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Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 3 – Marxismo cultural

Vamos relembrar, antes de prosseguirmos, algumas características que eu citei da mentalidade revolucionária:
- (a) promessa de um futuro utópico, inexorável
- (b) ausência completa de julgamento moral para os atos do grupo que defende essa idéia, pois ela é tão bela que os fins justificam os meios
- (c) remodelação do conceito de ser humano, na busca do super-homem
- (d) ambições globais
- (e) sensação de ser um agente da luta por esse futuro
Já deu para ver que a mais completa das manifestações da mente revolucionária é justamente o marxismo. Inspirado por Epicuro (no passado), e posteriormente por Hegel e principalmente Feuerbach, Karl Marx, juntamente com Friedrich Engels, criou, dentre outras obras, o Manifesto Comunista, lançado em 1848.
Depois de alguns ideólogos da Revolução Francesa, tudo que se conhecia do passado virou fichinha, em termos de mentalidade revolucionária, com o surgimento do marxismo. Até o neo ateísmo se torna meio ingênuo diante do marxismo. Tecnicamente, o neo ateísmo é apenas o carro-chefe (ou braço direito) do marxismo, pois nenhuma ideologia da mentalidade revolucionária é tão abrangente quanto o marxismo.
Vejamos, por exemplo, como está descrita uma das idéias no Manifesto Comunista:
Uma vez que desaparecerem as diferenças de classe no curso do desenvolvimento, e toda a produção concentrar-se nas mãos de indivíduos associados, o poder público perderá seu caráter político. Em sentido próprio, o poder público é o poder organizado de uma classe para a opressão de outra. Se o proletariado, em sua luta contra a burguesia deve necessariamente unificar-se em uma classe única, se, em decorrência de uma revolução, ele se converte em classe dominante; e como classe dominante, suprimir pela violência as antigas relações de produção, suprimirá automaticamente, juntamente com essas relações de produção, as condições de existência da oposição de classe e, por esse viés, as classes em geral e, com isso, sua própria dominação de classe. No lugar da antiga sociedade burguesa com suas classes e oposições de classe surge uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos.
Quanto ao que está acima, não restam dúvidas de que atende a todos os parâmetros que descrevem a mentalidade revolucionária, principalmente a luta por um objetivo utópico, maravilhoso (tão maravilhoso que, em sua busca, os fins justificam os meios, independente dos meios), ausência completa de moral na busca desse objetivo (pois, como já dito, o objetivo é “maravilhoso”) e a sensação de ser um agente nesta busca (portanto, ausente de julgamento moral). Durante a leitura do manifesto, encontramos facilmente o conceito de remodelação do ser humano, além das ambições globais.
Claro que isso tudo não comoveria os “intelectuais” da época não fossem, por exemplo, várias estratégias de manipulação psicológica e lavagem cerebral, como a criação da falsa dicotomia, que é a forma como Marx & Engels justamente abrem o seu manifesto:
A história de toda sociedade até nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre e oficial, em suma, opressores e oprimidos, sempre estiveram em constante oposição; empenhados numa luta sem trégua, ora velada, ora aberta, luta que a cada etapa conduziu a uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou ao aniquilamento das duas classes em confronto.
É natural, então que a falsa dicotomia seja utilizada por eles até hoje, em seus discursos, assim como todas as ideologias dos agentes orgânicos, dentre as quais se inclui o neo ateísmo, sempre usam os mesmos recursos. Vamos imaginar como isso funciona. Imagine que você seja um assalariado, e, portanto, tem um patrão. Na mentalidade de um marxista, ele é teu inimigo. Assim como se há uma ordem moral, externa ao ser humano, que diga que você não pode roubar a propriedade dele, esse é o problema da “ordem moral”, que, na mente deles, é opressora e arbitrária, e que, segundo eles, lhe tornaria um conformista.
Obviamente, não é o momento ainda de estipularmos o motivo pelo qual o neo ateísmo é essencialmente parte do marxismo cultural, pois deixarei maiores detalhes disso para a parte 5, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Pelo momento, focaremos no marxismo, e no marxismo cultural, e então em associações com a irreligião.
O que é importante para o momento é apenas relembrarmos o início do marxismo, e como ele atende perfeitamente ao conceito de mentalidade revolucionária. Como tal, as idéias dos marxistas são incorrigíveis, portanto, os fatos que futuramente negarem a teoria serão todos rejeitados, pois a teoria é o que vale, e não os fatos que teriam que sustentá-la. E como surgiu isso? Simples. A promessa do futuro utópico, que TEM que acontecer (para eles), é tão bela que tal tipo de mentalidade não aceita que ela não seja verdade. Com isso compreenderemos por que tal tipo de raciocínio permanece até hoje, mesmo que os fatos não corroborem praticamente nada das alegações de Marx & Engels em relação ao “conflito de classes” e como qualquer pessoa sã notaria tal iniciativa de criar um mundo de Smurfs (todos vivendo em igualdade) era realmente ingênua.
Claro que tal tipo de ideologia com foco em mentira e auto-ilusão seria claramente anti-cristã. A alegação marxista era de que a religião era o “ópio do povo”, e que, por causa disso, eles não lutariam por não serem inconformados. Como sempre, de novo tudo era julgado somente pelos filtros e pela ideologia simplória deles. Se não atendia aos objetivos da luta de classes, então era um problema. Restava a eles a difamação pública da religião, assim como fariam para qualquer construção cultural que estivesse contra os objetivos da revolução.
O horror, o horror
Nada poderia ser pior para os marxistas do que ver a sua ilusão ser quebrada. E não é preciso ir muito a fundo para ver que a ilusão era forte. Senão, vejamos como Marx & Engels terminaram o seu Manifesto Comunista:
Em uma palavra, em toda a parte os comunista apóiam qualquer movimento revolucionário contra as ordens sociais e políticas estabelecidas. Em todos esses movimentos, destacam como questão fundamental do movimento a questão da propriedade, qualquer que seja a forma, mais ou menos desenvolvida, que ela possas ter assumido. Enfim, os comunistas trabalham, em toda a parte, pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países. Os comunistas recusam-se a dissimular suas concepções e seus propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos pela derrubada violenta de toda a ordem social passada. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista. Os proletários nada têma perder, exceto seus grilhões. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!
Até aqui, esse “fecho” apenas continua corroborando tudo que já vimos a respeito da mentalidade revolucionária. Mas faltava ainda que um dos aspectos ficasse mais explícito, que é a ambição global. A citação acima justamente nos mostra que, indiscutivelmente, a ambição era global. Marx & Engels não pensavam com foco com contexto de um país, mas sim de forma global.
Marx & Engels queriam criar uma sensação de animosidade dos proletários em relação aos burgueses. Não é muito diferente das iniciativas atuais de Dawkins e Cia., que querem criar uma sensação de animosidade dos ateus em relação aos religiosos, assim como os líderes gayzistas fazem o mesmo, criando uma relação de ódio dos homossexuais perante os heterossexuais. O padrão é o mesmo.
A grande expectativa dessa turma era de que os membros da “classe” se juntassem, de forma global, contra aquilo que consideravam a classe opressora. Na lógica deles, podemos supor que pensavam assim: se usamos bem a estratégia da falsa dicotomia, no ambito da criação de relação de ódio de uma classe com outra, a fidelidade teria que ser à classe, e não às suas convenções sociais, culturais, familiares, patrióticas, etc. Em resumo, a expectativa era de que os proletários se juntassem e se revoltassem, e destruíssem todos os capitalistas. Na visão deles, havia só um time: proletários x burgueses, independente de a qual país eles pertencessem.
Vou usar aqui uma analogia, com a panela de pressão, que empresto do Pe. Paulo Ricardo, um dos principais teóricos sobre o Marxismo Cultural, que elaborou uma palestra que é a principal fonte inspiradora desta parte do ensaio. A idéia é mostrar que a suposta opressão que os trabalhadores sofriam era tamanha que todos estes trabalhadores se juntariam, e iriam se revoltar, como uma panela de pressão que estoura. A revolta seria contra os capitalistas e burgueses. Ao final da revolta, seria implementada a justiça social. Ficam aqui resumidas, então, as principais expectativas dos marxistas na concepção do marxismo clássico.
Um conflito europeu de grandes proporções já era previsto por Marx há muito tempo, e antes da Primeira Guerra Mundial, as iniciativas subversivas comunistas já surtiam o seu efeito. Diante dessa grande panela de pressão, prestes a explodir, a expectativa era de que os trabalhadores de todos os países se juntassem, aproveitassem o momento de conflito, e direcionassem suas armas não aos “companheiros” de outros países, mas aos opressores. Ora, se todos estavam cheio de armas, para lutar nos campos de batalha, que tal se eles se juntassem e tomassem o poder, estabelecendo a Ditadura do Proletariado?
Eis então que a Primeira Guerra Mundial, que tomou espaço entre 1914 e 1919, mostrou justamente o contrário. Trabalhadores lutaram sim contra trabalhadores de outros países, em prol de seu país, de sua cultura, sua família, seus valores. A previsão de que os trabalhadores deveriam se unir simplesmente não aconteceu. Isso, obviamente, era uma ofensa, um horror para qualquer marxista naquele período. Se havia um momento em que a revolução deveria acontecer, globalmente, era na conquista de toda a Europa pelos proletários. E que melhor momento para isso acontecer que não na Primeira Guerra Mundial? No fim das contas, a decepção dos marxistas foi algo de até hoje eles não se recuperaram. Algo como entrar em campo achando que vai levar o título, aplicando uma goleada, e sair com o vice-campeonato, após tomar 6×0.
Até aqui fica claro de que a teoria pregada pelos marxistas simplesmente fracassou. E sabemos que a mentalidade revolucionária foca na teoria, e não nos fatos. Não obstante, o impacto psicológico deve ter sido grande para eles, em alguns casos até a ponto de desistência, mas os mais “dedicados” à utopia não iam largar isso por nada. Eles tinham que arrumar os “culpados” para o fato da teoria não funcionar.
Ao menos, tiveram um alívio pelo fato do objetivo ter sido alcançado na Rússia, em 1917, com a Revolução Bolchevique. Foi o suficiente para que os marxistas pensassem que não está tudo perdido, restando então entender o que deu errado na aplicação da teoria à Europa.
Após a Guerra, terminada em 1919, várias revoltas de cunho socialista começaram a ocorrer ao redor do Globo, como a revolta espartacista em Berlim. Podemos definir a revolta espartacista (ou segundo alguns de Revolta Espartaquista, ou Revolução Alemã de 1918-1919) como um conjunto de iniciativas, lideradas por Rosa Luxemburgo, influenciadas pela Revolução Russa de 1917. O Kaiser, Guilherme II, considerado um dos responsáveis pelo fim do império alemão na época, caiu nesse período. Na época, os comunistas conseguiram até controlar a região da Baviera, ao sul da Alemanha, onde foi fundada uma República Socialista. A partir dali, eles queriam expandir o movimento. A vida desse movimento revolucionário foi curta, pois eles foram dominados pelo governo, de linha social-democrata, o qual se estabeleceu após a queda do Kaiser.
Quer dizer, se a Revolução Russa deu uma esperança aos comunistas, após a decepção com o fracasso da iniciativa marxista na Primeira Guerra Mundial, o governo alemão tratou de decepcioná-los de novo. Droga, diriam eles, “isso não é justo”. Eles ainda tentaram implementar o Governo Soviet de Munique, mas também não deu certo.
Até aqui o score era mais ou menos assim:
- Na Rússia, deu certo
- Na ambição européia, deu tudo errado
- Em uma tentativa na Alemanha, deu errado de novo
- Em uma nova tentativa na Alemanha, tudo deu com os burros n’água
- Na Hungria… para variar, o barco virou
Na Hungria, havia um filósofo, Georg Lukács, que apoiava o governo de Bella Kuhn. Kuhn era comunista, mas perdeu o poder após as tropas romenas terem invadido o país.
Na Itália, no entanto, a derrota foi mais dolorosa ainda para os comunistas. Mussolini fundou o movimento fascista em 1919, com foco em um programa baseado na república, na separação entre Igreja e Estado, um exército nacional, além do desenvolvimento de cooperativas. O fascismo italiano tinha até algumas características da mentalidade revolucionária, mas era oposição à outro tipo de mentalidade revolucionária, o marxismo. Em resumo, a anarquia dos comunistas era rejeitada ferozmente por Mussolini. Uma das críticas ao comunismo era a idéia do laissez-faire desse governo. Nota-se que Mussolini era até um pouco ingênuo, pois o nível de controle do estado visto na Rússia era bem maior do que aquele visto na Itália. No fim das contas, o fascismo era brincadeira de criança perto dos governos comunistas em termos totalitários. O que importa para nós, no entanto, é estudar mais um momento em que o comunismo simplesmente não vingou.
Um problema teórico… mas nada que a mentalidade revolucionária não resolva
Até esse momento, não é difícil notar que temos duas teses:
- (1) Os trabalhadores se uniriam, em prol dos interesses da classe, ignorando os valores, a moral estabelecida, a família e a pátria, todos contra a burguesia
- (2) Os trabalhadores estariam, juntos dos “burgueses”, em prol da defesa de sua pátria, sua cultura, sua família, seus valores, etc.
O que aconteceu, durante e após a Primeira Guerra Mundial, é que a tese (2) foi vista em toda a Europa, com a exceção da tese (1), que vingou na União Soviética. Uma mente científica naturalmente pensaria que a tese marxista não funcionava, e que a União Soviética deveria ser estudada como o “ponto fora da curva”. A mentalidade revolucionária age de forma inversa. Na União Soviética a tese se implementou, ela está correta, e todo o resto da Europa era o ponto fora da curva.
Esse problema teórico resultou no movimento chamado Marxismo Cultural, que, conforme mostraremos aqui, pode ser muito mais danoso que o próprio Marxismo em si. Motivo: ele serve como um “enabler” para iniciativas futuras do Marxismo.
Como a mentalidade revolucionária cria factóides em sua mente para justificar o não funcionamento de suas teorias (que, para ele, são inquestionáveis), a missão dos teóricos do marxismo cultural era encontrar o motivo pelo qual os fatos não se adequavam à teoria. Como Pe. Paulo Ricardo disse: “Para os marxistas, a teoria é inquestionável, e se a realidade não está seguindo a teoria, pior para a realidade”.
Antonio Gramsci, fundador do partido comunista italiano, e Georg Lukacs, que eu citei anteriormente, podem ser considerados os precursores do marxismo cultural. E ambos chegaram, através de contatos mútuos, a uma resposta em comum: o problema é que a cultura ocidental não habilitava as práticas revolucionárias comunistas. Quer dizer, era preciso atacar os pilares da cultura ocidental, para torná-la apta a receber um regime como o soviético.
Não demorou para esse pessoal definir que a família cristã era uma das culpadas. Na verdade, nem precisariam pesquisar muito, pois o próprio Manifesto Comunista já se denuncia. Segue, direito daquele documento:
Abolição da família! Até os mais radicais ficam indignados diante desse desígnio infame dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a família atual, a família burguesa? No capital, no ganho individual. A família, na sua plenitude, só existe para a burguesia, mas encontra seu complemento na supressão forçada da família para o proletário e na prostituição pública. A família burguesa desvanece-se naturalmente com o desvanecer de seu complemento e uma e outra desaparecerão com o desaparecimento do capital.
O que eles chamam de “família burguesa” é simplesmente a família tradicional. São convenções e elos que os marxistas, na época, consideravam “artificiais”. O motivo é óbvio. Se alguém é ligado à sua família, tem maior risco de ser ligado à um conjunto estabelecido de valores, e ao seu país e suas convenções também. Para os marxistas, o proletário pertence à “classe”, e não à sua família, as convenções sociais, seu país, etc…
Mas, além disso, existiam as 3 colunas, que também eram todas defensoras da família, e portanto, consideradas como inimigas. Lukacs e Gramsci já definiam que os vilões, contra os quais as lutas deveriam ser travadas:
- filosofia grega
- direito romano
- moral judaico-cristã
Em relação ao Direito Romano, sabemos que as revoluções marxistas não prezam pelo direito adquirido e nem pelo respeito à propriedade. Noções como jurisprudência, por exemplo, incomodam a eles. Motivo: tudo isso limita a luta dos proletários. Para implementar as revoluções, as leis tradicionais devem ser ignoradas. As leis são boas, para eles, somente quando atendem aos direitos da classe. Um exemplo pode ser visto na questão das invasões de terra pelo MST, ou na ação de tráfico de drogas pela FARC. Em termos legais, condenáveis, correto? Não para a mentalidade revolucionária, pois para eles todos os atos estão a priori justificados, e não sendo então condenáveis. Não é isso que a base do direito romano nos diz, e portanto, ele será considerado uma instituição burguesa a ser atacada pelos adeptos do marxismo cultural.
Na questão da filosofia grega, é bom notar do que falamos aqui. Falamos do CERNE da filosofia grega, que são os 3 grandes sábios: Sócrates, Platão e Aristóteles. Todos eles, na época, buscavam a verdade. E como a mentalidade revolucionária encararia tal busca? Isso não seria satisfatório para eles. Não é raro notar como os revolucionários simulam desdém por qualquer idéia aristotélica ou socrática. Em contrapartida, um pseudo-filósofo menor, como Epicuro, é idolatrado por esse pessoal (tratarei mais da oposição de pensamentos entre Epicuro e Aristóteles na parte 6 deste estudo). Motivo: Epicuro não acreditava em coisas como verdade, ao passo que Aristóteles era obcecado pela verdade. E de que lado os marxistas iriam ficar? De Aristóteles? Claro que não.
Mas nenhum adversário era tão prioritário, nessa luta, quanto a moral judaico-cristã. Em agradecimento ao site Darwinismo, segue a ótima compilação abaixo que mostra um pouco do que esse pessoal pensava sobre “moral”.
- “A lei, a moral, a religião são preconceitos burgueses, atrás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses.” (Karl Marx, no Manifesto comunista, p. 36)
- “O comunismo, porém, abole as verdades eternas, abole a religião e a moral” (Karl Marx, no Manifesto comunista. p. 44)
- “A moral, é a impotência colocada em ação” (Karl Marx, em “A Sagrada Família”)
- “Justo é o que favorece a Revolução e injusto é o que dificulta” (Lênin apud Alceu Amoroso Lima, Introdução ao direito moderno, ed. Agir, p. 15)
- “Subordinamos nossa ética à tarefa da luta de classes”. (Lênin, Staat und Revolution, zit. n. Ausgewälte Werke, Bd, II, Moskau, 1947, 225).
