta.
9 – O DIABO
Não existe somente mocinhos bons numa história. Sempre há aqueles que matam, estupram, pilham, saqueiam, mutilam, escravizam, massacram e agem com selvageria extrema em guerras sangrentas e desnecessárias.
Um cético pode lhe interromper neste ponto e dizer que tudo isso fora muitas vezes causadas em nome das religiões. [41] O que você fará? Resposta: Rirá com desdém. [42] Por quê? Ora, Profeta, simplesmente porque não foi o seu deus (o único e verdadeiro deus que existe), mas sim obra do diabo.
O diabo, cramunhão, pé-de-bode, capiroto, bicho-feio, demo e nomes afins retratam a mesma coisa: qualquer pseudodeusinho pé-rapado que não seja o seu deus. Afinal, seu deus é único. Os demais deuses (todos falsos) são contra ele. O diabo é uma figura que se contrapõe ao seu deus, assim: todos aqueles deuses são demônios. Simples! [43]
Aqueles dois céticos chatos de um certo Blog inconveniente [44] podem argumentar dizendo que se seu deus criou tudo, logo criou o diabo também e, assim, é responsável por tudo. E daí? Eles que falem! Eles foram tocados pelo seu deus? Não, mas você foi (espiritualmente, claro). Eles entendem a beleza disso? Claro que não. São alarmistas fantasiosos e, pior de tudo, céticos (arghhhhhhhh). [45]
Assim o que lhe resta? Sacudir a cabeça, insistir que seu deus é bom, o capeta não é, eles estão influenciados pelo maligno e acabarão no inferno. Mas, como você é uma boa pessoa, rezará muito para que eles encontrem a luz do seu deus, amém. [46]
41 – O problema é que se o “cético” afirmar isso, e não mostrar a relação de causa-efeito (ex. por causa da religião), ele será um crédulo, e não um cético…
42 – Fico imaginando o nível dos teístas com quem esse neo ateu tem duelado… Deve ser tipo os caras do Atheist Experience, que só aceitam duelos, mas não com os teístas que entendam do assunto.
43 – Todo esse esperneio para errar gravemente na forma como se entende o Demônio. Ou seja, para ele, o Demônio é um Deus. Esse é mais um que caiu no conto do Dawkins (que queria vender o monoteísmo como politeísmo por causa dos santos).
44 – Esse blog seria o Ceticismo.Net? Mas quem disse para eles que a dupla é cética? Eles são ateus, mas não possuem traços de ceticismo. Um exemplo é esse texto da dupla, recheado de credulidade e ilusão.
45 – De novo a auto-ilusão dele se achando um cético, quando na verdade ele nem sabe o que é ser um cético… Se o texto for da dupla, o delírio é de ambos.
46 – De novo, a interpretação aqui não é diferente da interpretação religiosa de uma criança de 6 ou 7 anos. Provavelmente estava faltando assunto para o sujeito aqui…
10 – CONTRADIÇÕES
Seguinte. Seu deus precisa dar algumas instruções. Essas instruções (devidamente repassada por você) podem ser compreendidas ou não. Não é problema seu se tem idiotas no mundo que não compreendem o senhor seu deus. Esses são infiéis e merecem o inferno.
E o fato de haver discrepâncias e contradições, só ressalta o valor espiritual de suas palavras, pois a letra cata e o espírito mexirica. Ou algo similar a isso. [47]
Isso significa que seu deus é sábio e confundiu todo mundo para que ele pudesse saber quem é o verdadeiro fiel. Afinal, ele é omnisciente, mas as pessoas não. [48] E estes precisam ser testados, para que usem seu livre arbítrio e sigam da melhor forma possível tudo o que já tinha sido predestinado [49] pelo seu deus omnibondoso, já que ele mandará quem não fez direito nenhuma de suas instruções lá pras profundezas do inferno [50].
47 – Se ele já assume a idéia que ele entendeu como contraditória, como ele provaria que a idéia entendida pelo outro é? Por enquanto, é fé do lado dele.
48 – Eu não sei se as pessoas em geral não são sábias, mas o neo ateu do texto com certeza não é.
49 – Aqui é a confusão default da maioria dos neo ateus mirins: confusão entre previsão e predestinação. Resumindo, eles confundem “Deus sabe” com “Deus definiu que seria feito”. Erro de amador.
50 – Detalhe que a condenação ao inferno não seria feita por Deus, na religião cristã, e sim seria uma consequência das ações das pessoas. De novo, ele erra o alvo e tenta atacar um adversário que ele inventou.
