Neo-Ateísmo, Um Delírio

Ceticismo e racionalidade na demolição da ilusão neo-ateísta

Posts Tagueados ‘teologia

Uma piada neo ateísta que mostra que eles são… motivo de piada

com 9 comentários

Eu falei da técnica “Tem que ser fé”, que neo ateus utilizam em quantidade impressionante, já que eles precisam atender a um programa de lavagem cerebral que sofreram.

Nesse programa, eles são orientados a achar que são os “iluminados” da razão, enquanto os oponentes seriam “os da fé, inimigos da razão”.

Eis então que foi publicado em uma comunidade do Orkut, uma tira supostamente cômica em que neo ateus estariam “ridicularizando” os religiosos, e de novo usando a falsa dicotomia entre ciência e fé.

A platéia neo ateísta quando vê uma tira dessa comemora como se o time deles tivesse feito um gol em final de campeonato. Não demora para sair frases do tipo “não vejo a hora de esfregar isso na cara dos religiosos que conheço”, “isso é um tapa na cara do teísmo”, etc.

A euforia deles é tão grande que… nem perceberam os gravíssimos erros conceituais que estão ali.

O primeiro dos erros é a inversão de planos, que é inaceitável em termos filosóficos.

O sujeito da tira tenta comparar um “método científico” com “método teísta”, se esquecendo de que método científico NÃO é um método filósofico, mas qualquer “método teísta” (seja lá o que diabos ele queira dizer com isso) é, principalmente se for considerada a teologia e a filosofia da religião.

Eis que um neo ateu poderia dizer: “aha, mas a tira fala da interpretação popular da religião”, o que é pior ainda para a comparação dele, pois métodos populares não podem ser comparados com o método científico, que é basicamente para a execução de uma profissão.

O segundo dos graves erros é dizer que no “método teísta” existe algo como “Vamos atribuir estados mentais humanos a uma entidade inefável e depois procurar confirmação”. Mas de onde ele tirou isso? Naturalmente, da fé cega dele.

Ora, na religião não se atribui apenas “estados mentais humanos” a Deus, mas sim toda a criação. Claro que é uma estratégia erística deles, o que, de novo, não surpreende.

O terceiro dos pontos é que eles não percebem o tiro no pé que dão, pois afirmam que teístas partiriam da existência de Deus, para depois buscar a confirmação.

Ué, mas quem disse que a própria existência de Deus não pode ser definida logicamente, e, depois de aceita, como axioma, dar extensão à outros raciocínios? Pois é seguindo o mesmo princípio que a universalidade das leis físicas é aceita, e só depois existe a extensão à outras idéias, como a possibilidade do conhecimento destas leis físicas, e daí por diante.

Claro que esse erro de percepção deles só ocorre por que os neo ateus não perceberam que estão cometendo a falácia da inversão de planos.

Tratar o aceite da questão Deus no mesmo nível do aceite de uma teoria científica é uma inversão de planos, pois a discussão de Deus é a discussão de um axioma, ao passo que a discussão de uma teoria científica não, pois está em um nível abaixo da discussão de um axioma.

A universalidade das leis físicas, a existência da moral e a existência de Deus estão em um nível superior de discussão, gostem os neo ateus ou não.

Estes níveis superiores de discussão (nível da epistemologia, teologia, filosofia, etc.), habilitarão os níveis inferiores, hierarquicamente, a seguir, a prosseguir com especializações do conhecimento baseadas na premissa já aceita anteriormente.

Que os neo ateus não tenham percebido todos esses erros, por si só já é motivo para iniciar uma investigação de como pode a lavagem cerebral que eles sofreram ter sido capaz de eliminar o potencial de realizar distinções cognitivas tão básicas, a ponto de colocar sob suspeita praticamente tudo que esse tipo de gente escreve. Cognitivamente, estão em um nível muito abaixo da média.

Em breve, teremos aqui nesse blog dois estudos sobre o neo ateismo, que serão apresentados em duas séries de artigos.

Um deles focará na origem e os motivos para o neo ateísmo, falando das associações do mesmo com a síndrome da mente revolucionária, e com o marxismo cultural, que toma como base neste caso a estratégia gramsciana.

O outro focará no estado mental dos neo ateus que, após a lavagem cerebral sofrida, perdem a capacidade de dedução lógica (tamanha a força do programa inserido neles), e cometem erros que só podem ser aceitáveis a alguem com debilidade mental. Neste caso, o tipo de debilidade mental a ser estudado é um tipo adquirido por hábito e lavagem cerebral, e talvez não por deficiência de nascença. Mas essa deficiência precisa, sim, ser estudada.

Alguém poderia dizer que muitos religiosos cometem erros lógicos. Sim, eu concordo, o que é normal na maioria dos seres humanos. Mas estes vem principalmente do cidadão popular, como no caso da empregadinha que vai na Igreja do Edir Macedo.

No caso dos neo ateus, erros lógicos em quantidade quilométrica são encontrados nos textos dos principais LÍDERES do neo ateísmo, ou seja, Richard Dawkins, Sam Harris, Christopher Hitchens e Daniel Dennett. E todos erros lógicos são repetidos pelos seus seguidores.

Ou seja, os INTELECTUAIS do neo ateísmo cometem erros lógicos em quantidade similar ao cidadão mais simplório do teísmo.

A grande piada da tirinha, portanto, não está nela em si, tão recheada de erros lógicos e científicos que é mais constrangedora do que engraçada para os neo ateus.

A piada está no fato de que neo ateus, quando tentam ridicularizar os teístas, demonstram que o método de análise deles é mais recheado de fé cega do que apenas fé, e com certeza não tem nada de científico.

Escrito por lucianohenrique

fevereiro 28, 2010 em 12:01 am

Deus, Um Delírio – Capítulo 4 – Pt. 5 – Delírios em Cambridge

com 5 comentários

O efeito colateral de pensar como um duelista de segunda divisão pode ser muito mais aterrador do que aparenta, e justamente para o próprio usuário desta técnica: no caso, Richard Dawkins. Dawkins se mostra vítima desse efeito quando resolve duelar em Cambridge contra teólogos, mas até o momento ele armou um discurso que só poderia ser apresentado a pessoas que não possuem sequer a instrução fundamental. O argumento Boeing 747 dificilmente seria encarado sem uma gargalhada por alguém que possui completo domínio de suas faculdades mentais.

Ora, é simples. Se um time só joga contra o 4 de Julho de Piri Piri, Gama ou outros menores (e até obtem resultados), quando ele vai jogar contra o Palmeiras, Inter-RS ou Flamengo vai tomar uma traulitada tão grande que talvez nem perceba o tamanho do impacto. O que fica evidente aqui é que Dawkins não percebeu o tamanho da cacetada que tomou em um evento com teólogos e acaba trazendo um discurso recheado de fantasias sobre a experiência.

Eis então que Dawkins narra a sua trajetória em uma conferência em Cambridge, na qual ele foi defender o seu argumentozinho:

Numa conferência recente em Cambridge sobre ciência e religião, onde apresentei o argumento que aqui estou chamando de argumento do 747 Definitivo, encontrei o que, para dizer o mínimo, foi um fracasso cordial da realização de uma reunião de cabeças pensantes em torno da questão da simplicidade de Deus. A experiência foi reveladora, e gostaria de compartilhá-la.

Engraçado é como Dawkins define este “fracasso”. Fracasso para quem? Será que a conferência foi realizada em torno dele? Engraçado realmente é ele definir que algo foi um fracasso sem sequer parametrizar como mensuramos se o fracasso ocorreu realmente. Dessa forma, podemos suspeitar que Dawkins tenha se sentido fracassado, e tentou lançar um discurso de derrota. Algo como o “nem queria, nem queria” que as crianças do primário fazem.

Depois deste início nada promissor, ele tenta apelar ao afago do amigo:

John Horgan depois questionou a mesma coisa e escreveu um artigo sobre a experiência. Nele, ele revelou, para meu desgosto, que a propaganda sobre o meu envolvimento como conferencista tinha contribuído para que ele e outras pessoas superassem suas dúvidas: “O biólogo britânico Richard Dawkins, cuja participação no encontro ajudou a me convencer e a outros companheiros de sua legitimidade, foi o único conferencista que denunciou que as crenças religiosas são incompatíveis com a ciência, irracionais e prejudiciais. Os outros conferencistas — três agnósticos, um judeu, um deísta e doze cristãos (um filósofo muçulmano cancelou sua participação em cima da hora) — ofereceram uma perspectiva claramente distorcida a favor da religião e do cristianismo.”

Para quem alega que é “divulgador de ciência”, como Dawkins o faz, a coisa caminha mal, muito mal. Para início de conversa ele tenta afirmar que Horgan revelou a Dawkins que a conferência tinha contribuído para que ele e outras pessoas superassem suas dúvidas. Engraçado que ele se esqueceu de afirmar que juntar um ou mais amigos para dizer “já esperávamos isso” não passa de uma técnica de auto-ajuda que em momento algum COMPROVA que realmente o resultado esperado era esse mesmo (ou seja, que as dúvidas lá estavam). A não ser, claro, que Horgan tivesse escrito tais dúvidas em um diário antes da conferência (e deixado ele na mão de auditores independentes). Mas, se Dawkins quer abrir um caso, provavelmente ele já deveria ter apresentado tais provas no livro, e não o fez.

Em seguida, Horgan teria dito que “Dawkins denunciou que as crenças religiosas são incompatíveis com a ciência, irracionais e prejudiciais”. De acordo com o que estamos vendo nesta auditoria do livro ‘Deus, Um Delírio”, até o momento Dawkins fracassa em todas as tentativas, o que nos leva a suspeitar de que ele fracassou por lá também. De qualquer forma, Horgan já era ateu, portanto é uma evidência com viés. Horgan poderia acreditar, por fé cega, em tudo que Dawkins disser, e isso por si só não comprovaria que Dawkins estaria correto. Sendo assim, trazer uma declaração de Horgan não tem valor de evidência para Dawkins.

Dawkins também afirma que Horgan disse que as visões dos religiosos lá foram distorcidas. Curiosamente, sem apresentar as distorções, tal alegação também perde todo valor de evidência.

Notaram que Dawkins apela à sua sensação subjetiva no meio de um caso de acusação? Isso que Dawkins aqui fez é tudo, menos ciência.

O uso da técnica de declaração subjetiva de amigo (Horgan, amigo de Dawkins) segue:

Horgan escreveu: “Minhas conversas com os fiéis aprofundaram minha avaliação dos motivos que levam pessoas inteligentes e cultas a abraçar a religião. Um repórter discutiu a experiência do dom de línguas, e outro descreveu o relacionamento íntimo que mantém com Jesus. Minhas convicções não mudaram, mas as de outros sim. Pelo menos um companheiro disse que sua fé estava balançada em conseqüência da dissecação da religião feita por Dawkins. E, se a Fundação Templeton pode ajudar a proporcionar um passo minúsculo na direção do meu ideal de um mundo sem religião, que mal poderia fazer?”

Quer dizer, mais do mesmo, e sem nenhum valor de evidência. Qualquer um pode chegar e dizer “aeeee, converti um, estou feliz, sucesso, eu venci”. Mas sem apresentar a evidência, o que resta no caso é uma evidência anedótica por parte de Horgan.

Vamos ver se Dawkins consegue melhorar em termos de evidências, pois até o momento ele não saiu do zero:

Respondi a Dyson, citando o discurso que ele proferiu ao receber o prémio Templeton. Tenha gostado ou não, quando aceitou o prémio Templeton Dyson enviou um sinal poderoso para o mundo. Ele seria tomado como o endosso da religião por um dos físicos mais destacados do mundo: “Estou satisfeito em fazer parte da multidão de cristãos que não ligam muito para a doutrina da Trindade ou para a verdade histórica dos evangelhos.” Mas isso não é exatamente o que qualquer cientista ateu diria, se quisesse soar cristão?

Vamos com calma, pois aqui há revelações interessantes. Dawkins mostra que Dyson estaria “endossando a religião” e é um dos físicos mais destacados do mundo. Só que Dawkins é um dos biólogos “mais ou menos”, e pelo seu lado “endossou o ateísmo” várias vezes. Segundo a visão do Dawkins, endosso ao ateísmo pode, mas ao teísmo não pode? E que argumentos ele tem em favor dessa tese de que endosso a teísmo é ilícito ao passo que endosso a ateísmo é lícito? Por enquanto, nada. No máximo, fica parecendo a birrinha de que, pelo fato de Dawkins ser ateu, ele é mentalmente incapaz de aceitar que Dyson seja religioso. O que é no mínimo um comportamento de criança por parte de Dawkins.

Como se isso não fosse suficiente, ele tenta apelar a falácia do “Nenhum Escocês de Verdade”. Algo como dizer que Dyson se é religioso, não é um “religioso de verdade”. O que ajuda, no entanto, a esmagar impiedosamente essa alegação é o fato de que ser religioso não implica em acreditar na Trindade. Desta forma, o argumento de que alguém “ao dizer que não acredita na Trindade, mas acredita em Deus, seria um ateu se fingindo de religioso” é facilmente esmagado. No caso Dawkins ainda apela para a molecagem de dizer que o fingimento de Dyson era SOMENTE para ganhar o Prêmio Templeton, o que mostra que em termos de comportamento social Dawkins também tem problemas seríssimos. Ele se mostra totamente antisocial para se relacionar com pessoas que não são a favor dele. Em todo caso, a alegação de que Dyson era “ateu se fingindo de religioso” é apenas mais uma anedota contada por Dawkins. Não passa de um delírio.

A partir de agora, começa a parte hilariante do discurso dawkinista:

Desafiei os teólogos a responder ao problema de que um Deus capaz de projetar um universo, ou qualquer outra coisa, teria de ser complexo e estatisticamente improvável. A resposta mais contundente que ouvi foi que eu estava forçando brutalmente uma epistemologia científica goela abaixo de uma teologia relutante.

Eu adoraria ver o tal “desafio” e a risada de pena dos teólogos em Cambridge quando Dawkins apresentou sua alegação. Como vocês verão na próxima seção, a demolição que Dawkins sofre quando um teólogo avalia o argumento 747 é algo que poderia levar o proponente a situações psicológicas terríveis, a não ser, é claro, quando Dawkins tenta enganar a si próprio.

De qualquer forma, Dawkins tenta dar uma de esperto e fica igual aquela criança de escola que foi no congressinho estudantil e foi ridicularizado por todos, mas que chega para a mãe e diz “eu fui muito bem, no máximo teve um que não entendeu o meu projetinho”. A coitada da mãe (até por que é a mãe) acredita. Mas claro que ninguém racional acreditaria no moleque. Assim como qualquer um que for racional não vai acreditar no discurso de derrota de Dawkins. Somente o fato de alguém forçar abordagem pelo método científico em cima de um assunto filosófico/teológico já é suficiente para o proponente ser ridicularizado facilmente.

Ainda há outro erro absurdo cometido aí. O argumento de Dawkins não é uma “epistemologia científica”. É uma afirmação que tentou ser um argumento filosófico/científico, mas não é epistemológico. A discussão de uma teoria, aliás, nunca está no nível da epistemologia, mas sim do método científico. Esse erro que Dawkins cometeu é outro que só pode ser catalogado como falta de experiência. Mesmo que ele seja biólogo, isso não o capacita a falar de epistemologia, matéria que ele realmente não domina.

E lá vem mais:

Os teólogos sempre definiram Deus como algo simples. Quem era eu, um cientista, para dizer aos teólogos que o Deus deles tinha de ser complexo?

Detalhe que Dawkins, mesmo sendo cientista, não implica em um cientista QUALIFICADO. E para discutir o que está dentro ou não dos limites da ciência, seria preciso mais que ser um cientista, e sim conhecedor de epistemologia e filosofia da ciência. Portanto, Dawkins errou o alvo. Mas enfim, independente de ser pretenso cientista ou pedreiro, definir um Deus como complexo, nos moldes que Dawkins fez, implica em um mais graves erros em filosofia: discutir um objeto sob discussão sob a própria concepção, e não a concepção do oponente.

E ele ainda não percebeu o impacto da porrada que ele tomou:

Argumentos científicos, como os que eu estava acostumado a empregar em minha área, eram inadequados, já que os teólogos sempre sustentaram que Deus está fora do âmbito da ciência. Não fiquei com a impressão de que os teólogos que montaram essa defesa evasiva estivessem sendo desonestos de propósito. Acho que estavam sendo sinceros.

O problema é que, como será demonstrado na seção a seguir, a teoria do Boeing 747 Definitivo, de Dawkins é tudo, menos científica. Não chega também a ser uma teoria filosófica ou teológica. Está mais para uma alucinação pós Santo Daime ou surto psicótico, mas jamais serve como alegação científica.

Mas, na boa, não acho que os teólogos ali estavam sendo sinceros. Muito provavelmente estavam com pena de Dawkins e respeitando-o, por caridade, e portanto não disseram que o argumento dele estava mais próximo de um discurso oligofrênico do que um argumento científico. Mas essa possível falta de sinceridade deles é justificável, pois Dawkins talvez sequer perceberia o quanto é fácil rir dos argumentos dele. Vamos em frente:

Mesmo assim, não consegui deixar de me lembrar do comentário de Peter Medawar sobre O fenômeno humano, do padre Teilhard de Chardin, ao longo daquela que provavelmente seja a resenha mais negativa que um livro já recebeu em todos os tempos: “Seu autor só pode ser eximido de desonestidade porque, antes de enganar os outros, fez de tudo para enganar a si mesmo”.

Os marxistas da Rússia do começo do século 20 tinham essa mania. Na falta de argumentos, eles defendiam que os oponentes deviam ser acusados exatamente do que eles mesmos faziam. Ora, se há alguém que se ilude (achando que seu argumento 747 é válido), este é Richard Dawkins, e não seus oponentes. Por enquanto, nesta contenda, o único a ter mentido para si próprio é Richard Dawkins.

Vamos em frente, portanto:

Os teólogos de meu encontro em Cambridge estavam se autodefinindo numa Zona de Segurança epistemológica onde ficavam imunes aos argumentos racionais, porque haviam decretado que assim era. Quem era eu para dizer que o argumento racional era o único tipo admissível de argumento?

O delírio de Dawkins não tem fim. Será mostrado na próxima seção que o argumento de Dawkins é o oposto de um argumento racional. Além de colecionar falácias, ele lembra o balbuciar de um maluco de sanatório, pois, além de fantasiar e delirar enquanto escreve, veremos que Dawkins ELOGIA o próprio argumento e diz que o seu argumento é racional, não o dos outros (mesmo que lá em Cambridge provavelmente ele já tenha sido advertido de seu erro). É realmente um louco de pedra.

Mais:

Existem outros meios de conhecimento além do científico, e é um desses outros meios de conhecimento que precisa ser empregado para conhecer a Deus. O mais importante entre esses outros meios de conhecimento revelou-se a experiência pessoal e subjetiva de Deus. Vários debatedores em Cambridge alegaram que Deus havia falado com eles, dentro da cabeça deles, de modo tão real e tão pessoal como qualquer outro ser humano teria falado.

Eu não sei desses que foram em Cambridge, mas dizer que esse é o “mais importante” argumento provavelmente é mais uma mentira de Dawkins. Normalmente, teólogos citariam São Tomás de Aquino, e, mais recentemente, as abordagens de William Lane Craig, Alvin Plantinga, e outros. Portanto, se Dawkins não apresenta evidências de que os teólogos em Cambridge usaram o argumento da experiência pessoal como o “mais importante” lá se vai pelo ralo, então, mais uma “evidência” de Dawkins.

Também é provavelmente mentira a informação de que esses teólogos disseram algo com “Deus falou comigo, dentro de minha cabeça”. Provavelmente falaram que tiveram alguma comunicação com Deus. De qualquer forma, sem que Dawkins traga as evidências das declarações deles, o caso de Dawkins cai no limbo. Mais uma vez.

E ele retorna ao discursinho da alucinação:

Já tratei da ilusão e da alucinação [...], mas na conferência de Cambridge acrescentei mais dois pontos.

Ihh… lá vem conversinha. Como já refutei o discurso de Dawkins sobre alucinação no capítulo 2 desta refutação, vamos então aos “dois outros pontos” que Dawkins afirma trazer:

Em primeiro lugar, se Deus realmente se comunicasse com seres humanos, esse fato não estaria, de jeito nenhum, fora do âmbito da ciência. Deus aparece vindo de onde quer que fiquem seus domínios sobrenaturais e aterrissa no nosso mundo, onde suas mensagens podem ser interceptadas por cérebros humanos — e esse fenômeno não tem nada a ver com a ciência?

Notem a fantasia de Dawkins aonde chega. Alguém fala em experiência pessoa, e ele adiciona, do nada:

  • (1)Aterrisar no nosso mundo
  • (2)Interceptação de mensagens (talvez ele tenha pensado em transmissão por cabo, ou Internet)

É claro que Dawkins apresenta, como sempre, o entendimento de uma criança.

Além disso, ele erra ao dizer que uma comunicação subjetiva automaticamente estaria sob o domínio da ciência. Talvez no futuro,mas por enquanto acompanhar qualquer experiência subjetiva está FORA do domínio da ciência. De forma que o caso de Dwkins novamente vai para a vala.

No primeiro ponto, ele foi simplesmente um pascácio. Será que no outro ele melhora? Vamos ver:

Em segundo lugar, um Deus que é capaz de enviar sinais inteligíveis a milhões de pessoas simultaneamente, e de receber mensagens de todas elas simultaneamente, não pode ser, de jeito nenhum, simples. Isso é que é banda larga! Deus pode não ter um cérebro feito de neurônios, ou uma cpu feita de silício, mas se possui os poderes que lhe são atribuídos deve ter alguma coisa de construção bem mais elaborada — e nada aleatória — que o maior cérebro ou o maior computador que conhecemos.

Eu estava certo. Ele realmente inventou a tal complexidade, e sugere uma “construção complexa” para Deus. De onde ele tirou isso? De uma definição que ele inventou. Portanto, se Dawkins teve a cara de pau de apresentar esses dois argumentos, mais o Boeing 747 nessa fundação, provavelmente foi motivo de chacota, pois tais argumentações do Dawkins só seriam admissíveis à uma criança… disléxica.

Mais:

Continuamente meus amigos teólogos voltavam à questão de que tinha de haver um motivo para alguma coisa existir, em vez de existir o nada. É preciso haver uma causa inicial para tudo, e a ela podemos chamar Deus. Sim, eu disse, mas ela precisa ter sido simples e portanto, seja qual for o modo como a chamemos, Deus não é um nome adequado (a menos que neguemos de modo explícito toda a bagagem que a palavra “Deus” carrega na cabeça dos crentes mais religiosos).

A incapacidade de Dawkins para o duelo teológico é tamanha que ele diz que a concepção de Deus dos religiosos PRECISA ser negada se Deus não tiver sido criado. Não dá para rotular esse comportamento de Dawkins diferentemente de debilidade mental. Talvez ele tenha nascido com um QI normal, mas o seu fanatismo o levou à incapacidade de raciocinar direito. É um caso bizarro de debilidade mental por opção. Ele simplesmente não consegue aprender que, ao discutir um conceito, este deve ser o do oponente e não um conceito que ele inventou. Muito provavelmente os teólogos em Cambridge lhe deram puxões de orelha, mas ele ainda não aprendeu.

Mas não deixa de engraçado ver de novo Dawkins pagar mico, agora publicando seu 747 em formato de livro, perante o mundo. E ele ainda não vai aprender.

Vejam:

O último recurso da defesa daqueles que me criticavam em Cambridge foi o ataque. Toda a minha visão de mundo foi condenada, considerada “oitocentista”. É um argumento tão ruim que quase o deixei de fora.

Mas está sendo mostrado aqui que TODA a visão de mundo de Dawkins é frágil e infantil. Lembra claramente crianças com retardo mental. Não é surpreendente, pois de acordo com Olavo de Carvalho, mentes revolucionárias, refletem um tipo de doença mental.

Doença, aliás, que segue refletida na próxima citação:

De qualquer maneira, já conheço o sarcasmo “oitocentista” faz tempo. Ele vem junto com o ataque do “ateu provinciano”. Vem junto com o “ao contrário do que você parece achar, ha-ha-ha, não acreditamos mais num velhinho de barbas brancas e compridas, ha-ha-ha”. Todas as três piadas são a senha para outra coisa, assim como, quando morei nos Estados Unidos, no fim dos anos 1960, “lei e ordem” era a senha para o preconceito contra os negros.* Qual, então, é o significado oculto de “Você é tão oitocentista” no contexto de uma discussão sobre religião? É a senha para: “Você é tão bruto, tão pouco sutil, como pode ser tão insensível e mal-educado a ponto de me fazer uma pergunta direta, à queima-roupa, como ‘Você acredita em milagres?’ ou ‘Você acredita que Jesus nasceu de uma virgem?’. Você não sabe que entre pessoas educadas não se faz esse tipo de pergunta? Esse tipo de pergunta acabou no século XIX”. Mas reflita por que é indelicado fazer perguntas tão diretas e factuais para as pessoas religiosas hoje em dia. É porque dá vergonha! Só que é a resposta que dá vergonha, se ela for sim.

Claro que dá vergonha. Mas é vergonha ALHEIA. Sentimos vergonha pelo Dawkins, somente pelo fato dele fazer perguntas desse tipo. É como sair perguntando para um especialista em Nietzsche como seria coerente com a filosofia dele um leão falar, ou então como Stephen Hawking resolveria o enigma do ovo cósmico sem apresentar a galinha. Claro que é vergonha (alheia), e justamente pelo fato de Dawkins não ter ainda a mínima noção do que está falando.

Normalmente, os cristãos são caridosos e ficam com pena quando um oponente está em um nível tão baixo de entendimento que ficamos até constrangidos quando alguém como Dawkins puxa esse tipo de assunto. Dawkins pode falar o quanto quiser da ressurreição ou do nascimento virginal, mas no fim o entendimento simplório é o dele, e não o do oponente. Aliás, a idéia de que cristãos teriam vergonha de suas crenças é mais um delírio de Dawkins.

Mais:

A conexão com o século XIX agora está clara. O século XIX foi o último momento em que foi possível para uma pessoa culta admitir acreditar em milagres como a gravidez da virgem sem sentir vergonha. Quando pressionados, muitos cristãos cultos hoje em dia são leais demais para negar a virgindade de Maria e a ressurreição. Mas isso os faz sentir vergonha porque sua mente racional sabe que é absurdo, portanto eles preferem não ser questionados sobre o assunto.

Como já dito, Dawkins insiste em que os oponentes sentem vergonha. Mas, novamente, é vergonha alheia. Temos vergonha de ver o Dawkins questionar o nascimento virginal da mesma forma que temos vergonha de ver uma criança questionar o Gênesis e dizer “ah, mas uma cobra não fala, não pode, não pode, vou ficar de mal”. Quanto mais o Dawkins tenta apelar à provocações, mais fácil fica de ridicularizá-lo, e, se antes tínhamos dó de pessoas que viessem com questionamentos do tipo infantil, no caso de Dawkins deixamos de ter pena. Aliás, isso explica pelo fato de que nessa refutação estou sem pena de Dawkins. Talvez os outros cristãos cultos, que não avaliaram o material de Dawkins a fundo, tivessem apenas vergonha alheia.

Então, vamos que vamos:

Deixei a conferência animado e revigorado, e com minha convicção reforçada de que o argumento da improbabilidade — a tática do 747 Definitivo — é um argumento muito sério contra a existência de Deus, e para o qual ainda não vi nenhum teólogo dar uma resposta convincente, apesar das várias oportunidades e convites para fazê-lo. Dan Dennett descreve bem isso como “uma refutação irrefutável, tão devastadora hoje como quando Filo a usou para derrotar Cleantes nos Diálogos de Hume, dois séculos antes. Um guincho celeste no máximo adiaria a solução para o problema, mas Hume não conseguiu pensar em nenhum guindaste, por isso desabou”. Darwin, é claro, forneceu o guindaste vital. Como Hume o teria adorado!

E depois dizem que não é bom ser sádico. A queda de Dawkins, na próxima seção será tão grande, mas tão grande, que até hoje Dawkins foge de debates em aberto com William Lane Craig.

Enfim, chega aqui ao final a quinta seção do capítulo 4. A próxima, e penúltima, é o momento onde abordarei a melhor das refutações feitas ao argumento de Dawkins. Uma refutação tão devastadora, que se Dawkins tivesse o mínimo de noção da realidade poderia pensar até em suicídio.

Mais um motivo para a vergonha dos neo ateus: em vez de Dennett avisar a Dawkins de seu erro estratégico, ele o apoiou! Isso mostra que a maluquice de Dawkins encontra par em Dennett.