- “O melhor revolucionário é um jovem desprovido de toda moral” (Lênin)
- “Lênin ensinou, como se sabe, que, para atingir o objetivo almejado, os bolchevistas podem, e às vezes devem, usar qualquer estratagema, como o silêncio e a dissimulação da verdade…” (Novaia Rossia, 17-2-38).
- “É necessário saber adaptar-se a tudo, a todos os sacrifícios e até, se necessário for, usar vários estratagemas, enganos, procedimentos ilegais, usar o silêncio, a dissimulação da verdade para penetrar nos sindicatos, permanecer neles, desenvolver neles a qualquer custo o embrião comunista.” (Lênin apud Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Invocar em nossos dias as “verdades eternas” da moral significa tentar fazer retroceder o pensamento.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Quem não quiser voltar a Moisés, Cristo ou Maomé, nem satisfazer-se com um ecletismo arlequinesco, deve reconhecer que a moral é um produto do desenvolvimento social; que ela não tem nada de imutável; que serve aos interesses da sociedade; que esses interesses são contraditórios; que, mais que qualquer outra forma ideológica, a moral tem um caráter de classes.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Não existem, então, preceitos morais elementares elaborados pelo desenvolvimento da humanidade e indispensáveis à vida de qualquer coletividade? Existem, sem dúvida, mas sua eficácia é muito incerta e limitada. As normas “obrigatórias para todos” são tanto menos eficazes quanto mais áspera se torna a luta de classes. A guerra civil, forma culminante da luta de classes, suprime violentamente todos os laços morais entre as classes adversas.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “As normas morais “obrigatórias para todos” adquirem, dentro da realidade, um conteúdo de classe, isto é, um conteúdo antagonístico. A norma moral é tanto mais categórica quanto menos é “obrigatória para todos”. A solidariedade dos operários, especialmente nas greves ou por detrás das barricadas, é infinitamente mais “categórica” que a solidariedade humana em geral.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “O fim (a democracia ou o socialismo) justifica, em certas circunstâncias, meios como a violência e o homicídio.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “Do ponto de vista das “verdades eternas” a revolução é, naturalmente, “imoral”. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
- “O juízo moral está condicionado, como o juízo político, pelas necessidades internas da luta.” (Leon Trotski, Moral e Revolução, 1936)
Agora, uma pergunta: como é que com esse tipo de mentalidade, como vista acima nas declarações de Marx, Lenin e Trostky, seria possível um diálogo com uma sociedade sedimentada na cultura ocidental, baseada na família, com alicerce no direito romano, filosofia grega e, principalmente, a moral judaico-cristã? Simplesmente, não é possível. Curiosamente, Trostky se tornou dissidente russo, refugiou-se no México e foi assassinado com marteladas na cabeça a mando de um agente de Stalin. Pelo menos Trostky não poderia reclamar de nada, já que ele mesmo escreveu que os fins justificam, em certas circunstâncias, até a violência e o homicídio.
Gramsci e Lukacs sabiam que para permitir a futura revolução marxista, era preciso atacar a base da cultura ocidental. Enfim, corroer o organismo internamente, como um parasita. Eis então que o marxismo cultural assume a frente da luta revolucionária, enquanto o marxismo tradicional ficará relegado ao segundo plano, por uns tempos. Abordarei isso em mais detalhes na parte 5 deste ensaio, em que tratarei da Estratégia Gramsciana. Por enquanto, nos preocupemos com a base histórico-cultural deste movimento social, que será útil, como veremos após a conclusão desta parte do ensaio (assim como das partes 4 e 5), para entender a importância política do neo ateísmo.
Entra em ação o marxismo cultural
Até o momento sabemos que o pensamento dos marxistas era: “Se quisermos ter qualquer ambição de implantar o marxismo no Ocidente, é preciso acabar com a filosofia grega, o direito romano e, principalmente, a moral judaico-cristã”.
Alguns poderão até questionar: “mas a crítica à religião assumiu maior força no Iluminismo, não?”. Correto, mas a crítica era no máximo à influência da religião politicamente, com foco na criação do Estado Laico. E não uma eliminação da religião do cenário público. O marxismo tem uma iniciativa muito mais ousada. É preciso atacar a religião e retirá-la da discussão pública, pois a influência da religião, parra eles, é danosa. Na questão da religião, podemos dizer que os liberais (aqueles de bases iluministas), lutam pelo estado laico. O que é totalmente diferente do ataque e retirada das religiões do cenário público.
O que importa, principalmente agora, é saber que essas prioridades foram descobertas em 1920. Uma coisa curiosa é notar como Bertrand Russell, de um início mais “low profile” contra a religião, se tornou praticamente um dos precursores do neo ateísmo. Influências naturalmente advindas da campanha marxista. Haja vista que ele se “converteu” ao marxismo durante sua carreira.
Começava aí o movimento que pode ser chamado de “marxismo ocidental”, o que é um eufemismo para o Marxismo Cultural. Inicialmente, os camaradas de Moscou não ficaram muito satisfeitos com esse tipo de marxismo. Entretanto, veremos mais à frente, que a própria KGB fez uso principalmente desta espécie de marxismo. Tratarei isso na parte 4, em que trarei a história de Yuri Bezmenov, um desertor russo que era especialista em aplicações práticas de Marxismo Cultural. A expressão “marxismo ocidental” foi cunhada pelo filósofo marxista Maurice Merleau-Ponty (1908-1961).
Os primórdios do Marxismo Cultural, como já mencionado, relacionam-se a Antonio Gramsci e Georg Lukacs. Em relação ao primeiro, como já mencionei, dedicarei a parte 5 a ele, neste ensaio. Se hoje vemos a idéia dos intelectuais orgânicos, temos que considerar Gramsci como o principal responsável. Lukacs, por sua vez, queria incutir nos trabalhadores a “consciência de classe”, e usou o termo “revolução cultural”, com foco em mudar o senso comum da sociedade. Em tese, uma abordagem diferenciada, embora não tão detalhada como a de Gramsci, para a implementação do marxismo por vias culturais.
A partir dessa dupla, uma série de acadêmicos começaram a construir o “core” de idéias que tinham como foco destruir a base da civilização ocidental, que, como já vimos, é considerada “inimiga” do marxismo.
A Escola de Frankfurt
Cortina de Ferro era um termo utilizado para definir a divisão da Europa em duas partes: Oriental e Ocidental. Eram tratadas como áreas de influência político-econômica distintas, no pós Segunda Guerra Mundial. A Europa Oriental tinha o controle político/influência da União Soviética e a Europa Ocidental sob o controle político/influência dos Estados Unidos.
A proposta dos marxistas culturais era manter a “integridade” cultural dos países do Oriente, e implementar idéias marxistas no Ocidente. A partir daí surgiu uma série de filósofos, que muitos até aceitam como se fossem pessoas normais, mas no fundo todos são portadores da mentalidade revolucionária, na manifestação marxista: Ernst Bloch, Walter Benjamin, Theodor Adorno, Jurgen Habermass, Louis Althusser, Jean-Paul Sartre, dentre outros.
O principal catalizador deste movimento pode ser definido como a Escola de Frankfurt. Para compreender sua origem temos que remontar a 1923, na Alemanha. Por lá, ocorreu a Semana de Trabalho Marxista, na qual alguns filósofos marxistas se reuniram para discutir o tal problema teórico de que antes falamos. A discussão era: “Por que a realidade não atendeu a teoria?”. Nessa semana, participavam Georg Lukacs e Felix Weil. Nesse ponto, Lukacs já tinha descoberto, juntamente com Gramsci, que o problema estava nas 3 colunas (filosofia grega, direito romano e moral judaico-cristã). O problema para os marxistas culturais agora não era discutir o “por que” (isso já tinha sido feito por Gramsci e Lukacs), mas sim “como” resolver o tal problema teórico.
Felix Weil assumiu função importante nesse ponto, ao criar em 1924 o Instituto para Pesquisas Sociais, em Frankfurt, na Alemanha. O Instituto se tornou, naturalmente, o quartel-general das discussões sobre como implementar o marxismo pelo mundo. Weil era o filho de um próspero comerciante, Hermann Weil, que teve como custear os estudos do filho em instituições renomadas como nas universidades de Tubingen e Frankfurt. Nessa última, Felix recebeu seu doutorado em ciência política. Nessa fase acadêmica, foi doutrinado pelas idéias socialistas e marxistas. De acordo como historiador com o historiador Matin Jay, o tema da dissertação de Felix foi “os problemas práticos da implementação do socialismo”.
Aliás, esse é o momento onde começa a ficar mais claro por que encontramos muitos marxistas, gayzistas, defensores de direitos humanos para bandidos, neo ateístas e outros desse tipo em universidades. Eles são úteis ao movimento revolucionário, pois, possuindo uma possibilidade financeira maior, ao serem doutrinados, eles conseguem influenciar mais gente. Como já dito antes, para marxistas, os meios não importam, desde que os fins sejam alcançados. No caso de Felix, a doutrinação dele teve importância muito maior, no caso, a grana que ele pode obter com o seu pai para criar o Instituto de Frankfurt. Fica aqui explicado um importante enigma. Por que será que há tantos filhinhos de papai associados a ideologias subversivas? Principalmente os que vão para a faculdade? Embora tratarei deste assunto aqui, expandirei ele na parte 5.
Por enquanto, foquemos na Escola de Frankfurt (ou Instituto para Pesquisas Sociais), que inicialmente iria se chamar Instituto Marx & Engels. Eis que surgia um problema: já existia um Instituto Marx & Engels na Rússia. E, nesse momento (estamos em meados da década de 20), o mundo já conhecia as atrocidades do governo russo, que posteriormente ficou conhecido por ser um dos campeões mundiais de genocídio, ao lado da China de Mao. Perto deles, até o governo futuro de Hitler seria trabalho de escoteiro. Até Hitler, que foi influenciadíssimo pelas idéias da mentalidade revolucionária, tentou se desassociar da conexão com as idéias de Marx. Obviamente, tais tentativas foram desmascaradas recentemente com o lançamento do vídeo “The Soviet Story”, na qual é demonstrado que os marxistas russos são praticamente os professores das estratégias de atuação nazistas.
Aliás, esse tipo de tentativa de Weil iniciou o que podemos chamar de “Estratégia do Varrimento para Debaixo do Tapete”. Para evitar suas associações com o marxismo, muitos desses ideólogos se identificam como “não tão ligados a Marx” ou até “críticos do comunismo”. Não surpreende que muitos subversivos hoje fiquem até ofendidos quando associados a Marx. Mas de que adianta se, conforme já vimos (e veremos mais ainda), a agenda do marxismo cultural é cumprida a risca? Basta um estudo mais profundo em cima desse pessoal para notar que os padrões comportamentais são os mesmos. Portanto, não adianta Weil ter identificado o seu Instituto como Insituto para Pesquisas Sociais. É um instituto para divulgação do marxismo, e a leitura do material desse pessoal será suficiente para tirar qualquer dúvida. Será que os neo ateus são todos marxistas? É evidente que nem todos são. Mas quando estudarmos a Estratégia Gramsciana veremos que é até produtivo que nem todos sejam. Parte da eficiência do marxismo cultural se deve à desassociação formal perante o marxismo original. Curiosamente, a edição geral das obras de Marx & Engels foi feita, simultaneamente, no Instituto de Frankfurt e no Instituto de Marx & Engels em Moscow. Detalhes…
O principal objetivo do Instituto de Frankfurt era estudar a Alemanha Ocidental, para entender o pensamento ocidental, e como isso “alienaria” os trabalhadores. Lembremos que, para Gramsci, os trabalhadores que não pegaram em armas contra os seus patrões na época da Primeira Guerra Mundial estavam “alienados”. Tudo ia muito bem, nos estudos desta turma (pois eles estavam criando a “estratégia de derrubada da cultura ocidental”), até que veio a Segunda Guerra Mundial.
Going to America
Como todos sabem, Hitler queria se desvencilhar da imagem de sua cultura revolucionária aprendida com Marx. Como Hitler não era de brincadeira, resolveu apelar à propagar a imagem de que lutava contra o marxismo, sendo aliado de Mussolini nesse ideal. O que importa para nós é saber que formalmente Hitler lutou contra os marxistas. E, mais ainda, lutou contra os judeus. Aqui temos um problema duplo para o pessoal do Instituto de Frankfurt: eles não eram apenas marxistas, como também judeus. Resultado: o Instituto de Frankfurt foi bombardeado e não restou-lhes outra alternativa que não fugir para os Estados Unidos. Entre os que foram para lá estavam Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse e Max Horkheimer.
Alguns até dizem que não há marxistas nos Estados Unidos, mas isso pode ser definido como “Estratégia Keyser Soze”. Para quem se lembra desse ótimo filme (“Os Sete Suspeitos”), ele conclui com o assassino, Keyser Soze,que se fingiu de debilitado o tempo todo para escapar da polícia, andando normalmente com um baita sorriso cínico na cara, após conseguir que outro fosse condenado em seu lugar. A frase que o filme mostrava era: “A maior jogada do Diabo foi convencer o mundo que ele não existe”.
Grande parte do esforço desses acadêmicos marxistas era doutrinar novos marxistas, ou ao menos, se não fosse possível, doutrinar novos subversivos. Outros acadêmicos eram também um foco de sua atuação. Grande atenção era dada ao fato de que isso não fosse tão “explícito”, mas sim aplicado de forma sutil. A Estratégia Keyzer Soze (mesmo que o filme só tenha sido lançado nos anos 90, ele explica bem a estratégia utilizada por eles) estava em vigência nas universidades americanas, e tudo isso com a Segunda Guerra em curso. Foi o tempo suficiente para que a contaminação dessas idéias na Academia se tornasse relevante em termos políticos. Quando a Segunda Guerra acabou, Horkheimer e Adorno voltaram para a Europa. Mas Marcuse continuou nos Estados Unidos.
Marcuse começou a dar aulas na Universidade de San Diego, na California, justamente na época em que explodiu toda a Revolução Estudantil de 1968, que causou impacto fundamental na França. Marcuse tornou-se parte de uma das mudanças culturais mais relevantes no Ocidente, embora muitos sequer tenham ouvido falar dele. Marcuse resolveu fazer um casamento entre as idéias de dois revolucionários: Marx e Freud.
Lembremos que eu falei da metáfora da válvula da panela de pressão no começo? Retorno à ela agora. A idéia era de que a válvula na panela de pressão tinha furado, a pressão escapava e a revolução não ia acontecer. Aí Marcuse veio com a idéia de encontrar pessoas revoltadas justamente onde elas aparecem em maior quantidade: nos jovens universitários, que seriam então tratados como as pessoas reprimidas sexualmente. E se eles eram reprimidos sexualmente, quem era o culpado? A moral judaico-cristã. Essa estratégia foi descoberta ao final dos anos 50. Lembrando também que a contestação da moral cristã não foi criada pelo marxismo. Nietzsche já fazia isso e não gostava de marxismo. O que importa, para os marxistas, como veremos na parte 4 (quando falaremos da subversão), é usar os movimentos existentes atualmente em curso e deixá-los seguir nesse caminho e motivá-los a ir até o fim.
No caso de Marcuse, ele encontrou um ambiente de pessoas que se sentiam reprimidas sexualmente, ele então apenas incentivou-as a ir mais além e ajudou a transformar a luta contra essa suposta repressão em um ato político. O lançamento de sua obra “Eros e Civilização” foi fundamental nessa luta. Com isso, Marcuse uniu o útil ao agradável. Ajudava a criar um movimento de luta contra a repressão sexual, travestido de luta pela paz, e ainda ajudava a dar cutucões na moral conservadora, principalmente da sociedade americana. O que importava, no final não era libertar essas pessoas da repressão, mas principalmente conseguir a militância. Era simplesmente a idéia de tentar matar dois coelhos com uma cajadada só: usava-se a rebeldia contra a religião, aprendida com Marx, e a noção de buscar todas as respostas no sexo, com Freud. Se hoje em dia, muitos encaram Freud e Nietzsche como intelectuais, deve-se, é claro, à iniciativas do marxismo cultural. Não é que ambos fossem intelectuais, mas sim que era importante que as pessoas considerassem eles como intelectuais, para darem mais atenção às suas idéias. Não surpreende, aliás, que Freud também fosse ateu.
O mais importante neste momento é saber que um dos objetivos principais dos marxistas culturais é dar aulas em universidades e atuarem no âmbito acadêmico. Muito provavelmente por isso é que os ideólogos marxistas busquem doutrinar as pessoas de destaque no mundo acadêmico primeiro. Tecnicamente, o marxista cultural não precisa pegar em armas, até por que não é uma iniciativa tão segura. Que o uso das armas fique para os proletários da revolução no momento certo. A função do intelectual do marxismo cultural é atuar para culturalmente moldar a sociedade para facilitar futuramente a revolução.
Nas universidades, os marxistas encontram terreno fértil para a doutrinação de seus alunos dizendo coisas com “a sociedade capitalista é uma sociedade opressora”, “se essa opressão ocorreu, a culpa é da religião”, “você não executa a sua liberdade sexual por causa dessa opressão”, “lute contra isso”, “mostre sua luta”, etc.). O resultado final disso, é claro, eram as manifestações de pós-adolescentes contra a Guerra do Vietnã (ou seja, implicitamente idéias pró-comunistas) e com base no “Faça Amor, Não Faça a Guerra”, lema de Marcuse. A importância cultural de Marcuse era tanta que a geração hippie com certeza deve muito a ele. Marcuse, que chegou a trabalhar para a CIA, nem se preocupava em se identificar como marxista. O importante para ele era conquistar a aceitação do público americano, pois ali era o foco do trabalho dele. Marcuse sabia que as idéias de revolução sexual seriam propagadas ao redor do mundo, culturalmente. Enquanto isso, outros ideólogos marxistas faziam o mesmo trabalho na Europa.
Os Estados Unidos sempre foram conhecidos por serem um país onde todas as opiniões podem ser ditas, independentes de quais fossem. Veremos que essa praticamente tem sido a fonte da ruína cultural deles, pois foi por onde os ideólogos marxistas resolveram atacar, se infiltrando, moldando culturalmente geração após geração. E o importante é notar como as técnicas dos marxistas sempre foram utilizadas da maneira mais desleal possível, pois como já visto, para eles a moral é uma estupidez, e os fins justificam os meios. Obviamente que eu não proponho uma nova censura, mas já que os marxistas culturais jogam tão sujo, temos que estudar formas de investigar e desmascarar em público esse tipo de material.