Conclusão
Como pode tentar ofender um adversário com escárnio alguém que possui tão pouca inteligência quanto o autor do texto “Deus feito em casa”? Simples. Somente com uma auto-ilusão, oriunda de lavagem cerebral, é que pessoas podem aceitar que esse texto é o suficiente para tentar adentrar em guerras intelectuais. A facilidade com que se revida tal tipo de provocação é fácil demais. No texto, são 50 oportunidades de revide, que, de acordo com a criatividade de cada duelista, podem ser expandidas de forma a deixar o neo ateu irritado por semanas. O objetivo final, é claro, não é a irritação do adversário, e simplesmente que seja passada em público a mensagem de que o respeito dado pelo neo ateu ao religioso é aquele que será dado a ele. Até o momento em que, por bem ou por mal, ele começará a agir feito alguém com dignidade e pare de comportamento antisocial. Revidar ataques desonestos desse tipo é uma forma de forçá-lo a se comportar direito.
P.S.: Pelo que tenho notado nas reações dos participantes do blog Bule Voador (e também de outros neo ateus), algumas críticas e refutações feitas à eles estão sendo encaradas de forma pessoal, o que é uma estupidez que eles estão cometendo. É preciso que eles entendam o básico da questão: o MESMO respeito fornecido pelos neo ateus aos religiosos, é o que deve ser fornecido aos neo ateus pelos religiosos. Não vejo por que eles seriam uma classe privilegiada isenta de críticas. Simplesmente não faz o menor sentido. Será que só por ser minoria alguns neo ateus acham que eles devem ficar isentos de críticas? Será que eles acham que as idéias que eles defendem devem, da mesma maneira, ficar isentas de críticas? No way…
Equívocos neo ateístas sobre a moral absoluta

O blog da LiHS, que se define como “humanista secular” (embora com discurso neo ateísta), tentou dar uma cartada contra a religião aproveitando-se dos eventos trágicos recentes no Haiti.
Talvez seja uma lição que aprenderam com Richard Dawkins, o qual aproveitou-se do atentado no 11 de Setembro para vender a idéia de que religião causaria a violência.
O texto já começa com um estratagema erístico em seu título: “Religião garante uma moral absoluta?”.
O que seria, naturalmente, uma ampliação indevida. Como já mostrado várias vezes aqui, a ampliação indevida consiste em criar uma versão exagerada de uma afirmação do oponente, refutar essa versão exagerada e fingir que refutou a versão original.
O artigo, na verdade, é citação de um texto de Fernanda Calgaro, publicado na G1 Notícias.
“Cientistas políticos comparam situação política no Haiti ao “estado de natureza”
Fonte: G1 Notícias
Autora: Fernanda Calgaro
Brigas nas filas de distribuição de alimentos por entidades humanitárias, canos de abastecimento da cidade cortados para ter acesso à água e saques a supermercados em ruínas são cenas comuns nos últimos dias em Porto Príncipe, capital do Haiti, devastada por dois terremotos. A situação do país e a reação de seus habitantes, que, na luta pela sobrevivência, acabam ferindo princípios morais e éticos, compõem o que o pensador inglês Thomas Hobbes (1588-1679) chamou de “estado de natureza”.
“O estado de natureza é a ausência total de regras. É quase uma anomia, quando não existe o estado. As pessoas acabam agindo dessa maneira, racionalmente, como uma maneira de se autopreservar”, explica Rogério Arantes, professor de ciências políticas da USP. “O país acaba mergulhado num clima de insegurança, por causa do medo das outras pessoas. Numa situação como essa, as atitudes ficam imprevisíveis.”
Segundo ele, o “estado de natureza” puro, com a completa inexistência de ordem, nunca existiu. “É uma ideia hipotética, mas há duas situações reais em que um país se aproxima dele: 1) guerra civil, em que não existe um organismo no país que monopolize a força física para conseguir valer as leis; e 2) no caso de guerra entre os estados no plano internacional, a chamada ‘guerra de todos contra todos’, em que os estados agem na lógica da autopreservação.” Na visão do professor da USP, o caso do Haiti não chega a ser “estado de natureza”, porque há organismos internacionais agindo.
