Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

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Uma piada neo ateísta que mostra que eles são… motivo de piada

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Eu falei da técnica “Tem que ser fé”, que neo ateus utilizam em quantidade impressionante, já que eles precisam atender a um programa de lavagem cerebral que sofreram.

Nesse programa, eles são orientados a achar que são os “iluminados” da razão, enquanto os oponentes seriam “os da fé, inimigos da razão”.

Eis então que foi publicado em uma comunidade do Orkut, uma tira supostamente cômica em que neo ateus estariam “ridicularizando” os religiosos, e de novo usando a falsa dicotomia entre ciência e fé.

A platéia neo ateísta quando vê uma tira dessa comemora como se o time deles tivesse feito um gol em final de campeonato. Não demora para sair frases do tipo “não vejo a hora de esfregar isso na cara dos religiosos que conheço”, “isso é um tapa na cara do teísmo”, etc.

A euforia deles é tão grande que… nem perceberam os gravíssimos erros conceituais que estão ali.

O primeiro dos erros é a inversão de planos, que é inaceitável em termos filosóficos.

O sujeito da tira tenta comparar um “método científico” com “método teísta”, se esquecendo de que método científico NÃO é um método filósofico, mas qualquer “método teísta” (seja lá o que diabos ele queira dizer com isso) é, principalmente se for considerada a teologia e a filosofia da religião.

Eis que um neo ateu poderia dizer: “aha, mas a tira fala da interpretação popular da religião”, o que é pior ainda para a comparação dele, pois métodos populares não podem ser comparados com o método científico, que é basicamente para a execução de uma profissão.

O segundo dos graves erros é dizer que no “método teísta” existe algo como “Vamos atribuir estados mentais humanos a uma entidade inefável e depois procurar confirmação”. Mas de onde ele tirou isso? Naturalmente, da fé cega dele.

Ora, na religião não se atribui apenas “estados mentais humanos” a Deus, mas sim toda a criação. Claro que é uma estratégia erística deles, o que, de novo, não surpreende.

O terceiro dos pontos é que eles não percebem o tiro no pé que dão, pois afirmam que teístas partiriam da existência de Deus, para depois buscar a confirmação.

Ué, mas quem disse que a própria existência de Deus não pode ser definida logicamente, e, depois de aceita, como axioma, dar extensão à outros raciocínios? Pois é seguindo o mesmo princípio que a universalidade das leis físicas é aceita, e só depois existe a extensão à outras idéias, como a possibilidade do conhecimento destas leis físicas, e daí por diante.

Claro que esse erro de percepção deles só ocorre por que os neo ateus não perceberam que estão cometendo a falácia da inversão de planos.

Tratar o aceite da questão Deus no mesmo nível do aceite de uma teoria científica é uma inversão de planos, pois a discussão de Deus é a discussão de um axioma, ao passo que a discussão de uma teoria científica não, pois está em um nível abaixo da discussão de um axioma.

A universalidade das leis físicas, a existência da moral e a existência de Deus estão em um nível superior de discussão, gostem os neo ateus ou não.

Estes níveis superiores de discussão (nível da epistemologia, teologia, filosofia, etc.), habilitarão os níveis inferiores, hierarquicamente, a seguir, a prosseguir com especializações do conhecimento baseadas na premissa já aceita anteriormente.

Que os neo ateus não tenham percebido todos esses erros, por si só já é motivo para iniciar uma investigação de como pode a lavagem cerebral que eles sofreram ter sido capaz de eliminar o potencial de realizar distinções cognitivas tão básicas, a ponto de colocar sob suspeita praticamente tudo que esse tipo de gente escreve. Cognitivamente, estão em um nível muito abaixo da média.

Em breve, teremos aqui nesse blog dois estudos sobre o neo ateismo, que serão apresentados em duas séries de artigos.

Um deles focará na origem e os motivos para o neo ateísmo, falando das associações do mesmo com a síndrome da mente revolucionária, e com o marxismo cultural, que toma como base neste caso a estratégia gramsciana.

O outro focará no estado mental dos neo ateus que, após a lavagem cerebral sofrida, perdem a capacidade de dedução lógica (tamanha a força do programa inserido neles), e cometem erros que só podem ser aceitáveis a alguem com debilidade mental. Neste caso, o tipo de debilidade mental a ser estudado é um tipo adquirido por hábito e lavagem cerebral, e talvez não por deficiência de nascença. Mas essa deficiência precisa, sim, ser estudada.

Alguém poderia dizer que muitos religiosos cometem erros lógicos. Sim, eu concordo, o que é normal na maioria dos seres humanos. Mas estes vem principalmente do cidadão popular, como no caso da empregadinha que vai na Igreja do Edir Macedo.

No caso dos neo ateus, erros lógicos em quantidade quilométrica são encontrados nos textos dos principais LÍDERES do neo ateísmo, ou seja, Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e Daniel Dennett. E todos erros lógicos são repetidos pelos seus seguidores.

Ou seja, os INTELECTUAIS do neo ateísmo cometem erros lógicos em quantidade similar ao cidadão mais simplório do teísmo.

A grande piada da tirinha, portanto, não está nela em si, tão recheada de erros lógicos e científicos que é mais constrangedora do que engraçada para os neo ateus.

A piada está no fato de que neo ateus, quando tentam ridicularizar os teístas, demonstram que o método de análise deles é mais recheado de fé cega do que apenas fé, e com certeza não tem nada de científico.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 28, 2010 em 12:01 am

Técnica: Jogando na conta da ciência

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Última atualização: 12 de fevereiro de 2010 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Se o Capitão Nascimento mandou botar na conta do papa, com esta técnica os neo ateus mandam botar na conta da ciência.

Essa técnica é usada principalmente quando neo ateus usam o disfarce de “divulgador da ciência”. Por tabela, muitos dos leitores desses autores acabam seguindo pelo mesmo caminho.

A técnica envolve transferir para a ciência todas as responsabilidades que estariam sobre si próprio.

O neo ateu pode tentar isso quando estiver, por exemplo, defendendo qualquer tipo de alegação contra a religião. Geralmente essa alegação pertence à ele, em termos filosóficos. Em outros casos, a alegação pode ser também oriunda de um filósofo, que o inspirou. De qualquer forma, como a alegação é endossada pelo neo ateu, devemos entendê-lo como um das partes na discussão (sendo a outra parte o religioso).

A técnica envolve em, como se fosse um truque de mágica, substituir a si próprio pela ciência, fazendo com que sua declaração aparentemente se torne uma declaração da ciência (e não dele).

Exemplos incluem:

  • Transformar a alegação “Digo que Deus não existe” por “A ciência diz que Deus não existe”
  • Transformar a alegação “Eu digo que acredito só em evidências” por “A ciência só aceita evidências”

E daí por diante.

Naturalmente, é uma técnica covarde, em que o neo ateu foge da responsabilidade pelos seus argumentos e suas alegações, e tenta transferi-las todas para a “ciência”. E, como não seria inteligente questionar “a ciência”, o neo ateu aparentemente espera que com esse estratagema ele e sua alegação fiquem livres do julgamento e da avaliação pela outra parte.

Obviamente eu concordo (e creio que quase todos aqui fariam o mesmo) que a ciência (assim como a auditoria, a perícia, o sistema judiciário, etc.) foca em evidências. Em relação a alegação de existência ou nao de Deus, a ciência não traz esse tipo de juízo.

De qualquer forma, o fato de que a ciência é baseada em evidências, não implica que um cientista, ou um cientista wannabe, ou um leitor de divulgador de ciência, sejam focados em evidências.

Uma coisa, naturalmente, é a entidade a que se dá o nome de ciência. Outra coisa é um sujeito, falível, que se diz cientista ou “adepto de ciência” (seja lá que diabos ele queira dizer com isso).

Mesmo que a pessoa seja um cientista (e na maioria dos casos não é), os atos de qualquer ser humano, incluindo suas alegações, não podem ser julgados pelos mesmos filtros que se julga a ciência. O motivo é evidente: a ciência, como um todo, é um grande processo, que transcende a subjetividade de seus participantes. O cientista, quando avaliado no todo de suas decisões, é completamente passível de possuir falhas de julgamento e vícios, como qualquer ser humano em qualquer profissão.

Como é um estratagema basicamente de confusão, é importante prestar muita atenção no momento em que o neo ateu pratica a “mudança” de personagem (substituindo ele pela ciência). Não raro isso ocorre, durante um debate em que o neo ateu tenta provar seu ponto, e passa a dizer coisas como “a ciência diz” ou “a ciência faz”, normalmente sem muita relação direta com o argumento que ele originalmente defendia. Mesmo que não exista tal relação direta, o neo ateu poderá fingir que há.

Refutação

A refutação é extremamente simples e se baseia em interromper o oponente, mostrando que ele está tentando enrolar a platéia quando ele tenta fingir que ele seria “a ciência” ou então um representante dela.

Segue o exemplo abaixo:

  • NEO-ATEU: Eu não acredito que Deus existe, pois não há provas científicas da existência de Deus, e assim a ciência não afirma que Deus existe. Logo, ela não acredita que Deus exista.
  • REFUTADOR: Sim, eu sei, mas você não é a ciência. [N.E. - Aliás, nem é da alçada da ciência dizer se Deus existe ou não]
  • NEO-ATEU: Eu não sou a ciência, você está correto. Mas o que a ciência nos diz…
  • REFUTADOR: O que a “ciência nos diz” eu já sei, e não tem nada a ver com o que você disse. Agora, diga o seu argumento. Os argumentos em relação ao que a “ciência diz” eu posso procurar em livros de Karl Popper, Thomas Kuhn, etc.

Durante a refutação, outro ponto curioso é que não raro você conseguirá notar que aquilo que o neo ateu diz ser uma “alegação da ciência” muitas vezes nem sequer é suportada pela ciência em si. Isso ocorre muitas vezes em argumentos de Carl Sagan e Richard Dawkins, que são baseados no cientismo, que nada tem de científico na realidade.

Conclusão

Como é uma técnica de fuga da responsabilidade (o neo ateu tenta erradamente jogar nas costas da ciência uma alegação que é exclusivamente dele), é importante sempre impedi-lo de fugir desta responsabilidade que lhe é inerente. Um argumento de militância ateísta feito por um neo ateu, mesmo que ele alegue ser cientista, divulgador de ciência ou leitor de divulgação da ciência, não implica em uma posição da ciência, salvo ele prove com argumentos que é (raramente é). Em alguns casos, para refutar com maior propriedade todas as tentativas, é recomendável um bom estudo sobre filosofia da ciência.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 12, 2010 em 12:01 am

O grande perigo que o neo ateísmo pode trazer para a ciência

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O quê? Mas como pode ser? Richard Dawkins e sua turminha vivem dizendo que estão “defendendo” a ciência de um mundo de trevas. Portanto, como poderiam eles estarem prejudicando a ciência?

Primeiramente, vamos aos fatos.

Temos que transcender um pouco para entender como o neo ateísmo é danoso para a ciência.

Vamos avaliar o efeito desse tipo de atitude nas empresas.

Antes disso, cabe relembrar o modus operandi de grande parte dos neo ateus.

Tecnicamente, o neo ateu executa um “disfarce” de defensor de ciência.

Isso é parte do conjunto de técnicas que ele usa para divulgar um mantra aprendido pelos marxistas: o oponente está nas trevas, enquanto ele está em um mundo de tecnologia e ciência.

Mas isso é apenas a ponta do iceberg.

O discurso dele será recheado, então, de vários exemplos da ciência que “minaram” a espiritualidade e/ou deram “todas” as respostas, inclusive sobre o sentido da vida.

Daí ele apontará para pesquisas sobre extraterrestres, psicologia evolutiva, neurociência, gene egoísta, memética e antropologia, dentre outras. Vale tudo.

Um exemplo pode ser a alegação de que a “neurociência descobriu que não existe livre arbítrio”. Aí quando começamos a investigar os resultados notamos que esse pessoal está absolutamente a anos luz de distância de demonstrar resultados como os vistos no filme Minority Report. Ué, como eles podem afirmar a inexistência de livre arbítrio sem demonstrar a “programação” inerente aos seres humanos sob teste? E como eles poderiam demonstrar o passo-a-passo desse programa? Na verdade não podem.

Outros dizem que a genética comportamental já prevê os comportamentos com baixíssima margem de erro, mas até hoje jamais foi apresentado um resultado consistente mostrando a predição de escolhas e mapeamento das ações das pessoas sob análise. Por exemplo, daria para, avaliando o código genético, saber quais produtos as pessoas comprarão? Não, não dá, portanto atualmente as empresas precisam dos inputs da área de Marketing e CRM, e não de geneticistas. Sinto muito, mas essa é a realidade. Mais um caso de promessa não cumprida.

O problema é que nos casos avaliados, praticamente sem exceção, neo ateus quando fazem tal divulgação mentem deliberadamente, fornecem informações falsas e prometem mais do que a área em questão pode oferecer.

É aí que está o desastre.

Nas empresas, qualquer pessoa que atua com gestão sabe que não se pode, POR HIPÓTESE ALGUMA, cometer lisonja, isto é, dizer que os resultados apresentados são melhores do que realmente são. Neste contexto, há outra tradução adequada para lisonja: elogio não merecido. Melhor ainda: falso testemunho.

Na verdade, a motivação sempre vem por resultados A SEREM ALCANÇADOS, e não por mentiras divulgando resultados que JAMAIS foram alcançados ou nem serão.

É claro que no mundo corporativo não é lícito dizer que serão entregues ao fim do ano 200 projetos com sucesso quando na verdade apenas 50 passarão pelos critérios de projetos com sucesso. O motivo para isso é a governança, suportada pela auditoria, que não permite a divulgação de informações falsas. Ou ao menos as informações falsas são descobertas na raiz.

Internamente, no entanto, a divulgação de informações falsas e implantação de falsas expectativas tem um outro efeito, mais aterrador, que é a desmotivação pela obtenção dos resultados.

Ora, a questão é simples: ao invés de prometer aquilo que não fez, é melhor FAZER e depois apresentar os resultados.

A busca por FAZER e depois apresentar os resultados é a força motriz das empresas.

Ao contrário de MENTIR dizendo que fez, quando realmente não fez.

São posturas opostas.

Na primeira, motivamos os resultados a acontecerem (algo como dizer “não quero ouvir conversas, e sim ver os resultados”), na segunda motivamos o relaxamento (pois se alguém acredita só nas promessas, para que realizar?).

Entretanto, para tentar decretar a “morte de Deus”, neo ateus, travestidos de divulgadores da ciência, inventam resultados que estão muito distantes de ocorrer. Os exemplos da neurociência e da genética comportamental são apenas dois dos muitos exemplos que podemos citar. (Obs: nada contra as áreas científicas, desde que avaliadas pelos seus resultados REAIS, e não por falsas promessas)

Quanto mais esses neo ateus pregam resultados inexistentes, mais perto da tragédia anunciada estamos: a criação de uma cambada de acadêmicos VAGABUNDOS que estarão desestimulados a produzir resultados, pois eles não PRECISAM produzi-los.

É mais fácil mentir e dizer que faz algo do que REALMENTE fazer esse algo.

Em outras palavras: para que lutar pela fama se a fama já vem antes mesmo da luta?

Grande parte das mentiras e falsas promessas ocorre, naturalmente, na área da mente.

Recomendo a leitura de “A Mente Desconhecida”, de John Horgan. O livro é praticamente como se fosse um “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, de Carl Sagan. Enquanto o livro de Sagan focava na investigação e desmascaramento de médiuns e pseudo-cientistas de todo o tipo, o livro de Horgan foca na investigação e demolição das expectativas de algumas pessoas envolvidas com neurociência, psicologia evolutiva, etc… Não é a demolição de todos, mas sim daqueles “profetas da neurociência” ou “profetas da psicologia evolutiva”, que dizem que já SABEMOS a natureza humana. Falso: não há nada disso em neurociência e nem na psicologia evolutiva ainda.

E a tal da Equação Drake?

Na tentativa de provar a existência de vida alienígena, muitos adeptos do neo ateísmo dizem “estamos próximos de descobrir vida alienígena”.

Perguntas: Próximo significa quanto? Conseguem dar uma data? Em uma empresa, uma data é o mínimo que se espera.

É claro que não precisam dar uma data, pois eles NÃO ESTÃO atrás de resultados, e sim de contar historinhas e inventar que produziram mais resultados do que realmente produziram.

Ressaltando: a maior devastação que o neo ateísmo pode causar à ciência é justamente essa. Criar uma geração de picaretas que preferem MENTIR sobre resultados que não existem ao invés de realmente buscar os RESULTADOS REAIS e somente depois disso apresentar.

E o criacionismo?

Vejamos: eu não concordo com o criacionismo, sei que está distante de ser ciência e jamais deveria ser ensinado como alternativa à evolução. Ponto.

Só que os criacionistas vivem procurando defeitos na teoria da evolução, enquanto que alguns neo ateus ESCONDEM quaisquer defeitos que porventura lá existam. Qual a vantagem de esconder os defeitos?