Não tem problema, Dennett apanhará junto com Dawkins na próxima seção.

Escrito por lucianohenrique

janeiro 11, 2010 em 12:01 am

Refutando um “refutador” de Alister McGrath: começa o drama para Camilo Gomes Jr.

com 15 comentários

O duelismo argumentativo (não confundir com dualismo) é um exercício realmente interessante. Pessoas como eu, que gostam de um duelo de argumentos, acham prazenteiro encontrar outros que agem da mesma forma. Só que embora seja empolgante duelar com rivais que jogam de acordo com as regras (as boas práticas incluem não cometer falácias, não praticar erística, não distorcer informações, etc.), a coisa fica ainda mais divertida se os duelistas atuam como inimigos e são desonestos.

Este é o caso do blogueiro Camilo Gomes Alves Jr., que possui um blog chamado “A Voz da Espécie” e lançou seu texto “O Delírio de Dawkins?”, no qual diz que refuta e aniquila o livro homônimo, de Alister McGrath. Será? Vamos investigar…

Antes de começar a investigação do texto de Camilo, deixemos que ele se apresente: “Mineiro de Dom Cavati, no leste do estado. Depois de morar por quase 10 anos em Ouro Preto, vivo hoje em Campina Grande, Paraíba. Sou músico (compositor e vocalista da banda InArcadia, que atualmente encontra-se no estúdio, finalizando músicas próprias), escritor, professor de inglês e português, e estudioso de matérias nos campos da Neurociência, Psicolinguística, Psicologia Evolucionista e Antropologia.”.

Resumo da ópera: há grandes chances de estarmos diante de um baita de um picareta, no estilo daqueles marxistas radicais que infestam as universidades atuais. O fanatismo por Richard Dawkins é outro traço evidente em seu discurso. Essas minhas suspeitas se confirmaram durante a investigação de seu texto.

O resultado da investigação é o que vocês poderão ver a partir de agora.

Antes, atento também para algo divertidíssimo, que são os comentários às imagens (do post de Camilo) feitos por ele. São eles:

  • (1) “Richard Dawkins: um dos três intelectuais mais influentes do mundo.”. -> O problema é que o Camilo omitiu a informação de que isso é apenas opinião dos leitores da revista de esquerda Prospect.
  • (2) “O casal Alister e Joanna McGrath: texto crítico à obra de Dawkins que merece uma leitura ainda mais crítica.” -> Essa leitura não foi a de Camilo, que comete vários erros em sua suposta “refutação”. Faltou atenção e visão investigativa ao Camilo.
  • (3) “Antony Flew: crença num deus bem diferente do deus de judeus, muçulmanos ou cristãos.” -> Isso não ajuda o caso de Camilo, a não ser que McGrath tenha dito que o Deus concebido por Flew teria que ser igual.
  • (4) “Francis Collins: defesa da evolução e conversão delirante ao cristianismo.” -> Conforme mostrarei aqui, não há evidências de “conversão delirante”.
  • (5) “C. S. Lewis e seu livro “Cristianismo Puro e Simples” (“Mere Christianity”, em inglês): não é nenhuma grande obra teológica ou filosófica sobre o deus cristão, apenas uma reunião de palestras do autor trazendo mensagens tranquilizadoras em face do receio do mundo pós-Segunda Guerra, porém essa obra de autoajuda cristã foi catalizadora da conversão de Collins.” -> Camilo em nenhum momento comprova elementos de auto-ajuda na obra de C. S. Lewis.
  • (6) “Lênin: em seu livro, McGrath inventa e inverte palavras que o líder da revolução Russa teria escrito numa de suas cartas.” -> Mostrarei aqui que McGrath não inventou palavra alguma, e mostrarei as citações. Lenin queria, sim, trucidar os religiosos. E fez isso.
  • (7) “Capas das edições inglesa e brasileira do livro do casal McGrath: em português, em vez de uma indagação (“O Delírio de Dawkins?”), o título vem na forma de uma afirmação peremptória: “O Delírio de Dawkins”.” -> Também não serve como argumento contra McGrath, pois é natural que livros não tenham seus títulos traduzidos ao pé da letra.

Como se vê, até nos comentários das fotos Camilo se estrepa.

Segue então o texto de análise da auditoria do texto “O Delírio de Dawkins?”, feito em cima do caso apresentado por Camilo (não incluirei citações a todos os trechos, e sim aos mais relevantes e pertinentes):

Há mais de um ano, eu ainda tinha tempo e paciência para ficar na internet, discutindo com crentes que se esforçavam para me mostrar que o vírus da fé é mesmo incurável, pelo menos na maioria dos infectados com crenças que julgam ser a Verdade Absoluta do universo, mas que em nada diferem da crendice no poder mágico das ferraduras, na origem alienígena do chupa-cabras ou nas mulheres seduzidas pelo Boto, na Amazônia.

A idéia tola de “vírus da mente” já nos faz clarear a idéia de que as suspeitas de que estamos diante de um discípulo de Dawkins estão materializadas, definitivamente. Curiosamente, eu não conheço esses tais crentes que alegam ter crenças similares a Boto da Amazônia ou em Chupacabras. Se Camilo os conhece, isso é um problema basicamente dele. O que importa é que os leitores deste blog já saberão que ele partiu para atacar sem trazer evidências, o que já prejudica seu caso logo de abertura.

Vamos seguir, portanto:

Nesse verdadeiro “tempo perdido” da minha vida, durante mais uma discussão que tive numa sala de bate-papo em que o debate se centrava no tema “Ciência vs. Religião”, uma garota (bem, ao menos o nickname era de garota), assim que mencionei o nome de Richard Dawkins, partiu para cima de mim, com visível sede de briga. “O quê? Dawkins?”, veio logo disparando. “Você está mesmo desatualizado, hein? Não sabe que Dawkins já caiu em descrédito? Ele já foi totalmente refutado por McGrath, em seu livro que, a propósito, foi elogiado por ninguém menos do que Francis Collins, sabia? Aliás… Você já leu McGrath, por acaso?”

A questão de “tempo perdido” é irrelevante ao escopo de qualquer caso, pois tal diagnóstico é subjetivo. Não serve, portanto, como acusação contra os religiosos. De qualquer forma, a alegação da “garota” apontada por Camilo fala que Dawkins já caiu em descrédito. Ela apenas demonstrou um fato, mesmo que os seus seguidores fiéis (os neo ateus) não liguem muito para isso. Mas Dawkins possui hoje uma base menor de apoio, e Alister McGrath é um dos responsáveis pelo desmascaramento de Dawkins. Não é o único, no entanto. E ele nem alegou ser o único, diga-se.

Vamos em frente:

Respondi-lhe prontamente que, sim, conhecia os textos de McGrath sobre aquele que se tornou seu alvo de críticas favorito (algo quase como uma obsessão, na verdade), e tentei contra-argumentar, mostrando à minha interlocutora que, por um lado, faltava-lhe uma melhor compreensão daquilo que chamava de “refutação de Dawkins”, tal como berrava no chat, como quem tinha em mãos o veredicto da Suprema Corte da Razão Plena e Inquestionável. Busquei ainda mostrar que ela estava redondamente enganada em sua absurda afirmação de que não mais encontravam sustentação alguma as teorias defendidas pelo autor de O Gene Egoísta, O Fenótipo Estendido, O Relojoeiro Cego, A Escalada do Monte Improvável e Deus, um Delírio, entre outras obras. Aliás, a impressão clara que tive foi a de que ela, na verdade, nem mesmo conhecia as obras de Dawkins, somente aquilo que delas falavam seus críticos cristãos, em seus próprios livros ou resenhas publicadas na internet.

Estranho, muito estranho.

Aqui Camilo chama de “obsessão” a atitude de McGrath pelo fato de Dawkins ser o alvo favorito de suas críticas. O esperneio de Camilo torna-se irrelevante pois caso contrário ele teria que aceitar também a idéia de que Richard Dawkins teria obsessão por Deus e pelos religiosos, pelo mero fato de dedicar mais de 400 páginas só para atacá-los. Se o fator que Camilo decide usar para MEDIR obsessão seria o número de páginas dedicadas, Dawkins pode muito mais facilmente ser acusado de obsessão do que McGrath Dawkins. Com certeza, Camilo não aceitaria isso. Ele não seria estúpido a esse ponto.

Camilo, portanto, deu um tiro no próprio pé.

E vocês acharam que eu estava brincando quando eu falei que seria divertido, não é?

E isso é só o começo, pois tem mais:

Pode ser que Dawkins, compreensivelmente, não conte com a simpatia de McGrath nem de outros tantos cientistas teístas (bem como outros não crentes “politicamente corretos”, que temem arriscar seu prestígio e, talvez, seu emprego, cutucando o vespeiro fanático da religião que, trazendo em si o ranço de seu poder de influência de séculos passados, ainda tem pretensões de se manter eternamente “intocável” pela crítica). Mas isso não significa, de forma alguma, que o trabalho de Dawkins tenha caído em descrédito em meio à comunidade científica — embora, com certeza, aqueles de manifesta credulidade religiosa farão de tudo para defender sua perspectiva, mesmo que não sejam bem-sucedidos em oferecer uma alternativa plausível para a crítica que o biólogo britânico faz às religiões, que dirá uma alternativa (baseada em evidências e sólida teoria) para sua abordagem dos mecanismos biológicos da evolução.

Infelizmente, para Camilo, tudo que ele escreveu acima não é verdade. Dawkins realmente não goza de prestígio entre a elite da comunidade científica, e suas 3 teorias (gene egoísta, fenótipo científico e memética) jamais se tornaram “aceitas” a ponto de serem utilizadas em pesquisas formais. Chore Camilo o quanto quiser, pois ele não mudará essa situação trágica de seu ídolo.

Outra evidência é este link, que desmascara absolutamente todo o discurso de auto-ajuda de Dawkins apelando para a falsa dicotomia entre ciência e religião. É fato: a Academia Nacional de Ciências NÃO APÓIA o discurso no estilo Dawkins.

Outros exemplos incluem biólogos de elite como o já falecido Stephen Jay Gould e Michael Ruse, que nem de longe concordam com os delírios de Dawkins. Ambos são cientistas. Ambos são biólogos. Ambos são… ateus. De forma que a alegação de que “Dawkins não conta com a simpatia de cientistas teístas” cai por Terra. A defesa de Camilo só surtiria efeito se os únicos que discordam de Dawkins fossem cientistas teístas.

Até Ursula Goodenough, que foi citada por Dawkins como se ela estivesse em favor de seu caso, já ridicularizou não só o Dawkins como posturas semelhantes à dele. Ver aqui.

Sem motivo justificável, ele tenta apelar à Prospect:

A esse respeito, a propósito, a prestigiada revista britânica Prospect (em parceria com a revista estadunidense Foreign Policy) publicou, em 2005, o resultado de uma pesquisa de opinião sobre quem eram os 100 maiores intelectuais do mundo atual: o nome de Richard Dawkins aparece em 3º lugar, atrás apenas de Umberto Eco (2º) e Noam Chomsky (1º). Se McGrath, tal como afirmam seus admiradores, realmente desbancou Dawkins, tornando-o lixo descartável, por que então seu nome aparece em posição de destaque nessa lista recente, enquanto os nomes de McGrath ou de Francis Collins, que teceu elogios a sua obra, não surgem nem sequer na 100ª posição, como intelectuais de peso e influência? Afinal, até aquele ano em que a consulta foi feita, McGrath já havia publicado dois livros atacando o ateísmo e, nominalmente, Richard Dawkins, a saber: The Twilight of Atheism [O Crepúsculo do Ateísmo] e Dawkins God [O Deus de Dawkins].

O que é isso? Para tentar salvar a pele de Dawkins tentando dizer que ele seria “respeitado na comunidade científica” o sujeito me aparece com uma pesquisa da revista Prospect? Aliás, Prospect é uma publicação de ESQUERDA. E não é uma publicação de ciência.

Será que Camilo sequer desconfiou disso ao ver o nome de Dawkins ao lado de gente suspeita como Umberto Eco e Noam Chomsky? Santa ingenuidade… Bem, pelo menos já sei que Camilo não tem perfil para adentrar em áreas como investigação científica, auditoria, etc.

O fato é que qualquer resultado de pesquisa na revista Prospect NÃO SERVE como evidência de que alguém possui relevância na comunidade científica. A não ser que na revista o público fosse principalmente a comunidade científica, o que está longe de ser verdade. Portanto, a citação de Camilo é impertinente e mais prejudica do que ajuda seu caso.

E depois do “plim, plim”, a diversão prossegue:

A propósito, McGrath cita a supracitada pesquisa já na introdução de seu livro. Comenta a opinião do revisor de Deus, um Delírio num artigo posterior escrito na mesma Prospect. E, por fim, sugerindo que a pesquisa ocorreu antes do lançamento da primeira edição do livro de Dawkins, à página XI da introdução de O delírio de Dawkins, McGrath diz: “Não estou sozinho em meu desapontamento aqui. Deus, um Delírio alardeia o fato de que seu autor foi recentemente eleito um dos três principais intelectuais do mundo. Essa pesquisa ocorreu entre os leitores da revista Prospect em novembro de 2005. E o que foi que a mesma revista Prospect fez do livro? Seu resenhista ficou chocado com este livro ‘indolente, dogmático, vago e autocontraditório’.” Todavia, é preciso atentar para alguns fatos: (1) Como sabemos pelo jornal The Guardian, na edição de 18 de outubro de 2005, o resultado da pesquisa já havia saído no início daquele mês — McGrath parece ter problemas em checar seus dados, o que não vai acontecer apenas desta vez. (2) A pesquisa foi feita por duas revistas em parceria; não apenas a Prospect, mas também a Foreign Policy, onde não houve essa mesma opinião crítica. (3) A opinião de um crítico não reflete a opinião dos editores da revista. (4) A opinião de um crítico não reflete a opinião dos inúmeros leitores das duas revistas que responderam à pesquisa. (5) Fato mais relevante: o autor da crítica em questão é Andrew Brown, colunista sobre “assuntos religiosos”, e que simplesmente parece ter birra de Dawkins, com certeza por conta da visão crítica do biólogo acerca da religião, já que sabemos que, na mesma revista Prospect, na edição de junho de 1996, Brown escreveu uma resenha negativa a outro livro de Dawkins, Escalando o Monte Improvável, em que falou tudo o que bem quis sobre o livro, e ninguém deu muita bola para a sua opinião, pois o livro foi e continua sendo um sucesso de vendas. Brown parece ter apenas ficado bem irritado com o fato de que, apesar de suas críticas a Dawkins, este acabou sendo eleito um dos três maiores intelectuais do século 20, principalmente entre leitores da própria revista para a qual trabalha e onde fez suas críticas aos livros do biólogo da Universidade de Oxford.

Camilo comete o erro grosseiro de colocar a crítica feita na Prospect por Andrew Brown como PONTO CENTRAL do argumento de McGrath, e isso é completamente falso.

Qualquer um que souber ler e não for um analfabeto funcional saberá que McGrath meramente citou a resenha de Andrew Brown como um dos exemplos de resenhas contra Dawkins. Mas não para invalidar a pesquisa da Prospect.

De qualquer forma, já que McGrath não fez, eu faço: a pesquisa na Prospect é INÚTIL para comprovar qualquer coisa em favor de Dawkins. Além do mais, pesquisa sobre “intelectuais” feita por povão? Pesquisa por povão para eleger a mulher mais sexy, ou o programa “mais legal”, até aí tudo bem. Mas para eleger intelectuais? Ah, faça-me o favor.

Citar a revista Prospect, que é uma publicação de esquerda (assim como a Foreign Policy), só serve para derrubar o caso de Camilo.

Obs: Não é o fato da revista ser de esquerda que invalida a análise. Mas é fato que isso configura VIÉS, e portanto a análise tem que ser catalogada como suspeita. Pode ser, por exemplo, que os leitores de esquerda tenham votado em Dawkins não por sua intelectualidade, mas sim pela execução de uma agenda em favor da mentalidade marxista. Lembremos: o neo ateísmo é apenas uma manifestação de coisas vistas antes, como materialismo dialético.

Para deixar Camilo em situação ainda mais embaraçosa, ele aponta os itens (2) A opinião de um crítico não reflete a opinião dos editores da revista e (3) A opinião de um crítico não reflete a opinião dos inúmeros leitores das duas revistas que responderam à pesquisa. Alguns itens podem ser adicionados: (6) Se Camilo afirma que os leitores são “inúmeros”, como então a qualificação pôde ser realizada (a qualificação de alguém em pesquisa só pode ser feita se os elementos são numeráveis)?, (7) A opinião dos leitores da revista não configura a opinião da elite intelectual, (8) A opinião dos leitores da revista não configura a opinião da elite da comunidade científica.

E agora, Camilo, what about now? What comes next?

Vejamos:

Além do mais, voltando à questão do livro de McGrath ter desbancado as obras de Dawkins, se isso é mesmo procedente, então por que o documentário criacionista Expelled, de 2008, emprega tanto esforço desesperado em atacar principalmente esse cientista. Outra coisa: por que o documentário em questão não economiza um pouco de munição, apenas citando esse suposto “nocaute” de McGrath em Dawkins, o que seria de extrema relevância para os “argumentos” do filme? Ben Stein, o apresentador do documentário, poderia simplesmente dizer, ao entrevistar McGrath: “Este homem aqui escreveu um livro que acaba com Dawkins. Leia-o! Dawkins já era! Depois que McGrath o detonou, ninguém mais fala nesse sujeito nem lhe dá ouvidos no mundo científico!” E fim de papo!

Detalhe: Camilo em MOMENTO ALGUM conseguiu validar o prestígio de Dawkins na comunidade científica. Ele tentou apenas espernear alegando a pesquisa da Prospect, que, como já mostrei, não significa ABSOLUTAMENTE NADA nesse sentido.

Não deixa de ser bizarro, no entanto, usar um estratagema erístico tão infantilóide conforme o acima. O argumento de Camilo é tão ruim, tão ruim, que a única forma lícita de tratá-lo é com a paródia. Vamos então reescrever o argumento de Camilo: “Passando à questão do livro de Dawkins ter desbancado a religião, se isso é mesmo procedente, então por que vários documentários neo ateístas empregam tanto esforço desesperado em atacar principalmente a religião? Outra coisa: por que esses documentários em questão não economizam um pouco de munição, apenas citando esse suposto “nocaute” de Dawkins na religião, o que seria de extrema relevância para os objetivos de tal empreitada. Bill Maher, Pat Condell e outros, poderiam simplesmente dizer, entrevistando Dawkins: ‘Este homem aqui escreveu um livro que acaba com a religião. Leia-o! A religião já era! Depois que Dawkins a detonou, ninguém mais fala da religião e nem lhe dá ouvidos pelo mundo científico e pelo mundo afora. E fim de papo!”.

Em suma, é isso que Camilo chama de argumentação?

Como sempre, a única coisa que Camilo provoca é um sentimento de pena. Argumentos como esse do Camilo merecem compaixão, e não refutação. Basta parodiá-lo que o argumento já é auto-refutável por natureza.

Vamos em frente, portanto:

Aliás, o filme de Mark Mathis poderia resumir simplesmente a isso o que tinha a dizer sobre Dawkins, poupando os espectadores dos recorrentes e estúpidos ataques diretos contra ele, até mesmo por meio de desenhos animados representando-o em situações ridículas. Com a vantagem adicional de que o filme teria, pelo menos, uma piada engraçada, já que as tentativas de Stein de fazer rir, durante o longa, só funcionam com retardados. “Dawkins já era!” — isso me faria rir, com certeza!

De novo, a forma de provocação de Camilo não surte efeito, tanto que é de novo facilmente parodiável. Vejam: “Aliás, o filme de Bill Maher, ‘Religulous’, poderia resumir simplesmente a isso o que tinha a dizer sobre a religião, poupando os espectadores dos recorrentes e estúpidos ataques diretos contra os religiosos, até mesmo por meio de entrevistas fraudadas tentando representá-los em situações ridículas. Com a vantagem adicional de que o filme teria, pelo menos, uma piada engraçada, já que as tentativas de Maher de fazer rir, durante o longa, só funcionam com retardados. “Religião já era!” — isso me faria rir, com certeza!”

Ou seja, de novo a argumentação de Camilo é facilmente esmagável somente pela paródia, tamanha a ingenuidade dele.

Avante:

Quanto aos livros, uma primeira coisa a chamar a atenção é o fato de que, a fim de responder às 416 páginas em que Dawkins procura expor sua visão crítica da religião com paciência e didática (na edição brasileira, são mais de 500 páginas!), o casal McGrath vale-se de apenas 96 páginas, num dos livros mais finos que já li na minha vida. A esse respeito, Alister McGrath procura fugir à questão de que lhe parece ter faltado fôlego para prolongar a discussão, tentando usar a espessura do livro de Dawkins como algum tipo de prova de suas más intenções.

Incrível é o fato de Camilo se ater ao número de páginas do livro para criticá-lo. Vejamos então o que McGrath disse, e que Camilo omitiu de seu caso: “No entanto, embora cada distorção e exagero de Dawkins possam ser objetados e corrigidos, um livro que só oferecesse tal ladainha de correções seria catatonicamente enfadonho. Assim, supondo que Dawkins apresenta igual convicção em todas as partes de seu livro, só o refutarei nos pontos representatitivos”.

Pronto, danou-se aí o Camilo.

Qualquer alegação de “falta de fôlego” não passa de um fricote de Camilo, e, portanto, irrelevante para o seu caso.

Engraçado que ele diz que McGrath tenta usar a espessura do livro de Dawkins como algum tipo de “prova de suas más intenções”.

Onde é que foi que McGrath disse isso?

Será que Camilo tentou ler a mente de McGrath. Esses telepatas… como sempre, uns picaretas.

Desta forma, essa é apenas uma das muitas mentiras identificadas de Camilo.

Mais:

Na página 7 de The Dawkins Delusion?, ele escreve: “… o fato de Dawkins ter escrito um livro de 400 páginas declarando que Deus é um delírio é, por si só, muito significante. Por que um livro desse tipo ainda é necessário?”. Eu continuo querendo saber por que é tão conciso um livro que tem a ambiciosa pretensão de analisar minuciosamente e refutar por completo uma obra bem mais volumosa e explicativa, sobretudo por ter sido o livro dos McGrath encarado como capaz de responder a todas as dúvidas dos crentes que se sentiram incomodados com as proposições de The God Delusion [“Deus, um Delírio”, na versão brasileira].”

Pegar fraudador profissional é complicado. Só que desmascarar fraudador amador é uma moleza. É por isso que está sendo tão fácil…

Mais uma vez Camilo mente deliberadamente, pois como mostrei anteriormente, McGrath disse que optou por refutar Dawkins naquilo que ele considerou “pontos representativos”. Em nenhum momento McGrath afirmou que tinha a “ambiciosa pretensão de analisar minuciosamente” e “refutar por completo”.

Esse tipo de mentira é típico desse tipo de mente.

Esse tipo de gente, meio marxista, meio adepto do materialismo dialético, tende geralmente a isso. A mentir sobre seus oponentes.

Em suas duas tentativas de ataque ao McGrath até o momento Camilo mentiu em boa quantidade.

É exatamente igual aqueles marxistas de universidade, que ficam mentindo deliberadamente contra “a burguesia”. Não adianta dialogar com eles, pois eles fantasiam coisas que seu oponente jamais escreveu, e ficam refutando essas versões que eles inventaram. Basta entender o padrão da mente de Camilo e notar que ele repetirá sua mania de mentir compulsivamente, até de forma psicótica.

Duvidam?

Então vejam:

Já no primeiro capítulo, Alister McGrath tenta desbancar a hipótese de Dawkins de que a fé em Deus está relacionada a uma atitude de credulidade infantil, não muito diferente da crença em Papai Noel ou na Fada dos Dentes. Em The God Delusion, Dawkins chama a atenção para o fato de que, à medida que vão crescendo e tornando-se capazes de refletir com base nas evidências disponíveis, é comum que as pessoas, no entanto, abandonem suas crenças infantis em fadas e sei lá o que mais. McGrath concentra-se nesse ponto da analogia de Dawkins para contra-atacar, buscando diferenciar entre os dois tipos de crenças: “Quantas pessoas você conhece que começaram a acreditar em Papai Noel quando adultas? Ou que acharam a crença na Fada dos Dentes algo consolador na velhice?] (pág. 03)” Em sua argumentação, concluirá que, se Dawkins estivesse certo em sua analogia, como explicaria o fato de que muitas pessoas se convertem quando já são adultas, inclusive alguns ateus, como o próprio McGrath alega ter sido um dia. Agora, antes de respondermos a essa pergunta, vejamos o que mais ele diz neste exato momento de sua argumentação: “Tem-se um bom exemplo recente em Anthony Flew (nascido em 1923), o célebre filósofo ateu que começou a acreditar em Deus quando já estava na casa dos oitenta anos de idade.] (pág. 03)” Quis citar mais este trecho porque é exatamente nesta parte que muitos crentes batem palmas e dizem: “Aleluia!” Mas, para sua tristeza, terei de jogar um pouco de água fria em seu fervor religioso, já que o nosso teólogo está dando uma de espertinho para cima de seus leitores pouco informados.

Engraçado que talvez Camilo tenha alucinado e visto “crentes batendo palmas”, pois até o momento estávamos tratando de uma discussão entre dois acadêmicos, e não algo em culto sensacionalista.

Como eu falei, Camilo tem a mania de fantasiar e mentir.

Curiosamente, ele diz que vai jogar um “pouco de água fria”. Será mesmo?

Eu duvido, mas vejamos:

Para início de conversa, Flew — cujo primeiro nome se escreve sem “h” (Antony), a propósito — não começou a acreditar em Deus, tal como McGrath tenta ludibriar seus leitores, fazendo com que enxergassem, em suas mentes, uma linda cena de aceitação de Jesus Cristo como seu senhor e salvador. O que  aconteceu é que, a partir de suas reflexões filosóficas acerca do atual conhecimento do mundo, ele tornou-se um deísta aristotélico: Flew crê numa “Causa Primeira”, segundo a visão de Aristóteles. Em outras palavras: um deus, sim; agora, nada a ver com o deus dos cristãos. Ou seja, a história era bem diferente do que McGrath, decerto não inocentemente, dá a entender aos leitores de seu livro. E, para quem ainda tem alguma dúvida quanto à visão religiosa de Antony Flew, eis o que ele disse numa entrevista que deu, no final de 2004, depois de abandonar sua antiga visão ateísta: “[Penso num Deus muito diferente do Deus dos cristãos e muito mais longe ainda do Deus do Islã, pois ambos são retratados como déspotas onipotentes do Oriente, cósmicos Saddans Husseins.] (In: “Atheist Philosopher, 81, Now Believes in God”, matéria de Richard N. Ostling, Associated Press, 10/12/2004.)”.

É, eu tinha razão em duvidar. O Camilo realmente é um mitômano profissional.

Onde foi que McGrath disse que Flew acreditava em Deus de maneira EXATA à qual os cristãos acreditam? Resposta: em lugar algum.

Aliás, quem disse que Camilo sabe qual a concepção de McGrath em relação à Deus para fazer essa comparação? Talvez, Camilo tenha tentado telepatia de novo.

De qualquer forma, a questão levantada por McGrath segue incólume, pois o que Camilo supôs refutar é apenas um espantalho da declaração original.

Ele segue, tal qual fanáticos marxistas ou neo ateus acadêmicos já malucos, protestando:

Obs.: Notem que a imprensa, tal como adora fazer nessas situações por motivo de puro sensacionalismo barato, apesar do conteúdo da entrevista, coloca na manchete: “Filósofo ateu, de 81 anos, agora acredita em Deus”. Pelo visto, ou McGrath agiu de má-fé ou só leu a manchete dessa matéria, o que também é desonestidade, levando-se em conta o que escreveu em seu livro.

O fato é que que a manchete não é nem um pouco sensacionalista. Acreditar em Deus não implica em acreditar no mesmo Deus dos cristãos. Quer dizer, a manchete está CORRETA e não adianta Camilo fazer beicinho.

