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Um fator no debate cristãos tradicionais X neo ateus: a diferença que faz a diferença

No debate entre cristãos tradicionais X neo ateus, tenho notado um fator que faz a total diferença. Esse fator, se a princípio pode parecer algo contra os cristãos, pode e deve ser convertido em algo positivo.
Antes de tudo é importante notar que trato aqui de dois perfis específicos em debate, e elimino vários outros, simplesmente por questões de relevância.
Considero apenas os cristãos tradicionais, do lado dos cristãos, e os neo ateus, do lado dos ateus.
Os ateus tradicionais não estão se importando muito com a religião, e se baseiam em basicamente defender o seu direito de não crer. Então, estão fora deste duelo. Já os cristãos self-service, principalmente os “cristãos mansos”, não estão interessados em debater, e sim fazer proselitismo, e acabam dando mais munição aos neo ateus.
Sendo assim, é importante considerar os dois lados de maior relevância.
No caso dos cristãos tradicionais, não há foco em atacar o ateísmo como um todo, e nem em estimular o sentimento de ódio contra ateus. Já no caso dos neo ateus, o foco é no ataque à religião como um todo e estimulação do sentimento de ódio contra os religiosos (todos, não apenas os fundamentalistas).
Nesse cenário, então, temos o contexto da guerra intelectual.
E qual o fator que atualmente faz a diferença nessa guerra? É o uso da mentira deliberada, como ferramenta para maquiagem de informações a respeito do oponente. Um exemplo é este texto recente, em que comento o artigo de Ludwig, um neo ateu que endossa alegações de Christopher Hitchens.
E nisso os neo ateus são simplesmente mestres. Raros grupos ideológicos se especializaram tanto na fabricação de mentiras a respeito de seus oponentes quanto os neo ateus. Podemos encontrar algum paralelo de tal magnitude no máximo entre os comunistas, talvez pela própria orientação deles de que o que importa é a “classe”, e não a verdade em si.
Para estes, se a informação é conveniente à classe, ela é divulgada, e até ampliada. Se não for, maquia-se a informação de forma a favorecer à classe.
A mentira passa a ser uma estratégia que definirá os grandes representantes da ideologia. Os maiores mentirosos serão os líderes.
Eis que o pensador maquiavélico poderia objetar: de que forma combater um mentiroso senão mentindo ainda mais que ele? Poderia até ser, se não fosse o fato de que esse fator (o uso da mentira de forma deliberada) conspira contra a moral absoluta na qual os cristãos acreditam.
Por exemplo, um neo ateu pode chegar e dizer que o comunismo só causou atrocidades por que é um tipo específico de religião (sim, acreditem, eu já cheguei a debater com gente que disse isso, inclusive neste blog). Para isso, o neo ateu precisou maquiar o conceito de religião, e usar de diversas estratégias erísticas.
Mas para ele não importa, pois ele se orgulhará de ter praticado essa mentira, pois ela teve um objetivo: difamar o adversário.
Nós, cristãos, não podemos agir da mesma maneira.
Como exemplo, imaginemos a Inquisição. Não podemos, pela nossa própria moral, dizer que a causa dela é o ateísmo em forma de religião, ou então esconder as informações. Simplesmente não dá para fazermos isso.
Eu me envergonharia de mim mesmo se maquiasse as informações para difamar um oponente.
Logo, esse fator existe e é algo que conspiraria, a princípio, a favor dos neo ateus. Eles tem uma ferramenta em mãos que podem usar à vontade, e nós, religiosos, temos freios morais que nos impedem de usá-la.
Sendo assim, na perspectiva maquiavélica, perdemos o jogo?
É aí que não, e é aí que o jogo deve ser revertido a nosso favor, e justamente por um princípio básico: quem mente mais, tem mais sujeiras a serem descobertas.
É o mesmo princípio que explica que a pessoa honesta tem muito menos a temer que o desonesto.
E, dentro desse princípio, o jogo só pode ser revertido a favor dos cristãos com o uso do ceticismo metodológico, incluindo principalmente a auditoria investigativa. É, alias, a principal defesa deste blog: o uso da perspectiva de auditoria e ceticismo na investigação das alegações neo ateístas.
É por isso que, quando eles começam a abrir a boca, para mim começa uma investigação. É exatamente como o Pe. Paulo Ricardo disse.
Com os neo ateus, não se discute, não se dialoga. O debate começa, e desde o início deve-se começar a desmascarar as alegações deles.
Em debates, se a mentira é a iniciativa principal deles, mas não nossa, então nossa ferramenta principal tem que ser o ceticismo e a investigação.
Senão, de que forma descobrimos os picaretas dentro das organizações senão através da função de Auditoria?
E a função da Auditoria é feita dentro de parâmetros totalmente alinhados com a Direção da Organização, e ela é basicamente honesta. Uma das principais características de um bom auditor é a honestidade.
Por isso, da mesma forma, não vamos nos rebaixar ao nível do oponente e usar a ferramenta de mentira deliberada que eles usam. A sugestão é, ao contrário, aumentar o foco no ceticismo e na auditoria das alegações deles. E, para isso, a atitude honesta tem que ser um valor que não pode ser negado de forma alguma.
Ou seja, em debates devemos agir moralmente de forma oposta aos neo ateus.
Uma aula de dramatização e fingimento: cortesia do Bule Voador

Tenho mostrado, post após post, que em termos de caráter, marxista e neo ateu são praticamente a mesma coisa.
Mentem e não possuem vergonha de mentir, e quanto mais mentem, mais parecem se orgulhar quando se juntam entre eles. Algo como se dissessem “aí, pessoal, consegui enrolar um adversário religioso”.
Que esse tipo de postura é previsível, todos nós já sabemos: basta estudar um pouco dos líderes desse pessoal, que estão entre Feuerbach, Marx, Gramsci, Russell e outros baluartes da vigarice intelectual.
Recentemente, o blog Bule Voador lançou no Twitter o seguinte protesto em relação a este blog: “O Bule recebe ataques diários de sites/blogs religiosos. Eu rio muito.”
E qual a menção direta que eles fizeram como exemplo desses ataques? Simplesmente este artigo cá, publicado dias atrás: “A religião não tem nada a ver com a moral de nossa sociedade? Not so fast Junior…”.
Agora, a pergunta: o que será que há de ataque ao blog deles neste texto? Será que existem ofensas aos participantes do Bule Voador? Será que existem palavras de discriminação aos neo ateus?
Não, não há absolutamente nada disso.
Simplesmente no texto eu cito uma matéria de pesquisadores neo ateus, que alegam que a moral independe de religião, e investigo os argumentos. Em seguida desmascaro esses argumentos, um a um.
No máximo, eu cito no texto que o texto original deve tê-los deixado felicíssimos (já que são neo ateus, e anti-religião). E nada mais que isso.
Será que é a isso que eles chamam de ataque?
Isso não tem outro nome que não fingimento e encenação.
Igual àqueles jogadores de futebol que se jogam na área e esperam enganar o juiz, que poderia ficar impressionado com a encenação.
Uma atitude assim é até considerada “engraçadinha” por alguns fãs de futebol, pois lá impera a lei de Gérson: “o que importa é levar vantagem, certo?”.
Mas e num cenário de debates intelectuais? Será que tal expediente baixo é no mínimo aceitável?
Seja lá como for, fica evidente a postura do blog Bule Voador. Se para eles for possível levar uma vantagem, então o expediente oficial será mentir e fingir, não importa o quanto, o que importa é o efeito psicológico causado na patuléia (que os segue).
Como sói ocorre nesses casos, entre eles o apoio à atitude de dramatização chega a 100%.
O irônico de tudo é que esse tipo de gente é aquele que tenta teorizar que a religiãonão é responsável pela moral, e que moral seria possível sem a religião.
Como já mostrado, tal teorização de moral independente da religião não resiste ao mínimo fiapo de investigação.
Agora, uma coisa é certa: que esses neo ateus militantes não são exemplo de moral, ah, isso não são.
A não ser que eles queiram incluir comportamentos de fingimento e encenação para enganar os outros como parte de uma conduta moral e aceitável.
Nesse caso, os argumentos que eles apresentariam para isso com certeza seriam no mínimo engraçados.
Pensando bem, acho que nem eles teriam coragem para teorizar sobre isso (definir fingimento e encenação como um ato moralmente aceitável).
Mas, tudo é possível quando se trata de crias do marxismo.
Afogados pelos números: mais uma mentira neo ateísta descoberta

Aqui no Brasil, alguns torcedores de Corinthians e de Flamengo (sem preconceito, é claro, pois futebol não é algo relevante para mim) tentam afirmar alguma superioridade pelo fato de terem uma grande torcida.
Ok, pode ser uma técnica que usam em debates. E se eles gostam disso, que o façam.
Só que curiosamente a tentativa de apregoar “grande quantidade” virou ultimamente um mantra de alguns neo ateus.
O problema é que os debates sobre futebol não tem a idéia de serem racionais, já os debates sobre religião ou ciência, obviamente precisam ser racionais.
E é aí que a porca torce o rabo.
Não é raro eles superestimarem o número de ateus.
Recentemente Byron McCane fez uma análise a respeito dessa manipulação de dados: “… eles superestimam dramaticamente o número de descrentes. De acodo com a Pesquisa da American Religious Identification, 15% dos americanos não são atualmente membros de qualquer organização religiosa. Essa informação os levou a alegar que um em cada seis americanos é agora um descrente. Mas os dados na verdade mostram que 3 quartos das pessoas, dentro daqueles 15%, estão no meio entre os extremos dessas práticas religiosas”.