Aliás, e a idéia de que a teoria da evolução serve para explicar o comportamento humano e toda a cultura? Claro que é mais uma mentirinha que os neo ateus adoram divulgar, mas não há um resultado sequer que demonstre essa alegação deles.

Sendo assim, a auditoria que é necessária nesse tipo de pesquisa (evolução) é feita pelos oponentes da teoria e não pelos seus adeptos – principalmente por causa do viés que atualmente envolve tal polêmica.

É por isso que desconfio tanto de “divulgadores de ciência” tanto quanto desconfio de falsários e políticos corruptos, etc…

Ciência é uma área profissional. Profissionais apresentam RESULTADOS.

Não é preciso de propaganda e nem de venda de falsas ilusões.

O resultado é a única propaganda necessária.

Ou será que existe “divulgação de gestão de projetos”, “divulgação de auditoria”, “divulgação de administração”?

Claro que não, pois são áreas em que os RESULTADOS falam por si. Não é preciso nada mais que isso. E o mesmo vale para a ciência. Até hoje não conseguiram apresentar um argumento sequer dizendo por que é preciso existir “divulgação de ciência” mais do que existir “divulgação de gestão de processos” por exemplo.

Em suma, o que se pede é menos enrolation, e mais trabalho!

Isso, claro, se os neo ateus não atrapalharem. Pois ajudar que é bom até agora nada…

Nota Final: Claro que há outros perigos do neo ateísmo, como por exemplo a criação de uma falsa visão do que a ciência é, e ainda o risco de jogar o público mais ignorante contra a ciência (quando os neo ateus fingem que representam a ciência, alguns mais ingênuos podem acreditar que eles REALMENTE a representam). Entretanto, na visão deste blogueiro que vos fala, nada é pior do que ter MENOS resultados do que teríamos por questão de desestímulo dos profissionais.

Escrito por lucianohenrique

dezembro 30, 2009 em 12:01 am

Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 6 – Fugindo dos domínios da ciência: contra o MNI

com 8 comentários

Se na seção anterior (“A Pobreza do Agnosticismo”) Dawkins cometeu erros típicos de um analfabeto funcional, nesta parte ele mantém o baixo nível daquela argumentação.

Então vamos que vamos, ponto a ponto…

O teólogo Alister McGrath faz dessa questão [o agnosticismo totalmente imparcial] o ponto central de seu livro Dawkins’ God: Genes, memes and the origin of life [O Deus de Dawkins: Genes, memes e a origem da vida]. Na verdade, depois de seu resumo admiravelmente justo de minhas obras científicas, este parece ser o único ponto de refutação que ele tem a oferecer: a alegação inegável, mas ignominiosamente fraca, de que não se pode descartar com provas a existência de Deus. Enquanto lia McGrath, uma página atrás da outra, me via anotando “bule” nas margens.

Dawkins usa o seu tradicional argumento histérico, inventando fatos que não existem.

Ele afirma que Alister McGrath teria, em seu livro “O Deus de Dawkins”, a concepção de que não se pode provar a inexistência de Deus como seu “único ponto de refutação”.

Só se Dawkins leu o livro, tampou os ouvidos e começou a cantar “lá lá lá” freneticamente, de forma a fingir que não leu as outras refutações (principalmente refutações às idéias estúpidas como gene egoísta e memética).

É a isso que podemos chamar de argumentação histérica de Dawkins.

Ele edita os fatos, finge que não observa os argumentos e começa uma gritaria na expectativa de que a platéia não perceba que o que ele possui é apenas fricote, mas não a apresentação de um “caso” em si para sua defesa.

Sendo assim, esse primeiro ataque que ele tenta à McGrath torna-se estéril.

Ademais, se Dawkins quis anotar “bule” nas margens do livro de McGrath, isso não se torna um argumento, pois na seção anterior comentada, tal tipo de comparação já mostrou-se completamente refutável.

Portanto, esse tipo de chilique não ajuda a salvar Dawkins. Pelo contrário, o compromete mais ainda.

Depois desse início nada promissor em seu “caso”, ele direciona sua metralhadora giratória (de sandices) para Stephen Jay Gould, que é o seu “alvo” principal nesta seção. Vejam:

“Dizer para todos os meus colegas e pela milionésima vez (de debates universitários até tratados complexos): a ciência simplesmente não é capaz (por seus meios legítimos) de adjudicar a questão da possível superintendência de Deus sobre a natureza. Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas”. Apesar do tom confiante, quase agressivo, da declaração de Gould, qual é, na verdade, sua justificativa? Por que não devemos comentar sobre Deus como cientistas? E por que o bule de Russell, ou o Monstro de Espaguete Voador, não são igualmente imunes ao ceticismo científico?

Quando trata da questão dos Magistérios Não Interferentes, Richard Dawkins realmente se supera.

Provavelmente a questão lhe cause uma confusão mental tamanha àquela causada quando ele trata do agnosticismo. Ele se perde e fica balbuciando palavras nonsense.

Só isso justificaria uma frescurite tão ridícula quanto chamar essa declaração de Stephen Jay Gould como algo “quase agressivo”.

Mas vamos com calma… Isso que Gould escreveu é agressivo por quê? Só por causa do termo “milionénima vez”? Isso aqui é agressividade? Na verdade, não há nada de agressivo nesta declaração de Gould. Absolutamente nada.

Pelo contrário, o argumento de Gould é extremamente racional e focado, justamente o inverso do comportamento de Dawkins.

Para tornar a crise de Dawkins mais constrangedora ainda, ele pergunta: “qual é a justificativa de Gould?”.

Ele nem precisaria de justificativa, pois para a argumentação de Gould ser compreendida como válida basta ESTUDAR o que a ciência realmente é.

Bastaria Gould ter citado os grandes filósofos da ciência, principalmente os mais recentes, como Popper e Lakatos, para compreender o LIMITE da ciência.

Bastaria saber os limites da ciência, portanto, que não é mais do que onde a ciência começa e onde a ciência termina.

Sendo assim, essa não é uma questão do Gould.

É apenas uma abordagem de qualquer pessoa normal e inteligente que tenha conhecimento do que a ciência realmente é.

Essa crítica inicial de Dawkins simplesmente só serve para mostrar que ele é completamente ignorante em relação ao que ciência é.

O que Dawkins tenta implementar não é nada mais que uma variação do cientismo, que defende a idéia de que a ciência tem que cuidar de absolutamente tudo.

E, quando alguém diz que a ciência não adentra determinadas áreas, ele se revolta. Ele se deprime. Para piorar, ele fica histérico. Essa atitude dele não passa de uma grande palhaçada.

É claro que esse sujeito não pode ser levado a sério.

Para concluir, vejam a que nível ele chega: ele pergunta por que o Bule de Russell e o Monstro Espaguete Voador não são igualmente imunes ao ceticismo científico.

O que será que essa figura entende por ceticismo científico? Será que ele nunca assistiu a uma aula de metodologia científica na vida para entender que ceticismo científico é o ceticismo aplicado em questões científicas?

Se uma questão não é científica, então é possível que se aplique à ela o ceticismo, mas aí já não falamos do ceticismo científico.

Eu não sei, e simplesmente não quero saber, de coisas como Bule de Russell e Monstro Espaguete Voador.

Este é um problema do Richard Dawkins, pois é ele que inclui tais terminologias em suas teorizações. Mas jamais este é um problema do leitor dele (a não ser daqueles que o seguem). Cabe a ele definir, tangenciar, delimitar, dissertar sobre o assunto, e se for uma abordagem metafísica, é claro que não está no escopo da ciência.

Portanto, logicamente, não se aplicaria à ela o ceticismo científico.

Curiosamente, Dawkins traz esse tipo de questão à mesa, como se isso supostamente fosse salvar a argumentação dele. Na verdade, isso apenas o compromete.

Resumindo: Dawkins não precisa trazer essas questões (Bule, Espaguete) à mesa. Se ele quiser trazê-las, esse é um problema dele. É a forma que ele irá definir tais questões que dirá se elas são ou não questões científicas. Mas sequer ele consegue dar uma definição razoável delas. Portanto, é inútil Dawkins trazer tais questões.

Mais uma amostra da “mente neo ateísta” vem a seguir:

Como argumentarei daqui a pouco, um universo com um superintendente criativo seria bem diferente de um universo sem esse superintendente. Por que não é uma questão científica?

Isso é obviamente muito esquisito. Com certeza, uma observação dele que beira o ridículo.

Mas que diabos se passa na cabeça de Dawkins? Nota-se que, pela sua pergunta ao final da citação, Dawkins ainda não entendeu o que é ciência.

Vejam bem: Dawkins diz que um universo sem um criador é diferente de um universo com um criador. Isso é evidente.

Assim como uma equação com alguns fatores é diferente de uma equação com outros fatores. Mas isso não torna a questão como científica. Assim como um ser humano com um pensamento X é diferente de um ser humano com um pensamento Y. E de novo, isso não é uma questão científica.

Se Dawkins acha que existir um contexto que é diferente por causa da presença de um outro item torna automaticamente a questão em uma questão científica, a situação dele é mais grave do que eu pensava.

Vamos em frente…

Gould executou a arte de recuar a distâncias incríveis em um de seus livros menos admirados, Pilares do tempo. Ali ele cunhou a sigla MNI para o termo “magistérios não interferentes”: “A rede, ou magistério, da ciência abrange o âmbito empírico: do que o universo é feito (fato) e por que ele funciona desse modo (teoria). O magistério da religião estende-se para questões de significado definitivo e valor moral. Esses dois magistérios não se sobrepõem, nem englobam todas as dúvidas (considere, por exemplo, o magistério da arte e o significado de beleza). Para citar os velhos clichés, a ciência trata das rochas, e a religião da rocha eterna; a ciência estuda como funciona o céu, e a religião, como ir para o céu.” [...] Parece ótimo — até que você pense um instante sobre o assunto. Quais são essas questões definitivas em cuja presença a religião é convidada de honra e a ciência deve respeitosamente se retirar?

Notem o tamanho do absurdo dawkinista. Quer dizer então que Gould recuou a distâncias incríveis? Recuou para onde?

Mas notem só o que Gould disse: “A rede, ou magistério, da ciência abrange o âmbito empírico: do que o universo é feito (fato) e por que ele funciona desse modo (teoria).”.

Essa definição de Gould é impecável em relação ao domínio da ciência, e ela é RESPALDADA pela literatura dos grandes filósofos da ciência.

Quer dizer, Gould não recuou coisíssima nenhuma. É Dawkins quem ampliou exageradamente os domínios da ciência, em sua variação iludida e teen do que é ciência.

É por isso que a “ciência de Dawkins” é aquela que os teens iludidos aprendem com Carl Sagan, e a “ciência de Gould” é aquela que se aprende com os filósofos da ciência. Dawkins segue a escória, e Gould segue a elite. A Academia Nacional de Ciências concorda com Gould, diga-se.

Dawkins talvez não tenha percebido que Gould não só mostrou que há outros magistérios que a ciência não abrange, como também mostrou magistérios que a religião também não trata.

Por exemplo, ele citou o magistério da arte.

A argumentação de Gould é sólida e coesa, e Dawkins simplesmente não apresenta um “caso” contra ela.

Até o momento, por enquanto, Dawkins mais ajuda do que atrapalha Gould.

Dawkins faz o papel de bobo da corte, e Gould o papel de intelectual na história.

Para aumentar o constrangimento, ele ainda questiona “Quais são essas questões para as quais a religião é convidada de honra e a ciência deve se retirar?”.

Mas que lixo de divulgador de ciência é esse? Um sujeito adulto que faz uma pergunta dessas?

O domínio da teologia é o domínio da filosofia, pois a teologia é um BRANCH da filosofia, assim como a epistemologia o é.

Questões filosóficas não são questões científicas, portanto uma questão teológica também não é uma questão científica. E o conhecimento disso é o mínimo que se espera de qualquer pessoa que vá dialogar a respeito de ciência.

E Dawkins mostra que ou não tem esse conhecimento OU finge não ter esse conhecimento.

Em ambos os casos, a atuação dele é embaraçosa.

Mais uma:

Martin Rees, o respeitado astrônomo de Cambridge que já mencionei, começa seu livro Our cosmic habitat propondo duas candidatas a questões definitivas e dando uma resposta compatível com o MNI. “O mistério preeminente é por que afinal qualquer coisa existe. O que insufla a vida nas equações e as atualizou no cosmos real? Essas perguntas vão além da ciência, no entanto: elas são província de filósofos e teólogos.” Eu preferiria dizer que, se elas de fato vão além da ciência, certamente também vão além da província dos teólogos (duvido que os filósofos agradeçam a Martin Rees por ter colocado os teólogos no mesmo saco que eles). Fico tentado a ir mais adiante e questionar em que sentido os teólogos poderiam ter uma província. Ainda me divirto quando me lembro da observação de um ex-Warden (chefe) de minha faculdade, em Oxford. Um jovem teólogo tinha se inscrito para uma bolsa num programa júnior de pesquisa, e sua tese de doutorado sobre a teologia cristã fez o Warden dizer: “Tenho sérias dúvidas se isso chega a ser um objeto de pesquisa”.

Notem que Dawkins prossegue em seu erro, pois ele diz que se algo vai além da ciência, CERTAMENTE (friso no CERTAMENTE) vai além da província dos teólogos.

De novo, ele não conhece os domínios de ambas as áreas em discussão.

Isso pode ser comprovado quando ele diz que DUVIDA que os filósofos “agradeceriam a Martin Rees por ter colocado os teólogos no mesmo saco que eles”.

Não é questão de agradecer ou não, mas os teólogos são filósofos.

Provavelmente, Rees quis fazer a distinção entre “filósofos não-teólogos” e “filófosos teólogos”, mas Dawkins mostrou sua estupidez ao não saber que teólogos SÃO filósofos.

É muito simples de entender: há a filosofia, e dentro dela várias divisões, que incluem, dentre outras, a teologia e a epistemologia. Desta forma, todo teólogo é um filósofo, mas nem todo filósofo é teólogo.

A patetice de Dawkins fica também evidente quando ele diz que “fica tentado” a questionar em que sentido os teólogos poderiam ter uma província.

Mas não é assim que alguém racional argumentaria, e sim dizendo por que os teólogos não deveriam ter uma província. Um suposto desdém de Dawkins não é um argumento, portanto ele não tem nada contra a idéia de que os teólogos possuem SIM uma província.

E patetice por patetice, ele cita um ex-diretor (traduzido erradamente como Warden (chefe) na versão nacional) que usou argumentação semelhante à de Dawkins. Mas e daí? Se o Diretor de Oxford era um estúpido, não adianta citá-lo…

E, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada: ele comete um erro grosseiro ao dizer que a teologia deveria ser questionada quanto ao fato de ser um “objeto de pesquisa”.

Não, não é um objeto de pesquisa, pois ela é o DOMÍNIO DE CONHECIMENTO. Deus, no caso, é o objeto de pesquisa da teologia.

Esse questionamento do ex-Diretor de Oxford é uma amostragem, de novo, de falta de conhecimento e também falta de inteligência.

Seria o mesmo que chamar a ciência de um objeto de pesquisa. Não, ela não é um objeto de pesquisa. Ela é o domínio de conhecimento, que possui objetos de pesquisa.

A bobagem segue:

Que conhecimento os teólogos podem acrescentar a dúvidas cosmológicas profundas que os cientistas não possam? Em outro livro repeti as palavras de um astrônomo de Oxford, que, quando lhe fiz uma dessas perguntas, disse: “Ah, agora vamos para além da esfera da ciência. Neste ponto tenho de ceder a palavra a nosso bom amigo, o capelão”. Não fui sagaz o suficiente para verbalizar a resposta que mais tarde escrevi: “Mas por que o capelão? Por que não o jardineiro ou o cozinheiro?”. Por que os cientistas têm um respeito tão covarde pelas ambições dos teólogos, sobre perguntas que os teólogos certamente não são mais qualificados a responder que os próprios cientistas?

Para começar, Dawkins usa aqui uma estratégia chamada de “argumentação por diminuição”.

Esse tipo de estratégia é coisa de amador, pois raramente funciona.

A estratégia se baseia em encontrar um domínio de conhecimento de um oponente, e diminuí-lo ao máximo, e proferir um monte de frases pejorativas considerando que o domínio de conhecimento é só isso. Aí o argumentador atacaria essa versão diminuída, fingindo que atacou o domínio de conhecimento em si. O problema, é claro, é quando aparece alguém que conhece realmente o domínio de conhecimento, e o picareta é então desmascarado.