Patrulhamento ideológico
Se hoje vemos os neo ateus como símbolos de patrulhamento ideológico, não podemos esquecer que seus professores nisso foram os marxistas originais.
Um dos grandes exemplos de patrulhamento ideológico no molde marxista padrão foi a questão do senador Joseph McCarthy, que nos anos 50 investigou um número de artistas infiltrados na indústria cinematográfica americana. Estes artistas atuavam de forma a lançar obras que ajudassem na difusão cultural de idéias revolucionárias. Foi descoberto que McCarthy tinha um histórico de alcoolismo e era também homossexual. Muitos comunistas simularam que as investigações de McCarthy serviam como opressão, naquilo que foi denominado macartismo, e durou de 1950 a 1956. Alguns ideólogos comunistas alegavam que pessoas eram levadas ao suicídio pelas investigações de McCarthy. Começou então um extensivo patrulhamento ideológico contra McCarthy, que foi tratado como um pária social. Obviamente, o caso de alcoolismo dele foi extensivamente aproveitado por marxistas (e até alguns liberais) que frequentavam a mídia.
A questão com McCarthy é apenas um dos exemplos de como os ideólogos marxistas e seus pares subversivos sabem executar a noção de que aqueles que lutam contra suas utopias deverá ser destruído, e não haverá nenhum padrão moral para julgar qualquer ato que for feito contra ele.
Uma das principais formas de patrulhamento ideológico é a Estratégia das Tesouras, que é apresentada por Olavo de Carvalho desta forma:
A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.
E o que isso significa? Em termos sociais, temos 3 vertentes hoje: conservadorismo, liberalismo e marxismo. O que importa para eles hoje é atacar o conservadorismo, eliminá-lo do espectro político e transformar a questão em uma discussão entre liberalismo e marxismo. Futuramente, com isso, o marxismo se ocuparia de destruir o liberalismo com mais facilidade. É por isso que a religião TRADICIONAL é que é tratada hoje inimiga do neo ateísmo. E eles não se importam tanto com os deístas e panteístas. Por enquanto.
Na execução da estratégia das tesouras, os marxistas simplesmente efetuam toda e qualquer forma de patrulhamento ideológico contra aquele que estiver fora do espectro delimitado por eles.
Diante dessa lição, aprendida com o macartismo, e notando como o patrulhamento ideológico hoje está bastante focado nas universidades e na mídia, pode-se dizer que o cenário de maior perigo hoje em dia para se ter uma idéia conservadora é o cenário acadêmico. Hoje por exemplo, que alguém ouse questionar o movimento gayzista em uma universidade. Ou, pior, que se tente questionar um paradigma ateísta. O resultado disso será a tentativa dos marxistas culturais em destruírem sua carreira.
Tratarei especificamente de estratégias mais detalhadas de patrulhamento ideológico na parte 5, sobre a Estratégia Gramsciana. Por enquanto, abordei apenas a origem desta prática, e, como não poderia deixar de ser, é uma prática marxista.
Conclusão
O marxismo cultural é uma forma aparentemente light de marxismo, justamente por que assim ele causa à princípio menos rejeição, e portanto, é mais facilmente difundido. Entretanto, ele não é menos perigoso que o marxismo tradicional. Pelo contrário, ele é um habilitador das idéias revolucionárias mais radicais. Uma série de estratégias é utilizadas por eles, e principalmente em âmbito cultural e acadêmico, justamente por uma questão de facilidade de alcance de mais mentes vulneráveis, principalmente universitários (em fase de alta ebulição sexual e rebeldia). Dentro desse âmbito de doutrinação universitária, eles vão criando novos subversivos, e mantém sua estrutura de maioria acadêmica, usando desde a lavagem cerebral até o patrulhamento ideológico. Esse artigo apenas dá a base explicando o surgimento e como funciona basicamente o marxismo cultural. Nos próximos 2 artigos, em que tratarei das Estratégias de Subversão (com exemplo da história do dissidente russo Yuri Bezmenov) e da estrutura da Estratégia Gramsciana, fornecerei algumas idéias básicas do que seria uma forma de contenção aos objetivos marxistas. Notem que não tratei, ainda do historicismo absoluto e do desconstrucionismo, e nem da gramática transformacional, de Noam Chomsky. Em relação à esta última tratarei dela na parte 7, e quanto as outras 2 tratarei na parte 5.
Desvendando a ilusão do neo ateísmo – Pt. 2 – A interpretação delirante e a mente revolucionária

Quando tomamos a decisão de estudar um assunto de forma científica, não podemos ter medo do que vamos encontrar. Inclusive, muitas vezes encontramos durante esse estudo coisas que talvez não sejam agradáveis à primeira vista, mas, se formos honestos intelectualmente, é uma obrigação moral incluirmos todos os achados.
Essa é a parte de nossa investigação onde trataremos a interpretação delirante e a mentalidade revolucionária.
O objetivo aqui é explicar uma síndrome que é manifestada em algumas pessoas. Síndrome esta que, após mapeada, explica grande parte do comportamento padrão de um neo ateu. O curioso é que mesmo que essa pessoa não fosse neo ateu, mas mantivesse essa característica (a interpretação delirante, do tipo mentalidade revolucionária), talvez ela comprasse outras ideologias tão subversivas quanto. Como exemplo, a teologia da libertação.
E o que eu encontrei aqui nesta investigação que seria irônico? Simplesmente o fato de que a interpretação delirante pode acometer tanto um teísta quanto um ateísta.
O importante é saber que a mentalidade revolucionária é uma variação da interpretação delirante. Como já dito, veremos, mais à frente, que podemos associar outras variações da interpretação delirante a alguns teístas, embora esse não seja o nosso foco. No caso do ateísta que for acometido da interpretação delirante, ele provavelmente seria vítima da mentalidade revolucionária. Portanto, ao ateísta que tiver a síndrome da interpretação delirante, a ideologia perfeita para ele é o neo ateísmo, pois ela é basicamente uma ideologia subversiva, e, portanto se adequa perfeitamente ao paradigma da mentalidade revolucionária.
Alguém poderia perguntar: e por que você não estuda toda a síndrome da interpretação delirante e não apenas a mentalidade revolucionária?
Aí é que está: neste estudo focarei a mentalidade revolucionária, isso é um fato. Mas após terminá-lo, também farei um ensaio no qual explicarei a síndrome de interpretação delirante quando esta acomete alguns teístas.
Ora, se explico a interpretação delirante em ateus (na manifestação mentalidade revolucionária), que aceita o paradigma neo ateísta, eu explicarei, no ensaio seguinte, a interpretação delirante em teístas, que, em suas variações, pode aceitar paradigmas como Criacionismo da Terra Jovem e Cristianismo Self-Service.
Por enquanto, no entanto, priorizarei o neo ateísmo.
A interpretação delirante
Logo de primeira acabei conhecendo a interpretação delirante ao estudar a mentalidade revolucionária, portanto os créditos para ambos os conhecimentos vêm de Olavo de Carvalho, que tem teorizado a respeito desta última. O caso é que para que Olavo teorizasse a respeito da mentalidade revolucionária, ele precisou tratar também da síndrome que a origina, que é a interpretação delirante, que foi descrita originalmente pelo psiquiatra francês Paul Sérieux em 1909, no livro “Les Folies Raisonnantes. Le Délire d’Interprétation”.
É importante não confundir a interpretação delirante com a alucinação em si, pois vejam como Sérieux a descreve:
Enquanto em geral as psicoses demenciais sistematizadas repousam sobre perturbações sensoriais predominantes e quase permanentes, todos os casos que aqui reunimos são, quase que exclusivamente, baseados em interpretações delirantes; as alucinações, sempre episódicas quando existem, não desempenham neles papel quase nenhum [...] A ‘interpretação delirante’ é um raciocínio falso que tem por ponto de partida uma sensação real, um fato exato, o qual, em virtude de associações de idéias ligadas às tendências, à afetividade, assume, com a ajuda de induções e deduções erradas, uma significação pessoal para o doente… A interpretação delirante distingue-se da alucinação e da ilusão, que são perturbações sensoriais. Difere também da idéia delirante, concepção imaginária, inventada ponto por ponto, não deduzida de um fato observado.
Já nessa introdução, ficou claro que autor já exibe a distinção entre interpretação delirante da mera interpretação falsa, que seria o erro vulgar. Aqui estão as razões apontadas pelo autor:
- (1) “O erro é, no mais das vezes, retificável; a interpretação delirante, incorrigível.”
- (2) “O erro permanece isolado, circunscrito; a interpretação delirante tende à difusão, à irradiação, ela se associa a idéias análogas e se organiza em sistema.”
Vou dar alguns exemplos de como funciona o que foi abordado acima.
Imagine que você, ao andar pelo campo, de madrugada, encontre um lençol preso ao varal esvoaçante e o atribua a um um espírito ou fantasma. Isso é um exemplo básico de “erro” de percepção, ou até uma variante simplória da alucinação. Seja lá como for, se alguém demonstrar que o que havia ali era apenas um lençol, a pessoa então deverá descartar a hipótese de que ali havia um espírito, pois os fatos não comprovaram a teoria (do espírito).
Essa é a diferença fundamental para que possamos prosseguir. Não podemos confundir a interpretação delirante com alucinações e ilusões.
Da mesma forma, não podemos confundir a interpretação delirante com a idéia delirante. Um exemplo de idéia delirante seria a situação em que um sujeito começa a suspeitar de que seu sócio o estaria enganando, sem nenhum indício ou motivo para isso, e cria em sua mente uma história e até eventos que dessem uma explicação para o caso de fraude. Mas de onde ele tirou esse caso? Somente de sua mente. Isso é um caso de idéia delirante, mas não interpretação delirante.
Não se deve confundir também com a fantasia deliberada. Por exemplo, imaginemos um casal que tem uma fantasia sexual, na qual ele é um advogado que gosta de se vestir de marinheiro durante a relação sexual. Obviamente que ele e ela sabem que ele não é um marinheiro, mas esta é uma crença temporária aceita apenas por curtição. Após a relação sexual, o casal saberá que ele não era um marinheiro. Isto é uma fantasia, deliberada, e não uma interpretação delirante.
Vejamos então o que não é interpretação delirante:
- (a) Uma alucinação
- (b) Uma ilusão (no sentido de uma miragem)
- (c) Uma fantasia deliberada
- (d) Uma idéia completamente falsa criada a partir da pura imaginação.
Se então definimos o que NÃO É interpretação delirante, vamos então nos atentar ao que é.
Uma forma de explicar a interpretação delirante de um jeito mais simples pode ser: “A atitude formal de alguém que, ao identificar fatos que não se adequam às suas teorias, define que o problema está com os fatos, e não com a teoria”.
O termo “teoria” que uso aqui não é simplesmente na acepção de uma teoria científica, mas qualquer modelo explicativo que alguém faça para a realidade. Obviamente tal modelo pode ser adaptado de uma teoria científica (ou pseudo-científica), ou uma teoria qualquer, ou simplesmente uma explicação popular. O importante, para qualificar isso como interpretação delirante, é que esta pessoa, mesmo com informações para identificar que a sua teoria não é mais válida, prossiga distorcendo ou ignorando os fatos para continuar a aceitá-la. Enfim, a paixão pela idéia, explicação ou teoria é o que vale, e não os fatos. A não ser que os fatos comprovem a teoria. Nesse caso, o adepto da interpretação delirante, faz o aceite seletivo de fatos.
Um exemplo evidente disso é o comportamento dos petralhas em relação às denúncias do Mensalão. O petralha conhece os fatos que mostram que o Lula poderia ser até objeto de impeachment, mas ele ainda assim vilaniza aqueles que noticiam o mensalão, e até inocenta o Lula. Ou seja, para ele o que vale é a teoria de que o Lula é um mito, o representante do “povo”, portanto ausente de defeitos morais, e não os fatos. Enfim, interpretação delirante.
A coisa fica bem fácil de identificar, inclusive, na variação dos cristãos self-service que é o cristão manso. Um cristão manso diz que “sempre se deve dar a outra face”, e acredita nisso de forma literal e da forma mais ingênua possível. Logo, em algumas comunidades, nota-se este tipo de cristão (que, como já dito, não representa o cristianismo, mas apenas uma parte deles) acha linda a idéia de que “a mansidão” é uma das coisas mais belas a serem demonstradas. Aí tornam-se vulneráveis. Eis que você lança na frente dele alguns desafios, e ele se irrita, e revida. Ué, mas aí a mansidão não vale? Só vale em alguns momentos? É claro que em muitos casos eles até ignoram esse tipo de questionamento, pois isso são fatos que derrubam sua teoria. E, como já dito, para eles os fatos devem ser ignorados.
Claro que eu preciso tratar de exemplos de neo ateus, e nesse caso eu poderia escrever um livro somente com exemplos do delírio de interpretação que os acomete. Vamos, portanto, avaliar somente alguns.
Um neo ateu pode dizer que a ciência abrange toda a realidade. Obviamente, que basta você demonstrar a ele que isso não é verdade, e que temos já de cara como falsear essa alegação apenas com um dentre vários exemplos possíveis, no caso a metafísica. Mostramos a ele que as definições científicas não afirmam que a ciência abrange toda a realidade. Uma resposta dele pode ser: “ah, mas um dia talvez poderá”. Quer dizer, ele cria uma esperança na mente dele, e a divulga como se fosse fato, pois ele já está na fase de ignorar os fatos, pois o que importa para ele é a crença de que “ciência abrange toda a realidade”. Recentemente, neste blog, um comentarista neo ateu disse o seguinte: “A metafísica estuda outra realidade. Uma realidade maior.”. É claro que eu tive que lhe perguntar: “Seria então a realidade da ciência uma realidade menor?”. É claro que ele buscava truques linguísticos para que a sua crença de que “a ciência abrange toda a realidade” fosse mantida em sua mente. Mais um exemplo de que os fatos são ignorados em prol da idéia na qual ele acredita. E, lembrando da observação do Dr. Seriéux, é possível que expliquemos 100 a 200 vezes para ele a diferença entre “realidade observável e tangível” de “realidade em si” que ele continuará mantendo sua crença. Ela é, neste caso, mais um exemplo da interpretação delirante.
Outro exemplo é quando um neo ateu diz que a religião é a causa principal de genocídios ou coisas do tipo. Eis então que mostramos a ele os genocídios na Rússia e na China, que, em números, são praticamente os campeões da era moderna. Ele recebe a informação, mas diz que o ateísmo com certeza é inocente disso, e que, se os crimes ocorreram, foi em nome de qualquer outra coisa menos ateísmo. Mas como, se mostramos a ele que a base do discurso comunista era sustentada pelo discurso ateísta? É claro que o neo ateu ignorará o fato de que, assim como o teísmo, o ateísmo também foi usado por retóricos mal intencionados para cometer crimes. A teoria de que ele tem de que religião é causa PRINCIPAL de genocídios não funcionaria mais. O que ele pode fazer, então? Um truque de mágica que os vi cometendo é dizer que, se havia a luta contra a religião, e a negação da religião, então isso seria feito de maneira dedicada, e, portanto, seria um tipo de religião. Acreditem se quiser, já vi esse tipo de truque retórico várias vezes. Como se vê, ele ignora os fatos e acredita em qualquer maquiagem e edição de fatos que os gurus fornecem a ele. A idéia na qual ele crê é mantida, os fatos são ignorados. Mais uma vez: interpretação delirante.
O curioso de tudo isso é que ao debatermos com pessoas assim, não estamos trocando mais informação, pois a informação não importa para quem possui uma mente acometida de delírios de interpretação. Qualquer fato que você mostre, contradizendo as teorias na qual ele acredita, serão sumariamente ignorados ou distorcidos.
É por isso que, quando discuto com neo ateus, assumo o paradigma do desmascaramento e não da discussão no mesmo nível em que discutimos com um amigo receptivo. O importante passa a ser o público, pois este pode até considerar a informação. É obvio que se dentre o público existir alguém de mentalidade revolucionária, este poderá sumariamente ignorar qualquer informação que negue suas teorias.
Usando uma abordagem mais técnica, a interpretação delirante constitui uma entidade psicopatológica autônoma, uma psicose delirante crônica, sistematizada, de caráter não alucinatório (agradeço à fonte do site Adversus Hæreses, que também listou os itens imediatamente abaixo citados). Ela é caracterizada por:
- 1) Multiplicidade e organização de interpretações delirantes
- 2) Ausência ou penúria de alucinações (contingentes)
- 3) Persistência da lucidez e da atividade psíquica
- 4) Evolução através da extensão progressiva das interpretações
- 5) Incurabilidade, sem demência terminal.
Se até agora é evidente que podemos identificar a interpretação delirante, não é difícil notar que grande parte do trabalho de alguém que refute as idéias do neo ateísmo poderia se basear em identificar se há erros, fraudes, distorções, falácias e estratégias erísticas em ocorrência no discurso de autores como Dawkins, Hitchens, Dennett e Harris, ou até nos textos de seus leitores (que podem segui-los letra por letra), identificar os fatos que mostram que o que existe neles é realmente só um delírio e depois disso expor ao público. Mas não expor a eles, pois os fatos para o doente já não tem nenhuma importância, a não ser os fatos que confirmem a idéia.
Se já sabemos então o que é uma interpretação delirante, precisamos a partir de agora entender a mentalidade revolucionária.
A mentalidade revolucionária, por Olavo de Carvalho
Para facilitar a compreensão do que abordaremos aqui, vamos a uma forma de identificar a mentalidade revolucionária.
Antes vimos que a interpretação delirante é a “crença em uma ou mais idéias que não são confirmadas pelos fatos, mas que são aceitas com tal fervor que todo e qualquer fato que negue a idéia será ignorado ou manipulado, de forma que a idéia continue sendo aceita pelo indivíduo”.
Vamos então a 3 elementos que, segundo Olavo de Carvalho, definem a mentalidade revolucionária. O primeiro seria a inversão da percepção de tempo. Segundo Olavo:
As pessoas normais consideram que o passado é algo imutável e que o futuro é algo de contingente ― “o passado está enterrado e o futuro a Deus pertence”, diz o senso-comum. A mente revolucionária não raciocina desta forma: para ela, o futuro utópico é um objectivo que será inexoravelmente atingido ― o futuro utópico é uma certeza; não pode ser mudado. Por outro lado, a mente revolucionária considera que o passado pode ser mudado (e ferozmente denunciado!) através da reinterpretação da História por via do desconstrucionismo ideológico (Nietzsche → Gramsci → Heidegger → Sartre → Foucault → Derrida → Habermas). Em suma: o futuro é uma certeza, e o passado uma contingência ― isto é, o reviralho total.