Reconstrução do país
O cientista político Cláudio Gonçalves Couto, professor da PUC-SP e da FGV, é da mesma opinião. Ele explica que, antes do terremoto, já havia a atuação de forças internacionais de paz no país para criar condições para a reconstrução do Haiti, após anos de guerra civil. “No entanto, com o terremoto, desorganização tão profunda das relações sociais que estavam sendo estabelecidas, houve um retrocesso ao estágio anterior, que se assemelha ao estado de natureza.”
“Na falta de um poder central capaz de dizer o que é lícito e ilícito e punir as eventuais transgressões de um modo a manter a ordem, o que existe é uma situação em que todos tentam resolver os seus problemas de acordo com o que a sua força permite, o que acaba resultado na conflagração generalizada entre as pessoas.”
“Há aqueles que, por desespero ou oportunismo, vêem essa situação em que não há uma fonte de ordem estabelecida, usam os seus recursos próprios para fazer aquilo que lhes é mais conveniente.” Couto cita como exemplo o caso dos presos que fugiram de uma prisão que desabou com o terremoto e voltaram para uma favela que é o centro da criminalidade e instauraram a sua própria ordem.”
Como se nota, no texto original não há juízo de valor a respeito da religião.
Toda interpretação para tentar abrir um “caso” contra a religião parte unica e exclusivamente do representante do blog, Guilherme Roesler, que postou uma introdução ao artigo.
E, como já dito, se ele já começa com um estratagema erístico e falacioso no título, é claro que o restante não seria diferente.
Vejam como ele apresenta o texto:
“É dito sempre por religiosos, que o povo sem religião cairia na barbárie [1]. Bom, vamos discutir alguns dados: Cerca de 95% dos haitianos proclam fé Cristã [2]. Isso, segundo os defensores da religião como uma forma de moral absoluta, deveria garantir que mesmo sem as forças policiais, um país de maioria religiosa deveria se manter civilizado [3]. Entretanto, quando algum desastre elimina o governo estabelecido [4], vemos um país mergulhar em um caos selvagem, que apenas o estabelecimento de uma nova ordem social pode inibir.
1 – O primeiro erro aqui ocorre na falácia do espantalho, o que se torna ainda mais suspeito por Guilherme afirmar que algo “é sempre dito por religiosos”, mas não especifica quais (religiosos) e nem faz citações.
2 – Ele usa a informação de que 95% dos haitianos proclamam fé cristã. O que, conforme veremos à frente, não é relevante para o caso dele.
3 – De novo ele cita os “defensores da religião”, mas não consegue especificar quais. O grotesco, é claro, vem quando ele afirma que a religião deveria “garantir” que mesmo sem as forças policiais, um país de maioria religiosa deveria se manter civilizado. Ele obviamente pratica distorção, pois o que normalmente é alegado é que um povo que acredita em moral absoluta pode JULGAR o que é certo ou errado e evitar distorções nesse julgamento em quantidade muito menor do que um povo que não acredita. Por exemplo, sabemos que matar é errado. Esse é um valor absoluto. Mesmo que o país tenha uma onda de homicídios. julgaremos o evento justamente por esse princípio, absoluto. Em um país sem valores absolutos, como foi a Rússia Comunista, e como é a China atual, é possível que o “matar é errado” seja uma “verdade conveniente” e temporária, passível de ser eliminada a bel prazer através de truques de retórica, de acordo com a “conveniência”, pois os valores não são mais absolutos, somente convenientes. Um exemplo é quando um marxista diz que “matar pela revolução, tudo bem” ou então apóia alguém que teve passado terrorista. O valor pela vida humana deixa de ser absoluto, mas apenas conveniente. O resultado, é claro, muito mais calamitoso do que qualquer evento em países orientados ao aristotelismo (e a religião simplesmente apóia a visão aristotélica). Tanto que podemos ter a certeza de que, em termos de impacto, os eventos sociais descritos na matéria jamais terão o impacto do que teriam em países sob a visão epicurista/marxista, etc…
4 – Aqui é novamente outra distorção de Guilherme, pois são os anarquistas (ex. marxistas) que defendem uma organização sem governo. Nenhuma religião, dentre as institucionalziadas, defende tal absurdo. Portanto, vai ser difícil achar promessas religiosas dizendo “olha é só confiar em Deus, que podemos tirar o governo da parada”.
Como se nota, pelos itens acima, na tentativa de vender ateísmo e tentar atacar a religião, vale tudo.
Os eventos no Haiti não conspiram absolutamente nada contra a religião. Pelo contrário, ela sai reforçada, pois podemos comparar os eventos que se sucederam à tragédia no Haiti com o que ocorreria em países sem valores absolutos.