Vamos à um exemplo desta técnica: suponha que um sujeito não é gerente de projetos e não conheça muito à respeito, mas, por algum motivo, odeie a gestão de projetos. Daí a pessoa poderá dizer que os gerentes de projetos não passam de “controladores de cronograma”, e, portanto inúteis, pois softwares seriam suficientes para isso. Desta forma, a pessoa abriria o seu “caso” criticando a profissão, em sua versão ‘diminuída”, e diria que ela nem precisaria existir, e daí por diante. Dessa forma, ele poderia usar até a tática de perguntar coisas como: “por que um gerente de projetos, e não o ascensorista, ou a faxineira?”. Tudo lindo e maravilhoso, até o momento em que um gerente de projetos, certificado PMP, tem acesso à argumentação. Daí para frente, este gerente certificado vai esmigalhar a argumentação daquele que tentou diminuir a gestão de projetos. É claro que o sujeito anti-gestão de projetos será desmoralizado e humilhado em público, por também ser ignorante em relação à conceituação de gestão de projetos.

É justamente essa estratégia que Dawkins tentou utilizar acima, e que é inútil, pois qualquer um que conheça os domínios de teologia e ciência sabe que o autor inglês só praticou um fricotezinho, nonsense e infantil.

E justamente por isso que é fácil desmoralizar o “caso” de Dawkins.

Lá vem mais:

[...] se a ciência não pode responder a uma pergunta definitiva, o que faz alguém pensar que a religião possa? Suspeito que nem o astrônomo de Cambridge nem o de Oxford realmente acreditavam que os teólogos tenham um conhecimento especial que lhes permita responder a dúvidas profundas demais para a ciência. Suspeito que os dois astrônomos estavam, mais uma vez, recuando para ser polidos: os teólogos não têm nada de útil a dizer sobre mais nada; vamos jogar um bolinho para eles e deixá-los preocupados com uma ou duas perguntas a que ninguém consegue responder, e talvez jamais conseguirá. Ao contrário de meus amigos astrônomos, não acho nem que devamos jogar um bolinho para eles. Ainda não encontrei nenhum bom motivo para achar que a teologia (diferentemente da história bíblica, da literatura etc.) chegue a ser um objeto de pesquisa.

Aqui é apenas o esperneio tradicional dele, com outras palavras. Basicamente tudo que está neste trecho Dawkins escreveu nos parágrafos anteriores, com alguns pontos novos:

  • 1 – Tentar dizer que teólogos não podem falar sobre útil a respeito de nada
  • 2 – Dizer que teólogos, por não responder dúvidas científicas, seriam inúteis
  • 3 – Tentar ler a mente de dois cosmólogos, para dizer que eles só respeitavam os teólogos da boca para fora
  • 4 – Chamar a teologia de objeto de pesquisa, quando na verdade a teologia não é objeto de pesquisa

Esse parágrafo de Dawkins parece algo escrito por alguém disléxico, e não passa em qualquer exame lógico, mais uma vez.

Vamos em frente, que o parangolé prossegue:

Da mesma maneira também podemos concordar que o direito da ciência de nos dar conselhos sobre valores morais é algo no mínimo problemático. Mas será que Gould realmente quer ceder à religião o direito de nos dizer o que é bom e o que é ruim? O fato de que ela não tem nada mais a contribuir para a sabedoria humana não é razão para dar à religião uma permissão total para nos dizer o que fazer. E qual religião? Aquela sob a qual por acaso fomos criados? A qual capítulo, então, de qual livro da Bíblia devemos recorrer? Pois eles estão longe de ser unânimes e alguns deles são horrendos, por qualquer padrão racional. Quantos literalistas leram o suficiente da Bíblia para saber que ela prescreve a pena de morte para o adultério, por recolher gravetos no dia de descanso e por ser insolente com os pais? Se rejeitarmos o Deuteronômio e o Levítico (como fazem todas as pessoas modernas e esclarecidas), por quais critérios devemos decidir quais valores morais da religião devemos aceitar? Ou devemos vasculhar todas as religiões do mundo até encontrar uma cujos ensi-namentos morais nos sejam adequados? Se for assim, devemos perguntar novamente, por quais critérios vamos escolher? E, se tivermos critérios independentes para escolher entre as moralidades religiosas, por que não eliminar os intermediários e ir direto à escolha moral sem a religião?

A primeira coisa lúcida que Dawkins escreveu em toda a seção foi a frase “o direito da ciência dar conselhos sobre valores morais é algo no mínimo problemático”. Essa é a única coisa que ele acertou, pois daí por diante de novo é só besteira.

O fato é que a teologia, como um ramo da filosofia, pode sim discutir juízos de valor, já que é nesse domínio de conhecimento que os valores morais são discutidos.

Logo, se a religião é uma das formas de se definir o que é bom ou ruim (quem quiser usar a lógica de Epicuro, pode fazê-lo também, mas nenhuma sociedade será construída sob tais princípios), não é Dawkins que irá impedi-la disso SEM ANTES apresentar ao menos um argumento decente em favor de seu “caso”.

Infelizmente, para Dawkins, ele apenas pratica “desabafos” contra a importância justa que é dada a religião na discussão de assuntos morais.

Em relação à questão de “qual religião”, é uma pergunta que não faz sentido, pois as três grandes religiões abrahâmicas compartilham dos mesmos ideais morais, sendo diferenciadas apenas em dogmas específicos, mas não na base moral.

Se Dawkins tentou “criar confusão” entre religiões diferentes (usando uma técnica que pode ser chamada de “dividir para conquistar”) não é com esse estratagema que ele conseguirá sequer pontuar.

Mas é evidente também que Dawkins está um pouco perdido neste parágrafo, pois do nada começa a dizer que alguns capítulos da Bíblia são “horrendos”, o que não passa de um apelo emocional barato, já comentado anteriormente aqui.

Por exemplo: ninguém em sã consciência acha que a Bíblia prescreva a pena de morte por adultério, mas Dawkins assim o acha.

Assim como ninguém lúcido rejeitaria o Deuteronômio e o Levítico, mas simplesmente os interpretam como adultos. Claro que a interpretação de Dawkins é patética, mas não implica que alguém deva rejeitar tais capítulos da Bíblia.

A choradeira de Dawkins é apenas isso, uma choradeira, mas não uma argumentação, e de novo não configura um “caso” contra a religião.

E não deixa de ser ironicamente divertido (uma diversão sádica até) notar que ele finaliza o parágrafo sugerindo “critérios independentes” e ir à “escolha moral sem a religião”. O problema é que tais grupos, como neo ateus, gayzistas ou comunistas militantes, não são os maiores “especialistas” em discussão ou divulgação de qualquer senso moral.

Muitos ateus possuem realmente um senso moral, mas só por que aprenderam ele com a religião.

De qualquer forma, Dawkins não consegue apresentar um caso contra a religião, mas ele tentará de novo no Capítulo 7, e, quando for o momento da refutação às diversas seções do capítulo 7, o esmagarei mais profundamente.

A seguir, Dawkins tenta ler a mente de Gould:

Simplesmente não acredito que Gould possa ter querido dizer mesmo boa parte do que escreveu em Pilares do tempo. Como costumo dizer, todos nós já recuamos de nossas posições para ser gentis com um adversário pouco merecedor mas mais poderoso, e só posso imaginar que era isso que Gould estava fazendo. É concebível que ele tenha tido mesmo a intenção de fazer sua declaração inequivocamente contundente de que a ciência não tem nada a dizer sobre a dúvida a respeito da existência de Deus: “Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas”. Isso soa como o agnosticismo do tipo permanente e irrevogável, o APP em sua plenitude. Implica que a ciência não pode nem fazer juízos de probabilidade sobre a questão. Essa falácia extraordinariamente disseminada — muitos a repetem como um mantra, mas suspeito que poucos pensaram bem sobre ela — personifica o que chamo de “a pobreza do agnosticismo”.

De novo, Dawkins tenta dizer que Gould recuou, quando na verdade, ele apenas foi racional e lúcido ao falar de ciência.

O problema é que Dawkins é o irracional na história, criando uma visão de ciência expandida, somente aceitável com a aceitação do cientismo, ou cientificismo, que são ridicularizáveis por natureza e nem sequer defendidos pela comunidade científica.

Dawkins também critica a afirmação de Gould ao dizer que a ciência não tem nada a dizer a respeito da dúvida sobre a existência de Deus. Novamente, Gould é impecável, enquanto Dawkins é patético.

Dúvidas como “há um Deus?” ou “as leis científicas valem por todo o universo?” não estão no domínio da ciência.

São axiomas, e Dawkins erra ao tratá-los como hipóteses, o que é mais um sintoma de sua falta de inteligência.

E, se não são questões científicas, passíveis de serem tratadas como hipóteses científicas, então cientificamente não é possível que se faça juízos de probabilidades a respeito deles.

Um exemplo disso é a situação terrivemente constrangedora que Richard Dawkins passou quando Ben Stein, do documentário “Expelled”, o questionou a respeito da probabilidade para a inexistência de Deus. Dawkins, tenso, nem sequer conseguiu dar um número calculado para a probabilidade.

Como será demonstrado na refutação ao capítulo 4, se Dawkins trata cientificamente de um Deus (para o qual define que há alta probabilidade dele não existir), esse é um Deus que Dawkins inventou, mas não o Deus dos religiosos.

De qualquer forma, não há falácia alguma cometida por Gould, apenas uma evidente falta de capacidade de Dawkins para entender a argumentação dele.

Mais ladainhas de Dawkins sobre Gould:

Gould, aliás, não era um agnóstico imparcial, mas tinha fortes inclinações para o ateísmo de facto. Com que fundamento ele fez esse juízo, se não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus?

Mas isso é de novo extremamente revelador. Dawkins questiona a opção de Gould pelo ateísmo, dizendo que não haveria fundamento para esse juízo SE NÃO HÁ NADA A SER DITO sobre existência ou inexistência de Deus. De novo, isso parece argumentação de disléxico da parte de Dawkins, pois notem a diferença:

  • (A) Uma coisa é dizer que não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus
  • (B) Outra coisa é dizer que não há nada a ser dito cientificamente sobre a existência ou inexistência de Deus
  • (C) Só que (A) pode ser uma questão filosófica
  • (D) Portanto alguém pode tentar justificar ateísmo um teísmo usando-se da abordagem (C)
  • (E) A abordagem (B) é inviável, estúpida e irracional, somente praticadas por mentes fracas como as de Richard Dawkins.

Simples assim.

Agora, Dawkins focará no teólogo Richard Swinburne (estranho é o fato dele escolher especificamente Swinburne, e não outros):

Richard Swinburne, um dos principais teólogos da Grã-Bretanha, é surpreendentemente claro sobre o assunto em seu livro Is there a God? [Será que Deus existe?]: “O que os teístas afirmam sobre Deus é que ele tem o poder de criar, conservar ou aniquilar qualquer coisa, seja grande ou pequena. E ele também pode fazer objetos se moverem ou fazerem qualquer outra coisa [...] Ele consegue fazer os planetas se moverem do modo como Kepler descobriu que eles se movem, ou fazer a pólvora explodir quando a acendemos com um fósforo; ou ele pode fazer os planetas se moverem de formas bem diferentes, e as substâncias químicas explodirem ou não explodirem sob condições bem diferentes daquelas que hoje governam seu comportamento. Deus não é limitado pelas leis da natureza; ele as faz e pode mudá-las ou suspendê-las — se quiser.” Fácil, não? O que quer que isso seja, está bem longe do MNI. E, por mais que eles digam outras coisas, os cientistas que se alistam na escola de pensamento dos “magistérios separados” deveriam admitir que um universo com um criador sobrenaturalmente inteligente é um universo muito diverso daquele sem esse criador. A diferença entre os dois universos hipotéticos dificilmente seria mais fundamental em princípio, apesar de não ser fácil testá-la na prática. E ela derruba o dito complacente e sedutor de que a ciência deve ficar totalmente quieta sobre a alegação central da religião sobre a existência. A presença ou ausência de uma superinteligência criativa é indiscutivelmente uma dúvida científica, embora na prática ela não seja — ou ainda não seja — uma dúvida resolvida.

Segundo Dawkins, a afirmação de Swinburne e a forma como ele descreve a presença de Deus, mostraria que ele estaria distante do MNI.

Como sempre, Dawkins está errado.

Vamos dar um exemplo: uma lei física pura e simplesmente fala sobre o seu funcionamento, em determinadas condições. A lei física em si não legisla sobre a possibilidade de um contexto em que ela não valha, ou até uma exceção à sua aplicação. Mais: a lei física em si não diz nada a respeito de sua origem.

Se alguém disser que no Big Bang foi Deus que definiu como uma lei surgida lá funcionaria, ou qualquer outro fator, isso de forma alguma entraria em conflito com a lei científica em questão.

Isso é puramente uma questão de lógica, outro quesito no qual Dawkins chafurda em todas as situações.

Se o universo seria diferente com um criador ou sem um criador, desde que não se REDEFINAM as leis científicas, não há interferência alguma no domínio da ciência.

Notem, de novo, ao final do parágrafo, como Dawkins afirma que a questão da existência de Deus é uma “dúvida científica” (ele ainda afirma “indiscutivelmente”), mas não apresenta um argumento a respeito disso.

Na verdade, ele tentará algo assim, a seguir, falando de milagres, mas essa argumentação dele é inválida.

No geral, Dawkins apenas quer tratar da questão de Deus cientificamente. Mas utiliza-se apenas de falácia do wishful thinking e principalmente o ad nauseam para isso.

Vejam:

O mesmo vale para a veracidade ou para a falsidade de cada uma das histórias sobre milagres que as religiões usam para impressionar multidões de fiéis. Jesus teve um pai humano, ou sua mãe era virgem na época de seu nascimento? Existam ou não provas suficientes para decidir, trata-se de uma pergunta estritamente científica com uma resposta definida por princípio: sim ou não. Jesus ressuscitou Lázaro de entre os mortos? Voltou ele mesmo à vida, três dias depois de ser crucificado? Há uma resposta para cada pergunta dessas, possamos ou não descobri-la na prática, e é uma resposta estritamente científica. Os métodos que deveríamos usar para solucionar a questão, na improvável hipótese de provas relevantes um dia se tornarem disponíveis, seriam métodos pura e inteiramente científicos.

De novo, Dawkins apela ao ad nauseam (“existam ou não provas suficientes para decidir, trata-se de uma pergunta estritamente científica”).

Mas que raio de argumentação é essa? Será que Dawkins quer que fiquemos com pena dele e aceitemos o argumento dele somente por sua insistência? Lamentável.

O fato é que os milagres em si não violam nenhuma lei científica, pois simplesmente baseiam-se na suspensão destas leis ou algo não explicado por tais leis.

Um exemplo é a singularidade. Ela não é um milagre, mas também não se explica o que ocorria na singularidade por qualquer lei científica.

Se a argumentação de Dawkins estivesse correta, o Big Bang entraria em conflito com a própria ciência. O que é no mínimo risível.

Dawkins ainda comete o erro de afirmar que há a “improvável hipóteses de provas relevantes um dia se tornarem disponíveis”.

Mas que coisa hein: quer dizer, não há nem provas a serem analisadas, e Dawkins já decidiu que a questão é científica, e, nessa questão, a ciência negaria a Bíblia.

Claro que não passa de pura enrolação dawkinista, e que não consegue provar que os milagres entrariam em conflito com a ciência.

Dawkins prossegue no erro:

Para representar a tese, imagine que, por algum conjunto incrível de circunstâncias, peritos em arqueologia desencavassem evidências de DNA mostrando que Jesus realmente não teve um pai biológico. Você consegue imaginar os apologistas religiosos dando de ombros e dizendo qualquer coisa remotamente parecida com: “E daí? Provas científicas são completamente irrelevantes para as questões teológicas. Magistério errado! Só estamos preocupados com as perguntas definitivas e com os valores morais. Nem o DNA nem alguma outra prova científica pode ter qualquer peso na questão, seja para um lado, seja para o outro”?

Ele tenta ler a mente dos religiosos na hipotética (mas improvável, segundo ele próprio reconhece) da descoberta de evidência de DNA de Jesus.

Ou seja, a argumentação de Dawkins é natimorta, quando ele próprio admite a improbabilidade de sua situação.

E como ele tentou a leitura mental, mais um motivo para descartar a argumentação dele.

O pior é que ele reconhece é que a própria idéia dele é patética:

A própria idéia é uma piada. Você pode apostar as calças que a prova científica, se aparecesse alguma, seria agarrada e trombeteada para o mundo inteiro. O MNI só tem popularidade porque não há prova a favor da Hipótese de que Deus Existe. No momento em que houver a mínima sugestão de qualquer prova a favor da crença religiosa, os apologistas da religião não perderão tempo em defenestrar o MNI.

Pura besteira, as provas científicas são irrelevantes nesta questão, pois a questão não é científica.

Além do mais, Dawkins afirma que o MNI só é popular por que não há evidências a favor da Hipótese de existência de Deus.

Claro que não há, pois Deus não é uma hipótese, é um princípio, ao qual se chegou racionalmente.

Dawkins nem sequer prova que esse é o suposto MOTIVO pelo qual o MNI é tão popular…

Mais patético é o seguinte: “no momento em que houver a mínima sugestão de qualquer prova a favor da crença, os apologistas da religião não perderão tempo em defenestrar o MNI”.