Isso, aliás, explica exatamente como funcionam os processos psicológicos de Christopher Hitchens quando ele resolve denunciar a religião por “crimes do passado”. Já mostrei como funciona esse estratagema aqui, e é importante ressaltar que Dawkins e Harris também recorrem à essa técnica constantemente. Para eles não importam os fatos do passado, mas sim o futuro utópico imaginado, de paz, graças ao ateísmo, e portanto o passado tem que ser denunciado por causa da religião. Para eles não importa maquiar as informações sobre a Inquisição, exagerando nos números e alterando dados. A regra é básica. O futuro utópico, de um mundo de justiça e paz, por causa do ateísmo, não pode ser mudado, esse é um axioma deste tipo de mente. Mas o passado terá que ser associado à religião, e por causa disso duramente criticado. Desconstrucionismo ideológico, conforme citado por Olavo, e historicismo absoluto serão as ferramentas para realizar esse tipo de manipulação.
Entretanto, nenhum exempo é mais gritante do que o de Daniel Dennett. Ele vive em um mundo, que, como sabemos, é em sua maioria religiosa. Ele cria uma idéia na qual todos os religiosos tivessem que se apresentar para um comitê de ateus, para que estes definam qual a melhor religião a ser utilizada, ou até decidam abolir o uso da religião. Em suma, ele já visualiza um futuro no qual a maioria é ateísta (ou ecumênica, ou nova era, ou qualquer coisa neste sentido), e estes julgarão os religiosos e dirão no que eles devem acreditar. Quer dizer, ele visualiza o mundo futuro utópico dele, e já age como se esse mundo existisse.
O segundo elemento é a inversão da moral, que assim é explicado por Olavo:
Em função da crença num futuro utópico dado como certo e determinado, em direção ao qual a sociedade caminha sem qualquer possibilidade de desvio, a mente revolucionária acredita que esse futuro utópico inexorável é isento de “mal” ― esse futuro será perfeito, isento de erros humanos. Por isso, em função desse futuro utópico certo e dado como adquirido, todos os meios utilizados para atingir a inexorabilidade desse futuro estão, à partida, justificados. Trata-se de uma moral teleológica: os fins justificam todos os meios possíveis.
Mais uma vez, isso é facilmente observável na campanha neo ateísta. Notem, por exemplo, como John Hartung promete um mundo de maravilhas, e diz que devemos tomar cuidado com a religião para não impedir a chegada à esse mundo. Ora, qualquer iniciativa em direção a essa utopia é, para esse tipo de mentalidade, completamente isenta de “mal”. A partir daí, todos os meios utilizados para atingir esse futuro já estão justificados. Temos aqui, portanto, uma explicação para o fato de que, dentre os que assumiram o paradigma neo ateísta, não há nenhum senso de crítica em relação a qualquer atitude que eles defendem, e todas já são consideradas moralmente aceitáveis. Richard Dawkins diz que os pais não devem ter mais o direito de ensinar seus valores aos filhos. Qual é o nível de aceitação dessa idéia perante os neo ateus? Praticamente absoluto, pois todos os meios para atingir o tal futuro inexorável são válidos. Sam Harris sugere a aniquilação de países para eliminar algumas religiões. Claro que isso é considerado não só justificável como moralmente impecável por grande parte dos neo ateus. Todos esses comportamentos são plenamente explicados por essa abordagem de Olavo de Carvalho.
Para concluir, o terceiro elemento é a inversão do sujeito-objeto, como segue:
A culpa dos atos de horror causados pela mente revolucionária é sempre das vítimas, porque estas não compreenderam as noções revolucionárias que levariam ao inexorável futuro perfeito e destituído de qualquer “mal”. As vítimas da mente revolucionária não foram assassinadas: antes suicidaram-se, e a ação da mente revolucionária é a que obedece sem remissão a uma verdade dialética imbuída de uma certeza científica que clama pela necessidade desse futuro sem “mal” ― portanto, a ação da mente revolucionária é impessoal, isenta de culpa ou de quaisquer responsabilidades morais ou legais nos actos criminosos que comete. Segundo a mente revolucionária, as pessoas assassinadas por Che Guevara ou por Hitler, foram elas próprias as culpadas da sua morte (suicidaram-se), por se terem recusado a compreender a inexorabilidade do futuro sem “mal” de que os revolucionários seriam simples executores providenciais.
E como vemos esse exemplo em neo ateus? O neo ateísmo já foi criticado por muitos, inclusive alguns ateus, por seu radicalismo. O fato é que os neo ateus não assumem nenhuma crítica e não aceitam ser culpados de absolutamente nada, pois consideram que a sua existência é CULPA da religião, que segundo eles causa males à sociedade. Vários neo ateus, defensores portanto da campanha neo ateísta, dizem que todos os seus atos estão a priori isentos de mal, e a culpa é dos religiosos. Daniel Dennett usa este recurso, ao sugerir que os crimes de religiosos sejam punidos de forma mais grave do que os não-religiosos. E ele age como se isso fosse moralmente aceitável, pois qualquer atitude sua, independente do grau de preconceito, até criminoso, é isenta de culpa, pois a culpa é somente dos religiosos.
É exatamente assim que funciona esse tipo de mente, de forma que é uma explicação muito sólida associarmos a mentalidade revolucionária ao neo ateísmo. Na verdade, podemos associar a mentalidade revolucionária principalmente ao marxismo, e como veremos a frente o neo ateísmo é apenas o carro-chefe dentre as sub-ideologias do marxismo (*). O importante é notar que o neo ateísmo, por sua associação e origem comportamental diretamente derivada do marxismo, assumiu todos os paradigmas típicos da mentidade revolucionária. Se você quiser saber como moralmente um marxista é, basta entender como é moralmente um neo ateísta. E vice-versa.
Lembremos que os três elementos acima ainda não dão a definição da mentalidade revolucionária. Eis então que ela segue, diretamente a partir de Olavo:
“Mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao “tribunal da História”. Mas o tribunal da História é, por definição, a própria sociedade futura que esse indivíduo ou grupo diz representar no presente; e, como essa sociedade não pode testemunhar ou julgar senão através desse seu mesmo representante, é claro que este se torna assim não apenas o único juiz soberano de seus próprios atos, mas o juiz de toda a humanidade, passada, presente ou futura. Habilitado a acusar e condenar todas as leis, instituições, crenças, valores, costumes, ações e obras de todas as épocas sem poder ser por sua vez julgado por nenhuma delas, ele está tão acima da humanidade histórica que não é inexato chamá-lo de Super-Homem. Autoglorificação do Super-Homem, a mentalidade revolucionária é totalitária e genocida em si, independentemente dos conteúdos ideológicos de que se preencha em diferentes circunstâncias e ocasiões.
Se alguns poderiam questionar o fato de que o neo ateísmo é “totalitário e genocida em si”, que antes repensem um pouco do que já foi dito até aqui:
- (a) a idéia de Richard Dawkins de retirar o direito dos pais educarem os filhos é totalitária
- (b) assim como a idéia de Daniel Dennett, de ter comitês para definirem qual a melhor religião, e sugerir intervenção do estado neste “controle” das religiões, é totalitária
- (c) ao passo que a idéia de Sam Harris de explodir países com um determinado tipo de religião não pode ser desassociada de uma idéia genocida
E não há como dourar a pílula. Mesmo que alguns neo ateus possam dizer “ah, eu não quero a intervenção do estado, e não quero genocídios, não concordo tanto com Harris assim”, isso não muda o fato de que ele defende e apóia as idéias dos ideológos que pregam tais idéias e por eles são tratados como “seres não passíveis de crítica”. Eles fazem patrulhamento ideológico em cima de quem criticar esses autores. Aliás, até a desculpa que normalmente os neo ateus dão quando os absurdos desses autores são denunciados geralmente é típica de uma interpretação delirante.
Olavo prossegue, brilhantemente, nos avisando do risco da mentalidade revolucionária:
Recusando-se a prestar satisfações senão a um futuro hipotético de sua própria invenção e firmemente disposto a destruir pela astúcia ou pela força todo obstáculo que se oponha à remoldagem do mundo à sua própria imagem e semelhança, o revolucionário é o inimigo máximo da espécie humana, perto do qual os tiranos e conquistadores da antigüidade impressionam pela modéstia das suas pretensões e por uma notável circunspecção no emprego dos meios [...] O advento do revolucionário ao primeiro plano do cenário histórico – fenômeno que começa a perfilar-se por volta do século XV e se manifesta com toda a clareza no fim do século XVIII – inaugura a era do totalitarismo, das guerras mundiais e do genocídio permanente. Ao longo de dois séculos, os movimentos revolucionários, as guerras empreendidas por eles e o morticínio de populações civis necessário à consolidação do seu poder mataram muito mais gente do que a totalidade dos conflitos bélicos, epidemias terremotos e catástrofes naturais de qualquer espécie desde o início da história do mundo. O movimento revolucionário é o flagelo maior que já se abateu sobre a espécie humana desde o seu advento sobre a Terra.
Antes de tudo, já é o momento de antecipar uma possível objeção. Não se deve confundir a mentalidade revolucionária com o termo “revolução”. Por exemplo, sempre que surge uma nova teoria de grande porte temos uma revolução na ciência. Até o movimento protestante pode ser chamado de uma revolução em aspectos religiosos. Mas nenhum dos dois implica em mentalidade revolucionária, pois se baseavam apenas em mudanças em TEMAS ESPECÍFICOS, nada dizendo em relação a remodelação do ser humano, um futuro utópico em terra, e ausência de julgamento sob seus atos, em direção ao futuro utópico. Não se deve confundir pessoas de mentalidade revolucionária com muitas das pessoas que atuaram em revoluções ao longo da ciência ou de outras áreas de conhecimento ao longo da história humana.
Já antecipo isso, para evitar uma possível reclamação, como “se alguém critica a mentalidade revolucionária, deverá criticar também Einstein, Aristóteles, Kant, Newton, Martin Luther King e outros”. Nada mais falso.
Usando a explicação acima do Olavo, vamos caracterizar o que normalmente compõe mentalidade revolucionária, na maioria dos casos:
- (a) promessa de um futuro utópico, inexorável
- (b) ausência completa de julgamento moral para os atos do grupo que defende essa idéia, pois ela é tão bela que os fins justificam os meios
- (c) remodelação do conceito de ser humano, na busca do super-homem
- (d) ambições globais
- (e) sensação de ser um agente da luta por esse futuro
Não há nada disso nas iniciativas de Martin Luther King ou nos estudos de Isaac Newton.
Mentalidade revolucionária é que caracteriza gente como Karl Marx, Vladimir Lenin, Adolf Hitler e Antonio Gramsci, e, no contexto do neo ateísmo, Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Daniel Dennett e Sam Harris.
Uma dica para identificamos alguém de mentalidade revolucionária:
- (1) Veja se o sujeito promete um “futuro maravilhoso”, usando de termos como “salvação da humanidade”
- (2) Veja se o sujeito age como se não tivesse que prestar satisfações em relação à moralidade de seus atos, sendo que os únicos atos decentes são aqueles em prol de tal “futuro maravilhoso”, e os atos indecentes são aqueles que estariam contra esse futuro
- (3) Presença da interpretação delirante quando ele trata os fatos que possivelmente refutam a idéia prometida em (1) ou as alegações sustentadas de acordo com o item (2)
Em todos os elementos citados como exemplos da mentalidade revolucionária, isso está identificado. E os leitores e seguidores desse pessoal TAMBÉM tornam-se exemplos de mentalidade revolucionária, pois adentram normalmente em sua militância.
Olavo de Carvalho explica mais a respeito de como não confundir a mentalidade revolucionária com o termo genérico usado para “revolução”:
O socialismo e o nazismo são revolucionários não porque propõem respectivamente o predomínio de uma classe ou de uma raça, mas porque fazem dessas bandeiras os princípios de uma remodelagem radical não só da ordem política, mas de toda a vida humana. Os malefícios que prenunciam se tornam universalmente ameaçadores porque não se apresentam como respostas locais a situações momentâneas, mas como mandamentos universais imbuídos da autoridade de refazer o mundo segundo o molde de uma hipotética perfeição futura. A Ku-Klux-Klan é tão racista quanto o nazismo, mas não é revolucionária porque não tem nenhum projeto de alcance mundial. Por essa razão seria ridículo compará-la, em periculosidade, ao movimento nazista. Ela é um problema policial puro e simples. [...] Por isso mesmo é preciso enfatizar que o sentido aqui atribuído ao termo “revolução” é ao mesmo tempo mais amplo e mais preciso do que a palavra tem em geral na historiografia e nas ciências sociais presentemente existentes. Muitos processos sócio-políticos usualmente denominados “revoluções” não são “revolucionários” de fato, porque não participam da mentalidade revolucionária, não visam à remodelagem integral da sociedade, da cultura e da espécie humana, mas se destinam unicamente à modificação de situações locais e momentâneas, idealmente para melhor. Não é necessariamente revolucionária, por exemplo, a rebelião política destinada apenas a romper os laços entre um país e outro. Nem é revolucionária a simples derrubada de um regime tirânico com o objetivo de nivelar uma nação às liberdades já desfrutadas pelos povos em torno. Mesmo que esses empreendimentos empreguem recursos bélicos de larga escala e provoquem modificações espetaculares, não são revoluções, porque nada ambicionam senão à correção de males imediatos ou mesmo o retorno a uma situação anterior perdida.
Aliás, a explicação abaixo nos mostra por que devemos suspeitar de quando os quatro cavaleiros do neo ateísmo dizem que prometem uma “difusão de racionalidade” que deve abranger toda a espécie humana:
O que caracteriza inconfundivelmente o movimento revolucionário é que sobrepõe a autoridade de um futuro hipotético ao julgamento de toda a espécie humana, presente ou passada. A revolução é, por sua própria natureza, totalitária e universalmente expansiva: não há aspecto da vida humana que ela não pretenda submeter ao seu poder, não há região do globo a que ela não pretenda estender os tentáculos da sua influência.
Vejam como isso explica perfeitamente todo o material dos livros desse pessoal. Eles não pensam em termos locais, mas sim globais.
O que é mais importante é também notar que o fato de Richard Dawkins ficar o tempo todo fazendo palestras ou escrevendo livros não é aquilo que o torna menos perigoso do que um líder político genocida. Veremos, em breve, que a revolução cultural ajuda a implementar, no momento certo, a revolução por armas. Isso será tratado nas partes 3, 4 e 5 deste ensaio, quando tratarei o marxismo cultural, os estágios de subversão e a estratégia gramsciana. Pelo momento, é importante notar que não podemos considerar alguém menos perigoso, no quesito de mentalidade revolucionária, apenas por não pegar em armas. Olavo nos diz mais a respeito disso:
Se, nesse sentido, vários movimentos político-militares de vastas proporções devem ser excluídos do conceito de “revolução”, devem ser incluídos nele, em contrapartida, vários movimentos aparentemente pacíficos e de natureza puramente intelectual e cultural, cuja evolução no tempo os leve a constituir-se em poderes políticos com pretensões de impor universalmente novos padrões de pensamento e conduta por meios burocráticos, judiciais e policiais.
Olavo termina concluindo falando daquilo que ele define como um antídoto à mentalidade revolucionária, que seria a mentalidade contra-revolucionária, ou conservadora:
A essência da mentalidade contra-revolucionária ou conservadora é a aversão a qualquer projeto de transformação abrangente, a recusa obstinada de intervir na sociedade como um todo, o respeito quase religioso pelos processos sociais regionais, espontâneos e de longo prazo, a negação de toda autoridade aos porta-vozes do futuro hipotético. [...] Nesse sentido, o autor destas linhas é estritamente conservador. Entre outros motivos, porque acredita que só o ponto de vista conservador pode fornecer uma visão realista do processo histórico, já que se baseia na experiência do passado e não em conjeturações de futuro. Toda historiografia revolucionária é fraudulenta na base, porque interpreta e distorce o passado segundo o molde de um futuro hipotético e aliás indefinível. Não é uma coincidência que os maiores historiadores de todas as épocas tenham sido sempre conservadores. Se, considerada em si mesma e nos valores que defende, a mentalidade contra-revolucionária deve ser chamada propriamente “conservadora”, é evidente que, do ponto de vista das suas relações com o inimigo, ela é estritamente “reacionária”. Ser reacionário é reagir da maneira mais intransigente e hostil à ambição diabólica de mandar no mundo.
No que concordo plenamente com Olavo. É por isso que temos que expandir nossa abordagem e explicar em como a mentalidade revolucionária é oposta à mentalidade conservadora.
A mentalidade conservadora, por Russell Kirk
Até o momento já tratamos da interpretação delirante, e de sua variação, a mentalidade revolucionária. Uma boa forma de ampliar o nosso entendimento da mentalidade revolucionária é colocá-la em comparação direta com a mentalidade conservadora, e poderemos notar que nesses itens, a explicação torna-se cada vez mais robusta. Anteriormente, citei 3 elementos fundamentais da mentalidade revolucionária, conforme Olavo de Carvalho. Agora, tratarei dos 10 princípios fundamentais da mente conservadora, e mostrarei como a antítese de quase todos eles também explica a mentalidade revolucionária, com exemplos no caso do neo ateísmo.
Essa abordagem utilizada aqui é de Russel Kirk, autor de “The Conservative Mind” e um dos representantes mais importantes da filosofia conservadora, e uma fonte bastante confiável para compreender como pensam os conservadores. Meu interesse aqui não é fornecer uma validação do conservadorismo – se o leitor quiser adotar tal paradigma que o faça, assim como eu faço.
Russel Kirk segue (em tradução de Pe. Paulo Ricardo):
Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado como conservadorismo não possui nem uma Escritura Sagrada nem um Das Kapital que lhe forneça um dogma. Na medida em que seja possível determinar o que os conservadores crêem, os primeiros princípios do pensamento conservador provêm daquilo que professaram os principais escritores e homens públicos conservadores ao longo dos últimos dois séculos. [...] Talvez seja mais apropriado, a maior parte das vezes, usar a palavra “conservador” principalmente como adjetivo. Já que não existe um Modelo Conservador, sendo o conservadorismo, na verdade, a negação da ideologia: trata-se de um estado da mente, de um tipo de caráter, de uma maneira de olhar para ordem social civil. A atitude que nós chamamos de conservadorismo é sustentada por um conjunto de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos.