O estratagema que propagandistas do neo ateísmo usam é bastante simples: geralmente eles pegam a expressão “não afiliado à uma organização religiosa”, e MAQUIAM essa informação de forma que pareça que todos estes são ateus.
Depois disso, lançam o argumento de venda: “O número de ateus está crescendo”.
Como pode ser visto no gráfico acima, suportando a idéia de McCane, a picaretagem é evidente.
Por exemplo, muitos podem alegar não serem religiosos, mas serem deístas, panteístas e não se qualificam como ateus.
Por causa disso, e depois de tanto tempo de debate com ateus, me acostumei a sempre suspeitar dos números divulgados por eles.
Quase sempre uma mera análise vai revelar alguma fraude, como essa que o gráfico acima ajuda a desmascarar.
Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 7 – A grande fraude intelectual de Dawkins sobre a prece

Depois de dois desastres consecutivos (a tentativa de atacar o agnosticismo e a tentativa de atacar o MNI), Dawkins resolve escolher um adversário aparentemente mais fácil: um suposto experimento de prece intercessória realizado em 2006, com suporte da Fundação Templeton.
O problema é que o tal experimento da prece nunca foi um experimento de prece em si, e sim uma picaretagem sensacionalista. Vamos às evidências:
Nem os pacientes, nem os médicos ou enfermeiros, nem os autores do experimento podiam saber quais pacientes estavam recebendo orações e quais eram do grupo controle. Aqueles que faziam as preces experimentais tinham de saber o nome dos indivíduos por quem estavam rezando — do contrário, como saber se estavam rezando por eles, e não por outras pessoas? Mas tomou-se o cuidado de contar aos que faziam as preces apenas o primeiro nome da pessoa e a primeira letra do sobrenome.
Mas esperem aí, vamos com calma… quer dizer então que o pessoal do experimento foi convidado, recebeu algum dinheirinho (que sempre acontece nesse tipo de experimento, senão o povão não vai lá participar mesmo), ganhou o sanduíche, o suquinho, e ganhou um papelzinho com o nome de uma pessoa para rezar por ela?
Numa boa, isso não tem nada a ver com a prece religiosa, que é um ato de comunicação e adoração com Deus, e que deve ser feito de forma honesta.
Ou seja, não se “vende” preces, e não se faz “preces por encomenda”.
Seja o que for que esse estudo avaliou, não são as preces religiosas.
E, para piorar, mesmo que fossem as preces, as mesmas não precisam ser intercessórias, pois basicamente podem ser uma comunicação do religioso com Deus.
Não que Dawkins seja o único picareta na história, pois ele apenas se aproveita de outros picaretas, principalmente da Fundação Templeton, como sempre envolvida com sensacionalismo envolvendo religião.
Mas o fato é que como “experimento de prece”, o tal estudo alegado por Dawkins não serve.
Espertamente, Dawkins finge não querer saber disso e sentencia:
O dr. Benson havia sido citado antes, num material de divulgação da Templeton, como alguém que “acredita que estão se acumulando as evidências da eficácia das preces intercessórias no cenário médico”. O que garantia, portanto, que a pesquisa estava em boas mãos e que não seria sabotada por vibrações célicas. O dr. Benson e sua equipe monitoraram 1802 pacientes em seis hospitais; todos haviam sido submetidos a cirurgias de ponte de safena e/ou mamaria. Os pacientes foram divididos em três grupos. O grupo l recebeu preces, mas não sabia disso. O grupo 2 (o grupo controle) não recebeu preces e não sabia disso. O grupo 3 recebeu preces e sabia que estava recebendo. A comparação entre os grupos l e 2 testa a eficácia das preces intercessórias. O grupo 3 testa os possíveis efeitos psicossomáticos de saber que se está sendo alvo de preces. As preces foram feitas pelas congregações de três igrejas, uma em Minnesota, uma em Massachusetts e uma no Missouri, todas distantes dos três hospitais. Os autores das preces, como já foi explicado, receberam apenas o primeiro nome e a primeira letra do sobrenome de cada paciente por quem deveriam rezar. Faz parte da boa prática experimental padronizar as coisas ao máximo, e a todos eles foi dito, portanto, que incluíssem em suas orações a frase “por uma cirurgia bem-sucedida com uma recuperação rápida, saudável e sem complicações”. Os resultados, publicados no American Heart Journal de abril de 2006, foram bem definidos. Não houve diferença entre os pacientes que foram alvo de preces e os que não foram. Que surpresa. Houve diferença entre aqueles que sabiam que estavam recebendo preces e aqueles que não sabiam se estavam ou não estavam; mas ela foi para a direção errada. Aqueles que sabiam ser beneficiários de preces sofreram um número significativamente maior de complicações do que aqueles que não sabiam.
A expressão “que surpresa”, naturalmente, é parte de uma estratégia do Dawkins, pois é claro que tal experimento não tinha nada de “experimento de prece”, muito menos de prece religiosa.
Está evidente, aliás, que as pessoa receberam um papelzinho inclusive com a mensagem que deveriam recitar.
Isso, de novo, não tem nada a ver com a prece religiosa.
E, novamente, nem sequer a prece religiosa precisa ser intercessória.
Isso é uma crendice popular, diga-se. A prece é basicamente comunicação com Deus.
Fica evidente, também, que as pessoas que sabiam que recebiam as “orações fake” poderiam estar sob uma pressão psicológica muito forte, pois achariam que se preces públicas estavam sendo realizadas por elas, a situação é que estaria pior do que aparentava.
Até aqui, por enquanto, Dawkins não conseguiu um “caso”, mas, de uma hora para outra o autor inglês tenta um novo estratagema: dizer que os teólogos e religiosos somente negaram o experimento DEPOIS do suposto fracasso.
Para começar ele tenta isso citando Richard Swinburne:
Não seria surpresa se esse estudo sofresse a oposição dos teólogos, talvez preocupados com sua capacidade de lançar a religião no ridículo. O teólogo Richard Swinburne, de Oxford, escrevendo depois do fracasso do estudo, fez objeções a ele afirmando que Deus só atende a preces feitas com bons motivos. Rezar para uma pessoa, e não para outra, só por causa do que determinaram os dados do experimento duplo-cego não constitui um bom motivo. Deus perceberia. [...]Não pela primeira vez, ele tenta justificar o sofrimento num mundo governado por Deus: Meu sofrimento me dá a oportunidade de mostrar coragem e paciência. Ele lhe dá a oportunidade de mostrar solidariedade e de ajudar a aliviar o meu sofrimento. E oferece à sociedade a oportunidade de escolher se deve ou não investir grande quantia de dinheiro para encontrar uma cura para esse ou aquele tipo específico de sofrimento [...] Embora um bom Deus lamente nosso sofrimento, sua maior preocupação é certamente que cada um de nós mostre paciência, solidariedade e generosidade e, assim, forme um caráter sagrado. Algumas pessoas precisam muito ficar doentes para o seu próprio bem, e algumas pessoas precisam muito ficar doentes para proporcionar escolhas importantes para outras. Só assim algumas pessoas são encorajadas a fazer escolhas graves sobre o tipo de pessoa que serão. Para outros, a doença não é tão útil. Esse exemplar grotesco de raciocínio, tão típico da mente teológica, faz-me lembrar de uma ocasião em que eu estava numa discussão pela televisão com Swinburne, e também com nosso colega de Oxford, o professor Peter Atkins. Swinburne, em determinado momento, tentou justificar o Holocausto afirmando que ele deu aos judeus a maravilhosa oportunidade de serem corajosos e nobres. Peter Atkins rosnou, esplêndido: “Que você apodreça no inferno”.
Como se nota, mesmo durante seu estratagema, Dawkins consegue se perder e mistura um monte de coisas ao citar Richard Swinburne.
Ao invés de tentar usar palavras de Swinburne para tentar demonstrar um “apoio anterior, com posterior rejeição” do teólogo, ele prefere praticar a falácia da diversão citando pontos que não tem a ver com o caso.
Dawkins teria um “caso” se mostrasse que antes do estudo Swinburne apoiou o experimento, e após o fracasso teria negado o apoio.
Isso ajudaria Dawkins em sua causa.
Mas ele foge do tema e começa a criticar a posição de Swinburne perante o sofrimento.
Dawkins não entendeu, entretanto, que o argumento de Swinburne focava na experiência do religioso na formação de seu caráter, superando as adversidades da vida.
É a isso que Dawkins chama de “exemplar grotesco de raciocínio”?
Só que qualquer um que não é retardado percebe que Swinburne apenas utiliza outras palavras para explicar que a pessoa deve fortalecer seu caráter independente das adversidades, e que em alguns casos as adversidades servem para moldar o caráter.
É como o exemplo de alguém que perde o emprego, e após isso torna-se um exímio profissional, extremamente competitivo.
Se isso é um “raciocínio grotesco”, fica evidente que Dawkins tem problemas muito sérios.
Dawkins tenta de novo jogar Swinburne contra a platéia e diz que quando o teólogo afirmou que o Holocausto deu aos judeus a maravilhosa oportunidade de serem corajosos e nobres, isso seria uma “justificação do Holocausto”.
É mole? Notem como Dawkins muda o sentido dos discursos dos oponentes.