Dawkins é realmente insano, pois se isso realmente ocorresse (as provas científicas na questão religiosa), ai o MNI seria desnecessário. Mas para que isso ocorresse, seria necessário que o cientismo fosse válido, conforme os positivistas lógicos queriam que fosse. Mas ele não é.

Portanto, a argumentação de Dawkins é mais ou menos como “Se tua mãe fosse homem, ela não seria tua mãe, e sim teu pai”.

Mais um show de filosofia de botequim dele, que só serve para diversão nossa.

Lá vem mais:

Tirando os teólogos sofisticados (e até eles adoram contar histórias sobre milagres aos não sofisticados para inflar congregações), suspeito que os supostos milagres são a razão mais forte que muitos crentes têm para sua fé; e milagres, por definição, violam os princípios da ciência.

Errado! Em momento algum Dawkins mostrou que milagres, por definição, violariam os princípios da ciência. Pelo contrário, os milagres só violariam os princípios da ciência se estes fossem absolutamente verificáveis.

Só que a própria definição de ciência implica que leis científicas e teorias são empiricamente inverificáveis universalmente, portanto violações destas leis são perfeitamente possíveis.

É possível até que algum cético quanto aos milagres possa argumentar que os milagres possam, no futuro, serem explicados cientificamente, ou as situações em que eles ocorreram também possam.

Mas isso não os torna conflitantes com nenhuma lei científica, pois nenhuma delas é prescritiva em aspectos universais e nem proíbem exceções.

Simplesmente, os milagres não são da alçada, atualmente, da ciência.

Chora, neném Dawkins, chora…

Se confrontado com histórias de milagres, Gould provavelmente replicaria na linha da explicação que se segue. O grande ponto do MNI é que ele é uma barganha de duas vias. No momento em que a religião pisa no terreno da ciência e começa a bagunçar o mundo real com milagres, ela deixa de ser religião no sentido que Gould defende, e sua amicabilis concordia é rompida. Perceba, porém, que a religião sem milagres defendida por Gould não seria reconhecida pela maioria dos teístas praticantes nos bancos de igreja ou nos tapetes de oração. Seria, na verdade, uma grande decepção para eles.

De novo essa conversa?

Dawkins tenta torcer e retorcer os milagres para tentar, com a sensação de se raspar o fundo do tacho, tentar achar algum conflito entre ciência e religião, mas os milagres, conforme já demonstrei, não estão entre esses conflitos, pela própria definição do que é uma lei científica ou teoria científica.

Para aterrorizar Dawkins ainda mais, a religião católica fala da maioria dos milagres como ocorridos na época em que a Bíblia fora escrita, portanto não se sabe muito sobre as condições climáticas ou fatores daquela época.

É possível que os milagres tenham ocorrido, e isso não implica que nenhuma teoria científica tenha que ser inválida, e justamente por isso não há conflito algum.

O argumento de Dawkins afirma que a religião deveria se abster dos milagres, para não haver quebra dos limites do MNI. Não, não precisa. Dawkins precisa parar apenas de expandir a definição de ciência, largar o cientismo (que é coisa de criança) e aprender o que ciência realmente é.

E, quando não consegue pontuar, Dawkins tenta apelar para a mentira deslavada:

Existem atletas que acreditam que Deus os ajuda a ganhar — derrotando adversários que, à primeira vista, não seriam menos merecedores de tal favorecimento. [...] Esse estilo de teísmo é vergonhosamente disseminado, e dificilmente será afetado por qualquer coisa tão (superficialmente) racional quanto o MNI.

É mole ou quer mais?

Dawkins agora inventa que os atletas religiosos ao agradecerem por uma vitória estão achando que Deus favoreceu ele perante o outro time. Claro que essa idéia de Dawkins é uma idéia de jerico.

Aprenda, Dawkins: quando um atleta agradece aos céus por algum resultado, ele normalmente está louvando o seu alinhamento com Deus, e não a vitória em si.

Pode ser que, no momento da vitória, ele faça uma prece de agradecimento, mas não por motivos torpes como o de “decidir um jogo em favor do outro”. Portanto, o argumento de Dawkins é no mínimo inútil.

Ademais, Dawkins afirma que o MNI é (superficialmente) racional. Não, ele é completamente racional. Ao contrário de Dawkins, nem um pouco racional.

Lá vem a conclusão, como sempre, completamente desastrosa:

[...] sugiro que mesmo um Deus não intervencionista, um Deus MNI, embora menos violento e desajeitado que um Deus abraâmico, ainda seja, quando se olha para ele com honestidade, uma hipótese científica. Retomo a questão: um universo em que estamos sozinhos, com exceção de outras inteligências de evolução lenta, é um universo muito diferente daquele com um agente orientador original cujo design inteligente seja responsável por sua existência. Admito que na prática pode não ser fácil distinguir um tipo de universo do outro. Mesmo assim, há algo de enormemente especial na hipótese do design definitivo, e igualmente especial na única alternativa conhecida: a evolução gradativa no sentido mais amplo. Elas são quase irreconciliavelmente diferentes. Como nada mais no mundo, a evolução realmente dá uma explicação para a existência de entidades cuja improbabilidade as descartaria, para todos os fins práticos. E a conclusão da discussão, como mostrarei no capítulo 4, é quase definitivamente fatal para a Hipótese de que Deus Existe.

Aqui no máximo é um resumão de todas as besteiras que ele escreveu nessa seção, dizendo que Deus é hipótese científica (coisa que ele não comprovou ser), e dizendo que um universo com um designer é diferente de um universo com designer. Portanto, para ele, isso torna a questão científica.

É, eu avisei, o sujeito não escreve coisa com coisa.

Ele de novo também diz que nessa hipótese do design, Deus tem que fazer parte do processo de evolução gradativa (ou seja, é o eterno ad nauseam dele, em que ele comprova que inventou um Deus para criticá-lo).

Eu já mostrei várias vezes a que a tal “conclusão quase definitivamente fatal”, que Dawkins proclama, é apenas sintoma de sua parca formação filosófica e ingenuidade brutal.

Mas, como relembrar é viver, de novo relembro como William Lane Craig esmagou facilmente tal argumentação de Dawkins.

Mais uma evidência de que Dawkins, perto de Gould, não significa nada.

Escrito por lucianohenrique

novembro 29, 2009 em 4:46 am

A ignorância quanto ao âmbito da ciência

com 9 comentários

Ignorância essa que pode ser notada no discurso de Ludwig, do blog Que Treta.

Que o blog Que Treta é um lugar de pessoas que odeiam este blog, isso não é novidade. O que me surpreende, no entanto, é que o proprietário de lá possui um raciocínio de ostra.

Acreditem se quiser: recentemente vários comentaristas neo ateus surgiram aqui (embora fossem todos fakes de uma pessoa só) sugerindo que eu deveria “invejar” o proprietário daquele blog pelo fato dele dar aulas de Inteligência Artificial e por ir moderar um debate sobre Darwin.

Não obrigado, eu não tenho interesse em nenhuma dessas atividades, e aparentemente não pagam bem.

Vamos, portanto, ao que eu tenho interesse, que é refutar argumentos ruins dessa patuléia.

Esse artigo de Ludwig, entitulado “O Âmbito da Ciência” parece ter sido feito para homenagear a gente como Carl Sagan e Richard Dawkins, pois é uma mistureba do discurso dos dois. Um pouco mais esquizofrênico, um pouco mais ingênuo, mas, ainda assim, é um clone da argumentação da dupla.

Vamos lá…

É certo que algumas perguntas (ainda?) estão fora do âmbito da ciência. “O que é o bem?”, por exemplo. Mas isto não se deve a um limite arbitrário de jurisdições. Não é pelas regras do jogo. Deve-se apenas à falta de critérios para distinguir respostas certas e respostas erradas. Isto já aconteceu com muitas perguntas que hoje consideramos científicas, da composição do Sol à origem das espécies, e que estiveram na filosofia até se descobrir como avaliar as respostas. Se há quinhentos anos atrás disséssemos a um filósofo que o universo tem treze mil milhões de anos de idade ele ficava na mesma porque não tinha forma de testar essa hipótese. Nesse tempo só se podia discutir estas coisas com argumentos e especulação, e só mais tarde foi possível começar a testar hipóteses. Só então essas perguntas passaram a ser científicas.

Ele começa até questionando (“ainda?”) a idéia de que algumas perguntas estariam fora do âmbito da ciência.

Detalhe: a idéia de que TODAS as perguntas, e subsequentes respostas, estão dentro do âmbito da ciência é o cientismo.

Ronald Dworkin já havia afirmado, em 2006, na The New York Review, sobre o cientismo, que  “defende que não existe nada que não possa ser medido e explicado por métodos das ciências físicas e biológicas, de maneira que amor, beleza, bondade e liberdade devem ser ilusões. O cientismo é, de facto, dogmático”.

O que o Ludwig faz em seu discurso? Ele simplesmente adota o cientismo, e trata todos os temas como se o cientismo fosse VÁLIDO.

Detalhe que o cientismo nem sequer é apoiado pela Academia Nacional de Ciências, conforme mostrei aqui mesmo neste blog.

O cientismo é mais para mentes fracas, sugestionáveis e que tendem ao fanatismo, como Ludwig.

O fanatismo, aliás, que ele tenta justificar, mas só se engasga.

Notem por exemplo quando ele diz que há quinhentos anos atrás, um filósofo não poderia conceber que o universo teria 13.7 bilhões de anos, mas hoje pode.

Essa é uma falácia tosca e grosseira. Não passa de uma falácia da esperança, pois se algo era impossível, mas hoje é, na visão dele tudo que é impossível hoje, um dia não será. E, portanto, o cientismo estaria justificado.

Obviamente que o argumento dele é natimorto.

A cereja do bolo vem abaixo:

Mas não há respostas fora do âmbito da ciência. A ciência não responde a algo como “o que é o bem?” por não se conseguir distinguir a resposta correcta das incorrectas. Mas, precisamente por isso, rejeita como infundada qualquer resposta a esta pergunta. Se dissermos que o bem é justiça, liberdade, amor ou um pastel de nata, a ciência vai dizer que não se justifica declarar uma destas alternativas como mais correcta que as outras. A mesma falta de critérios que põe a pergunta fora do âmbito da ciência leva a ciência a rejeitar a resposta como infundada.

E não é que ele confirmou o cientismo?

Simplesmente ao usar a frase “Não há respostas fora do âmbito da ciência” ele entregou o ouro.

Detalhe que o cientismo é uma coisa tão estúpida que só é aceitável para pessoas de no máximo 13 anos de idade. Tipo aquele pessoal que assistiu o programa “Cosmos” e ficou deslumbrado, mas que na verdade não conhece a realidade da ciência. Na verdade, é ciência para a criançada.

O mais engraçado é quando ele escreve o seguinte: “Se dissermos que o bem é justiça, liberdade, amor ou um pastel de nata, a ciência vai dizer que não se justifica declarar uma destas alternativas como mais correcta que as outras”.

Mas quem disse para esse bocó de mola que a opinião da ciência aqui sequer é útil?

A ciência simplesmente NÃO TEM NADA A DIZER sobre o assunto.

E se ele diz que “a ciência rejeita” (o que duvido, pois nada do que Ludwig fala sobre ciência é realmente válido, pois ele não a conhece), isso também não significaria nada, justamente por estar fora do âmbito da ciência.

O pior é que ele nem descobriu ainda que a resposta para a ciência, ou seja, a justificação da ciência, nem é dada pela ciência, e sim por uma área SUPERIOR à ela, que é a epistemologia.

Se bem que eu acho que ele iria se debater histericamente diante dessa afirmação minha, que apenas é orientada pela lógica.

Mas notem só a ladainha dele:

Infelizmente, destas premissas correctas – que a ciência não responde a tudo e que há perguntas fora do âmbito da ciência – infere-se erradamente que se pode responder fora do âmbito da ciência sem contradizer a ciência. Este erro deve-se à confusão entre a hipótese como pergunta, por exemplo “será que o bem é justiça?”, e a hipótese apresentada como uma resposta ou afirmação: “o bem é a justiça.” Porque qualquer afirmação factual cai numa de três categorias. Se há evidências que a favorecem em detrimento das alternativas, justifica-se aceitá-la como verdadeira. Se as evidências suportam melhor uma alternativa, deve-se rejeitar a hipótese em favor dessa outra. E se não há dados que distingam as alternativas não se deve defender nenhuma como mais correcta que as outras. Por isso, à pergunta “será que o bem é justiça?” a ciência não pode responder nem sim nem não porque não tem um critério objectivo para avaliar estas respostas. Mas a afirmação “o bem é justiça” a ciência pode classificar: é uma afirmação para a qual não há evidências e que, enquanto afirmação sobre os factos, não deve ser considerada mais verdadeira que as alternativas.

Errou, mas errou FEIO!

Eu avisei que isso de professor maluquinho de inteligência artificial, que FINGE ser divulgador de ciência, uma hora ia dar merda…

Acho que a ciência não vai gostar de ver o Ludwig escrevendo tanta bobagem sobre ela.

Ele faz todo um discursinho clichê tentando tratar a questão “será que o bem é justiça?” como uma HIPÓTESE CIENTÍFICA (de novo, o mesmo estratagema que ele aprendeu com Dawkins), sem sequer demonstrar epistemologicamente por que essa deveria ser uma questão científica.

Só depois disso é que ele poderia partir para a argumentação seguinte.

E, se ele não fez isso, é sinal de que ele tem muito ainda o que aprender sobre metodologia científica.

Regra básica: não se inicia um estudo, sem antes definir o escopo do estudo, e a justificativa para ele. Detalhe: o domínio em questão também deverá ser definido.

Ele não fez absolutamente nada disso.

Usou apenas uma retórica barata dawkinista, mas não passou pelo estágio inicial e fundamental, que é definir a questão como científica.

Daí ele conclui que a afirmação resultante (“o bem é justiça”) é uma afirmação para a qual não há evidências. E, segundo ele, não deve ser considerada mais verdadeira que as alternativas.

Ué, como então ele pode validar o discurso neo ateu de que a religião é má? Se ele nem sequer definiu o bem CIENTIFICAMENTE?

Esse é apenas um dos tiros no próprio pé que ele dá.

Se ele usar o discurso baseado no cientismo, não há validade para mais praticamente nada em âmbitos morais, e nem para a própria ciência. O que, é claro, algo resultante da idéia de jerico dele.

E ele não larga o osso:

Perguntar sobre as intenções de deus, a natureza da alma ou se usar o preservativo vai contra o dom-de-si-mesmo do Amor enquanto tal é pouco interessante. Tal como a pergunta “poderá ter havido alguma intervenção sobrenatural na evolução humana?”, estão fora do âmbito da ciência. Podem ser discutidas por filósofos, teólogos ou qualquer pessoa à espera de vez no barbeiro mas não há forma de lhes identificar a resposta certa. Por isso não é de esperar qualquer conclusão.

Notem de onde ele tirou que as questões não são interessantes. Simples: da vontade dele.

Observem o nível do texto argumentativo do sujeito. “Ah, não isso interessante discutir isso”.

Obviamente que não serve como argumento.

Aí, é claro, de novo ele parte para o clichê aprendido com Dawkins e afirma que as questões podem ser discutidas por filósofos, teólogos, ou qualquer um, mas as conclusões seriam inúteis.

O argumento é mais ou menos assim

  • (p1) Só há respostas na ciência
  • (p2) Teólogos e filósofos podem discutir algo
  • (p3) Teólogos e filósofos não são da ciência
  • (c) Teólogos e filósofos não chegam a qualquer resposta

É mole?

Quem diria que, há poucos meses do ano 2010, após várias décadas em que o positivismo foi para a vala, eu veria um argumento assim?

É claro que esse sujeito não é bom da bola.

Não dá para qualificar a argumentação dele senão uma insanidade generalizada que beira a esquizofrenia.

E ele não pode alegar que é erro de digitação, pois ele se repete. Vejam:

Mas se, por um lado, é fácil inventar perguntas que a ciência não consegue responder, por outro lado isto não permite defender qualquer disparate alegando que está fora da ciência. A física não consegue responder à pergunta “há duendes invisíveis a manipular a interacção de partículas?” porque não tem forma de determinar se sim ou se não. Mas se afirmarmos que a física de partículas precisa de considerar os duendes invisíveis para que seja duendologicamente correcta, a física pode, e deve, rejeitar esta hipótese como infundada porque nada justifica este acréscimo aos modelos que temos. E dizer que a duendologia sai do âmbito da ciência não adianta de nada.

O sujeito é definivamente maluco. Podem meter a camisa de força nele.

Notem o tamanho da megalomania.

Primeiro ele se diz um “representante da ciência”.

Não que ninguém tenha nomeado ele, mas, feito doidinho de feira, se acha um “representante da ciência”.

Segundo: bradando este cargo, ele começa a definir coisas como “é da ciência” ou “não é da ciência”, e usa o cientismo para dizer que a ciência deve responder a tudo. E, segundo ele, não há respostas fora da ciência (esse mantra ele repete ad nauseam).