Diante disso, Kirk elaborou 10 princípios conservadores, que, não sendo uma norma prescritiva, descrevem, em linhas gerais, como normalmente o conservador pensa.
Primeiro, um conservador crê que existe uma ordem moral duradoura. Segundo Kirk, esta ordem “é feita para o homem, e o homem é feito para a ela”. A idéia é a de que a natureza humana é uma constante e as verdades morais são permanentes. Isso explica o aristotelismo dos conservadores, e como há um incessante esforço por parte de marxistas e neo ateus em eliminar qualquer conceito que exista de moral absoluta.
Segundo Kirk, a idéia principal dos conservadores “é evitar a confusão entre o interesse pessoal, ou engenhosos controles sociais, e as soluções satisfatórias da ordem moral tradicional”. Em suma, para nós matar é errado não por que achamos interessante por uma conveniência agir assim, mas por que observamos isso como uma verdade moral, e discutida desta forma. Isso explica como os neo ateístas não possuem uma moral baseada em nossos princípios, de moral absoluta. Para nós, ir contra a liberdade de pensamento é errado, já no caso deles, não há problemas em ir contra a liberdade de pensamento, desde que o pensamento seja religioso. Não há para eles uma moral absoluta, e sim discursos sobre “moral” só quando o assunto atende às conveniências deles.
Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade. No caso do costume, notamos os padrões comportamentais que permitem que vivamos em sociedade, pacificamente. No caso da convenção, evitamos discussões (no caso de serem infrutíferas ou injustificáveis) sobre direitos e deveres. No caso da continuidade, entendemos isso como uma forma de relacionar uma geração à outra. A grande meta dos revolucionários é “apagar os antigos costumes, ridicularizar as velhas convenções e quebrar a continuidade das instituições”.
Vamos a um exemplo claro. Se eu viajo para Israel, que é laico, por que eu ficaria criando caso pelo fato deles não exibirem crucifixos? Essa é uma convenção do povo, faz parte da cultura do povo israelense, e não há motivos pelos quais eu tenha que querer mudar isso abruptamente. O neo ateísta pensa de maneira inversa, e não quer nem saber de costumes, convenções e continuidade. Pelo contrário, o importante é aniquilar quaisquer costumes, convenções e continuidade para impor seu paradigma sobre os outros.
Terceiro, os conservadores acreditam no princípio do preestabelecimento. Isso significa que as pessoas atuais seriam anões nos ombros de gigantes. Podemos até ver mais longe do que os nossos ancestrais, mas justamente pelo conhecimento que eles adquiriram no passado. De acordo com a visão conservadora, é improvável que nós façamos atualmente alguma grande descoberta em termos de moral, política ou de bom gosto. Segundo Burke, a espécie é sábia, mas o indivíduo é tolo.
Em suma, o princípio do preestabelecimento visa tentar fazer uso do conhecimento passado, seja filosófico, moral ou teológico, sem tentar ignorar o que nossos ancestrais sabiam. O revolucionário pensa de forma oposta. A não ser que o conhecimento do passado (recente, ou então no máximo abrindo exceção à Epicuro) seja útil à sua causa, todo o resto deverá ser ridicularizado. Pensa o neo ateísta: se a religião cristã tem perto de 2.000 anos, ela deve ser considerada conhecimento obsoleto e retirada da discussão pública.
Quarto, os conservadores são guiados pelo princípio da prudência. Em resumo, significa que as medidas políticas devem ser medida a partir das prováveis consequências de longo prazo. Não avaliamos essas medidas apenas pela vantagem temporária e a popularidade. Para o conservador, é mais fácil pensar assim pois acreditamos na moral absoluta, e não na “moral conveniente”.
No caso de qualquer revolucionário, incluindo o neo ateu, a forma de pensar é baseada em mudanças culturais bruscas, impositivas, e sem medição da consequência de suas ações. De novo no exemplo de Richard Dawkins, quais as consequências de impedir que os pais ensinem seus valores morais aos filhos? Obviamente, ele não está guiado pelo princípio da prudência.
Quinto, os conservadores prestam atenção no princípio da variedade. Em resumo, existem diferenças de ordem social, de classes, assim como várias formas de desigualdade. O homem é julgado pelos seus atos, e não a partir da imposição de uma igualdade irracional e injustificável.
Para o revolucionário, dizer que todos são “iguais” é uma idéia da qual dificilmente eles largam. Se existem 2% de ateus em um país, por que eles tem o direito de querer que os 80% restantes não tenham a exposição de sua religião em público? Simplesmente, por que eles não conseguem perceber o princípio da variedade. Aí, ironicamente, ao invés de criarem variedade, acabam nivelando todo mundo aos seus desejos.
Outro exemplo, não tão específico ao neo ateu (mas sim ao revolucionário em geral), é na questão de um criminoso. Eu sou uma pessoa trabalhadora, cumpridora do meu dever. Tenho que ter igualdade de direitos em relação a ele? Por que? Para um revolucionário, isso não importa, pois a idéia de igualdade acaba sendo usada como ferramenta de conflito social. Abordarei isso em mais detalhes na parte 4 deste ensaio, mas por enquanto precisamos apenas saber que o princípio da variedade, adotado pelo conservador, é atacado pelos revolucionários. Os neo ateus, ao agirem para retirar direitos de religiosos, estão atacando o princípio da variedade.
Sexto, os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade. O ser humano não é perfeito, portanto não pode criar um mundo perfeito. Utopias em Terra são coisas a serem colocadas sempre sob suspeita. Segundo Kirk, “os ideólogos que prometem a perfeição do homem e da sociedade transformaram boa parte do século XX em um inferno terrestre”.
E o que tem feito os neo ateus e os marxistas? Simplesmente prometem utopias, que, após aceitas pelos seus seguidores, justificam todos os seus atos.
Sétimo, os conservadores estão convencidos que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.
Até o sexto princípio, eles estão plenamente aplicáveis ao comportamento neo ateu padrão, ao passo que este aqui torna-se uma opção, sendo principalmente adotado pelos marxistas.
Os conservadores acreditam que a nação tende a ser mais estável e produtiva na medida em que o domínio da propriedade privada é extendido. Ideologias totalitárias, como as revolucionárias, tendem a ir na contramão deste princípio.
Oitavo, os conservadores promovem comunidades voluntárias, assim como se opõem ao coletivismo involuntário.
Nesse caso, podemos explicar perfeitamente um exemplo da aplicação de idéias revolucionárias dos neo ateus. Imaginem que nós, em nossa sociedade, temos várias comunidades voluntárias. As nossas religiões são assim, e nos organizamos da mesma forma, assim como temos várias outras formas de organização. Isso surge de forma natural e não impositiva.
Neo ateus não raro surgem com idéias, que devem ser aplicadas de forma IMPOSITIVA (e não de forma voluntária), para atacar tais tipos de comunidades.
Eles agem exatamente da mesma forma que o marxista, tentando transferir a organização das comunidades civis para iniciativas do estado.
Ou seja, não há respeito pelas comunidades voluntárias, pois elas podem ir contra os objetivos da idéia utópica prometida. Então, eles sugerem comunidades impostas a partir de cima. De preferência, do estado. Não é raro neo ateu sugerir a “intervenção do estado” para diminuir a influência religiosa e a sugestão de comunidades ecumênicas. Seria isso iniciativa comunitária voluntária? Claro que não. É imposição ideológica de um grupo sobre o outro, de preferência feita pelo estado.
Nono, o conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.
Segundo Kirk, “politicamente falando, poder é a capacidade de se fazer aquilo que se queira, a despeito da aspiração dos próprios companheiros”. Os conservadores temem, então, por um estado que concentre demais o poder. E, em caso de concentrações de poder, que estes estejam abaixo de um julgamento a partir de um padrão absoluto de moral, e não das paixões humanas.
É por isso que o estabelecimento de ideologias totalitárias, que são baseadas em ideologias puramente retóricas, são contra esse princípio.
O exemplo de Daniel Dennett é evidente. Ele, como neo ateu, sugere que o estado decida quais religiões as pessoas devem seguir, e imposições devem ser feitas se for considerado, a partir de um poder central, que uma religião não é adequada. O que é isso senão uma paixão humana dele (Dennett), que deve ser imposta para cima dos outros, com o uso do poder? Não que ele tenha conseguido o seu intento (ainda), mas a mera intenção dele, divulgada no livro “Quebrando o Encanto”, já é um sintoma de que um neo ateu pode nem sequer pensar em contenção do poder e das paixões humanas (no caso, a sua). Perguntem por aí aos neo ateus que o leram como eles apóiam a idéia de Dennett. Posso apostar que o apoio é praticamente irrestrito por parte deles. Torna-se extremamente perigoso por isso.
Décimo, o pensador conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.
O conservador jamais se opõe às melhorias da sociedade, embora ele suspeite a princípio de “idéias miraculosas”, pelos motivos anteriormente citados. Uma mistura de manutenção do estabelecido, com melhorias contínuas, é a chave para a sociedade em seu contínuo aprimoramento.
A grande diferença é que o conservador, segundo Kirk, “é a favor de um razoável e moderado progresso, se opondo ao culto ao progresso”. A idéia disso é que os adeptos do “culto ao progresso” tendem a crer que tudo que é novo é necessariamente superior a tudo que é velho, caindo na falácia do ad novitatem.
Um exemplo, no caso dos neo ateus, é tratar tudo que é defendido como eles como “idéias iluminadas” (criaram até um grupo chamado “brights”), e outras eras, principalmente a Era Medieval, como “era das trevas”.
Qualquer pessoa minimamente racional perceberia que o fluxo de conhecimento da espécie humana é contínuo, portanto não haveria motivo para uma era se tornar a “era do conhecimento”, em oposição a um passo anterior, “o do desconhecimento”, e sim aceitar o óbvio, que é a noção de que o conhecimento é incremental.
Enfim, esses são os 10 princípios do conservadorismo. E em praticamente todos eles encontramos exemplos evidentes da antítese dos mesmos observadas em pessoas da mente revolucionária. Em nosso caso, os exemplos são vistos nos neo ateus.
Conclusão
Está claro então que não é difícil mapear a mentalidade revolucionária, que é uma variação da interpretação delirante. Desde meados do século 15, tem sido padrão atribuir a autores que sofrem de interpretação delirante o status de pensadores ou filósofos. Com isso, progressivamente, a tendência à interpretação delirante, principalmente na forma da mentalidade revolucionária, tem aumentado, atingindo o seu ápice após a implementação do marxismo, e também das divulgação dos primeiros autores pré-neo ateus, como Nietzsche, Feuerbach e outros. O neo ateísmo, finalmente solificado como a ideologia principal dos ateus que possuem a mentalidade revolucionária, se materializou como movimento a partir das inspirações iniciais de Bertrand Russell, mas se tornou finalmente movimento cultural com Sam Harris, Daniel Dennett, Christopher Hitchens e Richard Dawkins. Os adeptos destes escritos desmontram todos os principais aspectos da mentalidade revolucionária, da mesma forma que se opõem aos princípios da mentalidade conservadora. Esse feedback, fornecido por essa análise, nos permitirá entender melhor os conceitos que abordaremos nas 3 próximas partes deste ensaio, que são, respectivamente, o estudo do marxismo cultural, dos estágios de subversão e da estratégia Gramsciana.
(*) Alguns poderão dizer que nem todo o neo ateu é marxista. Isso é verdade. Mas não é preciso que o neo ateu seja um marxista para compartilhar de ideais revolucionários nascidos na mesma fonte e atendendo aos mesmos objetivos. Tratarei deste assunto com mais profundidade na parte 3, em que falarei do marxismo cultural.
Olavo de Carvalho fala das comparações entre cristianismo e comunismo
Não deixa de ser curioso que o tal do marxismo, até pelas próprias influências originais de Marx (incluindo Epicuro), tenha se tornado uma escola de mitômanos.
Basicamente, um filósofo marxista, e principalmente um líder marxista, ganha a vida mentindo, e se orgulha disso.
Uma mania européia, que também ocorre no Brasil (via turma do Boff e a Teologia da Libertação), se baseia numa “coisa” chamada marxismo cristão, que no fundo é uma contradição em termos.
Recentemente, um forista do Orkut, marxista, me disse que o marxismo apenas implementa aquilo que os cristãos não fizeram e deveriam ter feito.
Perguntei-lhe o que era tal coisa que os cristãos deveriam fazer e não fizeram. A resposta dele foi: “implantar aquilo que é dito no Sermão do Monte”.
Ele cita,então, o Sermão do Monte: “E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.”
Aqui, é claro, ele confundiu a atitude de um cristão em ser caridoso e generoso, com a atitude dos líderes da revolução em roubar as propriedades e posses de outros para distribuição para o proletariado.
Confundir o Sermão do Monte com o roubo de propriedades feito pelos sistemas marxistas é o primeiro sinal de falta de senso de proporções, característica inerente a esse pessoal discípulo de Lenin.
Outra tentativa dele foi a seguinte citação: “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.”
Aqui de novo, ele confunde a caridade e o altruísmo, descompromissados, com o roubo forçado de bens, proposto no marxismo.
Até o momento, está claro que marxismo e cristianismo estão em direção praticamente oposta.
Nesse vídeo acima, Olavo de Carvalho brilhantemente comenta sobre as tentativas patéticas de associar comunismo ao cristianismo.
Talvez seja até possível que alguns cristãos do tipo self-service um pouco mais sofisticados (esses são do tipo mais “intelectualizado”, mais acadêmico, mas ainda assim precisarão ignorar mandamentos fundamentais do cristianismo) se associem ao marxismo.
Claro que quando a revolução tomar forma, eles serão os primeiros a ir para o paredão, pois ficarão ressentidos com o novo governo.
Mas é o livre arbítrio deles, não é?
O fanatismo ateísta como militância social, por Mário Maestri

Um tal de Mário Maestri escreveu em blog do qual ele participa o seguinte texto conclamando a garotada ateísta para a militância. O texto é entitulado “O Ateísmo como Militância Social”.
Vejam só o currículo da figura: “Mário Maestri, 61, é rio-grandense, historiador, ex-refugiado político, ateu, marxista, comunista sem partido, casado [há 32 anos], pai de dois filhos, com um neto. Viveu no Chile, México, Bélgica, Itália e Brasil. Trabalha no PPGH da UPF. Entre outros livros, escreveu, com a lingüista Florence Carboni: A linguagem escravizada [2ed. São Paulo: Expressão Popular, 2006.]“.
Só por esse “currículo” é alguém que, se eu vir na rua, eu fecho o vidro do carro.
Um sujeito que deveria estar dentro de uma jaula ainda ganha emprego para trabalhar como historiador. É geralmente o tipo de gente igual o tal Professor Carlão, que também já figurou nas páginas deste blog (checar esse link).
O seu texto é tão grotesco e cheio de mentiras (e fraudes intelectuais) que não dá nem para ser discutido seriamente. O único tratamento que dá para fazer com esse material é analisá-lo, da mesma forma que se faz com um exame fecal. Querem ver?
Vamos em frente…
Dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem, a militância ateísta é dever social inarredável, para todos os que se mobilizam pela redenção da humanidade da alienação social, material e espiritual que a submerge crescentemente neste início de milênio, ameaçando a sua própria existência. Por mais subjetiva, introspectiva e sublimada que se apresente, a crença religiosa, jamais nasce, se realiza e se esgota no indivíduo. Ela é fenômeno parido no mundo social, que influencia essencialmente a ação individual e coletiva.
Já começa mal, pois ele diz que a militância ateísta é dever social inarredável “dentro do respeito às crenças individuais dos homens e das mulheres de bem”.
O estranho é que todo o texto dele se baseia em respeito à crença individual DESDE QUE seja a crença ateísta. É, não estranhe, cabeça de marxista é assim mesmo…
Então sigamos:
Em forma mais ou menos radical, mais ou menos plena, mais ou menos consciente, a crença religiosa dissocia-se da objetividade material e social. Ela desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao ser humano superar sua origem animal e, percebendo a si e à natureza, começar a conhecer as leis imanentes ao mundo, na difícil, necessária e inconclusa luta pela harmonização da existência social. A crença religiosa nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade, encobrindo-as com as espessas sombras da irracionalidade, da subjetividade, do espiritualismo. Desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos, forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do “desconhecido”, sob o peso de alienação socialmente alimentada.
Como se nota, só frases de efeito e nenhum conteúdo.
Por exemplo, ele afirma que a crença relgiiosa se dissocia da objetividade material e social, só que ele não comprova como. Não há um argumento a respeito disso.
Ele diz que a crença religiosa desqualifica o doloroso esforço histórico que permitiu ao homem superar sua origem animal e “blá blá blá”, só que ele se esquece de que é a mente marxista que ignora todo o registro histórico, reescrevendo a história de acordo com a sua conveniência. A mente conservadora (e em muitos casos, religiosa) é aristotélica, portanto é a mente que respeita o passado histórico e todo o conhecimento adquirido. Detalhes…
Nota-se que, portanto, que Maestri segue exatamente a cartilha marxista, que usa o recurso “acuse-os do que fazemos”, tentando enfim jogar uma cortina de fumaça, pois o histórico da turma dele cheira mal.
Em seguida, ele diz que a crença religiosa “nega as crescentes conquistas da racionalidade, da objetividade, da materialidade, da historicidade”, e não consegue sequer dizer quais. É, eu avisei, Mário Maestri era só enrolation.
Ele ainda diz que a religião “desequilibra a difícil luta do ser humano para erguer-se sobre as pernas e moldar o mundo com as mãos”, mas não consegue sequer dimensionar como. Será que não ensinaram método científico para esse sujeito? Se ele faz uma afirmação dessa, e não comprova o que afirma, o discurso dele vale o mesmo que um peido.
Essa parte é mais divertida ainda: “‘forçando-o a ajoelhar-se novamente, apequenado, temeroso, embasbacado diante do “desconhecido”, ou seja, pura estratégia de insulto aprendida com Schopenhauer, mas nem de longe um argumento.
É assim que começa o show de parangolé marxista-ateísta de Maestri.
Mais:
A crença religiosa droga o ser social com suas ilusões infantis de redenção conquistada através da obediência incondicional a estranho super-pai que, em muitas das mais importantes tradições espiritualistas, apesar de onisciente, onipotente e onipresente, e, assim, capaz de tudo dar aos filhos, lançou-os – no singular e no plural – em desnecessária desassistência, miséria e tristeza. É porque é!