Não há nada de justificação do Holocausto nas palavras de Swinburne. É simplesmente dizer de outra forma: “Ah, aconteceu o Holocausto? Ok, agora superem ele e mostrem firmeza de caráter”. E, claro, os judeus demonstraram a superação à esses eventos durante o tempo.
Claro que o amigo de Dawkins, Peter Atkins, dotado de muito pouca inteligência, deu um chilique, mas sequer contra-argumentou Swinburne.
No entanto, é importante notar o motivo pelo qual Dawkins iniciou toda essa ladainha contra Swinburne.
A idéia de Dawkins era mostrar que Swinburne tentaria “justificar” a doença, pelos mesmos motivos que “justificaria” o Holocausto, para ao final justificar o “fracasso” no experimento.
Vejam:
Com razão, ele sugere que se Deus quisesse demonstrar sua própria existência ele encontraria métodos melhores de fazê-lo do que não alterar ligeiramente as estatísticas da recuperação do grupo experimental versus o grupo controle de pacientes cardíacos. Se Deus existisse e quisesse nos convencer disso, ele poderia “encher o mundo de supermilagres”. Mas então Swinburne solta sua pérola: “Já há muitas evidências, de qualquer maneira, da existência de Deus, e evidência demais pode não ser bom para nós”. Evidência demais pode não ser bom para nós! Leia de novo. Evidência demais pode não ser bom para nós. Richard Swinburne é o detentor, recentemente aposentado, de um dos mais respeitados cargos de professor de teologia, e pertence à Academia Britânica. Se você quer um teólogo, eles não vêm com muito mais distinções que isso. Talvez você não queira um teólogo.
Nesse momento é a tal argumentação histérica, em que Dawkins usa duas vezes a expressão “evidência demais pode não ser bom para nós”, como se isso fosse algo que conspirasse contra Swinburne, mas não é o caso: em qualquer área de investigação, não se buscam evidências em excesso, mas sim evidências suficientes e pertinentes.
Essas evidências, em relação ao experimento da prece, seriam novas evidências, se fossem comprovadas, mas não seriam evidências úteis, portanto evidências desnecessárias em relação à prece.
De qualquer forma, nem sequer a argumentação de Dawkins mostra que Swinburne teria declarado algo contra o experimento SOMENTE depois do experimento não ter os resultados esperados pela Fundação Templeton.
Além do mais dizer que “evidências em excesso” não são necessárias não é o mesmo que dizer que “evidências” não são necessárias.
Mesmo assim, Dawkins insiste:
Swinburne não foi o único teólogo a desmerecer o estudo depois de seu fracasso. O reverendo Raymond J. Lawrence recebeu um espaço generoso da página de artigos do The New York Times para explicar por que líderes religiosos responsáveis “vão respirar aliviados” porque não foi encontrada nenhuma prova de que as preces intercessórias surtem algum efeito. Teria ele adotado um tom diferente se o estudo de Benson tivesse sido bem sucedido e demonstrasse o poder da prece? Talvez não, mas você pode ter certeza de que muitos outros pastores e teólogos teriam.
As declarações de Lawrence mostram que Dawkins muito provavelmente citou Swinburne fora de contexto, pois se Swinburne falou em “evidências demais” provavelmente a questão era sobre “evidências inúteis”. Isso seria esperado em qualquer área de estudo.
Curiosamente, surge aqui a primeira grande fraude do artigo, em que Dawkins coloca o testemunho de Lawrence sob suspeita, dizendo que se o estudo de Benson tivesse sido bem sucedido ele talvez teria agido diferente?
Dawkins, no entanto, omite a informação que pode ser vista neste link. Aqui, em 2004, DOIS ANOS ANTES do experimento de Benson, Lawrence já deu suas declarações contra o experimento.
Dawkins omitiu essa informação de seu ataque à Swinburne e Lawrence, pois saberia que o poder de difamação do seu artigo seria reduzido à quase nada.
Imaginem só:
- (1) Dawkins teria um caso contra a religião se convencesse o público de que a maioria dos religiosos acha que o tipo de prece é a prece intercessória
- (2) Dawkins teria um caso, também, se provasse que a maioria dos religiosos torciam para o experimento de Benson dar certo
- (3) O experimento de Benson não gerou os resultados
- (4) Os teólogos Swinburne e Lawrence torciam para dar certo
- (5) Como não deu certo, ambos criticaram depois do experimento dar errado
- (6) Esse experimento significa TODOS experimentos similares
- (7) A vitória de Dawkins seria completa
O problema é justamente o fato dele não provar nenhum dos itens, de (1) a (5), e justamente por isso Dawkins não consegue pontuar em sua tentativa de duelo com os religiosos.
Para piorar, não devemos esquecer DE NOVO que na construção de seu teatrinho, Dawkins ESCONDEU informações de Lawrence declarando dois anos antes sua crítica ao experimento. O caso de Dawkins vai pelo ralo deste jeito.
E nem o suposto joguete tentando usar o estratagema da falsa proclamação de vitória serve, abaixo:
Nem é preciso dizer que os resultados negativos do experimento não vão abalar os fiéis. Bob Barth, diretor espiritual do ministério de oração do Missouri que forneceu parte das preces experimentais, disse: “Uma pessoa de fé diria que esse estudo é interessante, mas rezamos há muito tempo e já vimos a prece funcionar, sabemos que ela funciona, e as pesquisas sobre a oração e a espiritualidade estão apenas começando”. É isso aí: sabemos a partir de nossa fé que a oração funciona, então, se as evidências não conseguirem mostrar isso, vamos continuar trabalhando até que finalmente obtenhamos o resultado que queremos.
Quem é Bob Barth? Resposta: ninguém. Ou seja, em seu “caso”, mais uma amostra não representativa.
Ademais, ele tenta atacar os religiosos chamando-os de irracionais por acreditarem que as preces funcionam, até de maneira intercessória (o que, de novo, não é nem o objetivo principal da prece).
Só que até o discurso de Bob Barth é justificável, se formos considerar outros experimentos a respeito da prece intercessória.
Suspeitamente, Dawkins escolheu UM experimento, justamente aquele que deu errado, e OMITIU do leitor outros que funcionaram.
Essa é a segunda grande fraude cometida nesta seção do livro (lembrando: a primeira foi omitir a declaração de Raymond J. Lawrence, de 2004).
O estudo que Dawkins escondeu envolve uma meta-análise, que leva em conta um corpo completo de peqsuisa empírica de preces intercessórias (17 grandes estudos), mostrando que de acordo com os critérios da American Psychological Association Division, a prece intercessória é classificada como uma intervenção experimental que, em linhas gerais, mostra um pequeno, mas significante, efeito positivo.
O trabalho pode ser encontrado aqui: Hodge, D.R. 2007. A Systematic Review of the Empirical Literature on Intercessory Prayer. Research on Social Work Practice 17: 174-187.
Pois é, Dawkins tinha até potencial nessa parte, mas as duas fraudes cometidas, as falsas proclamações de vitória e as citações de Swinburne fora de contexto (e tentando referenciá-lo como autoridade religiosa, coisa que ele não é) ajudam a jogar todo o caso dele na vala.
Ao Dawkins, uma sugestão: tente de novo!
Em defesa de uma investigação secular do neo ateísmo

Eis, então, um site que indico para ser lido não só com interesse, mas sim também nos menores detalhes possíveis: Investigating Atheism. Ainda não o li por completo (cheguei perto disso), mas encontrei lá uma quantidade enorme de informações incrivelmente relevantes e, principalmente, inteligentes.
O objetivo do site não é outro senão abrir uma investigação do ateísmo.
E esta é a postura que considero admirável!
Isso abre o gancho para que eu comente não só o site Investigating Atheism, como principalmente a postura que defendo neste blog aqui.
Antes de tudo, preciso dizer que preferiria que naquele site fosse “investigação do neo ateísmo” ao invés de “investigação do ateísmo”. Acredito que haveria mais foco nisso. Mas não se pode ter tudo.
E esta é a postura defendida pelo meu blog.
Particularmente, pelo que acompanho em Orkut, noto que muitos teístas, durante argumentação com neo ateus, entram em campo de coração aberto.
Exemplo de caso: imagine quando um sujeito neo ateu entra em uma comunidade de religiosos e pergunta: “Vocês podem me comentar a respeito de suas evidências históricas sobre a Bíblia?”. A primeira vista parece uma abordagem natural e amigável, não? Em muitos casos, teístas respondem ao ateu como se respondessem de forma descompromissada a um companheiro de religião ou até a alguém independente. Não demora para este neo ateu começar a ridicularizar as opiniões do teísta, e para isso ele fará uso da abordagem “sem armas” que o teísta usou.
Mas como adivinhar que se está diante de um neo ateu, que, por sua definição, é um adversário envolvido em uma diatribe contra a religião (diatribe esta, proliferada pelo séquito liderado por Dawkins e sua patota)?
Antes de tudo, é bom entender o que é a diatribe. Abaixo uma definição:
DIATRIBE: Termo de origem grega (diatribe, “discurso ou conversação filosófica”) que, inicialmente, se refere aos discursos preambulares moralistas dos filósofos estóicos e cínicios na Grécia antiga. Deste tipo de discursos, possuímos hoje as Diatribai de Epitecto. Um filósofo próximo dos cínicos, Bion de Borístenes (século IV a. C.) introduz o sentido que hoje damos a diatribe: texto agressivo ou premeditadamente ofensivo para com um determinado interlocutor. A sátira greco-latina haverá de recorrer a este tipo discursivo, como nas Sátiras Menipeas de Varrão, ou as Tusculanas de Cícero. Entre nós, a diatribe literária confunde-se com a sátira ou com a comum invectiva, não sendo frequente a referência directa ao género, a não ser em casos pontuais, como o de Joaquim José da Costa e Sá (1740-1803), que nos deixou uma Diatribe critica sobre a latinidade dos poetas: extrahidas das obras de Joao Jorze Walquio (Lisboa, 1775). O tom de invectiva de As Farpas, de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, aproximam-nos facilmente do modelo da diatribe. (Carlos Ceia)
Muito boa definição, diga-se.