Aliás, Flew, mesmo que não acredite no mesmo Deus dos cristãos, já demonstrou respeito pelo cristianismo: “Na verdade, eu acho que o cristianismo é a religião que mais claramente merece ser honrada e respeitada, quer seja verdade ou não sua afirmação de que é uma revelação divina. Não há nada como a combinação da figura carismática de Jesus com o intelectual de primeira classe que foi São Paulo. Praticamente todo o argumento sobre o conteúdo da religião foi produzido por São Paulo, que tinha um raciocínio filosófico brilhante e era capaz de falar e escrever em todas as línguas relevantes” (Antony Flew, There is a God, p. 185, 186)

Só que Camilo não desiste nunca:

Seja como for, voltando ao problema levantado por McGrath, este não tem mais nada a oferecer como argumento contra a analogia proposta por Dawkins, ao passo que esta, por sua vez, diferentemente do que nosso teólogo afirma, pode ser facilmente compreendida.

É justamente o contrário. Todas as afirmações de McGrath em relação a Antony Flew estão corretas, e portanto a analogia de Dawkins está demolida. Claro que Camilo, como não apresentou um argumento em contrário (tentou refutar apenas um espantalho que ele inventou), McGrath segue indestrutível em seu argumento.

Como age feito retardado, Camilo não poderia deixar de mostrar que ainda possui idade mental baixa, como é evidente em seu parágrafo a seguir:

Analisemos os detalhes: 1) o presente deixado misteriosamente sob a cama, somado à confirmação dos pais de que foi mesmo o Papai Noel que o trouxe, fornece evidências ao cérebro da criança, que, então, aceita e assimila a existência do folclórico velhinho; 2) à medida que cresce, toma contato com novas evidências que contradizem a sua crença, com o que, racionalmente, abandona sua antiga visão das coisas — neste sentido, até mesmo a autoridade dos pais costuma assumir novo papel ativo, uma vez que, via de regra, confirmam ao filho, nesse estágio, que o velhinho do Pólo Norte, de fato, não existe. Todavia, aqui, vem à tona a questão ímpar da fé: por que ela também não se vai assim, tão facilmente? A verdade é que deixar de acreditar em Papai Noel não é algo que encontre resistência sociocultural, como acontece com a questão da fé, numa sociedade de valores moldados, em grande parte, por milenares princípios religiosos, desde tempos remotos, de parcos conhecimentos científicos, onde a visão mística da natureza se impunha, praticamente sem enfrentar oposição racional.

Aí é que está. Justamente isso é o que mostra que Camilo está totalmente errado.

Ele disse que a criança conhece Deus, e depois, com a idade adulta, essa crença não se vai.

Obviamente, ele mente.

A criança conhece uma “variante” da concepção de Deus, que não tem praticamente nada a ver com a concepção de Deus vista na forma adulta. Essa variante infantil (tratada pelas crianças como “papai do céu”) é ridicularizada por qualquer cristão adulto.

O argumento de Camilo só seria válido se a MESMA concepção que a criança tem de Deus, na infância, fosse mantida até a vida adulta.

É, Camilo, a vida de um neo ateu deve ser triste, muito triste… Sempre fantasiando sobre o que os inimigos pensam. E jamais acertando.

Que venha mais diversão, portanto:

Assim, essa pressão reacionária, contrária à negação da fé religiosa, torna a ideia do ente divino mais profundamente enraizada em nossa mente. Ocorre, não raro, uma combinação dos fatores pressão cultural + o padrão pelo qual nossos cérebros processam a computação do que assimilamos por dado verdadeiro ou falso (vide: HARRIS, S., SHETH, S. A. & COHEN, M. S. “Functional neuroimaging of belief, disbelief and uncertainty”. Annals of Neurology, Vol. 63, nº 2, 2008, págs. 141-147). Por fim, é comum a conseguinte manifestação de uma atitude que remete à analogia que Dawkins faz com uma das definições de delírio, que encontra no dicionário do Microsoft Word: “Crença falsa e persistente, mantida em face de fortes evidências em contrário, principalmente como sintoma de transtorno psiquiátrico.” A primeira parte captura a fé religiosa com perfeição.] (The God Delusion, pág. 05)”

Mais um motivo para mostrar que a definição de “delírio”, aplicada a Deus, é totalmente errada.

Só é possível catalogar algo como delírio se isso for definido como crença FALSA.

Por este motivo, a crença em Deus não pode ser catalogada como delírio. Talvez Dawkins e Camilo TORÇAM e POSSUAM FÉ CEGA de que Deus não existe definitivamente, e só aí seria crença falsa. Como não possuem tal evidência, Deus não pode ser catalogado como crença falsa.

Achar que Deus é um delírio mostra não só analfabetismo funcional, como também, aí sim, uma situação de delírio persistente, tanto em Dawkins como em seu seguidor, Camilo.

Resta a nós ridicularizarmos essa patuléia…

O delírio de Camilo prossegue:

Portanto, a resistência externa que há contra o abandono da fé fortalece a impressão desta a tal ponto que, cegamente, as evidências que a contradizem vão sendo, quase sempre, ignoradas, numa atitude delirante, conforme tal acepção do termo. E, uma vez que tais evidências não são assimiladas, essa crença teísta infantil, em particular, permanece nas pessoas, mesmo em sua fase adulta.

De novo a insistência dele, mas sem ele conseguir provar que a concepção que o cristão adulto possui de Deus é a MESMA que a criança de 5 ou 6 anos possui, NÃO VALE NADA.

Camilo está agora tentando vencer por ad nauseam, mas não adianta. O que vemos aqui é que ele erra continuamente, apenas isso.

Agora o delírio de Camilo tenta considerar Francis Collins:

Geneticista de nome reconhecido mundialmente por ter sido diretor do famoso Projeto Genoma Humano, Collins é um cientista importante, nisso McGrath está coberto de razão. Por outro lado, cumpre salientar que sua função no PGH foi mais administrativa, visto que o projeto foi um trabalho conjunto de vários geneticistas de diferentes partes do mundo, que foram os que de fato fizeram o trabalho pesado nos laboratórios. Além disso, o que tanto McGrath quanto sua leitora bitolada que discutiu comigo na internet esquecem é que Collins é também um ser humano, sujeito a todas as fraquezas humanas, inclusive aos fortes baques emocionais e as sequelas que podem deixar.

Engraçado. Agora Camilo tenta desqualificar Francis Collins?

Vejamos as informações que Camilo omitiu: Ele se tornou diretor o National Center for Human Genome Research, em 1997. Não foi um funcionário: e sim diretor. Além disso ele recebeu honrarias do Instituto de Medicina (Institute of Medicine) e a Academia de Ciências Norte-Americana (National Academy of Sciences). Pelo menos ele citou que Collins foi escolhido por Barack Obama para se tornar o chefe do Institutos Nacionais de Saúde  (NIH). Em suma, muito mais do que Dawkins jamais conseguirá.

Vejamos como se dá o duelo de Camilo com Collins (prevejo boas risadas):

O atual diretor dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla inglesa), que recentemente escreveu um livro em que declara sua conversão a uma visão teísta cristã, revela alguns dados interessantes para o leitor atento, nesse seu relato. O livro em questão se intitula The Language of God (Free Press, 2006 — já publicado em português: A Linguagem de Deus, 2007, Ed. Gente, embora eu não tenha lido a tradução para saber se está tudo nos conformes). Aqueles que o lerem terão a chance de descobrir uma coisa que McGrath (o grande malandrão) não deixa transparecer em seu livro: Collins faz uma defesa vigorosa da evolução darwiniana nesta obra, ao passo que critica a visão criacionista.

E qual o problema de Collins defender a teoria da evolução? Será que a mitomania de Camilo é tão patológica a ponto de supor que McGrath seria criacionista? Aliás, eu mesmo critico o criacionismo, mas da mesma forma dou risadas sádicas de crentes em memética e gene egoísta.

De novo, Camilo mostra a mania de marxista fanático.

Com marxistas loucos é mais ou menos assim. Se você discorda deles, eles te chamarão de “fascista”. Com leitor louco de Dawkins (que não passa de uma nova variante do materialismo dialético, de Marx), se você discorda deles, eles te chamarão de “criacionista”.

Eles são definitivamente malucos.

O caso é que até o momento Camilo não comprovou que Collins teria tido um “delírio”.

Vejamos se ele consegue mais a frente:

Isso mesmo! Nas partes em que usa seu conhecimento científico para avaliar a evolução, ele a corrobora, discorda da posição dos crentes criacionistas, bem como dos defensores do “design inteligente”, e apenas justifica que sua compreensão genética dos mecanismos da evolução o conduziu ao que se pode chamar de evolucionismo teísta, mas que ele prefere chamar de “BioLogos” — que seja! O que importa é que, analisando a evolução, do ponto de vista de seu conhecimento científico, Collins confirma a teoria evolutiva de Darwin e assina em baixo. Menos um ponto para os criacionistas!

De novo a esquizofrenia do Camilo. Se ele está dizendo que é “menos um ponto” para os criacionistas, provavelmente ele está adicionando isso em uma crítica em lugar errado, pois até o momento ele não provou que McGrath era criacionista.

Sendo assim, ele está lutando contra quem? Só se for um inimigo imaginário que ele criou.

A coisa segue feia para Camilo:

[...] Primeiro, Collins confessa que passou por alguns momentos em sua vida que tiveram forte impacto emocional sobre ele — o estupro da filha e o trabalho com pacientes terminais num hospital são bem destacados e dizem-nos muita coisa. É em face desses dramas que ele começa a refletir sobre o sentido de sua vida — outro dado muito significativo. A aceitação da ideia de um deus onisciente, onipotente, onipresente começa nessa fase.

Aqui é um novo tipo de falácia. O Camilo, como bom erístico e criador de factóides, agora tenta dizer que se alguém inclui uma reflexão em momento de trauma isso seria um fator para invalidar a reflexão configuraria um argumento contra qualquer conclusão oriunda após isso? Hmm… sendo assim, vários casos de ateus que se “revoltaram com Deus” após a perda de um ente querido seriam um caso contra o ateísmo? Claro que não. Aquilo que não vale para o teísmo não vale para o ateísmo também. Em todo o caso, coloquei o exemplo somente para mostra como o argumento de Camilo é nonsense.

Vejamos o diagnóstico do “estudioso” em Neurociência (embora eu desde o começo suspeitasse de extrema picaretagem e charlatanismo dele):

Por fim, esse deus criador, que ele começa a esboçar no cantinho da credulidade em seu cérebro, passa a ganhar os longos cabelos e barbas de Jesus, sem qualquer fundamento racional que leve de uma coisa a outra, quando, depois de ler Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis — nenhum especialista em filosofia ou teologia cristã, diga-se de passagem —, teve uma revelação: Collins relata que, numa bela manhã, nas montanhas, viu as águas congeladas de uma cachoeira — eram três torrentes congeladas, na verdade. Teve um insight: aquilo era um sinal, uma revelação de Deus. Ele acabava de descobrir a verdade da Santíssima Trindade! Na manhã seguinte, já se entregou a Jesus, reconhecendo o milagre de sua ressurreição. Nesse mesmo momento, as coisas se tornavam, enfim, “claras” em sua mente: a fé no Deus de Abraão, no Espírito Santo e no Jesus ressurreto, unidos em um só ser, era a resposta mais racional aos dados que a Biologia e a Física lhe haviam fornecido, ao longo de sua carreira científica. E concluiu: “de todas as perspectivas possíveis, o ateísmo é a menos racional”. Isso me fez lembrar uma música do cantor satírico Falcão, que ouvi outro dia, cujo refrão dizia: “Para mim, uma coisa é um padre, um menino e um jegue, e outra coisa é um pneu de caminhão.” Pelo visto, Collins discordaria — para ele, é tudo a mesma coisa!

Citar Falcão à essa altura do campeonato?

Reconheço o esforço de Camilo, mas a postura irritadiça, desesperada, inspirada no comportamento marxista, que ele desenvolveu em todo o seu caso são indícios de que ele luta por causa perdida.

Por exemplo, ele cita o momento da “revelação” que Collins teria dito. Ué, todos os seres humanos possuem “revelações”, ou então podem tomar decisões em cima de coisas que observam. Isso não torna uma crença verdadeira ou falsa. Portanto, até o momento Camilo não comprovou que havia algo de “delírio” na crença de Collins.

Ele também cita que Collins possui crença na ressurreição. Mas sem definir COMO é a crença na ressurreição, ele também não consegue implementar golpe algum em Collins.

A conclusão de que o ateísmo é a perspectiva menos racional é um direito do Collins, assim como é um direito de um neo ateu achar que a perspectiva teísta é a menos racional.

Isso ainda não configura delírio de nenhuma das partes.

Ou seja, até o momento Camilo não conseguiu sair do zero no placar.

E a citação de Falcão poderia também ser parodiada assim: “Para mim, uma coisa é um crente em meme, um menino e um jegue, e outra coisa é um pneu de caminhão.”. E pelo visto, Dawkins discordaria – “para ele, é tudo a mesma coisa!”

Essas paródias servem não como argumento, é claro, mas apenas para mostrar o quão baixo é o nível intelectual do Camilo. Agora entende-se por que Dawkins faz gato e sapato de gente assim e os ilude facinho. A mente deles é limitada.

Uma evidência dessa limitação mental do Camilo vem a seguir:

Bem, neste ponto, deixo Francis Collins de lado neste artigo. Afinal, qualquer um já deve ter entendido que o homem surtou. A sua conversão, ao contrário do que McGrath tenta fazer parecer, não prejudica em nada a visão darwinista da evolução, já que Collins confirma ainda mais a evolução pela seleção natural e sem design inteligente, e, ao mesmo tempo, ilustra muito bem o quadro da fé tal como sugerido por Dawkins: um tipo de delírio.

Engraçado é o diagnóstico de um “estudioso” de Neurociência (que não sabe nem qualificar o que é delírio) dizer que o Francis Collins “surtou”. Fica claro que isso não passa de delírio do Camilo, e não consegue sequer configurar uma acusação séria.

Outros pontos que prejudicam Camilo:

1 – Não prejudicar a seleção natural não implica em refutar McGrath, a não ser que McGrath fosse contra a seleção natural.
2 – Nenhum momento citado por Camilo comprova delírio em Francis Collins. Relembrando: delírio é uma crença FALSA. A crença em Deus só seria catalogada como delírio se fosse provado, definitivamente, que Deus não existe.

Mais um problema para Camilo: falta-lhe o básico de lógica. É por isso que todos os seus argumentos fracassam.

Em caso de ainda restarem dúvidas, vejam:

Alguém duvida que a conversão de Collins, psicologicamente vulnerável, em função das experiências de vida por que tinha passado, tenha sido exatamente isso, um delírio? Procurem o livro dele. Leiam os trechos em que ele descreve sua conversão. As palavras não deixam dúvidas: é uma descrição delirante, do primeiro ao último parágrafo em que ele narra tudo.

Aqui não passa da falácia do apelo à platéia, além da credulidade/incredulidade pessoal. Talvez alguns fanáticos leitores de Dawkins leiam o livro de Collins e ACREDITEM que Collins tenha tido um delírio. Duro vai ser PROVAR que ele teve um delírio. Isso é apelar para a platéia. Algo como dizer: “por favor, meus amiguinhos ateus, digam que leram o livro do Collins e que acreditaram que ele surtou”. Tradução: charlatanismo.

A sorte é que Camilo, como “adepto” da Neurociência, não passa de um curioso.

Ele desiste de Collins (e não conseguiu até agora causar nenhum arranhão nem em Collins e nem em McGrath), e retorna suas forças ao seu alvo principal:

Tentando fazer diminuir o crédito que as pessoas dão à erudição de seu rival, o autor escreve que Dawkins, em trabalhos anteriores a The God Delusion, costumava citar Tertuliano como tendo dito a notória frase “Credo quia absurdum” [Acredito porque é absurdo], a fim de mostrar que a atitude religiosa era algo totalmente descabido. McGrath, então, escreve o que deve ter feito seus leitores cristãos darem um risinho de satisfação difícil de conter: “Ele parou de citar isto agora, tenho o prazer de dizer, depois que eu lhe chamei a atenção para o fato de que Tertuliano, na verdade, não disse nada disso. Dawkins havia caído na armadilha de não checar suas fontes, e simplesmente repetir o que escritores ateus mais antigos haviam dito.] (pág. 5s)”.  Dawkins de fato citou equivocadamente Tertuliano como autor da frase acima, num ensaio chamado Viruses of the Mind [Vírus da Mente]. Sem dúvida um equívoco seu, já que o que Tertuliano escreve, em sua obra De Carne Christi [Sobre a Carne de Cristo], é o seguinte: “Nasceu o Filho de Deus; não tenho vergonha, porque é vergonhoso. E morto está o Filho de Deus; é imediatamente acreditável, porque é estúpido…” (cap. 2, verso 4). Parecido, em princípio, mas não a mesma coisa. Além do que, os versos de Tertuliano não querem dizer que ele acreditava no cristianismo porque fosse algo absurdo. A ideia, realmente, não tem a ver com o pensamento do autor cristão do século III. Por fim, a frase “Credo quia absurdum” tem origem desconhecida, podendo até mesmo remontar a uma citação errada e descontextualizada do verso de Tertuliano. Todavia, o curioso aqui é notar que, ao contrário do que diz McGrath, essa é a única vez em que Dawkins citou Tertuliano em algum de seus escritos. E a mentirinha de McGrath não para por aí. A primeira vez que notou o erro de Dawkins naquele ensaio foi em seu livro Dawkins God, de 2004. Acontece que já fazia 13 anos que Dawkins tinha escrito o tal ensaio, e nunca mais tinha usado o nome de Tertuliano em nada do que escreveu. Portanto, a historinha de McGrath, de que Dawkins parou de citar Tertuliano depois de ter sido corrigido por nosso teólogo malandrão, é mentira das mais deslavadas! Ele está, como de costume, tentando fazer fama em cima do nome de Dawkins.

Como advogado de acusação de McGrath (e ao mesmo tempo advogado de defesa de Dawkins), Camilo é realmente muito ruim.

Ele passa um longo parágrafo tentando implementar uma acusação em McGrath e erra completamente.

Vejam:

(a) McGrath disse que Dawkins costumava citar Tertuliano erradamente
(b) Camilo tentou maquiar isso para dizer que McGrath disse que Dawkins costumava citar Tertuliano EM SEUS ESCRITOS continuamente

Notaram a diferença?

McGrath realmente falou que Dawkins citava Tertuliano, de forma errada, várias vezes. Mas não disse que todas essas citações foram por escrito. E o que o Camilo faz? Finge que McGrath disse que essas citações erradas contínuas eram por escrito, e depois FINGE que refutou McGrath. Notem  o que Camilo diz: “essa é a única vez em que Dawkins citou Tertuliano em algum de seus escritos”. Mas quem disse que as citações só poderiam ser feitas por escritos?

Portanto, ao tentar acusar McGrath de mentiroso, vemos que o mentiroso em questão é Camilo.

Outros erros na acusação de Camilo:

(a) McGrath disse que corrigiu Dawkins quanto ao erro sobre a citação de Tertuliano, e então Dawkins parou de usá-la
(b) Camilo diz que McGrath corrigiu Dawkins por escrito em “Dawkins God”, de 2004, e portanto Dawkins não poderia parar de usá-la após a crítica de McGrath

O problema é que McGrath conhecia Dawkins pessoalmente, e já havia debatido anteriormente com Dawkins.

A acusação de Camilo, novamente, é inválida, pois McGrath só teria mentido se a crítica dele fosse SOMENTE a crítica feita no livro “Dawkins God”.

Não há nada ali que sustente que isso tenha ocorrido, pois a frase de McGrath (citada pelo próprio Camilo) inclui o seguinte: “depois que eu lhe chamei a atenção”, que teria sido dito por McGrath à Dawkins.

Ou seja, claros indícios de que existiu comunicação ALÉM dos escritos nos livros em questão.

Diante disso tudo, fica comprovada a desatenção de Camilo nessas duas tentativas de acusar McGrath.

Mas, como vocês puderam ver antes, não é a primeira vez que Camilo tenta esse estratagema.

Em seguida, vem o desespero: “Ele [McGrath] está, como de costume, tentando fazer fama em cima do nome de Dawkins.”

Isso é irrelevante para a acusação de Camilo. Até por que, se isso fosse verdade, teríamos também que acusar Dawkins de tentar fazer fama em cima do nome da religião.

Não passa de provocação infantil, e não configura argumento.

E, mesmo com esses deslizes grosseiros, o sujeito ainda quer dar consultoria sobre “elaboração de casos”. Querem ver? Notem:

Por sua vez, para quem quer se mostrar muito sabido, McGrath comete deslizes que Dawkins, tirando esse equívoco com Tertuliano naquele antigo ensaio, não costuma cometer em mais nem uma de sua obras. Vejamos alguns: “Lênin considerava a eliminação da religião como ponto central para a revolução socialista, e preparou medidas planejadas para erradicar as crenças religiosas por meio do ‘uso prolongado da violência’.] (pág. 48).Em The Dawkins Delusion?, McGrath faz a afirmação acima, mas não cita de onde tirou essa informação. Porém, num outro livro seu, The Twilight of Atheism, ele já tinha escrito o mesmo, acrescentando que a informação estava numa carta de Lênin, de março de 1922. Mas, nem mesmo ali, ele cita as palavras de Lênin na tal carta. Não importa! Uma versão em inglês da tal carta, datada de 19 de março de 1922, consta do livro The Unknown Lenin [O Lênin Desconhecido], de Richard Pipes. Coisa que não é de surpreender, ela não fala nada de erradicar a religião, mas, sim, propõe discutir com os membros do Politburo a necessidade de se tomar alguma providência contra o clero, que desafiava o governo ditatorial soviético, ao mesmo tempo chamando a atenção para não se arriscar a perder a simpatia dos camponeses, com a medida que viessem a tomar. O que importa, contudo, é que, sobre a questão da violência, Lênin escreve, fazendo uma menção a Maquiavel: [Um sábio escritor que tratou de questões concernentes à arte de governar acertadamente disse que, se for necessário apelar para certas brutalidades em nome da realização de certa meta política, estas devem ser perpetradas da maneira mais energética e no tempo mais breve possível, pois as massas não tolerarão a aplicação prolongada de violência.] Portanto, mesmo eu não sendo o que se poderia chamar de um simpatizante do antigo regime soviético, tenho que reconhecer que não havia nada nessa carta sobre o tema específico da eliminação da religião. Além disso, as palavras de Lênin, sobre o uso prolongado de violência contra os que desafiavam o governo socialista, eram exatamente o contrário do que McGrath escreveu. Ele estava advertindo contra o uso prolongado de qualquer medida violenta que se decidisse tomar contra aqueles clérigos insubordinados.

Como sempre, o estratagema básico de Camilo não muda.

Ele MODIFICA o argumento do oponente, e critica essa versão modificada. É claro que é picaretagem da pior qualidade.

Por exemplo:

(a) McGrath diz que Lênin considerava a eliminação da religião como ponto central para a revolução socialista
(b) Camilo assume que McGrath disse que a informação sobre eliminação de religião, por Lenin, teria que ter sido declarada em uma carta específica

Camilo erra em tudo, pois a menção à carta era em outro livro, e outro contexto. O negócio é manter o foco e considerar o livro “O Delírio de Dawkins”.

Sendo então irrelevante se Lenin disse isso em uma carta ou não, de onde Camilo tentou tirar a informação para inocentar Lênin? Resposta: de sua fé cega.

E vejam que coisa sensacional!

McGrath faz duas afirmações, que são:

(a) Lênin considerava a eliminação da religião como ponto central para a revolução socialista
(b) Lênin preparou medidas planejadas para erradicar as crenças religiosas por meio do ‘uso prolongado da violência’

Qualquer um que for atencioso notará que a declaração (a) fala de uma afirmação feita por Lênin, enquanto que a afirmação (b) fala de uma AÇÃO tomada por Lênin.

Ou seja, o fato de Lênin ter escrito que gostava ou não de ações rápidas NÃO SERVE para inocentá-lo de uma ação feita por ele e registrada historicamente. A sequência de mortos do regime comunista comprova a afirmação (b), mesmo que Lênin tenha escrito o contrário do que fez (o que não surpreende, vindo de gente com mentalidade conectada à Marx).

Já o item (a) é também verdadeiro, mesmo que não tenha sido em cartas específicas.

Vejam só: “Religion is the opium of the people: this saying of Marx is the cornerstone of the entire ideology of Marxism about religion. All modern religions and churches, all and of every kind of religious organizations are always considered by Marxism as the organs of bourgeois reaction, used for the protection of the exploitation and the stupefaction of the working class.” Essa declaração era de… Lênin. Um pouco mais pode ser lido aqui.

Por enquanto, conforme mostrei, McGrath não cometeu nenhum deslize (ao menos os que Camilo tentou apontar). Eu encontrei alguns deslizes na obra de McGrath, mas Camilo não identificou nenhum deles. [N.E. - Um deles, a meu ver, é ele atacar todos os ateus, ao passo que considero que atacar os neo ateus seria mais eficiente]

Depois de tantos desastres argumentativos, e não ter conseguido acertar nada até o momento, Camilo se apega ao irrelevante:

Em outra parte do livro, na página 3, para ser exato, McGrath menciona a participação de Dawkins no quadro “Thought for the Day” de um programa de rádio da BBC, em 2003. Dois erros: Dawkins participou do programa, mas não desse quadro — que não aceita a participação de não religiosos —, e foi em 2002, na verdade.

Quanto a isso não tenho certeza, mas a irrelevância disso é total, pois não serve para refutar os argumentos do McGrath. O livro de McGrath não é para dizer que Dawkins participou ou não de um programa. E, caso tenha errado o nome do programa, isso não configura erro do argumento.

De qualquer forma, esse foi o único acerto (possível) de Camilo até agora.

Novamente ele se apega ao irrelevante:

Na página 20, ele menciona um estudo acerca da descrença de muitos cientistas em Deus. Começa dizendo que o estudo foi realizado em 1916. Novo erro de data: foi em 1914. O livro em que é mencionanda a pesquisa é que foi publicado dois anos depois dela. Igualmente, na página 51, ele diz que a notória Madame Rolande, membro do partido girondista, durante a Revolução Francesa, foi guilhotinada em 1792. Ora, McGrath, consulte direito as suas fontes, cara! A execução foi em 8 de novembro de 1793, como informa qualquer enciclópedia. Para alguém que quis fazer piadinha de um erro de Dawkins, que nem mesmo está no livro The God Delusion, McGrath acaba dando um tiro no pé, com tantos deslizes no próprio texto em que faz sua crítica.

Engraçado que nenhum desses erros são PARTE do argumento de McGrath. Já o erro de Dawkins era PARTE  do argumento.

Dawkins queria usar a citação de Tertuliano para dizer que o religioso seria irracional. Estando a afirmação errada, o argumento de Dawkins cai. Aliás, caiu mesmo…

Já essas datas estando erradas (conforme Camilo apontou), nenhum argumento do McGrath cai.

Camilo falhou por não notar questões de pertinência em argumentação.

Vamos em frente, então:

Em outra passagem, McGrath conta outra mentirinha deslavada, que só não enxerga na mesma hora quem for uma besta deslumbrada com seu livro, ao ponto de nunca ler a obra criticada — atitude típica de gente bitolada. Pois, comentando o fato de que Dawkins discute as famosas cinco vias para demonstração da existência de Deus pela razão, postuladas por Tomás de Aquino na Suma Teológica, o autor tenta fazer parecer que Dawkins cometeu mais um equívoco, afirmando: “Dawkins entende equivocadamente demonstração a posteriori da coerência da fé e observação como sendo uma prova a priori da fé — um engano plenamente compreensível para aqueles que são novatos neste campo, mas um erro grave, todavia. (pág. 7-8)”. Lendo isso, fico pensando como pode um sujeito ser tão cara de pau. Afinal, basta ler o livro de Dawkins para se ver o quanto Alister McGrath é capaz de mentir para levar no papo os mal-informados que leem apenas a sua obra e declaram ao som de trombetas apocalípticas: “Dawkins foi refutado! Aleluia!” Na verdade, bem na página 80 de The God Delision, Dawkins diz exatamente o seguinte: “Argumentos em pró da existência de Deus entram em duas categorias principais, os a priori e os a posteriori. As cinco vias de Tomás de Aquino são argumentos a posteriori…”. Além disso, apesar de McGrath dizer que é um erro discutir as cinco vias tomistas como sendo argumentos para provar a existência de Deus, Dawkins as menciona em seu livro justamente porque, ao contrário do que afirma McGrath, a filosofia da religião vem usando as cinco vias como argumentos de demonstração da existência divina, desde a Idade Média até tempos bem recentes.

Ooooooo… o Camilo está nervosinho. Disse o seguinte: “só não enxerga na mesma hora quem for uma besta deslumbrada com seu livro, ao ponto de nunca ler a obra criticada — atitude típica de gente bitolada.”

Quer dizer, provocação de jardim da infância tão cedo?