Como megalomania pouca é bobagem, ele diz que as pessoas procuram fazer perguntas para que a ciência não responda.

Mas como pode ser louco a esse ponto?

Será que ele não estudou ciência e suas origens para saber que a ciência, quando surgiu, e até hoje, tinha um ESCOPO DEFINIDO? Portanto não é preciso fazer uma pergunta que a ciência não responda, é simplesmente preciso fazer uma pergunta e ESTUDAR o âmbito em que ela será respondida. Será que ele fugiu tanto da realidade que acha que antes de fazer uma pergunta alguém deve pensar “será que a ciência responde ou não?”. A postura dele é injustificável.

Para variar, resta o discurso infantilóide, ao final, que não surpreende nesse tipo de mentalidade obtusa.

A pérola-mor vem ao final:

É isto que acontece com a teoria da evolução e a teologia católica. As perguntas por deuses e almas são teológicas e estão fora da ciência. Mas as respostas já não. Ao afirmar que «a emergência dos primeiros membros da espécie humana representa um acontecimento que não é susceptível de uma explicação puramente natural», os teólogos caem no meio da ciência, que avalia todas as afirmações acerca da realidade à luz das evidências. E esta afirmação a ciência rejeita por razões perfeitamente científicas: não há nada de especial na nossa espécie que exija colar um apêndice de sobrenatural à teoria da evolução. A teoria está bem como está e a alma do Homo erectus faz tanta falta como os duendes das partículas.

Só posso chamar isso aqui de OANI = Objeto Argumentativo Não Identificado.

Ao Ludwig: ô burrinho, vá estudar lógica!

Se a questão está fora do âmbito da ciência, a única resposta seria a seguinte: “não dá para dizer cientificamente nada a respeito de algo sobrenatural relacionado à alma do Homo Erectus”.

Isso é TOTALMENTE DIFERENTE de dizer que há um conflito com a teoria da evolução.

Não faz o menor sentido essa argumentação de Ludwig: é aquele “conflito” que existe só por não estar no escopo da teoria da evolução (!!!).

A teoria da evolução “está bem como está”, como ele diz, mas a teoria SÓ FALA dos aspectos físicos básicos. E nem sequer versa sobre a consciência humana.

A teoria da evolução simplesmente NÃO FALA NADA DISSO.

Justamente por isso que qualquer declaração sobre a alma humana, e o motivo pelo qual os seres humanos possuem uma consciência avançada (e nenhuma outra espécie possui), não estão no âmbito da teoria da evolução. E nem do âmbito da ciência.

Isso mostra que Ludwig tem sérias dificuldades. Ele não só é ignorante quanto à metodologia científica e epistemologia, como também é ignorante em relação à ciência em geral. E, como não poderia deixar de ser, é ignorante quanto à teoria da evolução.

É melhor que ele continue dando aula de Inteligência Artificial.

Para falar de ciência ele não serve…

Escrito por lucianohenrique

novembro 23, 2009 em 12:10 am

Seguidores de Dawkins postando feito chimpanzés

com 19 comentários

chimpanzés

Uma das coisas que gosto no WordPress é que as estatísticas do site me permitem ver de onde surgem os cliques para este site.

O mais curioso hoje foi notar 45 cliques oriundos de um ÚNICO ENDEREÇO: a comunidade “Richard Dawkins Brasil”, no Orkut.

Eis que cliquei lá e fui notar as ladainhas deles contra este site, todas iniciadas desde ontem.

No mínimo umas 10 a 12 mulinhas de Dawkins (que postam com o instinto, e não a razão, parecendo até um bando de chimpanzés perante o teclado) postaram seus desabafos contra este blog, mas NENHUM com argumentos contra os textos escritos aqui.

Abaixo os esperneadores mais engraçados.

Começando com Dih. B:

[...] ultimamente para alguem conseguir atenção, só precisa chegar ao público e mencionar o nome do biólogo. Principalmente se o assunto for: “refutando Dawkins!” Isso atrai muitos holofotes.

Notem que aqui a anta nem entrou no mérito do argumento. No máximo tentou uma Leitura Mental, para tentar “adivinhar” (e ainda errou) o objetivo deste blog. Segundo ele, seria “chamar a atenção”.

Mas vamos supor que fosse… no que isso afetaria os argumentos daqui no que diz respeito à consistência ou aderência à lógica? Resposta: Nada.

E ele não refutou um argumento sequer.

A seguir, vem um dos espécimes de ateus mais divertidos: o ateu comunista. Um exemplo deles é este que atende pelo nome de Fernando (Deslock).

Lá vai a choradeira:

Ele [Luciano] em primeiro lugar, para refurtar (sic) por completo a obra de Dawkins, o cara tem que ter formação científica, o que duvido muito [...] Em segundo lugar, mesmo que o cara tenha formação científica e conseguir refurtar (sic) Dawkins, o público dele será somente os evangélicos que realmente se importam em ser argumentativos pelo criacionismo, pois tem uma boa parte deles que nem se importam com os debates, ficam só no meio deles e acabou. Então refaço a pergunta: que impacto terá? [...] Em relação aos 3 maiores pensadores segundo a revista [Prospect], ele julga que só pelo fato que a revista não presta SEGUNDO A OPINIÃO DO MESMO os demais também não são relevantes… Se falarem que as criticas de Diogo Maynard são relevantes e inteligentes vou considerar que Taty Quebra Barraco digna de receber um Grammy ou o pessoal do Pepa filmes de Oscar de melhores efeitos especiais). Para alguém que defenda o evolucionismo, mandar essa [a afirmação de que estudar a Bíblia era uma boa idéia] é meio que assumir que é teísta de carteirinha.

Para começar, o “Deslock” poderia trocar seu codinome para “Disléxico”, pois essa é a impressão passada pelos seus escritos.

Ele já errou de primeira, pois eu nem me interesso em refutar por completo a obra de Dawkins. Estou refutando aqui o livro “Deus, Um Delírio” e o vídeo “A Raiz de Todo o Mal”.

Sendo que eu não me propus a refutar a OBRA COMPLETA do Dawkins, a manobra do Disléxico é apenas a falácia do Estilo sem Substância.

Mas ele segue errando mais, dizendo que o público meu incluirá “somente os evangélicos que realmente se importam em ser argumentativos pelo criacionismo”.

Ô Deslock burrinho, será que não percebeu que este blog NÃO DEFENDE o criacionismo?

Está explicado por que além de neo ateu, o sujeito é esquerdista.  A mente dele não funciona direito.

Em seguida ele aparentemente critica o meu argumento sobre a revista Prospect, que colocou Dawkins entre os 3 maiores intelectuais. Lembrando: há uns tempos, eu afirmei que não era referência, por ser uma publicação de esquerda.

O Disléxico então tentou citar Taty Quebra Barraco, o pessoal da Pepa filmes em uma mistura de Falácia “Olha o Avião” com Espantalho.

Ele não entendeu que o argumento meu dizia que, se a publicação era de esquerda, obviamente seriam votados os principais pregadores da esquerda (e o ateísmo atende aos objetivos da esquerda). Isso explicaria a votação da Prospect, que não teria então eleito os VERDADEIROS intelectuais, e sim aqueles que atendiam à agenda da esquerda.

No fim, ele comete mais um erro grosseiro (na verdade, ele não acertou nada), dizendo que defesa do evolucionismo é incompatível com o teísmo.

Só na crença de estúpidos como Richard Dawkins. E seus leitores.

Gente como Kenneth Miller está aí para calar a boca dessa patuléia.

O mesmo erro típico de disléxico é cometido por Bresci, outra mulinha de Dawkins. Notem:

Como o próprio Dawkins afirma, não vale a pena debater criacionismo com criacionistas.

Ou seja, o maluco está treinado para duelar com criacionistas. E mesmo que ele encontre alguém que NÃO é criacionista pela frente, mas que o refuta, ele continuará feito um autista dizendo: “é criacionista, ah… é criacionista, ah… é sim. é sim”.

Nem merece maiores comentários.

Um dos mais fanáticos leitores de Dawkins, Artur Oliveira, beirou a histeria:

O cara do blog conhece tanto a obra de Dawkins que ignora o fato de todos os outros livros dele serem sobre evolução e divulgação científica, apenas Deus, Um Delírio desvia desta tônica. Eu sinceramente duvido que o sujeito tenha lido qualquer livro de Dawkins, até mesmo Deus, Um Delírio.
Ah, e outra, o cara do blog não refuta absolutamente nada. Limita-se a distorcer os capítulos do livro e tentar ridicularizar Dawkins, Dennet, Sagan e cia limitada. Típica coisa de religioso/criacionista.

O sujeito duvida que eu li os outros livros de Dawkins?

Eu não li todos, e nem lerei, pois tendo lido “O Gene Egoísta” e “O Fenótipo Extendido”, além de “Deus, Um Delírio”, já é o suficiente. É muita besteira por página.

E como eu não poderia ter lido o livro de Dawkins se estou refutando-o nos textos da seção Index Reverso, citando diretamente os trechos do livro?

Artur precisa de muita fé para pregar a idéia de que eu NÃO LI os livros de Dawkins.

Só que Artur mente, ao dizer que “apenas Deus, Um Delírio desvia da tônica de evolução e divulgação científica”.

O “Gene Egoísta” e “Fenótipo Extendido” já trazem algo da pregação anti-religião embutida. Aliás, segue um texto sobre o “gene egoísta“, que foi o primeiro deste blog.

A questão do criacionismo é apenas um ataque histérico. Fica evidente que Artur nem sequer leu este blog, pois várias vezes critiquei o criacionismo.

Mais patético ainda é ele dizer que eu “não refuto absolutamente nada”, mas tal declaração à esmo é automaticamente inválida.

Somente seria válida se ele refutasse alguma REFUTAÇÃO ou ARGUMENTAÇÃO minha, o que ele não fez. Até por que DUVIDO que ele tenha capacidade de fazer.

Ele afirma que eu “distorço” os capítulos do livro. Duvido muito.

E ele não conseguiu demonstrar nem um exemplo disso também.

Como os leitores podem notar, até agora NENHUMA argumentação das mulinhas de Dawkins. Só esperneio.

E a coisa não melhora nem um pouco daí para frente, pois a Suelysofia traz ainda mais pérolas:

Realmente Richard Dawkins está incomodando. Quer mais exemplos de seu sucesso e pistas de que ele está certo, do críticas non sense de toda sorte de religiosos e supostos “céticos”? A coisa é tipo o filme “O Código Da Vinci”; após o lançamento do livro e a a exibição do filme, surgiram CENTENAS de livros sobre…O Código Da Vinci; principalmente falando sobre a pseudo Maria Madalena, os descendentes da pseudo Maria Madalena, etc… Todo mundo quer lucrar com alguma coisa, nem que o lucro seja apenas um prestígio passageiro.

Ela não escreve coisa com coisa.

O mais engraçado é a base do argumento dela.

Segundo ela, uma refutação de alguém (como as que fiz ao Dawkins) é um SINAL de que aquele que é refutado está incomodando. Sendo assim, esse que incomoda está certo.

Isso, se fosse verdade (o que seria absurdo), quebraria as pernas de Dawkins. Veja a aplicação do argumento dela: Dawkins critica a religião, sendo assim é um sinal de que a religião está incomodando. Logo, a religião está correta.

Como se nota, essa Suelysofia não sabe nada de argumentação lógica, senão não cometeria um erro tão ingênuo.

Para piorar, a comparação com o Código da Vinci, que é um livro de ficção, não passa de falácia do Red Herring.

Se ela quisesse imputar alguma analogia válida, era teria que NECESSARIAMENTE citar um livro de ARGUMENTAÇÃO, e não de ficção.

Se os argumentos da Suelysofia são quase infantis, o próximo da lista, Dinho, é totalmente infantil.

Notem o fricotezinho do coitado:

Eu quero meus 15 minutos de fama mãeeee… O interessante é que ele não é o primeiro a acusar Dawkins de fundamentalista, pelo menos se fosse uma idéia original dele. Quem aqui sai de porta em porta fazendo discipulos e entregando livros de Dawkins? Pelo menos eu não.

Quem disse para esse aí que a condição necessária para alguém ser fundamentalista é sair de porta em porta fazendo discípulos e entregando livros?

Só por isso, o argumento dele já está desqualificado.

O mais engraçado é que ele afirma que é interessante que eu não fui o primeiro a acusar Dawkins de fundamentalista. Irrelevante, pois eu jamais aleguei ser o primeiro.

E detalhe: Dinho NÃO ARGUMENTOU para defender Dawkins da acusação de fundamentalismo. Acusação que segue válida, por enquanto.

O Greg vai pelo mesmo caminho:

O que eu admiro na obra do Dawkins é o trabalho dele como divulgador da ciência, a parte sobre a religião não me interessa muito. Com isto, eu até entendo (e em certos pontos concordo com algumas críticas feitas pelo autor do blog) [...]  ele [Luciano] é ignorante sobre várias questões: parece supor que Dawkins considera o ‘meme’ sua ‘grande contribuição para a ciência’. Enfim, quer mais é chamar a atenção mesmo, em termos de qualidade argumentativa é muito fraco.

Ué, com que outras teorias científicas além do gene egoísta, fenótipo extendido e memética o Dawkins contribuiu?

O Greg deveria estudar sobre argumentação. Um exemplo de refutação seria escrever algo do tipo: “O Luciano afirmou que a maior contribuição de X para a ciência é a teoria X, mas Luciano está errado, pois demonstrarei aqui que a maior contribuição é a teoria Y”.

Entendeu, Greg?

É assim que se argumenta, e não lançando um “parece supor que Dawkins considera o ‘meme’ sua ‘grande contribuição para a ciência”.

Ué, isso refuta o que? Como podemos ver: nada.

Outra evidência anedota de Greg: “[Luciano] quer mais é chamar a atenção mesmo”.

Além de crítica vaga em relação à minha “qualidade argumentativa” (crítica sem exemplos, não respaldada e sem substância, ou seja, não vale nada), este é mais um a tentar a Leitura Mental.

Obviamente que não tenho intenção de “chamar a atenção”.

O principal objetivo deste blog é escrever aos teístas que estão sendo vítimas de DIFAMAÇÃO, e mostrar como eles podem se defender. E ainda defender o ceticismo, a perspectiva de auditoria argumentativa e a investigação de fraudes.

Notaram como o Greg não acertou nada?

No final, o único a tentar algo mais ou menos próximo com uma argumentação é o Francisco.

Mas, pobre Francisco, ele comete tantos erros argumentativos que terei que numerar para especificar todos eles.

Segue o delírio dele:

Simplicidade, depois complexidade. É por isso que Deus é improvável, sob uma abordagen monista naturalista metodológica que é a única abordagem cientifica. [1] A mesma abordagem que produziu o computador que você tá sentado, a internet, tratamentos neurológicos, aviões e tetraplégicos controlando cursores de mouse com o pensamento através de interfaces cérebro-máquina. [2] Só assumindo uma postura dualista que nunca produziu NADA e nunca modelou com precisão a realidade, é que Deus/criador infinito/ passa a ser uma solução elegante e simples. Sob a luz do pensamento racional eficiente ele passa a ser complexo e altamente improvável a ponto de ser irrelevante. [3] É fácil criar um blog postando videos alheios, indo até a metade de uma argumentação extensa, fazendo parecer como se não existissem réplicas para as argumentações. Investigando só até aonde você quer confirmar a si mesmo e seu pensamento, só até o momento em que um argumento “parece” que ganhou. Craig e outros proponentes se apoiam em conceitos vagos como “mente”, “consciencia”, “subjetividade”. [4]  Qualquer abordagem científica séria considera que um sistema aberto que apresenta comportamento fixo atráves do tempo possui um funcionamento de partes (reduzido). Seres vivos, mentes/cérebros, universos. A cada década de passa uma abordagem reducionista naturalista metodológica investiga mecanismos cérebrais, mecanismos biológicos, mecanismos físicos que antes pareciam irredutívelmente complexos. Olhos, flagelos podem ser explicados como sistemas que evoluíram através do tempo. O universo. A subjetividade humana e a atividade cérebral. E nessa descontrução se estabelece que simplicidade precisa emergir organizada sob leis explícitas ou implícitas para assim gerar complexidade. Assim o universo evolui, constantes eram variáveis antes de se tornarem leis aparentemente univerais, o olho e a visão evolui, o cérebro evolui. Essa é a unica postura sensata e viável que gera um arcabouço para investigação científica. [5] O resto é filosofia, é hipótese remota se você considerar o estudo estatístico, é algo para se considerar como provável após milênios de estudo científico (e estamos somente no começo e parecem não existir barreiras para a investigação científica). [6] Nesse sentido, é totalmente sensato dizer que a investigação científica séria e eficiente pode considerar Deus como uma proposta improvável ou irrelevante no momento da história humana. [7]

1 – Aqui Francisco já chafurda ao usar uma abordagem naturalista para uma questão que NÃO é sequer naturalista pela proposta religiosa. A base de QUALQUER debate é jamais debater algo diferente daquilo que é proposto pelo oponente (no caso os religiosos). Para tratar da questão “simplicidade, depois complexidade”, ele teria que estar tratando da teoria da evolução darwinista, que, naturalmente, não explica Deus. O outro problema é ele afirmar que “é a única abordagem científica”. Mas quem disse que a questão Deus é uma abordagem científica? Obviamente, uma falácia do espantalho do Francisco. Não me causa estranheza, claro, pois ele apenas repete as palavras de seu guru Richard Dawkins (é basicamente o capítulo 4 do livro “Deus, Um Delírio). Ademais, é a técnica da Inversão de Planos, já refutada neste blog.