Fica mais fácil, com isso, entender com o que estamos lidando.
O conceito de diatribe, junto com o conceito dos neo ateus (que admitem sua intolerância com os religiosos e a religião), já situa os neo ateus em um contexto onde estes são inimigos dos teístas, por definição. Se o neo ateu for REALMENTE amigável, ou disposto a uma discussão leal, então não é um neo ateu: é basicamente um ateu tradicional, contra o qual este blog não tem absolutamente nada contra.
O importante aqui é mesmo considerar o neo ateu, que é o inimigo.
Vale salientar que este é o inimigo somente no conceito da guerra intelectual. Espero que não me compreendam mal e achem que a idéia é que neo ateu saia dando tiros em teístas, e teístas revidem aos tiros os neo ateus. Nunca disse nada a respeito disso. Defendo o conflito… mas é o conflito INTELECTUAL!
Da parte do que os neo ateus fazem em sua diatribe, o que destaco são os ataques difamatórios, baseados em divulgações de informações falsas contra a religião e os religiosos.
E aí que entra o ceticismo investigativo que defendo.
Para quem já assistiu o seriado “CSI: Crime Scene Investigation”, uma dica de postura é exatamente como Gil Grissom e sua equipe tratam as pessoas que investigam. Recomendo também os “spin-offs” da série, passados em Nova York e Miami (a série original se passa em Las Vegas).
Transcendendo para o nosso cenário, a investigação é focada nos argumentos e nos “casos” abertos pelos neo ateus contra a religião.
Recomendo a aplicação do mesmo crivo investigador e cético contra ambos (os argumentos e os “casos”). Como já frisei em outros textos, a avaliação cética se divide em (a) estudo do argumento e (b) estudo do caso. Como exemplo, um argumento seria “Existiu conflito no Camboja, os envolvidos são religiosos; logo, a religião é culpada”. É um argumento ruim, mas é investigado pelo estudo do argumento. Já a informação “a religião tem parte importante no aumento de violência do conflito” é um “caso”, é uma alegação formal, que deverá ser investigada assim como as alegações de qualquer pessoa sob investigação. Questões que podem ser feitas: A religião é um fator? Qual o percentual relacionado a esse fator? Por que outros cenários de conflitos não incluem religião? Pode provar? Tudo isso sabendo que até as “provas” apresentadas serão colocadas sob escrutínio cético. Esse é o estudo de caso.
A meu ver, essa é a maneira definitiva pela qual o neo ateísmo deve ser tratado. Pelo ceticismo investigativo, com base tanto no estudo de argumento como estudo de caso.
Por exemplo: ensinar a palavra de Deus, dar dicas sobre a interpretação da Bíblia, etc… São úteis, mas SOMENTE quando não se está diante de um inimigo. Seria tão improdutivo como o Gil Grissom, em um debate com um suspeito (que tenha culpa no cartório), sair pregando sua visão do que é honestidade. Simplesmente o suspeito é oponente dele, e nada do que Grissom disser nesse sentido será aproveitado pelo oponente. É perda de tempo.
Diante de um oponente, desleal e mal intencionado, a postura que recomendo não é a postura apologética. É a postura investigadora, de cunho secular.
A partir desse momento, normalmente não me interesso nem um pouco em converter um neo ateu à minha religião. Pelo contrário, o que eu quero saber é pura e simplesmente: as alegações do neo ateu passam pelo escrutínio cético? A resposta nesse caso ou é sim ou é não. Não há meio termo. E se não passarem (como na maioria dos casos não passam mesmo), irei expor as descobertas que desmascaram o neo ateu em público.
Justamente por isso, fiquei tão animado com o site que vi.
Mais um detalhe relevante: o site é praticamente independente.
O que significa que ele pode ser lido tanto por um teísta católico, islâmico ou judeu, ou até um panteísta, um deísta, um ateísta, etc. Enfim, ele é tratado com a visão secular.
Mais um ponto pelo qual encontro uma similaridade deste blog com os objetivos do site “Investigating Atheism”.
Uma coisa é usar a visão religiosa para analisar os conceitos de SUA religião. Aprofundar no estudo dela. E, então, avaliar seus dogmas e ensinamentos exatamente como se estivesse diante da religião que é correta. Eu defendo isso fortemente.
Só que quando saímos para investigar um oponente, e usamos o filtro secular (mesmo quando somos religiosos), nossa investigação adquire muito mais poder.
Isso explica mais ou menos por que, nos tempos da Inquisição, a iniciativa era católica, mas o tribunal era secular.
Em suma, eu não entro em campo contra um neo ateu para convertê-lo a minha religião ou não. Ou para avaliar se ele está no caminho certo em sua crença pessoal ou não. Isso simplesmente não me interessa. Isso, aliás, explica o motivo pelo qual, quando algum neo ateu aparece e pergunta: “Você acredita em Deus? Qual sua interpretação de Deus?”, eu simplesmente não entro nesse assunto, pois, em uma discussão investigador-suspeito, não é da alçada do suspeito aquilo no que eu acredito.
Neste blog, atenção: SEMPRE o neo ateu é suspeito. Ao neo ateu é irrelevante o que eu, na postura do investigador, acredito.
Esse é o novo paradigma para a discussão entre teístas (que tiveram uma fase em que foram difamados) X neo ateus (que por algum tempo fizeram o papel de difamadores). É esse o paradigma que defendo. É simplesmente dizer: acabou a brincadeira. Agora o diálogo é investigador-suspeito.
São os neo ateus que estão VENDENDO IDÉIAS e VENDENDO ALEGAÇÕES, trazendo milhares de “casos” (ex. “a religião mata”, “a religião envenena tudo”, “Deus é cruel”, “A Bíblia está errada”, “ateísmo é ciência”, “a ciência é inimiga da religião” e mais uma infinidade deles). Na maioria absoluta dos debates, não somos nós que estamos vendendo idéias.
Quem está vendendo idéia e seus “casos” é que está sob escrutínio cético. Quem está como “vendedor” é que é colocado na arena. Não o “comprador” da idéia.
O que me importa é se as alegações deles são válidas ou não. Se ele afirma ter “casos” contra a religião, cabe a ele provar a validade desses casos. Tudo isso durante um processo durante o qual ele está sob estrita investigação.
Isso mostra o seguinte: minha religião é católica. Minha investigação aqui é SECULAR.
A questão é muito simples: ou os neo ateus provam seus “casos”, ou não provam. Ou trazem as evidências que dêem suporte às suas alegações, ou não trazem. A investigação de fraudes e crimes sempre deve ser baseada pelos princípios do método científico. É uma investigação secular.
A Igreja Católica já nos ensinou isso séculos atrás.
No máximo, estou apenas reutilizando o conceito.
Essa é a mensagem desse blog: quanto mais investigamos os nossos oponentes, de forma cética, com perspectiva de auditor e investigação de fraudes, mais os enfraquecemos.
Essa investigação é secular.
Deus, Um Delírio – Capítulo 1 – Pt. 3:1 – E começa a pregação a favor do desrespeito…

Esse é o terceiro artigo da série de textos para refutar o capítulo 1 do livro “Deus, Um Delírio”.
Os dois textos anteriores ([1] e [2]) falavam de trechos até amenos do livro, em que Richard Dawkins tentou implantar sua idéia (boba) de que Stephen Hawking, Ursula Goodenough e Albert Einstein estavam distantes de Deus e da religião. Mas lá era só o comecinho, ele estava provavelmente em ponto morto…
A partir de agora é que Dawkins começa a meter o pé na jaca.
Basicamente é o começo da diatribe contra a religião.
A meta de Dawkins é afirmar que o respeito que a sociedade possui pela religião é EXCESSIVO, e daí ele tentará justificar o seu DESRESPEITO com a religião. Esse, aliás, é o principal “caso” do primeiro capítulo.
Não passa, na verdade, de uma justificação para a intolerância dele.
Vamos começar…
É possível que leitores religiosos fiquem ofendidos com o que tenho a dizer, e encontrem nestas páginas um respeito insuficiente por suas crenças específicas (se não às crenças cultivadas por outras pessoas). Seria uma pena que essa ofensa os impedisse de continuar a ler, por isso quero esclarecer o problema aqui, logo de saída. Uma pressuposição disseminada, aceita por quase todos em nossa sociedade — incluindo os não religiosos —, é que a fé é especialmente vulnerável às ofensas e que deve ser protegida por uma parede de respeito extremamente espessa, um tipo de respeito diferente daquele que os seres humanos devem ter uns com os outros.
Hmm… o que se nota é algo bem diferente.
Alguns religiosos realmente ficam ofendidos, mas não é isso que causaria desmotivação para a leitura.
Teoricamente, o ser humano, quando ofendido, procura investigar o seu ofensor, para então acusá-lo ou atacá-lo.
No caso, uma outra alternativa, a que escolhi, é partir para a refutação, que acho muito mais divertida e agradável de se fazer, e ainda assim exponho a argumentação ruim e as fraudes de Dawkins à todos.