Caramba, mas o sujeito está querendo começar na carreira de defensor do Dawkins e já começa se queimando e partindo para a baixaria tão cedo?

Deixando a histeria de Camilo de lado, voltemos ao caso, onde ele mostra uma incultura sem igual.

McGrath está certo ao dizer que Dawkins entendeu errado Aquino. Em caso de dúvidas, notem só como Dawkins comenta erradamente Aquino, pois está assim na página 112 da versão nacional de Deus, Um Delírio: “Esses três argumentos [...] assumem, sem nenhuma justificativa, que Deus é imune à regressão”.

Ô Camilo, burrinho, o que é isso senão tomar um argumento a posteriori por um argumento a priori?

É fato: Dawkins cometeu o erro sim. Mesmo que depois ele tenha citado que o argumento de Aquino é um argumento a priori, ele se confundiu antes e tentou argumentar como se o argumento de Aquino fosse a posteriori. Aliás, o comentário de Dawkins citado por Camilo ocorre somente na seção seguinte de Deus, Um Delírio, quando ele comenta o argumento de Anselmo. Para tirar as dúvidas, recomendo a consulta à seção “Index Reverso”, deste blog – o item 3.1 (As Três Vias de Dawkins) fala das críticas de Dawkins ao argumento de Aquino, e o item 3.2 (O Anacronismo de Dawkins em seu duelo com Anselmo). Críticas dawkinistas, como sempre, refutadas.

A tentativa de Camilo, portanto, não salva Dawkins, mas permite que eu explore o caso para aumentar o comprometimento da mensagem do neo ateu, que, como vocês podem notar, é nula.

Em seguida, ele critica McGrath, pois este disse que é um erro discutir as cinco vias tomistas como argumentos para provar a existência Deus.

Olhem o argumento de Camilo: “Dawkins as menciona em seu livro justamente porque, ao contrário do que afirma McGrath, a filosofia da religião vem usando as cinco vias como argumentos de demonstração da existência divina, desde a Idade Média até tempos bem recentes”.

Esse aí realmente se perde fácil, parece até que tem problemas de concentração.

Uma coisa é usar o argumento basicamente como prova (pois é o que Dawkins tenta criticar, pois ataca o argumento de Aquino isoladamente), outra coisa é usá-lo como UM DOS PRINCIPAIS argumentos, que devem ser avaliados em CONJUNTO com outros argumentos.

Portanto, Dawkins ignorou esse fato de como o argumento é usado, e, criando uma falácia do espantalho, tentou avaliá-lo em isolado.

É simples: McGrath foi impecável em sua refutação.

Camilo apenas não conseguiu perceber o tamanho do golpe recebido. Parece aqueles lutadores zonzos que acabaram de tomar um punch de direita, e estão, deitados na lona, ouvindo a contagem.

Todas as tentativas de refutação de Camilo (a não ser erros em relação a datas, ou a participação de Dawkins em um programa, que não afetam nenhum argumento de McGrath) fracassaram. Camilo apenas dá socos no vazio…

Mas ainda tem mais, agora de forma mais humilhante, pois Camilo tentará abordar a causa dos memes:

Mais adiante, ao comentar a hipótese dos memes — propostos por Dawkins como unidades de informação que se multiplicam de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (tal como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros (q.v. O Gene Egoísta) —, McGrath diz: “In “Em Deus, um Delírio, Dawkins expõe a ideia dos memes como se fossem ortodoxia científica estabelecida.] (pág. 43)”. Outra acusação falsa de nosso religioso teólogo. Afinal, embora Dawkins tente mesmo defender a ideia dos memes, a qual propôs justamente por achar plausível, ele próprio escreve em The God Delusion — o grifo é meu: “[… o propósito principal da teoria dos memes, neste estágio inicial de seu desenvolvimento, não é fornecer uma teoria compreensível da cultura, no mesmo nível da genética de Watson-Crick.] (pág. 196)”

O padrão mental mitômano de Camilo se revela de novo.

Notem:

(a) McGrath diz que Dawkins expõe a ideia dos memes como se fossem ortodoxia científica estabelecida
(b) Camilo finge que McGrath tentava dizer que Dawkins tratava a idéia dos memes como se fossem ortodoxia científica estabelecida para ser TEORIA COMPREENSÍVEL DA CULTURA, no mesmo nível da genética de Watson-Crick

Como se nota, ao usar (b) Camilo mais uma vez maquiou a afirmação de seu oponente.

O estratagema principal de Camilo é a ampliação indevida, junto com a maquiagem de informações. Ele cria uma versão exagerada do argumento original, refuta esse argumento e FINGE que refutou a versão original.

O fato é que Dawkins não só toma a teoria dos memes como estabelecida (embora não tenha dito que era para ser teoria da cultura, mas nem McGrath afirmou que Dawkins disse isso), como também sua patota, incluindo Susan Blackmore, Daniel Dennett, etc.

E, como sabemos, é uma teoria que é facílima de ser ridicularizada.

O discurso de derrota de Camilo agora toma parte:

Bem, no mais, eu poderia ficar escrevendo várias outras refutações às inúmeras besteiras que McGrath escreveu em tão poucas páginas, mas isso muitos outros já fizeram, e eu estaria apenas chovendo no molhado. Gostaria, contudo, apenas de mencionar mais uma atitude desonesta desse autor festejado (sobretudo entre os cristão, é claro). Em várias partes de seu livreto, McGrath cita a obra The Limits of Science [Os Limites da Ciência], de Peter Medawar. E, para qualquer crente que leia apenas The Dawkins Delusion?, ficará parecendo que Medawar e McGrath são seres cujas perspectivas da vida e do mundo estão em perfeita sintonia. Contudo, aconselho que todos parem de ler apenas uma versão dos fatos e aprendam a checar as referências bibliográficas com mais atenção. A verdade é que há muita gente nesse meio disposta a distorcer os fatos de qualquer jeito, a fim de fazer prevalecer sua “verdadeira verdade”. Quando McGrath cita passagens do livro de Medawar, omite trechos que lhe parecem, digamos, incômodos. Por exemplo, ao falar das “questões transcendentes”, na página 17 de seu livro, McGrath diz que Medawar relega estas apenas ao campo da religião e da metafísica. Na verdade, ele omite que o autor coloca estas questões como sendo da alçada de uma das quatro seguintes alternativas: os mitos, a metafísica, a literatura imaginária ou a religião (The Limits of Science, pág. 88).

Ué, se Medawar releva questões transcendentes ao terreno da religião e da metafísica, então ele simplesmente concorda com McGrath. Nisso eu também concordo com Medawar.

Além do mais, quando McGrath cita Medawar, ele normalmente cita pontos nos quais há concordância. E não há problema nisso, mesmo que Medawar em alguns pontos inclusive seja ateu, panteísta, deísta ou qualquer outra coisa. Simplesmente isso não importa.

O que importa é a convergência no ponto EM DISCUSSÃO.

Estranho Camilo ter questionado isso, haja vista que em qualquer citação que é feita não é necessário o alinhamento absoluto de todas as idéias, mesmo as que não estejam sob discussão.

Como se vê, McGrath é honesto ao citar alguém nos pontos de concordância, e relevar pontos de discordância que não atentam contra o argumento.

Os ataques de Camilo ficam, como se nota, cada vez mais estéreis. Aliás, até o momento foram todos risíveis.

Por exemplo, ele cita Medawar de novo, tentando atacar os argumentos de McGrath:

Além disso, Medawar também diz algo que McGrath (por que será?) resolve não compartilhar com seus leitores: “Abrir mão do governo da razão e substituí-lo pela validação da crença com a rapidez e o grau de convicção com o qual a abraçamos pode ser perigoso e destrutivo”.

Mas onde que isso refuta McGrath em qualquer momento? A forma como McGrath busca a Deus, teologicamente, é pela razão. Por tanto, Medawar, assim como McGrath, concordam que abrir mão do governo da razão e substituí-lo pela validação da crença com a RAPIDEZ e o grau de convicção com o qual a abraçamos pode ser perigoso e destrutivo.

Camilo, aprenda. Quando for citar alguém, em um caso de acusação, CERTIFIQUE-SE de que essa afirmação irá DERRUBAR alguma afirmação de seu oponente.

Qual afirmação do oponente de Camilo (McGrath) é derrubada? Resposta: nenhuma.

O resuminho, ao final, é também engraçado:

Resumindo tudo: (1) O livro do casal McGrath tenta invalidar a teoria da evolução em face do criacionismo e não chega nem perto de causar qualquer arranhão a essa sólida teoria — aliás, podemos agradecer a McGrath por nos trazer o exemplo de Collins, que, por um lado, refuta o criacionismo e valida a evolução, enquanto, por outro, presenteia-nos com um exemplo perfeito de conversão adulta claramente delirante. (2) As críticas a Dawkins nem de longe tiram-lhe o prestígio que tem no mundo acadêmico e que McGrath está longe de conseguir, por mais que tente fazer carreira às custas de escrever livros e livros sobre Dawkins. Ademais, sua acusação de que a militância de Dawkins em defender sua visão filosófica ateísta constitui um tipo de fundamentalismo religioso é tão ridícula quanto dizer que seja um tipo de fundamentalismo religioso a militância política de Noam Chomsky ou a insistente campanha de Cristovam Buarque por uma revolução pela via principal da Educação. (3) Ao longo do finíssimo livro do casal McGrath, como muitos críticos não comprometidos com a missão evangélica cristã constataram, há muitas distorções de trechos do livro de Dawkins, frases citadas fora de contexto, omissões de pontos que Dawkins discutiu, mas que McGrath dá a entender que não, além da pilantragem de costume de se deturpar o que outras pessoas disseram, a fim de fazer parecer que suportam a visão criacionista. Isso, fora as falhas encontradas no texto de The Dawkins Delusion?, das quais citei apenas algumas. Muitos leitores acharam outras tantas. Eis o livro que veio com a pretensão de ser a obra que desbancaria Dawkins e suas ideias. Na verdade, só muito barulho por nada!

Não sei se “O Delírio de Dawkins” é o livro definitivo para desbancar Dawkins.

Não acho, pois McGrath é bastante caridoso, possui compaixão e não trata Dawkins com o mesmo desrespeito que ele trata os religiosos. Se Camilo quis tomar esse como “a obra que desbancaria Dawkins”, isso é um problema da neurose que é inerente ao neo ateu, mas não a McGrath.

Como McGrath mesmo disse no prefácio, e eu citei aqui, as pretensões não eram de “refutação de cada distorção e exagero” de Dawkins.

Entretanto, em todas as refutações que Camilo tentou “refutar”, o neo ateu se deu mal.

McGrath saiu incólume, e ainda mais fortalecido, deste ataque do Camilo.

E ainda ganhamos um brinde: um estudo de caso claro de como um neo ateu fanático (Camilo) pode FALSIFICAR frases de seus oponentes, exagerá-las, para tentar combatê-las.

A partir de agora, dá para se criar uma “vacina” contra esse tipo de estratagema.

Nós, os religiosos racionais que adoram humilhar Dawkins e seus leitores, utilizaremos isso a nosso favor. Quanto a isso, Camilo pode ter certeza.

O resumo dele, aliás, é constrangedor, pois:

(1) Ele não conseguiu demonstrar que McGrath queria “invalidar” a teoria da evolução, e a acusação de “criacionismo”, conforme mostrei, é apenas um fricote de Camilo, igual quando um marxista maluco histericamente grita “fascista”, para seus oponentes. Além do mais, o fato de Camilo dizer que a conversão de Collins foi “delirante” mostra que ele não conhece o conceito de delírio. Isso mostra que os estudos de Camilo sobre neurociência estão ainda engatinhando…
(2) Ele afirma que o livro não “tira o prestígio” de Dawkins no mundo acadêmico. É fato: alguns fanáticos, neo ateus, que estão no mundo acadêmico, continuarão a babar o ovo de Dawkins. Mas muitos, que estavam na dúvida, agora puderam notar que os argumentos de Dawkins são vazios, recheados de fanatismo, e as citações de McGrath demonstram isso. Sair dizendo que McGrath quer fazer “carreira escrevendo livros e livros sobre Dawkins” também não é um argumento válido, pois se fosse o próprio Dawkins seria derrubado (pois escreve livros e livros sobre Deus). A militância de Dawkins não constitui um tipo de fundamentalismo religioso, e sim um fundamentalismo ateísta. E que é deveras ridículo. O próprio comportamento do Camilo, como todos os leitores podem notar, são uma mostra desse fundamentalismo. Aliás, Noam Chomsky e Cristovam Buarque não são bons exemplos para serem citados como exemplo de não-fundamentalistas.
(3) Ele tenta acusar McGrath de deturpação, mas fracassou em todas as vezes. Camilo, na maioria das vezes, tentou maquiar os argumentos de McGrath, lembrando o discursinho daqueles estudantes terroristas panfletários dos anos 60, que maquiavam as informações sobre a “burguesia”, e diziam que eles publicavam textos que jamais publicaram. Em seguida, ele diz que McGrath tentou deturpar argumentos dos outros “a fim de fazer parecer que suportam a visão criacionista”. O problema, para Camilo, é que ele não demonstrou onde McGrath fez isso no livro. Nem o próprio McGrath é criacionista.

Diante disso, fica evidente que os delirantes (adeptos de uma crença falsa) são os seguidores de Dawkins – e olhe que não me refiro a todos os ateus. Há ateus sadios, e há ateus malucos (assim como na religião, há religiosos sadios e religiosos malucos). No ateísmo, os malucos atendem pelo nome de neo ateus e são os leitores de Dawkins.

As confusões mentais de Camilo ficaram evidentes.

Entretanto, Camilo está em boa companhia: Dawkins com certeza aprovaria o seu comportamento maluco e mitômano.

Se não existissem ateus com esse tipo de patologia, como é que Dawkins iria ganhar dinheiro com livros e palestras para eles, não é?

Escrito por lucianohenrique

dezembro 26, 2009 em 12:10 am

Um teólogo ateu tenta ajudar Dawkins… e vai para a vala junto com seu ídolo

com 11 comentários

Um blog neo ateu chamado Godless Liberator apareceu “comemorando” um possível ataque à religião, mas o seu dono, Elizandro Max, foi precipitado demais. [N.E. - Depois descobri que o post era antigo, de 2007, mas não vai diferença, ele vai tomar um chute nos fundilhos do mesmo jeito]

Para começar, como sempre (provavelmente ele aprendeu com seu mestre, Dawkins), ele comete uma sucessão de erros em sua introdução ao alegado ataque de Edmund Standing. Elizandro, aliás, foi o tradutor do texto de Standing. Azar de Edmund, pois a publicação dele atiçou o meu interesse.

Notem o que Elizandro afirma:

O que é preciso saber (sem interrogação)
Ontem eu havia perguntado o que alguém precisa saber para estar apto a criticar a religião. Pela visão dos religiosos, seria preciso um ateu formado com mérito em teologia. E adivinhem só: essa criatura existe, chame-se Edmund Standing e escreveu um dos artigos mais incisivos que li ultimamente. Ele confirma tudo aquilo que, sem estudar teologia, eu e a maioria dos ateus já desconfiávamos: a teologia é uma não-saber sobre algo que não existe, e é falaciosa a idéia de que a fé é uma coisa por demais profunda, que nunca pode ser compreendida pelos ateus. Uma resposta à altura para qualquer um que diga que os ateus não podem criticar a religião. É um pouco longo, mas garanto que vale a pena.”
Aqui ele tenta introduzir o texto malicioso de Edmund Standing.
Ele disse que “ontem havia perguntando o que alguém precisa saber para estar apto a criticar a religião”.

Ele não disse onde, e nem para QUAIS REPRESENTANTES da religião a pergunta foi feita. Esse é o primeiro erro da apresentação de caso dele.

Em seguida, ele disse: “pela visão dos religiosos… seria preciso um ateu formado com mérito em teologia”.

Aqui ele continua chafurdando, pois ele afirma que “na visão dos religiosos”. Quais religiosos? Sem demonstrar quais foram, e o nível de representatividade de cada um para a religião, a alegação não vale nada.

Em seguida, ele parece confundir “crítica a religião” com “pregação neo ateísta”, o que é totalmente diferente. Um espírita pode criticar a religião e a Bíblia, e não necessariamente seria ateu.

Ele afirma que o artigo é um dos “mais incisivos” que ele leu ultimamente. O diacho é que a enorme quantidade de erros de Edmund Standing mostra que o nível de exigência do Elizandro é muito baixo. O texto de Standing é infantil, praticamente disléxico.

Segundo Elizandro, o texto de Standing é uma confirmação de que “a teologia é uma não-saber sobre algo que não existe, e é falaciosa a idéia de que a fé é uma coisa por demais profunda, que nunca pode ser compreendida pelos ateus.”

Erradíssimo, pois o texto não aborda NADA sobre teologia, e sim sobre o Credo de Niceno e uma citação maquiada da Bíblia. Resumir teologia a isso é coisa que só seria aceitável em pessoas acometidas de analfabetismo funcional. Por isso, o texto não confirma essa alegação do Elizandro.

Desesperado, Elizandro tenta a última cartada dizendo que o texto é “Uma resposta à altura para qualquer um que diga que os ateus não podem criticar a religião”.

Pelo contrário, os ateus podem criticar a religião e até a Bíblia.

Mas podem ser ridicularizados pelo seu entendimento infantil dela. Assim como Standing, com um entendimento típico de um deficiente mental.

Vamos então ao texto ridículo de Standing, que deixou o pobre Elizandro emocionado…

Os “novos ateus” estão evitando os “argumentos de verdade”? (por Edmund Standing – original em inglês)
O mais recente ataque [a livros de Dawkins e Hitchens] veio de Rowan Williams, arcebispo de Canterbury. Segundo Williams, nas discussões sobre cristianismo, a religião criticada por Dawkins, Hitchens e outros não é a mesma que ele reconhece como sua, e que estes autores, errônea e arrogantemente, dizem aos cristãos “eu sei o que você quer dizer”, quando na verdade não sabem, e isso aparentemente o “incomoda”.

Tecnicamente, Rowan Williams está correto, pois qualquer tentativa de telepatia é uma pseudociência e deveria incomodar não só ao Williams, como a qualquer pessoa racional (suponho que Standing não seja uma pessoa racional).

Ora, um neo ateu afirma ao religioso “eu sei o que você quer dizer” e o religioso responde “não, você não sabe”, a única forma que o neo ateu teria para se salvar de imediato seria proclamar a validade da telepatia, dizer que com esse recurso LEU A MENTE DO OUTRO (ou então consegue expor o resultado da mente do outro em um vídeo, como no filme “Minority Report”), e então ele provaria, definitivamente, que sabe o conteúdo da mente do outro com um grau previsto de confiabilidade.

Mas Standing não fez nada disso, e portanto já se deu mal.

Vamos então ver mais à frente o que Standing nos promete (a promessa dele é fortíssima, e por isso deve ser investigada):

O argumento básico de Williams e outros é que esses escritores simplesmente não se dispuseram a estudar um pouco de teologia e dirigir-se aos “argumentos de verdade”. Como eu sou formado com mérito em Teologia e Estudos Religiosos, presumo que Williams não pode alegar que não tenho idéia do que estou falando, embora eu concorde com as conclusões de Dawkins e Hitchens.

O fato de Standing ser formado com mérito em Teologia e Estudos Religiosos não implica que ele conheça os argumentos que vai criticar. Mas mesmo que conheça os argumentos que vai criticar, isso não implica que ele possua honestidade intelectual ao criticá-los. É possível, por exemplo, que Standing tenha lutado para obter uma graduação em Teologia apenas para tentar usar um apelo à autoridade posteriormente e tentar validar suas críticas. Como céticos, temos que investigar as possibilidades, e tudo é possível.

O fato é que a graduação de Standing em questão não mostrará que ele está certo, pois a proposta de acusação que ele faz a Rowan Williams e a todos religiosos é uma alegação extraordinária. E as evidências que ele traz são inúteis.

Mas vejamos como Standing segue:

A seguir, delinearei brevemente as bases da crença cristã, mostrando o que Williams considera como sendo verdade, usando suas próprias palavras. Minha conclusão é que Dawkins e companhia não erraram muito na sua representação da fé cristã, e sua falta de estudo teológico não afeta em nada a veracidade de seus argumentos.

É aqui que Standing faz a sua alegação extraodinária, que ele tentará manter até o final do texto. A alegação de Standing é desmontada, pois o máximo que ele poderá mostrar é o entendimento DELE a respeito do que ele supõe ser as bases da crença cristã, mas não o entendimento do Williams. E mesmo com a narrativa básica falsa (pois ela não é uma citação da Bíblia, mas sim uma citação particular e manipulada, fabricada por Standing), ele não comprova que esse é o entendimento do outro.

Notem o que Standing diz que é “narrativa bíblica básica”:

Vamos dar uma olhada rápida na narrativa bíblica básica: [N.T.: pode pular este parágrafo se quiser] Existe um ser incrivelmente poderoso e inteligente chamado Deus, cuja existência precede o próprio tempo. Por alguma razão, ele decide criar o universo, dando uma atenção especial ao planeta Terra [1]. Tendo criado o universo, a Terra e todas as espécies nela contidas (“criando” o Big Bang [2] e “guiando” a evolução [3], no estilo de interpretativo de Williams [4]), ele decide focar toda sua atenção a alguns grupos tribais do Oriente Médio, em particular os israelitas [5], o “povo escolhido” que se torna sua obsessão [6], ao mesmo tempo tempo que aparentemente ignora o resto da população mundial [7]. Ele baixa numerosas, primitivas e arbitrárias leis morais e cerimoniais [8], e então se envolve em disputas políticas tribais internas e disputas de terras, incitando atos de brutalidade, crimes de guerra, genocídio e estupro no processo [9]. Aí pulamos para o Oriente Médio sob Ocupação Romana, e Deus decide que é hora de dar as caras [10]. Por meios místicos, ele vêm à Terra em forma humana [11], nascido de uma virgem, encarnado como um judeu que peregrina pelo atual território Israel-Palestina [12], fazendo uma forte crítica social (mas nunca dando nenhuma explicação sistemática de como suas idéias poderiam ser úteis politicamente [13]), praticando a cura pela fé (exorcizando “demônios”), truques de magia (como andar sobre a água e ressuscitar um homem morto [14]), e discursando insistentemente sobre pecado, punição eterna para a maioria da população mundial e o iminente fim do mundo [15]. Ele acaba crucificado, a fim de oferecer-se em sacrifício a si mesmo [16], para o nosso bem. Alguns dias depois ele sai andando de sua tumba e perambula com alguns de seus seguidores (aparentemente não se preocupando em aparecer para ninguém que já não acreditasse nele [17]), antes de “ascender” ao “Paraíso” a fim de esperar a hora de retornar para ressuscitar todo ser humano que já tenha vivido, a fim de julgá-los e jogar a maioria num lago de fogo, selecionando alguns poucos para seu “reino” eterno, onde viverão felizes para sempre [18].

Selecionei alguns pontos da alegação de Standing, e mostrando que ele possui um entendimento que nos faz ter pena, muita pena, de seus pais, que tiveram um filho tão incapaz. Dificilmente uma criança de 10 anos possui um entendimento tão patético da Bíblia quanto Standing. Vejam:

1 – A questão de planeta Terra é irrelevante na questão.
2 – A Bíblia não fala sobre a criação do Big Bang, e sim de uma noção que também é explicada no Big Bang.
3 – A Bíblia não fala nada sobre o processo evolutivo. Apenas compreende-se, por outras fontes, que o processo evolutivo não contradiz a Bíblia.
4 – Nenhuma das citações que ele apresentou no caso contra Williams confirma que esse é o estilo interpretativo de Williams, de forma que estamos claramente diante de uma falácia do espantalho.
5 – Erro grosseiro. A atenção era dada a todos…
6 – Não há evidência alguma de “obsessão” por um povo. Standing não acerta uma…
7 – Não há evidência de que qualquer povo teria sido ignorado, a partir dos textos bíblicos.
8 – Palavras como “árbitro” e “arbitrariedade” só podem ser utilizadas para se falar da ação de um ser humano.
9 – Não seria possível Deus se “envolver” em disputas tribais, até pelo significado da expressão “envolvimento” no contexto de guerras. Da mesma forma, não há evidências de incitação a genocídios e estupros.
10 – Outra expressão burra de Standing. Não é preciso “dar as caras” na questão de um Deus. Ele novamente confunde Deus com uma pessoa.
11 – Quem veio a Terra não foi Deus, e sim uma manifestação de Deus. Em outro contexto, não é a ENERGIA que está na Terra (na questão de “A Energia”, como o todo), e sim manifestações da energia ou porções de energia. Se ele tenta mudar o modo de tratamento a Deus no meio da discussão, isso demonstra falta de base filosófica. Ele precisaria fazer duas acusações diferentes, pois ele trata de conceitos diferentes.
12 – A questão de se é “atual Israel-Palestina” é irrelevante para o caso dele, pois naquela época não havia o estado de Israel. A Bíblia não tinha obrigação de prever que essa região seria de conflitos atualmente.
13 – Quem foi que disse que idéias com foco no espiritual deveriam ser ensinadas no contexto de utilidade política?
14 – Como ele provaria que os eventos seriam “truques de magia”? Detalhe: há outras explicações que não “truques de magia”. Falta o conceito básico de evidência para Standing.
15 – Iminente fim do mundo? Standing está cada vez mais perdido.
16 – Mais um erro de mudança de modo grosseiro. Não foi Deus que se sacrificou. E sim ele enviou o seu filho para sacrifício.
17 – Ele não sabe com que Jesus se preocupou ou não no momento. O sujeito é tão neurótico que tentou agora aplicar leitura mental em Jesus? Risos.
18 – Não existe nenhuma expressão semelhante a essa na Bíblia.

Bom, uma coisa eu tenho certeza: não sei quanto a Williams, mas a religião na qual eu acredito é PRATICAMENTE OPOSTA àquela que Edmund Standing acredita. Ufa, sorte a minha…

Mas segundo ele isso seriam os “tijolos” com os quais a teologia cristã é erigida.

Vejam:

Esses são os “tijolos” com os quais a teologia cristã é erigida. Williams e outros obviamente protestarão que eles não vêem a coisa de maneira tão simplista, mas essa narrativa sustenta a Bíblia, os credos e liturgias da Igreja, e séculos de especulação teológica.

Agora eu tenho certeza: eu não acredito em qualquer coisa na qual Standing acredite, e tenho certeza de que meu entendimento é muito diferente do dele. Obviamente qualquer pessoa com o mínimo de racionalidade também possui um entendimento totalmente diferente daquele que Standing possui.

Standing está claramente no nível 2 do modelo que sugeri, BCMM, portanto jamais, de forma alguma, ele vai conseguir compreender a minha concepção de religião.

O mais terrível para Standing (que, como o nome dele próprio diz, NÃO SAI DO LUGAR) é que para provar que eles não vêem a coisa de maneira tão simplista, ele teria que usar um “Scan mental”, no mínimo igual ao mostrado no filme “Minority Report”.

Sem isso, quando ele diz: “é assim que você entende a Bíblia”, e lhe é retrucado “não, idiota, não é, você é que é um imbecil e não entendeu a forma como eu compreendo a Bíblia”, ele NÃO PODE FAZER NADA.

É por isso que esse é um jogo no qual é possível vencer Standing em TODOS os duelos, pois se ele não tem acesso à uma FILMAGEM da mente de seu oponente, ele NÃO PODE DIZER NADA a respeito de como o oponente entende algo, a não ser que este oponente DECLARE FORMALMENTE que o entendimento dele é da forma que seu inimigo alegou que seria.

Sendo assim, cabe a nós, religiosos, rir do entendimento que Standing fez da Bíblia, e notar que, no BCMM ele está no nível 2, e muito provavelmente Williams está no nível 4 ou 5. Só isso já mostra que:

(a) na discussão sobre a Bíblia, quando se fala em ressurrreição, ele provavelmente pensa em zumbis tipo o filme “Madrugada dos Mortos” ou “Extermínio”
(b) na discussão sobre Nietzsche, quando se fala em um leão proclamando algo, ele questiona se os animaizinhos de zoológico são cientificamente capazes disso
(c) na discussão sobre o Big Bang, ele fica procurando a galinha que botou o ovo cósmico

Dessa forma, não adianta, para Standing, dizer “está escrito” e então “o entendimento é esse, que é o máximo que eu consegui”, que isso não vai salvar a pele dele.