2 – Aqui de novo a confusão entre Tecnologia e Ciência. Esse estratagema que Francisco tentou é a técnica “Pacotão da Ciência”. Como se vê, Francisco sempre apela para estrategemas erísticos fáceis de refutar. De novo, é tudo clonagem dos argumentos do Dawkins.

3 – Aqui o cara apelou ao mito de “pensamento racional” tratado por “pensamento ateu”, o que por si só já é argumento natimorto. Aliás, até agora, devido aos estratagemas falaciosos, não há nada de racionalidade na argumentação do Francisco. Um exemplo disso é que ele afirma que Deus é improvável mas não afirma a probabilidade. É mais ou menos o erro que Dawkins cometeu aqui neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Mzi2sHTp-cU (notem a partir de 5:50 que Dawkins fala em improbabilidades, mas fica até nervoso quando os números lhe são questionados).

4 – Será que ele está falando dos vídeos que postei com o William Lane Craig? O problema é que o Francisco não mostrou que os argumentos estão incompletos. Ou ele mostra, ou então os argumentos postados no blog seguem válidos. Para piorar, ele diz que conceitos como “mente”, “consciência” e “subjetividade” são vagos. Só se for para o Francisco. Todos os 3 conceitos são claríssimos. E ainda inacessíveis do ponto de vista materialista.

5 – Essa gororoba do Francisco é tão ridícula que não serve nem como especulação disléxica (que é típica desses leitores de Dawkins). Em um momento, ele fala dos conceitos sob a teoria da evolução, depois aplica isso ao “universo”. O cara não sabe nem os limites da teoria da evolução e quer argumentar a respeito? Detalhe: é mais um que quer criticar a perspectiva criacionista e não entendeu que este blog não apóia o criacionismo. Em tempo: a mistura entre teoria da evolução e cosmologia torna todo o discurso de Francisco nonsense.

6 – O sujeito realmente tem problemas ao tratar de filosofia. É o mesmo problema que Dawkins possui. Natural que seus pupilos sigam pelo mesmo caminho. Em seguida ele chama de hipótese remota se for considerado o estudo estatístico. Mas Francisco SEQUER apresentou o estudo. Cadê os números? Psiu… não contem para ninguém, acho que deve ser segredo (risos). E depois diz que a hipótese só deveria ser considerada após milênios de estudo científico, ou seja, a sequência do erro dele em chamar Deus de hipótese científica. Só se for o Deus que ele inventou. A frase de “parecem não existir barreiras” é somente a falácia do wishful thinking, como um forista lá da comunidade lembrou com muita propriedade.

7 – Na verdade, Francisco tentou apenas tergiversar e defender o capítulo 4 do livro “Deus, Um Delírio” com outras palavras. Algo como dizer que “Deus provavelmente não existe”. Esse é o problema: não adianta escrever com outras palavras, se as premissas NÃO LEVAM à conclusão. A refutação de William Lane Craig segue válida.

Conclusão

Conforme previsto neste mesmo blog, a ingenuidade dos leitores de Richard Dawkins é assustadora. Realmente, eles são a escória dos ateus. Afirmam que vão refutar este blog e não conseguem sequer usar ESPECIFICAÇÃO para uma refutação. Em quase todos os casos, limitam-se à responder usando as frases de auto-ajuda escritas por Dawkins, mas sem o mínimo senso crítico e até a racionalidade para avaliar a pertinência dos argumentos. Os neo ateus que participaram na pregação a favor de Dawkins são: Dih. B, Fernando (Deslock), Bresci, Artur Oliveira, Suelysofia, Dinho, Greg e Francisco.  São participantes ativos da comunidade de adoração a Dawkins. E os leitores puderam ver aqui o baixo nível da argumentação deles.

Escrito por lucianohenrique

novembro 7, 2009 em 1:37 am

Técnica: Pacotão da Ciência

com 10 comentários

pacotao_da_ciencia

Última atualização: 04 de novembro de 2009 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Com essa técnica, o neo ateu tentará impressionar a platéia do debate usando a técnica de “falsa agregação de valor” à ciência.

Normalmente isso ocorre quando o neo ateu tenta (como quase sempre) o recurso de implantar a falsa dicotomia entre ciência e religião.

Diante dessa situação, ele poderá tentar computar vários méritos que são de outras áreas, como tecnologia, engenharia e administração, dentre outras, como se fossem méritos da Ciência.

Após isso, o neo ateu poderá tentar dizer que o religioso, ao “optar” pela religião, estaria contra todos estes benefícios. Obviamente, é uma mistura de falácia do falso dilema com falácia do espantalho.

Nesse “combo” ficcional criado pelo neo-ateu, o produto principal que ele tentará adicionar é a tecnologia (que, na verdade, estará até em maior quantidade do que a “ciência”).

Não é raro eles afirmarem que coisas como o GPS, os automóveis e os computadores, dentre outros, são todos méritos da ciência. Bem, só se ciência fosse um “combo” que incluísse não só a ciência como também a engenharia, a administração e principalmente a tecnologia.

O problema para eles é que a tecnologia, embora se baseie em grande parte em leis científicas e descobertas científicas, é uma área que funciona de forma INDEPENDENTE em relação à ciência, e sequer é regida pelos mesmos princípios que a ciência.

A ciência é uma área de conhecimento focada na pesquisa da natureza física e tangível. A tecnologia se baseia na produção de objetos utilizáveis pelo ser humano.

A ciência é principalmente acadêmica. A tecnologia é principalmente industrial.

Só isso já é suficiente para mostrar que a natureza da tecnologia é bem diferente da natureza da ciência.

E mesmo que a religião negasse a ciência (o que também não é verdade, como já foi mostrado diversas vezes neste blog), isso não significaria uma negação da tecnologia. E nem das áreas que dão suporte à tecnologia, como administração e engenharia.

O uso desta técnica é claramente uma chantagem emocional, e pode surgir de forma apelativa, em declarações como: “Se você nega a ciência, então como pode usar esse computador aí, que só existe por causa da ciência? Como usa o GPS então, pois ele foi trazido pela ciência?”.

Essa técnica foi utilizada por Richard Dawkins no início de seu vídeo “Enemies of Reason”, em que ele cita maravilhas da “ciência e tecnologia” e diz que o ser humano as rejeita enquanto busca superstições.

O que, como quase tudo que ele diz, não tem a mínima lógica.

Refutação

Basicamente, para refutar essa técnica basta conhecer a natureza de cada área adicionada ao combo:

  • NEO-ATEU: Se não fosse a ciência, você não estaria andando em seu carro.
  • REFUTADOR: Deixe de ser maluco, pois o meu carro é mais resultante da tecnologia e do P&D do que da ciência.
  • NEO-ATEU: Mas há princípios físicos nos quais a montagem do carro se baseia.
  • REFUTADOR: Sim, eu sei, mas também há vários outros princípios, que eu não nego. Mas não confunda tecnologia com ciência.
  • NEO-ATEU: A tecnologia e a ciência caminham juntas.
  • REFUTADOR: Nada mais falso, já que a tecnologia é muito anterior à ciência. Se há boas descobertas científicas, profissionais da tecnologia farão uso delas, assim como de qualquer coisa que for útil. Mas o foco é bem diferente.
  • NEO-ATEU: Só que o princípio é o mesmo…
  • REFUTADOR: De jeito algum. A base da ciência é a pesquisa acadêmica, focada nas descobertas sobre a natureza física e tangível. A tecnologia é focada na confecção de produtos utilizáveis pelo ser humano. Toda nova tecnologia tem uma justificação, geralmente como ativo tangível ou intangível (por exemplo, salvar vidas humanas, o que não é tangível financeiramente). Ou seja, você não sabe diferenciar uma da outra. Dica: vá estudar ciência e não tente me enrolar. Sou religioso e faço uso de toda tecnologia que eu quiser. E não adianta fazer chantagem emocional!

[E daí por diante, sempre fazendo uso de definições reais da ciência e tecnologia, assim como de engenharia, matemática ou qualquer outra coisa que o neo ateu tentar colocar dentro do "combo" da ciência - essas definições grassam pela Internet]

Conclusão

Técnica ingênua e maliciosa, mas quase juvenil. Curiosamente, é usada por vários autores neo ateus quando tentam usar da falsa dicotomia entre ciência e religião. Obviamente que a tecnologia é muito mais EVIDENTE ao ser humano do que algumas descobertas científicas por si só. Portanto, como a ciência por vezes não é tão IMPRESSIONÁVEL ao grande público, eles tentam fazer uso da tecnologia e VENDÊ-LA como ciência para impressionar a patuléia. Com isso, seria feita a dicotomia entre o “mundo tecnológico” e o “mundo das trevas”. No entanto, a técnica, apesar de impressionar à primeira vista, é facílima de refutar. Não passa de mera manipulação dos conceitos e tentativa de “inchar” a definição de ciência.

Escrito por lucianohenrique

novembro 4, 2009 em 12:22 am

Um novo limite para a auto-humilhação neo-ateísta: um presente do pessoal do Que Treta

com 7 comentários

neo_ateu_humilhado

O quão baixo um neo-ateu pode chegar?

Eu achei que já tivesse visto de tudo desde que iniciei este blog, pois eu tinha a noção exata de que a reação de alguns fanáticos do ateísmo seria realmente irritadiça.

Já vi, por exemplo, um neo-ateu tentar cometer fraude contra este blog, como pode ser visto nesse link aqui.

Este mesmo neo-ateu apareceu junto de uma camarilha de fakes. Todos, claro, atacando este blog.

Em seguida, foi reclamar no Portal Ateu, chegando a ser repreendido por lá. Detalhe: algumas pessoas do Que Treta (blog neo-ateu até a medula) foram lá chorar juntinhos.

Tudo isso em menos de 2 meses de blog.

Sinceramente, eu não esperava um impacto tão grande nas hordas neo-ateístas.

Hm, na verdade, eu esperava sim. Mas não tão cedo.

E em relação a limites de humilhação, será que 2 blogueiros neo-ateus que alegam fazer “divulgação de ciência” se rebaixariam tanto a ponto de publicar um artigo basicamente com desabafos em relação a este blog? Parece impossível?

Pois é o que ocorreu quando Ludwig Krippah publicou este post: “Um Delírio de Refutações”.

O nível de todo o post dele é baixíssimo, e a quantidade de erros absurda. Demonstrarei todos aqui.

Antes de iniciar o esmagamento, não posso deixar de dizer o quanto ri ao ver Ludwig sugerindo que João (Jonas), do blog Crônica da Ciência, tentasse suas investidas:

João… Era também uma boa, inventar uma data de nomes para as técnicas do Luciano.

Eis que João, servil feito um cachorro, se prontificou a tentar salvar Ludwig:

Hee. Havias de ver a trepa que lhe dei ontem. Apliquei os contra-ataques da “tecnica do refutador zarolho”, depois “tecnica da argumentação coxa”, e quando terminei com a defesa da “tecnica da escolha do espantalho”, ja não sobrava nada do homem. Ainda lhe apliquei o golpe de mesericoridia que se chama “onde está o teu Deus agora”. Mas so depois do “não vale apelar prá maezinha”.

Isso aqui é argumento?

Nota-se, então, que eles estão atirando para todo lado.

Não me surpreende, pois notem a previsão que fiz, no post de 8 de setembro (essa era relativa ao Argo, que tentou cometer a fraude):

Para finalizar, uma mensagem especial à esse neo-ateu: se você se irritou até agora com as postagens em meu blog, você ainda não viu nada. Em duas semanas publicarei aqui um GUIA DE REFUTAÇÃO às técnicas neo-ateístas, de forma que a partir disso todos os religiosos que acessarem aqui possam refutar os neo-ateus da mesma forma que faço. Se os posts até agora te deixaram irritado, esse artigo irá te fazer entrar em colapso!

Obviamente, eu já sabia que quando começasse a mapear as técnicas dos neo-ateus, eles REAGIRIAM. Esse “Guia de Refutação” na verdade é a seção “Conhecendo o Inimigo”.

Motivo para essa previsão: através da extensa experiência adquirida em auditoria corporativa (com base em ceticismo absolutamente científico), adquire-se uma experiência em investigação e mapeamento de FRAUDES cometidas por pessoas de má fé. Uma das formas de atuação é MAPEAR os comportamentos similares de pessoas que COMETEM fraudes. E então consolidar as técnicas (e os antídodos) em uma base de conhecimento. A tendência dos adeptos de FRAUDE é naturalmente atacar, através de engenharia social, os mecanismos de controle, implementados justamente em cima das técnicas de fraude já mapeadas.

Ludwig e João apenas seguiram um padrão previsto.

Detalhe: o mesmo ceticismo que aplico na investigação dos neo-ateus é o MESMO que o ateu James Randi usava para investigar as fraudes dos médiuns.

Claro que além disso adiciono ao ceticismo científico o modelo de investigação de fraudes adquirido com as práticas de Auditoria e Perícia Forense. Mas isso só torna a análise de fraudes mais COMPLETA ainda.

Se fossem realmente adeptos da “ciência” (conforme alegam) eles deviam apoiar a aplicação de ceticismo contra fraudes, e não sair com choradeiras.

Mas não demorou para que um sujeito da patota de Ludwig viesse tentar “cantar vitória” após o post de Ludwig.

Em resposta, afirmei-lhe que existiam no mínimo 10 erros no post de Ludwig.

Eis que João desafiou:

Venham lá esses “10 erros naquele texto curtinho”, se os identificaste com facilidade, com a mesma facilidade os partilhas aqui. Refutação que é bom, nada. Logo o que dizes até apresentares argumentos vale menos que ZERO.

Aha, um desafio!

Aqui a coisa começou a ficar divertida. Será que não adivinharam que um Auditor ADORA receber um desafio da parte responsável por fraudes? Mas… a escolha foi deles. Livre arbítrio.

Pois eis que segue a análise dos erros de Ludwig, sendo que cada erro encontrado será marcado entre colchetes.

Vamos começar…

Mas o Luciano tem uma forma intrigante de demolir o ateísmo [1]. Como «fã da aplicação do método científico para resolução de problemas corporativos» e auto-proclamado «especialista em ceticismo empresarial», de um fardo de palha inventa um conjunto de técnicas que diz refutar facilmente [2].

1 – Eu não tenho forma intrigante de demolir o ateísmo. Não tenho nada contra o ateísmo. Aqui neste blog o que é demolido é o NEO-ateísmo.

2 – Este erro deriva da identificação vaga de uma falácia (fardo de palha é uma menção à falácia do espantalho). Todos os diálogos das técnicas são baseadas em textos extraídos DIRETAMENTE dos livros dos autores neo-ateus, e de diálogos vistos na comunidade “Contradições do Ateísmo”, em que neo-ateus exibem tais diálogos. Já citei-os várias vezes. Logo, o erro de Ludwig é a FALSA identificação de falácia.

E as refutações do Luciano são tão boas que se refutam a elas próprias [3]… Segundo o Luciano, a «Leitura Mental consiste em agir tomando como premissa de que se tem o poder de telepatia de forma a conseguir ler o pensamento de outra pessoa». À letra, a definição aplicar-se-ia apenas a quem se dissesse telepata, o que é pouco útil [4]. Mas o uso que o Luciano lhe dá sugere que se refere a quem quer que forme uma opinião acerca daquilo que o interlocutor pensa. Precisamente o que o Luciano faz, se bem que diga ser sem querer: «Como não quero “ler a mente” dos neo-ateus, afirmarei várias possibilidades para o uso da Leitura Mental, podendo ser desonestidade intelectual, fanatismo, raciocínio de auto-ajuda, credulidade pura e/ou então ingenuidade argumentativa.» [5]

3 -Uma refutação só refutaria a si própria se existisse algo como, por exemplo, uma contradição dentro dela. O que não ocorre com nenhuma das refutações para as técnicas, pois estas refutações são baseadas simplesmente na correção dos erros lógicos e fraudes cometidos diretamente por um neo-ateu em seu discurso.