Só que Dawkins cria um espantalho, ao dizer que os religiosos pedem um tipo de respeito DIFERENTE daquele que os seres humanos devem ter uns com os outros. Mostrarei aqui, ao longo deste texto (e do seguinte, que juntos compõem um artigo só), que não há tal solicitação por vantagens adicionais vindas de religiosos. O caso é que Dawkins não quer dar à religião nem o mesmo o respeito que é ofertado a outros seres humanos. Dawkins quer OFENDER a religião e os religiosos.
Mostrei aqui, no artigo anterior, como ele cita a “mente religiosa” pejorativamente. Assim como várias vezes usará termos ofensivos, e também citará a “mente teológica”. Também usará termos como delírio (mal utilizado, diga-se) para se referir aos religiosos. E isso é só o começo…
Não passa de um precedente perigoso, que abre espaço para uma retaliação devida. Já que todo ser humano tem o direito (a meu ver além disso tem o DEVER) de não ser ofendido.
As várias ofensas que Dawkins faz à religião são respondidas principalmente com argumentos, mas o fato é que muitas ofensas são dirigidas aos religiosos também.
Isso pode acontecer pelo fato de que Dawkins não consegue abrir seus “casos” de maneira convincente.
O caso dele é contra o respeito à religião? Ou respeito à qualquer crença?
Pois eu posso usar o precedente aberto por Dawkins e então SOMENTE tratá-lo (e a seus leitores) somente a partir desse novo paradigma? Sendo assim, a partir daí eu poderia ofender um neo ateu sem qualquer limite?
Mas não me rebaixarei ao nível de Dawkins. Melhor refutar, pura e simplesmente, e expor a fraude dawkinista.
Mas vamos em frente:
Douglas Adams explicou tão bem, num discurso de improviso que fez em Cambridge pouco antes de morrer, que nunca me canso de divulgar suas palavras: A religião [...] tem determinadas idéias em seu cerne que denominamos sagradas, santas, algo assim. O que isso significa é: “Essa é uma idéia ou uma noção sobre a qual você não pode falar mal; simplesmente não pode. Por que não? Porque não, e pronto!”. Se alguém vota em um partido com o qual você não concorda, você pode discutir sobre isso quanto quiser; todo mundo terá um argumento, mas ninguém vai se sentir ofendido. Se alguém acha que os impostos devem subir ou baixar, você pode ter uma discussão sobre isso. Mas, se alguém disser: “Não posso apertar o interruptor da luz no sábado”, você diz: “Eu respeito isso”. Como é possível que seja perfeitamente legítimo apoiar o Partido Trabalhista ou o Partido Conservador, republicanos ou democratas, um ou outro modelo econômico, o Macintosh e não o Windows — mas não ter uma opinião sobre como o universo começou, sobre quem criou o universo [...] não, isso é sagrado? [...] Estamos acostumados a não questionar idéias religiosas, mas é muito interessante como Richard causa furor quando o faz! Todo mundo fica absolutamente louco, porque não se pode falar dessas coisas.
Isso mostra que Douglas Adams só servia para escrever livros de ficção.
Quando saiu deste território, sua declaração sobre religião foi um desastre.
Para começar, é falaciosa. Ele afirma: “Essa é uma idéia ou uma noção sobre a qual você não pode falar mal; simplesmente não pode. Por que não? Porque não, e pronto!”
Mentira deslavada.
Isso pode ser comprovado em nossa sociedade, em que católicos podem criticar o protestantismo, e os protestantes podem criticar os católicos. Dificilmente alguém vai ser morto ou preso por isso. Até ateus podem questionar os religiosos. Todo mundo pode questionar todo mundo, aliás. A única coisa que se pede, é claro, é que não se usem questionamentos ofensivos, cínicos, falaciosos, etc. De resto, a liberdade de questionamento é tamanha que a origem dos estados laicos veio oriunda das nações… religiosas.
Olhem quando ele diz que não é possível “ter uma opinião sobre como o universo começou, sobre quem criou o universo”.
Mentira de novo, pois Douglas nunca foi proibido de escrever sobre isso. Nem Dawkins. Ninguém foi.
Mas dá para notar a “agenda” escondida de Adams.
Querem ver?
Adams é desmascarado, definitivamente, quando diz: “Estamos acostumados a não questionar idéias religiosas, mas é muito interessante como Richard causa furor quando o faz!”
Aha… Quer dizer então que todo o cirquinho de Adams era para PROTEGER Dawkins em sua cruzada?
Mas de novo não passa de mentira de Adams.
Richard Dawkins não causa mais furor aos religiosos do que os revisionistas do Holocausto causam aos judeus. Ou então o furor que os adeptos da Ku Klux Klan causam à comunidade afro-americana.
Simplesmente, as reclamações contra Dawkins são por questões de ofensa e DIFAMAÇÃO.
A desonestidade intelectual de Adams fica evidente quando ele usa 3 mentiras seguidas relacionadas à religião somente para defender sua “agenda” particular.
É… eu avisei.
Eu falei que ia avaliar os textos de Dawkins com a visão de um consultor em auditoria especializado em identificação de fraudes. Uma das partes mais comuns da auditoria especializada em investigação é identificar se alguém tem uma “agenda”, na tentativa de proteger outras pessoas com os mesmos interesses, ou até mesmo seus interesses particulares. É vital para identificar situações de conflitos de interesses.
Eu suspeitei logo de cara quando vi que tinha muito espantalho na declaração de Adams.
Acho que não foi uma boa idéia de Dawkins citar o Douglas Adams…
Ah, antes que eu me esqueça: que raios significa essa declaração de que “Todo mundo fica absolutamente louco, porque não se pode falar dessas coisas”?.
Vamos lá: é todo mundo mesmo? Ou 80%? Não seria 70%? Que tal 33,56%? Desse percentual, eles ficam loucos porque não se pode falar de religião ou só ficam indignados com ofensas?
Mais uma informação anedótica de Douglas Adams, portanto. Se as outras 3 eram mentiras esfarrapadas, vou dar um desconto a ele e catalogar esta quarta “informação maliciosa” somente como anedota.
Tudo isso em um parágrafo só.
Que beleza, não?
Se é para mentir, Dawkins também estava inspirado neste capítulo:
De longe o meio mais fácil de obter permissão para ser dispensado do serviço militar em tempos de guerra é por motivos religiosos. Você pode ser um filósofo brilhante da moralidade, com uma tese de doutorado premiada sobre os males da guerra, e mesmo assim pode ter dificuldade diante dos avaliadores para ser dispensado por motivos de consciência. Mas, se você disser que seus pais são quakers, consegue fácil, mesmo que seja completamente iletrado e desarticulado quanto à teoria do pacifismo ou até quanto ao próprio quakerismo.
De onde foi que Dawkins tirou a idéia estapafúrdia de que há mais facilidade por esse aspecto? Quais os dados que sustentam essa alegação?
Não aparenta mais que a birrinha de alguém que quer pregar a teoria de um suposto privilégio da religião, mas que não consegue provar como. É só sair proclamando contra a religião, e torcer para que ninguém audite seu texto. Não foi desta vez, Dawkins…
Simplesmente não é nem preciso comentar a alegação, pois Dawkins apenas tem em mãos uma evidência anedota, não sustentada estatisticamente, portanto é irrelevante do ponto de vista do “caso” dele.
Abaixo segue o momento que esse pessoal neo ateísta geralmente usa para provocar o “ohhh…” e apelar para a emoção fácil da platéia mais inocente.
Notem o dramalhão:
No outro extremo do espectro do pacifismo, temos uma relutância pusilânime em usar nomes religiosos para facções de guerra. Na Irlanda do Norte, católicos e protestantes ganham os nomes eufemistas de “nacionalistas” e “legalistas”, respectivamente. A própria palavra “religiões” é censurada e transformada em “comunidades”, como em “guerra intercomunidades”. O Iraque, em conseqüência da invasão anglo-americana de 2003, entrou numa guerra civil sectarista entre muçulmanos sunitas e xiitas. É claramente um conflito religioso — mas no The Independent do dia 20 de maio de 2006 tanto a manchete de primeira página quanto a notícia o descreviam como “limpeza étnica”. “Étnica”, nesse contexto, é mais um eufemismo. O que estamos vendo no Iraque é uma limpeza religiosa. Também é possível argumentar que o uso original do termo “limpeza étnica” na ex-lugoslávia tenha sido um eufemismo para limpeza religiosa, envolvendo sérvios ortodoxos, croatas católicos e bósnios muçulmanos.
A regra, nesta parte do livro, parece ser a mentira deliberada mesmo.
Dawkins tenta abrir três “casos”, sobre os conflitos na Irlanda do Norte, no Iraque e na Iugoslávia, respectivamente.
Só que Dawkins precisa MENTIR para dar avanço nos “casos”.
Vamos aqui desmascarar mentira por mentira.