Vamos ver mais a frente…

Williams alega que “quando nós, crentes, lemos Dawkins e Hitchens, eis como nos sentimos ao virar as páginas: ‘Está tudo errado. Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito’”. Talvez nós ateus tenhamos entendido Williams mal, e alguma profundidade tenha sido perdida. Então, vamos ver o que Williams declara acreditar, e ver se é o caso.

É simples… Se Williams declara que a religião na qual ele acredita é muito diferente daquela que é atacada por Dawkins e Hitchens, é mais evidente que o nível de maturidade de Williams é diferente do nível de maturidade de Dawkins e Hitchens.

Simples assim.

Mas, vejamos até o final do texto, onde darei uma segunda chance à Standing. Pois, se pela tentativa de telepatia, ele fracassou, faremos um teste de “alinhamento” para provar ou não a alegação de Standing.

Vocês notarão que ele repetirá a alegação em seu “caso”.

Antes disso, vejam a “evidência” de Standing contra Williams:

Williams declara que “seria totalmente errado e destrutivo declarar do púlpito algo em que eu não acreditasse” e que “oferecer-se para a ordenação requer tomar a responsabilidade pela totalidade da fé da igreja, e não pedacinhos dela”. O que é “a fé da igreja”? Há alguma relação com a crua narrativa supracitada? O Credo Niceno serve, para muitas das grandes denominações cristãs, como uma declaração unificada de fé, tendo emergido de debates sobre a natureza da fé cristã, nos primórdios da igreja. Ele é lido por padres e congregações todo domingo eucarístico. Se Williams concorda com esse texto – o que ele claramente faz, já que também o recita alegremente – e, como vimos, ele acha que seria “totalmente errado” proclamar algo que ele não considerasse verdadeiro, então podemos tomar o Credo como um reflexo preciso de sua visão da realidade.

Standing é realmente fraquíssimo demais em seu caso. Para quem tem entendimento nível 3, provavelmente muitas declarações de Williams serão ALUSIVAS, o que é óbvio para qualquer um teólogo.

Só que o fato de alguém acreditar em algo não IMPLICA que essa pessoa possua o mesmo ENTENDIMENTO  de alguém inferior.

Muito provavelmente Williams acredita no Credo Niceno, mas o entende de forma muito, mas muito, superior à forma que Standing entende. Logo, qualquer declaração envolvendo simplesmente “acredito no Credo Niceno”, não implica em uma declaração DETALHADA de como alguém entende o Credo Niceno.

Standing deveria começar a estudar mais sobre Dialética de tribunal, pois ele tenta acusar um oponente e não se preocupa com itens básicos como dimensionamento da acusação. Ele simplesmente diz que “leu a mente de Williams”, e NÃO MOSTRA QUE CONSEGUIU.

Portanto, acreditar no Credo Niceno, não implica em entender o Credo Niceno da forma infantil que Standing entende. Motivo: Williams está no nível 4 (Profundo), Standing está no nível 2 (Incapaz).

E vejamos o que seria a “evidência” do Standing:

Eis a íntegra do Credo Niceno [N.T.: pode pular se quiser]: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai. De novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu Reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas. Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há de vir. Amém.

Mas isso é apenas a íntegra do Credo Niceno. Ou seja, não prova nada sobre o entendimento do Williams.

A coisa complica para Standing, principalmente pela frase “pode pular se quiser”. Espere. Ele tenta apresentar uma prova CONTRA o seu adversário, e depois afirma “pode pular se quiser”. (Obs: ele fez isso anteriormente, neste mesmo caso)

Ele está simplesmente dizendo que sua EVIDÊNCIA é irrelevante para a acusação dele.

Isso é coisa de amador. Nenhum debatedor focado em investigação cética cometeria um erro tão estúpido. Desqualificar a própria evidência? Putz…

E voltando ao Credo Niceno, que em si não implica em nenhum entendimento similar ao que Standing possui. Isso, é claro, é óbvio para qualquer pessoa racional e inteligente.

Mas notem o que ele tenta sentenciar baseado UNICAMENTE na interpretação dele do credo de Niceno.

Estas são as coisas básicas em que alguém deve crer para ser um cristão. Esta é “a fé da igreja”, a qual Williams acredita ser “responsável” por defender e proclamar. Vemos a história de um deus criador que “fala pelos profetas” israelitas e coloca informações importantes e precisas sobre o futuro nas “Escrituras” (ou seja, o Antigo Testamento); um deus que “desceu” de (e “subiu” a) um lugar real chamado “os Céus”, nasceu de uma mãe virgem, foi crucificado “por nós”, ergueu-se dos mortos, e um dia deve retornar “dos Céus” para ressuscitar os mortos, a fim de julgá-los, e ele levará os crentes para um “Reino” eterno. Deve estar bem claro que eu não li mal ou interpretei de forma errada as alegadas verdades da Cristandade, e que Dawkins ou qualquer outra pessoa poderia razoavelmente ler essa declaração de fé e decidir se a acha plausível , ou se a considera um nonsense fictício e fantasioso.

Não são “as coisas básicas”. São algumas delas, mas não todas.

Mas de novo:

  • (a) acreditar no Credo Niceno não implica entendê-lo da maneira infantil que Edmund Standing entendeu
  • (b) acreditar no Credo Niceno não implica em acreditar na mesma religião atacada por Dawkins e Hitchens (*)

(*) Essa é a acusação de Standing contra Rowan Williams, e até agora ele não provou nada em favor de sua acusação.

Vamos ver mais à frente se Standing melhora um pouco? Pois não…

Uma alegação-chave é que, como os “novos ateus” nunca estudaram teologia, eles não sabem realmente do que estão falando. Talvez algo importante tenha sido perdido. Talvez o Credo precise de alguma reflexão teológica para que seu “verdadeiro significado” possa ser discernido. Tomemos, por exemplo, a suposta ressurreição de Jesus. Se Dawkins estudasse teologia, por acaso ele entenderia algo diferente de um evento histórico literal sobre um corpo sem vida acordando e saindo andando do túmulo? Mas não é o caso de Williams. Quando o bispo ultraliberal John Shelby Spong sugeriu que Williams não acreditava realmente em cadáveres que saem andando, Williams declarou que isso o deixa “bastante irritado”, porque: “Sou genuinamente bem mais conservador do que ele gostaria que eu fosse. Tomemos a ressurreição. Acho que ele disse foi que obviamente eu sei tudo o que os estudiosos pensam sobre o assunto, e portanto quando eu falo em “ressuscitado” eu falo de algo diferente de um túmulo vazio. Mas não é o caso, e não sei como persuadi-lo disso.” Então, Williams acredita, sim, em cadáveres que andam. Mas e todo aquele papo sobre Jesus ser Deus encarnado? Talvez Dawkins e companhia, se tivessem estudado teologia, descobririam que Williams e seus pares têm uma interpretação mais criativa e poética, e menos literal. Mas, de novo, parece que não: “Alguns dos padrões fundamentais dos ensinamentos cristãos – a criação do mundo a partir do nada, o envolvimento total de Deus, Jesus e o Espírito Santo – são para mim a gramática de tudo que dissermos. Não me espanto quando alguém diz que deveríamos ser criativos sobre estes padrões; eles são aquilo que nos cria, são as realidades que tornam possível que sejamos os seres humanos que Deus deseja. Não consigo imaginar querer ser criativo a respeito a isso mais do que eu faria com o ar que respiro.”

Pelo visto, o que se nota pelo acima é que Rowan Williams acredita na ressurreição dos mortos, mas jamais citou a expressão “cadáveres que andam”.

Mais um indício de que, mesmo que Rowan Williams acredite na ressurreição, literalmente, isso não implica na validação de que ele acredita que “cadáveres andem por aí”.

O grande drama para Standing é que ele está apelando à interpretação literal, mas em NENHUM MOMENTO demonstrando o entendimento de Rowan Williams alinhado com aquilo que ele alegou. Pelo que se nota, é causa perdida para Standing.

E tenta espernear um pouco mais, e aí que ele se afunda definitivamente…

Pode-se perguntar de novo de que forma exatamente Dawkins e outros supostamente fizeram uma caricatura, um espantalho da fé cristã, e como Williams pode achar que “Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito”, dado sua clara concordância com as noções mostradas no Credo.

Como ele tenta usar a falácia do ad nauseam para acusar Rowan Williams, e ele não conseguiu até o momento LER A MENTE do seu adversário, temos que usar um segundo modelo para investigar a alegação de Standing.

Vamos usar aqui uma “medição de alinhamento”. É algo que se usa, corporativamente, para avaliar o quanto gerentes/diretores, por exemplo, estão alinhados com a estratégia da empresa. É basicamente para ver se o gerente ou diretor ACREDITA naquilo que os acionistas ACREDITAM.

Vamos então à religião conforme Richard Dawkins diz que é:

(a) É preciso acreditar em um Deus que é ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo.
(b) Essa crença não pode ser questionada, e nem analisada racionalmente.
(c) Essa crença deve ser contra a ciência, e também contra o método científico.
(d) Deve-se aprender, com a Bíblia, que matar os outros é bom.
(e) A utilidade da religião é para confortar as pessoas e aliviar do medo da morte.
(f) Religião implica em ser contra Darwin.

Segundo Richard Dawkins, essas seriam as “bases” da religião.

Cada empresa é diferente, mas aceita-se 85% de alinhamento como um valor bom em vários casos. Por CARIDADE com Standing, farei o teste considerando apenas 70% de alinhamento.

Vamos então às regras de validação, considerando esse “baseline” para investigação

  • Se Rowan Williams mostrar alinhamento com a religião, segundo Dawkins, em um valor igual ou acima a 70%, Standing está correto e ele vence
  • Se Rowan Williams mostrar alinhamento com a religião, segundo Dawkins, em um valor inferior a 70%, Standing está errado e eu venço

Lembremos: a alegação de Standing é a de que Rowan Williams acredita na religião que Richard Dawkins DESCREVE. Segundo Standing, ainda, não é lícito que Rowan Williams diga a frase “Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito”. Esse é o caso aberto por Standing.

O problema é que após avaliar os parágrafos que Standing trouxe aqui, como EVIDÊNCIA desse alinhamento de Williams, o “score” de alinhamento marca… 0%.

É isso mesmo!

Considerando os fatores (a) até (f), retirados diretamente do livro “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins, o alinhamento entre Rowan Williams e a religião DESCRITA por Richard Dawkins é zero.

Em suma, todo o texto de Standing CAI POR TERRA simplesmente por que está provado, sim, que Williams está correto ao afirmar a frase: “Seja qual for a religião atacada aqui, não é a mesma em que acredito”.

Depois disso, Standing vai ter que se virar para montar um novo caso, mas se ele não é muito bom nem em Teologia, também não tem muito conhecimento de Avaliação de Alinhamento, mas também não conhece Lógica e Argumentação Jurídica. Enfim, é um bocó de mola.

Como é que alguém parte para acusar um adversário e não se preocupa nem em levantar esse tipo de informação?

Seria descuido? Burrice? Fanatismo? Ou tudo junto?

Vamos então ao resto, pois agora é só o “restinho” mesmo que sobra para ser comentado.

Nesse ponto, sou obrigado a admitir que, para que certos aspectos do Credo poderem ser totalmente entendidos, seria necessária ao menos uma leitura rápida de teologia patrística. Algumas das frases têm um significado muito técnico, ao qual muitas vezes se chega depois de acalorado debate. Três conceitos que se destacam são os seguintes: “nascido do Pai antes de todos os séculos”, “consubstancial ao Pai”, e que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho”. Entretanto, o cerne da mensagem da cristandade não é dependente desse obscurantismo e pedantismo teológico. Essas frases são derivadas de reflexões posteriores, sobre as quais embasei o que chamei de “tijolos” da fé cristã. Não é necessário entender as meditações teológicas dos pensadores dos primórdios da igreja para concluir que um nascimento a partir de uma virgem, anjos, demônios, milagres, sacrifício de sangue divino, cadáveres que saem andando, céu e inferno, são conceitos sem sentido. Vemos aqui um exemplo claro da natureza da teologia, e porque este estudo é genuinamente desnecessário para que a fé cristã seja rejeitada.

* bocejos *

Dizer que algo é “sem sentido” somente por que o sujeito ACHA que é sem sentido ou tem um entendimento infantil do conceito não PROVA que algo é sem sentido.

Como eu disse, o sujeito não sabe apresentar um argumento e nem se prepara para solidificar suas alegações. Fraco demais. Acho que o Elizandro vai ter que arrumar um novo ídolo…

Aliás, o desempenho pífio de Standing, tentando desesperadamente salvar Dawkins, mostra que não só o estudo é genuinamente necessário para duelar com a religião cristã, mas também o ENTENDIMENTO e, é claro, além de alguma dose de inteligência. Coisa que nem Dawkins nem Standing possuem.

E vamos em frente…

Em princípio, qualquer um é capaz de julgar as alegadas verdades da cristandade unicamente a partir da leitura da Bíblia, pois toda a reflexão teológica posterior assume que essas narrativas são um reflexo preciso da história do mundo e da derradeira realidade. Tire as narrativas, e todo o edifício teológico desmorona. Eis o que se encontra na teologia: durante séculos, pessoas eruditas tentam fazer suas crenças claramente irracionais parecerem coerentes e lógicas, mas tudo baseado no mesmo conjunto pequeno de crenças básicas.

Essa de “qualquer um é capaz” é algo que enrola ele próprio.

Se “qualquer um é capaz” por que ele fez o fricote de dizer “eu fui formado com mérito em Teologia, acreditem em mim, por favor”?

Ou seja, ele se queimou a si próprio.

O problema, como sempre, é que ele não entendeu ainda que não só para a Bíblia, como para qualquer assunto complexo, o que importa não é a descrição literal, mas sim o ENTENDIMENTO dessa descrição.

Essa frase aqui é mais uma prova de que ele é um ser inferior revoltado com o conhecimento de pessoas superiores à ele: “Eis o que se encontra na teologia: durante séculos, pessoas eruditas tentam fazer suas crenças claramente irracionais parecerem coerentes e lógicas, mas tudo baseado no mesmo conjunto pequeno de crenças básicas.”

Mas e argumentos que sustentem isso? Ele não tem nada.

E lá vem mais discurso de derrota:

A essência da teologia é definida de modo conciso numa frase de Santo Anselmo de Canterbury (1033-1109): fides quaerens intellectum (fé em busca de entendimento). De fato, foi a primeira definição que me ensinaram, quando estudante de teologia. A noção de “fé em busca de entendimento” demonstra claramente o quanto a teologia é intelectualmente vazia, e quão baixa deveria ser sua credibilidade como objetivo acadêmico (no sentido de engajar-se ativamente em produção teológica, em contraste com o seu estudo acadêmico puro como parte da história das idéias).

Quer dizer, o cara não sabe nem o que é fé, e quer discutir?

Fé não implica em ausência de razão, mas no contexto religioso implica em “consonância” e “alinhamento”.

Aliás, notou um ponto que o coitado não entendeu?

“Fé em busca de entendimento”… e é justamente esse o drama que aflige o Standing. Ele NÃO POSSUI entendimento, e esperneia por isso. Em todo caso, ele só tem fricote, e não comprovou nada de vazio na Teologia.

Aliás, até o momento ele SEQUER abordou teologia, apenas citou o Credo Niceno.

Isso mostra que ele, em termos de Teologia, é também um picareta.

E lá vem:

A Teologia vira de cabeça para baixo o método científico que seguimos desde o Iluminismo. A pesquisa científica pode iniciar com uma proposição razoável baseada em evidência existente (hipótese), e então coleta e examina dados para ver se a proposição é realisticamente precisa, ou pode simplesmente levar à descoberta de dados que ninguém havia previsto. Já a teologia começa com a aceitação de idéias sem base factual, ou para os quais a evidência é espantosamente fraca, e orgulhosamente proclama a aceitação dessas idéias com base na “fé” como uma virtude, e então continua a tentar fazer essas crenças a priori parecerem racionais e inteligíveis.

Se o sujeito não conhece nem Teologia, o cenário dramático dele teria que ser completo mostrando que ele possui a mesma ignorância em relação à ciência que Richard Dawkins possui.

É revelador ele dizer que Teologia “vira de cabeça para baixo o método científico que seguimos”.

Quem disse que ele segue o método científico? O discurso de Standing não tem nada de científico.

De resto, a definição dele diferenciando teologia de pesquisa científica não passa de um discurso decorado com o mestre dele, Dawkins, mas que é totalmente nonsense, conforme já mostrado aqui várias vezes. Não passa de desconhecimento dos limites da ciência.

Mas ele segue:

Em outras palavras, chega-se aos “resultados” da teologia antes de ser feito qualquer estudo para confirmá-los. O teólogo não usa as doutrinas básicas da fé cristã como possíveis verdades cuja consistência lógica deve ser testada; em vez disso, ele começa com a conclusão que , pela fé, são verdadeiras suas “crenças”, uma série de afirmações internamente incoerentes, pré-científicas e fantásticas, e então tenta revesti-las com credibilidade intelectual.

Notaram que ele só repete a mesma ladainha aprendida com Dawkins mas não apresenta UMA PROVA SEQUER evidenciando que a teologia é isso mesmo?

O tal do Standing é completamente maluco. Primeiro por ter sofrido quatro anos estudando algo que ODEIA (a teologia), somente para depois brincar de apelo à autoridade. E, depois, para sair da faculdade e sair dizendo besteiras sobre a teologia, mostrando que gosta de fazer papelão em público.

Em suma, físico, arquiteto, engenheiro frustrado encontra-se por aí à rodo. Aliás, em toda profissão existem tipos assim. Standing apenas mostra que um teólogo pode ser um frustrado, fracassado, recalcado, e sair falando besteiras sobre a área. Sendo assim, de nada adiantaram os 4 anos para ele. E não serve para validar os argumentos que ele apresentou.

O argumento dele é mais ou menos assim: “Eu sou formado em [disciplina], portanto posso afirmar a respeito, logo, a [disciplina] é vazia e sem sentido!”.

Bastaria substituir [disciplina] por qualquer área de conhecimento acadêmico que quiser. Portanto, é estratagema de quinta categoria, facilmente mapeado e inútil para Standing.

Mas lá vem:

Nesse sentido, a Teologia não é uma busca acadêmica adequada, mas uma tentativa de mascarar a superstição numa névoa de verbosidade pseudo-intelectual. Williams é bom nisso. Já sabemos em que ele acredita sobre Deus, Jesus e tudo mais a partir de suas próprias palavras e por sua concordância com a doutrina da igreja; mas quando fala em público, ele tenta “turvar a água” com uma retórica insípida como numa palestra recente: “O religiosos diz que integridade moral, introspecção, honestidade e confiança são estilos de vida que se conectam com o caráter de um agente eterno e livre, que a maioria das religiões chama de Deus. Podem concordar ou não, mas aviso aos críticos: ao menos saber do que exatamente estamos falando. Muitas vezes os ateus parecem estar falando sobre uma coisa diferente.” Não, Dr. Williams, os ateus não estão “falando sobre uma coisa diferente”, mas sim das crenças que você proclama como verdadeiras. Revestir as idéias cristãs sobre Deus com termos como “agente livre e eterno”, é criar uma cortina de fumaça com jargões sem sentido, tentando fazer a superstição parecer algo sofisticado.

Mas olhem só como o sujeito tem problemas mentais sérios.

Se a Teologia não é uma busca acadêmica adequada, por que o imbecil ficou quatro anos estudando a matéria?

É óbvio que o cara é suspeito, e por isso na investigação do alinhamento de Williams, ele foi desmascarado.

O fato é que as declarações de Williams estão corretíssimas, e Standing é apenas uma fraude.

Ah… e na investigação de alinhamento, essa afirmação do Standing cai por água abaixo: “Não, Dr. Williams, os ateus não estão “falando sobre uma coisa diferente”, mas sim das crenças que você proclama como verdadeiras.”

Não, Standing, os neo ateus, se forem como você estão falando de uma coisa totalmente diferente, e gente estúpida desse tipo jamais vai entender como Rowan Williams pensa. E nem como eu penso. Burros como Standing não tem a mínima noção das crenças que eu proclamo como verdadeiras. Pois são burros e limitados para entendê-las. Simples assim.

E vamos em frente…

Pelas palavras de Williams, parece bem provável que ele não tenha se dado ao trabalho de ler os escritos que ele critica. É incrível que ele tenha a desfaçatez de associar a fé cristã à “integridade moral, introspecção, honestidade e confiança”, sem atacar as duras críticas feitas por Dawkins em “Deus, um Delírio” à noção de moralidade e religiosidade derivadas da Bíblia. Parece que o que estamos vendo é apenas a repetição de argumentos de séculos de idade, tão fracos que mesmo uma criança do primeiro grau poderia desmanchar: a noção de que a crença em Deus é integralmente ligada a padrões éticos, com a implicação que ateus são incapazes de serem morais, já que não acreditam em um vigia divino que um dia nos levará a julgamento.

Eu não sei se os ateus são imorais, mas que o Dawkins e o Standing não possuem ética alguma, isso é fato.

Mas não há problema: auditores ADORAM encontrar pessoas sem ética pela frente. Eles vão lá, investigam, e acham algo que desmascare esse tipo de gente.

Contra Standing, eu mostrei que toda a alegação dele contra Williams é fraude. O próprio Standing é uma fraude.

E, lembrando o comportamento do Standing, vou só repetir o que eu escrevi no texto sobre o BCMM: “Ou alguém aqui que já trabalhou numa organização CMMI nível 5 tentou explicar o seu modelo de trabalho para alguém que vive (e gosta de viver) em uma organização CMMI nível 1? Em vários casos, encontram-se pessoas que, estando em um nível inferior de maturidade, simplesmente não entendem o que pensa alguém que está em um nível superior. Depois disso, a pessoa que está no nível inferior simplesmente pode FANTASIAR que o pensamento daquele que está no nível superior é igual ao dele. Não, não é.”

Ou seja, o cara NÃO DEMONSTROU alinhamento do Williams com a religião citada por Dawkins, e não provou nada contra a teologia. Aliás, até agora, ele NÃO CITOU NADA de teologia.

Engraçado é ele dizer o seguinte: “é apenas a repetição de argumentos de séculos de idade, tão fracos que mesmo uma criança do primeiro grau poderia desmanchar: a noção de que a crença em Deus é integralmente ligada a padrões éticos”.

Os argumentos teístas, nesse caso, não são fracos. Aliás, Standing sequer tratou desses argumentos. Mas confesso que seria divertido ver ele apresentar outro CASO. Se for no mesmo nível dessa apresentação frustrada contra Williams e a favor de Dawkins/Hitchens, vou me divertir bastante.

E mais:

Será que Dawkins, Hitchens e vários outros pensadores ateus fizeram uma representação grosseira da cristandade? Será que os cristãos tem alguma razão para dizer que a religião citada por esses pensadores é diferente daquela que eles pelo menos dizem seguir? A reposta para as duas perguntas é não. Será que, para rejeitar a crença religiosa, Dawkins e outros precisam mergulhar em séculos de falastrice teológica? Claro que não.

Pelo que mostrei, na investigação do alinhamento de Williams, que resultou em 0, CLARO QUE SIM. Claro que a resposta para as duas perguntas é sim.

Não adianta o Standing espernear…

O fricote continua:

As declarações de Williams e outros como ele não passam de reações de reflexo contra o racionalismo. Eles se queixam que sua fé foi mal entendida, quando o que parece é que eles mesmos é que estão representando mal suas reais crenças. Como é que o Arcebispo de Canterbury, um homem que por sua própria posição crê em todos os ensinamentos centrais da fé cristã, pode declarar que as críticas dos ateus evitam os ditos “argumentos de verdade”, é algo que me escapa.

Como sempre Standing está errado. Nas declarações de Williams, não há nenhum juízo de valor sobre o racionalismo, portanto ele não pode ser declarado nem a favor nem contra. Pelos exemplos mostrados aqui, está evidente que a religião

(a) ou foi mal entendida

(b) ou foi reinventada pelos adversários, neo ateus, com intuitos difamatórios.

Em todos os casos, no entanto, é fato que não é a religião que Rowan Williams acredita.

E ESSE era o caso de Standing. Ele PERDEU. Não conseguiu validar sua acusação. Simples assim.

O Rowan Williams não está representando mal a crença dele. Na verdade, nenhuma das acusações de Standing contra Williams é válida.

Mais erros de conceito, ao final:

A verdade é a seguinte: não há “argumentos de verdade” [1]. No fundo, a própria Teologia é uma questão de fé [2], e não argumento intelectual genuíno[3]. Os teólogos podem continuar escrevendo livros imensos e artigos usando um tom denso e erudito, mas realmente não é preciso que os ateus os leiam, já que no fim eles se reduzem às mesmas derradeiras crenças [4], que os ateus – corretamente, a meu ver – rejeitam, por falta de credibilidade intelectual e moral [5].

Como sempre, só besteiras, vamos à elas:

  1. Essa conclusão não é suportada por nenhum argumento do Standing. Ele simplesmente não falou de “argumentos” aqui, e apenas tratou de uma posição do Rowan Williams, e fracassou completamente em sua acusação. Williams está certo em dizer que “a religião em que ele acredita não é a religião tratada por idiotas como Dawkins, Hitchens e… Edmund Standing”.
  2. Errado, Teologia é uma disciplina que não é uma questão de fé. O princípio que é estudado por ela talvez, embora seja também discutido racionalmente, mas isso não implica que a própria disciplina o seja. A Teologia é baseada em argumentos racionais. Chore o Standing o quanto quiser.
  3. Errou de novo, pois nem Teologia e nem Epistemologia são “argumentos intelectuais” e  sim são DISCIPLINAS onde argumentos intelectuais são abordados. O cara não sabe o básico nem do que é Teologia. Ou sabe e se finge de besta dizendo um conceito errado. Eu não me importo com o que ele acredita ou não, ou se ele finge ou não. O fato é que avalio o argumento dele. Pelo argumento, Standing é uma besta completa no assunto.
  4. Errado, pois mesmo as crenças tratadas aqui, não implicam no entendimento delas igual os teólogos possuem (lembremos que mesmo com formação em teologia, Standing NÃO É teólogo). Um erro adicional de Standing: as crenças de Williams, tratadas e citadas aqui como evidências dele, não são exemplos da teologia.
  5. Dizer que algo possui “falta de credibilidade intelectual e moral” somente por ser expressão da vontade de Standing não é um argumento. Ele não provou ausência de credibilidade intelectual e moral. Ele praticou apenas a falácia da incredulidade pessoal, mas irrelevante.

Somando todos esses exemplos, chega a dar pena ver que Edmund Standing se esforçou para estudar Teologia por uns 4 anos.

Mas, em seu primeiro ataque à Teologia, ele não apresentou um argumento bom sequer. Todos foram facilmente refutados.

O mais patético, no entanto, foi ver a proposta ousada dele de acusar Rowan Williams de ter a MESMA RELIGIÃO conforme proclamada por Dawkins. O fracasso de Standing aqui foi retumbante, humilhante até.

E assim caminha a mediocridade neo ateísta…

P.S.: Quem sabe o Elizandro não se anima e traduz o meu texto para o inglês e mande para o Edmund Standing. Será que ele conseguiria fazer um novo caso de acusação melhor? Eu sinceramente duvido…

Escrito por lucianohenrique

dezembro 17, 2009 em 1:40 am

Deus, Um Delírio – Capítulo 2 – Pt. 6 – Fugindo dos domínios da ciência: contra o MNI

com 8 comentários

Se na seção anterior (“A Pobreza do Agnosticismo”) Dawkins cometeu erros típicos de um analfabeto funcional, nesta parte ele mantém o baixo nível daquela argumentação.

Então vamos que vamos, ponto a ponto…

O teólogo Alister McGrath faz dessa questão [o agnosticismo totalmente imparcial] o ponto central de seu livro Dawkins’ God: Genes, memes and the origin of life [O Deus de Dawkins: Genes, memes e a origem da vida]. Na verdade, depois de seu resumo admiravelmente justo de minhas obras científicas, este parece ser o único ponto de refutação que ele tem a oferecer: a alegação inegável, mas ignominiosamente fraca, de que não se pode descartar com provas a existência de Deus. Enquanto lia McGrath, uma página atrás da outra, me via anotando “bule” nas margens.

Dawkins usa o seu tradicional argumento histérico, inventando fatos que não existem.

Ele afirma que Alister McGrath teria, em seu livro “O Deus de Dawkins”, a concepção de que não se pode provar a inexistência de Deus como seu “único ponto de refutação”.

Só se Dawkins leu o livro, tampou os ouvidos e começou a cantar “lá lá lá” freneticamente, de forma a fingir que não leu as outras refutações (principalmente refutações às idéias estúpidas como gene egoísta e memética).