A questão de que a crença religiosa “droga o ser social” também nem de longe é argumento. É apenas frase de efeito.
Notem que até o momento Maestri nem começou a argumentar, e ele segue desse jeito até o fim.
Por exemplo, ele diz que as crenças religiosas são “ilusões infantis de redenção”, mas não define por que é infantil.
Engraçado quando ele termina o parágrafo com a frase “É porque é!”, talvez tentando atacar os oponentes religiosos, mas ela na verdade justamente classifica como Maestri argumenta. Do início ao fim, a veia argumentativa dele inexiste, sendo substituída por frases de efeito e conclusões no estilo do “É porque é!”.
Vamos em frente:
A essência anti-científica da religião, que não argumenta, pois se nutre da crença incondicional no arbitrário, materializa-se na oposição visceral, mais ou menos realizada, ao maior tesouro humano, a capacidade de diálogo e de compreensão tendencial do universo. Que o digam Galileu e Giordano Bruno! Daí sua histórica intolerância, desconfiança e ojeriza para com o pensamento científico. E, verdadeiro tiro no pé, seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais.
Lembram-se quando eu falei que marxistas usam o recurso “acuse-os do que fazemos”?
Ele diz que a religião “não argumenta” pois “se nutre da crença incondicional no arbitrário”.
Ué, mas isso é só o que se vê no texto de Maestri, que até agora não conseguiu implementar sequer um argumento válido e quer impor sua crença através de frases de efeito, mas não da razão.
O apelo à Galileu e Giordano Bruno é também um recurso desesperado, já devidamente refutado neste blog.
A tentativa de alegar “histórica intolerância, desconfiança e ojeriza” para com o pensamento científico é também de novo apenas o estratagema de implementar uma falsa dicotomia entre ciência X religião, ou seja, mero recurso de lavagem cerebral que Maestri tenta lançar sobre seus leitores. Com certeza, deve ter aluninho dele que fica com a cueca molhada ao ouvir isso que ele diz, chegando a lacrimejar. Mas somente se não fizer uma análise racional do discurso de Maestri, que é vazio.
Ah, e ainda tem a amostragem indevida, quando ele lança isso: “seu constante e paradoxal esforço para afirmar que a ciência seja uma crença a mais”.
Só que, de maneira covarde, Maestri também não cita fontes de sua alegação.
A diversão prossegue:
O pensamento religioso nega e aborta o ativismo e o otimismo racionalistas e materialistas, nascidos da possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material. Impõe visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo, essencialmente petrificado e eternizado pela materialização de transcendência, à qual o homem deve apenas submeter-se e render-se, para merecer a liberação.
O curioso é que ele tenta associar “ativismo e otimismo racionalistas e materialistas” diretamente com “possibilidade de compreensão, domínio e transformação do mundo social e material”.
Não tem nada a ver, ele simplesmente praticou aqui a falácia da falsa causa.
Em seguida, ele sugere que a religião impõe “visão pessimista, quietista, introspectiva e infantil do universo”.
Engraçado que ele não explica que como tal visão pessimista, quietista e introspectiva foi uma das principais responsáveis por chutar os fundilhos dos comunistas na Europa após o final da Segunda Grande Guerra.
Claro que Maestri tenta esconder essas informações, pois não está nem um pouco comprometido com a verdade, somente em aliciar garotos ingênuos para se tornarem “idiotas utéis” como ele.
Mais diversão:
Para tais visões, o ativismo e otimismo social são incongruências, ao não haver imperfeição social superável, já que esta última nasce da própria natureza humana, habitada pelo mal e pelo pecado, devido ao desrespeito a interdições primordiais do pai eterno – olha aí ele de novo –, origem do pecado. Pecado que exige incessante expiação e penitência, lançando o ser religioso em triste e mórbido mundo de culpa, de submissão, de punição. Ativismo e otimismo sociais impensáveis para uma forma de compreender a sociedade em que não há história. Ou o que compreendemos como história se mostra ininteligível, pois regida essencialmente por determinações transcendentais paridas e concluídas à margem das práticas humanas. Realidade à qual, segundo tal visão, podemos ascender, muito limitadamente, apenas através da revelação.
Todo esse cirquinho do Maestri é simplesmente para dizer que “devemos confiar no homem, cegamente, e esse papo de uma moral absoluta é uma bobagem”.
Quer dizer, é um discurso de lavagem cerebral que ele tenta, recheado de falácias do espantalho (como todo o parágrafo dele é baseado em espantalhos da religião, nem preciso citá-las), mas sempre com o objetivo fundamental: confie unicamente no homem. Algo como “se nós, do partido, dissermos que fazer X é bom, acredite, e confie!”.
Resumindo, ele simplesmente tenta implementar a credulidade cega para que os discípulos acreditem em picaretas militantes como ele.
Seguimos:
Na sua petrificação a-social e a-histórica, um mundo chato, triste, deprimente, infantil, mórbido. Um universo que valoriza a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade, a transcendência, a espiritualidade, etc., valores e comportamentos historicamente explorados pelos opressores, no esforço de manter o mundo imóvel, através de alienação e submissão dos oprimidos, nesta vida, é claro, pois na outra, se sentarão à direita de deus-pai.
Provavelmente ele não conheceu todos os religiosos, ou seu cérebro traumatizado já editou o quanto as pessoas orientadas pela perspectiva religiosa já fizeram pelo mundo.
Mas, para não perder o foco, fico só no exemplo do que já citei: não fossem as Cruzadas, não teríamos construído a civilização ocidental. Não fossem os líderes religiosos, não teríamos expulso o câncer comunista de vários países da Europa.
Embora no Brasil o comunismo esteja atualmente vencendo, basta um pequeno levante conservador para de novo colocar a ordem na casa de novo.
Sendo assim, Maestri tenta provocar os oponentes com frases como “a paciência, a submissão, o imobilismo, o quietismo, a humildade”, e nisso eu até concordaria com ele, em alguns casos.
Só que quando o religioso deixa esses aspectos um pouco de lado, doenças como o marxismo são eliminadas.
Ele devia agradecer a momentos históricos em que líderes religiosos pregam a “paciência, quietismo, humildade, etc.”, pois é só em momentos assim que gente como Maestri consegue algum destaque.
Em momentos em que o religioso não interpreta tão literalmente isso (e entende essas atitudes como as que deve ter em relação a Deus, apenas, e não politicamente), a turminha do Maestri só contabiliza histórias vergonhosas, pois são escurraçados feito cachorro ladrão.
Maestri prossegue:
O ateísmo militante é necessário ao retrocesso da alienação, enormemente crescente em tempos de vitória da contra-revolução neoliberal. Ele impõe-se na luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno, em que o homem seja o amigo, não o lobo do homem. É imprescindível ao esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor, materiais e espirituais, nos limites férreos da natureza humana historicamente determinada.
Pelo contrário, no Brasil o que temos é uma revolução comunista em vigência.
Claro que como todos já conhecem o chororô marxista, todos sabem que discursos como o de Maestri, que incluem “luta por um mundo mais rico, mais pleno, mais livre, mais fraterno”, é apenas a palavra-chave para “confie na gente, pois quando começarmos com as barbáries em nome da CLASSE, vocês já estarão hipnotizados”.
Maestri tem motivos para temer a religião, pois com os valores defendidos por ela, os genocídios da Rússia Comunista e da China (que ele omite, espertamente) não seriam tão facilitados…
Esse papo dele, então, de falar em “esforço de superação da miséria, da tristeza e da dor” é somente joguete de palavras, mas nem de longe ele consegue comprovar historicamente que a turminha dele realmente luta por isso mesmo.
Mesmo assim, ele ainda afirma que sua campanha é “democrática”:
O ateísmo militante é democrático, pois tem como essencial meio de pregação a conscientização, individual e coletiva, da necessidade de assentar as práticas sociais nos valores da humanidade, da racionalidade, da liberdade, da solidariedade, da igualdade. Pregação racionalista e materialista que compreende que a superação da alienação espiritual será materializada plenamente apenas através da superação da alienação social e material.
Vejamos, até hoje o ateísmo militante não tem outras finalidades que não escarnecer dos religiosos, e MENTIR sobre os oponentes. É só isso, numa cópia da campanha marxista (só que aplicada na questão religião), baseada na Estratégia Gramsciana, que segue esses princípios.
É a isso que ele chama de “democrático”.
Como sempre, o marxista na hora de falar de valores sempre se engasga. Ele sabe que não tem sequer percepção do que é um valor, em termos sociais.
O mais engraçado é quando ele confessa, ao final:
O que exige intransigente luta política, cultural e ideológica pela defesa dos maltratados valores do laicismo, única base possível para convivência social mínima por sobre crenças religiosas, étnicas, ideológicas, etc. singulares. Laicismo agredido pela despudorada exploração mercantil, política e social, direta ou indireta, por parte das religiões novas e antigas, da crescente anomia popular contemporânea. O monopólio público da educação e da grande mídia televisiva e radiofônica, sob controle democrático, e a ilegalização do escorcho religioso popular direto são pontos programáticos dessa mobilização.
O cara está tão perdido que confessa que quer implementar atitudes desonestas. Notem o uso do termo “intransigente”, e acha isso tudo muito lindo!
É claro que um sujeito assim tem que lutar contra a moral absoluta defendida pelos aristotélicos e pelos religiosos mesmo, pois ele simplesmente tem que vender valores espúrios para a garotada. É assim que funciona a mente dele. É assim que os “idiotas úteis” manipulados pelo “partidão” agem.
Depois de se fazer de coitadinho (“maltratados valores do laicismo” e blá blá blá), ele ainda sugere as seguintes atividades:
- O monopólio público da educação e da grande mídia, sob controle democrático (*);
- Ilegalização do escorcho religioso popular direto.
Ele chama a isso de “pontos programáticos dessa mobilização”.
O cara não quer nem saber. Ele divulga em público que o negócio da turminha dele é jogar sujo mesmo, e se ORGULHA DISSO!
É epicurismo na veia!
O final, do texto, sub-entitulado de “Ceu e o Inferno”, vem abaixo:
O ateísmo militante é pregação de adultos, conscientes do limite e dos perigos de empreitada subversiva, dessacralizadora e mobilizadora, pois voltada para a necessidade do homem de retomar as rédeas de sua vida material e espiritual, no aqui e no agora. É jornada sem esperanças de premiações e de graças, na outra vida e sobretudo nessa, ao contrário do habitual nas religiões oferecidas como vias expressas para o sucesso individual, no rentável balcão da exploração da alienação.
O racionalismo militante é caminho difícil que premia os que nele perseveram com a experiência, mesmo fugidia, com o que há de melhor nos seres humanos, a racionalidade, a solidariedade, a fraternidade. Sentimentos e práticas vividos em forma direta, sem tabelas, pois a única ponte que liga os homens são as lançadas entre os próprios homens, construídos pela história à imagem e semelhança dos homens.
A vida racional é aventura recompensada sobretudo pelo inebriante desvelamento do encoberto pela ignorância e irracionalidade e pelo equilíbrio obtido na procura da harmonia social, por mais difícil e limitada que seja. Trata-se de caminho que permite, sem sonhar nem crer, seguir decifrando, alegre e desvairadamente, esse mundo crescentemente encantado e terrível. Viagem por esta vida terrena, valiosa, breve e única, sempre apoiada na lembrança de que, diante das penas e tristezas, não se há de se rir ou chorar, mas sobretudo entender, para poder transformar.
Uma experiência de vida que, mesmo bordejando não raro o inferno, ou sendo elevado fugidamente aos reinos dos céus, sabe-se que tudo se passa e se conclui nesse mundo, concreto, terrivelmente triste e belo, sobre o qual somos plena, total, sem desculpas e irremediavelmente responsáveis.
Isso tudo é só discurso de auto-ajuda para conclamar seus discípulos para a “luta”.
É esse o nível de muitos professores de história no Brasil.
Esse tipo de gente tem que ter as aulas filmadas e AUDITADAS
Tudo que ele faz aqui não passa de discurso de ódio e difamação, sintoma de gente que não tem limites na hora de lutar por sua cosmovisão bizarra de mundo.
É hora de tomar cuidado e desmascarar pessoas deste naipe.
(*) Leia-se por isso uma “elite” intelectual marxista, que eles lutarão para colocar no poder, e efetuar o “monopólio”, tal qual defendido por Gramsci.
Deus, Um Delírio – Capítulo 5 – Pt. 2 – Um Vendedor de Neo Ateísmo

Quem é consultor muitas vezes precisa dar conselhos a respeito de aceitação ou não de determinada iniciativa organizacional. Por exemplo, investimos em uma reformulação do parque tecnológico? Terceirizamos a TI? Utilizamos um número maior de fornecedores ou apenas um pequeno grupo deles, a serem tratados como parceiros de negócio? São questões que são avaliadas na perspectiva da “vantagem” a ser obtida pela decisão. A consultoria, nesses momentos, ajuda bastante com o expertise adquirido na indústria.
Dawkins tenta inovar e dar consultoria a respeito de tomada de decisão para aceite ou não de religião. Se na indústria, o critério utilizado é o alinhamento com o negócio, na visão de Dawkins, o critério será a vantagem evolutiva. Claro que é uma iniciativa desde o início bizarra e grotesca, tanto que se eu visse alguém no dia-a-dia com essa conversinha, o que eu faria imediatamente é dar uma explicação básica à pessoa a respeito do risco de envolvimento com crack e outras drogas pesadas.
Mas como os leitores de Dawkins não possuem o dom do raciocínio crítico, o discurso dawkinista é aceito na íntegra por esse pessoal. É por isso que papelões como os que você verá nesta seção são tratados pelos discípulos de Dawkins como se fossem raciocínios de verdade. Comecemos, então:
Há algumas poucas evidências de que a crença religiosa protege as pessoas de doenças relacionadas ao estresse. As evidências não são fortes, mas não seria de surpreender se elas fossem verdadeiras, pelo mesmo motivo que as curas movidas pela fé podem funcionar em alguns casos. Quem dera não fosse necessário acrescentar que tais efeitos benéficos de maneira nenhuma reforçam o valor de verdade das alegações da religião.
Para dar a consultoria em relação à tomada de decisão, o consultor Richard Dawkins começa a assumir os supostos benefícios. O primeiro “benefício” que ele trata considera a religião como algo para “proteger pessoas de doenças relacionadas ao estresse”. O que é no mínimo esquisito, pois ainda que ele mesmo reconheça que as curas movidas pela fé podem funcionar em alguns casos, esse naturalmente não é um dos objetivos da religião. De uma hora para outra, ele afirma o seguinte: “Quem dera não fosse necessário acrescentar que tais efeitos benéficos de maneira nenhuma reforçam o valor de verdade das alegações da religião.”
A ignorância dele é surpreendente, pois não é necessário acrescentar essa informação, pois o título da subseção que o Dawkins abriu era “Vantagens da Religião”, o que significa que ele está assumindo a perspectiva utilitarista, e não a perspectiva que busca o valor de verdade de uma proposição. Ora, se ele está tratando de algo na perspectiva utilitarista, então o valor de verdade da proposta é irrelevante nesta análise, basta saber se a “vantagem” vai ocorrer ou não. Como sempre, falta não só lógica, como também consistência ao discurso dawkinista.
Na tentativa de fazer piadinha, o apelo dele também não é dos melhores:
Nas palavras de George Bernard Shaw, “o fato de um crente ser mais feliz que um cético não quer dizer muito mais que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio”.
Decerto, pois eu sou cético em relação ao discurso de Dawkins, e fico muito “feliz” (para usar a terminologia dele) quando refuto suas alegações. Logo, a premissa de que crença traz mais felicidade que questionamento é no mínimo duvidosa. Não mais duvidosa do que a premissa de que um bêbado é mais feliz do que um sóbrio. Eu não bebo e acho que estou em vantagem em relação a um ébrio, na maioria dos quesitos. Em suma, provocação mirim em texto argumentativo, Dawkins? Ridículo…
Sendo que ele não vai muito adiante no caso da “consultoria de religião” com foco em redução de doenças ou stress, ele tenta agora fazer consultoria em relação a “consolo”:
Parte do que um médico pode dar ao paciente é consolo e conforto. Isso não deve ser considerado uma aberração. Meu médico não pratica a cura pela fé postando as mãos sobre mim. [...] O efeito placebo está bem documentado e nem é tão misterioso assim. [...] Será a religião um placebo que prolonga a vida reduzindo o estresse? Ê provável, embora a teoria tenha de enfrentar um batalhão de céticos, que chamam a atenção para as muitas circunstâncias em que a religião mais causa que alivia o estresse. É difícil acreditar, por exemplo, que a saúde saia ganhando com o estado semipermanente de culpa mórbida de que sofre um católico dotado da dose normal de fragilidade humana e de uma dose de inteligência abaixo da normal.
Assim como eu já afirmei anteriormente, provocação de Jardim de Infância não se refuta, mas se parodia. Segue: “Assim como é difícil acreditar, por exemplo, que a saúde saia ganhando com o estado semipermanente de culpa mórbida por não estar sendo uma boa “máquina de sobrevivência” dos genes de que sofre um leitor de Dawkins dotado de dose normal de fragilidade humana e de uma dose de inteligência abaixo da normal.”
Como pode ser notado, o argumento é tão ruim e pueril que dá para refutá-lo de olhos fechados. É só investigar para descobrir de imediato os furos na alegação: no caso, ele nem de longe provou existência de “culpa mórbida” em quem quer que seja. De novo é apenas a postura similar a dos marxistas militantes: mentir sobre os oponentes.
Sendo que Dawkins foi infantil demais nessa, passemos ao próximo ponto:
Em todo caso, acho que a teoria do placebo não é suficiente para justificar o fenômeno de penetração tão global que é a religião. Não acredito que o motivo de termos religião seja o fato de ela ter reduzido os níveis de estresse de nossos ancestrais. Não é uma teoria boa o suficiente para dar conta do serviço, embora possa ter tido um papel subsidiário.
Pelo menos Dawkins confessou que por enquanto ele está só enrolando e praticando falácias “olha o avião”. Mas mesmo que seja apenas uma enrolação, até nisso ele já se engasga, pois ele define que essa tese “não é boa o suficiente”. Qualquer leitor racional sabe que não é uma tese boa mesmo, isso já é evidente, pela simples falta de evidência que a corrobore. Mas Dawkins não usa esse critério para descartar a teoria, e sim o fato de que ela não permite que ele atribua à religião um rótulo pejorativo, pois, se a religião fosse para reduzir o estresse, isso prejudicaria o seu “caso” contra a religião. Em todo o caso, fica evidente qual é o critério utilizado por Dawkins para definir o que é uma boa ou má teoria sobre religião: tudo é baseado única e exclusivamente no fator de difamação. Se for possível executar uma difamação, para ele é uma boa tese. Se não for, ele descarta.