(1) Na questão da Irlanda do Norte, realmente existe um traço cultural ORIGINADO da religião, isso é um fato. Mas daí a dizer que é POR CAUSA da religião que o conflito ocorre, é preciso de uma credulidade acima de qualquer limite aceitável. O fato é que por fatores políticos, os protestantes e unionistas se aliaram ao domínio britânico, ao contrário dos que lutavam pela independência, do lado nacionalista e conservador, com forte apoio católico. É óbvio, portanto, que o conflito foi originado pelo domínio britânico na região, sendo que existiam pessoas que rejeitaram o domínio. Transformar isso em ‘conflito religioso” é de uma ingenuidade ímpar. Claro que Dawkins, que é inglês (opa, não seria um VESTED INTEREST aí, não? – ele livraria a cara do governo britânico para jogar a culpa na religião… ), tenta maquiar a realidade e talvez queira esconder o fato de que o governo de seu país ocupou militarmente o Ulster em 1969, e em seguida dissolveu o Parlamento de Belfast, assumindo as funções políticas e administrativas. Qual seria a proposta do Dawkins? Será que ele quer dizer que, sem religião, não existiriam opositores ao domínio britânico? Ah, Dawkins, vá plantar batatas!
(2) Na questão do Iraque, desde os tempos dos curdos, a limpeza étnica era um mantra do governo de Saddam Hussein. Nesse caso, os curdos eram considerados um fator de desestabilização do equilíbrio entre os Estados Unidos e a União Soviética. Como eram um “perigo” ao governo do Iraque, e os Estados Unidos e a Rússia não tinham interesse nenhum em protegê-los, tornaram-se vítimas fáceis. Ou será que Dawkins quer que ingenuamente acreditemos que Saddam Hussein acordou um dia e disse: “ah, eles não são de minha religião, vamos acabar com eles”. De novo, a ingenuidade necessária para acreditar nisso ultrapassa qualquer limite lógico. E o mesmo vale para a Guerra Civil do pós-guerra em 2006, em que novas limpezas étnicas ocorreram, e em alguns casos até contra cristãos, o que, no caso, não passou de rejeição à cultura ocidental. Será que Dawkins acha que se viesse uma fadinha e fizesse “plim”, transformando todo mundo em ateu, não iriam existir os conflitos? De novo… vá enrolar outro!
(3) A mesma coisa ocorria na Iugoslávia, claramente não só um conflito étnico, como também um conflito por independência. Em meados da Segunda Guerra Mundial, durante a ocupação nazista, os croatas massacraram a população civil sérvia, matando cerca de 40.000 pessoas. Após a Guerra, o Partido Comunista Iugoslavo assumiu o controle das montanhas, expulsou os nazistas e unificou todos os reinos da Iugoslávia, incluindo Sérvia, Croácia e a Bósnia. Só que isso só foi garantido por uma forte ditadura, e além do mais o rancor dos tempos da guerra uma hora iria explodir. Foi o que ocorreu quando primeiramente a Eslôvenia, e depois a Croácia e a Bósnia, declararam unilateralmente suas independências. Os sérvios foram com tudo para cima dos povos que tentaram suas independências, e partiram primeiro para cima dos croatas, que foram vítimas de limpeza étnica pelos sérvios. Ver motivação religiosa nisso é naturalmente um delírio.
Fica evidente nos 3 casos que Richard Dawkins mentiu vergonhosamente para imputar culpa à religião.
Notaram o modus operandi dele?
É assim que funciona a lógica darwinista: se há guerra entre dois povos, e estes são de religiões diferentes, a culpa é da religião.
É uma falácia grosseira de generalização apressada, que não é sustentada após qualquer avaliação cética sobre a história dos eventos.
Mas sempre é importante lembrar que o “caso” de Dawkins é dizer que as guerras são JUSTIFICADAS por causa da religião.
Só uma coisa: qual dessas guerras foi considerada JUSTIFICÁVEL por religião?
Que eu saiba, nenhum desses conflitos obtém justificação por esse motivo.
Vamos realizar a situação… será que Dawkins imagina que se a religião fosse eliminada dos cenários, as pessoas parariam de lutar? A Inglaterra iria desistir de ter a Irlanda como colônia? Ou será que os irlandeses não iriam ter motivação para lutar pela independência? Será que Sadam Hussein não teria vontade de jogar armas químicas nos curdos? E não existiria uma guerra civil posteriormente? Será que os croatas não iriam ter motivação para trucidar os sérvios na fase da unificação? Quem sabe talvez os sérvios não iriam pensar em vingança na época das independências dos reinos da Iugoslávia?
Bom, será que Dawkins imagina que todos iriam ficar ouvindo a música “Imagine”, de John Lennon, e a partir daí não lutariam mais?
A molecada tem que ser muito ingênua para COMPRAR ESSA IDÉIA…
Imaginem só a cabeça de um aborrescente altamente influenciável: “Ohh…. veja os curdos que foram exterminados, tudo por causa da religião. Se não existisse a religião, sérvios e croatas jamais brigariam. Todos viveriam em paz. Assim como na Irlanda, que jamais revidaria ao Império Britânico.”
Aí o sujeito contabiliza as mortes em todos esses conflitos e sai pregando: “está vendo como a religião é má?”.
Agora entende-se um dos principais motivos pelos quais os neo ateus lutam tão FERRENHAMENTE contra a religião.
É com manipulação de informação deste tipo que os leitores de Dawkins saem incentivados a pregar contra a religião e os religiosos.
Aos leitores religiosos: atenção, não duvido que eles nos chamem de CÚMPLICES de massacres sérvios, massacres croatas, massacres contra curdos e sunitas, ou até dos atentados do IRA. Ao menos cúmplices morais, claro.
Ou de onde surgiria tanto ódio contra religiosos?
Um dos motivos está nesse tipo de apelo emocional que o Dawkins tentou fazer, manipulando informações, e tentando jogar a platéia ateísta (ao menos os que debandaram para a campanha neo ateísta) contra os religiosos.
Como eu falei, a partir dessa parte do livro é que Dawkins começa a meter o pé na jaca.
Esses trechos comentados nesse artigo, em sua maioria, não passam de DIFAMAÇÃO, pura e simples, com informações evidentemente falsas, grande apelo emocional, como foco na DEMONIZAÇÃO do oponente.
Fica claro que o Richard Dawkins joga sujo.
E olhe que ainda há mais dois textos pela frente só para refutar o restante do Capítulo 1.
P.S. – Sim, anteriormente seriam quatro textos para refutar o Capítulo 1. Entretanto, para evitar textos excessivamente longos, este terceiro artigo foi dividido em duas partes, sendo a primeira delas esta que você leu. A parte 3:2 será publicada provavelmente na próxima atualização deste blog. Ainda nessa semana, publicarei a parte 4 (e última) da refutação, o que contabilizará 5 textos (sendo 2 relacionados ao artigo nr. 3) refutando o primeiro capítulo de “Deus, Um Delírio”.
Desmascarando a fraude Bart Erhman
Uma das maiores figuras anti-religião infiltradas em academias é com certeza Bart D. Ehrman, que alega ser ex-evangélico.
Talvez ele pense que isso o ajude em sua estratégia de infiltração.
Mais suspeito ainda é o fato dele chefiar o departamento religioso da Universidade da Carolina do Norte, o que é no mínimo suspeito.
Vejamos a figura:
- (a) declara ser agnóstico
- (b) tem postura anti-religião
- (c) só escreve livros anti-religião, principalmente a cristã
- (d) chefia o departamento religioso de uma universidade
Fica evidente que estamos diante de um inimigo da religião, e além de tudo fundamentalista. Pois só alguém com alto grau de fundamentalismo iria dedicar sua CARREIRA PROFISSIONAL a atacar a religião, e até atuar de forma infiltrada. Algo que nem Dawkins teria coragem de fazer. Talvez Dennett teria.
Grande parte de seu discurso se baseia na alegação de que a Bíblia é “alterada”, já que não se pode ter acesso aos manuscritos originais.
Será verdade?
O negócio é investigar.
E é justamente o que foi feito nesse vídeo acima.
Como se nota, Ehrman não passa de uma fraude.
Exemplo de aplicação de ceticismo: investigando o “hate mail” para o Dawkins
No vídeo do YouTube, acima, aparece a alegação feita por Richard Dawkins, de que alguns cristãos teriam mandado emails de ódio para ele. [N.E. - Infelizmente não tenho a versão legendada. Caso alguém tenha e puder enviar, eu agradeceria.]
Será que é verdade?
Eu duvido muito.
Como a alegação não apresenta um argumento complexo, não farei a análise de argumento, e passarei para a análise de caso. Caso surjam dúvidas, mais detalhes sobre a base da investigação cética aqui.
A alegação de Dawkins é: “cristãos escrevem e-mails sem argumentos, apenas expondo o seu ódio contra mim”.
Antes de tudo, é bom ver se a alegação é comum ou extraordinária.
Basta observar em comunidades como “Contradições do Ateísmo”, “Movimento Anti-Ateísta” e “Não tenho fé suficiente para ser ateu”.
Em todas essas comunidades, existem pessoas teístas que se INCOMODAM com as ofensas de Dawkins.
A absoluta maioria de respostas são refutações aos argumentos de Dawkins. Algumas das outras são até ad hominens. Mas nada relacionado a mensagem de ódio, pois geralmente a tendência é considerarmos o Dawkins até divertido, pela facilidade que é refutá-lo.
Portanto, a alegação é extraordinária.
Se é difícil encontrar pessoas que se expressem daquela forma que estão no vídeo, onde Dawkins as achou?
Simples: olhando com a visão de um cético, pode ser que Dawkins NEM SEQUER TENHA recebido e-mails de ódio verdadeiros.
Suponhamos que Dawkins ligou para seus amigos Daniel Dennett, Susan Blackmore e PZ Myers e pediu-lhes algo do tipo: “por favor, enviem alguns emails, com IPs falsos, fingindo serem religiosos, e me xinguem, dizendo que eu vou pro inferno e coisas do tipo, e depois eu lerei os emails como se fossem emails de cristãos”.