É a isso que podemos chamar de argumentação histérica de Dawkins.

Ele edita os fatos, finge que não observa os argumentos e começa uma gritaria na expectativa de que a platéia não perceba que o que ele possui é apenas fricote, mas não a apresentação de um “caso” em si para sua defesa.

Sendo assim, esse primeiro ataque que ele tenta à McGrath torna-se estéril.

Ademais, se Dawkins quis anotar “bule” nas margens do livro de McGrath, isso não se torna um argumento, pois na seção anterior comentada, tal tipo de comparação já mostrou-se completamente refutável.

Portanto, esse tipo de chilique não ajuda a salvar Dawkins. Pelo contrário, o compromete mais ainda.

Depois desse início nada promissor em seu “caso”, ele direciona sua metralhadora giratória (de sandices) para Stephen Jay Gould, que é o seu “alvo” principal nesta seção. Vejam:

“Dizer para todos os meus colegas e pela milionésima vez (de debates universitários até tratados complexos): a ciência simplesmente não é capaz (por seus meios legítimos) de adjudicar a questão da possível superintendência de Deus sobre a natureza. Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas”. Apesar do tom confiante, quase agressivo, da declaração de Gould, qual é, na verdade, sua justificativa? Por que não devemos comentar sobre Deus como cientistas? E por que o bule de Russell, ou o Monstro de Espaguete Voador, não são igualmente imunes ao ceticismo científico?

Quando trata da questão dos Magistérios Não Interferentes, Richard Dawkins realmente se supera.

Provavelmente a questão lhe cause uma confusão mental tamanha àquela causada quando ele trata do agnosticismo. Ele se perde e fica balbuciando palavras nonsense.

Só isso justificaria uma frescurite tão ridícula quanto chamar essa declaração de Stephen Jay Gould como algo “quase agressivo”.

Mas vamos com calma… Isso que Gould escreveu é agressivo por quê? Só por causa do termo “milionénima vez”? Isso aqui é agressividade? Na verdade, não há nada de agressivo nesta declaração de Gould. Absolutamente nada.

Pelo contrário, o argumento de Gould é extremamente racional e focado, justamente o inverso do comportamento de Dawkins.

Para tornar a crise de Dawkins mais constrangedora ainda, ele pergunta: “qual é a justificativa de Gould?”.

Ele nem precisaria de justificativa, pois para a argumentação de Gould ser compreendida como válida basta ESTUDAR o que a ciência realmente é.

Bastaria Gould ter citado os grandes filósofos da ciência, principalmente os mais recentes, como Popper e Lakatos, para compreender o LIMITE da ciência.

Bastaria saber os limites da ciência, portanto, que não é mais do que onde a ciência começa e onde a ciência termina.

Sendo assim, essa não é uma questão do Gould.

É apenas uma abordagem de qualquer pessoa normal e inteligente que tenha conhecimento do que a ciência realmente é.

Essa crítica inicial de Dawkins simplesmente só serve para mostrar que ele é completamente ignorante em relação ao que ciência é.

O que Dawkins tenta implementar não é nada mais que uma variação do cientismo, que defende a idéia de que a ciência tem que cuidar de absolutamente tudo.

E, quando alguém diz que a ciência não adentra determinadas áreas, ele se revolta. Ele se deprime. Para piorar, ele fica histérico. Essa atitude dele não passa de uma grande palhaçada.

É claro que esse sujeito não pode ser levado a sério.

Para concluir, vejam a que nível ele chega: ele pergunta por que o Bule de Russell e o Monstro Espaguete Voador não são igualmente imunes ao ceticismo científico.

O que será que essa figura entende por ceticismo científico? Será que ele nunca assistiu a uma aula de metodologia científica na vida para entender que ceticismo científico é o ceticismo aplicado em questões científicas?

Se uma questão não é científica, então é possível que se aplique à ela o ceticismo, mas aí já não falamos do ceticismo científico.

Eu não sei, e simplesmente não quero saber, de coisas como Bule de Russell e Monstro Espaguete Voador.

Este é um problema do Richard Dawkins, pois é ele que inclui tais terminologias em suas teorizações. Mas jamais este é um problema do leitor dele (a não ser daqueles que o seguem). Cabe a ele definir, tangenciar, delimitar, dissertar sobre o assunto, e se for uma abordagem metafísica, é claro que não está no escopo da ciência.

Portanto, logicamente, não se aplicaria à ela o ceticismo científico.

Curiosamente, Dawkins traz esse tipo de questão à mesa, como se isso supostamente fosse salvar a argumentação dele. Na verdade, isso apenas o compromete.

Resumindo: Dawkins não precisa trazer essas questões (Bule, Espaguete) à mesa. Se ele quiser trazê-las, esse é um problema dele. É a forma que ele irá definir tais questões que dirá se elas são ou não questões científicas. Mas sequer ele consegue dar uma definição razoável delas. Portanto, é inútil Dawkins trazer tais questões.

Mais uma amostra da “mente neo ateísta” vem a seguir:

Como argumentarei daqui a pouco, um universo com um superintendente criativo seria bem diferente de um universo sem esse superintendente. Por que não é uma questão científica?

Isso é obviamente muito esquisito. Com certeza, uma observação dele que beira o ridículo.

Mas que diabos se passa na cabeça de Dawkins? Nota-se que, pela sua pergunta ao final da citação, Dawkins ainda não entendeu o que é ciência.

Vejam bem: Dawkins diz que um universo sem um criador é diferente de um universo com um criador. Isso é evidente.

Assim como uma equação com alguns fatores é diferente de uma equação com outros fatores. Mas isso não torna a questão como científica. Assim como um ser humano com um pensamento X é diferente de um ser humano com um pensamento Y. E de novo, isso não é uma questão científica.

Se Dawkins acha que existir um contexto que é diferente por causa da presença de um outro item torna automaticamente a questão em uma questão científica, a situação dele é mais grave do que eu pensava.

Vamos em frente…

Gould executou a arte de recuar a distâncias incríveis em um de seus livros menos admirados, Pilares do tempo. Ali ele cunhou a sigla MNI para o termo “magistérios não interferentes”: “A rede, ou magistério, da ciência abrange o âmbito empírico: do que o universo é feito (fato) e por que ele funciona desse modo (teoria). O magistério da religião estende-se para questões de significado definitivo e valor moral. Esses dois magistérios não se sobrepõem, nem englobam todas as dúvidas (considere, por exemplo, o magistério da arte e o significado de beleza). Para citar os velhos clichés, a ciência trata das rochas, e a religião da rocha eterna; a ciência estuda como funciona o céu, e a religião, como ir para o céu.” [...] Parece ótimo — até que você pense um instante sobre o assunto. Quais são essas questões definitivas em cuja presença a religião é convidada de honra e a ciência deve respeitosamente se retirar?

Notem o tamanho do absurdo dawkinista. Quer dizer então que Gould recuou a distâncias incríveis? Recuou para onde?

Mas notem só o que Gould disse: “A rede, ou magistério, da ciência abrange o âmbito empírico: do que o universo é feito (fato) e por que ele funciona desse modo (teoria).”.

Essa definição de Gould é impecável em relação ao domínio da ciência, e ela é RESPALDADA pela literatura dos grandes filósofos da ciência.

Quer dizer, Gould não recuou coisíssima nenhuma. É Dawkins quem ampliou exageradamente os domínios da ciência, em sua variação iludida e teen do que é ciência.

É por isso que a “ciência de Dawkins” é aquela que os teens iludidos aprendem com Carl Sagan, e a “ciência de Gould” é aquela que se aprende com os filósofos da ciência. Dawkins segue a escória, e Gould segue a elite. A Academia Nacional de Ciências concorda com Gould, diga-se.

Dawkins talvez não tenha percebido que Gould não só mostrou que há outros magistérios que a ciência não abrange, como também mostrou magistérios que a religião também não trata.

Por exemplo, ele citou o magistério da arte.

A argumentação de Gould é sólida e coesa, e Dawkins simplesmente não apresenta um “caso” contra ela.

Até o momento, por enquanto, Dawkins mais ajuda do que atrapalha Gould.

Dawkins faz o papel de bobo da corte, e Gould o papel de intelectual na história.

Para aumentar o constrangimento, ele ainda questiona “Quais são essas questões para as quais a religião é convidada de honra e a ciência deve se retirar?”.

Mas que lixo de divulgador de ciência é esse? Um sujeito adulto que faz uma pergunta dessas?

O domínio da teologia é o domínio da filosofia, pois a teologia é um BRANCH da filosofia, assim como a epistemologia o é.

Questões filosóficas não são questões científicas, portanto uma questão teológica também não é uma questão científica. E o conhecimento disso é o mínimo que se espera de qualquer pessoa que vá dialogar a respeito de ciência.

E Dawkins mostra que ou não tem esse conhecimento OU finge não ter esse conhecimento.

Em ambos os casos, a atuação dele é embaraçosa.

Mais uma:

Martin Rees, o respeitado astrônomo de Cambridge que já mencionei, começa seu livro Our cosmic habitat propondo duas candidatas a questões definitivas e dando uma resposta compatível com o MNI. “O mistério preeminente é por que afinal qualquer coisa existe. O que insufla a vida nas equações e as atualizou no cosmos real? Essas perguntas vão além da ciência, no entanto: elas são província de filósofos e teólogos.” Eu preferiria dizer que, se elas de fato vão além da ciência, certamente também vão além da província dos teólogos (duvido que os filósofos agradeçam a Martin Rees por ter colocado os teólogos no mesmo saco que eles). Fico tentado a ir mais adiante e questionar em que sentido os teólogos poderiam ter uma província. Ainda me divirto quando me lembro da observação de um ex-Warden (chefe) de minha faculdade, em Oxford. Um jovem teólogo tinha se inscrito para uma bolsa num programa júnior de pesquisa, e sua tese de doutorado sobre a teologia cristã fez o Warden dizer: “Tenho sérias dúvidas se isso chega a ser um objeto de pesquisa”.

Notem que Dawkins prossegue em seu erro, pois ele diz que se algo vai além da ciência, CERTAMENTE (friso no CERTAMENTE) vai além da província dos teólogos.

De novo, ele não conhece os domínios de ambas as áreas em discussão.

Isso pode ser comprovado quando ele diz que DUVIDA que os filósofos “agradeceriam a Martin Rees por ter colocado os teólogos no mesmo saco que eles”.

Não é questão de agradecer ou não, mas os teólogos são filósofos.

Provavelmente, Rees quis fazer a distinção entre “filósofos não-teólogos” e “filófosos teólogos”, mas Dawkins mostrou sua estupidez ao não saber que teólogos SÃO filósofos.

É muito simples de entender: há a filosofia, e dentro dela várias divisões, que incluem, dentre outras, a teologia e a epistemologia. Desta forma, todo teólogo é um filósofo, mas nem todo filósofo é teólogo.

A patetice de Dawkins fica também evidente quando ele diz que “fica tentado” a questionar em que sentido os teólogos poderiam ter uma província.

Mas não é assim que alguém racional argumentaria, e sim dizendo por que os teólogos não deveriam ter uma província. Um suposto desdém de Dawkins não é um argumento, portanto ele não tem nada contra a idéia de que os teólogos possuem SIM uma província.

E patetice por patetice, ele cita um ex-diretor (traduzido erradamente como Warden (chefe) na versão nacional) que usou argumentação semelhante à de Dawkins. Mas e daí? Se o Diretor de Oxford era um estúpido, não adianta citá-lo…

E, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada: ele comete um erro grosseiro ao dizer que a teologia deveria ser questionada quanto ao fato de ser um “objeto de pesquisa”.

Não, não é um objeto de pesquisa, pois ela é o DOMÍNIO DE CONHECIMENTO. Deus, no caso, é o objeto de pesquisa da teologia.

Esse questionamento do ex-Diretor de Oxford é uma amostragem, de novo, de falta de conhecimento e também falta de inteligência.

Seria o mesmo que chamar a ciência de um objeto de pesquisa. Não, ela não é um objeto de pesquisa. Ela é o domínio de conhecimento, que possui objetos de pesquisa.

A bobagem segue:

Que conhecimento os teólogos podem acrescentar a dúvidas cosmológicas profundas que os cientistas não possam? Em outro livro repeti as palavras de um astrônomo de Oxford, que, quando lhe fiz uma dessas perguntas, disse: “Ah, agora vamos para além da esfera da ciência. Neste ponto tenho de ceder a palavra a nosso bom amigo, o capelão”. Não fui sagaz o suficiente para verbalizar a resposta que mais tarde escrevi: “Mas por que o capelão? Por que não o jardineiro ou o cozinheiro?”. Por que os cientistas têm um respeito tão covarde pelas ambições dos teólogos, sobre perguntas que os teólogos certamente não são mais qualificados a responder que os próprios cientistas?

Para começar, Dawkins usa aqui uma estratégia chamada de “argumentação por diminuição”.

Esse tipo de estratégia é coisa de amador, pois raramente funciona.

A estratégia se baseia em encontrar um domínio de conhecimento de um oponente, e diminuí-lo ao máximo, e proferir um monte de frases pejorativas considerando que o domínio de conhecimento é só isso. Aí o argumentador atacaria essa versão diminuída, fingindo que atacou o domínio de conhecimento em si. O problema, é claro, é quando aparece alguém que conhece realmente o domínio de conhecimento, e o picareta é então desmascarado.

Vamos à um exemplo desta técnica: suponha que um sujeito não é gerente de projetos e não conheça muito à respeito, mas, por algum motivo, odeie a gestão de projetos. Daí a pessoa poderá dizer que os gerentes de projetos não passam de “controladores de cronograma”, e, portanto inúteis, pois softwares seriam suficientes para isso. Desta forma, a pessoa abriria o seu “caso” criticando a profissão, em sua versão ‘diminuída”, e diria que ela nem precisaria existir, e daí por diante. Dessa forma, ele poderia usar até a tática de perguntar coisas como: “por que um gerente de projetos, e não o ascensorista, ou a faxineira?”. Tudo lindo e maravilhoso, até o momento em que um gerente de projetos, certificado PMP, tem acesso à argumentação. Daí para frente, este gerente certificado vai esmigalhar a argumentação daquele que tentou diminuir a gestão de projetos. É claro que o sujeito anti-gestão de projetos será desmoralizado e humilhado em público, por também ser ignorante em relação à conceituação de gestão de projetos.

É justamente essa estratégia que Dawkins tentou utilizar acima, e que é inútil, pois qualquer um que conheça os domínios de teologia e ciência sabe que o autor inglês só praticou um fricotezinho, nonsense e infantil.

E justamente por isso que é fácil desmoralizar o “caso” de Dawkins.

Lá vem mais:

[...] se a ciência não pode responder a uma pergunta definitiva, o que faz alguém pensar que a religião possa? Suspeito que nem o astrônomo de Cambridge nem o de Oxford realmente acreditavam que os teólogos tenham um conhecimento especial que lhes permita responder a dúvidas profundas demais para a ciência. Suspeito que os dois astrônomos estavam, mais uma vez, recuando para ser polidos: os teólogos não têm nada de útil a dizer sobre mais nada; vamos jogar um bolinho para eles e deixá-los preocupados com uma ou duas perguntas a que ninguém consegue responder, e talvez jamais conseguirá. Ao contrário de meus amigos astrônomos, não acho nem que devamos jogar um bolinho para eles. Ainda não encontrei nenhum bom motivo para achar que a teologia (diferentemente da história bíblica, da literatura etc.) chegue a ser um objeto de pesquisa.

Aqui é apenas o esperneio tradicional dele, com outras palavras. Basicamente tudo que está neste trecho Dawkins escreveu nos parágrafos anteriores, com alguns pontos novos:

  • 1 – Tentar dizer que teólogos não podem falar sobre útil a respeito de nada
  • 2 – Dizer que teólogos, por não responder dúvidas científicas, seriam inúteis
  • 3 – Tentar ler a mente de dois cosmólogos, para dizer que eles só respeitavam os teólogos da boca para fora
  • 4 – Chamar a teologia de objeto de pesquisa, quando na verdade a teologia não é objeto de pesquisa

Esse parágrafo de Dawkins parece algo escrito por alguém disléxico, e não passa em qualquer exame lógico, mais uma vez.

Vamos em frente, que o parangolé prossegue:

Da mesma maneira também podemos concordar que o direito da ciência de nos dar conselhos sobre valores morais é algo no mínimo problemático. Mas será que Gould realmente quer ceder à religião o direito de nos dizer o que é bom e o que é ruim? O fato de que ela não tem nada mais a contribuir para a sabedoria humana não é razão para dar à religião uma permissão total para nos dizer o que fazer. E qual religião? Aquela sob a qual por acaso fomos criados? A qual capítulo, então, de qual livro da Bíblia devemos recorrer? Pois eles estão longe de ser unânimes e alguns deles são horrendos, por qualquer padrão racional. Quantos literalistas leram o suficiente da Bíblia para saber que ela prescreve a pena de morte para o adultério, por recolher gravetos no dia de descanso e por ser insolente com os pais? Se rejeitarmos o Deuteronômio e o Levítico (como fazem todas as pessoas modernas e esclarecidas), por quais critérios devemos decidir quais valores morais da religião devemos aceitar? Ou devemos vasculhar todas as religiões do mundo até encontrar uma cujos ensi-namentos morais nos sejam adequados? Se for assim, devemos perguntar novamente, por quais critérios vamos escolher? E, se tivermos critérios independentes para escolher entre as moralidades religiosas, por que não eliminar os intermediários e ir direto à escolha moral sem a religião?

A primeira coisa lúcida que Dawkins escreveu em toda a seção foi a frase “o direito da ciência dar conselhos sobre valores morais é algo no mínimo problemático”. Essa é a única coisa que ele acertou, pois daí por diante de novo é só besteira.

O fato é que a teologia, como um ramo da filosofia, pode sim discutir juízos de valor, já que é nesse domínio de conhecimento que os valores morais são discutidos.

Logo, se a religião é uma das formas de se definir o que é bom ou ruim (quem quiser usar a lógica de Epicuro, pode fazê-lo também, mas nenhuma sociedade será construída sob tais princípios), não é Dawkins que irá impedi-la disso SEM ANTES apresentar ao menos um argumento decente em favor de seu “caso”.

Infelizmente, para Dawkins, ele apenas pratica “desabafos” contra a importância justa que é dada a religião na discussão de assuntos morais.

Em relação à questão de “qual religião”, é uma pergunta que não faz sentido, pois as três grandes religiões abrahâmicas compartilham dos mesmos ideais morais, sendo diferenciadas apenas em dogmas específicos, mas não na base moral.

Se Dawkins tentou “criar confusão” entre religiões diferentes (usando uma técnica que pode ser chamada de “dividir para conquistar”) não é com esse estratagema que ele conseguirá sequer pontuar.

Mas é evidente também que Dawkins está um pouco perdido neste parágrafo, pois do nada começa a dizer que alguns capítulos da Bíblia são “horrendos”, o que não passa de um apelo emocional barato, já comentado anteriormente aqui.

Por exemplo: ninguém em sã consciência acha que a Bíblia prescreva a pena de morte por adultério, mas Dawkins assim o acha.

Assim como ninguém lúcido rejeitaria o Deuteronômio e o Levítico, mas simplesmente os interpretam como adultos. Claro que a interpretação de Dawkins é patética, mas não implica que alguém deva rejeitar tais capítulos da Bíblia.

A choradeira de Dawkins é apenas isso, uma choradeira, mas não uma argumentação, e de novo não configura um “caso” contra a religião.

E não deixa de ser ironicamente divertido (uma diversão sádica até) notar que ele finaliza o parágrafo sugerindo “critérios independentes” e ir à “escolha moral sem a religião”. O problema é que tais grupos, como neo ateus, gayzistas ou comunistas militantes, não são os maiores “especialistas” em discussão ou divulgação de qualquer senso moral.

Muitos ateus possuem realmente um senso moral, mas só por que aprenderam ele com a religião.

De qualquer forma, Dawkins não consegue apresentar um caso contra a religião, mas ele tentará de novo no Capítulo 7, e, quando for o momento da refutação às diversas seções do capítulo 7, o esmagarei mais profundamente.

A seguir, Dawkins tenta ler a mente de Gould:

Simplesmente não acredito que Gould possa ter querido dizer mesmo boa parte do que escreveu em Pilares do tempo. Como costumo dizer, todos nós já recuamos de nossas posições para ser gentis com um adversário pouco merecedor mas mais poderoso, e só posso imaginar que era isso que Gould estava fazendo. É concebível que ele tenha tido mesmo a intenção de fazer sua declaração inequivocamente contundente de que a ciência não tem nada a dizer sobre a dúvida a respeito da existência de Deus: “Nem a afirmamos nem a negamos; simplesmente não podemos comentá-la como cientistas”. Isso soa como o agnosticismo do tipo permanente e irrevogável, o APP em sua plenitude. Implica que a ciência não pode nem fazer juízos de probabilidade sobre a questão. Essa falácia extraordinariamente disseminada — muitos a repetem como um mantra, mas suspeito que poucos pensaram bem sobre ela — personifica o que chamo de “a pobreza do agnosticismo”.

De novo, Dawkins tenta dizer que Gould recuou, quando na verdade, ele apenas foi racional e lúcido ao falar de ciência.

O problema é que Dawkins é o irracional na história, criando uma visão de ciência expandida, somente aceitável com a aceitação do cientismo, ou cientificismo, que são ridicularizáveis por natureza e nem sequer defendidos pela comunidade científica.

Dawkins também critica a afirmação de Gould ao dizer que a ciência não tem nada a dizer a respeito da dúvida sobre a existência de Deus. Novamente, Gould é impecável, enquanto Dawkins é patético.

Dúvidas como “há um Deus?” ou “as leis científicas valem por todo o universo?” não estão no domínio da ciência.

São axiomas, e Dawkins erra ao tratá-los como hipóteses, o que é mais um sintoma de sua falta de inteligência.

E, se não são questões científicas, passíveis de serem tratadas como hipóteses científicas, então cientificamente não é possível que se faça juízos de probabilidades a respeito deles.

Um exemplo disso é a situação terrivemente constrangedora que Richard Dawkins passou quando Ben Stein, do documentário “Expelled”, o questionou a respeito da probabilidade para a inexistência de Deus. Dawkins, tenso, nem sequer conseguiu dar um número calculado para a probabilidade.

Como será demonstrado na refutação ao capítulo 4, se Dawkins trata cientificamente de um Deus (para o qual define que há alta probabilidade dele não existir), esse é um Deus que Dawkins inventou, mas não o Deus dos religiosos.

De qualquer forma, não há falácia alguma cometida por Gould, apenas uma evidente falta de capacidade de Dawkins para entender a argumentação dele.

Mais ladainhas de Dawkins sobre Gould:

Gould, aliás, não era um agnóstico imparcial, mas tinha fortes inclinações para o ateísmo de facto. Com que fundamento ele fez esse juízo, se não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus?

Mas isso é de novo extremamente revelador. Dawkins questiona a opção de Gould pelo ateísmo, dizendo que não haveria fundamento para esse juízo SE NÃO HÁ NADA A SER DITO sobre existência ou inexistência de Deus. De novo, isso parece argumentação de disléxico da parte de Dawkins, pois notem a diferença:

  • (A) Uma coisa é dizer que não há nada a ser dito sobre a existência ou inexistência de Deus
  • (B) Outra coisa é dizer que não há nada a ser dito cientificamente sobre a existência ou inexistência de Deus
  • (C) Só que (A) pode ser uma questão filosófica
  • (D) Portanto alguém pode tentar justificar ateísmo um teísmo usando-se da abordagem (C)
  • (E) A abordagem (B) é inviável, estúpida e irracional, somente praticadas por mentes fracas como as de Richard Dawkins.

Simples assim.

Agora, Dawkins focará no teólogo Richard Swinburne (estranho é o fato dele escolher especificamente Swinburne, e não outros):

Richard Swinburne, um dos principais teólogos da Grã-Bretanha, é surpreendentemente claro sobre o assunto em seu livro Is there a God? [Será que Deus existe?]: “O que os teístas afirmam sobre Deus é que ele tem o poder de criar, conservar ou aniquilar qualquer coisa, seja grande ou pequena. E ele também pode fazer objetos se moverem ou fazerem qualquer outra coisa [...] Ele consegue fazer os planetas se moverem do modo como Kepler descobriu que eles se movem, ou fazer a pólvora explodir quando a acendemos com um fósforo; ou ele pode fazer os planetas se moverem de formas bem diferentes, e as substâncias químicas explodirem ou não explodirem sob condições bem diferentes daquelas que hoje governam seu comportamento. Deus não é limitado pelas leis da natureza; ele as faz e pode mudá-las ou suspendê-las — se quiser.” Fácil, não? O que quer que isso seja, está bem longe do MNI. E, por mais que eles digam outras coisas, os cientistas que se alistam na escola de pensamento dos “magistérios separados” deveriam admitir que um universo com um criador sobrenaturalmente inteligente é um universo muito diverso daquele sem esse criador. A diferença entre os dois universos hipotéticos dificilmente seria mais fundamental em princípio, apesar de não ser fácil testá-la na prática. E ela derruba o dito complacente e sedutor de que a ciência deve ficar totalmente quieta sobre a alegação central da religião sobre a existência. A presença ou ausência de uma superinteligência criativa é indiscutivelmente uma dúvida científica, embora na prática ela não seja — ou ainda não seja — uma dúvida resolvida.

Segundo Dawkins, a afirmação de Swinburne e a forma como ele descreve a presença de Deus, mostraria que ele estaria distante do MNI.

Como sempre, Dawkins está errado.

Vamos dar um exemplo: uma lei física pura e simplesmente fala sobre o seu funcionamento, em determinadas condições. A lei física em si não legisla sobre a possibilidade de um contexto em que ela não valha, ou até uma exceção à sua aplicação. Mais: a lei física em si não diz nada a respeito de sua origem.

Se alguém disser que no Big Bang foi Deus que definiu como uma lei surgida lá funcionaria, ou qualquer outro fator, isso de forma alguma entraria em conflito com a lei científica em questão.

Isso é puramente uma questão de lógica, outro quesito no qual Dawkins chafurda em todas as situações.

Se o universo seria diferente com um criador ou sem um criador, desde que não se REDEFINAM as leis científicas, não há interferência alguma no domínio da ciência.

Notem, de novo, ao final do parágrafo, como Dawkins afirma que a questão da existência de Deus é uma “dúvida científica” (ele ainda afirma “indiscutivelmente”), mas não apresenta um argumento a respeito disso.

Na verdade, ele tentará algo assim, a seguir, falando de milagres, mas essa argumentação dele é inválida.

No geral, Dawkins apenas quer tratar da questão de Deus cientificamente. Mas utiliza-se apenas de falácia do wishful thinking e principalmente o ad nauseam para isso.

Vejam:

O mesmo vale para a veracidade ou para a falsidade de cada uma das histórias sobre milagres que as religiões usam para impressionar multidões de fiéis. Jesus teve um pai humano, ou sua mãe era virgem na época de seu nascimento? Existam ou não provas suficientes para decidir, trata-se de uma pergunta estritamente científica com uma resposta definida por princípio: sim ou não. Jesus ressuscitou Lázaro de entre os mortos? Voltou ele mesmo à vida, três dias depois de ser crucificado? Há uma resposta para cada pergunta dessas, possamos ou não descobri-la na prática, e é uma resposta estritamente científica. Os métodos que deveríamos usar para solucionar a questão, na improvável hipótese de provas relevantes um dia se tornarem disponíveis, seriam métodos pura e inteiramente científicos.

De novo, Dawkins apela ao ad nauseam (“existam ou não provas suficientes para decidir, trata-se de uma pergunta estritamente científica”).

Mas que raio de argumentação é essa? Será que Dawkins quer que fiquemos com pena dele e aceitemos o argumento dele somente por sua insistência? Lamentável.

O fato é que os milagres em si não violam nenhuma lei científica, pois simplesmente baseiam-se na suspensão destas leis ou algo não explicado por tais leis.

Um exemplo é a singularidade. Ela não é um milagre, mas também não se explica o que ocorria na singularidade por qualquer lei científica.

Se a argumentação de Dawkins estivesse correta, o Big Bang entraria em conflito com a própria ciência. O que é no mínimo risível.

Dawkins ainda comete o erro de afirmar que há a “improvável hipóteses de provas relevantes um dia se tornarem disponíveis”.

Mas que coisa hein: quer dizer, não há nem provas a serem analisadas, e Dawkins já decidiu que a questão é científica, e, nessa questão, a ciência negaria a Bíblia.

Claro que não passa de pura enrolação dawkinista, e que não consegue provar que os milagres entrariam em conflito com a ciência.