Desta forma, ele prossegue:
A religião é um fenômeno de grandes dimensões e precisa de uma teoria de grandes dimensões para explicá-la. Outras teorias nem tocam na questão das explicações darwinianas. Estou falando de sugestões como “a religião satisfaz nossa curiosidade sobre o universo e sobre nosso lugar nele”, ou “a religião oferece consolo”. Pode haver alguma verdade psicológica nisso [...] mas nenhuma delas é uma explicação darwiniana.
No capítulo 4, eu apresentei o contexto em que Dawkins executa a estratégia do falso deslumbre sobre a teoria da evolução. Pois é exatamente o que continua ocorrendo com Richard Dawkins aqui. E, de forma contraditória, para tentar validar a explicação darwiniana que ele tentará, Dawkins assume que a religião seria um fenômeno de grandes proporções. Nisso eu concordo com ele, e, como disse Alister McGrath, a religião chega a ser um epifenômeno. O problema é que, justamente por ser um epifenômeno, é aí que a teoria evolucionista (que, não esqueçamos, é útil para descrever o processo de especiação) não produz resultados satisfatórios. O motivo é simples: o escopo da teoria da evolução é reduzido, e só produz resultados testáveis na questão das modificações físicas evidenciadas nas espécies na luta pela adaptação ao meio. E, só para não perder o costume, Dawkins assume que qualquer explicação que não for darwiniana não serve.
É praticamente a atitude de uma criança birrenta que grita com a mãe “eu quero por que quero”, mas não consegue dar um argumento a seu favor, a não ser a insistência. Já tratei deste assunto no capítulo 4 desta refutação, e aqui é apenas a sequência daquele erro anterior que Dawkins continua cometendo.
Por exemplo, não há não há nenhuma explicação darwiniana para a mente revolucionária, que deriva em comportamentos fanáticos como o neo ateísmo (e também o marxismo), e até mesmo a mãe de todos os raciocínios tortos, o epicurismo. Ainda assim, pode-se estudar este modelo comportamental sem apelar a teorias fajutas da sociobiologia e psicologia evolutiva. A não ser, é claro, para birrentos como Dawkins.
Aliás, a essa altura do campeonato, Dawkins tentou apelar ao argumento manjado de Ludwig Feuerbach, feito em 1941.Para isso, recomendam a refutação já feita neste blog, entitulada “O Teste de Paródia esmaga Feuerbach”.
Depois do cirquinho dawkinista, agora ele cita Michael Persinger:
A causa aproximada da religião pode ser a hiperatividade de determinada área do cérebro. Não explorarei a idéia neurológica de que haja um “centro divino” no cérebro porque não estou preocupado aqui com questões aproximadas. Isso não significa depreciá-las. Recomendo o livro How we believe: The search for God in an age of science para uma discussão sucinta, que inclui a sugestão, feita por Michael Persinger, entre outros, de que experiências religiosas visuais estão ligadas à epilepsia do lobo temporal.
Esse é o tipo de pesquisa geralmente obscura, normalmente vinda de algum neurocientista (que não representa a categoria dos neurocientistas, por sorte) que já assumiu uma posição de pregação do neo ateísmo, e não se importa se os experimentos realizados são suspeitos. Não é raro você encontrar pesquisas do tipo sempre com pouquíssimos participantes. O problema desse tipo de alegação seria comprovar que 85% das pessoas possuiriam epilepsia do lobo temporal. Pois há países com 85% de pessoas religiosas.
Uma investigação que fiz sobre Persinger mostrou que ele possui conexões com Susan Blackmore, a qual é proponente da teoria memética de Richard Dawkins. As declarações de Persinger podem ser qualificadas como conflito de interesses, e já colocadas sob suspeita. A bizarrice das declarações é tamanha que ele certa vez fez um “experimento” em 1980 no qual ele dizia (não é para rir) que a partir da estimulação artificial dos lobos temporais com um campo magnético ele induzia as pessoas a um… estado religioso. É mole? Quer dizer, será que o sujeito inventou uma nova definição para religião? Seria um estado em que eu “sou religioso”. Mas vejam que novidade: se eu não tenho a “estimulação do lobo temporal”, então eu não sou religioso? O problema é que ele depois alegou que a sensação do campo era de uma “presença etérea no quarto”. Agora vamos as definições de religião. Para uma pessoa normal e não alucinada, uma descrição da religião envolve muitos aspectos, como diz Alister McGrath em “O Delírio de Dawkins”:
Uma descrição mais fiel deve referenciar seus muitos aspectos, incluindo conhecimento, crenças, experiências, práticas ritualísticas, filiação social, motivação e conseqüências comportamentais.
Só que na definição de Persinger, religião é um “estado em que se sente presença etérea no quarto”. Naturalmente, que Persinger não é alguém que se leve a sério.
Dawkins, que apóia a pesquisa de Persinger (mais um motivo para suspeitar), escondeu o fato de que a revista Nature, em Dezembro de 2004, mostrou que um grupo de pesquisadores suecos, tentando replicar o experimento em condições duplo-cego, não conseguiu verificar o efeito alegado. Mais uma vez, quem foi que correu em apoio a Persinger? Susan Blackmore, eterna militante da causa de Dawkins. Susan Blackmore teria declarado o seguinte:
Quando eu visitei o laboratório de Persinger e conheci seus procedimentos eu conheci as experiências mais extraordinárias que já tive… Eu ficaria surpresa se tais resultados fossem originados de um efeito Placebo.
Vejamos: declaração baseada em evidência anedota agora é usada para tentar salvar Persinger? Como se nota, a defesa de Susan Blackmore não é diferente de quando um curandeiro da TV chama seus amigos e já adeptos para declararem a eficiência da mediunidade ou da leitura da borra de café a seu favor.
E tentando como sempre “dar uma forcinha”, Dawkins ainda em 2003, disse:
O experimento é baseado em recente descoberta que mostra que alguns pacientes com epilepsia do lobo temporal, uma desordem neurológica causada por descargas elétricas caóticas que trazem fortes semelhanças com experiências místicas de figuras sagradas como São Paulo e Moisés.
Podemos concluir que se o estudo do Michael Persinger, contestado no futuro, ainda teve como principais apoiadores Richard Dawkins e Susan Blackmore, isso está mais para um estudo de caso sobre o uso de engenharia social do que realmente uma abordagem científica deles.
O mais engraçado vem a seguir:
Mas minha preocupação neste capítulo é com as explicações darwinianas finais. Se os neurocientistas encontrarem um “centro divino” no cérebro, cientistas darwinianos como eu ainda vão querer entender a pressão da seleção natural que favoreceu sua evolução. Por que nossos ancestrais que tinham uma tendência genética para desenvolver um centro divino sobreviveram e tiveram mais netos que seus rivais que não tinham essa tendência?
Como de costume, segue o ad nauseam de Dawkins na tentativa de dizer que a explicação tem que ser darwinista. E qual a justificativa dele para isso? Independente do que neurocientistas encontrarem, ele ainda diz que vai querer a explicação sob a perspectiva da seleção natural. O problema é que o fato dele querer saber por Darwin, não implica na validade desta explicação.
Além do mais, se nos basearmos até agora no entendimento do que Dawkins chama de “divino”, de que adianta estudar algo que nada tem a ver com a religiosidade dos religiosos? Ele buscará uma explicação darwiniana de algo que ele diz que é religião, mas que não tem nada a ver com a religião dos seus adversários (os religiosos). É fácil notar que, no decorrer deste capítulo e também no capítulo 6, essa é justamente a estratégia que ele tentará levar até o final em sua diatribe. Ele cria um espantalho de religião, simplório, e finge que o explica pela seleção natural. Na verdade, nem é pela seleção natural que ele explica, e sim pelas pseudociências que ele defende (gene egoísta e memética). Em resumo, ele é um Houdini do ateísmo. É só truques, que um cético perspicaz desmonta fácil.
Notem que o ad nauseam prossegue:
Os darwinianos também não se satisfazem com explicações políticas, como “a religião é um instrumento utilizado pela classe dominante para subjugar as classes inferiores”. É verdade que os escravos negros da América eram consolados com promessas sobre outra vida, o que aliviava sua insatisfação com a atual e portanto beneficiava seus proprietários.
Ele já se contradiz, pois ele diz que como darwiniano não aceita a explicação X, mas diz que a explicação X é verdade para explicar a idéia de que os escravos negros podiam ser consolados com promessas sobre outra vida, e isso aliviaria sua insatisfação com a situação atual, e portanto beneficiaria seus proprietários. A explicação X, no caso, é a idéia de que “religião atende às classes dominantes para subjugar as classes inferiores”.
É coisa de louco, pois mesmo que ele finja que não aceite a explicação, diz que ela é aplicável e cita um exemplo. O fato é que, como bom portador da mente revolucionária, Dawkins não pode largar as doutrinas de Marx, como essa de que “religião é para opressão dos fortes sobre os fracos”. Ele simplesmente não pode abandonar isso, mas mesmo assim ele ainda tem que vender outra abordagem, que ele tentará mais a frente, que é de explicar tudo pelo gene egoísta e memética. Não importe as variantes que ele escolha, é tudo pseudo-ciência. Mas não deixa de ser cômico notar que ele aceita que a explicação X, conforme citei, explicaria por que os escravos seriam submissos. O problema é que os escravos eram submissos bem antes do estabelecimento das religiões. Ainda assim, outro fator ridículo na explicação marxista que Dawkins engoliu é o fato de que, se a religião servia como desmotivador para a luta para os escravos submissos, por que não serviu como desmotivador para os escravagistas? Detalhes…
E, como bom doutrinador de PNL, Dawkins tem que de novo implementar a estratégia do disco quebrado:
Mas ela não é, em si, uma questão darwiniana. O darwinista ainda quer saber por que as pessoas são vulneráveis aos encantos da religião e portanto abertas à exploração por parte de padres, políticos e reis.
Aqui, de novo ele tenta tratar a questão por “vulnerabilidade”, o que já mostra que de ciência esse argumento não tem nada – não passa de fricote e provocação pueril. Vamos ao teste da paródia:
• Para o futebol: “Ah, você é vulnerável ao futebol, e aos encantos da torcida organizada, e aberto à exploração de dirigentes de futebol”.
• Para o ateísmo: “Ah, você é vulnerável ao ateísmo, e aos encantos das teorias fantasiosas de Dawkins, e aberto à exploração de gurus ateístas de PNL”.
Como sempre, a explicação dele de novo se aplica à tudo, mas sem ele dimensionar vulnerabilidade em padrões científicos ela não significa absolutamente nada em termos argumentativos. Como ele não dimensionou (eu duvido que ele conseguiria, pois cientificamente ele é limitado), temos ainda que avaliar outro problema que ele arrumou para si próprio, pois Dawkins de novo foca em associar aceite da religião com abertura à exploração por parte de padres, políticos e reis. Mas que raio tem a ver religião com exploração por políticos e reis? E não era o Dawkins que disse que iria fugir de explicações como “a religião é um instrumento utilizado pela classe dominante para subjugar as classes inferiores? É, não tem como fugir disso, pois é evidente que a formação mental que ele teve é com Bertrand Russell e Marx.
De qualquer forma, basta apresentar um bom número de religiosos não filiados a igreja alguma que a teoria de Dawkins fracassa, por exemplo, ao dizer que eu seria “explorado por padres, políticos e reis”. Curiosamente, presenciei certa vez um discípulo de Dawkins tentando duelar com religiosos em um desses fóruns de debate da vida, e chegou usando frases como “Se você é religioso, então significa que você deixa algum padre te explorar”. O infeliz teve que ouvir respostas do tipo: “Quem disse que sou explorado por algum padre, idiota?” e “O que você sabe de mim, imbecil?”. Em suma, esse tipo de provocação que o Dawkins ensina aos leitores dele não serve e ainda permite uma retaliação à altura e com muita autoridade, pois basta um erro do neo ateu em relação a como o religioso leva a sua vida, para que o neo ateu fique vulnerável ao tentar atacar o comportamento do religioso.
Aliás, mesmo para os religiosos filiados a alguma entidade religiosa, Dawkins não dimensiona a exploração. Por exemplo, doar o dízimo é uma exploração? Mas doar dinheiro para uma ONG do Dawkins não é? O que qualifica um como exploração e não o outro? Geralmente, duelistas neo ateus travam quando são questionados sobre isso.
Mais:
Um manipulador cínico pode usar o desejo sexual como instrumento de poder político, mas ainda precisamos da explicação darwiniana de como isso funciona.
Agora talvez descobrimos o porque da grande amizade entre Dawkins e Dennett. Ambos possuem a mesma mania de implementação da petição de princípio, e praticam ad nauseam utilizando-se da estratégia PNL do Disco Quebrado para hipnotizar os leitores. Para vocês terem uma idéia, o livro “Quebrando o Encanto”, de Daniel Dennett, possui pouco mais de 350 páginas, mas ele gasta quase um terço do livro só para justificar (e não consegue, a não ser para os ateus e simpatizantes) uma teoria que ele defende, de que as religiões teriam que ser avaliadas em torno de um benefício avaliado sob a perspectiva da seleção natural (de novo, não dêem risada). Como a explicação é pífia, Dennett executa a técnica do disco quebrado incessantemente, de forma que pessoas de mente fraca, ao lerem o livro dele, podem sair da sessão de lavagem cerebral incapazes de ver o mundo a não ser sob o prisma darwinista.
E como vocês viram as repetições excessivas de Dawkins com frases no estilo “Tem que ser explicação darwinista”, “Ah, eu morro se não for explicação darwinista!”, “É Darwin na cabeça, mano!”, mostram que eu não estou exagerando. Mas ainda assim, Dawkins não chega perto da estratégia de repetição que seu amigo Dennett fez naquele livro. É simplesmente algo inacreditável até para gurus como Lair Ribeiro.
O que importa, para essa seção, é que a abordagem consultiva sobre “as vantagens da religião”, feita por Dawkins foi exatamente pela mesma linha pseudocientífica e falaciosa do que seu parceiro de luta, Dennett.
Entretanto, a coisa é mais séria do que parece, pois mesmo que qualquer pessoa racional dê risada dessas fantasias da dupla, os discípulos dele parecem acreditar nesse parangolé todo fielmente.
F.A.Q. #02 – Mente evolucionária X mente revolucionária

Se alguém lhe disser que você tenta “emular” o estilo de Olavo de Carvalho, isso lhe agrada ou desagrada?
Com certeza não me agrada, mesmo que eu goste do estilo de Olavo de Carvalho. Mas as diferenças são muito grandes: Olavo de Carvalho é jornalista e filósofo, e eu sou consultor de Auditoria e Governança. Carvalho tem uma bagagem filosófica muito grande, e a minha bagagem é apenas suficiente para as análises que faço, em termos de auditoria da lógica argumentativa. Por outro lado, claro que ele também não faria um relatório de investigação de uma fraude como eu faria. Eu não posso escrever um estudo filosófico sobre Aristóteles, por exemplo. Olavo pode. Olavo escreve com bastante elegância, e eu prefiro textos simples, pois sou direto demais (para mim ou a alegação é válida ou não é, e se não for eu mostro os motivos pela qual ela não é). Quanto às semelhanças, noto que Olavo tem impaciência com a mediocridade e pessoas de raciocínio torto (principalmente as pessoas de “mente revolucionária”). Nesse ponto, concordo plenamente com ele. Admiro principalmente a linha de raciocínio do Olavo em relação ao estudo da Estratégia Gramsciana, que influenciou um estudo que divulgarei futuramente a respeito da pregação esquerdista e/ou neo-ateísta em universidades. A forma que Olavo encontrou para tratar o assunto (e que ele acha que os resultados mais relevantes não serão imediatos, mas somente a longo prazo) é no mínimo brilhante. Tratarei desse assunto em seu devido tempo, principalmente após o término da refutação do livro “Deus, Um Delírio” (a refutação completa deverá terminar entre Fevereiro e Março de 2010, a princípio), mas dá para fazer um resumo da proposta dele: criar uma elite intelectual, inserindo pessoas de mente conservadora em universidades, e, posteriormente, na mídia. Em suma, é usar a mesma estratégia do inimigo. Os méritos, nesse caso, são do Olavo, e citarei-o várias vezes quanto a isso. A abordagem que proponho para combater o problema citado por ele é complementar: é baseada no uso do ceticismo, auditoria e investigação de fraudes para desmascarar o neo ateísmo. Esse framework, é claro, pode ser expandido para investigar o marxismo radical e o gayzismo, complementando o ataque às principais formas de mente revolucionária, principalmente em universidades e na mídia. Em suma, essa metodologia que eu utilizo não é um dos focos do Olavo. Só que acredito que ela pode complementar a abordagem que o Olavo sugere. O que sugiro é tratar de criar a elite intelectual sim, é claro, mas enquanto isso já ir investigando e desmascarando esse pessoal de forma metodológica. Portanto, não há “imitação” de estilo, e sim uma influência que carrego a partir da observação do trabalho de Olavo, que, por ter alertado contra riscos que podem comprometer a nossa espécie, é extremamente valoroso e sempre terá meu respeito.
O que é a “mente revolucionária” para você?
Esse é outro conceito que é definido muito bem por Olavo de Carvalho, que é relacionado à um fenômeno psicológico que se acomete de várias mentes, que aparentemente gostam de idealizar uma utopia, atuar de forma militante para remoldar a sociedade e principalmente jogar para fora todos os valores adquiridos que são a base de nossa civilização. Eu adapto o conceito do Olavo para uma abordagem que pode ser aplicada em todos aspectos da interação humana complexa, inclusive nas empresas: por exemplo, existem dois tipos de agentes de mudança nas organizações. Um deles é o perfil conservador, que respeita a cultura da empresa, e implementa as melhorias somente após uma avaliação dos riscos e benefícios, obtendo o apoio dos principais stakeholders. Essa abordagem geralmente leva à implementações de sucesso, em mudança gradual. Outros são os revolucionários, incapazes de produzir resultados nas empresas, pois querem revolucionar tudo, criam metas absurdas, não se importam com a cultura da empresa. É claro que esse tipo de gente não sobrevive em um mundo racional, e então, como são ridicularizados nas empresas, buscam refúgio nas academias, e fazem “pose de intelectuais”. Mas é só fazer um teste: basta pegar um desses professorzinhos de economia que afirmam serem “portadores da verdade” e coloque em uma empresa líder no mercado em qualquer segmento. Não vai dar certo, pois esse tipo de mente não consegue entender a cultura da empresa atual. É preciso de SABEDORIA para entender a cultura e o ambiente atual, e daí implementar mudanças de forma evolucionária. É por isso que esse pessoal se refugia em cargos acadêmicos, pois é lá que eles ainda conseguem sobreviver. Alguns depois espirram para trabalhar na mídia, atuar em política, em ONGs, mas sempre com o discursinho chinfrim e buscando influenciar a nova geração, principalmente os que entram nas universidades.