Em qualquer investigação cética, NÃO PODEMOS eliminar a possibilidade de fraude.
Principalmente pela ausência de controle sob as amostras.
Se considerarmos que os exemplos de teístas demonstrados no Orkut agem de maneira OPOSTA ao que é visto no vídeo, e somando-se à isso a FACILIDADE com que uma fraude desse tipo pode ser feita, temos que considerar ainda um terceiro fator: o VESTED INTEREST (mais aqui – também pode ser chamado de proteção de interesse pessoal) de Richard Dawkins, em si.
Com todos esses fatores somados, podemos com segurança dizer que NÃO HÁ EVIDÊNCIAS de que cristãos mandaram os hate mails para Dawkins.
Fim.
E da mesma forma que James Randi desmascararia um médium.
Não há diferença de metodologia: o ceticismo é o MESMO.
Curiosamente, um bando de manés pró-Dawkins deu razão ao autor inglês nos comentários do YouTube.
Conclusão: são não só ignorantes como também CRÉDULOS. Não adianta serem neo-ateus e afirmarem que são céticos, pois suas declarações mostraram o contrário: são CRÉDULOS da mesma forma que aqueles que se suicidaram na Guiana, a mando de Jim Jones, eram. Pois o componente destes neo-ateus que lá postaram é FÉ CEGA, e não apenas FÉ.
Bastou uma olhadela mais cética para que o vídeo de Dawkins perdesse TODO O VALOR de evidência.
O vídeo não prova nada contra cristãos.
Com isso, os cristãos mandaram hate mails ao Richard Dawkins NA MESMA PROPORÇÃO em que o lobisomem apareceu no sítio (sob testemunho do caseiro).
Em ambos os casos, o número de evidências é igual a ZERO.
P.S.: Link para o vídeo com legendas [agradecimentos ao Malcan].
Um Guia Cético para se Assistir a Root of All Evil – Parte 1 – Desmascarando a Amostragem Seletiva

Última atualização: 16 de outubro de 2009 – [Index Reverso] - [Página Principal]
Nessa primeira parte “Guia Cético para Assisistir ao vídeo A Raiz de Todo o Mal”, de Richard Dawkins, irei refutar o uso da Técnica “O Cidadão Comum Como Representante”.
Como lá explicado, o objetivo da técnica é selecionar cidadãos comuns e simular que eles representam a religião. Após isso, criticar a opinião dessas pessoas e fingir que se criticou a religião.
Como já dito também anteriormente, o próprio Richard Dawkins é um cidadão comum se formos considerar suas obras quanto ao darwinismo, incluindo O Gene Egoísta, O Fenótipo Extendido e todo o seu trabalho sobre memes. Nenhum dos três trabalhos serve como representação do Darwinismo, e sim um entendimento muito particular do Darwinismo. Escolher tais obras de Dawkins como “exemplo de Darwinismo” seria desonestidade intelectual. E convenhamos, se o Darwinismo fosse isso que Dawkins diz ser, seria muito fácil de refutar. E por que o Darwinismo não é isso? Pelo simples fato de que Dawkins não representa o Darwinismo. Para entender o Darwinismo, é recomendável estudar Charles Darwin, Theodosius Dobzhansky, Stephen Jay Gould, Douglas Futuyma e outros.
A questão é simples: de acordo com a amostra selecionada para dar declarações, conseguimos maquiar a realidade sobre qualquer conceito.
Caso selecionemos Darwin, vemos que a teoria da evolução é uma forma convincente de explicar a especiação. Na boca de Dawkins, vira um amontoado de clichês pseudo-científicos para tentar explicar a “psicologia” (comparando sempre com o comportamento de qualquer espécie, principalmente bonobos) e, pasme, a transmissão de informações (que ele chama de “memes”). Todas essas formas usadas por Dawkins são facilmente ridicularizáveis. E serão, em um momento futuro neste compêndio de investigação cética do neo-ateísmo.
Fica claro, portanto, que a técnica da seleção seletiva de pessoas comuns para falar de um dado tema é uma fraude intectual.[N.E. - É por isso que refutarei o entendimento insano de Dawkins sobre a evolução, e não a evolução em si. Não refutarei o ateísmo, e sim a versão bizarra de Dawkins para o ateísmo, o neo-ateísmo. Jamais refutarei a ciência, mas sim o entendimento leigo de Dawkins quanto à ciência. Essas refutações serão publicadas em maior densidade em breve, pois aqui focarei basicamente no vídeo de Dawkins]
Nos dois capítulos do vídeo, que somam 90 minutos, Dawkins realiza entrevistas com supostos representantes da religião. E ridiculariza quase todos, com a maior facilidade (evidentemente). A ridicularização, no entanto, só foi possível pelo fato de que ele selecionou cidadãos comuns.
Vamos à lista de entrevistas:
Vídeo 1
- Duas senhoras em uma procissão em Lourdes: Dawkins seleciona duas senhoras em uma procissão em Lourdes, que afirmam coisas que Dawkins conseguiu ridicularizar facilmente. Curiosamente, não foi demonstrada nenhuma experiência em teologia de ambas. Logo, se formos considerar representação de religião, elas representam apenas o entendimento particular delas sobre religião. O que é respeitável, mas ainda assim não é representação da religião.
- Entrevista com o padre Liam Griffin, no Santuário de Lourdes, a respeito da existência ou não de milagres lá ocorridos. Não entrarei no mérito de se os milagres ocorreram ou não, mas sim quanto a pertinência da fonte. Não há referências a respeito de trabalhos de Griffin como teólogo ou filosofia da religião. Portanto, não deveria ter sido citado como representante da religião.
- Entrevista com o ex-pastor Ted Haggard: Curiosamente é um dos melhores, mesmo que tivesse sempre uma imagem de marketeiro em religião (algo como Edir Macedo). Haggard não perde a discussão para Dawkins, e ao final expulsa o neo-ateu ateu de suas propriedades. Só que Haggard representa uma visão literal da Bíblia, e, portanto, não representa toda a religião. Haggard está para a religião assim como Dawkins está para o Darwinismo. É apenas uma visão particular do conceito.
- Yisrael Medad, um experiente estudioso de religiões israelense. Talvez pudesse ser até uma referência, mas Dawkins somente o questionou sobre conflitos com os palestinos. Como sua declaração não foi sobre representação de religião para ele, a fonte até seria considerada válida, mas não é pertinente para o objetivo de Dawkins de “representação da religião”.
- Elaj Amil Al-Hussein, é um representante palestino religioso. Há um outro sujeito mais jovem junto com Elaj. Ambos não possuem referências em suas áreas, e também falaram somente sobre o conflito. Portanto, de cara, são fontes impertinentes.
- Yousef Al-Khattab é responsável pelo momento mais engraçado de todo o vídeo. Com a entrevista com Yousef, Dawkins demonstraria que a religião é intolerante, mesmo sendo Yousef alguém que já foi judeu, e se converteu ao islamismo. A declaração de Yousef é de uma xenofobia surpreendente. Seria um grande trunfo nas mãos de Dawkins para provar que a religião é intolerante, certo? Errado, pois notem o “currículo” de Yousef: “é um famoso caso de judeu convertido ao islamismo, conhecido por suas opiniões controversas, e que apareceu no vídeo Root of All Evil, de Richard Dawkins”. Como é? Pois é, a fonte de Dawkins NÃO REPRESENTA não só a religião, como também não representa o islamismo. E, pior: está no currículo dele o fato de ter ido fazer cirquinho para neo-ateus mal intencionados.
Vídeo 2
- Aqui o começo é com uma entrevista com rabino Herschell Gluck, que, segundo Dawkins estaria representando o judaísmo. Gluck é secretário de um fórum para discussões entre judaísmo e islamismo, mas não tem nenhuma obra teológica em seu nome. Curiosamente, é uma figura muito mais fundamentalista que a maioria de outros rabinos, geralmente mais intelectualizados (haja vista o rabino David Wolpe, que representou muito bem sua religião nos debates com Sam Harris). A pergunta é simples: quem é Gluck? Quais teses teológicas dele? Resposta: Nenhuma.
- A segunda entrevista aqui é com Adrian Hawkes, que lidera uma escola para crianças e ensina tudo com base na Bíblia. Hawkes, no entanto, não passa de uma figura folclórica, e não possui nenhuma representação em relação ao seu movimento religioso.
- Dawkins apela aqui, e mostra um maluco de rua com megafone. Ou seja, uma besteira, irrelevante.
- Em seguida, Dawkins entrevista uma psicóloga, Jill Mytton, que alega ter sofrido uma educação religiosa repressiva quando criança. Ela aparentemente é contra a educação religiosa. O curioso é que, mesmo para uma psicóloga, ela aparenta não ter nenhum controle emocional, pois, quando Dawkins a pede para descrever as realidades do inferno, ela aparentemente fica emocionada e não consegue descrever a sensação (das duas uma, ou ela é instável emocionalmente, ou está fingindo, talvez a pedido de Dawkins). Mais divertido ainda é quando ela afirma que para uma criança, imagens como o fogo do inferno não ficam restritas ao sentido metafórico, mas assumem um significado real, portanto inspirando terror. Estranho, pois uma psicóloga deveria saber que isso não é só quanto a religião, e sim para TODAS as informações que a criança recebe. Bah… não serve com referência de nada.