Dawkins prossegue no erro:

Para representar a tese, imagine que, por algum conjunto incrível de circunstâncias, peritos em arqueologia desencavassem evidências de DNA mostrando que Jesus realmente não teve um pai biológico. Você consegue imaginar os apologistas religiosos dando de ombros e dizendo qualquer coisa remotamente parecida com: “E daí? Provas científicas são completamente irrelevantes para as questões teológicas. Magistério errado! Só estamos preocupados com as perguntas definitivas e com os valores morais. Nem o DNA nem alguma outra prova científica pode ter qualquer peso na questão, seja para um lado, seja para o outro”?

Ele tenta ler a mente dos religiosos na hipotética (mas improvável, segundo ele próprio reconhece) da descoberta de evidência de DNA de Jesus.

Ou seja, a argumentação de Dawkins é natimorta, quando ele próprio admite a improbabilidade de sua situação.

E como ele tentou a leitura mental, mais um motivo para descartar a argumentação dele.

O pior é que ele reconhece é que a própria idéia dele é patética:

A própria idéia é uma piada. Você pode apostar as calças que a prova científica, se aparecesse alguma, seria agarrada e trombeteada para o mundo inteiro. O MNI só tem popularidade porque não há prova a favor da Hipótese de que Deus Existe. No momento em que houver a mínima sugestão de qualquer prova a favor da crença religiosa, os apologistas da religião não perderão tempo em defenestrar o MNI.

Pura besteira, as provas científicas são irrelevantes nesta questão, pois a questão não é científica.

Além do mais, Dawkins afirma que o MNI só é popular por que não há evidências a favor da Hipótese de existência de Deus.

Claro que não há, pois Deus não é uma hipótese, é um princípio, ao qual se chegou racionalmente.

Dawkins nem sequer prova que esse é o suposto MOTIVO pelo qual o MNI é tão popular…

Mais patético é o seguinte: “no momento em que houver a mínima sugestão de qualquer prova a favor da crença, os apologistas da religião não perderão tempo em defenestrar o MNI”.

Dawkins é realmente insano, pois se isso realmente ocorresse (as provas científicas na questão religiosa), ai o MNI seria desnecessário. Mas para que isso ocorresse, seria necessário que o cientismo fosse válido, conforme os positivistas lógicos queriam que fosse. Mas ele não é.

Portanto, a argumentação de Dawkins é mais ou menos como “Se tua mãe fosse homem, ela não seria tua mãe, e sim teu pai”.

Mais um show de filosofia de botequim dele, que só serve para diversão nossa.

Lá vem mais:

Tirando os teólogos sofisticados (e até eles adoram contar histórias sobre milagres aos não sofisticados para inflar congregações), suspeito que os supostos milagres são a razão mais forte que muitos crentes têm para sua fé; e milagres, por definição, violam os princípios da ciência.

Errado! Em momento algum Dawkins mostrou que milagres, por definição, violariam os princípios da ciência. Pelo contrário, os milagres só violariam os princípios da ciência se estes fossem absolutamente verificáveis.

Só que a própria definição de ciência implica que leis científicas e teorias são empiricamente inverificáveis universalmente, portanto violações destas leis são perfeitamente possíveis.

É possível até que algum cético quanto aos milagres possa argumentar que os milagres possam, no futuro, serem explicados cientificamente, ou as situações em que eles ocorreram também possam.

Mas isso não os torna conflitantes com nenhuma lei científica, pois nenhuma delas é prescritiva em aspectos universais e nem proíbem exceções.

Simplesmente, os milagres não são da alçada, atualmente, da ciência.

Chora, neném Dawkins, chora…

Se confrontado com histórias de milagres, Gould provavelmente replicaria na linha da explicação que se segue. O grande ponto do MNI é que ele é uma barganha de duas vias. No momento em que a religião pisa no terreno da ciência e começa a bagunçar o mundo real com milagres, ela deixa de ser religião no sentido que Gould defende, e sua amicabilis concordia é rompida. Perceba, porém, que a religião sem milagres defendida por Gould não seria reconhecida pela maioria dos teístas praticantes nos bancos de igreja ou nos tapetes de oração. Seria, na verdade, uma grande decepção para eles.

De novo essa conversa?

Dawkins tenta torcer e retorcer os milagres para tentar, com a sensação de se raspar o fundo do tacho, tentar achar algum conflito entre ciência e religião, mas os milagres, conforme já demonstrei, não estão entre esses conflitos, pela própria definição do que é uma lei científica ou teoria científica.

Para aterrorizar Dawkins ainda mais, a religião católica fala da maioria dos milagres como ocorridos na época em que a Bíblia fora escrita, portanto não se sabe muito sobre as condições climáticas ou fatores daquela época.

É possível que os milagres tenham ocorrido, e isso não implica que nenhuma teoria científica tenha que ser inválida, e justamente por isso não há conflito algum.

O argumento de Dawkins afirma que a religião deveria se abster dos milagres, para não haver quebra dos limites do MNI. Não, não precisa. Dawkins precisa parar apenas de expandir a definição de ciência, largar o cientismo (que é coisa de criança) e aprender o que ciência realmente é.

E, quando não consegue pontuar, Dawkins tenta apelar para a mentira deslavada:

Existem atletas que acreditam que Deus os ajuda a ganhar — derrotando adversários que, à primeira vista, não seriam menos merecedores de tal favorecimento. [...] Esse estilo de teísmo é vergonhosamente disseminado, e dificilmente será afetado por qualquer coisa tão (superficialmente) racional quanto o MNI.

É mole ou quer mais?

Dawkins agora inventa que os atletas religiosos ao agradecerem por uma vitória estão achando que Deus favoreceu ele perante o outro time. Claro que essa idéia de Dawkins é uma idéia de jerico.

Aprenda, Dawkins: quando um atleta agradece aos céus por algum resultado, ele normalmente está louvando o seu alinhamento com Deus, e não a vitória em si.

Pode ser que, no momento da vitória, ele faça uma prece de agradecimento, mas não por motivos torpes como o de “decidir um jogo em favor do outro”. Portanto, o argumento de Dawkins é no mínimo inútil.

Ademais, Dawkins afirma que o MNI é (superficialmente) racional. Não, ele é completamente racional. Ao contrário de Dawkins, nem um pouco racional.

Lá vem a conclusão, como sempre, completamente desastrosa:

[...] sugiro que mesmo um Deus não intervencionista, um Deus MNI, embora menos violento e desajeitado que um Deus abraâmico, ainda seja, quando se olha para ele com honestidade, uma hipótese científica. Retomo a questão: um universo em que estamos sozinhos, com exceção de outras inteligências de evolução lenta, é um universo muito diferente daquele com um agente orientador original cujo design inteligente seja responsável por sua existência. Admito que na prática pode não ser fácil distinguir um tipo de universo do outro. Mesmo assim, há algo de enormemente especial na hipótese do design definitivo, e igualmente especial na única alternativa conhecida: a evolução gradativa no sentido mais amplo. Elas são quase irreconciliavelmente diferentes. Como nada mais no mundo, a evolução realmente dá uma explicação para a existência de entidades cuja improbabilidade as descartaria, para todos os fins práticos. E a conclusão da discussão, como mostrarei no capítulo 4, é quase definitivamente fatal para a Hipótese de que Deus Existe.

Aqui no máximo é um resumão de todas as besteiras que ele escreveu nessa seção, dizendo que Deus é hipótese científica (coisa que ele não comprovou ser), e dizendo que um universo com um designer é diferente de um universo com designer. Portanto, para ele, isso torna a questão científica.

É, eu avisei, o sujeito não escreve coisa com coisa.

Ele de novo também diz que nessa hipótese do design, Deus tem que fazer parte do processo de evolução gradativa (ou seja, é o eterno ad nauseam dele, em que ele comprova que inventou um Deus para criticá-lo).

Eu já mostrei várias vezes a que a tal “conclusão quase definitivamente fatal”, que Dawkins proclama, é apenas sintoma de sua parca formação filosófica e ingenuidade brutal.

Mas, como relembrar é viver, de novo relembro como William Lane Craig esmagou facilmente tal argumentação de Dawkins.

Mais uma evidência de que Dawkins, perto de Gould, não significa nada.

Escrito por lucianohenrique

novembro 29, 2009 em 4:46 am

Técnica: O Cidadão Comum como Representante

com 2 comentários

cidadao_comum_como_representante

Última atualização: 12 de outubro de 2009 – [Índice de Técnicas]- [Página Principal]

Estratagema que é quase “irmão” da técnica “Seleção do Adversário”.

Muitas vezes, durante a execução da “Seleção do Adversário”, o neo-ateu termina por englobar esta técnica aqui (O Cidadão Comum como Representante) também. Só que enquanto que aquela é usada somente em situações de conflito (como no falso conflito ciência X religião), esta é utilizada em qualquer contexto em que o neo-ateu tente ridicularizar uma religião como um todo, ou os teístas como um todo.

A idéia básica é a seguinte: selecionam-se pessoas que podem ser definidas como cidadãos comuns, mas jamais os representantes maiores daquela religião.

Por exemplo, escolhe-se um padre de pouca expressão dentro da Igreja, mas não o Papa ou as maiores autoridades. Escolhe-se um pastor mais histriônico, mas jamais um teólogo de grande relevância para esta religião. E, principalmente, escolhe-se uma pessoa humilde, e se finge que este é um representante daquela religião. E assim, sucessivamente.

O objetivo é colher uma série de declarações facilmente ridicularizáveis, simular que essas opiniões representam TODA a religião, e então dizer que refutou a religião.

Olavo de Carvalho certa vez deu um exemplo que explica essa técnica: suponha que um sujeito seja contra a teoria da relatividade (chamarei aqui de Anti-TR), e vá perguntar ao frentista do posto de gasolina a sua opinião em relação às equações de Einstein. Como não é um representante e nem autoridade do assunto, esse frentista provavelmente vai dar apenas uma visão metafórica de seu entendimento do que é a teoria. Então o Anti-TR refuta essa opinião do frentista, e sai fingindo que refutou a Teoria da Relatividade.

Como se nota, é fraude intelectual.

Quase todos os vídeos “A Raiz de Todo o Mal”, de Richard Dawkins, e “Religulous”, de Bill Maher, são construídos principalmente em cima desta técnica. O mesmo vale para os livros de Dawkins e seus amigos.

Para refutar, é só compreender o modelo aceito por qualquer academia para refutação de uma matéria: são escolhidas as autoridades no assunto, e então essas autoridades são os responsáveis pelas teses formais daquela matéria ou pela explicação delas (no caso da religião, são os teólogos, os grandes sacerdotes, e os filósofos da religião) são as que devem ser questionadas, e não as crenças metafóricas do cidadão comum (*). Esse mesmo princípio vale para qualquer matéria a ser refutada.

Refutação

(1) Exemplo da refutação de alguém que defende a pregação de Dawkins

  • NEO-ATEU: O vídeo “A Raiz de Todo o Mal” mostra exatamente como é a religião.
  • REFUTADOR: Não, não mostra.
  • NEO-ATEU: Claro que mostra, pois há várias entrevistas com religiosos lá.
  • REFUTADOR: Mas nenhum representante da religião. Não há nenhuma citação a São Tomás de Aquino, Leibniz, e nenhuma citação a teólogos e/ou filósofos da ciência como Stanley Jaki, Dinesh D’Souza e William Craig. Portanto, você não mostrou como é a religião.

[E assim, sucessivamente, sempre mostrando que a amostra trazida pelo neo-ateu não serve e ao mesmo tempo é fraudulenta]

(2) Exemplo da refutação de alguém que traz exemplos de sua casa

  • NEO-ATEU: Eu virei ateu, pois na minha família vi que religião é ignorância, já que os meus familiares acreditam no criacionismo LITERAL.
  • REFUTADOR: Esse é um problema de tua família, não da religião.

[Aí bastaria mostrar a opinião dos principais representantes da religião, que tratam de uma visão da Bíblia de forma não-literal]

Conclusão

Essa técnica é de refutação quase automática, mas deve-se prestar atenção em seu uso, pois ela dá SUSTENTAÇÃO à grande parte da campanha neo-ateísta. Geralmente quando tentam imputar alegações de irracionalidade à religião, quase sempre estão usando essa técnica. No filme “Religulous”, de Bill Maher, com exceção do diálogo de Francis Collins (que não prejudicou à religião, pelo contrário), o restante das entrevistas são somente com cidadãos comuns ou pessoas de baixa representação na religião. No caso do vídeo “A Raiz de Todo o Mal”, de Dawkins,  com exceção de Ted Haggard (ainda assim, contestável), todo o restante são entrevista também com cidadãos comuns. Portanto, é uma fraude, que não serve como alegação de irracionalidade na religião em si.

(*) Não estou dizendo que as opiniões do cidadão comum são inválidas. Mas simplesmente que não REPRESENTAM a  religião. E sim um entendimento popular sobre a religião. Da mesma forma, o entendimento de Richard Dawkins sobre a ciência é errado. Ele é, para a ciência, um cidadão comum, praticamente. Não significa que a ciência esteja errada. O problema é de Dawkins, não da ciência. Deve-se criticar o Dawkins e o ENTENDIMENTO dele, mas não a ciência em si. É importante também notar que, como não é um REPRESENTANTE daquela religião, não se deve exigir do cidadão comum que ele DEFINA a religião. Para isso, ele deve recorrer às citações das principais referências sobre religião. Assim como para definir ciência, recorremos a Bacon, Descartes, Kant e, recentemente, Karl Popper.

Escrito por lucianohenrique

outubro 12, 2009 em 12:09 am

A fé de um cientista é realmente um tipo de fé totalmente diferente?

com 4 comentários

faith

Claro que não, mas para o neo-ateu João é.

Em seu blog Crônica da Ciência, ele postou dois textos no qual tentava defender os cientistas em relação a possibilidade de possuírem fé. Talvez para ele “fé” seja uma blasfêmia.

Ele aceitava que, se tivessem fé, seria uma fé totalmente diferente do que existe na religião. Os dois artigos dele estão aqui: [1] e [2].

Agradeço também a um dos comentaristas desde blog, Lourenço, que já me deu a deixa e achei extremamente relevante a informação. Lourenço afirmou que a base dos problemas dos neo-ateus está em inabilidade linguística. E concordo plenamente, pois ele me passou um link sobre o metamodelo (da neurolinguística), que explica de maneira excepcional a forma como ocorrem quase todas as confusões que eles fazem. Em sua maioria, eles possuem problemas terríveis de compreensão básica de palavras. Quando eles precisam, então, juntar essas palavras e estabelecer um conceito, aí é que vem a tragédia. Chega a dar pena.

É justamente por isso que não raro escrevem algo como “fé em ciência” e “fé na ciência”, e acham que estão falando o mesmo. Claro que não é o mesmo, pois o primeiro é a fé dentro da ciência (na prática científica), e o segundo refere-se à fé vista de fora. E é uma fé que todos possuem. Basta acreditar que a ciência é o melhor modelo para a explicação do mundo físico e tangível, que já temos fé na ciência.

Outros tipos de confusões incluem:

  • confundir “teologia” com “religião” (só que uma é estudo que dá suporte para  a outra)
  • confundir “religião” com “fé” (já que esta última é um componente humano, apenas – dá até para ver no balãozinho na imagem abaixo)
  • confundir “cientista” com “ciência”, e também com “método científico”, já que este último não possui fé, pois não é humano (só que o cientista possui fé, por ser humano – de novo, está tudo no balãozinho da figura)
  • colocam no mesmo patamar para comparação “cientista” com “religioso”, sendo que se esquecem que o religioso é só um praticante de religião, ao passo que o cientista é executor na ciência (a comparação só seria possível se fosse “teólogo” com “cientista” – nota-se então que o cientista é um profissional que por definição tem que seguir métodos, e o religioso não ganha nada para ser religioso, portanto NÃO precisa seguir métodos).

Mas esses são apenas alguns poucos exemplos, pois praticamente todos os textos desse pessoal são completos de erros linguísticos básicos.

Para entender o modelo de raciocínio baseado em erros linguísticos recomendo a leitura do livro “A Nova Inquisição”, de Robert Anton Wilson.

Antes de seguir, vou colocar uma figura, referente ao modelo de domínio de conhecimento tanto de ciência como religião, abaixo, já revisado. Sugiro que durante a refutação ao João, sempre que surgir alguma dúvida, que se olhe na figura de novo, pois é importante entender os níveis em que os conceitos estão sendo discutidos. Vocês notarão, por exemplo, que em algum momento o João comparará crença em Deus com teorias científicas, o que é absurdo, pois ele só poderia comparar isso com o princípio da ciência. A teoria científica só poderia ser comparada com as teorias da teologia, mas também não para confrontá-las, mas somente para entender se há diferenças no comportamento dos profissionais quanto a elas. Você notará, também, que o João tentará executar a mudança de modo, quando se fala dos cientistas, e ele ao invés de falar em teólogos, irá pular para religiosos (nível 5, da figura, ao passo que os teólogos estão no nível 3). Em suma, o João faz uma confusão dos diabos. Mas vamos à figura:

modelo_de_dominios2

Olhando a figura com atenção e lendo os dois textos dá para achar no mínimo uns 30 erros nas duas abordagens de João.

Ele começa…

Defender o que se acredita vigorosamente é importante para o cientista. Mas isso é fé como em “Fé em Deus”? Eu penso que não, que são coisas distintas. O fervor religioso e intenso associado a manifestações de Fé em Deus não existe na ciência. Einstein dizia que devia estar perto, que um bom cientista teria que ter uma fervor quase religioso pelo universo e pela realidade, que o levasse a procurar respostas e a isso dedicar os seus melhores esforços. Mas isto não é exactamente o mesmo que a devoção a um Deus pai todo-poderoso.

1 – Ele confunde “fé em Deus” com discussão racional a respeito de Deus,já que é isso que o teólogo faz. Aliás, o trabalho de um teólogo não é baseado em “fervor religioso”. O trabalho do teólogo deve ser racional.

2 – Em seguida, ele diz: “Não existe um fervor religioso e intenso associado a manifestações de fé em Deus na ciência”. Entretanto, pessoas que compram um telescópio e ficam olhando para o universo após ler algum livro de “divulgação científica” não são necessariamente cientistas e buscam uma forma de contemplação do universo quase espiritual. Em termos de “fervor” dá no mesmo, embora seja basicamente referente aos leitores de divulgação científica.  Detalhe: eu mencionei os “leitores de divulgação científica”, pois essa atitude deslumbrada é permitida a quem está no nível 5, assim como os religiosos podem estar. São os usuários do conhecimento feitos por cientistas e teólogos. Cobrar método no momento em que um sujeito olha um telescópio ou vai fazer uma prece é no mínimo nonsense.

3 – Ele cita Einstein e diz que o fervor quase religioso pelo universo não é exatamente o mesmo que a devoção a Deus. Não é mesmo, pois a ciência não trata de Deus. Mas é preciso de devoção absoluta e incontestável ao princípio de que as leis são aplicáveis a todo o universo. Nisso, não há diferenças técnicas em relação à conclusão sendo Deus: o princípio da ciência é tão indemonstrável fisicamente quanto a existência de Deus. E desses conceitos, um dá suporte para ciência (universalidade das leis físicas) e o outro para a religião (Deus).

Mas ele ainda se esforça…

Mas aparte da intensidade do sentimento, a diferença entre a fé do cientista e da Fé do crente religioso é enorme na questão da formação do conhecimento. É aí que as duas se separam em categorias diferentes. Enquanto o crente religioso parte da Fé para depois procurar as razões pela qual ele tem essa fé, o cientista tem fé nas suas hipoteses e teorias porque tem suporte cientifico para elas. Mesmo quando formula hipoteses que estão longe de poderem ser testadas, é porque tem uma granda carga teorica por trás que o leva nessa direcção. E nessa carga teorica está o esforço honesto de milhares de homens, e a descrição de teorias e relatos de evidências.

1 – Aqui ele utiliza a técnica de Seleção do Adversário, pois tenta comparar fé do cientista com fé do religioso. A fé do religioso não pode ser discutida neste contexto. Só a fé do teólogo, que é similar à do cientista.

2 – Detalhe que ele também utiliza a técnica de Leitura Mental, para dizer de onde o religioso parte para procurar as razões. Ele simplesmente não sabe. Ele chutou.

3 -Ele também tenta usar a leitura mental para dizer de onde o cientista “tem fé”. Errado. O cientista tira fé de onde ele quiser. Mostrarei durante o texto exemplos de cientistas que não possuem crenças mais críveis do que crenças em espíritos. E o método científico não pode fazer nada quanto à isso.

A conclusão dele, a seguir, não deixa dúvidas sobre seu erro repetido à exaustão (portanto, não será aceito como erro de digitação):

Enquanto para o teólogo a Fé é o ponto de partida para começar a formar conhecimento, para o homem de ciência, a fé na ciência é uma consequência do conhecimento.

1 – Falso, pois para o teólogo existe o aceite de Deus como principio mais do que universal. Não fica em categoria tão diferente da universalidade das leis físicas. O conhecimento é feito de forma metodológica, a partir de técnicas como hermenêutica.

2 – Aliás, “homem de ciência”? Será que João está tentando criar uma categoria nova para englobar cientistas e leitores de divulgação científica, colocando tudo no mesmo saco? Risível.

3 – Ele tenta dizer que “fé na ciência” é consequência do conhecimento. Mais uma vez isso não é diferencial da ciência, pois qualquer conclusão humana é consequência do conhecimento.

Ele apela à Enciclopédia Britânica, mas não obtém muito sucesso:

A enciclopaedia Britânica diz assim: ” É distinguida da filosofia (a teologia) por estar dedicada a explicar e a justificar a fé, em vez de questionar os pressupostos subjacentes a tal fé, mas muitas vezes emprega métodos quase filosóficos ” (1). Em relação à ciência a questão é semelhante, embora a ciência tenha a filosofia a questionar os seus pressupostos. Mas as teorias cientificas sofrem uma grande abuso de duvida até se considerarem um facto. Que é de onde a fé parte. A ordem, é outra. A Fé em Deus é acreditar que se encontrou. A fé na ciência é muito mais acreditar que se pode encontrar. Dá origem a visões distintas do mundo. Há quem consiga manter ambas as visões em simultâneo, mas este post não é sobre isso – não é sobre poder ter-se Fé em Deus e ser-se cientista ao mesmo tempo. É sobre a diferença entre os tipos de Fé. Para elas serem iguais, era preciso que houvesse uma prova inequivoca da existência de Deus e uma forma objectiva de O poder estudar. A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. E como diz na E. Britanica, o procedimento é quase filosófico. Falta o quase. Outra vez.

1 – Isso aqui chega a ser bizarro, pois ele cita uma definição da Enciclopédia Britânica para criticar a Teologia, sendo que a mesma definição é válida para a Epistemologia, pois a epistemologia se distingue da filosofia, por estar dedicada a explicar e a justificar a ciência, em vez de questionar os princípios da ciência e muitas vezes emprega métodos quase filosóficos.

2 – Pelo menos ele reconheceu que em ciência (epistemologia) é semelhante, mas erra ao dizer que “a ciência tem a filosofia a questionar os seus pressupostos”. Erro grosseiro, pois tanto epistemologia quanto teologia são sub-áreas da filosofia, e ambas não questionam os seus princípios fundamentais. São estes princípios que dão base para o estudo.

3 – Em seguida ele, que falava de teologia, pula AUTOMATICAMENTE para falar o seguinte: “Mas as teorias cientificas sofrem uma grande abuso de duvida até se considerarem um facto.”. Mas que raio é isso? O cara confundiu teorias científicas (que estão no nível 4, da figura) com os PRINCÍPIOS por trás da ciência, que estão no nivel 1. João, preste atenção!!!!! Não confunda pressupostos da epistemologia com pressupostos de uma teoria científica.

4 – Teorias científicas não são para serem consideradas um fato, e sim tratadas como válidas ou inválidas.

5 – Ele diz que para fé em ciência e religião serem iguais era necessário que “houvesse uma prova inequivoca da existência de Deus e uma forma objectiva de O poder estudar”. Loucura total! Já que não existe uma prova inequívoca de que as leis físicas valem em todo o universo, e a ciência continua válida. Motivo: isso é PRINCÍPIO (axioma), tomado como base para que se habilite o estudo.

6/7 – Ele ainda diz: “A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. E como diz na E. Britanica, o procedimento é quase filosófico. Falta o quase. Outra vez.”. Dois erros em um só, pois o “quase” que a Enciclopédia Britânica trata é em relação ao método filosófico por trás da teologia. E não o “quase” em relação à comprovação física do objeto de estudo. E ao dizer que “A ultima vez que me debrucei sobre o assunto, essa prova não era inequivoca e final. “, ele naturalmente apela para a credulidade dele para definir algo como válido ou não. Ou seja, falácia infantil até.

A seguir, é bobinho:

Acreditar, a palavra “acreditar”, tem significados opostos em ciência e em crenças como “acreditar” em bruxas.

1 – Ué, da mesma forma que “acreditar” tem significados opostos em teologia  e em crenças como  “acreditar” em bruxas. Se ele está tentando a falácia do espantalho para maquiar a religião para ser tratada como o mesmo que “crença em Bruxas”, essa tática não funcionará.

Mas ele ainda diz ser generoso, pois faz “concessões”:

Concedo que superficialmente sejam a mesma coisa. Mas só superficialmente. Se ambos os significados se referem à identificação de algo como sendo verdade, as semelhanças acabam aí. Porque um se refere a uma crença pessoal e o outro se refere àquilo que podemos provar que é universalmente verdade, usando os meios mais adequados possíveis para o fazer. Um “acreditar” é acreditar porque parece que sim, e o outro “acreditar” significa conhecer. A palavra é a mesma, mas os seus  significados são tão distintos como isso – como acreditar simplesmente, é diferente de conhecer.

1 – A idéia de que se pode provar algo como universalmente verdade é um axioma, tal qual Deus, portanto, não é uma crença pessoal.Logo, fé em Deus não é apenas uma crença pessoal.

2 – E mais, crença científica não é o mesmo que “conhecer”. O “conhecer” tem um significado igual para religião e para ciência. Da mesma forma “acreditar” tem um significado igual para religião e para a ciência. Aí é só estudar o dicionário.

E tome blá blá blá…

Crença na ciência, não é crença como em “crença em espíritos”.

1 – Natural, pois todos tem crença na ciência (não é o mesmo que “crença em ciência”, mas vá lá). Nem todos tem crença em espíritos. Mas alguns cientistas possuem crença em memes, que estão na mesma categoria dos espíritos. Uma grande quantidade de cientistas possui crença em vida alienígena fora da Terra. Dá no mesmo. Resultado: como em TODAS as tentativas frustradas de João, aquilo que ele aponta como sendo um DIFERENCIAL da ciência, não é um diferencial. É apenas uma falha linguística dele.

Daí ele enfia o conceito do “cético” aqui, sabe-se lá porque:

Se por exemplo um céptico acredita em ciência, não é por ter uma memória enciclopédica de todo o conhecimento cientifico. É porque conhece o que significa uma afirmação cientifica. Porque sabe o trabalho sistemático e aberto a critica que está por traz. É dai que parte a crença. Na crendice, a própria crença é a base do conhecimento. É óbvio que uma pessoa não pode verificar todas as evidencias experimentais que corroboram uma teoria, é preciso acreditar que quem o fez foi honesto (pelo menos durante os primeiros tempos após uma publicação). Mas isso é longe de ser algo baseado na crença simples. Essa crença é apoiada em conhecimento. De que determinada coisa foi obtida através do melhor meio possível de obter conhecimento que chegou à humanidade. E existem meios para se por isso em causa. E é posto em causa! As mentiras mais tarde ou mais cedo são descobertas.

1 – A afirmação de “céptico acredita em ciencia… porque conhece o que significa uma afirmação cientifica” é leitura mental, com a diferença de escolha de atributos de elogio ao invés de atributos pejorativos. Como é leitura mental, não serve como a alegação.

2 – Ele diz que “na crendice, a própria crença é a base do conhecimento”. Só que religião não é o mesmo que crendice. Embora possam surgir crendices da religião. Assim como podem surgir crendices da ciência.

3 – O meio pelo qual um cientista “sabe” ou deixa de saber sobre a ciência é irrelevante, pois a ciência possui um MÉTODO CIENTÍFICO, portanto o erro de João segue em associar todos os atributos do método cietnífico aos cientistas, o que está já desmascarado, como já visto no exemplo de cientistas que acreditam em memes e ETs. Cientistas possuem fé, e alguns casos fé cega.