O que é a mente conservadora neste contexto?
É a mente evolucionária, que aceita que as mudanças a serem implementadas na sociedade, incluindo novas leis, novos direitos, etc. são graduais. Pessoas de mente conservadora não jogam a cultura do passado fora, principalmente a base dos valores da sociedade. Os valores de nossa sociedade estão alicerçados no cristianismo, por exemplo. Qualquer pessoa de mente revolucionária tem motivos para odiar o cristianismo, e não só os neo ateus já implementam esse ódio, como também os gayzistas e, principalmente, os marxistas radicais. A forma como defino a mente conservadora é simplesmente como “mente evolucionária”. É bem diferente da “mente revolucionária”. Eu não estou afirmando que todos os conservadores são santos, muito pelo contrário. Há alguns que inclusive adentram ao fanatismo religioso (ao invés do cristianismo tradicional, mais poderoso, e sem traços de fanatismo), e não respeitam qualquer pessoa que viva fora deste paradigma. Claro que é um radicalismo danoso. Mas, na relação custo-benefício, ainda é muitas vezes melhor do que os desastres praticados pelas pessoas de mente revolucionária.
De onde você acha que vem o interesse pela aniquilação de valores dentre os revolucionários?
A lógica para isso é simples. Para se implantar a “revolução”, é preciso aniquilar os valores estabelecidos. Por exemplo, para roubar terras, como o MST faz, é preciso aniquilar valores religiosos. Para matar os inimigos e traficar drogas em público, como a FARC faz na Colômbia (e apoiados por muitos “intelectuais da esquerda” brasileira), é preciso também aniquilar valores religiosos. Quem tem a mente revolucionária simplesmente está focado em sua utopia, e quem está em seu caminho são os inimigos. Para eles, tudo pode ser feito contra esses inimigos, e não há padrão moral ou ético nenhum. Isso é conseguido pela aniquilação de valores. Os resultados podem ser vistos nos massacres cometidos na Alemanha Nazista, na Rússia e na China. Eu não diria que foram mortes “causadas pelo ateísmo”. Foram crimes cometidos nessa escala pela ausência completa de valores de nossa civilização. Esses valores que eles negaram são os valores religiosos. Os neo ateus são em parte cúmplices desses genocídios. Mas não por serem ateus, mas sim por defenderem um tipo de mentalidade que levou à esses genocídios.
As suas declarações não seriam um preconceito contra as pessoas de esquerda?
De jeito algum. Claro que eu não sou de esquerda. E também não tenho problemas em me definir como alguém de direita. Mas possuo amigos que são de esquerda, e entendo que hoje em dia grande parte dos políticos do Brasil (assim como a mídia e os professores universitários) são de esquerda. Mas ser de esquerda não implica em ser um marxista militante radical. Em relação aos moderados, não tenho nada contra. O grande problema é com os radicais, que possuem comportamento semelhante aos neo ateus. Aliás, pode-se dizer que Karl Marx foi um dos precursores do neo ateísmo, quando afirmava que “religião é o ópio do povo”. O discursinho de Marx e o de Dawkins, em vários momentos, possui similaridades. Nem todo mundo que é de esquerda possui uma mente torpe dessa forma, mas que os marxistas militantes e os neo ateus (ateus militantes) procuram falar mais alto, até pelo seu fanatismo, isso é um fato. E com esse tipo de gente não há discussão racional possível. Normalmente quando debato com neo ateus (pelo perfil assimilado do comportamento marxista), eu não troco informações com eles. É simplesmente uma situação de duelo, pois qualquer argumento que os refute não será ouvido por eles. Quando eu discuto com os neo ateus, a informação nova é enviada para o PÚBLICO que está acompanhando o debate. A mente revolucionária do neo ateísta o impede de aceitar novas informações, então basicamente refuto o que eles afirmam, e não estou nem um pouco interessado em passar conhecimento para eles. Além do mais, um outro efeito visto neles, de acordo com os princípios da mente revolucionária, é a ausência total de ética. É por isso que Dawkins comete várias fraudes e estratatemas erísticos em sua obra. Esse comportamento totalmente antisocial é típico de gente de mente revolucionária – e, cuidado, entre professores universitários está cheio de gente assim. Mas ainda assim é melhor que mentes insanas como essa estejam nas universidades do que nas empresas.
Qual papel a Estratégia Gramsciana tem nesse sentido?
Total. A Estratégia Gramsciana era focada em ensinar marxistas (e, atualmente, neo ateus e gayzistas, dentre outros de mente revolucionária) a tentarem entrar em universidades e conseguirem cargos acadêmicos na maior quantidade possível. Pessoas mais simplórias costumam se impressionar com títulos como “mestre” ou “doutor”, principalmente pessoas incultas da área rural. Isso dá a falsa impressão de que esses representantes seriam a “nova elite”. Daí, como resultado da Estratégia Gramsciana, essas pessoas se infiltram na mídia, na política, em cargos acadêmicos e procuram usar essas posições para continuar pregando sua ideologia. O que ocorre com o neo ateísmo, e a atual supervalorização do Darwinismo nas academias, é justamente isso. Por exemplo, nenhum cientista vai arrancar os cabelos se alguém duvidar da teoria da gravidade. Mas eles se embrenham em campanhas alucinadas em favor de um Darwinismo ideológico e tomam a defesa da teoria e a luta contra os criacionistas como se fosse uma causa da vida. É claro que há algo de suspeito nisso tudo. Eu sou evolucionista, e se alguém não acreditar no evolucionismo, eu sou indiferente a isso. Eu acredito que o homem foi à Lua, e se alguém não acreditar eu também sou indiferente. Mas agir pregando o Darwinismo de forma militante? Isso não parece ridículo? Claro que é ridículo, mas quem tem a mente revolucionária, e é fruto dessa Estratégia Gramsciana, NÃO TEM NOÇÃO de ridículo. Grande parte dos professorzinhos revolucionários vai pelo mesmo caminho. Qual a diferença entre Carl Sagan e Karl Marx? A meu ver, é basicamente a teoria que defendem, mas o comportamento é exatamente o mesmo. Visão iludida, completo desapego à cultura vigente, foco na utopia, deslumbre, viver sem medo do ridículo, viver academicamente, buscando seguidores. É tudo fruto da Estratégia Gramsciana, que deve ser combatida a longo prazo. A curto prazo, basta investigá-los e denunciá-los, pois, em vários casos, usar dinheiro do estado (em muitos casos, eles estão infiltrados em universidades públicas), para fazer sua campanha patética é um CRIME. O professor tem que ganhar para dar aula, e não para pregar suas ideologias patéticas. O jornalista tem que ganhar para divulgar a notícia, e não para pregar seu apoio às FARC ou ao livro do Dawkins. Com esse tipo de gente, só há algo a fazer, de imediato: investigar e denunciar. Não se discute com eles.
Por que não se discute com eles?
Por que não são pessoas racionais. Por exemplo, imagine um marxista, como Altamiro Borges, que chega e diz que a Barbara Gancia é fascista somente por que ela não gosta de Hip Hop. Dá para discutir com gente como o Altamiro? Claro que não. O sujeito, pela sua mente revolucionária, perdeu todo e qualquer patamar de racionalidade e tornou-se já uma figura antisocial. Basicamente, ele só consegue se socializar com a turminha que pensa como ele. Com pessoas de outras ideologias, ele não tem mais capacidade de comunicação. Vale o mesmo para o diálogo com a maioria dos neo ateus. Vou dar um exemplo recente. Um sujeito chegou e disse que sou criacionista. Eu mostrei para ele, com referências, que ele estava errado. E depois disse que sou criacionista, novamente. É claro que já dá para identificar que se está diante de um sujeito que é incapaz de fugir de suas neuroses e fantasias, que são características desse pessoal. Na fase em que este blog tinha comentários liberados, uma cambada de neo ateus que agem assim veio aqui participar e é a mesma ladainha. Em suma, são pessoas que devem ser tratadas de uma única forma: com um chute no cu.
P.S.: Para melhor entendimento, coloco aqui a definição de Olavo de Carvalho para a mentalidade revolucionária: “Mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao “tribunal da História”. Mas o tribunal da História é, por definição, a própria sociedade futura que esse indivíduo ou grupo diz representar no presente; e, como essa sociedade não pode testemunhar ou julgar senão através desse seu mesmo representante, é claro que este se torna assim não apenas o único juiz soberano de seus próprios atos, mas o juiz de toda a humanidade, passada, presente ou futura. Habilitado a acusar e condenar todas as leis, instituições, crenças, valores, costumes, ações e obras de todas as épocas sem poder ser por sua vez julgado por nenhuma delas, ele está tão acima da humanidade histórica que não é inexato chamá-lo de Super-Homem. Autoglorificação do Super-Homem, a mentalidade revolucionária é totalitária e genocida em si, independentemente dos conteúdos ideológicos de que se preencha em diferentes circunstâncias e ocasiões. Recusando-se a prestar satisfações senão a um futuro hipotético de sua própria invenção e firmemente disposto a destruir pela astúcia ou pela força todo obstáculo que se oponha à remoldagem do mundo à sua própria imagem e semelhança, o revolucionário é o inimigo máximo da espécie humana, perto do qual os tiranos e conquistadores da antigüidade impressionam pela modéstia das suas pretensões e por uma notável circunspecção no emprego dos meios. O advento do revolucionário ao primeiro plano do cenário histórico – fenômeno que começa a perfilar-se por volta do século XV e se manifesta com toda a clareza no fim do século XVIII – inaugura a era do totalitarismo, das guerras mundiais e do genocídio permanente. Ao longo de dois séculos, os movimentos revolucionários, as guerras empreendidas por eles e o morticínio de populações civis necessário à consolidação do seu poder mataram muito mais gente do que a totalidade dos conflitos bélicos, epidemias terremotos e catástrofes naturais de qualquer espécie desde o início da história do mundo. O movimento revolucionário é o flagelo maior que já se abateu sobre a espécie humana desde o seu advento sobre a Terra.”
As informações que os neo-ateus escondem: os quartos da morte na China
Esse vídeo tem um tempinho já.
Cada vez mais fica claro que o governo chinês, por ser de orientação comunista (ao invés de um socialismo mais “light”, como na França), acha uma maravilha tudo aquilo que Karl Marx escreve.
Oras, Marx era um dos primeiros neo-ateus que surgiram. O objetivo de Marx não era viver sua vida sem religião, mas viver CONTRA a religião.
O resultado de uma cultura baseada em seus escritos é isso aí: uma NEGAÇÃO COMPLETA dos valores religiosos.
Isso explica por que a China é um país praticamente não-civilizado.
Muitos ateus citam que EXEMPLO de país ateu seria a Suécia. Seria? A Suécia sequer tem o governo oprimindo religiões. No máximo, é um país DIVIDIDO entre a religião e o ateísmo.
Mas justiça seja feita. Para mim, a China não é apenas um país ateu. Mas sim um país neo-ateu. [N.E. - Portanto, não há nada neste post que possa ofender a um ateu]
E o vídeo mostra justamente a negação dos valores básicos da espécie humana, ensinados à nossa civilização pelas religiões.
Na China, o que existe é apenas o mundo de Epicuro, de Marx, etc…
Nada que ocorre no vídeo é surpreendente.
É simplesmente previsível.
Um filme importante: “Katyn”, de Andrzej Wajda
Acima está a crítica de Isabela Boscov, para “Katyn”, dirigido por Andrzej Wajda. O filme narra um ocorrido terrível na história da Polônia.
Com base no livro “Post Mortem – The Story of Katyn”, de Andrzej Mulbarcyk, o diretor mostra a execução, em uma floresta russa, de oficiais militares e cidadãos poloneses, com cerca de 20.000 vítimas, na Segunda Guerra Mundial.
Mais importante ainda é ver a demonstração de como os russos maquiaram a história, pois queriam atribuir o massacre aos nazistas.
De novo: por que não estou surpreso?
Nada que venha de mentes doutrinadas por Karl Marx me surpreende.
Em tempo: o filme é realmente muito bom.
Abaixo, o trailer:
Será o comunismo realmente uma religião?

Recentemente, presenciei em um debate uma discussão sobre a questão das mortes causadas pelo regime comunista na Rússia e na China.
A intenção de um debatedor neo-ateu, no caso, era livrar a cara dos ateus nos crimes em ambos os governos. A segunda intenção era associar os crimes à religião.
Naturalmente isso acaba ocorrendo quando um neo-ateu chega e diz que “a religião é má” e em seguida cita a Inquisição.
Aliás, a Inquisição é um dos maiores trunfos de Richard Dawkins e outros autores neo-ateus.
Que eu e a grande maioria dos leitores concordam que a tortura não é algo elogiável, isso não é novidade. Mas daí a dizer que a causa da tortura na Inquisição é a religião já vai uma distância muito grande.
Um teste dessa hipótese ateísta (tortura contra o povo e opressão do governo sendo causada por religião) seria avaliar o que ocorreu em países totalitários, como a Rússia pós-Revolução Comunista e a China dos últimos 100 anos.
O que se vê, em ambos países, é uma soma de massacres que superam em muito o Holocausto Nazista.
E detalhe, são contextos em que não havia religião, pois o comunismo, com base nas idéias de Marx, abolia toda e qualquer forma de religião.
Eis que Dawkins e Hitchens já chegaram a dizer, então, que as explicações para os crimes dos países comunistas era que ambos traziam alguns elementos de religião.
Segundo eles a doutrina comunista, mesmo ateísta, era excessivamente focada em colocar o Estado no lugar de um Deus. Portanto, era como a religião.
Estava então armada a arapuca que permitiria que, de uma tacada só
- (a) eles livrassem a cara do ateísmo na questão dos crimes
- (b) conseguissem computar todos os crimes do comunismo na conta da religião
Como diria a música do Van Halen, the best of both worlds.
Bem, pelo menos até alguém perceber o logro, pois essa iniciativa deles é totalmente desonesta e até cínica. Chega até a ser provocação.
A religião é definida como um conjunto de crenças relacionadas com o divino, transcendental e sagrado, juntamente com o conjunto de rituais, códigos morais e práticas que derivam dessas crenças. A religião, sempre com Deus como princípio fundamental, é tangenciada por uma miríade de estudos e tratados de teologia.
Já o comunismo é um sistema econômico que visa criar uma sociedade sem classes, com abolição da propriedade privada. Em sua essência original, o controle dos meios de produção seriam feito por associações livres de produtores. Na versão implementada na Rússia e China, o controle ficou com o Estado.
O foco da religião é no espiritual, o foco do comunismo é no plano físico, pois é um sistema político. Ou seja, tentar equiparar ambos já seria inversão de planos.
Aliás, o Partido Comunista, na China, defende a opinião de que o Comunismo e a Religião são totalmente opostos. E sem chance de reconciliação.
Mais algumas declarações importantes de algumas “cabeças” por trás do comunismo:
- “O maior e o pior erro que um marxista poderia cometer seria o de pensar que os muitos milhões de pessoas das massas populares – em particular, os camponeses e os artesãos –, condenadas por toda a sociedade contemporânea a permanecer no obscurantismo, na ignorância e em meio a preconceitos, possam sair dessa escuridão tão somente através da linha direta da cultura puramente marxista. A essas massas é necessário que se forneça o material mais variado relativo à propaganda ateísta, familiarizando-as com os fatos dos mais variegados domínios da vida, abordando-as, dessa ou daquela forma, a fim de dinamizar o seu interesse, despertando-as da letargia religiosa, sacundido-as sob os mais variados aspectos, por meio dos mais variados métodos etc. ( LENIN, VLADIMIR ILITCH ULIANOV. O Znatchenii Voinstvuiuschevo Materializma (Sobre o Significado do Materialismo)(12 de Março de 1922), in: V. I. Lenin. Polnoe Sobranie Sotchinenii (Obras Completas), Moscou : GIPL, 1961, Vol. 45, pp. 23 e s.)
- “O ateísmo é uma negação a Deus e por esta negação coloca a existência humana”. (MARX, KARL HEINRICH, “… denn der Atheismus ist eine Negation des Gottes und setzt durch diese Negation das Dasein des Menschen…” cf. idem, ibidem. p. 185.)
- Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. (LENIN, VLADIMIR ILITCH ULIANOV, Sur le rapport du parti ouvrier à la religion, Pss.vol.17.p.418.)
- “O comunismo começa onde começa o ateísmo” ( MARX, Karl. Terceiro Manuscrito econômico e filosófico, XXXIX , V)
O comunismo, portanto, além de ser totalmente oposto à religião, é uma ideologia que atende perfeitamente aos requisitos dos neo-ateus: que é a manutenção da repulsa absoluta contra a religião.
E, justamente por isso, nenhuma morte causada pelo governo russo e pelo governo chinês poderia jamais estar associadas não só a religião como a qualquer sistema sequer parecido com religião (pois comunismo defende OPOSIÇÃO à religião).
E não adianta Dawkins e Hitchens espernearem.
Para complicar mais a vida da dupla, as declarações de Lenin e Marx citadas neste artigo mostram que os líderes comunistas não eram somente ateístas, mas sim neo-ateístas.
E já repetiam os discursinhos que Dawkins colocou em “Deus, Um Delírio” com décadas de antecedência.
Portanto, podem chamar o comunismo do que quiserem. Menos de religião.
P.S.: Não defendo a teoria de que os crimes na Rússia e China foram causados pelo ateísmo. Não quero entrar nesse mérito. Mas sim mostrar que as tentativas de alguns neo-ateus de ESCONDEREM os crimes na Rússia e China e somente citarem a Inquisição (tentando atribuir uma falsa culpabilidade à religião neste último caso) podem ser facilmente desmascaradas. E mais fácil ainda é desmascarar qualquer tentativa de associar comunismo à religião.