- Mais folclore: Dawkins vai à um negócio chamado Hell House, que é uma moda americana. São atrações tipo casa mal-assombrada, em que se mostram imagens de como seria o inferno. Curiosamente, tais Hell House são criticadas até por religiosos, como pode ser visto aqui. Além do mais, quem é Keenan Roberts? Ninguém.
- Dawkins radicaliza, e apela para a baixaria, e mostra o exemplo do Reverendo Paul Hill, que teria assassinado o Dr. John Britton, um médico abortista. Hill era um maluco e foi condenado à morte por isso. Fim.
- Mas Dawkins parece estar sem cartuchos, e apela para o Reverendo Michael Bray (não confundir com o cineasta Michael Bay). Mas, assim como Bay, Bray parece gostar de explosivos. O reverendo já cumpriu pena por estar envolvido em atentados a bomba contra clínicas de aborto. Grande parte dos religiosos são contra o aborto, mas daí a jogar bomba? É claro que Bray não representa a religião. Curiosamente, Bray até escreveu um livro, em 1994, chamado “A Time to Kill”, justamente publicado de forma underground. O sujeito apoiava a causa de Paul Hill.
- Para concluir, Dawkins tenta usar a técnica do “Dividir, para Conquistar”, entrevistando o bispo de Oxford, Richard Harries, que seria favorável aparentemente à homossexualidade. Curiosamente, a opinião de Harries está longe do consenso. Portanto, dificilmente é fonte de alguma coisa.
Conclusão
No total, 16 pessoas são citadas como representação da religião. Dentre elas:
- Apenas três fornecem uma PARCIAL representação, sendo Ted Haggard, Yisrael Medad e Richard Harries. Desses três, um é considerado polêmico até pelos religiosos (Haggard), outro não falou sobre a religião em si (Medad) e o último (Harries) não representa a opinião vigente dos líderes religiosos (ou seja, ele é um ponto fora da curva);
- Dois são lunáticos declarados, e rejeitados até pelo establishment religioso. São eles Paul Hill e Michael Bray, citados como terroristas anti-aborto;
- Cinco são completos desconhecidos, e como tal não servem como fonte de representação da religião;
- Uma é uma psicóloga que mais parece ter problemas psicológicos do que realmente uma autoridade em sua área (Jill Mytton).
Como se nota, não é um universo de análise sequer razoável.
Como agravante, Dawkins não entrevistou nenhum teólogo ou filósofo da religião, e simplesmente pessoas que não representam a religião em si. Curiosamente, também, os principais representantes da filosofia da religião atuais, como William Lane Craig e Alister McGrath, não foram sequer citados. Em relação a Dinesh D’Souza, que já refutou a maioria dos discursos de Dawkins, nenhuma citação.
Ora, fica evidente que o objetivo do documentário não é o de prover uma discussão séria sobre religião, e sim possui intuito de DIFAMAÇÃO contra a religião.
Nessa primeira parte da refutação, fica evidente que o vídeo de “A Raiz de Todo o Mal” não serve como crítica à religião.
Aviso reiterado: Não estou dizendo que as opiniões do cidadão comum são inválidas. Mas simplesmente que não REPRESENTAM a religião. E sim um entendimento popular sobre a religião. Da mesma forma, o entendimento de Richard Dawkins sobre a ciência é errado. Ele é, para a ciência, um cidadão comum, praticamente. Não significa que a ciência esteja errada. O problema é de Dawkins, não da ciência. Deve-se criticar o Dawkins e o ENTENDIMENTO dele, mas não a ciência em si. É importante também notar que, como não é um REPRESENTANTE daquela religião, não se deve exigir do cidadão comum que ele DEFINA a religião. Para isso, ele deve recorrer às citações das principais referências sobre religião. Assim como para definir ciência, recorremos a Bacon, Descartes, Kant e, recentemente, Karl Popper.
Como usar o ceticismo na investigação das fraudes neo-ateístas

O ceticismo é inerente à ciência. Mais ainda, o ceticismo é VITAL em qualquer cenário onde possam ser cometidas fraudes.
Nas grandes corporações, sequer o ceticismo padrão é suficiente. Existe, além do ceticismo, variações como auditoria de compliance e investigação de fraudes, sob a perspectiva da perícia forense. Motivos: alguns casos devem ser investigados com o mesmo crivo como se estivéssemos investigando um crime. O ceticismo científico é útil, mas não tem tal nível de detalhamento.
Desta forma, o ceticismo científico é UMA das partes das investigações de alegações no mundo atual. No dia-a-dia, ao duelar com potenciais fraudadores, transcendemos o ceticismo científico.
Defendo aqui, para investigação do neo-ateísmo, que se use o modelo padrão de investigação, iniciando-se pelo ceticismo científico, e, quando necessário (para alegações mais complexas), o modelo de auditoria de compliance (aqui será necessário identificar o motivo da alegação, e estudá-la por completo), e a investigação de fraudes, em que se identificam uma série de padrões típicos de fraude, uma agenda pessoal do autor do texto, e então munido destas duas referências, se parte para evidenciar as fraudes.
Só que neste texto vou focar somente o modelo inicial, de ceticismo científico.
Este modelo é adaptado diretamente, e por completo, do modelo de ceticismo de James Randi. Randi ficou conhecido justamente por criar uma forma de ceticismo, com a qual desmascarou vários médiuns ao redor do mundo. A chave para a refutação é encarar os neo-ateus com o mesmo nível de ceticismo que Randi encarava os médiuns.
A investigação cética para as alegações neo-ateístas é dividida em duas partes:
- 1) Análise do Argumento: se baseia na análise de possíveis objeções para as alegações neo-ateístas em um aspecto lógico. Aqui são buscadas falácias, erros de argumentação, omissão de dados, estratagemas erísticos, etc.
- 2) Análise de Caso: se baseia em uma análise de casos (ou exemplos) que dariam sustentação ao argumento neo-ateísta. Aqui o estudo é focado em avaliação empírica ou referenciada dos casos observados.
Exemplo: O neo-ateu pode alegar que o caso do ataque terrorista às Torres Gêmeas em 11 de Setembro é uma prova de que a religião causa a violência.
Essa é a alegação, portanto.
Após ela ser isolada, para investigação, é possível fazer a análise do argumento. De cara já dá para identificar que é uma falácia da generalização apressada. Outras falácias e erros lógicos podem ser encontrados de acordo com o detalhadamento da proposição do alegador neo-ateísta.
Entretanto, o próprio caso em questão, que é o exemplo de 11 de Setembro, inclui vários furos. Como exemplo de furos: a atribuição de religião como a causa do evento. A partir daí são feitas várias questões, como: É possível que outros fatores (como a tensão política) tenham ocorrido antes do evento? Foi feito um estudo desses outros fatores? Se foi, qual o resultado? Qual a taxa de influência de cada um dos fatores? Por que existem ataques terroristas (como os do grupo Tamil Tigers, no Sri Lanka, que inventou o terrorismo suicida e são marxistas-leninistas), que não foram incluídos na análise? Por que no Irã, maior país islâmico do mundo, não há atentados suicidas terroristas contra outros países?
E daí por diante, é possível descobrir várias falhas na alegação neo-ateísta SOMENTE olhando para o exemplo (caso) apresentado por eles. Nessa parte, já estamos fazendo a Análise de Caso.
Como dica adicional, antes de empregar as duas análises eu sugiro algo que denominei de Análise de Pertinência.
Isso significa utilizar o ceticismo de forma contextual e seletiva, focando especificamente no objetivo da alegação neo-ateísta. Com isso, a análise é focada e objetiva, evitando a perda de tempo e a divagação desnecessária.
Como exemplo da Análise de Pertinência, nesse exato momento, estou avaliando os capítulos iniciais dos livros “Quebrando o Encanto”, de Daniel Dennett, “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins, e “Deus não é grande”, de Christopher Hitchens. Em breve irei apresentando, em vários artigos, as refutações.
Em relação ao livro de Dennett, por exemplo, o primeiro capítulo chama-se “O que está acontecendo?”.
De início, identifiquei o objetivo do capítulo: dizer que os animais possuem parasitas em sua mente, que os obrigam a fazer coisas, e, por isso, as idéias nos seres humanos (os memes) poderiam ser analisadas pelo mesmo princípio.
Resultado da análise:
- (1) A alegação de que os animais possuem parasitas em sua mente é correta, e sustentada por evidências
- (2) A alegação de que as idéias possuem o mesmo padrão dos parasitas é falsa, e não há nenhuma evidência que a sustente
Logo, se eu não aplicasse a Análise de Pertinência eu poderia tentar refutar (1) e (2).
Só que (1) está correto, ao passo que (2) é praticamente uma fraude.
Dessa forma, eu até citarei, em minha análise deste capítulo (e que será publicada no próximo final de semana) que a primeira afirmação está correta, e apontarei as falhas na segunda. Falhas, inclusive, que refutam o primeiro capítulo do livro, pois a conclusão de Dennett não pode ser alcançada a partir dessas falhas já identificadas.
E assim, sucessivamente, é feita basicamente uma análise cética em cima do material dos neo-ateus.
Há uma grande ironia nisso tudo, que refere-se ao fato de que James Randi e o pessoal do CSICOP (lembremos que Carl Sagan apoiava ambos), ajudaram bastante a divulgar esse modelo.
Só que ele foi divulgado publicamente, e era de aplicação universal.
Ou seja, James Randi, um dos grandes pais do ceticismo moderno, e um ateu, está ajudando indiretamente ao esmagamento das alegações neo-ateístas.