4 – Aqui Ludwig afirma que telepatia não é o caso. Mas ele está errado, pois a definição de telepatia é “Transferência de  pensamentos e emoções de pessoa para pessoa, sem o emprego dos sentidos conhecidos”. Oras, se na refutação a pessoa está questionando se o neo-ateu possui ou não PROVAS de que o pensamento dele (ou dos teístas em geral) é aquele mesmo, é evidente que os pensamentos e emoções não foram transmitidos através dos sentidos, seja por carta, declaração, piscadela, etc. Ludwig ainda tenta se safar dizendo que uma possibilidade alternativa à telepatia seria que o neo-ateu “forme uma opinião acerca daquilo que o interlocutor pensa”. Mas ainda assim segue sendo uma evidência anedota, pois o neo-ateu continuaria sendo refutado no exemplo apresentado, pois seria apenas uma adivinhação (ao invés de telepatia), igualmente pseudo-científica.  Portanto, a refutação apresentada por mim segue incólume.

5 – Em relação à essa alegação do Ludwig, mais um erro dele, pois não pratiquei leitura mental. Já que o “e/ou” abre um “range” grande de possibilidades. Bastaria que eu acertasse uma delas, que o argumento meu seria válido. Ora, se um sujeito inventa que uma pessoa teve um pensamento, o neo-ateu pode levar à frente a afirmação mas nem ele acreditar o que o outro pensa. Aí seria desonestidade intelectual. Mas se ele acreditasse, a qualificação de desonestidade intelectual não seria aplicada, e sim a da credulidade pura. Sendo essas duas opções englobadas, minha refutação segue sólida. Mas, ainda assim as outras 3 possibilidades podem ser afirmadas, caso pertinentes, pela análise direta do discurso. Só seria uma leitura mental se eu escrevesse algo nesse estilo: “O neo-ateu cometeu tal estratagema, pois ele está motivado pela leitura de Michael Onfray, e tomou essa decisão por ansiedade e angústia”. Como se nota, a leitura mental é bem diferente da observação de características vistas diretamente no discurso.

Outra técnica que o Luciano diz refutar é a da «Seleção do Adversário», que «funciona basicamente da seguinte maneira: por medo de falar sobre interpretações corretas de ciência e religião, eles afirmam que ciência e religião estão em luta, e então colocam um componente da entidade que dizem defender (ciência) em duelo com um componente falso (ou mal associado) do adversário (religião)». À parte de se esquecer de não ler a mente do adversário [-], descaindo-se ao dizer que é por medo, o Luciano esquece-se também que, nas religiões, o que uns crentes dizem falso outros dizem verdadeiro [6].

[-] – Incrível! O Ludwig pode soltar os rojões, se quiser, pois isso não é um erro. É uma crítica razoável e que portanto irá gerar uma atualização do “verbete” Leitura Mental, pois, como toda base de conhecimento, ela é passível de atualização. O problema é que isso não INVALIDA a refutação feita por mim.

6 – Já aqui ele afirma que eu me “esqueço” (leitura mental feita por ele, de novo) de que na religião alguns religiosos dizem falso o que outros dizem ser verdadeiro. O problema é que isso seria um conjunto de contestações DENTRO da religião, portanto nada a ver em relação a conflitos entre ciência X religião. No máximo seria um conflito religião x religião (assim como a disputa entre duas teorias científicas seria teoria científica x teoria científica). Aqui, portanto, Ludwig errou o alvo retumbantemente.

E, ao contrário da ciência, as religiões não têm maneira de saber quem tem razão [7]. Cada um diz que o seu deus é que é infalível, que o seu livro é que é perfeito e que a sua fé é que é fonte de sabedoria. Ninguém se entende [8]. Além disso, nesta “refutação” o Luciano faz precisamente o que refuta: «Muitos neo-ateus NÃO SÃO CIENTISTAS (raros deles são) e fingem serem “representantes da ciência” [9]. Eles costumam ficar irritados quando se descobre que eles não são o que afirmam ser.» Ou seja, coloca um componente da entidade que diz defender em duelo com um componente falso (ou mal associado) do adversário. Conheço muito mais ateus cientistas que ateus que se digam “representantes da ciência” [10] ou que, não sendo cientistas, fiquem irritados quando se descobre que não são [11].

7 – Esse argumento dele é completamente falso, pois na religião há formas de se definir quem está com a razão, e é justamente pela… razão. Justamente por isso citei a teologia. Naturalmente existem religiões diferentes, o que, de forma alguma, comprova que todas as religiões estariam erradas ou “sem razão”. Até por que as religiões podem ser interpretadas em um contexto maior, onde todas as principais religiões (judaísmo, cristianismo, islamismo) não são inválidas, apenas abordam aspectos diferentes das revelações divinas.

8 – Esse erro chega a ser infantil, pois as principais religiões do mundo não afirmam algo como “meu Deus é o correto, e os outros deuses são errados”, pois simplesmente as religiões vigentes (que substituíram o politeísmo) afirmam que há um único Deus. Logo, seria ilógico ter que dizer que “seu Deus é melhor que o outro”.

9 – Nessa refutação eu não faço “precisamente o que me refuta”, pois simplesmente afirmei que muitos (não citei todos) neo-ateus NÃO SÃO cientistas e  portanto “fingem” serem representantes da ciência. Conforme mostrei aqui, até a NAS já discordou da panfletagem neo-ateísta. Nem os quatro principais cavaleiros dos ateísmo são “representantes” da ciência. E, curiosamente, Ludwig não é um representante da ciência, e muito menos o João e o Pedro Amaral (as duas outras figuras do “time” do Ludwig). Nenhum dos 3 em questão é cientista. Como se vê, foi uma avaliação minha, feita em cima da amostragem COMPORTAMENTAL, e que se comprovou posteriormente como correta.

10 – Ele afirma que o seguinte: “Conheço muito mais ateus cientistas que ateus que se digam “representantes da ciência”. O que é uma falácia da evidência anedotal.

11 – A irritação quando são desmascarados como “pessoas que não representam a ciência” tem sido vista nesta blog, mas apenas por análise do comportamento. E já citei o exemplo do Argo, e até os posts do João, Ludwig e Pedro Amaral, portanto, este é o décimo primeiro erro do Ludwig.

Estas restrições podem parecer estranhas. No fundo, o Luciano condena que se escolha as teses contra as quais se argumenta ou que se tente perceber o que o outro está a pensar. Quando saber com quem estamos a dialogar e perceber o que o nosso interlocutor pensa são peças fundamentais de qualquer diálogo produtivo [12]. Mas há que considerar o contexto das refutações do Luciano. Imaginem. Sábado de manhã. Toca a campainha. Duas pessoas bem vestidas à porta, de livrinho debaixo do braço. Uma pergunta uma banalidade qualquer, começando por “Jovem…”. Independentemente da resposta que dermos, olha para longe e começa a recitar uma lengalenga acerca de Jesus, da salvação, da fé, da Palavra e assim por diante. E evita qualquer destas grandes falhas de considerar a quem se dirige, o que o interlocutor possa pensar daquilo ou sequer de pôr o cérebro a trabalhar (afinal, ao Sábado não se pode trabalhar). [13]

12 – Não existe absolutamente nada, no argumento de Ludwig, que dê sustentação à conclusão de que “saber com quem estamos a dialogar e perceber o que o nosso interlocutor pensa são peças fundamentais de qualquer diálogo produtivo”, e além disso saber com quem se está a dialogar é independente de saber as MOTIVAÇÕES SUBJETIVAS do interlocutor. Portanto, é possível saber com quem se está dialogando, SEM precisar adivinhar ou descobrir as motivações subjetivas desta pessoa, sem qualquer prejuízo ao debate. Toda a justificativa do Ludwig, nesse caso, carece de uma base argumentativa que a solidifique.

13 – O exemplo de Ludwig é absurdo e não possui absolutamente nada a ver com quaisquer refutações minhas. Quando uma Testemunha de Jeová bate à porta dele e afirma o que PENSA, não existe a aplicação da Leitura Mental, pois a informação foi passada através de um dos SENTIDOS (ou seja,a fala).

Outra pérola, e um monumento à ironia, é a técnica da «Defesa associada à fragilidade». O Luciano explica que os ateus acusam os crentes de só tentarem atacar os argumentos dos ateus por não terem fundamento para as suas crenças [14]. Como fazem os criacionistas, que tentam baralhar a teoria da evolução como se isso provasse que Jesus fez cada animal e planta [15].

14 – Eu não digo “que os ateus acusam os crentes de só tentarem atacar os argumentos dos ateus por não terem fundamento para as suas crenças”. Note que eu escrevo no primeiro parágrafo da técnica comentada: “em especial quando estes querem simular um falso conflito entre ciência e religião.”. Ou seja, eu não faço acusação quanto aos ateus. E sim cito apenas os NEO-ateus QUANDO querem simular um falso conflito entre ciência e religião. Se por acaso um neo-ateu NÃO quiser simular o conflito entre ciência em religião, ele não está portanto referenciado na técnica. Esse erro do Ludwig é falha de interpretação de texto pura.

15 – Essa é a falácia tu quoque, e ainda por cima aplicada com um misto de falácia do espantalho. Eu não sou criacionista, aliás. Se um criacionista cometer tal erro, basta que o Ludwig refute-o. O fato é que a refutação de técnica feita por mim permanece incólume caso o criacionista cometa o erro alegado por Ludwig ou não.

Conclusão

Para refutar Ludwig, não é preciso nem um auditoria mais formal. Basta uma simples “análise preliminar”. E, novamente reitero, novas técnicas serão apresentadas, mapeando todas as possíveis tentativas de fraudes intelectuais neo-ateístas. Se Ludwig tinha esperanças de refutar quaisquer das técnicas apresentadas aqui, ele fracassou. Para piorar, o  texto de Ludwig não passa de uma coleção de falácias, com mistura de estratégias erísticas (principalmente a manipulação semântica), além de uma demonstração de ausência completa de lógica. Não é preciso muito esforço para, usando de ceticismo com uma visão básica de investigação para encontrar fraudes, descobrir a verdade: Ludwig é uma FRAUDE!

Escrito por lucianohenrique

outubro 9, 2009 em 3:33 am

A fé de um cientista é realmente um tipo de fé totalmente diferente?

com 4 comentários

faith

Claro que não, mas para o neo-ateu João é.

Em seu blog Crônica da Ciência, ele postou dois textos no qual tentava defender os cientistas em relação a possibilidade de possuírem fé. Talvez para ele “fé” seja uma blasfêmia.

Ele aceitava que, se tivessem fé, seria uma fé totalmente diferente do que existe na religião. Os dois artigos dele estão aqui: [1] e [2].

Agradeço também a um dos comentaristas desde blog, Lourenço, que já me deu a deixa e achei extremamente relevante a informação. Lourenço afirmou que a base dos problemas dos neo-ateus está em inabilidade linguística. E concordo plenamente, pois ele me passou um link sobre o metamodelo (da neurolinguística), que explica de maneira excepcional a forma como ocorrem quase todas as confusões que eles fazem. Em sua maioria, eles possuem problemas terríveis de compreensão básica de palavras. Quando eles precisam, então, juntar essas palavras e estabelecer um conceito, aí é que vem a tragédia. Chega a dar pena.

É justamente por isso que não raro escrevem algo como “fé em ciência” e “fé na ciência”, e acham que estão falando o mesmo. Claro que não é o mesmo, pois o primeiro é a fé dentro da ciência (na prática científica), e o segundo refere-se à fé vista de fora. E é uma fé que todos possuem. Basta acreditar que a ciência é o melhor modelo para a explicação do mundo físico e tangível, que já temos fé na ciência.

Outros tipos de confusões incluem:

  • confundir “teologia” com “religião” (só que uma é estudo que dá suporte para  a outra)
  • confundir “religião” com “fé” (já que esta última é um componente humano, apenas – dá até para ver no balãozinho na imagem abaixo)
  • confundir “cientista” com “ciência”, e também com “método científico”, já que este último não possui fé, pois não é humano (só que o cientista possui fé, por ser humano – de novo, está tudo no balãozinho da figura)
  • colocam no mesmo patamar para comparação “cientista” com “religioso”, sendo que se esquecem que o religioso é só um praticante de religião, ao passo que o cientista é executor na ciência (a comparação só seria possível se fosse “teólogo” com “cientista” – nota-se então que o cientista é um profissional que por definição tem que seguir métodos, e o religioso não ganha nada para ser religioso, portanto NÃO precisa seguir métodos).

Mas esses são apenas alguns poucos exemplos, pois praticamente todos os textos desse pessoal são completos de erros linguísticos básicos.

Para entender o modelo de raciocínio baseado em erros linguísticos recomendo a leitura do livro “A Nova Inquisição”, de Robert Anton Wilson.

Antes de seguir, vou colocar uma figura, referente ao modelo de domínio de conhecimento tanto de ciência como religião, abaixo, já revisado. Sugiro que durante a refutação ao João, sempre que surgir alguma dúvida, que se olhe na figura de novo, pois é importante entender os níveis em que os conceitos estão sendo discutidos. Vocês notarão, por exemplo, que em algum momento o João comparará crença em Deus com teorias científicas, o que é absurdo, pois ele só poderia comparar isso com o princípio da ciência. A teoria científica só poderia ser comparada com as teorias da teologia, mas também não para confrontá-las, mas somente para entender se há diferenças no comportamento dos profissionais quanto a elas. Você notará, também, que o João tentará executar a mudança de modo, quando se fala dos cientistas, e ele ao invés de falar em teólogos, irá pular para religiosos (nível 5, da figura, ao passo que os teólogos estão no nível 3). Em suma, o João faz uma confusão dos diabos. Mas vamos à figura:

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Olhando a figura com atenção e lendo os dois textos dá para achar no mínimo uns 30 erros nas duas abordagens de João.

Ele começa…

Defender o que se acredita vigorosamente é importante para o cientista. Mas isso é fé como em “Fé em Deus”? Eu penso que não, que são coisas distintas. O fervor religioso e intenso associado a manifestações de Fé em Deus não existe na ciência. Einstein dizia que devia estar perto, que um bom cientista teria que ter uma fervor quase religioso pelo universo e pela realidade, que o levasse a procurar respostas e a isso dedicar os seus melhores esforços. Mas isto não é exactamente o mesmo que a devoção a um Deus pai todo-poderoso.

1 – Ele confunde “fé em Deus” com discussão racional a respeito de Deus,já que é isso que o teólogo faz. Aliás, o trabalho de um teólogo não é baseado em “fervor religioso”. O trabalho do teólogo deve ser racional.

2 – Em seguida, ele diz: “Não existe um fervor religioso e intenso associado a manifestações de fé em Deus na ciência”. Entretanto, pessoas que compram um telescópio e ficam olhando para o universo após ler algum livro de “divulgação científica” não são necessariamente cientistas e buscam uma forma de contemplação do universo quase espiritual. Em termos de “fervor” dá no mesmo, embora seja basicamente referente aos leitores de divulgação científica.  Detalhe: eu mencionei os “leitores de divulgação científica”, pois essa atitude deslumbrada é permitida a quem está no nível 5, assim como os religiosos podem estar. São os usuários do conhecimento feitos por cientistas e teólogos. Cobrar método no momento em que um sujeito olha um telescópio ou vai fazer uma prece é no mínimo nonsense.

3 – Ele cita Einstein e diz que o fervor quase religioso pelo universo não é exatamente o mesmo que a devoção a Deus. Não é mesmo, pois a ciência não trata de Deus. Mas é preciso de devoção absoluta e incontestável ao princípio de que as leis são aplicáveis a todo o universo. Nisso, não há diferenças técnicas em relação à conclusão sendo Deus: o princípio da ciência é tão indemonstrável fisicamente quanto a existência de Deus. E desses conceitos, um dá suporte para ciência (universalidade das leis físicas) e o outro para a religião (Deus).

Mas ele ainda se esforça…

Mas aparte da intensidade do sentimento, a diferença entre a fé do cientista e da Fé do crente religioso é enorme na questão da formação do conhecimento. É aí que as duas se separam em categorias diferentes. Enquanto o crente religioso parte da Fé para depois procurar as razões pela qual ele tem essa fé, o cientista tem fé nas suas hipoteses e teorias porque tem suporte cientifico para elas. Mesmo quando formula hipoteses que estão longe de poderem ser testadas, é porque tem uma granda carga teorica por trás que o leva nessa direcção. E nessa carga teorica está o esforço honesto de milhares de homens, e a descrição de teorias e relatos de evidências.

1 – Aqui ele utiliza a técnica de Seleção do Adversário, pois tenta comparar fé do cientista com fé do religioso. A fé do religioso não pode ser discutida neste contexto. Só a fé do teólogo, que é similar à do cientista.

2 – Detalhe que ele também utiliza a técnica de Leitura Mental, para dizer de onde o religioso parte para procurar as razões. Ele simplesmente não sabe. Ele chutou.

3 -Ele também tenta usar a leitura mental para dizer de onde o cientista “tem fé”. Errado. O cientista tira fé de onde ele quiser. Mostrarei durante o texto exemplos de cientistas que não possuem crenças mais críveis do que crenças em espíritos. E o método científico não pode fazer nada quanto à isso.