4 – Ele erra ao dizer que “acreditar” é diferente de conhecer. Ele deveria estudar Gestão do Conhecimento, que define que o conhecimento intuitivo das pessoas é parte do CONHECIMENTO TÁCITO. Por exemplo, a conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito é parte do processo de Gestão do Conhecimento.

5 – O fato de “mentiras serem descobertas” em ciência não é um diferencial da ciência, é uma característica de qualquer área profissional. Em teologia, mentiras também são descobertas.

Ele apela para o espantalho de novo:

Pôr esse tipo de crença articulada e inteligente ao nível de uma “crença pela crença” (ou ao nível do conhecimento baseado na crença), em que a ordem do processo cognitivo é inversa, é um disparate. Não são exactamente a mesma coisa.

1 – Crença em ciência e em religião são a mesma coisa. Ele tentou diferenciá-las usando um “crença pela crença”, que é similar à fé cega.Mas isso não passa de falácia do espantalho, pois nem mesmo religiosos em geral são assim. Talvez alguns sejam, mas o João (leigo em ciência) também possui “crença pela crença” em todo o discurso dele. Já para o teólogo não, pois este não pode empregar “crença pela crença” em suas teses formais de teologia, caso contrário ele não consegue sequer trabalhar.

Aqui ele tenta justificar:

Se me disserem que é preciso pelo menos acreditar em alguns pressupostos (para fazer ciência), pois claro que é, mas são muito simples. São pressupostos tão básicos que se forem falsos, nenhuma outra forma de conhecimento é possível. Pressupostos com acreditar que a realidade existe e que é inteligível. Se há uma crença em ciência é a de que a realidade pode ser explicada. Mas se não pode ser explicada, isso afecta qualquer outra forma de pensamento que faça qualquer tipo de afirmações. Porque se o real não existe ou é incompreensivel, não há maneira de validar afirmações. Sejam elas quais forem. É como aceitar que é verdade que a verdade não existe. Não leva a lado nenhum.

1 – Tentar justificar o aceite dos axiomas da ciência não passa de FALÁCIA DO APELO À CONSEQUÊNCIA. Todo o parágrafo dele não passa disto. O correto seria João aceitar que existem tais axiomas na ciência, assim como existem axiomas na religião.

Por outro lado se o que se põe em causa é a confirmação das afirmações e saber se determinado estudo existe ou não, se é fraude ou não, isso também é absurdo quando feita a acusação de um modo generalizado. Porque para alem de existirem estudos falsos, e maus artigos, e “peer review” insuficiente, a regra é que o processo de auto-questionamento da ciência os encontre. Acreditar que a ciência só é autocrítica na nossa própria área de conhecimento é ilógico.

1 – Ele segue aqui com o erro grosseiro de tratar do dia-a-dia das teorias científicas e tenta comparar isso com a crença em Deus. Ele só poderia comparar a crença em Deus com a crença na universalidade das leis físicas. Basta ver na figura.

E lá vem mais…

Também podemos sempre ver o ranking da revista em que foi publicado, se teve “peer-review”, seguir as citações para ver os pressupostos em que o artigo se baseia, ler sobre as críticas que tenham sido publicadas (há sempre ou quase), ver como os autores conseguiram fazer o estudo (que meios tiveram, quem pagou, quem orientou, que interesses têm) etc. Em resumo, podemos em pouco tempo verificar se está a ser feita ciencia ou não. Mesmo que não consigamos perceber nada sobre o que estamos a ler, acreditar numa conclusão de um artigo cientifico porque podemos confirmar que foram cientistas a fazer ciencia, é uma constatação de que o conhecimento em causa é científico. É diferente de acreditar numa afirmação que nós não sabemos que processo cognitivo lhe deu origem, ou que sabemos não ter origem em investigação sistematica e metódica. Mais uma vez, este “acreditar” é mais “conhecer” ou “aprender”.

1 – Todo o começo do discurso dele neste parágrafo fala sobre teorias científicas, quando na verdade para comparar com a questão Deus ele tem que falar dos AXIOMAS da ciência, que estão em nível muito acima das teorias. Ele repete esse erro ad nauseam.

2 – Ele continua errando ao dizer que “acreditar” é mais “conhecer” ou “aprender” em ciência. Errado. “Acreditar” e “aprender” são ambos parte do CONHECIMENTO TÁCITO. Daí para a conversão deste conhecimento em conhecimento explícito, são outros 500.

Ele tenta fugir pela tangente:

E depois, existe outra coisa, que é a articulação do que está em causa, dessa afirmação hipotetica que queremos validar, com as coisas que nós conhecemos cientificamente em primeira mão. A ciência articula os seus conhecimentos como se fosse um puzzle da realidade. E a realidade, se pudémos aprender alguma coisa, é só uma.

1 – Mais um erro grosseiro: “A ciência articula os seus conhecimentos como se fosse um puzzle da realidade”. Essa informação é totalmente falsa. A ciência talvez seja um puzzle da realidade FÍSICA e TANGÍVEL (tem que ter os dois atributos, não só um). A realidade é só uma, mas ela engloba todos aspectos da realidade, como a realidade matemática, a realidade lógica, a realidade subjetiva, a realidade física, etc.  Dizer que a “realidade é só uma” é uma afirmação correta. Mas a ciência não trata desta “única” realidade, só de pequenos recorte da realidade. De novo: a realidade FÍSICA e TANGÍVEL.

E, como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí mesmo é que não sai nada:

Este texto todo é para dizer que crença em ciência tem um significado totalmente diferente de crença em outra coisa. É mesmo o inverso. Uma é acreditar porque existem evidencias e depois raciocínio que o suporta – outra é fazer o raciocínio e procurar as evidencias porque temos a crença. Não é a mesma coisa. E a confusão é perigosa.Quanto às dissonancias na ciência, existem claro, é a natureza do bicho, mas não são assim tão graves. É deixar para os especialistas em cada matéria a afinação das coisas mais complicadas. Não serve para invalidar a ciencia como o corpo de conhecimentos mais consistente que a humanidade tem. É um exagero falacioso esta linha de argumentação. Tipo argumento das lacunas. Pelas razões ja exploradas anteriormente.

1 – Como tudo que João escreveu, está errado de novo. O significado de crença em ciência é o mesmo de crença em qualquer outra área do conhecimento humano.

2 – Ele não sabe os motivos pelos quais um cientista acredita ou um teólogo acredita. Tudo que ele tentou aqui é chute.

3 – Ninguém aqui tentou invalidar a ciência como UM DOS corpos de conhecimentos mais consistentes existentes. Não dá para dizer que é o MAIS consistente. Tanto que ele fica abaixo da filosofia, que gerencia tanto os corpos de conhecimento da teologia e da epistemologia.

E para encerrar…

É natural que João se ILUDA com ciência e faça os discursinhos dele sobre ciência no estilo “divulgação de ciência”.

Ele diz que a área de trabalho dele é ciência, mas ele é um Médico Veterinário.

Isso não o desmerece, de forma alguma, como profissional, mas não o reputa como um cientista.

Esse é o grande erro dos leitores de “divulgação científica”. Acham que falam de ciência quando na verdade nem possuem idéia do que é ciência. Ele deveria reconhecer suas limitações, mas não o faz. E por isso é mais fácil ainda refutar sua ladainha.

Os erros de João demonstram a incapacidade dele não só de falar sobre ciência, como também de utilizar a comunicação humana. Todos os erros dele são erros não só conceituais, como também linguísticos.

Uma sugestão para João é que na próxima, ele deixe de tratar a ciência, e tente explicar CIENTIFICAMENTE como um cientista não possui fé ou crença, mas faça isso CIENTIFICAMENTE. Talvez ele possa tentar com um PET-SCAN do cérebro do cientista mostrando que o sistema límbico profundo (repositório das emoções, incluindo a fé) é menos ativo em um cientista do que em um teólogo. Sem algo assim, nada feito.

Do jeito que estavam as colocações dele, os dois textos viraram uma confusão de manipulação semântica que tornam o argumento dele totalmente sem sentido. Em uma hora, João falava de religião e em seguida pulava para teologia, e depois… slip…  pulava para crença pessoal. Claro que um leitor menos cético não perceberia as estratégias erísticas e técnicas de mudança de modo, mas justamente o foco deste blog é apontar tais irracionalidades usadas para enganar os outros na pregação do neo-ateísmo.

Dica ao João: tente de novo. Mas procure um psicólogo cognitivo antes.

Escrito por lucianohenrique

setembro 29, 2009 em 12:49 am

Técnica: Seleção do Adversário

com 5 comentários

strong_and_weak

Última atualização: 23 de setembro de 2009 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

É uma das técnicas mais utilizadas pelos neo-ateístas, em especial quando estes querem simular um falso conflito entre ciência e religião.

É preciso de uma certa experiência em debates para identificar tal técnica. A boa notícia: após algum tempo de prática o teísta ficará imune à essa fraude intelectual.

Durante a execução da técnica, os neo-ateus se disfarçam de “porta vozes da ciência” e então estabelecem algumas comparações, colocando em oposição ciência e religião. Nessas comparações a ciência sempre venceria a religião.

Na verdade, essa técnica é simplesmente a Seleção do Adversário.

A Seleção do Adversário funciona basicamente da seguinte maneira: por medo de falar sobre interpretações corretas de ciência e religião, eles afirmam que ciência e religião estão em luta, e então colocam um componente da entidade que dizem defender (ciência) em duelo com um componente falso (ou mal associado) do adversário (religião). Depois disso, fingem que a religião foi derrotada. [N.E. - Eu duvido que exista tal conflito entre ciência X religião, mas como os neo-ateus acreditam nessa bobagem, eles colocam ciência e religião em duelo. Estou apenas assumindo essa premissa deles.]

No mundo dos esportes seria o mesmo que o time do Corinthians se recusar a jogar contra o time do Palmeiras. E então criar um falso jogo, e colocar a camisa do Palmeiras em alguns torcedores do Palmeiras, mas que não sejam atletas. Isso é para que o Corinthians possa ganhar o jogo com extrema facilidade, pois se os verdadeiros atletas do Palmeiras estivessem jogando, o jogo seria difícil.

Geralmente essa técnica é usada quando o neo-ateu começa com um discursinho assim: “o religioso age assim… em contraposição ao cientista que age assim” ou “a diferença entre Deus e a teoria da evolução é que esta é testável”. Quando essa ladainha começa, podem ter certeza que o sujeito está aplicando a técnica de Seleção do Adversário.

Para facilitar a identificação da técnica, vejam a imagem abaixo:

modelo_de_dominios

Não vou me aprofundar em detalhes na explicação teórica do modelo, pois em breve haverá aqui um artigo específico para isso.

Entretanto, somente com a observação da imagem já dá para notar que há um modelo de domínio que descreve exatamente os principais componentes da religião e da ciência. Escolhi esses dois por serem justamente os domínios que os neo-ateus dirão ser conflitantes. Detalhe: cada componente está em um nível diferente (dá para notar pelos números). A comparação entre componentes só poderia ser feita pelos que estão em nível similar. Ou seja, princípio da religião comparado com princípio da ciência, teologia com epistemologia. E daí por diante.

Portanto, se o debatedor neo-ateu fosse honesto intelectualmente, ele saberia que ele só poderia comparar o trabalho de um teólogo com o de um cientista, pois ambos são ESPECIALISTAS em seus domínios de conhecimento.

Lembre-se que o neo-ateu não participa do jogo, ele simplesmente cria um FALSO jogo no qual ele coloca “religião X ciência” em disputa, e diz que a ciência ganhou, e a religião perdeu.

Da mesma forma, é possível que alguém que queira difamar a ciência (assim como os neo-ateus querem difamar a religião) use essa técnica. Ele poderia chamar o caseiro do sítio, que é um usuário de pesquisa científica (pois todos são), e perguntar para ele o que á teoria da relatividade. Aí ele só vai dar uma visão metafórica e até incompleta da teoria. Aí o difamador sairia pulando dizendo “derrubei a ciência, derrubei a ciência, iupiii”.

Como se nota, é picaretagem em alto grau. Uma sem vergonhice.

É importante observar o modelo na imagem acima e entender as refutações abaixo, pois, se um neo-ateu usar essa técnica no debate e o teísta NÃO PERCEBER, este último perde o debate com certeza.

Entretanto, se o teísta conhecer a refutação, o neo-ateu dificilmente terá chances no debate, pois provavelmente este entrou para falar de um suposto jogo com dois adversários escolhidos por ele. Sendo que do lado da religião ele escolheu um componente errôneo justamente para criar uma falsa sensação de vitória da ciência.

A sensação, para o neo-ateu, seria a mesma do time do Corinthians ao ver a notícia: “Olha, vocês não vão jogar mais com um grupo de torcedores, e sim com os ATLETAS do Palmeiras”.

Será que o neo-ateu está preparado para ver a ciência e a religião de forma que realmente elas são?

Faça o teste com eles e veja.

Refutação

(1) Refutando um neo-ateu que tenta comparar Deus a uma teoria científica:

  • NEO-ATEU: A diferença entre a crença em Deus e a crença em uma teoria científica é que esta última está passível de métodos.
  • REFUTADOR: Mas Deus não está no status de uma teoria científica.
  • NEO-ATEU: Então não podemos acreditar nele.
  • REFUTADOR: Deus é aceito como um princípio, assim como na ciência existe um princípio aceito, dentre muitos, que é a universalidade das leis físicas.
  • NEO-ATEU: Como é?
  • REFUTADOR: Nós não sabemos se as leis da física valem em todo o universo, mas ACEITAMOS isso racionalmente, pois sem isso a ciência não acontece. Assim como se aceita tal princípio da ciência, de forma racional, aceitamos Deus também de forma racional.

[A partir daí, o neo-ateu provavelmente vai espernear ainda um pouco, mas é só não se esquecer da hierarquia e do status de cada componente (itens 1 a 4, da figura) para mostrar que o neo-ateu estava tentando malandramente colocar o mesmo status de uma teoria científica para Deus. Aliás, a universalidade das leis físicas não é uma teoria científica. Ela é aceita racionalmente, assim como Deus. No modelo acima, Deus está no nível 1, ao passo que teoria científica está no nível 3, pois é um produto de trabalho de um player ou mais players (cientistas).]

(2) Refutando um neo-ateu que tenta comparar o religioso a um cientista:

  • NEO-ATEU: Eu escolho a ciência ao invés da religião, pois a diferença entre um religioso e um cientista é que este último usa um método para se chegar à verdade.
  • REFUTADOR: Já errou na comparação, pois cientista é um profissional, e um religioso não é. Portanto, só um profissional irá confiavelmente seguir métodos para executar sua profissão em sua área de conhecimento.
  • NEO-ATEU: Mas é uma diferença básica…
  • REFUTADOR: Se há uma diferença, há uma diferença de função. Por exemplo, os usuários de pesquisas científicas (são a totalidade da população mundial, menos as Testemunhas de Jeová) são apenas praticantes, assim como os religiosos. Estes não seguem método científico algum. Na verdade, se seguirem métodos ou não, isso não fará diferença.
  • NEO-ATEU: Mas para a ciência faz…
  • REFUTADOR: Não faz nenhuma diferença. O único que precisa seguir o método científico é o cientista. Se ele seguir, está bom. O teólogo também segue métodos, como por exemplo a hermenêutica e a lógica.
  • NEO-ATEU: Mas a diferença é que o cientista sempre tem dúvida, e o religioso parte da fé para justificar suas crenças.
  • REFUTADOR: O religioso pode até partir da fé, se quiser, mas pode partir da razão também. Mas ele é religioso, e não um profissional. Somente quem não irá EXECUTAR a fé no trabalho é o cientista (que pode ter fé, desde que o seu trabalho não seja só baseado nisso), assim como o teólogo.  Mas, voltando para as comparações, os religiosos, os leitores de divulgação científica, os leitores de Dawkins e o resto podem ter tanta fé quanto quiserem, pois não estão no domínio de conhecimento a ponto de alterar este domínio. Só quem pode isso são teólogos (do lado da religião), e cientistas (do lado da ciência).

[Então a partir disso basta ficar explicando para o neo-ateu o que é ciência, o que é religião, e o que cada componente significa em cada uma delas. Muitos podem se recusar a aceitar esse esclarecimento, se forem fanáticos. Mas o público que acompanha o debate verá que o neo-ateu está tentando maquiar conceitos, ao passo que o teísta, se agir conforme demonstrado nos dois exemplos acima, estará agindo em busca da verdade.]

Dicas

  • Uma forma de identificar fácil o uso da técnica é ver os números dos componentes que são colocados em comparação. Se os números associados a eles (ver na figura) forem diferentes, há fortes suspeitas de fraude intelectual. Ex.: “religioso X cientista” (4,3), “Deus X teoria científica” (1,3), etc.
  • Muitos neo-ateus NÃO SÃO CIENTISTAS (raros deles são) e fingem serem “representantes da ciência’. Eles costumam ficar irritados quando se descobre que eles não são o que afirmam ser.
  • A fé é um componente que está presente em todos praticantes, que estão no nível 4, e também presente nos participantes do nível 3, tanto em teólogos quanto cientistas. Só que os que estão no nível 3 são profissionais, portanto precisam utilizar um método para atuação. Quem está no nível 4 não faz uso dos mésmos métodos, pois é regido só pela sua consciência.

P.S.: A importância de dominar as refutações à essa técnica é tamanha que, para se ter uma idéia, livros neo-ateus que fingem “divulgação de ciência” são praticamente todos construídos em cima desta técnica. Dominando as refutações, grande parte do castelo de areia neo-ateísta é derrubado.

Escrito por lucianohenrique

setembro 23, 2009 em 12:08 am

A difícil arte de dialogar com os neo-ateus Parte 3 OU Mapeando aqueles que tentam validar uma falácia da composição

com 16 comentários

freddy_krueger

Isso está parecendo série de filmes (de terror, diga-se), e já chegamos a parte 3! E junto sai a parte 4!!!

E o mais interessante de todo esse tipo de debate é ver como os neo-ateus reagem de maneira furiosa quando seus dogmas são questionados, como fiz no post “Ciência X Religião: Retardo Mental” e neste “A Difícil Arte de Dialogar com os Ateus Parte 2 OU Como Discutir com Aquele Que Não Lê o Que Está Escrito”, que deu sequência aos argumentos do post anterior. Uma lida em ambos é interessante para compreender essa refutação aqui.

Aqui comentarei as objeções vindas do blog Crônica da Ciência, com os textos “Ciência Não se Corrige II”, que é uma sequência de “Ciência Não se Corrige”. Eu já havia refutado o primeiro texto dele, mas como ele incluiu um Adendo, comentarei tudo junto.

Há também outra objeção no blog do amigo dele, Ludwig, que é refutada na parte 4, publicada juntamente com este.

E ambos os posts deles vieram confirmar uma das teses principais mostradas nesse blog: esses neo-ateus que alegam serem “divulgadores de ciência” não tem capacidade para falar nem de ciência e muito menos para falar de religião. Não passam de curiosos. Ou, como diria Olavo de Carvalho, palpiteiros.

Então, quando esse tipo de argumentador tenta fazer argumentação entre ciência e religião, o resultado que sai é lixo, pois a junção de merda com mais merda resulta em uma merda bem fedida.

Notem como a crítica de João começa:

“Mas a sua justificação para dizer que a ciencia não se corrige é basicamente dizer que a ciência não se corrige porque não tem intencionalidade ou coisa parecida. Isso não só reduz o texto original a um conteúdo ainda mais pequeno, onde só sobram falácias de apelo emocional, como é rídiculo:”

A série de erros cometidos aqui é gritante. Inclusive erros básicos de compreensão de texto.

Um deles salta aos olhos de imediato, que é afirmar que eu disse que ciência não se corrige. Não há nada disso sendo afirmado em nenhum dos meus textos. Se ele tivesse lido o primeiro texto com atenção, saberia que eu disse que tanto “ciência se corrige” como “ciência não se corrige” são afirmações equivocadas. Só isso. O que ele afirmou acima só pode ser catalogado como fuga da realidade.

Só que o debate com o João me fez lembrar de um ponto, cujo esquecimento constituiu para mim a única grande falha do meu texto original. Naquele texto, eu me esqueci de citar que a expressão “ciência se corrige” é uma falácia da composição.

Mas se esqueci, faço agora.

Falácia da Composição
A falácia da composição consiste em afirmar que o todo possui a mesma propriedade de suas partes ou de uma de suas partes.
Exemplos:
  • “As células não têm consciência. Portanto, o cérebro, que é feito de células, não tem consciência.”
  • “Cada tijolo tem três polegadas de altura, portanto a parede de tijolo tem três polegadas de altura. “
Essa falácia pode ser encontrada em qualquer bom guia de falácias, que podem ser encontrados na Internet. Um exemplo: A falácia da composição é uma falácia que ocorre sempre que se admite que aquilo que é verdade para uma parte do sistema, então também é verdade para todo o conjunto, sendo muito frequente no raciocínio económico. Por exemplo, se a quantidade de peixe pescado por uma traineira num determinado dia for excepcionalmente elevada, o rendimento dos seus pescadores aumentará; contudo, é natural que, se todas as traineiras conseguirem pescar quantidades de peixe muito elevadas, o rendimento do conjunto dos pescadores seja mais baixo. Concluir o contrário seria cair na armadilha da falácia da composição. (Fonte: http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/falaciadacomposicao.htm)

———
Agora ficou claro o motivo pelo qual eu dificilmente iria atribuir algo que ocorre para as partes (teorias científicas, que não são o todo da ciência, pois além das teorias, há o sistema, o método, as instituições, os profissionais de pesquisa, etc.) para o todo (a ciência). Se eu passo um checklist de falácias em meus textos de argumentação, eu não poderia afirmar que “ciência não se corrige”, apenas por que isso é o comportamento de uma de suas partes.

Curiosamente, ele, que defende esse erro lógico grotesco, me acusou de cometer a falácia do apelo emocional.

Isso mostra que ele não conhece o guia de falácias ou a natureza desta falácia citada.

Vamos à explicação: a falácia da emoção ocorre quando o argumentador tenta manipular os sentimentos do outro debatedor, ao invés de usar uma lógica válida, para tentar vencer uma discussão.

Uma coisa que aprendi é que utilizar-se de uma falácia é algo que faz alguém perder pontos em debate. Só que identificar uma falácia erradamente em um oponente é pior ainda, pois além de mostrar desconhecimento de lógica, tenta-se corrigir o texto de um outro que estava correto. A vergonha é dobrada. Recomendo ao João, portanto, que sempre que tentar identificar falácias em textos de outrém, que dê uma passada de olhos em um checklist de falácias para ver se não foi cometido um erro na própria identificação, ou até se a falácia identificada está classificada corretamente. Eu sempre faço isso.

Ele ainda tentou citar algumas analogias (entre elas a piadinha “é errado dizer que Luciano se corrige”), e errou em tudo, pois se eu me corrijo, isso não implica em que automaticamente a entidade Administração seja corrigida.

Agora, uma intervenção… peço de novo desculpas por não ter percebido algo desde o texto anterior: descobri em debates com João e seus amigos que eles gostam da teoria dos memes, de Richard Dawkins. Não é bem uma teoria científica, estando mais para a pseudociência, e se baseia na idéia de que o modelo da seleção natural (que é para seres vivos, organismos em geral, etc.) se aplicaria também às idéias. Dessa forma, as idéias seriam os memes, unidades de informação que se autopropagariam. Como se vê, uma crença besta, mas que permite facilmente visualizar ação para conceitos, pois se eles já se autopropagam, então é possível atribuir intenções a eles também. Dessa forma, a ciência seria um grande meme, e a religião seria outro grande meme. E aí esses memes, para sobreviverem, nos pediriam que façamos alguma coisa. Como se vê, charlatanismo total.

Mas de novo, o fato de eu entender por que ele prega a falácia da composição dele como fato não implica que ela seja válida.

Abaixo ele tenta discutir ainda o motivo pelo qual a analogia dele seria válida:

“O Luciano diz que a analogia não é valida. Que ele ao corrigir-se não está a AUTOMÁTICAMENTE a corrigir a administração a que pertence. Eu acho que isso depende do que é que ele se está a corrigir. Respondi-lhe isto: Sim, a administração não existe. O que voce fizer e disser não tem implicações para a administração. Bravo. Daqui a nada temos os primeiros ministros a dizer que não estão a governar o país que quem governa é o governo. E eles não são o governo, apenas fazem parte dele. O governo não erra, eles é que podem errar. Mas o governo esta bem e não erra. Onde é que vai dar a tua argumentação? A uma dissociação total entre o todo e as partes? A que nenuma generalização seja possivel fazer? A que ninguem seja responsavel por nada?”

Esse trecho acima foi publicado após o meu segundo texto, dessa forma ele não deveria ter cometido falha tão banal.

Equívoco, aliás, oriundo da falta de atenção, pois o meu primeiro texto mostrava a besteira que era afirmar que “ciência se corrige”.

Explica-se: o primeiro texto foi baseado na origem da definição Ciência. E, na situação padrão de ciência, nós não usamos metáforas. Nós tratamos tudo literalmente, pois as afirmações devem ser de testabilidade direta ou indireta.

Só que no segundo post, eu fui muito mais condescendente. Se ele tivesse lido com atenção veria essa condescendência, e que eu aceitaria, a título de argumentação, que “ciência se corrige”, SE E SOMENTE SE a definição for uma metáfora.

E então eu mostrei um modelo lógico no qual seria possível afirmar que ciência se corrige.

E se ele tivesse lido, teria visto que eu criei o modelo abaixo:

“‘Em caso de um ou mais [players] executarem ação(ões) quanto a um ou mais [componente(s)], isso automaticamente significa que [entidade] executou essa ação sob si própria’. Sem o modelo acima, não é possível que se valide a tal metáfora.”

———

Um modelo como o acima é o único que permite atribuir à entidade principal (no caso, ciência, ou religião, ou administração), a ação que é executada por uma de suas partes. Notem que ainda continua sendo uma metáfora, mas não é possível aceitar a definição “ciência se corrige” sem um modelo assim.

E se tivesse lido o modelo com atenção, não teria escrito que eu queria que a argumentação resultasse em “dissociação total entre o todo e as partes”. Errou! Na verdade, o que eu sugiro é o entendimento do que são as partes e a atribuição de responsabilidade de forma correta para cada uma das partes, para assim então definir corretamente o que é o todo.

Vou dar um exemplo muito fácil de se entender: o CRM.

Em todas organizações de grande porte, existe um sistema CRM (que vai além do software, mas é este que abordarei aqui). Pode-se referir a ele também como “Gestão de Relacionamento com o Cliente”.

Existe então a entidade CRM, que inclui um sistema e também um conjunto de processos organizacionais que dão suporte ao dia-a-dia das atividades comerciais e de relacionamento com o cliente. Automaticamente, quando um lead (ou potencial de negócio) surge, ele é cadastrado no sistema. Esse lead pode ser convertido em uma oportunidade. Após a avaliação, durante o processo de venda, um lead pode ter seu status alterado para “Dead” e o mesmo pode ocorrer com uma Oportunidade. Quem já consultou uma das perspectivas de um sistema CRM (existe a perspectiva da força de vendas, da gestão, balanced scorecard, etc.), sabe que é possível consultar todas as oportunidades e leads, sejam elas convertidas em vendas ou não. Esse histórico é importantíssimo para a manutenção do conhecimento empresarial. Pois nao é só importante entender as iniciativas que deram certo, mas também as que deram errado.

É um absurdo afirmar que durante a rotina das vendas, ao se alterar uma oportunidade para “Dead ” (ou seja, alguém pensou que seria uma venda, mas não foi, que é o mesmo que o erro de uma teoria científica), isso implicaria em “O CRM errou e se corrigiu”.

Claro que não se corrigiu, pois o sistema já está incorporando essa avaliação. O sistema é justamente para existir essa avaliação.

O erro de João foi tentar dizer que o conjunto de todas as teorias é ciência, mas é errado, pois o conjunto de todas as teorias é APENAS uma das partes da ciência. Há também o método, o modelo científico, as instituições científicas, os profissionais, a filosofia da ciência, os livros sobre ciência, etc.

Para evitar esse tipo de erro, recomendo deixar de ler “divulgação de ciência”, que é no máximo a periferia da ciência, e partir para entender o que a ciência realmente é. É importante olhar para tudo o que foi construído sob o nome ciência, e notar que a ciência é muito mais do que João pensa.

E justamente por ser tão importante assim, não pode ser banalizada com metaforazinhas que não definem o que é realmente ciência.

Escrito por lucianohenrique

setembro 7, 2009 em 3:34 am

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.