A conclusão dele, a seguir, não deixa dúvidas sobre seu erro repetido à exaustão (portanto, não será aceito como erro de digitação):

Enquanto para o teólogo a Fé é o ponto de partida para começar a formar conhecimento, para o homem de ciência, a fé na ciência é uma consequência do conhecimento.

1 – Falso, pois para o teólogo existe o aceite de Deus como principio mais do que universal. Não fica em categoria tão diferente da universalidade das leis físicas. O conhecimento é feito de forma metodológica, a partir de técnicas como hermenêutica.

2 – Aliás, “homem de ciência”? Será que João está tentando criar uma categoria nova para englobar cientistas e leitores de divulgação científica, colocando tudo no mesmo saco? Risível.

3 – Ele tenta dizer que “fé na ciência” é consequência do conhecimento. Mais uma vez isso não é diferencial da ciência, pois qualquer conclusão humana é consequência do conhecimento.

Ele apela à Enciclopédia Britânica, mas não obtém muito sucesso:

A enciclopaedia Britânica diz assim: ” É distinguida da filosofia (a teologia) por estar dedicada a explicar e a justificar a fé, em vez de questionar os pressupostos subjacentes a tal fé, mas muitas vezes emprega métodos quase filosóficos ” (1). Em relação à ciência a questão é semelhante, embora a ciência tenha a filosofia a questionar os seus pressupostos. Mas as teorias cientificas sofrem uma grande abuso de duvida até se considerarem um facto. Que é de onde a fé parte. A ordem, é outra. A Fé em Deus é acreditar que se encontrou. A fé na ciência é muito mais acreditar que se pode encontrar. Dá origem a visões distintas do mundo. Há quem consiga manter ambas as visões em simultâneo, mas este post não é sobre isso – não é sobre poder ter-se Fé em Deus e ser-se cientista ao mesmo tempo. É sobre a diferença entre os tipos de Fé. Para elas serem iguais, era preciso que houvesse uma prova inequivoca da existência de Deus e uma forma objectiva de O poder estudar. A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. E como diz na E. Britanica, o procedimento é quase filosófico. Falta o quase. Outra vez.

1 – Isso aqui chega a ser bizarro, pois ele cita uma definição da Enciclopédia Britânica para criticar a Teologia, sendo que a mesma definição é válida para a Epistemologia, pois a epistemologia se distingue da filosofia, por estar dedicada a explicar e a justificar a ciência, em vez de questionar os princípios da ciência e muitas vezes emprega métodos quase filosóficos.

2 – Pelo menos ele reconheceu que em ciência (epistemologia) é semelhante, mas erra ao dizer que “a ciência tem a filosofia a questionar os seus pressupostos”. Erro grosseiro, pois tanto epistemologia quanto teologia são sub-áreas da filosofia, e ambas não questionam os seus princípios fundamentais. São estes princípios que dão base para o estudo.

3 – Em seguida ele, que falava de teologia, pula AUTOMATICAMENTE para falar o seguinte: “Mas as teorias cientificas sofrem uma grande abuso de duvida até se considerarem um facto.”. Mas que raio é isso? O cara confundiu teorias científicas (que estão no nível 4, da figura) com os PRINCÍPIOS por trás da ciência, que estão no nivel 1. João, preste atenção!!!!! Não confunda pressupostos da epistemologia com pressupostos de uma teoria científica.

4 – Teorias científicas não são para serem consideradas um fato, e sim tratadas como válidas ou inválidas.

5 – Ele diz que para fé em ciência e religião serem iguais era necessário que “houvesse uma prova inequivoca da existência de Deus e uma forma objectiva de O poder estudar”. Loucura total! Já que não existe uma prova inequívoca de que as leis físicas valem em todo o universo, e a ciência continua válida. Motivo: isso é PRINCÍPIO (axioma), tomado como base para que se habilite o estudo.

6/7 – Ele ainda diz: “A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. E como diz na E. Britanica, o procedimento é quase filosófico. Falta o quase. Outra vez.”. Dois erros em um só, pois o “quase” que a Enciclopédia Britânica trata é em relação ao método filosófico por trás da teologia. E não o “quase” em relação à comprovação física do objeto de estudo. E ao dizer que “A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. “, ele naturalmente apela para a credulidade dele para definir algo como válido ou não. Ou seja, falácia infantil até.

A seguir, é bobinho:

Acreditar, a palavra “acreditar”, tem significados opostos em ciência e em crenças como “acreditar” em bruxas.

1 – Ué, da mesma forma que “acreditar” tem significados opostos em teologia  e em crenças como  “acreditar” em bruxas. Se ele está tentando a falácia do espantalho para maquiar a religião para ser tratada como o mesmo que “crença em Bruxas”, essa tática não funcionará.

Mas ele ainda diz ser generoso, pois faz “concessões”:

Concedo que superficialmente sejam a mesma coisa. Mas só superficialmente. Se ambos os significados se referem à identificação de algo como sendo verdade, as semelhanças acabam aí. Porque um se refere a uma crença pessoal e o outro se refere àquilo que podemos provar que é universalmente verdade, usando os meios mais adequados possíveis para o fazer. Um “acreditar” é acreditar porque parece que sim, e o outro “acreditar” significa conhecer. A palavra é a mesma, mas os seus  significados são tão distintos como isso – como acreditar simplesmente, é diferente de conhecer.

1 – A idéia de que se pode provar algo como universalmente verdade é um axioma, tal qual Deus, portanto, não é uma crença pessoal.Logo, fé em Deus não é apenas uma crença pessoal.

2 – E mais, crença científica não é o mesmo que “conhecer”. O “conhecer” tem um significado igual para religião e para ciência. Da mesma forma “acreditar” tem um significado igual para religião e para a ciência. Aí é só estudar o dicionário.

E tome blá blá blá…

Crença na ciência, não é crença como em “crença em espíritos”.

1 – Natural, pois todos tem crença na ciência (não é o mesmo que “crença em ciência”, mas vá lá). Nem todos tem crença em espíritos. Mas alguns cientistas possuem crença em memes, que estão na mesma categoria dos espíritos. Uma grande quantidade de cientistas possui crença em vida alienígena fora da Terra. Dá no mesmo. Resultado: como em TODAS as tentativas frustradas de João, aquilo que ele aponta como sendo um DIFERENCIAL da ciência, não é um diferencial. É apenas uma falha linguística dele.

Daí ele enfia o conceito do “cético” aqui, sabe-se lá porque:

Se por exemplo um céptico acredita em ciência, não é por ter uma memória enciclopédica de todo o conhecimento cientifico. É porque conhece o que significa uma afirmação cientifica. Porque sabe o trabalho sistemático e aberto a critica que está por traz. É dai que parte a crença. Na crendice, a própria crença é a base do conhecimento. É óbvio que uma pessoa não pode verificar todas as evidencias experimentais que corroboram uma teoria, é preciso acreditar que quem o fez foi honesto (pelo menos durante os primeiros tempos após uma publicação). Mas isso é longe de ser algo baseado na crença simples. Essa crença é apoiada em conhecimento. De que determinada coisa foi obtida através do melhor meio possível de obter conhecimento que chegou à humanidade. E existem meios para se por isso em causa. E é posto em causa! As mentiras mais tarde ou mais cedo são descobertas.

1 – A afirmação de “céptico acredita em ciencia… porque conhece o que significa uma afirmação cientifica” é leitura mental, com a diferença de escolha de atributos de elogio ao invés de atributos pejorativos. Como é leitura mental, não serve como a alegação.

2 – Ele diz que “na crendice, a própria crença é a base do conhecimento”. Só que religião não é o mesmo que crendice. Embora possam surgir crendices da religião. Assim como podem surgir crendices da ciência.

3 – O meio pelo qual um cientista “sabe” ou deixa de saber sobre a ciência é irrelevante, pois a ciência possui um MÉTODO CIENTÍFICO, portanto o erro de João segue em associar todos os atributos do método cietnífico aos cientistas, o que está já desmascarado, como já visto no exemplo de cientistas que acreditam em memes e ETs. Cientistas possuem fé, e alguns casos fé cega.

4 – Ele erra ao dizer que “acreditar” é diferente de conhecer. Ele deveria estudar Gestão do Conhecimento, que define que o conhecimento intuitivo das pessoas é parte do CONHECIMENTO TÁCITO. Por exemplo, a conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito é parte do processo de Gestão do Conhecimento.

5 – O fato de “mentiras serem descobertas” em ciência não é um diferencial da ciência, é uma característica de qualquer área profissional. Em teologia, mentiras também são descobertas.

Ele apela para o espantalho de novo:

Pôr esse tipo de crença articulada e inteligente ao nível de uma “crença pela crença” (ou ao nível do conhecimento baseado na crença), em que a ordem do processo cognitivo é inversa, é um disparate. Não são exactamente a mesma coisa.

1 – Crença em ciência e em religião são a mesma coisa. Ele tentou diferenciá-las usando um “crença pela crença”, que é similar à fé cega.Mas isso não passa de falácia do espantalho, pois nem mesmo religiosos em geral são assim. Talvez alguns sejam, mas o João (leigo em ciência) também possui “crença pela crença” em todo o discurso dele. Já para o teólogo não, pois este não pode empregar “crença pela crença” em suas teses formais de teologia, caso contrário ele não consegue sequer trabalhar.

Aqui ele tenta justificar:

Se me disserem que é preciso pelo menos acreditar em alguns pressupostos (para fazer ciência), pois claro que é, mas são muito simples. São pressupostos tão básicos que se forem falsos, nenhuma outra forma de conhecimento é possível. Pressupostos com acreditar que a realidade existe e que é inteligível. Se há uma crença em ciência é a de que a realidade pode ser explicada. Mas se não pode ser explicada, isso afecta qualquer outra forma de pensamento que faça qualquer tipo de afirmações. Porque se o real não existe ou é incompreensivel, não há maneira de validar afirmações. Sejam elas quais forem. É como aceitar que é verdade que a verdade não existe. Não leva a lado nenhum.

1 – Tentar justificar o aceite dos axiomas da ciência não passa de FALÁCIA DO APELO À CONSEQUÊNCIA. Todo o parágrafo dele não passa disto. O correto seria João aceitar que existem tais axiomas na ciência, assim como existem axiomas na religião.

Por outro lado se o que se põe em causa é a confirmação das afirmações e saber se determinado estudo existe ou não, se é fraude ou não, isso também é absurdo quando feita a acusação de um modo generalizado. Porque para alem de existirem estudos falsos, e maus artigos, e “peer review” insuficiente, a regra é que o processo de auto-questionamento da ciência os encontre. Acreditar que a ciência só é autocrítica na nossa própria área de conhecimento é ilógico.

1 – Ele segue aqui com o erro grosseiro de tratar do dia-a-dia das teorias científicas e tenta comparar isso com a crença em Deus. Ele só poderia comparar a crença em Deus com a crença na universalidade das leis físicas. Basta ver na figura.

E lá vem mais…

Também podemos sempre ver o ranking da revista em que foi publicado, se teve “peer-review”, seguir as citações para ver os pressupostos em que o artigo se baseia, ler sobre as críticas que tenham sido publicadas (há sempre ou quase), ver como os autores conseguiram fazer o estudo (que meios tiveram, quem pagou, quem orientou, que interesses têm) etc. Em resumo, podemos em pouco tempo verificar se está a ser feita ciencia ou não. Mesmo que não consigamos perceber nada sobre o que estamos a ler, acreditar numa conclusão de um artigo cientifico porque podemos confirmar que foram cientistas a fazer ciencia, é uma constatação de que o conhecimento em causa é científico. É diferente de acreditar numa afirmação que nós não sabemos que processo cognitivo lhe deu origem, ou que sabemos não ter origem em investigação sistematica e metódica. Mais uma vez, este “acreditar” é mais “conhecer” ou “aprender”.

1 – Todo o começo do discurso dele neste parágrafo fala sobre teorias científicas, quando na verdade para comparar com a questão Deus ele tem que falar dos AXIOMAS da ciência, que estão em nível muito acima das teorias. Ele repete esse erro ad nauseam.

2 – Ele continua errando ao dizer que “acreditar” é mais “conhecer” ou “aprender” em ciência. Errado. “Acreditar” e “aprender” são ambos parte do CONHECIMENTO TÁCITO. Daí para a conversão deste conhecimento em conhecimento explícito, são outros 500.

Ele tenta fugir pela tangente:

E depois, existe outra coisa, que é a articulação do que está em causa, dessa afirmação hipotetica que queremos validar, com as coisas que nós conhecemos cientificamente em primeira mão. A ciência articula os seus conhecimentos como se fosse um puzzle da realidade. E a realidade, se pudémos aprender alguma coisa, é só uma.

1 – Mais um erro grosseiro: “A ciência articula os seus conhecimentos como se fosse um puzzle da realidade”. Essa informação é totalmente falsa. A ciência talvez seja um puzzle da realidade FÍSICA e TANGÍVEL (tem que ter os dois atributos, não só um). A realidade é só uma, mas ela engloba todos aspectos da realidade, como a realidade matemática, a realidade lógica, a realidade subjetiva, a realidade física, etc.  Dizer que a “realidade é só uma” é uma afirmação correta. Mas a ciência não trata desta “única” realidade, só de pequenos recorte da realidade. De novo: a realidade FÍSICA e TANGÍVEL.

E, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada:

Este texto todo é para dizer que crença em ciência tem um significado totalmente diferente de crença em outra coisa. É mesmo o inverso. Uma é acreditar porque existem evidencias e depois raciocínio que o suporta – outra é fazer o raciocínio e procurar as evidencias porque temos a crença. Não é a mesma coisa. E a confusão é perigosa.Quanto às dissonancias na ciência, existem claro, é a natureza do bicho, mas não são assim tão graves. É deixar para os especialistas em cada matéria a afinação das coisas mais complicadas. Não serve para invalidar a ciencia como o corpo de conhecimentos mais consistente que a humanidade tem. É um exagero falacioso esta linha de argumentação. Tipo argumento das lacunas. Pelas razões ja exploradas anteriormente.

1 – Como tudo que João escreveu, está errado de novo. O significado de crença em ciência é o mesmo de crença em qualquer outra área do conhecimento humano.

2 – Ele não sabe os motivos pelos quais um cientista acredita ou um teólogo acredita. Tudo que ele tentou aqui é chute.

3 – Ninguém aqui tentou invalidar a ciência como UM DOS corpos de conhecimentos mais consistentes existentes. Não dá para dizer que é o MAIS consistente. Tanto que ele fica abaixo da filosofia, que gerencia tanto os corpos de conhecimento da teologia e da epistemologia.

E para encerrar…

É natural que João se ILUDA com ciência e faça os discursinhos dele sobre ciência no estilo “divulgação de ciência”.

Ele diz que a área de trabalho dele é ciência, mas ele é um Médico Veterinário.

Isso não o desmerece, de forma alguma, como profissional, mas não o reputa como um cientista.

Esse é o grande erro dos leitores de “divulgação científica”. Acham que falam de ciência quando na verdade nem possuem idéia do que é ciência. Ele deveria reconhecer suas limitações, mas não o faz. E por isso é mais fácil ainda refutar sua ladainha.

Os erros de João demonstram a incapacidade dele não só de falar sobre ciência, como também de utilizar a comunicação humana. Todos os erros dele são erros não só conceituais, como também linguísticos.

Uma sugestão para João é que na próxima, ele deixe de tratar a ciência, e tente explicar CIENTIFICAMENTE como um cientista não possui fé ou crença, mas faça isso CIENTIFICAMENTE. Talvez ele possa tentar com um PET-SCAN do cérebro do cientista mostrando que o sistema límbico profundo (repositório das emoções, incluindo a fé) é menos ativo em um cientista do que em um teólogo. Sem algo assim, nada feito.

Do jeito que estavam as colocações dele, os dois textos viraram uma confusão de manipulação semântica que tornam o argumento dele totalmente sem sentido. Em uma hora, João falava de religião e em seguida pulava para teologia, e depois… slip…  pulava para crença pessoal. Claro que um leitor menos cético não perceberia as estratégias erísticas e técnicas de mudança de modo, mas justamente o foco deste blog é apontar tais irracionalidades usadas para enganar os outros na pregação do neo-ateísmo.

Dica ao João: tente de novo. Mas procure um psicólogo cognitivo antes.

Escrito por lucianohenrique

setembro 29, 2009 em 12:49 am

William Lane Craig ensina os limites da ciência para um químico…

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Esse vídeo veio bem a calhar, e ilustra bem o motivo pelo qual a idéia de dizer que a ciência abarca TODA a realidade é no mínimo deslumbrada.

O vídeo em questão mostra o trecho de um debate entre o apologeta e filósofo William Lane Craig e o químico Peter Atkins.

Atkins aparentava acreditar na onipotência do método científico, e Craig deu vários exemplos mostrando que tal afirmação é absurda.

Isso demonstra que a ciência, mesmo fundamental para a nossa espécie, tem os seus limites.

Não reconhecer isso é fantasiar sobre o que a ciência realmente é.

Escrito por lucianohenrique

setembro 15, 2009 em 12:14 am

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